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Indústria cultural e cultura de massa

A modernidade terminou um processo que a Filosofia começara desde a Grécia: o desencantamento do mundo. Isso é, a passagem do mito à razão, da magia à ciência e à lógica. Esse processo liberou as artes da função e finalidade religiosas, dando-lhes autonomia.

No entanto, a partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70), as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural, baseada na ideia e na prática do consumo de “produtos culturais” fabricados em série. As obras de arte são mercadorias, como tudo o que existe no capitalismo.

Perdida a aura, a arte não se democratizou, massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa, transformando-se em propaganda e publicidade, sinal de status social, prestígio político e controle cultural.

Sob os efeitos da massificação da indústria e consumo culturais, as artes correm o risco de perder três de suas principais características:

  1.  de expressivas, tornarem-se reprodutivas e repetitivas;
  2. de trabalho da criação, tornarem-se eventos para consumo;
  3. de experimentação do novo, tornarem-se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo.

A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade, isto é, existe para ser contemplada e fruída. E essencialmente espetáculo, palavra que vem do latim e significa: dado à visibilidade.

No entanto, sob o controle econômico e ideológico das empresas de produção artística, a arte se transformou em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. E algo para ser consumido e não para ser conhecido, fruído e superado por novas obras.

As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação, pois todos poderiam, em princípio, ter acesso a elas, conhecê-las, incorporá-las em suas vidas, criticá-las, e os artistas e pensadores poderiam superá-las em outras, novas.




Aprenda o que é cultura, como se manifestam as diversidades culturais e quais são os tipos de cultura mais comuns. Veja ainda como a cultura é estudada pela Antropologia, ciência específica que estuda o ser humano. Quer saber mais sobre o assunto? Brasil Escola Sociologia



A democratização da cultura tem como precondição a ideia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo, que apresentamos no estudo sobre a ideia de Cultura) são direito de todos e não privilégio de alguns. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais, direito à informação e à formação culturais, direito à produção cultural.

Ora, a indústria cultural acarreta o resultado oposto, ao massificar a Cultura. Por quê’?

Em primeiro lugar, porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras “caras” e “raras”, destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas, formando uma elite cultural; e há obras “baratas” e “comuns”, destinadas à massa. Assim, em vez de garantir o mesmo direito de todos à totalidade da produção cultural, a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “culta” e massa Inculta”.

O que é a massa? É um agregado sem forma, sem rosto, sem identidade e sem pleno direito à Cultura.

Em segundo lugar, porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais, cada um escolhendo livremente o que deseja, como o consumidor num supermercado. No entanto, basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que, através dos preços, as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir, ver ou ler.

No caso dos jornais e revistas, por exemplo, a qualidade do papel, a qualidade gráfica de letras e imagens, o tipo de manchete e de matéria publicada definem o consumidor e determinam o conteúdo daquilo a que terá acesso e tipo de informação que poderá receber. Se compararmos, numa manhã, cinco ou seis jornais, perceberemos que o mesmo mundo este no qual todos vivemos transforma-se em cinco ou seis mundos diferentes ou mesmo opostos, pois um mesmo acontecimento recebe cinco ou seis tratamentos diversos, em função do leitor que a empresa jornalística pretende atingir.

Em terceiro lugar, porque inventa uma figura chamada “espectador médio”, “ouvinte médio” e leitor médio”, aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias”, certos conhecimentos “médios” e certos “gostos médios”, oferecendo-lhes produtos culturais “médios”. Que significa isso?

A indústria cultural vende Cultura. Para vendê-la, deve seduzir e agradar o consumidor. Para seduzi-lo e agradá-lo, não pode chocá-lo, provocá-lo, fazê-lo pensar, fazê-lo ter informações novas que o perturbem, mas deve devolver-lhe, com nova aparência, o que ele já sabe, já viu, já fez. A “média” é o senso-comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova.

Em quarto lugar, porque define a Cultura como lazer e entretenimento, diversão e distração, de modo que tudo o que nas obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade, da imaginação, da inteligência, da reflexão e da crítica não tem interesse, não “vende”. Massificar é, assim, banalizar a expressão artística e intelectual. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura, despertando interesse por ela, a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos.[1]

Jandir Pauli, professor do PPG em Administração da IMED, graduado em Filosofia e Doutorado em Sociologia.






Sugestões de uma prática pedagógica – Disciplina Filosofia

Esta atividade pode ser aplicada a estudantes de Nono Ano do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio.

No Nono Ano, Unidade temática Política: Conhecimento e Estética, Objetos de Conhecimento: Temas relacionados à Estética (A indústria cultural e a cultura de massas), Habilidades: debater sobre a importância, possibilidades e limites no envolvimento com ações sociais e políticas.

Questões para pensar:

1) Que tipo de transformação aconteceu com a arte na pós-modernidade?

2) Escreva duas características que podem ser perdidas, pelas artes, com o processo de massificação.

3) O que significa a democratização da cultura?

4) Quais os grandes problemas produzidos pela indústria cultural?

5) Explique o que quer dizer a expressão: “expectador médio”.

6) Como a indústria cultural vende cultura?

7) Você concorda que a cultura deve ser vendida conforme a capacidade econômica de cada classe social? Explique.

8) Assista ao vídeo “O que é Cultura”, do Brasil Escola (https://youtu.be/o2XKjnxYMxk?t=170). Descreva o que você entendeu por cultura a partir deste vídeo.


[1] CHAUI, Marilena. Filosofia: novo Ensino Médio. São Paulo: Ática, 2001, p. 329-330.

Homem e o mundo: duas realidades em confronto

É por meio da linguagem e do trabalho que o Homem dá sentido, conhece e modifica o mundo. Ao falarmos de mundo, pensamos num ambiente ou circunstância na qual o Homem se move, existe e vive, ou seja um lugar que propicia uma vivência.

Mas o que é realmente “mundo”?

Falamos de um “mundo interior do Homem”, referimo-nos ao “mundo das ciências”, ao “mundo físico”, ao “mundo da fantasia”. Costumamos chamar ‘mundo’ o planeta em que habitamos encontramos até a expressão jocosa “no mundo da lua”, aplicada, sobretudo, às pessoas que vivem desligadas da realidade.

O termo ‘mundo’ reveste-se de inúmeras significações.

Na verdade, ao nos referirmos à relação Homem-mundo, podemos fazê-lo em termos de oposição: temos em mente a presença do Homem diante de uma realidade que de uma certa maneira lhe é exterior. Mas importa acrescentar logo que, em vez de se opor, o Homem entra imediatamente em contato com ela. Ao viver, o ser humano se descobre cercado por algo diferente dele, uma realidade independente. Ele encontra a resistência e a opacidade dessa realidade externa, incógnita, plena de provocações à sua inteligência, sua sensibilidade, sua curiosidade, sua capacidade física.

Mundo: realidade exterior ao Homem. Desperta sua curiosidade e provoca suas capacidades.

O mundo com que entramos em contato apresenta-nos duas dimensões determinadas. A primeira delas é a natureza. O Homem enfrenta o mundo natural, que lhe é dado. O mundo natural desenvolve-se segundo leis fixas, independente de uma intervenção humana. O mundo vai, aos poucos, se humanizando ao contato com o homem e então achamo-nos em face de uma segunda dimensão, que merece de nós um estudo mais pormenorizado: o mundo da cultura.




O ser humano destaca-se dos outros animais. Em sua existência, não se limita a aceitar o mundo natural que o rodeia, mas o modifica, construindo a civilização. Diferenças entre seres humanos e animais.



Duas dimensões do mundo: natureza e cultura.

Entre outras coisas, a cultura pode ser considerada como resultado do esforço do homem frente à resistência que ele encontra no mundo exterior. É a resposta que o homem oferece ao desafio daquela realidade (o mundo) à primeira vista estranha e até mesma hostil. Não é nossa intenção, entretanto, apresentar natureza e cultura como elementos contrários.

A cultura se apresenta, pelo menos em um certo momento, como uma expansão da natureza, uma acréscimo a aquilo que existe em estado natural. Análoga à “cultura dos campos” ao ato de “cultivar” a terra, e toda atividade cultural do homem em outras áreas. O agricultor, por exemplo, a contribuir com seu trabalho para o desenvolvimento e aprimoramento dos solos e das plantas, está fazendo cultura.

Natureza e cultura não se opõe, apenas se distinguem. A cultura é expansão, aprimoramento do aspecto natural do mundo.

Quando falamos em cultura, queremos mostrar que o homem, esta criatura que se caracteriza por um afã de conhecimento e de perfeição, não se contenta com o mundo em seu aspecto natural. Respondendo a um apelo interior de criatividade, ele se organizava no sentido de transformar o mundo. A fisionomia do mundo (=cosmos) vai se modificando à medida que nele se imprimem a marca da atividade humana, os traços de uma nova ordem, uma nova harmonia. Veja mais aqui.

Autor do texto: Jandir Pauli, professor do PPG em Administração da IMED, graduado em Filosofia e Doutorado em Sociologia.





Sugestão de uma atividade pedagógica – Disciplina Filosofia

Questões para pensar:

1) Como o homem conhece e modifica o mundo?

2) Explique o que entende pela expressão “mundo”.

3) O mundo natural e o cultural são elementos contrários? Explique.

4) Faça uma pesquisa sobre elementos da cultura da violência e democracia cultural.

5)No vídeo que segue, também publicado no texto, (https://youtu.be/P7bYpdgtvfU?t=142 ), o autor trabalha as diferenças entre os seres humanos e os demais animais. O ser humano desenvolve linguagem, trabalho e arte. Faça um breve resumo do que você entendeu do vídeo.

O Brasil é um país laico?

Em um contexto de país laico, as instituições públicas
e democráticas não devem privilegiar uma
instituição religiosa em detrimento da outra.


A pergunta no título desta coluna é muito sugestivo e polêmico ao mesmo tempo. Alguns pesquisadores dizem que o Brasil pouco avançou no debate sobre a liberdade religiosa, outros estudiosos dizem que o Brasil nunca foi uma nação que respeitasse a escolha de ter ou não uma religião. O tema carece de explicações para entendermos este fenômeno atual e importante na vida do brasileiro.

A laicidade consiste no respeito a escolha de ter ou não uma religião. As escolhas da relação com o sagrado são de fórum íntimo. Ou seja, cabe as pessoas a decisão de quererem ou não praticarem alguma religião ou religiosidade em seu âmbito privado. O particular é o local do exercício da fé. Fé esta que ajuda o sujeito a enfrentar as adversidades da vida cotidiana. Fé que auxilia no conforto emocional nos momentos de tristeza e também em outras áreas da vida humana.

O ser humano é um ser que tem necessidades do contato com o sagrado.

O contato com o sobrenatural não é feito de uma única forma. São inúmeras expressões religiosas que coexistem atualmente: Igreja Católica, Igrejas Evangélicas, Espiritismo, Candomblé, Umbanda, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Adventistas, Santo Daime, União do Vegetal, Judaísmo, Vale do Amanhecer, Racionalismo Cristão, Paganismo, Budismo, Igreja Messiânica, Seicho-No-Ie, Fé Bahai, dentre outras propostas. Por serem diversas não podem ser hierarquizadas. Obrigatoriamente, devem ser tratadas de forma igual por parte da sociedade.

Em um contexto de país laico, as instituições públicas e democráticas não devem privilegiar uma instituição religiosa em detrimento da outra. O Estado obrigatoriamente deve ser neutro em matéria de religiosidade. As autoridades públicas não devem impor e nem bloquear o exercício de culto. Isto é constitucional.




Conheça as diferentes formas do Estado se relacionar com a religião no Brasil e no mundo.



Repito: O Brasil não tem uma religião oficial. As decisões políticas e administrativas dos serviços públicos devem ser baseadas nos princípios constitucionais e dos regimento dos seus órgãos e não a partir dos fundamentos religiosos de alguma instituição religiosa, crença ou filosofia de vida.

Em um país democrático como o Brasil, a laicidade precisa ser pauta de políticas públicas. São necessárias ações para o combate as formas de intolerância religiosa e racismo religioso. Promover a boa harmonia de convivência entre os grupos religiosos. Estimular a criação de comitês nos estados, municípios e no distrito federal com o tema pela preservação e defesa da diversidade religiosa. Acionar o Ministério Público quando ocorrer proselitismo religioso ou intolerância religiosa ou racismo religioso nas repartições públicas. A defesa da laicidade deve ser uma das pautas prioritárias.

Esta realidade que apresentamos acima não condiz com a realidade em que vivemos. Há aumento do número de casos de intolerância religiosa no Brasil.

De uma forma ou de outra todas as confissões religiosas, espiritualidades, crenças, filosofias de vida e ateus sofrem por suas escolhas ou não ter escolha no exercício na relação com o sagrado.

Não raros os momentos, lemos nos jornais que Igrejas Católicas são invadidas e seus santos são quebrados. Igrejas Evangélicas possui bíblias queimadas e são criticados pela sua postura rígida sobre pautas de costumes. Maçons são acusados de terem pacto com o Diabo. O espiritismo e as religiões de matriz africanas são associados com demônios. Os adeptos do uso da substância da ayahuasca são acusados de estimulares o uso das drogas. Curandeiros e benzedeiros são vistos como feiticeiros ou charlatões. Adeptos do paganismo são vistos como bruxos com pacto com o diabo, e os ateus, por não terem religião, é comum dizer que são pessoas ruins por não acreditarem em Deus.

Sem sombra de dúvidas, o grupo religioso que mais sofre intolerância religiosa são as religiões de matriz africana. A situação mais dramática é no Rio de Janeiro. Os terreiros são invadidos por outros segmentos cristãos e suas imagens são quebradas, outros acessórios são queimados e alguns líderes até mortos ou espancados. Andar na rua de branco as sextas pode acontecer de algum radical religioso promover alguma forma de violência contra o afro religioso.

O fenômeno dos traficantes evangélicos é algo assustador. Como sabemos os evangélicos cresceram muito nos últimos anos. Há quem diga que daqui no máximo 30 anos seremos maioria de adeptos evangélicos.

A maioria da população pobre do Estado do Rio de Janeiro mora nas favelas ou outros locais de baixo saneamento básico e são identificados com os valores evangélicos. Nestes locais moram traficantes que diariamente praticam o tráfico de drogas. Os terreiros de umbanda e candomblé a mando dos traficantes invadem os templo das religiões de matriz africana e quebram tudo o que tem por lá e ainda matam o pai ou mãe de santo. Alegação que as religiões de inspiração na cosmovisão africana são demoníacas, patológicas, desviantes e erradas. Na visão destes traficantes, é vontade de Deus que os umbandistas e candomblés sejam convertidos ou combatidos.

No Estado do Amapá, as práticas de intolerância religiosa tem crescido. Nos últimos anos, tivemos situações vexatórias. Em julho de 2019 em terreiro de Pai Salvino, as atividades religiosas e sociais são desenvolvidas no bairro das Pedrinhas, durante a festa do glorioso São João um grupo de religiosos iniciaram atitudes que podem ser caracterizadas como intolerantes. Quem estava no local disserta que religiosos jogavam pedras no telhado do templo, faziam orações efusivas para que os demônios saíssem de lá, usavam caixas de som e cânticos altíssimos para atrapalhar as atividades. Tentativa clara de proselitismo religioso e desrespeito ao exercício religioso em culto privado do outro.

O Brasil historicamente avançou, em parte, na liberdade religiosa. Não temos mais uma religião oficial. As pessoas em suas casas possuem certa autonomia para praticarem ou não uma religião ou espiritualidade. Mas, ao olharmos as questões públicas não é bem assim. As decisões políticas beneficiam católicos e evangélicos. Exemplos: partidos confessionais, bancadas religiosas, concessão de rádio e tv, feriados religiosos, financiamento público em projetos religiosos, dentre outras situações. Esperamos que a situação supracitada modifique, com a atuação de todos nós, a favor da liberdade religiosa.

Conheça este material audiovisual sobre Intolerância e fé no Brasil.

Autor: Marcos Vinicius de Freitas Reis – Professor da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) do Curso de Graduação em Relações Internacionais. Líder do Centro de Estudos Políticos, Religião e Sociedade (CEPRES-UNIFAP/CNPq).


Publicado originalmente em Jornal GGN




Sugestões de uma prática pedagógica

Esta atividade pode ser aplicada a turmas de Nono Ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Nos Nonos Anos do Ensino Fundamental, Unidade Temática: Crenças e filosofias de vida, Objeto de Conhecimento: Princípios e valores éticos, Habilidades: Reconhecer e apropriar-se de valores éticos, morais e religiosos que contribuem para a erradicação de discursos de ódio e práticas de violência.

Questões para aprofundar conhecimentos:

  1. Você entendeu a importância do Estado Brasileiro ser laico? Escreva sua justificativa.
  • O autor do texto fala da diversidade religiosa e de algumas dificuldades na convivência harmoniosa entre as religiões. Recupere os principais conflitos entre diferentes religiões no Brasil.
  • Neste vídeo, cujo link é https://youtu.be/Nexa8DtttnE?t=3 são apresentadas as diferentes formas dos Estados/Nações na relação com as religiões. Apresente um breve resumo dos conteúdos do vídeo.
  • Que valores éticos e morais deveríamos viver mais no Brasil para alcançarmos um ambiente mais respeitoso e fraterno entre as diferentes religiões?

Perdoe-nos, PALAVRA!

Como nos falta consciência do poder das palavras!
Entramos no terceiro milênio sob o poder,
mesmo que debilitado, da palavra.


Lá em casa ninguém adormecia sem a bênção dos pais. Também pedíamos a bênção para tios, avós e padrinhos. Todos acreditávamos no poder da palavra do outro, principalmente de alguém mais velho ou ligado a nós por laços afetivos ou sanguíneos para bendizer ou amaldiçoar. Esta tradição, hoje um pouco esquecida, deságua no caudal humano do poder da fala chamando à existência as coisas que diz.       

O povo judeu do Antigo Testamento tinha tal reverência pela palavra, que o nome de Deus praticamente não era verbalizado e, como se escrevia sem vogais, não se sabe exatamente como se o pronunciava. O dizer humano era limitado para expressar aquele nome, enquanto a Palavra de YHWH realizava exatamente o seu conteúdo. Lembra, “…então Deus disse: – Faça-se a luz, e a luz foi feita.”?     

Para os gregos, o “logos” (palavra) era o princípio ordenador do “caos”.  

O Evangelho de João começa anunciando que a Palavra – aquela proclamada como verdade pelos profetas – se fez homem e armou sua tenda entre nós. A palavra “tenda”, usada pelo evangelista, evoca o caráter dinâmico, itinerante e nômade da verdade, sempre esguia ao cárcere avassalador das formas.

Esta reverência é sublinhada além do mundo judaico-cristão. Entre os maias havia um deus especial para as palavras.    

Entramos no terceiro milênio sob o poder, mesmo que debilitado, da palavra. O endeusamento da imagem ainda não conseguiu sobrepor-se a ela, felizmente.           

Nunca houve no mundo tantos dizeres, tantos discursos, tantas coisas ditas como salvação ou como ameaça. Maltratada ou respeitada, profanada ou sacralizada, amada ou estuprada, a Palavra, misteriosa e miserável, na forma de larva e pá que lavra ou abre a vala à semente, sobrevive enlouquecida na ascendente Babel da atualidade.

Mentiras e verdades na imprensa, livros descartáveis, publicidade e disfarces, falas e letras de músicas no rádio, na televisão, no cinema, ao telefone, na internet… Palavras gritadas nos protestos à luz do sol ou sussurradas nas penumbras do amor, pichadas em letras monstruosas nos muros da cidade ou ínfimas e desajeitadas nas garatujas das crianças, ei-las entre nós.

Como disse Gabriel Garcia Marques, a quem parafraseio, o grande derrotado é o silêncio, nunca a Palavra.

O maior problema é que “as coisas têm agora tantos nomes em tantas línguas que já não é fácil saber como se chamam em nenhuma. Sem madrinha, os idiomas se dispersam, se misturam, se confundem, disparados ao destino inevitável de uma linguagem global”, continua o escritor.




“Diz-se que a boca fala daquilo que o coração está cheio. Humanizamos pela palavra e, por meio dela, defendemos o direito do ser humano na sua integralidade, a fim de que o espaço da dignidade não seja extorquido de nenhum cidadão. Em uma de suas composições, Renato Russo registrou, de forma contundente: “palavras cortam mais do que as facas. Elas não perfuram a pele, rasgam a alma”. (Acedriana Vicente Vogel)
Veja mais aqui.



Como nos falta consciência do poder das palavras! Se o respeitássemos, jamais amaldiçoaríamos, mas secaríamos a boca de tanto abençoar; falaríamos mais do amor e menos da vingança; pronunciaríamos mais vocábulos dos sonhos e menos das saudades; escreveríamos mais poemas e menos declarações de guerra; teríamos mais listas de alimentos e menos de armamentos.            

Ah, se os políticos soubessem o poder das palavras,     se os jornalistas acreditassem na força do que escrevem, se os escritores imaginassem como cortam sua carne ao escrevê-las!

Engasgado com tantas profanações da Palavra, de silogismos sofistas, depois de um dia inteiro testemunhando seu desacato em tão inimagináveis e indeclaráveis modos, como eu gostaria de ouvir uma palavra de bênção do pai para o filho, do avô para o neto, do tio para o sobrinho, do padrinho para o afilhado! Quem sabe isto apaziguaria a ira do Deus das Palavras.

Nestes tempos, parafraseando João, o evangelista, eu escreveria: “O caos no princípio havido, antes de Deus colocar ordem nas coisas, se fez homem e construiu uma casa de concreto entre nós.” Vestida em pele de cordeiro, a palavra-lobo conseguiu seduzir os senhores do dito e do não dito. Acreditando neles, esquecemos o poder ordenador da Palavra quando pronunciada com reverência.            

Alguém por aí vive falando “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, mas defende os sites de fake news como liberdade de expressão. Tempos falaciosos.

Perdoe-nos, Palavra!




“Acredito muito nas palavras como forma de humanização”. (Nei Alberto Pies)

Os ataques à dignidade da educação estadual têm que cessar

Esse momento de suspensão das aulas vai ampliar o abismo da educação pública em relação às condições privadas por si só, imaginem numa situação de degradação e desinvestimento em curso que atinge as condições, os insumos e a vida dos e das trabalhadoras da educação estadual.


Nunca ficou tão evidente a importância da escola, dos e das educadoras, do cotidiano escolar, de suas aulas, da socialização que proporcionam e da alimentação que alivia a demanda nas famílias, como no isolamento determinado pela pandemia do coronavírus. São milhões de crianças, adolescentes e jovens sem rotina escolar e muitas vezes sem condições materiais de estudos em casa, desafiando todos nós a repensar a educação, seu papel e sua implantação.

A pandemia também desnuda a precariedade das estruturas escolares, pois que, para responder ao desafio de um apoio de educação complementar domiciliar, descobre-se desconectada virtualmente, sem profissionais de biblioteca para fomentar leituras,  sem livros didáticos suficientes para cada aluno, sem professores que pessoalmente estejam dotados de bons computadores e boa conexão, e sofrem muito para fazer chegar às famílias das suas e seus estudantes, muitas com menos condições ainda, programas de aula, apoios didático-pedagógicos.

O governo do Rio Grande do Sul tateia no planejamento desse momento, na proposição de suportes, no rápido suprimento dessas lacunas, nas alternativas que possam mobilizar os meios para isso acontecer. Mas, de outro lado, dedica-se às duras medidas para a implantação do novo plano de carreira, das novas alíquotas de previdência e novo estatuto do funcionalismo público estadual. Não tinha ainda terminado de descontar todos os dias de greve dos profissionais da educação, mesmo eles tendo recuperado cada dia em janeiro desse ano – e como foram preciosos!- e já emendou novos descontos provenientes daquelas novas leis.

Esse momento de suspensão das aulas vai ampliar o abismo da educação pública em relação às condições privadas por si só, imaginem numa situação de degradação e desinvestimento em curso que atinge as condições, os insumos e a vida dos e das trabalhadoras da educação estadual!

“Incrivelmente cruel” é a exclamação de uma diretora de escola, ao verificar seu contracheque desse abril. Dessa professora absolutamente dedicada, que testemunho a luta e trabalho qualificado, faço minhas as palavras, acrescentando a dimensão política dessa expressão: o modelo de gestão do governo Leite que propugna e realiza a redução do estado, a diminuição do investimento em educação, é cruel com o direito a ela. Nega esse direito.

Não podemos ser coniventes com isso. É ilegal, é imoral, é desumano.

A inteligência artificial e as políticas públicas

A instrumentalização da
inteligência artificial, não é algo
privado ou individual, envolve a
coletividade e por isso supõe
políticas públicas de renda básica,
com interações justas, dos seres humanos
entre si e com a natureza.


O desenvolvimento humano, marcado pela evolução tecnológica, tem a seu dispor a inteligência artificial, uma ferramenta que está com seu uso em expansão.

Trata-se de um conjunto de recursos sofisticados, com níveis diferenciados em suas potencialidades e em seus usos.  Para um entendimento introdutório, podemos identificar três esferas de atuação que são a filosófica/moral, a científica/tecnológica e a social/política. Na esfera social estão incluídas as políticas públicas, na científica se inclui a construção de alternativas para o bem estar humano e na filosófica estão os questionamentos sobre o moralidade e o justo uso da mesma.

Nas definições do que incluem políticas públicas podem ser destacadas as intervenções institucionais, que visam assegurar o bem estar físico e mental para a totalidade das pessoas. Esta caracterização preliminar se apresenta como objeto de disputas conceituais diante do caracterização destas instituições como públicas ou privadas, incluindo um aspecto elementar condicionante ao bem estar das pessoas, que é uma renda básica universal.




O que são políticas públicas?




Considerando a realidade em que nos encontramos,  evidencia-se a inexistência de trabalho que gere renda para a totalidade das pessoas, as políticas públicas para solucionar este problema, se apresentam como indispensáveis.

Na história recente da humanidade, o bem estar foi impactado pela industrialização e pela urbanização. A industrialização aumentou a produtividade substituindo o trabalho humano e a urbanização gerou novos serviços. Nas últimas décadas, o impacto está vinculado com a expansão e automação dos processos produtivos, sejam eles de bens materiais para o consumo ou serviços como o comércio e o lazer.

As responsabilidades sociais de manutenção dos trabalhos remunerados podem ser elencadas como uma das razões no retardamento da automação de alguns processos, como por exemplo, o trabalho dos/as cobradores/as pelo serviço de transporte urbano. Paralelamente ao contexto de mudança na configuração dos trabalhos decorrentes da expansão na automação e na inteligência artificial, as pessoas são individualmente responsabilizadas pela geração da renda necessária para a própria sobrevivência.

Diante do contexto, a inteligência artificial dotou a humanidade de condições para produzir o básico para todos e a maioria não tem acesso, emerge a necessidade moral de normatizar meios para a sua universalização.

As narrativas centradas na responsabilidade privada e individualista perdem força, na medida que um problema que envolve a coletividade das pessoas.

Neste caso as alternativas incluem uma mudança de narrativa, incluindo, instrumentalização da inteligência artificial, não como algo privado ou individual, mas que supõem, políticas públicas de renda básica, com interações justas, dos seres humanos entre si e com a natureza.




“A construção de uma transformação profunda que pode possibilitar a evolução da humanidade, está vinculada com a substituição dos valores individualistas, egocêntricos e antropocêntricos por valores alicerçados na solidariedade, na imaterialidade, na evolução espiritual, na reconexão dos seres humanos entre si e com a natureza”.

O Brasil na era das redes

Observa-se que as maiores quantidade de
acessos à internet realizados pelos brasileiros
são através de pacote de dados, por meio de
smartphones pelo seu baixo custo de aquisição,
o que muitas vezes dificulta a realização das
práticas educacionais.



A informação, por ser um conjunto de dados e conhecimentos que está em constante processo de difusão sob a sociedade e suas relações, atualmente assume um papel fundamental nas relações sociais, pois está relacionada às vivências, esclarecimentos, opinião e comunicação, sendo uma das principais formas de se adquirir o conhecimento e diferentes habilidades da aprendizagem.

Com o Meio Tecnocientífico em constante evolução, a informação foi além destes conceitos, ela se tornou uma um instrumento essencial para sociedade, numa velocidade frenética e em diferentes formas de linguagem, sendo uma aliança da informação com os meios de comunicação, tendo como base inicialmente as transmissões radiofônicas, telefônicas, televisivas e redes de internet.

Com esta evolução tecnológica, proporcionou o aprimoramento no intercâmbio de informações, em tempo real, proporcionando consolidação de transnacionais com capacidade de administrar por meio virtuais, fluxos mais intensos e eficazes de mercadorias, serviços, capitais bem como e na cultura, influência de novas formas de pensamento, moda, política e alimentação.

O cotidiano da sociedade foi alterada pela redução de deslocamento, mercadorias e informação, os estados obtiveram o efetivo controle do território, emitindo ordens em lugares diferentes, as empresas ultrapassaram os limites locais e regionais, globalizando produtos e marcas.

Nessa seara, podemos compreender em um breve histórico da evolução e difusão da informação e seus meios no território brasileiro.

A primeira transmissão oficial radiofônica do Brasil ocorreu em 1922, no Rio de Janeiro, com o presidente Epitácio Pessoa, em comemoração ao centenário da Independência do Brasil. No ano seguinte foi fundada a primeira emissora de rádio do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Em 1938, o Brasil acompanhou as transmissões dos jogos da Copa do Mundo, sediada na França, e se rendeu ao jornalismo radiofônico que noticiava os temores de guerra na Europa.

Em 1936, foi inaugurada a Rádio Nacional, a qual inovou com as programações do rádio com shows de auditórios e radionovelas, com coberturas jornalísticas. Assim, entre os anos de 1930 até 1950, as produções dos programas eram gravadas e transmitidas para muitas cidades brasileiras.

O surgimento da TV, vem no rastro do rádio no Brasil. Em 1950, houve acesso a um sinal aberto de televisão, após a inauguração da TV Tupi, pelo jornalista Assis Chateaubriand. A primeira transmissão aconteceu no saguão do “Diários Associados”, de propriedade de Chateaubriand. Foi necessário ainda que o jornalista importasse cerca de duzentos aparelhos de TV para que os programas da emissora fossem assistidos, já que não havia ainda o consumo em larga escala de televisores. Posteriormente, novas emissoras foram surgindo, como Globo, Record e Bandeirantes.

Como já havia uma grande estrutura do rádio como: estúdios, artistas, audiências, bem como anunciantes a televisão tornou rapidamente um sucesso nas famílias brasileiras, gerando uma nova cultura. A estrutura de televisão brasileira, assim passou a integrar as transmissões das estações locais as redes nacionais de TV, dando um grande salto com as transmissões via satélite.

Atualmente a televisão é o principal meio de comunicação do Brasil, onde sua programação é assistida e consumida em todo o mundo, através das novelas, futebol, programas de auditório e o carnaval. Mas, seguindo a tendência mundial, a mídia no Brasil também é controlada por poucos grupos e de participação acionista familiar.

Na década de 1990, a estrutura da informação era controlada por nove grupos e atualmente é controlada apenas por cinco grupos, pois alguns foram extintos por falência ou outros grupos compram os concorrentes aumentando ainda mais o monopólio da informação no Brasil.

Dos mais de 200 satélites em operação na órbita terrestre, 8 possuem autorização para operar no Brasil, visando aos serviços de comunicação como a TV aberta, telefonia, internet. Atualmente o Brasil possui cobertura integral de TV aberta, com mais de 171 centros que emitem sinais.

O Brasil possui mais de 385 mil quilômetros cabos de fibra óptica, incluindo os cabos submarinos, integrando uma rede complexa e de grande expansão de banda larga, proporcionando a transferência de pacotes digitais.

A circulação de informações, a diversificação de mídias e o mundo da moda, favoreceram o monopólio da informação, ou seja, a concentração da veiculação dos produtos culturais encontra-se, nas mãos de grupos empresariais poderosos, pois detém centros de produção, estúdios, recursos financeiros e tecnológicos e hoje a estrutura de distribuição de internet e pacote de dados, só na última década 90% o controle das mídias mundiais são controladas apenas por seis grandes grupos internacionais.




Neste vídeo discorremos sobre a concentração do poder na comunicação e a necessidade de democratizar os meios de acesso, principalmente a internet, em tempos que a comunicação passa a se tornar importante aliada da aprendizagem e da educação.



A revolução desigual da informação

Cada vez vem aumentando o número de usuários de mídias eletrônicas no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Mídias Eletrônicas, (Telebrasil), somente em 2012, o Brasil obteve mais de 80 milhões de acessos de banda larga, onde deste total a metade destes acessos foi por meio de celular, que representam 81% dos aparelhos de telefone do Brasil.

Atualmente, o Brasil possui uma das 10 maiores bases de internet do mundo pelo seu grande território, porém o acesso à internet continua concentrado nas famílias de maior renda e urbana, conforme mostra o gráfico abaixo, com base nos dados do IBGE: 74,9% da população tiveram utilização de internet, mas com notória discrepância entre as cinco regiões do Brasil.

Nos dias atuais em que vivemos, convivendo com a pandemia do Coronavírus, sendo uma realidade triste e afetando todas as esferas da sociedade brasileira, os meios de informação à distância tornaram-se um dos mecanismos essenciais tanto para os setores econômicos, relações sociais, entretenimento, como parte das instituições de ensino, sendo uma das alternativas de seu processo de ensino aprendizagem.

Nas diversas esferas educacionais, envolvendo os alunos e professores através de atividade remotas e o ensino à distância. Porém, percebe-se uma segregação tecnológica na sociedade, pois um aparcela significativa das residências brasileiras não possuem equipamentos básicos para utilização deste mecanismos tecnológicos, sendo evidenciado também as discrepâncias de acesso e estrutura nas diferentes regiões do Brasil. Como podemos observar no gráfico abaixo.

Enquanto 98% dos domicílios de famílias de maior renda tem computadores conectados, nas famílias de baixa renda somente 10% possuem este serviço, o que mostra que para o desenvolvimento de aulas à distância torna-se muito distante nas comunidades de baixa renda, proporcionando uma desigualdade ao acesso à informação.

Além disso a internet no Brasil, é de baixa qualidade e com alto custo. Porém, nos últimos anos, vem barateando o custo, mas aquém das necessidades de conexões e acessos que a sociedade está precisando neste período e do poder aquisitivo de grande parte das famílias brasileiras.

Na tabela abaixo, observa-se que as maiores quantidade de acessos à internet realizados pelos brasileiros são através de pacote de dados, por meio de smartphones pelo seu baixo custo de aquisição, o que muitas vezes dificulta a realização das práticas educacionais.

Neste momento tão difícil que a sociedade está vivenciando, cada vez mais fica evidente a necessidade da construção de novos projetos de inclusão digital não somente nas escolas, mas no acesso nas residências dos alunos e educadores, bem como a difusão de plataformas digitais educacionais, que torna-se extremamente importante para educação e que terá que ser encarada como prioridades nas políticas públicas de igualdade social e educacional do Brasil.

Fontes


Autor: Rafael Martins Zanela, licenciado e Bacharel em Geografia e Especialista em Educação Socioambiental. Professor de Geografia da Rede Municipal de Ensino de Passo Fundo e Professor do Ensino Médio do Centro de Ensino Médio Integrado – UPF.

                                                                           



Proposta de atividade

Proposta de atividade para alunos de 8º e 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio. Disciplina: Geografia

  1. Construa uma linha de tempo descrevendo a evolução do início/ inserção dos meios comunicação, sistemas de informação e tecnologia no Brasil, desde o início do rádio na década de 1920 até a estrutura dos dias atuais. 

(itens avaliados: 1- Estrutura linha de tempo / 2- informação / 3- tecnologia)

  • Elabore uma reflexão através de mapa mental sobre o acesso desigual e monopólio da informação bem como o acesso de tecnologia no Brasil. 

(itens avaliados: 1- Estrutura mapa mental / 2- Reflexão sobre acesso e distribuição da informação/ 3- Reflexão sobre acesso e distribuição tecnologia no Brasil).

Incompetência de sobra

Um governante precisa ser
cobrado por suas atitudes.
Presidente Bolsonaro demonstra
muito mais incompetência do que
supostos acertos em sua
gestão como presidente.

A análise feita pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da  Universidade Federal de  Minas  Gerais (Cedeplar), mostra, de forma  cabal, que o governo  Bolsonaro falhou em todas  as  frentes no enfrentamento ao novo coronavírus.

Não promoveu a conscientização e o comprometimento da população para  enfrentar a doença, não implementou nem endossou medidas de distanciamento social, deixando as deliberações a critério  de estados e municípios e, pior, atrapalhou  governadores e prefeitos.

No plano social, a introdução da renda emergencial básica não foi acompanhada  por iniciativas  para  a redução de custos das famílias, como descontos  ou  adiamento de pagamentos  de serviços  essenciais, subsídios  para  bens  essenciais, como alimentação e moradia.

Outro erro amazônico do governo foi colocar  como  prioridade  a economia  em vez de salvar  vidas. O obscurantismo levou o país e Bolsonaro merecerem a inclusão na chamada Aliança da  Avestruz, que junto com os líderes de  Belarus, do Turcomenistão e  da Nicarágua  formam  o quarteto  que se  nega a admitir  a realidade.

A troca de ministros da Saúde é outro fator que  mostra  que  Bolsonaro perdeu a bússola moral,  se é que teve  alguma. O atual, pasmem, é general paraquedista!!!

Em sua última entrevista, mostrou que não leva muita fé  no seu receituário médico  técnico ao afirmar. “Rezamos para que o impacto  seja menor, mas virá  algum  grau de impacto”.

Para o jornalista Josias Souza, “Deus não poderia ter  encomendado  a  Bolsonaro  um ministro mais apropriado  para a  pasta  da  Saúde. Quando o general recomenda e reza aos brasileiros submetidos a um inferno pandêmico, até os ateus  vão acabar acreditando em  Deus. Está difícil acreditar em qualquer  coisa”.

E os nossos vizinhos, como estão enfrentando a pandemia?

Na Argentina, a intervenção segura e organizada, resultou  em um número  baixo de infectados e mortos.  Após 50 dias de isolamento social imposto a todos, com altíssima adesão popular, a Argentina iniciou uma  lenta  e controlada flexibilização.  Lá, não houve o falso dilema de discutir entre a economia e a saúde.

O Uruguai, igualmente, tem conseguido controlar  o Covid-19.  No Paraguai, os casos importados do Brasil, são um dos principais  focos de contágio. Assim, nossos vizinhos vão enfrentando a pandemia, aliados em torno  de um objetivo  comum, para superar  esta crise  da melhor maneira possível.

No Brasil, o único conforto que  os  mais de  20 mil que já morreram  receberam foi  o  “luto oficial de  três  dias” dos  poderes Judiciário, Legislativo e de  Executivos  estaduais que, a rigor, tentam  cumprir razoavelmente seu papel.

Do Executivo Federal, que fracassou miseravelmente na sua obrigação moral de preparar a estrutura de saúde  do país  para  a pandemia, não receberam  sequer uma bandeira nacional  a meio pau! E daí????




“Desde sua posse Bolsonaro é assessorado por um grupo ideológico que nunca escondeu seu sectarismo, medievalismo e ódio. Nada mais perigoso do que a ignorância sincera. O país está cansado de sucessivas truculências e imprudências, atitudes alopradas e irresponsáveis, criminosas mesmo. Enfim, o presidente foi construindo seu próprio isolamento”.

Vídeos para ver a forma que o outro vê as religiões

Quando oportunizamos aos estudantes o
conhecimento das diferentes religiões,
aumentam muito as chances de superarmos
os preconceitos e as discriminações que ainda
praticamos no Brasil e no mundo.


Quando planejamos e organizamos nossas aulas de Ensino Religioso, precisamos estar assegurados nas Leis e Diretrizes que regulamentam este Componente Curricular; precisamos estar atentos ao que a BNCC e no caso, nós do RS, o que o Referencial Curricular Gaúcho apresentam como dinâmica necessária para que aconteça o ensino e a aprendizagem no ambiente escolar.

Neste sentido uma sugestão, dentre tantas outras, é o Programa ou Série “Sagrado”, uma coletânea de vídeos com acesso nos meios de informação disponíveis na Internet.


Um dos links, disponíveis hoje, e que permite percebê-lo no seu conjunto, é este, que segue:



Esses materiais podem ser utilizados como inserções significativas quando se quer tratar de temas polêmicos e atuais na percepção das mais diferentes Tradições Religiosas que participam dessa elaboração.

Série “Sagrado”, produzido e apresentado nos canais da TV Globo e do Canal Futura, a partir do final de 2009, com a participação de representantes de diversas religiões, “faz uma releitura do mundo contemporâneo sob a ótica da diversidade religiosa”. “É um espaço garantido para todo o tipo de crença e religião”.

Em minhas aulas já utilizei diversos deles, com destaque para os temas “Tragédias e Solidariedade”, “O papel das mulheres”, “a violência”, “A vaidade e o culto ao corpo” e “a vida após morte”.

Agradeço a oportunidade de dividir esta dica de aulas para o Ensino Religioso, uma área de conhecimento que busca contemplar a formação integral do ser humano. Quando oportunizamos aos estudantes o conhecimento das diferentes religiões, aumentam muito as chances de superarmos os preconceitos e as discriminações que ainda praticamos no Brasil e no mundo.

Fontes: Globo

Autor: Valdecir João Bianchi, Formado em Filosofia; Teologia; Especialização em Metodologia do Ensino Religioso Atuação: Escola Estadual Prestes Guimarães e Colégio Marista Conceição.

“Novo normal”: contradição em termos!

Quem sabe o “novo normal”
faça sentido apenas de longe.
Numa distância que acomoda;
não incomoda”.


A expressão “novo normal”, as vezes “novíssimo normal”, tem sido usada como uma maneira de alimentar o debate sobre a margem a que se haveria de chegar no pós-travessia da pandemia Covid-19. Um debate necessário. Mas, a expressão pode levar a um uso falacioso (uma contradictio in adjecto), ou uma figura de linguagem do tipo oximoro (de péssima cepa) [1], afinal, como ser novo, se normal; como ser normal, se novo?

Não gosto de uma discussão feita assim, parece que está de modo enviesado. Me somo ao que diz Lilia Moritz Schwarcz, no artigo “De perto ninguém é normal (ou o ‘novo normal’)” [2]: “Considero, assim, o “novo normal” um movimento bastante conservador; no sentido primeiro da palavra: conservar. Afinal, esse seria um “novo normal” para quem? Qual seria o nosso coeficiente de “normalidade”? E qual a régua que mede e distingue o que é “normal” do que é “anormal”, ou, ainda, um “novo normal”? […] A pergunta, mais uma vez, é a seguinte: “novo normal” para quem? […]

Vou evocar um por aqui: “A exceção confirma a regra”. Se o “novo normal” for uma espécie de estado de exceção, ele (então) confirma a regra. Se não for, se tiver vindo para ficar, será mais uma das nossas convenções conservadoras que pretendem manter, não revolucionar”. Inspirada num dos versos de Caetano Veloso em “Vaca Profana”: “de perto ninguém é normal”, afirma “Quem sabe o “novo normal” faça sentido apenas de longe. Numa distância que acomoda; não incomoda”.

Fico me perguntando na leitura que faço dos que se apressam com o “novo normal”, preocupados que estão com a tão “insuportável anormalidade” da pandemia: como será o “novo normal” para os/as desempregados/as, os precarizados/as, os subempregados/as, os/as “sem-direitos”, os/as de sempre, os/as de antes e os/as de agora, ainda mais precarizados em razão do impacto que a crise pandêmica produziu em suas vidas? Haveria “vidas matáveis”, “humanos descartáveis”, “humanos essenciais” no “novo normal”?

Será um mundo no qual haverá igual espaço para todos/as; no qual todos os direitos serão para todas/os; no qual “todas as vidas valem”?

Estamos em condições de dar vazão ao desejo do impossível e de exercitar criativamente a imaginação política para desenhar os contornos de novas possibilidades para este “novo normal”? Ou ele será nada mais do que “mais do mesmo”? Ou o “mesmo de sempre” ainda que depois de uma pandemia? O que significa um retorno “gradual e seguro” ao “novo normal”? Quem e como se decidiu isso?

Teremos coragem de “parar” ou ao menos de desacelerar?

Seguiremos acreditando no “progresso a qualquer custo ou adotaremos medidas e ações orientadas pelo “decrescimento”? São tantas questões que talvez provoquem certo cansaço! Dão o que pensar (e o que fazer)! São questões que me coloco e que compartilho.

Não sou dos que não querem este debate. Pelo contrário. O fundamental é debater, e muito. Ouvir as múltiplas vozes, particularmente aquelas que, de regra, são normalizadas como não sendo normais e, por esta razão, impedidas de participação. O debate há que ser amplo e longo. Não dá para ser feito de modo apressado.

Haverá que ter orientações e critérios para sua efetivação e as próprias regras do debate, em perspectiva democrática, estão na ordem do dia do debate. Ou seja, não dá para partir de princípios e regras dados, certamente, inclusive, porque são parte da “normalidade” que gerou a “anormalidade” da pandemia.

A radicalidade do debate e os sujeitos que dele farão parte também são parte deste processo a ser construído. Enfim, ao debate… sem pressa, sabendo que, como lembra Guimarães Rosa, em Grande Sertão, Veredas, a margem a que se chegar certamente será muito diferente daquela que a melhor formulação desenhar.

Ademais, entendemos que dificilmente a situação a que se vier a chegar será uma completa invenção, desde o zero. Não se trata de “sacar um coelho da cartola”, com todo o respeito à mágica, tão salutar para nossa saúde mental. Talvez o que esteja mesmo em questão é o sentido de “normal”, de “normalidade”, e, inclusive, entender que sua definição, crítica ou tácita, certamente já incluirá o seu oposto (a “anormalidade”) ou aquilo que for excedente a ela. Não se trata aqui de defender sua ausência. Trata-se de refletir sobre os contornos e o conteúdo do que se entenderá “normal” (e o que nele não vai caber).

Encerro dizendo que talvez o mais importante neste momento seja exercitar a criatividade para dinamizar possibilidades e, acima de tudo, alimentar o “desejo do impossível”, o “desejo do infinito”, a imaginação política, para produzir um “inédito viável” com alternativas plurais, pluridimensionais e omnidimensionais. É o que me parece oportuno propor se não quisermos sucumbir ao funcionalismo positivista da utilidade resolutiva orientada pela eficiência tout court somada a uma lógica de competição com baixa força cooperativa e solidária. Ao debate, sabendo que a própria dinâmica de debate também faz parte desta construção…




“Na sociedade, existe um conjunto de anormalidades que precisam ser enfrentadas sem máscaras. Entre elas, a fome, a miséria e as desigualdades sociais. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano/2019da ONU, o Brasil é o 7º país com mais desigualdade no mundo”. (Dirceu Benincá em “O normal e o anormal na (des)ordem do dia”. www.ihu.unisinos.br/599158-o-normal-e-o-anormal-na-des-ordem-do-dia.



Notas

Veja também