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Caipira merece respeito!

Ser caipira (viver na roça), não é motivo de ser menos.

Ser caipira, não significa ser analfabeto; mesmo que seja, não significa falta de sabedoria. Mas sim, ter a sabedoria da vida no campo.

Ser caipira, não significa ter falta de dentes, ou dentes podres, estragados… Mesmo que sejam, não é por vontade do caipira (camponês), mas sim pela desigualdade social que se perpetua na frente de nossos olhos.

Ser caipira, não significa se vestir maltrapilho, se assim o for, é por que as condições lhe faltam para se adequar às estruturas da cidade moderna.

Eu sou natural do interior. Sou camponês de origem, com muito orgulho. Mas custou muito para obter orgulho do que sou. Sofri preconceito uma boa parte da vida até me firmar quanto pessoa e me valorizar pela trajetória que construí.

Roça é um lugar de fartura, mas também de muito trabalho. Iludem-se aqueles que pensam que uma “chácara” é um lugar maravilhoso sem dar muito trabalho. Para quem não pode oferecer seu trabalho, terá de ofertar dinheiro para que alguém cuide, zele e organize o ambiente, para poder desfrutá-lo lindo, aconchegante e organizado. (Nei Alberto Pies) Leia mais!

O debate atual diminuiu os preconceitos com quem é do interior, muitas pessoas que migraram do interior para a cidade se arrependeram, bem como há pessoas que moram na cidade e gostariam de migrar para o interior e assim por diante. Mas ainda existe muito preconceito.

Recentemente, em edição do Big Brother Brasil (BBB21), que teve várias personalidades interessantes para conviver e debater sobre temas legais, apareceu a figura dos Bastiões (Caio e Rodolfo). Tanto o Caio, quanto o Rodolfo se mostraram figuras com diversos problemas, como todos nós temos, e ao mesmo tempo foram agraciados com o apelido de Bastiões, sendo estes caracterizados pela figura do camponês bonachão, simples e grosseiro que não sabe lidar com as coisas mais sofisticadas, que tem dificuldade de falar o português corretamente… uma maneira mais moderna e elegante de representar o “Jeca Tatu” de Monteiro Lobato.

Monteiro Lobato expõe em Urupês o personagem jeca tatu como uma crítica social, que a elite tratou de transfigurar e piorar a imagem. Jeca tatu é o home do campo, miserável, visível aos olhos da sociedade apenas como motivo de chacota.

“Pobre Jeca tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade” Monteiro Lobato.

A figura do Jeca Tatu foi implementada pela elite, com inúmeras pretensões e deve ser rediscutida. Jeca Tatu, Bastião, ou qualquer outra figura que se apresente com a intenção de diminuir as pessoas devem ser desmistificadas. Afinal de contas, o que mais vale na vida são as ações com boas intenções, que se dão nas relações.

No mês de junho, escolas e alunos reúnem-se para fazer apresentações para a comunidade escolar. Realizam-se apresentações como teatros e danças “típicas”. A quem se referem as vestimentas? A vestimenta é tipicamente remendada, rasgada e “fora de moda”. Na cabeça usa-se um chapéu grande, e, na maioria das vezes, rasgado. Quem usa chapéu em nossa sociedade? A vida na roça merece respeito. (Laercio Fernandes dos Santos) Leia mais!

Autor: Rudimar Barea

Edição: Alex Rosset

Veta, governador! Oito razões para dizer NÃO à Educação Domiciliar

Exigimos o veto total ao projeto, que atende à agenda de uma minoria e coloca em risco os esforços de garantir educação pública, universal e de qualidade.

Aprovado por 28 votos a 21 em sessão da Assembleia Legislativa nesta terça-feira (8), o PL 170 autoriza a educação domiciliar no Rio Grande do Sul, de autoria do deputado Fábio Ostermann (NOVO).

Trata-se de um ataque frontal à escola como um ambiente de aprendizagem e de proteção de crianças e adolescentes, que subverte o dever do Estado em prover educação e poderá ter graves consequências para a sociedade.

Exigimos o veto total ao projeto, que atende à agenda de uma minoria e coloca em risco os esforços de garantir educação pública, universal e de qualidade.

Abaixo, listamos oito razões para dizer NÃO à Educação Domiciliar

1. COMPROMETE O DIREITO DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES À CONVIVÊNCIA SOCIAL E AO ACESSO A CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS E HUMANÍSTICOS E VISÕES DE MUNDO

Para além daquelas defendidas pelas doutrinas religiosas e políticas de suas famílias. Esse direito foi reafirmado pelo Parecer nº 34/2000 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação(CEB/CNE) e pelas decisões históricas do Supremo Tribunal Federal em julgamentos de 2020, referentes a ações que tratam de leis inspiradas pelo movimento Escola sem Partido. As crianças e adolescentes não são propriedades de suas famílias

2. OCULTA E AUMENTA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E A EXPLORAÇÃO SEXUAL

A não obrigatoriedade de frequência à escola inviabiliza a identificação e encaminhamento de casos e amplia as possibilidades de ocorrência de violência doméstica e sexual. Cerca de 70% dos autores de agressões contra crianças e adolescentes são integrantes da família. Em 2020, durante o isolamento social e o fechamento de escolas, acarretados pela pandemia, o Brasil atingiu o maior número de denúncias de violência contra crianças e o adolescentes desde 2013 por meio do Disque 100. Foram 95.247 denúncias, uma média de 260 novos casos a cada dia. A educação domiciliar não protege as crianças e adolescentes da violência.

3. AUMENTA A INSEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

A pandemia evidenciou o papel da escola como a política pública mais capilar e cotidiana, estratégica para o acesso a outros direitos e o enfrentamento das desigualdades. O Programa Nacional de Alimentação Escolar é uma das mais relevantes políticas voltadas à garantia do Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas via escola. Para muitos estudantes, é na escola que se faz a única ou a principal refeição do dia.

4. ROMPE COM A POLÍTICA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva foi uma conquista pela igualdade ao acabar com a segregação de estudantes em escolas e classes especiais prevendo como um direito das crianças e adolescentes com deficiência a frequência às escolas regulares. A aprovação da modalidade da educação domiciliar pode favorecer que crianças com deficiência sejam retiradas da escola e, com isso, do convívio social, ou, ainda, legitimar que instituições recusem a matrícula desses estudantes.

5. APROFUNDA AS DESIGUALDADES EDUCACIONAIS

A educação domiciliar não é uma alternativa viável para a maioria da população brasileira, já que requer condições de funcionamento indisponíveis em boa parte dos lares. Trata-se, assim, de um projeto elitista, sem interesse coletivo e com baixa demanda social. A escola é o local de oportunidades igualitárias para novas aprendizagens, de interação e respeito às diversidades.

6. ESTIMULA A EVASÃO ESCOLAR

Como forma de combater a evasão, a estrutura escolar prevê o acompanhamento e a busca ativa de estudantes com queda de frequência. Já a educação domiciliar aumentará o distanciamento entre estudantes e Estado, dificultando a identificação de evasão e a implementação de estratégias de busca ativa. Segundo pesquisa do Conselho Nacional de Juventude (2020), 28% dos jovens que evadiram em decorrência da pandemia não pretendem retomar os estudos quando houver retorno presencial. Neste contexto de aumento de evasão, a prioridade de alocação de recursos e pessoal deve ser o fortalecimento das escolas públicas e das políticas de busca ativa, não um distanciamento ainda maior Estado-estudante.

7. FRAGILIZA A DEMOCRACIA E A CIDADANIA

A pandemia evidenciou a importância da escola e dos espaços de socialização de crianças e adolescentes. A escola é um espaço fundamental para a construção de uma sociedade democrática ao possibilitar o convívio social. É nela que estudantes aprendem a reconhecer e respeitar as diferenças e a conhecerem outras visões de mundo. Privar crianças e adolescentes do direito à escola é restringir o exercício da cidadania.

8. ONERA OS COFRES PÚBLICOS PARA UMA BAIXA CAPACIDADE DE ATENDIMENTO DE DEMANDA

A educação domiciliar não pode ser encarada como economia aos cofres públicos. Sua regulamentação demanda uma estrutura de avaliação e de fiscalização de ambientes domésticos, com difícil capilaridade e alto custo para o Estado. Regulamentar a educação domiciliar demandará provisionar recursos para o custeio da sua operacionalização: acompanhamento de matrículas, aplicação de avaliações externas, contratação de supervisores, além de novas demandas não dimensionadas para conselhos tutelares e escolas. Trata-se de situações não mensuradas nos projetos em debate no Congresso e sequer passíveis de solução dentro da constitucionalidade.

Conheça o MANIFESTO PÚBLICO, assinado por mais de 350 organizações, entidades e redes

Autor: CPERS Sindicato

Edição: Alex Rosset

Como educar financeiramente as suas crianças

As crianças necessitam aprender o que é fundamental para viverem bem. Faz-se necessário educar financeiramente as crianças para que aprendam que nem sempre podemos ter tudo o que desejamos.

Vivemos tempos difíceis financeiramente. A pandemia agravou a vida das famílias e alguns pais perderam os seus empregos ou tiveram os seus salários cortados pela metade. Desde sempre, sabemos que é preciso aprender a economizar se quisermos prosperar no futuro; o problema é que o dinheiro é tão pouco que mal sobra para fazermos uma poupança ou investirmos em algo. Também estamos mal acostumados com os apelos das mídias e saímos gastando todo o nosso dinheiro com coisas supérfluas.

Ainda não nos acostumamos a gastar apenas o necessário. É grande o número de pessoas endividadas, principalmente aquelas que usam cartões de créditos. O Serviço de Proteção ao Crédito – SPC registra grande número de inadimplentes a cada ano. Claro é que o salário mínimo no nosso país mal dar para pagar as despesas básicas de uma casa, imagine pensar em luxo ou coisa parecida.

Às vezes planejamos uma viagem, passar as férias num bom hotel, levar as crianças a um shopping no final de semana, mas não temos condições financeiras para realizarmos tais passeios. Ficamos angustiados e acabamos sofrendo com a falta de dinheiro para uma simples diversão com a família.

O avanço da internet e as propagandas encontradas nas mais diversas redes sociais são apelativas e nos induzem a comprar, comprar e comprar. Somos influenciados a todo instante a comprarmos, mesmo coisas que não nos serão necessárias para nada. Algumas pessoas vítimas de compulsão por compras, doença chamada pelos psiquiatras de oneomania são os que mais sofrem.

É preciso cuidado! É preciso saber o que você realmente necessita comprar! Há pessoas que para esquecerem as suas tristezas saem gastando tudo o que têm em compras e assim sentem-se recompensadas quando trazem nas mãos enormes sacolas cheias de coisas que não servirão para nada.

Vivemos num século em que somos incentivados a comprar. E, para que possamos viver bem e não nos endividarmos, é que precisamos educar financeiramente as nossas crianças no objetivo de crescerem conscientes a esses apelos das mídias as quais estão permanentemente conectadas e resistirem as mais diversas propagandas de estímulo às compras.

Devemos educar financeiramente as nossas crianças para que elas aprendam desde cedo a economizar, a gastar somente o necessário, a poupar seja quanto for e, principalmente, a saber administrar a sua mesada.

Antes de educarmos as nossas crianças, precisamos nos educar. Filhos de pais endividados não saberão como lidar com as suas mesadas. Assim como os pais, sairão por aí gastando a torta e a direita tudo o que acharem que precisam, quando na verdade são coisas pelas quais podem passar sem elas.

As crianças necessitam aprender o que é fundamental nas suas vidas para continuarem a viver bem. Não é porque o amiguinho da escola tem um tênis ou uma roupa de grife que ela também terá que ter. Se os pais não podem comprar é preciso que sejam sinceros e tenham uma conversa com a criança sobre as suas dificuldades financeiras.

Muitos pais sequer podem dar mesada no final do mês para os seus filhos. Às vezes as crianças recebem alguns trocados para comprar o lanche da escola. É esse dinheiro que deve ser economizado cuidadosamente.

A criança não precisa comprar um lanche maior do que a sua vontade de comer. Ela pode se satisfazer com um simples sanduíche e guardar o troco para fazer outra coisa. É desde a infância que se aprende a economizar.

Também devemos ensinar às crianças que a mesada não precisa ser gasta com bobagens, mas que elas podem fazer uma poupança ou mesmo ter um velho mealheiro de porquinho para guardarem as suas moedas.

Antigamente, toda criança tinha um porquinho onde poupava moedas para a realização de um sonho.

Chegou o momento de voltarmos a presentear as crianças com mealheiros. Eles são o início da educação financeira. Desde a tenra idade a criança é incentivada a guardar as suas moedinhas se quiser comprar esse ou aquele brinquedo. Isso é muito bom para a educação financeira de qualquer criança. É um incentivo que não vemos mais nos tempos atuais. Claro que as coisas mudam, mas algumas devem ser resgatadas para a boa educação dos pequeninos.

Existem aquelas crianças que recebem uma boa mesada por mês e essas são as que mais precisam de educação financeira. Nada de viver trocando de aparelho celular de seis em seis meses ou comprando o melhor tênis do momento. Chegou a hora de investir o dinheiro em outros negócios. Precisamos ensinar às crianças a como se tornarem pequenos investidores na bolsa de valores, a comprarem ações de grandes empresas e a fazerem negócios que ajudem a multiplicar as suas mesadas, tudo com o olhar cuidadoso dos pais ou responsáveis.

Chegamos aqui naquelas crianças que, infelizmente, passam dias e noites nos semáforos das grandes avenidas das nossas cidades limpando para-brisas de automóveis. Essas aprendem desde cedo a economizarem as suas moedas para levarem comidas às suas famílias e comprarem o que desejam. São crianças que enfrentam a fome, a sede, o frio e estão sempre a batalhar por uma vida melhor. O bom era que não fosse preciso elas trabalharem nunca, mas vivemos num país de desigualdades sociais graves.

As crianças que trabalham para sobreviverem também não estão salvas dos apelos das mídias. Essas sonham com bonés, tênis e aparelhos celulares de grifes. Talvez sejam as crianças mais vulneráveis na nossa sociedade, pois quando não ganham as moedinhas necessárias para a realização dos seus sonhos são influenciadas a práticas de pequenos roubos para adquirirem o que seus pais e seus trabalhos não podem lhes dar.

Faz-se necessário educar financeiramente as crianças para aprenderem que não temos tudo o que desejamos, que muitas vezes nem precisamos daquilo que a propaganda da rede social costuma mostrar.

Os pais devem ser os maiores incentivadores na educação financeira calculando junto com os filhos as despesas de água, luz, telefone e internet e até mesmo quanto gasta com a gasolina do carro mensalmente. Levando-os para fazerem supermercado juntos e pesquisarem os preços das frutas, do feijão, do arroz, do biscoito que a criança tanto gosta. Comparando os preços de um supermercado com outro. Mostrando para o filho a dificuldade de trabalhar trinta dias para ganhar X ou Y salário que muitas vezes só dar para pagar as despesas da casa e por isso eles custam tanto a fazerem uma viagem bacana.

Se a criança desde cedo aprender a ter responsabilidade financeira como as crianças que necessitam trabalhar para sobreviver, não gastarão as suas mesadas à toa. Sempre terão um dinheiro para mandar consertar o brinquedo quebrado, o aparelho celular que parou de funcionar ou o notebook que apresentou um defeito de uma hora para a outra.

As crianças imitam os adultos. Assim é que se os pais levam seus filhos às feiras e pechincham na hora das compras elas aprenderão desde cedo a fazerem negócios. Serão cuidadosas em gastar cada centavo que tiverem.

Na escola, a professora ou professor, pode fazer uma lista de coisas que as crianças gostam de comer e junto com elas pesquisar os preços dessas coisas em três ou quatro supermercados comparando as diferenças um para o outro. Também pode ser discutido os diversos aumentos de gás de cozinha que estamos tendo nos últimos meses. Outra coisa importante é pedir para que cada criança economize com o gasto de água e energia em casa e no final de cada mês veja o quanto economizou de um mês para o outro.

Que a criança também seja incentivada a registrar quanto gasta no seu lanche diário e no final do mês calcular quanto gastou ao todo e no que poderá economizar no mês seguinte. Também não é preciso comprar os melhores cadernos com capas duras e de super-heróis para estudar, as canetas cheias de brilho e encantamento, a melhor calculadora. Tudo deve ter um limite na hora da compra e isso deve ser mostrado à criança.

Nas aulas passeios, as crianças devem ser estimuladas a gastarem apenas o necessário. Se forem levadas a visitarem uma livraria, que comprem somente os livros que serão necessários para os seus estudos e deleites.

Os professores também podem trazer outros exemplos para a sala de aula como o de mostrar aos seus alunos o valor de um salário mínimo e com eles calcular o que se dar para gastar com esse dinheiro juntando aluguel de casa, água, luz e comida. Pedir às crianças sugestões de como economizar na água e na luz e incentivá-los sempre a não fazerem compras desnecessárias.

A educação financeira começa em casa, mas a escola também é responsável por ela. Os professores devem ter o cuidado de não deixarem as crianças gastarem as suas mesadas com coisas supérfluas que não vão lhes trazer nenhum benefício ou muito menos comprar por comprar. Estamos vivendo uma época em que economizar é a palavra do momento.

Os pais devem ter cuidado quando usarem os seus cartões de créditos na internet, pois muitas vezes as crianças se conectam em sites de compras e com o cartão aberto podem sair comprando tudo o que verem sem se darem conta que estão gastando o limite do cartão do papai ou da mamãe, trazendo com isso sérios problemas no final do mês nas faturas para os pais. Todo cuidado é pouco quando se usa a internet. Os pais também devem manter os cartões bem guardados e distantes das crianças menores. Elas nunca vão ter entendimento que não podem sair comprando tudo o que desejarem.

A professora ou professor deve trazer exemplos práticos para a sala de aula, principalmente os de famílias de classes diferentes para que as crianças aprendam desde cedo que vivemos num país de desigualdades financeiras enormes. Uns têm muito e outros não têm quase nada.

Educar financeiramente uma criança é extremamente necessário para os dias atuais. Resgate o velho porquinho e comece a incentivar o seu filho a poupar moedinhas para comprar o que ele deseja.

Não caia na tentação de presentear a sua criança com uma grande festa de aniversário e ficar endividado. É melhor um bolinho simples com os parentes e amigos e depois explicar para a criança o motivo da grande festa ter sido adiada. São coisinhas sinceras que dizemos a esses pequeninos que vão dando confianças para eles. Afinal, mentir às crianças não é uma coisa boa e de um jeito ou de outro elas vão acabar descobrindo.

Não tenha vergonha de dizer para a sua criança que não tem dinheiro para comprar aquele smartphone que ela tanto deseja ou que não pode matriculá-la no cursinho de inglês ou na aulinha de natação porque está em contenção de despesas. Ao invés de ficar envergonhado, conte para a sua criança sobre o quanto você trabalha para ganhar um salário no final do mês que só dar para pagar as contas da casa e comprar um ou outro remédio necessário.

A educação financeira deveria ser estudada ao longo de toda a nossa vida estudantil, assim seríamos pessoas mais cuidadosas com o nosso dinheiro.

Também peço aos pais que não tenham vergonha de contar aos seus filhos que será preciso trocar de escola no ano seguinte porque a mensalidade da atual está muito cara e a família está em contenção de despesas, ou seja, cortando tudo o que pode para não ficarem mais endividadas. Tudo deve ser explicado à criança para que ela compreenda e respeite as decisões dos seus pais.

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Com gratidão, adoecemos menos

Pessoas que têm por hábito a prática de atitudes de gratidão vivem de forma mais leve, adoecem menos e são aquelas que sempre queremos ter ao nosso lado.

É incrível, mas quantas vezes você ouviu na mídia ou de alguns profissionais a queixa de que, em sendo o Dia do Professor, Dia do Médico, Dia do Meio Ambiente, da água, da árvore… nada temos a comemorar? Sei, podemos defender que isto é uma posição crítica e que por assim ser, num não conformismo, é que as coisas podem mudar para melhor: justamente através das críticas.

Todavia, temos mais por hábito o de reclamar do que o de agradecer, e para isso a história do meio copo d’água é uma grande lição. Reclamamos que a mensalidade da faculdade está cara sendo que nem agradecemos por estarmos entre os –apenas- 8,7% da população que concluem os estudos em nível superior (IBGE-2019), assim como reclamamos dos preços abusivos de muitos medicamentos sem nos darmos conta de que ainda temos acesso a uma farmácia e ao poder de compra dos mesmos.

“Veja bem…”, diria um amigo meu, não estamos tirando a razão e a importância do inconformismo, da necessidade de nos mobilizarmos para uma sociedade mais justa; quero apenas escrever sobre a possibilidade de sermos mais gratos.

Há um livro de leitura muito agradável – com base na teoria da psicologia Junguiana – intitulado Psicologia da Gratidão, onde, por exemplo, cita que nos tornamos mais gratos quando saímos da individualidade e rumamos para a vida na coletividade. É de lá que extraio: “O ingrato, diante do seu atraso emocional, reclama de tudo, desde os fatores climatéricos aos humanos de relacionamentos, desde os orgânicos aos emocionais…”

É o atraso emocional caracterizando o ingrato; querem um exemplo? Que uma criança chore, faça birras por não obter algo é compreensível, já, um adulto que assim aja ante uma frustração, estaria, sem dúvidas, demonstrando um comportamento imaturo e atrasado emocionalmente para o acontecido.

Então que observemos como estão nossas atitudes para as coisas que acontecem em nossas vidas: somos menos reclamões e mais agradecidos? Voltados para o individualismo ou para o grupo social com o qual convivemos? Conseguimos identificar maturidade em nossas atitudes de maneira que podemos afirmar que estamos emocionalmente equilibrados?

Vamos procurar tornar cada dia um motivo a mais de inspiração para bem vivermos, comemorando os méritos, as conquistas e principalmente, agradecendo o esforço de cada um daqueles que mesmo anonimamente contribuem para nossas vidas.

Podemos agradecer e comemorar todos os dias, sem, no entanto, deixarmos de lutar por um futuro melhor. Pessoas que têm por hábito a prática de atitudes de gratidão vivem de forma mais leve, adoecem menos e são aquelas que sempre queremos ter ao nosso lado. Sendo mais gratos seremos mais queridos e estaremos em paz conosco.

Em outra publicação do site, também escrevemos que “saber escutar a si e aos outros requer estar harmonizado com a vida, pressupõe um bom estado de saúde, uma vez que a incapacidade de escutar pode estar ligada a transtornos de ansiedade, de falta de atenção/concentração ou a situações estressoras, por exemplo”. Leia mais!

Autor: César A R de Oliveira

Edição: Alex Rosset

Definição de pecado atualizada

Se quer viver de maneira agradável a Deus, ame mais e não perca seu tempo julgando. Viva e deixe viver.

Nunca vi um povo tão obcecado com o pecado do que aqueles que deveriam fazer do perdão a sua bandeira. Para os tais, pregar o evangelho seria sinônimo de falar contra o pecado. E assim, sem que percebam, fazem coro com aquele que é chamado nas Escrituras de “o acusador dos nossos irmãos”, o arquiadversário do amor, o diabo.

É claro que não dá para falar de perdão sem falar daquilo que está sendo perdoado, isto é, o pecado. Porém, temos que entender de uma vez por todas o que é ou não pecado.

Etimologicamente, pecar é errar a alvo. Fomos criados com um propósito, e viver de maneira contrária a ele constitui-se pecado. Que propósito seria este, afinal? Fomos criados para o amor. E o Deus revelado nas páginas dos evangelhos escolheu ser amado no outro. Amar ao próximo não é um mandamento abaixo do amor a Deus. Trata-se da única maneira de amar ao Criador.

À luz desta verdade, podemos definir o pecado como todo sentimento, atitude ou postura que promova o mal de nossos semelhantes. O pecado é o antônimo do amor. Pecar não é viver alheio a um código moral, ainda que imposto por uma divindade.

Pecar é não amar, vivendo exclusivamente em função de seus próprios prazeres, sem considerar a dor que possa causar ao outro. Pecado é uma vida autocentrada, egoísta, interesseira, preconceituosa, acumuladora, abusiva, traiçoeira, arrogante, invejosa.

Quando se vive em pecado, o sofrimento do outro não nos causa qualquer incômodo. Só pensamos em nós mesmos. Por isso, ofendemos, difamamos, espalhamos fake news, sabotamos e inviabilizamos a existência do outro.

Tem muita gente travestida de santidade e piedade, mas que destila ódio. E por incrível que pareça, usa sua fé para justificar o seu ódio sem o menor constrangimento.

Há quem use a verdade para enganar. Sem que profira uma única mentira, articula-se a verdade com o objetivo de oprimir e explorar o seu semelhante. Os tais se esquecem que a verdade deve ser seguida em amor. Sem amor ela pode ser tão destrutiva quanto à própria mentira.

Há quem se gabe de sua própria honestidade enquanto segue acumulando riquezas, sem jamais se preocupar em atenuar a miséria de tantos à sua volta. Ainda que honestos aos olhos dos homens, seguem gananciosos e presunçosos.

Há quem viva em adultério mesmo sendo fiel ao seu cônjuge, pois em vez de amá-lo, usá-o como se fosse um mero objeto. A maior parte dos estupros ocorre dentro do matrimônio. Qualquer relação sexual que não seja consensual é um estupro. O que legitima uma relação aos olhos de Deus é o amor e não um contrato ou uma cerimônia. Sem amor, um casamento não passa de um embuste.

É pecado ser conivente com uma agenda governamental negacionista da ciência, e por conseguinte, genocida. É pecado julgar e discriminar alguém pela cor de sua pele, por sua orientação sexual ou mesmo por seu credo religioso.

Homofobia é pecado!

Racismo é pecado!

Xenofobia é pecado!

Misoginia e machismo são pecados!

Explorar o trabalhador, privando-lhe de seus direitos é pecado.

Humilhar o seu próximo por sua condição material é pecado.

Tentar disfarçar seus próprios pecados ao apontar os pecados alheios também é pecado.

Pecado também é viver de maneira inautêntica, escondendo-se atrás da máscara da religiosidade ou da moral e dos bons costumes.

Pecado é tudo aquilo que desumaniza o outro, transformando-o num trampolim para alcançar nossos mais sórdidos objetivos.

Se quer viver de maneira agradável a Deus, ame mais e não perca seu tempo julgando. Viva e deixe viver. Só não se cale diante da injustiça. Seja um cordeiro em causa própria, mas um leão pela causa do seu semelhante.

Autor: Hermes C. Fernandes

Edição: Alex Rosset

A maioria das pessoas é decente

Precisamos deixar de nos ver como o centro do mundo e apostar mais na promoção de valores coletivos e universais. Somente assim superaremos esta profunda crise.

Vivemos tempos que predominam narrativas e ideias que produzem diariamente um mito persistente de que, pela própria natureza, os humanos são egoístas, agressivos e, em situações de crise, suscetíveis ao pânico. Na realidade, diz Rutger Bregnan, é o oposto. É na crise que os humanos dão o melhor de si.  

Apesar de algumas práticas de atestados falsos, dos fura fila da vacina, da negativa de uso máscara, de descumprimento de protocolos e aglomerações proibidas, estas pessoas e manifestações são de uma minoria. Nestes 15 meses de pandemia, apesar de maus exemplos, inclusive de autoridades públicas, prepondera a coragem dos profissionais de saúde, a solidariedade dos voluntários e o altruísmo da grande maioria das pessoas. Ou seja, as pessoas, em sua grande maioria, são decentes e éticas.          

Resgato esta ideia e visão da obra Humanidade: uma história otimista do homem. Nela evidencia-se que são apenas algumas elites, ditadores e déspotas, governos e generais que costumam apelar à força bruta para evitar cenários que só existem na cabeça deles. Baseados na suposição de que o cidadão comum é regido pelos próprios interesses, assim como eles, reforçam generalizações que não representam a totalidade das comunidades humanas.   Cabe insistir que nossa humanidade deve sobrepor-se a animalidade, nossa sociabilidade sobre individualidade, nossa inteligência coletiva sobre o egocentrismo, a cooperação sobre a ganância e a justiça sobre a desigualdade promovida. A educação deve promover as potencias afetivas humanas positivas em detrimento das negavas e pessimistas.

Os seres humanos se tornarão melhores quando conseguirmos mostrar quem são e como podem humanizar-se durante toda sua vida, pois não nascemos humanos prontos, mas com capacidades de nos humanizarmos. Como? Através da educação, do trabalho, da ciência e da cultura. Nós não vamos conseguir dissolver nenhum tabu, nenhum paradigma, se não for pelo caminho da educação, cuja, principal missão, é formar humanos, por humanos, para o bem da comunidade.

A partir da ruptura social, aprofundada pela Covid, é preciso repensar o papel do ser humano na Terra. Precisamos deixar de nos ver como o centro do mundo e apostar mais na promoção de valores coletivos e universais. Somente assim superaremos esta profunda crise.  

A perspectiva ética almejada deve estar assentada numa relação de vida boa com o outro, para o outro, em sociedades e instituições. Portanto, é injustificável que o homem imponha e generalize os seus valores, inevitavelmente particulares, pois ele não é a causa nem o centro do mundo.

Autor: Gabriel Grabowski

Edição: Alex Rosset

    

Isolamento social pode estar afetando desenvolvimento da fala das crianças

Fonoaudióloga e professora da UPF esclarece a respeito da linguagem e orienta sobre a estimulação para o desenvolvimento da fala

A pandemia da Covid-19 transformou o mundo no âmbito econômico, social, educacional e de desenvolvimento.

Os reflexos disso ainda estão sendo sentidos e conforme especialistas há muito a ser estudado. Mas quando se fala em desenvolvimento, lembramos de uma geração de crianças que nasceram durante a pandemia e que não conhecem outro mundo que não o do isolamento social. Dessa forma, as interações voltaram-se para pais e familiares mais próximos, cerceada pelos “muros” dos cuidados para evitar o contágio da doença. Contudo, muitos pais têm se preocupado com o desenvolvimento da linguagem das crianças que parecem estar mais lentos no período.


Conforme a coordenadora do curso de Fonoaudiologia da Universidade de Passo Fundo (UPF), a professora Dra. Luciana Grolli Ardenghi, a linguagem começa a desenvolver-se desde o nascimento. “A criança inicialmente está plenamente engajada em uma interação social com o adulto. Entretanto, suas habilidades primeiramente estão direcionadas para a compreensão da linguagem e posteriormente, com a maturação neurológica, a linguagem começa a ser produzida por meio de vocalizações, balbucios, palavras e frases”, explica.

 Para Luciana, a linguagem é uma função social que precisa de interação e os exemplos em casa são fundamentais. “Os pais e irmãos são excelentes modelos para as crianças, entretanto o isolamento social vivenciado durante a pandemia da Covid-19 criou situações atípicas para as famílias. Pais que, apesar de estarem juntos fisicamente, não estavam disponíveis para a interação e, dessa forma, temos observado dificuldades na interação linguística da criança. Trata-se de mais um efeito negativo da pandemia”, comenta.

Ainda conforme a professora, pelo tempo extenso de distanciamento social, as experiências interativas das crianças foram alteradas. “Ainda estamos avaliando a repercussão desses fatores no desenvolvimento global, mas é certo que produzirão efeitos a longo prazo de forma mais ou menos intensa. Por isso, os profissionais precisam estar mais atentos aos critérios diagnósticos das patologias da linguagem”, destacou.

Marcos de desenvolvimento

De acordo com Luciana, há marcos no desenvolvimento das crianças em que os pais devem ficar atentos. Aos 6 meses, as crianças devem estar engajadas em jogos vocais com os adultos, caracterizados pelos balbucios (mamama, papapa, entre outros). Por volta de 12 aos 18 meses de idade, surgem as primeiras palavras e a velocidade de aquisição aumenta muito nesse período. “Chamamos essa fase de ‘explosão de vocabulário’, pois os pais relatam literalmente que ‘a criança está aprendendo muito rápido’. Em função desse repertório variado de palavras que a criança adquiriu, ela começa a juntar essas palavras em frases que inicialmente são compostas por duas palavras (‘nenê mamá’, ‘qué papá’) e ampliam-se até os 36 meses, quando produzem frases relativamente completas”, afirma.

Ainda conforme Luciana, é importante respeitar o ritmo de cada criança e, em caso de dúvidas, buscar o auxílio de um fonoaudiólogo, pois nessa fase é muito comum a família ter dúvidas sobre o desenvolvimento da linguagem da criança.

Estimulação
O ambiente no qual a criança está inserida é fundamental para a estimulação. Pais, mães, irmãos e avós são excelentes exemplos e modelos linguísticos e cada membro da família tem um papel importante nessa relação. “Essa troca se faz por meio de uma grande variabilidade de estímulos. A dica principal é variar os estímulos, acolher a linguagem da criança, apesar de suas dificuldades, questionar quando não compreender, proporcionar um ambiente seguro e desafiador ao mesmo tempo”, disse.

Dicas
Atitudes estimuladoras
: aguarde, espere, fique atento ao que a criança quer expressar. Brinque e divirta-se com jogos que a criança goste e desafie seu filho em novas brincadeiras.

Evite: ficar pedindo para a criança repetir, usar diminutivos (casinha, bonequinha, etc), falar em excesso sem dar tempo para a criança pensar.

Fique atento: quando as necessidades da criança são atendidas muito rapidamente e quando não há desafios adequados a sua idade no meio ambiente.
Importante: Crianças com distúrbios de linguagem têm a tendência de desistir facilmente ou frustram-se quando não são compreendidas. Por isso, crie um ambiente de acolhimento e carinho nessas situações. Além disso, as crianças não perdem habilidades adquiridas. O desenvolvimento é um processo contínuo. Por isso, quando a criança “esquece palavras” ou “para de falar” são sinais de grande risco para o desenvolvimento.

Clínica de Fonoaudiologia da UPF

A Clínica de Fonoaudiologia da UPF possui um conjunto de ações nas quais a comunidade pode beneficiar-se por meio de programas que realizam avaliação, tratamento e orientação às famílias.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (54) 3316-8498, nos horários das 16h às 21h.

Foto: Arquivo/UPF  

Edição: Alex Rosset

O ensino da filosofia às crianças

As crianças nascem filósofas, nós é que vamos adormecendo a filosofia dentro delas quando lhes damos respostas prontas para tudo o que nos perguntam.

Filosofia é coisa de adulto. Será mesmo? Será que Platão estava certo ao dizer que só os adultos devem estudar filosofia? Que ensino é este que faz as crianças pensarem de forma crítica e reflexiva capazes de formular as suas próprias opiniões senão a filosofia? Por que ela nos causa tanto medo? Por que as crianças gostam tanto de filosofar?

Não está na hora de revermos os nossos conceitos sobre essa educação que prioriza a compreensão de fórmulas matemáticas e decoreba de regras gramaticais por uma educação que leva a um pensar além da sala de aula?

Alguns educadores, teóricos da educação e até mesmo filósofos dizem que a filosofia não deve ser ensinada às crianças. Eu discordo disso.

Acredito que a filosofia é tão linda e tão maravilhosa às crianças que todas elas deveriam desde a tenra idade aprenderem a filosofar junto com os demais filósofos da nossa história. Talvez a discussão seja o motivo da nossa filosofia ser levada muito a sério e ter os seus conceitos muito complexos e áreas de estudo difíceis como a metafísica. Não sei.

As crianças estudam muitas coisas difíceis e complexas, pois tudo que é novo não é fácil de aprender. E se nos disponibilizarmos a ensinar-lhes desde cedo os conceitos da moral, das virtudes e dos vícios elas vão compreender dos seus jeitinhos.

Assim são os homens, cheios de mimos, de espanto, de curiosidade. Homens que investigam a natureza à procura de respostas às suas indagações. Afinal, já perguntava Sócrates: “Quem sou eu?” Esta pergunta nos leva a indagar sobre o futuro da humanidade e quem seremos nós daqui a alguns anos com esse crescimento desenfreado. Leia mais!

Claro que não podemos exigir que uma criança pense e tenha a opinião de um adulto. E também não devemos empurrar a filosofia goela adentro da criança, afinal todo ensino deve ser oferecido com cuidado, amor e sabedoria.

A filosofia questiona o tempo todo as coisas ao nosso redor e as crianças são eternas questionadoras. De uma certa forma, elas nascem filósofas, nós é que vamos adormecendo a filosofia dentro delas quando lhes damos respostas prontas para tudo o que nos perguntam.

Não temos mais paciência para conviver com as nossas crianças, nem sentarmos com elas para apreciar um fenômeno da natureza, não temos mais tempo para conversar com as nossas crianças assuntos que as levem a um pensar crítico e reflexivo.

Ficamos impacientes quando as crianças começam a nos encher de questionamentos sobre coisas que nunca pensamos e como somos donos do saber e nos achamos muito inteligentes diante das crianças não admitimos para elas que não conhecemos tais assuntos para que não nos passarmos por ridículos diante desses pequenos seres que estão cheios de curiosidades e que nós poderíamos despertar-lhes cada vez mais essas curiosidades para os mais diversos assuntos do mundo contemporâneo.

Somos os culpados das nossas crianças ao invés de estarem filosofando viverem o tempo todo presas a aparelhos eletrônicos, viciadas em jogos e redes sociais. Fomos nós que formamos essa geração tecnológica. Fomos nós que tiramos dela a beleza do pensar reflexivo e crítico. Não devemos culpá-las.

Talvez nunca mais vejamos as nossas crianças e jovens pensando e fazendo perguntas intrigantes como víamos há algum tempo. Estamos deixando as nossas crianças robotizadas e nem percebemos isso no corre-corre dos nossos dias. Os pais já não têm mais tempo para conversarem com os seus filhos, as escolas estão preocupadas em prepará-los para exames nacionais e competições as mais diversas.

Ensinar filosofia às crianças está cada vez mais difícil. Primeiro porque o Ministério da Educação não tem interesse em implantar essa disciplina nas primeiras séries do ensino básico, os professores não estão preparados e falta material didático. O ensino da filosofia proporciona à criança um olhar diferente diante do mundo e das pessoas ao seu redor.

A criança que tem contato com a filosofia desde a tenra idade nunca ficará calada diante de uma opinião pronta que lhe seja oferecida. Ela terá argumentos para negar certas opiniões.

Talvez por não desenvolvermos o pensamento crítico e reflexivo das nossas crianças é que estamos vendo o fracasso dos nossos jovens no Ensino Médio e no exame nacional de ensino médio quando esses não coonseguem escrever uma redação porque não sabem como argumentar, formular uma opinião e elaborar uma solução para um problema.

A filosofia não só contribui para a instrução da criança, mas também para a sua formação espiritual. Uma criança que estuda filosofia está mais preparada para lidar com os percalços da vida, sabe enfrentar os desafios e os problemas que surgem ao longo do seu viver.

Não quero dizer aqui que a filosofia seja a salvadora das crianças, mas quero afirmar com toda a certeza que ela é de fundamental importância na sala de aula da infância, pois pode ajudar na compreensão e facilitação do ensino-aprendizagem das demais disciplinas.

Também não quero dizer que qualquer pessoa esteja preparada para ensinar filosofia a uma criança. Não é verdade. Ensinar filosofia às crianças exige formação superior de licenciatura e pedagogia.

Antes de se ensinar a filosofia às crianças é preciso saber se o educador ama a filosofia. Não saberá ensinar filosofia aquele que não a conhece ou que faz apenas para complementar as suas horas de trabalho. É um mal às crianças colocar um professor para lhes ensinar filosofia que não goste do que faz.

Também chamo atenção para o cuidado de como se ensinar a filosofia às crianças. Muitos professores pensam que é somente se fantasiar de alguma coisa e contar uma historinha para a criança. Nada disso. A contação de histórias é um meio importante para o ensino da filosofia às crianças, mas deve ser contada de forma séria e alegre ao mesmo tempo para que não fique apenas no lúdico e acabe fazendo com que a criança apenas se distraia e não atente para a essência do que se quer passar através daquela história.

Falei acima da falta de material didático para o ensino de filosofia para crianças, mas este não é um obstáculo. Já existem muitos bons escritores com livros paradidáticos que trazem histórias que podem ser trabalhadas em sala de aula com esta disciplina. Também podemos encontrar na internet um bom número de material didático especialmente criado para as crianças.

O problema é que as editoras não investem em autores desconhecidos. Preferem publicar um material de difícil compreensão por parte dos professores e alunos de um filósofo renomado do que publicar o material de um professor que tem mais experiência de sala de aula na disciplina de filosofia para crianças.

O ensino de filosofia deve ser oferecido em salas de aulas com ventilação, cartazes coloridos nas paredes, tapetes no chão, almofadas para as crianças sentarem ou até mesmo deitarem, janelas abertas e um vaso de flores na mesa do professor. O ambiente deve ser aconchegante.

O acolhimento por parte do professor a cada dúvida, curiosidade ou simplesmente opinião do aluno deve ser registrado e observado com importância. A leitura é obrigatória. O diálogo também se faz necessário. Deixar que a criança descubra as suas próprias dúvidas quanto ao texto lido é importante. Tudo deve ser cuidadosamente elaborado. Nada deve ser obrigatório no ensino de filosofia às crianças.

Incentivar nas aulas de filosofia para crianças que elas criem as suas próprias histórias e elaborem perguntas sobre as coisas ao seu redor, sobre as pessoas também incentiva o pensar crítico e reflexivo.

Elaborar projetos interdisciplinares com outros professores também é uma boa ideia. Não ficar apenas nos livros paradidáticos, mas contar a história da filosofia, o seu surgimento, falar das grandes obras e até mesmo trazê-las à sala de aula de forma adaptadas vai despertar a curiosidade da criança. Como já falei acima, ensinar filosofia exige que o professor tenha imenso amor por ela e que seja um estudioso incansável das suas diversas diversas áreas.

O ensino da metafísica, da filosofia da linguagem, da filosofia da lógica, da filosofia da religião, da filosofia política, da filosofia moral e de tantas outras áreas podem despertar diversas curiosidades nas crianças. Elas podem usar essas curiosidades externas com as suas próprias e formar opiniões a respeito da realidade intrigantes.

A criança que tem a sua própria opinião não teme falar em público e nem se deixa abalar quando interrogada por um adulto curioso. Ela vai sempre ter uma resposta para oferecer a alguém.

Todos que me conhecem sabem da minha luta há mais de vinte anos pela implantação da filosofia nos currículos escolares da educação básica. No entanto, vejo que a luta não é fácil. Algumas escolas privadas ainda trabalham a filosofia para crianças, mas no ensino público não vejo mais no meu estado.

Há uma preocupação de se ensinar programação de computadores, lógica computacional às crianças como se a filosofia não fosse tão importante o quanto essas outras disciplinas. A criança que filosofa tem um pensar mais crítico capaz de criar programas com maior facilidade e que tenha utilidades maiores à sociedade. Ninguém pensa nisso.

Para ensinar filosofia às crianças, basta uma sala de aula, um professor cheio de desejo de ensinar e bom conhecimento. Apenas isso. Eu tenho lutado pela implantação do ensino de filosofia nas escolas públicas e vou continuar lutando. Há vinte e dois anos faço um trabalho voluntário com as crianças do meu bairro ensinando a filosofia. E como é lindo ensinar filosofia no meio da rua diante das estrelas!

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Por que filosofia é importante na educação básica?

É inegável que, com o advento da internet e das redes sociais, se popularizaram a escrita e a possibilidade de emitir opinião sobre os mais variados temas. Isso é bom! Porém o que refiro como derrota do pensamento é o nivelamento de todas as pessoas (ou quase todas), pois há muito de exclusão social e digital na abordagem dos temas. (Rui Antonio de Souza)

Já começo me explicando. Aliás, a filosofia sempre teve de justificar sua existência e sua utilidade. Coitada!

Ser professor ou professora de filosofia neste início de século é essencial, necessário e urgente. Mais do que nunca, é preciso fazer o enfrentamento das ideias, é necessário fazer a relação do conhecimento com as novas mídias para apresentar-lhes a criticidade, é urgente fazer o resgate do sentido do conhecimento crítico/reflexivo e científico.

A filosofia se coloca, mais do que nunca, na perspectiva inter e transdisciplinar do conhecimento, principalmente na área de Ciências Humanas, como uma atitude filosófica, como uma postura crítica diante da vida e dos fenômenos, como um viés investigativo/científico e crítico da realidade social, tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio.

 Nossa participação em Encontro Virtual com professor Israel Kujawa e Marciano Pereira, com abordagem do tema: Mundo digital: ensino da filosofia na educação básica.

Alguém sabe quando filosofia e sociologia retornaram às nossas escolas? Confesso-lhes que, apesar de sua recente volta, seu destino pode ser novamente o desaparecimento. Transcrevo artigo de minha autoria, escrito em 2008, que esclarece algumas pertinentes questões.

Filosofia e sociologia: bem-vindas!

“Numa espécie de “revolução silenciosa”, construída através da garra de estudantes, professores e mestres da educação, a filosofia e a sociologia retornam aos nossos currículos escolares, em 2007, em mais de 23 mil escolas de ensino médio em nosso país, através de uma Resolução do Conselho Nacional de Educação.

Bem-vindas! As suas contribuições, para além do esforço de uma formação mais integral e integradora, nos fazem crer que ainda há tempo para sermos menos céticos, mais críticos, mais atentos, mais cidadãos e cidadãs, com mais atitude, mais compreensivos, mais tolerantes, mais humanos e felizes, mais gente.

As disciplinas de filosofia, sociologia e história são importantes ferramentas para auxiliar na compreensão do ser humano, consciente e conhecedor de si mesmo e, igualmente, inserido em seu contexto social.

Temos insistido, em nossa prática cotidiana de sala de aula, na ideia de que pensar bem, como acreditavam os gregos, nos faz viver melhor. Pensar é algo inerente ao ser humano mas, estranhamente, explícita ou de forma silenciosa, muitos professam seu descrédito no pensar.

Desistindo de pensar, abrimos mão de conduzir nossos próprios rumos, uma vez que não pensar significa ser pensado pelos outros. Não se assumir, em pensamentos e ações, é também diminuir-se como ser humano.

Eu e os outros: sempre em relação

Outra percepção em nossos dias atuais é a grande dificuldade de convivência social. Vivemos permanentemente o conflito de nossas diferenças, a tensão de sermos, ao mesmo tempo, indivíduos e sociedade. Neste sentido, a sociologia, para além de nos ajudar a compreender os fenômenos sociais, poderá nos ajudar a compreender os fenômenos sociais, poderá nos ajudar a constituir e reconhecer novos valores e parâmetros de convivência.

Viver é con-viver, é tolerar, é respeitar, é somar diferenças, é sentir-se parte de uma determinada cultura que se inova e renova constantemente.

Em tempos que somos regidos pela velocidade das informações e do conhecimento, carecemos de habilidades de interpretação e compreensão do mundo. Compreendendo melhor o mundo, ampliam-se nossas oportunidades de nele intervir e com ele colaborar.

O que pode nos mudar são nossas atitudes!

Do conformismo para uma vida social mais ativa, seremos capazes de compreender o alerta de Bertold Brecht: “não diga nunca: isto é natural para que nada passe a ser imutável”.

Roda de Conversa 2- Experiências atuais no Ensino da Filosofia: em busca de perspectivas (GEPES – UPF) Assista!

Com que metodologia trabalhar com os estudantes?

Seguem algumas pistas, construídas pelo trabalho especifico de 15 anos com este componente curricular.

Acredito, como Kant, que “não se ensina a filosofia, ensina-se a filosofar”. Defendo a ideia de que professores são parturientes, seguindo a Maiêutica de Sócrates. Através do diálogo, os estudantes são desafiados a confrontar-se com seus próprios pensamentos, motivados por professores e professoras que lhes sugerem perguntas boas e essenciais, que tenham sentido para sua existência.

A partir de leituras prévias, seguidas de debate e apresentação dos diferentes entendimentos, os estudantes devem ser convidados a sistematizarem o que leram e debateram. A construção textual, feita de várias maneiras (resumos, resenhas, pequenos textos, reflexões) contribuem para fortalecer a construção dos conhecimentos, sempre além da informação e da mera opinião. Depois das leituras de textos, é importante colocar “questões para pensar”.

Outra estratégia metodológica importante é trabalhar a construção de conceitos, que nada mais é do que “dar nome às coisas, dizer o que as coisas são”. O exercício de conceituar, de resumir, de definir é tão importante quanto descrever. Reparem que, talvez, seja mais fácil para muitos de nós escrever um texto sobre felicidade, por exemplo, do que construir uma definição, mesmo que sempre provisória, da coisa felicidade.

Uma aproximação da filosofia com outros campos de conhecimento como a literatura pode favorecer o interesse e a dinamização dos conhecimentos filosóficos.

A filosofia é sempre atividade perigosa, porque instiga a pensar. Pensar bem, para viver melhor, era desejo dos gregos. Para alcançar o real desenvolvimento humano, recomendavam a sabedoria, a coragem, a temperança e a justiça. Na Grécia Antiga competia-se em tudo, sobretudo no campo das ideias e dos destinos da cidade (polis), tendo em vista ser cidadão (capaz de governar e ser governado). Neste sentido, herdamos o desafio de formarmos seres humanos preparados para viver a vida e a cidadania. Leia mais!

Problemáticas atuais do Ensino da Filosofia nas escolas

Elencamos algumas dificuldades que se perpetuam no Ensino da Filosofia nas últimas décadas:

  1. Pouca valorização deste componente curricular nas escolas;
  2. A maioria dos professores que atuam com disciplina não tem formação específica em Filosofia, dificultando o entendimento sobre os objetos de conhecimento e as finalidades da mesma na formação dos estudantes;
  3. Poucos períodos de aula para a abrangência das competências e habilidades da Filosofia. Na contramão desta situação, no estado do Amapá, Resolução do Conselho Estadual de educação amplia para 2 períodos semanais as disciplinas de filosofia e sociologia. Leia mais!
  • A questão do pensar crítico é atribuída, muitas vezes, somente ao professor de filosofia, quando deveria ser função de toda escola e de todos os componentes curriculares;
  • Proposta interdisciplinar da Filosofia pode reduzir a mesma a pó, por conta da falta de professores com entendimento sobre suas especificidades. Como integrar a Filosofia aos demais componentes curriculares sem a devida compreensão do seu objeto de estudo e das suas finalidades na formação crítica e cidadã dos estudantes?
  • Muitos estudantes chegam ao Ensino Médio com pouca bagagem de conhecimentos filosóficos e poucas habilidades críticas diante da vida, dos conhecimentos e dos fenômenos sociais e culturais. Leia mais!

 As temáticas apresentadas para a filosofia procuram caracterizar o objeto do conhecimento, que é o pensamento crítico e reflexivo. Para tanto, remetem sempre ao que é filosofar, aos grandes temas abordados pelos filósofos ao longo da história da humanidade , qual é o papel da lógica e da ética, da ciência e da política. A filosofia, ou o filosofar, devem ajudar a problematizar o nosso cotidiano, em busca de respostas mais elaboradas e mais consistentes e conscientes. Leia mais!

Autor: Nei Alberto Pies

Edição: Alex Rosset

A necessidade da reinvenção humana

Em março de 2020, quando fomos surpreendidos pela pandemia da Covid 19, imaginávamos algo passageiro, fato que os cientistas contestavam. Surgiram muitas críticas ao dito alarmismo que, na opinião dos céticos quanto à gravidade, começava a prejudicar a nação, especialmente a economia.

Depois de um ano e alguns meses, vê-se que a pandemia persiste e continua fazendo vítimas. Estes últimos tempos têm sido marcados pela consciência da enfermidade e pelo luto. Muitas famílias foram atingidas pela doença e também pelo luto devido à perda dos entes queridos.

No cenário de pandemia generalizada, fomos provocados à reinvenção ou à atitudes resilientes para continuarmos vivendo. Os processos tais quais estávamos acostumados não decorreriam da mesma forma. A máscara deixou de ser um instrumento “folclórico” e passou a ser de uso cotidiano e permanente. A atitude de lavar as mãos, tornou-se essencial no cuidado pessoal. A tônica do cuidado extrapolava o âmbito pessoal e estendia-se à família e à sociedade. Usar máscara e lavar as mãos implicava em responsabilidade social e demonstração de compromisso com o cuidado da vida e da vida do outro.

Infelizmente,  atitudes de cuidado e proteção à vida foram ligadas às ideologias ao ponto da pessoa que defendesse o uso da máscara ser chamada de comunista. Os disparates estenderam-se para outras direções, inclusive em teorias conspiratórias quanto ao uso da vacina. Em tempos que eram necessárias boas e verídicas informações circularam e continuam circulando muitas informações falsas. Muitos ainda acreditam, mesmo com evidências contrárias.

A reinvenção fez-se necessária. Fomos alçados a novas necessidades em vista da preservação da vida e da manutenção das atividades ordinárias ligadas à economia, à convivência familiar e com amigos e à prática religiosa. Entramos em um tempo de espera paciente, de adiar processos. Isto não se traduziu em tempo perdido.

Entramos no tempo dos processos mais lentos e cuidadosos. Nestes meses, fizemos planos e não os concretizamos. Organizamos atividades, mas fomos impedidos de levá-las para frente. Algumas iniciativas, aparentemente urgentes, foram suspensas e o mundo não ruiu. Ações consideradas prioritárias não foram assumidas e viu-se que poderiam ficar em segundo ou até terceiro plano.

Atrás das nuvens da pandemia e do desespero, vimos muita luminosidade boa. Descobriu-se o vizinho que se colocou à disposição para ajudar aqueles que não podiam sair de casa. Partilhou-se procedimentos em vista de um cuidado maior. Algumas pessoas dedicaram muito tempo em confeccionar máscaras para doar àqueles que não podiam comprar. Redescobrimos o bom uso da tecnologia e das redes sociais.

Muitos viram que a correria a que estavam acostumados não era tão interessante assim. A sociedade deu-se conta do valor dos educadores e educadoras que passavam horas no cuidado das crianças e adolescentes e também tiveram que se adaptar aos novos métodos de ensino.

Compreendeu-se o valor do trabalho das profissionais da limpeza pois, no pano passado no chão e na desinfecção dos móveis e ambientes está um princípio de saúde. Nos damos conta do valor desse trabalho. Quem passou pelo hospital viu que junto ao médico e enfermeiros existem tantos outros profissionais lá atuando e que são fundamentais para a recuperação da saúde.

Mesmo que alguns teimem em olhar somente para o seu mundo, alicerçado nos pilares do egoísmo, nos damos conta da necessidade da solidariedade.

As redes sociais não foram usadas apenas para semearem a desinformação e a mentira. Por elas, também passaram também as boas informações e várias iniciativas de solidariedade. A entre ajuda tem permitido fazermos esta travessia menos machucados e mais conscientes da nossa condição humana frágil, contudo propensa à comunhão.

Sentimos falta do abraço, do aperto de mão, do afago. Por vezes, não reconhecemos o amigo ou familiar atrás da máscara. Há tempos que não vemos sorrisos. Estas coisas fazem falta. Outras nem tanto. Neste tempo de enfermidade e luto, mas também de solidariedade e partilha, vamos fazendo a travessia em constante reinvenção de nós mesmos e das nossas relações.

Que lá no final disso tudo estejamos melhores aos olhos do outro e aos olhos de Deus.

Em junho de 2020, o jornalista e cartunista Leandro Dóro já fazia importantes perguntas e algumas respostas sobre o pós pandemia: “Quais aspectos serão predominantes ao final da pandemia? Quais irão morrer? Cada um tem uma resposta particular. Mas também necessitamos de uma pesquisa científica avalizada em métodos para que possamos ter uma abalizada interpretação do porvir. Leia mais!

Autor: Pe. Ari Antônio dos Reis

Edição: Alex Rosset

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