A conscientização gradativa sobre o relevante papel de ser mãe e a sua influência na harmonização do filho, na vida física, irá conduzir a humanidade para o mundo de regeneração. Todo nenê precisa ser acolhido com amor e esperança.
A gestante é merecedora sempre do maior respeito e admiração, não importando sua idade, condições socioculturais, estado civil, raça, cor, etc. Ela está sendo cocriadora da vida, atendendo a lei divina, materializando, dentro de seu próprio corpo o casulo que o espírito, filho de Deus, utilizará para a grandiosa experiência da vida.
Por tratar-se de projeto muito complexo que envolve dois planos, o material e o espiritual, representa para a futura mãe momentos de expectativas e inquietações pela amplitude que se reveste tal investimento.
A gestação é fenômeno originado pela união sexual de duas pessoas diferentes, consensual ou não. As duas são responsáveis pelas consequências e as duas deveriam assumi-las. Como a gestação ocorre no ventre materno e não no corpo do pai este, algumas vezes, não se envolve o suficiente com a nova responsabilidade. Na realidade, ambos estão gestantes, pois o feto liga-se fluidicamente ao pai e a mãe.
A providência divina confia à mulher-mãe o filho por mais ou menos nove meses antes de nascer. Durante a gestação ele é praticamente só da mãe. Ocorrendo forte inter-relacionamento nessa fase. A mãe está biológica e espiritualmente mais ligada ao filho do que o pai. Na mãe se conjugam o instinto natural e a virtude moral de maneira mais profunda pois maternidade vem a ser a plenitude do sentimento feminino que norteia o progresso.
Concepção, gravidez, parto e devoção afetiva representam estações difíceis e belas de um ministério sempre divino, que exige paciência e carinho, renúncia e entendimento.

A maternidade pode ser esperada, imprevista, aceita, hostilizada, socorrida ou desamparada, misto de júbilo e sofrimento, missão e prova e deve sempre traduzir intercâmbio de amor incomensurável, em que desponta o ensejo de burilamento das almas na ascensão dos destinos.
A aparente inocência, candura e fragilidade fazem parte da pedagogia divina e servem para despertar o amor dos pais que vão cumular o filho durante a infância com as mais delicadas atenções. Essa dedicação e proteção vai até a adolescência, quando o filho apresenta seu caráter real e individual e fica independente.
Quando a mãe cuida do recém-nascido, acarinha-o, aconchega-o ao coração, banha-o, conversa na linguagem “manhez” com ele, o amamenta, olha no seu olhar e entende a sua linguagem muda ou balbuciada ou choro, o seu cérebro produz oxitocina, o chamado hormônio do amor. A mãe se inunda do sentimento de amor pelo nenê.
Esses momentos são plenos de amor puro, da mais bela energia que o sentimento humano pode produzir. Que importante será a época, na humanidade, em que todas as mães puderem viver em plenitude esses momentos mágicos em que elas são cocriadoras com Deus da vida.
A conscientização gradativa sobre o relevante papel de ser mãe e a sua influência na harmonização do filho, na vida física, irá conduzir a humanidade para o mundo de regeneração. Todo nenê precisa ser acolhido com amor e esperança.
É natural que a mãe preserve a própria independência e que não transforme a maternidade em cativeiro no qual se desequilibre. Mas, enquanto os filhos ainda crianças pedirem apoio e ternura, de modo a garantirem a própria formação moral, emocional e espiritual, a mãe deve permanecer atenta aos compromissos da maternidade.
A mãe, de certa forma, “empresta seu corpo” ao nenê de maneira permanente, mas, aos poucos saber estar ausente, por alguns momentos, para despertá-lo para a nova realidade. O primeiro espelho da criança é o olhar da mãe, nele ela se enxerga aos poucos, depois é o rosto, com seu olhar, sorriso, as expressões faciais, sua voz. A criança sente-se refletida na mãe.
Cabe à mãe, devagarinho, frustrar adequadamente o filho e com isso estabelecer a noção de limites nos primeiros meses da criança. Nessa fase, o apoio do pai ou outro adulto será importante para provocar a ruptura do bebê do corpo da mãe. É o nascimento da individualidade.
Torna-se imprescindível que os pais tenham claro um plano moral de educação dos filhos e que reflitam sobre em que bases vão ajudar o filho a construir sua identidade, tendo sempre em vista a imortalidade do espírito. O filho necessita ser encaminhado não só para a vida material, mas também para a vida espiritual. Ele não precisa só do pão material, da roupa, do teto, da escola, mas também do alimento espiritual para sua alma.
A voz da mãe atinge o âmago do espírito imortal de seu filho quando ela conversa com a criança, quando ela canta cantigas de ninar, aconchegando o rebento ao coração, ou cantigas de roda nas brincadeiras com a criança; quando ela conta histórias edificantes, quando narra a história da família e da criança, como ela se sentiu feliz quando soube que ia ser mãe deste filho, como foi a gestação, o parto, a felicidade que ela sentiu e a família quando ele nasceu.
A mãe precisa passar a ideia para a criança que ela é amada incondicionalmente.
Os pais geralmente se preocupam mais com a carreira que os filhos deverão seguir, deixando-se impressionar pelo brilho e pelo resultado utilitário que possam advir e deixam de atentar para a questão fundamental da vida, que se resume em criar e consolidar o caráter.
Jesus nos apresenta um roteiro simples de ser seguido: Amar a Deus, sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Criar os filhos educando-os, tendo por base essa premissa e servindo de exemplo na vivência cotidiana, aplicando nos seus atos, na convivência no lar e na sociedade, essa regra, despertará na criança o desejo de ser igual ao modelo que, especialmente, a mãe oferece, e que o pai igualmente deverá ser a referência.
A mãezinha e o pai que habitualmente dedicam alguns momentos do dia para orar com a criança, desde os primeiros dias de vida, vão despertando o sentimento de filiação, de gratidão e respeito a Deus. A ideia de Deus é inata no ser, só precisa ser desperta.
Naturalmente que a mãe e o pai serão os primeiros educadores a colocar limites nos filhos de forma firme e amena. Todos os pequenos deslizes da criança necessitam ser corrigidos quando ocorrem. A educação é a formação de bons hábitos que devem ser repetidos exaustivamente até serem incorporados, automatizados no comportamento dos filhos.
Uma coisa importante que a mãe deve ensinar ao filho é que ele saiba perder, ser frustrado, ouvir um “não” quando é necessário, explicando o porquê. Se a criança e o jovem aprenderem a perder, serem frustrados, eles saberão seguir em frente após a desilusão. Serão capazes de buscar um novo caminho, dando-se conta de que tudo passa. Esta é uma das qualidades mais importantes do caráter que está sendo consolidade na fase infantil e na adolescência.
Uma das virtudes da mãe deve ser a paciência, junto com a perseverança. Quem ama, educa, corrige, mostra o caminho do bem e ajuda a trilhá-lo.

Educar significa, etimologicamente, extrair, tirar de dentro. Esse é o papel da mãe e do pai, estimular o desabrochar das tendências inatas do espírito imortal ao que é bom, belo e verdadeiro. Acima de tudo, o filho biológico ou adotivo é filho de Deus e para ele é que se deve encaminhar os filhos.
Os pais, como primeiros educadores dos filhos, por excelência, devem entender que cada dia vivido no lar é uma aula de preparação para a vida adulta dos filhos quando estes vão exercer seus papéis na vida, inclusive como futuros pais.
Os pais adotivos abrem o seu coração para receber crianças em situação de orfandade ou abandono, trazendo-os para o aconchego de seus lares e de suas vidas. São detentores de grandes méritos. Criam seus filhos do coração, muitas vezes, com mais responsabilidade que muitos pais e mães biológicos.
Se o filho é adotado os pais devem dialogar com ele para que se desenvolva sob o conhecimento da verdade.
Ocorre, na atualidade, uma tendência dos pais de desistirem do papel de educadores, de autoridades morais para se tornarem “escravos” dos próprios filhos, por causa das necessidades criadas pelo universo do consumo, do imediatismo, da inversão dos valores. Nesse contexto da pós-modernidade a pessoa vai perdendo os referenciais da realidade e a substância de si mesmo. O que vale são as vitrines, o culto ao corpo, o consumo de tudo.
A realidade apresentada pela mídia é mais viva, colorida com sons especiais que dão uma ilusão sobre o prazer de viver, provocando o fascínio e vazio com a falsa ideia de que tudo o que é apresentado é o melhor. Na verdade, isso não existe, e quando a pessoa cai na realidade ela sofre grande desencanto e se deprime. Se ela não tiver um embasamento espiritual, fé firme, ela se desequilibra.
Vivemos hoje numa sociedade decadente onde o sexo e o afeto foram banalizados e os pais estão despreparados no papel de educadores, perdidos nas questões de quem são, que lugar e função ocupam na sociedade e no lar.
Os pais precisam assumir seus papeis de pais. Não esquecer que o exemplo seguido do diálogo representa a melhor metodologia para educar. Exercitar diálogo interior consigo mesmo, fazer uma autoavaliação sobre como está exercendo a função de pai ou mãe, para o autoconhecimento e buscar transformar o que deve ser mudado em si, nos seus atos, para que educação possa ser proveitosa para os filhos.
A função materna é ser provedora das necessidades básicas do filho como a sobrevivência física e psíquica através da alimentação, do agasalho, do calor, amor e contato físico.
A representação que a mãe tem do pai de seu filho é a imagem sobre ele que ela vai passar para a criança. O que a mãe visualiza e acredita sobre os potenciais de seu nenê tornam-se importantes na representação futura que o filho terá de si próprio.
As funções maternas e paternas podem ser exercidas pelo pai ou pela mãe. Um pode, em determinado momento, exercer a função do outro, quando surge a oportunidade, o que vai favorecer do desenvolvimento emocional da criança. Ela vai se sentir cuidada e segura.
O relacionamento familiar possibilita a vivência da fraternidade e da solidariedade, todos se conhecem e se podem desculpar com mais facilidade tendo em vista o bem geral e individual.
No lar, os filhos devem encontrar os recursos preciosos de educação para a formação equilibrada do caráter e da personalidade.

Os pais, como bons cultivadores da moral, devem plantar no coração dos filhos as sementes de tolerância e do bom entendimento. Elas vão fixar-se no cerne da memória afetiva, prolongar-se por toda a existência. Na fase infanto-juvenil é mais espontânea a amizade, o relacionamento sincero e a natural convivência.
A constelação familiar é uma colmeia onde todos devem participar dos deveres gerais, todos colaboram para a harmonia do ambiente e assim desfrutam dos benefícios coletivos que disso decorre.
A educação sexual deve fazer parte do programa de família, no qual todas as questões devem ser abordadas com naturalidade, no dia a dia, sem precipitação nem atraso. A conversação sadia em torno do sexo, na família, da mesma forma que se fala outros assuntos, oferece segurança para o comportamento equilibrado nessa área.
Quando os pais observam o comportamento alienado do filho devem buscar a orientação da ciência médica, mas não esquecer da alternativa da contribuição espiritual que muito poderá ser útil. Buscar o auxílio espiritual do anjo tutelar do filho solicitando inspiração e orientação.
As novas tecnologias oferecem à mente das crianças e dos jovens muita excitação. Os esforços obtidos ao interagir com uma rede social ou chegar a uma mudança de fase de jogo eletrônico provocam gratificação no cérebro, espécie de reflexo condicionado que promove uma dependência aos aparelhos de comunicação virtual, quando usados sem controle.
A criança e o jovem precisam ser estimulados e contemplar uma paisagem natural sem precisar fotografá-la. Os danos provocados no cérebro pelo uso excessivo de celular e internet é similar aos provocados pelas drogas químicas. Apesar de não ser dependência química, mas comportamental, causa o mesmo desgaste nos neurônios que as drogas. É a tecno dependência.
Algumas crianças e jovens ficam extremamente ansiosos se estão sem seu celular. A linha que separa o uso do abuso é muito tênue. Quando a pessoa fica dependente patológico do aparelho, o uso excessivo está ligado a transtorno de ansiedade. É a nomofobia, que apresenta sintomas de angustia, sensação de desconforto, na ausência do celular, além de mudanças comportamentais como isolamento, falta de interesse em outra atividade e relacionamentos pessoais.
A tecnologia não deve ser usada pela mãe como a babá eletrônica. As consequências do estímulo excessivo na criança pequena serão drásticas.
A mãe deve ser uma imagem positiva para o seu filho.
O papel de mãe e de pai é o primeiro e mais importante reflexo de Deus na vida dos filhos. A educação espiritual é um processo de autoeducação dos pais que passam pelo exemplo, para os filhos. É preciso aprender a lidar com os altos e baixos do dia a dia, ter claro onde encontrar apoio espiritual, em todos os momentos da vida.
Acostumar os filhos a dar um passeio a pé, num parque ou bosque e/ou deleitarem-se observando as maravilhas na natureza. Ouvir o murmúrio da brisa, os pássaros cantando, abraçar uma árvore, sentindo sua energia e luz. Sentir a existência de Deus na natureza.
Assistir com eles o nascer ou o pôr do sol ou da lua, observar o céu, as estrelas, as nuvens… Cultivar um jardim ou vasos com plantas, observar a germinação de uma semente transformando-se em vegetal. Saborear uma fruta, analisar sua semente.
Frequentar com regularidade uma atividade religiosa, servir, de algum modo a uma causa social, solidária e fraterna, são atividades simples, mas edificantes, que despertam a dimensão espiritual, emocional e moral da inteligência infanto-juvenil.
A mãe não deve se apressar, deve curtir cada momento do crescimento físico, emocional, espiritual de seus filhos. As crianças gostam de relaxar, ficar livres para brincar, imaginar, agir.
A poesia “Resposta de Mãe”, no livro Antologia da Criança, de Francisco Cândido Xavier, ilustra a grande responsabilidade que cabe à mãe:
– Minha mãe, onde está Deus?
– Ora esta, minha filha,
Deus está na luz que brilha
Sobre a Terra, pelos Céus.
Permanece na alvorada,
No vento que embala os ninhos,
No canto dos passarinhos,
Na meiga rosa orvalhada.
Respira na água cantante
Da fonte que se desata,
No luar de leite e prata,
Está na estrela distante…
Vive no vale e na serra,
Onde mais? Como explicar-te?
Deus existe em toda a parte,
Em todo lugar da Terra…
– Ó mamãe! Como senti-lo,
Bondoso, sublime e forte?
Será preciso que a morte
Nos conduza ao céu tranquilo?
– Não, filhinha! Ouve a lição,
Guarda a fé com que te falo,
Só podemos encontrá-lo
No templo do coração.
Autora: Gladis Pedersen de Oliveira – Especialista em Educação. gladispedersen@gmail.com. Também escreveu e publicou no site “Reflexão espírita sobre a responsabilidade de ser pai: www.neipies.com/reflexao-espirita-sobre-a-responsabilidade-de-ser-pai/. Esta publicação já alcançou 37 mil acessos.
Edição: A. R.