Cada país deve projetar qual será o ponto de equilíbrio entre estas alternativas: mais produção de grãos ou mais combustíveis.
Pergunte a qualquer agricultor como era sua propriedade antes de iniciar o plantio de soja? Como era a sua região antes desta cultura?
Como os governos, municipal, estadual ou federal, olhavam para a sua região?
Como os agricultores viam o Brasil aumentar cada vez mais a produção de soja? Em lugares jamais imaginados, como a região Central e do Norte do Brasil. Soja no Maranhão? Nem pensar.
Testemunho desta migração de agricultores da região Sul, são as centenas de Centros de Tradição Gaúcha -CTG espalhados por este país.
Os anos passaram e, o que era sonho, virou realidade.
Quem na região Sul, não planta também em áreas no Norte deste imenso Brasil?
Com base em dados atualizados até julho de 2019 pela Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha (CBTG), existem aproximadamente 2.575 CTGs (Centros de Tradições Gaúchas) em atividade no Brasil.
Quase 40% dos CTGs estão localizados fora do estado do Rio Grande do Sul, demonstrando a expansão da cultura gaúcha por outras regiões do Brasil.
O Rio Grande do Sul ficou pequeno demais para milhares de famílias. Solução: “subir” o Brasil.
Os emigrantes alemães, italianos e de outras nacionalidades “também subiram” no Rio Grande do Sul. Esta fase terminou há tempos.
A soja, juntamente com a pecuária, abriu imensas fronteiras agrícolas, desmatando áreas, legalmente ou não. Resultado: uma explosão de produção e de produtividade, onde o milho “casou” com a produção de soja. Hoje, um dos grandes problemas é o armazenamento da produção destas culturas. Santo problema.
Mas o que fazer com estas superproduções?
Exportar, é lógico. Para sempre? E os outros grandes produtores como os Estados Unidos e a Argentina? Todos querem ganhar dinheiro.
A pergunta válida para todos é, até quando poderão continuar a expandir suas produções para o mercado interno e principalmente para o externo.
Será que o mundo está mais interessado em produzir comida ou combustível a partir dos alimentos como soja, o milho e os cereais, como o trigo?
A Petrobrás ainda tem muito a produzir, do Norte ao Sul do Brasil. Produção cara e demorada.
Na agricultura, as respostas são muito rápidas, com muito menos investimentos. A transformação de grãos em combustíveis pode ser feita em todo o Brasil e com investimentos menores que na indústria petrolífera. A curto prazo, o ponto fraco é a produção de fertilizantes.

Cada país deve projetar qual será o ponto de equilíbrio entre estas alternativas: mais produção de grãos ou mais combustíveis.
O que nos preocupa é a dependência de fertilizantes para estas imensas produções. O que fazer com elas é um problema, digamos um bom problema.
Mas é hora de começar a pensar o que fazer com imensa produção atual e a que os agricultores pensam em produzir.
Numa batalha, como a de produzir, deve-se saber a hora de avançar e a hora de reduzir o avanço. Como os exércitos tem como estratégia de luta.
Nossa política agrícola tem sido feita na base do improviso, respondendo a pressões dos agricultores. Muito diferente do que acontece com o setor industrial.
(02/04/2026)
Autor: Eng. Agr. Roque G. Annes Tomasini. Membro da APL-Passo Fundo. Cadeira 38. Também escreveu e publicou no site “Exportamos agua ou grãos”?: www.neipies.com/exportamos-agua-ou-graos/
Edição: A. R.












do autor ROQUE TOMASINI:
“Cada país deve projetar qual será o ponto de equilíbrio entre estas alternativas: mais produção de grãos ou mais combustíveis”.