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NÃO ao retorno das aulas presenciais no RS

Professor denuncia falta de condições objetivas e razoabilidade para que retorno às aulas aconteça de forma segura e responsável a todos os que estão envolvidos com a escola: os professores e professoras, funcionários e funcionárias de escolas, os estudantes, os pais e mães, os familiares e toda comunidade das nossas cidades.


Douglas Pereto, professor da rede estadual do RS, usa uma linguagem direta e coloquial nas suas manifestações sobre as condições do magistério público estadual. Sempre surpreendente e contundente, o professor Douglas traz à realidade à tona de um jeito genuíno e peculiar.

Com o magistério público estadual novamente no “front” da polêmica volta às aulas presenciais, no contexto da Pandemia, Pereto não se exime e produz um importante e brilhante vídeo que repercute em todo o Estado do RS, principalmente entre os professores e estudantes.

Neste vídeo, publicado nas suas redes sociais, denuncia a falta de condições objetivas para que este retorno aconteça de forma segura e responsável a todos os que estão envolvidos com a escola: os professores e professoras, funcionários e funcionárias de escolas, os estudantes, os pais e mães, os familiares e toda comunidade das nossas cidades.

Confira o vídeo clicando aqui e tire as suas próprias conclusões.

Uma das maiores críticas feitas ao governo do Estado do RS é que as medidas que vêm sendo adotadas, inclusive o anúncio das aulas presenciais no mês de outubro de 2020, são realizadas sem prévia consulta aos maiores interessados nelas: os professores e estudantes. Ou, quando levantamentos são feitos, seus resultados são completamente desconsiderados nas decisões que vem sendo tomadas no enfrentamento à Covid 19.

 Em outras duas publicações de grande repercussão no site, com suas provocações, Douglas Pereto trouxe à luz dos leitores a dramaticidade e a situação delicada em que vive o magistério público estadual, em período recente.

Em sua primeira publicação de maior repercussão, Peretto afirma: 

“Sou professor da rede pública estadual há 18 anos. A cada governo, implementam um novo modo de ver a educação. Nenhum tem sequência: conceitos, seminários, preparação para o trabalho. 

Todo mundo quer palpitar na nossa profissão de uma maneira absurda como não vejo em mais nenhuma. Ninguém diz para advogados, engenheiros, médicos, como eles devem trabalhar, o que devem ler ou como conduzir suas rotinas. A cada ano, mais arrocho, perda de poder aquisitivo, salários atrasados, parcelados, mais regulamentações, falta de profissionais melhor qualificados pois não há concurso. A pressão psicológica sobre quem precisa de tranquilidade para formar os ditos cidadãos do futuro do país não chega às escolas: nas redes sociais, na mídia, tudo é vomitado contra nós”.  Leia mais aqui.

Na segunda publicação, uma entrevista onde Douglas Pereto explica e aprofunda os temas abordados no artigo “Matam os professores aos poucos”.

PERETO: Busquei inspiração nos poemas de Mario Quintana, “Rua dos Cataventos” e Affonso Romano de Sant”Anna, “A primeira vez que entendi”. No texto, segui com Ésquilo e seu “Prometeu”, para evidenciar a dilapidação da carreira do magistério. Acho que por abordar tema entalado na garganta de tantos profissionais da área. E também por tratá-lo de forma direta, mesclando linguagem formal e coloquial, usando emojis e até linguagem vulgar (no texto original tem um palavrão). O texto não deseja ser uma visão individual, mas uma voz daqueles que não aguentam mais serem colocados em caixas do pensamento”.  Leia mais aqui.


Lute hoje contra o luto amanhã
Não troque um futuro seguro por uma ilusão de normalidade no presente. Não carregue esta culpa para o resto da vida.
Lute hoje contra o luto amanhã.
#EscolasFechadasVidasPreservadas
Veja mais aqui.

Somos manipulados nas redes sociais

Adoecer por manipulação só é factível a quem estiver cego para a realidade, e a cura lhes custará um alto preço. Mantenha-se saudável, converse mais e pessoalmente, brinque, caminhe, desligue-se um pouco da tecnologia.

Você já percebeu quantos aplicativos ao serem baixados pedem para acessar seu arquivo de fotos ou para ter sua localização? Ou então, que após pesquisar preços de webcam pelo google, estará recebendo nos próximos dias uma overdose de imagens e de preços desses produtos nos baners das telas que abrir?

Dia destes, um amigo indicou-me para assistir pelo Netflix o documentário “O dilema das redes”, onde engenheiros, programadores, e ex-colaboradores de Facebook, Google, Instagram, Twiter & Cia fazem relatos de suas criações para tais redes, a maioria em tom de arrependimento. A unanimidade é a de que estas ferramentas vieram para ficar, mesmo que após seu apogeu venham a ser substituídas, o que já aconteceu com Orkut, Friendster, iTunes Ping e outras redes pioneiras.

É estarrecedor ouvir no documentário que aqueles que pensam estar utilizando a rede (os usuários) são na verdade os “usados”, vendidos por centavos como mercadoria para o comércio virtual.

Fiz um teste: pedi para um adolescente buscar no Google a palavra “anime” – desenho animado japonês – enquanto que ao seu lado eu buscava a mesma palavra no mesmo Google. O resultado foi que, enquanto que para mim os sites referidos eram mais didáticos sobre o tema, para o adolescente (fã em assistir tais desenhos), o que mais apareciam eram sites vendendo animes. O Google reconheceu o perfil da conta do adolescente e colocou à sua frente o que lhe interessava, vender. Se você fizer o mesmo no Facebook, o feed que aparecerá em seu aparelho não será o mesmo de quem estiver ao seu lado pesquisando o mesmo assunto.

Voltando ao documentário, nele, o tema gira sobre o quanto tais redes – que paradoxalmente serviriam para reunir – acabam por dividir e polarizar desde condomínios a nações! Também sobre o quanto em tempos de pandemia estas serviram-se para espalhar e polemizar mentiras e desinformações, chegando ao ponto de, no Twiter, uma fake news espalhar-se seis vezes mais rapidamente do que uma verdadeira notícia.

Trazendo para o contexto da psicologia, muito mal estar é gerado a partir do uso desmedido destas ferramentas.

Discursos de ódio, de preconceitos, de ameaças, de soberba, de pessoas que vivem um mundo de aparências e que sofrem para sustenta-las, histórias de inveja, de concorrências injustas e absurdas que terminam por levar a esvair-se em lágrimas aqueles que conseguem chegar a um consultório de psicoterapia.

Refiro-me aos que conseguem pois há outros tantos que sequer percebem que estão adoecidos e em sofrimento! Levando uma vida por indução, consomem daquilo que não precisam, senão para tentar preencher um vazio, que de natureza existencial, não irá terminar por isso. São tristemente induzidos.

Há, é claro, muita coisa boa a ser acessada na internet; nossos critérios de escolhas é que devem estar voltados para o que nos possa ser construtivo, prazeroso ou mesmo de entretenimento saudável. Adoecer por manipulação só é factível a quem estiver cego para a realidade, e a cura lhes custará um alto preço. Mantenha-se saudável, converse mais e pessoalmente, brinque, caminhe, desligue-se um pouco da tecnologia. Simplesmente, viva!

Em outra reflexão, publicada no site, já escrevemos: “vamos com calma, pois dados estatísticos se prestam a interpretações. A verdade é que a procura pelo termo “divórcio online gratuito” cresceu 9900% no período de 13 a 29 de abril e a busca “Como dar entrada em um divórcio” teve aumento de 82% segundo dados divulgados pelo Google Brasil. Isso não quer dizer que o número de divórcios aumentou de forma absurda, mas sim, que há muitos casais insatisfeitos com seus relacionamentos e que tal procura por informações reflete apenas a realidade”. Leia mais aqui.

Desabastecimento de alimentos e aumento da fome: o que Governo tem a ver com isso?

Governo Bolsonaro, desde o início de seu mandato, vem apostando todas as “fichas” na agricultura de exportação, exatamente pela lucratividade que esta oferece, mas abandona a agricultura familiar, aquela responsável por um grande percentual de produção de alimento para o consumo interno.

O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo. No entanto, recentemente o IBGE divulgou dados que a fome voltou a crescer no Brasil e atinge 10,3 milhões de pessoas. Aliado a fome, acompanhamos, nos últimos dias, a gravíssima situação de insegurança alimentar, vivida no país, devido a inflação dos alimentos e desabastecimento de produtos como o arroz, feijão e outros alimentos da cesta básica. O que explica essa situação? O governo tem responsabilidade?

Sim, o governo tem tudo a ver com isso. O governo é o responsável por adotar estratégias econômicas retrógradas, elaboradas no século XVIII, pela escola fisiocrata de economia, responsável pela famosa tese que ganhou grandes repercussões no mundo da economia: “laissez faire, laissez passer”.

Um dos principais problemas com que os governos europeus precisavam lidar naquele período era exatamente o da fome. Antes do teórico de economia Quesnay, a metodologia habitual consistia em prevenir a fome através da criação de celeiros públicos e da proibição da exportação de cereais. Ambas as medidas tinham efeitos negativos na produção.

A ideia de Quesnay foi inverter o processo: em vez de tentar prevenir as fomes, decidiu deixá-las acontecer e dotar-se da capacidade de as governar quando sucedessem, liberalizando tanto as trocas internas como as externas. É este o significado do lema “laissez faire, laissez passer”. Não é apenas um lema do liberalismo econômico, é um paradigma de governo, que concebe a segurança (sureté, nas palavras de Quesnay) não enquanto a prevenção de perigos, mas pelo contrário, enquanto habilidade de governar e conduzir a bom porto, uma vez que tenham lugar.

É fácil perceber que o governo Brasileiro adota essa metodologia, no entanto, ela até pode funcionar quando se tem bons governantes, capazes de lidar com as situações de crise. O governo Bolsonaro, desde o início de seu mandato vem apostando todas as “fichas” na agricultura de exportação, exatamente pela lucratividade que esta oferece, mas abandona a agricultura familiar, aquela responsável por um grande percentual de produção de alimento para o consumo interno.

“A pobreza extrema no Brasil deverá dobrar em 2020 como resultado da pandemia e ameaçar a democracia. O alerta faz parte de um novo informe produzido pela ONU e que revela que o tombo no PIB (Produto Interno Bruto) latino-americano será de 9,1%, o maior em um século.

Não podemos esquecer que a maioria dos dispositivos do projeto aprovado pelo Congresso (PL 735/2020), foi vetado pelo Presidente Bolsonaro. Entre eles, a extensão do auxílio emergencial para os agricultores que não receberam o benefício de R$ 600. Uma prova clara que é um governo à serviço do agronegócio.

Por décadas, a possibilidade de desabastecimento de alimentos era mitigada e controlada com políticas de incentivo à agricultura familiar, com políticas de constituição de estoques públicos que impediam oscilações de preços e desabastecimento. Contudo, essas políticas sofreram um grande ataque.

Hoje, conforme dados da CONAB, os estoques públicos de alimentos estão quase no fim. Sem falar do sucateamento que a CONAB vem sofrendo. Em maio deste ano ela já havia anunciado o fechamento de 27 unidades. A entidade explicou que a decisão foi resultado de um estudo elaborado no ano passado, que prevê uma menor atuação do governo nos locais onde o setor privado tem maior presença no mercado.

São dados assustadores para um Brasil que parcela da população estão morrendo de COVID-19, outra, nesse exato momento, está apagando as chamas de setores criminosos e outra está desempregada.

Basta! Não podemos mais admitir que um Estado conceda poderes ilimitados ao mercado, um setor que tem apenas como palavra de ordem o lucro a quaisquer custos.

Marcelo Neri, professor da FGV, ex-presidente do Ipea e ex-ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República entre 2013 e 2015, diz que “o morador do campo é mais pobre, produz alimentos, mas não ganha o suficiente para comprá-los”. “Em 2019, 53% dos 20% mais pobres e 10% dos 20% mais ricos brasileiros declaravam que faltava dinheiro para alimentação. Já no resto do mundo, os números eram 48% nos 20% mais pobres e 21% nos 20% mais ricos”, diz o professor. “Ou seja, nossos mais pobres têm hoje mais insegurança alimentar que no mundo, enquanto nossos mais ricos têm menos. É a famosa desigualdade tupiniquim.” Leia mais aqui.

Divagações

A poesia contém uma indispensável inutilidade.
Sem ela, o bicho-homem é sensivelmente menor”.
(Joaquim Moncks)

O tempo mistura as emoções,
numa espécie de verdade da alma.
Vagueia o pensamento na calma da noite,
na busca incessante de sentido,
tal como o faminto busca a comida.

Faz parte da vida a comida,
pela certeza, pela claridade, pela necessidade.

O tempo mistura as emoções.
Aquieta os sentimentos.
Adormece a experiência.

O pensamento traz tudo a tona.
Mostra o que está aquietado,
num embalo entre a razão e a saudade.
Envolve a ferida na capa do tempo.
Momento de outra verdade.

***

Pensando…

Vazios de lugares, vazios de pessoas, vazios de sonhos, vazios de projetos, vazios de presente, vazios de futuro…vazios na Vida.
As experiências não são rascunhos, que se apagam com borracha. Deixam marcas, indeléveis.

***

Agora

Agora tudo é silêncio,
Momento de mansidão
E mais nada.

Tenho saudades da menina perdida,
Das tardes da minha aldeia,
Das sombras do meu plátano,
Do balanço da rede,
Dos livros, que deleitavam
Meu tempo de lazer.

Meu agora é outra construção
De afetos e rebeliões,
De lugares e emoções.
A mulher encontra a menina
E, pequeninas, ambas se abraçam
E se amparam
Em suas mútuas solidariedades.

Ética nas redes sociais

Na medida em que agora utilizamos as redes sociais, a internet e as plataformas para fazermos também educação através da escola, ela passa a se tornar uma ferramenta cada vez mais importante e mais segura para comunicar e para nos tornarmos pessoas melhores, mais críticas e mais inseridas na sociedade.

As tecnologias e as redes sociais demoraram um pouco, mas também bateram à porta da educação. Com a pandemia e o isolamento social, viraram, de um mês para outro, ferramentas para aproximar estudantes, professores e professoras, pais e mães, num mutirão para não deixar a educação paralisada.

Mas por que Ética? Ética é a reflexão sobre as ações humanas. Neste caso, a reflexão sobre como usamos e como poderíamos usar melhor as redes sociais e as plataformas educacionais para nos relacionar, para comunicar e, agora, para aprender.

Além de bons jogadores e navegadores, nossas crianças, adolescentes e jovens podem agora usar as tecnologias a favor da educação e do acesso aos conhecimentos. Podem beneficiar-se, dominando as tecnologias que se impõem cada vez mais na vida de todos nós.

Conviver nas redes sociais

Cuidados são necessários. Vejamos. Será que é legal expor-se demais, expor tudo o que a gente pensa, tudo o que a gente é e o que a gente faz? É legal fazer zoação, brincadeiras ou postar bobagens na internet, redes sociais ou nas aulas? Não cuidar do uso do bom português? Entrar sempre em discussões ou polêmicas? Não checar se informações ou notícias são realmente verdadeiras antes de compartilhar? Usar imagens de colegas ou de professores para fazer memes, zoação ou brincadeiras? Publicar assuntos que são da família, do grupo de amigos ou da escola para todo mundo ver?

O nosso desejo de comunicar não pode atropelar o bom senso, o respeito aos outros, a empatia e a compaixão (colocar-se no lugar dos outros). Nossa vida social agora também é a internet, as redes sociais e exige de todos nós RESPONSABILIDADE.  Temos de ser CIDADAOS DIGITAIS RESPONSÁVEIS.

A fofoca sempre foi uma arma utilizada para controlar a vida dos outros. Mas agora, com a velocidade com que se espalham as informações, podemos expor a integridade e a reputação das pessoas de forma ampliada, porque a internet pode destruir a vida social de uma pessoa de uma hora para outra.

A tentação de muitos é jogar os problemas da vida real no mundo virtual. Não faltam exemplos de jovens que, de forma impensada, expuseram o seu corpo, expuseram a imagem de outras pessoas, postaram uma briga ou um desentendimento, praticaram preconceitos e discriminação e tiveram de pagar caro por isso. Há casos em que tiveram mesmo de sair de sua cidade.

A internet e as redes sociais não são um mundo sem lei. Além de não sermos eticamente corretos, podemos ser responsabilizados legalmente quando abusarmos e postarmos assuntos que não deveriam estar expostos para todo mundo ver. Dependendo da postagem, as repercussões podem gerar problemas incontroláveis e inimagináveis.

Por outro lado, na medida em que agora utilizamos as redes sociais, a internet e as plataformas para fazermos também educação através da escola, ela passa a se tornar uma ferramenta cada vez mais importante e mais segura para comunicar e para nos tornarmos pessoas melhores, mais críticas e mais inseridas na sociedade.

Ocorre que todos estamos aprendendo. Nesta aprendizagem, os professores e professoras, os estudantes, os pais e mães e toda comunidade descobrirão juntos um grande potencial das tecnologias para melhorias na educação.

Estamos numa nova fase na educação, onde juntos aprendemos e ensinamos. Onde todos podemos errar e aprender, sobretudo pensando na segurança nas informações e conteúdos digitais e o domínio das próprias tecnologias. Muitos professores e professoras, pais e mães e muitos estudantes apresentaram dificuldades para entender e praticar atividades digitais, mas com PACIÊNCIA, SOLIDARIEDADE, COMPREENSÃO E OUSADIA estão descobrindo novos mundos e novas possibilidades.



Proposta de uma atividade pedagógica – Disciplina de Filosofia

Esta atividade pode ser trabalhada com estudantes do Oitavo Ano do Ensino Fundamental ou em turmas do Ensino Médio. Também pode ser trabalhada em outras séries finais do Ensino Fundamental.

No Oitavo Ano, seguindo as orientações da nova BNCC, Unidade temática: Ética. Objeto de Conhecimento: Virtudes e valores humanos.  Habilidades: (EF08FL01PF05) Entender conceitos de prudência, empatia, coragem, autonomia, responsabilidade.

Questões para pensar:

  1. Caro estudante, você já é um usuário das redes sociais e já deve ter visto ou vivenciado situações onde faltaram a ética ou o respeito, ou houveram situações de bullyng virtual (Ciberbullyng). Quais são os cuidados necessários para o bom uso da internet e das redes sociais?
  2. Por que ética nas redes sociais? Explique e justifique.
  3. Antes da pandemia e do isolamento social, você tinha uma ideia das redes sociais e da internet. Com o uso das redes sociais e internet nas salas de aulas, qual é sua ideia hoje?
  4. As redes sociais e a internet podem trazer melhorias para melhorar a qualidade da educação. Como?
  5. Qual é a relação que podemos estabelecer entre fofoca (prática muito antiga) e Fake News (prática mais recente, através de mídias e redes sociais)? Qual é o perigo das mesmas?
  6. Como explicar que a nossa vida social agora também é a internet? (assista ao vídeo (https://youtu.be/muQ5eLeZaMQ?t=12 e responda)

Educação sexual?

O que mesmo se teme: a igualdade?
Os novos direitos? A diversidade?


O ministro da Educação, Milton Ribeiro, que é pastor presbiteriano, disse em recente entrevista que pretende promover mudanças em relação à educação sexual que, segundo ele, é usada muitas vezes para discussão de gênero.

Na lógica disciplinar que atravessa práticas e discursos, desde o início da Modernidade, a escola entre outras instituições, consolidou um espaço importante na produção e reprodução de normas sociais.

A escola, muitas vezes, mostrou-se resistente a propostas críticas e inovadoras, como as questões que permeiam os estudos de gênero.

M. Focault, entre outros autores, analisa que, ao longo da história, os corpos feminino e masculino têm sido alvos de inscrições discursivas e objeto de disciplinarização e controle, sendo atravessados pela física e pela microfísica dos poderes.

Neste contexto é preciso uma atuação da educação sexual escolar na direção do combate às discriminações de gênero ou sexuais. Inserir no cotidiano escolar as discussões sobre sexualidade, afetividade e gênero é desafiador, por tratar-se de temáticas cercadas de mitos e tabus, e ainda não garantidas nos currículos de formação inicial dos educadores.

“Educação sexual é um programa de ensino sobre os aspectos cognitivos, emocionais, físicos e sociais da sexualidade. Seu objetivo é equipar crianças e jovens com o conhecimento, habilidades, atitudes e valores que os empoderem para: vivenciar sua saúde, bem estar e dignidade; desenvolver relacionamentos sociais e sexuais respeitosos; considerar como suas escolhas afetam o bem estar próprio e dos outros; entender e garantir a proteção de seus direitos ao longo da vida.” (UNAIDS, Guia técnico para educação sexual)

A escola precisa sim retomar os conceitos de gênero, sexualidade, orientação sexual e identidade de gênero através de um olhar crítico sobre a construção de heterossexualidade que abriga os binarismos macho/fêmea, sexo/gênero e que historicamente contribuem para a manutenção de práticas sexistas e homofóbicas no ambiente escolar.

O silenciamento dessas discussões na escola é o mesmo que negar as plurais identidades de gênero e orientação sexuais e insistir no padrão dicotômico masculino/feminino (meninos vestem azul, meninas vestem rosa) na definição da ministra Damares.

A educação em sexualidade deve ser compreendida na perspectiva dos direitos sexuais e reprodutivos e, estes, como direitos humanos. É preciso entender que a realidade na escola abrange a presença de homossexuais, travestis, transexuais e gravidez na adolescência. Os professores devem estar preparados para enfrentar esta realidade.

O velho conceito que assevera “a valorização da família como o mais importante meio de educação, na formação e estruturação da sociedade”, precisa ser urgentemente revisto. Os tempos são outros. A identidade de gênero desenvolvida na escola será o mecanismo fundamental para ampliar o respeito à pluralidade sexual.

Para os segmentos sectários, conservadores – representados neste governo –, a sexualidade é entendida observando simplesmente seus componentes “naturais”. Esses só podem ser entendidos e adquirir significado graças a processos inconscientes e formas culturais.

Fico me perguntando, o que estas pessoas temem: A igualdade? Os novos direitos? A diversidade?

Que diferença faz na sua vida continuarmos reforçando lugares na sociedade usando o gênero como critério de diferenciação? Quando entenderemos que o ser-humano é muito mais do que o que se diz que ele deve fazer de acordo com as suas genitais? (Ingra Costa e Silva)
Veja mais aqui.

Professor

Um professor sempre será melhor do que o Google.
Porque o professor não dá uma informação, conta histórias.
Porque o professor funciona mesmo sem Wi-Fi, mesmo sem luz, mesmo no temporal.
Porque o professor não facilita a busca, exercita a memória.
Porque o professor não cria dependência, mas possibilita amizades.

Porque o professor pode mudar o destino de um assunto, voltar atrás, recomeçar de novo, dependendo das necessidades da turma.

Porque o professor não realiza só o que você deseja, vai além com detalhes e comparações.
Porque o professor lê a sua alma quando levanta o dedo para a pergunta, não apenas recebe uma dúvida.
Porque o professor também se importa com aquilo que não entendeu mais do que aquilo que quis perguntar.
Porque o professor escolhe falar do que ama. Você não está apenas tendo uma aula sobre um conteúdo, e sim testemunhando uma história de amor.
Porque o professor não coloca o seu salário acima da vocação, não coloca as circunstâncias acima dos indivíduos.

Porque o professor não julga, é todo feito para compreender, e enxerga a nota como um retrato provisório de sua curiosidade. Aposta na recuperação milagrosa quando nem mais a família tem esperança.

Porque o professor não pratica nenhuma competição, não patenteia as suas frases, não sonega o que viveu, repassa tudo o que assimilou na carreira.
Porque o professor vislumbra o que você pode vir a ser, não se fixa em sua idade.
Porque o professor já foi aluno e entende que a atenção é resultado da confiança.
Porque, quando dá as costas, o professor continua enxergando com os ouvidos.
Porque o professor não tem pressa, já que cada um tem o seu ritmo.
Porque o professor não é onipotente. Faz humor quando erra. Você aprende a ser humano como ele.
Porque o professor fica feliz quando alguém demonstra saber mais do que ele.

Porque o professor realiza trabalhos em grupo para os alunos se admirarem pelo conhecimento.
Porque o professor cede o seu espaço para apresentações, torcendo para que um aluno goste de ser professor no futuro.

Porque o professor sofre com elegância. Nunca saberá quando está triste. Ele inspira a seguir adiante ainda que sem ânimo, a não parar a rotina devido a algum descontentamento.
Porque o professor é o próprio livro falado, encadernado de expectativas que vá até o fim.
Porque o professor repassa a lista de chamada para você se pertencer dia após dia.
Porque o professor diferencia a ignorância da burrice. Ignorância é falta de vontade, burrice termina com o esforço.
Porque o professor corrige as suas provas com comentários, personalizando as falhas e os acertos.
Porque o professor acredita em você. O Google acredita apenas em algoritmos.

Fonte: (Jornal Zero Hora, 24/9/2019)
Autor: Fabrício Carpinejar é jornalista, poeta, cronista e colunista de Zero Hora
Foto: Divulgação/arquivo pessoal

Águia não captura moscas

É grave demais a situação
nacional da pandemia.
Então, é hora de mirar-se
no exemplo da águia,
neste rude momento.


O estado de alerta estabelecido em todo planeta pela ação implacável da pandemia tem precipitado manifestações que se sobrepõem ao senso coletivo. A doença que aflige o mundo não estaciona para aguardar solução de equívocos dos combatentes. As cautelas promovidas pelas instituições empenhadas na preservação são conhecidas e indicam o caminho possível. Mesmo assim, a contaminação, com a gravidade da morte, persiste assombrando o que temos de mais imediato: a vida! É redundante dizermos isso, mas reprisamos a preocupação que aflige pessoas, em todos os lugares e em diferentes circunstâncias.

A situação social já existente antes do coronavírus mostra efeitos mais graves por conta da falta de condições de subsistência nas famílias. Em tempo algum seria tolerável a miséria das condições sanitárias que afetam respeitável massa humana nas periferias da cidade.

A estrutura heróica que o Brasil mantém no atendimento médico, é preciso mencionar, apresenta resultados esperançosos com o grande número de curas. Se a contaminação pressiona em desespero e assola com as mortes persistentes, as curas regam a crença de que sempre podemos resistir ao mal invisível.

A par dos efeitos desta situação paralisante da vida que considerávamos normal, no entanto, há outro efeito grave. Em meio à tantas incertezas, acumula-se o descontrole emocional, alteração psicológica, medo, dificuldade financeira e tudo o que ansiedade gera por si só.

A chicana do ódio ergue-se oportunista contra as emoções e resistências do bem. São sentimentos do bem ou do mal que afloram com força imprevisível. Felizmente são incontáveis as ações que brotam no meio do povo como compaixão. Esta mantém o alento à luta diária dos núcleos familiares.

Propositadamente, insistimos na inarredável necessidade de mantermos o foco no combate ao vírus. Isso, no entanto, é amplo diante de tantas obrigações prioritárias. É inegável que o atrito familiar acresce muito, especialmente nos casos em que aparecem como vítimas a criança e a mulher.

Ao mesmo tempo o a tragédia ambiental com o incêndio na floresta amazônica destrói a natureza e afeta a qualidade de nossa respiração. Equacionar esses focos desastrosos é mais do que urgente e agravam o custo do combate ao Covid-19. As vias de comunicação que globalizam a informação sobre os continentes mostram que até entre países mais ricos e tecnologicamente exuberantes não foi encontrada a forma de vencer a pandemia, nem o desemprego.

O diferencial mais evidente nesse tratamento global é o próprio enfrentamento da realidade. O negacionismo é o pior conselheiro dos povos, nesta hora. Os países mais ricos, como Inglaterra e Alemanha, superaram esta fase, tentados a negar o perigo real da doença.

A concentração de objetivo no combate assemelha-se ao hábito da águia que alça vôo com objetivo de buscar sua presa. O que faz a águia? Pois é. Aguça o melhor de sua capacidade de visão para buscar seu alimento. Não dispersa suas potencialidades em pequenos insetos. Não procede como fazem algumas lideranças públicas, ou poderosos do mundo financeiro, vagando por interesses paralelos.

Vejam o que faz o propósito eleitoral. Trump nega o gravíssimo quadro de contaminação no império ianque e sai dispersando insensatez, visando vantagens eleitorais.

No Brasil, o presidente e companhia soltam frases inúteis e estúpidas para negar a gravidade dos fatos. Leviandades como gripezinha, no caso da pandemia, ou apontando índios e caboclos como causadores do devastador incêndio no pantanal ou floresta.

Esquece dos predadores ambientais que desmatam ardilosamente e tocam fogo na madeira tombada. Preocupa-se em apoiar a disputa eleitoral de Trump, e autoriza importação de arroz. Dispensa tratativas sabujas ao privilegiado líder. É grave demais a situação nacional da pandemia. Então, é hora de mirar-se no exemplo da águia, neste rude momento. Ela segue firme com olhar fixo. Por isso diz o adágio popular romano: “Aquila non capit muscas” (a águia não captura moscas).

Reflexões sobre religião e política

O surgimento de novos atores religiosos no Brasil
mostra que o País não é uma nação totalmente
católica e que comporta a pluralidade de
identidades religiosas, apesar de, ainda,
a maioria ser de vertentes cristãs.


Andando pelas ruas dos centros urbanos dos municípios brasileiros, notam-se templos evangélicos, igrejas católicas, associações islâmicas, centros esotéricos, instituições espíritas e organizações das religiões africanas repletos de pessoas que buscam respostas para suas necessidades cotidianas.

Os veículos de comunicação tornaram-se alvos prediletos das lideranças religiosas. Não são raras às vezes em que, vendo um canal de televisão, lendo um jornal, navegando na internet ou sintonizando uma emissora de rádio, encontra-se uma exaustiva e extensa programação religiosa com o objetivo de angariar mais fiéis. Com promessas de curas, milagres, libertações e, sobretudo, ascensão financeira e social, as programações religiosas, principalmente as pentecostais, ocupam horários até então impensáveis nos mais diversos meios de comunicação.

No campo caritativo, existem inúmeras iniciativas filantrópicas que, em nome de um ethos religioso, realizam obras sociais. Podem-se citar, como exemplos, o trabalho com dependentes químicos e/ou a recuperação de alcoólatras, a ajuda financeira a mendigos, famílias carentes e instituições sociais, e os trabalhos voluntários desenvolvidos em hospitais, presídios, creches e escolas, dentre outros.

O mercado editorial tem-se surpreendido com o número elevado de vendas de livros, os quais fornecem conselhos e conforto espiritual para os problemas da humanidade, a exemplo de produções no campo da autoajuda ou, até mesmo, de publicações católicas (livros do Padre Jonas) e evangélicas (livros do bispo Edir Macedo). No campo fonográfico, grupos gospel e padres cantores fazem shows pelo mundo inteiro arrebanhando milhares de fãs. Dentre eles, estão: Padre Marcelo Rossi, Padre Fábio de Mello, Diante do Trono, Oficina G3 e Toque no Altar.

Percebe-se, também, a entrada de diversas denominações religiosas no processo eleitoral brasileiro. O intuito dessas instituições religiosas em eleger seus representantes, seja para cargos executivos ou para cargos legislativos, é propor projetos de lei de acordo com seus dogmas e valores, favorecendo suas práticas religiosas, e usar a estrutura estatal para expansão de suas atividades e, consequentemente, obtenção de novos adeptos, dentre outras razões.

O surgimento de novos atores religiosos, no Brasil mostra que o País não é uma nação totalmente católica, e que comporta a pluralidade de identidades religiosas, apesar de, ainda, a maioria ser de vertentes cristãs.

Percebe-se que nas últimas décadas é notória a queda não apenas do número de adeptos do catolicismo, mais também, sua influência em todos os setores da sociedade brasileira. Se antes ditava as regras nas relações políticas, econômicas e de outros segmentos em função do seu monopólio no campo religioso, hoje, precisa conviver e disputar espaços de influência e de decisão com outras vertentes religiosas, a exemplo dos grupos pentecostais e neopentecostais.

O campo religioso passa por processo de transformação nas últimas décadas.

O País passa a conviver com um pluralismo religioso cada vez mais intenso, e o crescimento de outras vertentes cristãs e os sem religião. Paralelamente a isso, percebe-se o aumento de novas ofertas  religiosas,  denominados novos movimentos religiosos, aumento da liberdade religiosa e liberdade de culto. Nunca se vivenciou no Brasil antes o direito de o cidadão ter ou não uma religião, ou escolher como viver suas experiências com o sagrado.

Com o crescimento de outros grupos religiosos, a Igreja Católica passa a dividir um espaço que antes tinha apenas a sua presença. No tocante à política, o Estado Brasileiro passa a levar em consideração o potencial eleitoral dos grupos evangélicos, os quais, por meio de partidos, igrejas e associações conseguem emplacar seus representantes. Grupos como espíritas, religiões de matrizes africanas e religiões orientais começam a adentrar aos setores dos meios de comunicação para divulgar as suas propostas religiosas, dentre outros exemplos.

Em função do contexto concorrencial, a Igreja Católica se vê obrigada a redefinir as formas que se relaciona com a sociedade como um todo. Novas estratégias começam a ser desenvolvidas por padres, bispos e leigos para permanecerem atuantes junto aos fiéis e às instituições brasileiras.

No âmbito da política partidária que se percebe uma mudança notável na presença dos setores do catolicismo.

Os evangélicos pentecostais têm se destacado nesta prática. Para eleger seus representantes, Igrejas como Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça e Assembleia de Deus, desde o findar da década de 1980, têm utilizado seus veículos de comunicação para expor a imagem dos candidatos, fazem propaganda política nos eventos religiosos, têm membros de suas igrejas como cabos eleitorais, investem financeiramente nas campanhas eleitorais, além de outros meios. Para a autora, essas práticas consistem no “jeito” evangélico de fazer política.

O crescimento dos grupos evangélicos na política partidária, informa que essas instituições religiosas trabalham com “candidaturas oficiais”. É comum que os conselhos das igrejas escolham e apoiem, explicitamente, determinados parlamentares. Isso é uma prática recorrente na Igreja Universal do Reino de Deus e tem sido imitada por outras Igrejas a partir dos anos 2000. Com este avanço dos pentecostais evangélicos na esfera política e, consequentemente, a perda de influência da Igreja Católica junto ao poder público, os católicos têm se organizado e tentado eleger seus representantes na defesa dos seus interesses. Para este fim, a Renovação Carismática Católica tem se destacado neste sentido.

Os carismáticos surgem na década de 1960 nos Estados Unidos, num contexto de competição religiosa com outros movimentos religiosos buscando influenciar cada vez mais as decisões no espaço público. A partir do seu nascimento e expansão para outros países, muitos setores do catolicismo têm investido em suas dioceses para atrair novos adeptos à sua religião e evitar a fuga de católicos para outros grupos religiosos.

No Brasil, desde o início das atividades, no final dos anos 1960, os carismáticos, por meio de grupos de oração, missas de cura e libertação, e com o surgimento de novas comunidades  católicas  de  inspiração  carismática,  têm  conseguido  atrair  centenas e milhares de pessoas para seus eventos de massa e muitos têm se identificado e trabalhar para a divulgação de seus ideários.

É comum nas atividades realizadas pela RCC o uso de uma linguagem simples, objetiva e um intenso uso da emoção. Recorre-se a cantos, extensos momentos de oração, uso de expressões corporais e apresentações de teatro e dança para tornar seus eventos mais atrativos. As palestras proferidas pelas lideranças carismáticas sempre possuem uma mensagem para oferecer respostas aos problemas diários das pessoas. Isso permite que o conteúdo católico repassado possa oferecer respostas para os problemas cotidianos do público-alvo ou ajudá-lo a lidar com as dificuldades do dia a dia.

Nas atividades carismáticas é comum a ajuda comunitária. Não são raros os momentos em que os fiéis têm acesso a aconselhamentos, direcionamentos para lidarem com determinadas situações e ainda, se for necessário, receberem ajuda financeira, alimentícia ou para suprir outras necessidades básicas.

O fato de a RCC poder contar com muitos ajudantes permite a ela desenvolver trabalhos mais específicos com determinados segmentos da sociedade. Por exemplo, no estado de São Paulo é normal existirem trabalhos com famílias, universitários, crianças, jovens e seminaristas. Dito de outra forma, em razão da sua estrutura burocrática, do apoio de setores do clero, dos muitos militantes, do acesso a veículos de comunicação, dentre outros fatores, os carismáticos do Brasil conseguem desenvolver muitas atividades ao mesmo tempo com grupos diferentes, e assim ramificar suas ações em diversos lugares.

Por outro lado, nem todos os setores da Igreja Católica apoiam a existência dos carismáticos. Setores mais conservadores, a exemplo dos tridentinos, criticam o carismatismo católico e o fato de o movimento ser muito parecido com os pentecostais – e assim ter o objetivo de mudar a tradição da Igreja Católica ou mesmo se emancipar e criar uma instituição religiosa autônoma.

Outro grupo católico muito crítico dos carismáticos é a ala progressista. Liderada pelas comunidades eclesiais de base (CEBs) e as pastorais sociais, esta ala reforça a ideia de que os carismáticos são caracterizados por uma religiosidade intimista, emocionalista, alienante e apenas oracional, não preocupada com as questões socioeconômicas do Brasil, lutas de classe ou com os problemas trazidos pelo capitalismo. Logo, haveria uma não haveria preocupação por parte dos carismáticos em modificar as mazelas sociais do Brasil, já que o máximo de social exercido por eles é no campo do assistencialismo.

Os carismáticos e os pentecostais são muito parecidos. Ambos possuem o fundamento dos dons do Espírito Santo, que seriam o uso das orações em línguas (glossolália), espontaneidade nas orações, recorrentes orações por busca de curas físicas e emocionais, milagres, exorcismo, uso de instrumentos musicais, uso de aspectos culturais locais em suas atividades e atuação política em torno de temáticas conservadoras. Porém, o fato de ambos serem de instituições religiosas diferentes acaba gerando uma competição acirrada.

No campo político, os católicos carismáticos têm conseguido eleger vereadores, prefeitos, vice-prefeitos, deputados estaduais, deputados federais e, em outros momentos, apoiar candidatos a governos de estados, ao senado e à presidência da república, sendo o político mais expressivo o atual Deputado Federal Gabriel Chalita. Além disso, oficialmente, a RCC tem se posicionado, claramente, quanto às questões relativas ao aborto, casamento gay, eutanásia, partidos de esquerda, sensibilizado seus membros a votarem em candidatos apoiados oficialmente e tentado influenciar juízes para deliberar favoravelmente sobre seus interesses.

Em outra reflexão publicada no site, defendemos que “o Brasil historicamente avançou, em parte, na liberdade religiosa. Não temos mais uma religião oficial. As pessoas em suas casas possuem certa autonomia para praticarem ou não uma religião ou espiritualidade. Mas, ao olharmos as questões públicas não é bem assim. As decisões políticas beneficiam católicos e evangélicos. Exemplos: partidos confessionais, bancadas religiosas, concessão de rádio e tv, feriados religiosos, financiamento público em projetos religiosos, dentre outras situações. Esperamos que a situação supracitada modifique, com a atuação de todos nós, a favor da liberdade religiosa”. Leia mais aqui.

É primavera

Sejamos como as abelhas que polinizam a vida.
É tempo de deixar para trás o inverno que
tocou nossas almas e abrir-se para este novo e
intenso tempo pleno de novas possibilidades.


Simplesmente não há como falar sobre a primavera, sem lembrar destes versos de Beto Guedes: “Quando entrar setembro/E boa nova andar no campos/Quero ver brotar o perdão/Onde a gente plantou/Já sonhamos juntos/Semeando as canções ao vento/Quero ver crescer nossa voz/No que falta sonhar”.

Ouça e veja:

A letra de Sol de Primavera nos leva a refletir que cada estação conduz a diferentes posturas e a novos aprendizados. Esta é a estação que remete a despedidas. As paisagens frias, as árvores despidas, dão lugar aos tons quentes e a explosão das flores.

É chegado o tempo da reprodução, do acasalamento, da fertilidade. A beleza toma conta dos jardins e dos bosques. O canto do Sabiá ressoa, saudando o momento em que a vida se refaz em toda sua intensidade e beleza.

E continuo ouvindo Beto Guedes: “Já choramos muito/Muitos se perderam no caminho/Mesmo assim não custa inventar/Uma nova canção/Que venha nos trazer/Sol de Primavera”.

Nestes tempos obscuros, que a primavera nos inspire superar os momentos hibernais, em que tudo parece estar aparentemente sem vida, e nos traga, ao lado das flores, lufadas de esperança e de novas energias.

“Abre as janelas do meu peito/A lição sabemos de cor/Só nos resta aprender”.

Belos e inspiradores versos do mineiro. Que a primavera nos leve a acreditar em novas possibilidades.

Que, como o pólen que fertiliza os campos, possamos levar a mensagem de esperança de novos tempos às mente e corações que acreditam na possibilidade de renovação, de novos sentimentos, de florir.

Sejamos como as abelhas que polinizam a vida. É tempo de deixar para trás o inverno que tocou nossas almas e abrir-se para este novo e intenso tempo pleno de novas possibilidades.

Como Tim Maia, vamos cantar alto:

“É primavera
Trago esta rosa
Para te dar
Meu amor
Hoje o sol está tão lindo”.

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