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Educadores que brilham. Brilham por quê?

Sandra Castro é uma desbravadora
do mundo online desde 2016.
Criadora e fundadora da empresa educacional
“Educadores que Brilham”, leva autoconhecimento
às escolas e educação emocional aos
protagonistas da educação.


Uma apaixonada por pessoas, é mentora de vida e de mudança pessoal. Ajuda o ser humano a encontrar sua verdadeira missão, seu propósito nesse mundão cheio de possibilidades. Faz isso através do fortalecimento do Eu, da cura e da expansão de consciência.

Autora de dois e-books e do livro de bolso “Sementes de um Educador que Brilha”. Ama o que faz e, é por isso, que vai te ensinar a também amar a vida e seu trabalho e vibrar por todas as mudanças que irão começar a acontecer com você a partir deste processo incrível de virada.

Pedagoga de formação, é formadora de professores desde 2007 e fala sobre inteligência emocional, competências e habilidades emocionais, sobre essência e tudo o mais que diz respeito ao desenvolvimento pessoal e profissional do educador.

Conheçamos Sandra Castro, por ela mesma.

***

SITE NEIPIES: Como, quando e porque abraçaste a educação?

SANDRA CASTRO: A educação está em mim desde a infância, quando costumava brincar com minhas bonecas, onde eu era a professora delas….risos. Mais adiante, em uma conversa sincera com meu pai, ainda no ensino médio, para escolher uma profissão a seguir, parece que foi ontem, quando ouvi ele me dizer: “Filha, faz magistério. A educação, em algum momento, ainda será um bem muito valioso.” Aquilo foi tão expressivo que, em momento algum, duvidei das palavras de meu pai e, como podem ver, até hoje sigo firme nesta jornada. É na educação que está meu propósito de levar mais amor para dentro das escolas, sensibilidade e inteligência intrapessoal, através do autoconhecimento e da Inteligência Emocional. Abraçar a educação é o mesmo que abraçar um filho, muito próximo de um amor incondicional pela profissão.

SITE NEIPIES: Por que Educadores brilham? Brilham por quê?

SANDRA CASTRO: O termo “Brilham” surgiu da junção entre dois mundos que andam em paralelo, mas que ao mesmo tempo, ainda se divergem pelas redundâncias da vida. O brilhar faz conexão com a estrela, que quando colocada em primeiro plano, vê-se sua luz brilhante em todos os lugares e espaços da qual ocupa. Fazer essa analogia, foi o que me fez criar o nome Educadores que Brilham. É a união da razão com a emoção para um avançar em sincronicidade para o bem do que podemos fazer de mais valioso e significativo com e na educação.

Todos temos talentos e habilidades e, com o Educador que Brilha, não é diferente. O “brilham” surgiu da necessidade de perceber que os talentos, quando aprimorados, reacendem o nosso poder de realização e de criatividade. O potencial está para todos, com o Educador que Brilha, este potencial é reconhecido e validado.

SITE NEIPIES: Nestes 20 anos de atuação em educação, sobretudo em palestras para professores e professoras, pais e mães, qual foi a principal mensagem que difundiste?

SANDRA CASTRO: A mensagem mais promissora é a do significado que damos à vida e ao que estamos fazendo dela enquanto nos permitem estar aqui. Sem valores claros, não há possibilidades de construção de bases sólidas que vão nortear todo o trabalho que se realiza. Portanto, a melhor e mais difundida mensagem é aquela que toca os corações e que, a partir disso, nos engrandece e nos possibilita sermos pessoas atuantes e brilhantes.

SITE NEIPIES: Qual é o desafio da educação, em tempos de isolamento físico e social? Como fica o brilho dos professores, agora “atuando” nas telas virtuais?

SANDRA CASTRO: Aqui uma chamada muito especial: o que te difere dos outros profissionais que também estão usufruindo, neste momento com mais intensidade, o alcance das redes sociais e das tecnologias digitais? Ampliar o olhar para além do que conseguimos ver, permitir usar a força criativa para fazer mais e melhor e, aproveitar esse recurso, para impactar vidas. A modalidade, neste sentido, não tem relevância, pois não colocamos “peso” nela e, sim, como estamos aproveitando esse momento para fazer acontecer na educação.

SITE NEIPIES: Por que a educação deve promover a humanização?  O que é humanização?

SANDRA CASTRO: Humanização é tornar humano a outra pessoa, é conseguir olhar além do que os olhos conseguem enxergar, e colocar–se em sensibilidade na escuta ao outro. Para isso, não há julgamentos, apenas o olhar afetivo que ao encontrar outro olhar, se reconhecem, como humanos, pois somos humanos em aprendizado constante.

SITE NEIPIES: O que significa a palavra Educadores? Por que somos educadores?

SANDRA CASTRO: A palavra Educadores tem uma conotação própria e única. Ela é especial, porque ao nos colocarmos como protagonistas da educação, nos deparamos com diferentes cenários, perfis de pessoas, de comportamento, de jeito de ser e de fazer o trabalho docente. Se não formos educadores, ser somente professores, nos remete a específica missão de ensinar e educadores é muito mais do que somente ensinar, é mergulhar no universo do outro e experienciar a sua realidade para nos enriquecer e nos ensinar. 

O que fazemos com o que aprendemos, define o que é Ser Educador.  Portanto, Educador aprende muito mais e ensina a partir das diferentes percepções da realidade que o circunda.

SITE NEIPIES: Na tua percepção, os professores ou educadores cuidam suficientemente de si? Ou descuidam de si cuidando dos outros (no caso estudantes)? Eles tem consciência da importância da saúde psíquica e emocional para exercerem bem sua profissão?

SANDRA CASTRO: Aqui criamos um incrível dilema: equilibrar vida pessoal da vida profissional. A gestão das emoções é a baliza que dá sustentação ao nosso trabalho como professores que somos. A auto-observação nos faz grandes em um cenário de incertezas do qual estamos a viver nesse momento. Cuidar de si é o autovalor que todo o Educador merece abrir espaço e se reconstruir a partir de suas próprias necessidades e demandas emocionais.

SITE NEIPIES: Como foi tua experiência na edição e publicação de teus dois livros? Por que é tão importante os professores escreverem sobre educação?

SANDRA CASTRO: Na escrita é possível deixar a mensagem ir se desenhando e dando forma. Saborear cada palavra, frase e contexto é muito prazeroso. Sempre me deixei levar pela intuição nos processos de escrita e, também, utilizando de minha própria experiência como educadora que já perpassou por todos os níveis e modalidades de ensino, das conversas e interações com colegas da profissão e com leituras, estudos e pesquisa na área. Escrever é um deleite para a alma e muito me honra ser protagonista desta ação em diferencial do que posso contribuir para um mundo melhor através de professores melhores, em saúde e em eficácia de seus trabalhos.

SITE NEIPIES: Uma mensagem aos que leem tua entrevista agora.

SANDRA CASTRO: Entrega o que consegue de melhor, para isso, encontre no servir as possibilidades de criar os instrumentos e ferramentas que te qualificarão como um ser humano nobre antes de ser um professor por profissão. Servir para então construir, servir para Ser, servir para crescer, por fim, servir para ver frutificar. Como teu sido o teu plantio?

SITE NEIPIES: Uma frase que defina um pouco da sua vida, da tua história.

SANDRA CASTRO: Uma batalhadora nata, uma guardiã dos professores, uma desbravadora do mundo das emoções, uma reconstrutora da vida a partir do refinamento de seus recursos internos. É na reforma íntima que encontramos o nosso “elemento chave”, que é a combinação das habilidades naturais com a competência, que por sua vez, é o gostar do que se faz. Assim, evoluímos em consciência e em expansão de tudo que podemos ser.

SITE NEIPIES: Uma frase ou uma ideia que ajude a definir a educação neste momento histórico?

SANDRA CASTRO: Seja você, em naturalidade, em essência e, principalmente, olhe para si, do mesmo modo que gostaria que olhassem para você neste momento. Lembre-se, as emoções podem ser controladas, mas o que você faz com aquilo que você tem em mente agora pertence ao tanto de valor que você está qualificado a responder à vida e as pessoas que dependem de você neste tempo e espaço da vida.

A educação se faz com o que você ajuda a definí-la. Parafraseando o escritor Ken Robinson, “uma grande educação depende de um grande ensino”.

Cuide com carinho da mensagem que você tem ressoado a todos, pois o que você pensa de si mesmo impacta a partir da sua atuação neste mundo.


Você pode me encontrar por aqui

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Não pagaremos com nosso sangue pela incompetência dos que nos governam

Apesar da exclusão, apesar do cansaço, da ansiedade,
do estresse, apesar do descaso do Estado,
dos salários atrasados, do desrespeito
e da falta de reconhecimento,
nós preferimos viver.


Na espiral de acontecimentos absurdos que marcaram o país ao longo do ano, é difícil lembrar. Mas nós não esquecemos.

Em pronunciamento no dia 24 de março, exortando o extermínio do povo brasileiro em rede nacional, o presidente questionou – indignado – “por que fechar escolas?”

É como se perguntasse: por que salvar vidas? Por que proteger crianças, jovens, professores, funcionários e suas famílias? Por que não contaminar o país inteiro? Por que não matar os nossos idosos?

À época, afirmamos: temos um genocida no comando da nação. Em live na noite de 17 de setembro, o presidente confirmou sua vocação.

Criticou a atuação de sindicatos que defendem a vida, defendeu a abertura de escolas e desprezou os educadores que estão enfrentando jornadas de trabalho extenuantes, utilizando equipamentos próprios e pagando Internet sem receber um centavo a mais para garantir o direito à educação.

Apesar da exclusão, apesar do cansaço, da ansiedade, do estresse, apesar do descaso do Estado, dos salários atrasados, do desrespeito e da falta de reconhecimento, nós preferimos viver.

Bolsonaro não mudou. Nunca se responsabilizou pelo combate à pandemia, que já custou quase 140 mil vidas. Nunca combateu a exclusão digital. Nunca propôs qualquer política de reestruturação das escolas. Nunca assumiu o posto de presidente.

As escolas da rede pública também não mudaram. Faltam profissionais, faltam recursos financeiros e físicos, faltam testes, falta segurança. Neste cenário, sem vacina é chacina.

Nós, do CPERS, também não mudamos. A luta dos sindicatos é em defesa da escola pública, do direito à educação e por condições de trabalho e valorização profissional. Não fomos e não seremos cúmplices de um crime contra a humanidade.

Outros mudaram.

Convertidos em bolsonaristas tardios, Eduardo Leite, a Fundação Lemann, o Instituto Ayrton Senna e a imprensa hegemônica passaram a defender a abertura das escolas sem qualquer evidência ou vestígio de segurança.

Estes apologistas da morte ignoram o óbvio: a pandemia não está sob controle. Não há país no mundo que tenha retomado as atividades presenciais em condições semelhantes.

Vivemos em um estado e uma nação que desistiram de fazer o seu trabalho e passaram a responsabilizar pais e educadores(as) pela vida do seu povo.

Nós continuaremos fazendo o nosso trabalho, em segurança. Não pagaremos com nosso sangue pela incompetência dos que nos governam. Escolas fechadas, vidas preservadas.

Fora Bolsonaro e todo seu governo!

Professores são vagabundos

Se depender de nós, vagabundos, o ano não vai ser perdido,
porque improvisamos, com o que temos, em nossa casa.
Do governo, só cobrança, sem contrapartida.
Aliás, faz muitos anos que isso ocorre.
Continuamos sendo atacados
por não trabalharmos.


É mister que trabalhadores em educação sejam denominados vagabundos pois, mesmo recebendo há 5 anos o mesmo salário, e ainda parcelado, recentemente, impuseram uma lei que congela o mesmo por mais 5 anos. Vagabundos porque recebem pingado seu salário todo o mês, o mesmo de quando se pagava um quilo de banana R$ 0,99 que agora custa R$ 3,99. Vagabundos porque têm de sustentar a família vendo o gás de cozinha passar de R$ 37,00 para R$ 80,00, da gasolina de R$ 2,70,00 para R$ 4,70, ver o 5 quilos de arroz pular de R$ 8,00 para R$ 20,00 e ainda ter que engolir as estatística do governo argumentando que não há inflação.

O professor deve levar a vida errante, como diz a descrição de vagabundo no dicionário Aurélio, porque perde o sono por não ter o dinheiro para honrar seus compromissos, pois recebe pingado, enquanto o governo salva a vida não errante de banqueiros. E, se não quiser receber pingado, tem uma solução que ameniza o sono: vai ao banco e financia o seu próprio salário e arca com os juros abusivos do banco do próprio governo, que lucra em cima do funcionalismo.

O professor não trabalha. O professor nunca trabalhou, pois para projetos inovadores acontecerem nas escolas corre para a lojinha mais próxima da escola e compra o famoso TNT, que nem tecido é, mas faz acontecer. Mas para fazer bonito no dia da apresentação, a tinta para o rosto tem de ser de primeira para não provocar alergia no rosto dos estudantes; ele paga com seu dinheiro, isso tudo para fazer acontecer a educação.

O professor é acomodado. Isso todo mundo sabe. Faz seleção de mestrado e se vira como pode, se precisar passa até necessidade para se qualificar, pois a educação tem de ter qualidade, tem professor até doutor, pelo seu mérito, porque no plano de carreira está assegurado a dispensa para estudo. Só na lei, na prática é trabalhar e estudar sem nenhuma “regalia”.

Realmente, o professor não leva a sério seu trabalho. Se tem um evento, até da própria mantenedora, e ele necessita levar os alunos apresentar para fazer bonito, transporta os alunos em seu próprio carro. Se precisar, faz duas viagens e paga alimentação para os estudantes do seu próprio bolso.

Professor não trabalha. Ocupa-se das 60 horas na escola e em casa, se vira vendendo Avon, Natura, potes e até esfirra. E, quando um aluno que vem para o contra turno e não tem dinheiro para o almoço, o professor paga, nem que seja, um pastel, para não deixar frágil o projeto do turno integral que o governo implantou.

Oh, categoria sem compromisso! Quando o governo decide implantar as chamadas on-line. O professor que se espiche, se não tem um aparelho de celular que comporte o Aplicativo “Escola RS Professor”. Compre, parcele em 500 vezes. A internet é de seus dados móveis ou de sua rede de internet. Aguenta “boi de carga”, porque a educação tem de acontecer. Para mais tarde, o governo dizer que implantou. Que a educação evoluiu tecnologicamente. Mas às custas de quem?

“Professores são todos de esquerda”. Quando saem de madrugada, já quase sem força. Só a esperança no olhar. Embaixo de sol e chuva, para reivindicar o que é seu de direito. É de esquerda quando acha um ninho de pomba no pátio da escola, ensina os alunos a proteger a natureza. Faz projeto para conscientização do meio ambiente, enquanto a autoridade maior não está nem aí para as queimadas na Amazônia e no Pantanal. Aliás, a indícios que seja proposital acabar com “essa terra dos índios” que nem usam.

“Ficam em casa para não trabalhar”. Ah, a pandemia! É muito cômodo ficar em casa para não fazerem nada. Se não tiver um computador bom, compre. Se estragar o notebook, vire-se. Se sua internet não suportar aulas síncronas o problema é seu, dê um jeito de contratar outra mais potente. Se não domina determinadas tecnologias, aprenda. “É inadmissível perdemos o Ano Letivo”. (Detalhe: a conjugação desse verbo é autoral do discurso que ofende o professor)

“Ficam em casa e não trabalham”. São exigidos 3 planejamentos semanais: 1 para postar na sala da Coordenação, destinado a alunos sem acesso, 1 no drive da secretaria da Educação e outro para dar aulas síncronas. De 5 em 5 minutos, mais de 50 notificações e não importa a hora, você precisa dar retorno aos alunos. O grupo do whatsapp não para. E dá uma agonia, angústia, quando não damos conta de tantas coisas que nos são cobradas.

Realmente, nos damos conta que os profissionais da educação não trabalham: eles sobrevivem. Levam a educação brasileira nas costas. Porque projeto de governo não há para a educação. Há apenas uma exigência para que a educação ande às custas do próprio professor.

Se depender de nós, vagabundos, o ano não vai ser perdido, porque improvisamos, com o que temos, em nossa casa. Do governo, só cobrança, sem contrapartida. Aliás, faz muitos anos que isso ocorre. Mas continuamos sendo atacados por não trabalharmos. Será que denominação teria alguém que sempre ganhou altos salários há mais de 30 anos dizendo que estava trabalhando?

Em matéria publicada no site, professor Douglas Peretto, defendendo sua tese de que “matam os professores, aos poucos”, escreve, sobre sucesso e aceitação de sua reflexão: “acho que por abordar tema entalado na garganta de tantos profissionais da área. E também por tratá-lo de forma direta, mesclando linguagem formal e coloquial, usando emojis e até linguagem vulgar (no texto original tem um palavrão). O texto não deseja ser uma visão individual, mas uma voz daqueles que não aguentam mais serem colocados em caixas do pensamento”. Leia mais aqui.

“Estamos vivendo um novo luto?”

Publicado originalmente em Radis.

Radis conversou com a psicóloga Maria Helena Franco no dia exato em que ela completava três meses em casa — desde que começou a quarentena por conta da pandemia, havia saído à rua brevemente apenas quatro vezes. Cumprir o isolamento social não significa cruzar os braços para a grave situação que assola o país. Grande referência no tema da morte, inventou um mote que vem seguindo dia após dia: “Nós que podemos, devemos!” A fundadora do Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto (Lelu/PUC-SP) tem usado as tecnologias para amenizar a dor daqueles que tiveram a vida desordenada pela covid-19, com adoecimentos e perdas de parentes e amigos. Por meio do Instituto Maria Helena Franco de Psicologia, coordena um grupo de 20 psicólogos voluntários e oferece suporte emocional para quem está vivendo o trauma de mortes inesperadas. Também colabora com outras iniciativas parecidas, a exemplo da cartilha elaborada pelo Cepedes/Fiocruz sobre “processo de luto em contexto de covid-19”, da qual foi consultora. Em meio a inúmeras atividades, em um começo de noite de junho, concedeu esta entrevista sobre como viver o luto e a ausência dos rituais de despedida — ela também, a entrevista, uma espécie de acolhimento no momento em que o país extrapola o número de mil mortes por dia.

Pelo começo: o que é o luto? E que diferenças existem no luto experimentado em tempos de pandemia?

O luto é uma experiência natural que ocorre quando você tem um vínculo rompido. Quando você tem esse vínculo rompido, se inicia um processo de luto, que pode ter evidências facilmente detectáveis ou não. Você pode viver o luto no campo das emoções. Pode viver o luto no campo cognitivo — a pessoa pode ficar muito desatenta ou esquecer coisas. No campo da espiritualidade ou religiosidade, quanto ao significado da vida e da morte. E você pode também vivê-lo no campo social, quando se recolhe e não quer se aproximar de ninguém, por exemplo. O luto vai se expressar por todos esses âmbitos — geralmente, todos juntos e misturados. Agora, quando se pensa em contexto de covid, a gente está falando de contornos próprios. E uma pergunta que tenho me feito é: será que vem se desenhando um novo luto? Estamos vivendo um novo luto?

Por quê?

Porque tudo o que vem com esse tipo de morte compõe um jeito muito específico de luto. Ele reúne condições de outras formas de luto. Quando as pessoas vivem um luto, é muito comum a pergunta: Por que comigo? Por que em nossa família? Por que essa pessoa? No caso da covid-19, em que há muito fortemente a questão do contágio altíssimo, as pessoas têm se feito perguntas como: Será que contagiei alguém? Será que não higienizei direito as frutas? Será que não fiz isolamento e isso ocasionou a doença naquela pessoa? Como não pude evitar? No luto, a gente vê muito uma experiência, que denominamos de “reação do sobrevivente”, que é exatamente ilustrada por essa pergunta: Por que ela morreu e eu não morri? A reação do sobrevivente é muito encontrada em acidente na estrada. Por exemplo, o carro capota: o que aconteceu que a pessoa ao meu lado morreu e eu, não? Na covid, esse questionamento está muito presente. Se ele adoeceu por uma falha e foi por uma falha minha, eu vivo esse ressentimento de culpa. O que eu lhe digo: cada um desses recortes, aparece nos lutos sem ser por covid. Agora aqui, com a pandemia, a gente está encontrando eles juntos. Por isso, tenho pensando, que temos um novo luto. Além disso, essa construção de um significado passa muito pelos rituais e nesse momento há essa ausência dos rituais.

Como viver esse luto sem despedida ou rituais?

Adorei que você falou ‘como viver o luto’ em vez de ‘como superar o luto’. Porque o luto é para ser vivido. Não tem um by-pass que eu faça para chegar noutra fase. Ele não é um obstáculo a ser superado. Você precisa atravessá-lo, fazer questionamentos e, se não encontrar respostas, procurá-las de outro jeito. O que temos agora — e isso é muito específico de um momento de pandemia — é essa inexistência ou restrição dos rituais. Existe uma imposição sanitária e não podemos brincar com isso, é fato. Mas na ausência do ritual, você retira uma possibilidade importante de quem está vivendo o luto. O ritual permite que você honre a vida do morto. Ouvimos: ‘Fulano não merecia que tivesse tão pouca gente em sua despedida’. ‘Ele era muito querido. Se fosse em outra circunstância, muita gente estaria presente’. ‘Ele não merecia esse ritual asséptico, desprovido de emoção, desprovido de calor”, enfim. Os rituais são uma tradição, seja trazida pela cultura oral ou vicariante que oferece ao enlutado uma possibilidade muito importante de se reorganizar. Principalmente, diante dessas perguntas que a gente falou há pouco. O encontro do ritual é o lugar em que você pode abraçar outras pessoas que também estão fazendo essas perguntas. Podem até não ter uma resposta ali, mas estão juntos.

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E o que resta às famílias ‘atropeladas’ pela covid-19?  

A gente tem trabalhado muito com as possibilidades de rituais alternativos, criativos, intermediados pela tecnologia. É a mesma coisa? Não, não é. Mas, vamos para a página seguinte! Porque se a gente ficar nessa de “não é a mesma coisa”, a gente não segue adiante. A gente está vivendo muitos “nãos” agora. Acho importante irmos atrás do possível. Se for ficar no “não”, eu não saio do lugar. E se vou para o possível, de repente, pode acontecer algo. Então, é importante encontrar maneiras de engatar o “estamos juntos” e de estar com aqueles para quem eu não preciso contar nada, porque eles já sabem. Esse sentido de pertencer é muito importante para substituir o ritual do jeito que era.

Como o processo do luto não vivido pode agravar sofrimentos psíquicos? É possível dimensionar o que isso pode representar coletivamente?

Acho que posso te dizer de um sofrimento, de um luto, que talvez vá durar mais que a pandemia, porque ele é acrescido de mais mortes, de mais casos de pessoas conhecidas. Com esse número crescente, todo dia alguém fala de alguém conhecido que morreu por covid, isso vai chegando mais perto e tomando corpo. Porque eu ouvi aquela dor e ela se somou a esta e eu também posso estar diretamente afetado. Então, nós vamos ter um luto coletivo denso. Não sei medir isso. Quando digo que vai durar mais tempo que a pandemia é porque eu sei que ele vai necessitar de um tempo de elaboração maior.

Para concluir: o que essas perdas repentinas nos dizem da vida e da finitude?

Vou tomar emprestada uma fala do Mia Couto que ouvi ontem: A morte é como um umbigo [“A morte é como o umbigo: o quanto nela existe é a sua cicatriz, a lembrança de uma anterior existência”]. Ele diz isso para falar que ela é uma cicatriz que fica ali para dizer de uma outra vida que você teve antes daquela ruptura. É isso: a gente também não tem um luto sem ter uma cicatriz. Ela existe para lembrar que a gente viveu aquela dor. Mas essa cicatriz não tem que doer para sempre. Existe para nos lembrar que, ainda que a vida não seja mais como costumava ser, o vínculo com aqueles que perdemos permanece em um novo jeito de viver e em cada recomeço. (ACP)

Vida e propaganda!

O mundo midiático transforma nossos gostos
e preferências desde que estejamos propensos a
consumir seus produtos. Cabe torcermos para que
tenhamos discernimento para o consumo consciente
do que realmente é necessidade.



O mundo da propaganda conta com profissionais que criam peças absolutamente geniais. Algumas são obras de arte, outras têm conteúdo absolutamente arrebatador. Escrevem-se tratados acerca das consequências que a propaganda exerce sobre a sociedade tal a importância que ela tem na formação de consumidores. Quero tratar daquelas que nos comovem pelo conteúdo de apelo aos pais.

Refiro-me a duas que divulgam uma marca de fraldas. Os bebês falam com a mãe e pai de uma forma absolutamente verdadeira. Quem tem filhos entende a linguagem usada e as imagens comovem pela ternura retratada em cenas de carinho e cuidado plasticamente perfeitas.

Transportamo-nos aos nossos próprios bebês. Eles foram assim, frágeis, cheirosos e tão nossos. Sabíamos instintivamente do papel fundamental que o nosso amor teria, para que aquelas criaturinhas vingassem.

O turbilhão de sentimentos e responsabilidades, como a voz dos bebês da propaganda preconiza, transformaram-nos em homens e mulheres balbuciantes em torno de mamadas, de cheiradas gostosas, de “bilu-bilu” e “cadê o bebezinho da mamãe?”. Fomos transformados em seres focados naquela criaturinha que, subitamente, tornou-se o centro das nossas vidas.

Sabíamos que aquele estado de encantamento e exclusividade seria transformado em coisa real, quando teríamos que tomar decisões cruciais para o futuro da família. O susto e o medo entravam naquela relação encantada, para nunca mais sair. Do dia para a noite a maior missão da nossa vida estava no nosso colo. E nós fizemos tudo o que era preciso fazer, mesmo que hoje, à distância, tenhamos a sensação de não termos aproveitado tudo o que podíamos.

Por vezes, imaginamos nossos filhos crescidos e a trabalheira menor, o que nos fazia ansiosos para que crescessem. Mas quando dormiam, quando mamavam, quando sorriam, queríamos que tudo permanecesse assim, um ninho de amor, onde nós e nossos bebês nos misturávamos como mamíferos instintivos, plenos de felicidade e transformados em seres irracionais, dispostos a fazer tudo, tudo, tudo pela perpetuação daquela plenitude. E fazíamos, mas a vida real sempre batia na nossa porta.

Sofremos a cada doença, conseguimos varar noites sem dormir, beijamos dodóis milhares de vezes, consolamos e acolhemos. Mas eles cresceram e transformaram-se em seres exigentes, por vezes chatos, chorões, reclamões, mas tantas vezes ternos e sábios. Eles sempre sabiam como nos ganhar. Transformavam-se de uma hora pra outra de monstrinhos a filhotes chegados a beijos e abraços e pedidos de desculpa, com a maior cara de inocentes do mundo.

Mas eles cresceram ainda mais. Tornam-se adultos como nós. E sofrem e não cabem mais no nosso colo, nem no nosso ninho de proteção. De pais protetores, passamos a espectadores. Aprendemos a duras penas a observar e ficar à disposição para colos eventuais. Tornamo-nos velhos cuja principal tarefa é torcer para que a vida não seja muito dura com eles. E com nós!

Nossos bebês – como manda o figurino – encontram seus parceiros amorosos e tornam-se pais também. E tudo começa de novo, com o ingrediente de que, agora, não podemos mais defendê-los de nada. Só podemos estar aí! E estamos!

É impressionante como uma propaganda consegue transportar-nos para paragens tão verdadeiras. Concluo que somos movidos a consumir emocionalmente, tanto o que presta e o que não presta. O mundo midiático transforma nossos gostos e preferências desde que estejamos propensos a consumir seus produtos. Cabe torcermos para que tenhamos discernimento para o consumo consciente do que realmente é necessidade.

Mas preciso agradecer àquela fralda tão lindamente propagandeada, que trouxe de volta os meus rebentos, agora adultos, que foram amados e cuidados como deve ser. Com algumas falhas, é claro! Mas tivemos a melhor das intenções. E fizemos bonito!

Sueli é, avó, mãe, escritora, graduada em filosofia, membro da Escola de pais do Brasil, do coletivo de escritores e escritoras Sociedade dos Poetas Vivos (SPV) e da Academia Passofundense de Letras (APL). Ela é apresentadora do programa Literatura Local na TV Câmara, uma parceria da APL com a Prefeitura Municipal de Passo Fundo (RS). A Convidada Especial do Bloco Papo de Gente Grande nessa edição do Projeto Mulheres na Literatura é a escritora Sueli Gehlen Frosi, que divide conosco como está resistindo a esse período delicado de pandemia e como a literatura está sendo relevante nesse momento.

Como resolver o negacionismo?

Os negacionistas radicais, os que repetiram
o discurso de Bolsonaro, que defenderam a
cloroquina em vez da vacina, esses deveriam
se antecipar e dizer: eu não quero ser vacinado.


Duas ideias para resolver as controvérsias em torno de quem nega a pandemia, nega medidas coletivas de proteção contra o coronavírus, nega a importância da vacina e se dedica a exaltar farsas e milagres bolsonarianos como o da cloroquina.

Imunidade de rebanho

A primeira ideia é essa e envolve convicção, engajamento e capacidade de entretenimento. Enquanto a vacina não chega, os negacionistas seriam encerrados voluntariamente, por algum tempo, em áreas escolhidas.

As áreas poderiam ser parques, praias, casas de festas, estádios de futebol. O negacionista entra sem máscara, faz uma declaração de que é uma adesão voluntária e se integra a outros negacionistas.

Lá dentro, cada um faria o que bem entendesse. Poderia beber, namorar, praticar esportes, tomar chimarrão, fazer rodas de conversa sobre a Terra plana, sempre sabendo que aquele é um reduto fechado e só com negacionistas.

Claro que somente seriam aceitos adultos. Eles ficariam ali por pelo menos quatro semanas, duas semanas além do tempo suficiente para que fosse vencido o período de incubação do vírus.

Seria uma espécie de Big Brother do negacionismo. As áreas teriam infraestrutura, banheiros, refeições e pessoal de apoio, que faria as vezes do suporte de saúde.

Sim, porque todos os infectados seriam tratados ali dentro, ou não teria sentido pregar o negacionismo e, quando doente, procurar socorro em hospitais com profissionais que correm riscos para salvar vidas.

O negacionista que desrespeita o trabalho heroico de médicos, enfermeiros e profissionais de saúde tem que ser valente.

E os que fossem morrendo? Seriam sepultados no entorno, em covas abertas nas proximidades. Em buracos semelhantes às covas coletivas para os pobres infectados, que estão sendo abertas desde março.

O negacionista não tem o direito de achar que pode infectar e ser infectado e dispor de todo o suporte que despreza. Nem os cemitérios estariam à disposição dos negacionistas.

Para que houvesse rodízio, uma turma de negacionistas entraria nos locais determinados. Ao final das quatro semanas, sairiam os sobreviventes. E uma nova turma assumiria as vagas deixadas, até que se completasse, pelo negacionismo, a imunidade de rebanho.

No fim da fila

A segunda ideia envolve a vacinação. A Organização Mundial da Saúde já tem protocolos preliminares para estabelecer prioridades na imunização, quando a vacina russa estiver pronta (ou alguém acha que a primeira vacina não será russa?).

Claro que os primeiros serão os profissionais de saúde, os idosos, os que têm doenças crônicas, as crianças e os adolescentes. Depois virão os outros. E bem no fim seriam vacinados os negacionistas, se sobrar vacina russa.

Os negacionistas precisam ter a ‘dignidade’ de assumir o negacionismo e admitir que devem ficar nos últimos lugares da fila de vacinação.

O negacionista covarde, que passou todo o tempo debochando dos mortos, desafiando isolamentos, recusando o usa de máscara e anunciando que a vacina é uma bobagem, esse deve esperar.

Os negacionistas radicais, os que repetiram o discurso de Bolsonaro, que defenderam a cloroquina em vez da vacina, esses deveriam se antecipar e dizer: eu não quero ser vacinado.

E assim tudo estaria resolvido.

Coluna originalmente publicada em blog do autor.

As estações se repetem na linguagem

Achei uma metáfora capaz de
definir o cotidiano escolar.
As alegrias se repetem.
Repetem-se sem que as esperássemos,
porque isso é da nossa essência.


Como as estações se repetem! Como é bom sentir o frio do inverno depois de ter vivenciado o calor do verão?! Que sensação brilhante, perfumada e alegre, ao nos darmos conta que a primavera chegou, depois de ter presenciado a caída das folhas no outono e o frio congelante do inverno.

As estações se repetem, é verdade! A primavera é vivenciada muitas vezes em uma única vida. Essa sensação nos renova. Por que estou falando tudo isso?  É lógico que achei uma metáfora capaz de definir o cotidiano escolar. As alegrias se repetem. Repetem-se sem que as esperássemos, porque isso é da nossa essência. A alma se alimenta e o coração se enche da mesma forma quando vimos um ipê florido encantar os olhos.

Estava trabalhando sobre linguagem escrita, quando novamente, fui surpreendido, por sinal numa turma bem bacana, a mesma onde, em outra semana, um aluno me questionou e me deixou boquiaberto pelo questionamento que me fez sobre a escrita e a mudança da postura nessa linguagem.

Por que existe aula de língua portuguesa na escola? Esteja certo que não é para ensinar a língua, pois o aluno já sabe. Ela deve servir para refletir o seu uso. Leia mais aqui.

Por isso, as estações se repetem. E que bom que elas nos tiram da mesmice do calor, para o frio, da planta sem cor para o colorido que nos encanta. A alegria em trabalhar com a linguagem se repete.

É como quando estamos num país diferente e já aproveitamos o máximo e vem a vontade de regressar. Quando o avião aterrissa em solo brasileiro e o ouvimos novamente o som da língua materna. Isso toca as profundezas da alma, os olhos se enchem de emoção. E que bom que possamos voltar. E que bom que a primavera retorna. E que bom que a alegria em ensinar nos enche de orgulho.

Pois bem, era 16h20min, sendo que a aula terminaria às 16h35min, a alegria paira nesta aula sobre a pergunta de um aluno chamado Gabriel: – Professor, quando uma palavra, origina de outra língua (inglês, por exemplo) ela é adaptada e conjugada com as regras da língua portuguesa, como por exemplo, a palavra “bugada”, do inglês BUG, que significa erro, defeito, incomodar, irritar alguém? Isso seria apenas uma gíria ou o quê?

Eu logo falei a ele e para a turma que é comum na história a evolução das línguas, quando uma palavra vem de outra língua e ela é agregada na língua portuguesa ela passa a operar segundo as regras da língua que a recebe. Exemplo: a palavra “delete” do inglês, recebe as desinências verbais e nominais da língua portuguesa, recebe desinências de tempo, pessoa e número da nossa língua: deletAR, deletAVA, deletADO…

Percebi que os alunos, quando incentivados a refletir sobre a sua língua, respondem ao estímulo dado. Por isso, ainda bem, temos primaveras mesmo em meio a tempos de inverno rigoroso. Por isso, também, sou um entusiasta do estudo e da compreensão da nossa língua portuguesa.

Em outra reflexão escrevemos: “neste processo de reinvenção começamos a mandar atividades “às escuras” para nossos alunos. Ficamos desolados porque não recebíamos o eco esperado, pairava o silêncio. Estou falando da minha experiência de educador há mais de 26 anos e que sou apaixonado por educar. Não ouvir o som de retorno, nos deixa muito desolados, inquietos, desesperados e tristes”. Leia mais aqui.

Não era pra ser assim!

– Não era pra ser assim!

Minha resposta para quando me perguntam como estou nesse isolamento…

Eu queria estar escrevendo no quadro e fazendo piadas sobre o conteúdo para meus alunos. Não arrumando meu celular em uma instalação mal ajeitada para gravar um vídeo.

Eu queria ouvir o sinal e correr para sala com copo de café pela metade. Não esperar a hora da videoconferência olhando para a tela fria do computador.

Eu queria poder brigar por silêncio e dizer “chega de conversa aí no fundão”. Não colocar mudo nos microfones dos alunos antes de falar.

Eu queria poder ouvir um desabafo na sala dos professores, porque as turmas estão agitadas. Não uma ligação de um colega professor com crise de ansiedade porque não está dando conta dessa loucura que virou nossa vida de “YouTubers” improvisados.

Eu queria ouvir meu aluno inventando desculpas esfarrapadas sobre o tema não feito, como “o cachorro comeu”. Não dizendo dificuldades reais, como sua internet limitada, aparelho antigo e ter somente um computador em casa (usado por todos da família).

Eu queria alunos faltando aula porque o despertador não tocou ou porque tinham uma viagem legal com a família. Não alunos que não assistem às aulas virtuais porque seus pais estão com medo e a família está isolada em uma casa no interior.

Eu queria ouvir “explica de novo, prô João, porque eu não entendi”. Não ter que responder cargas e cargas de e-mails dos alunos e pais pedindo explicações das atividades.

Eu queria poder chegar à mesa daquele aluno tímido que estava com uma cara triste e dizer “você precisa de ajuda, estou aqui”. Não queria passar essa carga aos pais desse aluno que muitas vezes não sabem como ajudar.

Eu não queria famílias preocupadas.

Eu não queria colegas professores sobrecarregados e desgastados.

Eu não queria ter essa incerteza se meu aluno está ou não aprendendo.

Eu só queria poder ser recebido com um abraço na porta da sala de aula

Porque lá é nosso lugar.

Vou dar o meu melhor nessas atividades à distância! Meus alunos merecem! Mas meu semblante nas videoaulas não terá a mesma alegria de quando estou na escola. Nosso rosto mostra onde queremos estar!

Não era pra ser assim e estamos sofrendo. E não foi uma escolha, foi nossa única opção.

Alunos, famílias e corajosos amigos professores, ISSO VAI PASSAR.

Estamos fazendo nosso melhor. E vamos sair dessa, juntos e mais fortes. Porque educação de qualidade sempre será nossa bandeira.

Fique em casa, mas valorize o professor e a escola.

Valorize a educação!

Desabafo de um professor.





João Ricardo Santos
(Tem mestrado e graduação em Letras, pela Universidade de Passo Fundo – UPF/RS. Além de especialização em Ciências da Linguagem e Ensino de Línguas Clássicas, pela Universidade do Porto, em Portugal. Atualmente, é professor e assessor pedagógico na rede privada de Passo Fundo. Faz parte do grupo de pesquisa “Inovações Metodológicas na Educação Básica” no PPGL – UPF. Também atende toda a região sul do Brasil, pela SM Educação, assessorando, por meio de palestras, oficinas e cursos de formação de professores, as escolas conveniadas dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná).

Para quê escrever?

Escrever é, assim, algo meio sem lógica.
Mas, escrever é um exercício de dar lógica às ideias,
em qualquer estilo de escrita que seja.


Eis que, num repente, fui assaltado pela necessidade de escrever. E de escrever sobre as razões, o ato e o significado da escrita.

Lembro muito bem do tempo em que escrever era tido como uma atividade para iluminados. A primeira vez que me aproximei de um escritor de livro fiz reverência como se fosse um supra-humano. Na minha cabeça, uma pessoa que escrevia e publicava livros merecia um respeito adicional porque carregava em si um dom incomum. Uma habilidade reservada a poucos, ou seja, a quem fosse capaz de se transcender pelas ideias bem formuladas.

Agora as coisas já não são bem assim. Os tempos são outros.

Todos escrevem (ou quase todos), sobre muitos temas e muitos o fazem de qualquer jeito. Não que isso não seja um direito, talvez até uma necessidade. Afinal de contas, todos têm o que dizer, mesmo que seja só repetir o que os outros falam, apenas pela necessidade de mostrar que existem. Porém, há escritas que ferem de morte as regras básicas da língua. E mais do que isso: atentam contra o bom senso, o respeito ao diferente e ao divergente.

Defendo que todos escrevam como conseguem, mesmo porque, infelizmente, a grande maioria neste país não escreve melhor em função de que o direito à educação mais ampla e de qualidade ainda segue restrito. Defendo também que todos têm o direito de expressão, contanto que aquilo que dizem ou escrevem não agrida a identidade e a dignidade de outrem.

Lembremos que “verba volant, scripta manent” (as palavras voam, os escritos permanecem). Embora hoje se possa “deletar” com facilidade o que se escreve, não esqueçamos que, antes de apagar, outros já podem ter feito “print”.

Uma vez lançadas, as palavras vão produzir seu efeito, mesmo que se procure “recolhê-las” ou desdizê-las.  Isso sem falar daquilo que é dito ou escrito sem ser verdade, sendo meia-verdade (que é sempre meia-mentira) ou omissão total da verdade, apenas por conveniência. E, como se diz comumente, uma mentira dita ou escrita muitas vezes passa a parecer uma verdade, mas nunca a será verdadeiramente.

Voltemos à escrita.

Essa é uma arte. Ser escritor ou escritora é ser artista. É diferente de ser escrevente, plagiante, copiante e colante. Escrever é um exercício que exige paciência, ambiente e concentração. Também requer muito trabalho e alguma inspiração.

Há certos textos que precisam ser escritos por alguma determinação externa ou mesmo interna, muitas vezes nascem como que em parto revestido de muita dor. Outros, exigem de quem escreve que largue o que está fazendo e corra para dar-lhes vazão porque, do contrário, nascem “dentro da ambulância”. Aí é mais prazeroso do que doloroso.

Escrever é, assim, algo meio sem lógica. Mas, escrever é um exercício de dar lógica às ideias, em qualquer estilo de escrita que seja.

Dizem que Deus escreve reto por linhas tortas. E muitos há que entendem isso lendo as Escrituras Sagradas, mesmo que essas palavras não estejam literalmente em qualquer de suas páginas. Daí que, se escrever é uma arte nobre (quase divina) no rol das linguagens, interpretar o que está escrito é irmã gêmea desta arte primeira.

Escrever não é só pôr no papel e nas telas em sentido amplo, mas também inscrever na alma e na mente, no coração e na razão de quem escreve e de quem lê e interpreta. Portanto, trata-se de um ato que pode ser criador ou destruidor.

Escrever, ler e interpretar são ações ambivalentes. Daí a responsabilidade de quem escreve ou fala, pois, como ensina o velho provérbio: “palavras ditas não voltam”.

Escrever quase sempre implica um ato posterior, ou até simultâneo, consubstanciado no ato de publicar, mesmo que seja para uma única pessoa ler. Dificilmente escrevemos para nós próprios e guardamos a “sete chaves”. Na publicação está a razão e o prazer de escrever. Escreve-se para publicar. E mais, para que alguém leia. Se gostarem e elogiarem, é ainda melhor.

Que triste quando ninguém lê ou, mesmo lendo, não “curte”. Mas a curtição depende do sentido ou não do que se escreve para quem lê. Vale aqui lembrar o que outrora escreveu Bertolt Brecht: “Um homem que tenha algo a dizer e não encontre ouvintes está em má situação. Mas, estão em pior situação ainda os ouvintes que não encontrem quem tenha algo a dizer-lhes”.

A gente escreve a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os demais, para denunciar o que dói e compartilhar o que dá alegria. A gente escreve contra a própria solidão e a dos outros. A gente supõe que a literatura transmite conhecimento e atua sobre a linguagem e a conduta de quem a recebe; que ajuda a nos conhecermos para nos salvarmos juntos… A gente escreve, em realidade, para a pessoa com cuja sorte ou má sorte nós nos sentimos identificados, os maldormidos, os rebeldes e os humilhados desta terra, e a maioria deles não sabe ler”. (Eduardo Galeano. Em defesa da palavra)





Sobre o que formulamos e a maneira como o fazemos retratam nossa identidade cultural e epistêmica. O que escrevemos, o que falamos ou apenas insinuamos, revelam nosso lugar social. Em geral falamos desde onde nossos “pés” pisam, embora não seja incomum falsearmos pisadas, ainda mais nesses tempos de pós-verdade, com suas abundantes e perniciosas fake news.

Neste tempo, permeado de “temporais”, escrever é um ato de sobrevivência, de resistência, de persistência e também de desobediência às subserviências.

À pergunta “por que escrevo?”, no livro “Ofício de Escrever”, Frei Betto, entre outras razões, afirma: “escrevo para sublimar minha pulsão e dar forma e voz à babel que me povoa interiormente”. Eu também! E para tentar organizar dentro de mim a babel que nos envolve! (08.07.20)

Música e educação: integração que realiza Michael Pedrotti

Michael Pedrotti é um jovem que entrou no mundo da arte ainda bem menino. Levado por seu pai a um curso de teclado, quando desejava muito brincar e jogar bola, foi descobrindo a música como essência de sua realização.

Nasceu em Ernestina, uma pequena cidade ao norte do RS, bem pertinho de Passo Fundo. Começou, como a maioria dos artistas, tocando em pequenos eventos de escola e da comunidade em que vivia.

Pedrotti já fez experiências com algumas bandas, umas mais caseiras, outras mais profissionais, sempre fazendo o que mais gostava: tocar. No retorno à terra natal, passou a cursar Música, na UPF (Universidade de Passo Fundo). Desde então, vem se engajando em bandas e projetos educacionais que envolvem a música, ou a musicalização.

Conheçamos Michael Pedrotti, por ele mesmo.

***

SITE NEIPIES: Como e quando descobriste a vontade de fazer música e viver dela?

Michael Pedrotti: Na minha casa sempre se ouviu muita música, sem se prender a estilos ou a clássicos, mas sim totalmente influenciados pelas músicas que na época tocavam nas rádios.

Fui me interessar profundamente pela música, quando conheci os instrumentos musicais. Tínhamos um pequeno teclado em casa, e meu pai, apesar de não saber tocar, estava sempre brincando com o instrumento, e isso inconscientemente, me despertou interesse em aprender a tocar. Quando eu tinha 11 anos meu pai me levou a uma aula de teclado. Fui, mas muito contrariado, pois como a maioria das crianças dessa idade, queria jogar bola, brincar de outras coisas. Mas a partir da segunda aula de teclado, tomei gosto. Logo contava os dias para a próxima. A partir daí me despertou interesse por outros instrumentos também.

Mas até aí não tinha pensado em viver disso.

Muito tempo depois, já com 15 anos de idade, montei minha primeira banda com a ajuda dos amigos. Ensaiávamos muito e logo começamos fazer pequenas apresentações na cidade e, com isso, começaram a vir os primeiros cachês.

Como morava em uma cidade pequena, Ernestina, eram raras as apresentações, então decidimos procurar uma cidade maior. Logo após me formar no segundo grau, fomos para litoral catarinense.

Passamos por um momento difícil, de aceitação. Mas depois de muita insistência, conseguimos entrar no circuito de bares noturnos acumulando muitas apresentações. Além de tocar na noite, comecei a dar aulas de violão, e isso me deu um suporte financeiro ainda maior, percebendo assim que se mergulhasse de vez nesse mundo poderia viver disso.

SITE NEIPIES: Tiveste interessantes experiências com Bandas de Rock. Qual foi e qual ainda é o maior desafio para um grupo de adolescentes ou jovens que quer fazer boa música?

Michael Pedrotti: Primeiro grande desafio é tocar um instrumento musical de forma satisfatória, buscando não apenas o conhecimento teórico mas prático, mantendo sempre contato e troca de experiências com outros músicos, almejando sempre sua própria sonoridade.

SITE NEIPIES: A partir de qual momento passaste a perceber o teu potencial de voz e violão?

Michael Pedrotti: Quando estava aprendendo a tocar violão e guitarra montei minha primeira banda com a ajuda de amigos. Como não tínhamos vocalista comecei a me arriscar nos vocais durante os ensaios, mas claro que provisoriamente, pois achávamos que encontraríamos um vocalista num curto espaço de tempo, mas isso não aconteceu, e o provisório perdurou. Logo percebi que se me dedicasse poderia assumir definitivamente esse posto na banda além da guitarra.

Quando chegamos no litoral catarinense(Banda) nos deparamos com a difícil realidade de conseguir lugares para tocar, pois poucos bares e casas noturnas tinham espaço para bandas. E me chamou atenção que a maioria desses bares adotavam a prática de músicos solos (voz e violão). Como estava difícil nossa situação financeira como banda pela escassez de shows, surgiu a ideia de eu tentar esse novo formato de apresentação (voz e violão) para que conseguíssemos nos manter financeiramente até entrar no circuito com a banda.

Dessa forma fui apresentado a esse novo formato de apresentação, no qual tomei gosto e faço até hoje.

SITE NEIPIES: Qual foi a importância do Curso de Bacharelado em violão na consolidação de tua formação como músico?

Michael Pedrotti: O primeiro método de violão que estudei foi “os amigos”. Catando uma informação aqui, outra ali, fui montando meu conhecimento no violão. Só mais tarde fui ter aulas com professores e me aprofundar mais no conhecimento teórico e técnico.

A troca de informações e a experiência de tocar com outros músicos me acrescentaram um conhecimento e uma bagagem musical imensa.

Mas num determinado momento senti a necessidade de estudar algo novo, expandir meus conhecimentos no instrumento. A ocasião me trouxe pro Rio Grande do Sul novamente e descobri o curso de Bacharelado em violão da UPF, onde me matriculei.

Foi uma experiência incrível, pois minha formação até o momento era extremamente popular e o violão erudito me acrescentou muito em termos técnicos e disciplinares. E essa ligação do mundo erudito com o popular me fez crescer imensamente como músico.

SITE NEIPIES: Conte-nos como foi tua primeira experiência unindo educação e música?

Michael Pedrotti:  Minha primeira experiência foi extremamente prazerosa mas também um pouco curiosa.  Comecei a estudar licenciatura em música atrás de novos conhecimentos, mas logo vi que esse curso não era o que eu estava esperando no momento, pois não conseguia me imaginar dentro de uma sala ministrando aulas e acabei trocando o curso e me matriculando em bacharelado em violão.

Num certo dia recebi a ligação de um amigo de um amigo, falando que tinha uma vaga numa determinada escola para professor de musicalização infantil, mas era preciso começar imediatamente. No primeiro momento me assustei com a situação, pois nem licenciatura estava estudando. Primeiramente me opus a proposta mas depois de muita conversa e insistência aceitei o desafio.

O primeiro dia foi um pouco tenso pois minha inexperiência estava a mostra. Para aumentar minha ansiedade descobri que no mesmo dia eu teria aula com várias turmas, sendo do pré até o quinto ano e essa disparidade de idade entre os alunos me assustou ainda mais, por exigir diferentes abordagens de ensino.

Mas toda essa ansiedade e preocupação se acabou quando entrei na sala de aula, onde nessa primeira experiência, levando apenas meu violão consegui me adaptar muito bem, e essa troca com os alunos me atraiu imensamente, fazendo me apaixonar instantaneamente por essa prática tão maravilhosa que é a docência.

Após isso, voltei a estudar licenciatura em música na qual sou formado pela UPF, e até hoje trabalho com musicalização infantil.

Fotos: Divulgação/arquivo pessoal




SITE NEIPIES: Voltando à tua terra natal, hoje te realiza poder usar teu talento e tuas experiências de música e arte através da musicalização. Qual é a importância da musicalização na formação integral de uma criança ou adolescente?

Michael Pedrotti:  Já faz alguns anos que moro em Passo Fundo, porém sou de uma pequena cidade do norte do estado chamada Ernestina.

Trabalhei e trabalho com musicalização infantil em diversas cidades da região, porém só nesse ano de 2020 essa pratica foi adotada nas escolas municipais de Ernestina. Por ser uma cidade vizinha a Passo Fundo e por eu ter um grande vínculo com esse município resolvi fazer o processo seletivo no qual consegui a vaga.

Está sendo um momento especial pra mim, pois depois de um longo período longe da cidade, estudando, trabalhando, enfim, crescendo como músico, professor, pessoa, poder voltar trazendo toda essa bagagem comigo e poder trabalhar com musicalização com as crianças é fantástico. Outro ponto importante que torna esse momento especial é o fato de que sou o primeiro professor de musicalização da cidade, pois essa pratica só foi aderida nesse ano. Então depois de ter saído da cidade atrás de meu sonho de viver dessa arte (música) onde muitas pessoas na época desacreditavam, voltar como professor me traz uma satisfação imensa.

O ensino de musicalização nas escolas é de suma importância para o desenvolvimento da criança, pois além do conhecimento técnico, prático e teórico, há muitos outros benefícios que já nos foram apresentados em estudos importantes. Mas em meu ver, um dos aspectos mais importantes nesse desenvolvimento da criança através das aulas de musicalização infantil, é o companheirismo, o precisar do outro, o respeito ao próximo, o compartilhar, a paciência, a união, a importância do outro.  Isso tudo está inserido nas aulas de musicalização, onde todos esses aspectos são trabalhados de forma conjunta. Esses benefícios para o desenvolver da criança pode ser percebido a curto prazo, na própria escola, em casa, enfim, se reflete na sociedade.

SITE NEIPIES: Qual é o papel que a música e a arte podem desempenhar para a gente levar uma vida mais leve, livre e solta, ainda mais em tempos de pandemia e isolamento social?

Michael Pedrotti:  Tem um papel fundamental, pois a arte tem o poder de despertar sentimentos diversos nas pessoas, e ainda através dela conseguimos entender, captar, o que está se passando no momento atual, além de conseguir reviver momentos, através das lembranças que uma música por exemplo pode despertar, sentir cheiros, sabores, enfim, a arte nos leva por um passeio por diferentes lugares, muitos desses ainda não visitados por nós. E esse entendimento que a arte nos proporciona nos faz enfrentar os dias atuais com mais serenidade.

SITE NEIPIES: Como avalias a vida dos artistas e dos músicos, neste período em que eventos públicos estão proibidos?

Michael Pedrotti:  Os artistas nunca tiveram um vida fácil, mas nesse momento se agravou os problemas já existentes e também vieram à tona outros que ainda estamos aprendendo a resolver.

Mas como a maioria das pessoas, nós artistas, estamos tendo que viver com essa difícil realidade e tendo que se reinventar. Estamos procurando opções e maneiras de levar nossa arte até as pessoas, pois o artista vive de aplausos, vive do despertar de sonhos nas pessoas, então além da necessidade financeira temos a necessidade desse contato com o público. Com isso cada um vai encontrando maneiras diversas de manter esse contato mesmo à distância, e a internet está sendo um aliado muito importante nessa ligação artista-público.

SITE NEIPIES: Na tua visão, por que ainda não implantamos no Brasil a disciplina ou o Conhecimento de Música nas escolas?

Michael Pedrotti:  A arte no Brasil sempre foi marginalizada, sempre tratada ou pensada como algo não essencial na nossa sociedade, quando comparada com outras áreas de atuação mais diretas.

Apesar dessa ideia estar impregnada em nossa sociedade, o ensino de música nas escolas está começando a se desenvolver, caminhando a passos lentos é claro, mas está caminhando. Pois esse assunto era pouco falado a um tempo atrás e hoje muitas escolas dessa região já aderiram e estão aderindo o ensino de música na educação infantil, principalmente as escolas municipais.

Os municípios e as escolas que aderiram essa prática de ensino mantém ela, pois os benefícios que ela traz se reflete a curto prazo na comunidade.

Posso usar como exemplo minha cidade natal Ernestina, que nunca tinha se pensado em aulas de musicalização infantil e nesse ano de 2020 foi implantado o ensino em todas as escolas municipais da cidade.

SITE NEIPIES: Fale-nos também dos teus projetos atuais e aqueles que projetas para o futuro.

Michael Pedrotti:  Iniciei 2020 com muitas ideias que seriam postas em prática durante esse ano, entre elas estavam o “Grupo de percussão Bahtuca” da cidade de Barão de Cotegipe, Grupo de música da Escola Herculino Baldissarela da cidade de Ronda Alta, iria assumir como professor de música no Cras em Ernestina.

Iniciamos um grupo de violão também na cidade de Ernestina, grupo esse que já tinha aproximadamente 20 integrantes de diversas idades, além de estar planejando mais uma viagem pela américa latina levando a música brasileira e pesquisando a cultura de outros países, e também produzindo músicas autorais visando diversos festivais desse segmento. Mas a grande maioria desses projetos foram interrompidos pelo fato de sermos atingidos por essa pandemia.

As aulas de musicalização infantil de Ernestina foram mantidas, a distância, de maneira on-line, e nesse momento estou focando minhas ideias, minhas energias, meu comprometimento com essa nova maneira de ministrar aulas, pelo fato de ser algo novo não só para os alunos mas para os professores, exigindo todo um planejamento diferenciado, novas técnicas de ensino, para que os alunos sejam atingidos de uma maneira satisfatória com o conhecimento de musicalização.

Estou esperançoso que esse momento difícil de pandemia acabe logo, para poder colocar em prática todos esses projetos novamente, e muitos outros que estão por vir.

Durante esse período de isolamento social, também estou desenvolvendo novos projetos, direcionados a musicalização infantil, como meu 2º disco de músicas infantis, além de um projeto de contação de histórias onde a música e os instrumentos musicais serão o fio condutor.

Também estou aproveitando esse período para compor.

Estou participando de um projeto de Lives solidárias com a banda Diletantes, onde uma vez por mês nos reunimos para levar nossa arte até a casa das pessoas.

Estou também aproveitando esse momento para colocar os estudos em dia me preparando ao máximo para que quando essa pandemia passar poder voltar com força total para a vida de professor e artista.

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