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O Brasil na era das redes

Observa-se que as maiores quantidade de
acessos à internet realizados pelos brasileiros
são através de pacote de dados, por meio de
smartphones pelo seu baixo custo de aquisição,
o que muitas vezes dificulta a realização das
práticas educacionais.



A informação, por ser um conjunto de dados e conhecimentos que está em constante processo de difusão sob a sociedade e suas relações, atualmente assume um papel fundamental nas relações sociais, pois está relacionada às vivências, esclarecimentos, opinião e comunicação, sendo uma das principais formas de se adquirir o conhecimento e diferentes habilidades da aprendizagem.

Com o Meio Tecnocientífico em constante evolução, a informação foi além destes conceitos, ela se tornou uma um instrumento essencial para sociedade, numa velocidade frenética e em diferentes formas de linguagem, sendo uma aliança da informação com os meios de comunicação, tendo como base inicialmente as transmissões radiofônicas, telefônicas, televisivas e redes de internet.

Com esta evolução tecnológica, proporcionou o aprimoramento no intercâmbio de informações, em tempo real, proporcionando consolidação de transnacionais com capacidade de administrar por meio virtuais, fluxos mais intensos e eficazes de mercadorias, serviços, capitais bem como e na cultura, influência de novas formas de pensamento, moda, política e alimentação.

O cotidiano da sociedade foi alterada pela redução de deslocamento, mercadorias e informação, os estados obtiveram o efetivo controle do território, emitindo ordens em lugares diferentes, as empresas ultrapassaram os limites locais e regionais, globalizando produtos e marcas.

Nessa seara, podemos compreender em um breve histórico da evolução e difusão da informação e seus meios no território brasileiro.

A primeira transmissão oficial radiofônica do Brasil ocorreu em 1922, no Rio de Janeiro, com o presidente Epitácio Pessoa, em comemoração ao centenário da Independência do Brasil. No ano seguinte foi fundada a primeira emissora de rádio do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Em 1938, o Brasil acompanhou as transmissões dos jogos da Copa do Mundo, sediada na França, e se rendeu ao jornalismo radiofônico que noticiava os temores de guerra na Europa.

Em 1936, foi inaugurada a Rádio Nacional, a qual inovou com as programações do rádio com shows de auditórios e radionovelas, com coberturas jornalísticas. Assim, entre os anos de 1930 até 1950, as produções dos programas eram gravadas e transmitidas para muitas cidades brasileiras.

O surgimento da TV, vem no rastro do rádio no Brasil. Em 1950, houve acesso a um sinal aberto de televisão, após a inauguração da TV Tupi, pelo jornalista Assis Chateaubriand. A primeira transmissão aconteceu no saguão do “Diários Associados”, de propriedade de Chateaubriand. Foi necessário ainda que o jornalista importasse cerca de duzentos aparelhos de TV para que os programas da emissora fossem assistidos, já que não havia ainda o consumo em larga escala de televisores. Posteriormente, novas emissoras foram surgindo, como Globo, Record e Bandeirantes.

Como já havia uma grande estrutura do rádio como: estúdios, artistas, audiências, bem como anunciantes a televisão tornou rapidamente um sucesso nas famílias brasileiras, gerando uma nova cultura. A estrutura de televisão brasileira, assim passou a integrar as transmissões das estações locais as redes nacionais de TV, dando um grande salto com as transmissões via satélite.

Atualmente a televisão é o principal meio de comunicação do Brasil, onde sua programação é assistida e consumida em todo o mundo, através das novelas, futebol, programas de auditório e o carnaval. Mas, seguindo a tendência mundial, a mídia no Brasil também é controlada por poucos grupos e de participação acionista familiar.

Na década de 1990, a estrutura da informação era controlada por nove grupos e atualmente é controlada apenas por cinco grupos, pois alguns foram extintos por falência ou outros grupos compram os concorrentes aumentando ainda mais o monopólio da informação no Brasil.

Dos mais de 200 satélites em operação na órbita terrestre, 8 possuem autorização para operar no Brasil, visando aos serviços de comunicação como a TV aberta, telefonia, internet. Atualmente o Brasil possui cobertura integral de TV aberta, com mais de 171 centros que emitem sinais.

O Brasil possui mais de 385 mil quilômetros cabos de fibra óptica, incluindo os cabos submarinos, integrando uma rede complexa e de grande expansão de banda larga, proporcionando a transferência de pacotes digitais.

A circulação de informações, a diversificação de mídias e o mundo da moda, favoreceram o monopólio da informação, ou seja, a concentração da veiculação dos produtos culturais encontra-se, nas mãos de grupos empresariais poderosos, pois detém centros de produção, estúdios, recursos financeiros e tecnológicos e hoje a estrutura de distribuição de internet e pacote de dados, só na última década 90% o controle das mídias mundiais são controladas apenas por seis grandes grupos internacionais.




Neste vídeo discorremos sobre a concentração do poder na comunicação e a necessidade de democratizar os meios de acesso, principalmente a internet, em tempos que a comunicação passa a se tornar importante aliada da aprendizagem e da educação.



A revolução desigual da informação

Cada vez vem aumentando o número de usuários de mídias eletrônicas no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Mídias Eletrônicas, (Telebrasil), somente em 2012, o Brasil obteve mais de 80 milhões de acessos de banda larga, onde deste total a metade destes acessos foi por meio de celular, que representam 81% dos aparelhos de telefone do Brasil.

Atualmente, o Brasil possui uma das 10 maiores bases de internet do mundo pelo seu grande território, porém o acesso à internet continua concentrado nas famílias de maior renda e urbana, conforme mostra o gráfico abaixo, com base nos dados do IBGE: 74,9% da população tiveram utilização de internet, mas com notória discrepância entre as cinco regiões do Brasil.

Nos dias atuais em que vivemos, convivendo com a pandemia do Coronavírus, sendo uma realidade triste e afetando todas as esferas da sociedade brasileira, os meios de informação à distância tornaram-se um dos mecanismos essenciais tanto para os setores econômicos, relações sociais, entretenimento, como parte das instituições de ensino, sendo uma das alternativas de seu processo de ensino aprendizagem.

Nas diversas esferas educacionais, envolvendo os alunos e professores através de atividade remotas e o ensino à distância. Porém, percebe-se uma segregação tecnológica na sociedade, pois um aparcela significativa das residências brasileiras não possuem equipamentos básicos para utilização deste mecanismos tecnológicos, sendo evidenciado também as discrepâncias de acesso e estrutura nas diferentes regiões do Brasil. Como podemos observar no gráfico abaixo.

Enquanto 98% dos domicílios de famílias de maior renda tem computadores conectados, nas famílias de baixa renda somente 10% possuem este serviço, o que mostra que para o desenvolvimento de aulas à distância torna-se muito distante nas comunidades de baixa renda, proporcionando uma desigualdade ao acesso à informação.

Além disso a internet no Brasil, é de baixa qualidade e com alto custo. Porém, nos últimos anos, vem barateando o custo, mas aquém das necessidades de conexões e acessos que a sociedade está precisando neste período e do poder aquisitivo de grande parte das famílias brasileiras.

Na tabela abaixo, observa-se que as maiores quantidade de acessos à internet realizados pelos brasileiros são através de pacote de dados, por meio de smartphones pelo seu baixo custo de aquisição, o que muitas vezes dificulta a realização das práticas educacionais.

Neste momento tão difícil que a sociedade está vivenciando, cada vez mais fica evidente a necessidade da construção de novos projetos de inclusão digital não somente nas escolas, mas no acesso nas residências dos alunos e educadores, bem como a difusão de plataformas digitais educacionais, que torna-se extremamente importante para educação e que terá que ser encarada como prioridades nas políticas públicas de igualdade social e educacional do Brasil.

Fontes


Autor: Rafael Martins Zanela, licenciado e Bacharel em Geografia e Especialista em Educação Socioambiental. Professor de Geografia da Rede Municipal de Ensino de Passo Fundo e Professor do Ensino Médio do Centro de Ensino Médio Integrado – UPF.

                                                                           



Proposta de atividade

Proposta de atividade para alunos de 8º e 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio. Disciplina: Geografia

  1. Construa uma linha de tempo descrevendo a evolução do início/ inserção dos meios comunicação, sistemas de informação e tecnologia no Brasil, desde o início do rádio na década de 1920 até a estrutura dos dias atuais. 

(itens avaliados: 1- Estrutura linha de tempo / 2- informação / 3- tecnologia)

  • Elabore uma reflexão através de mapa mental sobre o acesso desigual e monopólio da informação bem como o acesso de tecnologia no Brasil. 

(itens avaliados: 1- Estrutura mapa mental / 2- Reflexão sobre acesso e distribuição da informação/ 3- Reflexão sobre acesso e distribuição tecnologia no Brasil).

Incompetência de sobra

Um governante precisa ser
cobrado por suas atitudes.
Presidente Bolsonaro demonstra
muito mais incompetência do que
supostos acertos em sua
gestão como presidente.

A análise feita pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da  Universidade Federal de  Minas  Gerais (Cedeplar), mostra, de forma  cabal, que o governo  Bolsonaro falhou em todas  as  frentes no enfrentamento ao novo coronavírus.

Não promoveu a conscientização e o comprometimento da população para  enfrentar a doença, não implementou nem endossou medidas de distanciamento social, deixando as deliberações a critério  de estados e municípios e, pior, atrapalhou  governadores e prefeitos.

No plano social, a introdução da renda emergencial básica não foi acompanhada  por iniciativas  para  a redução de custos das famílias, como descontos  ou  adiamento de pagamentos  de serviços  essenciais, subsídios  para  bens  essenciais, como alimentação e moradia.

Outro erro amazônico do governo foi colocar  como  prioridade  a economia  em vez de salvar  vidas. O obscurantismo levou o país e Bolsonaro merecerem a inclusão na chamada Aliança da  Avestruz, que junto com os líderes de  Belarus, do Turcomenistão e  da Nicarágua  formam  o quarteto  que se  nega a admitir  a realidade.

A troca de ministros da Saúde é outro fator que  mostra  que  Bolsonaro perdeu a bússola moral,  se é que teve  alguma. O atual, pasmem, é general paraquedista!!!

Em sua última entrevista, mostrou que não leva muita fé  no seu receituário médico  técnico ao afirmar. “Rezamos para que o impacto  seja menor, mas virá  algum  grau de impacto”.

Para o jornalista Josias Souza, “Deus não poderia ter  encomendado  a  Bolsonaro  um ministro mais apropriado  para a  pasta  da  Saúde. Quando o general recomenda e reza aos brasileiros submetidos a um inferno pandêmico, até os ateus  vão acabar acreditando em  Deus. Está difícil acreditar em qualquer  coisa”.

E os nossos vizinhos, como estão enfrentando a pandemia?

Na Argentina, a intervenção segura e organizada, resultou  em um número  baixo de infectados e mortos.  Após 50 dias de isolamento social imposto a todos, com altíssima adesão popular, a Argentina iniciou uma  lenta  e controlada flexibilização.  Lá, não houve o falso dilema de discutir entre a economia e a saúde.

O Uruguai, igualmente, tem conseguido controlar  o Covid-19.  No Paraguai, os casos importados do Brasil, são um dos principais  focos de contágio. Assim, nossos vizinhos vão enfrentando a pandemia, aliados em torno  de um objetivo  comum, para superar  esta crise  da melhor maneira possível.

No Brasil, o único conforto que  os  mais de  20 mil que já morreram  receberam foi  o  “luto oficial de  três  dias” dos  poderes Judiciário, Legislativo e de  Executivos  estaduais que, a rigor, tentam  cumprir razoavelmente seu papel.

Do Executivo Federal, que fracassou miseravelmente na sua obrigação moral de preparar a estrutura de saúde  do país  para  a pandemia, não receberam  sequer uma bandeira nacional  a meio pau! E daí????




“Desde sua posse Bolsonaro é assessorado por um grupo ideológico que nunca escondeu seu sectarismo, medievalismo e ódio. Nada mais perigoso do que a ignorância sincera. O país está cansado de sucessivas truculências e imprudências, atitudes alopradas e irresponsáveis, criminosas mesmo. Enfim, o presidente foi construindo seu próprio isolamento”.

Vídeos para ver a forma que o outro vê as religiões

Quando oportunizamos aos estudantes o
conhecimento das diferentes religiões,
aumentam muito as chances de superarmos
os preconceitos e as discriminações que ainda
praticamos no Brasil e no mundo.


Quando planejamos e organizamos nossas aulas de Ensino Religioso, precisamos estar assegurados nas Leis e Diretrizes que regulamentam este Componente Curricular; precisamos estar atentos ao que a BNCC e no caso, nós do RS, o que o Referencial Curricular Gaúcho apresentam como dinâmica necessária para que aconteça o ensino e a aprendizagem no ambiente escolar.

Neste sentido uma sugestão, dentre tantas outras, é o Programa ou Série “Sagrado”, uma coletânea de vídeos com acesso nos meios de informação disponíveis na Internet.


Um dos links, disponíveis hoje, e que permite percebê-lo no seu conjunto, é este, que segue:



Esses materiais podem ser utilizados como inserções significativas quando se quer tratar de temas polêmicos e atuais na percepção das mais diferentes Tradições Religiosas que participam dessa elaboração.

Série “Sagrado”, produzido e apresentado nos canais da TV Globo e do Canal Futura, a partir do final de 2009, com a participação de representantes de diversas religiões, “faz uma releitura do mundo contemporâneo sob a ótica da diversidade religiosa”. “É um espaço garantido para todo o tipo de crença e religião”.

Em minhas aulas já utilizei diversos deles, com destaque para os temas “Tragédias e Solidariedade”, “O papel das mulheres”, “a violência”, “A vaidade e o culto ao corpo” e “a vida após morte”.

Agradeço a oportunidade de dividir esta dica de aulas para o Ensino Religioso, uma área de conhecimento que busca contemplar a formação integral do ser humano. Quando oportunizamos aos estudantes o conhecimento das diferentes religiões, aumentam muito as chances de superarmos os preconceitos e as discriminações que ainda praticamos no Brasil e no mundo.

Fontes: Globo

Autor: Valdecir João Bianchi, Formado em Filosofia; Teologia; Especialização em Metodologia do Ensino Religioso Atuação: Escola Estadual Prestes Guimarães e Colégio Marista Conceição.

“Novo normal”: contradição em termos!

Quem sabe o “novo normal”
faça sentido apenas de longe.
Numa distância que acomoda;
não incomoda”.


A expressão “novo normal”, as vezes “novíssimo normal”, tem sido usada como uma maneira de alimentar o debate sobre a margem a que se haveria de chegar no pós-travessia da pandemia Covid-19. Um debate necessário. Mas, a expressão pode levar a um uso falacioso (uma contradictio in adjecto), ou uma figura de linguagem do tipo oximoro (de péssima cepa) [1], afinal, como ser novo, se normal; como ser normal, se novo?

Não gosto de uma discussão feita assim, parece que está de modo enviesado. Me somo ao que diz Lilia Moritz Schwarcz, no artigo “De perto ninguém é normal (ou o ‘novo normal’)” [2]: “Considero, assim, o “novo normal” um movimento bastante conservador; no sentido primeiro da palavra: conservar. Afinal, esse seria um “novo normal” para quem? Qual seria o nosso coeficiente de “normalidade”? E qual a régua que mede e distingue o que é “normal” do que é “anormal”, ou, ainda, um “novo normal”? […] A pergunta, mais uma vez, é a seguinte: “novo normal” para quem? […]

Vou evocar um por aqui: “A exceção confirma a regra”. Se o “novo normal” for uma espécie de estado de exceção, ele (então) confirma a regra. Se não for, se tiver vindo para ficar, será mais uma das nossas convenções conservadoras que pretendem manter, não revolucionar”. Inspirada num dos versos de Caetano Veloso em “Vaca Profana”: “de perto ninguém é normal”, afirma “Quem sabe o “novo normal” faça sentido apenas de longe. Numa distância que acomoda; não incomoda”.

Fico me perguntando na leitura que faço dos que se apressam com o “novo normal”, preocupados que estão com a tão “insuportável anormalidade” da pandemia: como será o “novo normal” para os/as desempregados/as, os precarizados/as, os subempregados/as, os/as “sem-direitos”, os/as de sempre, os/as de antes e os/as de agora, ainda mais precarizados em razão do impacto que a crise pandêmica produziu em suas vidas? Haveria “vidas matáveis”, “humanos descartáveis”, “humanos essenciais” no “novo normal”?

Será um mundo no qual haverá igual espaço para todos/as; no qual todos os direitos serão para todas/os; no qual “todas as vidas valem”?

Estamos em condições de dar vazão ao desejo do impossível e de exercitar criativamente a imaginação política para desenhar os contornos de novas possibilidades para este “novo normal”? Ou ele será nada mais do que “mais do mesmo”? Ou o “mesmo de sempre” ainda que depois de uma pandemia? O que significa um retorno “gradual e seguro” ao “novo normal”? Quem e como se decidiu isso?

Teremos coragem de “parar” ou ao menos de desacelerar?

Seguiremos acreditando no “progresso a qualquer custo ou adotaremos medidas e ações orientadas pelo “decrescimento”? São tantas questões que talvez provoquem certo cansaço! Dão o que pensar (e o que fazer)! São questões que me coloco e que compartilho.

Não sou dos que não querem este debate. Pelo contrário. O fundamental é debater, e muito. Ouvir as múltiplas vozes, particularmente aquelas que, de regra, são normalizadas como não sendo normais e, por esta razão, impedidas de participação. O debate há que ser amplo e longo. Não dá para ser feito de modo apressado.

Haverá que ter orientações e critérios para sua efetivação e as próprias regras do debate, em perspectiva democrática, estão na ordem do dia do debate. Ou seja, não dá para partir de princípios e regras dados, certamente, inclusive, porque são parte da “normalidade” que gerou a “anormalidade” da pandemia.

A radicalidade do debate e os sujeitos que dele farão parte também são parte deste processo a ser construído. Enfim, ao debate… sem pressa, sabendo que, como lembra Guimarães Rosa, em Grande Sertão, Veredas, a margem a que se chegar certamente será muito diferente daquela que a melhor formulação desenhar.

Ademais, entendemos que dificilmente a situação a que se vier a chegar será uma completa invenção, desde o zero. Não se trata de “sacar um coelho da cartola”, com todo o respeito à mágica, tão salutar para nossa saúde mental. Talvez o que esteja mesmo em questão é o sentido de “normal”, de “normalidade”, e, inclusive, entender que sua definição, crítica ou tácita, certamente já incluirá o seu oposto (a “anormalidade”) ou aquilo que for excedente a ela. Não se trata aqui de defender sua ausência. Trata-se de refletir sobre os contornos e o conteúdo do que se entenderá “normal” (e o que nele não vai caber).

Encerro dizendo que talvez o mais importante neste momento seja exercitar a criatividade para dinamizar possibilidades e, acima de tudo, alimentar o “desejo do impossível”, o “desejo do infinito”, a imaginação política, para produzir um “inédito viável” com alternativas plurais, pluridimensionais e omnidimensionais. É o que me parece oportuno propor se não quisermos sucumbir ao funcionalismo positivista da utilidade resolutiva orientada pela eficiência tout court somada a uma lógica de competição com baixa força cooperativa e solidária. Ao debate, sabendo que a própria dinâmica de debate também faz parte desta construção…




“Na sociedade, existe um conjunto de anormalidades que precisam ser enfrentadas sem máscaras. Entre elas, a fome, a miséria e as desigualdades sociais. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano/2019da ONU, o Brasil é o 7º país com mais desigualdade no mundo”. (Dirceu Benincá em “O normal e o anormal na (des)ordem do dia”. www.ihu.unisinos.br/599158-o-normal-e-o-anormal-na-des-ordem-do-dia.



Notas

O amor em tempos de pandemia

Está mais do que na hora de
aprendermos a viver pela Lei do Amor.

Observando ao pânico de alguns e à indiferença de outros com a mazela que assola nossos dias, quero escrever sobre o que podemos encontrar de bom em meio a todas as dificuldades e tristezas já noticiadas.

Falo das incontáveis correntes de solidariedade nunca antes vistas e que têm acontecido em todas as partes do mundo, tanto daquelas de doações milionárias quanto às de modestas contribuições por pessoas que às vezes tem pouco para si mesmo. Noticia-se muitas entregas de donativos, grupos de voluntários prestando algum tipo de serviço de extrema necessidade a alguns, ou mesmo, a emanação de orações e de correntes positivas da parte daqueles que têm, na sua fé, a única forma (e não menos válida) de poder colaborar neste momento.

Para que serve tudo isso?

Para podermos constatar o que muitas pessoas já perceberam: ainda há amor no coração humano, todavia, cabe nosso questionamento sobre por onde andava este amor antes da notificação da pandemia mundial?

Recentemente li um livro que trazia por mensagem uma pergunta feita a um sábio: “Dize-nos, o que é o amor?”, do que se obteve como resposta “Nós somos o amor”.

Podemos contextualizar dizendo que algumas pessoas que amam conseguiram encontrar várias oportunidades em meio ao momento pandêmico para amar. Mas neste momento, quando nos sentimos “tocados” e, de alguma forma, nos tornamos solidários, devemos estar atentos sobre a que sentimento estamos servindo. Por compaixão, culpa? Por nos sentirmos tristes frente ao sofrimento dos outros? Por negociação com a Vida (olha, estou ajudando, então quero um dia ser retribuído, não esquece!). Não interessa, o que importa é que temos esta capacidade altruística de darmos um pouco de nós mesmos, então, que seja por amor.

Reporto-me ao pensamento escrito há mais de 40 anos pela educadora Cecília Rocha, a qual, do alto dos seus 93 anos de idade, já nos levava à reflexão muito válida para este momento:

“O sofrimento parece ser, ainda, o único processo capaz de nos levar às modificações no sentido do Bem e do Amor. As dores coletivas provocadas pelas guerras, pela orfandade, pela fome, pela doença, pelo desamor e pelo egoísmo, pela indiferença e pela ganância, constituem, por vezes, os únicos recursos capazes de nos despertar para as transformações indispensáveis ao nosso progresso (…)”.

Cecília Rocha não escreveu isto como que por adivinhar o futuro, mas por constatar as inúmeras “cabeçadas” que damos na vida por não sabermos amar. Está mais do que na hora de aprendermos a viver pela Lei do Amor.

Assim, há que se propor um exercício de reflexão, o de que é sempre melhor estar na condição de quem possa dar do que na daquele que precisa receber. Há uma troca de alegrias na solidariedade – não interessa de que lado estejamos – onde somos contagiados ante tanta felicidade! É a ação do amor.



“Fabricamos a pressa, a velocidade das coisas, do tempo, perdendo-nos no espaço onde habitamos. Não nos permitimos mais perder tempo para celebrar o amor verdadeiro, para parar no tempo. Não queremos mais perder tempo nas pequenas coisas mais simples e cotidianas. Temos grandes negócios a resolver, a decidir, e precisamos correr atrás de uma máquina. Somos robôs de uma engrenagem que nós mesmos criamos”. (Padre Gerson Schmidt)

Luta das mulheres por direitos iguais

A luta das mulheres pelos direitos iguais aos homens ocorre há décadas. Desde o direito ao voto, até a igualdade na remuneração e colocação no mercado de trabalho, elas não se cansam de buscar a igualdade, e esses são temas importantes de serem discutidos em sala de aula.

Em 2018, mulher recebia 79,5% do rendimento do homem

“Em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas entre 25 e 49 anos de idade (R$ 2.050) equivalia a 79,5% do recebido pelos homens (R$ 2.579) nesse mesmo grupo etário. Considerando-se a cor ou raça, a proporção de rendimento médio da mulher branca ocupada em relação ao do homem branco ocupado (76,2%) era menor que essa razão entre mulher e homem de cor preta ou parda (80,1%).

Ainda no grupo etário dos 25 aos 49 anos, o valor médio da hora trabalhada pelas mulheres era de R$ 13,0, ou 91,5% da hora trabalhada pelos homens (R$14,2). Se não considerarmos o tempo dedicado a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, as mulheres trabalhavam, em média, 4,8 horas semanais a menos do que os homens

Considerando-se as ocupações selecionadas, a participação das mulheres era maior entre os Trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), Professores do Ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%). No grupo de Diretores e gerentes, as mulheres tinham participação de 41,8% e seu rendimento médio (R$ 4.435) correspondia a 71,3% do recebido pelos homens (R$ 6.216). Já entre os Profissionais das ciências e intelectuais, as mulheres tinham participação majoritária (63,0%) mas recebiam 64,8% do rendimento dos homens.

As ocupações com maior nível de instrução também mostram rendimentos desiguais. Entre os Professores do Ensino fundamental, as mulheres recebiam 90,5% do rendimento dos homens. Já entre os Professores de universidades e do ensino superior, cuja participação (49,8%) era próxima a dos homens, o rendimento das mulheres equivalia a 82,6% do recebido pelos homens. Outras ocupações de nível de instrução mais elevado, como Médicos especialistas e Advogados, mostravam participações femininas em torno de 52% e uma diferença maior entre os rendimentos de mulheres e homens, com percentuais de 71,8% e 72,6%, respectivamente.

O grupamento ocupacional com a menor desigualdade é o dos Membros das forças armadas, policiais, bombeiros e militares, no qual o rendimento das mulheres equivale, em média, a 100,7% do rendimento dos homens.

Essas e outras informações estão disponíveis no Estudo Especial sobre Diferenças no Rendimento do Trabalho de Mulheres e Homens nos Grupos Ocupacionais, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. A publicação completa pode ser acessada do lado direito desta página.

Mulher ganha 79,5% do rendimento médio recebido pelo homem

Em 2018, o valor médio da hora trabalhada era de R$ 13,0 para a mulheres e de R$14,2 para os homens, indicando que o valor do rendimento da mulher representava 91,5% daquele recebido pelos homens. Quando analisada a razão do rendimento de mulheres e homens (percentual do rendimento dos homens que as mulheres ganham), a proporção diminuía, sendo de 79,5%: valores de R$ 2.579 (homem) e R$ 2.050 (mulher).

Em média, o homem trabalhava 42,7 horas por semana, enquanto a mulher trabalhava 37,9 horas, sem considerarmos as horas dedicadas a afazeres domésticos e cuidados de pessoas; ou seja: as mulheres trabalhavam cerca de 4,8 horas a menos por semana na produção voltada para o mercado em 2018. A redução dessa diferença em comparação a 2012, quando era de 6,0 horas, foi decorrente de a redução das horas trabalhadas ter sido mais acentuada entre os homens (queda de 1,6 hora) do que entre as mulheres (0,4 hora).

Nível de instrução da população ocupada aumentou entre 2012 e 2018

Em 2012, 13,1% dos homens ocupados tinham o Ensino superior, passado para 18,4% em 2018. Entre as mulheres essa estimativa foi de 16,5% (2012) para 22,8% (22,0%). Em 2018, o rendimento médio mais baixo, segundo o nível de instrução, era o da mulher do grupo sem instrução e fundamental incompleto (R$ 880), enquanto o mais elevado era recebido por homens de Nível superior completo (R$ 5.928).

De 2013 a 2018, a razão de rendimento entre mulheres e homens sem instrução e fundamental incompleto tinha o percentual mais elevado entre os níveis de instrução. De 2012 a 2014, a razão crescia com o nível de instrução; já em 2017 e 2018, essa trajetória se inverteu e as mulheres com nível superior completo apresentaram os menores percentuais (62,7% em 2017 e 64,3% em 2018).

Participação das mulheres é maior no apoio administrativo e nas ciências

Ao se fazer a distribuição da população ocupada de 25 a 49 anos de idade segundo os grupamentos ocupacionais, os principais percentuais foram observados entre os Profissionais das ciências e intelectuais (13,0%); Trabalhadores qualificados, operários e artesões (13,0%); Ocupações elementares (16,5%) e os Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (22,1%). Com participação bem menores de ocupados, estavam os Membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares (1,0%), Diretores e gerentes (4,7%) e Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca (4,7%).

A participação das mulheres se destacou nas ocupações elementares (55,3%), trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (59,0%), entre os profissionais das ciências e intelectuais (63,0%) e como trabalhadoras de apoio administrativo (64,5%).

Distribuição percentual (%) da população de 25 a 49 anos de idade ocupada na semana de referência, por grupamentos ocupacionais do trabalho principal, segundo o sexo – Brasil – 4º trimestre – 2018

Foram analisados, para cada grupo ocupacional, o rendimento médio habitual do trabalho principal, a participação percentual das mulheres na ocupação, o percentual de horas trabalhadas pelas mulheres em comparação a dos homens e a diferença do rendimento em 2018. Os maiores rendimentos médios ocorreram nos grupamentos dos Diretores e gerentes, no dos Profissionais das ciências e intelectuais e entre os Membros das forças armadas, policiais e bombeiros, tanto para os homens quanto para as mulheres.

No primeiro grupo (Diretores e gerentes), o rendimento médio das mulheres (R$ 4.435) correspondia a 71,3% do recebido pelos homens (R$ 6.216). Já no grupamento dos Profissionais das ciências e intelectuais, no qual as mulheres tinham participação majoritária (63,0%), a razão dos rendimentos baixava para 64,8%.

As mulheres também apresentavam participação acima de 60% no grupo dos Trabalhadores de apoio administrativo, contudo, o percentual do rendimento médio delas era bastante superior àquele registrado no grupo dos Profissionais das ciências e intelectuais, atingindo a razão de 86,2%.

O grupamento ocupacional com a menor desigualdade é o dos Membros das forças armadas, policiais, bombeiros e militares, no qual o rendimento das mulheres equivale, em média, a 100,7% do rendimento dos homens.

Rendimento médio habitual do trabalho principal da população de 25 a 49 anos de idade ocupada na semana de referência, por sexo, segundo os grupamentos ocupacionais, participação de mulheres na ocupação e razão (%) do rendimento de mulheres em relação ao de homens – Brasil – 4º trimestre -2018

Sem considerar os afazeres domésticos, a jornada de trabalho das mulheres é menor que a dos homens

Em média, sem considerarmos os afazeres domésticos e cuidados de pessoas, a jornada de trabalho semanal da mulher era 4,9 horas inferior à jornada dos homens. Essa diferença era menor nos grupamentos de Dirigentes e gerentes (-2,0 horas), dos Técnicos e profissionais de nível médio (-1,9 hora) e a de Trabalhadores de apoio administrativo (-1,2 hora).

Quanto à cor ou raça, os grupamentos de Dirigentes e gerentes (64,1%) e Profissionais das ciências e intelectuais (60,4%) tinham as maiores proporções de pessoas brancas, enquanto os das ocupações elementares (69,1%) e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios (60,3%) registravam as principais participações de trabalhadores da cor preta ou parda.

A diferença de rendimentos da mulher branca em relação ao homem branco era maior do que aquela existente entre a mulher preta ou parda frete ao homem de cor preta ou parda. Esse mesmo comportamento foi, principalmente, reproduzido nos grupamentos de Dirigentes e gerentes (70,5% e 81,3%), Profissionais das ciências e intelectuais (62,9% e 70,3%) e dos Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca (66,4% e 72,1%). Por outro lado, nos grupamentos dos Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (66,8% e 65,7%) e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios (68,1% e 60,8%) as razões de rendimento das mulheres pretas ou parda eram inferiores as das mulheres cor branca frente ao homem branco.

Ocupações com maior nível de instrução também mostram rendimentos desiguais

Em 2018, o rendimento médio da população ocupada de 25 a 49 anos de idade era de R$ 2.260. O percentual do rendimento médio recebido pelas mulheres era predominantemente inferior ao dos homens em todas as ocupações selecionadas, independentemente de a ocupação apresentar baixa ou elevada participação feminina ou ter rendimentos baixos ou elevados.

A participação das mulheres no contingente de ocupados era maior entre os Trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), Professores do Ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%).

Dessas ocupações, a de Professores do Ensino fundamental tinha a maior razão de rendimento entre mulheres e homens (90,5%). Já entre os Professores de universidades e do ensino superior, o rendimento das mulheres equivalia a 82,6% do recebido pelos homens, enquanto sua participação era praticamente a metade (49,8%)”.

Fonte: Adaptado Agência Notícias IBGE.



Islândia institui exigência de salários iguais para homens e mulheres

País é o primeiro a tornar equiparação salarial obrigatória para empresas públicas e privadas

“No Dia Internacional da Mulher, a Islândia anunciou que vai ser o primeiro país no mundo a obrigar empresas a provarem que oferecem o mesmo salário aos seus funcionários independentemente de sexo, etnia, orientação sexual ou nacionalidade.

O governo da ilha nórdica vai aplicar um salário padrão igual para todas as empresas com mais de 25 funcionários para garantir que sejam oferecidos salários iguais para trabalhos que tenham o mesmo valor.

A Islândia quer erradicar a diferença salarial entre homens e mulheres até 2022. A ministra para a Igualdade e os Assuntos Sociais, Viglundsson Thorsteinn disse, nesta quarta-feira, que é “o momento certo para fazer algo radical sobre esse assunto.”

Enquanto outros países têm políticas que certificam a equiparação salarial, a Islândia será o primeiro onde a igualdade de remuneração será obrigatória para empresas públicas e privadas.

“A igualdade de direitos são direitos humanos”, disse Viglundsson.

O país nórdico, com cerca de 330 mil habitantes, ocupa o primeiro lugar do mundo em igualdade de gênero segundo o Fórum Econômico Mundial. Ainda assim, as mulheres na Islândia ganham, em média, de 14 a 18% menos que os homens.

Em outubro, milhares de islandesas deixaram seus empregos às 14h38m para protestar contra a diferença salarial. Grupos feministas estimam que a diferença salarial significa que a partir deste horário, as mulheres estariam trabalhando de graça”.

Fonte/Disponível em O Globo



Sugestão de atividades pedagógicas – Disciplina Geografia


Esta sugestão de atividade é para Sétimos Anos do Ensino Fundamental. Conteúdo: População brasileira e indicadores sociais. Habilidades trabalhadas: (EF07GE04) Analisar a distribuição territorial da população brasileira, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática), assim como aspectos de renda, sexo e idade nas regiões brasileiras. (EF07GE04RS-03) Analisar indicadores sociais e econômicos do País e Estado, percebendo-os como fluxo das distintas espacialidades econômicas e sociais construídas ao longo do tempo e espaço.

Roteiro de questões de aprofundamento e compreensão do tema.

1 – A mulheres no Brasil, em geral, ganham menos que os homens, mesmo quando atuam na mesma profissão e estão na mesma faixa etária. Leia a primeira reportagem, e responda: Por que você acredita que essa diferença salarial acontece?

2 – Acesse o site https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/materias-especiais/20453-estatisticas-de-genero-indicadores-sociais-das-mulheres-no-brasil.html, interprete os infográficos do IBGE em relação à mulheres e tomadas de decisões na vida pública e explique porque as mulheres têm pouca participação na política brasileira.

3 – A segunda matéria fala sobre como a Islândia pretende equiparar os salários entre homens e mulheres em seu país. Tendo essa ilha europeia como exemplo, elaborem em grupos ideias que poderiam ser implementadas pelos governantes do Brasil para que o mesmo possa acontecer em nosso país.

4 – O que é a jornada dupla de trabalho, que faz com que muitas mulheres acabem recebendo menos do que os homens em nosso país?




Organizadora do material e da sugestão de atividades pedagógicas: Graziela Bergonsi Tussi, professora concursada de Geografia Séries finais Ensino Fundamental Passo Fundo, RS.

Carta aos jovens



Caros Jovens: Muita Paz!

Deves considerar que, mesmo depois do parto, permaneceste ligado emocionalmente a tua mãe. Gradualmente, com o amadurecimento do cérebro, do sistema nervoso e do corpo, foste passando da dependência total dos pais biológicos ou adotivos para a independência gradativa, que ocorre durante os anos de tua infância. Aprendeste a engatinhar, caminhar, falar imitando os adultos à tua volta.

A construção da tua atual personalidade vai se consolidando entrelaçando com a individuação do teu espírito.

O teu caráter foi sendo construído. Ele se forma e consolida pela educação moral, emocional, espiritual e intelectual que recebeste na infância e agora na adolescência.

És um ser extraordinário, único, ninguém tem as tuas características, como o timbre da voz, as impressões digitais, a maneira pessoal de perceber tudo que te cerca.

Jovem, não esqueças: a vontade é a força principal do caráter. O ideal é que o teu caráter domine tua personalidade.

Educar a vontade é libertar-se dos vícios e paixões futuras. A vontade frouxa é a causa das quedas morais, desapontamento e fracassos dos adultos.

A tua primeira escola brilha no lar. Teus pais (ou responsáveis) foram os primeiros professores de teu caráter e da construção da tua identidade moral.

Se o teu lar teve alicerces religiosos equilibrados a tua estrutura moral é forte e consegues   suportar, com equilíbrio, todas as provas que a vida apresenta.

Nos teus primeiros anos de vida o teu caráter foi sendo desenvolvido pela educação que recebeste e os modelos que imitaste. Precisas refletir sobre como te conectas com a tua dimensão transcendental.

Como é tua atuação na família, na escola e na sociedade?

Tens que honrar, amar e respeitar teus pais e a todos que te ajudaram a evoluir rumo ao futuro.

Agora que o teu corpo está se consolidando, tens um corpo jovem, o teu espírito está acordando, vais assumir o livre arbítrio de tuas escolhas, tomarás as rédeas de tua vida em tuas mãos.

Como será daqui para frente a tua vida?

Não esqueças de que o egoísmo e a intolerância são as causas da maioria dos males da humanidade, eles engendram o orgulho, o preconceito, a estupidez, a ambição, a inveja, o ódio e o ciúme que magoam e infelicitam as pessoas, levando a perturbação em todas as relações sociais no lar, na escola, no trabalho… Eles provocam brigas, destroem a confiança e nos obrigam sempre a ficar na defensiva e provocam a desunião nos lares até nas nações.

A caridade, o amor a si, a Deus e ao próximo são fontes de toda as virtudes que te asseguram a felicidade.

Precisas te questionar: – Sou uma pessoa de bem que cumpre a lei de justiça, amor e caridade e deposita fé em Deus? Coloco os bens espirituais acima dos materiais?

Tenho consciência de que tudo passa na vida?

Estou buscando a cada dia melhorar-me, auto conhecer-me, combater as minhas próprias imperfeições, respeitando e protegendo as pessoas e a Natureza?

Quero ser feliz?

O que eu escolho fazer do que fizeram de mim?

Agora és responsável pelas tuas escolhas.

Procure sempre refletir contigo: por que agi desta maneira? Ou o “o que aconteceria se eu tivesse agido de outra forma?”

Busca o sentido mais profundo da vida. Não fique na superficialidade, relute sempre em causar danos aos outros e a ti, tenha sempre como modelo de ação os grandes luminares da Humanidade, como Jesus, Buda, Gandhi, Moisés, Maomé, Allan Kardec, etc.

Sempre te inspire pela visão dos valores espirituais e verás que a dor, o sofrimento e as frustrações são desafios positivos que vão enriquecer teu espírito com novos conhecimentos e novos valores que impulsionarão tua vida.

O teu futuro te pertence.

Não desistas da vida. Ela te é concedida por Deus.

Vais construir a tua vida independente de teu lar e de teus pais. Ela está nas tuas mãos. Hoje estás construindo o teu futuro.

Em breve construirás teu novo lar, a tua nova família.

Serás também pai ou mãe!

Agora é contigo.

Sigas em frente, espírito imortal, filho de Deus, cidadão do Universo.

Sejas feliz!     


Autora: Gladis Pedersen de Oliveira
Conheça um pouco mais da autora clicando aqui.




Propostas de uma atividade pedagógica Ensino Religioso

 (8º e 9º anos do EF e 1º ano do EM)

A atividade proposta a seguir leva em consideração a “Competência da BNCC” que propõe reflexão com os alunos sobre o autoconhecimento, autocuidado, conhecer-se e compreender-se na diversidade humana, apreciar-se, cuidar de sua saúde física e emocional, reconhecendo as suas emoções e a dos outros.

 Primeira sugestão:

Propor aos alunos a leitura individual do texto “Carta ao Jovem”.

Após a leitura, o aluno poderá escolher duas ou mais questões propostas na carta para responder por escrito, objetivamente.

No grande grupo, cada aluno deverá apresentar as questões a que respondeu e oportunizar o debate sobre as respostas.

O professor fará a integração do assunto, considerando as reflexões propostas desta atividade: o autoconhecimento, o autocuidado, o uso do livre arbítrio, a responsabilidade sobre seus atos, o respeito a si, ao outro e à natureza.

Segunda sugestão:

Dividir a turma em cinco grupos para a leitura do texto no grupo, análise e conclusão dos seguintes aspectos da carta:

  • Grupo 1 – A importância da educação moral, emocional e espiritual na família.
  • Grupo 2 – A educação da vontade, a força principal do caráter.
  • Grupo 3 – As causas da maioria dos males da humanidade que provocam as desavenças nas relações sociais.
  • Grupo 4 – O livre arbítrio – o que eu escolho fazer do que fizeram de mim.
  • Grupo 5 – O sentido profundo da vida.  A valorização da vida individual e nos grupos sociais.

Observação: O professor circula nos grupos, interagindo e estimulando o debate.  Apresentação das conclusões de cada grupo no grande grupo e integração final, feita pelo professor, destacando os conceitos básicos apresentados no texto.

Em outro encontro, o professor pode dar continuidade ao estudo sobre a importância do autoconhecimento. Iniciar a aula propondo a técnica de tempestade cerebral, com a palavra “biografia”. Anotar, no quadro ou tela, as respostas. Analisar com os alunos as respostas, até surgir o conceito mais específico do termo. A seguir, o professor pode apresentar rápida biografia de vulto ligado a uma tradição religiosa (Moisés – Buda – Josep Smith) ou apresentar sua própria biografia. Propor aos alunos que cada um faça sua autobiografia, do nascimento até o momento atual, por escrito, destacando as qualidades positivas de seu caráter assim como as menos positivas, sem se identificar.

Após recolher os textos das autobiografias, distribuí-los aleatoriamente entre os alunos para que cada um identifique quem foi o autobiografado analisado por si.

Avaliar com os alunos a experiência de se autoconhecer e conhecer melhor o outro colega.

Na integração da atividade o professor pode destacar que somos seres históricos (vivemos num tempo e espaço específico) e sociais, interagindo sempre uns com os outros.

Papo Filosófico: material audiovisual para Filosofia no Ensino Médio

Marcos Dimas Machado resolveu criar seu material audiovisual (vídeo aulas) para possibilitar aos alunos ver e rever os conteúdos, dando oportunidades de maior aproveitamento e interesse pela disciplina.

O professor Marcos Antonio Dimas Machado é formado em Filosofia e especialista em Ensino de História. Atua na educação desde a cidade Sorriso, MT, no Ensino Médio e Ensino Fundamental em escolas da rede pública e particular.

Resolveu criar seu material audiovisual (vídeo aulas) para possibilitar aos alunos ver e rever os conteúdos, dando oportunidades de maior aproveitamento e interesse pela disciplina.

Machado trabalha o Ensino da filosofia a partir da história da filosofia, dando aos estudantes a noção da evolução do pensamento humano, desde os mitos até a filosofia contemporânea.

Até o presente momento, já produziu 12 vídeo aulas. Contribuindo para publicação no site, produziu vídeo que segue onde explica e justifica sua iniciativa, como também disponibiliza este material e orienta o seu uso para colegas professores e professoras de todo Brasil que atuam na disciplina de Filosofia.

Confira este importante vídeo de apresentação do material de filosofia.

Seguem links de outras publicações para conhecimento e aplicação em aulas de Filosofia do Ensino Médio.

Construiu também material mais amplo, como seguem alguns links.


Esperamos, com a disponibilização deste material audiovisual do professor Marcos Antonio Dimas Machado, oferecer subsídios para o trabalho pedagógico dos colegas professores e professoras que atuam na disciplina de Filosofia.

Convite para que curtam e sigam o seu canal no YouTube, pois o mesmo continuará produzindo outros materiais.



Bom aproveitamento,
Nei Alberto Pies,
Editor do site.

A Pandemia e o Caos

É possível que a ação de uma única cidade
ou de um pequeno grupo de pessoas mude a
maneira de pensar e agir de todos nós?
A confiar na Teoria do Caos, existe uma esperança.


Segundo a Teoria do Caos, uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Na origem da teoria está o “efeito borboleta” que sugere que eventos simples e distantes no tempo e no espaço podem estar de alguma forma relacionados (“o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um tornado no Texas” é a frase que ficou famosa com a teoria).

Recentemente, a cidade holandesa de Amsterdam anunciou que passaria a adotar os princípios do modelo Donut para recuperar a economia pós pandemia. Perto dali, na França, um grupo de artistas e cientistas de várias nacionalidades publicou um manifesto contra a volta ao normal.

As duas atitudes tiveram origem nos desafios apresentados pela pandemia do novo Coronavírus, mas esses e outros acontecimentos podem estar mais relacionados do que parecem, agora ou no futuro.

Kate Raworth é uma economista inglesa, da Universidade de Oxford, que há alguns anos pesquisa e divulga novas formas de enxergar a economia. No livro A Economia Donut, ela contesta a ideia de que o objetivo das economias deva ser o crescimento, e defende que o foco deve ser o equilíbrio.

Para ilustrar suas ideias, ela usa a imagem de uma rosquinha (o donut), onde o círculo menor (borda interna da rosquinha) representa o mínimo que precisamos para viver, e o círculo maior (a borda externa da rosquinha) representa o limite de recursos do planeta.

A meta da economia deve ser colocar todo mundo dentro do donut, num equilíbrio onde todos possam viver dignamente e usando de forma sustentável os recursos naturais. Um pouco antes do isolamento social iniciar, a economista foi recebida pela Comissão Europeia, em Bruxelas, para debater suas ideias.

Voltando a Amsterdam. O modelo de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente seguro foi oficialmente adotado pelo município neste mês de maio. A prefeita Marieke van Doorninck, com o apoio da economista Kate, comprometeu-se a abraçar uma nova abordagem econômica para orientar as ações pós pandemia.

Entre as muitas mudanças a serem implementadas está a redução do desperdício de alimentos e a reutilização de materiais na construção civil. Mesmo entendendo que a transformação depende do engajamento de muitos governos, e de vários setores, a cidade resolveu agir e fazer a sua parte.

Também no início de maio, o jornal francês Le Monde publicou um manifesto assinado por artistas como Juliette Binoche, Madonna e Robert De Niro, e cientistas, entre eles vários ganhadores do prêmio Nobel, falando sobre a impossibilidade de retornarmos ao normal depois de passada a pandemia.

Os signatários alegam que vivemos uma tragédia, que nos obrigou a encarar questões essenciais.

Segundo eles, o nosso comportamento de consumo levou o mundo ao colapso, chegamos a um nível insustentável de degradação do ambiente e de desigualdade social. Não podemos voltar a esse “normal”. O momento exige coragem e ousadia para uma transformação radical e inevitável.

É possível que a ação de uma única cidade ou de um pequeno grupo de pessoas mude a maneira de pensar e agir de todos nós? A confiar na Teoria do Caos, existe uma esperança. De certa forma, nosso futuro depende dessas pequenas borboletas.




“Para empresas e empregadores, ser responsável e empático também significa evitar demissões, para não criar mais pânico e insegurança na sociedade. Vale lembrar que, em geral, empresas têm mais acesso a crédito e conseguem aguentar um pouco mais a crise do que uma família”.



Para quem quiser aprofundar a leitura:

Disputas por uma narrativa para o século 21

Os confrontos entre prioritariamente
manter a produtividade ou proteger a
vida sugere a construção de novas narrativas.


A definição do que é uma narrativa se confunde com uma história, com uma fábula, com uma teoria. Um conjunto de sentidos, ideias verdades comportamentais, científicas ou religiosos, transmitidas por diversas linguagens são constituintes das inúmeras narrativas que compõem a história humana.  

No livro 21 lições para o século 21, Yuval Noah Harari afirma que as três narrativas mais influentes do século XX, o socialismo, o fascismo e a democracia liberal, são insuficientes para descrever/explicar o mundo que estamos vivendo no século XXI.

A narrativa da democracia liberal que, em sintonia com alguns pensadores, se apresentou como definitiva na virada do século, entrou em crise na última década. A exaltação do   individualismo antropocêntrico, centrado no produção e consumismo ilimitados, provocou transformações catastróficas na natureza, destruindo vidas humanas.

Um exemplo brasileiro recente é o rompimento das barragens de Mariana e de Brumadinho, responsável direta pela morte de centenas de pessoas. Outro exemplo ilustrativo, da crise que afetou a democracia liberal está vinculada com indicativos de aumento da pobreza e com o crescente do número de pessoas sem o básico para sobreviver.

Paradoxalmente a narrativa do desenvolvimento sem limites, do estado mínimo, da exploração da natureza, livre da restrição de leis ambientais, foi escolhido por meio do voto em países como nos Estados Unidos e no Brasil.

Ocorre que, em 2020, o mundo foi assolado por um vírus, o COVID-19, colocando na defensiva o discurso da produtividade, do corte e redução das despesas estatais, ressaltado a necessidade de defesa prioritária e manutenção da vida.

As estratégias para enfretamento dos altos níveis de desemprego anteriores a pandemia, precisarão ser alteradas, agregando as variáveis do salto exponencial na introdução das ferramentas virtuais e da inteligência artificial que substituirão a mão de obra humana.

O discurso em favor da produtividade, da manutenção do trabalho ilimitado e dos empregos, se confronta com a recomendação de que a melhor forma de enfrentar as ameaça de incontáveis mortes, incluindo a de nossos entes queridos, é o isolamento social, assegurando o básico para a vida humana, sem considerar as imposições do mercado produtivo.

O fato é que a humanidade, por meio da sua evolução tecnológica, produziu além do básico para todos os humanos. Os confrontos entre prioritariamente manter a produtividade ou proteger a vida sugere a construção de novas narrativas.

Diante da oportunidade de aprendermos com este vírus, revendo as imposições mercadológicas do consumismo ilimitado, para atender a produção e o desenvolvimento, sem considerar os níveis de destruição da natureza, nem a instrumentalização das pessoas, temos a privilegiada oportunidade de sermos sujeitos desta construção, assumindo uma concepção e consolidando  novas narrativas.




“O coronavírus se apresenta, também, como uma possibilidade para evoluirmos, superando o pensamento antropocêntrico que posicionou o ser humano como se fosse o centro, com a falsa compreensão de si mesmo, do planeta terra e do universo”.

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