Quando reconhecemos como Patrimônio não somente aquilo que é físico, mas também aquilo que é intrínseco da população, valoriza-se a cultura e a história da cidade. Diante do exposto e da importância dessa história viva, que faz parte da criação de nosso município, a Câmara Municipal de Vereadores de Passo Fundo reconhece a Romaria de Nossa Senhora Aparecida como um Patrimônio Cultural Imaterial do Município.
“Em aprovação unânime na Câmara dos Vereadores de Passo Fundo, a Romaria de Nossa Senhora Aparecida, uma das mais tradicionais manifestações religiosas e populares do Norte do Rio Grande do Sul, agora faz parte oficialmente do Patrimônio Cultural Imaterial de Passo Fundo.
A proposição, apresentada pela vereadora Eva Valéria Lorenzato, na sessão de segunda-feira (25) valoriza uma trajetória iniciada ainda no começo da década de 1980, quando padres da então Diocese de Passo Fundo idealizaram um movimento de fé em homenagem à padroeira do Brasil. Em 1981, ocorreu a primeira edição da Romaria Diocesana de Nossa Senhora Aparecida, reunindo fiéis em um percurso de cerca de um quilômetro. O que começou de forma simples transformou-se, ao longo das décadas, em uma das maiores romarias do país.
Hoje, a celebração reúne milhares de pessoas vindas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul e até de outros estados, consolidando-se como um dos símbolos mais fortes da religiosidade popular e da cultura passo-fundense.

Reconhecimento ultrapassa a dimensão religiosa
Para o padre Daniel Rodrigo Feltes, o reconhecimento representa um marco histórico para a cidade e para a própria trajetória do santuário. Segundo ele, a Romaria está profundamente ligada à história do Seminário Nossa Senhora Aparecida, que em 2027 completará 50 anos de inauguração.
O sacerdote relembra que a devoção à Nossa Senhora Aparecida foi incentivada desde a criação do seminário e que, aos poucos, as celebrações religiosas deram origem à procissão e ao grande movimento popular que hoje caracteriza a Romaria. “O reconhecimento demonstra que um povo não é constituído apenas de elementos materiais, mas também daquilo que possui significado simbólico para sua população”, destaca.
Padre Daniel enfatiza ainda que, embora tenha origem na Igreja Católica, a Romaria transcendeu os limites da religião e tornou-se um patrimônio afetivo da cidade. Durante a votação do projeto, vereadores de diferentes crenças manifestaram apoio à proposta, reforçando o entendimento de que o evento faz parte da identidade cultural do município.
Ele compara a Romaria a outros grandes movimentos culturais de Passo Fundo, como o Festival do Folclore e a Jornada de Literatura, eventos que marcaram a história da cidade, ressaltando que a celebração também se tornou um elemento de pertencimento coletivo.
Uma manifestação que mobiliza multidões
Popularmente reconhecida como a segunda maior Romaria em honra à Nossa Senhora Aparecida do Brasil, a celebração já reuniu, em alguns anos, mais de 200 mil pessoas no entorno do santuário. Mesmo após a pandemia, quando houve redução do público concentrado em um único dia, o movimento segue mobilizando milhares de fiéis ao longo de todo o mês de outubro.
Em 2026, a Romaria chegará à sua 45ª edição. A organização dos preparativos já está em andamento e envolve um amplo trabalho coletivo. De acordo com o padre Daniel, mais de 300 voluntários atuam diretamente durante os dias de celebração, além de dezenas de colaboradores que auxiliam antes e depois do evento.
Patrimônio da cultura popular
Autora da proposta aprovada no Legislativo, a vereadora Eva Valéria Lorenzato afirma que o reconhecimento oficial fortalece a preservação de uma tradição construída coletivamente pela população ao longo de mais de quatro décadas.
Para ela, a Romaria representa um dos maiores encontros de fé e cultura popular do município. “A aprovação demonstra a importância que esse evento possui para Passo Fundo. É um momento de encontro das famílias, de devoção, de agradecimento e também de esperança”, afirma.
A parlamentar também destaca que a Romaria nasceu de forma simples, a partir da iniciativa de padres e moradores da comunidade, e se transformou em um dos maiores eventos religiosos do Sul do Brasil.
A vereadora também defende que o reconhecimento como patrimônio imaterial amplia a responsabilidade do poder público na preservação e qualificação do evento. Entre os pontos destacados estão a necessidade de segurança, infraestrutura e suporte ao longo do trajeto percorrido pelos romeiros”.
FONTE: https://www.onacional.com.br/cidade,2/2026/05/26/projeto-de-lei-transforma-romari,132577 (Por Luciano Breitkreitz)

Justificativa apresentada na tramitação da proposição da vereadora Eva Valéria Lorenzato
Ainda em 1980, no dia 12 de outubro, fora autorizada pelo então presidente do Brasil a realização de uma festa em devoção à Aparecida. No ano seguinte, em 1981, é realizada, então, a 1ª Romaria Diocesana de Nossa Senhora Aparecida, com um trajeto de cerca de 1km. O evento, que nasceu como uma movimentação simbólica e enxuta da fé dos passo-fundenses pela imagem de Nossa Senhora, hoje, quatro décadas depois de sua primeira edição, consolida-se como a segunda maior romaria para a imagem sacra do país.
Com um trajeto de 6,5km até o Santuário, a Romaria de Nossa Senhora Aparecida deixa de ser um evento de 200 devotos a passa a reunir milhares de romeiros da cidade, região e estados próximos. Além de uma manifestação da fé e espaço de expressão dos fiéis, a Romaria consagra-se como um marco da cidade de Passo Fundo, uma projeção do município para os demais centros culturais e religiosos do país.
Assim sendo, destaca-se a importância em considerar o evento como nosso Patrimônio, uma vez que fortalece a identidade daqueles que o compõem e reforça a importância daqueles que o fazem acontecer.
Quando reconhecemos como Patrimônio não somente aquilo que é físico, mas também aquilo que é intrínseco da população, valoriza-se a cultura e a história da cidade. Diante do exposto e da importância dessa história viva, que faz parte da criação de nosso município, propõe-se a referida lei, possibilitando, assim, a Câmara Municipal de Vereadores de Passo Fundo reconhecer a Romaria de Nossa Senhora Aparecida como um Patrimônio Cultural Imaterial do Município.
Fotos: Divulgação/arquivo pessoal Vereadora Eva Valéria Lorenzato

Vereadora Eva Valéria Lorenzato na tribuna: Registro Amanda Peres/Divulgação Câmara de Vereadores de Passo Fundo.
Edição: A. R.












Uma manifestação que mobiliza multidões
Popularmente reconhecida como a segunda maior Romaria em honra à Nossa Senhora Aparecida do Brasil, a celebração já reuniu, em alguns anos, mais de 200 mil pessoas no entorno do santuário. Mesmo após a pandemia, quando houve redução do público concentrado em um único dia, o movimento segue mobilizando milhares de fiéis ao longo de todo o mês de outubro.