Professores sob ataque: o silêncio do poder e o colapso da escola

A verdade é dura, mas precisa ser dita: o poder público municipal tem falhado em proteger seus servidores, especialmente os professores. E não se trata apenas de segurança física. Trata-se de respeito, de valorização, de reconhecimento.

(Por: Professor Jonas A. Fusiger, Presidente do Sindicato dos Servidores do Município de Santa Rosa, RS)

A violência contra professores não começa no momento em que um grito ecoa dentro da escola ou quando uma agressão física acontece. Ela começa muito antes — no discurso, na deslegitimação cotidiana, na construção lenta de uma narrativa que transforma o educador em inimigo.

Nos últimos anos, assistimos à banalização do ataque à educação. Autoridades públicas, que deveriam zelar pela dignidade das instituições, passaram a tratá-las como espaços de doutrinação, suspeita e desprezo.

Discursos inflamados de deputados, a retórica simplista e agressiva da chamada “escola sem partido”, ataques reiterados de lideranças políticas às universidades e aos professores, e até falas de líderes religiosos que demonizam o papel docente: tudo isso não é isolado. É um projeto. Um projeto que desautoriza o professor diante da sociedade.

Quando se diz que o professor “não trabalha”, que “doutrina”, que “não merece reconhecimento”, está se abrindo caminho para algo mais grave. Está se autorizando, simbolicamente, a agressão.

E essa violência, que parecia distante, agora explode em nosso próprio território, em Santa Rosa, RS. Não é surpresa. É consequência. Nós, professores, já somos agredidos há muito tempo — de forma institucional.

Somos agredidos quando governos retiram nossa autonomia pedagógica, impondo aprovações automáticas de alunos que não tiveram condições mínimas de aprendizagem.

Leia também: www.neipies.com/educacao-sob-ataque-entre-o-silencio-dos-governos-e-a-omissao-da-sociedade/

Somos agredidos quando aquilo que deveria ser uma política séria de inclusão se transforma, na prática, em abandono. Alunos com necessidades específicas, que têm direito a um atendimento digno, com equipe multidisciplinar, acompanhamento especializado e condições adequadas, são simplesmente colocados em salas superlotadas, sem o suporte necessário. Isso não é inclusão — é negar a esses estudantes o cuidado que merecem e, ao mesmo tempo, impor ao professor uma responsabilidade impossível de ser cumprida sozinho. É injusto com o aluno, é desumano com o professor e é desonesto com a própria ideia de educação inclusiva.

Somos agredidos quando a Secretaria de Educação desrespeita o mínimo necessário de tempo para o planejamento das atividades, obrigando-nos, muitas vezes, a lutar pelo óbvio — um direito essencial para a qualidade do fazer pedagógico.

Planejar não é privilégio, é condição básica de trabalho. Ainda assim, somos colocados na posição de ter que reivindicar aquilo que deveria ser garantido.

Somos agredidos quando o prefeito promove manobras no plano de carreira com o objetivo de apenas se enquadrar formalmente no piso nacional do magistério, enquanto, na prática, usurpa salários, achata vencimentos e desvaloriza toda uma trajetória profissional construída com formação e dedicação.

Somos agredidos quando um prefeito, no Dia do Professor, se recusa a reconhecer a data como feriado. Pode parecer um gesto pequeno, mas é profundamente simbólico: é a negação do valor social da nossa profissão.

Somos agredidos quando, em campanha, a autoridade máxima do município afirma que fará os servidores “trabalharem”, como se não estivéssemos diariamente dando muito mais do que temos — muitas vezes com recursos escassos, estruturas precárias e salários que não condizem com a responsabilidade que carregamos.

E então chegamos ao ponto mais grave.

Circulam relatos — ainda não oficialmente reconhecidos — de que uma escola municipal de educação infantil teria sido invadida por pessoas com a intenção de agredir um profissional da educação. Se isso se confirma, não estamos diante de um caso isolado. Estamos diante do colapso de um sistema que falhou em proteger aqueles que educam.

É gravíssimo.

Gravíssimo porque rompe o último limite. A escola, que deveria ser espaço de proteção, de formação, de humanidade, torna-se palco de violência direta. E isso não acontece por acaso. Isso acontece quando o poder público falha reiteradamente em defender seus profissionais. Quando prefere o silêncio à transparência. Quando prioriza a imagem da gestão em vez da segurança das pessoas.

Onde está o poder municipal neste momento?

Onde está a nota oficial? Onde estão as medidas concretas de proteção? Onde está o compromisso com quem está dentro das escolas todos os dias?

O silêncio, neste caso, não é neutralidade. É conivência.

A verdade é dura, mas precisa ser dita: o poder público municipal tem falhado em proteger seus servidores, especialmente os professores. E não se trata apenas de segurança física. Trata-se de respeito, de valorização, de reconhecimento.

Quando autoridades desautorizam professores, quando minimizam sua importância, quando atacam suas condições de trabalho, estão contribuindo diretamente para um ambiente onde a violência se torna possível — e, pior, justificável aos olhos de alguns.

E isso precisa parar.

Não se constrói uma sociedade justa atacando seus educadores. Não se melhora a educação desmoralizando quem está na linha de frente. Não se resolve problemas estruturais com discursos simplistas e culpabilização dos professores.

O que vemos hoje não é apenas uma crise na educação. É uma crise de valores.

Defender o professor não é um ato corporativista. É um ato civilizatório. Porque quando um professor é agredido, não é apenas um trabalhador que sofre. É a própria ideia de futuro que está sendo atacada.

E disso, nós não podemos nos calar.

(Artigo publicado no Jornal Noroeste, em 27/03/2026)

Autor: Professor Jonas A. Fusiger. Presidente do Sindicato dos Servidores do Município de Santa Rosa.

Produzir soja? Até quando?

 
Cada país deve projetar qual será o ponto de equilíbrio entre estas alternativas: mais produção de grãos ou mais combustíveis.

Pergunte a qualquer agricultor como era sua propriedade antes de iniciar o plantio de soja? Como era a sua região antes desta cultura?

Como os governos, municipal, estadual ou federal, olhavam para a sua região?

Como os agricultores viam o Brasil aumentar cada vez mais a produção de soja? Em lugares jamais imaginados, como a região Central e do Norte do Brasil. Soja no Maranhão? Nem pensar.

Testemunho desta migração de agricultores da região Sul, são as centenas de Centros de Tradição Gaúcha -CTG espalhados por este país.

Os anos passaram e, o que era sonho, virou realidade.

Quem na região Sul, não planta também em áreas no Norte deste imenso Brasil?

Com base em dados atualizados até julho de 2019 pela Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha (CBTG), existem aproximadamente 2.575 CTGs (Centros de Tradições Gaúchas) em atividade no Brasil. 

Quase 40% dos CTGs estão localizados fora do estado do Rio Grande do Sul, demonstrando a expansão da cultura gaúcha por outras regiões do Brasil.

O Rio Grande do Sul ficou pequeno demais para milhares de famílias. Solução: “subir” o Brasil.

Os emigrantes alemães, italianos e de outras nacionalidades “também subiram” no Rio Grande do Sul. Esta fase terminou há tempos.

A soja, juntamente com a pecuária, abriu imensas fronteiras agrícolas, desmatando áreas, legalmente ou não. Resultado: uma explosão de produção e de produtividade, onde o milho “casou” com a produção de soja. Hoje, um dos grandes problemas é o armazenamento da produção destas culturas. Santo problema.

Mas o que fazer com estas superproduções?

Exportar, é lógico. Para sempre? E os outros grandes produtores como os Estados Unidos e a Argentina? Todos querem ganhar dinheiro.

 A pergunta válida para todos é, até quando poderão continuar a expandir suas produções para o mercado interno e principalmente para o externo.

Será que o mundo está mais interessado em produzir comida ou combustível a partir dos alimentos como soja, o milho e os cereais, como o trigo?

A Petrobrás ainda tem muito a produzir, do Norte ao Sul do Brasil. Produção cara e demorada.

Na agricultura, as respostas são muito rápidas, com muito menos investimentos. A transformação de grãos em combustíveis pode ser feita em todo o Brasil e com investimentos menores que na indústria petrolífera. A curto prazo, o ponto fraco é a produção de fertilizantes.

Cada país deve projetar qual será o ponto de equilíbrio entre estas alternativas: mais produção de grãos ou mais combustíveis.

O que nos preocupa é a dependência de fertilizantes para estas imensas produções. O que fazer com elas é um problema, digamos um bom problema.

Mas é hora de começar a pensar o que fazer com imensa produção atual e a que os agricultores pensam em produzir.

Numa batalha, como a de produzir, deve-se saber a hora de avançar e a hora de reduzir o avanço. Como os exércitos tem como estratégia de luta.

Nossa política agrícola tem sido feita na base do improviso, respondendo a pressões dos agricultores. Muito diferente do que acontece com o setor industrial.

(02/04/2026)

Autor: Eng. Agr. Roque G. Annes Tomasini. Membro da APL-Passo Fundo. Cadeira 38. Também escreveu e publicou no site “Exportamos agua ou grãos”?: www.neipies.com/exportamos-agua-ou-graos/

Edição: A. R.

“Um beijo na alma”

Francisco Machado é professor aposentado e pastor da Igreja Anglicana no Brasil. É um ser humano de sorriso fácil, brincalhão e dedicado na disseminação de valores humanos e cristãos, a partir de seu trabalho pastoral junto à sua Igreja.

Recentemente, Machado decidiu produzir e mandar aos seus amigos e postar em suas redes sociais pequenos textos, num formato de mensagens diárias muito interessantes. O autor as denomina “Cartinhas Diárias”.

Decidimos novamente entrevistar Francisco Machado para reconhecer a sua trajetória na região norte do RS, quando atuou em Tapejara (na Igreja) e em Passo Fundo (no CONER – Seccional Passo Fundo) como entusiasta do diálogo inter-religioso e agora na cidade de Pelotas, RS. Sua primeira entrevista ao site foi em 2020.

Segue o link desta entrevista: www.neipies.com/conhecendo-o-anglicanismo-pelo-testemunho-de-um-religioso/

MISSÃO EM PELOTAS

Hoje, aos 70 anos, deveria estar aposentado, segundo os cânones diocesanos, mas a falta de clérigos e clérigas, deixa um quadro muito pequeno para as proporções da Diocese Anglicana de Pelotas.

Estou atuando como pároco em duas paróquias e duas missões. Além dessas funções sou Secretario de Missão e Companheirismo.

Lamentavelmente, não consigo tempo para participar ativamente do Conselho de Ensino Religioso. Entretanto, tenho atuado na Pastoral da Saúde que foi fundada pela irmã Assunta Tacca, hoje com 102 anos e ativa. Ela faz parte da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria. Começou a atuar em Pelotas, em 1956. Na década de 1970, conforme o livro de Rejane Brum Nunes, e a própria irmã, foi missionária no Centro-Oeste do Brasil, onde aprofundou conhecimentos sobre plantas medicinais junto aos povos indígenas. Dedicada à saúde popular, formou lideranças que prestam um trabalho importantíssimo através de uma forte estrutura para a produção de fitoterápicos, massoterapia e homeopatia.

Uma das paróquias que atendo tem este projeto que atende inúmeras pessoas por mês e vários outros projetos sociais e ambientais. São distribuídos mensalmente duas sacolas de alimentos para 16 famílias carentes, recolhemos tampinhas de pets, óleo de cozinha para reciclagem e embalagens de medicamentos que são doados para instituições. As famílias que participam do programa das sacolas, têm espaço de orientação, e as crianças, locais de lazer, recreação e lanche.

Meu envolvimento ecumênico tem sido com Dia Mundial de Oração onde tem boa representação dessa Paróquia. Assim, minha missão por aqui carrega os mesmos sonhos que um dia sonhei junto com vocês em Passo Fundo, onde a convivência fortalecia nosso compromisso com uma sociedade livre, fraterna, solidária e inclusiva sob todos os aspectos culturais e religiosos de todos os gêneros em todos as religiões. A luta continua misturada a saudade de nosso tempo na Seccional do CONER/RS, em Passo Fundo.

 CARTINHAS DIÁRIAS

Minha vinda para Pelotas aconteceu no início da pandemia. Eu não tinha a exata dimensão em que isso se transformaria. O agravamento dessa doença forçou um isolamento de aproximadamente dois anos sem poder manter contato com a comunidade. Surgiu, então, a ideia de fazer essas “Cartinhas Diárias” até que tudo voltasse ao normal.

Bem, com todas as perdas, muitas delas evitadas se tivéssemos um governo racional, a tranquilidade voltou. Entretanto, continuei escrevendo, como faço até hoje. Já são mais de duas mil delas circulando entre essa selva chamada rede social. Virou uma obsessão. Além do mais, meus poucos leitores não me permitem parar.

Confesso que já quis fazer isso, mas não consigo. Apenas publico e não guardo o que escrevo, acho que depois que a gente escreve e publica, o que dizemos já não nos pertence mais, mas àqueles que se apropriam delas para ajudar a amenizar as dores de seus espíritos. Tenho uma página no Facebook chamada “Cabichui” = Abelha em guarani.

Acesse aqui: https://www.facebook.com/Cabichuifplm

Era um boletim que circulava entre os pelotões da Guerra do Paraguai para sua articulação. Enfim, as mensagens diárias foram de levar, no seu início, uma mensagem de conforto, ânimo, esperança e cuidado aos paroquianos, mas depois ganhou mais espaço nas redes.

BEIJO NA ALMA

Em 1986, morreu o Maurício Sirotsky Sobrinho, o jornalista Carlos Nobre, muito emocionado, fez seu comentário e o finalizou dizendo: Beijo na tua alma. Eu achei uma expressão como algo vindo das profundezas do que temos de mais puro em nós mesmos. É algo de alma para a alma. Assim, eu passei a usar essa expressão no final de minhas meditações diárias. Eu as escrevo como para poder dizer apenas isso: Beijo na alma.

As meditações podem conter equívocos e não corresponder ao que os leitores acham correto, por isso, para mim, o que vale é o final. Essa expressão é um dos poucos desejos puros que temos dentro de nós. Sem esse gesto a alma fica sem beijo. O beijo é a única linguagem que ela conhece

SEGUNDA FACULDADE

 A convivência com irmãos e irmãs de outras confissões me fez ver que além dos muros institucionais, e o que é melhor: constituir um grupo onde o que interessa é o amor fraterno que se sente um pelo outro, seja da religião que for. Para mim, o CONER de Passo Fundo foi uma espécie de libertação do peso exercido, não pela instituição Igreja Anglicana, mas pelos preconceitos de muitas lideranças episcopais, clericais e leigas que a dirigiam. Certamente, os irmãos e irmãs das outras grandes religiões que faziam parte do CONER se sentiam assim também.

O CONER, não era só um conselho voltado para a formação dos professores do Ensino Religioso como área de conhecimento, mas um espaço de comunhão sincera e transparente de pessoas, que antes aprenderam a se gostar e sentir prazer com a presença uns dos outros. Muçulmanos, judeus, espíritas, umbandistas, católicos e evangélicos num mesmo espaço de comunhão fraterna e trabalho. Isso me libertou da redoma que se faz a nossa volta quando nos institucionalizamos.

Essa foi, sem dúvida, minha segundo faculdade. O amor fraterno está sobre as cruzes de nossas instituições.

DESAFIOS DA FÉ CRISTÃ

A conjuntura cristã está muito sufocada pela ação dos falsos profetas, os quais aceitaram tudo o que Jesus rejeitou: riqueza, poder e dominação. O Evangelho foi falsificado. “Líderes” fizeram das massas verdadeiros rebanhos que o consomem como se fosse o Evangelho da verdade e da vida. Como se não bastasse, essas lideranças corrompidas e corruptoras, encontraram na política partidária de extrema-direita, um campo fértil para negociar seus interesses pessoais por meio do uso das massas dominadas.

O desafio do Evangelho da verdade continua firme e fiel ao que Jesus ensinou, e oposto ao que ele rejeitou. Entretanto, a verdade escapa da boca dos mentirosos e, eles mesmos, denunciam a si próprios através de suas mentiras e interesses. Os homens constroem impérios sob a ambição, vaidade, mentira e tirania, usam o nome de Deus em vão, mas nunca escaparam de serem engolidos pela sua própria loucura.

Salvo as igrejas históricas, a religião se transformou em negócio. Cabe às igrejas históricas assumirem o mesmo risco que Jesus assumiu. Ele não se deixou corromper. Ele morreu pela verdade. Ele deixou claro o que era de César e o que era de Deus.

AOS AMIGOS E LEITORES DESTE SITE

Tive a alegria de conhecer o professor Nei Alberto Pies, educador e escritor engajado nas questões sociais, culturais, políticas e religiosas. Convivemos, por muito tempo, a partir Coordenação da Seccional do CONER Estadual de Passo Fundo, onde cuidamos com ao apoio do ITEPA, da formação dos professores do Ensino Religioso.

Não foi uma tarefa fácil fazer como que o ensino laico fosse entendido como área de conhecimento e não como prática catequética e proselitista na Escola Pública. Entretanto, a experiência do ITEPA associada às lideranças do CONER acabou por dar singular contribuição na área de formação.

Nei Alberto Pies é um educador que mais tem contribuído para a reflexão sobre o Ensino Religioso como área de conhecimento. Tenha certeza, meu irmão, este site tem sido importante como enfrentamento da limpeza ética que precisamos fazer a partir do Evangelho da verdade.

Siga firme. Beijo na alma!

 
Fotos:
Divulgação/arquivo pessoal/ Paróquia São João Batista

Edição: A. R.

O que sobra da consciência brasileira após assistir os mesmos programas na TV e as mesmas notícias por trinta anos seguidos?

“Uma mentira dita mil vezes, torna-se verdade.” (frase atribuída a Goebbels, Ministro da propaganda nazista.)

Agora imagine uma mentira contada por trinta anos!

As pessoas que têm mais de 50, 60 anos, podem entender melhor estas linhas. Mas fica aqui como um registro histórico para todos, de uma geração que foi informada e distraída pelo mesmo grupo editorial por 20 anos; pelo menos.

Assim todos os dias escoavam: o mesmo noticiário ao meio-dia, a mesma programação pela tarde, as mesmas novas pela noite, a mesma novela, as mesmas histórias…

Não que a realidade fosse muito mais instigante, desafiadora, inesperada. Como ser paradoxal se todos pensam iguais?  Um ou outro que saísse fora da caixa, vá lá.  Mas a maioria imaginava, pensava e falava mais ou menos a mesma coisa. Achavam ser liberdade; era controle!

Havia um governo que não fora eleito, que escolhia a dedo as indicações de líderes que mais lhe convinha; os que pensavam da mesma forma, os que agiam dentro das linhas estabelecidas, os protegidos, os amigos… E havia um povo.

Ao final dos anos 60, todos os 70 e parte dos 80, quase tudo igual. Na economia, falava-se até em uma década perdida. Uma nação jovem, perdida.  Pense!

Tudo isso não seria possível se não houvesse uma voz que nos conduzisse. Não era a da Igreja, não era a voz de sindicatos ou associações, tampouco a voz das urnas.  Era a voz da mídia.  De uma só, aliás.

Todos os dias, o mesmo canal, os mesmos rostos que disparavam notícias “isentas,” disfarçadas e envelopadas em resumos, quando lhe parecia o certo ou em grande destaque, quando era do seu interesse.  Verdades e mentiras entrelaçadas, para uma plateia, um público diverso, uma nação parada para assistir… E acreditar.

Noticiário pensado, valores ocultos, tudo transmitido ao vivo para um telespectador amortecido.  Afinal, o que se faz necessário para pensar se todos já pensaram. O que eu posso fazer diferente que os outros já não fizeram?

Ligava-se a TV, uma novidade, claro, e se embarcava em uma jornada de alienação, bebericando da verdade aos pedaços.

O pior neste desfile de dias com notícias escolhidas, eram os domingos: o enfado de um programa sem graça e alienante, pelas tardes, um quadro de humoristas patéticos para inaugurar a noite e, logo após, o principal prato da semana; a música de abertura, que remetia ao pensamento destrutivo de que uma segunda-feira estava próxima. Ouvi relatos que, ao ouvir a chamada neste quadro, algumas pessoas sentiam, em seu imaginário, o limite da depressão.

O principal programa do país, 30 anos sendo exibido no mesmo horário, com a mesma música, feito e pensado para distrair, sovar o pão que iria ser distribuído ao povo pelo longo da semana:  muito sentimentalismo, apologia aos valores aprovados pelos chefes de plantão, muita sensualidade, distração barata, formador de opinião… Com opinião.

É certo que outros canais de TV estavam dando as caras. Mas nas capitais. O grande interior do país foi nutrido e amassado pelo mesmo grupo, que pensava o que o povo deveria pensar. Até porque muitas opções eram de péssima escolha e conseguiam ser piores que o veio principal.

É certo também, que em meio a uma ditadura, não restam muitas opções.  Adere-se ou fecha-se a boca.  Neste caso, preferiu-se aderir.

E foi assim pelo menos por 30 anos; ou quase.  Nas estradas, em seus restaurantes, em paradas para almoço ou jantar… Um canal de TV ligado; o mesmo.

Nas cidades, a transmissão de jogos e outros circos, todos anunciados; pelo mesmo.

Há que se estudar, pelas Universidades nestes trópicos, as consequências em uma população, que sempre se nutriu e se alimentou pelo mesmo sinal ‘cultural’ de apenas um meio de comunicação.

O que antes era monopólio, agora virou oligopólio!

Assista: https://www.instagram.com/reels/DV3MY0xCbnr/

Nada pode ser generalizado. Vamos combinar! Coisas boas foram sendo captadas, mesmo que com a demora eterna.  Descobriu-se muito:  com dinheiro público, por exemplo, com o povo adocicado, um inimigo comum a ser construído e a seguir ser perseguido, sempre se enriqueceu por aqui.

Dia desses, a mesma televisão apresentou ao seu distinto público, no mesmo programaço de domingo, no mesmo horário, um cara que havia se enforcado na prisão política do regime militar; uma corda no pescoço e com as pernas dobradas. A reportagem até se esforçava para fazer passar como uma investigação. Pareceu um ‘mea culpa’.

Mas há 30 anos foi diferente. Exibiram a mesma foto, os mesmos fatos, o mesmo Wladimir em posição de enforcamento forjado.  Não lembro muito bem, mas duvido que tenha se indisposto contra seus bajuladores e lutado para colocar a nu tamanha farsa.

E assim o grupo cresceu, dando e recebendo apoio a um regime atrasado e autoritário, jogando o país em duas décadas de escuridão e medo. A família, dona da TV, enriqueceu. Suas antenas cresceram e fizeram adeptos em todo o país. Foi a regionalização do conceito de TV única. Mas o mesmo povo que serviu de base neste espetáculo ainda não se libertou.

O país de 30 anos atrás é muito parecido com o de hoje, exibido pela mesma tela de TV: periferias empobrecidas, desigualdade sem fim, violência sem controle.

Nós, público-alvo naqueles tempos, jamais imaginaríamos que a ignorância foi rentável e o ódio crescente é um baita gerador de lucros.  Eles sabiam!

Peça para o seu pai ou ao seu tio, que feche os olhos por instantes, na frente de um noticiário da mesma emissora; aumente o som, concentre-se nos “fatos.” Ouça que um pequeno país está bombardeando os seus vizinhos na terra média, um outro, gigante, está invadindo um menor e cavando-lhe a sepultura política.  Finalmente, perceba um político que foi apanhado com dinheiro vivo em sacolas de lixo…

Agora desligue a TV e pergunte ao seu familiar:  em que ano mesmo ele ouviu isso? Hoje ou há 30 anos?

As mesmas mentiras embaladas em lacinhos de verdade, sempre na defesa dos mesmos e que nos eram apresentadas, foram apenas recicladas na defesa e na proteção… Dos mesmos.

A história não mudou muito e a maneira de contá-la também. Os heróis, em todos os tempos, sempre vencem…Para a falsa independência de uma mídia escravista. Deve ser em todos os povos assim, decerto.

Mas e a verdade?

É o que deveria sobrar, depois de tamanha dominação imperceptível.  Mas pelos candidatos todos, eleitos recentemente, nota-se que a mensagem da TV única, por tantos anos, foi muito bem absorvida por corações e mentes.

Alguém aí não quer se aprofundar?

Veja também:

Até onde vai o poder da Mídia? https://youtu.be/PPYn2L_bEz0?si=4xAWFwlpyaL61yZQ

Autor: Nelceu Zanatta. Também escreveu e publicou no site “Deus salve-nos da maldade dos homens que você enviou para nos salvar”: www.neipies.com/deus-salve-nos-com-urgencia-da-maldade-dos-homens-que-voce-enviou-para-nos-salvar/

Edição: A. R.

Calúnia

A recuperação de quem sofre a calúnia se faz a medida em que a pessoa não se submete ao fenômeno, encara-o de frente, conversa com seus amigos. Preserva sua autoestima, desvinculando-se desta agressão verbal e psicológica da qual está sendo vítima.

Apesar de parentes próximos, o ato de fofocar é diferente do ato de caluniar. Fofocar significa intrigar. Caluniar consiste em difamar fazendo acusações falsas ou atribuindo falsamente a alguém fato definido como crime. Na calúnia, portanto, há violência maior.

A agressão física já é claramente identificada como negativa ao convívio entre as pessoas. Há consenso no sentido da necessidade de se conter e coibir os agressores. Nossa cultura está prestes a identificar também na calúnia uma agressão que pode e deve ser coibida e contida. Mas ainda não chegamos lá.

Ainda procuramos negar e esconder este fenômeno quando dele somos vítimas. Sentimos vergonha de ser caluniados quando vergonha seria adequado sentir aquele que gera a falsa acusação. Por vezes, até mesmo nos submetemos ao caluniador do grupo em que convivemos.

Afirmativas como “onde há fumaça há fogo”, em verdade são armas utilizadas pelos caluniadores. O correto é: “onde há fumaça há um caluniador”. Para bom entendedor, quem está sendo exposto não é o caluniado, mas sim o caluniador: revela-se e desvenda um interior conflitado.

O caluniador é uma pessoa que está com sofrimento interior. Quem está de bem com a vida não tem sequer vontade de caluniar, quer apreciar as coisas boas da vida.
 
Por vezes, as pessoas lidam de forma inadequada com suas perturbações. Por exemplo, passam a ingerir muita bebida de álcool. Ou mergulham num mundo imaginário e afastam-se da vida real. Outra forma inadequada é a calúnia.

O caluniador procura transferir seu desequilíbrio para outra pessoa. Lançando uma calúnia ele percebe que o interior da pessoa atingida começa a se desorganizar. Para que isso ocorra, a calúnia deve ser impactante, deve penetrar no interior da vítima e estourar como uma bomba. Portanto, agora quem está desequilibrado é o outro e não mais ele. Ou há mais alguém perturbado e em sofrimento como ele.

Como este artifício é fantasioso, não promove um alívio duradouro ao caluniador, como um vício ele sente necessidade de repetir e repetir o ato de caluniar. É uma falsa saída para seu desequilíbrio. É como se alguém pegasse o lixo de sua casa e jogasse no pátio do vizinho. Por alguns momentos tem a sensação de estar limpo. Mas o lixo reaparece na sua casa, pois ela é geradora de lixo.


 Existem dois tipos de caluniadores: aquele que calunia sistematicamente e aquele que o faz num momento em que sua vida não vai bem.

E existem também as pessoas que levam adiante a calúnia gerada por outro. É um fenômeno que acompanha a humanidade desde sempre. Um dramaturgo romano, Plauto, escreve em uma de suas peças: “Os que propalam a calúnia e os que a escutam, se prevalecesse minha opinião, deveriam ser enforcados, os primeiros pela língua e os outros pela orelha”.


Brincadeiras à parte, temos de aprender a lidar com estes fenômenos. Todos estamos sujeitos a ele. Scheakespeare escreveu: “Mesmo que sejas tão puro quanto a neve, não escaparás à calúnia”.

A recuperação de quem sofre a calúnia se faz a medida em que a pessoa não se submete ao fenômeno, encara-o de frente, conversa com seus amigos. Preserva sua autoestima, desvinculando-se desta agressão verbal e psicológica da qual está sendo vítima. Poderá buscar ajuda profissional numa psicoterapia de cura duração de tipo interpessoal.

Aquele que se percebe gerando calúnia, também se beneficiará de uma ajuda profissional para procurar lidar de uma maneira mais eficaz com seus desequilíbrios.

(Artigo publicado em 03/10/2019)

FONTE: Salton Cursos – Textos – Calunia /1


Autor: Jorge Alberto Salton. Também escreveu no site “Em dúvida quanto à intenção do outro devo agir como se fosse ele mau ou bom”?: www.neipies.com/em-duvida-quanto-a-intencao-do-outro-devo-agir-como-se-ele-fosse-mau-ou-bom/

Edição: A. R.

Educação sob ataque: entre o silêncio dos governos e a omissão da sociedade 

“A educação é o ponto em que decidimos se amamos
o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele.”
Hannah Arendt, “A Crise na Educação”.

(Por Márcio Pereira Cabral)

Hannah Arendt nos ensinou que educar é assumir responsabilidade pelo mundo diante da chegada do novo. A escola, nesse sentido, não é apenas um lugar de instrução, mas o espaço simbólico em que o mundo é apresentado às novas gerações como algo digno de ser habitado, sustentado e transformado. Quando essa responsabilidade é abandonada — seja pelo Estado, seja pela sociedade —, o que se instala não é o vácuo, mas a violência, a negação e o medo.

O colapso da autoridade educativa não é fruto do acaso, mas o resultado direto de uma decisão política: a de não cuidar, de não investir, de não sustentar o pacto que torna possível a experiência educativa como prática de liberdade.

Em 2023, escrevi o artigo “Educação e violência: testemunho sobre o desamparo e o sofrimento psíquico na realidade docente brasileira”, publicado pela Revista da SIG. Naquele texto, mobilizado pelos ataques brutais que marcaram o cotidiano escolar naquele ano — como os casos de Blumenau, São Paulo e Cambé —, afirmei que a violência contra a escola já não podia ser tratada como exceção. Tratei do sofrimento docente não como experiência individual, mas como condição estrutural, coletiva e invisibilizada, enraizada no abandono institucional, no machismo estrutural e na desvalorização histórica da profissão docente, majoritariamente feminina. Falei, sobretudo, da dor silenciosa de quem educa em um país que já não protege suas educadoras.

Dois anos depois, o silêncio tornou-se regra. A violência epidêmica que denunciamos virou rotina. O caso da professora esfaqueada por dois alunos em Caxias do Sul (RS), dentro da sala de aula, é a expressão mais recente e cruel desse colapso. Mas não é um caso isolado — é sintoma de uma realidade social em decomposição. E mais grave do que a agressão, talvez seja o fato de que já não nos espantamos.

Como alertou Primo Levi, sobrevivente do Holocausto, “aconteceu, portanto pode acontecer de novo.” E, quando acontece — e ninguém reage —, o que se repete não é apenas o fato, mas a sua banalização. O horror sem espanto é o passo final da barbárie.

É necessário, então, nomear essa barbárie. A escola brasileira está sob ataque. E esse ataque não vem apenas da violência física. Ele se dá pela desautorização permanente da figura do professor; pela precarização das condições de trabalho; pela mercantilização da educação; pela negação dos debates sobre gênero, raça, desigualdade e política; e pela tentativa sistemática de reduzir a escola ao silêncio.

Nos últimos anos, vimos crescer uma ofensiva ideológica que tenta transformar os professores em inimigos da família, da pátria e da moral. A falaciosa retórica da “doutrinação” criou um ambiente de perseguição e censura. As campanhas do “Escola Sem Partido”, o avanço do homeschooling, a criminalização de conteúdos pedagógicos e a vigilância crescente sobre o que é dito em sala de aula são expressões de um projeto autoritário que tenta submeter a escola à lógica do medo. E, onde há medo, não há pensamento crítico. Onde há censura, não há liberdade de aprender.

A figura da professora — mulher, geralmente pobre, boa parte negra, periférica — tornou-se alvo simbólico e concreto dessa guerra. Historicamente, como mostram Guacira Lopes Louro e Mary Del Priore, a docência foi associada a uma extensão da maternidade.

Espera-se da professora abnegação, doçura, cuidado incondicional. Mas, quando ela rompe com esse lugar — quando ousa ensinar com autoridade crítica, quando nomeia injustiças, quando reivindica reconhecimento —, ela se torna perigosa. E o perigo, nesse modelo, é neutralizado pela violência.

O que se instala, então, é o desamparo. E aqui, mais do que nunca, precisamos de Sandor Ferenczi. Em seus escritos sobre trauma, Ferenczi nos mostra que o desamparo é o ponto de origem do sofrimento psíquico — não apenas como uma condição do bebê diante do mundo, mas como uma experiência de colapso subjetivo diante da falência do outro.

Quando aquele de quem esperamos cuidado se torna fonte de violência, o psiquismo entra em colapso. O trauma, diz Ferenczi, é a traição do vínculo. É o abandono absoluto.

Esse é o nome da experiência docente no Brasil hoje: traição do vínculo. Porque os professores e professoras foram traídos pelo Estado, que deveria protegê-los. Pela sociedade, que deveria reconhecê-los. Pelas famílias, que deveriam compartilhar a tarefa educativa. E, em muitos casos, pelas próprias instituições escolares, que já não oferecem nem mesmo o básico: escuta, abrigo, mediação.

Diante disso, o silêncio se impõe. Não o silêncio do consentimento, mas o da exaustão. Professores retraídos, calados, sobrecarregados, doentes. Adoecem não por fraqueza, mas por excesso. Excesso de tarefas, de cobranças, de expectativas, de agressões. E ausência de tudo o que é vital: tempo, apoio, afeto, condições de trabalho, valorização simbólica.

Mas, se o desamparo é a experiência fundante da dor, é também — como aponta Ferenczi — a condição a partir da qual se pode construir uma nova ética do cuidado. E é nesse ponto que entra Paulo Freire.

Ao contrário da lógica da violência, Freire nos ensina que educar é um ato amoroso e político. Não há neutralidade na educação. Como ele escreveu em Pedagogia do Oprimido, ou se educa para a domesticação, ou se educa para a liberdade. E a liberdade, nesse caso, começa por escutar os que foram calados. Por reconhecer que os professores não são culpados da crise educacional — são suas vítimas e resistências.

Freire nos lembra que ninguém educa ninguém, mas que todos se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo. Isso significa que a responsabilidade pela educação não é apenas do professor: é do Estado, das famílias, das comunidades, das instituições. É da sociedade como um todo. E é essa responsabilidade coletiva que precisa ser urgentemente reconstruída.

Reverter a crise exige mais do que planos de segurança ou campanhas publicitárias. É preciso refundar o pacto educacional sobre novas bases: a escuta, o reconhecimento, a proteção e a valorização ética da docência. Isso implica garantir saúde mental como política pública, formação continuada com foco no cuidado e na mediação de conflitos, condições dignas de trabalho, salários compatíveis com a importância social da profissão e, sobretudo, um discurso público que cesse a culpabilização do magistério e recoloque a escola como bem comum.

Também é preciso reatar os laços entre escola e comunidade. A escola não pode mais ser vista como uma ilha de responsabilidade exclusiva do professor. É preciso reativar os conselhos escolares, fortalecer os coletivos de pais e estudantes, construir espaços de diálogo permanente entre sociedade e escola. Só assim poderemos fazer da escola um espaço de reconstrução do vínculo social.

O que está em jogo é mais do que a saúde dos professores. É a própria ideia de futuro.

Como escreveu Paulo Freire, “a educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. E as pessoas transformam o mundo.” Mas que pessoas queremos formar quando a escola é um lugar de medo? Como falar de esperança se as professoras têm medo de entrar na sala de aula? Como formar cidadãos quando a violência se torna naturalizada?

Ao permitir que se tornem alvos, ao normalizar a precariedade, ao calar diante da dor das professoras, estamos, como sociedade, quebrando o espelho onde deveríamos nos reconhecer. E o que vemos refletido, hoje, é a falência de uma promessa: a de que toda criança teria direito à educação, e de que todo educador teria direito à dignidade.

Reagir é urgente. Porque, como nos alertou Primo Levi, o horror pode, sim, acontecer de novo — e está acontecendo. E se não formos capazes de nos indignar, então talvez já não estejamos mais do lado dos vivos.

É tempo de amar o mundo o bastante para, como queria Arendt, assumirmos a responsabilidade por ele. E isso começa por devolver às escolas o que elas sempre foram, mesmo sob ataque: lugares de resistência, de vínculo, de vida.

Fonte: https://sul21.com.br/opiniao/2025/05/educacao-sob-ataque-entre-o-silencio-dos-governos-e-a-omissao-da-sociedade-por-marcio-pereira-cabral/

Autor: Márcio Pereira Cabral Psicanalista, professor Mestre pela UFRGS e diretor do Instituto SIG – Psicanálise & Política 

Edição: A. R.

Emendas Parlamentares e Reeleição

Para o bem da Democracia, não seria mais fácil cada Poder ficar na sua, como se diz? Afinal, simplificando, de maneira bem didática: Executivo executa, Legislativo legisla e Judiciário julga!

Há muito tempo identifico, no mínimo, duas mazelas na política brasileira: Emendas Parlamentares e Reeleição. E são altamente prejudiciais ao bom andamento de uma postura ética na política. Até digo que essas mazelas muito colaboram para o grande desprestígio que hoje tem a classe política.

 Buscando uma explicação, na história, podemos dizer, até, que essas duas questões são irmãs siamesas, e não por acaso.

O Presidente Fernando Henrique Cardoso foi eleito para governar de 1995 a 1998. Em 1997, surge a ideia da sua reeleição, mas até então o Presidente não podia se reeleger, a Constituição Federal não permitia. Afinal, o governo surfava nas ondas do sucesso do Plano Real, criado no Governo de Itamar Franco, quando o próprio Fernando Henrique era o Ministro da Fazenda. Então, era importante manter o Presidente, ao menos para a situação.

Mas, havia um inconveniente: a Constituição Federal não previa a reeleição. A oposição da época, lógico, queria concorrer à Presidência, e não via com bons olhos a manutenção do Presidente do Plano Real.

Bem, se a Constituição Federal não permite a reeleição, o caminho é mudar a Constituição Federal. Isso podia se fazer através de uma Proposta de Emenda Parlamentar (PEC), a ser aprovada pelo Congresso Nacional, que permitisse a possibilidade de reeleição. Mas, corria-se o risco da PEC não ser aprovada, pois a oposição era forte e tinha um convincente discurso.

A solução? Comprar o voto dos parlamentares, ao menos dos indecisos, para aprovar a PEC. Até porque, já era praxe no Congresso conquistar votos distribuindo verbas e cargos. Era só aperfeiçoar o processo.

A história está aí para contar, congressistas se vendiam em troca de dinheiro vivo ou através de emendas ao orçamento, permitindo que um deputado se adonasse e destinasse a quem quisesse, parte o Orçamento.

Essa coisa espúria cresceu tanto que não muito recentemente, em 2020, o próprio FHC reconheceu que foi um erro aprovar a reeleição, mas negou que tivesse havido negociações, ao menos ele diz que não ficou sabendo de nada.

 De qualquer modo, a Câmara dos Deputados votou e aprovou a possibilidade da Reeleição em fevereiro de 1997. O que foi referendado pelo Senado Federal, em junho do mesmo ano.  E essa regalia se entendeu também aos Governadores e Prefeitos. Então, a gênese do mal, foi a reeleição do Presidente, lá em 1997. Era de se esperar que a compra de votos parasse, ou diminuísse, por aí. Mas, infelizmente, não foi isso que aconteceu.

A partir daí, a distribuição de emendas parlamentares, só cresceu. Seja na esfera Municipal, Estadual ou Federal. Inúmeros escândalos surgiram: Anões do Orçamento, encaminhamento de recursos a parentes prefeitos, entidades fantasmas, ONGs de finalidades escusas ou duvidosas, culminando com emendas secretas, emendas impositivas, e agora, emendas PIX!

Sendo amigo do Rei, o dinheiro do orçamento, isto é, dos nossos impostos, é generosamente distribuído para parlamentares encaminhar aos seus apadrinhados, claro, para depois garantir a reeleição!  

As emendas consomem hoje mais de 50 bilhões de Reais, por ano, do orçamento federal: um quarto da capacidade de investimento da União, conforme a Transparência Brasil.  O Brasil é um dos países onde os parlamentares exercem maior controle sobre o orçamento público!

Mas, onde está escrito que o Parlamento deve mexer com dinheiro? Esse é papel do Executivo: do Prefeito, do Governador, do Presidente. Eles são eleitos para planejar e executar. Simples.

O Parlamento deve fiscalizar onde o Executivo   vai colocar o que orçou para cada área de sua administração. Mas não dizer onde deve colocar o recurso.

Hoje parece natural que existam as tais emendas, parecendo que é assim que os recursos chegam aos entes federados. Mas, não é. Os recursos devem chegar aos Municípios, por exemplo, através de repasses, contemplando projetos que o Executivo elaborou. Independente da ação deste ou daquele Parlamentar.

Importante dizer que, hoje, as emendas, infelizmente, estão legalizadas, pois o maior interessado, o Congresso Nacional, aprovou outras PECs, Propostas de Emenda à Constituição, nesse sentido. E tem no Executivo Federal, muitas vezes, um aliado, pois facilita a troca/troca: “libero a tua emenda e tu aprovas o que eu quiser”. Precisa de apoio de Deputados ou Vereadores? Facilita a situação com a liberação de algumas emendas, e tudo se resolve, independente de ideologia ou interesse real da sociedade.

É o jogo, como dizem.

Constitucionalmente é o Executivo que deve planejar e executar. Ao Legislativo cabe fiscalizar e fazer as leis. Em não sendo assim, podemos ter consequências. A principal, com certeza, é colocar em risco a autonomia e independência dos poderes, instrumento fundamental na manutenção da Democracia.

Quem faz a defesa de que assim se continue, tem argumentos.  Nunca o Legislativo, ao menos o Municipal, foi tanto buscado, homenageado, bajulado, por entidades, muitas sérias e idôneas, e outras nem tanto, em busca de uma emenda, seja individual e agora até de bancadas. Os Parlamentares apareceram, do baixo ao alto clero. Mas, o contra argumento é de que o Parlamento não precisa aparecer, isso é prejudicial para a democracia.

Esse Poder (parlamentar) deve se ater em fiscalizar, fazer leis, cobrar do Executivo quando não atende as necessidades da sociedade, quando não tem bons projetos que tragam recursos, mas de maneira silenciosa, discreta, sem a necessidade de alardear isso.

Mas, sabemos que a necessidade disso tem um objetivo: publicizar para que o eleitor depois reeleja o Vereador ou o Deputado que “conseguiu” uma emenda para esta ou aquela entidade ou esta ou aquela prefeitura. Viu? Emendas Parlamentares e Reeleição são irmãs siamesas!

Para o bem da Democracia, não seria mais fácil cada Poder ficar na sua, como se diz? Afinal, simplificando, de maneira bem didática, Executivo executa, Legislativo legisla e Judiciário julga!

Autor: Dr. Alberi Grando – Cremers 6430. Especialista em Saúde Pública. Ex-Secretário Municipal da Saúde. Ex-Delegado Regional da Saúde da 6ª Coordenadoria/ Delegacia Estadual da Saúde. Vereador por 3 mandatos na cidade de Passo Fundo, RS. Também escreveu e publicou no site, em sua primeira coluna, “Doulas” www.neipies.com/doulas/

Edição: A. R.

Para o bem de sua saúde: escreva!

Cultivar o hábito de escrever à mão é investir no fortalecimento da memória, na organização do pensamento, na criatividade e no equilíbrio emocional — benefícios que continuam sendo essenciais na vida contemporânea.

A escrita foi desenvolvida pelo homem há mais de cinco mil anos e surgiu da necessidade de organizar práticas administrativas, como registrar compras, vendas e estoques, além de contabilizar bens. Foi chamada de cuneiforme por se tratar de entalhes feitos com uma cunha em placas de argila, e seus criadores foram os povos sumérios, considerados a civilização mais antiga da humanidade e localizados na região onde hoje é o Iraque.

De lá para cá, outros povos criaram suas formas de escrever e, para nós, a língua portuguesa que lemos e escrevemos deriva do latim, mantendo suas bases ainda que incorporando palavras de origens indígenas e de línguas africanas.

Se você está lendo este texto, isso decorre, obviamente, de ter passado por um processo de alfabetização, comumente ocorrido na infância. Quando aprendemos as vogais, as consoantes, as junções silábicas, os fonemas e suas representações escritas, e, depois “acolheramos” tudo isso – na fala do compositor telúrico Mano Lima -, começamos a ler e a escrever.

Mas chamou-me à atenção no início deste ano a notícia de um estudo realizado em crianças na Inglaterra pelo seu Departamento de Educação: em média, 31,5% dos alunos que iniciam as séries primárias não sabem manusear um livro, colocam o dedo sobre as figuras (assim como fazem nos tablets em casa) esperando uma interação.

O diagnóstico feito por professores da educação infantil acende um alerta preocupante: a exposição excessiva a telas e computadores já impacta, de forma concreta, o desenvolvimento motor e a autonomia das crianças. Mais de um quarto delas, segundo esses relatos, enfrenta obstáculos para realizar tarefas simples do cotidiano, como alimentar-se sozinhas, utilizar o banheiro de maneira independente ou manipular objetos comuns — segurar um lápis, encaixar peças ou manusear talheres, por exemplo. São competências que, tradicionalmente, seriam consolidadas nos primeiros anos de vida por meio da exploração ativa do ambiente e da interação direta com pessoas e objetos.

Inegável o prejuízo para o desenvolvimento infantil, porém, não pense que as pessoas adultas estejam imunes. 

Igualmente expostos a tecnologias – certamente em maior intensidade – vamos digitando em celulares, tablets, computadores, totens de shoppings, no menu do restaurante e até fazemos palavras cruzadas nos aplicativos de jornais digitais.

Quando pegamos uma caneta ou um lápis para escrever? Faça um teste: escreva apenas um parágrafo e observe sua caligrafia e o “cansaço” que dá na mão para esta façanha! Mas, e como era quando em sala de aula você preenchia folhas e folhas de cadernos?… Hoje, tira-se uma foto do que o professor está apresentando na tela ou no quadro e diminui-se o ato de escrever.

Escrever à mão, à moda antiga, nos traz uma série de benefícios: diversos estudos e experiências práticas demonstram que o ato de escrever manualmente potencializa o desenvolvimento cognitivo, emocional e criativo.Muito além de registrar palavras no papel, a escrita à mão é uma ferramenta poderosa para organizar pensamentos, fortalecer a memória, estimular a criatividade e reduzir o estresse.

Quando escrevemos à mão, somos naturalmente levados a refletir sobre o que estamos registrando. Diferentemente da digitação, que costuma ser mais rápida, repetitiva e automática (muitos Ctrl C + Ctrl V), o movimento mais lento da escrita exige atenção, habilidade e planejamento. Esse processo favorece a estruturação lógica das informações, tornando-as mais claras e coerentes.

Além disso, a escrita manual melhora a memória, pois o ato de escrever envolve uma atividade cerebral mais ampla do que simplesmente digitar. Ao formar cada letra, é necessário coordenar pensamento e movimento, em um processo que envolve múltiplos sentidos — visual, tátil e motor. Essa experiência sinestésica fortalece as conexões neurais relacionadas ao conteúdo registrado, facilitando a fixação das informações. Assim, anotações feitas à mão tendem a ser mais facilmente lembradas do que aquelas digitadas.

Outro benefício importante é o estímulo à criatividade, pois estabelece-se uma conexão física entre pensamentos e papel. Como a escrita à mão costuma ocorrer longe de notificações e distrações digitais, o foco se mantém nas ideias. Além disso, o ritmo mais lento favorece a reflexão e permite que o cérebro explore melhor as conexões entre diferentes conceitos.

A escrita à mão também pode atuar como uma prática terapêutica auxiliando no combate ao estresse ou ansiedade. Colocar pensamentos no papel ajuda a organizar emoções e clarear a mente. O simples ato de escrever pode promover uma sensação de presença e concentração no momento atual, reduzindo o excesso de pensamentos dispersos. Assim, a escrita à mão não é apenas um recurso intelectual, mas também um instrumento de cuidado emocional.

Diante desses aspectos, fica evidente que a escrita manual mantém sua relevância mesmo em tempos de tecnologia avançada. 

Cultivar o hábito de escrever à mão é investir no fortalecimento da memória, na organização do pensamento, na criatividade e no equilíbrio emocional  benefícios que continuam sendo essenciais na vida contemporânea. Que tal tirar cinco minutinhos por dia para copiar um texto ou expressar seus sentimentos e ideias escrevendo em uma folha de papel? Lembra-se ainda da canção “O caderno” de Toquinho?: “Só peço a você um favor, se puder… não me esqueça num canto qualquer.”

Ouça: https://youtu.be/-Gsu751X6ag?si=owy5S–Urx8HNO6i

Autor: César A R Oliveira – psicólogo. Também escreveu e publicou no site “as três perguntas”: www.neipies.com/as-tres-perguntas/

Edição: A. R.

Reconexões, Protagonismo e Autonomia

A consciência de que pertencemos a uma teia universal nos traz a serenidade necessária para enfrentar as incertezas da era digital. Essa visão sistêmica nos ensina que, ao zelarmos pelo equilíbrio do todo, estamos contribuindo para uma harmonia maior, onde a vida em todas as suas formas é valorizada acima da mera produtividade técnica ou da velocidade das transmissões de dados.

O cenário contemporâneo apresenta um paradoxo civilizatório: habitamos um mundo hiperconectado pelas vias tecnológicas, mas profundamente fragmentado em sua essência humana e sensível.

Como discuti em minha publicação sobre as distinções entre o virtual, o digital e o material, a imersão excessiva nas dimensões artificiais pode eclipsar a nossa percepção da realidade tangível.

Leia aqui: www.neipies.com/o-digital-o-social-e-o-virtual/

Precisamos, portanto, resgatar a capacidade de perceber, sentir e viver conexões autênticas com a natureza e com a simplicidade do cotidiano. Esse movimento de retorno ao concreto é o que nos permite restabelecer o equilíbrio entre a eficiência das ferramentas digitais e a profundidade da vida biológica e material, evitando que o “eu” se dissolva em fluxos de dados sem rosto.

Essa reconexão exige que nossa atenção, constantemente sequestrada pelos algoritmos, seja redirecionada para o autocuidado e para o zelo com o próprio Ser.

No artigo mencionado, destaco que o ambiente virtual é uma representação, enquanto a vida material é o lugar do encontro e da presença. Cuidar de si não é um ato isolado de egoísmo, mas a base necessária para que possamos atuar com consciência em nossos micro e macro grupos de convivência.

Quando o indivíduo se reconhece como um ser integrado, ele passa a cultivar relações mais éticas e presentes, transformando a convivência familiar e social em espaços de trocas reais, onde o afeto e a escuta mútua superam a frieza das interações mediadas apenas por telas e notificações constantes.

Além dos círculos imediatos, a verdadeira reconexão expande-se para a compreensão de que somos parte de um ecossistema maior, um Todo interdependente. Ao compreender as diferenças entre o virtual (o que pode ser) e o material (o que é), percebemos que o cuidado com o meio ambiente e com a coletividade é, em última análise, um cuidado com nossa própria sobrevivência e evolução.

Leia aqui também: www.neipies.com/relacoes-e-diferencas-entre-o-virtual-o-digital-e-o-material/

A consciência de que pertencemos a uma teia universal nos traz a serenidade necessária para enfrentar as incertezas da era digital. Essa visão sistêmica nos ensina que, ao zelarmos pelo equilíbrio do todo, estamos contribuindo para uma harmonia maior, onde a vida em todas as suas formas é valorizada acima da mera produtividade técnica ou da velocidade das transmissões de dados.

O ato de se reconectar é um exercício de protagonismo e autonomia diante das pressões de uma sociedade cada vez mais virtualizada. Ao integrarmos os cuidados com o Ser, com o próximo e com o mundo, transcendemos a superficialidade das conexões artificiais para alcançar uma existência com propósito e profundidade.

Por fim, reitero que a tecnologia deve servir à vida, e não o contrário; a certeza de que o Todo cuida de tudo nos oferece a base metafísica para agirmos com esperança e responsabilidade. Reconectar-se é, acima de tudo, redescobrir a beleza do simples e a força do cuidado, garantindo que, mesmo em um futuro digital, nossa humanidade permaneça como o centro de nossa jornada evolutiva.

Autor: Israel Kujawa. Também escreveu e publicou no site “As relações e diferenças entre o virtual, o digital e o material: www.neipies.com/relacoes-e-diferencas-entre-o-virtual-o-digital-e-o-material/

Edição: A. R

Não colecione folhas mortas

Autumn07

A moral é desafiadora e conecta-se com as raízes profundas da velha árvore. É a ligação direta entre o antigo e o agora, criando novos feitos. Já o moralismo, é preciso entendê-lo melhor.

Moralismo é o que sobra quando a fonte da moral secou. Ouvimos, todos os dias, uma confusão entre esse conceito e a ideia de autêntica moral. O que temos, comumente, é uma acomodação às regras da sociedade, sejam justas ou injustas — um comodismo, em suma.

​Se comparássemos a moral à vida — à qual, justamente, a moral de fato serve —, poderíamos imaginar que a moral é árvore, com raízes que se perdem nas entranhas da terra. Não é possível identificar, ao certo, as origens das raízes mais antigas, pois elas se confundem com a base da nossa própria existência enquanto espécie. Se suas raízes são longas e imparáveis, seu tronco é forte, imbatível, e seus galhos e ramos se estendem em todas as direções.

​Agora, imagine que, ao longo do crescimento, essa árvore precisou ir soltando suas folhas, conforme as estações. A árvore é a mesma, mas vai se renovando em suas extremidades, em suas superficialidades. O destino das folhas que caíram é a podridão, é serem consumidas pela vida, regurgitadas, reaproveitadas pela energia vital.

​Porém, o que aconteceria se alguém insistisse em — no lugar de olhar para as folhas frondosas da árvore viva, as folhas verdes, cortadas pelo sol —, por pura covardia, sentir-se assustado pelo porte gigantesco, majestoso de tão bruta força da natureza? E, acometido pela loucura, se não se encantasse com os ramos assobiando com o vento, com as formigas passeando pelas folhas, com as cigarras entoando o seu canto estridente, e voltasse seu rosto para o chão, assustado, fraco, e visse apenas as folhas mortas, caídas?

O moralista tem medo da vida.

Ele tem dificuldade em entender que a moral, embora antiga, sempre se renova. Ele sente horror dessa renovação e, como um ser necrófago, passa a atentar somente à matéria morta sob seus pés. Essa matéria, ele pode pisá-la, manuseá-la, pode, até mesmo, guardá-la.

Muitos moralistas colocam essas folhas mortas, esses velhos comportamentos, em potes de vidro, e os enfeitam com a mais rebuscada e odiosa verborragia, ao mesmo tempo em que amaldiçoam as folhas novas, o verde nascendo. Saem pelas cidades, amaldiçoando o que é novo e jovem, ao mesmo tempo em que exibem seus potinhos com folhas mortas tristemente conservadas. Com o tempo, encontram outros colecionadores de necrofagias, unem-se e formam partidos.

Não é difícil identificá-los: estão sempre maldizendo as folhas novas e exaltando as folhas mortas. No presente, nada presta.

O futuro não existe, a não ser que as folhas-cadáveres possam ser revividas. Seguindo esse sonho esclerosado, criam frankensteins natimortos.

​A moral é o que viceja frente às intempéries da vida. É a força da vida defronte aos desafios do agora e do futuro. Não segue regras engessadas, mas cria novas formas de ser, agir e falar, conforme as necessidades da existência. Não é comodista. Não é souvenir. É desafiadora e conecta-se com as raízes profundas da velha árvore. É a ligação direta entre o antigo e o agora, criando novos feitos.

​Se você se colocar perante a Grande Árvore, por favor: olhe para cima, para os ramos buscando a luz. Não baixe a cabeça. Não caminhe olhando para o chão.

​Não colecione folhas mortas!

Autor: Aleixo da Rosa. Também escreveu e publicou no site “Apenas dou aulas”: www.neipies.com/apenas-dou-aulas/

Edição: A. R.

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