A pandemia deu uma freada no espetáculo da auto exposição, mas o mundo parece querer voltar ao normal, e voltar ao normal significa poder desfilar novamente, mostrando-se em forma para aparecer nas redes e arrasar, acumulando curtidas e apreciações de lindo/a.
Feios são os outros. Maus também. Ignorantes, nem se fala. Narcisistas que somos, achamos feio, mau e ignorante tudo o que não é espelho.
Vivemos tempos de bolhas, de replique do mesmo, de imunidade com a alteridade, de adoração a pequenos deuses criados a nossa imagem e semelhança e embarcamos na crescente onda de intolerância e violência ao diferente, à mulher, ao pobre, ao negro, ao índio, ao homossexual, aos de outro campo ideológico, aos de outra sensibilidade religiosa e cultural etc. Narciso nunca tira férias, contrariando Caetano.
Cada época tem seus mitos explicativos e a nossa não é uma época prometeica, nem abraâmica, nem marxista e, muito menos, crística. A nossa época é narcísica.
A pandemia deu uma freada no espetáculo da auto exposição, mas o mundo parece querer voltar ao normal, e voltar ao normal significa poder “desfilar” novamente mostrando-se em “forma” para aparecer nas redes e “arrasar”, acumulando curtidas e apreciações de “lindo/a”. A superficialidade da pele parece ser o que há de mais profundo em nosso tempo…!
Recordemos o mito.
Narciso era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. A gestação foi penosa e indesejada, porque Liríope não amava Cefiso. Se fosse hoje, talvez a gravidez fosse interrompida, mas a ninfa, que não é de hoje, aguentou até o fim e, enfim, veio à luz um formoso e belo menino. Tão formoso e belo que causou apreensão. Em excesso, nem beleza é boa.
Para os gregos, origem cultural desse mito, a beleza em excesso assustava porque abria caminho para a hýbris, isto é, a desmesura, a insolência, o orgulho e a arrogância. Em outras palavras, quem é bonito demais, tende a “se achar”.
Mas, voltemos ao mito.
A preocupação, pelo excesso de beleza de Narciso, tomou conta de sua mãe Liríope porque entendia que a beleza concentrada no seu filho causaria desequilíbrio e poderia provocar a ira da deusa da justiça, Nêmesis.
O temor pelo futuro do filho a fez procurar o velho e cego Tirésias, o mais célebre adivinho da Grécia, para saber do seu destino e quantos anos viveria. Tirésias profetizou que a vida dele seria normal e longa “se não se visse”. Profecia estranha, mas na mosca!
Narciso cresceu e as ninfas e as moças enlouqueciam de paixão por ele. Elas jamais tinham presenciado tamanha beleza. E ele gélido, indiferente, “nem aí’, “na dele”. Não dava a mínima, para nenhuma das pretendentes. Até que apareceu o amor incontrolável de Eco que o perseguia por onde quer que ele fosse. Narciso a repeliu indiferente e ela caiu na mais absoluta solidão e tristeza.
Essa condição a levou a parar de se alimentar até morrer e se transformar num imenso rochedo capaz apenas de repetir os sons do que se diz. As demais ninfas ficaram furiosas e exigiram vingança de Nêmesis que, prontamente, condenou Narciso “a amar um amor impossível’.
E, então, o destino se fecha.
Era verão e Narciso saiu para a floresta para caçar e depois de muito andar, cansado e sedento, aproximou-se de uma límpida fonte de água para mitigar a sede. Debruçou-se sobre as águas e “viu-se” projetado, como num espelho, e não mais conseguiu fazer outra coisa senão se contemplar. Apaixonou-se pela própria imagem. Nêmesis cumpriu a maldição e Tirésias a profecia.
O mais belo dos efebos morreu, vendo-se. O corpo jamais foi encontrado e no lugar onde morreu nasceu uma linda e delicada flor de pétalas amarelas: narciso!
Moral da história.
Bom é tudo o que promove a vida e mau é o que promove e leva a morte. A morte, se for consequência da defesa de uma grande causa, como a causa de Jesus, que era de promover mais vida e vida abundante para todos, então não será em vão e produzirá muitos e bons frutos. Mas, se a morte for a consequências da incapacidade de sair de si para fertilizar o mundo com amor e solidariedade, então será a morte de uma vida sem sentido.
Será que estamos vivendo uma vida sem sentido, voltados para si, aficionados em aparecer mais do que ser, agarrados ao culto da imagem, mas vazios e ocos, obcecados pelo consumo e pouco afeitos à criatividade e ao amor ao próximo?
Se a resposta a essa pergunta foi sim, então está na hora de ultrapassarmos afase narcisista e voltarmos a cultuar o verdadeiro Deus e não suas sombras.
O mito de Narciso parece querer nos revelar essa sabedoria. O trágico destino de Narciso é, na verdade, uma lição para não seguirmos o mesmo caminho.
O discurso e a prática de autoreferencialidade, a pregação de si mesmo, tão criticados pelo Papa Francisco, precisam encontrar um lugar de saída para que o afogamento não seja o nosso destino. Isso vale, inclusive, para a nossa sociedade e para o nosso sistema político que não consegue encontrar o caminho de volta do buraco lamacento em que se meteu depois que elegeu como líder máximo um discípulo feito a imagem e semelhança da coisa mais feia nunca antes produzida.
Tenho prazer em pensar perguntas sem respostas que sejam definitivas. É a mania dos filósofos, perguntar, lá onde o senso comum não vê problema algum. Os teólogos também fazem perguntas essenciais, mas eles sempre são socorridos pelo além, pela revelação que vem de fora. O filósofo não. O filósofo está no limite da razão. No máximo pode ter intuições e inspirações humanas, demasiadas humanas, mas nunca divinas. O que lhe é limite é, contudo, sua grandeza. Leia mais!
Precisamos nos orientar e nos sintonizar com o sentido para o digital, que se caracteriza por representar uma realidade física, mas indica um sentido e uma realidade que não é mais material, como por exemplo, auditório ou sala.
Ludwig Wittgenstein (1889-1951) ensina sobre o poder da linguagem em geral e das palavras, em específico, na simbolização e representação do mundo. A primeira fase da sua produção filosófica foi dedicada para buscar um sentido lógico, objetivo, universal para a linguagem.
Seu objetivo estava inserido em um movimento filosófico que almejava construir uma linguagem exata, sem ambiguidades para esclarecer de modo universal os grandes problemas filosóficos e existenciais. Após realizar o percurso da sua construção demonstrou que não é possível construir uma linguagem, lógica, exata, universalmente válida.
Na segunda fase da sua construção filosófica, Wittgenstein continua afirmando a centralidade da linguagem como uma construção cultural e ponto de partida para representar nosso pensamento. Deste modo, o sentido da linguagem não está restrito ao determinado pela gramática ou por leis universais, mas se estabelece a partir do contexto em que é usado.
A valorização da linguagem, do poder das palavras, não é uma inovação deste brilhante pensador austríaco, pois foi difundido pelo platonismo, pelo cristianismo e continua sendo criteriosamente usado pelos grupos e instituições de comunicação.
As transformações decorrentes da digitalização, potencializadas com ampliação no uso da internet, sugerem que estamos inseridos na culminância de uma mudança de época. Para compreendermos este mundo em mudança, no qual estamos inseridos, precisamos perceber que a linguagem em geral e as palavras em específico têm grande impacto em nossas vidas.
Este impacto, demonstrado pelo platonismo, pelo cristianismo e pelos filósofos da linguagem, salienta a relevância de pensar no sentido e nos novos sentidos para as palavras. Podemos pensar, por exemplo, no sentido da palavra “auditório”.
O sentido de auditório, deixou de ser apenas um lugar físico, apesar da continuidade da sua existência material. Importante, também, nos atentarmos para o sentido da palavra “virtual”, cujo sentido se vincula ao imaginário, sem vinculação material.
Por fim, e com muita centralidade em nosso cotidiano atual, precisamos nos orientar e nos sintonizar com o sentido para o digital, que se caracteriza por representar uma realidade física, mas indica um sentido e uma realidade que não é mais material, como por exemplo auditório ou sala.
Nesse ativismo exagerado, existem poucos espaços para o autocuidado em todas as suas formas. Numa época de mudanças profundas, desafiados a desenvolver nossa resiliência, devemos pensar e ajustar nossa organização em todos os níveis, com disciplina, para que se transforme, a médio prazo, em hábitos sustentáveis. Leia mais!
Para ser sincero, como homem branco, eu não tenho argumentos para explicar de modo claro como nascem as balas perdidas. Só sei como morrem os tão pobres e tão pretos quando se encontram com elas.
Sou pardo, mais para branco, embora tivesse um avô negro e uma avó indígena. Tenho um filho mulato, um irmão negro e, como todo branco gosta de dizer, tenho amigos negros e isso já parece ser um álibi antirracismo.
No seminário – acreditem, estudei para ser padre – nunca tive um colega negro. Na faculdade de Direito, também nenhum colega negro. Sou funcionário público federal e, em quase 30 anos de trabalho, tive apenas dois colegas negros.
Como dizem que não há racismo, acho que ser branco no Brasil, de alguma forma, está ligado a algum tipo de sorte, um ICI – índice de coincidências incríveis.
Nunca fui parado andando de bicicleta, e mesmo quando uma viatura passou na Vila Vergueiro, enquanto eu tirava fotos, não fui abordado nem me exigiram documentos. Até já me desentendi num caixa de supermercado e ninguém me matou, e nunca fiquei naquela posição em que policiais apalpam as pessoas. Isso é inacreditável.
A coisa mais sortuda da minha vida de branco é nunca ter me encontrado com uma bala perdida. Vejo no noticiário que ser preto, e ser pobre, junto ou separado, aumenta a chance do universo de que você se encontre com uma bala perdida mesmo se estiver dentro de casa.
Balas perdidas são seres criados com o fim de servirem de alimentos para pobres, ração para bichos de estimação, adubo para plantas e, especialmente no Rio de Janeiro, são produzidas para alimentar os peixes e garças da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Apesar dessa natureza das balas perdidas, se elas não acham esse rumo tão bonito para o qual foram criadas, elas se transformam em zumbis metálicos cheios de ódio. E, não sei por quais cargas d´água, as balas perdidas acabam se tornando mortais quando encontram alguém preto, ou preto e pobre, sejam qualidades juntas ou separadas.
Negros e pobres, por alguma razão do universo, contrário de mim que sou branco, tem o azar de encontrar uma dessas balas perdidas que não tiveram o fim humanitário para o qual nasceram.
Essa coincidência incrível de alguém preto se encontrar com uma bala perdida não é na mesma intensidade, desse mesmo sujeito, de conseguir estar na faculdade, ou em algum cargo de maior relevância.
É como se nascer pobre e preto tivesse um destino. É algo muito parecido do destino com que nascem as balas perdidas, só que na proporção inversa.
Kethlen Romeu foi uma das últimas pessoas negras que, justamente, nessa semana, encontrou-se com uma bala perdida. Por causa do ICI (índice de coincidências incríveis) ela era negra e pobre, embora não morasse na favela. E estava grávida de um bebezinho negro que, muito antes de nascer, já fez partes das estatísticas.
Para ser sincero, como homem branco, eu não tenho argumentos para explicar de modo claro como nascem as balas perdidas. Só sei como morrem os tão pobres e tão pretos quando se encontram com elas.
Qual é o tempo de um professor ou uma professora estudar, planejar e criar atividades que resultem num processo de aprendizagem e não num repasse mecânico de conteúdos aos estudantes? Que sentido tem a aprendizagem em tempos de pandemia?
A problemática da excessiva burocracia na educação, sobretudo a partir dos tempos da pandemia, vem sendo discutido por este site faz um bom tempo. Mas uma postagem, em rede social, do professor e educador brasileiro Celso Vasconcellos, reproduzindo texto de nossa autoria, nos faz aprofundar mais o tema, pois chamou atenção para a seguinte questão: a burocracia é um fim em si mesma ou um meio de registrar a atividade docente?
Escrevemos: “Cada dia que passa, sinto que roubam meu tempo e minhas energias de professor com burocracias excessivas, que não faziam parte de nossa rotina docente. Definitivamente, não é pela aprendizagem dos estudantes, mas pela comprovação estéril de que estamos fazendo educação. Triste e lamentável! Simples assim!”. Celso Vasconcellos fez postagem com esta escrita e acrescentou: Burocracia como meio ou como fim?A repercussão que o texto “Não precisamos mais dar aula” (Acesse aqui!) do professor Laércio Fernandes dos Santos, tanto em número significativo de acessos quanto às significativas reflexões sobre o tema em diferentes grupos nas redes sociais é uma prova recorrente desta problemática acima levantada em diferentes lugares do Brasil.
Em publicação recente, pensando sobre os tensionamentos que a escola vem passando a partir da pandemia, escrevemos:
“pensar a escola de agora, neste momento pandêmico, com seus limites e potencialidades e com a possibilidade de maior uso das tecnologias e das plataformas educacionais, parece ser o caminho para melhorá-la. Fora disso, nossa tentação será repeti-la como mera reprodutora de conteúdos e sem diálogo com a vida e com as maiores necessidades humanas.
Qual foi a escolha dos sistemas de ensino? Em grande medida, foi transformar os professores em meros entregadores de conteúdos, planilhas, relatórios, devolutivas. Nada, ou muito pouco, de relação, de diálogo, de trocas, de conversas sobre a vida e a pandemia. Neste quesito, há poucas diferenças entre o ensino público e privado. Resta perguntar: a escola sempre foi assim? Onde ficou e onde fica a dimensão relacional, mesmo que de forma remota e precária? Ou ela nunca contou nas relações de ensino-aprendizagem? Parece que a escolha unânime das redes de ensino é pela validação do ano escolar, através da burocracia”. Leia mais!
No nosso modesto entendimento, as redes de ensino públicas adaptaram muito abruptamente os seus processos pedagógicos e de ensino-aprendizagem no modelo virtual. Para além da natural dificuldade dos professores e professoras, num primeiro momento, e da dificuldade de entendimento e operacionalidade das plataformas educativas e das redes sociais, estas redes fizeram a escolha de provar a execução do ano letivo de 2020 e o andamento do ano de 2021, através de muitas planilhas, relatórios, preenchimento duplicado de roteiros, implantação de novos sistemas de controle das frequências e registro das aulas numa proporção desmedida com o tempo que os professores dispõem para o exercício da docência.
Para a frustração dos professores e professoras, sobretudo daqueles que realizam práticas pensando a educação e a aprendizagem como processos de crescimento e evolução dos estudantes, a burocracia excessiva representa perda do tempo para elaboração e execução de atividades e de processos mais significativos e relevantes para a aprendizagem dos estudantes.
É importante lembrar que a burocracia deveria existir para registrar, não somente para comprovar o esforço que todos os professores e professoras, mais do que nunca, estão fazendo para promover a educação possível em tempos de pandemia.
Esta preocupação excessiva de demonstrar que as escolas fazem tudo o que podem, sem levar em conta as horas que os professores tem à sua disposição para o trabalho, está acarretando muitos problemas de estresse, depressão, fadiga, decepção. E o pior, está desmotivando os professores para a sua função principal: a de serem mediadores do conhecimento.
Todos os esforços, meios e estratégias utilizadas pelas redes de ensino só tem sentido se houver boas, robustas e significativas aprendizagens dos discentes.
Os profissionais da educação sofrem, também, sucessivos ataques que afrontam a dignidade da profissão e as condições de trabalho dos mesmos, revelando descaso dos órgãos públicos responsáveis pela área. As sucessivas reformas do serviço público, a suspensão de aumentos ou reposições salariais e o aumento das contribuições previdenciárias, por exemplo, acabam penalizando e passando a ideia de que o servidor público é um “peso” ou um problema para o Estado. A pandemia, por sua vez, evidenciou ainda mais o ataque aos professores e professoras, que não vem obtendo o devido reconhecimento profissional e social do seu trabalho para a formação das novas gerações.
Camila de Freitas, professora de uma rede municipal de ensino, em recente publicação neste site, aborda esta perspectiva.
“Em nenhum momento nós, professores, paramos de trabalhar. Em nenhum momento eu parei de me preocupar com a alfabetização dos meus alunos. Estamos trabalhando muito mais, fazemos vídeos, atendemos ao vivo em grupos, individualmente, respondemos whatsapp, preparamos aulas para turma e para as particularidades de cada aluno e ainda damos conta da burocracia. Por que os professores estão tão irritados, magoados e ansiosos? Porque nós estamos sendo atacados por todos os lados. Por que estamos nos defendendo tanto? Porque nenhum outro setor da sociedade defende os professores. Somos nós por nós e nós pelos nossos alunos! Leia mais!
Como podemos observar, a carga excessiva de trabalho, mesclando aulas virtuais e presenciais, somadas às excessivas burocracias que os professores e professoras tem de dar conta para provar que estão trabalhando, está ocasionando um grande prejuízo para o foco principal da educação: o envolvimento e a aprendizagem dos estudantes.
Infelizmente, a tese de que a “escola boa é a escola onde os professores estudam”, defendida pelo professor Altair Fávero, fica cada vez mais longe de ser alcançada. Ele assim escreveu, na sua entrevista ao site:
“Eu diria que o professor é um ser inacabado e quem consegue compreender isso percebe que o SER PROFESSOR é um processo continuo de construção. Essa construção se dá por meio do estudo, de vivência, de práticas e do exercício permanente de reflexividade crítica de sua própria ação. Só consegue fazer isso o professor que pensa, que ama o que faz, que sistematiza sua prática, que tem um referencial teórico para analisar sua ação e, principalmente, que tem na profissão um projeto de vida. Essa é a diferença entre um autêntico professor e um simples técnico/instrutor que faz da profissão uma ocupação para sobreviver”. Leia mais!
Seguem algumas indagações, possíveis a partir das reflexões acima desenvolvidas.
*Qual é o tempo de um professor ou uma professora estudar, planejar e criar atividades que resultem num processo de aprendizagem e não num repasse mecânico de conteúdos aos estudantes?
*Qual é o sentido da aprendizagem (remota, precária, presencial, híbrida) que as escolas estão fazendo sem olhar para o tempo, para a qualidade e para o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes?
*Por que não mudamos novamente o foco da educação para a aprendizagem dos estudantes e concentramos nossas energias e criatividade no planejamento, na elaboração de boas estratégias que busquem recuperar o terreno perdido durante esta pandemia?
*Por que não simplificamos as ferramentas e os meios para registrar o nosso trabalho pedagógico?
*Por que é tão difícil entender que a burocracia excessiva do trabalho dos professores e professoras mata justamente a vocação e a essência do trabalho educativo?
*Por que não transformamos novamente a burocracia do registro de nossas atividades pedagógicas como um meio e não como um fim em si mesmas?
Por fim, queremos afirmar a importância do trabalho dos professores e professoras neste contexto de pandemia que, a partir de seus lares e de seus recursos, garantiram a execução das aulas remotas, híbridas e presenciais (que voltam aos poucos) mesmo sem o devido apoio e o devido reconhecimento nem por parte dos gestores, nem por parte de parcela da sociedade.
A prioridade do trabalho dos professores e professoras deve ser o pedagógico, deve ser a relação com os estudantes, deve ser a exploração dos seus potenciais criativos, o uso de novas tecnologias e ferramentas educacionais e a mediação da construção dos conhecimentos. As quinquilharias da excessiva burocracia na educação só enchem tabelas de relatórios e os olhos dos burocratas que pouco entendem de educação.
Como já previa Charles Chaplin, sem saber o que viveríamos neste momento histórico: “não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!
As crianças sabem bem o que é serem amadas, principalmente as que ouvem contos de fadas. Não as deixemos nas mãos de qualquer pessoa e nem as entreguemos em creches sem que saibamos que são especialmente cuidadas, pois os primeiros amores marcam o espírito em formação.
Alguns educadores, psicopedagogos e teóricos da infância preferem falar mais na razão do que no imaginário; eu sinto-me mais à vontade em falar desse outro mundo que cada criança tem dentro de si e o povoa como deseja: o mundo imaginário.
Esse mundo que está se perdendo aos poucos, deixado de lado, esquecido, muitas vezes substituído logo na tenra idade por jogos e produtos eletrônicos. As nossas crianças já não têm mais tempo para imaginarem outros mundos e o mundo real vai se tornando cada vez mais insuportável de se viver sem com isso ter outro lugar para fugir quando ele não for mais capaz de atender as expectativas da criança.
Diziam que o filósofo Tales de Mileto vivia no mundo da lua, mas ninguém sabia que ele tinha o seu mundo imaginário cheio de criatividade e ideias que mais tarde serviram para torná-lo o pai da filosofia grega. Não se preocupem se as suas crianças passam a maior parte do tempo nos seus mundos imaginários, melhor do que ficarem tanto tempo presas a computadores ou celulares.
Claro que tudo o que é demais é prejudicial, mas a criança dá sinais quando algo está errado com ela. Converse com a sua criança e procure descobrir sobre o que ela pensa, quais seus sentimentos em relação ao mundo real e como ela faria para tornar o mundo mais bonito, assim você saberá se ela está com o mundo imaginário fértil ou não.
Antigamente, as nossas crianças ouviam histórias e eram felizes, não tinham traumas, não tinham medos, não perdiam o sono à noite, dormiam no escuro e nem faziam xixi na cama.
As nossas crianças ouviam histórias de dragões, fantasmas, bichos do nosso folclore, outros bichos inventados pelas contadoras de histórias e ficavam assustadas, maravilhadas, coraçãozinho parecia que ia sair pela boca, mas eram outros tempos aqueles. Tempos em que a violência quase não existia, em que os jogos eletrônicos não eram de combates e muitas mortes, tempos em que ir e voltar da escola era o melhor passeio do mundo. Nesses tempos, as crianças tinham outros mundos, os seus mundos imaginários.
A criancinha ouvinte de histórias ama e é amada. Ao abrir o coração e a fantasia, ela deixa-se envolver pelo momento em que está ouvindo a história, aprendendo tanto com o conteúdo da história quanto pela forma pela qual é narrada, que é a grande arte do contador de histórias que seria o amante principal. Leia mais!
Nem é preciso jogar para vermos tantas mortes violentas, pois na vida real, em alguns bairros de periferia, as crianças convivem com a morte todos os dias, e isso é assustador. Muitas delas são obrigadas a carregarem armas pesadas desde cedo e como num jogo eletrônico precisam vencer o inimigo de qualquer jeito. Essas crianças precisam de contos de fadas, mesmo que sejam considerados bobinhos, eles podem ajudá-las a sonharem com um amanhã melhor.
O mundo real mudou. Exige da criança hoje que ela aprenda programação de computadores logo cedo, seja uma expert em robótica, matemática, lógica e estão esquecendo de contar histórias fantásticas às nossas crianças. Estão esquecendo de que os contos de fadas salvam as crianças dos seus medos e traumas que a vida todos os dias lhes apresentam.
Estão esquecendo que o melhor mundo para a criança é aquele em que ela tem o domínio e os acontecimentos são conforme o seu desejo. Não façam isso com as suas crianças. Não lhes tirem o direito de imaginar, a imaginação é o que há de melhor para o bem viver. No mundo imaginário a gente esquece as perdas, as tristezas, as doenças, os medos, as angústias.
Não vemos mais crianças dizendo que criam dragões ou que serão felizes para sempre. Estamos trocando os contos de fadas por histórias realistas, histórias que quase nada acrescenta ao imaginário das crianças.
Aos poucos, as nossas crianças estão deixando de dizer que querem ser príncipes ou princesas, isso a gente pode ver nos seus desenhos que estão cada vez mais reais, principalmente nas crianças que vivem nas periferias do nosso país.
As crianças pobres e negras são as mais afetadas, pois não têm acessos a livros de contos de fadas e não têm quem se preocupe com os seus mundos imaginários. Essas precisam sair cedo de casa para trabalhar e ajudar seus pais nas despesas de casa. Também são as crianças de periferias vítimas de violências com trocas de balas entre a polícia e traficantes. Vivem assustadas e são as que mais precisam ouvir contos de fadas para fugirem desse mundo cruel e habitarem nos seus mundos inventados por si próprias.
Faço aqui um apelo às Secretarias de Educação, dirigentes de escolas, professores, psicopedagogos para retomarem o estudo dos contos de fadas às salas de aulas. Eles são o que há de melhor para se cuidar de uma criança. Eles ensinam às crianças a como lidarem com seus medos e aflições, a como vencerem os obstáculos, os monstros e os sofrimentos diversos da vida real.
Os contos de fadas também fazem parte do mundo imaginário das crianças, principalmente daquelas que moram longe de uma floresta, da vovó e dos animais.
A menina que ouviu o conto de fada da Chapeuzinho Vermelho em algum momento da sua vida criou um mundo imaginário onde se viu sendo uma menina na floresta indo à casa da vovó e enfrentando o lobo mau. Esse lobo mau pode ser considerado como as muitas formas de violência que temos no mundo real e que a menina consegue enfrentá-lo com a ajuda do caçador que pode ser uma pessoa próxima que passa segurança à criança.
As pessoas reais também fazem parte do mundo imaginário das crianças, tanto as boas quanto as más, precisamos para isso cuidar para que as nossas crianças guardem em seus mundos imaginários apenas as pessoas boas para crescerem seguras e saudáveis.
Toda criança deve ter seu mundo imaginário e nunca ser criticada por isso, ao contrário, se os pais ouvirem as crianças falando sozinhas enquanto brincam não é motivo para pânico. E toda criança tem um amiguinho imaginário com quem brinca, conversa e conta sobre os seus medos e angústias. Esses amiguinhos não tendem a ficar muito tempo, com oito ou nove anos eles costumam desaparecer.
O que chamo a atenção é para que o mundo imaginário seja habitado por coisas maravilhosas que só são encontradas nos contos de fadas, como a bondade e gentileza dos sete anos em cuidar da Branca de Neve. Mas também temos nos contos de fadas a maldade das madrastas e das bruxas que mostram às crianças o cuidado que elas devem ter com as pessoas da vida real e a aprenderem a enfrentar, sozinhas, seus medos.
Os contos de fadas são o que de mais belo há na literatura infantil. O que de mais belo pode ser usado para incentivar o mundo imaginário da criança a tornar-se grande o bastante onde ela possa sentir-se confortável e protegida.
Quando uma criança sofre uma dor é para o seu mundo imaginário que ela corre se não tiver a mamãe ou o papai por perto e nesse mundo onde tempo é uma preciosidade para os pais, as nossas crianças estão quase sempre sozinhas, ou seja, aos cuidados de alguém que não lhes passa tanto amor e confiança.
As crianças sabem bem o que é serem amadas, principalmente as que ouvem contos de fadas. Não as deixemos nas mãos de qualquer pessoa e nem as entreguemos em creches sem que saibamos que são especialmente cuidadas, pois os primeiros amores marcam o espírito em formação.
Sim, os contos de fadas devem ser lidos para as crianças ainda em berçários de forma leve e suave. Enfatizando-se a coragem do príncipe, a beleza do dragão, o amor dos irmãos e tantos outros sentimentos bons que a criança possa experimentar no seu dia a dia para um viver melhor. Até mesmo os adultos deveriam ouvir contos de fadas e continuarem alimentando os seus mundos imaginários, mas isso é motivo para outro artigo.
Penso que todos nós devíamos conservar o imaginário de alguma forma para podemos ter um lugar só nosso quando a vida doer fortemente na gente. Por que não permitir isso às crianças?
Houve troca de ministro que não adotou a cloroquina. O comando político usou a força para substituir vozes acreditadas mundialmente no conhecimento. Até quando irá este negacionismo tão nocivo ao país?
O colossal marketing do governo devotado ao êxito eleitoral extrapolou os limites recomendados pelo preceito constitucional da orientação social. Impressionante é saber que a busca anunciada pela ciência na produção de uma vacina teve o volume de adesão alucinante em nome de tratamento precoce pela adoção oficial da cloroquina.
O ex-presidente Trump foi a grande referência inicial para a ação desmedida do poder executivo do Brasil, forçando espécie de crença num remédio alternativo, de reconhecida eficiência para alguns males, mas nunca afirmado como droga adequada ao combate do coronavírus. O próprio Trump, diante da flagrante rejeição do seu receituário, mandou enorme estoque de cloroquina ao governo brasileiro.
A busca do fortalecimento da tese vacinal tornou-se esforço ingente enfrentando o negacionismo e a versão cloroquina. O fanatismo político do Planalto com ação tresloucada do então ministro das relações exteriores e outras lideranças, além dos filhos do presidente causou enorme e grave constrangimento quando apareceu a primeira vacina.
Outros entulhos, como o combate a medidas preventivas como uso de máscara e distanciamento, tornaram mais difícil a urgente consolidação de consciência pública sobre verdadeiros fatores de combate à pandemia.
Já estamos cansados de mencionar a extravagância com apoio teocrático e fanatismo político, a mau exemplo das aparições exóticas do presidente e seus sabujos sem máscara nos encontros públicos.
Os laboratórios em ritmo acelerado no mundo e no nosso país lutando diuturnamente concentraram trabalho dirigido à produção da vacina. Os médicos e heróicos agregados pelo SUS não tiveram tempo nem recursos para convencimento sobre a ideia salvadora da vacinação.
Foi momento terrível na luta pelo combate eficiente conquistado pela seriedade da ciência. Sem nenhuma lógica decente, os empecilhos formaram o efeito retardatário da adesão à vacina. Difícil acreditar, mas foi pesado demais o jogo dispersivo do poder executivo desconhecendo a situação dramática dos cidadãos de nossa terra.
Pressão da morte
Houve momentos em que o negacionismo impregnado na sociedade levou até à desconsideração em relação ao número de mortos. As estruturas do Ministério da Saúde, pela consistência da missão estatal, têm sido resistentes aos estragos dos estranhos interesses manipulados.
Registre-se que as afirmações de base científica emitidas por autoridades sanitárias dentro do próprio governo enfrentaram o sonambulismo dos fanáticos de Bolsonaro. Houve troca de ministro que não adotou a cloroquina.
O comando político usou a força para substituir vozes acreditadas mundialmente no conhecimento. Vieram outros fatores terríveis como o ainda assustador número de mortos, superlotação dos hospitais, e até o oxigênio faltou para socorrer pacientes.
A imprensa, na obrigação de divulgar o caos causado pela pandemia, também foi atacada pelos irredutíveis alheios ao maior problema de saúde da nação. Lá pelas tantas o presidente mencionou laconicamente que lamentava a mortalidade. Tudo muito longe do sentimento reclamado por todos pela compaixão. Veio a manifestação do Congresso Nacional, mesmo atrasada, enquanto até o Poder Judiciário precisou interferir. O presidente prossegue nas esquivas.
Começamos uma marcha. Não sabemos onde chegará nossa força. Mas aprendemos com a sabedoria chinesa, que “uma caminhada de mil passos, começa com o primeiro passo”.
As máscaras abafam, mas não impedem que as vozes ecoem pelas ruas, manifestando resiliência e indignação. Os cantos, as falas, as palavras de ordem se fazem ouvir numa demonstração de defesa da Vida, contra toda espécie de violência.
O colorido das roupas e as tonalidades das máscaras, junto com os cartazes e as bandeiras, compõem uma estética de luta, enfeitam a caminhada, protestam contra os que negam direitos, os que negam a Ciência, os que são indiferentes às dores das famílias atingidas pelas mortes.
Esse colorido todo está denunciando uma realidade desigual em nosso país, em que as pessoas não têm como cuidar da saúde, não têm como participar de uma Educação de qualidade. Essas pessoas não têm emprego, não têm uma renda mínima, não têm uma moradia digna, não têm alimento, elas têm seus corpos, suas dores e sua coragem de enfrentar os desafios.
Notoriamente, é possível sentir a tenacidade dos que acreditam na organização da sociedade civil, na busca por direitos, exigindo ação eficaz dos que governam e são responsáveis em administrar a riqueza nacional, que deve estar a serviço da população. Os impostos que pagamos precisam ser justamente distribuídos, retornando em cuidados de todos os tipos, atendendo às demandas das brasileiras e dos brasileiros.
Vacinar, alimentar, proteger, educar, abrigar, manter são condições de vida imprescindíveis que a população espera de parte dos que disseram que cuidariam da felicidade pública e fortaleceriam a cidadania.
Exigir, protestar, reivindicar, denunciar, contestar é direito de todos, que possuem juízo crítico e sabem garantir as prescrições constitucionais. Este é o cenário democrático.
Importante, pois, destacar o significado do que ocorreu no sábado, 29 de maio de 2021, quando as máscaras protegeram as pessoas que saíram às ruas para exigirem o que lhes é devido, pelo poder público, depois de uma certa ressaca do povo nas ruas.
Lamentável a falta de comando de policiais atingindo as pessoas, usando suas armas para calarem o grito dos que não temem, ou atirando a esmo ferindo transeuntes. A covardia se fez presente, quebrando a harmonia aguda dos que acreditam que temos voz e não perdemos a vez.
Começamos uma marcha. Não sabemos onde chegará nossa força. Mas aprendemos com a sabedoria chinesa, que “uma caminhada de mil passos, começa com o primeiro passo”. Foi dado o primeiro passo.
Nem mesmo o medo de se infectar — uma vez que Bolsonaro, após recusar vacinas, só imunizou completamente 10% dos brasileiros — segurou mais a população em casa. Como dizia um cartaz visto no protesto em Teresina, “se um povo protesta e marcha em meio a uma pandemia, é porque seu governo é mais perigoso que o vírus”. Leia mais!
A autora e professora Elika Takimoto apresenta seu mais novo livro com uma temática super atual: o negacionismo. O negacionismo é, hoje, mais do que uma ideia potente, é uma força poderosa que precisa ser entendida, para ser enfrentada. Segue uma reflexão da autora que relata a relação direta da mesma com o envio de seus livros, adquiridos por pessoas de todo Brasil.
Sou eu que coloco endereço em cada livro que posto. É uma atividade manual que poderia ser somente de cópia, mas procuro me envolver emocionalmente no processo braçal e tirar disso alguma diversão.
De tanto colocar o destino, sei só de olhar o primeiro número do CEP para onde o livro vai. Agora estou atenta aos segundos e terceiros números do código postal e estou aprendendo sobre eles, a dizer, as sub-regiões de cada região desta bagaça chamada Brasil. Qualquer dia, você vai me falar o nome de sua rua e eu vou te dizer seu CEP assim na lata.
Começou por zero o CEP? São Paulo.
Um? Interior de São Paulo.
Dois? Ridijanêro.
Três? Minas.
Quatro, cinco e seis mando com beijo e gratidão: Norte e Nordeste.
Sete: Brasília.
Oito: Paraná e Santa Catarina
Nove: Rio Grande do Sul.
Endereço para Brasília é diferente dos demais do Brasil. Lá a coisa é tudo por número e quadras. As ruas não têm nomes e sim referências. Acho, sinceramente, que faz bem mais sentido do que ficar colocando nome em rua. Aliás, …
Tem muito mais rua com nome de homem do que com nome de mulher. O machismo está também escancarado no mapa do Brasil. Rua com nome de capitão e general tem aos montes, fica aqui mais essa observação.
Tem muita rua que começa com Doutor como a rua Doutor Victor Bhering em Conselheiro Lafaiete em Minas. Nunca vi rua com nome de doutora. Tem? Certamente. Mas acho que nenhum livro meu chegou até lá (já que sou eu que escrevo o endereço de quase todo mundo que adquire meus livros).
Rua com nome de governador tem em todos os Estados, assim como rua com nome de prefeito. Acho legal quando vejo rua com nome de vereador. Corro para saber quem foi e já quero saber da história daquela região toda.
Tem rua com cada nome que fico imaginando a pessoa escrever ou soletrar isso sempre. Exemplos: Rua Arthur Manuel Scheffer em Torres/RS, Rua Dragothim Tomich em Carlos Chagas/MG, Rua Friedrich Von Voith em São Paulo…tem vários endereços assim. Já sofro soletrando meu nome, imagina morando numa rua dessas… Em tempo, tem mais rua com doutor do que com professor como a rua professor Stroller em Petrópolis/RJ. Esse aqui fiquei com pena de quem mora lá tendo que escrever esse nome sempre que vai colocar o endereço: rua professor Carlos Schlottfeldt. Jesus amado… Sei nem como fala isso.
E tem ruas que eu vou ao Google para saber do que se trata: Igarapava, Upamaroti, Piracanjuba, Cambaúba, Guaianazes, Itapiru, Upiara, Tacomaré… estou enriquecendo meu vocabulário e minha cultura descobrindo onde vocês moram.
Quando aparece uma rua com nome e sobrenome de mulher, eu paro tudo. Sou despertada pela curiosidade dado minhas bandeiras. Olha isso, gente: Rua Jardelina de Almeida Alves em Mogi das Cruzes/SP, Rua Lilia Elisa Eberte Lupo em Araraquara/SP – CEP começando com …? Um! Isso mesmo. Rua Flamínia, aqui no Rio. Não parecem pessoas interessantes? Mas são poucas, como disse. Nome de homem tem aos montes ao ponto de me causar desinteresse pela história deles.
Tem poucas ruas que começam com “Dona”. Mas guardo o nome delas e fico imaginando uma mulher cuidando de todo mundo como a rua Dona Mariana (em Jacareí/SP), a rua dona Queridinha (em Itapoã CEP começando com três, portanto, Minas Gerais) e Rua dona Maria (CEP começando com dois, logo, aqui no Rio). Rua dona Avelina, rua dona Cassina, Dona Francisca, dona Catarina, dona Joana, Dona Isaura, Dona Veridiana, Rua Dona Tereza Cristina… São várias “Donas” que gostaria demais de saber quem foram.
Rua de Santo tem de todos que conheço e mais outro tanto que nunca tinha ouvido falar. São Sebastião, São Diego, Santo Antonio, Santo Expedito, São Eufredo, Santo Lenho, Santo Afonso,…
Tem ruas que fico imaginando o que se passou: rua da Gratidão (em Salvador CEP começando com quatro), rua da Represa (em São Bernardo CEP com zero), rua dos Sabiás (em Fortaleza CEP com seis), rua da Felicidade, rua da Alegria, rua dos Cavaleiros, rua das Princesas, …
E tem as ruas que sorrio quando escrevo pensando só na lindeza que é: rua das Dálias, rua das Flores, rua das Amendoeiras, rua das Laranjeiras, rua das Palmeiras, rua das Mangueiras, rua dos Ipês… Sei que poso chegar lá e ver um deserto de prédios, mas dá licença porque preciso imaginar coisas boas enquanto coloco o endereço nos envelopes.
Mais interessante do que isso são os nomes dos bairros, mas preciso voltar ao meu trabalho aqui. Caso contrário, não consigo cumprir o prometido que é mandar o livro para vocês com autógrafo ainda nesta semana. Já viram o quanto me disperso…
Por ora, parei tudo para dividir com vocês isso aqui que ando observando.
Com carinho, para todas as pessoas que compraram meu livro”.COMO ADQUIRIR O LIVRO:
“Como dialogar com um negacionista” é meu mais novo livro que está publicado pela editora Livraria da Física. Ele já está disponível na Amazon. Quem comprar por este link ( https://pag.ae/7XbERVDVv ), receberá o livro com dedicatória e autografado!
Afinal, o que temos neste livro? Aqui vai uma breve explanação feita pelo revisor Daniel Grimoni:
“O livro apresenta, através de oito capítulos escritos de forma simples e direta, como os mecanismos psicológicos ligados ao negacionismo também são verificados em quem acredita estar ao lado da razão e da ciência — duas coisas que, por sinal, carregam muito mais controvérsias do que se imagina. Como defender a ciência sem ser sincero sobre suas limitações? Como buscar a democracia enquanto se recusa o diálogo?
Com essas e outras provocações, Elika Takimoto nos apresenta um panorama de discussões e estudos sobre história e filosofia da ciência, verdade e pós-verdade, fake news, ceticismo, negacionismo, sociedade, educação e diversos outros temas. A autora, que pesquisou essas questões em sua formação acadêmica, também lida com elas diariamente, em salas de aula e conversas informais, e assim reúne sua pesquisa e sua experiência para a escrita do livro.
O que falta, então, é responder à pergunta: se essa tarefa não apenas é possível, como também é urgente e necessária, como dialogar com quem nega a ciência? O novo livro de Elika Takimoto busca oferecer algumas informações — e muitas perguntas — para ajudar nesse desafio.”
E aí, topa dialogar com uma professora?
(Qualquer dúvida: livrosdaelika@gmail.com)
Fotografias: Chamada: Reprodução / Montagem RBA Demais: Divulgação/arquivo pessoal/rede social
Os pais não podem simplesmente retirar a chupeta da criança sem lhes oferecer segurança, amor, carinho e cuidados necessários para que se sinta bem ao longo da sua vidinha infantil.
A criança, desde os primeiros dias do seu nascimento, é levada ao uso da chupeta para acalmar o seu choro. Mas, a chupeta para criança vai muito além disso. Para ela, a chupeta representa a sucção que tanto é necessária para a formação das suas emoções e sentimentos. Através da sucção ela consegue manter um contato com o mundo real de forma sadia.
O uso da chupeta proporciona à criança a segurança, o conforto, o carinho, fortalecimento das suas emoções e sentimentos, pois é aquilo que acalma o seu espírito quando tudo ao seu redor não é compreendido. E não pensem os pais que é fácil para o bebê compreender o mundo fora do útero nos primeiros dias de vida, ele leva tempos para acostumar-se aos ruídos e barulhos que esse mundo lhe apresenta.
A retirada da chupeta nunca é tarefa fácil para os pais porque é preciso sempre pensar se a criança sem a chupeta terá toda a segurança e conforto que essa proporciona ao seu pequeno mundo.
Os bebês mais jovens precisam sentir-se seguros o tempo todo diante das pessoas que são desconhecidas para eles. Nos primeiros meses, quando passam a reconhecer o papai e a mamãe, o mundo começa a ficar mais compreensível, mas, mesmo assim, ainda há a insegurança e o desconforto do mundo novo.
A chupeta é um elemento importante para acalmar a criança quando esta não se sente confortável e começa a chorar. Sim, para alguns pais a chupeta é a forma mais fácil de fazer a criança parar de chorar, mas não é só isso que a chupeta representa.
A chupeta é a tranquilidade, a certeza de que tudo está bem, a quietude do espírito da criança que enquanto chupa aquele objeto se sente confortável e segura diante dele. Toda criança que usa chupeta tende a chorar menos.
Os pais não podem simplesmente retirar a chupeta da criança sem lhes oferecer segurança, amor, carinho e cuidados necessários para que se sinta bem ao longo da sua vidinha infantil. Claro é que aquelas crianças que não foram acostumadas ao uso da chupeta adaptaram-se a outras formas de buscarem essa segurança e conforto de que tanto falo. Mas, precisamos nos preocupar àquelas que desde os primeiros dias de vida iniciaram o uso da chupeta. Retirar bruscamente a chupeta não é recomendado para nenhuma criança.
Ainda temos aquelas mais grandinhas que fazem uso da chupeta mesmo os pais insistindo na sua retirada. Essas, talvez, sejam as que mais necessitam de cuidados e carinhos, pois as suas emoções ainda não estão totalmente formadas e as suas expectativas diante do mundo ainda são grandes demais para perderam o contato com o objeto que lhes traz conforte e segurança.
A chupeta é o meio que a criança encontra para se defender dos seus medos e aflições diante de tudo o que lhe é estranho.
Quando uma chupeta é retirada abruptamente de uma criança, essa poderá sofrer danos emocionais graves e passar a buscar em outros objetos aquilo que a chupeta lhe oferecia, por isso algumas crianças passam a chupar a pontinha do lençol de dormir e outras chupam os seus brinquedos macios.
Todos nós somos levados à busca daquilo que nos traz um pouco de conforto e segurança. Não retire a chupeta da sua criança de vez. Dê um tempo para ela e para você.
Aprenda a cuidar da sua criança antes de pensar em retirar a chupeta dela. Atente para o amor que está oferecendo a criança se é suficiente, a atenção, o carinho. Veja se você consegue sozinho oferecer à criança a segurança que ela tanto precisa para um viver bem ao dentro e fora de casa.
Sim, as crianças tendem a chorar muito quando estão fora do ambiente ao qual não estão acostumadas. E não é de fome, mas de medo daqueles rostos estranhos e daquele local que seus olhinhos nunca viram antes.
Se a sua criança não consegue largar a chupeta de jeito nenhum, é bom procurar a ajuda de um especialista em psicologia para ele buscar descobrir o motivo desse apego. Às vezes, é uma emoção ou sentimento que não está sendo bem trabalhado pela criança.
A chupeta não só alivia o choro como também alivia o medo do escuro, o medo de ficar sozinho, o medo do estranho, o medo do desconhecido. As crianças maiores que não conseguem largar a chupeta precisam de cuidados especiais por parte dos pais, essas devem ser tratadas com mais cuidado e amor sendo-lhes apresentadas novas formas de enfrentar os seus medos e lidar com as suas emoções.
A criança da chupeta não é diferente da que chupa o dedinho. Sendo o dedinho um pouco mais difícil de ser evitado, pois faz parte do seu corpinho e a todo instante pode a ele recorrer. Mas os dois são usados na mesma função de segurança e conforto.
As crianças são inteligentes o bastante para saberem quando estão querendo tirar a sua chupeta à força. Logo, vão apresentar problemas de sono, de alimentação e choro por qualquer coisa para terem a chupeta de volta.
Um cuidado mais apurado por parte dos pais e responsáveis pela criança sempre é necessário para que essa se sinta protegida não somente pela chupeta, mas por uma pessoa em quem ela pode confiar. Aquela mãe que sempre troca a fralda da sua criança e está presente ao seu lado pode aos poucos substituir a chupeta por cantigas de ninar ou contação de histórias para alimentar as emoções e sentimentos das suas crianças.
Nunca retire a chupeta da sua criança de forma abrupta. Isso pode prejudicar a sua formação. Tenha paciência para lidar com o seu crescimento emocional. E, acima de tudo, atente para os cuidados que a criança necessita mesmo que essa já seja grandinha. Cuidados nunca são demais, apenas não exagere em nada.
No monte de lixo de tantos desejos superficiais e supérfluos, tratei de desvendar o desejo mais profundo de meu ser. Que mais queriam meu coração e minha alma?
Era uma vez… Eu, você, ele, nós, todos… Vivíamos no mundo fantástico das novidades. Corríamos atrás delas com o mesmo afã do sedento que busca água fresca. Surfávamos na onda dos últimos lançamentos da moda. Cores e sabores, ruídos e imagens, luzes e sons nos embriagavam de prazer. Era só procurar nas lojas das ruas e shopping centers, profusamente iluminadas, e aí encontrávamos o que estávamos procurando.
Aliás, a publicidade e a propaganda, orientadas pelas técnicas mais sofisticadas do marketing, nos antecipavam o que deveríamos buscar. Não precisávamos quebrar a cabeça: o mercado se encarregava de descobrir novas necessidades, estimular nossos desejos e oferecer tudo isso revestido de embalagens sedutoras e irrecusáveis. Digamos de passagem que, via de regra, os invólucros custavam bem mais caro do que o conteúdo. Tanta era a preocupação de atrair novos clientes.
Porém, os objetos tinham curto prazo de validade. Não que estivessem estragados ou quebrados, mas é que a todo tempo surgiam novos modelos. Era preciso antecipar-se aos demais. Dominava a lei da moda e não podíamos ficar ultrapassados.
O último carro, o último computador, o último celular, a última blusa, a última bolsa, o último relógio, o último sapato, a última calça ou vestido, o último modelo de apartamento… Em tudo, imperava a última novidade. Sorte que a “telinha” nos poupava o trabalho de escolher: despejava sobre nossas salas uma avalanche estridente de objetos com brilho novo, recém-saídos da fábrica.
Mas, da mesma forma que os objetos, também nossa satisfação tinha prazo curto de validade. A sede de algo inédito voltava com a força do desejo represado. Navegávamos pelas ruas, pelos centros comerciais e pela Internet como seres famintos atrás de novidades. Os enfeites, o design e o colorido das lojas nos fascinavam. Era preciso satisfazer as novas necessidades que nasciam em nós com a velocidade eletrizante da informática. Ofuscados por esse brilho, nos movíamos cegos e surdos.
Todo esse cenário seguia as regras de uma espécie de credo: produzir, comprar, consumir, ter, aparecer, descartar… E assim indefinidamente. A roda não podia parar.
A produção gerava novas necessidades e estas, por sua vez, aceleravam o processo de produção. No coração desse círculo de ferro, os especialistas do mercado e do marketing se batiam como loucos para inventar, desenhar e divulgar o resultado de sua criatividade cada vez mais fecunda.
Valiam as mesmas regras para as relações pessoais, humanas. Também estas se viam atropeladas pelo ritmo alucinante da sociedade de consumo. Era preciso ser muito inovador e criativo para manter por largo prazo uma amizade, um namoro, um casamento. Descartavam-se laços primários como se descartavam objetos, como se troca de roupa. Coisas e pessoas sofriam da mesma provisoriedade. Predominava o “império do efêmero” (Gilles Lipovetsky).
Perguntas aos jovens: tenho consciência de que tudo passa na vida? Estou buscando a cada dia melhorar-me, auto conhecer-me, combater as minhas próprias imperfeições, respeitando e protegendo as pessoas e a Natureza? (Gladis Pedersen) Leia mais!
Em lugar da relação eu-tu, do face-a-face, criavam-se relações de terceiro grau. O telefone, a Internet, o twitter, o faceboock, a facilidade dos transportes e das comunicações permitiam fugir aos encontros olho-no-olho e estabelecer contatos à distância. Estes nos eximiam dos compromissos duradouros, eram facilmente descartáveis. O verbo namorar foi substituído pelos verbos ficar e “pegar”, onde novamente o compromisso não era a coisa mais necessária. Tudo se volatilizava, tudo era virtual, “tudo que era sólido se desmanchava no ar” (Marx-Engels).
Ao lado disso, crescia o culto do “eu” e do corpo. Aumentava paralelamente o número de academias e de drogas para emagrecer. Ganhavam terreno as celebridades televisivas, esportivas ou cinematográficas.
O conceito de personalidade centrava-se sobre o próprio umbigo. Exacerbava-se o individualismo e o hedonismo. A tirania da beleza perseguia os corpos esqueléticos das meninas que participavam dos eventos fashion. Por todo lado, imperava a “tirania do prazer” (Jan-Claude Guillebaud).
Até que um dia… Um dia resolvi fechar os olhos e ouvidos a esse assédio da mídia e do mercado. Estava saturado do bombardeio diário de novidades que, longe de matar a sede, a aguçavam ainda mais. Cada vez eram necessários mais objetivos para preencher o vazio que os anteriores deixavam. E esse vazio só fazia aprofundar-se. Acabei caindo num poço sem fundo e sem remédio. Frustrações, tédio, desilusão e fastídio era minha única colheita.
Os mais velhos se sentem mais felizes, mais saudáveis por terem sobrevivido à covid-19. Já os jovens, estão menos satisfeitos porque também tiveram um ano difícil. Assista aqui.
Busquei o silêncio, a reflexão, a meditação. No monte de lixo de tantos desejos superficiais e supérfluos, tratei de desvendar o desejo mais profundo de meu ser. Que mais queriam meu coração e minha alma? Deparei-me com a necessidade de amar e ser amado, único caminho da felicidade.
Entendi o que significa passar pela porta estreita do Evangelho. Compreendi que a porta larga, aparentemente livre e iluminada, leva à escravidão dos impulsos, paixões desejos imediatos. A porta estreita, ao contrário, embora às vezes obscura, abre perspectivas e luzes insuspeitáveis. Laboriosamente, encontrei-me com a sentença de Santo Agostinho: “O homem veio de Deus e não repousa em paz enquanto não voltar a descansar Nele”. Aí estava meu maior desejo!
“Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova. Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus, mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração. Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava. Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio”. Acesse esse texto na integra aqui.
Sempre no silêncio da oração e da meditação, descobri ainda que esse desejo do totalmente Outro passa necessariamente pelo encontro com o outro humano. Que a busca do Transcendente passa pelo encontro com o diferente.
Entendi que era impossível seguir a rota desse desejo mais profundo de forma solitária. A busca implicava, por um lado, combater a violência e a discórdia, a assimetrias e desigualdades sociais, a miséria e a fome; e, por outro, construir novas relações de solidariedade, justiça e comunhão. Fazer dos estranhos e estrangeiros novos irmãos, deixando-se desafiar por suas interpelações.
Encontrada a pérola, pus-me fatigosamente a cultivá-la. Perco-a com frequência, é preciso remover novamente o entulho, recomeçar tudo de novo. Ele se revela e se esconde. Mas pelo menos descobri senão a água viva, pelo menos o caminho da fonte.
Não sabemos com certeza se é possível viver feliz. Até mesmo por que a noção de felicidade depende fundamentalmente de valores profundamente pessoais. Portanto, não há busca pela felicidade sem o autoconhecimento.
PROPOSTAS DE ATIVIDADES PEDAGÓGICAS
Seguem sugestões que o docente pode ampliar de acordo com o seu contexto de atuação.
Os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e anos iniciais do Ensino Médio, nos componentes curriculares Ensino Religioso, Filosofia e Sociologia discutem conceitos como Consumismo, Ética, Felicidade, Projeto de Vida, Indústria cultural e cultura de massa, Corporeidade.
A partir da leitura e discussão desta publicação, estudantes podem ser orientados para aprofundar a influência das mídias na formação dos ideários de juventude e de vida saudável e de felicidade, sobretudo a partir dos vídeos que fazem parte da publicação.
Outra proposta é fazer um debate sobre como a pandemia e o isolamento físico e social afetaram a percepção das necessidades humanas e qual são agora os novos apelos para o consumismo que move a roda da economia.
Outra possibilidade de aprofundamento é estudar as formas com que as diferentes religiões concebem e orientam sobre a maior busca humana, a felicidade. Realizar pesquisas na internet sobre esta temática e apresentá-las na sala de aula (virtual ou presencial).
Autor: Alfredo J. Gonçalves
OUTRAS PROPOSTAS QUE PODEM SER AMPLIADAS
Professor Marciano Pereira
7º Ano. Para trabalhar as escolas helenísticas (cinismo e epicurismo).
Habilidade.
Relacionar felicidade e vida simples por meio da filosofia cínica.
Identificar a oposição que os cínicos fazem aos desejos criados em sociedade.
Estabelecer a relação entre felicidade, paz interior e ausência de dor a partir da filosofia de Epicuro.
2) O que dizem que a gente precisa para ser feliz?
3) Qual é a ideia de felicidade presente nas propagandas que a gente assiste, lê, escuta?
Apresentar a filosofia do cinismo dando ênfase a Diógenes de Sínope, ressaltar que para este, a filosofia consiste em uma atitude diante da vida. Atitude de desapego das coisas materiais e das convenções sociais. Isso pode ser observado na figura abaixo.
É importante que o professor apresente a tese do cinismo junto com mais elementos desta filosofia entendida como uma forma de vida. Ressaltamos que Segundo o cinismo a paz interior requer um agir desapegado, alheio as convenções e a muitas coisas que parecem essências para a vida, mas que na verdade, impedem um existir com leveza e autenticidade. Quem muito acumula corre o risco de tornar-se apenas consumidor que mantém o ciclo interminável da “história das coisas”.Diógens, Pintura de Jean-Léon Gérôme(1860)
Para finalizar, o professor pode solicitar dos estudantes um exercício prático sobre o necessário e o supérfluo.
a) Faça uma lista de coisas supérfluas que você possui.
b) Crie uma tirinha contendo uma convenção que você julga inútil para o bem viver.
Seguindo a reflexão sobre outra escola helenística o professor pode tratar sobre o epicurismo, a hierarquia dos prazeres. É importante destacar que para Epicuro a finalidade da vida é o prazer, mas não se trata de qualquer tipo de prazer. para a paz interior basta a satisfação dos prazeres naturais e necessários. Para aprofundar assista o vídeo a seguir:
EPICURISMO | A Filosofia do Prazer (só que não)
Um existir segundo o prazer epicurista é necessário discernimento para escolher a satisfação dos prazeres naturais e necessários, para alegrar-se com as coisas simples do dia a dia.
9º ANO
Habilidade: elaborar uma crítica à sociedade de consumo.
Entender o conceito de mais valia de Marx e Engels.
O vídeo a história das coisas pode ajudar numa reflexão sobre meio ambiente, nesse sentido é possível usar outro curta metragem chamado “ilha das flores” disponível em https://vimeo.com/238439307. Acesso 27/05/2021
Um dos resultados do consumismo é a destruição da mãe natureza, da criação divina se assim acreditarmos. Através do seu trabalho o homem modifica, explora e domina a natureza, infelizmente se produz cultura distanciando se da natureza, ao considerar-se superior, dono absoluto dos recursos naturais relativiza-se a vida, impede –se a justiça e constroem-se relações alienadas e alienantes. Cabe ao professor expor de forma didática os conceitos de trabalho e alienação segundo Marx.
1) Como o conteúdo do texto pode ser relacionado com a tirinha acima? Explique usando as suas palavras.
2) Quais alternativas podem ser vislumbradas para o enfrentamento desta problemática do trabalho alienado e do uso indiscriminado dos recursos naturais?
3) Que tal se a turma pensasse em um projeto de conscientização sobre reutilização dos resíduos, “consumo consciente” (se é que podemos falar nesse conceito)? Essa questão pode ser ampliada e tornar-se um projeto que envolva toda comunidade escolar e seu entorno.
É importante pensar em alternativas para a sociedade de consumo, em formas de organização que favoreçam a valorização, o cuidado da vida e a justiça social.