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O resgate da educação como prática humana: desdobramentos das relações de “uberização no trabalho”

Erguer a cabeça acima do rebanho é um risco que alguns insolentes correm. Mais fácil e costumeiro seria olhar para as gramíneas como a habitudinária manada. Mas alguns erguem a cabeça olham em torno e percebem de onde vem o lobo. O rebanho depende de um olhar”. (Afonso Romano de Sant’anna)

Este texto, formulado em virtude de minha participação no VIII Congresso dos Professores Municipais de Passo Fundo, organizado pelo CMP Sindicato de Passo Fundo, com a temática propositiva MAGISTÉRIO: uma carreira em extinção?, ocorrido em agosto de 2023, tem o propósito de apresentar uma reflexão prospectiva da educação como prática humana: desdobramentos das relações de uberização[1] no trabalho.

Parto das palavras principais trazidas pelo palestrante de um dos momentos do congresso, Psicanalista Dr. Francisco dos Santos Filho, cuja fala me impactou, permitindo escrever este texto.

Reconheço a complexidade desse tema: a densa (contra) argumentação, os inúmeros desdobramentos configuram ideias cujas consequências ainda não conseguimos mensurar com exatidão. Se assumi o risco de abordar esse assunto complexo, é porque considero peça fundamental para que possamos ampliar horizontes ainda não refletidos.

Pensar sobre como o sistema de desmonte educacional está sendo pensado, implica vislumbrar o futuro da carreira do magistério. “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é projeto” (RIBEIRO, 2017)[2]. Menciono, Ribeiro, (2017) para ajudar na reflexão do que quero dizer.

Abordar esse aspecto – que refiro como entendimento de esfacelamento humanitário da educação. – não é uma novidade para nós que, constantemente, estamos sofrendo ataques intensamente no ofício de ser professor. No entanto, para muitos menos atentos à amplitude e gravidade de que este projeto atinge, ainda é visto apenas como “inovações necessárias” para a “evolução” da educação.

Feita essa contextualização, que situa o recorte da reflexão trazida pelo psicanalista, referenciado no início, passemos, então, a ponderação que nos ajuda entender a conjuntura da carreira do magistério. Reitero que essas linhas, que agora escrevo, dizem respeito a leitura que fiz, mediante a fala do Psicanalista Dr. Francisco no Congresso. Esclareço que, metodologicamente, optei por explorar algumas das ideias que me impactaram.

A educação como prática humanizadora

Se analisarmos a estrutura educacional atual, ela esbarra em dois níveis críticos: o limite da “uberização” das relações de trabalho imposta pelo modelo Neoliberal, que vende a ideia enganosa de que “sem patrão”, sem limite de horário, efetiva-se a liberdade.

Essa perversão passa a ser adotada pelos poderes que gestam a educação, como um modelo que melhorará os índices educacionais. Assim, se sobrecarrega o professor dando a ele a culpa por não dar conta de tamanha exigência perversa que, na verdade não se chega a lugar nenhum e precariza a educação, causando o sofrimento do profissional da educação. Frente a isso, a “solução” não vem porque neste sistema busca-se uma visão simplista da educação.

Segundo nível, segundo a fala do psicanalista, não há um adoecimento do professor, mas um sofrimento por ser ele que observa uma contradição entre a essência do ser professor e o que reflete a prática atual. Os pais exigem os limites que não dão em casa aos filhos e a as mantenedoras exigem trabalhos além da carga horária, num mundo burocrático que não ajuda em nada no chão da escola, com tudo isso, vem o sofrimento.

A “patologização” da vida vem com o embate travado pelos hábitos cultivados em casa frente o que a escola tenta resgatar. Por que esse embate é travado?  Em casa, a criança assiste TV até a hora que quer, come a hora que quer. Quando a criança vai à escola, o embate está travado porque escola é lugar, sim, de se se aprender o respeito coletivo e a professora não pode fazer as vontades deste ser. Assim, a escola destrói uma sequência do chamado “reizinho mandão”.

Acha-se que se pode resolver tudo com a medicalização. A ideia de que tudo na vida se pode resolver com medicamento é falsa. O limite se ensina a criança com um não e não com medicamento. A educação está no caminho oposto desta ideia é aí que começa o sofrimento social do psíquico.

Diante do exposto nos parágrafos anteriores, percebe-se que há uma perda da força simbólica do professor na sociedade. Há uma tendência, por parte dos governantes, de precarização e acúmulo de trabalho para impor um culpa de que a educação não dá resultado esperado por culpa de quem está à frente da escola. Pelo contrário do que se pensa, aquele que ensina indica o caminho no tesouro do conhecimento acumulado pela humanidade e, por isso, uma simples conta de matemática é um tesouro, porque um dia esse conhecimento não existi.

Do mesmo modo, o papel da educação é imprescindível para que tenhamos uma sociedade mais humanizada e não existe tecnologia capaz de substituir este processo, por mais que se criou uma falsa ideia de que o tesouro está ali e basta abrir o computador ou um telefone e o aluno aprende. Quem pensa assim, permeia a ignorância e abdica a relação humana no processo educacional.

O professor não entrega a informação, ele dá o significado. E essa dívida não se pode pagar com dinheiro, somente com honra, respeito e promoção de dignidade da profissão docente.

O Professor Francisco (2023) sugere alguns princípios a serem resgatados para que o professor mereça a digna valorização para que a carreira não seja extinta. O professor tem uma representação simbólica na sociedade e, isso, deve ser considerado.

Ele divide em três passos primordiais: a) – recuperar a dignidade do professor na formação humana como condição de trabalho. b) – restituir valor simbólico que cabe ao professor como política pública, não de governante (o papel do professor está na humanização, além do conteúdo); isso, não é da noite para o dia. c)  – restaurar o valor da escola – a educação está sendo invadida pelo Neoliberalismo (encarada como gasto e não investimento humano) – a educação é tida, como se com a tecnologia na educação é a salvação de tudo, tamanho engano.

A visão tem de mudar para que o professor assume um lugar simbólico; essa ideia de que o professor é animador de plateia precisa ser banida e combatida, pois contradiz a essência da educação e a finalidade da profissão docente.

Considerações finais

Ao ponto de partida “A educação como prática humana: desdobramentos das relações de uberização no trabalho”, almejei abordar sinais de que se tratarmos a educação desvinculada da humanização corremos o risco de “uberizar”. 

O pequeno percurso interpretativo aqui empreendido foi para demostrar que o valor simbólico do professor está associado às evidências de que a humanização e a socialização estão em primeiro lugar na escola. Muito mais do que minar tecnologia, é preciso dar a honra a figura simbólica do professor e não denegrir sua imagem com falácias e notícias falsas para, assim, justificar os ataques da sua moralidade e inclusive de sua digna carreira.

A educação tem como essência a prática humana e não é uma questão mercadológica. O Professor Dr. Francisco ajudou a entender isso.

REFERÊNCIAS:

  1. https://www.neipies.com/escola-pandemia-e-capacidade-de-pensar/
  2. https://www.neipies.com/magisterio-uma-carreira-em-extincao/

Fotos: CMP SINDICATO – João Lucas da Silva

Autor: Laércio Fernandes dos Santos

Edição: A. R.


[1] Termo trazido durante o congresso para denominar as relações de trabalho na contemporaneidade, pelo Psicanalista Dr. Francisco dos Santos Filho

[2] Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-crise-da-educacao-no-brasil-nao-e-uma-crise-e-projeto/ RIBEIRO, Darcy, por cartacapital | 05.09.2017 14h53

Lar – Doce Lar?

Nessa oficina laboriosa e desafiante chamada família, vamos aprendendo o valor da solicitude, o respeito às diferenças, a obediência à autoridade dos pais. Onde há afeto e solidariedade a vida fica mais harmoniosa.

É no espaço do lar que a família se abriga. A palavra família tem origem latina e significa lar. No sânscrito, “dhaman” significa moradia. O lar representa, para cada um de nós, um lugar único onde voltamos ao final de cada dia, espaço que nos acolhe e onde somos nós mesmos, autênticos, sem as máscaras sociais que usamos lá fora, elas ficam penduradas atrás da porta de entrada.

A família é o grupo social primeiro, inicialmente formado pelo casal onde a criança, quando nasce, vai aprender gradativamente por imitação dos pais, a engatinhar, caminhar, balbuciar, falar, se expressar e a conviver com os familiares. Inicialmente ela é totalmente dependente de suporte para sobreviver. Os pais são responsáveis pela harmonia, manutenção física, emocional e a segurança do grupo familiar.

Urge refletirmos, no momento atual, sobre nós e o grupo familiar que pertencemos e qual o papel social que desempenhamos no mesmo:  pai, mãe, filho, filha, irmão, irmã. Como estou me desempenhando como participante deste grupo primordial?

Temos que reconhecer que a família é célula divina e expressivo laboratório de emoções e sentimentos com convite incessante ao nosso burilamento   pessoal, com exercícios constantes de compreensão afetiva que nos ensinam a perceber o quanto temos para doar, para ser útil e cooperativo, prestando ajuda mútua.

Nessa oficina laboriosa e desafiante, vamos aprendendo o valor da solicitude, o respeito às diferenças, a obediência à autoridade dos pais. Onde há afeto e solidariedade a vida fica mais harmoniosa.

O lar é a primeira sala de aula da criança e os pais, os primeiros mestres. A paternidade e a maternidade são magistérios sublimes e esta abençoada escola precisa ter um programa moral a ser ensinado e cumprido.  As trocas afetivas nos relacionamentos familiares ensinam sobre o verdadeiro sentido da vida.

Cabe aos pais educar os filhos, corrigir amorosamente seus equívocos quando ocorrem, não esperar que lancem raízes para serem arrancadas depois em processo doloroso, ensinar e ser o exemplo da melhor conduta.

O bem, vivenciado no lar, é alimento para a alma, promove equilíbrio emocional para os componentes da família. Estimular a criança a observar a natureza, a expressão da vida natural, descobrir as belas manifestações das plantas, do céu, das águas, dos bosques, dos animais e toda a riqueza que nos rodeia para que ela possa sentir-se parte integrante da vida estuante em que ela está inserida.

O relacionamento familiar possibilita a vivência da fraternidade, da   gentileza, do acolhimento, todos se conhecem e se podem desculpar com mais facilidade, tendo em vista o bem geral e individual.  Ser filho representa oportunidade de aprendizagem para se tornar futuro genitor.  O exemplo da união, respeito e fidelidade entre os cônjuges dará equilíbrio e segurança para os filhos e os irmãos entre si.

No lar, os filhos devem encontrar os recursos preciosos de educação para a formação equilibrada do caráter e da personalidade. Felizes dos pais que podem ver os filhos adultos, bem encaminhados na vida, apesar de todo o sacrifício e abnegação que tiveram. 

Reconhecer seus filhos como pessoas equilibradas, harmonizadas com o bem, úteis para si e para com a sociedade, construindo uma vida que   valha a pena ser vivida e lhes traga felicidade é grande recompensa para os pais e sinal, que apesar de todos os desafios, o lar de onde eles vieram foi um doce lar.

Como desejarmos a paz no mundo entre as nações, que são compostas nas suas bases pela reunião dos lares naquele espaço geopolítico, se na maioria das famílias, de três, quatro ou mais pessoas, entre quatro paredes, não vivem em paz, em harmonia? 

Precisamos focar nossa atenção na nossa família que não é só representada pelo sobrenome, pela edificação material da casa, do espaço onde residimos e que nos recebe ao final de cada dia e onde repousamos nos finais de semana.

O lar deve ser uma edificação também espiritual, um templo de luz, de sentimentos nobres, onde reine o amor, a fé, a gratidão a Deus, a gentileza, o acolhimento, o diálogo, o respeito e consideração pelos que compõem a família.

Da mesma forma que tratamos as visitas que chegam à nossa casa devemos tratar os nossos familiares diariamente. Como está ocorrendo, atualmente, a comunicação entre os componentes do lar? Estamos abrindo espaço para sentarmos juntos, conversar, olho no olho, sorrir, chorar, nos abraçar, construir momentos de felicidade genuína?  De que forma as redes sociais virtuais estão ocupando os espaços de nosso lar e interferindo nos nossos relacionamentos familiares?

Reflexão com proposta de atividades

A nossa proposta de reflexão sobre o lar, nem sempre doce lar, não é nova. 

Este tema fazia parte de nosso programa nas aulas do Ensino Religioso dos anos finais do Ensino Fundamental e primeiro ano do Ensino Médio. Para estimular o debate sobre o assunto, apresentávamos cartaz com as notícias mais destacadas da mídia, como sempre, as tragédias sociais da violência, falta de paz, violação dos direitos humanos tanto em nosso país como no mundo. 

Na roda de conversa formada em sala de aula, para análise das notícias que revelavam comportamento tão equivocado da nossa humanidade, fazíamos uma provocação:  qual seria a causa ou causas de comportamento tão equivocado de nós humanos?   O debate sobre as origens da violência, da falta de paz e harmonia na convivência nos levava ao objetivo da aula: refletir sobre a vivência em família. Seria o lar, doce lar?

Os alunos participavam ativamente das discussões para buscar encontrar as causas possíveis do comportamento humano negativo que se reflete na sociedade, até chegarmos no grupo social primário, a família. Eles traziam suas experiências pessoais, seus conflitos, muitas vezes expressavam a dor da criança ferida lá na primeira infância, por falta de amor, de aconchego, de gentileza dentro do lar, que deveria ser o espaço social onde se aprende a conviver com o outro, aceitar as diferenças, orar juntos, ter fé e confiança em Deus, compartilhar o afeto e os bens materiais, sentir gratidão pela vida. Alguns traziam suas vivências saudáveis. 

Para conclusão da aula propúnhamos a divisão em pequenos grupos para a elaboração de cartazes com as notícias da mídia, no futuro, quando a maioria dos lares humanos forem realmente LARES, DOCES LARES, como deveriam ser os lares que cada um dos meus alunos iria buscar construir.

Após a apresentação dos cartazes com notícias alvissareiras da mídia, ao grande grupo, encerrávamos a aula, guardando sempre a esperança nesses dias melhores que virão.

Autora Gladis Pedersen de Oliveira, autora da crônica: “Em busca da paz”: https://www.neipies.com/em-busca-da-paz/

Edição: A. R.

O pensar da criança

A group of primary schoolers lying on the ground and smiling

A criança constrói signos que se tornam o primeiro referencial compreensivo de sua subjetividade. Daí a necessidade de lhe ser oferecido compreensões de cuidado com seu corpo, como algo que a liga ao mundo e sensibilizá-la a cuidar dos demais seres da natureza.

Filosofar começa com questões. Importa mais as perguntas do que as respostas. Estas são provisórias. Em se tratando do pensar da criança, seu envolvimento com o pensamento lógico, interessa-nos referir o estímulo que o pensamento crítico pode realizar no imaginário infantil.

Configuramos nossa análise na importância do ato de pensar, como um ato humano, peculiar, identificador da espécie humana da qual a criança faz parte. O exercício de sua racionalidade tem etapas de maturação e desenvolvimento, mas está lá, em potência, desde seu início. Importante é criar condições para que suas potencialidades se desenvolvam. A filosofia pode abrir esse espaço, dada seu carisma reflexivo.

As crianças são capazes de pensar, de escolher, de perceber incoerências, de compreender argumentos, de buscar razões com seus porquês, de refletir sobre as verdades afirmadas pelos adultos. Porque a criança é livre, é aberta ao saber, é atenta ao novo. Não falamos de sistemas e programas escolares para as crianças. Falamos de crianças e saberes, de crianças e perguntas, de crianças e caminhos, de crianças e liberdade.

A primeira percepção da criança é o próprio corpo, a sua forma de estar no mundo como um corpo, que ocupa um lugar, que precisa ser cuidado, acolhido, respeitado pelos adultos.  Cabe-lhes mostrar à criança a necessidade de ela se entender como um corpo que fala, que sente, que toca objetos, que ocupa um espaço, que tem um movimento.

Ressaltamos o significado desses procedimentos imprescindíveis com as crianças, para que elas tenham uma vida de liberdade, segurança e afeto, experiências que elas conhecem e vivem, a partir do universo dos adultos com os quais convivem. A subjetividade infantil capta todas essas circunstâncias e a partir delas constrói sua percepção de vivências afirmativas ou negativas, que servirão de subsídios para seus caminhos futuros.

Tomamos a categoria corpo como uma das chaves conceituais para pensar com a criança e estimulá-la a identificar o mundo, tendo o corpo como um critério perceptivo. Esse corpo olha. O olhar é a dimensão do corpo que capta o sentido, que percebe o objeto, que introduz no campo perceptivo a vivência do mundo.

Há uma situação comum a todos: somos um corpo e esta condição nos torna próximos uns dos outros. Estabelecemos vértices de abertura do mundo. A nossa corporeidade cria aberturas para o mundo e o nosso corpo-consciência capta relações diversas, conforme se situa no mundo. Essa subjetividade corporal, própria de nossa humanidade está situada numa espacialidade e numa temporalidade histéricas.

Essas percepções são muito intensas no imaginário infantil. Eis uma razão fundamental para que a criança seja estimulada a pensar e sentir-se amada, pelas experiências de acolhida e cuidado.

A criança constrói signos que se tornam o primeiro referencial compreensivo de sua subjetividade.

Daí a necessidade de lhe ser oferecido compreensões de cuidado com seu corpo, como algo que a liga ao mundo e sensibilizá-la a cuidar dos demais seres da natureza. E ela tem direito de viver num ambiente de liberdade e tranquilidade, em que os adultos sejam responsáveis por sua dignidade, sem violações de qualquer espécie.

Cabe ressaltar que entender a criança como uma subjetividade que pensa, que fala, que escolhe, torna mais efetiva a identificação entre o pensar e o agir, com fundamento nos direitos que os humanos construíram para tornar o convívio possível.

Ao comemorarem o seu dia, que as crianças possam receber a gratuidade da nossa acolhida.

Autora: Cecilia Pires, autora da crônica “Sobre o amor”: https://www.neipies.com/sobre-o-amor/

Edição: A. R.

35ª FEIRA DO LIVRO DE PASSO FUNDO

A Feira do Livro, um oásis de letras em nossa cidade, está prestes a abrir suas portas. É um convite para todos aqueles que se alimentam das páginas impressas e devoram histórias com avidez.

Ao ler o Livro de Ouro da Mitologia me espanta a difusão de loucuras dos deuses. Por exemplo: o Deus Baldur, amado por todos os seres celestes, com exceção de Odin, que prepara um pequeno Deus cego para matar Baldur. Em tudo aí se revela o tamanho humano posto em seus limites. A mulher de Baldur morre ao ver seu amado falecido. Semelhante falta de caráter em Odin se revela na deusa Freia que trai seu marido ao dormir com anões em razão de querer um colar de ouro e pérolas. Odin a castiga fazendo devolver as pérolas. Ela é a mãe de Baldur. Em tudo se revela a grandeza e os limites do caráter humano. Também alguns deuses morrem e são levados para a eternidade, tendo-se também sofrimentos como os castigos dados a Odin, por suas diabolices.

Entre deuses e deusas, me preparo para conversar sobre a velhice com suas grandezas e limites na 35ª FEIRA DO LIVRO de Passo Fundo.

Olho de perto os livros das alunas do CREATI e vejo o esforço humano, em busca de poder, ao revelarem seus feitos e desafios vencidos. Esses escritos na velhice retratam desafios vencidos e, quase em todas as escritoras, se revela um lado alegre e de sofrimentos vencidos.

Todas buscam seu poder e envolvimento com a família. Buscam confessar seus feitos, sofrimentos e conquistas. Todas buscam suplantar as armadilhas dos males com lutas fortes e bravas diante do sofrimento humano e na alegria de vencer seus desafios. Sofrem, mas como deusas, buscam superar o limite humano.

Diferentes de Hemingway que perde seu grande peixe no livro O velho e o mar, elas se sentem protegidas em seus sentimentos de poder, amor e religiosidade e em seus grupos. Em tudo semelhante ao que observei, em sete anos de convivência direta com mulheres, foi a luta para superar os limites, seja em dança, ginástica, teatro, modelagem, origami, em histórias críticas e alegres. Em algumas, em submissão, eu vi dores na solidão.

Elas revelam a importância dos espaços de encontro seja na Universidade de Passo Fundo: CREATI, nos grupos da prefeitura, DAATI, no Crejuti do Juvenil, no SESC, ou no CAMTI do Caixeiral Campestre. São os lugares de reencontro da vida para muitas mulheres. Voltam a buscar o sentido da transcendência e, em muitas, eu vi traços de divindades femininas nestes grupos. Mais do que o deus Baldur, elas ressuscitam.

***

“Num mundo onde as palavras são as estrelas do espetáculo da mente, convidamos você a mergulhar na mágica da literatura.

A Feira do Livro, um oásis de letras em nossa cidade, está prestes a abrir suas portas. É um convite para todos aqueles que se alimentam das páginas impressas e devoram histórias com avidez.

Neste encontro de mentes criativas, leitores se transformam em exploradores, escritores se tornam contadores de segredos e Academias de Letras celebram a majestade da palavra escrita.

É um lugar onde as histórias ganham vida e cada livro é uma porta aberta para um universo novo. A Feira do Livro é um portal para aventuras sem fim, para aprender, refletir e se encantar.

Agostinho Both será nosso Educador Emérito da 35ª Feira do Livro”.

(Mauro Gaglieti)

*** 

A Prefeitura Municipal de Passo Fundo juntamente com a APLetras, objetivando promover a cultura de nossa cidade e região, promovem a Feira do Livro de 12 a 22 de outubro no Espaço Roseli Doleski Preto, envolvendo os participantes entre os prédios do Teatro Múcio de Castro, Academia de Letras, Instituto Histórico de Passo Fundo e Biblioteca Pública Municipal.

A 35ª Feira do Livro de nossa cidade foi lançada na terça-feira (26.9) na Academia Passo-Fundense de Letras com o auditório lotado de autoridades, professores, alunos e acadêmicos, evidenciando a expectativa positiva e a alegria de todos, com o retorno desse importante acontecimento cultural.

Edição: A. R.

As aparências enganam: breve reflexão para cristãos ou não

No primeiro domingo de outubro, o trecho do Evangelho lido para milhões de fiéis é um “manifesto” de Jesus contra a incoerência, a soberba e a falsidade (Mateus, 21, 28-32).

O Nazareno provoca os autoglorificados sacerdotes e anciãos do templo: vale mais falar ou fazer? Arrepender-se e seguir ou prometer e não cumprir?

Escolados na hipocrisia, esses poderosos mentirosos – algozes de João Batista, voz que clamava no deserto – não titubearam: “fazer, cumprir”.

Jesus, diante dos engalanados (e enganosos) “chefões”, é definitivo, revolucionário, contundente: “os publicanos (cobradores de impostos, considerados ladrões) e as prostitutas (alvo de toda sorte de discriminação) precederão vocês no Reino dos Céus!”.

Jesus desmascarou a elite mais poderosa de seu tempo, serviçais do Império Romano, ao afirmar que aquele(a)s tidos como os grandes “pecadores” da sociedade tinham muito mais valor que os que se julgavam maiorais, “doutores”, donos da verdade e da virtude.

Na prática, falsos “defensores da vida”, indiferentes aos sofrimentos e à humanidade aviltada dos semelhantes, que só viam como objeto de manipulação.

Jesus contraditava: o Deus do Amor abre suas veredas para os “improváveis”, os “imprestáveis”; o deus do poder só existe para os exibidos e cínicos que, com suas vestes douradas, fazem dele meio de submissão, negócio e mercado.

Jesus assinou sua condenação à morte, mas revelou a radicalidade de sua compreensão do mundo: o que vale é a autenticidade, a coerência, a dignidade, a simplicidade.

Os “perdidos” e desconsiderados serão salvos, voando livres; os arrogantes, oligarcas da religiosidade e do mando político, presos a seus ritos e ganâncias, não são nada do que aparentam…

“O homem que diz dou não dá/ porque quem dá mesmo não diz/ o homem que diz vou não vai/ porque quando foi já não quis” (Vinicius de Moraes e Baden Powell, “Canto de Ossanha”, 1966).

E você, está mais próximo de quem? Qual trilha você busca nessa vida?

Caminho aberto para os simples, porta estreita para os soberbos – Koinonia.

Autor: Chico Alencar

Edição: A. R.

O dizer poético

Cute girl studying geography, surrounded by literature generated by artificial intelligence

Dizer poeticamente é um jeito de pronunciar o mundo sem que aquilo que não foi agarrado pela palavra, seja invisibilizado, mas fique ali, reivindicando a possibilidade de ser dito.

Giorgio Agamben diz que somente a palavra coloca o ser humano em contato com as coisas mudas, eu diria que somente a palavra nos põe em contato com a língua das coisas do mundo. Acrescento, contudo, que escolher palavras para dizer também é uma maneira de esquecer outras, então, a reivindicação da visibilidade, o trazer para a fenomenalidade do olhado, exige-nos outras formas de dizer que não sejam repletas de violência e emudecimento. Exige-nos reconhecer a dificuldade própria dos limites dos discursos que nos informam, constituindo práticas de poder e domínios do saber (em operação).

Penso que permanece sendo uma questão fundamental a relação existente entre a linguagem e a realidade, quando ou de que modo o dizer toca a realidade, o que eu chamaria de eco ontológico da reverberação do que se mostra. Não foi por mera escolha estilística que Nietzsche concedeu à arte e não à filosofia sua relação mais estreita com o real/vital, mas por considerar que a arte sabe-se interpretação. Também Heidegger recorre à poesia no seu caminho para a mostração do ser, pois somente ela seria capaz de dizer, sem que ao dizer, estivesse obliterando nosso acesso aos modos originários de dação.

A realidade resvala, não se deixa dizer na sua totalidade, até porque estamos imersos na sua geografia, e todas as vezes que pretendemos engessar a expressão da realidade, corremos o risco de tomar uma perspectiva como se fosse a própria realidade. Disso não decorre a impossibilidade do dizer, mas a tarefa sempre reiterada de tentar dizer sem determinar, sem o prejuízo da palavra obsequiosa.

Considero enormemente que a verdade continua sendo o mote não só da filosofia, mas das mais variadas relações que cultivamos na direção do mundo. A questão é como entendemos a verdade, para mim, há um resto que independe da posição do indivíduo, contudo, falar (d)este resto, impõe um gesto radical: compreender que a verdade, que a realidade, não é fruto de uma relação essencial/metafísica, mas de uma relação radical em que não somos nós que constituímos o fenômeno para o qual nos direcionamos. Portanto, talvez nossa questão não seja com a verdade, mas como dizê-la sem que ao dizê-la estejamos (e com violência) assumindo um único jeito de expressar as coisas do mundo.

Retomando, a palavra nos coloca em contato com a língua das coisas do mundo, ouvir o eco disso que nos fala é a tarefa do dizer, talvez a única que seja capaz de nos libertar dos discursos que impõe verdades e maneiras específicas de julgar, sentir, agir e compreender o mundo.

Nunca é tarde para lembrar de um velho pensador, Aristóteles, quando reconhece na thaumazein a relação primordial com a emergência do mundo, o arrebatamento, o espanto com o acontecimento da vida, da realidade. Caminho que leva ao descortinar do mundo. Também, ao conferir aos sentidos o valor do que nos acontece, emprestando significado ao ofício da experiência do existir.

Dizer poeticamente é um jeito de pronunciar o mundo sem que aquilo que não foi agarrado pela palavra, seja invisibilizado, mas fique ali, reivindicando a possibilidade de ser dito.

Autora: Marli Silveira

Acadêmica Academia Rio-Grandense de Letras. Autora da crônica “A banalidade do mal”: https://www.neipies.com/a-banalidade-do-mal/

Edição: A. R.

SER POETA

A small wooden house near the lake in a rural area

Se eu pudesse

me mudava.

Me mudava

para a terra das palavras.

Lá onde elas são belas

como caravelas

singrando ao sol

do mar da imaginação.

Sem a pressa

– premente –

das coisas do mundo

dessas que só servem

pra tirar

nossa atenção

– delas.

Se eu pudesse

me mudava

do mundo

me mudava da vida

e reinventava

uma forma nova

de existir.

Existir entre as coisas

sem pressa

sem a fobia

do amor

a carestia

da vida

a sabedoria

da dor.

Se eu pudesse

eu mudava o mundo

e ia viver

desbragada

e impunemente

de ilusão.

E convidava

todo mundo

que quisesse

pra essa mansão.

Castelo de areia

palácio de cristal

que me importam

as pechas

que o mundo

a minha divagação.

O mundo que se aquiete.

Pago meu preço

mas não tenho apreço

por isso.

É o meu compromisso.

O que exigem

de mim.

Mais não podem

– enfim.

Autor: Júlio Perez, autor da poesia Meus filhos, os poemas: https://www.neipies.com/meus-filhos-os-poemas/

Edição: A. R.

Páscoa, a escrava Lolita

O pó dos castigados está nas nossas terras, alimentaram raízes. Logo, é mais do que hora de buscar estas raízes.

128 anos separam o relato do caso da escrava Páscoa, em Porto Alegre, e o lançamento do romance Lolita de Vladimir Nabokov (1955). Estávamos na capital (1827), que há cinco anos tinha virado “cidade”.

Lolita era uma ficção, em livro, ousada que virou sucesso, virou cinema, teatro, opera e ballet. E “Lolita” passa a ser um designativo de mulher jovem, bonita e sexi.

Já o caso de Páscoa, certo que ela existiu, pois seu rapto é anunciado publicamente no jornal Diário de Porto Alegre como sendo uma escrava de 13 anos raptada por um homem branco, mais velho, “oficial empregado na Pagadoria do Exército”. Dado como algo escandaloso, numa reclamação de quem era “senhor” da escrava.

O livro “Lolita” de Nabokov virou escândalo, tratado por muitos como pornográfico. O certo é que “deu o que falar” no país das hipocrisias que são os EUA.

a

No Brasil acontecia de tudo nos tempos de Páscoa, com ‘lolitas” negras pegas à força nas casas grandes, muitas vezes ficando grávidas, tudo escondido da sociedade.

O dito raptor e a dita raptada teriam pego um barco nos trapiches quase junto a Igreja das Dores para sua fuga a Rio Grande. O relato que tive fala de uma “mulatinha” muito jovem, “de feições regularmente belas, trajando um grosso e mal ajeitado vestido de tecido inferior” e aí vai.

Este caso se espalhou e ficou no imaginário local, porque vivíamos duros tempos da Escravidão local, onde quase metade da cidade era negra. Sim, Porto Alegre é açoriana, mas é mais negra, é multifacetada, multiétnica.

O resgate deste caso foi feito pelo ex-vereador e exímio cronista Ary Veiga Sanhudo em 1961, tanto que é ele quem faz referência a Lolita, romance de 6 anos antes. É ele quem transcreve o jornal da época, dando conta de Páscoa.

Do que se depreende de Sanhudo é que o caso atiçou a libido tolhida de quase toda a cidade, até por ser Páscoa uma escrava, no caso, “mulatinha e até bela”; fugindo com um distinto cidadão.

Este caso hoje seria tido como pedofilia, mas pelo que se sabe de antanho era bem comum.

Aqui, como em vários casos de nossa Literatura, até nos melhores escritos, a negra era o prato da lascívia quando jovem. Era a mãe generosa a negra dama de leite. A negra era desajeitada, quando lavadeira, na beira do Guaíba, subindo a Morro da Formiga. Eram os estereótipos.

Nos dias que correm surge uma vigorosa Literatura de mulheres negras que resgatam seus corpos pretos com os seus desejos, sem a pecha do escondido, nem tapada com um vestido de qualidade inferior. É a vez e a voz da coragem. Falam verdades apagadas, sumidas, escondidas. Veja a voz de uma de nossas poetas negras, Miriam Alves:

Salve América!

Ah!

Esta América Ladina

Ainda nos roubam o fígado, os filhos

Nos roubam a sorte

A morte

O sono

Ah!

Esta América Ladina

As três caravelas pintaram destinos

Santa Maria, nada teve a ver comigo

Pinta, roubou-me o colorido natural

de ser eu mesma

Nina, enfiou-me pela goela

mamadeira de sangue, sal e urina

Até hoje me Nina em seus podres berços de miséria

Páscoa não se sabe se sabia ler ou escrever. Como suas irmãs de sangue e raça, deveria, naqueles tempos, ser analfabeta. O que a moveu a fugir calada naquele barco em tão distantes tempos nunca saberemos. Mas sabemos que, em Porto Alegre, desta “América Ladina” tinha escravos e escravas.

Daqui, temos a voz firme e decidida de Lilian Rocha, sem papas na língua:

Fêmea

Na boca

Ainda úmida

Da tua saliva

Meus lábios

Estalam

Prazer e libido

Quero repetir

A dose

Da embriaguez

Que me tonteia

Os sentidos

Tremo de cima

Abaixo

No soar

Do teu gemido

Sou tua fêmea

Faça agora

Todos os meus

Caprichos.

É hora de resgates, de lutar contra o esquecimento e o apagamento e ao mesmo tempo colocar em evidência quem escreve, como escreve, para quem escreve.

Há uma busca entre nós a partir de pesquisadores/as para recolocar os temas, acontecimentos no seu devido lugar. Temos na literatura quem nos bem representa, negros ou não, mas não só mais brancos.

Como vamos esquecer Páscoa? Como vamos esquecer Josino morto inocente no Largo da Forca?

O pó dos castigados está nas nossas terras, alimentaram raízes. Logo, é mais do que hora de buscar estas raízes.


Autor: Adeli Sell

Edição: A. R.

Reforma Administrativa: o que está em jogo indica o futuro do serviço público

O que está presente na Reforma é a tentativa de legitimar, no serviço público Municipal, a precariedade do emprego, fenômeno que já contaminou as relações de produção, de caráter privado, naquilo que tem se denominado de “uberização” das relações de trabalho, tanto em nível Estadual, com o governo de Eduardo Leite, quando em nível Federal, com a gestão de Bolsonaro.

É de conhecimento de todas e todos que tramitou na Câmara de Vereadores de Passo Fundo, desde o dia 11 de agosto, o Projeto de Lei Complementar 06/2023, de autoria do Poder Executivo, que trata da reforma administrativa do Plano de Cargos e Salários das e dos servidores públicos municipais. A proposição foi apresentada à Casa Legislativa sob a justificativa de contribuir com a modernização do serviço público. Porém, não é exatamente isso que está disposto no texto da Lei.

Mesmo considerando os inegáveis avanços obtidos pelas entidades sindicais e que resultaram nas mensagens retificativas 103 e 108, ainda assim entendo que a reforma administrativa, tal como proposta pelo Poder Executivo, representa a privatização dos serviços públicos e a precarização do trabalho.

Em meu entendimento, a retórica de aparência modernizadora contida no projeto objeto de análise não passa disso: de retórica.

É preciso considerar, neste caso, que entre os cargos que serão completamente extintos ou terão suas vagas reduzidas em até 70%, estão, principalmente, o de motorista, mecânico, telefonista, pedreiro, auxiliar de biblioteca, etc – cargos que, no entender da atual gestão, são “terceirizáveis” – restando claro que esta reforma atinge, de maneira substancial, os cargos com menor padrão de vencimento, ao ponto que em nada altera as condições naqueles que estão no topo da carreira pública municipal.

Está presente, portanto, a tentativa de legitimar, no âmbito do serviço público Municipal a precariedade do emprego, fenômeno que já contaminou as relações de produção, de caráter privado, naquilo que tem se denominado de “uberização” das relações de trabalho, tanto em nível Estadual, com o governo de Eduardo Leite, quando em nível Federal, com a gestão de Bolsonaro.

Nela se busca, ao invés do bem estar social, uma hegemonia da lógica financeira que, para além de sua dimensão econômica, atinge todos os âmbitos da vida social. Passa a ser sustentada a ideia da volatilidade, da efemeridade e da “descartabilidade” das servidoras e servidores públicos enquanto trabalhadoras e trabalhadores.

É preciso alertar que o presente projeto de lei é apenas o primeiro passo para a extinção de direitos conquistados pelas servidoras e servidores públicos há duras penas. Hoje se extingue vários cargos, amanhã, basta a revogação de um simples artigo para que todos os cargos em extinção deixem de possuir direito a avanços na carreira, dentre outros.

No entendimento desta Vereadora, aprovar um projeto que, ao invés de ampliar direitos e valorizar as servidoras e servidores, precariza ainda mais o serviço público, é abrir precedentes para outros tantos retrocessos naquilo que tange às relações de trabalho da categoria.

Com o devido respeito, a transformação que o Estado indubitavelmente necessita não passa pela precarização/terceirização de seus serviços públicos, sobretudo quando nosso município possui um histórico vergonhoso em relação às suas trabalhadoras e trabalhadores terceirizados. Não esqueçamos dos funcionários da empresa Nova Era, que há décadas buscam receber os créditos que lhes são devidos, ou, ainda, mais recentemente, do vexame público ocorrido com os funcionários da empresa Resiplan, que tiveram salários atrasados e ausência de depósitos em seus Fundos de Garantia.

Não podemos esquecer, ainda, que essa proposta de Lei Complementar foi construída sem qualquer diálogo ou possibilidade de participação das entidades que representam as e os Municipários, os quais somente tiveram voz quando este já se encontrava tramitando perante o Poder Legislativo. É, portanto, um projeto que contém mudanças impositivas e não negociadas, em completo desrespeito aos mais básicos princípios da democracia participativa.

Contudo, mesmo diante de todo o exposto, segui a orientação de voto dos Sindicatos que representam as servidoras e servidores municipais por acreditar que seus posicionamentos foram tomados com base na coletividade das categorias. Se as entidades sindicais que são movidas pela força democrática estão certas de que os avanços obtidos nas negociações com o Poder Executivo Municipal atendem às reivindicações, elas terão meu apoio!

Passo Fundo, 02 de outubro de 2023

Fotos: redes sociais SIMPASSO/CMP Sindicato

Autora:  Eva Valéria Lorenzato, vereadora
Bancada do PT

Edição: A. R.

Fé e café não costumam falhar

As Cirandas do Saber foram idealizadas como espaços diferentes de encontro e formação de professores e professoras da rede municipal de Passo Fundo mesclando comida, arte, poesia e música com conhecimentos.

Na noite desta quarta-feira (27 de setembro de 2023) ocorreu mais uma edição da Ciranda dos Saberes aqui na sede do CMP Sindicato. Dessa vez, o tema foi Café com Poesia!

O evento contou com a presença do pessoal da Café Estino, que apresentou diversos tipos de cafés para os professores e professoras degustarem e aprenderem um pouquinho mais sobre essa bebida tão amada por todos. O poeta, músico e animador cultural Cassio Borges Cultura também participou da noite, trazendo diversas poesias e muita música para animar a galera.

O café está presente em diversos momentos especiais das nossas vidas, por isso o evento possibilitou relembrar essas memórias com muito carinho e alegria. Os participantes puderam participar relatando sobre suas memórias e recordações em torno do café.

Cássio Borges, além de participar com execução de algumas músicas, apresentou 2 poesias inéditas, especialmente escritas para o evento e, gentilmente, cedeu as mesmas para publicação nesta matéria do site.

Café é companhia

Nas manhãs frias, o café desperta,

No bule, a magia que o sono liberta.

Com aromas dançantes, ele seduz,

É o elixir que a preguiça reduz.

No trabalho, café é o maestro,

Conduz a sinfonia do escritório metro a metro.

Cada gole é um passo na dança do expediente,

A cafeína, a musa persistente.

Na xícara, segredos sussurram baixinho,

É a fofoca do cafézinho.

Do grão ao pó, uma viagem de possibilidades,

No corpo, na alma, exala felicidade.

É o combustível do dia a dia,

Sem café, a vida seria vazia.

Espresso, americano, com leite ou puro,

O café é o riso do cotidiano seguro.

Então, erga a xícara com alegria,

Brinde ao café, fonte de energia.

Num mundo agitado, ele é o parceiro,

O líquido que torna tudo mais leve e inteiro.

(Cássio Borges)

A docência expressa no café

No quadro-negro, dança e o giz em balé

Equações e aromas se entrelaçam de pé.

Na busca do conhecimento sem igual

O café é o cúmplice, o guru leal.

Na pausa entre a teoria e a prática

A cafeteira é a máquina simpática que estende a mão

O professor, com a xícara perto do coração

Desvenda enigmas, desfaz os nós.

E ao corrigir provas com destreza

Café e caneta, a dupla de nobreza.

No canto da sala, a cafeteira sussurra

Ensine com paixão, por mais que lida seja dura.

Então, brinde ao educador destemido

Café na mão, conhecimento compartilhado.

Na sala de aula, onde o saber floresce

O café é o mestre que tudo enriquece.

No descanso merecido, entre livros e papéis

Café e professores, companheiros fiéis.

Na jornada intensa, onde o cansaço tenta pesar

O café é a poesia que faz o dia brilhar.

(Cássio Borges)

Depoimento sobre as Cirandas do Saber

Participar da Ciranda dos Saberes, promovida pelo Sindicato dos professores, foi uma experiência verdadeiramente enriquecedora que me deixou repleto de gratidão. Ao longo desse evento tão especial, tive a oportunidade de compartilhar duas poesias autorais, criadas especialmente para esse momento. Essas poesias foram mais do que palavras; foram expressões do meu profundo respeito e admiração pela dedicação incansável dos professores e a sua relação com o café.

Ao declamar essas poesias, senti uma conexão única com a plateia, composta por educadores que moldam mentes e inspiram sonhos diariamente. Cada palavra ecoou como um tributo às suas jornadas e ao impacto transformador que exercem na sociedade. A Ciranda dos Saberes tornou-se, assim, o palco para celebrar, em versos, a grandiosidade da missão educacional.

Além das poesias, tive a honra de levar minha voz e meu violão para entoar canções inspiradoras. A música, como linguagem universal, sempre busca seu lugar nas mentes e corações de quem ouve.

Agradeço profundamente ao Sindicato dos professores por proporcionar esse espaço significativo. Participar da Ciranda dos Saberes não foi apenas uma apresentação, mas uma oportunidade de contribuir para a valorização da educação e expressar minha admiração por aqueles que dedicam suas vidas ao ensino.

No entrelaçar de poesias e melodias, experimentei a magia de um evento que celebra não apenas o conhecimento, mas a paixão que impulsiona os educadores. Que essa ciranda continue a girar, inspirando e fortalecendo a comunidade educacional, pois, como todos sabemos, é nos corações dos professores que o futuro encontra seu lar.

(Por Cássio Borges)

SABERES EM CIRANDA

As Cirandas do Saber foram idealizadas como espaços diferentes de encontro e formação de professores e professoras da rede municipal de Passo Fundo mesclando comida, arte, poesia e música com conhecimentos. A dinâmica é envolvente e participativa, intercalando espaços de fala com espaços de integração, arte, música, comida. Já foram realizadas em torno de 40 Cirandas de Saberes, que duram em torno de 2 horas.

A primeira Ciranda de Saberes foi realizada no dia 06 de novembro de 2014, com a participação da Cirandeira Sueli Ghelen Frosi. O tema foi o Cuidado:  A pergunta: Por que cuidar?

Leia sobre: https://www.neipies.com/ciranda-da-chuva-e-dos-saberes/

Eventos mais dialógicos, menores, em pequenos grupos e que tratem de questões da vida pessoal e social dos professores, dos cuidados com a saúde, de cultura e literatura, de temas complementares aos desafios docentes, devem estar no horizonte das necessidades contemporâneas da formação de professores no atual momento histórico.

O papel do Sindicato de professores é promover e propor iniciativas que promovam mudanças nas concepções de formação que são oferecidas pelas redes de ensino, como também aquelas oferecidas por universidades ou organizações sociais que atuam na formação docente.

Assista: https://youtu.be/GrOGia8mYPA?t=1

O Sindicato, por sua natureza de representação e organização, é um laboratório de permanente formação de professores e professoras. No Sindicato se ensina e se aprende muito, através dos desafios permanentes de comunicação, organização e mobilização pelas demandas profissionais específicas do magistério. As habilidades e as competências que estão sendo gestadas e testadas no cotidiano da atividade sindical também são parte da formação docente de uma rede municipal de ensino.

LEIA MAIS: https://www.neipies.com/formacao-de-professores-funcao-de-um-sindicato/

FOTOS: João Lucas da Silva/CMP Sindicato

Edição: A. R.

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