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Homo Imprudentis

Estamos abusando e estressando a Terra ao tirar dela recursos para prover toda a nossa ganância material.

Hoje em dia, parece haver pouca dúvida de que o animal homem e a sua economia de expansão material global estão escrevendo a história dos tempos modernos assinando uma espécie de atestado de autoextermínio, à medida que se potencializa em diversos fronts o sepultamento do mundo verde.

Nessa direção, dado o que é possível conhecer até o momento, pesa-nos constatar que:

(i) cerca de 7,3 milhões de hectares de florestas são destruídas a cada ano no planeta; (ii) cerca de 350 milhões de hectares de florestas em todo o mundo foram destruídos pelo fogo apenas no ano 2000; em cerca de nove de cada dez casos de queimada há o envolvimento humano direta ou indiretamente; (iii) erosão, compactação e perda da matéria orgânica, entre outros, atingem quase um terço das terras do planeta; (iv) em 58% da superfície terrestre a perda da biodiversidade está abaixo do “limite seguro”; (v) entre 1970 e 2006, o número de espécies de vertebrados teve um declínio de 30% em todo o mundo; 40% das espécies de aves e 42% dos anfíbios apresentam população em queda, aponta o Panorama da Diversidade Global; (vi) baseando-se em dados fornecidos pela ONG WWF, notar-se-á que em apenas 40 anos (1970-2000), os sapiens destruíram 52% da fauna do planeta (notadamente, as espécies de mamíferos, pássaros, répteis, anfíbios e peixes); (vii) também nesse mesmo período mencionado, houve uma drástica queda de 76% das populações de espécies de água doce, de acordo com o Índice Planeta Vivo (Living Planet Index).

O preço dessa inconsequência, precisamos admitir, tem sido demasiadamente elevado. Estamos abusando e estressando a Terra ao tirar dela recursos para prover toda a nossa ganância material.

Fato concreto é que, hoje, como outrora, temos nos comportado como uma espécie estúpida (Homo imprudentis) com poder de afetar e desequilibrar a nossa própria qualidade da experiência humana. Justamente por isso se diz, a rigor, que temos configurado a era do Antropoceno – o período de tempo que tem combinado agressiva ação humana com poder econômico.

Para terminar essas pesarosas constatações, convém lançar uma pergunta incômoda que precisa ser prontamente respondida pelos gestores do mundo moderno: as economias contemporâneas podem crescer indefinidamente ou há, de fato, limites físicos e ecológicos para esse crescimento?

Respostas possíveis: diminuir a taxa de consumo material e energético das sociedades industriais; mitigar os efeitos nocivos sobre o meio ambiente; e, como uma espécie de prêmio final à qualidade de vida, construir uma combinação viável entre economia e ecologia, visando superar o confronto entre a produção humana e a natureza.

Da tentativa de consolidar um modo global de produzir que não respeita limites, principalmente os ecológicos (matéria e energia), tem resultado, tout court, num intenso foco de tensão entre o sistema econômico (a tecnosfera, produção humana) e o sistema ecológico (a ecosfera, a natureza). Leia mais!

Autor: Marcus Eduardo de Oliveira, economista e ativista ambiental. Autor de “Civilização em Desajuste com os Limites Planetários” (CRV, 2018), entre outros.

Edição: Alex Rosset

Contra o negacionismo: compreensão e amabilidade

Educar-se para a imaginação criativa, abrir-se à alteridade, são exigências que somente a “compreensão” e a “amabilidade” – acrescentaríamos, a “amorosidade” – podem realizar em relações consistentes, profundas, duradouras e que não sucumbem à volatilidade do egoísmo primário.

Há grupos significativos da sociedade nos dias atuais que se vangloriam por se dizerem numa posição que tem sido classificada como “dissonância cognitiva”.

É um termo ainda pouco conhecido ainda que o que ele significa seja bem familiar. Foi criado por Leon Festinger, professor da New School for Social Research de Nova York, para fazer referência à negação sistemática de evidências e de argumentos sobre assuntos diversos de modo a que, dessa forma, as próprias crenças não sejam frustradas. Lembra bem a fábula “A Raposa e as Uvas” de Esopo. É uma boa espécie de fundamentalismo individualista que traduz bem a imagem plástica dos três macaquinhos chineses, ainda que combine com o que não vê e não ouve, mas se inclua entre os que falam. Em linguagem popularizada entre nós, esta postura tem sido chamada de “negacionismo”.

O professor Leo Peruzzo Jr., em recente artigo na Le Monde Diplomatique Brasil (21/07/21), mapeou “doze máscaras do negacionismo”. Segundo ele, são a máscara da ignorância, do moralismo, da pseudociência, das fake news, do anonimato, do comunista, do autoritarismo, do liberalismo econômico, da militarização do Estado, do doutrinamento religioso, da docilização dos afetos, e do culto à tortura, ao horror e aos castigos físicos. Ele diz que “A máscara […], mais do que ser expressão simbólica de algo, serve para encobrir, esconder e disfarçar a identidade ou, em outras palavras, a fragilidade deste eu que prefere o anonimato e a solidão de suas ilusões”. Para ele, os negacionistas, “assim como o mimetismo dos camaleões, escolhem em cada ocasião seu novo adereço”.

O negacionismo não é só uma postura que se recusa a aceitas as evidências. Ela também é hipócrita e, pior, cínica. Mas, um negacionista é tudo menos inocente e ingênuo, ainda que possa ser estúpido e ignorante.

O negacionista é hipócrita por sua “vida dupla”: em público honra a virtude e na obscuridade se orienta pelo vício. Alega fazer o que faz e defender o que defende em nome da honra e dos “bons costumes”, ainda que para isso use palavras, valores e ações que podem destruir a vida e a outros/as humanos/as. Mas é pior, ele é cínico, aquela característica que o Marquês de Sade atribuiu às classes altas, liberadas de qualquer contenção e que defendem como sendo “naturais” e inevitáveis seus privilégios, poder, violência e impunidade.

Negacionistas preferem e se comprazem no cinismo; a hipocrisia já nem lhes é mais necessária: não têm como se dar ao luxo de, ao menos, “parecer bons” – a “banalidade do bem” é, mesmo, insuportável.

Contra o negacionismo, sua hipocrisia e cinismo, talvez seja o caso de apresentar o antídoto da “compreensão” e da “amabilidade” – e não estamos nem falando de “amorosidade” –, sugeridas como pequenas “satisfações” por Bertolt Brecht em poema de 1956 (mais conhecido pelo título “Prazeres”). Elas certamente soam ridículas ou extravagantes para sujeitos ensimesmados nas virtudes do egoísmo.

A “compreensão” é tanto no sentido de conhecimento, do pensar, do refletir, do interpretar, do explicar e mais, quanto no sentido de exercício do respeito ao que outros/as conhecem, pensam, sabem. A “amabilidade” não é sinal de fraqueza ou de submissão, mas de abertura e do achegar-se com proximidade à alteridade. “Compreensão” e “amabilidade” somente podem ser exercidas se houver atenção, simpatia, cuidado com o/a outro/a; se a indiferença, o ódio e a inimizade forem superados. Seja pelo “racional”, seja pelo “afetivo”, uma postura e outra se colocam como possibilidades de enfrentamento da brutalidade e do “brutalismo”, tão comuns entre negacionistas. A “regra de ouro”, do “não faça aos/às outros/as o que não queres que lhe seja feito”, é quebrada tout court, simplesmente não faz o menor sentido, a não ser entre os iguais, os do mesmo…

A vida rasa e rala é própria de quem se orienta pelo padrão negacionista. É mais fácil converter valores e princípios em moralismo, quanto mais superficial for a vida ética.

“Compreensão” e “amabilidade” sugerem enfrentar e, quiçá, superar uma das dicotomias mais deletéreas que nos herdou a modernidade, a que separa Razão e Sentimento/Afeto e que atribui profundidade e caudalosidade à vida ética se estribada unicamente na primeira, em detrimento e descaso do segundo. Há um desafio que vai no sentido de encontrar um encontro possível já que há que se viver a “compreensão” e a “amorosidade”.

Orientar-se unicamente pelos “mais próximos”, “os de confiança”, reduz o alcance ao interesse, ao auto interesse. A simpatia e a empatia, tão hodiernamente invocados, não podem se resumir aos iguais, aos nossos, aos mesmos, sobrando, na melhor das hipóteses, a condescendência – que é até onde pode ir a tolerância – com os/as outros/as.

Esticar o horizonte, educar-se para a imaginação criativa, abrir-se à alteridade, são exigências que somente a “compreensão” e a “amabilidade” – acrescentaríamos, a “amorosidade” – podem realizar em relações consistentes, profundas, duradouras e que não sucumbem à volatilidade do egoísmo primário.

Autor: Paulo César Carbonari

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Doutor em filosofia (Unisinos), militante de direitos humanos (CDHPF/MNDH) e pesquisador convidado NEP/UnB.

Edição: Alex Rosset

É preciso falar da importância da água às crianças

Tales estava certo, a água é o princípio de tudo, apesar de gostar de Heráclito quando ele diz que não entramos num rio duas vezes, já que a água que corre agora sempre será diferente daquela que passou.

O princípio da vida é a água, disse o filósofo Tales de Mileto no século VI a.C. Tornou-se o pai da filosofia com o seu princípio revolucionário e foi um dos criadores da filosofia da natureza. Em tempos em que se especulava o princípio da vida, onde a mitologia pagã dava explicação para tudo, Tales surge como um filósofo intrigante e especulador que nada deixa por escrito após a sua morte, mas nos deixa a sua famosa arché. A água seria a substância de todas as coisas. Tales afirmou que a água possui vida e movimentos próprios.

Já que a água é e o elemento de todas as coisas pode-se dizer que tudo está vivo e animado. Houve quem discordasse de Tales e, também há quem concorde até os dias atuais, afinal a filosofia sempre está à procura de novos conhecimentos.

A verdade é que a água é a fonte da vida. Sem água, não é possível a existência de vida, por isso devemos aprender a sua importância e a cuidarmos dela para que nunca venha a faltar porque se a água acabar certamente morreremos todos, o planeta Terra deixará de existir. Uma coisa com a qual parece que não nos preocupamos é com a água, principalmente, quem mora nas cidades grandes e em condomínios de luxo com as suas enormes piscinas e banheiras caríssimas. Enquanto tem tanta gente necessitando de um copo de água para matar a sede em outros continentes do mundo.

Somos pouco cuidadosos com as coisas ao nosso redor. Só damos valor aquilo que nos interessa. Apesar de sabermos que dependemos da água para vivermos, nem ligamos para isso porque a temos em abundância, pensam alguns cidadãos.

Segundo podemos ver no refrão da letra da canção de Guilherme Arantes “Terra! Planeta água!” estamos rodeados por água, mas toda ela não está disponível para ser consumida, pois a sua maioria é salgada e precisaria de um tratamento químico para poder ser utilizada domesticamente, o que a encareceria bastante. Dispomos de pouca água doce no mundo todo

Segundo cientistas, 70% da superfície do planeta é constituída de água. De toda essa água, o maior volume é de água salgada e somente 2,5% é de água doce e, desses poucos 2,5%, quase 98% está debaixo da terra, ou seja, na forma de água subterrânea. Assim, nas sociedades modernas a busca pelo conforto implica num maior gasto de água que já é tão pouco para o nosso uso comum.

Tem até uma crença nordestina que diz que se chover no dia 19 de março, dia de São José, santo da igreja católica, é porque o inverno será bom para o sertanejo e todos ficam a torcer para que chova neste dia tão maravilhoso. E assim como a canção de Guilherme Arantes que diz “Gotas de água da chuva / Alegre arco-íris / Sobre a plantação”, somos agraciados com a chuva que chega alegrando o sertanejo que sofre com a falta de água o ano inteiro. E faz promessas para os seus santos trazerem chuva no inverno. Ouça a música Terra, planeta água: https://youtu.be/sMgCgImKCKw?t=21

A coisa mais linda do mundo é a festa da sangria nos açudes das cidades onde a falta de água é grande. Toda a população da cidade vai fotografar o açude e as suas águas transbordando para os quatro cantos do mundo.

As grandes secas que assolam o nordeste brasileiro é um sofrimento para os seus agricultores. Ver as vaquinhas morrendo de fome no terreiro, a cisterna vazia, ter que beber de uma água suja e salobra quando sobra um pouco no rio distante de casa cerca de dezenas de quilômetros e não ter previsão de quando virá chuva ou água fresca para poder regar a plantação de milho e feijão que estão morrendo com a falta de água. Essa é a vida do nosso bravo sertanejo que apesar de tudo na arreda pé do seu lugar. Nos anos trinta e quarenta, muitos foram embora buscar o sonho de uma vida melhor no sudeste, mas os que aqui ficaram lutam todos os dias pela sobrevivência com a falta de água potável para consumo. É um sofrimento difícil a do nosso nordestino.

É preciso coragem para viver essa vida onde sem água para beber e comer vai se reinventando com a chegada do caminhão pipa que traz água há cada seis meses e deixa um pouco, de casa em casa.

No romance “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, publicado em 1938, podemos ver a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. Neste romance que recomendo leitura podemos ver como é a sofrida vida do sertanejo.

Fazendo leituras assim que percebemos a importância dos nossos diversos povos à nossa história e que chegamos a um raciocínio do quanto somos egoístas ao pensarmos somente no nosso bem-estar em relação a água da qual dispomos em abundância nas nossas casas. Muitas vezes nem nos damos conta do quanto milhares de pessoas estão morrendo de sede espalhadas pelo mundo inteiro.

A água da chuva é uma bênção para o sertanejo, mas também pode ser para aqueles que vivem nas grandes cidades. E já há condomínios de luxo e alguns empreendimentos que sabem aproveitar essa água guardando-a num lugar seguro para o seu bom uso quando necessário. Assim, todos nós devemos aprender a poupar a água da chuva. Nas casas comuns, colocarmos o nosso balde ou bacia para amparar a água que cai da bica e com ela podermos fazer muitas coisas.

Devemos aprender a valorizar a água da chuva. É uma água limpa e doce. Uma água que nos é presenteada bastante no inverno do sul e sudeste do nosso país. Essa água pode ser usada para lavar calçadas, dar descargas no banheiro, lavar carros, aguar jardins e tantas outras coisas mais que possamos imaginar.

Faz alguns anos que os nossos cientistas vêm buscando vida em outros planetas. Um robô enviado ao planeta Marte descobriu água na sua superfície, e esse pode ser um indício de vida. Muitas outras pesquisas estão sendo feitas e robôs mais sofisticados desenvolvidos para investigarem a existência de vida realmente neste pequeno planeta vermelho que tanto nos fascina.

Com essa descoberta, alguns filmes de ficção e séries foram criados para refletirmos sobre a possibilidade de irmos morar no planeta Marte caso aconteça uma tragédia com o planeta Terra. Até missões científicas são enviadas ao pequeno planeta Vermelho na série “Marte”. Diversos pesquisadores passam a viver em Marte realizando pesquisas para descobrirem condições favoráveis de podermos viver lá, isso é o que deseja a empresa que patrocina estas missões na série que pode ser vista pela Netflix e foi inspirada no livro “Marte: nosso futuro no planeta vermelho”, leitura também recomendada.

O homem sempre teve curiosidade de descobrir vida inteligente fora do planeta Terra e com o grande avanço da tecnologia dando-nos possibilidades de viajarmos para a lua e agora enviarmos pequenos robôs ao planeta Marte descobrimos que é necessário a presença de água para que haja vida, pois ela é o elemento primeiro da sua existência. Assim, é descartada a existência de vida onde não se tem água o que nos parece concluir que Tales de Mileto estava certo no seu pensamento.

O tão sonhado desejo de encontrar vida inteligente fora da Terra continua e os cientistas estão indo cada vez mais longe nessa busca. E se buscamos vida inteligente é porque temos a esperança de que exista água em algum lugar do universo além do planeta Terra e que possamos estar certos nesta teoria. Afinal, seria muita pretensão acharmos que somos únicos no universo. É claro que existe vida além de nós, agora se é inteligente ou não isso seria um motivo para um outro ensaio.

Tem um grande poeta do nosso pantanal que escreveu um poema para crianças muito bonitinho e que toca profundamente no fundo dos corações das crianças e dos professores e que pode ser ensinado em sala de aula para conscientizar as crianças da importância da água e do seu bom uso. Falo aqui do poema “O menino que carregava água na peneira” nos seus lindos versos iniciais onde o poeta nos diz “Tenho um livro sobre águas e meninos/Gostei mais de um menino/
que carregava água na peneira.”

A gente pode imaginar as águas e os meninos do livro de Manoel de Barros em suas peraltices, mas a gente também pode imaginar essa água que é carregada numa peneira em forma metafórica que na realidade pode ser ensinada às crianças a ser carregada em baldes para encher tonéis e caixas de água evitando assim que quando houver algum problema nos canos da companhia de água da sua cidade venha a faltar água em casa, o que é um transtorno. Essa peneira de Manoel de Barros também pode ser representada como um coração que carrega a água pra cima e pra baixo pelo seu imenso amor a ela.

A peneira pode representar muitas coisas a depender da criatividade da criança. Cabe ao professor deixar que a criança imagine como se carrega água numa peneira e que ela descubra outras possibilidades de se carregar água sem que seja desperdiçada.

Tenho em minha casa um grande exemplo de como se poupar água para não faltar: a minha mãe de setenta e seis anos de idade. Ela guarda a água da máquina de lavar roupas em grandes bacias de plástico. Com essa água a gente lava a calçada, o terreiro, dar descargas no banheiro e lava até o carro do meu irmão quando chega sujo aqui em casa. A minha mamãe inventou uma engenhoca com um pedaço de cano que consegue tirar a água da máquina de lavar direto para a bacia. A nossa conta de água é relativamente baixa e aqui nem um pingo de água é desperdiçado.

Outro dia levei a minha mãe para fazer uma palestra aos meus alunos sobre a importância da água e eles ficaram maravilhados com as suas palavras. Já pensou, professor, se você consegue levar à sua escola uma pessoa igual a mamãe? Sei que são poucas, mas ainda existem muitas por esse país a fora.

No dia 22 de março de 1992 a ONU instituiu o Dia Mundial da Água. É uma data para refletirmos a respeito da importância de preservarmos os recursos hídricos. Neste dia, foi divulgada também a Declaração Universal dos Direitos da água. Qualquer pessoa pode ter acesso a esta declaração na internet.

É importante que as escolas procurem mostrar aos seus alunos a importância da água, mas é preciso que façamos um pouco mais por esse dia. Devemos não somente fazermos palestras e passarmos vídeos para as crianças, mas conscientizá-las de que todas devem poupar água para não corrermos o risco de ficar sem ela, um dia.

As crianças não têm ideia do quanto gastam água quando ficam com o chuveiro ligado o tempo todo enquanto se ensaboam ou brincam embaixo dele. Elas também não têm ideia do quanto gastam água quando estão dando banho nos seus cachorros com a mangueira aberta e os cuidados que devem ser mantidos quando vai se aguar o jardim de casa ou a grama do terreiro. Devemos dizer às crianças que se não economizarmos, se não pouparmos, vai chegar um dia em que faltará água e todos morreremos.

Os recursos hídricos têm profunda importância na nossa economia. Em relação à produção agrícola, a água chega a representar noventa por cento da composição física da planta. A falta de água pode destruir lavouras e até ecossistemas. Na indústria, para se obter diversos produtos são necessários grandes volumes de água. Mais motivos para que tenhamos cuidado com a nossa água. O agronegócio, tão falado nos últimos anos, necessita de grandes projetos de irrigação para as suas diversas plantações.

O homem do campo sabe bem da importância da água assim como os empresários de indústrias que necessitam dela para o seu funcionamento. Tudo o que fazemos depende da água.

Ao abrirmos as nossas torneiras temos que ser conscientes de que lavar as mãos corretamente é necessário, mas desperdiçar água nunca. Tem gente que deixa a torneira aberta por vários minutos enquanto lava a louça, principalmente algumas donas de casa que não se dão conta dessa necessidade de poupar água para não faltar. Também se gasta muita água lavando roupas seja na máquina de lavar seja no tanquinho de cimento. A água que serviu para enxaguar determinada peça de roupa pode servir para deixar de molho outras roupas ou para ensaboá-las.

Se cada um fizer a sua parte não vai faltar água no nosso planeta. Mas, para que isso aconteça é necessário que todos nós sejamos conscientizados de que a água é o elemento fundamental da vida, sem ela não existimos.

A água doce utilizada pelo homem vem das represas, rios, lagos, açudes, poços, reservas subterrâneas e em certos casos do mar (após um processo chamado dessalinização). A água para o consumo é armazenada em reservatórios de distribuição e depois enviada para grandes tanques e caixas d’água de casas e edifícios. Após o uso, a água deveria seguir pela rede de captação de esgotos. Antes de voltar à natureza, ela deveria ser tratada para evitar a contaminação de rios e reservatórios, porém não é isso o que acontece em grande parte dos países do mundo.

Sem uma água tratada não seria possível para o homem fazer as tarefas mais simples do seu dia a dia. A água limpa que chega as nossas torneiras passa por um sério processo delicado de tratamento e cuidado, envolvendo muita ciência e tecnologia. Para que tenhamos uma água de qualidade, diversos processos são empregados a fim de garantir um padrão. Esse processo de tratamento, desde a captação em rios, lagos ou poços é fundamental, principalmente para a saúde da população, evitando assim, vírus, bactérias e impurezas capazes de disseminar várias doenças. Contudo, cada município pode adotar diferentes técnicas de tratamento, a depender das necessidades e características da sua rede de abastecimento.

Muitos esgotos correm para os nossos rios contaminando assim a nossa água, por isso não é recomendável tomar banho em certos rios ou até mesmo beber das suas águas e muito menos cozinhar com elas. O efeito do crescimento desenfreado das cidades grandes e dos bairros em que não existe rede de esgotos é um problema sério para a contaminação dos nossos rios quando todo tipo de água corre para eles.

Toda água para o consumo deve ser tratada antes. E se a pessoa desconfiar que ainda assim não está bem tratada que a ferva antes do seu consumo, pois todo cuidado com a nossa saúde e a dos nossos familiares é grande.

Em algumas regiões do nosso país, as pessoas preocupadas com o problema da poluição das nossas águas, vêm consumindo garrafões de água mineral para beber ou cozinhar. Também devemos ter cuidados com esse tipo de água vendido em nossas portas ou comércios locais, pois nem todas atingem um padrão de qualidade exigido. Devemos saber sempre de onde vem a nossa água mineral e se a empresa que está nos vendendo atinge os padrões de qualidade exigidos pelos órgãos do nosso município ou estaremos jogando dinheiro fora consumindo uma água que não é devidamente tratada, conforme diz em sua propaganda.

Todo cuidado é pouco quando diz respeito a água que bebemos, pois muitas doenças podem ser causadas pela água contaminada.

A água nossa de cada dia, quando não bem tratada, pode ser uma fonte intensa de doenças. E as doenças transmitidas pela água surgem quando ingerimos ou usamos água contaminada. Essa contaminação pode acontecer por fezes humanas ou de animais. Ainda existem muitas famílias carentes que não têm banheiro em casa e fazem as suas necessidades fisiológicas nos rios perto das suas casas, assim como levam os seus animais para tomarem banho nos rios onde eles acabam fazendo cocô e contaminando a água.

Das doenças mais comuns que podem ser transmitidas pela água contaminada é a Amebíase. É provocada por meio da ingestão dos cistos do protozoário Entamoeba histolytica. Geralmente, isso acontece por meio de água contaminada com as fezes de pessoas doentes, por isso a doença é mais frequente em locais onde o saneamento básico e as condições de higiene são precários. Outras doenças comuns que ocorrem em lugares onde a água não é tratada adequadamente são a Cólera e a Leptospirose, principalmente em crianças e mulheres grávidas.

O Brasil é um país privilegiado no que diz respeito à quantidade de água. Tem a maior reserva de água doce da Terra, ou seja, doze por cento do total mundial. Sua distribuição, porém, não é uniforme em todo o território nacional. A Amazônia, por exemplo, é uma região que detém a maior bacia fluvial do mundo. O volume de água do rio Amazonas é o maior de todos os rios do globo, sendo considerado um rio essencial para o planeta.

Apesar de sermos um país privilegiado com água doce, as águas dos nossos rios estão comprometidas com a falta de cuidados e a poluição que cresce a cada dia. São esgotos a céu aberto correndo para os rios e lixos de todos os tipos. Também temos as nossas desigualdades, pois enquanto em algumas regiões há água em abundância em outras sofremos com a sua falta. A transposição do rio São Francisco foi uma solução que trouxe água para muitas famílias do sertão nordestino, mas ainda é preciso fazermos muito mais por esse homem tão sofrido e ao mesmo tempo tão corajoso para plantar onde pouca chuva cai e quando cai quase não dar para poupá-la.

As maiores concentrações populacionais do país encontram-se nos grandes centros urbanos, como: São Paulo e Rio de Janeiro. Com o problema da falta de água no nordeste brasileiro, temos ainda muitas migrações para essas cidades, o que só agrava os seus problemas de falta de água.

O rio Tietê está poluído há anos e por mais que se tente limpá-lo fica cada vez mais difícil, face ao desenvolvimento desenfreado da cidade de São Paulo sem planejamento como temos visto com o crescimento das favelas onde não temos esgotos e água tratada.

Precisamos aprender a cuidar dos nossos rios como o Amazonas e o São Francisco que são os dois maiores do nosso país, claro não esquecendo dos demais.

Acredito que se tudo isso dito aqui for trabalhado através de aulas passeio, vídeos, teatros, palestras com as crianças elas serão conscientizadas da importância da água às nossas vidas e poderão ajudar os seus pais a fazerem bom uso dela, pois sendo as crianças grande observadoras das coisas ao seu redor elas também são vigilantes naquilo que nos fazem bem e no cuidado que devemos ter para com as pessoas.

Que possamos continuar carregando água da chuva não na peneira, mas em baldes para poupar a água da rua, conforme temos o costume de dizer com a água que chega nas nossas torneiras. Tales estava certo, a água é o princípio de tudo, apesar de gostar de Heráclito quando ele diz que não entramos num rio duas vezes, já que a água que corre agora sempre será diferente daquela que passou.

Em outra publicação no site, sobre o tema O lixo e sua reciclagem: o que as crianças precisam saber, escrevemos que as crianças são extremamente criativas e sensíveis as causas ambientais. Quando falamos com elas sobre cuidados, logo se preocupam em buscarem soluções para o que propomos cuidar. Leia mais!

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Educação ambiental: por ética ou por etiqueta?

Precisamos pensar estratégias harmoniosas entre teoria e prática, entre o que se diz e o que se faz, caso contrário, nossos estudantes não entenderão o propósito e a importância de tratar das causas ambientais, e a forma de agir deles permanecerá inalterada.

Dia destes, escutei uma colocação que transcrevo: “Mas você fazia isso, e agora é contra. Eu me lembro que você fazia”. Eu, então, respondi “Ótimo! Que bom notar que tens boa memória. Você pensava que eu ficaria estagnada? Eu aprendi de outros jeitos, sob novas perspectivas. Mudei!”.

É bastante comum acontecer esse tipo de situação entre colegas de profissão, especialmente quando concepções e entendimentos se modificam para alguns; enquanto que para outros as heranças de uma educação transmissiva permanecem cristalizadas, sendo reveladas em expressões do tipo “sempre fiz assim” e “sempre foi assim”, e materializadas na sala de aula, por condutas, atitudes e exemplos que são contraditórios ou por práticas que se distanciam da vida do aprendiz.

A colocação proferida pela colega suscitou meu pensamento em relação a certas mudanças que atribui, primeiro em minha casa (cuidado de si) e depois na escola (cuidado dos outros).

Muito se escuta, muito se vê e muito se sabe sobre os problemas ambientais. No entanto, ainda é pouco o que se faz, tanto em nível micro (o que cada um pode fazer), quanto macro (projetos, políticas públicas).

É um desafio constante lembrar e cultivar as boas práticas de cuidado com meio ambiente, e quando se pensa no assunto, logo vem à memória a importante questão do lixo e sua reciclagem. Tomo este exemplo como ponto de partida da discussão.

Algumas vezes, ainda acabo misturando os tipos de resíduos, embora a separação esteja ocorrendo há alguns anos aqui em casa. Quando tenho essa atitude, penso na construção do hábito e como nem sempre é fácil o processo de reconstruí-lo.  Toda semana, levamos o material ao ponto de coleta que fica no bairro ao lado, ação que provoca a sensação de dever cumprido e de cuidado com o meio natural. Mas, caso não fossem levados ao ponto, esses resíduos seriam recolhidos e misturados no transporte, o que evidencia a falha no sistema, pois ainda não há um esquema organizado para coletar os diferentes tipos de materiais.

O problema do lixo é urgente, mas é só um entre tantos, como o desmatamento e a crise da água, que reflete na crise de energia elétrica.

Mas, o ponto que quero destacar é o da educação, hoje, a educação ambiental, especialmente a que ocorre nas escolas, que almeja cumprir o papel de conscientização, que busca a transformação da prática pelos vieses do cuidado e preservação.

As crianças são extremamente criativas e sensíveis as causas ambientais. Quando falamos com elas sobre cuidados, logo se preocupam em buscarem soluções para o que propomos cuidar. (Rosangela Trajano). Leia mais!

Há alguns aspectos que ainda podem, ou melhor, precisam outro direcionamento. Não tenho a solução, mas tenho os questionamentos e, juntos, quem sabe, podemos buscar alternativas para qualificar certas práticas, tornando-as coerentes. Dito de outro modo, precisamos pensar estratégias harmoniosas entre teoria e prática, entre o que se diz e o que se faz, caso contrário, nossos estudantes não entenderão o propósito, a importância de se tratar das causas ambientais, e a forma de agir deles permanecerá igual.

Apresento as questões: Como os estudantes mostrarão apreço e interesse pelo meio natural se ficam praticamente todo tempo de escola dentro da sala de aula, emparedados? Alguém é capaz de cuidar, sentir afeto e preocupação por algo que lhe é estranho? Como os estudantes entenderão os problemas com o lixo e importância da reciclagem, se observam na rotina da escola o uso ilimitado de descartáveis? Como entenderão sobre a crise da água, se as áreas verdes da escola são substituídas por pisos de pedra e cimento? Como saberão comprar conscientemente e saber escolher os produtos, se no cotidiano escolar fazem uso indiscriminado de EVA, TNT, CELOFANI, ISOPOR, SACOS PLÁSTICOS, etc.

Não é questão de isto ou aquilo, mas sim de escolhas criteriosas, entrelaçadas com o propósito. Neste ponto, acredito na importância da condução do adulto/educador.

Sabemos dos  muitos motivos que configuram obstáculos no modo de conduzir o processo educativo, dentre eles as já mencionadas influências da educação transmissiva, que objetiva inculcar conteúdo, sem preocupação com o pensamento crítico; as transformações da sociedade nas dimensões culturais, sociais, políticas e econômicas, que acabam exigindo um novo tipo de ser humano, que dê conta de demandas que se modificam rapidamente e precisa de seres passivos; o tempo escasso, ocupado por completo, tanto do professor, quanto do aluno, em detrimento  da formação flexível e adaptável à sociedade do mercado; a fragilidade formativa dos profissionais da educação que não alcançam o conhecimento suficiente para estabelecer a resistência necessária; o descaso e a falta de investimentos, por parte dos governantes.

Mesmo com todas as adversidades, o professor precisa se capacitar! A apropriação refinada de conhecimentos teóricos configura a possibilidade de maior compreensão sobre os motivos pelo quais a ação docente segue determinado curso e não outro; como e quando são feitas certas escolhas e não outras; assim como as possíveis repercussões destas predileções/preferências na vida daqueles que são conduzidos.

O estudo minucioso, neste sentido, parece ser fundamental para que os profissionais da educação compreendam a relação profunda entre a sua função insubstituível enquanto educadores e a realidade que se apresenta repleta de problemas.

A ação docente precisa ser capaz de notar as contradições entre o que se ensina e o que o aluno vivencia/experiência. O professor tem de se incomodar com as desarmonias, incoerências e tentar, junto com os estudantes, encontrar estratégias diferentes. Aí sim a conscientização, o cuidado e o apreço podem se efetivar.

Todos somos frágeis em certas dimensões, o que importa, no entanto, é a abertura e disponibilidade para ultrapassá-las. É necessário, neste sentido, romper com as ideias provenientes de perspectivas doutrinadoras, a exemplo do “sempre fiz assim” e o “sempre foi assim”, sob o risco de continuarmos a dizer uma coisa, embora fazendo outra. Até porque o que se fez em um dado momento, pode não servir para outras ocasiões, e saber quando serve ou não é função do professor.

Será que os materiais que colaboram para o acúmulo de lixo combinam com escolas conscientes, educam para a preservação da natureza? Não podemos continuar como o ensino fingido, vazio de verdade, porque se assim for, o aluno vai fingir que aprende e não terá natureza viva nesse fingimento todo.

“A diferença sempre está entre os que pregam a ética e os que pregam a etiqueta como formas de colaborar com a sobrevida do planeta, entre quem se dispõe a promover mudanças na organização econômica e social e entre aqueles que buscam compensar o planeta com “atitudes politicamente corretas”. (Nei Alberto Pies) Leia mais!

Autora: Ana Lúcia Vieira

Edição: Alex Rosset

Sem testagem nem máscaras PFF2, RS fica em 17º lugar em índice de segurança das aulas presenciais

A falta de uma política de testagem e a omissão do Estado em fornecer máscaras PFF2 à comunidade escolar deixaram o Rio Grande do Sul entre as piores colocações no Índice de Segurança do Retorno às Aulas Presenciais (ISRAP).

> Confira a íntegra dos dados na Nota Técnica da Rede de Pesquisa Solidária

O ISRAP foi estabelecido pela Rede de Pesquisa Solidária – que reúne mais de 100 pesquisadores de diversas universidades – para avaliar os protocolos de reabertura criado pelos governos federal, estaduais e municipais com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Outro estudo, divulgado pelo Jornal da USP nesta quinta-feira, aponta que máscaras mal utilizadas podem elevar em 1000% os casos de Covid-19 nas escolas. Já a utilização correta e a distribuição de PFF2 podem reduzir o crescimento relativo dos casos a 40%.

O ISRAP é composto por oito categorias, sendo quatro consideradas de Média Complexidade e quatro de Alta Complexidade. As políticas de Média Complexidade incluem transporte, distanciamento, higiene e o Ensino Remoto. Já as de Alta complexidade são máscara, ventilação, imunização e testagem.

Os especialistas avaliam que o governo federal falhou na elaboração de um protocolo unificado para o retorno das aulas presenciais no país e não cumpriu com sua responsabilidade de “coordenar, baseado em evidências técnico-científicas, o debate permanente sobre protocolos que permitiriam volta às aulas presenciais mais seguras nas redes de ensino”.

O estudo também indicou que estados e capitais falharam na comunicação de seus protocolos e não adotaram as medidas necessárias para um retorno seguro às aulas.

“Apenas 56% das capitais e 49% dos estados apresentaram planos estruturados. Nos demais, os protocolos das redes estaduais e das redes municipais das capitais estaduais não foram divulgados em formato de um documento único, estruturado e transparente”, destacaram os pesquisadores, salientando que “a transparência, eficácia e eficiência na comunicação dos protocolos é de grande importância, não apenas para a comunidade escolar, mas para o conhecimento e segurança da sociedade como um todo”.

Principais recomendações de políticas públicas resultantes da análise:

  • Os protocolos de reabertura de ensino presencial devem ser continuamente melhorados e aprimorados pelos governos. Para permitir maior compreensão e maior chance de implementação, os planos devem ser publicados com todas as medidas resumidas em um documento, único e público;
  • O ensino remoto, política indispensável ao funcionamento dos modelos híbridos, precisa de maior preocupação por todas as esferas da administração pública, sobretudo quanto à ampliação do acesso à internet;
  • Máscaras PFF2 devem ser distribuídas amplamente nas escolas públicas e junto às populações em situação de vulnerabilidade social. Mesmo que as PFF2 possam ser reutilizadas, enquanto estiverem íntegras e com boa vedação do rosto, recomenda-se que, após o uso, sejam deixadas num local arejado e ao abrigo do sol por pelo menos 3 dias. Por isso, é necessária a distribuição de máscaras para todos os alunos, funcionários e professores;
  • Os protocolos das redes de ensino no país devem privilegiar a renovação frequente do ar e a ventilação. Guias para o monitoramento de CO2 nas salas de aula e nos demais espaços de ensino poderiam ser incluídos nos protocolos;
  • Os protocolos precisam especificar guias para orientar a testagem RT-PCR, RT- LAMP ou antígeno ativa e periódica de profissionais de educação, funcionários e alunos;
  • Os protocolos precisam dedicar maiores esforços na criação de medidas que visam evitar a interação entre turmas e especificar orientações para que diferentes turmas não sejam misturadas em atividades coletivas. Nesse sentido, a criação de bolhas seria a medida mais eficaz;
  • As redes de ensino devem produzir relatórios que permitam acompanhar de perto a implementação e o impacto das reaberturas de escolas para o ensino presencial.

Fonte: https://cpers.com.br/sem-testagem-nem-mascaras-pff2-rs-fica-em-17o-lugar-em-indice-de-seguranca-das-aulas-presenciais/

Edição: Alex Rosset

Normal: curso que forma professores/as na fase inicial da docência

A formação inicial de professores e professoras é um componente fundamental para a qualidade da educação.  No RS ainda se mantém o Curso Normal (também chamado Magistério) para estudantes que se formaram no Ensino Fundamental e passam a ingressar no Ensino Médio, há 150 anos.

Conforme dados do Censo Escolar 2020, no Rio Grande do Sul, 108 instituições de ensino ofertam o Curso Normal, das quais 99 são escolas Estaduais, 04 Municipais e 05 Particulares, em um total de 10.871 matrículas.

Com as mudanças previstas na Reforma do Ensino Médio, este Curso corre o risco de ser extinto ou ser descaracterizado na forma com que vem sendo oferecido há 150 anos no RS, o que tem preocupado muitos especialistas e estudiosos da educação no RS e no Brasil.

Procurando valorizar este Curso, destacar a sua importância e justificar a sua existência, conversamos com a professora e diretora Ivana da Rosa Garcia, do Instituto Estadual de Educação Tiradentes, de Nova Prata, RS, que há cinquenta anos oferece o Curso Normal. Ao final, seguem também opinião de 2 especialistas da educação, com larga experiência e reconhecimento educacional, Celso Vasconcellos e Gládis Pedersen de Oliveira.

SITE NEIPIES: Fale-nos do Instituto Estadual Tiradentes e da sua relação histórica com a oferta do Curso Normal para estudantes do Ensino Médio do entorno da Serra.

Professsora Ivana: O I.E.E.Tiradentes completa 92 anos de atividades prestadas à comunidade de Nova Prata e região. Estamos há nove gerações contribuindo na educação da nossa comunidade. Em 1969, abriu a 1° turma de curso normal, que era referência na região e abrangia cerca de 10 municípios, devido à alta procura pelo curso, a seleção dos participantes era feita por meio de uma prova.

Atualmente, é feita a publicação de edital e os interessados fazem sua inscrição no site. Nosso Curso Normal permite que os/as aluno/alunas se familiarizem com componentes curriculares específicos que oferecem um suporte seguro para a realização de estratégias que visam possibilidades para uma nova reflexão-ação. Além das inúmeras aulas práticas, projetos e recursos realizados que auxiliarão no trabalho docente.

SITE NEIPIES: Qual é a situação do Curso Normal na sua escola hoje (procura, número de inscritos, número de alunos Cursando ou fazendo estágio)?

Professsora Ivana: Atualmente no I.E.E. Tiradentes estamos com o 2° e 3° ano do Curso Normal. No total com 20 alunas matriculadas, incluindo as que estão em estágio. Sempre temos alunas procurando pelo Curso Normal, mesmo diante da enorme desvalorização profissional.

SITE NEIPIES: Como é e como se dá a formação dos jovens no Curso Normal? O Curso tem componentes curriculares e professores especializados para atuar no Normal?

Professsora Ivana: A grade curricular do Curso Normal em nível médio, segue a orientada pela Secretária Estadual de Educação e o currículo mínimo da BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Entre os componentes curriculares ofertados estão as que fazem parte da formação básica, a parte diversificada (seminário integrado, ensino religioso, língua inglesa e língua espanhola), educação e conhecimento (filosofia da educação, história da educação, sociologia da educação, psicologia da educação, estrutura e funcionamento da educação básica e libras) e conhecimentos específicos na educação infantil e ensino fundamental (didática geral, didática da linguagem, didática da matemática, didática das ciências da natureza, didática das ciências humanas, didática da educação física, didática da arte educação e didática do ensino religioso), práticas pedagógicas desenvolvidas na escola em turno inverso e estágio profissional, totalizando 1400 períodos anuais e 1166 horas anuais. No final dos três anos, as alunas totalizam 4265 horas (somando formação básica, práticas pedagógicas e estágio profissionalizante).

O Instituto Tiradentes tem seu quadro completo de professores, com formação específica em seu componente curricular, a maioria com especialização e pós graduação.  Também dispomos de toda estrutura física adequada às práticas do curso, bem como salas de aula exclusivas, biblioteca.

SITE NEIPIES: Qual é a principal motivação dos jovens pelo Curso?

Professsora Ivana: Eu queria apresentar uma reportagem feita pelo Jornal Correio Livre (http://www.jornalcorreiolivre.com/ ), do dia 23/10/2020, onde a estudante Ana Flávia Bueno Fabro fala sobre a importância do Magistério em sua vida.

SITE NEIPIES: Na sua avaliação, por que é tão importante manter e fortalecer o Curso Normal como um Curso específico ou como Modalidade do Ensino Médio, mesmo que outros Estados brasileiros já não o ofereceram mais?

Professsora Ivana: No caso do I.E.E.Tiradentes, ele perde sua identidade, perde na qualidade do ensino, pois somos uma escola de aplicação (onde os estudantes normalistas realizam suas práticas e seus projetos), consequentemente deixa de ser um Instituto.

Outro ponto importante, é que deixamos de capacitar profissionais para lecionar no Ensino Infantil, ou seja, em creches e pré-escolas.

Para muitas de nossas alunas, esta é uma das poucas oportunidades ou talvez a única, de cursar um curso profissionalizante, gratuito e próximo a sua casa e ainda com a oportunidade de ter um estágio remunerado e após um emprego, nas escolas de educação infantil do município e da região. 

Também, na experiência vivenciada que proporciona uma visão ampliada acerca da formação docente e dos elementos constitutivos desse processo contínuo e transformador de sua realidade social.

SITE NEIPIES: Há estudantes que passam pelo Curso Normal, mas seguem outras profissões. O que este Curso agrega para outras e diferentes profissões, para além do Magistério?

Professsora Ivana: O objetivo principal do Curso Normal está na docência, ou seja, habilitar futuros professores a ensinar, nas diferentes fases de desenvolvimento de crianças.

Atualmente, a formação em curso normal nível médio pode cumprir três funções: primeira é o recrutamento para as licenciaturas, a segunda, a preparação de pessoal auxiliar para creches e pré-escolas e a última, servir como centro de formação continuada.

SITE NEIPIES: Como a senhora avalia as atuais mudanças previstas e que vem sendo implantadas no Ensino Médio? Na sua avaliação, teremos um Ensino Médio mais atualizado com as necessidades do jovem estudante e com as demandas do mundo atual?

Professsora Ivana: Na minha opinião, a partir dos resultados das avaliações externas, tais como Prova Brasil, ANA, Ideb, Pisa, entre outras, está claro que a educação brasileira precisa de uma reforma. A arquitetura do novo ensino, onde as aprendizagens são focadas na formação de cidadãos e no desenvolvimento de competências e habilidades, com disciplinas integradas em quatro áreas do conhecimento e itinerários formativos de acordo com áreas de interesse do estudante e projetos de vida que tem como objetivo auxiliar os alunos a refletir sobre o sentido e os diferentes significados da vida social e profissional, parece ser muito adequada.

Porém, alguns pontos ainda me deixam apreensiva e acredito que deveriam ser levados em consideração, como por exemplo:

-Valorização profissional;

-Manter o Curso normal;

-Ensino médio noturno e a evasão escolar (receberão o mesmo tipo de ensino dos estudantes do turno integral?);

-Formação de professores;

-Reais oportunidades de escolhas de itinerários;

– Currículo flexível (nossos estudantes têm maturidade para optar?) ;

– Escola estruturada e eficientemente planejada para que seja capaz de oferecer, mais do que conteúdo, alimentação para cada um dos alunos.   

SITE NEIPIES: Uma mensagem aos colegas professores e professoras que bravamente resistem na profissão, apesar dos ataques a seus direitos e da desvalorização.

Professsora Ivana: Professor, dar aula não é apenas sobre transmitir conhecimentos, também é sobre ensinar o mundo e expandir as perspectivas do aluno. Tenha sempre a certeza de que você é o grande mestre da sociedade!

 “Ninguém nasce educador ou marcado para ser   educador.   A   gente   se   faz   educador, a   gente   se   forma como   educador, permanentemente, na prática e na reflexão da prática”.  (FREIRE, 1991, p. 58).

Conheça também matéria sobre os 90 anos do IEE Tiradentes, uma entrevista com dona Judit Davi Lenzi

Seguem opiniões de 2 especialistas da educação sobre o fortalecimento e manutenção do Curso Normal, na estratégia da formação inicial docente.

“Defendo o Curso do Magistério, em princípio, por duas grandes razões:

  1. Oportunidade de profissionalização da juventude: por exemplo, fiz Curso de Eletrônica (escola técnica) e, aos 18 anos, já me sentia gente com um diploma na mão e um emprego.
  2. Sensibilidade e habilidade para o Ensino que, muitas vezes, a Pedagogia não consegue desenvolver. Minhas hipóteses iniciais são de que isso se dá em função da idade do início do magistério (maior abertura e esperança no mundo) e ao enfoque mais prático do Currículo.

Para formar o professor iniciante ou auxiliar sendo que, no máximo em 03 ou 04 anos, deverá ingressar na Licenciatura”.

(Celso Vasconcellos , Doutor em Educação pela USP, Mestre em História e Filosofia da Educação pela PUC/SP, Pedagogo, Filósofo, pesquisador, escritor, conferencista, professor convidado de cursos de graduação e pós-graduação, responsável pelo Libertad – Centro de Pesquisa, Formação e Assessoria Pedagógica). “A experiência nos demonstrou, atuando por anos no Curso de Magistério, dando aulas de Didática, de Filosofia, História e Psicologia da Educação e na Supervisão Pedagógica, a grande importância na formação profissional para o magistério na Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental. O estágio docente, em classe regular, acompanhada pela professora titular e a supervisão pedagógica era a apoteose desta formação.

Causa perplexidade a proposta de acabar com esta formação porque entra em choque com as orientações propostas pela BNCC que preconiza o desenvolvimento de competências na criança, o ensino por competências, onde os alunos devem ser levados a conhecer suas habilidades, saber e aplica-las, saber fazer, e assim, resolver os desafios da vida cotidiana.

A BNCC preconiza ainda que o professor deve assumir uma visão plural, singular e integral da criança, como sujeito da aprendizagem. Sabemos que a fase infantil é a mais propícia para aprender, para compreender a vida, será a base da personalidade, do caráter. Como se dará esta situação se, em sala de aula, o professor não for preparado adequadamente na sua formação docente?  Se a sua formação for precária, como simples assessor/assistente de educação? 

Parece-nos uma grande incoerência esta proposta de exclusão do curso Normal no Ensino Médio. O correto, lúcido, por parte dos meios competentes, face as excelentes propostas da BNCC, seria propor uma ampla discussão sobre a questão, antes de decisões precipitadas que trarão prejuízos para a Educação no Rio Grande do Sul. 

(Gladis Pedersen de Oliveira, Pedagoga, Especialista em Educação)

Edição: Alex Rosset

O lixo e a sua reciclagem: o que as crianças precisam saber

As crianças são extremamente criativas e sensíveis as causas ambientais. Quando falamos com elas sobre cuidados, logo se preocupam em buscarem soluções para o que propomos cuidar.

Segundo o cantor Charlie Brown Júnior, na sua canção “Lixo e o luxo”, “eu sou o lixo e o luxo, sou o ódio e sou o amor”. Que essas contradições de Charlie Brown possam se encontrar num só poema e que nos conscientizemos de que para nos tornarmos o luxo e o amor precisamos contribuir para um mundo melhor desenvolvendo formas e maneiras de reduzirmos o nosso lixo, principalmente aquele que tanto agride o meio ambiente.

Veja e assista: O lixo e o luxo: https://youtu.be/aEOYXXrs_Zw?list=RDaEOYXXrs_Zw&t=28

Sejamos sábios no luxo para não sairmos por aí trocando de aparelhos eletrônicos de mês em mês e amorosos ao procurarmos buscar junto com as crianças o que podemos fazer com o nosso lixo.

As crianças precisam saber que lixo pode ser luxo e que com ele podemos ganhar dinheiro e ajudar o planeta.

Tantas crianças catam latinhas de alumínio todos os dias pelas ruas das grandes cidades, em restaurantes e festas para vendê-las e juntar moedinhas. Mas será que elas sabem que fazendo isso estão ajudando o meio ambiente? Será que elas sabem que além das latinhas de alumínio existem muitas outras coisas que prejudicam o planeta?

É educativo e necessário que conversemos com as crianças sobre o nosso lixo. Afinal, elas são boas ouvintes e assim como têm ideias para quase tudo que desejam podem nos ajudar a dar um jeito nesse monte de lixo que produzimos todos os dias. Simbora conversar com a criançada!

A reciclagem é bastante importante para o meio ambiente. Também pode tornar-se uma fonte de renda às famílias carentes. Recolher o lixo reciclável do vizinho não é nenhuma vergonha, assim como apanhar garrafas e copos plásticos do meio das ruas. Eu já fiz isso várias vezes e continuo fazendo. Acho até bonito quem faz esse tipo de coisa porque está ajudando o planeta e limpando as ruas que na maioria das vezes são feias de tão sujas.

Reciclar é a palavra do momento, não que esteja em moda, mas que seja algo existente enquanto for necessário.

Em tempos de tecnologia acelerada, trocamos de aparelho celular, tablets ou desktops praticamente todos os anos e não sabemos o que fazer com o velho. Tendemos, na maioria das vezes, a jogá-los no lixo caseiro o que é errado e todos sabemos disso, mas não somos educados para procurarmos outro local. Somos por deveras bastante cômodos dentro das nossas casas.

Sempre queremos fazer as coisas de uma forma mais fácil, que nos dê menos trabalho e que seja rápida. Para que se preocupar em procurar um lixo para aparelhos eletrônicos se posso deixar a televisão de cinquenta e cinco polegadas perto do meu saco de lixo e dar uma gorjeta ao gari para levá-la? É assim que fazemos.

A mídia nos acostumou a desapegarmos rapidamente das coisas. Já não temos cuidado com os nossos aparelhos eletrônicos porque sabemos que se eles quebrarem é só ir em uma loja e comprar outro. Pronto! Substituímos por um mais novo e até com um design mais bonito.

Acumulamos lixo eletrônico com esse nosso desapego rotineiro. Cada coisa que vai para o lixo caseiro acaba afetando de forma agressiva o meio ambiente e poluindo aterros, rios, lagoas e mares.

Antes mesmo dos aparelhos eletrônicos tão famosos nos dias de hoje, já jogávamos as pilhas de radinhos no lixo de casa. Nem nos preocupamos com o que elas podem causar de mal ao meio ambiente. Só não queremos ficar com aquilo em cima do armário ou da estante, que não serve mais para nada. Mas por que as pilhas podem ser tão tóxicas e prejudicar o meio ambiente? A resposta está na sua composição: as pilhas são compostas de metais pesados e tóxicos, como o mercúrio, chumbo e o cádmio, que quando jogados incorretamente em lixões e aterros comuns podem contaminar o solo e os lençóis freáticos.

É preciso todo um cuidado com o lixo que produzimos em casa.

Além das crianças, os idosos também precisam ser educados quanto a forma como devem descartar os seus lixos eletrônicos, pois são eles que vêm consumindo muita tecnologia nos últimos anos no mundo inteiro. É preciso conscientizá-los de que o planeta é de todos nós e que quanto mais nos educarmos em relação aos cuidados do meio ambiente mais estaremos propiciando um mundo melhor para os nossos netos e bisnetos.

O lixo não é uma coisa suja se você souber separá-lo direitinho e cuidar dele também. Não é uma coisa que ninguém possa colocar as mãos ou pegar que vai se infectar com doenças. Depende do lixo que você produz para isso acontecer.

Pensemos um pouco no trabalho dos garis. Se jogamos garrafas de vidro, copos ou pratos quebrados nos sacos dos nossos lixos o que pode ocorrer com eles? Podem se machucar e se ferirem gravemente. Já pensou um ferimento de um palito de churrasquinho? Ou um corte de uma garrafa quebrada? Muitos garis se ferem todos os dias com o lixo que produzimos nas nossas casas. Parece até que não nos preocupamos mais com ninguém.

Tudo o que queremos é o nosso bem e os outros que se virem e se cuidem como acharem melhor. Mas as coisas não são assim. O lixo deve ser jogado no lugar certo.

Também temos a mania de jogar o lixo das nossas casas em terrenos baldios. Outro erro grave. Certos terrenos têm até cercas e muros, mas somos tão mal-educados que ignoramos tudo e jogamos por cima das barreiras, o nosso lixo. Contribuindo assim para a criação de mosquitos, escorpiões, muriçocas e outros bichos nesses locais. Se o proprietário do terreno não o limpa com frequência esse lixo vai acumulando no terreno e os vizinhos são os que sofrem com os insetos. Eu já vi poltronas velhas e armários jogados em terrenos baldios.

As pessoas pensam que só porque o terreno está ali a céu aberto elas podem jogar o que quiser dentro deles que não vai incomodar a ninguém. É um engano quem pensa assim. Se você costuma jogar seu lixo no terreno baldio de frente a sua casa pare de fazer isso, pois está de alguma forma trazendo doenças para a sua família como mosquitos da dengue que se reproduzem em pneus ou outros objetos que acumulem água.

Tem tanta coisa que podemos aprender sobre o lixo. Primeiro, devemos nos conscientizar de que o lixo deve ser descartado no lugar correto. Que para cada tipo de lixo existe um coletor adequado. Segundo que o lixo eletrônico é extremamente prejudicial ao meio ambiente. E terceiro que se reciclarmos o nosso lixo poderemos proteger o planeta, ganharmos um dinheirinho e ainda criarmos peças bonitas para fazermos uma bela exposição num local adequado, ou seja, viramos artistas.

A reciclagem é uma das melhores formas de cuidarmos do nosso lixo e ajudarmos a quem vive desse tipo de trabalho. Na minha rua toda semana passa um homenzinho recolhendo lixo reciclado nas nossas casas. Eu já conversei com ele várias vezes e me disse que é do que sobrevive.

A grande questão é: o que fazer com tantos equipamentos eletrônicos velhos? A reciclagem pode ser feita por coleta de materiais e descarte em locais apropriados. Em várias cidades do nosso país já podemos encontrar em shoppings, museus, supermercados e escolas coletores apropriados para receberem lixos eletrônicos.

Ainda são poucos os pontos de descarte do lixo eletrônico nas cidades, esse é o grande problema, mas se reivindicarmos e exigirmos das autoridades locais que sejam instalados em outros pontos, principalmente, nas periferias eles vão se sentir pressionados e tenderão a nos ouvir.

O lixo eletrônico não é pequeno. Em uma família de dois adultos e três crianças ele pode ser grande demais se a família tem a rotina de descartar tudo o que se quebra e comprar aparelhos novos. Esses aparelhos que podem ser televisores, aparelhos celulares, tablets, desktops e etc., são formados por componentes de plástico, metal e placas de componentes eletrônicos que ainda podem ser usados. Esses componentes podem conter mais de sessenta substâncias tóxicas e nocivas ao meio ambiente e às pessoas, entre eles arsênico, mercúrio, chumbo, cádmio entre outras. Por isso não podem ser descartados junto com o lixo comum.

No Brasil, ainda são poucas as empresas que trabalham com reciclagem de lixo eletrônico, mas você pode fazer desse lixo peças artesanais bonitas para decorar a sua casa. É um grande problema para o meio ambiente o lixo eletrônico. Nunca sabemos o que fazer com ele. A cada dia só cresce mais e mais.

No lixo comum é fácil encontrarmos aparelhos eletrônicos em meio a papéis velhos e comidas estragadas. Até mesmo nos oceanos podemos encontrar lixo eletrônico porque as pessoas jogam em qualquer lugar. Este não é um problema só das autoridades, mas nosso. Precisamos encontrar soluções para o lixo eletrônico urgentes. Devemos incentivar as crianças a reciclarem esse lixo com a nossa criatividade.

Dizem que o brasileiro é criativo, isso é verdade. Se começarmos a fazer uso da nossa criatividade para transformar o lixo eletrônico em bens materiais que possam ser usados de outra forma, estaremos dando um grande passo para a proteção do meio ambiente. Para tanto, é preciso uma união de ativistas ambientais, biólogos, químicos e artistas visuais que em conjunto possam criar ações e cartilhas que incentivem o uso por mais tempo dos aparelhos eletrônicos ou que aqueles que não servem mais para os seus usos possam ser usados de outra maneira como objetos de decoração, por exemplo.

Não é somente o lixo eletrônico do planeta que está preocupando os ambientalistas, mas o lixo espacial também.

No espaço, o homem tem deixado muito lixo eletrônico. Podemos encontrar de tudo um pouco: telescópios antigos, câmeras fotográficas, robôs e até mesmo espelhos. Esse lixo segue poluindo o espaço e de uma certa forma prejudicando a forma como a natureza se comporta. Tudo tem uma causa e uma consequência.

Esse desapego das coisas de uma maior facilidade, tem nos trazido grandes desconfortos no quesito de um bem viver ecologicamente correto. Se os nossos astronautas não estão preocupados com o lixo espacial que um dia virará lixo de alguma estrela ou planeta precisamos sensibilizar as crianças para que desde a tenra idade possam tomar decisões sobre esse lixo e encontrarem soluções as mais urgentes e necessárias para um mundo melhor.

Serão as crianças que poderão nos dar uma luz. Talvez conversando com os nossos alunos, filhos e netos sobre o que podemos fazer com um aparelho celular velho para evitar jogá-lo no lixo eles nos tragam uma ideia que nunca pensamos.

As crianças são extremamente criativas e sensíveis as causas ambientais. Quando falamos com elas sobre cuidados, logo se preocupam em buscarem soluções para o que propomos cuidar. Podemos ensinar às nossas crianças a separar o lixo reciclável num saco à parte do lixo comum. Podemos mostrar para elas no que uma garrafa plástica pode se transformar depois de reciclada. Muitos artesãos fazem vassouras com garrafas plásticas em algumas cidades brasileiras.

A natureza já tem tanta coisa para fazer por nós que nem tudo cabe a ela e nem tudo ela pode fazer sozinha. Ela precisa da nossa ajuda e as crianças são as melhores pessoas para conversarem com a natureza que não gosta de mentiras e que sabe se comportar docilmente e ingenuamente igual a elas.

Se na escolinha as crianças forem convidadas a assistirem vídeos de lixões onde todo o tipo de lixo é descartado e forem instigadas a um diálogo sobre o que podemos fazer para proteger o meio ambiente do lixo eletrônico certamente elas vão nos trazer muitas soluções bacanas.

O ideal mesmo era de que nós aumentássemos o uso dos nossos aparelhos eletrônicos, ou seja, os usássemos até ficarem velhinhos, mas as empresas de tecnologia não contribuem para isso, pois estão sempre oferecendo produtos novos a fim de lucrarem. É o lado econômico e financeiro que fala mais alto quando se toca no assunto de tecnologia no mundo.

Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos. Assista:

Os professores podem criar projetos nas escolas para as crianças juntarem o lixo reciclável como garrafas plásticas e latinhas de alumínio para venderem e comprarem livros ou material escolar. As latinhas de alumínio são as mais fáceis de serem encontradas pelas ruas e em toda cidade tem lugares que as compram para reciclagem. Se jogadas no lixo comum vão levar quase duzentos e cinquenta anos para se decomporem, porém se forem recicladas em poucos meses estarão sendo usadas com novas utilidades.

As tampinhas de garrafas plásticas podem servir nas escolas para criação de jogos os mais diversos. O primeiro de tudo é explicar para as crianças o que é a reciclagem e o motivo da sua importância para o planeta.  

As crianças também podem ter contato e entrevistarem artistas que fizeram das garrafas plásticas poltronas e até mesmo casas. Nesta aula, elas podem ser convidadas a criarem ideias e fazerem os seus próprios objetos ou brinquedos com as garrafas. Na escola também podemos utilizar as garrafas para plantarmos hortaliças e fazermos delas pequenos vasos. Há várias ideias na internet ensinando a reciclar as garrafas plásticas.

Usar a que melhor a sua criança vai conseguir compreender de forma fácil e rápida é uma boa alternativa. Estima-se que mais de oitenta por cento das garrafas plásticas de água descartáveis se tornem lixo o que vem causando tantos problemas ao meio ambiente.

Pergunte a uma criança o que ela faz com o seu sapato velho. O sapato que não serve mais para nada ou o que a vovó ou o vovô fazem com os seus sapatos. Certamente, a resposta será que jogam no lixo porque tudo vai para o lixo.

Mas digam às crianças quanto tempo leva um sapato de couro para se decompor e elas ficarão boquiabertas. Sim! Um sapato de couro leva cerca de quarenta anos para se decompor e estima-se que cerca de trezentos milhões deles sejam jogados no lixo comum anualmente. Eles são extremamente prejudiciais ao meio ambiente devido ao curtimento. Curtir o couro cru é um processo de industrialização que envolve operações de processamento que tem por finalidade deixá-lo utilizável para a indústria e o atacado. Os curtimentos mais utilizados são os vegetais e os minerais, sendo este último o mais utilizado. Devido aos vários processos que envolvem o curtimento este pode ser perigoso ao planeta.

Toda criancinha usa fralda descartável nos dias atuais o que é altamente prejudicial ao meio ambiente quando jogada no lixo comum, pois a sua decomposição completa ocorre depois de quatrocentos e cinquenta anos. É o que mais vemos nos aterros de lixos. Um bebê usa centenas de fraldas ao longo da sua vida. Se pudéssemos voltar a usar as fraldinhas de tecido, aquelas que duravam anos, muitas vezes a criança crescia e passava a fralda para o irmãozinho menor seria tão maravilhoso.

Como disse acima, somos cômodos demais. Queremos tudo com praticidade, afinal a tecnologia está aí para usufruirmos mais do nosso tempo livre e ninguém quer ficar lavando fralda de tecido mesmo que isso seja para o bem do meio ambiente que acarreta no nosso bem.

Se temos o lixo eletrônico como um vilão do meio ambiente e sem respostas concretas do que podemos fazer com ele ainda temos os alimentos que são jogados fora. Acredite se quiser, mesmo em tempos de fome, aonde pessoas estão morrendo porque não têm o que comer muitas famílias ainda desperdiçam comida jogando-as no lixo. Os grandes restaurantes também fazem isso.

Alguns alimentos custam a se decompor quando jogados no lixo. Talvez poucos saibam, mas um caroço de maçã ou uma casca de banana leva cerca de um mês para se decompor e uma casca de laranja leva seis meses. O que pode ser mais impressionante é saber que uma única folhinha de alface pode levar pelo menos vinte e cinco anos para se decompor em um aterro sanitário.

A decomposição de resíduos alimentares leva bastante tempo. Sabemos que os alimentos em aterros se decompõem sem oxigênio, criando metano que é um gás vinte e três por cento mais forte do que os gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono. Assim, mesmo que parte desse metano seja convertido em energia, uma grande parte vai para a atmosfera contribuindo para a mudança climática, por isso o clima está cada vez mais louco em algumas regiões do planeta e lugares onde antes eram bastante frios estão ficando quentes ou vice-versa.

O certo é que não devemos desperdiçar comida. Comprarmos apenas aquilo que vamos comer. Prestar atenção na validade dos alimentos industrializados, comprar sempre o que é necessário para alimentar a família por uma semana ou um mês. Alimentação está muito cara para ser desperdiçada. O valor da cesta básica todo mês aumenta e um trabalhador assalariado já não pode alimentar os seus filhos com uma alimentação saudável todos os dias.

Quem joga comida no lixo nunca sentiu fome e não faz caridade. Coloque no seu prato a quantidade exata que você sabe que vai comer.

A gente podia não produzir lixo, não é mesmo? Sim! Isso seria a coisa melhor do mundo! Mas já que não temos como evitar os vários tipos de lixos vistos aqui que nós sejamos educados e saibamos reduzi-lo ou descartá-lo em locais apropriados.

O problema do lixo eletrônico continua sendo grande e parece que não temos soluções fáceis. Urgente se faz usarmos por mais tempo os nossos aparelhos celulares e não darmos ouvidos as diversas propagandas de consumo desenfreado.

Segundo Lavoisier, considerado o pai da química moderna, “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Que com esta citação de Lavoisier possamos transformar o nosso lixo em coisas alegres, bonitas e decorativas aos olhos dos amantes da arte e da poesia de se reinventar e reinventar coisas maravilhosas todos os dias para tornar o mundo melhor.

Não acumule lixo no seu coração, recicle-o em amor!

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Quanto vale um professor?

Estou propondo uma necessária reflexão sobre o cuidado que todos nós podemos e devemos ter com nossos professores se quisermos ter um educação melhor para nossos filhos e uma pátria realmente educadora.

Não há dúvidas que a educação é importante e imprescindível em qualquer sociedade. O grau de desenvolvimento e de riqueza de um país passa, necessariamente, pelos níveis de escolarização de seu povo. Estudos mostram que os índices de pobreza, violência, indigência, mortalidade infantil, homicídios, latrocínios, corrupção e tantos outros males que nos preocupam e nos causam insegurança e indignação, são drasticamente diminuídos quando a educação é colocada como prioridade efetiva nas gestões públicas e na forma como a sociedade cuida dos processos educativos escolares.

De modo geral, há um consenso de que a educação é importante. Os políticos são os primeiros a pronunciarem discursos inflamados (principalmente em época de eleição) em defesa da educação e do quanto vão se empenhar para que a educação seja prioridade em governos.

A grande maioria dos pais almeja que seus filhos possam ter escola de qualidade e muitas vezes estão até dispostos a pagar pela escola de seus filhos desde que esta garanta uma aprendizagem compatível com as exigências do futuro profissional. No entanto, efetivamente, estamos muito longe de ter uma educação de qualidade em nosso país e a suposta centralidade da educação não ultrapassa os limites do discurso retórico. Estamos muito distantes de ter “um país com educação de qualidade”.

Minha experiência, de mais de 30 anos lidando com educação escolar nos mais diversos níveis (da educação infantil ao doutorado, formação de professores, palestras, cursos, discussão com especialistas, integrando comissões, avaliando instituições etc), bem como minhas pesquisas que tenho desenvolvido nos últimos mais de 20 anos anos, divulgadas nos mais de 30 livros organizados e nos mais de uma centena de artigos publicados em diversos periódicos qualificados no Brasil e alguns no exterior, me fazem concluir que não se pode ter educação de qualidade sem cuidar do professor.

Mas quanto vale um professor?

Não estou falando de salário, de remuneração ou da folha de pagamento dos municípios, dos estados ou das instituições privadas que atuam com educação. Não estou falando da quantidade de dinheiro que cada família investe na educação dos seus filhos.

Estou falando do valor simbólico e social de um professor; estou me referindo ao reconhecimento que qualquer profissão precisa ter para que possa ser exercida com dignidade, com paixão e com dedicação; estou alertando para o fato de que os estudos mostram que num futuro próximo não teremos mais professores para educar nossos filhos; estou propondo uma necessária reflexão sobre o cuidado que todos nós podemos e devemos ter com nossos professores se quisermos ter um educação melhor para nossos filhos e uma pátria educadora.

Não tenho dúvidas que existem muitos tipos de professores: assim como há professores dedicados, comprometidos, entusiasmados pelo que fazem, educadores no pleno sentido da palavra; há também aqueles que, infelizmente, são relapsos, acomodados, irresponsáveis, descomprometidos, que se tornaram professores “por acidente” ou por falta de opção e que alguns poucos chegam a envergonhar nossos sistemas educacionais.

Na grande maioria das escolas encontramos os dois tipos de professores e talvez é de nossa responsabilidade valorizarmos aqueles que diariamente “gastam” sua vida para que nossos filhos tem uma educação de qualidade, uma educação pautada nas virtudes, que lutam bravamente para contribuir na formação de uma educação cidadã.

A pandemia revelou de forma cruel e implacável o quando uma sociedade sofre com escolas fechadas, com a ausência de uma convivência social organizada e formativa entre crianças, jovens e adultos nos ambientes escolares e como toda comunidade sobre com a desescolarização.

Mesmo neste momento difícil de isolamento social, a grande maioria dos professores não mediu esforços para se reinventar e reinventar alternativas para não deixar crianças, jovens e adultos sem momentos formais de ensino e de aprendizagem.

Não faltaram desinformados e mensageiros da maldade que, sem saber as reais situações de precarização que muitos professores, compartilharam em suas “bolhas digitais” calúnias e fakes ofensivas aos professores, exigindo que as escolas fossem imediatamente abertas, pois “lugar de criança é na escola e que se dane a pandemia”. Professores perderam sua vida do retorno precoce das aulas em certas escolas.

 Valorizar o trabalho do professor, reconhecer sua importância, participar das atividades da escola, ser uma presença ativa na educação dos filhos, conhecer a forma como os professores realizam o seu trabalho, tornar a educação dos filhos o centro de nossa atenção são alguns indicativos para que a educação ocupe o lugar que ela merece no mundo em que vivemos.

O tipo de ser humano e de profissional que se tornará nosso(a) filho(a) depende do tipo de formação que ele(a) está tendo na escola e em nossa casa. Assim, ao invés de perguntarmos que mundo deixaremos para nossos filhos, devemos perguntar que filhos deixaremos para este mundo.

Em outra publicação Educar o Educador, escrevemos: “A obrigação de educar é assunto público ou questão privada? Por que há de ser obrigatório educar? E quem educa o educador? São questões que dizem respeito a todos nós e por isso precisamos pensar juntos”. Leia mais!

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição: Alex Rosset

Qual o futuro do Curso Normal no RS?

Não é possível conceber que o Curso Normal, cuja qualidade na formação inicial de professores para a educação infantil e os anos iniciais sempre foi inquestionável, seja sucateado, ou simplesmente, morto e sepultado. É preciso revitalizá-lo! É preciso dar-lhe um novo sentido, sem descaracterizar a sua importância para as comunidades do Rio Grande do Sul.

Desde 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN 9.394/96, uma dúvida paira no ar: o que vai ser do Curso Normal? A pergunta parece retórica, mas não é… Parece matéria vencida, mas não é… Parece retrocesso, mas não é…

No Estado do Rio Grande do Sul, única Unidade da Federação a manter mais de cem escolas, públicas e privadas, com oferta de Curso Normal, ou, como menciona o artigo 62 da LDBEN, “formação de nível médio, na modalidade normal”, a preocupação com a formação inicial para os professores dos primeiros anos do Ensino Fundamental sempre foi uma constante.

Há mais de 150 anos, a formação de professores em nível médio está presente no território gaúcho. Cursar o “Normal” sempre significou preparar-se para o futuro, para muito além da docência; preparar-se para os desafios do cotidiano, com uma formação sólida e humanista, independente do caminho profissional a ser efetivamente construído com a conclusão do Ensino Médio.

Não obstante essa realidade histórica, a própria LDBEN ainda reconhece a importância do Curso Normal de nível médio quando o admite, como “formação mínima para a docência na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental” (art. 62).

Mesmo com o indicativo de que a formação desses profissionais fosse direcionada para a licenciatura em Pedagogia, o Estado do Rio Grande do Sul nunca admitiu a possibilidade de extinguir essa modalidade, mas pensou, em diferentes momentos pós-LDBEN, formas para ressignificá-la, realizando as adequações necessárias aos novos tempos, agregando qualidade à formação geral e à especificidade da formação para a docência, fortalecendo seu reconhecimento pelas comunidades nas quais está inserida.

No entanto, uma grande dúvida permeia nossos pensamentos: onde serão inseridos, profissionalmente, os egressos?

Sabe-se que muitas redes municipais, motivadas por algumas Instituições de Ensino Superior e “apavoradas” pela interpretação equivocada do, igualmente equivocado, e já revogado, § 4º do artigo 87 da LDBEN, suprimiram, de seus Planos de Carreira, a possibilidade de ingresso, pelos habilitados em nível médio na modalidade normal, nas carreiras de magistério. Dessa forma, em muitas redes municipais, o ingresso dos egressos não foi mais possível, desencadeando um grande esvaziamento do Curso Normal.

Apesar disso, não é possível conceber que o Curso Normal, cuja qualidade na formação inicial de professores para a educação infantil e os anos iniciais sempre foi inquestionável, seja sucateado, ou simplesmente, morto e sepultado. É preciso revitalizá-lo! É preciso dar-lhe um novo sentido, sem descaracterizar a sua importância para as comunidades do Rio Grande do Sul.

O Conselho Estadual de Educação, no longínquo ano 2000, exarou a Resolução 252, fixando normas complementares às Diretrizes Curriculares para a formação inicial de professores para a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental, estabelecidas pelo CNE em 1999. Essa Resolução indicou possibilidades para qualificar a oferta e manter o Curso Normal ativo e cumprindo o seu papel na educação das novas gerações de docentes, considerando as exigências da LDBEN. Essa normatização, ainda vigente, trouxe muitas possibilidades, e, ainda hoje, orientam os processos de reorganização do Curso Normal no RS.

Investir na formação, mais específica, de profissionais para atuarem na Educação Infantil, da creche à pré-escola, é uma boa alternativa pois, muitos municípios se valem da formação em nível médio na modalidade normal, para recrutar atendentes, auxiliares e educadores (o nome do cargo depende muito de cada rede municipal) para acompanharem os docentes dessa etapa da Educação Básica. Também muitas escolas privadas que atendem crianças na Educação Infantil buscam, no Curso Normal, a formação mínima de nível médio para os profissionais que auxiliam os docentes pedagogos nas atividades cotidianas em sala de aula e nos demais espaços pedagógicos.

Outra possibilidade a ser explorada, e significativamente importante, é de que a escola formadora oportunizasse, periodicamente, uma atualização àqueles que já estão em atividade, complementando a formação continuada oferecida pelas redes de ensino. Dessa forma, além da formação inicial, as escolas contribuíram para a qualificação dos docentes, atendentes, auxiliares e educadores, complementando a sua função social.

Por fim, faz-se necessário que, ao Curso Normal de nível médio, seja dado o devido reconhecimento pela sólida e efetiva contribuição, ao longo de mais de 150 anos, para a formação inicial de professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. E que, no processo de estruturação do Novo Ensino Médio, seja oportunizada uma ampla discussão sobre o “locus” que ocupará o Curso Normal. Será um itinerário formativo? À qual área de conhecimento estará vinculado? Será um itinerário de Formação Técnica e Profissional? Está no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos – CNCT? A qual Eixo pertence?

É preciso ter parcimônia e cautela quando a decisão a ser tomada pode mudar, significativamente, o modo de vida de muitas comunidades. Contribuir para a mudança de pensamento, de comportamento, de atitudes, de vida, é nosso compromisso de educadores(as). É preciso refletir se estamos fazendo isso de forma positiva, harmônica, solidária e comprometida com a felicidade e o sucesso das novas gerações.

Autor: José Adilson Santos Antunes

Edição: Alex Rosset

Migrante: minha cama é minha casa

Crise sanitária e humanitária, acrescenta-se a insegurança quanto à inserção no mercado de trabalho, bem como a garantia dos direitos básicos à mera sobrevivência. Os vulneráveis se tornam indesejados e “descartáveis”.

A pandemia exibe sua face perversa e devastadora. Efeitos de curto, médio e longo prazo, que imprimem sequelas desconhecidas e, por isso mesmo inquietantes, sejam elas de ordem física ou emocional, sejam as marcas no cérebro e sistema nervoso central.

O fato é que, no momento, já se contabilizam mais de meio milhão de mortos no Brasil. Ao partirem, de forma precoce, deixaram uma enorme quantidade de famílias de enlutadas. Figuram entre elas grande parte de dependentes desassistidos, filhos e filhas de uma tragédia que por todo lado espalha vítimas.

Destas últimas, os migrantes o são em dupla dimensão. Não poucos perderam qualquer tipo de fonte de rendimento, por mínima que seja, enquanto outros sequer conseguiram os documentos necessários para uma cidadania segura. Para eles, à crise sanitária e humanitária, acrescenta-se a insegurança quanto à inserção no mercado de trabalho, bem como a garantia dos direitos básicos à mera sobrevivência. Os vulneráveis se tornam indesejados e “descartáveis”.

O coronavírus não conhece fronteiras. Com a fúria e a violência de um furacão endiabrado, ceifa e varre centenas de milhares de vidas pelos quatro cantos do planeta. Vale um exemplo: “Arrendar uma casa ou um quarto é uma frase que não entra nas conversas dos imigrantes acabados de chegar às grandes cidades. Em Lisboa, pagam 100 a 250 euros por uma cama ou uma vaga, dormem em beliches que ocupam todos os cantos de um assoalho. Vivem em prédios velhos e degradados (…). O elevado custo da habitação afeta tanto os portugueses como os estrangeiros, mas são maiores as dificuldades para quem vem de longe”, os migrantes.

Os dados da Eurostat de 2019 confirmam as desvantagens habitacionais dos estrangeiros. No que diz respeito à superlotação das casas, Portugal é um dos países da União Europeia (EU) onde a distância entre a população de nacionalidade portuguesa e estrangeira é maior: 24,5% dos estrangeiros residem em alojamentos superlotados enquanto 7,8% dos nacionais vivem nessas condições, ou seja, menos 16,7 pontos percentuais, diz o Relatório Estatístico Anual de 2020, Integração de Imigrantes, do Alto-Comissariado das Nações Unidas para as Migrações”. (Cfr. niem-migracao@googlegroups.com, veiculado na data de 8 de julho de 2021).

O novo coronavírus, porém, encontrou no Brasil um terreno fértil para se proliferar e dizimar um número inusitado de vítimas fatais. Entre os fatores que contribuíram para esse contágio inédito, está em primeiro lugar o menosprezo quanto ao potencial mortífero da Covida-19, por parte do presidente da república, Jair Bolsonaro, em cumplicidade com outros representantes do governo federal – o que levou à consequência lógica da indiferença e desinteresse públicos.

Mais grave, entretanto, foi a pretensão de medicar de forma irresponsável e incompetente remédios sem eficácia comprovada contra o coronavírus. Some-se a isso uma acentuada e repetida dose de escárnio e deboche, descaso e miopia diante da morte, da separação e do sofrimento de tantos cidadãos.

Difícil perdoar quem, de tão prepotente, alheio ou insensível, torna-se incapaz de solidarizar-se com milhões de órfãos enlutados!

Na raiz de semelhante atitude, encontramos o negacionismo não somente diante da pesquisa e dos avanços científicos, mas também no que diz respeito ao bom senso e a uma convivência minimamente humana. Negacionismo que desde cedo bateu-se de forma autoritário e violenta conta as instituições e instâncias do Estado de direito, tentando a todo custo minar os alicerces da democracia.

E bateu-se, ainda, com igual virulência contra os membros dos demais poderes, Judiciário e Legislativo, além da rota de colisão quase que diária e obsessivo com acadêmicos, artista, intelectuais e com os meios de comunicação em geral. Como se qualquer pessoa com o mínimo de racionalidade e de bom senso constituísse uma ameaça, na medida em que tende a ressaltar a ignorância do chefe da nação e sua seita de fanáticos.

Numa palavra, desta vez é o “rei” que faz o papel de “bobo da corte”. Isso sem falar do desrespeito ostensivo quanto às normas sanitárias, tanto da OMS, quanto do Ministério da Saúde do próprio governo.

Hoje as migrações se fazem por etapas. A terra natal é sempre o lugar de partida, evidentemente, mas ignora-se o lugar de chegada. Cada etapa representa, ao mesmo tempo, um o ponto de chegada e uma tentativa de fixação. Mas permanece aberta a possibilidade de retomar a estrada. O ponto de chegada pode converter-se em novo ponto de partida. Leia mais!

Autor: Pe. Alfredo J. Gonçalves

Edição: Alex Rosset

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