Casa da Mãe, lugar de irmãos

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Nós, católicos, não adoramos Nossa Senhora, pois adorar é reconhecer alguém como Deus e prestar-lhe culto supremo. Na doutrina católica, a adoração é devida somente a Deus. Nós veneramos Nossa Senhora pelo respeito e dignidade que Ela merece, como Mãe de Deus e nossa intercessora.

A devoção popular a Nossa Senhora Aparecida começou ainda no ano de 1717, quando três pescadores receberam a missão de apanhar peixes para o banquete oferecido ao Conde de Assumar, governador da província, que iria visitar o povoado de Guaratinguetá, em SP. Um tanto frustrados, pois sabiam que, se não conseguissem, sofreriam consequências, decidiram lançar suas redes mais uma vez. Foi então que, no rio Paraíba do Sul, pescaram primeiro o corpo e depois a cabeça de uma imagem de terracota da Virgem Maria, unindo-as milagrosamente, iniciando uma história que foi adquirindo, cada vez mais, significado para o povo, tanto é que, no ano de 1930, foi declarada a padroeira do Brasil.

Em 1980, o governo brasileiro decretou o dia 12 de outubro como Feriado Nacional Oficial em honra a Nossa Senhora Aparecida, data em que milhões de fiéis participam de romarias, procissões, missas e visita a santuários, em todo o país.

Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, não é diferente. A Romaria realizada na cidade é um dos maiores e mais expressivos eventos religiosos da região sul do Brasil. Celebrada sempre no segundo Domingo do mês de outubro, reúne dezenas de milhares de fiéis que viajam de diversas cidades para demonstrar sua fé, agradecer por graças alcançadas e renovar seus pedidos à padroeira do país e da Arquidiocese de Passo Fundo.

Ainda é madrugada, quando as ruas e avenidas da cidade são tomadas de devotos, que percorrem muitos quilômetros a pé, para prestar sua homenagem a Mãe Aparecida. Todos caminham na mesma direção, para a casa da Mãe, onde se encontram com os irmãos. Cada romeiro expressa, do seu modo, o amor e o respeito para com Nossa Senhora, andando com os pés descalços, carregando flores, velas, crianças vestidas de anjos e com o manto de Nossa Senhora Aparecida. Enfim, o evento é marcado por uma grande expressão de fé.

A Romaria fortalece a identidade cultural da região, promovendo a solidariedade, a paz e a comunhão entre pessoas de diferentes idades e classes sociais, unidas pela mesma devoção.

Aliás, é bom que se diga que nós, católicos, não adoramos Nossa Senhora, pois adorar é reconhecer alguém como Deus e prestar-lhe culto supremo. Na doutrina católica, a adoração é devida somente a Deus. Nós veneramos Nossa Senhora pelo respeito e dignidade que Ela merece, como Mãe de Deus e nossa intercessora. Essa distinção é fundamental para compreender a profundidade da nossa fé, que não diminui a glória divina, mas exalta a grandeza de Deus por meio da obra que Ele realizou em Maria.

A Romaria, portanto, não é apenas um ato de devoção popular, mas também um testemunho público dessa fé, que reconhece em Maria o exemplo perfeito de entrega à vontade de Deus.

Cada passo dado em direção ao santuário é uma oração silenciosa, um gesto de confiança e um ato de amor. A Romaria nos convida a refletir sobre a nossa própria jornada de fé. Assim como Maria se colocou a caminho para visitar Isabel, nós também somos chamados a sair de nós mesmos, a ir ao encontro do outro, a levar a alegria do Evangelho a quem precisa.

A figura de Nossa Senhora Aparecida transcende a dimensão estritamente religiosa, consolidando-se como um dos maiores pilares do patrimônio cultural, histórico e da identidade nacional brasileira. Reconhecida oficialmente como a Padroeira do Brasil, sua representação está intrinsecamente ligada à formação sociocultural do país.

Que Nossa Senhora Aparecida continue a nos inspirar e guiar em cada passo de nossa caminhada. Que sua bênção maternal nos fortaleça na fé, na esperança e na caridade, para que possamos ser instrumentos de paz e amor em nossas comunidades.

Fotos: Ladir Casagrande

Autor: Padre Ladir Casagrande. Natural de São Valentim do Sul – Formado em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo, em Teologia pelo Itepa e Comunicação Social pela Unisinos. Atualmente estou como pároco da Paróquia Santo Antônio em Passo Fundo, vice-diretor do Grupo Planalto de Comunicação e coordenador da Caritas Arquidiocesana de Passo Fundo.

Edição: A. R.

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  1. Nós, católicos, não adoramos Nossa Senhora, pois adorar é reconhecer alguém como Deus e prestar-lhe culto supremo. Na doutrina católica, a adoração é devida somente a Deus. Nós veneramos Nossa Senhora pelo respeito e dignidade que Ela merece, como Mãe de Deus e nossa intercessora.(Autor Ladir Casagrande)

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