As igrejas não devem ser instrumentalizadas pela política. Em mais um período eleitoral no Brasil, destacamos e repercutimos este manifesto escrito por um cristão evangélico, que alerta sobre os perigos da mistura entre a manipulação da fé a favor da política.
“É inadmissível que o púlpito de um templo religioso seja usado para fazer aliciamento de eleitores, induzindo o voto num ou outro sentido, nas eleições que se avizinham, dado a ascendência moral que um padre ou um pastor tem sobre os fiéis. O púlpito não se presta a isso, pois, assim como o Estado Brasileiro respeita a liberdade de culto, as igrejas devem respeitar a liberdade política dos fiéis.
A política não deve entrar nas igrejas, porque política e religião têm propósitos distintos. Enquanto a política almeja o poder terreno, a igreja deve zelar pela pureza doutrinária, pelos dons do espírito e pela fé dos seus fiéis.
Essas coisas não devem se confundir, pois isso acabaria por contrariar os próprios Evangelhos, os quais, se espera, um padre ou um pastor, mais do que ninguém, deve conhecer.
Veja, nesse sentido, o que disse Jesus, por exemplo, em João 18:36, quando Pilatos lhe inquire se ele é o rei dos judeus: “Meu reino não é deste mundo…” ou em Mateus 22:21, quando os fariseus lhe tentam com a questão do tributo, para colocá-lo em oposição ao domínio Romano: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, ou mesmo quando Jesus, em Mateus 6:24, no Sermão da Montanha, ensina ao povo: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas.”
Ainda mais explícito foi São Paulo, quando escreve, em Romanos 13, que devemos respeitar as autoridades constituídas, pois todas elas vêm de Deus.
Quando um padre ou um pastor, pois, durante o culto faz críticas ao governo constituído, às vésperas das eleições, induzindo seus fiéis a votarem em candidatos de uma determinada vertente política ou quando dá espaço a apenas candidatos de um lado para fazerem campanha em pleno templo, esse padre ou pastor está observando os ensinamentos dos Evangelhos? Mais: esse pregador está observando a Lei Eleitoral?
Sobre esse último ponto, aliás, o TSE recentemente se pronunciou ao considerar abuso do poder político usar da estrutura das igrejas para fazer campanha para um ou outro lado. Por menos que isso, empresários foram punidos no pleito passado por constrangerem seus empregados a votarem em determinados candidatos.
Não é ainda mais grave quando um líder espiritual, desfrutando da fé e da confiança das pessoas, faz, em pleno culto, manifestação em desfavor do atual governo, em benefício aos seus opositores políticos, às vésperas das eleições?
Cabe, pois, que as igrejas se abstenham de entrar nesse tema durante as suas celebrações e as autoridades investiguem se há alguma diretriz nacional em sentido contrário, pois tal conduta, além de contrariar os ensinamentos dos Evangelhos, pode caracterizar crime de assédio moral, quando não, crime eleitoral de abuso do poder político, em detrimento da lisura das eleições e da boa prática cristã”.
Assinado: Um evangélico.
Edição: A. R.












A política não deve entrar nas igrejas, porque política e religião têm propósitos distintos. Enquanto a política almeja o poder terreno, a igreja deve zelar pela pureza doutrinária, pelos dons do espírito e pela fé dos seus fiéis.
Essas coisas não devem se confundir, pois isso acabaria por contrariar os próprios Evangelhos, os quais, se espera, um padre ou um pastor, mais do que ninguém, deve conhecer.
Autor: um cristão evangélico