Precisa de arte para ser professor

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O cenário do trabalho docente permite concluir que ao professor, embora não esteja tipificado, não é conferido espaço para escrever/publicar textos de sua autoria. É um impedimento tácito, pois decorrente das circunstâncias estabelecidas.

Logo, nos primeiros anos, como professora, além de adquirir experiência na arte de ensinar arte, entendi que a prática pedagógica não nasceu para ser réptil, mas pássaro. Era a sinalização para fazer um pouco mais, qual seja, espalhar os conteúdos e minha pratica docente, para além da sala de aula.

Passei então a fazer um rol de assuntos, em uma caderneta que carregava na bolsa. Assim, toda vez que tinha um lampejo, anotava. Com esse acervo, eu daria efetividade aos meus planos de redigir textos e distribuí-los entre meus colegas e nas demais escolas. Após, os publicaria em um jornal e, a longo prazo, publicaria um livro de crônicas com os mesmos assuntos.

Eu estava motivada, pois os assuntos eram de relevante importância para a comunidade em geral.

Eu mostraria a todos o quanto é impactante, para o futuro dos jovens, estudar arte, pois conhecer seus períodos, suas características e respectivos autores implica entendimento detalhado dos fatos mundiais e suas consequências. História factual e arte são manas gêmeas que seguem caminhando lado a lado.

Eu mostraria a todos que a arte, em quaisquer de suas expressões, interage com o espectador, porque esse não é passivo, mas estimulado a refletir e a se emocionar. Em especial, eu dividiria com meus pares as experiências/atividades que tocaram os alunos de forma positiva.

Enfim, o rol se alongou por diversas páginas da caderneta. Eu tinha muitas ideias e as espalharia por aí como pó de giz ao vento.

Contudo, ao tentar redigir os primeiros textos me deparei com a dura realidade: a demanda escolar. Essa tem pouco a ver com o que se aprende na faculdade.

O estudo formal da didática, da pedagogia, e dominar os conteúdos da sua área de conhecimento é apenas 50% daquilo que um professor tem que dar conta dentro de uma escola. Ingressar no magistério implica abraçar um pacote apinhado de desafios que, ironicamente, nada tem a ver com o processo ensino-aprendizagem. Atividades essas que variam entre servir à burocracia que emburrece o ensino, até fazer cartazes para enfeitar a escola. Destacando que esses encargos não constam no edital de concurso.

Essa realidade acarreta ao professor, necessariamente, uma disponibilidade de 24h ao dia, incluindo os finais de semana.

Desse cenário se extrai a conclusão de que, ao professor, embora não esteja tipificado, não é conferido espaço para escrever/publicar textos de sua autoria. É um impedimento tácito, pois decorrente das circunstâncias estabelecidas.

Essa conjuntura é o apagador que deixa riscos indeléveis nos sonhos do professor. A gente perde, sim, mas concomitante a isso, a conjuntura escolar/social deixa de ganhar.

Inconformada com aquele espaço pequeno, no qual me ajustava para atender a demanda escolar, assim que me vi aposentada, assumi a advocacia e, concomitante a isso, uma página no jornal como cronista.  Nesse novo contexto passei a escrever e publicar muito. Comentava as leis novas, relatava ações díspares ou audiências hilariantes.

Atualmente sigo escrevendo para qualificar minha própria voz literária, mesmo porque, na aposentadoria, escrever, divulgar experiências e publicar textos tem sabor de recreio.

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Autora: Maristela Lopes de Lima, membro da SPV (Sociedade dos Poetas Vivos)

Maristela sempre se encantou com qualquer forma de arte e, naturalmente, escolheu ser professora de educação artística para distribuir a magia da expressão, fosse através das cores, dos movimentos ou da música. Atualmente aposentada, sua principal atividade é escrever literatura.

Edição: A. R.

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  1. O cenário do trabalho docente permite concluir que ao professor, embora não esteja tipificado, não é conferido espaço para escrever/publicar textos de sua autoria. É um impedimento tácito, pois decorrente das circunstâncias estabelecidas. (Maristela Lopes de Lima)

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