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Carta à comunidade escolar Escola Protásio Alves e comunidade de Passo Fundo

Como já dizia Rubem Alves,
“escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.
O que elas amam são os pássaros em vôo”.

 

Sou Nei Alberto Pies, professor, escritor e editor de um site de educação, cidadania e espiritualidade.

Escolhi ser professor da Centenária Escola Estadual Protásio Alves porque sempre vi nesta grande escola um pouco da história de minha cidade, Passo Fundo.

A contribuição desta primeira escola estadual para a história de Passo Fundo é imensa e de grande valor histórico, cultural e social.

 

Também fui ser professor desta escola porque nela vi a possibilidade de exercer o magistério a partir dos conhecimentos das diferentes religiões, pela disciplina do Ensino Religioso, tanto no Ensino Fundamental, quanto do Ensino Médio.

Nunca pensei em ser Vice-diretor. Minha escolha sempre foi de exercer o magistério a partir das salas de aula. Porém, ao deparar-me com uma realidade de gestão interna de extrema complexidade na escola, envolvendo colegas professores, alunos e funcionários, decidi aceitar o convite para compor uma Chapa e colocar-me a disposição para assumir compromissos de gestão que possam elevar o respeito, a credibilidade e a consideração desta Escola para com os nossos alunos, professores, funcionários, pais e comunidade de Passo Fundo. Muita gente da nossa comunidade sabe disso, porque acompanhou em período recente, desdobramentos que levaram, inclusive, a destituição do diretor desta escola.

Acredito que precisamos, merecemos e podemos elevar a condição social e pública de nossa Escola Estadual Protásio Alves superando o medo, as mentiras e fofocas, o ambiente belicoso e tenso entre direção, professores e funcionários, a falta de ética, a falta de transparência nas ações administrativas com uma proposta de gestão compartilhada, que tenha por fundamentos a EDUCAÇÃO e a HUMANIZAÇÃO.

Para termos uma escola boa, precisamos de QUALIDADE SOCIAL NA EDUCAÇÃO. A qualidade social acontece quando todos que participam da escola se sentem bem. Os alunos se sentem felizes por estudar. Os professores se realizam na escola trabalhando e sendo respeitados. Os funcionários estão satisfeitos por colaborar na escola. Os pais que acessam a escola são bem acolhidos e valorizados.

Os alunos não precisam de bajulação, precisam de apoio, incentivo e bons desafios para que não percam vontade de estudar. Os alunos não devem ser manipulados, mas devem ser emancipados para as suas conquistas e sua liberdade de ser, de pensar e de agir.

Como já dizia Rubem Alves, “escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo”.

Com propostas concretas, pé no chão, a Escola Protásio seguirá rumos seguros e consistentes. Estas propostas valorizam o protagonismo dos estudantes e dos professores. Valorizam o ambiente físico da escola, tornando-o aconchegante, bonito e prazeroso. Valorizam as capacidades, as inteligências e a criatividade da galera jovem que deseja ser, pensar e agir a seu modo e a seu jeito, respeitando as diversidades. Valorizam a organização dos estudantes, apoiando a formação de um Grêmio Estudantil, justamente porque este também é um espaço de construção social dos futuros líderes da sociedade.

Uma boa gestão escolar deixa acontecer e coordena, organiza, valoriza e apoia todas as iniciativas pedagógicas de relevância que qualificam a aprendizagem dos alunos. Mas também propõe, discute, sabe ouvir, faz mediações e organiza as condições para que ocorra boa aprendizagem.

Uma escola é feita por todos e todas. Não há somente um que faz e outros que só discursam e sonham. Aliás, o que seria da educação se ela não promovesse o anúncio de esperanças!

Uma disputa de diferentes chapas na escola é feita justamente para que a comunidade escolar possa conhecer propostas para melhorar uma escola e para que possam escolher perfis, habilidades e qualidades dos futuros gestores.

Uma gestão compartilhada e democrática saberá promover a socialização e a construção do conhecimento como pilares e funções da escola contemporânea. Saberá priorizar as relações humanas dos seres aprendentes que estão em permanente processo de humanização: os alunos, os professores, os funcionários e os pais e mães.

O maior desafio da escola contemporânea é a humanização. Humanização significa apostar que o ser humano pode ser melhor, através do conhecimento crítico e reflexivo. A superação da ignorância e da violência será pelo conhecimento e pela relação dialógica de seres que se respeitam e que promovem a cidadania, a democracia e a felicidade de cada um e de todos.

O Protásio Alves merece ser uma escola legal onde se possa aprender, conviver e ser feliz!

Integrantes da Chapa 1 que concorre às eleições na Escola Protásio Alves no dia 27 de novembro de 2018.

Existe “consciência negra”, mas não existe “consciência humana”

“Consciência negra” enfatizada em um dia, uma semana ou um mês não é bobagem. É através de periodizações desse tipo, que atraem a mídia e outros elementos formativos e informativos, que uma “consciência” abre espaço para que elementos empíricos possam criar suas identidades sociais de minorias.

 

Existe “consciência negra”, mas não existe “consciência humana”. Isso é uma verdade, se estamos na sociologia. E, no caso, estamos na sociologia.

Consciência humana é toda e qualquer consciência. Assim, “consciência humana” é uma expressão toda, unificada, em que o “humana” funciona não como adjetivo do substantivo consciência, mas apenas como uma peça reiterativa.

Na sociologia, não faz sentido falar em “consciência humana”, pois a ideia de consciência X ou Y está ligada à ideia de identidade social. Há, então, “consciência negra”, “consciência operária”, “consciência feminista” etc.

Identidades sociais são formadas por tais “consciências”, ou seja, a capacidade de ter um pensamento próprio, um modo cultural e determinado de apreciar o mundo e de se reconhecer no mundo como um diferente a partir da inserção em um grupo.

Faz sentido dizer “eu sou negro e não tinha uma consciência negra, agora tenho”. Não faz sentido dizer “eu sou humano e não tinha uma consciência humana, agora tenho”. Quem não entende isso vai insistir, erradamente, em querer destituir de importância as datas referentes à “consciência negra”. Fazendo isso, na certa estará contribuindo exatamente para o arrefecimento dos ganhos trazidos pela consciência negra.

“Consciência negra” enfatizada em um dia, uma semana ou um mês não é bobagem. É através de periodizações desse tipo, que atraem a mídia e outros elementos formativos e informativos, que uma “consciência” abre espaço para que elementos empíricos possam criar suas identidades sociais de minorias. Isso se faz necessário para que não tenhamos apenas uma massa de carne humana vivendo, mas homens e mulheres inseridas em culturas distintas, capazes então de nos dar nosso melhor, que é a criatividade gerada pela diferenciação de necessidades, gozos, aspirações e epistemologias.

A “consciência X” é sempre uma qualidade não empírica. Nenhum homem ou mulher a possui, ela e uma expressão significativa ou, para alguns filósofos, um conceito. Utilizamos do conceito para saber o quanto, na nossa vida cotidiana, no mundo empírico, agimos e pensamos segundo os dispositivos normativos do conceito ou não.

“Faltou-me consciência de negro”, pode dizer um negro que não percebeu que deveria buscar a lei antirracismo para se proteger ou para denunciar uma injustiça. Ninguém diria “faltou-me consciência humana” ou “ele não tem consciência humana”. O que se diz é: “ah, faltou-lhe humanidade”, ou seja, ele não agiu como os humanos devem agir quando se diferenciam das bestas por X ou Y.

Época de “consciência negra” é época em que as pessoas podem dizer para o Demétrio Magnoli e outros empertigados que negro não é cor da pele, mas cultura, e ninguém é negro, as pessoas se declaram negras se se inserem na cultura negra. As cotas, portanto, são para os que se declaram negros, e avalia-se isso pela boa fé e pela razoabilidade de se reconhecer quem pertence e quem não pertence a uma dada cultura declarada.

As cotas não precisam de tribunais. As cotas são para que minorias se integrem rapidamente no seio da maioria, ainda que preservando sua identidade. A política de cotas é solicitada exatamente por quem não é só negro, mas é negro com “consciência negra”, e pelo branco inteligente que entendeu que acelerar o processo de diminuição de preconceitos é acelerar uma bola de neve necessária.

Fonte: ghiraldelli.pro.br

 

 

 

Centavos e milhões

Centavos e milhões representam, respectivamente,
miséria, subnutrição e fome, de um lado, e,
de outro, riqueza, luxo e ostentação:
ambas crescem em proporção
recíproca e exponencial.

 

Existem aqueles que poupam e juntam os centavos pelos quatro cantos da casa, para pagar o pão e o leite do dia seguinte; e existem os que, em uma só jogada de gala, atiram pela janela milhões em uma aposta na corrida de cavalos.

Alguns, num único encontro com os amigos, desperdiçam fortunas nos manjares mais requintados, regados com os licores e vinhos mais finos; e outros, do lado de fora, como o pobre Lázaro do Evangelho, anseiam pelas migalhas que caem da mesa do banquete. Há gente pela rua que, de daqui e dali, recolhe seus parcos pertences, na tentativa de passar a noite ao abrigo de qualquer cobertura, fugindo da chuva e do frio; e há gente que sequer sabe quantas mansões possui espalhadas pela cidade, pelo campo ou pela praia, em grande parte vazia.

Multidões marcham, dia após dia, por quilômetros e quilômentros, em busca de um solo que possa ser chamado de pátria; uma minoria de proprietários acumula em suas mãos terras e mais terras, em latifúndios vazios e improdutivos…

Os exemplos poderíam multiplicar-se por páginas e páginas. Centavos e milhões representam, respectivamente, miséria, subnutrição e fome, de un lado, e, de outro, riqueza, luxo e ostentação: ambas crescem em proporção recíproca e exponencial.

Trata-se, evidentemente, de casos extremos. O espectro das assimetrias socioeconômicas, na realidade, é bem mais diversificado, plural e complexo. Entre os polos opostos, o cenário das desigualdades entre indivíduos, grupos, empresas, empreendimentos, conglomerados, classes, regiões ou países – descortina uma imensa variedade de situações intermediárias.

Os extremos, porém, servem para alertar-nos sobre a estrutura atual da economia globalizada, onde o pico e a base da pirâmide social aprofundam cada vez mais o abismo que divide o andar de cima dos andares de baixo. O quadro vem se agravando progressivamente a partir da crise da década de 1970, a tal ponto que nestes 50 anos os andares médios da pirâmide (onde efetivamente existiam) sentem-se cada vez mais sacrificados e relegados. Disso resulta a coexistência de um pequena porção de super ricos, ao lado da enorme massa de “os condenados da terra”, para usar o título da obra de Frantz Fanon, publicada pela primeira vez ainda em 1961.

Isso significa que a economia mundial hoje, nos moldes em que se desenvolve, produz contemporaneamente concentração de renda e exclusão social.

Os economistas, sociólogos e demais estudiosos não se cansam de ilustrar semelhante disparidade através de dados e números, estatísticas e tabelas, gráficos e percentuais de análises cada dia mais alarmantes. A crise prolongada do último meio século constitui terreno fértil para quedas e falências, bem como para ascendências e oportunismos anômalos.

Como todo estado de incerteza e insegurança, é também terreno fértil para projetos políticos igualmente anômalos. Daí a onda da extrema direita que, a partir dos Estados Unidos, vem se estendendo pelas mais variadas partes do planeta, chegando ao continente verde e amarelo chamado Brasil.

Com fúria inusitada, alastra-se e se consolida o nacionalismo de épocas pretéritas. Revestido com a máscara do populismo, o renascimento de uma identidade nacional mórbida e doentia não se resume, porém, a um punhado de candidatos recentemente eleitos. Ela brota e cresce a partir do chão, do medo difuso entre determinados estratos da população.

São os representantes dessas fatias populares que, nas urnas, depositam sua confiança em “regimes fortes”, elegendo políticos duros e intolerantes, como se a força bruta fosse o único meio de exorcizar o fantasma da desordem econômica e social.

Está em jogo, além disso, uma espécie de identidade nacional baseada não tanto sobre os valores culturais e históricos de um povo, e sim sobre uma atitude de oposição, não raro gratuita e intransigente, diante de quem chega de fora – o outro, o diferente, o estrangeiro. Estrangeiro como estranho, como problema, risco e ameaça, pronto para representar o papel de “bode expiatório” dos tempos contemporâneos.

O resultado aparece em forma de estridente contradição. De uma parte, dada a situação de crise, a qual sempre sacrifica os povos, regiões e países menos desenvolvidas e mais vulneráveis, multiplicam-se a fuga, o êxodo, a marcha ou a migração sistemática de milhões e milhões de pessoas. Deixam a pobreza e a violência, na tentativa de encontrar o trabalho, o pão e a paz. Tornam-se prófogos, refugiados, errantes. De outra parte, a visão fechada, discriminatória e intolerante da política econômica induz a uma legislação antimigratória e xenofóbica. O impasse tem reflexos imediatos e cinematrográficos nas fronteiras geográficas, em modo particular naquelas que separam as economias centrais dos países periféricos.

Dançamos nós

Nada mais importante
do que livros e professores.
É hora de prestarmos atenção.
Porque se não reagirmos dançamos nós.

 

 

Um sujeito de chapéu e terno azul entra na sala de aula. Ele chega dançando e seus movimentos estão muito bem sincronizados com a música. Então a professora e os alunos o acompanham e dançam também.

A cena faz parte do comercial de uma grande empresa. É tudo de primeira: a fotografia, a montagem, a coreografia, a direção. Toda a estética contida em poucos segundos encobre o horror.

Vejamos. O dançarino não bateu na porta da sala de aula. Ele não pediu licença ao professor. Tomou conta do ambiente e fez do local seu palco. Pior: a professora se deixou contagiar e dançou. E todos dançaram.

É obvio que a grande empresa não teve intenção de humilhar ou denegrir ninguém. Ainda assim aprovou a publicidade que, de certa forma, reflete a cara da sociedade brasileira de hoje. A sala de aula não é tão importante assim. A alegria e a desenvoltura do sujeito de chapéu e terno azul se sobrepõem. A autoridade do professor foi para o brejo, sua aula pode ser invadida e transformada sem que isso pareça desaforo.

Não é de admirar. Hoje, de um modo geral, os professores apanham dos alunos, são espinafrados pelos pais e, conforme as direções, precisam se adequar aos novos tempos. No novo modelo, aluno não é mais aluno, é cliente.

Baseada na filosofia do “cliente tem sempre razão” a publicidade reforça o pensamento insuportável de que piada e descontração valem mais do que respeito a quem ensina e ao próprio Ensino. Está certo, professor não precisa ser carrancudo, mas poderia ter papel mais digno (sem mencionarmos como deveria ter melhor formação, salário e condições de trabalho) e a aula não deve ser um tormento, mas precisa ensinar.

Por que a publicidade não presta mais atenção às mensagens – nem tão subliminares assim – que espalha? Por que o sujeito de chapéu e terno azul não aparece lendo um livro? Nada mais importante do que livros e professores. É hora de prestarmos atenção. Porque se não reagirmos dançamos nós.

Como escritor, Luis Dill foi brindado com uma interpretação de conto seu. Confira a resenha e a história.

“Conteúdo”, baseado no conto homônimo de Luís Dill, conta a história de um adolescente que, na véspera do vestibular, tem sua vida transformada e deve tomar decisões sérias em relação ao seu futuro. A maneira como seus pais encaram a situação é fruto de uma relação familiar desgastada e preconceituosa, e revela a falta de comunicação. Realmente enxergamos quem convive conosco? Ou só vemos aquilo que queremos ver?

Professor de história

O professor de História tem a mesma
bagagem universitária de um advogado, um médico,
um engenheiro e um jornalista e, como estes,
também tem opinião e convicções.

 

Nos dias atuais, uma das funções que se tornou alvo de intensa vigilância e verdadeira perseguição por segmentos da extrema-direita é a de professor de História. Alguns andam com medo.

Sua formação lhe possibilita tomar o passado e o presente como objetos de seu estudo e da sua análise crítica. Daí passou a ser visto como perigoso, já que o conhecimento usado como ferramenta de reflexão, gera transformação.

Isto acontece desde os tempos da Grécia antiga. Por isso, os pensadores, os filósofos e educadores eram recebidos com rancor e inconformidade. A fúria dos intolerantes matou Sócrates.

Numa aula de História os estudantes aprendem a analisar o passado e a pensar sobre o futuro; a ter e a dar opinião; a dialogar com seus pares, sem levar em conta gêneros, etnias, cores, classes etc.

“A aula de História compartilha o mistério da generosidade, porque ela inclui ao invés de excluir” (Nilton Mullet Pereira – Historiador-UFRGS)

Foto: Divulgação

O professor de História tem a nobre missão de levar às novas gerações o estudo do passado de forma contextualizada. Não de forma ingênua, fria e neutra. Cabe a ele o estudo crítico da herança deixada pelas gerações anteriores.

Ser imparcial não significa não ter opinião. O professor de História tem a mesma bagagem universitária de um advogado, um médico, um engenheiro e um jornalista e, como estes, também tem opinião e convicções.

A análise crítica ele faz em um ambiente aberto, de respeito pelas opiniões e, é óbvio, com a garantia do contraditório.

O patrulhamento vem dos defensores da estapafúrdia tese da “escola sem partido”, donos de uma compreensão das mais estreitas do que é educação e do que é ensinar.

 O que é a Lei Escola sem Partido? 

 

Tais pessoas, de um reacionarismo espantoso, acreditam piamente no mito da neutralidade da ação docente, segundo o qual, o professor não tem cara, não tem lado, não toma partido, não pensa, nem intervém de modo transformador na realidade social.

Dizem que querem acabar com a doutrinação, mas é justamente a sua doutrinação que eles querem impor às escolas.

Como asseverou o historiador e doutor em educação pela UFRGS, Nilton M. Pereira “perseguir, vigiar, desconfiar de professores em função de sua aula é um ato de barbárie”.

O passado nos legou lições de sociedades doentes que permitiram colocar barreiras para o pensamento e para a educação da juventude, com resultados desastrosos.

Gravar aulas de professores foi incentivada por uma deputada eleita em Sta. Catarina, mas ela ia para a sala de aula com camiseta do Bolsonaro. O presidente eleito também se mostrou favorável a este tipo de censura e patrulhamento. Uau!

O ensino de história é a base da formação do cidadão político. Obviamente ela trata de política, como também de economia, da sociedade e da cultura. Sua missão não é elencar meros detalhes.

É evidente que a história que faz apologia não tem nenhum valor para a educação, como também a história que não desenvolva a capacidade crítica. Para tratar história com fundamentação científica, o professor precisa desenvolver capacidades intelectuais nos alunos, caso contrário não é ensinar história.

Educar é um ato político em seu sentido histórico: a discussão da pólis em que vivemos e na qual queremos viver.

Na verdade, os defensores da “escola sem partido” querem que ela tome o seu partido. São inimigos da liberdade, da livre expressão e da educação.

Se pudessem, condenariam Sócrates a novamente tomar cicuta!

A história da educação no Brasil, assim como na maioria dos países ao redor do mundo, coincide com a história da discriminação de gênero. A formação da sociedade brasileira, marcada pelo patriarcalismo, pelo autoritarismo e pela influência da Igreja Católica, reflete diretamente na constituição da educação formal no país, com total exclusão das mulheres e afirmação do machismo”. (José Ernani de Almeida) 

Identidade de gênero

 

O desafio de fato: da esquerda? Não, da humanidade!

Ou entendemos esse novo formato cibernético
que chamam de guerra híbrida e suas armas ou
seremos engolidos como civilização humanista.

 

Correndo o risco de ser uma interprete da ficção, mas não posso me furtar da realidade que vejo!

O velho discurso sobre os pecados que a esquerda tem de pedir perdão são na verdade um grande engodo que não permite ver com clareza o que verdadeiramente está acontecendo. Por que a esquerda deveria pedir perdão? Por governar, por ter um programa de governo? Por ter alguns corruptos? Mas qual instituição não tem? Qual mal fizeram a humanidade brasileira no pós comunismo da guerra fria?

No geral foi muito bem sucedida em termos humanos e sociais, então porque pedir perdão? O buraco é mais embaixo! Não nos iludamos!

Estamos lidando aqui na verdade com uma estratégia cavalar, lesa-mente, cibernética como instrumento de passagem para o que houve e há de mais letal na história da civilização, o retorno do medo, da guerra, da repressão, da injustiça social de tempos seculares reeditadas sobre a humanidade por moderníssimos instrumentos de manipulação mental e emocional da humanidade.

É tempo de estudar essa realidade sob novos parâmetros. Nada de meas culpas piegas que não encontrarão ressonância diante da massiva replicação de imagens em redes televisivas e pessoais que entram direto no cérebro e acionam profundos estereótipos mortais da história da civilização. É manipulação mental pura e simples, sobre a qual poucos tem defesas, resultando numa epidemia mental que leva o povo a atuar contra si mesmo alienado do real.

Se aqueles que estão despertos não tiverem a capacidade de despertar seus semelhantes, estaremos todos num universo paralelo pré impostado de modo artificial que está acontecendo no mundo todo destruindo a civilização alcançada até então e no lugar dela impondo outro sistema que de maneira nenhuma é humano.

O que estamos vivendo é uma guerra dos mundos bem a modo dos filmes de ficção americanos, só que no caso, os humanos, com uma única arma: a consciência desperta e a possibilidade de raciocinar fora do programa. Nada fora disso resolverá a situação. Ou entendemos esse novo formato cibernético que chamam de guerra híbrida e suas armas ou seremos engolidos como civilização humanista.

A primeira questão é desenhar a proposta dessa civilização que ingenuamente chamamos de extrema-direita e os resultados disso para as necessidades e aspirações humanas, constatada a incompatibilidade com a felicidade almejada, firmar propósito num pacto coletivo de resistência crítica com propósito. O propósito máximo é o projeto humano de natureza ao bem máximo de si mesmo em todas as esferas de necessidades para a evolução renascentista sem perda de foco.

O momento é sério e definidor do futuro. Será a mente, a inteligência, o intelecto e a vontade da humanidade permanecer humana ou sucumbir de vez ao anti-Prometeu apagando de vez o fogo roubado dos deuses e que tanto custou ao protagonista Prometeu, apagado o fogo do espirito reafirmado por Cristo quanto ao potencial humano, restaremos robôs, autômatos, escravos na negação da nossa existência original.

ACORDEMOS, não há outro caminho neste momento. É tempo de entender e centrar a história da humanidade e posicioná-la ou perder de vez o protagonismo sobre o planeta. Ser humano é uma das maravilhas da vida, indiferente para a vida em si, mas profundamente importante como glória de uma espécie que ainda não desabrochou como potencial para honra de si mesmo. “Não sóis máquinas! Homens é que sois!” (Chaplin)
Não somos escravos psicofísicos da inteligência artificial imperialista, a não ser da nossa própria ignorância sobre o que é ser humano!

A poesia que nos mantêm vivos

Que triste a escola que não oportuniza
a chance de seus estudantes sonharem, chorarem,
debaterem livremente sobre o presente e o futuro.

 

Acompanhei a manifestação dos adolescentes atravessada pela maternidade e pela docência. Como mãe de duas meninas, vi o olhar de admiração da mais velha pelas colegas da antiga escola que usaram o horário do intervalo para se expressar. Ainda no campo materno, percebi pais preocupados com o excessivo espaço que a política poderia estar ocupando na formação dos filhos.

Desde então uma imagem não me sai da cabeça: era 1984. No pátio da minha escola, também na hora do intervalo, um aluno grita: pessoal, hoje vai ser votada a emenda Dante de Oliveira, que prevê eleições diretas para presidente! É um dia histórico! O aplauso foi geral, uma alegria tomou conta. Ali, embaixo daquele caramanchão, a gente se sentia vivo. Não teve professor na jogada, o intervalo terminou, e a consequência subversiva disso foi um enorme sorriso, que teimava em não sair da nossa expressão.

Que triste a escola que não oportuniza a chance de seus estudantes sonharem, chorarem, debaterem livremente sobre o presente e o futuro.

Num tempo em que boa parte da vida deles se passa na web – esta sim, cheia de riscos – a escola é o lugar mais seguro, o espaço mais preparado para mediar as possibilidades do olhar.

O que preocupa, nesta onda revisionista, é o clima de ameaça que ronda os espaços de ensino, incluindo as universidades, a suspeição sobre o papel dos professores, o questionamento sobre o sentido da autonomia do ensino.

Não deveria ser necessário, mas é preciso lembrar que a liberdade é vital para criar métodos pedagógicos e modos de pensar a sala de aula. Mas não governa sozinha. A autonomia está condicionada à Constituição Federal e a uma série de leis, normas, regimentos internos, planos, metas, reuniões, enfim. Sem falar no compromisso – por vezes centenário – de cada instituição de ensino com a ética e o desenvolvimento integral de seus jovens.

Por certo que a escola não é imune a questionamentos e erros, mas é preciso cuidar a dose, para que a atenção não ganhe o tom de censura. No lugar de prevenir, o remédio pode ter como consequência a secura.

Quando o olho de um professor para de brilhar, a escola perde a poesia. E como diz aquele professor de literatura que refundou a sociedade dos poetas mortos, nada contra as demais matérias, mas é a poesia que nos mantêm vivos.

Identidade de gênero

É preciso uma atuação da educação sexual escolar
também na direção do combate às discriminações
de gênero ou sexuais.

 

A história da educação no Brasil, assim como na maioria dos países ao redor do mundo, coincide com a história da discriminação de gênero. A formação da sociedade brasileira, marcada pelo patriarcalismo, pelo autoritarismo e pela influência da Igreja Católica, reflete diretamente na constituição da educação formal no país, com total exclusão das mulheres e afirmação do machismo.

Desde a colônia a mulher era considerada um ser inferior, que não tinha necessidade de aprender a ler e a escrever. Era o espírito medieval, reforçado pelo monopólio da Igreja Católica na educação. Somente no século 20 essa situação começou a ser revertida. Após a Revolução de 1930, surgiram as primeiras medidas educacionais voltadas para a educação de massas e com isso, as mulheres tiveram acesso à escola.

Com a Constituição de 1988, e com a redemocratização do país é que se nota também a incorporação de demandas sociais específicas na legislação. O conceito de gênero, entretanto, esteve ausente na discussão. Agora, o tema vem provocando muita polêmica diante das propostas em torno da inclusão da identidade de gênero nas escolas.

Na lógica disciplinar que atravessa práticas e discursos desde o início da Modernidade, a escola dentre outras instituições, consolidou um espaço importante na produção e reprodução de normas sociais.

Tal característica instaura o contexto escolar, muitas vezes, como resistente a propostas críticas e inovadoras, como as questões que permeiam os estudos de gênero. Foucault, entre outros autores, analisam que, ao longo da história, os corpos feminino e masculino têm sido alvos de inscrições discursivas e objeto de disciplinarização e controle, sendo atravessados pela física e pela microfísica dos poderes.

Assim, é preciso uma atuação da educação sexual escolar também na direção do combate às discriminações de gênero ou sexuais. Inserir no cotidiano escolar as discussões sobre sexualidade, afetividade e gênero é desafiador, por tratar-se de temáticas cercadas de mitos e tabus, e ainda não garantidas nos currículos de formação inicial de educadores.

É indispensável prepará-los para desenvolver uma postura crítica em relação aos processos socioculturais, dos conceitos e estereótipos presentes na educação escolar. A escola precisa sim retomar os conceitos de gênero, sexualidade, orientação sexual e identidade de gênero através de um olhar crítico sobre a construção da heterossexualidade que abriga os binarismos macho/fêmea, sexo/gênero e que historicamente contribuem para a manutenção de práticas sexistas e homofóbicas no ambiente escolar.

O silenciamento dessas discussões na escola é o mesmo que negar as plurais identidades de gênero e orientação sexuais e insistir no padrão dicotômico masculino/feminino. A educação em sexualidade deve ser compreendida na perspectiva dos direitos sexuais e reprodutivos e, estes, como direitos humanos.

É necessário entender que a realidade da escola abrange a presença de homossexuais, travestis, transexuais e gravidez na adolescência. Os professores devem estar preparados para enfrentar esta realidade.

O velho conceito que assevera “a valorização da família como o mais importante meio de educação, na formação e estruturação da sociedade”, precisa ser urgentemente revisto. Os tempos são outros. A identidade de gênero desenvolvida na escola será o mecanismo fundamental para ampliar o respeito à pluralidade sexual.

Não se trata de inferir na orientação sexual das crianças e adolescentes. Segundo uma especialista em educação, “compreendemos a sexualidade não apenas como materialidade biológica, universal e enfocada na genitália, mas sim como construção histórica, cultural e social, que articula saberes e poderes para o governo do sexo através dos corpos e das maneiras de as pessoas viverem seus prazeres”.

Para os segmentos sectários a sexualidade é entendida observando simplesmente seus componentes “naturais”. Esses só podem ser entendidos e adquirir significado graças a processos inconscientes e formas culturais.

Em Passo Fundo, no Plano Municipal de Educação a bancada do reacionarismo da Câmara de Vereadores, quer eliminar a palavra “gênero”, existente em ações previstas no Plano de Educação, o que representa um retrocesso. É um sinal inequívoco da pressão de igrejas e lobby conservador. Tomara que a Câmara demonstre uma postura independente e não seja conivente com posturas homofóbicas, de discriminação, ódio e violação de direitos.

Ideologia de gênero não existe. Você não pode ensinar uma pessoa qual orientação sexual ela vai ter, ela já nasce com isso. A diversidade é uma variação genética, igual ter olho verde, ser canhoto, ser loiro etc.

 

Reconstruir laços fraternos

Com compaixão e prudência,
precisamos enfrentar esta cisão social,
tecendo redes de afetos pelo diálogo.

 

Vivenciamos recentemente um período em que se viu gerar e agravar uma cisão social. Fake news, ameaças, denúncias, extremismos, brigas entre amigos e familiares. Em jogo, o destino do Brasil. Como resultado, paira uma estranha tensão sobre grande parte da população.

O sentimento de insegurança, diante da incógnita sobre o futuro e do medo de possíveis anos de violência, em curto, médio e longo prazo, é real. Isso exige reconstruir os laços fraternos que fazem do Brasil uma nação.

Neste momento, o cenário adquire formas concretas de tensão, conflito, rejeição, intransigência e rechaço. Quando o medo se expande e se torna generalizado entre amplos setores da população, gera-se um contexto propício à multiplicação de fortalezas, onde corações, portas e fronteiras são cuidadosa e hermeticamente fechadas”. (Alfredo Gonçalves)

Xenofobia

Que todos os brasileiros sejam chamados a assumir a responsabilidade por suas decisões, independentemente de partidos ou posições políticas, e a se unir em defesa da paz, dos direitos humanos e da democracia.

Sejam eleitores de Bolsonaro ou de Haddad, a imensa maioria votou com a esperança de construir um futuro digno para o Brasil, a partir de seus valores e convicções.

Essa maioria, que congrega eleitores dos dois lados, não optou pela tortura, nem votou contra a dignidade e os direitos da população LGBTI+ ou dos índios, nem apoiou o racismo, a misoginia, a destruição do meio ambiente ou o incremento do aquecimento global. A imensa maioria não votou pelo fim da democracia, nem pela extinção dos direitos humanos universais.

Cada cidadão fez uma aposta que julgou ser a mais adequada diante de uma difícil decisão. Cumpre que se comprometa com essa aposta, em seus atos e palavras, assumindo responsavelmente um compromisso com a liberdade e a dignidade das gerações presentes e futuras.

Torna-se prioridade a construção de um clima de segurança. Nos espaços públicos e privados, na convivência cotidiana, nos lares, escolas e universidades, que possamos, gradualmente aplacar, com compaixão e prudência, esta cisão social, tecendo redes de afetos pelo diálogo.

Esse é o primeiro passo para uma cultura de paz, na qual a participação de todos é base de sustentação do “poder que emana do povo”, a democracia, e que ao povo deve servir, em respeito à Constituição.

Xenofobia

Se as crises históricas são fonte de medo, ameaça e perigo, semelhante contexto converte-se em alicerce para o autoritarismo ou totalitarismo, combustível das ditaduras e dos tiranos. O medo se transforma em arma populista contra as bases populares.

 

O medo é um dos sentimentos mais reservados e que mais se escondem. Mas, ao mesmo tempo, é também um dos que mais se condividem. Este aparente paradoxo é de fácil entendimento: esxitem medos estritamente pessoais, íntimos, ocultos, fechados, sepultados no fundo de nossas entranhas; e exitem medos coletivos, que envolvem uma família, um determinado grupo humano, uma comunidade e até mesmo toda uma sociedade.

A “fobia” – palavra que deriva do grego phóbos – representa um medo misto. Tem um lado pessoal, uma espécie de pânico persistente, por vezes silencioso, irracional e patológico… Porém, pode contagiar todo um povo, uma nação, uma cidade, uma cultura – contra uma etnia específica, pessoas de outra cor, sexo, religião. Quando a pretensa ameaça desenvolve-se em virtude do temor “ao outro, ao estrangeiro, ao diferente”, trata-se, em ambos os casos, de xenofobia. O estranho e desconhecido, da mesma forma que uma novidade inusitada, inspira um medo não raro obscuro, absurdo e desproporcionado.

Em outros termos, tudo que é “novo” amedronta, porque foge ao comportamento rotineiro e cotidiano, às respostas programadas, à atitude habitual. O “outro” adquire a função de espelho: rompe com toda espécie de máscara, revela a nudez da própria fragilidade e impotência. Daí o receio diante de riscos possíveis, previsíveis ou imprevistos.

O perigo bate à porta e provoca pânico. Faz-se necessário construir muros visíveis ou invisíveis em vista da autodefesa. E tal defesa, por sua vez, frequentemente converte-se em ataque e perseguição, em intolerância e discriminação, em violência ou aberta perseguição. Resulta que o medo dista pouco das formas extremas de neonazismo e nefascismo.

Instala-se a divisão entre “nós” e “eles”, ou entre os de “dentro” e os de “fora”. Do ponto de vista cultural e religioso, a fronteira divide, por uma parte, os que falam a nossa língua, seguem nossos costumes e se guiam por nossos valores e, por outra, os extra-comunitários. Do ponto de vista socioeconômico, os esrtangeiros são aqueles que ameaçam nosso emprego, nossa família e filhos, nossa paz e nosso futuro. Potiticamente, apela-se para o discurso da própria segurança nacional e a paz.

Neste momento, o cenário adquire formas concretas de tensão, conflito, rejeição, intransigência e rechaço. Quando o medo se expande e se torna generalizado entre amplos setores da população, gera-se um contexto propício à multiplicação de fortalezas, onde corações, portas e fronteiras são cuidadosa e hermeticamente fechadas.

Cada pessoa ou família protege-se atrás dos próprios muros. Parte da mídia, como verdadeiros abutres esfaimados, espalha a sensação de mau agouro. Mas o medo pode ser também sufocado, silenciado, dissimulado, reprimido. O silêncio vira mutismo de uma agressividade represada a custo. Olhares oblíquos e palavras envenenadas cruzam os ares. A socidade reveste a forma de uma cemitério da esperança, onde os vivos erram como fantasmas assustados e assustadores.

Pior de tudo quando o medo é instrumentalizado pelas autoridades de um país, pelas campanhas eleitorais e pela prática política em geral. Se as crises históricas são fonte de medo, ameaça e perigo, semelhante contexto converte-se em alicerce para o autoritarismo ou totalitarismo, combustível das ditaduras e dos tiranos. O medo se transforma em arma populista contra as bases populares.

Setores de extrema direita, com a bandeira de um nacionalismo exacerbado, sabem como manipular o medo, dirigindo-o contra um certo alvo – um bode expiatório – que podem ser os bárbaros e selvagens, os loucos e vagabundos, as bruxas e feiticeiras, os judeus e muçulmanos… Ou, nos tempos que corem, os migrantes, os refugiados e os prófugos. No seu modo de ver, são estes que atravessam desertos e mares, cruzam todas as fronteiras, invadem nossa sociedade, ameaçam a ordem, ignoram nossos valores mais profundos, fruto lento e árduo de “séculos de civilização”.

O medo xenofóbico, entretanto, pode ser dominado. O jardineiro, ao cultivar as flores, tem o cuidado de eliminar as ervas daninhas e os espinhos nocivos. Medos são como tumores malignos: podem ser analisados, radiografados, dissecados e submetidos ao bisturi. Este rasga o tecido não para expô-lo aos olhares alheios, mas para curá-lo. Dominados e controlados, os medos transfiguram-se em fonte de esperança, sonhos e construção de alternativas. Entra aqui o papel das autoridades, dos organimos internacionais, da Igrejas, das organizações não governamentais, das entidades e  movimentos populares…

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