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Processos criativos e inspirações literárias femininas

Luciana Marinho Albrecht é natural da capital Porto Alegre e mora há mais de uma década em Passo Fundo, RS.

Como escritora e contadora de histórias, tem uma atuação e presença importante no mundo cultural e educacional de nossa cidade e na região norte do RS.

Participa de grupos literários, escreve livros, ama literatura e gosta de incentivar iniciativas de outras pessoas, especialmente as mulheres, no protagonismo da escrita e da produção literária, pesquisadora nas áreas de esclarecimento e combate ao bullying e educação para paz.

Conheçamos Luciana Marinho Albrecht por ela mesma.

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SITE NEIPIES: Quando, como e porque você se envolveu com literatura?

Luciana Marinho Albrecht: Acredito não poder traçar uma linha do tempo muito precisa, pois a literatura é minha amiga íntima desde a infância. Era uma criança curiosa, questionadora e inquieta, características que ainda me acompanham na vida adulta, e a literatura me ajudava a encontrar respostas que eu queria muito a respeito da vida, do mundo, a viajar sem sair do lugar, a acalmar a alma.

Como sou filha de professores tive o privilégio de ter um acesso facilitado aos livros. Minha mãe, professora de português foi sempre minha maior incentivadora de leituras e de escrita, uma vez que meu sonho de infância sempre foi ser escritora. Porém na minha época de juventude a escrita era vista mais como um hobby ou uma profissão acessória de jornalistas, advogados e outras profissões mais “badaladas”, então a princípio pensei em cursar jornalismo, plano que foi cancelado após uma gravidez precoce, aos 18 anos.

Pelos caminhos da vida e da necessidade de sustento acabei cursando uma faculdade bem diferente e de forma tardia, a de Administração de empresa, já aos 26 anos e exercendo uma profissão mais técnica por muitos anos.

A literatura e a escrita, porém, nunca me abandonaram, segui estudando de forma auto didata, escrevendo e planejando novos rumos. Aos 39 anos me lancei de forma profissional e independente na literatura infantil com a obra A Estrela Pequenina, ilustrada por Giovani Rodrigues, atualmente em segunda edição. O livro e o meu trabalho foram tão bem acolhidos pelo público, por professores e escolas, que dois anos depois lancei O Procura Encrenca, também infantil, ilustrado por Raíssa Bulhões e não parei mais, tem muita novidade ainda por vir.

SITE NEIPIES: Nasceste e te criaste em Porto Alegre, nossa capital. A capital tem oportunidades artísticas, literárias e culturais bem intensas e diversificadas. Como foi chegar a Passo Fundo? Qual é a diferença cultural mais marcante em relação à Porto Alegre?

Luciana Marinho Albrecht: Sim, é verdade, faz quinze anos que larguei minha terra natal e aqui cheguei. Mesmo não trabalhando com literatura diretamente nos anos em que morei em Porto Alegre, sempre tive muita ligação com a arte de um modo geral, estudei teatro por dois anos e sempre participei de saraus, exposições, etc. Minha adaptação aqui foi difícil, preciso ser sincera, Passo Fundo na época tinha um ritmo bem diferente.

Há quinze anos atrás tudo fechava ao meio dia, não existiam parques, praças, espaços públicos de lazer e cultura de qualidade e o shopping ainda estava se desenvolvendo, o passo-fundense era um pouco reservado, principalmente com gente de fora e eu chegava aqui com um filho pequeno, um segundo casamento, não foi fácil. Mas por outro lado fui bem acolhida, fiz grandes amizades, fui me informando sobre os espaços culturais e fiz parte do movimento escoteiro que ajudou demais a decisão de firmar residência aqui, e foi maravilhoso e espantoso ver o crescimento e o desenvolvimento da cidade, sobretudo nos últimos 8, 9 anos. A acolhida que a comunidade escolar teve para com minhas obras jamais esquecerei.

SITE NEIPIES: O que mais realiza e te desafia como escritora de literatura infantil?

Luciana Marinho Albrecht: Cada olhar de criança e mesmo por parte dos adultos cheio de encantamento, com aquele brilho de quem vê algo especial no livro ou na contação de história me realiza. Quando as pessoas me reportam suas experiências, sentimentos, sensações com meus livros, histórias, textos ou poesias isso me faz querer continuar nessa estrada literária.

Os desafios para quem vive de arte, de literatura e da educação são vários e um tanto dolorosos, pois passam pela falta de investimento público, atualmente um desmonte das conquistas históricas dos artistas e dos educadores, por uma certa desvalorização de uma parte da sociedade que ainda não vê a arte e a literatura como profissões. Especificamente na literatura infantil o que mais me desafia é desmistificar que essa vertente literária é “menor” ou “mais fácil”, estar sempre evoluindo nos textos que levo para as crianças é uma forma de respeitá-las em sua intelectualidade, em suas potências e capacidades leitoras.

SITE NEIPIES: Qual é a relação que deveríamos construir entre educação e literatura?

Luciana Marinho Albrecht: Estamos em um mundo extremamente digital, líquido (como diria certo sociólogo e filósofo). Nunca se teve tanto acesso à informação, textos, notícias, opiniões como agora. Porém se escreve mal, se interpreta pior ainda.

A literatura é um elemento essencial na construção do pensamento crítico, da capacidade interpretativa, vejo que educação e literatura devem andar juntas, aliadas na construção do sujeito social, das liberdades individuais plenas, pois um povo que acredita em tudo que lê, sem criticar, sem refletir, sem duvidar é facilmente manipulado e escravizado. De um modo geral, nós escritores temos um grande respeito pelos professores, nossa luta é similar, e nosso trabalho muito intimamente ligado às escolas, à juventude, mais ainda escritores de literatura infantil, como é o meu caso. Não há porque não desenvolver uma relação construtiva, de parceria.

SITE NEIPIES: Do que é que falam teus dois livros: “A estrela pequenina” e o “Procura Encrenca”?

Luciana Marinho Albrecht: De uma forma geral, em meus livros para infância procuro sempre abordar pontos que são sensíveis a minha própria criança interior que são, a inclusão, o respeito às diferenças, os ritmos pessoais, o amor próprio e ao outro, a questão anti-bullying também está presente. A Estrela Pequenina é sobre uma estrela que não conseguia brilhar, vivia triste e preocupada, mas ao longo da história descobrirá o que precisa para resolver essa questão, é um conto poético sobre alegria e amizade. O Procura Encrenca é a história de Danilo, um menino travesso, que precisa entender algumas questões sobre si e sobre respeito ao próximo e essa obra trás uma surpresa divertida, um breve questionário interativo, divertido, tipo o que atualmente chamam de quiz, para que a criança possa refletir depois da história, essa parte do livro foi desenvolvida em parceria com a psicóloga Jamile Kerber.

SITE NEIPIES: Como é ser artista neste momento histórico?

Luciana Marinho Albrecht: A poesia, a música, a arte em geral têm sido oásis nesse deserto pandêmico, um alento para as angústias e para solidão, mas o momento também é de reflexão, de luta, de pedirmos uma certa valorização do nosso trabalho, que muitas vezes é visto pela sociedade como um bico, ou um dom, algo que deva ser oferecido gratuitamente e não é o caso. O artista, seja ele escritor, pintor, ator, etc, é alguém que se dedica a um ofício, vive dele e espera um retorno seja financeiro, seja no sentido de uma valorização. É um diálogo que precisamos ter.

SITE NEIPIES: Qual é a importância dos grupos de literatura e de poetas, dos quais você participa?

Luciana Marinho Albrecht: Comecei minha trajetória na literatura de forma muito individual, até solitária eu diria (risos), foi uma grata surpresa ser convidada, após 4 anos de estrada literária, pela Sociedade dos Poetas Vivos, através do escritor e professor Aleixo da Rosa e quase um ano depois para o Mulherio das Letras, que inclusive foi uma indicação do escritor Pablo Morenno. Nesses grupos tive a oportunidade de compartilhar textos, experiências, aprendizados, conhecer pessoas incríveis, sem falar na rede de conexões de trabalho e oportunidades artísticas, é gratificante.

SITE NEIPIES: Como a Pandemia atingiu teu trabalho artístico e cultural? O que estás aprendendo com o isolamento físico e social, imposto a todos nós para a preservação de vidas?

Luciana Marinho Albrecht: Foi um verdadeiro tsunami (risos)! Acredito que não só para mim, mas para todos. Meu trabalho era quase que 100% presencial, muito ligado às escolas, aos eventos literários, no RS e no Brasil, parou tudo. Tudo mesmo, escolas fechadas, eventos cancelados, tive que me adaptar às tecnologias rapidamente. Uma coisa positiva disso tudo foi a criação do meu canal no Youtube O Mil e uma Histórias, que foi a forma que encontrei de me manter ativa, fazendo o que amo e ainda apoiar de forma gratuita e abrangente as professoras e professores e pais que me solicitavam alternativas educativas, lúdicas e com  qualidade literária para interagir com as crianças nesse momento delicado.

SITE NEIPIES: Achas que a maioria das pessoas está se tornando melhor com o advento da Pandemia? Sairemos melhores seres humanos?

Luciana Marinho Albrecht: Penso que o momento está atuando como uma espécie de “adubo” ou “fermento” para o que cada um tem no coração. A situação política do nosso país é caótica e removeu algumas máscaras sociais, revelando faces sombrias da sociedade, faces de preconceito, racismo, violência, misoginia, infelizmente. Sou de natureza otimista e espero que haja uma reflexão a ser feita nisso tudo, que nos sirva de aprendizado e crescimento espiritual e moral.

SITE NEIPIES: Quais são seus projetos para o futuro próximo?

Luciana Marinho Albrecht: São tantos!(Risos) Reflexo da mente inquieta. (Risos) Mas o mais recente e já em andamento é a elaboração do meu projeto, Uma apoia a outra com a obra Confidências da Noite – poemas, sonhos e delírios, premiado pelo Funcultura Passo Fundo. O projeto prevê o lançamento do meu primeiro livro de poesias adulto, Confidências da Noite, voltado a uma temática intimista, um olhar feminino e que apoia o projeto social Uma Apoia a Outra (projeto de minha autoria) que consiste em destinar uma parte da venda do livro à instituições de amparo à mulher em situação de risco e vulnerabilidade e na realização de oficinas e saraus literários voltados ao público feminino. Estou feliz por este livro e projeto terem saído da gaveta, ansiosa por ver o resultado. O livro será ilustrado pela artista Giúlia Cittolin e os textos revisados pela Daniela Sinigaglia.  Além desta obra estou preparando um novo livro para o público infantil, mas este ainda vou deixar um mistério. (risos)

SITE NEIPIES: Que mensagem gostarias de deixar aos leitores do site, em especial os que se envolvem com cultura, literatura e educação?

Luciana Marinho Albrecht: Sempre é tempo de ler, de questionar, de produzir, de amar. Aproveito para deixar uma singela sugestão, em versos de minha autoria.

“Se meus ouvidos surdos, foram capazes de ouvir.
Uma mente fechada é capaz de questionar, duvidar.
De se abrir, e aprender.
Evoluímos!
Eu nessas linhas te proponho,
Ousadia!
Feche agora, sem receio,
A tela desse navegador,
E sem pudor,
Vá ler um livro!”
(Luciana Marinho)

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Fotos: divulgação/arquivo pessoal

Nem elogios e nem heroísmo: reconhecimento aos professores e professoras

Estamos em outubro, mês dedicado aos professores e professoras. Parece que 2020 não permite comemorações que não Celebração da Vida, tão ameaçada pela Pandemia que assola gravemente nosso país e o mundo. Estarmos vivos e promovendo a vida é parte da nossa dimensão humanizante de professores e professoras.

Celebrar a vida dos professores e professoras parece ponto central deste Outubro Educador. Celebrar as vidas que foram preservadas a partir do isolamento físico e social, com a contribuição das aulas remotas, bravamente elaboradas pelos professores e professoras, sim.

Cuidar da dignidade da profissão docente, alertar para a pressão desmedida exercida pelos gestores educacionais sobre os professores e professoras, denunciar as medidas que são tomadas em prejuízo da carreira e dos direitos, isto sim, deve ser o foco das organizações sindicais que representam esta tão importante profissão.

Conversamos com dois professores da rede municipal de Passo Fundo, também dirigentes do CMP Sindicato (Sindicato dos professores municipais de Passo Fundo) no intuito de contribuirmos com a reflexão e celebração da vida dos professores e professoras neste Outubro Educador.

Professor Eduardo Albuquerque e professora Débora de Araújo Soares.

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SITE NEIPIES: Comecemos nossa conversa com este ponto. Como celebrar e o que celebrar neste Outubro Educador?

Professor Eduardo Albuquerque: Nós temos sempre o que celebrar. O Magistério brasileiro é único, pois mesmo que historicamente maltratado, ele mostra capacidade de resiliência e consegue se superar e, mesmo com as precariedades estruturais, oferecer um trabalho de qualidade e de muita dedicação e compromisso. Compare com outras categorias com muito mais estrutura e condições salariais e diga se estou errado.

Professora Débora de Araújo Soares: Celebrar a vida, num contexto desolador como o que temos vivido nos últimos meses. Celebrar a força e a perseverança que nos fizeram passar por esse período tão desafiador buscando novos conhecimentos, aprendendo e ensinando com os recursos disponíveis, sem perder de vista nosso compromisso com os educandos. Celebraremos este Outubro Educador mantendo a união e a luta que sempre fizeram parte da classe do magistério, e que hoje, mais do que nunca, é fundamental para reafirmarmos nosso papel fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e mais humana.

SITE NEIPIES: A pandemia colocou em xeque toda a organização da sociedade, também da educação. Qual é o papel que professores e professoras vem exercendo, não importando os contextos? O que não muda na função e papel do professor?

Professora Débora de Araújo Soares: Diante de tantas mudanças e desafios vivenciados este ano, parece que ficou evidente a importância do papel do professor na sociedade, especificamente na formação das crianças e jovens. Quando as escolas fecharam e as famílias se viram com a difícil tarefar de auxiliar seus filhos na execução das tarefas escolares, muitos foram os relatos sobre as dificuldades encontradas. Por outro lado, os docentes também enfrentaram imensos desafios no encontro com as novas tecnologias e no planejamento de aulas remotas, até mesmo para crianças da Educação Infantil. A plataforma e a metodologia mudaram, mas o que não mudou foi o compromisso do educador com a formação dos seres humanos que lhe foram confiados. A busca pela forma mais adequada de interação com os alunos, mesmo que não seja a ideal, também esteve presente nesse conturbado período que temos vivido.

Professor Eduardo Albuquerque: A pandemia colocou em xeque muitas coisas e uma delas foi o velho, anacrônico e carcomido sistema educacional brasileiro. Um sistema fracassado que, mesmo em uma pandemia sem precedentes, continua a se preocupar em avaliar, em excluir, em medir números e não em educar.

Parece que a pandemia não serviu para aqueles que pensam educação repensar porque fracassamos na educação e tentar algo novo. Os professores foram responsáveis por manter o único elo dos alunos com a educação. Foi seu esforço que não permitiu que tivéssemos um desastre total para toda uma geração.  O que não muda no papel do professor é a sua centralidade e importância compartilhada com o aluno. A pandemia colocou em xeque teorias obscuras como homeschooling e outras que sempre depreciaram o papel do professor. Ele volta fortalecido enquanto autoestima.

SITE NEIPIES: Vínhamos sofrendo, recentemente, ataques duros e questionamentos de nossa função na escola por parte da sociedade brasileira. Com o advento da Pandemia, que resultou na suspensão física das aulas, fortalece-se a importância da nossa profissão?

Professor Eduardo Albuquerque: Como disse, sim. A pandemia tratou de acabar com teorias de caráter obscuro e cerceadores do papel do professor que vinha tomando corpo na sociedade. Teorias estas patrocinadas por grupos extremistas que servem a determinados interesses econômicos e que vinham atacando o papel da escola e dos professores, com discursos falaciosos e ambíguos tais como escola ensina família educa. Mais do que nunca, as famílias precisam e precisarão de que a escola também eduque, como sempre fez e como está na própria constituição. 

Professora Débora de Araújo Soares: Penso que a função do educador é imprescindível, e isso ficou claro nesse período de pandemia. Ainda assim, os ataques não cessaram, tendo até aumentado em alguns casos. Como servidora pública, vivencio constantemente ataques ao serviço público, algo potencializado pelo uso equivocado das redes sociais. A grande polarização política e a disseminação em massa das chamadas fake news contribuíram para que sofrêssemos duros ataques por parte da sociedade, que vê o servidor público como uma pessoa privilegiada. No caso do magistério, em especial durante a pandemia, ouvimos inúmeras atrocidades, como a ideia de que os professores não querem voltar a “dar aula”, pois estão ganhando sem trabalhar, dentre outras.

SITE NEIPIES: A sociedade sabe que foram e são os professores e professoras que estão garantindo as aulas remotas durante a pandemia? E que, quando voltarem as aulas, as escolas públicas estarão na mesma (pouca estrutura, sem internet, sem recursos humanos para o pleno atendimento)?

Professora Débora de Araújo Soares: Parte da sociedade, essa parcela da população que dá crédito a falas tendenciosas que retratam o professor como um profissional acomodado, parece não perceber que a categoria do magistério está garantindo as aulas durante a pandemia. São esses trabalhadores, que tiveram que se reinventar para continuar dando aula, usando os seus próprios recursos para planejar aulas num contexto remoto, que tornaram possível o seguimento do ano letivo.

As pessoas que criticam os docentes, na maioria das vezes, não conhecem o chão da escola, não têm ideia da estrutura precária das escolas públicas e das enormes dificuldades enfrentadas diariamente. Essas condições ditarão o futuro tanto dos profissionais quanto dos alunos, em caso de retorno às aulas presenciais. As escolas que rotineiramente não contam com materiais e suprimentos básicos para seu funcionamento, certamente não disponibilizarão os EPIs necessários para o trabalho seguro. Isso sem falar na falta de recursos humanos, que já prejudica o ensino em época de normalidade, que será crescente devido ao afastamento dos profissionais doentes ou em grupos de risco.

Professor Eduardo Albuquerque:  Parece que isso é evidente. Se alguém está garantido algum vestígio de educação nestes tempos terríveis, este alguém é o professor. Porém, talvez não tenham tanta clareza que vivemos hoje um momento trágico na educação.

O projeto de educação para o Brasil é inexistente. O governo Bolsonaro será conhecido como o grande desastre para educação na história, pois não tem a mínima preocupação com educação básica de qualidade. Ele consegue ser pior que todos os outros governos que já passaram no Brasil. 

Aqui no estado não é diferente. O governo estadual demonstra apreço nenhum por educação pública e por vezes se porta de uma forma quase patológica principalmente quando não hesita em colocar toda a sociedade em risco, ao retornar com aulas presenciais em um contexto ainda complexo sob o ponto de vista pandêmico. Mas, é bom que se diga que ambos, Bolsonaro e Leite, foram muito claros com relação a este tema. Só não entendeu quem não quis entender.

Fotos: Arquivo pessoal/divulgação

SITE NEIPIES: Onde está a maior força e onde está a maior fragilidade dos professores e professoras?

Professor Eduardo Albuquerque: Sem dúvida alguma, a nossa maior força e nossa maior fragilidade estão na nossa capacidade de superar obstáculos, na nossa resiliência. Somos capazes de coisas incríveis, mesmo sendo mal tratados sistematicamente, governo após governo. Mesmo sendo uma qualidade positiva e inegável, esta nossa característica tem sido nosso ponto franco, pois confundimos resiliência com aceitação e, por vezes, conformismo. O professor tem que se dar conta do quanto é forte, do quanto é importante e o quanto é decisivo para a melhoria da sociedade.

SITE NEIPIES: Professor: profissão. Educador: nossa missão. É necessário diferenciar?

Professor Eduardo Albuquerque: Não vejo como necessária e vejo que isso tem sido um problema histórico pois tem a ver como nasce a profissão do professor no Brasil.

Quando falamos em missão somos remetidos a ideias equivocadas no que tange a etimologia da palavra missão: a missão enquanto cunho religioso, a missão enquanto objetivo empresarial, a missão como doação sem a devida recompensa, enfim, há nada de positivo em continuarmos com este discurso de missão.

O professor é um sujeito que estuda muito, que investe muito, que treina muito para um dia ficar na frente de um grupo de alunos. Ninguém é professor porque nasce com este “talento” e também não somos ungidos pelos deuses ou pela natureza para tal atividade.

O bom professor é fruto, de estudo, treinamento, prática, atualização, mais estudo, mais treinamento, mais prática, mais atualização. Não viemos ao mundo cumprir missão alguma. Somos professores porque, em dado momento, optamos por esta profissão e a partir disso nos preparamos para tal. Lembra daquela história do profissional de notório saber? Pois é. Esta ideia de “missão” resulta nisso.

SITE NEIPIES: Por que professores e professoras não precisam de elogios e nem de atitudes heróicas, mas precisam de reconhecimento (em todas as dimensões)?

Professor Eduardo Albuquerque: Porque somos profissionais e dispendemos muito tempo e dinheiro na nossa formação inicial e continuada e porque no final do mês tem a conta da luz, da água, do aluguel. Elogios são bem vindos. O problema é que nos últimos 60 anos só recebemos elogios e eles tem sido usado por governos de os matizes para nos convencer de que temos uma “missão” a cumprir. Reconhecimento é o que mais temos e mais ouvimos, mas que não se concretizam na prática. Determinadas profissões não tem a metade dos discursos elogiosos, mas são altamente prestigiadas na prática. O magistério brasileiro precisa justamente deste reconhecimento prático.

Professora Débora de Araújo Soares: Mais que elogios, o reconhecimento é o maior presente que os professores poderiam ganhar. O discurso é bonito na data que comemora o seu dia, assim como na promessa do político em véspera de eleição. O que precisamos é de condições dignas de trabalho, de respeito aos nossos direitos, de tranquilidade para trabalhar sem ter de se defender de ataques, provar seu valor ou se preocupar com a supressão de direitos já adquiridos. Precisamos de reconhecimento sobre o papel fundamental que desempenhamos na formação e no desenvolvimento de seres humanos.

SITE NEIPIES: Que mensagem deixar aos professores e professoras neste Outubro Educador?

Professor Eduardo Albuquerque: Reconheça-se como sujeito principal no progresso de uma nação. Reconheça-se como pertencente a classe trabalhadora e não a uma elite. Somos parte de uma classe média e como tal somos trabalhadores. Classe média vive do seu trabalho.

Colega professor ou professora, preste atenção na política, nas eleições, nos movimentos da sociedade. Não fique a deriva e a mercê de interesses obscuros. Trate sua profissão com carinho. Aperfeiçoe-se mesmo com todas as dificuldades impostas por governos que governam para meia dúzia de banqueiros e empresários.

Junte-se ao seu Sindicato, mesmo que você discorde dele. Imponha-se diante da sociedade e ande sempre de cabeça erguida. Não dependa de políticos oportunistas e de favores e lembre-se que você está trabalhando em algum lugar é porque ou você foi contratado ou passou em um concurso pelo seu mérito e qualidade profissional e não deve favor algum a quem quer que seja.

Todos os anos, o CMP Sindicato (Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo) oferece um almoço com confraternização e sorteio de brindes em reconhecimento à dedicação dos professores e professoras. Neste ano de 2020, em função do distanciamento físico e social, o Sindicato promoverá o mesmo reconhecimento a todos os seus associados, mas em forma de Drive-Thru.

Outubro: celebração e alertas na vida das mulheres

Em outubro, por conta do câncer, doença que infelizmente
mata muitas mulheres, contaremos a história de
uma professora municipal de Passo Fundo que,
acometida pelo câncer de mama, encarou o
tratamento médico como um processo de cura,
não de morte.


Contar histórias de superação é uma missão que vem sendo cumprida pelo site.  A superação é uma necessidade humana, quando os desafios se põem, na vida pessoal e na vida coletiva de nossa sociedade.

Em outubro, por conta do câncer, doença que infelizmente mata muitas mulheres, contaremos a história de uma professora municipal de Passo Fundo que, acometida pelo câncer de mama, encarou o tratamento médico como um processo de cura, não de morte.

Tudo ocorreu sem Adriana Severo dos Santos esperar, porque vinha fazendo regularmente os exames de prevenção. Mas, diante do inesperado câncer em 2011, reagiu de forma ativa, confiante e apostando na superação pessoal e na recuperação plena de sua saúde.

Conheça esta história de superação, que será contada por ela mesma.

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SITE NEIPIES: Como foi receber a informação de que estavas com câncer de mama e que deverias te submeter aos rígidos tratamentos de quimioterapia e radioterapia? O que passou na sua mente neste momento, lá em 2011?

Professora Adriana:Sempre fui cuidadosa com minhas revisões médicas, nunca deixei de realizar exames periódicos e nunca pensei que estaria com alguma coisa errada em meu corpo. Aos 45 anos fui diagnosticada com câncer de mama. A sensação foi terrível, foi assustador, porque a primeira coisa que a gente pensa é que vai morrer e que a tua vida chegou ao fim.

Meu tratamento de cura foi pesado, primeiro passei por uma cirurgia de 10h, com a retirada da mama direita (mastectomia) e colocação da prótese, depois iniciei o processo de quimioterapia, que é outro fator de muito estresse ao paciente.

O caminho é se preparar emocionalmente para esse momento, sempre que possível. A palavra quimioterapia em si, já assusta. Mas com o ajuda do grupo de mulheres e de uma querida (tia que também passou por tratamento) fui encarando e mentalizando que a quimioterapia era minha cura e não meu sofrimento, “gotinhas de cura”. Resolvi encarar a quimioterapia como minha aliada no processo de cura, cada vez que recebia a infusão, agradecia aquele medicamento que estava entrando em minhas veias para me ajudar a vencer a doença. A radioterapia pra mim foi mais tranquila, sendo complemento desse processo de cura, por isso a disciplina em estar todos os dias fazendo a sessão de radio e seguir as orientações dos técnicos é muito importante.

SITE NEIPIES: Qual foi o suporte e o apoio mais importante, além do incondicional apoio da família?

Professora Adriana: Além da família, tive apoio de várias amigas e vizinhas queridas que muitas vezes estiveram comigo. Mas o apoio maior veio do grupo de mulheres que estavam em tratamento ou mesmo que já estavam finalizando e procuravam estar com aquelas que estavam iniciando seu tratamento (que era o meu caso). Sempre que nos encontrávamos, conversávamos muito, sobre nossos medos, sentimentos, futuro, família e principalmente sobre o tratamento que íamos enfrentar, seus principais sintomas e como encarar tudo isso. Nesse sentido, pra mim, foi fundamental esse grupo de mulheres porque tínhamos uma rede de apoio em todos os sentidos, nos fortalecíamos e tornávamos mais fortes.



SITE NEIPIES: Quais foram as aprendizagens durante e depois do tratamento?

Professora Adriana: Foram muitas aprendizagens, poderia citar algumas:

  • que todos nós precisamos uns dos outros;
  •  que a saúde é nosso bem maior;
  •  é fundamental conhecer a doença, entender sua condição e buscar seus direitos como paciente em tratamento, lutando para que eles sejam cumpridos. A Lei nº 12.732 de 23/11/2012 contempla vários direitos que vale a pena conhecer;
  • é importante mudar seu estilo de vida, cuidando de sua alimentação com uma dieta mais equilibrada, praticar exercícios físicos sistematicamente, ter apoio terapêutico, escolher atividades que lhe agradem, que te façam bem são fatores que podem   evitar uma reincidência do tumor ou mesmo prevenir de ficar doente;
  • a autoestima do paciente pode influenciar diretamente na qualidade do seu tratamento. Por isso ame-se e sinta-se à vontade para viver o seu tratamento do jeito que você achar melhor.

SITE NEIPIES: Como foste “paciente”? Tiveste paciência e acreditaste nos profissionais e nos tratamentos para superar teu câncer de mama?

 Professora Adriana:É muito importante confiar nos profissionais que estão tratando de você, porque é tua vida que está em jogo. Desde 2011, estou acompanhada por uma equipe de especialistas, onde procuro seguir todas as orientações médicas. Tenho muito a agradecer, mas gostaria de salientar que a confiança não se estende somente à equipe. É preciso acreditar em você e que é possível vencer a batalha, porque isso faz uma enorme diferença.

SITE NEIPIES: Gostamos de palavras de incentivo, mas também existem palavras de advertência. Quais são as palavras de incentivo e quais as palavras de advertência às mulheres sobre o câncer de mama?

Professora Adriana:Eu diria que é preciso que as mulheres se conscientizem que a prevenção é o caminho, o autocuidado, o conhecer bem o seu corpo.  Fazer exames periódicos pode evitar ou mesmo quando detectar em fase inicial o câncer de mama, aumentando consideravelmente as chances de cura. Para as mulheres que estão enfrentado esse tratamento, procurar não perder a confiança, ter fé, muita força, porque receber um diagnóstico de câncer de mama não é sentença de morte, eu por exemplo estou viva e bem de saúde.

Sei o quanto é difícil para nós mulheres perder o cabelo, cílios, sobrancelhas, mas hoje existem inúmeros recursos para lidar com isso: primeiro você pode ir cortando o cabelo para ir se acostumando com um novo visual (eu fiz isso). Outra opção são os lenços e existe na Internet inúmeros tutoriais ensinando como fazer amarrações. E ainda há as perucas, que atualmente são super confortáveis e podem ser de cabelo natural, inclusive várias ONGs fornecem gratuitamente para pacientes em tratamento. A situação é passageira, mas pode ser contornada. Quando fiquei careca, tentei sempre ter bom humor, procurando acessórios para ajudar a melhorar o meu visual.

SITE NEIPIES: Para você, o Outubro é de alerta e de superação. Por que?

Professora Adriana:De alerta porque é um mês que promove a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce e o gerenciamento adequado do câncer de mama, ampliando assim, as chances de cura e controle da doença.

É um movimento para ouvir e ampliar vozes, compartilhando histórias, ações e iniciativas que transformam a realidade de quem tem câncer de mama, propondo uma reflexão sobre a responsabilidade de cada um de nós no diagnóstico precoce e controle da doença. Para quem não sabe esse movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, o Outubro Rosa foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure.

De superação porque é um mês de celebração de vida. Gratidão a tudo e a todos. Procuro agradecer e valorizar cada minuto da minha vida (pequenas felicidades), contando minha história de superação e exemplo.

SITE NEIPIES: Você realiza ações e engajamentos em todos OUTUBROS ROSA. Que ações são estas?

Professora Adriana: Durante o ano todo eu procuro estar engajada em grupos de mulheres, conversando até individualmente com quem está em tratamento, passando uma mensagem de otimismo e força. Sempre aproveito os ambientes que convivo, como no meu trabalho, no grupo de amigas, na família, nas redes sociais, ou mesmo em outro espaço que me é oportunizado, para contar a minha história de luta e superação contra o câncer de mama. Participo das caminhadas do Outubro Rosa (quando promovidas) e confecciono (no mês alusivo) os laços rosas (símbolo da campanha) para distribuir e alertar as mulheres.

SITE NEIPIES: De onde vem esta vontade e desejo de “fazer alguma coisa pelas outras mulheres”, seja aquelas que estão em tratamento, seja com aquelas por conta da necessária prevenção?

Professora Adriana:  Por alguns motivos principais:

– primeiro porque quando precisei de apoio durante o tratamento não me faltou ajuda. Foi muito importante as pessoas estarem comigo, me oferecendo um ombro amigo e me ajudando a entender e conviver com o tratamento no caminho da cura.

– segundo porque sou grata por estar viva, bem de saúde e acredito que a melhor maneira de agradecer e celebrar a vida é fazendo o bem, é estar ao lado das pessoas que estão enfrentando essa situação tão difícil. Poder contar com a parceria de pessoas queridas é o remédio que ameniza as dores, sejam elas físicas ou emocionais, e não tem efeito colateral.

– terceiro porque sou professora educadora e, como tal, tenho uma missão maior no exercício da minha docência que é orientar as crianças e jovens para a prevenção, para o cuidado com sua  saúde física e mental, valorizando sua  vida, o meio ambiente e se tornando uma pessoa do bem, solidária, sem preconceitos, confiante e  principalmente motivando esse aluno a estudar, se qualificar, buscando ser sempre uma pessoa melhor.

SITE NEIPIES: Escreveste uma bela poesia sobre Outubro Rosa. Compartilha com a gente.

Professora Adriana:

Se toque, se abrace, se ame.
A cor é rosa,
o cheiro é flor!
O mês é outubro,
o ato é de amor!
……..
A campanha alerta,
pra você se cuidar.
Pinta teu mundo de rosa!
Se ame sem parar!
…….
O caminho é prevenção,
um toque simples assim.
Não dói, não machuca,
mas é vida sem fim!
…….
Evite esse mal,
outubro é cuidado.
Mês de celebração.
Que seja rima, verso e prosa,
Que seja rosa!
Seja a causa! Simples! Leve!
Se toque menina, se abrace mulher!
Se ame!
Se outubro rosa!

SITE NEIPIES: Uma frase, um pensamento que diga muito sobre você.

Professora Adriana: “A vida é um constante recomeço. Não se dê por derrotado e siga adiante. As pedras que hoje atrapalham sua caminhada, amanhã enfeitarão a sua estrada.”

SITE NEIPIES: Uma mensagem aos que te leem agora.

Professora Adriana:Depois que você passa por uma experiência dessa magnitude, a minha maneira de ver as pessoas, de valorizar a vida muda completamente. Entrei uma pessoa e saí outra Adriana. A vida é feita de ciclos. Há tempo para tudo. As dores chegarão ao fim. Confia!

SITE NEIPIES: Considerações finais.

Professora Adriana: Professor Nei, obrigada pela oportunidade de contar a minha história de luta, superação e gratidão. Sobre as fotos:  a primeira representa o bom humor diante do desafio de ficar careca junto com meu filho. A segunda foto o otimismo, a alegria de viver. A terceira representa força, superação. A quarta e quinta participação na caminhada rosa junto com milha filha e uma grande amiga que me ajudou na época. A sexta foto traz o meu trabalho de professora educadora. E a última expressa gratidão e traz a mensagem principal da campanha: PREVENÇÃO!

Ensino remoto: narrativa a ser desconstruída

“A escola invadiu nossas casas, ‘desacomodou’ alguns
‘cômodos’ e espaços; continuamente nos desafia,
nos colocando em crise, mas, dentro de nossa alma
sobrevive questionando e dando
sentido para o existir docente”.



A segunda quinzena de Março deste inusitado 2020 marca a história docente, pois, deu início ao “isolamento” social no Brasil e a diversas iniciativas para manutenção de vínculos entre estudantes e escolas, digo isso entendendo que a prioridade deste tempo não deveria consistir na oferta de conteúdos para vencer planejamentos e “cumprir com a tarefa letiva”.

Quem de nós podia prever os desafios deste tempo?

Não era para ser assim.

Quem se preparou para um ensino remoto via plataforma Google Classroom adotado pela rede estadual? Não prevemos, pois a vida é uma experiência inédita, o que segue é uma tentativa de registro da práxis, cujo objetivo é significar, repensar, redirecionar e compreender as implicâncias políticas que trasbordam desta realidade.

Estando em “isolamento” e impossibilitados de frequentar o espaço geográfico da escola, os estudantes precisaram de meios para manutenção dos vínculos com a instituição e com as aprendizagens próprias de cada componente curricular e de cada segmento.

O uso da tecnologia que até então era “negligenciado” por grande parte das instituições foi proposto como principal alternativa.

Tecnologias são aliadas da educação.

Não demonizamos as tecnologias e ferramentas do mundo digital, mas é nosso dever questionar a eficácia do que se convencionou chamar de ensino remoto.

Observando as porcentagens baixíssimas das devolutivas dos estudantes, precisamos avançar na concepção política que gera e alimenta o ensino remoto na rede estadual de ensino.

Todas as famílias possuem acesso e dominam o uso das ferramentas digitais? Qual é o significado real da exigência desta modalidade de ensino para os professores que precisam aprender em caráter de urgência o uso de diversas ferramentas, a aplicação de metodologias ativas para o meio digital, submissão às burocracias que excedem a carga horária de contratados e concursados? Qual é a concepção de educação que perpassa as ações dos gestores públicos?

Para mencionar um exemplo, em uma turma de 33 alunos, contei o máximo de 7 devolutivas. As participações dos estudantes no Google Meet são desanimadoras, em algumas turmas dou aula para um estudante, em outras dois, quatro, seis.

Em uma das escolas que trabalho fui orientado a, na ausência do estudante, gravar uma vídeo aula e disponibilizar no Google Classroom, então o que deveria ser uma experiência interativa em tempo real “síncrona” converte-se em uma aula “assíncrona” que “talvez” será acessada.

As porcentagens de acesso e devolutiva de atividades são computadas e registradas, o que significa mais um dos muitos trabalhos burocráticos que competem aos docentes, há muito sobrecarregados e silenciados pelo sistema que desconsidera a condição de sujeito dos docentes da rede.

Considerando as porcentagens e a experiência que temos vivenciado, entendemos que o ensino remoto não responde as exigências da equidade no acesso ao ensino público, visto que a inclusão digital deveria anteceder o todo da proposta; também é necessário pensar que essa forma de “fazer docente” compromete a qualidade do ensino/ aprendizagem, o destitui de sua tarefa política que consiste em oferecer uma sólida formação humana e cidadã, esperança que pode transformar a vida de muitos adolescentes e jovens.

“As diferenças que assolam o ensino público no Brasil ficaram ainda mais evidentes e, especificamente no RS, evidenciaram o descaso que a escola pública está imersa. Enquanto professora da rede estadual de Passo Fundo, me vi tendo que reinventar o modo de dar aula com as ferramentas tecnológicas disponíveis e compartilhar uma angústia coletiva de uma categoria que não tem o devido reconhecimento de grande parte da sociedade e muito menos dos governantes”. (Eduarda Dal Pozzo, professora de Língua Portuguesa e Literatura). Leia mais aqui.

NÃO ao retorno das aulas presenciais no RS

Professor denuncia falta de condições objetivas e razoabilidade para que retorno às aulas aconteça de forma segura e responsável a todos os que estão envolvidos com a escola: os professores e professoras, funcionários e funcionárias de escolas, os estudantes, os pais e mães, os familiares e toda comunidade das nossas cidades.


Douglas Pereto, professor da rede estadual do RS, usa uma linguagem direta e coloquial nas suas manifestações sobre as condições do magistério público estadual. Sempre surpreendente e contundente, o professor Douglas traz à realidade à tona de um jeito genuíno e peculiar.

Com o magistério público estadual novamente no “front” da polêmica volta às aulas presenciais, no contexto da Pandemia, Pereto não se exime e produz um importante e brilhante vídeo que repercute em todo o Estado do RS, principalmente entre os professores e estudantes.

Neste vídeo, publicado nas suas redes sociais, denuncia a falta de condições objetivas para que este retorno aconteça de forma segura e responsável a todos os que estão envolvidos com a escola: os professores e professoras, funcionários e funcionárias de escolas, os estudantes, os pais e mães, os familiares e toda comunidade das nossas cidades.

Confira o vídeo clicando aqui e tire as suas próprias conclusões.

Uma das maiores críticas feitas ao governo do Estado do RS é que as medidas que vêm sendo adotadas, inclusive o anúncio das aulas presenciais no mês de outubro de 2020, são realizadas sem prévia consulta aos maiores interessados nelas: os professores e estudantes. Ou, quando levantamentos são feitos, seus resultados são completamente desconsiderados nas decisões que vem sendo tomadas no enfrentamento à Covid 19.

 Em outras duas publicações de grande repercussão no site, com suas provocações, Douglas Pereto trouxe à luz dos leitores a dramaticidade e a situação delicada em que vive o magistério público estadual, em período recente.

Em sua primeira publicação de maior repercussão, Peretto afirma: 

“Sou professor da rede pública estadual há 18 anos. A cada governo, implementam um novo modo de ver a educação. Nenhum tem sequência: conceitos, seminários, preparação para o trabalho. 

Todo mundo quer palpitar na nossa profissão de uma maneira absurda como não vejo em mais nenhuma. Ninguém diz para advogados, engenheiros, médicos, como eles devem trabalhar, o que devem ler ou como conduzir suas rotinas. A cada ano, mais arrocho, perda de poder aquisitivo, salários atrasados, parcelados, mais regulamentações, falta de profissionais melhor qualificados pois não há concurso. A pressão psicológica sobre quem precisa de tranquilidade para formar os ditos cidadãos do futuro do país não chega às escolas: nas redes sociais, na mídia, tudo é vomitado contra nós”.  Leia mais aqui.

Na segunda publicação, uma entrevista onde Douglas Pereto explica e aprofunda os temas abordados no artigo “Matam os professores aos poucos”.

“PERETO: Busquei inspiração nos poemas de Mario Quintana, “Rua dos Cataventos” e Affonso Romano de Sant”Anna, “A primeira vez que entendi”. No texto, segui com Ésquilo e seu “Prometeu”, para evidenciar a dilapidação da carreira do magistério. Acho que por abordar tema entalado na garganta de tantos profissionais da área. E também por tratá-lo de forma direta, mesclando linguagem formal e coloquial, usando emojis e até linguagem vulgar (no texto original tem um palavrão). O texto não deseja ser uma visão individual, mas uma voz daqueles que não aguentam mais serem colocados em caixas do pensamento”.  Leia mais aqui.


Lute hoje contra o luto amanhã
Não troque um futuro seguro por uma ilusão de normalidade no presente. Não carregue esta culpa para o resto da vida.
Lute hoje contra o luto amanhã.
#EscolasFechadasVidasPreservadas
Veja mais aqui.

Somos manipulados nas redes sociais

Adoecer por manipulação só é factível a quem estiver cego para a realidade, e a cura lhes custará um alto preço. Mantenha-se saudável, converse mais e pessoalmente, brinque, caminhe, desligue-se um pouco da tecnologia.

Você já percebeu quantos aplicativos ao serem baixados pedem para acessar seu arquivo de fotos ou para ter sua localização? Ou então, que após pesquisar preços de webcam pelo google, estará recebendo nos próximos dias uma overdose de imagens e de preços desses produtos nos baners das telas que abrir?

Dia destes, um amigo indicou-me para assistir pelo Netflix o documentário “O dilema das redes”, onde engenheiros, programadores, e ex-colaboradores de Facebook, Google, Instagram, Twiter & Cia fazem relatos de suas criações para tais redes, a maioria em tom de arrependimento. A unanimidade é a de que estas ferramentas vieram para ficar, mesmo que após seu apogeu venham a ser substituídas, o que já aconteceu com Orkut, Friendster, iTunes Ping e outras redes pioneiras.

É estarrecedor ouvir no documentário que aqueles que pensam estar utilizando a rede (os usuários) são na verdade os “usados”, vendidos por centavos como mercadoria para o comércio virtual.

Fiz um teste: pedi para um adolescente buscar no Google a palavra “anime” – desenho animado japonês – enquanto que ao seu lado eu buscava a mesma palavra no mesmo Google. O resultado foi que, enquanto que para mim os sites referidos eram mais didáticos sobre o tema, para o adolescente (fã em assistir tais desenhos), o que mais apareciam eram sites vendendo animes. O Google reconheceu o perfil da conta do adolescente e colocou à sua frente o que lhe interessava, vender. Se você fizer o mesmo no Facebook, o feed que aparecerá em seu aparelho não será o mesmo de quem estiver ao seu lado pesquisando o mesmo assunto.

Voltando ao documentário, nele, o tema gira sobre o quanto tais redes – que paradoxalmente serviriam para reunir – acabam por dividir e polarizar desde condomínios a nações! Também sobre o quanto em tempos de pandemia estas serviram-se para espalhar e polemizar mentiras e desinformações, chegando ao ponto de, no Twiter, uma fake news espalhar-se seis vezes mais rapidamente do que uma verdadeira notícia.

Trazendo para o contexto da psicologia, muito mal estar é gerado a partir do uso desmedido destas ferramentas.

Discursos de ódio, de preconceitos, de ameaças, de soberba, de pessoas que vivem um mundo de aparências e que sofrem para sustenta-las, histórias de inveja, de concorrências injustas e absurdas que terminam por levar a esvair-se em lágrimas aqueles que conseguem chegar a um consultório de psicoterapia.

Refiro-me aos que conseguem pois há outros tantos que sequer percebem que estão adoecidos e em sofrimento! Levando uma vida por indução, consomem daquilo que não precisam, senão para tentar preencher um vazio, que de natureza existencial, não irá terminar por isso. São tristemente induzidos.

Há, é claro, muita coisa boa a ser acessada na internet; nossos critérios de escolhas é que devem estar voltados para o que nos possa ser construtivo, prazeroso ou mesmo de entretenimento saudável. Adoecer por manipulação só é factível a quem estiver cego para a realidade, e a cura lhes custará um alto preço. Mantenha-se saudável, converse mais e pessoalmente, brinque, caminhe, desligue-se um pouco da tecnologia. Simplesmente, viva!

Em outra reflexão, publicada no site, já escrevemos: “vamos com calma, pois dados estatísticos se prestam a interpretações. A verdade é que a procura pelo termo “divórcio online gratuito” cresceu 9900% no período de 13 a 29 de abril e a busca “Como dar entrada em um divórcio” teve aumento de 82% segundo dados divulgados pelo Google Brasil. Isso não quer dizer que o número de divórcios aumentou de forma absurda, mas sim, que há muitos casais insatisfeitos com seus relacionamentos e que tal procura por informações reflete apenas a realidade”. Leia mais aqui.

Desabastecimento de alimentos e aumento da fome: o que Governo tem a ver com isso?

Governo Bolsonaro, desde o início de seu mandato, vem apostando todas as “fichas” na agricultura de exportação, exatamente pela lucratividade que esta oferece, mas abandona a agricultura familiar, aquela responsável por um grande percentual de produção de alimento para o consumo interno.

O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo. No entanto, recentemente o IBGE divulgou dados que a fome voltou a crescer no Brasil e atinge 10,3 milhões de pessoas. Aliado a fome, acompanhamos, nos últimos dias, a gravíssima situação de insegurança alimentar, vivida no país, devido a inflação dos alimentos e desabastecimento de produtos como o arroz, feijão e outros alimentos da cesta básica. O que explica essa situação? O governo tem responsabilidade?

Sim, o governo tem tudo a ver com isso. O governo é o responsável por adotar estratégias econômicas retrógradas, elaboradas no século XVIII, pela escola fisiocrata de economia, responsável pela famosa tese que ganhou grandes repercussões no mundo da economia: “laissez faire, laissez passer”.

Um dos principais problemas com que os governos europeus precisavam lidar naquele período era exatamente o da fome. Antes do teórico de economia Quesnay, a metodologia habitual consistia em prevenir a fome através da criação de celeiros públicos e da proibição da exportação de cereais. Ambas as medidas tinham efeitos negativos na produção.

A ideia de Quesnay foi inverter o processo: em vez de tentar prevenir as fomes, decidiu deixá-las acontecer e dotar-se da capacidade de as governar quando sucedessem, liberalizando tanto as trocas internas como as externas. É este o significado do lema “laissez faire, laissez passer”. Não é apenas um lema do liberalismo econômico, é um paradigma de governo, que concebe a segurança (sureté, nas palavras de Quesnay) não enquanto a prevenção de perigos, mas pelo contrário, enquanto habilidade de governar e conduzir a bom porto, uma vez que tenham lugar.

É fácil perceber que o governo Brasileiro adota essa metodologia, no entanto, ela até pode funcionar quando se tem bons governantes, capazes de lidar com as situações de crise. O governo Bolsonaro, desde o início de seu mandato vem apostando todas as “fichas” na agricultura de exportação, exatamente pela lucratividade que esta oferece, mas abandona a agricultura familiar, aquela responsável por um grande percentual de produção de alimento para o consumo interno.

“A pobreza extrema no Brasil deverá dobrar em 2020 como resultado da pandemia e ameaçar a democracia. O alerta faz parte de um novo informe produzido pela ONU e que revela que o tombo no PIB (Produto Interno Bruto) latino-americano será de 9,1%, o maior em um século.

Não podemos esquecer que a maioria dos dispositivos do projeto aprovado pelo Congresso (PL 735/2020), foi vetado pelo Presidente Bolsonaro. Entre eles, a extensão do auxílio emergencial para os agricultores que não receberam o benefício de R$ 600. Uma prova clara que é um governo à serviço do agronegócio.

Por décadas, a possibilidade de desabastecimento de alimentos era mitigada e controlada com políticas de incentivo à agricultura familiar, com políticas de constituição de estoques públicos que impediam oscilações de preços e desabastecimento. Contudo, essas políticas sofreram um grande ataque.

Hoje, conforme dados da CONAB, os estoques públicos de alimentos estão quase no fim. Sem falar do sucateamento que a CONAB vem sofrendo. Em maio deste ano ela já havia anunciado o fechamento de 27 unidades. A entidade explicou que a decisão foi resultado de um estudo elaborado no ano passado, que prevê uma menor atuação do governo nos locais onde o setor privado tem maior presença no mercado.

São dados assustadores para um Brasil que parcela da população estão morrendo de COVID-19, outra, nesse exato momento, está apagando as chamas de setores criminosos e outra está desempregada.

Basta! Não podemos mais admitir que um Estado conceda poderes ilimitados ao mercado, um setor que tem apenas como palavra de ordem o lucro a quaisquer custos.

Marcelo Neri, professor da FGV, ex-presidente do Ipea e ex-ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República entre 2013 e 2015, diz que “o morador do campo é mais pobre, produz alimentos, mas não ganha o suficiente para comprá-los”. “Em 2019, 53% dos 20% mais pobres e 10% dos 20% mais ricos brasileiros declaravam que faltava dinheiro para alimentação. Já no resto do mundo, os números eram 48% nos 20% mais pobres e 21% nos 20% mais ricos”, diz o professor. “Ou seja, nossos mais pobres têm hoje mais insegurança alimentar que no mundo, enquanto nossos mais ricos têm menos. É a famosa desigualdade tupiniquim.” Leia mais aqui.

Divagações

A poesia contém uma indispensável inutilidade.
Sem ela, o bicho-homem é sensivelmente menor”.
(Joaquim Moncks)

O tempo mistura as emoções,
numa espécie de verdade da alma.
Vagueia o pensamento na calma da noite,
na busca incessante de sentido,
tal como o faminto busca a comida.

Faz parte da vida a comida,
pela certeza, pela claridade, pela necessidade.

O tempo mistura as emoções.
Aquieta os sentimentos.
Adormece a experiência.

O pensamento traz tudo a tona.
Mostra o que está aquietado,
num embalo entre a razão e a saudade.
Envolve a ferida na capa do tempo.
Momento de outra verdade.

***

Pensando…

Vazios de lugares, vazios de pessoas, vazios de sonhos, vazios de projetos, vazios de presente, vazios de futuro…vazios na Vida.
As experiências não são rascunhos, que se apagam com borracha. Deixam marcas, indeléveis.

***

Agora

Agora tudo é silêncio,
Momento de mansidão
E mais nada.

Tenho saudades da menina perdida,
Das tardes da minha aldeia,
Das sombras do meu plátano,
Do balanço da rede,
Dos livros, que deleitavam
Meu tempo de lazer.

Meu agora é outra construção
De afetos e rebeliões,
De lugares e emoções.
A mulher encontra a menina
E, pequeninas, ambas se abraçam
E se amparam
Em suas mútuas solidariedades.

Ética nas redes sociais

Na medida em que agora utilizamos as redes sociais, a internet e as plataformas para fazermos também educação através da escola, ela passa a se tornar uma ferramenta cada vez mais importante e mais segura para comunicar e para nos tornarmos pessoas melhores, mais críticas e mais inseridas na sociedade.

As tecnologias e as redes sociais demoraram um pouco, mas também bateram à porta da educação. Com a pandemia e o isolamento social, viraram, de um mês para outro, ferramentas para aproximar estudantes, professores e professoras, pais e mães, num mutirão para não deixar a educação paralisada.

Mas por que Ética? Ética é a reflexão sobre as ações humanas. Neste caso, a reflexão sobre como usamos e como poderíamos usar melhor as redes sociais e as plataformas educacionais para nos relacionar, para comunicar e, agora, para aprender.

Além de bons jogadores e navegadores, nossas crianças, adolescentes e jovens podem agora usar as tecnologias a favor da educação e do acesso aos conhecimentos. Podem beneficiar-se, dominando as tecnologias que se impõem cada vez mais na vida de todos nós.

Conviver nas redes sociais

Cuidados são necessários. Vejamos. Será que é legal expor-se demais, expor tudo o que a gente pensa, tudo o que a gente é e o que a gente faz? É legal fazer zoação, brincadeiras ou postar bobagens na internet, redes sociais ou nas aulas? Não cuidar do uso do bom português? Entrar sempre em discussões ou polêmicas? Não checar se informações ou notícias são realmente verdadeiras antes de compartilhar? Usar imagens de colegas ou de professores para fazer memes, zoação ou brincadeiras? Publicar assuntos que são da família, do grupo de amigos ou da escola para todo mundo ver?

O nosso desejo de comunicar não pode atropelar o bom senso, o respeito aos outros, a empatia e a compaixão (colocar-se no lugar dos outros). Nossa vida social agora também é a internet, as redes sociais e exige de todos nós RESPONSABILIDADE.  Temos de ser CIDADAOS DIGITAIS RESPONSÁVEIS.

A fofoca sempre foi uma arma utilizada para controlar a vida dos outros. Mas agora, com a velocidade com que se espalham as informações, podemos expor a integridade e a reputação das pessoas de forma ampliada, porque a internet pode destruir a vida social de uma pessoa de uma hora para outra.

A tentação de muitos é jogar os problemas da vida real no mundo virtual. Não faltam exemplos de jovens que, de forma impensada, expuseram o seu corpo, expuseram a imagem de outras pessoas, postaram uma briga ou um desentendimento, praticaram preconceitos e discriminação e tiveram de pagar caro por isso. Há casos em que tiveram mesmo de sair de sua cidade.

A internet e as redes sociais não são um mundo sem lei. Além de não sermos eticamente corretos, podemos ser responsabilizados legalmente quando abusarmos e postarmos assuntos que não deveriam estar expostos para todo mundo ver. Dependendo da postagem, as repercussões podem gerar problemas incontroláveis e inimagináveis.

Por outro lado, na medida em que agora utilizamos as redes sociais, a internet e as plataformas para fazermos também educação através da escola, ela passa a se tornar uma ferramenta cada vez mais importante e mais segura para comunicar e para nos tornarmos pessoas melhores, mais críticas e mais inseridas na sociedade.

Ocorre que todos estamos aprendendo. Nesta aprendizagem, os professores e professoras, os estudantes, os pais e mães e toda comunidade descobrirão juntos um grande potencial das tecnologias para melhorias na educação.

Estamos numa nova fase na educação, onde juntos aprendemos e ensinamos. Onde todos podemos errar e aprender, sobretudo pensando na segurança nas informações e conteúdos digitais e o domínio das próprias tecnologias. Muitos professores e professoras, pais e mães e muitos estudantes apresentaram dificuldades para entender e praticar atividades digitais, mas com PACIÊNCIA, SOLIDARIEDADE, COMPREENSÃO E OUSADIA estão descobrindo novos mundos e novas possibilidades.



Proposta de uma atividade pedagógica – Disciplina de Filosofia

Esta atividade pode ser trabalhada com estudantes do Oitavo Ano do Ensino Fundamental ou em turmas do Ensino Médio. Também pode ser trabalhada em outras séries finais do Ensino Fundamental.

No Oitavo Ano, seguindo as orientações da nova BNCC, Unidade temática: Ética. Objeto de Conhecimento: Virtudes e valores humanos.  Habilidades: (EF08FL01PF05) Entender conceitos de prudência, empatia, coragem, autonomia, responsabilidade.

Questões para pensar:

  1. Caro estudante, você já é um usuário das redes sociais e já deve ter visto ou vivenciado situações onde faltaram a ética ou o respeito, ou houveram situações de bullyng virtual (Ciberbullyng). Quais são os cuidados necessários para o bom uso da internet e das redes sociais?
  2. Por que ética nas redes sociais? Explique e justifique.
  3. Antes da pandemia e do isolamento social, você tinha uma ideia das redes sociais e da internet. Com o uso das redes sociais e internet nas salas de aulas, qual é sua ideia hoje?
  4. As redes sociais e a internet podem trazer melhorias para melhorar a qualidade da educação. Como?
  5. Qual é a relação que podemos estabelecer entre fofoca (prática muito antiga) e Fake News (prática mais recente, através de mídias e redes sociais)? Qual é o perigo das mesmas?
  6. Como explicar que a nossa vida social agora também é a internet? (assista ao vídeo (https://youtu.be/muQ5eLeZaMQ?t=12 e responda)

Educação sexual?

O que mesmo se teme: a igualdade?
Os novos direitos? A diversidade?


O ministro da Educação, Milton Ribeiro, que é pastor presbiteriano, disse em recente entrevista que pretende promover mudanças em relação à educação sexual que, segundo ele, é usada muitas vezes para discussão de gênero.

Na lógica disciplinar que atravessa práticas e discursos, desde o início da Modernidade, a escola entre outras instituições, consolidou um espaço importante na produção e reprodução de normas sociais.

A escola, muitas vezes, mostrou-se resistente a propostas críticas e inovadoras, como as questões que permeiam os estudos de gênero.

M. Focault, entre outros autores, analisa que, ao longo da história, os corpos feminino e masculino têm sido alvos de inscrições discursivas e objeto de disciplinarização e controle, sendo atravessados pela física e pela microfísica dos poderes.

Neste contexto é preciso uma atuação da educação sexual escolar na direção do combate às discriminações de gênero ou sexuais. Inserir no cotidiano escolar as discussões sobre sexualidade, afetividade e gênero é desafiador, por tratar-se de temáticas cercadas de mitos e tabus, e ainda não garantidas nos currículos de formação inicial dos educadores.

“Educação sexual é um programa de ensino sobre os aspectos cognitivos, emocionais, físicos e sociais da sexualidade. Seu objetivo é equipar crianças e jovens com o conhecimento, habilidades, atitudes e valores que os empoderem para: vivenciar sua saúde, bem estar e dignidade; desenvolver relacionamentos sociais e sexuais respeitosos; considerar como suas escolhas afetam o bem estar próprio e dos outros; entender e garantir a proteção de seus direitos ao longo da vida.” (UNAIDS, Guia técnico para educação sexual)

A escola precisa sim retomar os conceitos de gênero, sexualidade, orientação sexual e identidade de gênero através de um olhar crítico sobre a construção de heterossexualidade que abriga os binarismos macho/fêmea, sexo/gênero e que historicamente contribuem para a manutenção de práticas sexistas e homofóbicas no ambiente escolar.

O silenciamento dessas discussões na escola é o mesmo que negar as plurais identidades de gênero e orientação sexuais e insistir no padrão dicotômico masculino/feminino (meninos vestem azul, meninas vestem rosa) na definição da ministra Damares.

A educação em sexualidade deve ser compreendida na perspectiva dos direitos sexuais e reprodutivos e, estes, como direitos humanos. É preciso entender que a realidade na escola abrange a presença de homossexuais, travestis, transexuais e gravidez na adolescência. Os professores devem estar preparados para enfrentar esta realidade.

O velho conceito que assevera “a valorização da família como o mais importante meio de educação, na formação e estruturação da sociedade”, precisa ser urgentemente revisto. Os tempos são outros. A identidade de gênero desenvolvida na escola será o mecanismo fundamental para ampliar o respeito à pluralidade sexual.

Para os segmentos sectários, conservadores – representados neste governo –, a sexualidade é entendida observando simplesmente seus componentes “naturais”. Esses só podem ser entendidos e adquirir significado graças a processos inconscientes e formas culturais.

Fico me perguntando, o que estas pessoas temem: A igualdade? Os novos direitos? A diversidade?

Que diferença faz na sua vida continuarmos reforçando lugares na sociedade usando o gênero como critério de diferenciação? Quando entenderemos que o ser-humano é muito mais do que o que se diz que ele deve fazer de acordo com as suas genitais? (Ingra Costa e Silva)
Veja mais aqui.

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