Madeireiros e construtores, pelos pincéis de Klenia Sanchez

A obra de Klenia Sanchez era um retrato da saga da família Salton, madeireiros e construtores por origem, expresso pelo traço de uma artista singular. Os elementos do mural realçavam a fase que a madeira era a prioridade para a edificação de casas pré-fabricadas.

Entre o final dos anos 1980 e começo dos anos 2000, quem passasse pela Travessa Wolmar Salton, não tinha como deixar de reparar na beleza de um painel afixado na parte frontal do prédio de número 35 daquela pequena via que liga a Rua 15 de Novembro com a Rua Teixeira Soares, em Passo Fundo.

O prédio é o edifício Irmã Helena, nome dado em homenagem à matriarca do clã Salton local e esposa do político e empresário passo-fundense Wolmar Salton, e o mural era uma obra da artista plástica Maria Klenia Nunes Sanchez. Digo era, pois, no começo dos anos 2000 (entre 2003 e 2005, provavelmente), por ocasião de uma reforma do edifício Irmã Helena, os condôminos optaram por cobrir o aludido painel, que ocultava o quadro de força do prédio, com uma espessa camada de tinta.

Eis que uma decisão simples e legitimada pela convenção do condomínio, uma vez que tomada por quem de direito, ditava a sentença de morte de uma obra de arte. Houve quem tivesse lamentado e quem nunca se apercebeu do acontecido.

A obra de Klenia Sanchez era um retrato da saga da família Salton, madeireiros e construtores por origem, expresso pelo traço de uma artista singular. Os elementos do mural realçavam a fase que a madeira era a prioridade para a edificação de casas pré-fabricadas. Depois, deixa bem evidenciada a fase da construção de prédios de alvenaria. Outros elementos, como toras de madeira empilhadas, pinheiros em pé, sol e pessoas, representando energia e vida, complementavam a obra.

Painel Madeireiros e Construtores depois de restaurado por Klenia Sanches. Passo Fundo, RS. (Foto: G. R. Cunha, 20/10/ 2019).

Em 2008, uma nova reforma do edifício Irmã Helena. Tomei conhecimento, por intermédio da síndica do prédio, que as portas do quadro de força, que, abaixo da pintura externa, albergavam a obra de Klenia Sanches, seriam substituídas por novas. Solicitei a doação das peças de madeira cujo destino era um contêiner de entulho de restos de construção.

Fui atendido no meu pedido e com o auxílio de um colega de trabalho, Jorge Cerbaro, levamos, na camionete dele, as cinco lâminas de maneira para serem guardadas num depósito na casa do acadêmico Odilon Garcez Ayres, nas imediações do bosque Lucas Araújo. Essas lá permaneceram até 2014, quando foram transportadas para um novo local, na casa do acadêmico Paulo Monteiro.

Os anos foram passando e eu sempre em busca de uma maneira de remover a tinta e revelar a pintura oculta. Mas as tentativas nunca evoluíram para algo concreto. Até que, em 2019, o marceneiro Roque Gonzales Nascimento sugeriu que passássemos ácido naquelas portas e ver o que apareceria. Autorizei a operação. Roque Gonzales passou uma demão de ácido nas pranchas de madeira. Ele não sabia o que procurar. Ele não conhecia a pintura original.

Eis que, num final de tarde, ele me chamou para ver o que estava acontecendo, pois, em uma das pranchas, apareceram uns riscos estranhos, umas linhas diferentes. Levei a única foto que eu tinha do Edifício Irmã Helena, tirada em 25 de novembro de 2000, e a partir dela passamos a identificar aqueles que seriam os traços remanescentes da pintura original. Removida a camada de tinta, procuramos a autora da obra, Klenia Sanches, para ver a possibilidade de restauração.

Fachada do Edifício Irma Helena onde aparece o painel original Madeireiros e Construtores, de Klenia Sancehz., Travessa Wolmar, 35, Passo Fundo, RS. (Foto: L. M. Costamilan, 25/11/2000).

Klenia Sanches e Gilberto Cunha junto ao que restou do painel original Madeireiros e Construtores depois de removida a pintura que o recobrira no começo dos anos 2000. Passo Fundo, RS. (Foto: M. A. B. Andrade, 2019).

Desnecessário dizer que Klenia Sanchez, que não havia se conformado com o destino que havia sido dado a sua obra, resolveu restaurar e, ao mesmo tempo, recriar a peça original, que fora totalmente desfigurada pela cobertura de tinta e pelos anos de deterioração das placas de madeira.

Os painéis de madeira foram levados para a Academia Passo-Fundense de Letras, onde Klenia Sanches, com o apoio do marceneiro Roque Gonzales, passou a trabalhar intensivamente na restauração/recriação da antiga pintura do edifício Irma Helena.

Alguns meses depois, o resultado foi materializado num magnifico mural de 4 m x 2m, pesando quase 200 kg, que, no dia 20 de outubro de 2019, com o apoio de 12 voluntários, foi colocado no auditório da Academia Passo-Fundense de Letras, onde permanecerá, supõe-se eternamente, à disposição do público que visitar o Sodalício das letras locais.

A civilização venceu a barbárie!

Equipe de voluntários que colocou o painel Madeireiros e Construtores no auditório da Academia Passo-Fundense de Letras. Passo Fundo, RS. (Foto: M. B. M. Pimentel, 20/10/ 2019).

Autor: Gilberto Cunha. Também escreveu e publicou no site “O livro que nenhum passofundense vivo até então havia lido”: www.neipies.com/o-livro-que-nenhum-passo-fundense-vivo-ate-entao-havia-lido/

Edição: A. R.

O que acontece quando uma criança sorri

A criança não precisa de muito para sorrir, ela só precisa se sentir verdadeiramente amada.

Quando uma criança sorri alguma coisa se transforma, o mundo sente cócegas, a casa parece mudar de lugar, o gato mia, as árvores se balançam mais intensamente, o tempo anda mais devagar e a gente não consegue compreender que aquele sorriso quer nos dizer tanta coisa linda e encantadora, porque somos “perfeitos” demais para nos preocuparmos com o simples sorriso de uma criança.

Uma criança sorri quando ganha um abraço porque sente confiança, quando ganha um brinquedo e fica contente, quando ganha colo, sentindo carinho e cuidado, quando recebe um elogio ou faz algo que é reconhecido e parece não caber em si de felicidade. A criança não precisa de muito para sorrir, ela só precisa se sentir verdadeiramente amada.

Muitas crianças não sorriem mais devido a problemas familiares, traumas, medos e perdas. Não que elas fiquem chorando o tempo todo, mas a maioria está silenciosa, quieta, escondida dentro de si, à procura de respostas que parecem nunca chegar.

O sorriso adormeceu e as brincadeiras que antes traziam alegria parecem ter sido deixadas de lado pela obrigação de trabalhar, estudar, cumprir com as diversas tarefas que logo cedo nós, adultos, lhes damos. Nem de longe nos preocupamos com o bem-estar das nossas crianças, que deveriam se preocupar apenas com os seus brinquedos e brincadeiras.

No sorriso de uma criança podemos, muitas vezes, encontrar a indicação de que, naquele momento, ela se sente amada, cuidada e acolhida, que nada vai lhe causar mal algum. Porém, neste mesmo sorriso podem se esconder dores que ainda não conseguimos perceber, e é nisso que reside a nossa responsabilidade pelo bem viver da infância.

Um sorriso indica, muitas vezes, que a vida é linda, por mais difícil e incompreensível que ela pareça aos olhos da criança. Ela não é de guardar mágoas ou raiva. As coisas passam muito rapidamente pela sua cabecinha, tudo acontece em pequenos instantes de choro e riso, e que fique por mais tempo o riso intenso.

Ao sorrir, não é só o rosto da criança que fica mais bonito, ela também muda quem está por perto.

Como diz o poeta, a alegria é contagiosa.

A criança saudável pode sorrir com as coisas mais simples do mundo: uma formiga no bolo, um peixinho no aquário, um cachorro brincando ou até mesmo com os pais reclamando do seu jeito levado. Não é “deboche”, é a alegria de saber que o que ela fez é visto pelos familiares.

Quando alguém dá atenção à criança, seja contando uma história ou ouvindo a sua própria história, faz com que ela sorria porque recebe atenção e afeto. Se achou um brinquedo perdido, sorri com aquele acontecido. As crianças sorriem não porque são felizes o tempo todo, mas porque esta é a forma mais bonita que elas têm de falar para o mundo o quanto são felizes.

Uma criança que sorri não quer mostrar apenas seus dentes perfeitos ou a sua janelinha da boca, ao contrário, ela busca encontrar o extraordinário, o maravilhoso em coisas, acontecimentos e objetos aos quais nós, adultos, já nos acostumamos e que já viraram rotina nas nossas vidas.

As crianças sorriem com a chuva, com as estrelas cadentes, com o arco-íris e com tantas coisas da natureza que nos parecem comuns no dia a dia, mas que, para elas, são fatos e acontecimentos que causam, além de alegria, certas curiosidades.

E quando uma criança que quase não sorri consegue sorrir depois de algum tempo, porque estava triste ou doente, se machucou, perdeu alguém querido, sente-se sozinha ou passou por tantas outras perdas e dificuldades que, para nós, podem ser simples, mas, para a criança, são coisas que se tornam gigantes quando não encontram resoluções rápidas. Então, alguém se aproxima, conversa, dá atenção, brinca com ela e vai despertando a alegria até finalmente encontrar o enorme sorriso no rosto pequenino e inocente.

Só sabe o valor do sorriso de uma criança quem a ama intensamente. Não conseguimos forçar uma criança a sorrir quando ela não quer, e nem isso deve ser feito sob hipótese nenhuma.

A criança não deve se acostumar a fingir sentimentos.

Ela só deve sorrir quando sentir vontade, quando estiver alegre. E o seu sorriso poderá demonstrar para terceiros e pessoas de fora do ambiente familiar como é a vida daquela criança que sorri tanto, que olha para o mundo com alegria e que traz um sorriso não somente na boca, mas nos olhos e no corpo, demonstrando que recebe afeto e cuidados o bastante para se sentir feliz, não o tempo todo, porque ninguém é feliz o tempo todo, mas pelo tempo necessário para demonstrar que ser criança é a melhor coisa do mundo, ainda!

Talvez o mundo não mude quando uma criança sorri; talvez, mudemos nós, por alguns instantes, diante dela. Este nosso jeito sério de enxergar a vida, de lidar com os problemas e dificuldades. É no sorriso de uma criança que muitas vezes encontramos respostas às nossas dores.

Quando uma criança sorri é como se Deus mandasse chuva para uma região de grande seca, é como se Ele abrisse uma janela no mundo, nos fazendo lembrar de que ainda existem coisas e pessoas pelas quais vale a pena lutarmos, nos dedicarmos, buscarmos, irmos atrás, voltarmos nas nossas decisões, porque o perdão e o arrependimento são formas valiosas de amar e sentir.

Sorria como uma criança, caro leitor, porque a criança que existe em cada um de nós está cansada de tantas “caras fechadas”.

Assim, seguimos com os versos do nosso querido poeta português Fernando Pessoa, que nos diz:

“Olha-me rindo uma criança. / E na minha alma madruga. / Tenho razão, tenho esperança. / Tenho o que nunca me basta.”

Que o sorriso de uma criança possa madrugar nas nossas almas a esperança de dias melhores, de um mundo com mais amor e menos guerras. Que nunca nos baste apenas dinheiro e status, mas um além sorrir de menino ou menina peralta.

Autora: Rosângela Trajano. Também escreveu e publicou no site “Ofereça à criança uma infância que não precisará ser curada na vida adulta”: www.neipies.com/ofereca-a-sua-crianca-uma-infancia-que-nao-precisara-ser-curada-na-vida-adulta/

Edição: A. R.

Futebol, política e religião: sim, se discutem!

Estamos tão vinculados ao resultado das eleições que a diferente escolha entre os candidatos a Presidente causará consequências e resultados diferentes, que atingirão a todos (estamos juntos), seja para o bem ou seja para o mal.

Tenho visto publicações e comentários nas redes sociais de que futebol, religião e política não se discutem. Vamos analisar um caso concreto de frases com que me deparei.

“Aprendi que existem pessoas maravilhosas que votam no Lula e existem pessoas maravilhosas que votam no Bolsonaro. A escolha por um desses candidatos não define o caráter de alguém. Ela é baseada nos conhecimentos e experiências de vida e sobretudo como cada indivíduo significou tudo isso. Isso não faz as pessoas melhores ou piores, são apenas pontos de vista e expectativas diferentes.”

Diria que, para torcida de futebol, estas frases estão boas. O time do coração é escolhido pela paixão, e não pela razão. Ou seja, é verdadeiro afirmar que a escolha do time de futebol não faz as pessoas melhores ou piores, são apenas escolhas apaixonadas. Além disso, se o Inter ou o Grêmio vencem o campeonato, tanto faz, isso não interfere no valor do salário, da passagem de ônibus, no preço do leite ou no preço da gasolina.

Já a escolha de um Presidente da República é diferente. A escolha deveria ser pela razão, analisando fatos, ações, resultados, propostas, etc, e não pela paixão, como no futebol.

Para presidente, deve-se olhar o que cada candidato já fez na vida e quais são os valores humanos, sociais e coletivos que cada um defende e representa. Diferente do futebol, se for o “Lula ou o Bolsonaro que vencer o campeonato”, para cada candidato diferente que vença as eleições, isso vai representar resultados diferentes, e sim interfere no valor do salário, da passagem de ônibus, do preço do leite e do preço da gasolina.

Ou seja, a frase divulgada “isso não faz as pessoas melhores ou piores” é verdadeira quando aplicada à escolha do time de futebol, mas é FALSA quando aplicada à escolha do Presidente do país. Nesse sentido, usar afirmações e premissas verdadeiras para a escolha do time de futebol para associá-las à escolha do Presidente do país é um artificio argumentativo que visa enganar as pessoas. Isso se chama manipulação de linguagem.

Agora vamos analisar a frase divulgada “A escolha por um desses candidatos não define o caráter de alguém”. Diria que essa afirmação é no mínimo parcialmente falsa, pois pode definir. Vamos usar uma comparação para auxiliar no raciocínio: na Alemanha nazista, a escolha de apoiar o Hitler e a escolha de apoiar o time de futebol do Bayern de Munique – tem diferença?

Sim, a opção política a favor ou contra o Hitler na época falava sobre o caráter das pessoas, a tal ponto que os expoentes nazistas foram posteriormente condenados. Apoiar um candidato que usou camiseta com o nome e apoia publicamente o mais famoso torturador e assassino da época da Ditadura Militar, com a família, destacadamente o pai preso, fez uso de discursos de estupro, machistas, racistas, prepotentes … pode falar sobre o caráter da pessoa que apoia esse tipo de (má) conduta.

Como dizem, esses discursos tiram esqueletos do armário de seus apoiadores. Afinal, lendo as falas de Jesus Cristo na Bíblia, podemos formar uma opinião sobre seu caráter. Lendo e ouvindo as falas dos candidatos a presidente, especialmente analisando as ações e comportamentos anteriores, podemos formar uma opinião sobre o caráter de cada um deles.  

Dessa forma, as frases divulgadas são verdadeiras para escolha de um time de futebol, mas são falsas quando aplicadas à escolha de candidatos políticos, como no caso da Presidência da República.

As recentemente famosas “terras raras”, minerais considerados “o novo petróleo do século”, estão no centro da atual disputa presidencial. O Brasil, com uma das maiores reservas mundiais, poderia se transformar na “Noruega deste século” a partir dessa riqueza.

Na reunião da ONU desta semana, o atual império lançou o “Escudo das Américas”, que prefiro chamar de “Ameaça ou Assalto das Américas”, cujo objetivo declarado é combater o terrorismo, e o objetivo semiescondido é garantir a “segurança do fluxo das terras raras”, para o norte, claro, para o império. Entre os candidatos à presidência, um assegura a riqueza das terras raras para o Brasil e o outro para os Estados Unidos. Ou seja, a opção entre um ou outro candidato definirá se aproveitaremos, ou jogaremos fora, a oportunidade de desenvolver o país a partir da riqueza dos minérios das terras raras que possuímos. Ou seja, TMJ para o bem e, infelizmente, também para o mal.

Na mesma linha, em publicação do dia 23/09, com o título “Flávio e a sombra dos milicianos”, o jornal Estado de São Paulo opina que os eleitores têm liberdade para dar seu voto, mas chama a atenção para “que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República”.

Parece evidente ser um alerta de que a escolha do candidato a presidente passa a ser uma escolha entre democracia e milícia, que em certa medida poderia ser interpretado como uma opção entre soberania democrática ou submissão ao crime organizado.

Estamos tão vinculados ao resultado das eleições que a diferente escolha entre os candidatos a Presidente causará consequências e resultados diferentes, que atingirão a todos (estamos juntos), seja para o bem ou seja para o mal.

O resultado das eleições será importante para democracia, para o Brasil e para o mundo, especialmente em função do aumento dos movimentos de extrema direita nas denominadas democracias ocidentais, destacadamente na democracia ou império estadunidense, que se encontra em declínio. O resultado vai configurar uma maior ou menor esperança dos brasileiros e das brasileiras poderem viver suas escolhas e seus caminhos, sem medo de que isso represente uma ameaça às suas vidas.

Autor: João Carlos Loebens. Também escreveu e publicou no site “Nunca foi contra a corrupção”: www.neipies.com/nunca-foi-contra-a-corrupcao/

Edição: A. R.

A fala do corpo

É importante sabermos ouvir as falas do nosso corpo, que embalam as nossas vidas. Na batalha da sobrevivência, precisamos amenizar a carência dos corpos que sofrem pela fome, pelo frio, pela ausência de afeto, pelas podas que a vida faz.

O corpo tem falas com várias tonalidades, que expressam uma infinidade de significados. Alguns, nós conseguimos entender. Outros, temos maior dificuldade na compreensão. São sinais indecifráveis. O corpo tem vozes de promessas, sons de alegria, melodias de acalanto, ecos de dores, alertas diversos, expressando uma variedade de emoções e sentimentos, traduzidos na expressão de um corpo sadio ou de um corpo adoecido.

O filósofo Merleau-Ponty disse que o nosso corpo fala. O ritmo dessas falas, os matizes dessas linguagens são reveladores das nossas vivências, das nossas histórias, dos nossos trabalhos, das nossas diversões, das nossas conquistas, das nossas carências, dos nossos ganhos e das nossas perdas. Essa é a linguagem do nosso corpo que fala de forma alegre ou triste.

Sabemos ouvir a voz do nosso corpo? Sabemos que somos um corpo? Temos consciência que somos sujeitos corporais, cuja expressão da fala é eloquente? Queremos estar harmonizados com a linguagem do nosso corpo? Ou, pensamos, como os platônicos, que o corpo é um fardo que carregamos?

Estas questões não fazem parte de um discurso vago e diletante. Elas explicitam a preocupação da subjetividade resgatada na vida cotidiana. Uma vida expressa e realizada na corporeidade histórica, social e econômica no dia-a-dia de cada um.

Herbert de Souza, o Betinho, uma liderança atuante, no cenário político brasileiro, manifestava-se a respeito da dignidade da vida e nos fazia pensar que um corpo que carrega uma doença não é necessariamente um corpo doente. De tal modo, que apesar da sua hemofilia, ele se colocava como um sujeito preocupado com a fome no Brasil, nos anos 90.

Criou a “Ação da Cidadania”, tendo por lema Quem tem fome tem pressa. Era uma ação urgente diante da realidade de corpos famintos, combater a miséria e a fome. Seu corpo se colocou a serviço de outros corpos em situação de falência alimentar.

A sua consciência corporal, a sua verdade, a sua sabedoria permitiram-lhe ouvir as falas dos corpos famintos e respeitá-las, agindo política e socialmente. Não se refugiou na própria doença para se ausentar. Ao contrário, nos limites do que seu corpo permitiu, teve uma atitude de solidariedade com o corpo do outro.

É importante sabermos ouvir as falas do nosso corpo, que embalam as nossas vidas. Na batalha da sobrevivência, precisamos amenizar a carência dos corpos que sofrem pela fome, pelo frio, pela ausência de afeto, pelas podas que a vida faz.

O corpo fala e quer ser ouvido. É imprescindível dedicarmos tempo para ouvir essa fala, antes que seja tarde. A escolha pela vida nos faz atentos à linguagem do corpo. Esta é uma opção corajosa.

Autora: Cecilia Pires. Também escreveu e publicou no site “Sobre a fome: direitos sequestrados”: www.neipies.com/sobre-a-fome-direitos-sequestrados/

Edição: A. R.

É hora de acabar com as sacolas plásticas

A crise global dos resíduos plásticos tem movimentado debates internacionais. A produção de lixo plástico superou em 2025 a marca de 475 milhões de toneladas anuais recentemente. O acúmulo de lixo plástico nos solos atinge cerca de 13 milhões de toneladas, enquanto 23 milhões de toneladas acabam indo parar nos oceanos.

(Por Juacy da Silva)

 O Papa Francisco, há 11 anos, quando da publicação da Encíclica Laudato Si já denunciava a poluição pelos plásticos e demais resíduos sólidos ao falar “o mundo, nosso Planeta, a nossa Casa Comum está se tornando uma grande lixeira” e, há poucos anos também o Secretário Geral da ONU, Antonio Gutierrez em uma solenidade pelo DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, alertou o mundo dizendo “em alguns lugares do planeta os oceanos têm mais plásticos do que peixe.

De forma semelhante também o Papa Leão XIV tem insistido quanto à necessidade de melhor cuidarmos do planeta, alertando-nos, exortando-nos sobre os males da poluição do ar, das águas e dos solos, criticando os lucros vertiginosos de empresas poluidoras e visitando em suas viagens vítimas de despejo ilegal de lixo tóxico e de afetados pelos horrores das guerras.

Em diversas cidades pequenas, médias ou mesmo megalópolis, principalmente na Europa, nos EUA, no Japão e em outros países ou mesmo no Brasil, o uso de sacolas plásticas e embalagens de plástico já foram abolidas, em parte pela mudança de hábitos e estilo de vida espontaneamente por parte da população, através de uma intensa campanha de educação ambiental crítica/libertadora e, também, pela aprovação de leis locais, estaduais ou nacionais que proíbam ou restrinjam esta prática maléfica que gera uma imensa degradação ambiental.

A crise global dos resíduos plásticos tem movimentado debates internacionais. A produção de lixo plástico superou em 2025 a marca de 475 milhões de toneladas anuais recentemente. O acúmulo de lixo plástico nos solos atinge cerca de 13 milhões de toneladas, enquanto 23 milhões de toneladas acabam indo parar nos oceanos. 

Entre 2000 e 2025, a produção mundial de plástico dobrou, saltando de aproximadamente 234 milhões de toneladas para mais de 490 milhões de toneladas anuais. Esse crescimento da produção de plásticos de cerca de 115% superou o crescimento do PIB mundial, que no mesmo período aumentou cerca de 75% em termos reais. Se esta tendência não for barrada com urgência, dentro de poucas décadas, realmente, o mundo vai se transformar em uma grande lixeira planetária, como nos alertou o Papa Francisco na Encíclica Laudato Si.

É importante esclarecer que o plástico é um subproduto do petróleo, um dos combustíveis fósseis que mais contribui para as emissões de gases de efeito estufa que contribuem com o aquecimento global e a crise climática.

Assim, o combate ao uso de sacolas plásticas e todas as embalagens plásticas insere-se na luta pelo fim do uso de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão) tema central de um Encontro Internacional realizado recentemente na Cidade de Santa Marta, na Colômbia, do qual participaram representantes de diversos países, inclusive do Brasil.

Nosso país é o 4º maior produtor de lixo plástico do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. O Brasil gera mais de 11 milhões de toneladas de lixo plástico por ano, mas a taxa de reciclagem é historicamente muito baixa, girando em torno de 1,2% a 4,5%.

Estima-se que cerca de 40% desse volume de lixo corresponda a plásticos de uso único e descartáveis em poucas horas de uso, como as garrafas pets, as sacolas e embalagens de plástico, que podem perfeitamente serem abolidas, substituindo-as por outros materiais reciclados/recicláveis e também pela logística reversa, como já acontece com as embalagens de agrotóxicos.

Um dos problemas mais sérios na atualidade é o LIXO PLÁSTICO que a cada dia aumenta e polui a natureza, entope as bocas de lobo e degrada tudo, principalmente os cursos d’água como os córregos, os rios, as lagoas, os lagos, os mares e oceanos.

Diante disso, a PASTORAL DA ECOLOGIA INTEGRAL, na dimensão de uma Conversão Ecológica, ou seja, mudança de hábitos, costumes e estilo de vida tem insistido na necessidade de ABOLIRMOS AS SACOLAS, as embalagens e os “utensílios” de plástico em todos os lugares, principalmente nas Igrejas e entidades religiosas, em uma demonstração de que cuidamos corretamente das obras da criação.

Em nossas formações, treinamentos e reuniões temos insistido para não usarmos nada de plástico, na certeza de que aos poucos precisamos nos educar ambientalmente, nos convertermos ecológica e socioambientalmente em diversas frentes da caminhada, incluindo o combate ao consumismo, ao desperdício, adoção de práticas de economia circular, incluindo a separação de nosso lixo doméstico, o re-uso do que for possível e a reciclagem, o uso de fontes renováveis de energia e, assim, por diante.

Se todas as pessoas e também todas as organizações públicas e também não governamentais, incluindo empresas privadas, instituições de ensino, IGREJAS e entidades comunitárias despertarem para a necessidade de PRÁTICAS ECOLÓGICAS, que contribuam para uma SUSTENTABILIDADE plena, abrangente, estaremos contribuindo para reduzir a degradação ambiental, a nossa “pegada ecológica”, para reduzirmos os impactos da CRISE CLIMÁTICA, que a cada dia se torna mais insidiosa e grave.

Outro aspecto importante é a necessidade das Câmaras Municipais, das Assembléias Legislativas e do Congresso Nacional aprovarem Leis que proíbam o uso de embalagens, inclusive sacolas de plásticos, e outras medidas que combatam a degradação ambiental.

Oxalá, as questões e desafios socioambientais possam fazer parte da pauta, das discussões que normalmente acontecem em períodos eleitorais. É muito importante que os candidatos, tanto a cargos eletivos estaduais quanto federais, incluam entre suas propostas temas relacionados com o meio ambiente.

Só assim, poderemos construir as bases de políticas públicas voltadas para um melhor cuidado com a ecologia integral, reduzindo os impactos da degradação e destruição do meio ambiente, enquanto é tempo.

Reclamar, gritar, protestar contra o descaso como nossos governantes tratam as questões e problemas socioambientais são formas importantes de mobilização profética, mas, é preciso, é imperioso que os governantes despertem de suas letargias e omissões para esta realidade cruel que está tornando a vida no planeta quase impossível, todas as formas de vida, mas, principalmente, a vida humana!

As eleições estão chegando, mais importante do que ficarmos “discutindo” nomes, o que realmente importa são as propostas de ação política, principalmente daqueles que serão eleitos.

O cuidado com o planeta, nossa Casa Comum, com o meio ambiente, transcende às ideologias, aos partidos políticos,às picuinhas eleitorais e a todas as demais peculiaridades, ao nos omitir diante da destruição ambiental estamos inviabilizando nosso futuro, a partir de nossos territórios. Aqui e agora!

FONTE: É hora de acabar com as sacolas plásticas

Autor: Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. Email profjuacy@yahoo.com.br Instagram: @profjuacy  WhatsApp 65 9 9272 0052

Edição: A. R.

A nova CHINA: o livro de KEYU JIN

Aqui, estamos numa democracia liberal em disputa com a direita fascista.  Lá o governo comunista centraliza e decide. A economia é de Mercado, porque o partido quer e controla. O povo está bem melhor.

“A nova China”, livro de Keyu Jin foi publicado no Brasil em 2024.

Não me conformo com a ausência de informações sérias sobre a China em nosso país, ainda mais sendo nosso grande parceiro comercial.  Como diz a autora, chinesa de nascimento, tendo estudado nos EUA e trabalhando no Reino Unido a nova China é para além do socialismo e do capitalismo.

No mundo ocidental temos dificuldades de ver, ouvir e sentir algo além de nossas fronteiras.

De que nos adianta pensar ou estudar o maoísmo, a Grande Marcha e a Revolução Cultural, se nada sabemos da segunda maior economia do mundo.

Comecei a pesquisar algumas coisas na Internet, mas vi que seria impossível construir um sólido mosaico com tantas peças. Não é fortuito que a Rede Globo desloca um jornalista para acompanhar a nova China, trazendo matérias a cada domingo no Fantástico.

A China ainda preserva tradições, e a cultura está fincada sobre alicerces sólidos.  Na China, com produção e consumo desenfreado, mantém-se a ideia de que o coletivo vem antes do individual.

O ano de 1978 é o marco das mudanças com Deng Xiaopíng. É o início da modernização da China. Abrem-se amplas possibilidades para inversões de capital. Abre-se a economia. O Estado se associa. O Estado continua dando as diretivas.

No início do processo, o Estado tinha como meta produzir ao máximo, garantindo um PIB de dois dígitos. Muitos erros foram cometidos como competitividade predatória, baixa qualidade de produtos e desrespeito ao meio ambiente.

Na atualidade, sob Xi Jinping, o foco está na tecnologia e mais cuidados ambientais.

DE GERAÇÃO A GERAÇÃO

“Ser um orgulho para os nossos antepassados”: a máxima confucioniana parece ser o motor do que acontece na China.

Para a geração de Deng Xiaoping, que mudou os rumos da China, a industrialização foi feita a todo custo. A própria agricultura e os trabalhadores do campo pagaram caro para ser uma força auxiliar para alavancar a industrialização. O intuito era superar o atraso.

Quando os agricultores puderam lavrar suas terras vendiam parte ao governo com os preços ditados pela burocracia estatal, e o restante estava livre para negociar. Suas vidas começaram a melhorar.

Os jovens, na atualidade, não pensam mais na industrialização, mas nas novas tecnologias. Mesmo viajando ao exterior e entrando numa corrida consumista não perderam suas raízes, pensar no coletivo antes do individual parece não se exaurir. Pensam e agem no processo intergeracional, com muito respeito aos idosos, em especial seus pais e avós.

Na industrialização desenfreada se produzia sem qualidade e muitos horrores foram praticados, como a depredação ambiental.

Em 2001, a China entra na OMC, Organização Mundial do Comércio. Ou seja, integra-se ao mercado global e suas regras.

Na atual gestão do presidente Xi Jinping há mais preocupação com uma disputa de mercado com qualidade e mais atenção aos temas ambientais. Não pensem que tudo seja um desenvolvimento linear. Muitos erros aconteceram.

O que move os governantes e gestores chineses é o pragmatismo e, desde sempre, a China lida com a meritocracia e premia os que se destacam.

A POLÍTICA DO FILHO ÚNICO

A China como sabemos, com sua grande dimensão geográfica, tem também uma imensa população.

Nos anos 1970, o governo preocupado com uma explosão demográfica sem controles, optou por uma radical política de controle populacional, exigindo das famílias controle de natalidade: um filho por casal.

Foi um processo com problemas. As famílias por certa tradição queriam filhos homens, e houve uma desproporção de gêneros, com mais homens que mulheres.

Como há uma tradição intergeracional de filhos ampararem os pais na velhice, até porque a assistência aos aposentados ainda é precária, pensava-se que homens, com mais possibilidades de emprego e ganhos, poderiam dar mais amparo.

Porém, esta política fez com que o país apostasse muito na educação dos filhos, com um só filho poderiam gastar mais e começaram com aulas e cursos suplementares, gerando nas filhas mulheres uma geração mais empoderada e autônoma.

Hoje, há falta de “noivas” para casar.

A atual geração é consumista, não apenas das milhares de coisas à mão, optam por viagens, cursos no exterior. São jovens mais focados em temas ambientais e até na defesa da vida selvagem na África.

Mas é ainda uma geração que pensa nos pais e sabem que os pais pensam em tê-los empregados perto de casa.

Os jovens têm problemas por hiperqualificacão profissional, com 20% de desempregados neste segmento, logo pensam que talvez um curso técnico tivesse sido melhor.

A nova China vive estes e outros dilemas de seu desenvolvimento desenfreado por décadas. Na China desde sempre há a cultura da competitividade o que tem causado dilemas, pois a meritocracia ainda é uma visão que prevalece.

A BENÇÃO E A MALDIÇÃO DO PIB

Há uma fixação chinesa em torno do crescimento do PIB. A questão foi, por muito tempo, fazer o PIB crescer, a qualquer preço.

Cidades e províncias apresentavam o PIB muitas vezes inflado; tanto que o PIB nacional era, em regra, inferior aos dados regionais somados. A conta não fechava, mas a fúria para alcançar maiores patamares era a tônica.

Há muita força dos prefeitos e dirigentes de províncias na economia local que, mesmo apresentando benefícios ao povo com mais empregos e renda, conquistaram tudo isso à custa de propinas, alta corrupção, destruição ambiental, do patrimônio cultural e aumento da poluição.

 Por isso, Keyu Jin, a autora do livro A nova China, fala em benção e maldição do PIB.

 Às vezes, foram feitas obras faraônicas e impactantes sem uso relevante, um desperdício; porém, estas inflavam o PIB local.

A questão chegou a um ponto intolerável, fazendo Xi Jinping – 2013 – a levantar uma rigorosa política anticorrupção. Isso pode ter causado certa lentidão, indolência e desinteresse de governantes locais. Há economistas que chegam a dizer que propinas podem ser um impulso da economia, mas o governo de Xi Jinping quer acabar com estas práticas, sendo que muitos que enriqueceram acabaram indo para a cadeia.

É uma dura tarefa do governo central enfrentar.  Talvez como mostramos deverá apelar para a cultura da competição e meritocracia, cousas estranhas para nós brasileiros.

O SISTEMA FINANCEIRO

A autora de A nova China, dedica 37 páginas ao sistema financeiro.

Ela nos diz que a bolsa chinesa não é uma anomalia, mas um reflexo de seu sistema financeiro ineficiente e caótico.

Lembra a falência do grupo imobiliário EVERGRANDE que contaminou outros setores, levando de roldão os pequenos poupadores. O povo chinês tem historicamente uma alta poupança, chegando a 30%, o que para nós é inacreditável.

Ela nos fala que a economia americana é próspera devido ao seu setor financeiro bem organizado. Já a China cresceu, apesar de seu sistema desorganizado.

A China criou, como nos EUA, um sistema financeiro paralelo. O governo abriu brechas e até incentivou os mecanismos deste sistema. Ele se apoia em criação de papéis, em especial emitidos pelos governos locais.

Houve quem no início do século dava cinco anos para um estouro do império chinês e seu crescimento exponencial.  Nada disso aconteceu.  Na crise da bolha imobiliária americana, a cúpula governamental se reuniu e abriu mecanismos para impulsionar a economia local.

Todos temem a bolha imobiliária chinesa. Em 2019, o governo resolveu puxar o freio em investimentos imobiliários. Afinal, há um envelhecimento da população chinesa, e os jovens não querem ter filhos ou poucos filhos, retardando o casamento ou mesmo não casando.

A CORRIDA TECNOLÓGICA

Desde o uso da pedra como ferramenta, a tecnologia transformou a vida humana. Atualmente, é a tecnologia que dita quem ganha ou perde na geopolítica global.

Já na dinastia Song a China descobriu a pólvora, o papel, a impressão, a bússola.

Na China se busca, além da inovação em produtos, a inovação em processos. A China disputa preços no mercado mundial, porque tem uma mão de obra mais barata. O top da Huawei custa a metade de um Iphone.

O Ocidente errou e erra ao menosprezar a capacidade da evolução tecnológica da China.

A evolução dos avanços em tecnologia passou por períodos de cópia e imitação. Mas isto é passado. A China está na OMC desde 2001.

É grande a competição entre empresas na China. Já mostramos que a cultura chinesa é de competição, de disputas, de meritocracia.

Um dos elementos essenciais hoje em dia é o valor dos dados. A China, além do contingente habitacional, tem um o povo que paga tudo de forma digital, assim dados e dados podem ser coletados.

Mas a China tem agora uma rigorosa legislação de proteção de dados. Os EUA estão muito atrás da China com os pagamentos digitais.

As plataformas são um poderio na China, desde as vendas da Alibaba, aplicativos que disputam em outros países com o Uber. A China é dona do 99. Lembrando que foi criado por brasileiros.

Hoje, depois de anos de cópias e pirataria, a China preza a propriedade intelectual e tem políticas de proteção estatal.

O PAPEL DA GLOBALIZAÇÃO

Anotem esta data: 1878.A guerra do Vietnã havia acabado. Kissinger visita a China em 1971 e Nixon, um ano após.

Em 1972, formalizam relações. Ainda estávamos na era Mao Tse Tung.

A Deng Xiaoping que a China deve a política de se reformar e adentrar o mundo, integrar-se. Mesmo com esta perspectiva, a China não se globalizou do dia para a noite, com uma ordem do PCC. A China era pobre e agrária. 

O primeiro passo foi incentivar a industrialização. E assim se fez. Copiou, pirateou e conquistou o mercado das quinquilharias. Mas, agora, a China quer muito mais. Quer estar na linha de frente da tecnologia.

A produção desenfreada de roupas e acessórios está com o Vietnã e outros países do leste asiático.

O mercado está hiperglobalizado. Uma peça pode vir da Coreia ou da Alemanha, e a Foxconn – que é de Taiwan – fabrica o produto final na China. Já se fala em desmobilização para garantir as empresas locais sem depender desta complexa cadeia global.  Mais uma vez, a vontade é uma, mas a realidade do mercado tem suas pressões violentas.

Ou seja, é fácil odiar, conveniente criticar, mas difícil de parar a China.

Na era digital somem as fronteiras, pois americanos compram roupas na plataforma Alibaba, que está entrando na Europa, tem o streaming, tem o gosto pelas viagens, tem os estudos. O aplicativo 99 era daqui e hoje é chinês. O aplicativo deles compete e ultrapassou o Uber no México.

A China quer produzir coisas mais sofisticadas, chegando aos parâmetros do Japão e outros. Quer avançar em qualidade nas confecções e sair da pecha de só produzir blusinhas para a Shein.

A China é quem mais emprega recursos no tema das mudanças climáticas.

Aposta, repetindo, na alta tecnologia seja com suas empresas ou com as estrangeiras associadas. A fábrica mais avançada da Tesla está em Xangai.

O próximo passo na integração mundial é disputar com seus avanços o sistema financeiro.

 NÓS E A CHINA

Por que se fala tão pouco da China por aqui?Por que economistas e gestores não estudam a nova China?

Ortodoxos falam da Revolução Cultural de Mao Tse Tung. Mas a nova China é de Deng Xiaoping e Xi Jinping.

É preciso ler o livro A nova China de Keyu Jin.

Nós somos um país colonizado. E isto não é pouco. A raiz cultural dos povos indígenas foi arrancada com o genocídio deles. Africanos foram caçados em suas terras e trazidos à força e escravizados. Libertos, foram jogados às ruas sem eira nem beira.

Os que vieram aqui colonizar o país eram aventureiros e de pouca instrução.  Eram todos predadores.

Já a China tem uma história milenar. Tem Confúcio e uma filosofia. Eles descobriram a pólvora, a bússola, o papel é a impressão.

A China tem mais e muitas histórias.

Sua filosofia sempre foi a ousadia e a perseverança.  Sempre focaram na meritocracia. Nós, bem nós, pegamos o pau brasil e o ouro e foi para os outros. O açúcar e o café foram para fora também.

 A China era pobre. Hoje, é rica.

Copiou muito. Fez bugigangas. Mas isso já é passado. Estão focados na alta tecnologia. Podem imaginar uma cidade com Shenzhen no Brasil?

Aqui os municípios privatizam suas empresas. Lá fazem Joint Ventures…

A nossa Carris não teria sido vendida, o município por lá buscaria uma parceria para ter todos os ônibus ecológicos ou ia mais além faria VLT ou metrô.

Aqui, estamos numa democracia liberal em disputa com a direita fascista.  Lá o governo comunista centraliza e decide. A economia é de Mercado, porque o partido quer e controla. O povo está bem melhor.

Autor: Adeli Sell. Professor, escritor e bacharel em Direito. Também escreveu e publicou no site “Quem não comunica se trumbica”: www.neipies.com/quem-nao-se-comunica-se-trumbica/

Edição: A. R.

Missioneiros – Os 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani nas memórias de pai e filho

Mais do que um livro de poemas e memórias: Missioneiros soma às vozes que celebram em 2026, os 400 anos das Missões Jesuíticas-Guarani, um marco histórico de um dos capítulos mais fascinantes e complexos da história do estado do Rio Grande do Sul.

O ano é 2026, época de muita tecnologia, a Inteligência Artificial se torna popular, caindo inclusive na graça dos mais velhos, que a utilizam de diversas formas, desde correções textuais simples até as brincadeiras na internet, em trends que exaltam os tempos passados, fazendo jovens exibirem imagens como se houvessem vivido nos tempos de juventude se seus pais e avós.

 A Alexa, boa amiga, fiel companheira, ou companhia, conversa, dá conselhos, prevê o tempo, e, pasmem! Até declama poesias e faz às vezes de psicóloga e conselheira. Porém, como dito por Heidegger, “A tecnologia não é um aparelho físico, mas uma forma de revelar o mundo.”

Confesso que concordo.  Comparo a tecnologia a espelhos diferentes, que mostram de maneira ampliada por vezes distorcida, nossos hábitos, sentimentos e cultura.

Talvez por essa distorção ou por certos exageros tecnológicos, nós, humanos que somos, precisamos recorrer constantemente ao passado ou há algo tão humano quanto nós mesmos. Esse algo são as tradições, costumes que passam de pai para filho, algo relatado diretamente por nossas mães ou avós, assim, diretamente, pela voz, num olhar, em uma história contada ao redor da mesa, num almoço de família. E, por isso, sobretudo por isso, por nossa humanidade, ainda festejamos tempos menos tecnológicos.

A data de 03 de maio deste ano é um marco histórico e cultural na tradição do povo que vive no extremo Sul do Brasil, mais precisamente no Rio Grande do Sul. Data em que se comemoram os 400 anos das Missões Jesuítico-Guaranis, momento este que os tradicionalistas se dispuseram a comemorar pelo ano todo e tem seus festejos garantidos também durante a costumaz Semana Farroupilha no Estado.

Neste cenário, há um só tempo tecnológico e nostálgico que um pai e um filho resolvem prestar homenagens à sua terra natal e ao seu próprio passado missioneiro. O professor e doutor Laurindo Moacir Sassi, cirurgião-dentista, pesquisador e uma das maiores autoridades brasileiras em Cirurgia, Traumatologia Bucomaxilofacial e estomatologista reconhecido por suas contribuições na oncologia oral, deixa de lado, por um momento, a linguagem científica, para junto a seu filho, Fernando Minari Sassi, para lançar a obra literária que reúne memórias, contos e poemas a ser lançada durante os festejos Farroupilhas.

Mais do que um livro de poemas e memórias: Missioneiros soma às vozes que celebram em 2026, os 400 anos das Missões Jesuíticas-Guarani, um marco histórico de um dos capítulos mais fascinantes e complexos da história do estado do Rio Grande do Sul. 

A obra é um depoimento em verso e prosa da vida do homem do sul, sua cultura e suas tradições nas escritas e recordações de pai e filho. Ambos os autores, declaram seu afeto pela tradição e trajetória de vida do povo gaúcho em poemas e crônicas que mesclam atividades reais, cotidianas, com histórias curiosas, transformando-se em verdadeiros contos ou “causos” para se narrar ao redor da fogueira campeira, do fogão à lenha ou, em tempos mais modernos, em frente à lareira, sorvendo um mate amargo.

Missioneiros convida todos à leitura. Aos que ao Rio Grande do Sul pertencem e estão distantes da terra querida, esse convite afaga a saudade, aos que ainda estão ao sul, bem ao sul do Brasil, faz sorrir.

Aos demais, o livro instiga novos saberes sobre uma cultura regional que perdura através dos tempos, distâncias, apesar e para além de toda a tecnologia atual.

A obra Missioneiros está disponível diretamente com a editora ao valor de R$ 65,00. Para adquirir, escaneie o QRCode abaixo envie o comprovante para projetossorrisos@gmail.com e receba as orientações para o envio do livro (frete grátis para todo o Brasil): Após, envie o comprovante para: projetossorrisos@gmail.com e receba informações de envio ou retirada.

Para saber detalhes sobre os lançamentos de livros e outras atividades, siga a página da editora Projetos Sorrisos no Instagram https://www.instagram.com/projetossorrisos/

Assista leitura de um dos poemas do Livro:

Autora: Luciana Marinho Albrecht, escritora, contadora de histórias, idealizadora e editora-chefe da Projetos Sorrisos editora e produtora cultural.

Edição: A. R.

 

A cretinice digital e uma nova indiferença a caminho

“Faça-os ler! Para não criar cretinos digitais “¹

Passeando pelas ofertas de livros na ‘Amazon’, chamou minha atenção uma frase que deveria estar exposta nas portas de todas as bibliotecas:

“Ler por prazer é um importante antídoto contra o surgimento do cretino digital.”²  Foi então que lembrei de algo incômodo…

Muito se apontou sobre o mecanismo do ‘waths,’ que virou mania nacional, onde aparece o sinal, na forma de dois pequenos riscos azuis, identificando uma mensagem lida.  Para a segurança de quem envia e na expectativa de receber o seu retorno, a sinalização remete à transparência; como em qualquer diálogo.

Mas há o recurso inverso, no qual o assinante pode desativar, e, quem recebe, não quer que você saiba que recebeu ou leu a sua mensagem.  Quando enviada a você, que possui as notificações ativas, ele sabe que foi lida.  Mas, a que você enviou, não deseja que você a dê como lida. Nossa!  É um paradoxo na ditadura das novas relações. _ As minhas coisas eu as trato como entendo tratar. As suas, vire-se!

Seria mais ou menos como você dar um bom dia para o seu vizinho e aguardar pela sua decisão em responder; pelo mesmo bom dia. Você o cumprimenta, mas ele tem o direito de ficar pensando o dia todo se irá responder.

Pode ser que nem responda, aliás.

_ É o bordão viciado e banal que se ouve o tempo todo:  estava na correria!

A nova realidade é assim, neste mundo de controvérsias intermináveis: lê mensagens quem quer, responde se quiser.  Está em curso, então, uma nova indiferença, agora escondida sob o manto azul das telas, que protegem em uma mesma medida: engajados e cretinos!

_ Por que deveria responder se o palco está escuro?

O que era para ser a maior e mais impactante rede de conhecimento universal, jamais imaginada, com acesso ilimitado e gratuito de informações infinitas, sim, o que nos elevaria como humanidade, despertou a antessala de uma estupidez padronizada: a percepção vale mais do que o fato, o tempo de cada um vale mais que o tempo do outro e, pela disputa por atenção, dane-se quem está na espera.

Por um milhão de Barsas, quanto foi dito até agora, que somente a leitura e o seu decorrente despertar pode dissipar a escuridão que nos envolve?

Mas, não se discute muito sobre o impacto da leitura fluida e prazerosa enquanto reserva na empatia dos leitores. Será preciso investigar mais. Uma história, qualquer delas, tem o poder de nos transportar em seis veios e de nos fazer sentir e viver em todas as suas linhas. O que dirá um conto infantil…

A empatia, que sempre nos salva de um dia impossível, nasce da capacidade que podemos olhar outros papéis senão somente os nossos, e, de forma quase absoluta, sentir e viver o outro em seu personagem:  no seu êxtase ou no seu abandono.

Não são vídeos, palestras, filmes, teatro… Ajudam, mas não completam a viagem. Somente na leitura e pela sua fruição, por exemplo, é que uma criança poderá entrar na cidade dos sonhos, salvar a sua amiga de um dragão ante a iminência de um fim de mundo.  Ali, neste capítulo, onde se trocam papeis fantasiosos de amizades secretas, pode nascer o desejo de mudar sua vida; o que não deixa de ser uma resposta.

A partir do mundo digital, vê-se nascer, ao contrário, filósofos de poucas frases, recortes de narrativas incompletas, onde se sabe somente o que foi permitido mostrar e saber.  Sem continuidade, sem amplitude, surgem então, os novos sociólogos das respostas enlatadas, dos chavões e slogans, das conclusões que resultam de capítulos mal lidos. E de comportamentos alienados, claro!

A resistência se dará no resgate da leitura! Anotem!  Sem pressa, a leitura genuína irá deslocar as máscaras de quem acha que o estudo levado a sério, o debate e a crítica, como ferramentas científicas, estão ultrapassados.

_ Faça-os ler!  Conforme o autor Miguel Desmurget nos adverte. Mas eu acrescentaria… _Faça-os sentir.  Pois não há leitor que resista à empatia, quando já navega no interior do seu conto.

Não que as redes e seus tentáculos formam, com originalidade incomum, novos tipos de pessoas, desonestos ‘on line’, com retornos que não chegam, respostas nunca dadas ao seu tempo…  Há vigarice, dentro e fora da redoma digital. Mas agora ampliou, dilatou e expandiu os cretinos sem leitura, com influência o bastante para tisnar mentes ainda em formação ou consciências dispersas; as que transitam nas dobras da ignorância coletiva.

Despertar, dói.

Um bom leitor, jamais fica no limbo de uma ausência. Porque resposta atrasada é um conceito. O ato de ler e se informar já se constitui em um retorno e o silêncio, pode ser um grito com muitos significados.

Afinal, quem não dispõe a você 7 segundos para responder sua mensagem, mesmo que seja -depois eu ligo- já o deixou nas sombras das gavetas sem prioridade.

Enquanto aguarda por alguém, no qual você não sabe se já leu a sua mensagem, porque ele não quer que você saiba, faça o seguinte: ligue para a sua tia.  Aquela tia querida que você nunca tem tempo em atendê-la e que responderia a você na hora.  Quantos assuntos não teria para contar? Retorne ao seu Pedro, o taxista da esquina, que há muito fazia corridas para você e sempre tentou arrumar um assunto qualquer, que na sua correria das horas, nunca foi possível ouvi-lo.

Prove, com saudades, dos sabores das respostas rápidas, dos que sempre tiveram você disponível em sua agenda e dos que não se escondem atrás das telas.

A empatia começa no espaço analógico.

Ainda não li os dois livros de Michel Desmurget, ‘A fábrica de cretinos digitais’, e sequer o ‘Faça-os ler’.  Não sei o que estou esperando!  Mas estão na fila.  É que estou paralisado diante de ‘Vésperas’, da catarinense Adriana Lunardi e não sei se li algo tão maravilhoso neste último ano.

Leia também: www.neipies.com/plataformizacao-da-educacao-e-a-inducao-de-um-curriculo-escolar-administrado/

Somente a leitura nos ensinará a nadar contra a maré, novamente!

Referências:

  1. Faça-os ler! Para não criar cretinos digitais. Miguel Desmurget. (Vestígio)
  2. Ler por prazer… idem, Miguel Desmurget.

Autor: Nelceu A, Zanatta. Também escreveu e publicou no site “O santo Mel de cada dia”: www.neipies.com/o-santo-mel-de-cada-dia/

Edição: A. R.

Quando a criança perde o seu brinquedo preferido

Bem, sabemos o quanto é difícil perder o que gostamos. Imaginemos como ficamos perturbados quando perdemos os nossos aparelhos celulares? Assim também ficam as crianças, e mais difícil é para elas, porque estão aprendendo a lidar com as perdas.

Muitas vezes achamos exagerado quando a criança fica tristonha por ter perdido um brinquedo. Não nos damos conta de que para ela a perda está começando a ser compreendida no seu pequeno mundo. Não saber lidar com a perda de um brinquedo pode ser difícil e preocupante porque há muitos motivos para a criança se entristecer com isso.

Toda criança tem um brinquedo preferido. Pode ser um ursinho velho, uma boneca, um carrinho ou até mesmo um pedaço de pano que vira personagem na hora da brincadeira e se torna o melhor amigo imaginário, a avó imaginária ou o companheiro peixinho de plástico que guarda segredos e está sempre silencioso sem julgar a criança.

Quando a criança perde o seu brinquedo preferido, ela sai à procura dele pela casa toda, busca nos locais em que menos imaginamos, olha embaixo da cama, dentro do armário, na despensa e em outros lugares onde acredita ter o esquecido e vendo que o tempo passa sem achá-lo fica angustiada e sofre. Sofre porque o seu companheiro de rotina, de dias difíceis, seu amigo maravilhoso desapareceu de uma hora para outra.

Por isso, eu sempre recomendo que não tiremos da criança um brinquedo ao qual ela é tão apegada mesmo que esteja velhinho ou quebrado. Antes precisamos combinar com a criança o motivo por que aquele brinquedo deve ser descartado e pedir a sua permissão.

O brinquedo pode não representar quase nada para nós adultos, mas para a criança faz parte do seu mundo real e imaginário, é um pedaço de si. Ele participa da infância como se tivesse vida própria sempre ali perto da criança nas horas de lazer, de dormir ou de se alimentar. Ele é seu companheiro fiel que merece cuidados do seu jeitinho frágil e inocente de cuidar mesmo quando é ela que precisa de cuidados. E assim brinquedo e criança passam a cuidar um do outro compartilhando amor e cumplicidade.

A criança mantém com o brinquedo uma relação bonita de afeto conversando com ele, cuidando dele, abraçando, beijando, o escondendo para que ninguém o veja e saiba onde ele está senão ela. Não é simplesmente um objeto ou coisa qualquer. É mais que possamos imaginar.

É o ursinho que escuta todos os segredos e medos da criança quando está para dormir, é a boneca que ocupa o lugar da mãe quando não está em casa e cuida da criança, é o carrinho que leva a criança para passear em outros lugares imaginários onde ela gostaria de estar em vários momentos difíceis da sua vida.

Para nós adultos é fácil dizer para a criança não chorar, não ficar triste e nem reclamar. Exigimos muitas vezes que elas até esqueçam e parem de falar do brinquedo perdido ou vão ficar de castigo. Não conseguimos compreender que essa situação é o começo para a criança aprender a lidar com a ausência de algo ou alguém que ama. Neste momento, devemos oferecer cuidados especiais, tais como: compreensão, afeto, cumplicidade, amizade, abraço e colo. Ajudarmos a criança a buscar o seu brinquedo, fazermos perguntas sobre o brinquedo, ficarmos do lado da criança até a dor da ausência passar ou aliviar um pouco.

Bem, sabemos o quanto é difícil perder o que gostamos. Imaginemos como ficamos perturbados quando perdemos os nossos aparelhos celulares? Assim também ficam as crianças, e mais difícil é para elas, porque estão aprendendo a lidar com as perdas.

Não é necessário sentar a criança ao nosso lado e falar para ela que existem perdas maiores no mundo. Falar da morte ou coisa parecida. É o momento de sentar-se com a criança e conversar com ela buscando compreender seus sentimentos e acalentando-a com palavras de conforto e cuidados. 

O brinquedo preferido fazia parte da rotina afetiva da criança. Ia com ela para todos os compartimentos da casa, estava com ela em todas as situações e momentos da sua vida, ia até mesmo para a escola ou shopping.

É quando a criança começa a compreender que nem tudo que a gente ama permanece para sempre. Talvez doloroso sentimento, mas que precisa ser discutido com cuidado e responsabilidade pelos pais e responsáveis com a criança. O brinquedo pode ter desaparecido, mas permanecem as lembranças dele, a memória de quando ele estava ali presente na sua vidinha. É disso que devemos falar com a criança para que ela vá aprendendo a lidar aos poucos com a perda do seu brinquedo preferido.

Depois, quando a dor diminuir, a criança talvez adote outro brinquedo como preferido. Faça de uma caixa de papelão a sua cabaninha, faça amizade com um novo ursinho de pelúcia que se tornará seu novo confidente e poderá até passar a ser o irmão daquele perdido. É como a gente que, muitas vezes, precisamos preencher vazios com outras coisas para não ficarmos a vida inteira sofrendo a ausência daquilo que tanto amávamos. O acolhimento e conforto dos pais e responsáveis ajuda a criança a atravessar suas perdas com mais segurança.

Sempre devemos demonstrar à criança que sabemos da importância daquele brinquedo perdido. Ela vai passar a confiar cada vez mais na gente. O ursinho que era o melhor amigo e o paninho que era o lugar onde a criança se escondia dos seus medos ficará nas lembranças para sempre e mais tarde poderá ser reconhecido através das fotografias e lembranças da infância.

E como no poema de Mário Quintana “Brinquedos de Criança” em seus versos que nos dizem:

“Eu quero os meus brinquedos novamente / Sou um pobre menino… Acreditai… / Que envelheceu, um dia, de repente!…” possamos guardar algum brinquedo da infância para abraçarmos na vida adulta quando a saudade doer tanto que cheguemos a chorar quando perdíamos o ursinho amigo ou o carrinho que nos levava a passear além do arco-íris.

Obrigada, leitor querido, por ter chegado até aqui! Sei que você também teve um brinquedo preferido na sua infância!

Autora: Rosângela Trajano. Também escreveu e publicou no site “Quando alguém que a criança ama fica longe”: www.neipies.com/quando-alguem-que-a-crianca-ama-fica-longe/

Edição: A. R.

O que é o sionismo dos judeus?

Você quer conhecer melhor essa história? Pode comprar o livro “Contra o Sionismo: retrato de uma doutrina colonial e racista”. São 98 páginas de fácil leitura. Digita “Editora Alameda” no motor de busca da internet, seleciona e compra o livro – o correio entrega na sua casa. E teu conhecimento agradece.

Recentemente foi lançado o livro “Contra o Sionismo: retrato de uma doutrina colonial e racista”. O autor do livro é Breno Altman, jornalista e fundador de Opera Mundi, com uma linha editorial progressista, onde escreve e apresenta os programas 20 Minutos e Outubro.

Altman é judeu. Se declara antissionista. E o que seria sionismo?

O Sionismo se originou antes da Primeira Guerra mundial e pode ser considerado um movimento político-religioso de uma parte dos judeus, principalmente da Europa e Estados Unidos, que visava a criação do Estado de Israel. Pensaram em criar Israel em regiões não povoadas, como na Patagônia Argentina ou no Congo/África, mas o nacionalismo sionista escolheu a Palestina, região densamente povoada pelos palestinos/árabes.

Poderiam ter criado Israel na Europa ou nos Estados Unidos, onde a maior parte dos “auto declarados” judeus vivia. Foi uma escolha deles, judeus europeus/estadunidenses, não precisavam ter criado o Estado de Israel na Palestina. 

Os sionistas (uma parte dos judeus) não querem outras pessoas morando no mesmo local que eles, querem um local/país habitado somente por eles judeus (isso seria racismo?), porque se consideram o povo escolhido por Deus.

O local escolhido por eles sionistas para estabelecer seu país (a Palestina) seria a Terra Prometida por Deus para os judeus.  Dessa forma, eles judeus teriam o direito “sagrado” de acesso e posse das terras da Palestina, onde há árabes vivendo a milênios. Por isso a ocupação, invasão e expulsão dos palestinos, hoje genocídio. Os sionistas governam Israel. Há judeus que não concordam com os judeus sionistas.

Sionismo é a doutrina que rege Israel. Não é a religião judaica que determina a natureza do Estado de Israel.

Assista também: https://www.youtube.com/live/7TvL0FP64Eo?si=RqQ9Mg3kgURzS3WI

Mas quem eram, ou quem são os judeus? Quem pode ser considerado judeu?

O intelectual judeu Shlomo Sand, do Departamento de Ciências Humanas da Universidade de Tel Aviv/Israel, no livro “A invenção do povo judeu”, diz que os judeus não são um povo. Ele afirma que a compreensão dos judeus como um povo foi criação do sionismo. Que os “autodenominados” judeus tem origem em vários povos com culturas e histórias diferentes.

Dessa forma, judeus não constituem uma nacionalidade e tampouco podem ser resumidos como seguidores de uma religião, porque muitos judeus são ateus ou agnósticos. A suposta origem dos judeus na Mesopotâmia/Canaã, há mais de 3.000 anos, está muito distante no tempo para ser caracterizada como uma identidade nacional.

O sionismo judeu, ainda antes da criação de Israel, criou braços paramilitares, como o Irgun e o Lehi, que recorreram à violência contra alvos militares e civis, operando do mesmo modo do atual Hamas, que agora chamam de terrorista. Begin, dirigente sionista do Irgun, organizou a explosão em 1946 do Hotel Rei Davi em Jerusalém, matando 91 pessoas. Mesmo assim, Begin, que explodiu o hotel em 1946, foi primeiro-ministro de Israel de 1977 a 1983.

Você quer conhecer melhor essa história? Pode comprar o livro “Contra o Sionismo: retrato de uma doutrina colonial e racista”. São 98 páginas de fácil leitura. Digita “Editora Alameda” no motor de busca da internet, seleciona e compra o livro – o correio entrega na sua casa. E teu conhecimento agradece.

Boa leitura!

Autor: João Carlos Loebens. Também escreveu e publicou no site “Negacionismo: força destrutiva, inclusive o negacionismo econômico”: www.neipies.com/negacionismo-forca-destrutiva-inclusive-negacionismo-economico/

Edição: A. R.

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