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O amor em tempos de pandemia

Está mais do que na hora de
aprendermos a viver pela Lei do Amor.

Observando ao pânico de alguns e à indiferença de outros com a mazela que assola nossos dias, quero escrever sobre o que podemos encontrar de bom em meio a todas as dificuldades e tristezas já noticiadas.

Falo das incontáveis correntes de solidariedade nunca antes vistas e que têm acontecido em todas as partes do mundo, tanto daquelas de doações milionárias quanto às de modestas contribuições por pessoas que às vezes tem pouco para si mesmo. Noticia-se muitas entregas de donativos, grupos de voluntários prestando algum tipo de serviço de extrema necessidade a alguns, ou mesmo, a emanação de orações e de correntes positivas da parte daqueles que têm, na sua fé, a única forma (e não menos válida) de poder colaborar neste momento.

Para que serve tudo isso?

Para podermos constatar o que muitas pessoas já perceberam: ainda há amor no coração humano, todavia, cabe nosso questionamento sobre por onde andava este amor antes da notificação da pandemia mundial?

Recentemente li um livro que trazia por mensagem uma pergunta feita a um sábio: “Dize-nos, o que é o amor?”, do que se obteve como resposta “Nós somos o amor”.

Podemos contextualizar dizendo que algumas pessoas que amam conseguiram encontrar várias oportunidades em meio ao momento pandêmico para amar. Mas neste momento, quando nos sentimos “tocados” e, de alguma forma, nos tornamos solidários, devemos estar atentos sobre a que sentimento estamos servindo. Por compaixão, culpa? Por nos sentirmos tristes frente ao sofrimento dos outros? Por negociação com a Vida (olha, estou ajudando, então quero um dia ser retribuído, não esquece!). Não interessa, o que importa é que temos esta capacidade altruística de darmos um pouco de nós mesmos, então, que seja por amor.

Reporto-me ao pensamento escrito há mais de 40 anos pela educadora Cecília Rocha, a qual, do alto dos seus 93 anos de idade, já nos levava à reflexão muito válida para este momento:

“O sofrimento parece ser, ainda, o único processo capaz de nos levar às modificações no sentido do Bem e do Amor. As dores coletivas provocadas pelas guerras, pela orfandade, pela fome, pela doença, pelo desamor e pelo egoísmo, pela indiferença e pela ganância, constituem, por vezes, os únicos recursos capazes de nos despertar para as transformações indispensáveis ao nosso progresso (…)”.

Cecília Rocha não escreveu isto como que por adivinhar o futuro, mas por constatar as inúmeras “cabeçadas” que damos na vida por não sabermos amar. Está mais do que na hora de aprendermos a viver pela Lei do Amor.

Assim, há que se propor um exercício de reflexão, o de que é sempre melhor estar na condição de quem possa dar do que na daquele que precisa receber. Há uma troca de alegrias na solidariedade – não interessa de que lado estejamos – onde somos contagiados ante tanta felicidade! É a ação do amor.



“Fabricamos a pressa, a velocidade das coisas, do tempo, perdendo-nos no espaço onde habitamos. Não nos permitimos mais perder tempo para celebrar o amor verdadeiro, para parar no tempo. Não queremos mais perder tempo nas pequenas coisas mais simples e cotidianas. Temos grandes negócios a resolver, a decidir, e precisamos correr atrás de uma máquina. Somos robôs de uma engrenagem que nós mesmos criamos”. (Padre Gerson Schmidt)

Luta das mulheres por direitos iguais

A luta das mulheres pelos direitos iguais aos homens ocorre há décadas. Desde o direito ao voto, até a igualdade na remuneração e colocação no mercado de trabalho, elas não se cansam de buscar a igualdade, e esses são temas importantes de serem discutidos em sala de aula.

Em 2018, mulher recebia 79,5% do rendimento do homem

“Em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas entre 25 e 49 anos de idade (R$ 2.050) equivalia a 79,5% do recebido pelos homens (R$ 2.579) nesse mesmo grupo etário. Considerando-se a cor ou raça, a proporção de rendimento médio da mulher branca ocupada em relação ao do homem branco ocupado (76,2%) era menor que essa razão entre mulher e homem de cor preta ou parda (80,1%).

Ainda no grupo etário dos 25 aos 49 anos, o valor médio da hora trabalhada pelas mulheres era de R$ 13,0, ou 91,5% da hora trabalhada pelos homens (R$14,2). Se não considerarmos o tempo dedicado a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, as mulheres trabalhavam, em média, 4,8 horas semanais a menos do que os homens

Considerando-se as ocupações selecionadas, a participação das mulheres era maior entre os Trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), Professores do Ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%). No grupo de Diretores e gerentes, as mulheres tinham participação de 41,8% e seu rendimento médio (R$ 4.435) correspondia a 71,3% do recebido pelos homens (R$ 6.216). Já entre os Profissionais das ciências e intelectuais, as mulheres tinham participação majoritária (63,0%) mas recebiam 64,8% do rendimento dos homens.

As ocupações com maior nível de instrução também mostram rendimentos desiguais. Entre os Professores do Ensino fundamental, as mulheres recebiam 90,5% do rendimento dos homens. Já entre os Professores de universidades e do ensino superior, cuja participação (49,8%) era próxima a dos homens, o rendimento das mulheres equivalia a 82,6% do recebido pelos homens. Outras ocupações de nível de instrução mais elevado, como Médicos especialistas e Advogados, mostravam participações femininas em torno de 52% e uma diferença maior entre os rendimentos de mulheres e homens, com percentuais de 71,8% e 72,6%, respectivamente.

O grupamento ocupacional com a menor desigualdade é o dos Membros das forças armadas, policiais, bombeiros e militares, no qual o rendimento das mulheres equivale, em média, a 100,7% do rendimento dos homens.

Essas e outras informações estão disponíveis no Estudo Especial sobre Diferenças no Rendimento do Trabalho de Mulheres e Homens nos Grupos Ocupacionais, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. A publicação completa pode ser acessada do lado direito desta página.

Mulher ganha 79,5% do rendimento médio recebido pelo homem

Em 2018, o valor médio da hora trabalhada era de R$ 13,0 para a mulheres e de R$14,2 para os homens, indicando que o valor do rendimento da mulher representava 91,5% daquele recebido pelos homens. Quando analisada a razão do rendimento de mulheres e homens (percentual do rendimento dos homens que as mulheres ganham), a proporção diminuía, sendo de 79,5%: valores de R$ 2.579 (homem) e R$ 2.050 (mulher).

Em média, o homem trabalhava 42,7 horas por semana, enquanto a mulher trabalhava 37,9 horas, sem considerarmos as horas dedicadas a afazeres domésticos e cuidados de pessoas; ou seja: as mulheres trabalhavam cerca de 4,8 horas a menos por semana na produção voltada para o mercado em 2018. A redução dessa diferença em comparação a 2012, quando era de 6,0 horas, foi decorrente de a redução das horas trabalhadas ter sido mais acentuada entre os homens (queda de 1,6 hora) do que entre as mulheres (0,4 hora).

Nível de instrução da população ocupada aumentou entre 2012 e 2018

Em 2012, 13,1% dos homens ocupados tinham o Ensino superior, passado para 18,4% em 2018. Entre as mulheres essa estimativa foi de 16,5% (2012) para 22,8% (22,0%). Em 2018, o rendimento médio mais baixo, segundo o nível de instrução, era o da mulher do grupo sem instrução e fundamental incompleto (R$ 880), enquanto o mais elevado era recebido por homens de Nível superior completo (R$ 5.928).

De 2013 a 2018, a razão de rendimento entre mulheres e homens sem instrução e fundamental incompleto tinha o percentual mais elevado entre os níveis de instrução. De 2012 a 2014, a razão crescia com o nível de instrução; já em 2017 e 2018, essa trajetória se inverteu e as mulheres com nível superior completo apresentaram os menores percentuais (62,7% em 2017 e 64,3% em 2018).

Participação das mulheres é maior no apoio administrativo e nas ciências

Ao se fazer a distribuição da população ocupada de 25 a 49 anos de idade segundo os grupamentos ocupacionais, os principais percentuais foram observados entre os Profissionais das ciências e intelectuais (13,0%); Trabalhadores qualificados, operários e artesões (13,0%); Ocupações elementares (16,5%) e os Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (22,1%). Com participação bem menores de ocupados, estavam os Membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares (1,0%), Diretores e gerentes (4,7%) e Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca (4,7%).

A participação das mulheres se destacou nas ocupações elementares (55,3%), trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (59,0%), entre os profissionais das ciências e intelectuais (63,0%) e como trabalhadoras de apoio administrativo (64,5%).

Distribuição percentual (%) da população de 25 a 49 anos de idade ocupada na semana de referência, por grupamentos ocupacionais do trabalho principal, segundo o sexo – Brasil – 4º trimestre – 2018

Foram analisados, para cada grupo ocupacional, o rendimento médio habitual do trabalho principal, a participação percentual das mulheres na ocupação, o percentual de horas trabalhadas pelas mulheres em comparação a dos homens e a diferença do rendimento em 2018. Os maiores rendimentos médios ocorreram nos grupamentos dos Diretores e gerentes, no dos Profissionais das ciências e intelectuais e entre os Membros das forças armadas, policiais e bombeiros, tanto para os homens quanto para as mulheres.

No primeiro grupo (Diretores e gerentes), o rendimento médio das mulheres (R$ 4.435) correspondia a 71,3% do recebido pelos homens (R$ 6.216). Já no grupamento dos Profissionais das ciências e intelectuais, no qual as mulheres tinham participação majoritária (63,0%), a razão dos rendimentos baixava para 64,8%.

As mulheres também apresentavam participação acima de 60% no grupo dos Trabalhadores de apoio administrativo, contudo, o percentual do rendimento médio delas era bastante superior àquele registrado no grupo dos Profissionais das ciências e intelectuais, atingindo a razão de 86,2%.

O grupamento ocupacional com a menor desigualdade é o dos Membros das forças armadas, policiais, bombeiros e militares, no qual o rendimento das mulheres equivale, em média, a 100,7% do rendimento dos homens.

Rendimento médio habitual do trabalho principal da população de 25 a 49 anos de idade ocupada na semana de referência, por sexo, segundo os grupamentos ocupacionais, participação de mulheres na ocupação e razão (%) do rendimento de mulheres em relação ao de homens – Brasil – 4º trimestre -2018

Sem considerar os afazeres domésticos, a jornada de trabalho das mulheres é menor que a dos homens

Em média, sem considerarmos os afazeres domésticos e cuidados de pessoas, a jornada de trabalho semanal da mulher era 4,9 horas inferior à jornada dos homens. Essa diferença era menor nos grupamentos de Dirigentes e gerentes (-2,0 horas), dos Técnicos e profissionais de nível médio (-1,9 hora) e a de Trabalhadores de apoio administrativo (-1,2 hora).

Quanto à cor ou raça, os grupamentos de Dirigentes e gerentes (64,1%) e Profissionais das ciências e intelectuais (60,4%) tinham as maiores proporções de pessoas brancas, enquanto os das ocupações elementares (69,1%) e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios (60,3%) registravam as principais participações de trabalhadores da cor preta ou parda.

A diferença de rendimentos da mulher branca em relação ao homem branco era maior do que aquela existente entre a mulher preta ou parda frete ao homem de cor preta ou parda. Esse mesmo comportamento foi, principalmente, reproduzido nos grupamentos de Dirigentes e gerentes (70,5% e 81,3%), Profissionais das ciências e intelectuais (62,9% e 70,3%) e dos Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca (66,4% e 72,1%). Por outro lado, nos grupamentos dos Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (66,8% e 65,7%) e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios (68,1% e 60,8%) as razões de rendimento das mulheres pretas ou parda eram inferiores as das mulheres cor branca frente ao homem branco.

Ocupações com maior nível de instrução também mostram rendimentos desiguais

Em 2018, o rendimento médio da população ocupada de 25 a 49 anos de idade era de R$ 2.260. O percentual do rendimento médio recebido pelas mulheres era predominantemente inferior ao dos homens em todas as ocupações selecionadas, independentemente de a ocupação apresentar baixa ou elevada participação feminina ou ter rendimentos baixos ou elevados.

A participação das mulheres no contingente de ocupados era maior entre os Trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), Professores do Ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%).

Dessas ocupações, a de Professores do Ensino fundamental tinha a maior razão de rendimento entre mulheres e homens (90,5%). Já entre os Professores de universidades e do ensino superior, o rendimento das mulheres equivalia a 82,6% do recebido pelos homens, enquanto sua participação era praticamente a metade (49,8%)”.

Fonte: Adaptado Agência Notícias IBGE.



Islândia institui exigência de salários iguais para homens e mulheres

País é o primeiro a tornar equiparação salarial obrigatória para empresas públicas e privadas

“No Dia Internacional da Mulher, a Islândia anunciou que vai ser o primeiro país no mundo a obrigar empresas a provarem que oferecem o mesmo salário aos seus funcionários independentemente de sexo, etnia, orientação sexual ou nacionalidade.

O governo da ilha nórdica vai aplicar um salário padrão igual para todas as empresas com mais de 25 funcionários para garantir que sejam oferecidos salários iguais para trabalhos que tenham o mesmo valor.

A Islândia quer erradicar a diferença salarial entre homens e mulheres até 2022. A ministra para a Igualdade e os Assuntos Sociais, Viglundsson Thorsteinn disse, nesta quarta-feira, que é “o momento certo para fazer algo radical sobre esse assunto.”

Enquanto outros países têm políticas que certificam a equiparação salarial, a Islândia será o primeiro onde a igualdade de remuneração será obrigatória para empresas públicas e privadas.

“A igualdade de direitos são direitos humanos”, disse Viglundsson.

O país nórdico, com cerca de 330 mil habitantes, ocupa o primeiro lugar do mundo em igualdade de gênero segundo o Fórum Econômico Mundial. Ainda assim, as mulheres na Islândia ganham, em média, de 14 a 18% menos que os homens.

Em outubro, milhares de islandesas deixaram seus empregos às 14h38m para protestar contra a diferença salarial. Grupos feministas estimam que a diferença salarial significa que a partir deste horário, as mulheres estariam trabalhando de graça”.

Fonte/Disponível em O Globo



Sugestão de atividades pedagógicas – Disciplina Geografia


Esta sugestão de atividade é para Sétimos Anos do Ensino Fundamental. Conteúdo: População brasileira e indicadores sociais. Habilidades trabalhadas: (EF07GE04) Analisar a distribuição territorial da população brasileira, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática), assim como aspectos de renda, sexo e idade nas regiões brasileiras. (EF07GE04RS-03) Analisar indicadores sociais e econômicos do País e Estado, percebendo-os como fluxo das distintas espacialidades econômicas e sociais construídas ao longo do tempo e espaço.

Roteiro de questões de aprofundamento e compreensão do tema.

1 – A mulheres no Brasil, em geral, ganham menos que os homens, mesmo quando atuam na mesma profissão e estão na mesma faixa etária. Leia a primeira reportagem, e responda: Por que você acredita que essa diferença salarial acontece?

2 – Acesse o site https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/materias-especiais/20453-estatisticas-de-genero-indicadores-sociais-das-mulheres-no-brasil.html, interprete os infográficos do IBGE em relação à mulheres e tomadas de decisões na vida pública e explique porque as mulheres têm pouca participação na política brasileira.

3 – A segunda matéria fala sobre como a Islândia pretende equiparar os salários entre homens e mulheres em seu país. Tendo essa ilha europeia como exemplo, elaborem em grupos ideias que poderiam ser implementadas pelos governantes do Brasil para que o mesmo possa acontecer em nosso país.

4 – O que é a jornada dupla de trabalho, que faz com que muitas mulheres acabem recebendo menos do que os homens em nosso país?




Organizadora do material e da sugestão de atividades pedagógicas: Graziela Bergonsi Tussi, professora concursada de Geografia Séries finais Ensino Fundamental Passo Fundo, RS.

Carta aos jovens



Caros Jovens: Muita Paz!

Deves considerar que, mesmo depois do parto, permaneceste ligado emocionalmente a tua mãe. Gradualmente, com o amadurecimento do cérebro, do sistema nervoso e do corpo, foste passando da dependência total dos pais biológicos ou adotivos para a independência gradativa, que ocorre durante os anos de tua infância. Aprendeste a engatinhar, caminhar, falar imitando os adultos à tua volta.

A construção da tua atual personalidade vai se consolidando entrelaçando com a individuação do teu espírito.

O teu caráter foi sendo construído. Ele se forma e consolida pela educação moral, emocional, espiritual e intelectual que recebeste na infância e agora na adolescência.

És um ser extraordinário, único, ninguém tem as tuas características, como o timbre da voz, as impressões digitais, a maneira pessoal de perceber tudo que te cerca.

Jovem, não esqueças: a vontade é a força principal do caráter. O ideal é que o teu caráter domine tua personalidade.

Educar a vontade é libertar-se dos vícios e paixões futuras. A vontade frouxa é a causa das quedas morais, desapontamento e fracassos dos adultos.

A tua primeira escola brilha no lar. Teus pais (ou responsáveis) foram os primeiros professores de teu caráter e da construção da tua identidade moral.

Se o teu lar teve alicerces religiosos equilibrados a tua estrutura moral é forte e consegues   suportar, com equilíbrio, todas as provas que a vida apresenta.

Nos teus primeiros anos de vida o teu caráter foi sendo desenvolvido pela educação que recebeste e os modelos que imitaste. Precisas refletir sobre como te conectas com a tua dimensão transcendental.

Como é tua atuação na família, na escola e na sociedade?

Tens que honrar, amar e respeitar teus pais e a todos que te ajudaram a evoluir rumo ao futuro.

Agora que o teu corpo está se consolidando, tens um corpo jovem, o teu espírito está acordando, vais assumir o livre arbítrio de tuas escolhas, tomarás as rédeas de tua vida em tuas mãos.

Como será daqui para frente a tua vida?

Não esqueças de que o egoísmo e a intolerância são as causas da maioria dos males da humanidade, eles engendram o orgulho, o preconceito, a estupidez, a ambição, a inveja, o ódio e o ciúme que magoam e infelicitam as pessoas, levando a perturbação em todas as relações sociais no lar, na escola, no trabalho… Eles provocam brigas, destroem a confiança e nos obrigam sempre a ficar na defensiva e provocam a desunião nos lares até nas nações.

A caridade, o amor a si, a Deus e ao próximo são fontes de toda as virtudes que te asseguram a felicidade.

Precisas te questionar: – Sou uma pessoa de bem que cumpre a lei de justiça, amor e caridade e deposita fé em Deus? Coloco os bens espirituais acima dos materiais?

Tenho consciência de que tudo passa na vida?

Estou buscando a cada dia melhorar-me, auto conhecer-me, combater as minhas próprias imperfeições, respeitando e protegendo as pessoas e a Natureza?

Quero ser feliz?

O que eu escolho fazer do que fizeram de mim?

Agora és responsável pelas tuas escolhas.

Procure sempre refletir contigo: por que agi desta maneira? Ou o “o que aconteceria se eu tivesse agido de outra forma?”

Busca o sentido mais profundo da vida. Não fique na superficialidade, relute sempre em causar danos aos outros e a ti, tenha sempre como modelo de ação os grandes luminares da Humanidade, como Jesus, Buda, Gandhi, Moisés, Maomé, Allan Kardec, etc.

Sempre te inspire pela visão dos valores espirituais e verás que a dor, o sofrimento e as frustrações são desafios positivos que vão enriquecer teu espírito com novos conhecimentos e novos valores que impulsionarão tua vida.

O teu futuro te pertence.

Não desistas da vida. Ela te é concedida por Deus.

Vais construir a tua vida independente de teu lar e de teus pais. Ela está nas tuas mãos. Hoje estás construindo o teu futuro.

Em breve construirás teu novo lar, a tua nova família.

Serás também pai ou mãe!

Agora é contigo.

Sigas em frente, espírito imortal, filho de Deus, cidadão do Universo.

Sejas feliz!     


Autora: Gladis Pedersen de Oliveira
Conheça um pouco mais da autora clicando aqui.




Propostas de uma atividade pedagógica Ensino Religioso

 (8º e 9º anos do EF e 1º ano do EM)

A atividade proposta a seguir leva em consideração a “Competência da BNCC” que propõe reflexão com os alunos sobre o autoconhecimento, autocuidado, conhecer-se e compreender-se na diversidade humana, apreciar-se, cuidar de sua saúde física e emocional, reconhecendo as suas emoções e a dos outros.

 Primeira sugestão:

Propor aos alunos a leitura individual do texto “Carta ao Jovem”.

Após a leitura, o aluno poderá escolher duas ou mais questões propostas na carta para responder por escrito, objetivamente.

No grande grupo, cada aluno deverá apresentar as questões a que respondeu e oportunizar o debate sobre as respostas.

O professor fará a integração do assunto, considerando as reflexões propostas desta atividade: o autoconhecimento, o autocuidado, o uso do livre arbítrio, a responsabilidade sobre seus atos, o respeito a si, ao outro e à natureza.

Segunda sugestão:

Dividir a turma em cinco grupos para a leitura do texto no grupo, análise e conclusão dos seguintes aspectos da carta:

  • Grupo 1 – A importância da educação moral, emocional e espiritual na família.
  • Grupo 2 – A educação da vontade, a força principal do caráter.
  • Grupo 3 – As causas da maioria dos males da humanidade que provocam as desavenças nas relações sociais.
  • Grupo 4 – O livre arbítrio – o que eu escolho fazer do que fizeram de mim.
  • Grupo 5 – O sentido profundo da vida.  A valorização da vida individual e nos grupos sociais.

Observação: O professor circula nos grupos, interagindo e estimulando o debate.  Apresentação das conclusões de cada grupo no grande grupo e integração final, feita pelo professor, destacando os conceitos básicos apresentados no texto.

Em outro encontro, o professor pode dar continuidade ao estudo sobre a importância do autoconhecimento. Iniciar a aula propondo a técnica de tempestade cerebral, com a palavra “biografia”. Anotar, no quadro ou tela, as respostas. Analisar com os alunos as respostas, até surgir o conceito mais específico do termo. A seguir, o professor pode apresentar rápida biografia de vulto ligado a uma tradição religiosa (Moisés – Buda – Josep Smith) ou apresentar sua própria biografia. Propor aos alunos que cada um faça sua autobiografia, do nascimento até o momento atual, por escrito, destacando as qualidades positivas de seu caráter assim como as menos positivas, sem se identificar.

Após recolher os textos das autobiografias, distribuí-los aleatoriamente entre os alunos para que cada um identifique quem foi o autobiografado analisado por si.

Avaliar com os alunos a experiência de se autoconhecer e conhecer melhor o outro colega.

Na integração da atividade o professor pode destacar que somos seres históricos (vivemos num tempo e espaço específico) e sociais, interagindo sempre uns com os outros.

Papo Filosófico: material audiovisual para Filosofia no Ensino Médio

Marcos Dimas Machado resolveu criar seu material audiovisual (vídeo aulas) para possibilitar aos alunos ver e rever os conteúdos, dando oportunidades de maior aproveitamento e interesse pela disciplina.

O professor Marcos Antonio Dimas Machado é formado em Filosofia e especialista em Ensino de História. Atua na educação desde a cidade Sorriso, MT, no Ensino Médio e Ensino Fundamental em escolas da rede pública e particular.

Resolveu criar seu material audiovisual (vídeo aulas) para possibilitar aos alunos ver e rever os conteúdos, dando oportunidades de maior aproveitamento e interesse pela disciplina.

Machado trabalha o Ensino da filosofia a partir da história da filosofia, dando aos estudantes a noção da evolução do pensamento humano, desde os mitos até a filosofia contemporânea.

Até o presente momento, já produziu 12 vídeo aulas. Contribuindo para publicação no site, produziu vídeo que segue onde explica e justifica sua iniciativa, como também disponibiliza este material e orienta o seu uso para colegas professores e professoras de todo Brasil que atuam na disciplina de Filosofia.

Confira este importante vídeo de apresentação do material de filosofia.

Seguem links de outras publicações para conhecimento e aplicação em aulas de Filosofia do Ensino Médio.

Construiu também material mais amplo, como seguem alguns links.


Esperamos, com a disponibilização deste material audiovisual do professor Marcos Antonio Dimas Machado, oferecer subsídios para o trabalho pedagógico dos colegas professores e professoras que atuam na disciplina de Filosofia.

Convite para que curtam e sigam o seu canal no YouTube, pois o mesmo continuará produzindo outros materiais.



Bom aproveitamento,
Nei Alberto Pies,
Editor do site.

A Pandemia e o Caos

É possível que a ação de uma única cidade
ou de um pequeno grupo de pessoas mude a
maneira de pensar e agir de todos nós?
A confiar na Teoria do Caos, existe uma esperança.


Segundo a Teoria do Caos, uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Na origem da teoria está o “efeito borboleta” que sugere que eventos simples e distantes no tempo e no espaço podem estar de alguma forma relacionados (“o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um tornado no Texas” é a frase que ficou famosa com a teoria).

Recentemente, a cidade holandesa de Amsterdam anunciou que passaria a adotar os princípios do modelo Donut para recuperar a economia pós pandemia. Perto dali, na França, um grupo de artistas e cientistas de várias nacionalidades publicou um manifesto contra a volta ao normal.

As duas atitudes tiveram origem nos desafios apresentados pela pandemia do novo Coronavírus, mas esses e outros acontecimentos podem estar mais relacionados do que parecem, agora ou no futuro.

Kate Raworth é uma economista inglesa, da Universidade de Oxford, que há alguns anos pesquisa e divulga novas formas de enxergar a economia. No livro A Economia Donut, ela contesta a ideia de que o objetivo das economias deva ser o crescimento, e defende que o foco deve ser o equilíbrio.

Para ilustrar suas ideias, ela usa a imagem de uma rosquinha (o donut), onde o círculo menor (borda interna da rosquinha) representa o mínimo que precisamos para viver, e o círculo maior (a borda externa da rosquinha) representa o limite de recursos do planeta.

A meta da economia deve ser colocar todo mundo dentro do donut, num equilíbrio onde todos possam viver dignamente e usando de forma sustentável os recursos naturais. Um pouco antes do isolamento social iniciar, a economista foi recebida pela Comissão Europeia, em Bruxelas, para debater suas ideias.

Voltando a Amsterdam. O modelo de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente seguro foi oficialmente adotado pelo município neste mês de maio. A prefeita Marieke van Doorninck, com o apoio da economista Kate, comprometeu-se a abraçar uma nova abordagem econômica para orientar as ações pós pandemia.

Entre as muitas mudanças a serem implementadas está a redução do desperdício de alimentos e a reutilização de materiais na construção civil. Mesmo entendendo que a transformação depende do engajamento de muitos governos, e de vários setores, a cidade resolveu agir e fazer a sua parte.

Também no início de maio, o jornal francês Le Monde publicou um manifesto assinado por artistas como Juliette Binoche, Madonna e Robert De Niro, e cientistas, entre eles vários ganhadores do prêmio Nobel, falando sobre a impossibilidade de retornarmos ao normal depois de passada a pandemia.

Os signatários alegam que vivemos uma tragédia, que nos obrigou a encarar questões essenciais.

Segundo eles, o nosso comportamento de consumo levou o mundo ao colapso, chegamos a um nível insustentável de degradação do ambiente e de desigualdade social. Não podemos voltar a esse “normal”. O momento exige coragem e ousadia para uma transformação radical e inevitável.

É possível que a ação de uma única cidade ou de um pequeno grupo de pessoas mude a maneira de pensar e agir de todos nós? A confiar na Teoria do Caos, existe uma esperança. De certa forma, nosso futuro depende dessas pequenas borboletas.




“Para empresas e empregadores, ser responsável e empático também significa evitar demissões, para não criar mais pânico e insegurança na sociedade. Vale lembrar que, em geral, empresas têm mais acesso a crédito e conseguem aguentar um pouco mais a crise do que uma família”.



Para quem quiser aprofundar a leitura:

Disputas por uma narrativa para o século 21

Os confrontos entre prioritariamente
manter a produtividade ou proteger a
vida sugere a construção de novas narrativas.


A definição do que é uma narrativa se confunde com uma história, com uma fábula, com uma teoria. Um conjunto de sentidos, ideias verdades comportamentais, científicas ou religiosos, transmitidas por diversas linguagens são constituintes das inúmeras narrativas que compõem a história humana.  

No livro 21 lições para o século 21, Yuval Noah Harari afirma que as três narrativas mais influentes do século XX, o socialismo, o fascismo e a democracia liberal, são insuficientes para descrever/explicar o mundo que estamos vivendo no século XXI.

A narrativa da democracia liberal que, em sintonia com alguns pensadores, se apresentou como definitiva na virada do século, entrou em crise na última década. A exaltação do   individualismo antropocêntrico, centrado no produção e consumismo ilimitados, provocou transformações catastróficas na natureza, destruindo vidas humanas.

Um exemplo brasileiro recente é o rompimento das barragens de Mariana e de Brumadinho, responsável direta pela morte de centenas de pessoas. Outro exemplo ilustrativo, da crise que afetou a democracia liberal está vinculada com indicativos de aumento da pobreza e com o crescente do número de pessoas sem o básico para sobreviver.

Paradoxalmente a narrativa do desenvolvimento sem limites, do estado mínimo, da exploração da natureza, livre da restrição de leis ambientais, foi escolhido por meio do voto em países como nos Estados Unidos e no Brasil.

Ocorre que, em 2020, o mundo foi assolado por um vírus, o COVID-19, colocando na defensiva o discurso da produtividade, do corte e redução das despesas estatais, ressaltado a necessidade de defesa prioritária e manutenção da vida.

As estratégias para enfretamento dos altos níveis de desemprego anteriores a pandemia, precisarão ser alteradas, agregando as variáveis do salto exponencial na introdução das ferramentas virtuais e da inteligência artificial que substituirão a mão de obra humana.

O discurso em favor da produtividade, da manutenção do trabalho ilimitado e dos empregos, se confronta com a recomendação de que a melhor forma de enfrentar as ameaça de incontáveis mortes, incluindo a de nossos entes queridos, é o isolamento social, assegurando o básico para a vida humana, sem considerar as imposições do mercado produtivo.

O fato é que a humanidade, por meio da sua evolução tecnológica, produziu além do básico para todos os humanos. Os confrontos entre prioritariamente manter a produtividade ou proteger a vida sugere a construção de novas narrativas.

Diante da oportunidade de aprendermos com este vírus, revendo as imposições mercadológicas do consumismo ilimitado, para atender a produção e o desenvolvimento, sem considerar os níveis de destruição da natureza, nem a instrumentalização das pessoas, temos a privilegiada oportunidade de sermos sujeitos desta construção, assumindo uma concepção e consolidando  novas narrativas.




O coronavírus se apresenta, também, como uma possibilidade para evoluirmos, superando o pensamento antropocêntrico que posicionou o ser humano como se fosse o centro, com a falsa compreensão de si mesmo, do planeta terra e do universo”.

Escravos da utilidade

A utilidade é a máscara favorita da mediocridade. Quem não possui talento, seja por questões inatas ou, simplesmente, por não cultivá-lo, deseja, a todo custo, ser “útil”. Alguém assim não se presta à Arte, Filosofia ou mesmo à apreciação contemplativa da Ciência.

A imbecilidade nunca se dá bem com o ócio. Não fazer nada revela a cada um sua própria estupidez. Como vivemos em um mundo extremamente estúpido, estamos quase sempre fazendo alguma coisa. Jogos, novelas, fala-se sobre o tempo ou acerca de outra banalidade qualquer.

O importante é não ficar só, não pensar, não notar-se. Somos, em grande parte, ruins: não devemos deixar o inconsciente “subir”, assomar à consciência. Somos, em grande parte, fracos: pressentimos não ter forças para enfrentá-lo.

Somos como um rei destronado em seu castelo, um apátrida em seu próprio país.

É preciso ser razoavelmente “bom” para ficar só, caso contrário, cai-se vítima de seus próprios demônios. Esses seres poderiam, aliás, ser controlados, ter sua força incorporada à dimensão consciente. Mas não; temos de falar sobre o tempo, se chove ou se faz sol…

O furor do mundo contemporâneo pela utilidade é uma prova de como nosso tempo (talvez sempre tenha sido assim…) é medíocre.

O típico cidadão de hoje é incapaz de perceber que o cultivo da cultura, a princípio sem nenhum outro objetivo, é fonte incrível de novos conhecimentos, origem de descobertas extraordinárias. Trata-se do encontro com o veio aurífero, da procura da fonte, da descoberta da raiz.

A aplicação prática do conhecimento é o final de um processo iniciado muito antes. A utilidade é quando o rio encontra o mar, mas, para haver um rio, é preciso haver uma fonte. Essa fonte existe na atmosfera da inutilidade, onde a água não tem outro objetivo se não o de, simplesmente, jorrar.

Qual a utilidade da poesia? Nenhuma. A Arte, em si, é inútil. O que é útil é o que se espalha a partir dessa fonte.

Isso também é verdade, inclusive, para a Ciência. Ao prospectar sobre a natureza da luz, um estudo à primeira vista inútil, Einstein ajudou a criar todo um novo paradigma científico, com desdobramentos práticos, influenciando todo o século XX.

Um filósofo, ao ponderar sobre a conceituação da justiça, pode inspirar os juristas a forjarem leis mais adequadas a sua época. Essas leis, por sua vez, irão orientar a vida de inúmeras pessoas e também o trabalho de juízes e advogados.

Um artista, ao usar as cores de um modo diferente, ao compor uma música em um novo estilo, pode influenciar os pensamentos e as ações de toda uma geração futura.

A vida começa onde ela não é útil, mas prazerosa, encantadora, transcendente. É ali que inicia aquilo que chamamos de “humanidade”, na falta de uma palavra melhor.



Veja também o comentário sobre o texto, exclusivo para esta publicação.



Sugestões de uma atividade pedagógica- Disciplina Filosofia

Esta sugestão de atividade foi elaborada para Nonos Anos do Ensino Fundamental, Unidade temática: Política, conhecimento e estética. Objeto de conhecimento: O conhecimento (as diferentes explicações da realidade: senso comum, religião, ciência, filosofia e arte). Habilidades: Reconhecer que as verdades podem ser relativas, formular e resolver problemas a partir do conceito de verdades dadas.

QUESTÕES PARA PENSAR

  1. O que é útil?
  2. Segundo o texto, tudo que é “inútil” é ruim?
  3. De acordo com o texto, o “furor do mundo contemporâneo pela utilidade é uma prova de como nosso tempo (talvez sempre tenha sido assim…) é medíocre”. Explique com suas palavras. 
  4. Ainda de acordo com o texto, a arte é útil ou inútil? Isso é bom ou ruim? Por quê?
  5. Faça uma lista de coisas úteis e inúteis. Quais você considera mais valiosas? Por quê?

PARA SABER MAIS

Sobre o livro “A utilidade do inútil”, do filósofo Nuccio Ordine:






Autor do texto e sugestões de atividades: Aleixo da Rosa

Em tempos de pandemia, confiança na medicina e em bons médicos

Doutor Júlio César Stobbe é médico especialista em Clínica Médica com área de atuação em Medicina de Urgência e Emergência, formado pela UPF com experiência em Gestão Hospitalar e, atualmente, na Direção do Campus de Medicina na UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul), de Passo Fundo, RS.

Em nossa cidade e região, teve seu trabalho conhecido e reconhecido quando do enfrentamento da crise do H1N1 no ano de 2009. Na época, coordenou importante trabalho no HSVP (Hospital São Vicente de Paulo), o qual foi determinante para salvar muitas vidas.

Durante todo o evento da pandemia do COVID 19, Doutor Júlio tem se destacado na discussão sobre o tema. É membro do COE (comitê criado pela Prefeitura Municipal de Passo Fundo para orientação técnica das ações de combate à pandemia). Participa também de debates sobre o tema, faz esclarecimentos à comunidade através das rádios e TVs locais.

Nesta entrevista, Stobbe vai nos falar de sua experiência pessoal, de seu trabalho no “front da H1N1” e dos desafios da medicina e da sociedade no enfrentamento ao COVID 19.

SITE NEIPIES: Doutor Júlio, gostaria que o Senhor falasse um pouco sobre sua profissão, o que mais lhe realiza e o que mais lhe desafia na medicina?

JULIO STOBBE: A medicina surgiu em minha vida por opção. Já estava trabalhando como professor, quando decidi fazer medicina. Fiz todo meu curso trabalhando para pagar as mensalidades em IES privada, foi uma dura batalha mas, conclusa dentro do prazo normal. A medicina, apesar dos inúmeros problemas enfrentados em relação ao seu financiamento no Brasil, é muito compensadora. O maior desafio é conseguir exercê-la de forma ética levando em consideração todas as suas múltiplas dimensões para então oferecer um real benefício à população.

SITE NEIPIES: O senhor foi uma liderança médica importante quando do enfrentando da H1N1. Quais são as diferenças e quais são as semelhanças entre H1N1 e a COVID 19?

JULIO STOBBE: A COVID-19 tem uma letalidade e transmissibilidade maior do que o H1N1. A COVID-19 tem uma taxa de letalidade média em torno de 2-3%, o H1N1 era em torno de 0,02-0,4%, o SARS-CoV  9,5%, o MERS –CoV 34,4% e outros como o EBOLA 63%. Portanto, sua letalidade não é das maiores. Porém, num país com mais de 200 milhões de habitantes, tem um alto impacto. Em relação à capacidade de transmissão uma pessoa doente com o COVID-19 transmite o vírus à outras 2,74 pessoas em média. A taxa é maior que a observada na pandemia de influenza H1N1 em 2009 onde 1 pessoa transmitia à outras 1,5 pessoas, em média.

SITE NEIPIES: Passo Fundo se destaca pelos altos números de pessoas oficialmente infectadas e, principalmente, pelo alto número de mortes -somos a cidade do RS que, hoje, tem o maior número de mortes, inclusive em maior número do que Porto Alegre. Por quê?

JULIO STOBBE: O elevado número de infecções tem vários fatores: por ser polo regional o elevado número de pessoas que circulam, ser centro de referência médica (maior precisão diagnóstica e maior coleta de exames) e, aliado à isso tudo, um surto ocasional em determinado frigorífico que, sem dúvida, colaborou sobremaneira para espalhar o vírus.

A taxa de mortalidade ocorre em função de dois fatores principais: muitos idosos com múltiplas comorbidades contaminados pelo vírus e por muitos deles serem testados para COVID-19 com sintomas atípicos (precisão diagnóstica).

A previsão é de que esses números irão se igualar, proporcionalmente, em todos os locais, porém em tempos diferentes.

SITE NEIPIES: O combate à pandemia do COVID 19 passa somente pelos MÉDICOS – HOSPITAIS –LEITOS DE UTI – NÚMERO DE RESPIRADORES? Que outras estratégias são necessárias para maior êxito neste combate?

JULIO STOBBE: Certamente, o mundo não presenciou uma situação pandêmica tão rápida quanto essa e com resultados tão avassaladores quanto nessa ocasião. Isto impactou na saúde, e de forma certeira, na economia mundial, fazendo com que a própria ordem econômica de alguns países seja alterada.

Na saúde, de forma muito ampla, o cuidado na assistência adequada de grande número de casos é primordial. Esse cuidado vai desde as medidas preventivas, perpassando pela atenção básica (onde serão atendidos 80% dos casos) culminando com a alta complexidade das unidades de terapia intensiva. Funciona como uma grande corrente circular onde todos os elos têm igual importância e funcionamento sincrônico.

SITE NEIPIES: No Brasil e no mundo, cidades estão testando e experimentando Planos de Contingenciamento, que incluem saber quem são os infectados, suas condições reais de isolamento e monitoramento “in loco” da situação dos afetados pelos sintomas ou pelo próprio COVID. Em nossa cidade, pacientes com suspeitas da COVID são atendidos por médicos e aconselhados a ficar em casa, aguardando a melhora ou a piora do seu quadro de saúde. Por que iniciativas como estas, de Contingenciamento, não estão sendo aplicadas em Passo Fundo?

JULIO STOBBE: São modelos diferentes, a China optou por esse exemplo de isolamento in loco. No Brasil não foi essa a opção escolhida por inúmeros problemas estruturais e até por dificuldades legais. Outro grande entrave é que não dispúnhamos de testes em larga escala para fazer os diagnósticos dos possíveis casos para o isolamento.

SITE NEIPIES: O isolamento social tem sido adotado no mundo inteiro como estratégia para conter o rápido avanço da doença. O que o Senhor pensa disso?

JULIO STOBBE: O isolamento social é um aliado antigo, porém eficaz. Ele retarda a velocidade de propagação da doença evitando, dessa forma, o surgimento de uma catástrofe em nossa assistência à saúde (quando se suplanta à capacidade instalada). Não irá, possivelmente, impedir a evolução da doença permitindo que todos tenham acesso ao cuidado, quando necessário.

SITE NEIPIES: O Conselho Municipal de Saúde e o COE (Comitê de Emergência), do qual o Senhor é membro, tem conseguido ajudar e influenciar positivamente nas definições das estratégias de combate ao COVID 19?

JULIO STOBBE: O COE do município de Passo Fundo, felizmente, tem um grupo técnico muito atuante e coeso. Reúne as três Universidades com Cursos de Medicina e os três maiores hospitais. Essas entidades, pelos seus representantes, conseguem dar um suporte técnico importante na tomada de decisões pela gestão do município.

SITE NEIPIES: Como o senhor avalia a criação do Comitê Popular por Saúde, Democracia e Direitos (com participação de mais de 40 entidades), criado na cidade com a intenção de levantar, propor demandas e cobrar atendimento de necessidades sociais decorrentes desta pandemia?

JULIO STOBBE: A criação desse Comitê é de grande valia no apoio social à população que sofre os maiores pesos da crise: desemprego, doença, insegurança alimentar, violência em todo seu espectro.

Essas ações não são discutidas nessa amplitude pelo COE. A parte Social é muito mais vasta que simplesmente as decisões de saúde no apoio à gestão.

SITE NEIPIES: Qual será, na sua avaliação de médico e especialista em epidemias, fator determinante para uma volta segura das aulas em todas as redes de ensino, em especial, na rede pública?

JULIO STOBBE: O retorno às atividades escolares, possivelmente, seja um dos últimos grupos a serem implementados. Teremos, antes disso, grandes oscilações de abertura e fechamento de outras entidades.

O retorno às aulas dependerá do grau de imunização da população e a segurança de que não estarão ocorrendo grandes surtos de doença. Pois, são conhecidas as dificuldades de controlar uma grande número de crianças e adolescentes em relação à medidas de distanciamento. Até mesmo, pela quantidade de pessoas em espaços que acabam ficando pequenos por essa alta densidade de estudantes.

SITE NEIPIES: Como o senhor vê a relação da medicina praticada no Brasil, considerando as diferentes realidades sociais e econômicas de nossa sociedade?

JULIO STOBBE: O Brasil penou muito tempo com um modelo hospitalocêntrico de medicina. Desde o senso comum da população, até a formação médica esteve nesses moldes. Nos últimos anos, com a criação das novas escolas médicas esse foco está mudando e isso possibilitará uma maior capilaridade dos profissionais nas comunidades. Outro grande desafio que deverá ser ajustado é a capacidade de trabalhar em conjunto, em equipe com os demais profissionais. Isso irá promover um grande crescimento no cuidado à pessoa.

SITE NEIPIES: Apesar dos pesares, na sua opinião, como o Brasil sairá destas grandes crises do atual momento histórico (crises sanitária, econômica e política)?

JULIO STOBBE: O Brasil sairá, não há dúvida. No entanto, se o governo federal trabalhar em conjunto com os estados e municípios, isso seria mais fácil de ser enfrentado. Temos de entender que há uma epidemia mundial e não é um complô contra o governo. Mas talvez isso seja difícil de ser alcançado pelos fatos vistos dia pós dia. Penso que serão as ações locais e estaduais que ajudarão de maneira macro a população.

SITE NEIPIES: Quais são suas perspectivas, como médico e como cidadão, para o futuro pós pandemia?

JULIO STOBBE: Deveria ser otimista. Mas será muito difícil termos grandes mudanças comportamentais. As medidas serão lembradas por um período muito curto porque não fazem parte dos costumes dos indivíduos.  Caberia aos grandes gestores entenderem a importância de um Estado forte para poder dar sustentação à população em momentos como esse. Mas, possivelmente, não seja essa a política que trabalha com o viés de Estado Mínimo.




Em 13 de abril, Júlio Stobbe teve participação em programa importante Hora Atividade do CMP Sindicato. Assista:




Em 12 de maio, Paulo César Carbonari, Coordenador do Comitê Popular por Saúde, Democracia e Direitos participou de importante entrevista sobre ações e cobranças das entidades da sociedade civil organizada em Passo Fundo, RS.




Fotos: divulgação/arquivo pessoal

Realizações e enfrentamento à pandemia sob olhar de um prefeito municipal

Iura Kurtz é uma jovem liderança da região Norte do RS, eleito prefeito com o propósito de dar ao município de Marau maior protagonismo na região e com a ideia de modernizar a gestão pública, através do diálogo com todos os setores da sociedade, valorizando o espírito empreendedor e a pujança deste lugar e investindo os recursos públicos onde eles são mais necessários.

Marau é uma cidade do norte do RS, vizinha à cidade de Passo Fundo, com 44.161 pessoas (dados 2019). IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) de 0,774 (dados 2010). Média salarial de 2,4 salários mínimos. Esses dados demonstram uma cidade próspera e pujante, com forte presença de agroindústrias e setor metal mecânico.

Kurtz, no último ano do seu primeiro mandato, enfrenta grande desafio de governança: administrar o município com a turbulência, pressão e urgência de uma pandemia da COVID 19. Esta situação não é exclusiva do prefeito de Marau, mas um desafio de todos os gestores municipais de todo Brasil e em todo o mundo.

No RS, Marau foi uma das primeiras cidades onde apareceram casos da COVID e o número de infectados é alto, se comparado, proporcionalmente, com o número da população de outras cidades. Em 26 de março, foi notificado, oficialmente, o primeiro caso do COVID 19. O número de casos segue aumentando. O município já tem dois óbitos, o que coloca o gestor municipal numa atitude de extrema vigilância, zelo e cuidado, tendo de tomar as medidas cabíveis necessárias.

Na entrevista que segue, Iura Kurtz falará de suas realizações como gestor do município e dos desafios enormes de um prefeito no enfrentamento e combate à pandemia.

SITE NEIPIES: Tú és uma jovem liderança política na região Norte do RS. Vieste da comunicação (rádio e TV), já exerceste a função de Secretário de Esportes, Cultura e Lazer e mandato de vereador na cidade de Marau. Optaste por viver e morar sempre ali. O que mais te realiza como gestor desta cidade, nestes últimos 3 anos e cinco meses de mandato?

IURA KURTZ: A maior realização é poder proporcionar melhor qualidade de vida aos marauenses, através de ações, serviços e obras. Estar como Prefeito de uma cidade do porte de Marau, com um povo empreendedor e pujante, é sem dúvida um agradável desafio. Poder contribuir com o teu município, trabalhando dia e noite, é uma satisfação e faço sempre com alegria e disposição.

SITE NEIPIES: Com base no teu plano de Governo, conseguiste promover mudanças ou aperfeiçoar a gestão pública neste seu mandato, para que a administração estivesse mais atualizada com as necessidades da população?

IURA KURTZ: Com certeza. Durante todo o mandato realizamos e estamos realizando obras em praticamente todos os bairros e também no interior. A principal mudança que promovemos, no entanto, foi no diálogo com todos, com as entidades e associações. A população definitivamente faz parte do Governo. As portas da Prefeitura estão sempre abertas. Nós governamos sempre muito próximo das pessoas. E isso faz com que a gestão pública seja mais eficaz, pois ouvindo as necessidades e ideias do povo a construção de projetos se torna mais precisa e proporciona melhorias na vida dos marauenses.

SITE NEIPIES: As características empreendedoras e a pujança dos cidadãos marauenses continuam os alicerces da economia e da política hoje, no município?

IURA KURTZ: Eu costumo sempre falar que Marau é diferenciada especialmente pela pujança de sua gente, suas entidades e associações. Aqui temos um povo trabalhador e empreendedor que auxiliam no progresso dessa terra. Esse conjunto de fatores, aliado a uma gestão sempre próxima de todos, com inúmeras obras e realizações, faz com que nosso Município seja destaque em todo o Estado, em índices na saúde e na educação, por exemplo.

SITE NEIPIES: Quais foram ou são as realizações da tua administração que te deixam mais feliz e realizado?

IURA KURTZ: Em todas as áreas tivemos e estamos tendo importantes avanços. Na saúde, dobramos o número de atendimentos no mês, abrimos pela primeira vez na história de Marau uma unidade no período noturno, estamos construindo mais dois postos nos bairros. Na educação, reformamos escolas e creches, nos tornamos uma Cidade Educadora. Na infraestrutura, construímos novas praças nos bairros, asfaltamos centenas de ruas, estamos construindo uma nova Delegacia de Polícia e um Centro de Assistência Social. No interior, levamos de forma inédita internet de qualidade, instalamos câmeras de segurança e estamos duplicando um importante viaduto em Laranjeira. São inúmeras as realizações e todas elas, quando melhoram a vida das pessoas, nos satisfaz.

SITE NEIPIES: Qual está sendo seu maior aprendizado como gestor público municipal?

IURA KURTZ: Todo dia é um aprendizado diferente. Eu trabalho dia e noite como Prefeito de Marau e sei da responsabilidade que é administrar uma cidade desse porte. A questão de saber que algumas vezes a tua decisão vai interferir diretamente na vida das pessoas é o maior desafio como gestor público. É por isso que sempre trabalhamos de forma planejada e com responsabilidade.

SITE NEIPIES: Qual foi a primeira atitude que tomaste como gestor municipal quando apareceram os primeiros casos do COVID 19?

IURA KURTZ: Nós investimos na contratação de mais leitos hospitalares aqui em Marau. Hoje temos 36 leitos disponíveis exclusivamente para o tratamento da COVID-19. Também estaremos repassando recursos para as entidades hospitalares de Passo Fundo, que é a referência na região, essencialmente na questão de UTI.

Entre outras ações está a contratação de uma UTI Móvel, que já está à disposição da população, exclusiva para COVID-19. Também vacinamos em casa mais de 5 mil idosos em Marau, evitando assim que os mesmos saíssem de casa. Aprovamos projeto para contratar até 30 novos profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros. Criamos uma estrutura junto a uma Unidade de Saúde para receber os pacientes que apresentem sintomas.  São muitas ações em andamento.

SITE NEIPIES: Como administras a tensão entre a proteção da saúde e a manutenção dos serviços e a rotina que giram a economia?

IURA KURTZ: A pandemia é recheada de incertezas em todo o Mundo. A principal meta é proteger a vida das pessoas, mas ao mesmo tempo é necessário encontrar caminhos para a questão econômica. E isso não se faz apenas em um município. É essencial a união entre todas as cidades, especialmente em cada região. Por isso estamos sempre dialogando com outros Prefeitos e com o Governador do Estado. Assim se constrói medidas para serem colocadas em prática.

SITE NEIPIES: A que se deve o aumento de casos de COVID 19 no município de Marau? São os testes? Qual é a estratégia mais adequada para o controle da pandemia?

IURA KURTZ: Desde o início da Pandemia e antes da confirmação do primeiro caso em Marau, já estava em funcionamento a Unidade de Saúde exclusiva para sintomáticos respiratórios. O fácil acesso à atenção básica possibilitou também a identificação dos pacientes que posteriormente foram confirmados com a doença.

Também em Marau muitos pacientes que não se enquadravam nas regras básicas de testagem do Estado, procuraram a rede privada, sendo que os dois laboratórios particulares que realizam testes, são licenciados pelo Governo do Estado e, dessa forma, os resultados positivos são considerados nos cálculos do Estado. Em uma pandemia, é sempre difícil encontrar um resultado final da causa de incidência.

SITE NEIPIES: Como é divisão dos entes federados (União, Estados e municípios) no efetivo combate à esta pandemia?

IURA KURTZ: É importante esclarecer que hierarquicamente os municípios são obrigados a seguir as determinações do Estado. Quanto à questão de responsabilização, cada um tem a sua, desde o Presidente, o Governador e o Prefeito. O que o governo estadual precisaria auxiliar é na questão da fiscalização das medidas. Nesse ponto, acredito que necessite haver avanços.

SITE NEIPIES: As prefeituras tem sido assistidas como deveriam no combate à pandemia (recursos financeiros, testes, orientações)? Afinal, são elas que realmente executam as medidas junto à população.

IURA KURTZ: A Prefeitura de Marau projeta uma perda de R$ 13 milhões em seu orçamento de 2020 devido a pandemia, segundo cálculo da Secretaria de Fazenda. É um dado preocupante e por isso já estamos tomando medidas e readequando a questão orçamentária. O Congresso Nacional aprovou um repasse ao Município de R$ 5,7 milhões. Esse recurso ainda não chegou, mas auxilia um pouco a perda financeira que teremos.

SITE NEIPIES: Que mensagens deixas para os cidadãos marauenses e para os demais prefeitos neste momento tão difícil em que passa o Brasil e os municípios?

IURA KURTZ: Quero dizer ao povo de Marau que isso tudo vai passar. Neste momento o que cada um precisa fazer é ter conscientização, usar máscaras, lavar as mãos, evitar aglomerações e seguir as normas estabelecidas pelos especialistas em saúde. Mais do que nunca precisamos estar unidos para vencermos esse desafio. E espero que, em pouco tempo, a gente possa retomar a normalidade. É isso que todos queremos.

Conhecendo Catolicismo: testemunhos de um religioso capuchinho

Frei Carlos Raimundo Rockenbach não lembra, mas o conheci participando, de forma ativa, alegre e humorada, das Santas Missões Populares e de preparação para ordenações de padres na minha cidade natal, Campina das Missões. O que me marcou, na época de adolescente, era sua altura, sua voz pujante e seu jeito de cantar e animar.

Rockenbach nasceu em 14/07/1958, em Alecrim. Entrou no Seminário em 1979. Fez Filosofia na UPF em Passo Fundo. Depois de 3 anos junto aos Missionários da Sagrada Família, em 1982, passou a integrar a Ordem dos Freis Capuchinhos. É Frei Capuchinho há 37 anos e presbítero (padre) há 32 anos.

Trabalhou 11 anos como missionário, integrando a equipe das Santas Missões Populares. De 1998 a 2001, morou na França, Lyon e Paris, onde fez mestrado em Liturgia e Sacramentos. Foi professor por alguns anos em Porto Alegre, pároco em vários lugares, e de 2007 a 2011, Secretário do Departamento de Missão e Espiritualidade no CELAM, residindo em Bogotá.

Atualmente, Frei Carlos é pároco da Paróquia Santo Antônio, em Lagoa Vermelha, RS.

Uma alegria imensa poder entrevistá-lo, nestes tempos em que o Papa Francisco propõe “uma igreja em saída” e nestes tempos de pandemia, onde a igreja precisa refletir também sobre as formas de sua ação evangelizadora.

SITE NEIPIES: Quando, como e porquê nasceu em você o desejo de servir a Cristo e à sua igreja?

Frei Carlos: Eu venho de uma família muito humilde, bastante religiosa e engajada na vida da comunidade. Desde pequeno, junto com meus pais, primeiros e grandes catequistas, mais pelo exemplo do que por palavras, fui criando gosto pelas coisas de Deus. Entrando na fase da juventude, comecei a participar do Grupo de Jovens da paróquia. Um grupo muito ativo, assessorado por uma religiosa muito animada, criativa e dinâmica, Irmã Neófita.

Depois de muitos anos sem uma ordenação sacerdotal na Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, de Campina das Missões, no dia 31 de dezembro de 1977, foi ordenado o saudoso Padre Gervásio Backes. E o Grupo de Jovens se envolveu de coração na preparação desta ordenação com uma peça teatral chamada: “O mártir do dever”, apresentada em todas as comunidades da paróquia.

A partir desta ordenação, já no último ano do 2° Grau, cogitei a possibilidade de fazer uma experiência no Seminário dos Missionários da Sagrada Família, em Passo Fundo. Em fevereiro de 1979, ingressei, cursando Filosofia, na UPF. Como trabalho pastoral, além da liturgia na paróquia, comecei a participar da JUFRA (Juventude Franciscana), pela qual fui tendo contato com os Freis Capuchinhos e me encantando com a mística e espiritualidade Franciscana, tanto que ao concluir o Bacharelado em Filosofia, no ano de 1982, ingressei no noviciado do Freis Capuchinhos em Marau.

SITE NEIPIES: Nasceste missioneiro, da região das Missões do RS. Quais são as características que destacarias do povo desta região e que carregas na tua vida pessoal e na tua atuação religiosa?

Frei Carlos: A região missioneira tem uma bela história, com a presença dos padres Jesuítas, e as sete Reduções dos povos guaranis, que buscavam resgatar e viver os valores das primeiras comunidades cristãs. Mas a região onde nasci e me criei é predominantemente de imigrantes alemães católicos, fervorosos, tradicionais, unidos e solidários. Chegaram à região no início do séc. XIX, tendo como primeira preocupação, a sobrevivência e a construção de um espaço religioso, onde se encontrar, cultivar e celebrar sua fé.

Este cultivo da fé, tinha como acento forte a piedade popular. A comunidade sempre foi a referência do povo. Foi neste ambiente, que foram cimentadas as bases da minha fé.

A participação na pastoral da juventude me ampliou os conhecimentos sobre a pessoa de Jesus Cristo, horizontes de uma fé mais engajada e comprometida com a vida e a história.

SITE NEIPIES: Quais suas maiores realizações como padre capuchinho?

Frei Carlos: O Carisma Franciscano Capuchinho é encantador, quando encarnado com paixão, parece que facilita o seguimento a Jesus Cristo. É difícil destacar algumas realizações, pois na simplicidade franciscana, as coisas que parecem ser as mais insignificantes se tornam grandes, reveladoras do mistério do amor incondicional de Deus. Destaco algumas grandes surpresas de Deus.

Eu nunca escolhi o que fazer e onde trabalhar, e disso nunca me arrependi. Desta forma, Deus me conduziu a lugares que eu nunca imaginava.

Nas missões populares, ao encontro da diversidade de povos e culturas com suas incontáveis riquezas, a convivência e partilha de vida com os mais pobres, o contato com as raízes da nossa história na velha Europa, o trabalho desafiante junto às 22 Conferências Episcopais da América Latina e Caribe.

Mas quero destacar, três experiências que para mim foram especiais: a) a Rota de Assis. Em julho do ano 2000, acompanhei 40 jovens franceses, conhecendo, a pé, com uma mochila de 15 kg nas costas, dormindo a céu aberto, os lugares onde viveu e por onde passou São Francisco de Assis. Além de conhecer, in loco, mais profundamente São Francisco, Santa Clara e outros santos e santas da Família Franciscana, durante a caminhada celebramos o mistério da vida de Jesus Cristo, deste o nascimento, ressaltando que Natal de 1223, em Greccio, onde iniciamos a caminhada, São Francisco com o desejo de contemplar o mistério da encarnação, inventou o presépio, até a ressurreição e o envio dos discípulos que celebramos no Monte Alverne, onde São Francisco recebeu as cinco chagas de Cristo; b) A graça de passar uns dias no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, onde em julho de 2010, fui assessorar dois encontros sobre a catequese inculturada no mundo indígena e um curso de Missiologia; c) Peregrinação na Terra Santa. Em maio de 2009, junto com um grupo de padres e leigos de diversos países da América Latina, tive a graça de trilhar os caminhos por onde Jesus passou e viveu. Foi uma experiência emocionante, que ajudou e ajuda e ler o Evangelho com outros olhos, a segui-lo com mais realismo e paixão.

SITE NEIPIES: Quais os grandes desafios da vida religiosa hoje, neste momento histórico em que o Papa Francisco pede uma Igreja em saída?

Frei Carlos: O Papa Francisco, inspirando-se em São Francisco de Assis, está resgatando o Jesus histórico, o Jesus que assumiu nossa condição humana em tudo, menos no pecado. Um Papa, que eu tive a oportunidade de conhecer ainda como Cardeal Bergoglio, que se despojou das heranças imperiais mundanas, recusando o “berço esplêndido” de um palácio, saindo e indo para junto do povo, principalmente dos excluídos do banquete da vida. Um Papa que busca seguir e testemunhar um Jesus Cristo concreto, humano, histórico e não abstrato e distante. Por coragem profética, por seus sábios ensinamentos, exortações e encíclicas, mas sobretudo, pelo seu exemplo e sua empatia com o povo, ele nos indica o grande desafio da vida religiosa: o seguimento fiel a Jesus Cristo, configurando-nos com ele em seu ser, seu agir e seu estilo de vida.

A missão, ou seja, a Igreja em saída, encontra sua razão maior no próprio Deus, que não se fecha em si mesmo, mas pela encarnação de Jesus Cristo e pelo dom do Espírito Santo, vem ao encontro da humanidade. Portanto, é da essência da Igreja e particularmente da vida religiosa, estar em saída, ser peregrina, itinerante, indo ao encontro do povo, sobretudo dos mais sofridos, abandonados e excluídos. A Igreja, e dentro dela, a vida religiosa “é”, ao sentir-se enviada em missão.

SITE NEIPIES: Durante 11 anos foste parte de uma equipe que percorria cidades do RS e do Brasil promovendo as Santas Missões Populares. Que experiência foi esta? De onde tiravas tanta motivação e entusiasmo para as pregações, as escutas e as visitas às famílias e comunidades?

Frei Carlos: A primeira inspiração é o próprio Jesus Cristo, o missionário do Pai. Depois, São Francisco no processo de sua conversão, ainda não tendo claro o que Deus queria dele, um dia ao escutar o evangelho do envio dos dose apóstolos à missão, entusiasmadamente exclamou: “É isso que eu quero, é isso que eu procuro”.

A mística Franciscana Capuchinha é essencialmente contemplativa e missionária. Em 1982, quando estava fazendo o noviciado em Marau, RS, aconteceram naquela paróquia as Missões Populares Capuchinhas. Como noviços, nos envolvemos muito, me encantei, e disse: se Deus me conceder a graça, eu um dia quero fazer parte dessa equipe. E por 11 anos, tive esta graça de percorrer várias regiões do Brasil, atuando nas três etapas da missão:

a) Pré-missão, período de encaminhamento, motivação, preparação;

 b) a Missão, que consiste em vários dias de pregação, celebrações, encenações, visitas, escuta, atendimentos;

 c) Pós-missão, que acontece por meio de cursos de formação e aprofundamento para as lideranças das paróquias, continuadores da missão. Por 9 anos eu fui o responsável por esta terceira etapa, realizando cursos de formação bíblica, catequética, litúrgica e Pastoral. É importante ressaltar, que a missão não é um momento estanque na caminhada da Igreja, mas em todas as atividades pastorais deve perpassar o espírito, a mística missionaria.

SITE NEIPIES: Fale-nos um pouco da espiritualidade franciscana e de como ela foi fazendo parte de sua vida e de sua atuação pastoral.

Frei Carlos: Já nos tempos da Pastoral da Juventude, na militância ecológica, e por influência de maus pais, São Francisco começou a ter uma crescente simpatia na minha vida, mas um conhecimento maior da espiritualidade franciscana eu fui adquirindo por meio da participação na JUFRA (Juventude franciscana). O mergulho mais intenso nesta espiritualidade se deu durante o ano do noviciado.

O despojamento total, a simplicidade, a opção pela pobreza e pelos últimos do seu tempo, especialmente os leprosos, a sensibilidade sacramental que levava Francisco a reconhecer a presença de Deus em todas as criaturas, chamando-as de “irmãos e irmãs”, dizendo: “tudo me fala de Deus”, a radicalidade no seguimento a Jesus Cristo, humilde e pobre, fazendo do Evangelho sua regra de vida, me cativou e continua me cativando e sendo para mim uma contínua inspiração, mas também um grande desafio.

Hoje temos à frente da Igreja, como sucessor de Pedro, provavelmente um dos mais fiéis discípulos de São Francisco: o Papa Francisco. Ele leva a mística franciscana a ultrapassar as fronteiras do próprio cristianismo, através de um profundo diálogo com todos os povos e culturas, através do protagonismo na luta pela preservação e a salvação da Mãe Terra e o resgate valor inalienável de toda vida humana.

SITE NEIPIES: Qual foi sua atuação junto ao CELAM (Conselho Episcopal Latino Americano). Que aprendizagens tirastes desta rica experiência junto aos bispos e religiosos da América Latina?

Frei Carlos: O convite a assumir a secretaria do Departamento de Missão e Espiritualidade no CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano), feito pelo então presidente, Cardeal Raimundo Damasceno Assis, ex-arcebispo de Aparecida do Norte, foi uma das grandes surpresas da minha vida. Não me achava à altura de tal responsabilidade. Aceitei a missão. A sede do CELAM fica em Bogotá – Colômbia. E o Departamento de Missão e Espiritualidade compreende quatro dimensões da vida da Igreja, com as quais me ocupava: Liturgia, Catequese, Missão e Piedade popular.

O principal instrumento de trabalho, era o Documento de Aparecida, fruto da 5ª Conferência do Episcopado Latino-americano e Caribenho, que aconteceu no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, de 13 a 31 de maio de 2007. Este Documento resgata e incentiva fortemente a dimensão missionária da Igreja. A partir deste Documento, dentro das quatro dimensões do Departamento e das dimensões dos outros seis Departamentos do CELAM, tínhamos um Plano de projetos para quatro anos, 2007 -2011.

O meu trabalho e o dos demais seis secretários era viabilizar estes projetos junto às 22 Conferências Episcopais da América Latina e Caribe. Foi um trabalho intenso, internamente na sede do CELAM, e também com muitos cursos, encontros por praticamente todos os países latino-americanos e caribenhos. A diversidade e a dinamicidade da Igreja, a riqueza cultural, o testemunho abnegado de incontáveis cristãos engajados nos diversos serviços e ministérios, foi um grande aprendizado, uma grande bênção de Deus.

SITE NEIPIES: Escreveste e publicaste, em 2019, junto com colega, um Livro chamado “Introdução à Liturgia”. Qual é relação entre liturgia e vida cristã em comunidade?

Frei Carlos: Na verdade eu havia elaborado este livrinho no ano de 2006, quando atuava como pároco da paróquia Santo Antônio do Partenon em Porto Alegre e era o referencial da Liturgia no Vicariato de Porto Alegre. Esta edição que saiu pela ESTEF (Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana), é uma versão revisada e um pouco ampliada da primeira versão. É um livro destinado principalmente para a formação de lideranças das comunidades, por isso, é de um linguajar simples, facilmente assimilável, do essencial que precisamos conhecer para celebrar melhor o mistério de Jesus Cristo e alimentar nossa fé.

SITE NEIPIES: Na sua visão, o que identifica e o que caracteriza o jeito de ser e viver do cristão católico?

O jeito de ser e viver do cristão católico, em todos os tempos, e mais intensamente hoje, nesta névoa de incertezas, nesta pulverização de expressões religiosas, nesta onda polarizante de fanatismos e intolerância, se caracteriza pelo seguimento e pela configuração com Jesus Cristo, no assemelhar-se a ele em seu ser, agir e estilo de vida.

Jesus, deixa bem claro quando nos convida: “Quem quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz todos os dias, e siga-me”. Também quando fala da identidade do cristão católico, logo após o gesto do lava-pés nos diz: “É pelo amor que tiverdes uns pelos outros que todos saberão que sois meus discípulos”.

É indispensável ter a sensibilidade e a fé de reconhece-lo presente na sua Palavra, na Eucaristia, na Igreja, seu Corpo, e nos outros, especialmente no mais necessitados, vivendo com eles a misericórdia, a compaixão, a solidariedade: “Tudo o que fizestes a um desses menores, meus irmãos, foi a mim que o fizeste”.

SITE NEIPIES: Qual é a mensagem do Cristianismo para este momento histórico?

Frei Carlos: A razão da fé cristã, é a ressurreição de Jesus Cristo. Por mais difícil que possa parecer, por mais que as forças do mal parecem agigantar-se, por mais que um sistema de morte parecer perpetuar-se, por mais que a idolatria do mercado multiplica os sacrifícios humanos no altar da humanidade, a força da vida que vem do Deus da vida, e que remove a pedra pesada do túmulo, vence o último inimigo: a morte, com todas as suas formas de expressão. Esta fé que moveu os apóstolos e os incontáveis santos e santas na história, deve ser também a nossa razão de viver.

Nós somos membros do corpo de Cristo que venceu a morte, se formos dóceis ao mesmo Espírito que o moveu a fazer somente o bem, com ele haveremos de ser vencedores.  

SITE NEIPIES: Qual é a importância do diálogo inter-religioso, frequentemente praticado e difundido pelo Papa Francisco, neste momento histórico?

Frei Carlos: Todos, independente de nacionalidade, raça, religião, somos inquilinos temporários na mesma Casa Comum, a Mãe Terra. Apesar de toda esta rica diversidade, com suas contradições, os mesmos problemas nos afetam, os mesmos sonhos nos movem, por isso o entendimento a partir do que temos de comum, é de fundamental importância, ter como meio e caminho, o diálogo. E existem muitas pessoas que tem responsabilidades sobre os povos, e são movidos pelo bom senso, estão abertos a este diálogo. Por isso, mais do que competir, guerrear, é preciso unir, dar as mãos.

Neste aspecto, o Papa Francisco, é uma pessoa iluminada, carismática, que vai ao encontro das lideranças das nações, dos Movimentos Populares, e de todas as forças influentes, buscando proximidade, entendimento e soma de forças no empenho de salvar nossa Casa Comum e tudo o que ela contém. Somos um grande organismo vivo, e o diálogo inter-religioso, é o caminho para superarmos divisões, darmo-nos as mãos, superarmos adversidades e construirmos a unidade.

SITE NEIPIES: Que aprendizados a Igreja Católica Apostólica Romana está fazendo a partir da necessidade do “isolamento social” em função da Pandemia do Covid-19, nas suas formas de comunicar e levar a mensagem de Cristo a quem queira ouví-la?

Frei Carlos: É uma experiência ímpar, um aprendizado, sobretudo, um momento de refletir sobre o sentido e a fragilidade de nossa vida. refletir sobre os valores que cultivamos, e o que verdadeiramente importa.

O isolamento social, associado a todas as recomendações das pessoas sensatas, por ser comprovadamente o meio mais seguro de proteção e evitar o contágio, é a grande insistência do Papa Francisco, da presidência da CNBB, como expressão dos que amam a vida. Com o isolamento social, evitando aglomerações, também nos ambientes celebrativos, despertou-se para a importância das formas virtuais de comunicação e de celebração da fé, e a valorização da família como “Igreja Doméstica”, lugar por excelência do cultivo da fé, da oração, da escuta e da convivência.

As celebrações sem a presença física dos fiéis, soa um pouco estranho, mas por outro lado, nos bancos vazios, a gente tem presente todas as pessoas, a humanidade e vai criando a percepção do templo global, com a presença de toda a humanidade, com quem e por quem a gente celebra. Toda esta mudança, requer docilidade ao Espírito Santo que desperta em nós o senso da criatividade, para poder chegar ao coração dos que rezam conosco de forma virtual.

SITE NEIPIES: Que mensagem gostarias de deixar aos que leem esta entrevista agora, principalmente aos jovens e professores?

Frei Carlos: Num mundo marcado pela cultura do ódio, da indiferença e da intolerância, somos chamados a resgatar e viver a solidariedade, a misericórdia, a compaixão, que se expressam pela ternura que é parte fundamental do ser humano como oferta e como demanda. Está inscrita no mais profundo de cada ser humano.

A ternura é super-abundância do amor compartido. A ternura é o amor que abraça, envolve, protege e salva. Esta ternura abraçadora, envolvente, protetora e salvífica é da essência de Deus. Em Maria e em Jesus a ternura divina se manifesta em toda sua plenitude. Viver a ternura não é possível sem a graça de Deus.

Ser compassivos para com os outros, parte da experiência da própria necessidade da ternura de Deus, em quem a misericórdia e a fidelidade, a compaixão e a solidariedade se entrelaçam num abraço que abarca toda a humanidade, e toda a criação.

A ternura é a mais formidável, universal e misteriosa das forças divinas inscritas no coração do homem capaz de transformar o mundo. A ternura é a chave que abre os corações fechados e transforma os corações empedernidos em corações de carne.

SITE NEIPIES: Algo a mais que gostarias de dizer.

Frei Carlos: Sou muito grato a Deus que não se deixa vencer em generosidade e misericórdia. Seu amor é incondicional. Sou grato às incontáveis pessoas que no anonimato colocam seus dons a serviço da vida e de um outro mundo possível, mais justo, fraterno igualitário, um mundo sem senhores e escravos, mas um mundo de irmãos.

Sugestões de uma prática pedagógica

Esta atividade pode ser aplicada a estudantes do sétimo ano, segundo trimestre, Unidade temática “Manifestações religiosas/crenças religiosas e filosofias de vida”, Objeto de Conhecimento: “Lideranças religiosas” e “Habilidades”: reconhecer papéis atribuídos às lideranças de diferentes tradições religiosas/identificar lideranças religiosas presentes no espaço municipal e suas contribuições à formação espiritual/exemplificar líderes religiosos que se destacam por contribuições à sociedade.

Questões para aprofundamento conhecimentos da Igreja Católica, Apostólica e Romana.

  1. Uma das formas de seguir a Jesus Cristo, na Igreja Católica, é a ordenação presbiteral (ser padre). Você leu a história e a atuação do Frei Carlos Raimundo Rockembach.  O que mais lhe chamou atenção?
  • O Papa Francisco pede uma Igreja em saída. O que significa uma Igreja em saída? (aprofundar o assunto com pesquisas na internet)
  • Segundo Frei Carlos, o que identifica e o que caracteriza o jeito de ser e viver do cristão católico?
  • Quais são os esforços do Papa Francisco na promoção do diálogo inter-religioso?
  • Frei Carlos segue a espiritualidade franciscana (de Francisco de Assis). Faça uma pesquisa na internet sobre a vida e as ideias de Francisco de Assis.
  •  O que são as Santas Missões Populares? (Pesquise na internet, ou nesta matéria, e faça um resumo). Se você tem familiares católicos, pode também conversar com eles para ver se já participaram de eventos de Santas Missões Populares e pode registrar esta conversa, em forma de memória.



Fotos: arquivo pessoal

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