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Cota não é mimimi: é reparação histórica!

Quanto mais escura a cor da pele, menos renda, menor o grau de educação,
menores as chances de crescimento profissional e as oportunidades.
O inverso também é perceptível, quanto mais clara for a cor da pele,
maior a renda, o grau de educação e as oportunidades.

 

O Brasil foi o último país da América que aboliu a escravidão. O processo de abolição da escravatura foi gradual e começou com a Lei Eusébio de Queirós de 1850, seguido pela Lei do Ventre Livre de 1871, a Lei dos Sexagenários de 1885 e finalizado pela Lei Áurea em 1888.

Ou seja, fazem menos de 150 anos que negros e negras foram postos para fora dos locais onde eram feitos de escravos e largados no mundo, literalmente sem eira nem beira, para aproveitar ‘essa tal liberdade’ que só aparecia mesmo nos papéis assinados.

 Na prática, negros e negras não tinham qualquer oportunidade e continuavam tendo que servir brancos com dinheiro.

Alguns estudiosos afirmam que a escravidão nunca foi abolida no Brasil, já que seus reflexos gritam nas estatísticas que diariamente mostram qual o lugar do povo negro na sociedade atual.

Autor Lázaro Ramos chora ouvindo depoimento de professora Diva Guimarães sobre educação e racismo no Brasil.

Quanto mais escura a cor da pele, menos renda, menor o grau de educação, menores as chances de crescimento profissional e as oportunidades. O inverso também é perceptível, quanto mais clara for a cor da pele, maior a renda, o grau de educação e as oportunidades.

De acordo com o Atlas da Violência 2017 a população negra, jovem e de baixa escolaridade totaliza a maior parte das vítimas de homicídios no país.

De cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras.

A cada 23 minutos um jovem negro é morto no país. De 2003 a 2013 o índice de mulheres brancas assassinadas caiu enquanto o de mulheres negras subiu 54%. A cada 4 pessoas com diploma de curso superior, somente uma é negra.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios em 2015, os negros e pardos representavam 54% da população brasileira, mas sua participação no grupo dos 10% mais pobres chegava a 75%. Pretos ou pardos estão 73,5% mais expostos a viver em um domicílio com condições precárias do que brancos.

Isso tudo e muito mais reflete diretamente na qualidade de vida destas pessoas e, consequentemente, nos dados apontados pelo Mapa do Encarceramento, que no período analisado de 2005 a 2012 constatou mais presos negros do que brancos no país.

 

Djamila Ribeiro é a convidada do Saia Justa e fala sobre o lugar de fala do outro e a diferença das pessoas. Confira!

Em 2005, considerando-se a parcela da população carcerária para a qual havia informação sobre cor disponível 58,4% era negra.

Já em 2012 mais de sessenta por cento da população prisional era negra. A equação é simples e injusta: quanto maior a população prisional no país, mais cresce o número de negros encarcerados.

Quando falamos de educação, a desigualdade racial é evidente. De acordo com dados educacionais organizados pelo movimento Todos pela Educação a taxa de analfabetismo é 11,2% entre os pretos; 11,1% entre os pardos; e, 5% entre os brancos.

A partir dos 15 anos, entre os brancos, 70,7% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão no ensino médio, etapa adequada à idade, entre os pretos esse índice cai para 55,5% e entre os pardos, 55,3%. Já no terceiro ano do ensino médio a diferença aumenta: 38% dos brancos; 21% dos pardos; e, 20,3% dos pretos têm o aprendizado adequado em português e 15,1% dos brancos; 5,8% dos pardos e 4,3% dos pretos têm o aprendizado adequado em matemática.

Pensa comigo: morando em um país que a maioria da população é negra, quantos professores negros você teve? Quantos colegas negros na escola e quantos colegas negros durante a faculdade, a especialização, o mestrado?

A abolição da escravatura foi há 130 anos! Historicamente isso foi ontem e até hoje o povo negro sofre com o peso dos grilhões, que hoje aparece na face da desigualdade, e nada mais justo que a sociedade reparar essa dívida histórica seja através de cotas, seja através de outras políticas públicas que cumpram com este papel.

O sistema de cotas não é uma benesse, é a forma de o Estado, num trabalho de formiguinha, corrigir a negligência com o negro e com o pobre.

E não me venha com discurso de meritocracia, pois esse só vale quando você compara dois pontos de partidas iguais. E né, fica fácil defender o mérito quando em uma corrida de 100 metros você parte logo dos 50 metros enquanto o povo negro sai esbaforido da largada.

 

“Na minha pele” entrevista com Lázaro Ramos.

 

Somos um

“Mono mmosa khonlipa”
Um braço só não tem forças

 

Já estou completando um ano e meio na missão em Moçambique. Neste tempo, de todas as expressões que ouvi, a mais marcante, pela frequência e pelo significado, é nri vamosá. Na versão em português, o termo dá sentido à expressão “estamos juntos”, enquanto a tradução literal do macua (língua falada em grande parte do norte de Moçambique, apesar de o português ser a língua oficial do país) é “somos um”.

Sabemos bem a diferença entre ser e estar. Estar é passageiro, transitório, efêmero. Ser é definitivo, decisivo. Quando sou, abraço definitivamente o compromisso e agora isso se torna parte do meu próprio ser.

Se assumimos ser um com o outro, o nosso conceito de empatia ganha um novo sentido. Nossos sentimentos já não são pelo outro, mas com ele. Agora, quando nos deparamos com sua angústia, nossa posição muda de “eu sei como você se sente” para “eu sinto com você”. E isso funciona também para alegria, tristeza, raiva, fome.

Como uma parte do meu eu pode estar bem se a outra não está?

Semelhante à filosofia sul-africana do Ubuntu, o nosso Nri Vamosá moçambicano também vai muito além das palavras. Enquanto o mundo se debruça em um conceito de natureza humana baseado na livre escolha pessoal e no individualismo, a experiência de unidade do Ubuntu ou do Nri Vamosá se baseia na ideia da comunidade, onde cada um depende do outro para ser pessoa.

 

“Ubuntu” é uma palavra que representa uma filosofia e uma ética antiga africana que significa: “Sou quem sou, porque somos todos nós”.

Resistência

Nessas sabedorias se justifica o que vejo e vivo em Moçambique e que contraria significativamente as imagens de África que temos. Precisamos ter claro que as colonizações e ultimamente as explorações de recursos naturais e humanos em Moçambique foram e são os grandes responsáveis pela situação de vulnerabilidade do povo.

Esses séculos de dominação europeia deixaram rastros irremediáveis em toda a África e, pior que isso, o neocolonialismo exerce veladamente este poder nos dias de hoje.

A predominância e o crescimento das multinacionais em todo o território africano e, especificamente em Moçambique, monopoliza a terra, os minérios e a água, suprimindo culturas, explorando a mão de obra e devastando vidas.

Por outro lado, a resistência deste povo cheio de força tem sido também a sua salvação em meio a esses contextos de tanta desigualdade e dificuldades.

A teimosia em lutar contra essas dominações e submissões foi o que permitiu que os moçambicanos – e de maneira geral os africanos – chegassem até aqui com uma parte de sua cultura e as próprias vidas preservadas.

O povo é castigado pela fome: não se rende. As terras para plantar estão ocupadas por empresas: caminha mais longe para plantar e colher. A água já não é mais potável: cava poços mais fundos. A casa de barro cai com as fortes chuvas: reconstroi. A morte é presença diária, mas não motivo para desistir.

Conheço inúmeras famílias que sofrem com a seca, com a pequena colheita que conseguem a cada ano ou com a falta de terras para plantar. Apesar disso, vejo todo dia o seu esforço em partilhar o que têm para garantir que todos tenham o alimento necessário.

Outra realidade é o alto número de crianças órfãs em contraste com a ausência de orfanatos ou de abandonos.

Muitas mães morrem no parto ou logo após ele. Outras perdem a vida por qualquer doença não diagnosticada, negligenciada ou não tratada corretamente. E seus filhos? O que acontece com estas quatro, cinco ou até dez crianças? A família acolhe naturalmente, sem crises, caos ou grandes discussões. A tia, a avó, a irmã mais velha, ou até mesmo uma das outras esposas do pai hão de abraçar a responsabilidade de educar e cuidar esses pequenos.

 

Revelação

Eu te louvo ó Pai porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos.

A experiência de Jesus na revelação do Reino de Deus foi de rejeição por parte da elite política, econômica e religiosa da época. A acolhida da boa-nova aconteceu nos pobres, vulneráveis e excluídos.

Hoje, esse mesmo Reino é a nossa luta por igualdade, justiça e paz. Como há dois mil anos, o anúncio não se dá nos megaprojetos de um suposto desenvolvimento, ou pelos grandes intelectuais. Nem pelas bocas dos patrões ou governantes. Quiçá por nós, missionários.

Acostumados a desqualificar ou minimizar os conhecimentos e as práticas dos povos tradicionais, ainda temos muito que aprender neste caminho rumo a plenitude do bem viver. A terra sem males que sonhamos e esperamos é proclamada a cada dia na vida dos pequenos. Nri vamosá é a verdadeira vivência da fraternidade.

Nessa reciprocidade, a vida acontece plena no amor espontâneo, solidário e gratuito. No encontro com o outro me reconheço, me formo, me somo e me completo.

Sou quem sou porque somos todos nós e, por amor, somos um.

Victória Holzbach, jovem jornalista em Moçambique, revela, com um pouco mais de um ano como missionária leiga, que o jornalismo ficou em segundo ou terceiro plano e que a realidade concreta das pessoas com as quais atua exige outras habilidades e intervenções. Revela, ainda, como é grande a sua transformação pessoal.

 

As jornalistas

O novo jornalismo, o jornalismo do século 21,
será feminino, muito mais atrevido,
menos óbvio e discriminador.
As mulheres vão reinventar
o jornalismo.

 

Vou dizer o que me leva a acreditar que as mulheres vão salvar o jornalismo.

“Temos que empoderar as mulheres”, afirma jornalista.

Há quase 20 anos, a jornalista Eliana Simonetti decidiu que me levaria para São Paulo para que eu a ajudasse a resolver um bom problema da Veja.

Veja não era ainda o que acabou se transformando. Eliana me queria na Editoria de Economia, como subeditor dela, porque Veja havia sido tomada pelas mulheres.

Era preciso arranjar homens para a revista, e os homens estavam faltando porque aqueles eram os tempos malucos da corrida para a internet.

Os sites eram a nova Serra Pelada. Os jornalistas estavam sendo contratados por altos salários para trabalhar em portais de todo tipo. Alguns achavam que ficariam ricos. Houve uma debandada nas redações.

Eliana me explicou que os chefes tentavam recuperar o equilíbrio num ambiente sempre dominado pelos homens. A presença das mulheres estava tornando as pautas, as abordagens, os textos excessivamente femininos.

Pode-se dizer hoje, numa análise simplista e demagógica, que essa seria uma questão de machismo. Não era. Era uma tentativa de reequilibrar até mesmo a linha editorial da revista (deu no que deu…).

O salário seria mesmo de Serra Pelada, mas eu resisti. Não tinha mais idade para sair por aí. A vaga que Eliana me ofereceu foi logo depois ocupada pela minha amiga Denise Ramiro. As mulheres continuaram avançando.

O que se viu a partir dali foi a ocupação das redações pelas mulheres, assim como os cursos de jornalismo, professoras e alunas.

Hoje, os melhores textos do jornalismo de fôlego, das grandes reportagens, são de mulheres. E a melhor coisa no jornalismo é o “excesso” de mulheres, que fazem hoje o que a repórter Celia Ribeiro já fazia nos anos 60 e 70. Elas já são maioria nas redações.

A imprensa ainda machista (e que se revelou mais golpista do que em 64) mantém rígidos comandos masculinos em postos chaves, que estão acima das redações.

Apesar da mulher ter conquistado as redações das mídias nos últimos 20 anos, ainda está longe o cenário da paridade. E se assim é nos patamares mais baixos da profissão, nas hierarquias de decisão o vazio é quase total. Um tópico que mereceu um debate neste 4º congresso dos jornalistas portugueses.

O novo jornalismo, o jornalismo do século 21, será feminino, muito mais atrevido, menos óbvio e discriminador. As mulheres vão reinventar o jornalismo.

Papel da escola no desenvolvimento das capacidades

O ser humano precisa de suas capacidades, desde as mais simples
até as mais complexas, para sobreviver no mundo e produzir cultura,
dando sentido à sua existência. Oferecer as condições pedagógicas
para que o educando desenvolva ativamente suas capacidades
é o papel do professor e da escola.

 

Compreender como o sujeito se forma no contexto social mais amplo é uma preocupação nuclear das teorias educacionais. Como o sujeito não pode formar-se isoladamente e nem sucumbir diante das pressões sociais, ou seja, ser determinado exclusivamente por tais pressões, ele vê-se às voltas com uma tremenda conflitividade.

Nosso maior palco é a vida e nela somos eternos aprendizes. Nosso maior desafio é a humanização, através do conhecimento. O conhecimento nos torna melhor seres humanos. A escola e a vida são oportunidades de aprendizagem, socialização e construção de conhecimentos. Humanizar é um dos maiores desafios da atualidade.

Ora, investigar tal conflitividade é tarefa das teorias educacionais. O pragmatismo educacional de Dewey assume esta tarefa ao longo de Democracia da educação, especialmente, no capítulo IX, na medida em que busca confrontar a teoria do desenvolvimento natural com a teoria da eficácia social. Dewey atribui ao primeiro o espontaneísmo pedagógico e, à eficácia social, a determinação externa, oriunda das mais diferentes pressões sociais exercidas sobre o próprio educando.

Desenvolver suas próprias capacidades humanas e aprender como fazê-lo é o desafio que o ser humano assume em sua vida, tendo que fazê-lo caso almeje ser dono de seu próprio destino, ao menos naquilo que lhe é possível. Portanto, o desenvolvimento adequado das capacidades humanas não é um problema só teórico, que interessa exclusivamente aos estudiosos da educação. Torna-se, antes disso, um problema prático, que interfere na vida cotidiana de cada um, uma vez que diz respeito ao modo prático que cada um adota para poder viver no mundo. O ser humano precisa de suas capacidades, desde as mais simples até as mais complexas, para poder sobreviver no mundo e produzir cultura, dando sentido à sua existência.

Deste modo, a tensão entre o desenvolvimento das capacidades individuais e seu embate com as mais diversas pressões sociais é o nó górdio das teorias educacionais. Dentre tais teorias destacam-se duas posições opostas: o intelectualismo e o determinismo.

A primeira tende a isolar as capacidades humanas, defendendo seu desenvolvimento independente das pressões sociais. Concede poder exagerado a tais capacidades, independizando-as das determinações que o ambiente exerce sobre elas. Aposta na autossuficiência racional do ser humano, forçando sua independização da história e da sociedade.

O determinismo social é a teoria oposta do intelectualismo, fazendo a independência do sujeito sucumbir diante das pressões sociais. Segundo tal teoria, as forças econômicas e políticas, por exemplo, determinam o modo de vida do próprio sujeito, ditando por suas regras o modo como ele deve agir. Sendo assim, o sujeito não possui poder suficiente para fazer suas próprias escolhas, seguindo sempre os ditames de forças externas. Como as determinações do ambiente social e natural são tão fortes e poderosas, não resta outra saída à educação senão adaptar o sujeito a tais forças.

Nem intelectualismo e nem determinismo social são fontes genuínas e seguras para justificar a teoria educacional. Com isso, uma teoria da educação potente é aquela que consegue encontrar o caminho do meio: nem só indeterminação e nem só determinação.

Se o educando não for provocado externamente para desenvolver suas capacidades humanas, sozinho não conseguirá fazê-lo. Neste sentido, a pressão externa é indispensável. Por outro lado, se não for ativo e tomar por si mesmo a dianteira, dispondo-se pessoalmente a fazê-lo, não há força externa, por mais pedagógica e poderosa que seja, que irá movê-lo para acionar suas capacidades físicas, afetivas e intelectuais.

Isso mostra que a educação é um processo conflitivo do começo ao fim. A buscar por encontrar o caminho do meio precisa ser a preocupação constante da boa teoria educacional.

Oferecer as condições pedagógicas para que o educando possa desenvolver ativamente suas capacidades é o papel do professor e da escola. Ambos precisam encontrar o equilíbrio entre o respeito à liberdade ativa do educando e o disciplinamento necessário à formação de seu hábito. Liberdade excessiva da vontade, sem autodomínio, e pressão descontrolada do ambiente são forças contrárias ao desenvolvimento autônomo das capacidades humanas.

Em que sentido a escola pode enfrentar satisfatoriamente as pressões sociais, mediando adequadamente a construção das capacidades do aluno? Como a ação do professor pode tornar-se força pedagógica indispensável para que o aluno encontre, ele próprio, o equilíbrio entre o desenvolvimento de suas capacidades humanas e as pressões sociais que sofre, das mais diferentes procedências?

São duas perguntas que tocam no âmago do trabalho formativo a ser desenvolvido tanto pela escola como pelo professor.

A escola vê-se hoje questionada de todos os lados.

 

Como será a escola do futuro? Neste episódio, os cineastas acendem os holofotes para uma importante reflexão: como será a escola daqui a 50 anos? Quem responde são professores, alunos, diretores e pensadores.

Alguns proclamam com voz estridente seu fim, devido sua inoperância e inutilidade.

Outros querem reduzi-la simplesmente à tarefa de preparar jovens para o mercado de trabalho. Neste sentido, a escola teria uma função meramente profissionalizante, ocupando-se com o futuro profissional das novas gerações. Sendo esta sua finalidade, o foco do ponto de vista do conteúdo e do currículo deveria ser ensinar o manuseio de ferramentas tecnológicas, desaparecendo, com isso, o trabalho cultural de formação das capacidades espirituais humanas mais amplas.

Sob este aspecto, a escola de hoje encontra-se, de modo geral, em situação bem diferente daquela existente na época de Democracia e educação, na segunda década do século XX.

Depositava-se, neste período, crença positiva ao papel da escola no desenvolvimento das capacidades humanas e no projeto de desenvolvimento da nação. A escola era tida como força impulsionadora indispensável do melhoramento humano por meio de seu papel cultural.

Segundo Dewey, a presença e o papel formativo da escola é insubstituível para preparar a socialização do educando. Ela cumpre, deste modo, o ritual de passagem da socialização ocorrida nos espaços sociais mais restritos, como a família, para espaços mais amplos, em outras instituições sociais. A escola é então o primeiro ensaio consistente do uso participativo do ser humano no espaço público.

Portanto, longe de ser inútil ou de ser reduzida somente à preparação para o mercado de trabalho, a escola é o espaço do tempo livre, que possui o trabalho vagaroso e consistente de apropriação progressiva da cultura elabora.

O professor é, neste contexto, o mediador formativo entre a experiência ativa do educando e sua relação com a cultura elaborada. Sem que a experiência ativa do educando seja levada em conta, a cultura elaborada torna-se mero ornamento, descolando-se completamente das preocupações existenciais do educando. Por outro lado, se a escola se limitasse somente em respeitar as experiências individuais do educando, sucumbiria diante dos preconceitos e dogmatismos que lhe são inerentes.

O professor, exercendo formação cultural crítica, descortina o mundo do saber elaborado ao educando, oportunizando o confronto crítico com seu próprio modo de vida.

O respeito pela experiência do educando exige do próprio professor, como resultado de sua postura responsável, ética e profissionalmente, que oportunize o enfrentamento do aluno com o saber oriundo da cultura elaborada. Contudo, por buscar orientar-se por uma postura ética, o professor põe a exigência de colocar-se na situação pedagógica, deixando transformar-se ele próprio pelo exercício de mediação que possibilita o educando experienciar a cultura elaborada.

 

Alguma notícia?

Apesar de entender a importância de
estarmos informados, às vezes parece que a
exposição constante a coisas ruins
esgota nossa esperança.

 

Quando eu estava na faculdade, fui aluna do Professor Carrion Jr, se não me engano na disciplina de Formação Econômica do Brasil. Eu gostava muito das aulas dele, em especial pelas histórias e vivências que compartilhava conosco.

A aula era às 7:30 e já no início do semestre ele nos apresentou à sua metodologia de avaliação, acho que ele chamava de “notícia do dia”.

No começo de cada aula tínhamos que escrever sobre uma notícia daquele dia. O pequeno texto era entregue ao professor, e valia pontos na nota final. Aos protestos quanto ao horário, à dificuldade ou irrelevância da tarefa ele respondia que qualquer um podia ouvir rádio ou ler um jornal antes da aula (a internet ainda não era comum).

Argumentava que o mínimo que se esperava de um futuro economista era que soubesse o que estava acontecendo no país e no mundo, em tempo real (na medida em que isso era possível no século XX).

Lembrei-me do professor e das aulas nos últimos dias. Ao me deparar com notícias de tragédias, corrupção, intolerância e violência, pensei que queria ao menos uma notícia no dia que fosse boa.

Bauman se tornou uma figura de referência da sociologia. Suas denúncias sobre a crescente desigualdade, sua análise do descrédito da política e sua visão nada idealista do que trouxe a revolução digital o transformaram também em um farol para o movimento global dos indignados, apesar de que não hesita em pontuar suas debilidades.

Veja mais aqui.

Tenho que concordar com meu antigo professor, não é possível ser um bom profissional ou um cidadão consciente sem saber o que se passa no país e no mundo. Precisamos saber para poder protestar e combater. Esconder-se da realidade não resolve nada, não ajuda ninguém.

Mesmo assim, a cada notícia triste ou revoltante, penso no alívio que seria ouvir algo positivo. Apesar de entender a importância de estarmos informados, às vezes parece que a exposição constante a coisas ruins esgota nossa esperança.

Em lugar de nos impulsionar para ações positivas, essa avalanche de más notícias sufoca nossa reação. Ficamos todos assim, anestesiados, cansados e de certa forma conformados, sendo capazes apenas de replicar más notícias em redes sociais, ou expressar nossa revolta em palavras agressivas.

Desejo que tenhamos boas notícias todos os dias. Que possamos encontrar alguma inspiração que nos dê a força que precisamos para fazer algo que transforme a realidade para melhor.

O destino da humanidade está em nossas mãos. Documentário o Homem.

Evoluir é preciso: as mulheres evoluíram!

As mulheres evoluíram e evoluirão muito mais,
porque elas não deixam de usar e ocupar
o espaço social a cada dia. Espero que mais homens
percebam esta evolução, acheguem-se ao mundo feminino
para dividir responsabilidades e, ao mesmo tempo,
aprender com elas.

 

 

Por mais que em certos momentos se pense que a evolução feminina tenha conquistado o mais alto lugar no pódio social, o avanço ainda é pouco perante a realidade apresentada diante de nossos olhos. E, para observar com nitidez e realismo, precisa-se esboçar uma trajetória na história.

Mesmo considerando avanços e conquistas das mulheres, será que todo mundo gostaria de ser mulher?

Todo mundo quer ser mulher?

Ao longo da história a mulher sofreu discriminação profunda e, para tanto, façamos um feedback histórico, sobretudo para destacar que a submissão era unicamente se calar. Dito de outra forma, elas nem tinham o direito de opinar.

Outra questão que intriga quem vive num processo de respeito ao sexo feminino, é o desrespeito ao corpo. A mulher sequer tinha direito de se posicionar quanto a quantidade de filhos que deveria ou poderia ter, era apenas ter “todos aqueles que Deus lhes dava”. Neste sentido, dá para imaginar o grau de prazer sexual que sentiam, até porque era extremamente proibida qualquer manifestação sexual. Por outro lado, ao homem, sim, poderia sentir prazer e até mesmo anunciar este.

Hoje tudo mudou a mulher pode e tem o direito de sentir prazer sexual, ou até mesmo, manifestar disposição ou não ao sexo. Com essa ideia muitas revistas trazem orientações para que cada vez mais a mulher sinta orgasmo e satisfação em suas relações íntimas.

No passado, cabia a mulher apenas um “direito:” obedecer ao que os homens mandavam e desmandavam. Experiência sexual para mulheres era coisa de mulher mal falada. Para os homens não tinha fazer sexo pela primeira vez com a gatinha da mesma idade, isso acontecia com a empregada ou em um bordel. Essa triste história vem mudando com o passar dos tempos. “Graças a Deus!”, não claro que não, graças à fibra, luta e resistência de mulheres guerreiras que enfrentaram “a chuva e o temporal”.

Pode-se confirmar isso, no livro A Revolução Feminina de MOURA, 1989:

Pela primeira vez na história estamos na vanguarda e eles na retaguarda. Às vezes chegam até a reclamar de que os temos transformado em objetos sexuais, por aí se vê machões. Nós os queremos , os compreendemos, tanto que já assimilamos o caos. Claro, sabemos muito bem como muito mais fácil renunciar a uma emoção do que a um hábito e vamos fazer tudo para que não tenham medo do nosso governo: o governo do coração.

A autora é otimista no seu discurso, mas ainda muita coisa tem de mudar para que se possa realmente dizer que os homens obedecem ao governo feminino. Se observarmos a questão da autonomia da sexualidade feminina, a evolução é bem grande, sem dúvida.

Em 1960, renasce o marco de movimentos de libertação das mulheres por todo o mundo, mas em anos anteriores a este, muitos movimentos isolados se deram. Neste período, inclusive, se institui o dia reservado às mulheres. No Brasil, em plena Ditadura, as mulheres de fibra se organizam e lutam por seus direitos. Esta luta foi constante para se chegar ao Século XXI com muitas conquistas em prática. Segundo Caderno BRASIL/MEC, 2007, apresenta a seguinte afirmação:

Em reconhecimento dessas lutas, o dia 08 de março foi instituído pela ONU, em 1977, como Dia Internacional da Mulher o que nos dá a oportunidade de fazer um balanço dos progressos e conquistas a respeito do lugar ocupado pelas mulheres e dos obstáculos à sua cidadania e levar o conjunto da sociedade e dos governos a refletirem sobre as formas de enfrentar as desigualdades de gênero.

As questões de gênero vão muito além do âmbito da sexualidade, elas perpassam o direito à educação, entendida há anos atrás como algo sem importância, até porque mulher era vista como mera dona de casa e objeto de satisfação masculina. E ainda, direito ao voto e de ser votada que, ao mesmo tempo em que não precisava estudar, tão pouco, opinar para escolher quem representava as esferas governamentais.

A cada dia, 13 mulheres são mortas de forma violenta no Brasil — ou uma a cada duas horas. Grande parte dessas mortes, comumente tipificadas como homicídios, devem ser enquadradas em uma categoria específica, a do feminicídio. É o que afirma a juíza Adriana Mello, titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

Quanto vale uma mulher? | Radis

Olhando no retrovisor da história, percebe-se que não só se conquistou o direito de voto, mas o espaço de ocupar cadeiras parlamentares e de expor seus pensamentos políticos calcados na sensibilidade e visão feminina. A busca pelo emprego foi e é outra luta constante, pois mulher que saía trabalhar fora não era bem vista. O homem era quem sustentava a família e a administrava.

Sigamos com a reflexão. Os hábitos foram mudando diariamente e não só a rotina feminina, mas o próprio homem que se via como o centro do pódio começou a derrubar a máscara na adaptação rotineira. Porque em vez de encontrar em casa uma mulher pronta para servir, por exemplo: alcançar a toalha e cuecas e o cuidado com os filhos, o homem começou se deparar com um mundo totalmente novo.

As mulheres não são propriedade de legisladores, nem de religiões, nem de instituições, nem de maridos e companheiros, mas são sagradas em sua dignidade. Há que pedir licença, há que amar, há que respeitar de uma vez por todas aquelas que trazem em si a sabedoria do mundo.

O que esperam das mulheres?

Pensa-se que é mais difícil a adaptação da figura masculina, mais do que a feminina. A mulher, por natureza, sempre soube se virar, por mais submissa que fosse. A mulher cuida dos filhos, educa-os e entende os sentimentos de choro e antes de tudo isso, carrega o peso de uma gravidez por nove meses, sente dores que nunca um homem ousaria sentir. Dessa forma, a mulher não esmoreceu na luta, pois nunca fugiu dos desafios.

A sociedade machista impregnada quer sufocar as mulheres tentando calar essas guerreiras até mesmo, com a injustiça de pagar salários bem mais baixos pelos mesmos cargos ocupados pelos homens. Como retrata BRASIL/MEC, 2007:“Um outro aspecto importante, que evidencia as desigualdades entre gêneros, são as ocupações exercidas como assalariados por ambos os sexos.”

O que me intriga até hoje é perceber que muitos especialistas afirmavam com convicção de que as mulheres não se adaptariam no mundo do trabalho, pois este espaço era exclusivo para homens que tinham competência e força. Hoje a prova aparece nitidamente demonstrando o contrário, deixando claro que as mulheres não são mais jeitosas para este mundo, como este espaço ficou muito mais agradável do que era com um toque feminino.

Nisso tudo, um fator em desvantagem para o mundo feminino é que com sua saída do ambiente familiar, cabe desempenhar sua função externa com muita competência, ela não se desvinculou das responsabilidades e das preocupações da casa, dos filhos. Mesmo no mundo do trabalho ela não perde a vigilância da casa. A mulher, mesmo com toda jornada pesada e dupla, não perdeu a sensibilidade e humanidade que sempre teve. Realidade comprovada nas palavras de Madre Teresa de Calcutá, apud BRASIL/MEC, 2007: “if we really want to love we must lern how to forgive”.

Não condeno e nem questiono os apaixonados que usam dia 08 de março – Dia Internacional das Mulheres – para prestar-lhes justas e bonitas reverências e homenagens. Mas prefiro entender este dia como uma oportunidade de reflexão que toda sociedade deveria fazer neste dia que foi instituído como um dia de memória às lutas de tantas mulheres que se desafiaram a lutar por mais condições de igualdade.

Em homenagem às mulheres, assumamos: somos machistas!

As questões postas me fizeram lembrar que, alguns anos, desempenhava a função de diretor, rodeado de mulheres que a todo o momento me mostravam a capacidade, sensibilidade, agilidade e compreensão, sem falar da sensatez com que resolviam os obstáculos diários. Elas, em momento algum, esqueciam da casa e dos filhos.

Espero que, com o passar dos tempos, mais homens percebam esta evolução e, cada vez mais, acheguem-se ao mundo feminino para dividir responsabilidades e, ao mesmo tempo, aprender. Como falei anteriormente, as mulheres evoluíram e, com certeza, evoluirão muito mais, porque elas não deixam de usar e ocupar o espaço social a cada dia.

Ao menino, jogos, carrinhos, livros. Quem fez de tais coisas objetos de varão? A cultura. Um quarto azul para ele, um rosa para ela. Jogos para o cérebro. Carrinhos de tecnologia. Livros para os saberes.

Como se faz uma mulher

 

 

REFERÊNCIAS

MOURA, Márcia. A revolução feminina. Rio de Janeiro: Erregê, 1989.

BRASIL, MEC. Mulher e trabalho.Brasília: Ministério da Educação, 2007.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília:MEC/SEF, 1998.

BEMFAM, Sociedade Civil Bem Estar Familiar no Brasil. Cidadão adolescente. Rio de Janeiro: BEMFAM/DEMEC,2000.

Foto: Espaço Mulher

É gratificante investir em educação

A educação é o caminho para a prosperidade
coletiva e deve ser prioridade para além dos discursos
recorrentes de todos os anos eleitorais.

Em todo ano eleitoral, é o mesmo discurso: candidatos vão aos palanques e falam em uníssono que a educação brasileira precisa melhorar e crescer. Dizem, ainda, que é a solução para o nosso país. Mas, passado o pleito, o tema segue relegado a quinta, sexta, sétima prioridades. E assim caminhamos para mais um ciclo de dois ou quatro anos sem que o sistema de ensino receba toda a atenção que merece.

Sou um empresário que decidiu não esperar tanto pelas ajudas governamentais para acreditar na ideia da educação a fim de formar uma nação melhor. Há 14 anos, junto a um grupo de investidores, criamos uma faculdade de qualidade em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul.

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Nela, trabalhamos com conceitos próprios do mundo empresarial alinhados à governança corporativa e ao compliance, como recrutamento de profissionais referências em cada área, uso de indicadores de resultado, compartilhamento de dados entre todos os colaboradores e publicação de resultados financeiros auditados para a sociedade.

Estimulamos os alunos a empreenderem. Abrimos as portas da faculdade também para que a iniciativa privada traga ideias de parceria ou de busca de solução de um problema real com a ajuda da academia.

Alguém dirá: o bom momento econômico do país ajudou o negócio da educação privada a prosperar. Verdade. Mas igualmente é verdade que, em meio à crise que o Brasil atravessa nos últimos anos, seguimos com a convicção intacta. Continuamos investindo e procurando o crescimento sustentável, mesmo diante de indicadores econômicos não favoráveis.

Hoje, não somos só uma faculdade. Caminhamos para nos tornar uma universidade, porque a educação é o caminho para a prosperidade coletiva. Mas esta estrada não deve ser trilhada somente pelo poder público. Devemos nós mesmos acreditar na ideia, investir, buscar a excelência, usar as boas práticas empresariais e fazer com que o país tenha cada vez mais opções de qualidade para o desenvolvimento de todos os cidadãos. Digo sem medo de errar que não há propósito mais gratificante e motivador do que este.

Os maiores bandidos estão no poder

A violência no RJ, sobretudo a que recai sobre o grupo social 3P
(preto, pobre e puta) é resultante da ausência histórica
de políticas públicas, por parte dos governantes corruptos
que ocuparam e ocupam as esferas de poder do Estado carioca.

 

O corrupto governo Temer (MDB) decretou intervenção militar no RJ. O não menos corrupto governador do RJ, Luiz Fernando pezão (MDB), aplaudiu. O prefeito do RJ, Marcelo Crivela (PRB), viajou pra Europa durante o carnaval e as enchentes se omitindo. De lá, por nota, agradeceu e parabenizou o “Bento Carneiro” (com respeito ao personagem do Chico Anysio pela analogia).

A imprensa burguesa brasileira deu, e está dando, sustentação política a arbitrariedade intervencionista militar.

O cenário está montado para ludibriar a população brasileira. Analisaremos, abaixo, quais são as reais intenções do governo corrupto e sua quadrilha congressual com a intervenção militar no RJ.

Primeiro, botam o exército nas ruas para aumentar a violência sobre o povo pobre e, sobretudo, os negros das periferias cariocas (reféns da polícia, do exército, das milícias, do tráfico). Depois, tentam bancar “mandatos de busca e apreensão coletivos” (liberar geral a invasão das casas dos pobres pela polícia e militares).

Em seguida, reprimem militarmente e de forma geral e indistinta, os trabalhadores (as) cariocas que vivem nas periferias, partindo do pressuposto de que o problema da segurança no Rio de Janeiro é culpa deles.

Por fim, o general interventor nomeado, Braga Neto, afirma que o Exército precisa de “garantias para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade” no futuro!

Conhecemos o trágico final desta película. Não podemos permitir que a história se repita como farsa ou tragédia.

A violência no RJ, sobretudo a que recai sobre o grupo social 3P (preto, pobre e puta) é resultante da ausência histórica de políticas públicas, por parte dos governantes corruptos que ocuparam e ocupam as esferas de poder do Estado carioca.

A população periférica vive, cotidianamente, nas mãos de governos mafiosos, do tráfico, da polícia e das milícias. São as balas perdidas que assassinam dezenas de crianças, jovens, pais, mães e idosos cariocas. Até hoje não sabemos onde está o Amarildo.

A intervenção militar anunciada para impor a “ordem” no RJ, é direcionada e afetará principalmente os negros e pobres que vivem nos morros cariocas.

Tudo para passar uma imagem de “durão” de Temer. Pretende com isso conquistar a simpatia da classe média brasileira no geral e, em específico, carioca, que está, com razão, amedrontada e refém da violência, e capitalizar politicamente pra ver melhora seus vergonhosos índices de popularidade.

Não nos iludamos: o corrupto governo Temer objetiva, com a intervenção militar no RJ, ter projeção eleitoral pra tentar um acordo com quem possa se eleger mantendo, assim, o fórum privilegiado e não ir para a prisão junto com a quadrilha das malas de dinheiro que o cercam.

O que o Rio de janeiro precisa não é de intervenção militar. Ao contrário. Precisa de geração de emprego com salários digno. Precisa que a população pobre e excluída tenha acesso a moradia decente. Precisa de creches, saneamento básico, educação e saúde pública, gratuita e de qualidade. Precisa pagar os salários atrasados do funcionalismo público estadual.

O RJ não precisa do exército invadindo as favelas, pois os maiores bandidos vivem no Planalto, Palácio Guanabara e nos condomínios de luxo da zona sul do Rio.

Os três porquinhos e os perigos da televisão às crianças

Em muitos lares o irmão mais velho tem oito anos, o do meio cinco e o outro dois ou um ano, talvez. É uma situação triste. Aquelas crianças que deveriam estar brincando ou estudando estão em casa cuidando dos seus irmãos mais novos enquanto os pais trabalham. Diversão? Sim, a televisão. A televisão que mais deseduca do que educa.

 

Quando a gente é criança, a gente só quer brincar e mais nada.

O conto de fadas “Os três porquinhos” conta como três porquinhos fazem para escapar do lobo mau que vive querendo comê-los, mas os três porquinhos são crianças e como toda criança só querem saber de brincar, menos um, menos o mais velho que apesar de gostar também de brincar já foi forçado a ter responsabilidades e a cuidar dos outros irmãozinhos.

Assim no conto de fadas, assim na vida da criança do mundo contemporâneo que passa o dia inteiro sozinha em casa com seus irmãos mais novos exposta aos perigos da televisão que muitas vezes apresenta programas, filmes ou novelas que são uma influência negativa para educação e formação dessas crianças.

Telas e crianças. Um assunto que sempre gera especulações, dúvidas e, às vezes, até polêmicas. Em um mundo tão conectado e tecnológico, é praticamente impossível que as crianças não tenham acesso, em algum momento, à “telinha” de computadores, televisões, tablets, telefones celulares e outros aparelhos eletrônicos.

Veja mais aqui.

A maior parte das crianças, principalmente as de classe baixa, aquelas que os pais trabalham o dia todo e não têm com quem ficar ou para onde ir, são deixadas aos cuidados do irmão mais velho que também pode ser uma criança um pouco maiorzinha.

Essas crianças só têm como lazer a televisão que poucas vezes instrui e, muitas vezes, violenta e traumatiza a criança. É um sério problema deixar crianças sozinhas com a televisão, pois, de certa forma, ela é o lobo mau do mundo contemporâneo, querendo de alguma forma engolir as criancinhas indefesas.

Em muitos lares o irmão mais velho tem oito anos, o do meio cinco e o outro dois ou um ano, talvez. É uma situação triste. Aquelas crianças que deveriam estar brincando ou estudando estão em casa cuidando dos seus irmãos mais novos enquanto os pais trabalham. Diversão? Sim, a televisão. A televisão que mais deseduca do que educa.

A televisão tem melhorado pouquíssimo na questão de programas infantis nos últimos anos é verdade, e ainda há muitos programas de violência sérios que precisam ser revistos.

Os programas policiais não poupam crianças, jovens, idosos mostrando cenas horríveis de sangue e morte o tempo todo.

Quando há um crime bárbaro todos os noticiários exploram a matéria fazendo do assassino um monstro que entra na sua casa e assusta sua criança. É um terror para uma criança assistir a uma reportagem como a que passou no Jornal Nacional apresentado na Rede Globo sobre o massacre da Escola do Realengo, aliás, todos os noticiários deram enfoque por vários dias sobre esse massacre.

As crianças que não têm quem filtrar o que devem assistir ficam a mercê desse tipo de reportagem que parece manipular a mente do ser humano com tanta violência sendo apresentada constantemente.

Claro é que não podemos dizer que a televisão só passa programas violentos e que não educam, estaríamos mentindo se disséssemos isso. Há bons canais de televisão, mas esses bons canais têm pouca influência na criança que vive ao redor da marginalidade, do banditismo, da violência.

A linguagem dos programas violentos está mais próxima da linguagem que as crianças presenciam diariamente, por isso elas optam por eles. É uma opção inconsciente da criança, trazer para perto de si o mundo que parece ser seu.

Um dos melhores canais da televisão brasileira, a TV Cultura, tem excelentes programas para crianças de todas as idades, mas seu índice de audiência é baixíssimo, muitas crianças da classe baixa nem sabem qual a sintonia do canal TV Cultura. É um canal com os programas: Castelo Rá Tim Bum, Doug, Os sete monstrinhos etc, são programas bastante educativos que promovem o imaginário da criança, mas pouco assistidos pelas crianças.

Lembrando que não podemos nos deter somente a criança da classe baixa, porque as outras crianças mais ainda as da classe alta, essas sim, estão submetidas aos perigos da televisão, coitadas, entregues às escolas particulares, às babás, quando chegam em casa correm para a televisão e lá ficam presas até a hora dos pais chegarem do trabalho, muitas vezes cansados e nem percebem o que está acontecendo com seus filhos.

É um problema que atinge crianças de todas as classes sociais, melhor dizendo, pois cada uma com suas prisões à televisão.

A criança no geral está presa à televisão porque ela é o meio mais fácil de distrair, só isso. Não precisa de um amigo para assistir televisão, você pode ser o herói ou o bandido, escolher quem é o melhor ou o pior nos programas de reality show e outros mais. É um problema geral da sociedade brasileira que precisa rever seus conceitos e exigir que a televisão brasileira mude o mais rapidamente possível.

Como a televisão afeta o cérebro infantil. Efeitos nocivos da televisão.

No caso da criança do mundo contemporâneo, ela brinca com o lobo mau sem saber o mau que ele pode lhe fazer, ou seja, brinca com a televisão e seus programas violentos, enquanto que os três porquinhos viviam fugindo do lobo mau, eis a diferença de um para o outro, porque os três porquinhos tinham o perigo físico, pois existia um lobo mau de verdade que queria comê-las e a criança do mundo contemporâneo tem seu lobo perigosamente sutil que numa hora ameaça em outra ele se torna bonzinho.

Um dos objetivos é manipular a mente da criança para o consumismo daquilo que ela não pode ter.

Quando assiste a um filme com herói e bandido a criança fica desejando ser aquele herói, mas não sabe que perigos pode enfrentar se realmente deixar sua imaginação tornar-se realidade e querer vencer o bandido real quando ele aparecer verdadeiramente.

A criança que ainda pequenina assiste a filmes de terror com monstros, bruxas e outros bichos que usam da violência mais tarde sofrerá danos que serão comparados com esses filmes, o que não diz a verdade. É muito importante que a criança mais velha, aquela que fica em casa sozinha cuidando dos irmãos mais novos, saiba lidar com essa situação.

Outro dia presenciei um programa policial que mostrava um homem assassinado a tiros de arma de fogo e várias crianças ao seu redor observando aquela cena, se isso ocorre na vida real imagine na televisão. Estamos diante de um lobo mau que se finge de bonzinho muito pior do que o lobo mau dos três porquinhos que nunca precisou mentir e sempre disse ser o lobo mau de verdade.

Comportamentos de risco, tais como: tabagismo, álcool, promiscuidade, gravidez na adolescência dentre outros riscos são fatores que a televisão não se preocupa com quem está do outro lado assistindo. Sem contar com a questão da obesidade, pois a criança que passa o dia inteiro de frente a televisão não tem tempo para um esporte nem para os amiguinhos se sente isolada, também.

Muitas crianças que assistem televisão ficam impressionadas com as propagandas de tênis, bolas, telefones móveis, computadores portáteis, camisas, perfumes e brinquedos muito além dos padrões financeiros dos seus pais, com isso muitas delas tendem a roubar dos amigos alguns bens que gostariam de ter ou começam a ter inveja dos amigos que possuem o que elas não têm ou pior ainda ficam com vergonha de ir à escola porque não têm um tênis de marca.

A propaganda influencia a mente da criança de uma forma perigosa e assustadora, porque ela é feita com o objetivo de consumo mesmo, do alto consumo.

A alteração dos padrões do sono também é muito constante na criança pequena seja por ter assistido a um filme de terror e ficou assustada, logo não consegue dormir, seja por ter ficado até tarde assistindo a um filme de sua preferência e perdeu a hora de acordar no outro dia. É outro problema grave da televisão brasileira quando inventa de passar filmes infantis nos horários impróprios para crianças.

O lobo mau dos três porquinhos assoprou a casinha de palha e derrubou, assoprou a casinha de madeira e derrubou, mas assoprou a casinha de tijolos e não conseguiu derrubar, porque o outro porquinho experiente sabia que uma casa de tijolos jamais seria derrubada com um simples assopro.

Os pais podem apresentar caminhos de aprendizagem aos seus filhos sobre os perigos da televisão, censurar aqueles programas que eles não devem assistir, estabelecer horários e procurar com que eles tenham outros tipos de distração dentro de casa, mesmo aqueles que os pais passam o dia fora precisam estar preparados para esse perigo mascarado de bonzinho.

A criança mais velha precisa ser inteligente e saber que alguns programas e canais de televisão são prejudiciais para a sua educação e a dos seus irmãos. O difícil é como ganhar esse ensinamento, se quem ensina quase tudo é a televisão.

Até o sono da criança que assiste televisão, sem limites, é perturbado com pesadelos assustadores durante a noite, fazendo com que essa tenha medo de dormir sozinha no seu quarto.

Os pais não precisam matar o lobo mau, ou seja, quebrar a televisão, mas precisam ensinar seus filhos a se protegerem das suas ameaças assim como o porquinho mais velho foi ensinado por alguém a se proteger e proteger os seus irmãozinhos.

O futuro da humanidade – Escravos da tecnologia.

Mas, infelizmente, nossas crianças, por mais crescidinhas que estejam, não têm essa sabedoria do terceiro porquinho, porque não estão educadas a pensar criticamente, pensam através do que lhes é ensinado pelos pais ou professores.

Alguns pais e professores, na maioria das vezes, só fazem criar traumas com as crianças com a famosa frase “o bicho papão vai pegar você”. É triste, mas verdadeiro. Apesar de que se a criança desenvolver seu pensar, ou seja, sua inteligência ela poderá salvar-se e salvar seus irmãozinhos dos males da televisão brasileira (o lobo mau do século XXI).

Toda criança que tem sua inteligência desenvolvida consegue discernir o certo do errado, o bom do ruim, ela faz um filtro daquilo que é melhor para si mesma. No entanto, esse filtro diante da televisão fica muito difícil, porque como já dissemos anteriormente é um perigo sutil e astucioso, um espinho vestido em flor.

Em verdade, a criança deverá amadurecer sozinha, enfrentar os perigos da vida moderna de forma para saber lidar com eles, já não há mais tempo para pais ou professores voltarem aos tempos das fábulas de Esopo, com lições de moral. Urge ficarmos vigilantes a esse amadurecimento que não pode ser precoce, mas à medida que a criança vai se desenvolvendo.

Aqui que se encontra o grande perigo da televisão: como desafiar o lobo do nosso século quando nossas criancinhas ainda não têm amadurecimento suficiente para enfrentá-lo? Como? Fica a questão para nossa reflexão.

Se os pais pudessem substituir a televisão por um carrinho de brinquedo, uma boneca, um livro ou uma brincadeira qualquer tudo se tornaria mais fácil, mas a televisão é poderosa tem seus modos de encantar a criança, sabe como prendê-la diante de um programa a preferir brincar ou fazer uma leitura.

Estamos diante de um lobo mau perverso, assustador, manipulador, dez mil vezes pior do que o lobo mau dos três porquinhos, pois esse está fantasiado de bonzinho e quando quer ele se torna bonzinho também, por isso é muito difícil lidar com esse lobo, a forma mais correta é fazer a criança perceber suas iras e garras e só se aproximar dele quando não estiver faminto, ou seja, quando seus programas forem interessantes para sua idade.

Os pais, sábios por natureza divina, devem perceber quando seus filhos começarem a apresentar certos hábitos pela televisão ou por alguns tipos de programas específicos para reparar esse problema o mais rápido possível.

Não podemos deixar nossas crianças entregues à televisão, fingindo que ela não é um grande mal que pode prejudicar, mais tarde, seu desenvolvimento intelectual e social, provocando distúrbios de sono, medo, violência, traumas etc.

Quanto mais construírem suas casas de tijolos, mais os pais estarão mostrando aos seus filhos que não adianta construir casas de palha ou de madeira para se protegerem, ou seja, não adianta trancar a televisão no quarto, não colocar televisão no quarto da criança.

Nada disso é preciso fazer, mas mostrar à criança que não é preciso esquecer a janela aberta para o lobo mau entrar dentro de casa, porque ele já convive conosco.

O que precisamos é saber educar esse lobo com valores e virtudes morais que são quase esquecidos atualmente no cotidiano da educação de uma criança. Tarefa essa entregue à escola no seu Ensino Religioso que muitas delas retiraram do seu currículo, infelizmente.

Apaixonada por Geografia e por cultura de diferentes povos

Na primeira matéria da Série Destaques Protagonistas da Educação,
Graziela Bergonsi Tussi revela um pouco de sua história,
do seu compromisso com o conhecimento e de sua fascinação
em conhecer o mundo viajando e conhecendo pessoas de
diferentes culturas e etnias com o intuito de dividir
este conhecimento com seus alunos.

 

Graziela Bergonsi Tussi é professora da rede municipal e particular de Passo Fundo, dançarina em um grupo de danças folclóricas.

Formada em Geografia e apaixonada por idiomas (já estudou inglês, alemão e espanhol, idioma na qual atua como professora em uma escola de língua e cultura), demonstra apreço e fascinação por culturas dos diferentes povos, a partir dos estudos em Geografia e de suas viagens a diferentes países, em busca de conhecimento.

Suas viagens, programadas para o período de recesso escolar ou de férias, são uma grande fonte de ensinamento no retorno de suas aulas, junto aos alunos das séries finais do Ensino Fundamental.

Ela usa sua experiência de conhecimento e convivência com outros povos e culturas para envolver seus alunos nesta fantástica aventura de desbravar o mundo, conhecendo e reconhecendo as “diferentes gentes” que o habitam.

Neste bate papo, Graziela, ou prô Grazi, vai revelar um pouco de sua história, do seu compromisso com o conhecimento e de sua fascinação em conhecer o mundo viajando e conhecendo pessoas de diferentes culturas e etnias.

 

Professora Graziela, quando e porque surgiu este seu desejo de conhecer o mundo, através de viagens, com o propósito de conhecer diferentes culturas?

Sempre tive vontade de conhecer o mundo, desde criança sou muito curiosa, e meus pais sempre alimentaram isso em mim. Mas em 2009 tive a oportunidade de apresentar um trabalho no Encontro de Geógrafos da América Latina, em Montevidéu, Uruguai. E quando cheguei lá, percebi que meu lugar era no mundo.

 

Quantos países você já conheceu? Pode citá-los?

Conheci 9 países: Uruguai, Argentina, Peru, Panamá, México, Canadá, Alemanha, França e Holanda.

 

 

Fale para a gente das experiências mais marcantes.

Ver onde era o Muro de Berlim, na Alemanha, conhecer as Cataratas do Niágara, no Canadá e conhecer as três regiões do Peru (costa, serra e selva) através de uma rota não turística, podendo vivenciar como é o cotidiano daquele povo maravilhoso.

 

Conte para a gente como a dança entrou na sua vida e como esta está relacionada com a forma de conhecer diferentes países do mundo?

Foi algo inesperado. Fui voluntária do Festival Internacional de Folclore em agosto de 2016, do grupo do Peru. Ficamos muito amigos e eles me incentivaram muito a dançar, me diziam que a dança abria portas, e eu já havia dançado na invernada da escola, quando era mais nova. A vontade estava lá, escondida, e eles reacenderam isso em mim.

Entrei no Grupo de Danças Folclóricas da Universidade de Passo Fundo em setembro do mesmo ano, e em janeiro de 2017 fui visitá-los no Peru, foi inesquecível. Em julho do ano passado fomos num Festival de Folclore no México com o grupo da UPF, representando nosso país, juntamente com a Catalunha e a Colômbia. É maravilhoso fazer parte de tudo isso.

 

Como usas o conhecimento e a experiência adquiridos durante suas viagens, em suas aulas com estudantes das séries finais do Ensino Fundamental? Como os alunos recebem estas informações?

Procuro sempre exemplificar as aulas que dou com as situações que eu vivi. Eventualmente trabalho algum vídeo ou imagem, além dos mapas que coleciono por onde passo.

Como trabalho com duas realidades bem diferentes (da escola pública e da escola privada), aprendo muito e “troco figurinha” com a vivência dos alunos do ensino privado. Por outro lado, procuro sempre incentivar meus alunos da escola pública a estudarem e serem curiosos, pois vim de uma família que sempre apoiou o estudo, mas não tinha como financiar minhas viagens. Mostro a eles que é possível sim melhorar nosso futuro, é só querer e buscar.

 

Como vês a educação no Brasil e a educação de países que visitastes?

Penso que somos muito próximos no quesito educação básica, no que se refere a estrutura curricular da maioria das escolas, principalmente das públicas. Na América Latina é visível a preocupação com salário e valorização da educação, da mesma forma que aqui.

Na Alemanha visitei uma escola secundária, que tem exatamente a mesma estrutura que as nossas. Qual é a grande diferença? Eles investem na formação do professor, que tem sua carga horária cumprida na escola, e que faz todo seu trabalho na escola, pois tem tempo e espaço para isso. Além disso, o professor é uma das profissões mais valorizadas lá, sendo que só os melhores alunos das escolas podem concorrer a uma vaga de licenciatura.

 

Indicarias esta estratégia de conhecimento (intercâmbios e viagens), a outros professores ou professoras de geografia? Por quê?

Com certeza. Sei de todas as dificuldades que temos financeiramente sendo professores, mas o ganho que temos de ver “in loco” aquilo que sempre vimos na teoria, é gratificante. Seja para passeio, apresentação de trabalho ou intercâmbio de idiomas, viajar dá sentido ao estudo da Geografia.

 

Qual é a importância de realizar viagens de estudos com os estudantes, visitando locais onde se encontram pedras preciosas e águas termais?

Nas escolas onde trabalho, fazemos projetos que falam sobre os temas. Nunca saio com alunos para viagem de estudos sem um roteiro. E sempre trabalho em equipe, com professores de outras disciplinas.

Estudar a estrutura de uma rocha, como ela se transforma em algo de valor econômico, como é a transformação de uma pedra bruta para uma joia, por exemplo, pode ser trabalhado em sala de aula, tanto em ciências quanto em geografia, mas se podemos ir até uma indústria de transformação de pedras, porque não?

Da mesma maneira a água termal. Trabalhamos a água, desde sua nascente até a poluição, e a água termal, que faz parte do nosso lazer, também é importante. Pensando nisso, fazer uma viagem de estudo que concilie com lazer, é fazer com que o aluno perceba que ele pode estudar se divertindo. Sempre que vamos a um parque de águas termais, assistimos palestras e estudamos em sala de aula suas propriedades medicinais e também a importância econômica do lugar visitado para a região.

 

O que mais te realiza na profissão?

Saber que quase sempre tenho alunos curiosos como eu em relação ao mundo e à cultura.

 

Defina-se com uma frase.

“Para viajar basta existir”. (Fernando Pessoa)

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