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Servidor público não pode ser um paradoxo

A própria palavra servidor significa aquele que serve. Se o cidadão paga imposto é o serviço público antecipado, deve receber um tratamento á altura. Esse é o princípio.

Os textos são pensamentos contidos e, muitas vezes, lutamos contra as palavras para que elas não se manifestem. As palavras esperam ser escritas, porque é delas que se materializa o discurso.

Esse texto me fez mergulhar surdamente no reino das palavras porque fui provocado por um discurso paradoxal de um Deputado Estadual do RS, tratando com tamanho desprezo o serviço público, se vangloriando por ter vendido mais uma empresa pública estadual. Assista o vídeo do deputado, postado em rede social.

Assim, o texto explode. Dizia esse “representante do povo”, abre aspas: “acabamos de concretizar, juntamente com o Governador Eduardo Leite, a privatização da CEEE, muito importante esse passo para o Estado do Rio Grande do Sul, para possibilitar ainda mais investimento…momento histórico…deixando um grande legado para os gaúchos”.

Nesse discurso já existe um paradoxo, porque ele foi eleito pelo povo para zelar, preservar, manter o serviço público. Ao contrário, faz o que não deveria fazer, pois está ali para garantir que o povo usufrua do seu direito. Há uma vontade muito grande de uma parcela dos políticos em acabar com os serviços públicos, reduzindo o Estado à zero.

O paradoxo discursivo está em dizer “deixando um grande legado para os gaúchos”. Que legado é esse? Deixar a pampa pobre? Herança maldita? Para depois esse mesmo cidadão dizer na Assembleia Legislativa que não há como fazer nada pela população, porque é a iniciativa privada que tem domínio.

Rock de Galpão interpreta “Herdeiro da Pampa Pobre”, de Vaine Darde e Gaúcho da Fronteira, com a participação especial de Humberto Gessinger, no ​Centro Histórico-Cultural Santa Casa​, em Porto Alegre, em maio de 2017. A canção, logo depois do seu primeiro lançamento, no álbum “Gaitaço” (1990), de Gaúcho da Fronteira, passou a ocupar um lugar de destaque no repertório tradicionalista gaúcho, recebeu também o reconhecimento do público rockeiro de todo o Brasil com a versão gravada pelos Engenheiros do Hawaii em seu álbum “Várias Variáveis” (1991). A versão apresentada neste vídeo é parte integrante do DVD “Rock de Galpão 10 Anos na Estrada” (2018). https://youtu.be/i4Go6Qf9wYU?t=93

O Estado deve garantir os serviços públicos e não privados. Se nós privatizarmos todos os serviços que são prestados ao cidadão, que autonomia o governo vai ter para garantir ao povo, que paga altos impostos, na retribuição de direitos?

Daqui a pouco não vamos ter mais razão de existir políticos, porque se não há serviço público, para que políticos? Estradas (privadas)? Energia (privada) Água (desejo de privatizar)? Petrolífera (desejo de privatizar tudo). Educação? (sucateada).

Para que serve o serviço público, se não é estar a serviço do povo? O que é um servidor público senão um agente para proteger a população?

O serviço público serve para garantir à população a devolução do que ele contribui. O serviço público não é prestado gratuitamente, ele é pago antecipado e, por isso, deve funcionar. O cidadão merece um bom tratamento. O Estado deve manter os serviços públicos e de boa qualidade.

Sobre o discurso similar ao que trouxemos no início desta reflexão, é absurdamente contraditório, porque é como se ele fosse gerado do ventre e quando sai (se elege) maltrata quem o gerou, como se o filho maltratasse a mãe.

Eu sou um linguista e me alimento com as palavras. O que seria eu sem as palavras, se eu as maltratasse? Uso as metáforas porque elas me permitem que o leitor entenda facilmente o sentindo que dou às palavras. Sabe aquela história “a raposa cuidar do galinheiro?” Conhece o ditado: “Cuspiu no prato que comeu?” Se assemelha com o servidor público que entra no serviço público e depois faz pouco caso dele.

Eu sou funcionário público passado em concurso e a meu ver devo cuidar e defender o público sempre. Sou educador e devo fazer de tudo dentro da função que desempenho, não desmoralizar.

O funcionário público que passa num concurso tem o dever de lutar para melhorar o que é público, ainda mais quem entra nesse setor com a responsabilidade de zelar pelo público, como o político, que se diz representante do povo. Ninguém está fazendo favor para a população. Na educação, que é a área, da qual conheço muito bem, somos bombeiros da vida. Bombeiros que salvam dos perigos. Bombeiros que alcançam a escada e ajudam a subir. Salvam vidas encaminhando para os melhores caminhos.

Enquanto funcionários públicos, devemos fazer sempre o que está no nosso alcance para que a população saia satisfeita. Não podemos ser paradoxais. Paradoxo contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, a crença ordinária e compartilhada pela maioria.

A própria palavra servidor significa aquele que serve. Se o cidadão paga imposto é o serviço público antecipado, deve receber um tratamento à altura. Esse é o princípio.

Autor: Laércio Fernandes dos Santos

Edição: Alex Rosset

A arte de contemplar o belo

Contemplar, sobretudo, é ver Deus nos seres e nos acontecimentos, pois Deus fala na história, em cada situação concreta.

Nossa vida é feita de rotina, de pressa e de falta de admiração e contemplação. Perdemos o essencial na vida, invisível aos olhos (Saint Exupery, no livro “O pequeno Príncipe”), pela pressa de chegar, de realizar, de fazer acontecer.

Estamos sempre atrasados em nossa neurose, parecendo que alguém vai morrer porque não chegou. Perdeu-se o jeito de contemplar as coisas mais simples, mais corriqueiras, mais genuinamente belas e pequeninas, mas incrivelmente grandes.

A palavra “contemplação” vem do latim cum + templare, que é colocar-se dentro do templo, numa situação de envolvimento e admiração. Projeta-se no templo a descoberta (o descobertar) da vontade de Deus.

A palavra latina templum é “lugar donde a vista se descortina ao redor, espaço marcado no ar em que os agoureiros observavam o voo das aves” ou ainda “o santuário do pensamento”.

Contemplar é um olhar atento que descobre Deus na presença de suas ações e de suas obras. Segundo Frei José Carlos Pedroso, contemplar, ao pé da letra, não é orar (de os, oris = boca), nem rezar (de recitare: ler alto ou repetir um texto escrito), mas é um relacionamento excelente com Deus, a quem nós ficamos observando, descobrindo, saboreando a vida genuinamente de sinais, feita de ritos e gestos.

A própria palavra descobrir é entendida como “tirar a coberta” e desvelar como “tirar o véu”.

Um verdadeiro contemplador seria um “observador de voo”, um perceptível interpretador dos movimentos e acontecimentos num olhar clínico da realidade. É observador, não deixando passar em branco os detalhes de Deus em sua vida.

Podemos fazer exercícios de contemplação. Contemplar, sobretudo, é ver Deus nos seres e nos acontecimentos, pois Deus fala na história, em cada situação concreta.

Santa Clara e São Francisco foram grandes santos contemplativos da humanidade, que viam Deus em todas as criaturas, que chamavam de irmão e irmã. Até o lobo é chamado de “irmão lobo”, juntamente com o sol e com a lua, trazendo o dia pela mão. Sabiam contemplar o belo, o corriqueiro, no ordinário da vida.

Fascinante recordar Madre Teresa de Calcutá: “A contemplação não ocorre por nos fecharmos num quarto obscuro, mas por permitirmos a Jesus que viva a Sua Paixão, o Seu amor, a Sua humildade em nós, que reze conosco, que esteja conosco e que santifique através de nós.

A nossa vida e a nossa contemplação são unas. Não é uma questão de fazer, mas de ser”. É preciso parar o bonde, que está andando! Como cantou Raul Seixas: “Pare o mundo, que eu quero descer”. É preciso redescobrir a arte de saber parar tudo perder tempo e contemplar.

A nossa pressa nos trai, nos incomoda, nos atormenta, nos persegue, nos escraviza. A oportunidade de amar nos liberta do tempo e também do espaço. Viva o agora no amor e se eternize no agora permanente. (08/04/2017) Leia mais!

*Publicação originalmente publicada em: https://www.donfanews.com.br/colunista/338/a-arte-de-contemplar-o-belo.html

Autor: Pe. Gerson Schmidt

Edição: Alex Rosset

Candidata a professora, formou-se médica

Gostamos de contar histórias de profissões educadoras. Todas as profissões tem algo a nos ensinar; aprendemos sempre, em vários momentos de nossa vida e a partir de muitas possibilidades e oportunidades. Nesta entrevista, apresentamos lições importantes a partir de uma médica, com história pessoal vinculada à educação.

A história que contaremos agora é de Cristine Pilati, médica e Secretária da Saúde do Município de Passo Fundo.Pilati escolheu, no seu tempo de Ensino Médio, fazer o Curso Normal (Magistério) pensando em ser professora.  Depois de concluir o Curso no Ensino Médio, escolheu Medicina. Este seu gosto pelo ensinar não foi ofuscado pela escolha da nova profissão; muito antes, pelo contrário, acompanha Cristine até hoje.

Cristine Pilatti estudou na EENAV (Escola Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro), uma das escolas estaduais da Região Norte do RS que até hoje continua formando jovens professores e professoras no Curso Normal (Magistério). Confira a matéria: https://www.neipies.com/importancia-do-curso-normal-magisterio-na-formacao-inicial-de-professores-e-professoras/

Nem todos os/as estudantes que escolhem até hoje o Curso Normal (Magistério) como parte da formação inicial dos professores e professoras seguem na profissão, mas como podemos perceber, esta experiência significativa de preparar-se para a profissão docente impregna de sentido outras profissões que são influenciadas pelos conhecimentos e vivências deste Curso.

Conheçamos um pouco de Cristine Pilatti e de sua história por ela mesma.

SITE NEIPIES: Em que contexto, ainda bem jovem, decidiste fazer o Curso Normal na Escola EENAV? 

Cristine Pilati:  Meus pais são professores. Minha mãe foi diretora da Escola Arcoverde Cardeal Acorverde e Pedro dos Santos Pacheco de 1972 a 1985. Meu pai professor de Geografia da Escola EENAV. Ambos cursaram magistério. Minha madrinha Claci foi Secretária de Educação do Município de Marau por muitos anos. A Educação sempre esteve presente no nosso lar. Então, foi muito natural a escolha do Magistério como primeira profissão. Amo ensinar, isto está presente em toda minha carreira profissional. A Educação e a forma que evoluímos e nos tornamos melhores como pessoas e sociedade.

SITE NEIPIES: Quais são suas melhores lembranças, memórias e aprendizagens do Curso Normal? 

Cristine Pilati:  As melhores lembranças são as crianças e minhas colegas de turma. Tínhamos um grupo de teatro maravilhoso. Fui também presidente do Grêmio Estudantil do EENAV, uma lembrança muito boa.

SITE NEIPIES: Seu pai é professor. Sabias detalhes da profissão docente desde casa. Conte-nos sobre isso.

Cristine Pilati: Como falei anteriormente, minha família tem este vínculo forte com a educação, não somente no Ensino Médio, como no Ensino Superior. Minhas irmãs também são professoras, Terezinha Pilati e Adriana Pilati, meus primos também, como Roberto Portalluppi, em Marau, professor de Inglês e Biologia, do EJA. Trabalhar com a Educação, é um grande prazer e realização pessoal para todos na minha casa.

SITE NEIPIES: Como vês a profissão professor/a?

Cristine Pilati: Os professores são grandes combatentes das desigualdades sociais. São heróis, na minha visão. Atualmente, acredito ser muito desafiador conseguir ensinar. Neste mundo repleto de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, levar o ensino ao jovens torna-se uma tarefa árdua e deve ser valorizada por toda a sociedade.

SITE NEIPIES: Em que contexto nasceu a vontade e decisão de cursar Medicina?

Cristine Pilati: Desde que me conheço por gente, gosto de cuidar das pessoas. Ensinar também é cuidar! Sempre busquei a medicina, mas isso não me impediu de gostar de ensinar, só veio acrescentar para minha realização profissional. Desde cedo, nós médicos aprendemos que devemos passar o conhecimento para os mais jovens, internos, doutorandos, alunos e médicos residentes. Isso nos atualiza e nos compromete com a continuidade dos princípios de Hipócrates.

SITE NEIPIES: Quais foram, até agora, os maiores desafios de sua profissão? E as realizações?

Cristine Pilati: Acho que jamais imaginei o que estaríamos vivenciando hoje a partir da Pandemia da COVID – 19. O medo, a incerteza, fadiga e a necessidade de nos inventarmos todos os dias, buscando o máximo de resiliência nunca foi tão necessário. Cada conquista é única, mas acredito que a maior foi realmente a formatura em Medicina, até hoje, este foi meu melhor momento profissional, aquele realmente especial.

SITE NEIPIES: Quais são, hoje, os desafios de dirigir a Secretaria Municipal de Saúde de nossa cidade Passo Fundo?

Cristine Pilati: Nunca me imaginei nesta posição, mas sou comprometida em tudo que faço. Quem me conhece, sabe que os desafios fazem parte de mim. Acredito no SUS. Acredito que a população necessita de diretrizes e políticas de saúde justas. Creio que o bom debate, na sociedade, tem um grande espaço e valor. Devemos nos preocupar com esta construção e a sociedade deve participar, auxiliando na implantação destas ações e realizando o controle social.SITE NEIPIES: Que mensagem gostarias de dirigir aos que lêem esta entrevista.

Cristine Pilati: Aos professores que me auxiliaram a ser o que sou, meu muito obrigada! À minha família, que me inspira todos os dias, agradeço pela paciência. Ao Prefeito Pedro Almeida, minha gratidão por me convencer a encarar este desafio!

SITE NEIPIES: Um pensamento, uma frase, uma ideia que diga algo sobre você ou sobre sua vida.

Cristine Pilati: “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito curta, para ser insignificante” — Charlie Chaplin.

Edição: Alex Rosset

Algumas maneiras de ensinar as crianças sobre a preservação dos oceanos e mares

Faz-se necessário mostrar as nossas crianças a importância da conservação dos oceanos e mares. As crianças são abertas a coisas novas, são curiosas e gostam de investigar tudo o que contamos para elas. São boas na aprendizagem.

A poeta portuguesa Sophia de Mello Bryner Andresen amava o mar. Em seus poemas é belo o amor que encontramos pelo mar. Ela fala de uma forma tão carinhosa que chega a doer, a gritar, a imprimir na gente o quanto os nossos oceanos estão sofrendo por nossa causa. Sim, somos os responsáveis pelos seus sofrimentos e nada fazemos para sarar as suas dores e os seus pedidos de ajuda.

Acho que perdemos os sentidos no que diz respeito ao meio ambiente. É como se não escutássemos, não ouvíssemos, não sentíssemos e não tocássemos nas águas ou nas árvores e deles não fizéssemos uso para nada. Claro que isso é mentira porque necessitamos do meio ambiente para continuarmos vivendo.

Sem os oceanos e mares, teria sido bem difícil descobrir novos mundos, como fizeram os navegadores que não temeram as lendas e mitos sobre a imensidão dos oceanos e os seus poderes sobrenaturais, nem ouviram as palavras de anciãos que temiam o desbravar dos oceanos como podemos ver na figura do Velho do Restelo contada no poema dos “Lusíadas” do poeta Luiz Vaz de Camões.

Peçamos a Poseidon, deus dos mares e oceanos, proteção para que possamos sempre cuidar das nossas águas salgadas como se cuida de algo que se ama muito e que nunca a sua ira se volte contra nós. Que com o seu tridente ele possa fazer brotar oceanos e mares nos corações das crianças e assim possam mergulhar nas suas águas límpidas e afáveis.

Para não causar confusão de compreensão, vou explicar a diferença entre mares e oceanos. Os oceanos são os maiores elementos de água salgado do mundo. Enquanto os mares, são porções menores também de água salgada. Espero que fique claro que ao falar de mares e oceanos, refiro-me a água salgada do nosso planeta Terra. E é dessa água salgada que quero falar ao longo do meu ensaio, ora falando da grandiosidade dos oceanos, ora falando dos mares que são porções menores, mas que nem por isso deixam de ter importância para todos nós.

Os oceanos ocupam setenta por cento da superfície do planeta. Algumas crianças ainda não os conhecem, mas não custarão a conhecê-los. São importantes para a nossa sobrevivência como também para a vida marinha.

O menino ou menina que tem seu primeiro contato com a água do mar fica deslumbrado com aquela imensidão, aquelas ondas que vão e vêm, aquele azul que se movimenta num belo bailado e nos proporciona momentos de lazer maravilhosos à beira-mar, pois as pessoas que vivem nas cidades litorâneas desfrutam dos oceanos para se divertirem ao seu redor.

Lembro-me bem da minha infância de quando passava os meus domingos de frente para o mar deitada na areia da praia, escutando o canto das ondas e desfrutando de um sol quente. Tomar banho de mar era a coisa mais gostosa do mundo para uma menina de oito anos de idade que tinha como distração gratuita apenas o mar.

As águas do oceano da minha cidade são as mais belas que já vi em toda a minha vida. Elas parecem nos acariciar quando as tocamos, parecem nos abraçar e nos embalar em seus seios feitas mães cuidadosas. São águas afáveis e amantes de uma gente que não sabe mais valorizá-las, ou seja, tornamo-nos carrascos das águas dos oceanos castigando-as e fazendo-as sofrer as mais diversas dores e perigos que imaginarmos.

Os oceanos têm recebido ameaças à sua sobrevivência com o aumento da poluição, pesca predatória e mudanças climáticas. A vida marinha está em perigo: mamíferos e corais correm o risco de desparecerem do planeta. Quem são os culpados? Quem? Um grande NÓS em letras cursivas para chamar atenção e conscientizar cada um de vocês da importância dos oceanos e mares para o planeta.

Nos oceanos, encontramos diversos ecossistemas que estão sofrendo, principalmente com a poluição desenfreada porque somos robotizados a descartar tudo o que não serve mais para nós pelas janelas dos nossos caríssimos automóveis ou descartamos em locais impróprios. Com isso, as águas das chuvas levam todo o lixo encontrado nesses locais para os oceanos e mares.

Estudos apontam que corremos o risco de perder mais da metade da vida marinha até 2100. Isso é um fato preocupante, pois os oceanos fazem parte da ecologia da Terra e quando coisas assim acontecem causam impacto indireto em outros aspectos do nosso planeta.

Mudanças ambientais significativas prejudicam a saúde dos ecossistemas dos oceanos, por isso quanto mais diminuirmos as agressões ao meio ambiente estaremos contribuindo para a sua preservação. É cuidando, amando e dando importância que construiremos um mundo melhor para vivermos e não o agredindo. Esse cuidado que não vemos mais nem dentro das nossas casas porque não temos mais tempo para cuidar dos nossos familiares é o mesmo que estamos fazendo com o meio ambiente.

Sinceramente, eu não sei o que faz uma pessoa jogar uma garrafa de plástico no meio da rua e não colocá-la na mochila e descartá-la num lugar apropriado. Tem pessoas que são tão agressivas ao meio ambiente que fazem questão de sujar as praias e mares com os seus famosos piqueniques, quando vão embora deixam para trás um rastro de sujeira grande como se quisesse dizer eu estive aqui, quanto orgulho, né?

Um estudo da NASA recente, 2019, mostrou como o aumento da temperatura das águas dos oceanos está ligado a eventos climáticos extremos, assim como desastres. Precisamos parar com essas agressões aos oceanos e mares. Devemos nos educar para salvarmos o meio ambiente de uma forma consciente e cuidadosa.

Educar as nossas crianças desde a tenra idade para que aprendam bem cedo a protegerem o meio ambiente de forma que na vida adulta tenham um lugar melhor onde se viver. Este é o nosso lugar de vida. Se não cuidarmos dele tenderemos a viver de forma precária e difícil.

Faz-se necessário mostrar as nossas crianças a importância da conservação dos oceanos e mares. As crianças são abertas a coisas novas, são curiosas e gostam de investigar tudo o que contamos para elas. São boas na aprendizagem.

Os mares recebem esgotos não tratados que correm para os oceanos poluindo suas águas. Na minha cidade, podemos ver um esgoto enorme a céu aberto derramar sujeiras nas águas do mar de uma das suas mais belas praias. Uma água escura, suja, fétida e extremamente poluente.

O despejo inadequado de esgotos nas águas dos mares provoca um fenômeno chamado eutrofização. A eutrofização provoca uma coloração turva nas águas ficando com níveis baixíssimos de oxigênio. Isso provoca a morte de diversas espécies animais e vegetais, e tem um grande impacto para os ecossistemas marinhos.

As crianças tomam banho nessas águas poluídas sem se darem conta dos perigos das doenças da pele e até mesmo outras que podem vir a ser causadas. É triste ver isso. O poder público nada faz para parar com essa poluição. Outros poluentes dos mares e oceanos são alguns materiais que poderiam ir para o lixo: garrafas, sacolas, canudos, copos plásticos.

Devíamos ter uma lei que proibisse o uso de plásticos em alguns restaurantes e que nas cidades litorâneas eles não pudessem ser usados. É comum vermos tartarugas, golfinhos e outros animais marinhos mortos envolvidos em sacolas de plásticos.

Também temos a pesca predatória que tem destruído cada vez mais com a vida marinha. Essa atividade pesqueira executada de forma desenfreada, ou seja, é a pesca excessiva e insustentável praticada pela ação humana. Das espécies marinhas mais ameaçadas pela pesca predatória no Brasil, temos: os peixes, os caranguejos e as lagostas. A infinidade de pescadores que pescam lagostas novinhas e pequenas, caranguejos fêmeos e em período de reprodução é enorme.

O peixe atum é um dos mais ameaçados por esse tipo de pesca. Sabemos da necessidade que o pescador tem para trazer o alimento para a sua família do mar, mas se ele continuar a fazer esse tipo de pesca chegará um dia que não terá mais o que comer nem em terra nem no mar. A comida desaparecerá por completo porque ele mesmo destruiu tudo.

Só quem já mergulhou nas águas profundas dos oceanos sabe da imensidão da sua beleza ao ver os seus corais coloridos, os golfinhos que vêm brincar conosco e as algas marinhas.

 Levar as crianças para fazerem pequenos mergulhos nos mares próximos das suas casas é um passeio educativo para mostrar a importância da preservação e do cuidado. E por falar em educação vou citar mais algumas maneiras além dessa para educar as crianças na proteção dos mares e oceanos, pois elas são curiosas e sinceras nos seus sentimentos e muitas vezes sabem cuidar das coisas muito melhor do que certos adultos, principalmente, aquelas mais observadoras e atentas a tudo ao seu redor.

Uma educação para proteção dos mares e oceanos pode começar mostrando às crianças a sujeira que alguns adultos costumam deixar nas praias depois de um dia de lazer. Levar a criança com um depósito ecológico para colher o lixo das praias dizendo para ela quanto tempo leva uma garrafa plástica para se decompor é importante.

Para quem não sabe uma garrafa plástica leva em média 450 a 500 anos para desaparecer do planeta depois de descartada, por isso que é importante a reciclagem. Depois da coleta de todo o lixo separar aquele que pode ser reciclado e vendido para uma empresa de reciclagem que o transformará em um objeto de bom uso.

Também podemos convidar as crianças para assistirem documentários sobre os oceanos conosco ao sabor de uma boa pipoca e de um suco de frutas delicioso. Há muitos documentários na Internet falando sobre a importância dos oceanos e mares, seus diversos ecossistemas e as suas belezas naturais. Pedir para que as crianças pesquisem também na Internet vídeos que mostrem o impacto da poluição nos oceanos e mares e discutir com elas o motivo pelo qual devemos ter cuidado com o nosso lixo também pode ser uma boa alternativa.

Não basta colocar a criança para ver o documentário ou vídeo. É preciso um diálogo sincero onde fique claro que a preservação dos oceanos é de responsabilidade de todos nós: adultos e crianças.

Outra maneira interessante de conscientizar as crianças sobre a preservação dos oceanos e mares é na hora da contação de histórias tanto na escola quanto em casa, ler para elas livros que abordem os cuidados que devemos ter para com as nossas águas salgadas. A poeta citada no início deste ensaio tem alguns livros para crianças maravilhosos e dentre eles cito “A menina do mar”.Um livro lindo para todas as idades. Em “A menina do mar” a escritora e poeta Sophia de Mello Bryner Andresen conta uma história para crianças de todas as idades sobre o desejo de mergulhar nas águas profundas do mar, de unir a terra e a água fazendo delas uma só coisa. É uma história que ensina sobre o amor, a saudade e o cuidado com o mar e a vida marinha. Vale a pena ler com os pequenos e discutir com eles cada detalhe que a escritora colocou na história chamando sempre a atenção para a preservação desses oceanos e mares.

Além da contação de histórias, também podemos ler com as crianças poemas sobre os mares, oceanos, peixes, caranguejos e outras vidas marinhas. As crianças também podem aprender a cantar a musiquinha linda intitulada “Peixinhos do mar”. É uma música curta, mas vale a pena trazê-la para o ensino-aprendizagem da criança.

A poesia, ainda tão pouco explorada na sala de aula, pode ser uma importante fonte de ensino-aprendizagem às crianças, pois as suas rimas e metáforas facilitam o mesmo. Sem contar que através dos poemas as crianças podem viajar outros mundos com as metáforas criadas pelos poetas.

Também podemos pedir para as crianças desenharem ou pintarem animais marinhos. Elas adoram desenhar peixinhos e tartarugas! O desenho fortalece a ligação afetiva da criança com o objeto desenhado. Naquele tempo que ela levou para desenhar ou pintar o bichinho foi colocado afeto e cuidado que fica no seu espírito e pode ser acordado na vida adulta.

O importante é que ao longo da sua vida, a criança tenha um ensino-aprendizagem de valorização e preservação dos oceanos e mares de forma que possa se tornar consciente e responsável, evitando a poluição do meio ambiente.

Uma maneira bem divertida para um passeio de fim de semana é levar as crianças para visitarem um aquário. Lá elas terão contato com animais marinhos que nunca viram antes e ficarão cheias de curiosidades e alegres. No caminho para o aquário canções sobre o mar e os seus animais podem ser cantadas, poemas podem ser declamados e pode-se até abrir um debate sobre o que as crianças esperam encontrar no aquário. Os professores devem sempre usar do lúdico e da brincadeira para incentivarem a aprendizagem das crianças.

Uma outra coisa importante é ensinar as crianças a reduzirem o uso dos plásticos. Substituir as sacolas plásticos de supermercados por sacolas de tecidos que podem ser reutilizáveis é uma boa opção. Sempre mostrando e falando para a criança o motivo pelo qual está se fazendo aquilo.

A poluição por plásticos nos mares e oceanos acaba criando um desequilíbrio com as mortes de várias espécies de animais marinhos. Faça a sua própria sacola de tecido junto com a sua criança. Costure-a, pinte-a e deixe-a bem bonita para quando forem ao supermercado ou à feira. A criança vai gostar muito da ideia.

E por último, envolva as crianças no assunto, procurando sempre nas reuniões familiares ou nas conversas à mesa falar sobre a importância da preservação dos oceanos e mares. Leia jornais e revistas para elas. Tire uma horinha no dia para ensinar sobre a importância do meio ambiente e a sua preservação. Não deixe apenas para a escola essa tarefa.

Cuidar dos oceanos e mares é tarefa de todos nós. Os professores devem sempre estar atentos a todos os assuntos sobre os oceanos e mares para atualizarem as crianças.

Algo que lembrei agora e seria interessante às crianças seria que todas elas tivessem em suas casas e na escola um brinquedo que representasse um animal marinho. As crianças adoram bichinhos de pelúcia e podem passar horas brincando com eles. Gostam de inventar diálogos com esses fazendo do bichinho muitas vezes um herói dos seus medos e angústias. Até mesmo o professor ou professora pode adotar um bichinho de pelúcia marinho na sala de aula e sempre que possível brincar com as crianças contando a história dos hábitos e costumes de cada animal, explorando a forma como se alimentam e se reproduzem. Também é uma ideia bem divertida e lúdica.

Ensinar as crianças que as ondas do mar não fazem barulho, mas que cantam dos seus jeitos também é uma forma de respeito e ensino. Nas cidades litorâneas, levar as crianças para um passeio diante do mar será maravilhoso para molharem os pezinhos e ouvirem o canto das ondas ao tocar nas pedras. E nas cidades sem mar tentar mostrar através de vídeos, filmes e documentários o quanto o canto das ondas do mar é bonito e tranquilizador.

Muitos poetas e escritores preferem morar de frente para o mar, pois dizem terem mais inspiração com o canto das suas ondas. Acho um privilégio para poucos morar perto do mar. Eu moro e sei bem o quanto é maravilhoso. Não há nada mais bonito no mundo do que acordar com o canto das ondas do mar a acariciar os coqueiros.

Que os nossos governantes criem leis mais fortes para proteção dos oceanos e mares e que possamos contribuir do nosso jeito para que as suas águas continuem sempre azuis e belas. E que seja possível uma tartaruga vir depositar os seus ovos na areia da praia e voltar para o mar, tranquila assim como viver por longos anos. Eu não sei você, leitor, mas eu sou feita do mar. Tenho em mim as mais belas ondas que um surfista possa imaginar e as mais belas praias onde um poeta pode morar. O mar sou eu!

 Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Avaliar pode ser “tri”, desde que…

Avaliar não significa um processo metonímico, onde se avalia uma parte do todo. A avaliação é o todo. Deve ser o todo. Para avaliar o processo escolar, não é com uma prova advinda de um mundo imaginário, aplicada à “meia dúzia” de alunos que compareceram na escola que vamos chegar num todo.

Avaliar deve ser “tri” porque é através dela que medimos o processo amplo escolar. Se a avaliação conseguir traduzir a realidade de cada segmento que compõe o todo, ela cumpre seu papel, caso contrário, será mais uma atividade, mais pelo prazer de se realizar do que o prazer do efeito causado.

Assisti, dia desses, a Professora Dra. Josiane Toledo, contratada para dar a devolutiva da prova de Língua Portuguesa da “Avaliação Diagnóstica”, elaborada pelo Estado do RS para diagnosticar o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes das escolas estaduais.

Toledo dizia tudo aquilo que sabemos sobre, como e para que a avaliação serve, pois nosso conhecimento permite afirmar isso. Dizia que devemos entender qual o lugar está a avaliação? Para onde vamos com a avaliação?  Em se tratando em Língua Portuguesa precisamos ajudar para que nosso estudante leia e tenha capacidade de compreensão e que não só codifique. Que o estudante tenha uma apropriação através da linguagem. E que ler significa ter a capacidade de recuperar o sentido da palavra. Que não podemos ler da mesma forma uma poesia e um texto científico ou acadêmico. Que devemos ensinar nossos alunos a construir sentido naquilo que se lê. Tudo isso sabemos muito bem.

Em outra oportunidade, escrevemos que avaliação tem por meta o ajuste e a orientação para a intervenção pedagógica visando a aprendizagem da forma mais adequada para o aluno. É um elemento de reflexão contínua para o professor sobre sua prática educativa e instrumento para que o educando possa tomar consciência de seus progressos, dificuldades e possibilidades. Por isso, a avaliação deve ser realizada envolvendo o conteúdo trabalhado através de trabalhos, provas e acompanhamento sistemático do desempenho demonstrado no estudo.

A avaliação deve oferecer um feedback ao professor sobre como melhorar seu ensino e como o aluno melhorar a performance dele, já que esse tópico merece uma atenção singular na abordagem didático-metodológica, pois, “a avaliação tem sido um tema muito polêmico nestes últimos anos”. (WEIDUSCHAT, 2007, p.73). Por esse viés, ao não tratar essa questão com atenção no ensino, poderá se perder todo o processo.  Avaliar denota um olhar para de todos os segmentos que compõe a escola e não fixar somente num segmento.

Assim pensamos quando elaboramos nossas Avaliações Diagnósticas, solicitadas pela Coordenadoria Regional de Educação e fomos desrespeitados dizendo que as nossas avalições não teriam mais validade. A Secretaria de Estado da Educação contratou uma empresa de Minas Gerais para elaborar as tais Avaliações. Quando nós elaboramos, debruçados em dados concretos e particulares de cada escola, da qual somos exímios conhecedores, não serviu, agora para o Estado pagar uma empresa para realizar a Avaliação, sem conhecer a realidade, aí tem valor.

Essa atitude adotada condiz com tudo o que já estudamos sobre avaliação? Que papel tem essa avaliação tida como “Tri”? Por que desrespeitar dessa maneira os atores sociais locais? Algo que vem pronto de outro Estado, com interesses políticos e financeiros, tem poder de medir a realidade do nosso aluno do Instituto Estadual Cecy Leite Costa, por exemplo?

Procuraram saber que existe a Marie vinda do Haiti, a Gerliennys, o Jannier, a Sariath, o Brighan e outros tantos vindos da Venezuela? Saber da Morion e seus irmãos que vêm de Bangladesch? Saber que tem famílias pedindo ajuda para a escola com dificuldade de se alimentar? Saber que muitos alunos não têm celular, internet ou até mesmo possibilidade psicológica para enfrentar os problemas sociais que os afligem e refletem no ser estudante? Saber que muitos alunos sumiram, simplesmente, e a coordenação está fazendo um esforço descomunal para recuperá-los?

Nós soubemos, tudo isso compõe uma avaliação justa que realmente diagnostica a realidade enfrentada. O que o governo está fazendo para minimizar a questão social que afeta diretamente no aprendizado? Qual é o papel da avaliação apresentada pelo governo, sabendo que a cada final de ano há uma pressão para que se amenize a infrequência e altere a nota para que todos os alunos sejam aprovados? Isso é avaliar? Que autonomia se dá para escola e ao professor?

Mudamos o foco para o aluno. Enxergamos o aluno como um ser aprendente.  Evoluímos. Mas agora estamos com o foco no sistema. Sistema para demonstrar que o governo não desampara. Que a estatística mostra que os alunos foram aprovados. Todos. Dados artificiais. (07/05/2021)

Avaliar não significa um processo metonímico, onde se avalia uma parte do todo. A avaliação é o todo. Deve ser o todo. Para avaliar o processo escolar, não é com uma prova advinda de um mundo imaginário, aplicada à “meia dúzia” de alunos que compareceram na escola que vamos chegar num todo.

Apenas nos interessa a metonímia? Avaliar significa levar em consideração de que o profissional da educação está desmotivado com seu salário congelado desde 2014, desde que o botijão de gás custava, R$ 37,00, que a gasolina R$ 2,60, que o 5 kg de arroz R$ 8,00. Avaliar significa olhar para a infraestrutura das escolas, em que a internet não dá conta e obriga o próprio professor a rotear seu celular para trazer o mundo à sala de aula.

Avaliar significa considerar que as escolas estão trabalhando com pessoas reduzidas para desenvolver o calhamaço de demandas exigidas para alimentar estatísticas falsas para o governo. Esquecer essas coisas do processo é avaliar pelo viés metonímico. A escola, a educação não são metonímicas. É o todo e não parte do todo. Onde está o professor neste processo? Ele foi ouvido?

Essa avaliação não é maciça, como se referiu a Secretária de Educação. Avaliar é um processo que envolve o todo. Não é algo onde tudo que é decidido vem a cabresto. Onde tudo é decidido sem respeito ao profissional e a escola que são os que mais conhecem a realidade social e da aprendizagem. Querem saber, de fato, o quê? Chame o professor, a coordenação, a escola como um todo e terão respostas mais verdadeiras.

Conheça mais sobre os resultados da avaliação diagnóstica “Avaliar é Tri RS”, concluída no dia 16/06/2021, aplicada nas escolas estaduais do Estado. https://www.estado.rs.gov.br/avaliacao-diagnostica-avaliar-e-tri-rs-e-concluida-com-cerca-de-500-mil-participantes

Autor: Laércio Fernandes dos Santos

Edição: Alex Rosset

Os pinhões e a psicoterapia

Com a imagem de um pinhão brotando que me permiti viajar em pensamentos e comparar aquela semente a algumas pessoas que conheci por conta de meu trabalho em psicoterapia.

Estamos no sul do Brasil. É inverno e este ano a safra de pinhão foi das melhores, como há muito não acontecia. Dia destes, juntando pinhões sob uma araucária, encontrei um cujo “pavio” apontava meio centímetro para fora: estava germinando! Olhando para cima não pude fugir à constatação mais do que óbvia, – ululante diria meu primo – de que tal semente, do tamanho de meu dedo mínimo e que acomodava-se na palma de minha mão, poderia ser um dia uma frondosa árvore como aquela sob a qual eu me encontrava, onde, sozinho, eu não conseguiria envolver o seu formidável tronco num abraço.

Com esta imagem do pinhão brotando que me permiti viajar em pensamentos e a comparar aquela semente a algumas pessoas que conheci por conta de meu trabalho em psicoterapia.

Todas as que seguiram este curso natural do crescimento – e tal e qual à parábola do semeador encontraram terreno fértil e condições propícias para seus desenvolvimentos – puderam em suas transformações encontrar uma nova forma de viver, talvez mais leve, com menos exigências, tornando-se mais tolerantes, amorosas, enfim, melhores.

Todavia, tal como os pinhões, outra parcela que conheci encerrou ali o seu ciclo: ou por não ter uma oportunidade para germinar ou por acomodar-se a uma vida medíocre, pensando estar, assim, cumprindo seu papel na família, no trabalho ou na sociedade.

Não somos pinhões caídos ao solo e lançados à sorte, somos seres humanos dotados de vontade, de amor, de inteligência e de livre arbítrio que nos possibilitam discernir nossas escolhas.

Por definição da Organização Mundial de Saúde, somos seres biológicos, psicológicos e sociais (muito embora eu faça parte daquela turma que acrescenta a espiritualidade à essência de cada um) e por isso herdeiros de uma carga genética e ao mesmo tempo estruturados psicologicamente em meio à sociedade. São estas condições que nos tornam diferentes e nos deixam mais – ou menos – preparados para a vida.

Tudo isso para dizer que sempre quando início um novo atendimento em psicoterapia, levo em consideração que aquela pessoa que no momento inspira cuidados, é como uma semente que está com todo o potencial para sua germinação e que posso auxiliar para que a mesma encontre em sua família, em seu trabalho, em seu relacionamento as condições propícias para seu desenvolvimento natural, o do crescimento.

Todavia, reconheço que é dentro dela que está o primeiro movimento (a germinação) para sua transformação, e este, cabe unicamente a si mesmo executar. Portanto, toda e qualquer mudança desejada em uma psicoterapia passa necessariamente pela vontade em abandonar velhas formas e ir ao encontro de um novo momento, em busca do curso natural de todo o ser vivo, o da transformação e do crescimento. Mas isso dá trabalho.

Portanto, trabalhe-se, renove-se, cresça!  

Leia mais em

Autor: César A R de Oliveira

Edição: Alex Rosset

Escola, planos e planejamentos para quem?

O planejamento da aula faz parte do exercício docente. Planejar é necessário. E não vejo problemas nisso! Um bom planejamento faz toda diferença na vida do aprendiz. Planos matam ou salvam!

Hoje fiz planos sobre o que escrever. Resolvi escrever sobre planos. Planos que matam e planos que salvam. Planejamentos de aulas! Porque certamente há milhares de professores elaborando suas aulas neste momento. Ou os fizeram no período da tarde, ou de manhã, ou na madrugada. Sei que o fizeram, porque o planejamento da aula faz parte do exercício docente. Planejar é necessário. E não vejo problemas nisso! Um bom planejamento faz toda diferença na vida do aprendiz. Planos matam ou salvam!

O que chama atenção é o fato de que milhares de professores estão a planejar seguindo determinações de secretarias e coordenações, sem poder ao menos escutar e dialogar com seus estudantes. Isso mata! Parece que é conduta, prática frequente, normalizada. É o planejamento antecipado! Ou, planejamento adultocêntrico, meu termo preferido. Isso mata!

Estou me referindo ao planejamento para fins de documentação, que serve para provar que alguém dedicou tempo para compô-lo; aquele que serve para encher folhas e planilhas que comprovam algo. Nasce em detrimento de um programa. Nasce sob a ótica do professor, sem o olhar do aluno. Nasce do pensamento (exausto) do professor, sem o pensar do aluno. Nasce sem a escuta e a voz daqueles aos quais o planejamento se destina: os estudantes! O planejamento que nasce assim, mata!

O que inquieta e incomoda muito os professores está relacionado com a contradição entre o que se estuda e o que se faz, ou seja, entre teoria e prática. De que adiantam tantas formações, momentos em que se discute sobre a necessidade de se perceber e entender o ser humano que está a aprender. Estudos que dão ênfase para protagonismo do estudante, compreendido como ser único, potente, capaz; e ainda, que precisa de uma formação criativa e crítica, que possibilite o exercício democrático.

Lindo! Lindo e falso! Mas, por que é falso? Porque o planejamento adultocêntrico não oportuniza a participação do estudante, assim não existe protagonismo, nem criatividade, nem criticidade, tampouco se aprende democracia, embora se fale muito nela.

Não se trata de afirmar que são os estudantes que decidem o planejamento, mas sim de momentos de interação entre eles e o professor. Por meio do diálogo, com escuta atenta e sensível, seria possível perceber interesses, pensamentos, sentimentos, experiências, opiniões, reivindicações, preferências, além das diferentes realidades de vida. Com isso seria possível traçar o planejamento, um percurso formativo verdadeiro.

Milhares de professores fazem planos de aula para cumprir protocolos. Aulas para o mês inteiro, traçadas para o perfil passivo de estudante, embora o discurso seja o de estudante ativo. Com o planejamento feito antecipadamente, o professor pode até morrer. Mas seus planos ficam. Isso que é eternizar!

Milhares de professores estão fazendo planos, preenchendo tabelas, planilhas! Quando estão com os estudantes, o semblante é de preocupação com a papelada. Todos sabem que faz parte do seu trabalho. O problema é que a ordem está invertida, o certo é primeiro o ser humano, depois a burocracia.

Se assim continuar, é pertinente informar que, por esta perspectiva não se vê preocupação com o estudante e a sua formação. A preocupação tem a ver basicamente com exigências legais, bem contraditórias, inclusive. Tem a ver com o mundo adulto e tudo que é mais fácil e confortável para ele.

Quem inventa isso? O adulto. Para contemplar o que ele precisa, não o estudante. Alguma coisa o aluno tira de proveito nisso, alguma coisinha. Mas talvez seja por isso que em determinado momento da vida estudantil, seja bem ruim cumprir certos afazeres escolares. Talvez o estudante perceba que é invisível, inaudível, incomunicável. Talvez a escola se torne o lugar onde ele não queira estar.

Agora vejam!

Como é possível elaborar planejamentos que contemplem espaço, tempo e interações, a partir do que expressa a criança, com planejamento adultocêntrico?; Como é possível oportunizar a participação das famílias e pensar na documentação pedagógica, partir do que expressa a criança, com planejamento adultocêntrico?

Como é possível considerar o papel da natureza, partir do que expressa a criança, com planejamento adultocêntrico? Como é possível contemplar a cultura, partir do que expressa a criança, com planejamento adultocêntrico? Como é possível o aprendizado em companhia, que tanto é mencionado, com planejamento adultocêntrico?

Como é possível o protagonismo do estudante, a formação criativa e crítica e o exercício democrático com planejamento adultocêntrico, elaborado com antecedência para cumprir protocolos, oriundos de determinações que desconsideram o professor?  Não é possível. Ponto.

Tenho dó, pena de mim (sou professora) por ter de seguir certas normas, porque elas são tolas, e ter consciência da tolice causa sofrimento, adoece! Lamento que os meus colegas também tenham de se sujeitar a cumprir atribuições que se contradizem. Entendo o adoecimento de muitos. Lamento porque somos passivos! É triste! E não é surpresa que tornemos nossas crianças assim. Embora a papelada diga o contrário.

É importante que saibamos que é impossível a participação ativa do estudante, se os planos forem elaborados somente pelo professor/adulto e do jeito como está sendo feito. A participação do aprendente inexiste. Ele está ficando de fora do processo. Ele só vai desenvolver o que o professor solicitar, portanto, de modo passivo. E isso é muito ruim, especialmente se pretendemos salvar a sociedade.

Muitos vão dizer: mas eu deixei que conversassem! Mas eu deixei que participassem. (Fake! Aceita! É fake!)

Milhares de professores estão fazendo planos, preenchendo tabelas e planilhas, agindo passivamente, seguindo as normas. É muito ruim. É quase insuportável.  Então, pensem para o estudante o que é: Muito ruim. Quase insuportável! Mas ele não é o propósito, só não querem deixar evidente!

Agora, veja um exemplo que salva! É de Educação Infantil, que pode tornar-se prática em outros níveis também. A imagem mostra uma parte de uma reunião de planejamento: Dando voz à Criança.

Segue o breve relato:

Nas últimas semanas, os grupos de crianças participaram de fóruns para expressar as suas opiniões sobre a sua vida infantil; o que poderia ser melhorado na escola; e que novas ideias poderiam implementar para melhorar as suas experiências escolares. E claro, qualquer reunião criativa precisa de…lanche! Aqui estão apenas alguns dos pontos levantados por algumas crianças.

′′Eu AMO a escola e quero cozinhar mais! (E)

′′Gostaria que tivéssemos um barco no parque!” (A)

′′Quero que o papai leia uma história para todos os meus amigos”. (B)

′′Precisamos brincar mais de moto.” (A)

Após os fóruns, o planejamento foi construído. Não sei quantos pedidos foram atendidos (sei sim, mas não vou contar). O que sei é que muito do que propõe a nossa base legal pode ser contemplada a partir do que elas disseram. O que muda? Tudo!

O adulto sai do centro, embora sua função seja essencial. Toda papelada que tanto pedem também será contemplada, no momento certo. Aqui temos um exemplo de exercício democrático. Isso salva!

Mas afinal, você tem planos para o quê?

Se esta crônica incomodou, tirou você da passividade intelectual por um momento, certamente podes rever seus planos e mudar de alguma maneira o percurso!

O que menos importa é o aluno agora. A aprendizagem não é o foco. O planejamento de uma boa aula que foque em estratégias para o desenvolvimento reflexivo através da linguagem, é o que menos importa. (Laércio Fernandes dos Santos) Leia mais!

Autora: Ana Lúcia Vieira

Professora da rede municipal de Passo Fundo

Edição: Alex Rosset

O mal-estar na civilização

O ser humano moderno (civilizado) trocou uma porção de possibilidades de felicidade por uma porção de segurança. Esse é o preço que gera o mal-estar vivido por muitos de nós.

O mal-estar na civilização é um dos escritos mais importantes do pai da psicanálise Sigmund Freud (1856-1939).

Freud não é apenas o pai da psicanálise, mas o fundador de uma forma muito inovadora de pensamento, de um modo muito peculiar de produzir ciência e conhecimento. Suas investigações sobre a psique revolucionaram o que se sabia sobre a alma humana, instaurando uma ruptura profunda com toda tradição de pensamento ocidental. Seus estudos sobre a vida inconsciente, realizado ao longo de toda uma vida, produziu uma vasta obra que hoje se torna obrigatória para compreender os desafios da ciência, da filosofia e da própria educação.

Ler e estudar Freud possibilita “outra dimensão do olhar” não só para entender a psique humana e seus mistérios, mas também para compreender os problemas educacionais do presente e do futuro. É como se adquiríssemos outras lentes para ver o mundo, a relação entre as pessoas e principalmente o modo como os seres humanos se comportam e se relacionam entre si.

Como bom investigador da alma humana, perguntando-se sobre os critérios – ao seu ver equivocados – usados pelos seres humanos para eleger os valores centrais da vida e assim traçar o rumo da felicidade, Freud realiza uma instigante e provocativa reflexão sobre a origem da necessidade do sentimento religioso no ser humano, sobre as (im)possibilidades da felicidade e da tensão entre o princípio de prazer e o princípio de realidade na condução da vida humana.

Ao investigar por que ser humano é tão pouco dotado para ser e permanecer feliz, Freud revela que um dos principais e invencíveis obstáculos à felicidade é a constituição psíquica e a dificuldade de lidar com as próprias frustrações. No jogo da civilização você ganha alguma coisa mas, habitualmente, perde em troca alguma coisa. E é assim que ocorre a dinâmica da vida e é dessa mesma forma que se constituiu a civilização.

“A civilização”, diz Freud, “se constrói sobre uma renúncia ao instinto”, impõe grandes sacrifícios, a suspensão de profundos desejos e a “economia libidinal do indivíduo”.

Assim, a civilização é um compromisso, uma troca continuamente reclamada e para sempre instigada a se renegociar.

O ser humano moderno (civilizado) trocou uma porção de possibilidades de felicidade por uma porção de segurança. Esse é o preço que gera o mal-estar, essa situação incômoda que nos atrapalha, nos incomoda, mas é condição para viver em sociedade.

Não se pode fazer tudo o que se quer ou se deseja (embora alguns tentam esquecer disso), pois sempre existem consequências. Talvez o grande problema da condução da vida humana é que erroneamente fomos ensinados de que a felicidade pode ser conquistada ou adquirida definitivamente, quando não passa de um momento efêmero que precisa ser permanentemente reavivado e reconstruído.

Enganam-se aqueles que acreditam que a felicidade está em comprar coisas, em adquirir bens materiais ou atingir certas metas planejadas. Como horizonte, ela sempre nos escapa quando tentamos capturá-la. A felicidade não está nas coisas ou num lugar, mas na capacidade humana sempre inconclusa de viver intensamente a vida nas pequenas coisas.

Em outra reflexão publicada no site, escrevemos sobre Educar o Educador. ”… é necessário pensar projetos de formação que visem construir espaços de reflexão permanente sobre as próprias práticas dos professores que estão no cotidiano da escola enfrentando a árdua e imprescindível tarefa de educar”. Leia mais!

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição: Alex Rosset

Como trabalhar desmatamento e queimadas em sala de aula?

Toda escola deve propiciar à criança um ensino que se preocupe com o futuro do planeta começando pela preservação das nossas florestas.

Perto da minha casa tinha uma pequena floresta que foi destruída pelas constantes queimadas. A gente não podia brincar nela porque era um lugar privado, mas podíamos ver algumas espécies de animais passeando pelas ruas e isso nos enchia de alegria. Uma vez vi um tatu e corri atrás dele toda contente, mas o bichinho se enfiou na floresta e não o vi mais.

Eu acordava e abria a janela do meu quarto para sentir o cheiro do mato que vinha de lá. As árvores daquela floresta eram as minhas melhores amigas.

Será que as crianças de vocês poderão contar um depoimento como esse acima nos próximos anos?

Ter uma floresta perto de casa é um privilégio para poucos por incrível que pareça, pois o nosso país é cheio delas. Não é à toa que temos a maior floresta do mundo, a Amazônia. Tão grande que todo mundo quer cuidar dela, menos a gente.

A gente não sabe cuidar do que temos, é verdade. Se soubéssemos não deixávamos a Amazônia sofrer tanto com o desmatamento e as queimadas. Não permitiríamos que pessoas estranhas invadissem a nossa maior floresta e derrubassem centenas de árvores seculares com serras elétricas. O que é preciso para aprendermos a cuidar da nossa Amazônia? Será que nos falta amor?

Nos últimos anos, o número de desmatamentos e queimadas tem aumentado assustadoramente na Amazônia e no Cerrado brasileiros. Estão desmatando e queimando para atenderem aos desejos do homem contemporâneo. Esse homem que sempre acha está certo agindo em prol do progresso sem pensamento crítico e reflexivo, sem educação ambiental e muito menos sem leis que julguem as suas ações desenfreadas contra o meio ambiente.

Eu temo esse homem do progresso, ele não sabe o que faz com a natureza. Ele não sabe o que faz consigo mesmo. Gostaria de que os nossos governantes também tivessem aulas de educação ambiental, assim eles compreenderiam o quanto o meio ambiente é importante para a vida humana na Terra.

Desde os tempos da colonização do Brasil as nossas florestas estão sendo desmatadas. Começou pelo litoral brasileiro e a mata atlântica quase deixou de existir. O que nos resta delas é uma pequena área protegida em algumas cidades para que o homem não tenha acesso e queira explorá-las novamente. Temos um país cheio de florestas e poucos parques florestais, por incrível que pareça. Nas grandes metrópoles, é mais fácil encontrarmos concreto e prédios do que árvores.

Na Amazônia, a exploração dos madeireiros é imensa. Já podemos ver através de fotos grandes áreas desmatadas. Com isso, sofrem os animais sem habitats para viverem, sofre a biodiversidade que vai se acabando cada vez mais e sofrem os indígenas sem as suas terras para plantarem.

A exploração da floresta amazônica é um problema grande demais para ser resolvido apenas num pequeno ensaio como este. Envolve grandes empresários, pessoas milionárias, donos de negócios que mexem com muito dinheiro. Talvez por isso seja tão difícil controlar o desmatamento na Amazônia. Antes era possível ouvir o canto dos pássaros por lá, hoje em dia é o barulho das serras elétricas que ronda as diversas áreas da floresta. São árvores milenares que vão abaixo todos os dias pelas mãos de homens que só visam fazer grandes negócios com aquela boa madeira.

A maioria dos homens não tem ideia do tempo que se leva para uma árvore nascer e crescer. Eles chegam cortando tudo, derrubando as árvores com as suas serras elétricas ou machados como se fossem donos das florestas. Destroem tudo. O que antes era uma área verde e arborizada vira, de repente, um terreno vazio. São centenas de caminhões andando por estradas clandestinas e escondidas no meio da floresta amazônica carregando troncos de árvores. Todos os dias isso ocorre, e todos os dias as autoridades não fazem nada para frear esse desmatamento.

Eu tenho medo do homem de paletó que cria leis e também dos que as aplicam. Eles parecem homens pimentões, por dentro não têm quase nada.

No nosso Cerrado, tem acontecido as diversas queimadas. Um problema sério também porque acaba mantando animais e destruindo seus habitats. A biodiversidade é prejudicada e o homem que mora perto dessas florestas passa a respirar fumaça e ter problemas pulmonares sérios. Mas, não estão queimando apenas o nosso Cerrado não. Estão queimando tudo quanto é mato existente no país.

Onde tem lugar com um pouco de mato o homem vai lá e bota fogo. Parece que o mato incomoda. Alegam alguns que terrenos com mato são propícios a criarem insetos, bichos venenosos e etc. O homem alega de tudo para desmatar e queimar, eis a verdade.

O desmatamento e as queimadas têm sido necessários, segundo o homem de negócios para a construção de casas. Nalgumas cidades, já não vemos mais árvores nas ruas. E quando essas existem sofrem podas por trabalhadores não especialistas que ao invés de apenas as podarem cortam toda a copa, deixando apenas metade do tronco.

O progresso é assim: prefere casas e prédios ao invés de árvores. Em algumas cidades pequenas do interior do nosso país, é possível ver o progresso chegando com o desmatamento de alguns locais para a construção de hotéis de luxo. Não há nenhuma lei que proíba esse tipo de construção. Não há nenhum governante que seja contra essa destruição do meio ambiente da sua cidade. Ficamos todos de braços cruzados vendo as nossas florestas virem abaixo.

É preciso educar as crianças sobre o desmatamento e as queimadas nas salas de aulas para que possam crescerem protegendo as poucas árvores que restarem nos seus locais de moradia.

A primeira pergunta que deve ser feita a uma criança é o que ela entende por desmatamento. O professor deve anotar na lousa todas as respostas das crianças. Depois conversar com os alunos sobre os motivos que estão desmatando as nossas florestas e por último perguntá-los quais as consequências disso para o nosso futuro. Pedir para que as crianças desenhem florestas com grandes árvores, que desenhem uma solução para o desmatamento, que escrevam poemas sobre as árvores. Os poemas rimados são maravilhosos para que as crianças aprendam mais facilmente um tema, por isso também é importante pesquisar sobre poetas que trabalham com questões ambientais e levar esses poetas para a sala de aula.

Quanto as queimadas, o professor deve mostrar para os seus alunos algumas coisas práticas, tipo: fechar toda a sala para que fique abafada até as crianças sentirem calor, falar que as crianças devem ficar longe de qualquer tipo de fogo, explicar que os animais sofrem com o calor do fogo e as fumaças e muitos deles chegam até a morrerem. Pedir para as crianças contarem se já viram algum mato ou floresta sendo queimada e o que sentiram.

O que podemos fazer para evitar as queimadas? Como podemos conscientizar os nossos pais e adultos para não queimarem as florestas? Fazer cartazes mostrando como se comportam os animais com as queimadas e o que sofrem, além de elaborarem textos sobre as causas e consequências delas.

O ensino sobre o desmatamento e as queimadas em sala de aula deve ser prático e não apenas teórico, por isso é importante que as crianças conheçam florestas e lugares arborizados para entrarem em contato com a natureza. Na volta do passeio elaborar um pequeno texto sobre a experiência daquele momento. Também deve-se educar as crianças para plantarem árvores nas praças e locais públicos onde seja possível. Na escola, substituir o chão de concreto pelo de terra e plantar pequenas árvores.

Nada é mais bonito do que ter uma árvore no meio do terraço de uma escola. Levar as crianças para apanharem as folhas secas das árvores de uma praça pública e contar para elas da importância daquelas folhas para o meio ambiente. Permitir que as crianças possam subir nas árvores e brincarem nos seus galhos tendo contato direto com a natureza. Sempre com o cuidado de que não venham a se machucar.

Mostrar às crianças da importância das árvores frutíferas para a nossa alimentação: caju, manga, goiaba. Contar histórias às crianças sobre grandes árvores. Existem muitas histórias na nossa literatura com esse tema. Contar a história dos baobás para as crianças é uma forma de incentivar as suas curiosidades.

Uma criança que cresce em contato com a natureza na idade adulta não permitirá que a destruam. Ela vai saber valorizar as árvores e os animais, pois na tenra idade aprendeu a importância deles para o bem-estar do planeta e tudo o que se aprende na infância fica marcado no espírito para o futuro, por isso é tão importante que aprenda a gostar das florestas enquanto é criança para que não se torne um adulto somente preocupado com o progresso e o desenvolvimento das cidades.

Que as nossas crianças possam ser exemplos aos adultos escrevendo poemas, desenhando, produzindo textos na internet sobre a importância das florestas para a vida humana na terra. O professor pode ajudar as crianças a usarem as redes sociais para divulgarem as suas opiniões sobre os desmatamentos e as queimadas.

Toda escola deve propiciar à criança um ensino que se preocupe com o futuro do planeta começando pela preservação das nossas florestas. Um terreno baldio cheio de mato precisa ser limpo, é claro, mas não ter os seus matinhos cortados. As pessoas tendem a jogar lixo nesses locais e culpam os matos pela criação de insetos e bichos venenosos à saúde humana.

A gente nem vê mais terrenos baldios pelas cidades, pois estão sendo usados para servirem de estacionamentos de carros e o que era mato passa a ser concreto com telhas quentes para abrigarem os veículos embaixo delas. A gente não vê mais uma árvore nos bairros de periferia das grandes cidades. São nesses bairros onde mais se precisa conscientizar a população para não derrubadas das árvores.

A construção de supermercados, oficinas, escolas e barracos segue destruindo as nossas árvores sem que haja nenhuma preocupação por parte das autoridades locais como seria o caso dos presidentes de conselhos comunitários ou lideranças locais. Mas, isso também é um caso polêmico porque se alguém vai falar para que esse ou aquele homem não derrube a árvore que está dentro do seu terreno pode ser motivo para desavenças, brigas ou até mesmo inimizade. É por essa razão que muitos silenciam e assim vamos perdendo as nossas árvores.

Bom seria se houvesse um governo comprometido com as florestas junto com o progresso. Que ele se preocupasse com as duas coisas, mas que desse prioridade a preservação das florestas, pois como se sabe são elas que proporcionam o equilíbrio da vida no planeta.

Sem as florestas todos nós morreremos com ilhas de calor enormes e com a poluição do ar. Já vemos algumas preocupações por parte de autoridades e ativistas ambientalistas surgirem, porém ainda falta muito para conscientizarmos a maioria da população da importância das florestas.

É preciso que a mídia televisiva, a que está mais perto da população, comece a divulgar de forma intensa as consequências dos desmatamentos e das queimadas fazendo campanhas de preservação e cuidados das nossas florestas.

A vida no planeta terra precisa de cuidados e amor. Só se cuida bem daquilo que se ama. E para amar a gente precisa conhecer o amado. Toda criança deve conhecer uma floresta e sentir o ar puro entrar nos seus pulmões. Sentir também o cheiro das frutas e das folhas molhadas pela chuva.

As florestas não podem acabar e toda cidade deve ter o seu parque florestal onde crianças e adultos possam passar domingos brincando e tendo contato com a natureza. Esse contato que tanto bem nos faz, pois, a criança que aprende a amar uma árvore sabe bem o que é ser feliz.

Dizem os idosos africanos que em alguns troncos de árvores moram deuses. Que esses deuses possam nos trazer muitos dias belos e cheios de sombra com ar puro, porque viver no concreto com um calor de mais de quarenta graus está insuportável.

Professor, incentive os seus alunos a pedirem para os papais e as mamães comprarem apenas materiais escolares ecológicos, principalmente o papel. Que esses materiais não agridam o meio ambiente e nem sejam fabricados a partir de árvores derrubadas. Também escolha um dia na semana para levar os alunos a abraçarem uma árvore próxima da escola e a declamarem poemas para ela.

A minha mãe, quando eu era criança, costumava me dizer que as árvores são boas ouvintes. Se isso é verdade ou lenda eu não sei, só posso afirmar que antigamente eu era mais feliz quando no quintal da minha casa tinha um cajueiro e uma mangueira. Hoje eu só tenho concreto e algumas flores em vasos de cimento. A flor Glória da manhã vem todos os dias me dá bom dia e no final da tarde morre para nascer no outro dia cheia de alegria.

Que a alegria dessa flor ao amanhecer possa nos encher de esperança de que o homem do progresso passará a ver as florestas com um novo olhar, ou seja, cuidará de construir sem desmatar. Que assim seja.

Chegamos hoje à publicação de número 50 neste site. Agradeço aos leitores e leitoras que acompanham meus ensaios, o que me motiva para continuar escrevendo. Alterno questões de meio ambiente, literatura e educação. Obrigado! Em outra publicação, escrevemos: Exigimos um mundo melhor e não sabemos quase nada de como torná-lo melhor para os nossos filhos e netos e até mesmo para nós mesmos. Sujamos as cidades, entupimos os esgotos e provocamos as chuvas ácidas. Somos mal-educados com o meio ambiente, não temos o cuidado que ele merece. Leia mais!

 Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

O resgate do sagrado feminino

A necessidade de tratar um tema como o resgate do sagrado feminino revela uma negação histórica no tocante ao lugar da mulher na sociedade, sobretudo na esfera do religioso.

As religiões são profundamente marcadas pelo selo do masculino possuidor do poder de decisão. A própria consideração de um Deus Pai todo poderoso, quando mal interpretada, pode legitimar uma cultura de opressão ao feminino. Historicamente esse fato pode ser comprovado em quase todas as religiões. Essa constatação ressalta ainda mais a importância de tratarmos o tema do resgate do Sagrado feminino.

É inquestionável a força da presença feminina nas religiões, mas por outro lado essa presença quantitativa não é reconhecida nos espaços decisórios do âmbito religioso. Vale lembrar aqui a mensagem do Papa para Jornada da Paz deste ano que denunciou a consideração insuficiente que se dá à condição feminina “nas concepções antropológicas que persistem em algumas culturas, que ainda destina à mulher um papel de grande submissão ao homem, com consequências que ofendem a dignidade de pessoa e impedem o exercício das liberdades fundamentais”.

Se pesquisarmos sobre o feminino primitivo e o divino, veremos que as primeiras representações da divindade foram de mulheres. A deusa era a grande mãe capaz de gerar e sustentar a vida. Trata-se de um mistério fascinante, um mistério sagrado.

De acordo com Erich Neumann em seu livro A grande mãe “a cultura primitiva é em grau bastante elevado um produto do grupo das mulheres”.1Seguindo numa perspectiva histórica notamos uma racionalização dos mistérios em que as mulheres vão perdendo sua semelhança com o sagrado. As religiões vão construindo um Deus masculino e perdendo o aspecto da deusa.

Na Grécia e em Roma, por exemplo, as deusas eram presentes e cultuadas, mas aos poucos a associação com o feminino foi sendo esquecida. Numa perspectiva bíblica a passagem mais significativa do Antigo Testamento sobre a mulher e sua condição (Gn 2-3) apresenta a mulher como auxiliar “igual ao homem, ossos dos seus ossos, carne de sua carne, da sua mesma espécie” (Gn 2), e por isso o homem deixa seus pais para viver com ela. O relato demonstra a igualdade entre os dois sexos e a inferioridade da mulher é explicada em (Gn 3,16) como uma degradação do estado primitivo e original da humanidade.

Já no Novo Testamento a maneira como Jesus tratava as mulheres é reveladora (Mt, 13,13; Lc 15,8ss). Ele faz milagres a pedido das mulheres (Mt 8,14ss). Jesus quebrou preconceitos, conversou sem embaraço com a samaritana no poço de Jacó, o que para os discípulos pareceu contrário aos bons costumes (Jo 4,7ss.27). Nessa ótica o comportamento de Jesus pode ser visto como revolucionário.

No gnosticismo há pergaminhos (Nag Hammadi) que se referem a Deus como Pai e Mãe afirmando o elemento feminino como divindade. O Jardim do Éden gnóstico aponta para uma inversão de valores. Eva é a mulher dotada de Espírito que instruída pela serpente traz a vida a Adão. Deus criador aparece com características humanas negativas, distante da concepção do Deus criador, sumo Bem. Ele amaldiçoa a mulher e a serpente.

Na visão do espiritismo, homem e mulher são iguais perante Deus. O Livro dos Espíritos tem um item com o título Igualdade dos direitos do homem e da mulher. Qualquer discriminação contra o feminino é fruto do domínio injusto imposto pelo homem à mulher. “Os espíritos encarnam como homens ou mulheres porque não tem sexo.”2No islamismo temos o pedido de Maomé para que os homens sejam bons para com as mulheres. Como podemos notar a imagem que se faz de Deus condiciona todo um contexto cultural e traz consequências para a vida social. Resgatar o sagrado feminino é resgatar a face materna de Deus que foi sendo escondida com o passar do tempo pela imposição de uma cultura masculinizada.

Referências:

1 A Grande Mãe, pág. 249.

2 O Livro dos Espíritos. Pág. 105.

Observação: Este material compõe uma produção didático pedagógica, realizada como resultado das atividades desenvolvidas no Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, que é uma política de formação continuada e de valorização dos professores da rede pública estadual do Estado do Paraná, em parceria com a Instituições de Ensino Superior, no caso, a Universidade Estadual de Londrina – UEL, sob a orientação do Prof. Dr. Wander de Lara Proença. Trata-se de uma unidade didática que analisa o papel da mulher nas diferentes tradições religiosas com abordagem de estudo sobre a questão de gênero como material pedagógico no ensino fundamental, da autora: Marcia Aparecida Ienartovicz. Traz também roteiros de atividades a serem trabalhadas com estudantes séries finais Ensino Fundamental.

 Conheça mais:http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2016/2016_pdp_hist_uel_marciaaparecidalenartovicz.pdf

Autor: Carlos Alberto Chiquim – Presidente da ASSINTEC

Edição: Alex Rosset

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