“Fernandão” deixa órfão uma geração de militantes que aprenderam a viver a política no seu sangue, que foram capazes de oferecer-se em sacrifício, para o bem e para as conquistas da coletividade.
De
maneira precoce e inesperada, a cidade de Passo Fundo perde um dos seus
cidadãos aguerridos na luta por igualdade e inclusão social, através da
política.
Fernando
César Brandão Pereira era um cidadão engajado na política local, conhecido por
muita gente, filiado ao Partido dos Trabalhadores desde o ano de 1996. Gostava
de executar tarefas partidárias e sentia-se responsável pelas conduções
políticos do seu partido.
Fernandão,
como era conhecido, tinha um jeito peculiar de se fazer presente nos grandes movimentos
da política local e brasileira. Durante os atos públicos, movimentos de greve
ou de resistência por direitos, reuniões políticas abertas à comunidade,
reuniões partidárias, encontros de militância e de discussão de temas
políticos, sempre fazia manifestações contundentes, chamando atenção para que
todos mantivessem o foco das lutas e não esquecessem da luta de classes,
conhecimento que aprendeu lendo as obras de Karl Marx, mesmo com suas
dificuldades de visão.
Formou
uma família bonita, tinha dois filhos e uma esposa que sempre foram parceiros
na sua superação. Com dificuldades para enxergar, teve de enfrentar os desafios
da mobilidade, numa cidade que ainda está se adaptando para a verdadeira
inclusão dos deficientes.
A
sua voz, o seu discurso, foram formas mais eficazes de se fazer presente entre
a multidão. Gostava muito da política feita nas àgoras (referência às praças
gregas), da multidão, das caminhadas, da política das vozes da rua.
“Fernandão”
deixa órfão uma geração de militantes que aprenderam a viver a política no seu
sangue, que foram capazes de oferecer-se em sacrifício, para o bem e para as
conquistas da coletividade.
Seguem
alguns testemunhos e depoimentos de pessoas da nossa cidade que conviveram e
aprenderam a respeitá-lo e a reconhecê-lo como um grande ser humano.
Ao companheiro Fernandão!
A vida que começa, finda. Mas a finalidade da vida é gerar mais vidas e
amizades. A pior nota da vida é partir sem deixar amigos/as. Neste sentido, a
vida do Fernandão não foi em vão, pois ele teve a capacidade de agregar muitas
pessoas ao seu redor.
Eu gostava pessoalmente dele porque admirava o projeto de sociedade que
defendia e sua definição política. Lembro-me muito de seus discursos aguerridos
nas assembleias do partido e nos pleitos das campanhas políticas. Sua voz era
distinguida no meio de outras vozes.
Eu mesmo tive a oportunidade debater com o Fernandão, entre assuntos, o
método de Marx, porque ali tínhamos uma divergência teórica salutar. Jamais
irei esquecer dos propósitos políticos do companheiro Fernandão!
Pessoas como o Fernandão nunca morrem; ficam na memória. Mais do que um
militante fiel e verdadeiro, Fernandão sempre foi um ser humano de coração, nas
suas atitudes. A minha gratidão a ele na sua Páscoa é especial por esta atitude
afetivo-humana.
Fernandão, você partiu, mas o que construímos juntos tem força ética e
irá permanecer na História e vai manter a esperança acesa de outro possível. Da
minha parte honrarei seu nome e farei todo o esforço para levar seu legado
adiante.
Fernandão, até breve.
Do companheiro José André da Costa
(Caldas Novas – Goiás).
“A passagem do Fernando entre nós deixou marcas em
muitas pessoas e dezenas delas foram lhe prestar homenagem desde ontem (dia 02
de julho de 2019).
Para os que não conseguiram acompanhar, cabe
destacar que passaram por lá várias gerações de militantes da esquerda na
cidade, numa demonstração de carinho por ele de toda esquerda, não só do
partido.
O Fernando foi velado com uma bandeira do PT sobre
o espaço que lhe servirá de hospedagem a partir de agora e, ao ser enterrado,
nosso vice-presidente, Ivan Canal, em nome do PT, lhe prestou agradecimentos e
entoou as frases que eram marca registrada dele inicia-las ao final de nossos
encontros: *Partido, Partido, é dos Trabalhadores*. Que as coisas boas que ele
representou fiquem sempre em nossa lembrança!”.
(Áureo
Mesquita)
“Falar
do Fernandão não é uma tarefa difícil: ele é único, altivo, espaçoso, voz
inconfundível e detentor de um conhecimento invejável. Para mim, uma das poucas
pessoas em Passo Fundo, com a marca do PT, tanto que usava o PT como sobrenome.
Teria inúmeras histórias para relatar sobre ele, mas fico com aquilo que ele
sempre repetia, quando em suas falas dizia: “o PT é o alimento para minha
alma”. Isso me basta, como recordação de alguém que marcou várias gerações, com
suas defesas firmes e a busca por justiça social e um mundo justo para todos e
todas.
(Mariniza dos Santos)
“Fernando foi um militante fiel aos
ideais de construção de uma sociedade melhor para todos. Lutava radicalmente na
defesa de suas ideias e concepções; sem deixar que as divergências políticas fossem
maiores que as amizades. Sempre defendeu seu partido, mesmo nos momentos mais
difíceis. Acreditava que a transformação social passava pelo partido criado
para ser dos Trabalhadores”. (Rosicler
Terezinha Dalchiavon)
“Fernando,
mais conhecido por Fernandão do PT, assim o conheci desde que comecei a
militância partidária nos idos do início dos anos 1990.
Ele
sempre foi presença cotidiana e indelével nos processos de construção das lutas
pela justiça e pela igualdade, acreditava com toda a força no socialismo e que
esse seria uma construção a ser feita pelos/as trabalhadores/as organizados no
seu partido, o Partido dos Trabalhadores/as. Fizemos várias ações conjuntas,
muitos debates, muitas convergências, algumas divergências. O fundamental
sempre foi poder contar nele um Companheiro, da cepa, de boa cepa.
Obrigado
por nos permitir construir relações singulares e sempre de forte presença.
Seguiremos inspirados e engajados para lhe fazer justiça e memória. Meu
reconhecimento e minha homenagem. Fernandão, Presente!
(Paulo César Carbonari)
“Querido
Fernandão! Poderia lembrar de inúmeras vezes que convivemos juntos, durante o
período da redemocratização em 1984; da formação da frente popular nas eleições
estaduais e municipais; das vezes que me chamavas de “trosko” e eu retribuía
chamando você de “stalinista”; das risadas no pé da janela do Reitor da UPF em
1987, pedindo por eleições democráticas quando você criou a palavra de ordem:
“padre cinderela apareça na janela”; enfim, várias situações cômicas mas que
sempre demonstraram a personalidade forte e
aguerrida dum camarada-amigo-companheiro.
A última lembrança que tenho tua foi a poucas semanas atrás quando
nos reunimos em frente ao Fórum para um ato contra o Moro.
Na ocasião, sempre com a marca registrada da voz inconfundível
gritava a todo pulmão: “juiz marreco de Maringá”; “Moro corrupto”; “Moro ladrão
quebrou uma nação”… enfim, lá pelas tantas passou um carro com dois
bolsominions que retrucaram atacando todos com palavrões – que imediatamente
foram respondidos por você que desafiou eles a descerem para se tivessem
coragem…. clima tenso. Perguntei: “Como vai fazer para enfrentar eles dois
Fernandão…você não enxerga…como vai localizar eles??? Respondeu: “Julio
Ramos, fica tranquilo, tenho um saco de bolacha aqui comigo…fácil, é só
chegarem perto que finco a mão nos fascistas..”
Esse era nosso Fernandão. Solidário. Companheiro. Leal. Amigo.
Fica em paz que enquanto estivermos lembrando das coisas que fazia e dos
momentos que vivemos juntos contigo, serás eterno. #FernadãoVive
(Júlio
Francisco Caetano Ramos)
Fernando César Brandão Pereira (Fernandão) deixou-nos sozinho, mas como ele sempre demonstrou, “ele era os outros”, em luta, em debate, em caminhada. Em sua homenagem, postaremos algumas imagens, gentilmente cedidas pela jornalista Ingra Costa e Silva.
Obrigado,
Ingra Costa e Silva, pela foto de capa preparada especialmente para esta
publicação. Obrigado por nos mostrar na luta, pelas lentes de sua máquina e
pela sensibilidade do teu olhar.
O que assusta é que do total de liberações recentes, 64, ou 43% das liberações, estão terminantemente proibidos em diversos países, especialmente na União Europeia, um dos principais mercados para os produtos agrícolas brasileiros.
Para o filósofo australiano Peter Singer, em seu livro “Ética
Prática”, “as atitudes ocidentais ante a natureza são uma mistura daquelas
defendidas pelos hebreus, como encontramos nos primeiros livros da Bíblia, e
pela filosofia da Grécia antiga, principalmente a de Aristóteles.
Ao contrário de outras
tradições da Antiguidade, como, por exemplo, a da Índia, as tradições hebraicas e gregas
fizeram do homem o centro do universo moral;
na verdade, não apenas o centro, mas quase sempre, a totalidade
das características moralmente
significativas deste mundo”.
Assim, o homem teria recebido, segundo o Gênesis, uma espécie
de concessão de “domínio” sobre todas as
demais criaturas existentes. Um “cheque em branco”, para fazer tudo o que
quiser na natureza.
O governo Bolsonaro está seguindo à risca estas tradições. Em
apenas 6 meses de governo os órgãos de controle
liberaram 211 pesticidas para uso em lavouras, média superior a um
produto por dia.
O que assusta é que do total, 64, ou 43% das liberações, estão terminantemente proibidos
em diversos países, especialmente
na União Europeia, um dos principais mercados para os
produtos agrícolas brasileiros.
A liberação é um presente de Bolsonaro aos ruralistas que o
apoiaram na campanha. O governo entende que o mundo natural existe para o benefício da turma da bancada
ruralista. Na verdade, há uma grande irresponsabilidade e desdém pelo meio
ambiente.
Enquanto na França é anunciada
a intenção de abolir até 2022 o uso do
glifosato em suas plantações, aqui , dos produtos recém-licenciados pelo
ministério da Agricultura, nove contêm o
herbicida como insumo básico.
Mais. Há menos de 60 dias, o governo prorrogou até 2020 a
redução de 60% do imposto relativo à
comercialização dos defensivos. Não é à
toa que atual ministra, Teresa Cristina, quando deputada, recebeu o apelido de “Musa
do Veneno”, em breve, será a
Rainha.
A natureza, longe de
ser apenas o palco de nossas atividades, deve ser o objeto de um respeito estético, moral e jurídico. A civilização
ocidental, entregue a um consumismo desenfreado, vem conduzindo de forma
inequívoca à devastação da Terra.
O governo Bolsonaro mostra um desprezo absurdo pelo meio
ambiente. Se tenta eliminar as reservas legais, áreas indígenas são invadidas,
criminosos são liberados de multas e se libera esta quantidade de agrotóxicos,
quando o mundo todo luta contra isto.
Hoje o Brasil é o verdadeiro paraíso
dos agrotóxicos.
Ao contrário de muitas sociedades
humanas mais estáveis e voltadas para as suas tradições, a nossa formação
política e cultural tem uma grande dificuldade de admitir valores a longo
prazo.
Precisamos, definitivamente, entender que algumas coisas,
depois de perdidas, não podem ser recuperadas. Uma delas é a saúde. O que está
em jogo é o futuro de nossos filhos e netos diante da irresponsabilidade deste
desgoverno.
Os homens inventam coisas que matam e que curam, sem nenhum constrangimento, porque agem em nome do progresso e da ciência. Resta saber como cada um decide o que consumir saudavelmente. Quem morre ou quem se cura é sempre a gente. O problema é que não temos poder nenhum sobre a produção. Resta saber o que nos resta! (Nei Alberto Pies)
Sabemos que um dos grandes problemas da instabilidade social é o desemprego e a grave concentração de renda. A dominância financeira é um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento país.
Em momentos de crises profundas no modelo de organização social
capitalista, como o que estamos vivendo, em geral quem mais perde são os
trabalhadores [as]. Para garantir os lucros dos grandes empresários, sobretudo
banqueiros, os governos que ocuparam e ocupa a presidência da nação, capachos
do capital, impõe ao mundo do trabalho medidas político-econômicas de
austeridade duras e nos atacam brutalmente.
Exemplos práticos da afirmação foram às edições das MP 664 [pensão por
morte e auxílio doença]; 665 [abono salarial – PIS, seguro defeso e seguro
desemprego]; Os ajustes fiscais 1 e 2 que resultaram no reajuste nas tarifas
públicas [energia elétrica, gás,
combustíveis]; No aumento da inflação e
do desemprego; Os cortes orçamentários na saúde educação já feitos durante o
governo Dilma e sequenciados pelo
Governo Temer; A reforma trabalhista feita pelo segundo e os ataques em curso
contra nossos direitos, sobretudo a reforma da previdência, em transito no
congresso de mafiosos do governo Bolsonaro.
Em geral é isso. A conta da crise econômica recai sempre sobre o
conjunto da Classe Trabalhadora.
O combate à sonegação não seria a alternativa viável às políticas de austeridade econômica, dispensando especialmente a reforma da Previdência?
Os responsáveis pela
crise se garantem
Como em toda crise econômica, o capital também tem perdas. As chamadas
queimas de ativos, quebra de empresas, redução das vendas, estoques em alta,
etc. Porém tem um segmento capitalista que não admite perder. É o segmento
financista-rentista-especulativo. Estamos nos referindo aos grandes bancos e
financeiras.
Este segmento, para garantir sua lucratividade, exige que a União
se responsabilize em repassar bilhões de recursos, via superávit primário, a
banca financeira nacional e internacional, indiferente do aumento da carestia e
da miserabilidade social. Para ter uma ideia, os valores anuais dispararam nos
últimos anos.
Em
2010, o governo pagou R$ 122 bilhões em juros da dívida. Em 2012, foram R$ 134
bilhões; 2014, R$ 170 bilhões; 2016, R$ 205 bilhões; 2017, R$ 328 bilhões.
Em 2017 foram gastos com a rolagem da dívida
pública [troca de uma dívida velha em dívida nova] R$ 205 bilhões. Esta rolagem
custou aos cofres públicos mais de cinco vezes os gastos com programas de
assistência social [Bolsa Família, assistência a crianças e adolescentes em
situação de risco, assistência a idosos e pessoas portadores de necessidades
especiais, etc.]. Em 2018, o governo federal gastou, com juros e amortização da
dívida pública R$ 1,065 trilhões [40,6% de todo o orçamento]. Essa quantia
corresponde a 11 vezes o que foi destinado à educação; 10 vezes aos gastos com
saúde e quase o dobro dos gastos com a Previdência Social.
Some-se a esta política econômica decenal-suicida,
os contratos lançados no mercado financeiro pelo BC para evitar a alta do
dólar, conhecidos como swaps [troca] cambiais, que objetivam proteger os
investidores do capital financeiro-rentista-especulativo, da futura variação do
dólar, que somente no ano de 2018 custaram aos cofres públicos R$ 15,2 bilhões.
As
projeções do Tesouro Nacional apontam que entre 2019/21, a título de pagamento
dos juros da dívida pública serão desembolsados R$ 1,05 bilhões. Os banqueiros agradecem. Até maio deste ano,
de acordo com o Tesouro Nacional, o endividamento bruto atingiu o patamar
inédito de 77% do PIB [Produto Interno Bruto] o que corresponde a R$ 5,133
trilhões!
O
tripé da economia brasileira [metas de inflação, câmbio flutuante e superávit
fiscal primário] é uma
bomba relógio-econômica que
está prestes a explodir a economia nacional e não tem relação nenhuma com o
pseudo-déficit da Previdência Social.
Retiraram os bodes da
sala
A proposta de reforma da Previdência apresentada
pelo deputado Samuel Moreira [PSDB-SP] à Comissão Especial da Câmara continua
sendo um duro ataque à Previdência e ao direito à aposentadoria de milhões de
trabalhadores. A nova versão da reforma tira alguns “bodes da sala”, como o BPC
[Benefício de Prestação Continuada], a capitalização e alguns ataques à
aposentadoria rural, mas deixa o restante.
A reforma como um todo é, na
verdade, um grande bode. Bem parecida com a reforma que Temer tentou aprovar em
2017.
Mantém a idade mínima de 65 anos e o aumento do
tempo mínimo de contribuição para 20 anos [no caso dos homens], além da redução
da base de cálculo dos benefícios e aposentadoria “integral” só com 40 anos de
pagamento ao INSS. Neste ponto em específico cabe salientar que a integralidade
da aposentadoria, na prática, jamais será alcançada considerando que a proposta
propõe a soma de 100% das contribuições o que reduz o percentual do benefício.
A versão de reforma apresentada na comissão da
Câmara reduz a “economia” de R$ 1,2 trilhão em 10 anos, como previa o projeto
original do ministro da Economia, Paulo Guedes, para algo em torno de R$ 900
bilhões. Outra parte vai vir do desvio de 40% do FAT [Fundo de Amparo ao
Trabalhador], que deveria justamente custear benefícios como Seguro-Desemprego
ou abono salarial, mas que vai para os banqueiros.
Os mesmos bancos vão ter um
pequeno aumento no imposto que, além de ser um troco perto do que vão ganhar
com a reforma, podem muito bem repassar à população.
Uma mentira alardeada pelos deputados e os
articuladores dessa reforma é que a “nova” proposta retira os ataques aos
miseráveis. Estão lá, por exemplo, o ataque aos rurais, à pensão por morte e ao
abono salarial, benefícios que dependem milhões de trabalhadores, justamente os
mais pobres. A reforma tem um único objetivo: excluir do sistema previdenciário
a maioria dos trabalhadores [as], força-los a migrarem para planos de
previdência privada e, os que conseguirem se aposentar, terão seus rendimentos
reduzidos. Na essência a reforma da previdência não dá nenhuma garantia aos
trabalhadores [as], mas total garantia ao capital
financeiro-rentista-especulativo.
Não à Reforma da
Previdência
A Reforma da Previdência, os cortes orçamentários da saúde, educação,
programas sociais não fogem a esta lógica perversa. Mundo do capital em crise e
os canhões são disparados contra o mundo do trabalho. Nada se comenta sobre a
rapinagem da transferência de riquezas produzida pelos trabalhadores [as]
anualmente para os detentores dos títulos da dívida pública, ou seja, os
banqueiros.
A renda deve vir do trabalho e da produção e não do mercado financeiro
por meio de especulação. O Tripê da economia brasileira foi responsável pelo
sequestro do poder político pelo poder econômico e, sobretudo, não se sustenta.
A geração de emprego e renda deveria estar no centro da política econômica.
Sabemos que um dos
grandes problemas da instabilidade social é o desemprego e a grave concentração
de renda. A dominância financeira é um dos maiores obstáculos para o
desenvolvimento país. Não há economia que resista aos vampiros que estão
tomando conta do banco de sangue brasileiro. Só não vê quem não quer.
Frente a estes ataques só temos uma saída: organização, mobilização e luta. Precisamos construir uma greve geral para barrar os ataques do governo Bolsonaro contra nossos direitos. Construir na luta uma alternativa dos trabalhadores/as em defesa das estatais [BB, CEF, Petrobras, Eletrobras, Correios e demais estatais remanescentes]; Contra a privatização das escolas, do SUS, da extinção da Justiça do Trabalho e contra a Reforma da Previdência.
Nenhuma outra possibilidade se apresenta a Classe Trabalhadora a não ser
a luta direta contra Bolsonaro e sua pacotilha. Então vamos à Luta!
Há uma campanha deliberada para destruir ou acabar com o poder de representação dos sindicatos feita por governos e setores produtivos da sociedade. Há um ataque deliberado de acabar com as conquistas e direitos dos trabalhadores, inclusive, com possibilidade de acabar com a Justiça do Trabalho no Brasil. Por que?
Numa
experiência inédita em nossa cidade, alunos das séries finais de uma Escola
Municipal de Passo Fundo, RS, participaram de uma viagem de estudos,
deslocando-se por cerca de 330 Km, em meados do mês de junho de 2019, para o
município de Três Coroas, para conhecer o Templo do Budismo Tibetano. Uma
atividade que foi planejada na disciplina de Ensino Religioso desde o início do
ano letivo e que envolveu professores, estudantes e alguns pais e mães. Uma
atividade preparada com estudos, pesquisas e aulas antes de acontecer.
Conforme apresentação da página oficial do Templo, “O Chagdud Gonpa Khadro Ling, localizado no município de Três Coroas, no Rio Grande do Sul, é a sede sul-americana de uma rede de Centros de Budismo Tibetano Vajraiana fundado por Sua Emª Chagdud Tulku Rinpoche em 1995. Com o falecimento de Rinpoche em 2002, os centros estão sob a direção espiritual de Chagdud Khadro, sua esposa. Em tibetano, Kha significa “céu”; Dro significa “mover-se”, “ir”, “dançar”; Khadro é a tradução de Dakini, palavra associada a um aspecto da energia iluminada na forma feminina. Já Ling significa “local”. Uma tradução possível para Khadro Ling, então, é “Morada das andarilhas do céu”.
Cerca de 50 praticantes do
Budismo Tibetano Vajraiana moram no Khadro Ling. São pessoas de vários locais
do Brasil e do mundo, que vieram para cá com o objetivo de priorizar a prática
espiritual e auxiliar nas atividades diárias necessárias à manutenção da
Fundação Chagdud Gonpa. Toda a estrutura do centro é mantida por doações”.
Com
esta publicação, queremos repercutir e dividir com os leitores as impressões,
conhecimentos e a importância de conhecermos as diferentes expressões
religiosas, aquelas que, sobretudo, se diferenciam em seus fundamentos e também
em suas práticas. Quer também indicar e recomendar esta visita de conhecimento
do templo Budista como parte de um roteiro de conhecimento desta região da
Serra Gaúcha que envolve as cidades de Três Coroas, Canela e Gramado.
Neste relato que segue, teremos o registro da preparação para a visita ao Templo de 3 Coroas, uma breve entrevista com professora Glória Fauth, depoimentos de alunos e alunas, professoras e registros fotográficos.
Entrevista com professora Glória Fauth, seguidora do Budismo e moradora em Três Coroas, hoje.
NEI ALBERTO PIES:
Professora Glória, conte-nos como descobriste o budismo tibetano? Como o
budismo envolveu também a sua família?
Foi por volta de 1994 quando ganhei
um livro do Dalai Lama. Ao ler, fui me identificando totalmente com os
ensinamentos do livro. Percebi que era o que eu estava procurando há muitos
anos. A conexão foi total e imediata. Assim comecei procurar mais livros dele
para ler.
Em 1995 fiquei sabendo que um
mestre tibetano havia chegado à serra gaúcha para comprar uma terra e construir
um templo. Comecei a acompanhar esse evento. Sempre aparecia reportagens sobre
ele em revistas…Mesmo com muito interesse, apenas em 2002 tive oportunidade
de visitar o templo e conhecer o mestre Chagdud Tulku Rinpoche. A partir daí,
comecei a estudar mais e ouvir os ensinamentos e efetivamente praticar.
Quanto a minha família, nunca
convidei nenhum deles para me acompanhar. Acho que a mudança em mim foi tal que
eles quiseram ver de perto o que estava acontecendo. O primeiro que ficou
interessado foi meu marido, depois o filho mais novo com 8 anos, depois a filha
e o filho do meio mais tarde.
O budismo não é uma religião proselitista, os praticantes não saem
por aí falando para converter as outras pessoas. A pessoa que tem conexão com o
budismo, vai procurar, ler, estudar, ouvir palestra, se depois disso chegar a
conclusão que vai ser bom para a sua vida, ela segue.
NEI ALBERTO PIES: Durante algum tempo, em nossa cidade Passo Fundo, além de
professora da rede estadual de ensino e do seu trabalho com grupos de teatro,
usavas do teu tempo para disseminar conhecimentos sobre Budismo Tibetano. O que
a motivava para fazer isso?
A motivação maior era para que os
estudantes conhecessem essa tradição religiosa. A história do Buda, a arte e a
cultura oriental que nós não costumamos estudar no ocidente. Agora com a
internet todos tem mais acesso a todas as culturas. Está mais fácil.
(Uma das primeiras palestras que fiz com alunos das séries finais do
Ensino Fundamental foi no ano de 2013, na Escola Municipal de Ensino
Fundamental Guaracy Barroso Marinho)
NEI ALBERTO PIES: Qual é hoje, a sua relação com a prática e a espiritualidade
budista?
A relação com a prática espiritual
e cada vez mais intensa e profunda. Uma vez que morando aqui tenho oportunidade
de fazer retiros e estudar ainda mais.
NEI ALBERTO PIES: Participaste do Conselho do Ensino Religioso (CONER Seccional
Passo Fundo) por um certo período. Que lembranças e que aprendizagens levastes
desta experiência?
Tenho ótimas lembranças dos colegas
participantes, do respeito entre todos. Foi uma experiência rica e
intensa.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a importância do conhecimento das diferentes religiões para
a construção de uma cultura de tolerância e paz?
O conhecimento é importante.
Acredito que quando se conhece, se respeita.
NEI ALBERTO PIES: Que fundamentos e princípios da prática budista podem ser observados
por qualquer ser humano, independente de sua opção religiosa?
Acredita que o mais importante é
aquele que chamamos a regra de ouro: No budismo tibetano é: “Não causar
mal a nenhum ser” No cristianismo é: “Ama ao próximo como a ti mesmo”
Outro ensinamento dos nossos mestres é: “cultive um bom coração”.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a importância do Templo de Três Coroas para a difusão dos
conhecimentos e práticas do budismo tibetano no Brasil e na América Latina?
Este templo é o maior centro de estudos
budistas da América Latina para leigos. Vem aqui pessoas de todos os países
latino americanos, também da Europa e América do Norte.
NEI ALBERTO PIES: Para quem nunca visitou o Templo em Três Coroas, qual é seu
convite (inclusive para grupos de estudantes e escolas)?
Para grupos: recebemos os grupos de
quarta-feira a sexta-feira. É só entrar no site www.templobudista.org e agendar
a visita. Para as visitas de grupos solicitamos o pagamento de uma taxa de
50,00. Para carros de passeio, é aberto de quarta a domingo e não cobramos nada
para estes acessar o templo. Mas sempre é bom consultar o site, porque em
algumas ocasiões, pode estar fechado para visitação. São todos bem
vindos.
NEI ALBERTO PIES: Algo que queira acrescentar.
“A vida é um espelho, não uma janela” que nossos mestres
preciosos.” Todos nós ao olharmos ao redor, nos vejamos. Que possamos nos ver
nas pessoas que nos cercam, nos animais de estimação e naqueles abandonados,
naqueles seres que são desagradáveis e nos fazem mal.
Depoimento da Coordenadora da Escola Municipal Zeferino de Costi,
Adriana Severo dos Santos
“Na viagem de estudos a Três Coroas, RS, visitamos o Templo Budista. Foi
uma experiência única, tanto para professores, pais e, principalmente, aos
nossos alunos dos 9⁰ anos.
Nessa oportunidade conhecemos uma filosofia de vida e uma linha
religiosa diferente da nossa vivência diária. Foi muito enriquecedor o contato
direto com as pessoas, seus ensinamentos e a própria estrutura e organização do
Templo (que é esplendorosa).
Posso afirmar que nossos alunos aproveitaram muito, trazendo com eles mais conhecimentos sobre a temática ” Diversidade Religiosa”, que faz parte do Componente Curricular da disciplina de Ensino Religioso, do professor Nei Alberto Pies, organizador e mentor desta viagem de estudos”.
Depoimentos
de professoras.
“Atividades como
essa são muito importantes para o crescimento de nossos alunos, pois eles
vivenciam na prática tudo aquilo que estudam na teoria, em sala de aula. Saímos
do Templo com uma vontade de ficar, pois ele é repleto de energia positiva, em
um lugar cercado de natureza, no topo de um morro e com vista para o vale. O
budista respeita e se integra à natureza de uma maneira que o homem ocidental
ainda não consegue. Percebemos o impacto nos nossos alunos, que adoraram a
visita e se surpreenderam com os ensinamentos do Budismo”. (Graziela Bergonsi Tussi, Geografia)
“Na semana da viagem, os alunos e alunas dos
nonos anos da Escola Municipal Zeferino de Costi tiveram uma aula de yoga e
meditação, práticas ascéticas do Budismo, preparando-se para a viagem. Estas
práticas podem ser em função da religião, como também em função de uma
qualidade de vida que leve em conta o equilíbrio tão necessário entre o corpo e
a mente humana”. (Professora Vanilde Bordignon, educação física)
“A visita ao templo budista em Três Coroas foi um passeio de estudos
muito interessante. Logo que iniciamos a viagem o professor lembrou dos
objetivos para o dia.
Conhecemos um lugar lindo, calmo, tranquilo, com uma natureza incrível,
cheio de paz
e harmonia. Conseguimos observar o local e saber mais sobre o budismo.
Foi uma experiência única que agregou conhecimento e bem-estar”. (Ana Cláudia, professora e mãe de
aluna/acompanhou a viagem)
Depoimentos de alunos e alunas que participaram da viagem de
Estudos.
“Como
aluno achei a experiência de ter contato com diversas diferentes crenças uma
oportunidade que todo estudante deveria ter. A viagem ao templo budista, assim
como todas os estudos feitos durante o ano, foi um contato com uma filosofia
muito diferente da que estamos acostumados, assim nos apresentando um pouco da
grande diversidade religiosa das quais não estamos acostumados a nos inteirar.
Gostaria de agradecer a todos que nos deram essa oportunidade e convidar você a
aprender um pouco mais sobre as diferentes religiões”. (Samuel do Nascimento dos Santos,
aluno nono ano)
Viagem ao
Templo Budista
Os estudantes dos nonos anos A e
B, acompanhados de alguns alunos do oitavo ano da escola Zeferino Demétrio
Costi, fizeram uma excelente excursão ao Templo Budista Tibetano da cidade de
Três Coroas no dia 14/06/19. Sendo acompanhados pelo Professor Nei Alberto Pies
(Ensino Religioso e Filosofia), pela Professora Vanilde (Educação Física),
Graziela (Geografia) e também pela Coordenadora Adriana.
Juntos, ao chegarem no local do Templo, foram recebidos por uma guia que explicou a história do local e levou-os
até uma sala de vídeo, onde contava a história e a origem do Budismo Tibetano.
Após, foram dirigidos até o templo principal, onde foi solicitada a retirada
dos sapatos para a entrada. Dentro, encontraram uma senhora budista. A mesma
contou a história do templo e das imagens de Buda que haviam nele, também tirou
dúvidas dos estudantes que a escutavam.
Foram liberados para que pudessem desfrutar das
belezas e do efeito calmante deste lugar silencioso e agradável em que estavam.
Será uma viagem inesquecível para qualquer um que teve a oportunidade de
conhecer. (Aluna Gabrielly Vitória de
Almeida, nono ano)
“Acho que a iniciativa
da escola de tomar o contato com a diversidade religiosa uma matéria prática
através de visitas e viagens diminui cada vez mais a distância entre os alunos
e as diversas religiões, algo que todas as escolas poderiam fazer. Conhecer as
diferenças e semelhanças entre as coisas que parecem tão distantes do nosso dia
a dia é o primeiro passo para criar um futuro sem preconceitos.
Boa sorte a você aluno ou aluna, que está no começo de sua jornada de aprendizagem, sempre buscando o conhecimento para tornar o nosso mundo melhor. Afinal, somos o futuro e nos fazemos no presente”. (Caroline Muller Balsan, nono ano).
A viagem de estudos também teve êxito e sucesso pela parceria, dedicação e profissionalismo da Empresa Sonho Azul, parceira destas atividades na Escola Municipal de Ensino Fundamental Zeferino de Costi.
Quem só tem a oferecer sua mão de obra, deveria apoiar as lutas do sindicalismo. Foi através das lutas sindicais e populares que a cidadania virou realidade. Através de muitas lutas, paralisações, greves que foram alcançados direitos e garantias de proteção à vida dos trabalhadores e trabalhadoras.
Vivemos num momento histórico em que
cada um de nós é incentivado a viver uma vida competitiva, a buscar o seu
espaço social através de méritos pessoais e individuais. A vida coletiva, a
ajuda comunitária, a solidariedade, infelizmente, são valores que estão
perdendo força.
Neste contexto de mundo
individualizado e de redução de direitos e garantias trabalhistas, nos
desafiamos a avaliar o papel contemporâneo dos sindicatos de trabalhadores e
trabalhadoras, uma vez que são, essencialmente, organizações de defesa de
interesses coletivos.
Há uma crescente afirmação de que os
sindicatos estariam perdendo seu poder de representação dos trabalhadores e
trabalhadoras. Será?
Há uma campanha deliberada para
destruir ou acabar com o poder de representação dos sindicatos feita por
governos e setores produtivos da sociedade. Há um ataque deliberado de acabar
com as conquistas e direitos dos trabalhadores, inclusive, com possibilidade de
acabar com a Justiça do Trabalho no Brasil. Por que?
Neste contexto de ataques e
incertezas, os próprios trabalhadores estão sendo jogados contra quem os
representa. Quem só tem a oferecer sua mão de obra, via de regra, deveria
apoiar as lutas do sindicalismo. Foi através das lutas sindicais e populares
que a cidadania virou realidade. Através de muitas lutas, paralisações, greves
que foram alcançados direitos e garantias de proteção à vida dos trabalhadores
e trabalhadoras.
Um pouco da história do sindicalismo brasileiro
Para entender a realidade dos sindicatos e sua função de representação, ouvimos respeitosamente alguns dos sujeitos (lideranças sindicais) que estão à frente da luta diária de representar os diferentes setores do mundo do trabalho urbano: professores, funcionários de instituições de ensino, funcionários públicos, metalúrgicos, dentre outros, em nossa cidade Passo Fundo, RS.
As pessoas que se dispõem a lutar
pelos interesses coletivos de uma categoria ou dos interesses dos trabalhadores
em geral não podem ser atacadas, julgadas e expostas ao linchamento público,
como o fazem parte da mídia local e brasileira, como também alguns dos
dirigentes patronais irresponsáveis deste país.
Fizemos
a eles e elas 3 perguntas: a) Existe crise de representatividade em nossos
sindicatos? b) Como seu sindicato trabalha a representatividade de seus
associados? Por que, na sua visão,
neste momento histórico, os sindicatos estão sendo tão durante atacados?
Este material que por ora publicamos tem por foco de
compreensão nossa cidade Passo Fundo, imaginando situações próximas Brasil
afora.
O que nossa cidade tem, em particular, é que,
historicamente, as organizações sindicais e populares foram duramente
combatidas, num contexto de influências culturais que pregam o trabalho
subordinado às regras do sistema, de uma parcela significativa da imprensa
local avessa ao reconhecimento do papel dos sindicatos e das lutas sociais e de
uma cultura que se forjou provinciana e conservadora. As forças produtivas, culturais e políticas
de nossa cidade não reconhecem o protagonismo e a importância da grande massa
de trabalhadores e trabalhadoras que constroem a riqueza e não permitem o
exercício livre e soberano das organizações destes.
As origens do sindicalismo no Brasil
Foto Marli Schaule, CPERS
A dirigente sindical e mulher
sindicalista MARLI SCHAULE, professora aposentada da rede estadual e municipal
de Passo Fundo, representante estadual dos aposentados do CPERS/Sindicato,
Coordenação Regional do MML (Movimento Mulheres em Luta), perguntada sobre
crise de representatividade, respondeu que o CPERS/Sindicato, maior sindicato
do RS, um dos maiores da América Latina, tem mantido 60% da sua base associada
e que o 7º Núcleo de Passo Fundo é um dos núcleos mais mobilizados e atuantes
nas lutas sociais.
“O entendimento que temos são
organizações coorporativas e políticas que sofrem interferência da conjuntura,
por serem instrumentos de mobilização e reivindicação dos trabalhadores,
reconhecidos pelo senso comum como representações de esquerda, conjunturalmente
colocados na vala comum da corrupção, do atraso.
No entanto, essas falsas
ideologias não se sustentam frente aos ataques dos governos e patrões, em
particular, no nosso caso, estamos sem reajuste de salário há 5 anos, com
parcelamento e escalonamento de salários, sem concurso público, entre outros
ataques, fazendo com que a categoria tenha construído grandes mobilizações,
assembleias lotadas, o que indica que não há crise de representatividade no
CPERS/sindicato. Nos demais sindicatos, entendemos isso também, tanto que no
último período aumentou o número de greves, tanto que foram realizadas em 2017
e 2019 as duas maiores Greves Gerais da história do nosso país”.
Marli pondera ainda que existe um ataque dos governos e da burguesia,
na arrecadação financeira dos sindicatos, seja pelo corte do repasse em folha,
bem como o corte do desconto do imposto sindical, o que debilita a estrutura e
organização dos sindicatos, mas não sua representatividade.
Para a professora, “uma
observação é que o desemprego, a informalidade e a precarização das relações de
trabalho como a terceirização, eleva o número de trabalhadores desorganizados,
necessitando os sindicatos terem políticas para inclusão dos mesmos”.
Marli Schaule destaca ainda que o CPERS/Sindicato é reconhecido
como um dos sindicatos mais democráticos, o que garante o seu alto índice de
representatividade, além da Direção Central, detém 42 núcleos distribuídos pelo
RS. Suas decisões são tomadas em Assembleia Geral e em Conselhos de
Representantes encaminhadas pelas Direções regionais ao Conselho Geral e a
instância máxima a Assembleia Geral.
“Temos, ainda, a realização de um
congresso a cada 2 anos, eleições diretas para direção central e núcleos à cada
3 anos e eleição proporcional ao Conselho Geral, a formação de vários coletivos
temáticos (jovens, educação, aposentados, LGBT+, mulheres, racial, funcionários
e contratados). Somos independentes de partidos, governos e patrões, já que o
sindicato é um organismo de frente única de trabalhadores, que pensam diferente
mas que compartilham a mesma condição. Entre nossos associados se organizam
vários agrupamentos sindicais, partidários e sociais, ampliando a representatividade
de forma diversificada”.
De forma didática e enfática, defende que o CPERS/Sindicato trabalha a
representatividade com filiações, democracia nas decisões, com
proporcionalidade, com organização nos locais de trabalho a independência e
autonomia dos governos e partidos.
Falando sobre os ataques a que os
sindicatos vem sendo submetidos, Marli Schaule
alerta que “temos uma situação que muitos sindicatos deixaram ser autônomos e
independentes frente aos governos e se envolveram em corrupção, em organizações
mafiosas e os famosos pelegos, o que levou à várias rupturas de centrais
sindicais e um processo de reorganização, essa é uma situação que os
trabalhadores estão autonomamente solucionando”.
Por outro lado, a professora e liderança sindical dos
professores pondera: “temos a crise econômica que mundialmente se instalou,
provocou alguns fenômenos como a imigração e a polarização política, com
crescimento dos setores de direita e ataques às organizações dos trabalhadores.
No Brasil há muitos anos vem se
acentuando a crise, desencadeada em 2015, onde a burguesia aplica um plano
drástico de retirada de direitos dos trabalhadores, como a reforma trabalhista,
terceirização e a reforma da previdência. Para garantir aplicação dos seus
planos precisa atacar e destruir as organizações dos trabalhadores (sindicatos,
movimentos e partidos) estruturalmente, com o corte da arrecadação e
desregulamentação e ideologicamente, como se todos fossem corruptos,
vagabundos, comunistas etc….
Finaliza sua participação nesta
matéria afirmando entendimento deque “o ataque aos sindicatos é uma necessidade
do capital de tirar drasticamente os direitos dos trabalhadores, sendo um
processo unificado, global e ideológico”.
Para Sidinei Cruz Sobrinho, representante do SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica,
Profissional e Tecnológica), a chamada crise de representatividade pode
estar associada à crise de identidade e consciência de classe.
“O desconhecimento da história das
conquistas sindicais diante do aparelho opressor da ideologia dominante faz com
que muitos aceitem a condição alienante e, infelizmente, confundem qual é a
verdadeira representação a ser feita. Porém, não há que se negar o fato de que
algumas linhas sindicais também tenham se perdido na tecitura da representação
a ser feita, prejudicando e promovendo certa generalização ofensiva à
representatividade necessária e urgente.
O
SINASEFE tem feito, em nível nacional a representatividade adequada. Procura
articular as bases e dialogar com as diversas instâncias, sempre pautando a
defesa coerente e consistente em prol dos direitos da classe representada e da
dignidade humana inerente aos direitos fundamentais e sociais.
O ataque aos sindicatos apenas reforça o poder
opressor das classes dominantes e, quando se dá, pelos próprios oprimidos,
revela o caos social e político presente. A intolerância e a incapacidade de
muitos perceberem que o capital impera sobre o social de forma maquiavélica e
perversa, traduz a necessidade da reordenação cultural para além da cultura
tupiniquim vigente”.
O dirigente do Sindicato dos
Trabalhadores do Transporte Urbano de Passo Fundo (SINDIURB), Miguel Valdir dos Santos Silva,
acredita que não existe crise de representatividade, ao menos não na base do
seu sindicato. Mas pondera que existem pessoas que tentam se aproveitar de
algumas situações, que justamente fragilizam a luta dos trabalhadores por seus
direitos.
Miguel acrescenta: “trabalhamos a representatividade dos nossos
associados levando a eles a transparência e a verdade”.
O dirigente finaliza sua participação na matéria dizendo que “os sindicatos estão sendo atacados porque a classe patronal quer enfraquecer o movimento sindical para eles saírem fortalecidos. Os trabalhadores ficarão à mercê, sendo a parte mais fraca na luta por seus direitos”.
Alexson, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Passo Fundo
Para o dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos
de Passo Fundo, Alexson José da Silva,
“a representatividade é sempre resultado da
Incidência Política do Sindicato. Sempre que um Sindicato deixa de cumprir seu
papel na disputa de Classe, os trabalhadores vivenciam este distanciamento
instantaneamente.
O trabalhador não é bobo, ele sente se o Sindicato efetivamente
atende a sua finalidade e, simultaneamente, reage a este comportamento
institucional, seja o reconhecendo como ferramenta da Categoria ou o colocando
na condição de estranho a sua relação de trabalho.
A representatividade é dependente da atuação dos
Sindicatos e a conjuntura atual criou alguns entraves pois o Estado tem
incidido sobre as organizações dos trabalhadores. Outro fator que tem dado
“pano pra manga” é a despolitização dos trabalhadores. Atualmente há uma
confusão entre Politica Sindical e Política Partidária, distinção que o
trabalhador que não possui lucidez na concepção da disputa de Classe não faz
facilmente. O resultado disso vivenciamos nas reformas, por exemplo, onde
trabalhadores defenderam reformas contra seus próprios interesses enquanto
Classe Trabalhadora”.
O dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos
alega ainda que “o Sindicato só pode representar quem o reconhece e o respeita
como instrumento coletivo, como Ferramenta da Classe Trabalhadora.
Os Metalúrgicos não são uma ilha e também temos um
conjunto de trabalhadores na base que não se sentem representados. Estes casos
todos tem um aspecto em comum, é uma categoria de trabalhadores que podemos
chamar de “Não Classe Trabalhadora”, são os trabalhadores que não aceitam ser
representado por uma Entidade Sindical, eles se consideram outro perfil de
trabalhadores, porém tem a mesma jornada, o mesmo salário, o mesmo patrão, a
mesma condição precária mas propagam e defendem uma liberdade que não gozam.
Tem seus salários reajustados pela negociação do Sindicato, as mesmas e somente
as condições negociadas pelo Sindicato mas “ideologicamente” são livres do
Sindicato. Não participam, não contribuem e não aceitam o Sindicato como seu
representante, inclusive combatem a atuação Sindical. Esta “Não Classe
Trabalhadora” tem um perfil especifico e tem falado muito em
representatividade, sobretudo fala sobre um novo Sindicato, este seria aliado a
interesses da empresa, um Sindicato ameno, dócil, em resumo é o que no meio
sindical conhecemos como o Sindicato “Pelego”.
O dirigente apresenta ainda dados de pesquisa que o
Sindicato dos Metalúrgicos fez em sua última Campanha Salarial, onde foram
qualificados o perfil dos trabalhadores. Para Alexson, “o resultado é um extrato da despolitização de uma parcela
da Classe Trabalhadora. Em números, consultados 239
trabalhadores, o resultado é estarrecedor. 33,9%
destes trabalhadores não sabem a diferença entre uma CCT, Acordo Coletivo ou
Dissidio, e 43,5% responderam errado, ou seja, destes apenas 22,6% possuíam
algum conhecimento daquilo que estavam se opondo.62,3% afirma que a oposição a
Contribuição Negocial em favor do Sindicato é Ideológica e apenas 28,9% afirma
ser por motivos Trabalhistas, 6,3% a Empresa Orientou e 2,5% afirma Fui
incentivado por alguém.
Estes números alertam para uma parcela de trabalhadores que não
aceita ser representado, um perfil de trabalhadores quem se considera “Não
Classe Trabalhadora” e portanto não quer ser representado. A “Não Classe Trabalhadora”
é melhor que nós Sindicalizados, mas apanha com o mesmo “chicote”.
Por outro lado, os Sindicatos tem a tarefa de
conscientizar a Classe Trabalhadora para organizar-se e enfrentar a Selvageria
do Capitalismo. Se a Política Sindical responder a este desafio, então representará
sua Categoria, do contrário não. Como
dito acima, acreditamos que a representatividade é sempre resultado da
Incidência Política do Sindicato e para cumprir nosso papel e atuamos de forma
Planejada por meio de 3 Programas; 1 – Direitos dos Trabalhadores Metalúrgicos,
2 – Incidência Política, 3 – Fortalecimento Institucional.
O Planejamento qualifica a capacidade de resposta do
Sindicato perante sua Categoria e na nossa entidade tem conquistado avanços
significativos, seja na qualificação dos processos internos quanto na
capacidade de apropriar dos sofrimentos da categoria e transformar em pautas
perante a Patronal para enfrentar os desmandos cometidos perante nossa
Categoria. As Pautas incluem os trabalhadores de modo que os mesmo conseguem se
enxergarem na atuação do Sindicato, ou seja, estarem representados.
Em pesquisa para a elaboração da Pauta da CCT 2019/20 coletamos um conjunto de informações de Associados e não associados que nos dão a dimensão da representatividade atual do nosso Sindicato. Os trabalhadores na sua grande maioria sabem o valor da Ferramenta Sindicato e estão dispostos a se somar na construção de saídas para a atual conjuntura.
Consultados 268 trabalhadores, sendo 41% sindicalizados e 59% não sindicalizados: 42,5% conhecem a CCT da Categoria; 75,4% gostaria de ter mais informações sobre o Sindicato; 55,2% afirma que a sua remuneração não é suficiente para o sustento da familiar; 41% afirma que a CCT negociada pelo Sindicato é “muito importante” e outros 37,7% define como importante; 75,7% afirma que se o Sindicato negociar vantagens pela Categoria, contribuirá financeiramente com o Sindicato.
Alexson destaca que estes números servem para ilustrar a posição do Sindicato dos Metalúrgicos com relação a representatividade e que não há como medir representatividade de uma Entidade Sindical com a régua de quem historicamente nos combate. Afirma que “a defesa de direitos do Trabalhador nunca esteve tão atual para a Classe Trabalhadora e os Sindicatos tem um papel determinante e os trabalhadores desejam maior presença dos Sindicatos, desejam estarem nas pautas, valorizam e estão dispostos viabilizar economicamente as entidades que os representa. Mesmo com os ataques deliberados do Estado aos trabalhadores, a pauta está atualizada e as entidades tem em mãos a oportunidade de adaptar os Sindicatos ao modelo atual de trabalho”.
“Quem muito fala em não representatividade Sindical é também
quem vive de patrocínios patronais o que por si só compromete a análise”.
“A Direção dos Metalúrgicos tem por princípio ouvir
os trabalhadores e sobre o tema da representatividade ficamos com a informação
que nossa categoria nos fornece e não com a suposta opinião dita, por terceiros
cujos interesses não são os mesmos que a Classe Trabalhadora”.
Na sua visão, neste momento
histórico, “os trabalhadores são
duramente atacados e o Sindicato é a ferramenta que os representa e apenas está
do mesmo lado. Não há ataque a Sindicato sem que o interesse maior seja
fragilizar o trabalhador. O Sindicato não é o objetivo destas ações
deliberadas. A sacanagem que eles dizem do Sindicato não é o que eles querem
fazer com o Sindicato, é o que eles querem fazer com o Peão! O Sindicato tem
vitalidade para retomar a Democracia, para revisar as relações de Trabalho, de
segurar a Reforma da Previdência, de assegurar o curso da Democracia e por
estes motivos eles devem ser combatidos.
Você já viu um trabalhador combater seu Sindicato? O trabalhador
apenas não se reconhece como Sindicalizado, ele não combate a Organização. É
comum vermos ensaios patronais como vimos no caso da Havan onde, sem a presença
da gestão da Empresa, não há manifestação, ou seja, não é manifestação da
posição dos Trabalhadores mas, sim, a manifestação forçada pela vontade do
Patrão. Quem ataca Sindicato não são os trabalhadores, são interesses pontuais
alheios aos interesses da Classe Trabalhadora”.
Finaliza sua participação em nossa matéria
dizendo ser inconcebível uma opinião patronal (dos patrões) balizar a discussão
dos trabalhadores. Que a crítica patronal ou dos meios de comunicação soam como
“elogios para seguirmos combatendo este perfil empresarial inconsequente,
desrespeitoso e explorador que se consolidou no País”. Afirma, por fim que “quem
Pauta o Sindicato é a sua base e não terceiros. Quem quiser incidir nos rumos
das Entidades Sindicais e da Classe Trabalhadora deve estar Sindicalizado e
incidir junto aos seus pares”.
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Passo Fundo (SIMPASSO), Éverson da Luz Lopes, generosamente, pondera que há sim, uma certa crise de representatividade, “que passa muito pela falta de informações e até mesmo o discurso falso que é emitido pela mídia e detentores de cargos públicos que defendem o governo atual. Com a Reforma Trabalhista foi tirado muito poder de representatividade dos sindicatos e colocadas nossas entidades contra os trabalhadores. Mas aos poucos vamos esclarecendo esses fatos junto aos servidores municipais e nossa representatividade se tornará ainda mais forte”.
Sobre como o SIMPASSO trabalha a questão da
representação, afirma: “temos grande
orgulho em dizer que somos um dos Sindicatos mais representativos do estado,
servindo de modelo para muitos outros que atuam na representação de servidores públicos
municipais. Temos uma história de conquistas e diante de tantos obstáculos
apresentados pelas Reformas, temos nos fortalecido ainda mais com o apoio dos
nossos associados.
Hoje a maioria dos servidores
municipais é sócia do SIMPASSO e isso mantém nossa estrutura de
representatividade forte. É claro que temos que nos reinventar a cada dia e sem
dúvidas os desafios são muito grandes daqui para frente.
Temos mais de cem conveniados que prestam
atendimento ao nosso associado, atendimentos de odontologia e jurídico
gratuitos, sedes sociais e muito envolvimento e contato direito com o associado
utilizando as redes sociais. Isso nos torna muito fortes”.
Sobre os ataques que os sindicatos vem recebendo
neste momento histórico, Daluz, como é
conhecido, afirma que “existe um esforço
muito grande do governo federal, dos empresários e lideranças políticas em
enfraquecer os Sindicatos. Sem nós, o trabalhador fica desamparado, fica sem
força de luta e reivindicação. É claro, sabemos que entre os tantos Sindicatos
espalhados pelo país temos casos de entidades que não possuem como principal
objetivo a defesa do trabalhador e sim interesses próprios ou até mesmo de
bandeiras partidárias. Mas o trabalhador sabe me distinguir o Sindicato que faz
a representatividade, que oferece serviços, que oferece convênios e que merece
ser incentivado.
Finaliza sua participação na matéria afirmando que “os Sindicatos antigamente serviam apenas para a atividade fim, de ir pra rua, de protestar, fazer greves e tentar avançar apenas no grito. A realidade mudou um pouco e precisamos entender o contexto que vive o nosso país e sermos inteligentes para driblar todas as adversidades que estão apresentando para o nosso movimento”. Conheça mais: http://simpasso.org.br/
Tarciel Silva, Sindicato dos Comerciários
Para o dirigente do Sindicato dos
Comerciários, entidade que vem sendo atacada pela atuação estapafúrdia do dono
da Havan, em nossa cidade, esta história de ataque aos sindicatos começa pelo fim
da contribuição sindical, terceirização, reforma trabalhista, para cada vez
mais o trabalhador não ter direitos. O trabalhador não ter direitos só
interessa aos empresários, para fazer no México ou outros países no mundo,
trabalhador por hora.
Na avaliação de Tarciel, “os sindicatos ainda representam a luta não só contra este
governo, mas contra qualquer outro governo. Quando os sindicatos tem
representatividade, acabam dialogando com suas categorias e com o resto da
população, sendo uma espécie de escola de formação da cidadania”.
“Num
país que é dirigido por um tipo de governo como o nosso, onde a educação já não
é prioridade, quanto mais povo sem educação e quanto mais trabalhador sem saber
os seus direitos, mais fácil é de explorar. E isto é sistemático”.
Na avaliação de Regina Costa dos Santos, dirigente do recém-criado CMP Sindicato (Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo), “o que existe é uma série de ataques a classe trabalhadora, associado a várias iniciativas de enfraquecimento das organizações sindicais, onde estas entidades representativas da classe trabalhadora estão enfrentando dificuldades, assim como os trabalhadores, que diante de tantos ataques necessitam estar se reafirmando e se reinventando, mais uma vez”.
Para Regina, ao longo da história da classe trabalhadora, entidades
sindicais sempre estiveram em queda de braço com sistema patronal, onde sempre
fomos atacados, no entanto, atualmente está sendo proliferado uma descrença
social, para tirar a credibilidade do movimento dos trabalhadores(as), pois
quanto mais o trabalhador(a) estiver sozinho, mais a empresa/patrão se
fortalece.
Como representante sindical dos
professores municipais, diz que comprovar que seu Sindicato não vive nenhuma
crise de representação sindical, na nossa categoria dos professores municipais
e enumera números: criamos o sindicato em 2015; temos uma diretoria colegiada
de 28 dirigentes, destes 25 estão no seu local de trabalho; temos mais de 1.200
professores filiados, só neste primeiro trimestre, deste ano, filiamos mais de
100 professores; temos no conselho de representantes sindicais, mais de 50
escolas representadas; temos vários ferramentas de formação e contato com
professores da rede.
A dirigente destaca no entanto que, “com isso, não estou dizendo que está tudo bem, enfrentamos dificuldades
estruturais que atingem diretamente nossa categoria como reforma da
previdência, congelamento dos gastos na educação, sucateamento das condições de
trabalho, ataques ao plano de carreira…, associado a ameaças de corte de
ponto nas mobilização, no entanto reconhecemos que a atual conjuntura é
totalmente desfavorável para classe trabalhadora, mas como entidade
representativa do magistério, não podemos nos dar o luxo de desistir, encaramos
como desafios coletivos, no que diz respeito a formar novas lideranças,
repensar e reinventar nossas ações para chegar a massa da classe trabalhadora”.
Em sua última participação para
esta matéria no site, sentencia: “os sindicatos e suas lideranças sempre
foram atacados e é diante das dificuldades que ressurgimos e com mais força,
afinal é o que fundamenta nossa
existência, se o trabalhador vem tendo seus direitos atacados, o sindicato como porta-voz da classe
trabalhadora, tanto no âmbito individual como no coletivo, cabe a estas
entidades balizar as desigualdades do mundo do trabalho, mesmo que
bombardeados!”.
Seu sindicato está em crise? A
categoria também está! Sindicato forte é
reflexo de avanços para o trabalhador(a)!
O
tema do Sindicalismo brasileiro e crise de representatividade já vem sendo
estudado há um bom tempo. No entanto, cabe destacar, que as contradições do
exercício do poder democrático e representativo, também experimentado nos
sindicatos, também está em crise em todo o Brasil. As instituições brasileiras,
organizadas dentro do estopo democrático, modo geral, estão sendo colocadas em
xeque em suas atuações.
Com
o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, por exemplo, muitos
sindicatos passaram a ter dificuldades no enfrentamento cotidiano de suas
lutas. Professor Laércio Fernandes dos
Santos, em uma das suas publicações no site, defende que “com a lei impedindo que se arrecade, os sindicatos ficarão
enfraquecidos e, por consequência, a classe trabalhadora não pressiona para que
o governo preze pela classe que mais necessita. Por outro lado, fica fácil para
o governo garantir os grandes investimentos para as empresas privadas, na
grande maioria, aquelas que os elegeram e ajudam a se manter no poder esmagando
a grande massa que depende do suporte do Estado. Com isso, as questões básicas
e sociais do cidadão que paga o imposto ficam de lado, com a desculpa que não
há dinheiro. Exemplo claro que estamos vivenciando no país e no estado”.
Em entrevista ao site da FNTTAA, o economista José Dari Krein, professor do Instituto de Economia da Unicamp, ao ser perguntado sobre o que explica a crise de representatividade do movimento sindical, respondeu entre outras coisas que “a crise do sindicalismo tem a ver com o processo de globalização que favoreceu muito as empresas, que puderam pressionar os sindicatos que não aceitassem suas regras com o argumento de fazer investimento em outros países.
O movimento sindical também perdeu base com a ampliação de setores como o de serviços, de categorias muito fragmentadas. Há também uma visão hegemônica no mundo de crise de representatividade. Você tem que entender o enfraquecimento nesse processo. Mas há muitos indicadores que mostram que o movimento sindical se fortaleceu. O número de greves e de filiados voltou a crescer. O resultado das negociações salariais foram favoráveis às categorias nos últimos anos. Então o sindicalismo brasileiro, em relação ao mundo, se fragilizou menos. É verdade que o movimento sindical, como todas as instituições políticas, perderam credibilidade nos últimos anos”.
Na sua opinião, “isso tem a ver com essas mudanças mais gerais que foram acontecendo no mercado de trabalho, na economia, em sua organização, e também há essa tese de você fortalecer essa perspectiva de jogar sobre o indivíduo a responsabilidade sobre sua inserção no mercado de trabalho. Como vou melhorar minha condição de vida? Vou apostar na ação coletiva ou na minha qualificação para competir com o outro? Então o que prevaleceu foi essa competição entre os indivíduos, num quadro de maior precariedade, e isso anda contra a ação coletiva, porque o sindicato tem que apostar na solidariedade”.
O sociólogo e
professor da IMED de Passo Fundo, Jandir Pauli, em sua generosa colaboração
para esta matéria, manifestou-se apresentando sua breve reflexão.
“Entendo que o sindicalismo passa por uma crise de representatividade, à esteira da crise da representatividade política do país. A democracia representativa está em uma encruzilhada importante, mobilizando atores em diferentes perspectivas.
De uma lado, as dificuldades típicas de
democracias em desenvolvimento, exigindo um esforço na consolidação de
instituições capazes de gerir os interesses econômicos que atravessam o poder
político. De outro, movimentos que colocam em cheque toda construção desde a reabertura
democrática. Sem dúvida, a constituição de 1988, gentilmente chamada de
Constituição Cidadã foi um marco desta construção e trouxe para a arena
política a pluralidade da representatividade social brasileira. Nela estão
importantes avanços, inclusive em torno do direito ao trabalho decente e da
proteção social do emprego.
O que estamos acompanhando na atualidade é, de um lado uma crescente concentração de renda e aumento da desigualdade, onde os direitos são percebidos como “benefícios exagerados” e que a proteção trabalhista protege a uma casta de proletários, diante de um Estado cada vez mais ausente da proteção social.
Este argumento não se mantém, especialmente se considerados os últimos eventos em torno do tema. A reforma trabalhista surgiu com a proposta de desonerar a produção e, consequentemente, aumentar os empregos. Mas não foi isto que aconteceu. Ao contrário, a informalidade segue aumentando e a flexibilidade das relações de trabalho tem se aproximado mais da precarização.
Neste ponto, sindicatos de trabalhadores poderiam
ser importantes porta-vozes e interlocutores representativos. Mas não são. Um
dos motivos é sua baixa capacidade de ressignificar o momento social atual –
marcado por uma desinstitucionalização das causas sociais – e as mudanças
no mundo do trabalho, incluindo uma revisão dos seus repertórios de ação,
gestão democrática e construção de estratégias consonantes com os interesses
dos atuais e potenciais associados.
Esta fragilidade faz com que sejam duramente
atacados pela lide mais forte da relação entre capital e trabalho, a classe
empresarial. Essa fragilidade faz com que sua defesa não encontre ecos na
sociedade plural.
Dito de outra forma, os sindicatos de
trabalhadores têm uma causa nobre e sua representatividade é imprescindível diante
da desigualdade econômica social e política da relação entre empresários e
trabalhadores. Entretanto, precisam recuperar sua essência a partir de uma
revisão da estratégia que dialogue com as mudanças sociais e do mundo do
trabalho”.
Há uma total falta de visão estratégica por parte dos generais que hoje formam um “exército” de mais de 100, nos ministérios e autarquias do governo Bolsonaro.
O protagonismo dos militares na vida política brasileira, data
da Proclamação da República. Como avaliou o historiador Celso Castro, “a história
escrita pelos protagonistas do golpe de 1889 deixou inscrita na história política
do país a visão de que um grupo ‘esclarecido’ de militares pode ‘salvar’ a Nação,
em seu nome.”
Em 1922, a oposição dos quartéis ao regime oligárquico, representou
a revolta da classe média contra os desmandos da elite café com leite. Os tenentes,
pretendiam dotar o país de um poder centralizado, com o objetivo de educar o povo
e seguir uma política vagamente nacionalista.
Este nacionalismo ganhou força entre os militares ao longo do
período Vargas que levou à criação da Petrobrás no segundo governo de Getúlio, 66
anos atrás. Este mesmo compromisso com uma economia nacional produziu a Embraer
há 50 anos.
Com a ascensão dos militares em 1964 foi retomado o nacional desenvolvimentismo
getulista burguês, com duas modificações capitais: a associação com o com o capital
externo, para o financiamento da expansão industrial interna, e a substituição do
mercado interno pelo externo para a realização de parte da produção nacional, conforme
o historiador Mário Maestri.
Enquanto funcionou o “desenvolvimentismo militar”, recuou a submissão
semicolonial, sob a hegemonia das classes burguesas dominantes, representadas pelos
generais no governo.
Maestri em seu livro Revolução e Contra-revolução – 1530-2018,
falando sobre os militares que defenestraram os castelistas ligados aos EUA e ao
capital financeiro, assevera que, “desejavam um ‘Brasil Grande’, capitalista, direitista,
com uma forte indústria civil, naval , bélica, etc.”
A mais resistente e consistente ordem escravista colonial americana. Uma longeva monarquia despótica, centralista e escravista, de caráter semi-colonial, com as classes dominantes dirigindo o país sob o tacão econômico da Inglaterra. A liquidação do reformismo abolicionista pela contra-revolução republicana, elitista, oligárquica, federalista e nem um pouco democrática. O caráter regional da industrialização e o nacional-desenvolvimentismo burguês getulista, com recuo relativo do status semi-colonial do país. As sequelas da hegemonia estalinista e populista sobre o jovem proletariado brasileiro. Saiba mais clicando aqui.
Geisel, em 1977, não teve dúvidas em romper o acordo militar Brasil-EUA,
mostrando uma postura de defesa da soberania nacional.
Em meio a prisão e morte de sindicalistas, estudantes, jornalistas,
etc, fundaram grandes empresas nacionais e as ampliaram. Abriram mercados na África
e na América Latina. Para o pavor dos EUA queriam fazer uma bomba atômica. Enfim,
representavam a ideia do grande capital nacional.
Ao assistir a delapidação
atual da economia brasileira, é preciso lembrar que nos anos 1970, chegamos a ter
praticamente o mesmo perfil estrutural da indústria de países desenvolvidos, herança
deixada por Vargas e desenvolvida por JK.
Hoje, ao contrário, estamos assistindo ao entreguismo fardado.
Depois da Embraer e da Base de Alcântara, o monopólio do urânio está por um fio.
Há uma total falta de visão estratégica por parte dos generais que hoje formam um
“exército” de mais de 100 aboletados nos ministérios e autarquias do governo Bolsonaro.
Tais generais, sem nenhum pudor, estão jogando no lixo os compromissos
com a defesa da soberania e do patrimônio nacional, enquanto o capitão bate continência
para o pavilhão norte-americano.
Os versos de Vandré voltam a ter todo o sentido: “Há soldados
armados, amados ou não/ Quase todos perdidos com armas nas mãos/ Nos quartéis lhes
ensinam uma antiga lição/ De morrer pela pátria e viver sem razão”.
O desequilíbrio socioeconômico representa uma enfermidade que, há tempo e de forma progressiva, vem exibindo suas chagas e suas febres. De entre estas, a mais visível é a persistência do desemprego, subemprego e trabalho informal.
A pergunta parte de um leigo que pouco
entende de economia e menos ainda de administração ou finanças públicas. De
qualquer maneira, talvez não seja ocioso insistir sobre ela: enquanto
prevalecerem os famigerados “penduricalhos” nos salários de representantes dos
altos escalões da máquina estatal brasileira, vale a pena tantas palavras e
tanto tempo gasto para levar adiante as reformas da previdência, tributária,
política, além de outras formas de esforço semelhante?
Uma
vez mais, não estamos trabalhando para proteger os privilégios e benesses das classes
dominantes, pagos com as taxas e impostos do conjunto dos cidadãos? Ou ainda,
na metáfora de Gilberto Freire, não estamos reproduzindo desde a Colônia, o
Império e a República o esquema perverso da Casa Grande & Senzala?
Citemos alguns números extraídos do
editorial do Jornal O Globo (Cfr. 17/06/2019, pág. 2): “Em maio, a
remuneração líquida de um magistrado de Minas Gerais foi de R$ 752.159,39.
Desse total, o Tribunal de Justiça pagou-lhe R$ 725.037,51 a título de
‘vantagens eventuais’, rubrica para verbas indenizatórias”.
Num
dos países mais ricos e ao mesmo tempo mais pobres e desiguais do planeta, as
cifras espantam e escandalizam. Ainda mais que o Brasil segue exibindo uma
assimetria social estridente e cronicamente doentia.
Pelos campos e cidades, o lucro estratosférico
de um punhado de poderosos caminha lado a lado com a miséria e fome de
multidões. Mas o articulista prossegue: “Não se trata de algo episódico.
Levantamento do G1 mostra ocorrências similares – no mesmo mês, outro juiz
mineiro recebeu R$ 340.339,80 como ‘vantagens’”. E mais adiante: “Remunerações
acima do teto constitucional se tornaram padrão nas folhas salariais do
Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público em todo país”.
Enfim: “Cerca de 71% dos magistrados
brasileiros têm ganhos acima do teto, legitimados por, ao menos, 35 modalidades
de gratificações, ‘auxílios’ (moradia, alimentação, viagens) e toda sorte de
penduricalhos que o sistema jurídico permite conceber e implantar”. Flagrante o
contraste com os salários populares!
O desequilíbrio socioeconômico representa
uma enfermidade que, há tempo e de forma progressiva, vem exibindo suas chagas
e suas febres. De entre estas, a mais visível é a persistência do desemprego,
subemprego e trabalho informal.
São notórios em nosso país as
estatísticas referentes à violência, seja aquela perpetrada no interior da
família, seja aquela orquestrada pelo crime organizado, ou ainda aquela
‘legítima’ das forças públicas.
Como
encontrar a paz e a tranquilidade sem um emprego estável que permita colocar o
alimento na mesa da família e os filhos na escola? Como evitar que os jovens e
adolescentes, para não falar das crianças, caiam vítimas do recrutamento das
milícias? Disso resulta, ainda, o número cada vez mais expressivo de pessoas e
famílias habitando nas ruas!
Outra chaga consiste na falta ou
precariedade dos serviços públicos, como saúde, educação, política agrária e
agrícola, com crédito e apoio ao pequeno produtor.
Condições tais que dão origem a gigantescos
e recorrentes deslocamentos de massa, sejam eles realizados em caráter periódico
e sazonal ou definitivamente.
Testemunhas dessa febre enquanto efeito
contagioso são as obras da literatura regionalista brasileira. Alguns exemplos:
José Américo de Almeida, com A bagaceira; Raquel de Queiroz, com O
Quinze; Graciliano Ramos, com Vidas Secas; José Lins do Rego, com Fogo
morto, Clarice Lispector, com A hora da estrela; Jorge Amado, com Seara
Vermelha; ou João Cabral de Melo Neto, com Morte e vida severina.
Todas as obras acima citadas fazem
lembrar a obra clássica do norte-americano John Steinbeck, Asvinhas
da Ira, a qual lhe valeu o prêmio Nobel da literatura em 1962. Centenas e
milhares de famílias em retirada triste, penosa, faminta e cabisbaixa – “como
quem conta os próprios passos”, ou “como quem leva as pernas, em vez de ser
levado por elas”, escreve José A. de Almeida (A bagaceira). Gente banida
pela terra natal e condenada ao êxodo, ao exílio e à diáspora tentando fazer da
fuga uma nova busca, do desespero trágico o alicerce para um futuro de maior
esperança e bem-estar.
“Os exemplos poderiam multiplicar-se por páginas e páginas. Centavos e milhões representam, respectivamente, miséria, subnutrição e fome, de un lado, e, de outro, riqueza, luxo e ostentação: ambas crescem em proporção recíproca e exponencial”.
Até quando os pobres do país manterão os bancos, o sistema de previdência e serão os culpados pelos desgovernos dos governos? Até quando a justiça terá lado?
Não gostaria de
decepcioná-lo ao dizer-lhe que minha consciência de pátria se deve a um
cata-vento de infância. Tampouco quero escandalizar os amigos com minha
proposição: “Um dia D é daqueles de fazer cata-vento e correr pela estrada”.
Meu passado de Forrest
Gump, às vezes, aflora como um incontrolável espirro, para não usar outra
comparação inadequada.
Ensino aos que não sabem, lembro aos que esqueceram: um
cata-vento é um brinquedo construído de liberdade. O ar move as alas enquanto
corremos contra o vento.
Tinha sete anos. Era meu primeiro sete de
setembro. A coincidência do sete lembra
plenitude. Soma do número 4 – pontos cardeais – com 3 – espírito, alma e corpo.
Tinha sete anos, era meu primeiro sete de setembro consciente.
A aliteração também é
mera coincidência deste número sete me perseguindo. O cata-vento tinha quatro
alas verde-amarelas. Quatro do mundo, quatro pontos cardeais de minha pátria. E
foi roubado antes do desfile.
Foi assim. Cada turma
do colégio marcharia no sete de setembro com um símbolo diferente. Tive a ideia
do cata-vento. Adorava correr pelas estradas com um de folha de ananás. A
professora achou interessante fazê-lo com papel amarelo em um lado e verde no
outro.
O cata-vento, pagaríamos nós, como quase tudo em escola
pública. Minha mãe vendeu feijão para me dar a primeira pátria. Foi a
professora quem falou isso. “Imaginem-se levando a pátria nas mãos.” Eu
acreditava em quase tudo. E acreditei que tinha uma pátria que ajudara a fazer.
Levei o dinheiro para a
professora. Fiz o cata-vento. Sentia-me orgulhoso
de minha pátria.
Todas as florestas verdes de um
lado. Todas as riquezas amarelas no outro.
O cata-vento não tinha
céu. Não precisava. Céu é infinito, não caberia no cata-vento-pátria. Testei,
era bom e forte. Corri pelo pátio, andei
pelos corredores. Pátria girando nas mãos, coração alado. Feliz brasileiro eu,
por ter uma pátria de feijão cultivado por meus pais.
Alegria de pobre dura
pouco, diz o provérbio. A minha durou 24 horas. Fiz e testei o cata-vento no
dia cinco. Para ensaiarmos a marcha, voltei à escola no dia seis, correndo
ufano e altivo. Desfilaria com minha pátria entre as mãos, com o trabalho de
papai plantando o feijão, de mamãe tirando o inço, do meu transformando o
papel. Corri para a pasta dos meus
trabalhos. Surpresa! Meu cata-vento sumira. Desesperei-me, chamei a professora,
gritei para os colegas: “– Roubaram minha pátria!”
Voltei angustiado para
casa. Teríamos que vender mais feijão. Precisava de outro cata-vento. Graças a
Deus, mamãe entendeu. A professora comprou papel, refizemos o brinquedo, outra
pátria para minha pueril felicidade.
Sete de setembro,
imponentes, desfilávamos. Em raios
fúlgidos, brilhou o sol da pátria no cata-vento de um colega. Vi, nas alas
amarelas, o triângulo verde da bandeira da Inconfidência. Era minha senha.
Apenas eu o desenhara.
Terminado o desfile,
avancei contra ele, mesmo mais forte. Arranquei de suas mãos aquele símbolo em
restos de papel sobrados da briga. Lembro tudo como o primeiro roubo da pátria
que enfrentei. Nesses anos, infelizmente, muitos o sucederam.
Até quando venderemos
nosso feijão para refazer os cata-ventos? Até quando os pobres do país manterão
os bancos, o sistema de previdência e serão os culpados pelos desgovernos dos
governos? Até quando a justiça terá
lado? Hão de roubar-nos sete vezes? Ou
setenta vezes sete, Senhor?
Nossa website é uma construção que envolve a dinâmica dos cata-ventos: sempre abertos a possibilidades de interação e integração dos saberes e sabores que vem da vida e da natureza. É uma construção feita por muitas mãos. Nasceu do desejo e da necessidade de comunicar conhecimentos e reflexões que se importam com a construção de um ser humano mais colaborativo e solidário e um mundo mais humanizado.
Uma triste, mas necessária reflexão.
Inquestionável a dor. Inevitável o luto. Indubitável o temor. Instintiva a
compaixão. A tragédia bagunça a alma. Os gritos ecoam silenciosamente pelas
ruas. O medo se banha no luar e acorda, ao amanhecer, refletido pelo sol nos
olhares perdidos no horizonte cinzento.
É estranho se reconhecer no outro nunca
conhecido. Dói viver diante da dor de morrer. Um suicídio lento jamais
concretizado. Passado, presente e futuro paralisados. Medo, compaixão, raiva,
saudade, amor, responsabilidade, tormento. Necessária a purificação dos
sentimentos.
Conheça documentário que retrata dor, tristeza e saudade na tragédia na Boate Kiss, em Santa Maria, no ano de 2013.
Os antigos gregos usavam a tragédia como forma de reflexão social. Para o filósofo Aristóteles, a função da tragédia é de, por meio do temor e da compaixão, purificar os sentimentos. A catarse (termo hoje amplamente utilizado pela medicina e a psicologia) deveria purificar as almas por meio de uma intensa liberação emocional provocada pelo drama. É a partir das tragédias que se desenvolveu a filosofia socrático-platônica e, com ela o conceito de alma (psiché). De acordo com esse pensamento o homem só pode conhecer o mundo quando conhece a si próprio. “Conhece-te a ti mesmo.”
Na peça, “Antígona”, Sófocles, narra o
drama de Antígona cujo irmão está morto e foi proibido pelo rei Creonte de ser
enterrado. Caso ela não enterre seu próprio irmão, não lhe concederá o culto
religioso que completará o ciclo da vida. Esse seria um erro terrível para com
sua família. Se Antígona enterrá-lo, cometerá um crime contra a cidade (Estado)
visto que o rei proibiu que qualquer um o enterrasse.
Milênios depois de “Antígona”, vivemos
drama semelhante na tragédia que levou ao chão mórbido, centenas de irmãos
mortos. O mesmo conflito entre o indivíduo, as famílias e as leis do Estado.
Por que permitimos isso se a lição já havia sido ensinada? Sim, somos todos
culpados. Por ação ou omissão somos culpados. Tanto a indignação que sentimos
em relação aos que agiram de forma negligente quanto a compaixão que sentimos
pelas vítimas e familiares, comprovam a culpa coletiva.
Precisamos purificar os sentimentos. De forma dolorosa a catarse se faz
necessária. Não se trata de expiar a culpa com duras penas. Trata-se do
conhecer a si mesmo diante da tragédia. A função pedagógica da tragédia nos
leva à triste, mas necessária reflexão sobre a parcela de culpa que temos por
não tê-la evitado.
Inquestionável a responsabilidade dos
(des) organizadores e “profissionais” que não tomaram as providências
necessárias para garantir o direito ao lazer com segurança e proteção à vida.
Inquestionável a responsabilidade do Estado que cria leis, mas não fiscaliza
com seriedade. “As leis não bastam, porque os lírios do campo não nascem das
leis”, é preciso cultivá-los além de querê-los.
Inquestionável a nossa responsabilidade
que, frequentando inúmeros ambientes como o deste triste cenário, vemos as
irregularidades e não as denunciamos ou não nos recusamos a frequentá-los.
Peca-se por ação. Peca-se por omissão.
Minha alma está uma bagunça. Choro a
dor da humanidade perdida. Choro minha dignidade ferida pela ausência da
reflexão, pela ausência da prevenção. Conheci um pouco mais de mim mesmo. Lição
pedagógica que dói a alma. Preferia a palmatória.
Choro como Antígona diante do irmão morto sem o direito de dar-lhe
descanso a alma por causa da lei do Rei. Choro porque no Estado Democrático o
povo é autor e destinatário das leis, portanto por elas responsável e diante de
cada tragédia que se repete, comprovamos nossa incapacidade de governar.
Que essa purificação dos sentimentos
seja arrefecida por dias mais claros. Que o grito silencioso dos mortos pelas
ruas da cidade que me acolhe jamais silencie minha voz diante da injustiça
eminente.
A tragédia é uma lição pesada demais
para se repetir no próximo ano. Sidinei Cruz Sobrinho. In memoriam às mais de 240
vítimas fatais de Santa Maria. Janeiro triste de 2013. Há 6 anos sem justiça.
A sexta turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu por unanimidade levar a júri popular os responsáveis pela tragédia em Santa Maria (RS), que causou 242 mortes em janeiro de 2013. Os ministros entenderam que dois empresários responsáveis pelo funcionamento da boate e dois integrantes da banda que tocava naquela noite assumiram o risco de matar.
A experiência durante e após a Oratória é e será muito importante, na minha vida, pois eu consegui vencer o meu maior medo: o de falar em público. (estudante Michael Alcides Martins de Quadros)
Neste último dia 10 de maio de 2018, 16 alunos
das séries finais do Ensino Fundamental das Escolas Públicas municipais e
estaduais participaram de atividade promovida pela JCI.
Para quem promoveu, como para quem assistiu as
produções dos alunos, foi uma aula gratuita de profundas reflexões, elaboradas
pelos alunos e supervisionadas por seus professores.
Com satisfação e alegria, repercutimos a
atividade e as aprendizagens dos envolvidos: o aluno premiado, a professora
responsável e a diretora da escola do aluno premiado (Escola Municipal de
Ensino Fundamental Antonino Xavier) e um representante da JCI, entidade
responsável pela atividade, em sua décima edição.
Oratória, um momento inesquecível!
(Professora Lindamar de Andrade)
O
concurso de oratória, organizado pela JCI, faz parte da minha vida,
especificamente, há 4 anos, tempo em que a Escola Antonino Xavier, escola em
que trabalho, participa.
No
início, os alunos tiveram muita resistência para participar, por não ser uma
tarefa fácil, pois tem de se ler muito, escrever, reescrever e escrever
novamente e além disso, discursar, de preferência sem o texto em mãos e para um
grande público e ainda, ser julgado por uma equipe de alto nível intelectual.
Com o
tempo, muita insistência e propaganda minha, foram se interessando e cada vez
mais participantes foram se empolgando e aderindo à ideia.
Nesse
concurso de 2019, foi impressionante, pois houve nove participantes. Cinco
alunos do nono ano e quatro do oitavo.
Em
fevereiro quando a JCI nos convidou para participar, não pensamos duas vezes,
direção e eu, prontamente manifestamos interesse.
Em
março, iniciei os trabalhos de pesquisa, com todos os alunos, no laboratório de
informática da escola, com filmes, vídeos, enfim o máximo possível de material
para que se apropriassem de ideias e argumentos para a produção do texto
dissertativo/argumentativo sobre o assunto em questão: Como tratar as pessoas
sem máscaras ou estereótipos?
Após o
trabalho árduo, nove alunos mostraram imenso interesse em participar, então, a
tarefa agora, era preparar esses nove, para a final em maio. Primeiramente,
melhorando a escrita das produções e depois a oralidade. Atividade intensa,
diária, sempre que possível e semanal, obrigatoriamente.
No dia
29 de maio realizou-se a final na escola. Foi um evento com cinco jurados, três
professores da escola e duas jornalistas, uma da RBS TV e uma da Rádio
Planalto. Foi um evento brilhante. Como
só podíamos escolher um, o escolhido foi o Michael, que por sinal foi o
vencedor da oratória de 2019.
O mais
esplêndido desse Concurso, NÃO É SÓ GANHAR, VENCER, ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR, É
VER O BRILHO NOS OLHOS DOS ALUNOS, AO PERCEBEREM QUE VENCERAM SEUS MEDOS, QUE
SE SUPERARAM AO EXPOR-SE E AINDA, FORAM JULGADOS. Tarefa nada fácil,
principalmente, na adolescência, fase em que preferem esconder-se, não serem
vistos.
Para
mim, como professora, o Concurso de Oratória é um evento mágico, pois me
possibilita contribuir, ainda mais, para o crescimento dos alunos, pois a
oralidade é atividade, não só escolar, mas para a vida toda.
Apesar
da fase crítica da educação, sou uma professora que acredita que é através da
Educação que teremos seres humanos melhores e digo isso a eles, constantemente.
E quando vejo 9 alunos participando de um concurso desses, me convenço cada dia
que escolhi a profissão certa.
Concurso Oratória nas escolas: orgulho e
sucesso pelo trabalho (Diretora Diva Marco)
Poder participar do processo
“Concurso de Oratória nas Escolas” para nós da EMEF Antonino Xavier já é
considerado uma vitória. Uma vitória porque significa que nossos professores
aceitam desafios e assim sendo, se propõem também a desafiar seus alunos.
Permitir-se o desafio e encorajar-se a desafiar, é com certeza, um dos aspectos
essenciais para o alcance de muitas vitórias.
É claro que ser a escola do aluno vencedor nos
enche de orgulho e nos deixa muito felizes porque o nível dos textos e das
apresentações estavam excelentes.
Michael sempre foi um aluno
muito esforçado e passou por uma seleção interna com outros oito concorrentes
que também fizeram boas apresentações. Essas boas apresentações refletiram
também o empenho da professora Lindamar que foi incansável e os fez acreditar
que podiam sempre melhorar um pouco mais, tanto na produção quanto na
apresentação.
Durante o período que
antecedeu o concurso interno, foi muito bom ver os alunos participantes, que
iam para a escola no turno inverso, andando pelo pátio declamando seus textos
em voz alta, enquanto aguardavam para apresentar para a professora. A JCI
também contribuiu muito nos encontros formativos, com motivação e técnicas.
Ao ser vencedor deste
concurso, Michael, por ser um aluno quieto, muito estudioso e muito simples, deixa
para a comunidade escolar uma mensagem muito clara de que vale a pena dedicação,
pois ela nos possibilita, sim, alcançar aquilo que sonhamos e de que as coisas
não acontecem por acaso ou por encanto.
O número de alunos
participantes tem aumentado ao longo desses nove anos e isso é muito importante
porque são mais alunos lendo, pesquisando escrevendo e perdendo o medo de falar
em público, habilidades essenciais na formação de cidadãos responsáveis e seres
humanos competentes.
A nossa escola está sempre
aberta e se engaja em todas inciativas e parcerias possíveis, porque faltam
muitas vezes oportunidades para que nossos alunos possam mostrar o quanto são
bons e capazes.
Em outra oportunidade, site já destacou o importante trabalho de outra diretora da escola, professora Vera Lúcia Mondin, à frente deste educandário da rede municipal de Educação de Passo Fundo. Confira!
Reflexão, cidadania e oportunidades (Eduardo Rodrigues, coordenador da JCI Oratória nas escolas)
No treinamento, passamos o tema, dicas e formas de se
apresentar. Depois eles precisam trabalhar em sala de aula, escrever seu texto,
treinar e, por fim, se apresentar para um grupo de jurados, onde em cada escola
foi escolhido um representante.
Mais do que um concurso, com o projeto de oratória é possível
estimular o estudo e reflexão sobre temas de preocupação mundial, tais como
segurança, saúde, respeito, cidadania, paz, justiça, economia, meio ambiente,
educação, entre outros. Na adolescência não há costume de valorizar a
habilidade de se comunicar, com a iniciativa, além de poder moldar esses
futuros profissionais, abrindo portas no mercado de trabalho, que se não
houvesse esse estímulo pelo projeto, eles pensariam que não seriam capazes de
alcançar essas oportunidades. Além disso, os empresários que buscam
profissionais dedicados e que se comunicam bem sempre estão de olho nos alunos
que se destacam nesse projeto.
(Depoimento
do aluno premiado, em primeiro lugar, Michael
Alcides Martins de Quadros, da Escola Antonino Xavier)
Olá meu nome é Michael, estudo na Escola Municipal Antonino Xavier e vou contar sobre a experiência que tive, ao participar do Projeto Oratória nas Escolas, oferecido pela JCI.
Há em torno de dois anos, conheci o projeto, por meio da Professora Lindamar, desde então, despertou em mim uma grande vontade de participar.
No início deste ano, assim que soube que poderia participar, não exitei e já me ofereci a participar. Desde então, comecei a me preparar, principalmente a minha mente, pois sabia que não seria fácil vencer a timidez.
No mês de
março, fiquei sabendo que o tema deste ano seria “Como aceitar as
diferenças e tratar as pessoas sem máscaras ou estereótipos.”(um tema
muito atual, e necessário de se discutir).
Quando fui escrever meu texto decidi fazer meu em cima de três pilares: Raça, Gênero e Opinião. Na escola éramos em nove participantes e, em todas as segundas-feiras a tarde, nos encontrávamos para treinar os nossos textos. Fomos a workshops que foram oferecidos pela JCI, além de assistir filmes e vídeos, relacionados a uma boa oratória.
No dia 09/05 aconteceu a final da primeira etapa (que era na escola), da qual sai campeão.
Após esta vitória, comecei a me preparar e treinar ainda mais.
Alguns
dias depois, conversando com meu pai, ele me deu a ideia de decorar o texto. No
outro dia, comentei para Professora Lindamar, perguntando o que ela achava, e
ela gostou muito da ideia. E assim segui treino após treino, até que a
Professora Lindamar me perguntou se eu não havia pensado em sair do púlpito.
Gostamos tanto da ideia, que resolvemos aplica lá, pois sabíamos que isso seria
um diferencial. Agora a responsabilidade e dificuldade haviam aumentado, pois
iria sair da minha zona de conforto.
Na segunda-Feira, no dia da grande final, meu coração parecia que sairia pela boca, mas estava seguro, pois sabia que daria o meu melhor.
Quando me
chamaram para se apresentar, olhei por cada rosto pelo qual eu passei até
chegar ao palco, subi no púlpito, e comecei a falar, quando cheguei no segundo
parágrafo, sai do púlpito, e falei caminhando por todo palco, após terminar,
desci do palco, e sentei do lado de uma das participantes, e perguntei se havia
ido bem.
Antes de
sair o resultado, eu fiquei extremamente nervoso e tenso, ao anunciarem meu nome
como campeão, senti uma imensa alegria e euforia, mas ao mesmo tempo um alívio.
A experiência, durante e após a Oratória, é e será muito importante na minha vida, pois eu consegui vencer o meu maior medo: o de falar em público. A Oratória me abriu muitas portas, para meu crescimento mental, profissional e intelectual, e eu sei que ainda abrirá muitas mais.
Por que Oratória nas escolas?
Com o objetivo de oportunizar o estímulo à prática de falar em público,
desenvolver habilidades como a comunicação, extroversão e o poder de persuasão
fazem parte do objetivo do Concurso de Oratória nas Escolas da JCI Passo Fundo.
Em sua 10ª edição, a etapa final do concurso ocorreu dia 10 de junho de 2019, no
Centro de Eventos da UPF, com a participação de 16 finalistas de escolas de
Passo Fundo e região.
A JCI
ofereceu aos alunos interessados um curso para se preparar para a final de cada
escola, onde receberam o tema, dicas e sugestão de formas para se expressar e
apresentar.
Os principais critérios de avaliação são: voz e emoção, mensagem e
conteúdo, apresentação e linguagem corporal.
O tema abordado foi: “Como aceitar as diferenças e tratar as pessoas sem
máscaras ou estereótipos”.
No evento
final, a apresentação dos alunos devem durar de três a cinco minutos e os
alunos serão avaliados.
Escolas e
alunos que participaram da edição 2019:
Escola
Pantaleão Thomaz – Coxilha – Bianca Dall Asta de Oliveira
Escola
João Alfredo Sachser – Ernestina – Tainá Grando Lago
Escola
Padre Leonel Franca – Mato Castelhano – Nicolly S. da Costa
Escola
Olavo Bilac – Pontão – Laura Galera Hahn
Escola
Alberto Torres – Pontão – Estevan Souza Costa
Escola
Antonino Xavier – Passo Fundo – Michael Alcides Martins de Quadros
Escola
Arlindo de Souza Mattos – Passo Fundo – Eduarda Fachinello Meira
Escola
Arlindo Luís Osório – Passo Fundo – Flávio Daniel Barancelli Montemezzo
Escola
Benoni Rosado – Passo Fundo – Kailany Rocha de Oliveira
Escola
CAIC – Passo Fundo – Daine Lang Farias
Escola
Coronel Lolico – Passo Fundo – Carlos Eduardo A. Santos
Escola
Dom José Gomes – Passo Fundo – Iago Flores da Costa
Escola
Leão Nunes de Castro – Passo Fundo – Marina dos Santos Rodrigues
Escola
Notre Dame Municipal -Passo Fundo – Karine Eliza de Queiroz
Escola
Santo Agostinho – Passo Fundo – Nicóli Raíssa Feroldi
Escola
Urbano Ribas – Passo Fundo – Mell Ballotin Pizzi