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Escola, pandemia e capacidade de pensar

A escola, com certeza, cumpre papel fundamental na vida dos estudantes, dos professores e professoras, das famílias e das comunidades, mesmo que de forma precária e remota ou no modelo híbrido de educação.

Durante palestra a professores da rede municipal de Passo Fundo, antes do reinício das aulas remotas, professor e psicanalista Prof. Dr. Francisco Santos começou sua participação afirmando que os professores precisam “estar de cabeça erguida”. Sua reflexão foi embasada em poema de Afonso Romano de Sant’anna:

Erguer a cabeça acima do rebanho é um risco que alguns insolentes correm. Mais fácil e costumeiro seria olhar para as gramíneas como a habitudinária manada. Mas alguns erguem a cabeça olham em torno e percebem de onde vem o lobo. O rebanho depende de um olhar”.

Em entrevista exclusiva ao site, Francisco Santos detalha seus entendimentos sobre as complexas relações de ensino aprendizagem, sociedade e escola, neste momento histórico que se apresenta como um tempo de incertezas, polarizações e de necessidade de vínculos e de afetividade para que ocorram aprendizagens significativas. A escola, com certeza, cumpre papel fundamental na vida dos estudantes, dos professores e professoras, das famílias e das comunidades, mesmo que de forma precária e remota ou no modelo híbrido de educação.

Acesse à íntegra da palestra proferida aos professores e professoras da rede municipal de Passo Fundo, RS. Assista!

Entrevista

SITE NEIPIES: O que significa a postura do professor de cabeça erguida diante da vida, da educação e do mundo, neste momento histórico?

Francisco Santos: Aqui cabeça erguida não está proposto no sentido comum, mas no sentido preciso, proposto no poema: aquele de sermos nós, os professores, os responsáveis por erguer a cabeça acima das gramíneas do chão e ver de onde vem o lobo. Precisamos ver mais longe. Nesse sentido, o rebanho depende de um olhar. O professor está entre aqueles que, no papel de cuidadores, assume essa responsabilidade por si e por aqueles de quem cuida.

SITE NEIPIES: Como lidar com os efeitos e com os traumas com os quais convivemos neste contexto pandêmico?

Francisco Santos: Comecei minha conferência alertando que falaria como psicanalista, e que, portanto, de mim não se poderia esperar certezas e nem fórmulas prontas para as situações que vivemos.

O contexto pandêmico é de incertezas, e, como tal, precisamos reconhecer, antes de tudo, essas incertezas. Somente assim é que, a partir delas, construiremos possibilidades de pensamento.

Pensar não é usar fórmulas prontas. Uma atitude exclui a outra. Quem se serve de fórmulas não pensa; quem pensa não se vale delas, mas constrói vias.

A pandemia é um tempo traumático, que nos atinge a todos, embora cada um de nós tenha uma solução singular e lide com o traumático de forma distinta. De repente, fomos desalojados e convidados a desembarcar do mundo em que vivíamos.

Nem o mais inventivo ficcionista poderia prever tudo que vivemos. Cidades paradas, silenciosas, de ruas desertas, artéria urbanas antes lotadas sem um automóvel ou pessoa sequer, o ar de cidades como São Paulo ficando mais puro, um espanto, algo impensável, que não cabe no roteiro das coisas possíveis de acontecer, o impensável, aquilo que não podemos, nem mesmo na imaginação, representar, irrepresentável, portanto. Isso é o traumatismo.

Para enfrentar tudo isso precisamos reconhecer que estamos colocados na posição de restaurar, reinterpretar o mundo juntamente com nossos alunos. Estamos, como propõe o psicanalista Christian Dunker, em estado de cura, de permanente cuidado frente à interrupção da vida que antes havia. E assim seguiremos por um tempo.

SITE NEIPIES: Quais são os limites e os potenciais do uso das tecnologias na educação?

Francisco Santos: As tecnologias digitais foram e tem sido um recurso vital nesse momento, como já eram antes um importante auxiliar da educação, e como seguirão sendo, de forma cada vez mais ampla.

As coisas se passam de modo diferente numa aula presencial e numa aula remota e essa diferença precisa ser reconhecida, não somente para aprendermos as técnicas, mas para compreender seus efeitos.

Estamos todos fazendo o possível dentro deste contexto, e não convém acreditar que está tudo dominado e normalizado porque as aulas ocorrem regularmente numa plataforma digital. São contextos muito diferentes. Falta a profundidade, o burburinho, o aroma, o clima que determina o rumo e o ritmo dos diálogos e das aulas, muitas vezes falta o riso. Falta, enfim, o fator relacional de presença humana que lubrifica a transmissão de todo e qualquer conteúdo.

Fora da sala de aula, a sala pode ser qualquer outra, a sala da casa, um quarto, até mesmo o carro virou sala de aula, ou um lugar cheio de gente onde pulsa a vida doméstica, fazendo as demandas do lar e os atrativos que a casa tem competirem com o dedicado professor que faz de tudo para romper os limites da comunicação não presencial.

Agora já não existe olhos nos olhos, mas olhos na câmera. Se eu olhar para os olhos da imagem de uma dado aluno na tela pareço estar olhando para outro lado. Existe também o incomodo – para alguns irresistivelmente atrativo – espelho digital da tela a nos faz ver a nós mesmos todo o tempo. Isso nunca ocorre numa sala de aula. Eu não me vejo, não me fixo a mim, me guio pelos olhos e respostas dos alunos que me olham. Interação pura.

São parâmetros totalmente distintos onde nada é como antes, embora esse simulacro digital faça parecer que sim.

Quer dizer, não é possível dar essa aula como se fosse aquela outra aula. É outra coisa. Mas, que coisa é essa? O que fazer com ela? Reposicionar-se, reaprender, aceitar mais uma atribuição. A linguagem sem presença se altera radicalmente. Nela estão ausentes elementos fundamentais da complexa operação que a linguagem realiza nas trocas humanas. Essa característica, em função do predomínio das comunicações pela rede, está se tornando cada vez mais frequente nos dias de hoje.

Perdemos a dimensão da gestualidade, o tom da voz, a sutileza das expressões do rosto e do olhar e, junto com eles, os afetos que por aí são transmitidos. Os intervalos de tempo de atenção dedicada são menores no modo remoto do que presencialmente, os movimentos e o caráter de improviso que dá a pauta de cada encontro, verdadeiro diapasão singular de cada aula, não está disponível.

Nessa altura do campeonato todos já sabemos que trabalhar de modo remoto dá muito mais trabalho, cansa muito mais e rende muito menos do que no modo habitual. Passamos muito mais tempo na frente da tela do que já passávamos. Estamos meio como o cantor que precisa cantar uma música que nunca ouviu, que não conhece e que nunca cantou.

Se conseguirmos manter um mínimo de sustentação do cotidiano de ensino nessas condições, ótimo, mas não creio que tenhamos entendido inteiramente o esforço que fazemos para conseguir algo disso numa transmissão remota. Tudo isso afeta, sem que percebamos, profunda e traumaticamente nosso funcionamento psíquico.

SITE NEIPIES: Por que a escola é tão importante na vida de todos nós? Qual é a sua tarefa na formação integral de um ser humano?

Francisco Santos: A escola é a instituição mais importante de nossas vidas, e a educação é nossa tarefa de maior relevância social. As crianças e os jovens necessitam da escola, necessitam do professor. O professor, por sua vez, também precisa de seu ambiente de trabalho, e cabe a ele e à escola, como representantes do adulto nessa relação, dirigir da melhor maneira as condições de retorno, equalizar os riscos para a saúde de todos e saber o que fazer, em aula, com a delicadeza desse momento crítico pelo qual passamos, em que precisamos enfrentar escolhas difíceis, conflitos e crises.

Essa é a receita perfeita para o traumatismo, e por isso a presença do professor e da escola são fundamentais nessa travessia, um professor que tenha sua cabeça íntegra para fazer frente a esse mundo. Mediante essa condição, devemos zelar para que essa contaminação que ora atravessamos não seja do pensamento. Que o isolamento a que fomos – e ainda estamos sendo – obrigados não seja um isolamento do pensamento.

O que não podemos permitir que o pensamento se paralise, esclerosado por falsos dilemas e por posições polarizadas que impedem a circulação das ideias e dos afetos no intercurso humano. Isso por si só indica que teremos muito pela frente no ano que está começando, tanto naquilo que diz respeito à própria contaminação pandêmica, que ainda nos ameaça, como na compreensão dos efeitos que essa mesma pandemia deixou em nós, e que continuarão conosco mesmo depois dessa etapa ser vencida.

Dunker propõe que o oficio de professor possui uma peculiaridade: é que, quando o exercemos, colocamos em cena o nosso desejo. Este traço confere ao trabalho do professor a singularidade de muito querer compartilhar o saber, de desejo em relação à transmissão, sobretudo o desejo de que um outro mundo seja possível.

O professor, que uma vez passou pelo processo educativo como estudante, deseja retornar sempre a ele para – ao invés de apanhar o que recebeu e dar por encerrado o ciclo – reconstruir novamente a experiência, agora do outro lado. Isso se apoia no desejo de tornar ainda melhor aquilo que recebeu.

Carregamos, nessa nossa curiosa atividade, a semente da utopia. Isso nos implica no compromisso de exercê-la a partir de uma ética, uma ética para consigo e uma ética para com o outro, de modo a não cairmos nas armadilhas que todas as utopias possuem, como a armadilha do heroísmo, da hiper-exigência e do sacrifício, que tantas vezes terminam em decepção, desilusão e ressentimento.

Essa ideia de que ser professor recoloca em cena nosso desejo ajuda a compreender também a paixão – incompreensível para muitos, dadas as evidencias de depauperação e perda de prestígio social pela qual ele passa – com que nos dedicamos a esse oficio.

Vale lembrar que nesse momento de nosso país, a ciência e a educação, a cultura e a arte, os direitos humanos e o meio ambiente sofrem ataques desqualificativos violentos e padecem de uma perda de investimentos jamais vistos. Os ministros dessas áreas estão entre as piores pessoas deste governo. É nosso desejo que nos segura e garante; é ele também que pode nos tornar frágeis e expostos. Daí a vital importância de podermos nos conservar pensando.

SITE NEIPIES: O que cura os traumatismos é a memória. Por que a pior coisa que poderemos fazer desde agora é o esquecimento do que estamos vivendo?

Francisco Santos: Sim, a pior coisa que se pode fazer frente a um traumatismo é o esquecimento. O esquecimento leva à impossibilidade de aprender com a experiência e à repetição do mesmo. Aqui é preciso transformar a vivência – que é aquilo que acontece com todos nós, como um trauma coletivo como esse que estamos atravessando, por exemplo – numa experiência.

Walter Benjamin atribui somente à memória, e não à percepção do acontecimento imediato, a capacidade de criar em cada um de nós uma experiência. Então, se a vivência é coletiva, a experiência que cada um de nós leva consigo de um acontecimento traumático, assim como seus efeitos, é absolutamente singular. De toda forma, precisamos ter claro que os efeitos de um traumatismo nunca se resolvem enquanto dura o trauma; o efeito desse traumatismo levará anos para ser elaborado, isso se nós trabalharmos direito sobre ele. E, além disso, que somente a memória e o trabalho de pensamento permite “curar” o trauma.

SITE NEIPIES: Como ficam os conteúdos, o ano letivo?

Francisco Santos: Pois é, questão importante essa. Quantas vezes tivemos de enfrentar questionamentos a respeito das aulas remotas? São aulas de verdade? Como vai ficar o desempenho, a competitividade e a empregabilidade com um ano de aulas desse tipo? O ano valeu ou foi um ano perdido? E os conteúdos que os alunos deviam receber? O que vai acontecer com eles?

A pandemia é o conteúdo, a experiência que todos estamos vivendo é o conteúdo, assim como o são a possibilidade de trabalhar in loco as ideias do espírito coletivo, da compaixão, da humanidade e da solidariedade, para assim criar uma experiência conjunta que é o melhor conteúdo possível que se pode fazer ingressar no interior de qualquer disciplina.

Nesse sentido, indica Dunker, ao invés de nos desmancharmos em recriminações e exigências, fundamental mesmo é conservar a fidelidade ao nosso desejo, ao desejo de transmitir, de partilhar o saber, de estar com e acompanhar os alunos, preocupar-se genuinamente com eles; de poder contar com os colegas, coordenadores, diretores, com a instituição da qual fazemos parte e que nos dá suporte para a tarefa de trabalhar por um mundo diferente e melhor.

SITE NEIPIES: Como o negacionismo e a contrariedade ao bom senso, praticados por alguns governantes ou autoridades de nosso país, afetam o cotidiano e o imaginário de nossa população?

Francisco Santos: Afeta tremendamente, e de forma negativa. O negacionismo, o obscurantismo, o discurso anti-ciência e anti-vacina, o ataque à educação, a cultura, aos direitos humanos e ao meio ambiente são enfermidades sociais, são o sintoma de uma faceta autodestrutiva de uma sociedade enferma que dá lugar a tais discursos.

O resultado é este temos aí, ou seja, a vergonhosa maneira como estamos nos saindo no enfrentamento dessa pandemia.

Se estamos nessa prolongada pandemia é em razão da falta de cuidado de si e do outro, precisamos encontrar uma saída que não seja a de ficar presos nesse circuito de descuido e piora.

Por isso, as crianças precisam ser educadas. Elas precisam ser educadas para possamos nos sair melhor do que hoje estamos nos saindo de crises como essa; precisam ser educadas para que eduquem os adultos negacionistas que as cercam e que querem acelerar processos de retorno à vida normal, mas se negam a usar máscaras, tomar as medidas higiênicas necessárias e não aglomerar; precisam ser educadas para ajudá-los a não louvar governantes desumanos e irresponsáveis.

As crianças e os jovens precisam de nós, precisam de vocês, professores da rede, precisam de vocês, gestores da educação, precisam – como precisamos todos – da escola pública republicana livre e democrática.

SITE NEIPIES: Na sua visão de psicanalista, aprenderemos o suficiente para nos tornarmos melhores seres humanos no pós pandemia?

Francisco Santos: Não tenho coragem e nem indicadores que me permitam responder essa resposta afirmativamente. Temos exemplos de pessoas que aprenderam e exemplos fartos de outras que nada aprenderam. Creio que, justamente por isso, pela tensão social que se cria a partir dessas posições dicotômicas, é que nosso papel de professores, na formação humana de nossas crianças e jovens, ganha o primeiríssimo plano.

SITE NEIPIES: Uma mensagem aos que leram esta entrevista até aqui.

Francisco Santos: Releiam várias vezes o poema citado no início da nossa entrevista.

Autor: Nei Alberto Pies

Edição: Alex Rosset

Mais letal que o vírus

O caos chegou às estruturas hospitalares, enquanto o país segue sem  rumo definido no enfrentamento do vírus.

Em novembro de 1904, irrompeu no Rio de Janeiro a Revolta  contra  a Vacina que  visava combater   a  varíola. A vacina – já testada com êxito no  exterior – foi  encarada  com desconfiança  pelos brasileiros em geral.

Na verdade,  havia  um clima contra o governo de Rodrigues  Alves  em função da  carestia, inflação, achatamento salarial, aumento de aluguéis, o projeto  excludente e  elitista de   remodelação  do  centro  do Rio.

Passados 116 anos, estamos diante de um contexto parecido. Este, provocado pela irresponsabilidade das autoridades  brasileiras.

É notória a má  vontade  do governo federal  em  relação  à Coronavac. Jair  Bolsonaro alimenta  teorias  conspiratórias  em relação  à “vacina chinesa”, menos  por convicção  e mais por cálculo político.

De  outro lado João Dória, querendo queimar  etapas para aprovação de uma vacina  e vendendo  uma coisa que  ainda não  existe. Assim,a  população fica   à  mercê  de uma  briga  irresponsável  entre  políticos,  que estão preocupados com  as futuras  eleições.

Bolsonaro fez  uma gestão  totalmente  letárgica da pandemia, devastadora, segundo  um representante  da  ONU. “É um crime”, destaca um dos  maiores quadros  do  Estado  em  temas sanitários, Gonçalo Vecina.

Mais uma vez Bolsonaro  despreza  a ciência, adota  comportamento  criminoso, desacreditando  os  efeitos da  vacina  e fazendo, novamente, da vida  e da  saúde um campo de  batalha  política.

Descumpre o papel básico de qualquer Estado e governo:  garantir minimamente o direito à vida e à  saúde dos  cidadãos. Estamos diante de um governo que as despreza abertamente, sem constrangimentos. Moralmente, é o pior  governo  da nossa história  e  mais letal que o vírus!

Negacionismo

O negacionismo do governo Bolsonaro, caracterizado pela defesa  do terraplanismo e da postura  antivacina,  é  estarrecedor.  Há uma verdadeira  campanha  orquestrada contra  a ciência, contra  as  universidades.

No momento  em que o país  vive  o pior  momento da pandemia, assistimos  o  Presidente  se  omitir  de sua  responsabilidade  e  transferi-la  para  um  Ministro da  Saúde inepto  e responsável por propor tratamentos  inadequados  para  a doença. Convenhamos, comandante que não assume  responsabilidade, não tem moral  para  seguir no comando.

A  pandemia, que já foi  considerada  gripezinha  nas palavras  do sr. presidente, continua  sendo negligenciada e matando  centenas  de  brasileiros  todos os  dias.   O caos chegou  às  estruturas  hospitalares,  enquanto  o país  segue  sem  rumo  no enfrentamento   do vírus.

A negação da ciência, o  comportamento  irresponsável  do chefe  da nação, promovendo  aglomerações  e não usando máscara,  em  muito  vem  contribuindo  para  o  agravamento  da  situação  que estamos  vivendo.  Não há como negar.

O curioso é que o  governo culpa  o  STF pelo fracasso de  sua política  de combate  ao  Covid-19, mas  o tribunal  não  o impediu de ter um plano  nacional de testagem  em larga  escala, não proibiu a criação de uma política  de  rastreamento  de  contatos, nem desestimulou  a vacinação. Também, nunca sugeriu que  o Covid-19  fosse uma gripezinha.

Tomo a liberdade de me valer da história para, quem sabe, encontrar  traços  do negacionismo  hoje  tão forte  entre nós,  nas  terras  lusas  no século  XIX.   Por escrúpulos religiosos, a ciência e a medicina eram atrasadas  ou pouco conhecidas  em Portugal.

Dom José, irmão mais velho de dom João VI, morreu de varíola  porque  sua mãe, dona Maria  I,  tinha proibido os médicos  de lhe  aplicar  vacina. O motivo? Religioso. A rainha achava que a decisão entre a vida e a morte  estava nas mãos de  Deus e  que não cabia  à  ciência  interferir nesse processo.

Talvez, no séc. XIX, tal  postura se  explicasse, mas no século XXI  trata-se  ou de projeto político  ou  ignorância  funcional.

“Os principais prejuízos retornam imediatamente ao todo da sociedade. O desmonte do espírito crítico causa horrores. O problema se agrava progressivamente no momento de tantas incertezas e pavores da pandemia”. (Celestino Meneghini) Leia mais!

Autor: José Ernani de Almeida

Edição: Alex Rosset

As professorinhas de reforço de antigamente

Em tempos líquidos como dizia Bauman, os pais não têm mais tempo para ensinar as tarefas de casa aos seus filhos e os entregam aos cuidados dessas professoras de reforço.

Na minha infância, aprendi a ler e a escrever com quatro anos de idade pelos cuidados de dona Marilde, a minha professorinha particular que pegava na minha mão trêmula e me ensinava a cobrir as vogais.

Na casa de dona Marilde, havia um banco de madeira e uma mesa grande com um quadro pequeno a sua frente. A gente aprendia a ler na cartilha do á-bê-cê. Tinha a tabuada também, mas eu sempre fui muito dedicada às letrinhas e dona Marilde sabia bem disso.

Dona Marilde era pedagoga e tinha um carinho enorme por crianças, o que lhe dava autoridade para ser uma belíssima professora de reforço! Com a sua voz mansa, repetia a lição duas, três, quatro ou tantas vezes fossem necessárias para que aprendêssemos de verdade. Ela falava de lugares distantes e nos fazia viajar no mundo da imaginação. Sabia contar histórias lindas e gostava de Monteiro Lobato.

Todo mundo tinha uma professorinha particular naquela época que servia como reforço para o que era ensinado na escola ou no jardim de infância. Essas professorinhas eram cuidadosas e amavam os seus alunos que geralmente era um grupo pequeno e podia receber a sua atenção total.

Dona Marilde, uma mulher negra, educada, gentil, ensinou a muitas crianças o alfabeto e a tabuada. O seu jeito de ensinar era simples e o que mais me tocou foi o seu carinho com as nossas tarefas, pois as suas palavras eram sempre “lindo”, “muito bom”, “parabéns”. Ela nunca dava uma nota zero para um aluno, ela nunca dizia que a gente tinha dificuldade para aprender a ler e a escrever nem mesmo para os nossos pais. Ela sabia que uma hora ou outra a gente ia desabrochar e como se fosse mágica o esperado acontecia.

“Não existe criança que não aprende ou não quer aprender, mas sim crianças que não aprenderam a estabelecer laços de afeto com a família, professores, escola e, consequentemente, com o saber. Por mais precários que eles sejam em casa, a escola pode propiciar uma relação saudável do aluno com a sociedade, na medida em que o trata como um indivíduo e o enxerga como um ser cheio de possibilidades”. (Psicóloga Ana Manoela Detoni) Leia mais!

Nos anos 90, em Natal, o prefeito Marcos Formiga fez uma gestão bonita na educação. Ele criou o programa “Em casa também se aprende a ler” onde qualquer espaço virava uma sala de aula com professoras contratadas para ajudar os alunos a aprenderem a ler e a escrever como o próprio nome do programa já diz.

Eu e meus irmãos participamos desse programa, já alfabetizados por dona Marilde, mas tínhamos ânsia de aprendermos cada vez mais. A gente recebia caderno, lápis e borracha do programa e, também tinha lanche. Foi a aula de reforço mais bonita que já vi de um governo em Natal. Muitas crianças com dificuldades de aprendizagem na escola conseguiam aprender a ler e a escrever no programa “Em casa também se aprende a ler”.

Hoje, está bem difícil encontrar professoras de reforço. E quando as encontramos estão sempre cheias de muitos alunos, a maioria já não ajuda mais a criança a cobrir as letrinhas, outras ensinam por necessidade e esquecem do amor à profissão e ainda há aquelas que mal sabem ler e escrever e mesmo assim se aventuram a ensinar crianças como se elas fossem bobinhas e engolissem tudo goela abaixo.

Não quero generalizar. Sei que existem muitas professoras de reforço boas em Natal, RN, e no nosso país, mas quero dizer do que mais costumeiramente tenho visto, principalmente onde moro.

O desemprego levou muitas mulheres jovens com o ensino médio a se dedicarem na labuta do ensino de reforço às crianças.

Para mim, ensinar vai muito além de uma necessidade financeira. É preciso, no mínimo, um diploma de pedagoga e muito amor pela infância. Compreender como as crianças aprendem, os seus processos de desenvolvimento do pensar e o que é importante para o seu pensamento cognitivo se desenvolver faz-se necessário. E se a professora tiver apenas amor? A criança também vai aprender a ler e a escrever? Se for uma professora que goste de ler, escrever, visitar museus, ir à teatros, ler jornais diários, creio que ela saberá ensinar bem às crianças o que é necessário.

A importância das relações afetivas. Veja vídeo.

Para ser uma boa professora de reforço a pessoa tem que buscar ser melhor do que a professora da escolinha formal onde a criança estuda todos os dias. Essa professora de reforço precisará reinventar-se para criar um jeito mais fácil de fazer aquela criança aprender o que lhe foi ensinado na escola e ela não conseguiu compreender.

Então, daí vem o meu pensamento de que a professora de reforço deve ser alguém culta e inteligente o bastante para saber contar histórias de princesas a como também explicar uma dízima periódica. De tudo um pouco, a professora de reforço necessita saber.

Em tempos líquidos como dizia o sociólogo Bauman, os pais não têm mais tempo para ensinar as tarefas de casa aos seus filhos e os entregam aos cuidados dessas professoras de reforço.

Algumas escolas privadas já sentiram a necessidade desse serviço e estão ofertando-o às crianças no turno em que não têm aula formal. Aquela professora que se dedicar no ensino-aprendizagem através do reforço ganhará muitos alunos, pois há uma carência de bons professores nessa área.

A criança que vai para uma aula de reforço geralmente não é daquelas que gosta da escola. Muitas têm dificuldades no ensino-aprendizagem formal, logo necessitarão de mais cuidados e dedicação por parte da professora de reforço.

À essa criança deverá o ensino ser ministrado de forma prazerosa, ou seja, com ludicidade, musicalidade, poesia. Sim, é possível ensinar através da poesia! Há muitas crianças que necessitam de aulas de reforço espalhadas pela nossa cidade, e se cada um de nós oferecermos um pouco do que sabemos em trabalho voluntário para uma delas quem sabe no nosso país o número de analfabetos funcionais reduza um pouco.

É a professora de reforço que passa a conhecer mais detalhadamente as dificuldades do aluno e, muitas vezes, consegue identificar deficiências físicas e mentais que passam despercebidas pela professora da escola formal indicando aos pais que a criança precisa de cuidados psicológicos, fonoaudiólogos ou até mesmo de outros profissionais. Isso ocorre porque, geralmente, o número de alunos na classe da professora de reforço é bem menor do que o da escola formal. A diferença de poder se dar atenção para cerca de dez alunos para uma turma de trinta e cinco ou quarenta é enorme.

Toda criança deve ter uma professora de reforço não somente para aprender a ler e a escrever, mas para aprender coisas que não são ensinadas na escola por falta de tempo da professora ou por não fazer parte da grade curricular.

Tem tanta coisa que a gente só aprende depois de grande e poderia ter aprendido na infância. O ensino das artes e da geometria fica na superficialidade na escola formal e a professora de reforço pode explorar mais essas disciplinas como outras. Para isso, é preciso escolher uma boa professora de reforço.

Por último, quero dizer que referi-me sempre a professora no feminino porque quis lembrar-me do meu tempo de criança onde somente encontrávamos mulheres desempenhando essa atividade, mas que hoje já é possível vermos muitos homens exercendo o magistério e dando aulas de reforço com qualidade e amor às crianças. Pouco comum sempre será, mas é possível encontrar. Que toda criança tenha um(a) professor(a) de reforço pelo menos nos primeiros anos de escolaridade.

Você sabe o que é um professor de reforço escolar? Descubra!

 Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Vacina e educação

Só com vacina, a volta das aulas presenciais será segura para todas e todos.

A Secretaria Estadual de Saúde escancarou nesta semana o colapso do sistema de saúde: hospitalizados por Covid-19 mais que dobraram de janeiro para fevereiro e que não há como prover leitos de UTI suficientes para atender.

Pressionado por um documento conjunto do Ministério Público Federal, das Defensorias Públicas do Estado e da União, da Associação dos Juízes pela Democracia e por seu Comitê Científico, impuseram-se, enfim, restrições de bandeira preta. Porém, liberou-se a abertura das escolas de Educação Infantil e para os primeiros anos do Ensino Fundamental, em primeiro momento, situação revertida através de Ação Civil Pública encaminhada ao Judiciário pela Associação de Mães e Pais pela Democracia (AMPD) e CPERS Sindicato.

Leia mais sobre trabalho da AMPD!

O apelo das médicas e dos especialistas, de que é preciso conter imediata e urgentemente a transmissão do vírus, não se coaduna com essa liberação.

Nesse momento, a educação e os cuidados com as crianças têm que ter uma solução assumida por toda a sociedade. É o tempo que precisamos para mantermos a vida e buscarmos a vacinação de todos e todas.

Passamos todo 2020 lutando contra o negacionismo, os ataques à ciência, defendendo o distanciamento, os cuidados de higiene, por condições de tecnologia para o ensino remoto, por apoio aos empregos, à renda mínima, cesta básicas, tudo sem a perspectiva de solução para a crise humanitária que vivíamos.

Agora que a vacina já é uma realidade e a possibilidade de restauro da vida livre, do encontro, da atividade laboral plena, é um horizonte próximo, nada justifica acelerarmos a volta a uma normalidade que não é real e empurrarmos à doença e à morte a população obrigada a trabalhar.

Defendemos a economia que garante vida e não o contrário. Por isso, aprovamos recursos no orçamento estadual para que o governo possa comprar vacinas.

Por isso, mobilizamos leis e lutas para que o governo federal assuma sua responsabilidade e vacine o povo brasileiro. Por isso, apresentei projeto de lei colocando as trabalhadoras e os trabalhadores da educação como prioritários para a vacinação, após o primeiro grupo.

Só com vacina, a volta das aulas presenciais será segura para todas e todos. Aos profissionais, às crianças e aos jovens e suas famílias, revertendo o colapso do sistema de saúde e a ampliação das mortes.

#VacinaEducaçãoJá

Autora: Sofia Cavedon

Edição: Alex Rosset

Educação

Pais e Professores são responsáveis pelo educar e pelo ensinar.

Muitos de nós já ouvimos muitas vezes: “educação vem de casa, a escola é responsável por ensinar”. Essa frase foi banalizada ao ponto de seu verdadeiro sentido não ser refletido ou problematizado.

Fizemos uma abordagem interessante desta temática com a professora Cândida Rossetto, com o título: “Educação: um olhar para as pessoas responsáveis pelo educar”.

O propósito é refletir a respeito da condição dos pais e professores, que são as pessoas responsáveis pelo educar e pelo ensinar. Estes dois conceitos são adequadamente compreendidos quando relacionados e vinculados. O ensinar ocorre no limite de contextos históricos gerais e condições de vida particulares.  Educar é uma ação mais intimista, que demanda uma vinculação mais acentuada entre os sujeitos envolvidos.

Como professores, pais ou referências parentais temos o dever de educar e de ensinar, considerando que as ferramentas e os conteúdos utilizados no século passado, por nossos pais e professores, estão obsoletos no século XXI.

Como professor de filosofia, de sociologia ou comportamento humano, devo ensinar/informar quem são os principais pensadores e valores das diversas épocas de nossa história, mas esse conteúdo adquire sentido se estiver vinculado da problemática social e individual do mundo contemporâneo.  Para conferir sentido ao conteúdo ensinado/transmitido, se faz necessário, por exemplo, perceber que os pensadores clássicos, se manifestam sobre o comportamento individual e social, incluindo a política, a economia, a justiça, a filosofia, a sociologia e a psicologia.

Pais e professores, somos responsáveis pelo educar, estamos no centro e na culminância de uma de uma mudança comportamental profunda, de uma mudança de época. Em outras palavras, estamos vivendo mais do que uma época de mudança; estamos vivendo em uma mudança de época. Precisamos assimilar, nos orientar e agir. 

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Autor: Israel Kujawa

Edição: Alex Rosset

Afetividade e aprendizagens no ensino remoto

Não existe criança que não aprende ou não quer aprender; há crianças que não aprenderam a estabelecer laços de afeto com a família, professores, escola e, consequentemente, com o saber.

Ainda bem que a primeira reunião de retorno ao planejamento escolar na minha escola tratou de coisas do coração.

A educação não é a tecnologia; a tecnologia é apenas mais um meio, um instrumento, pelo qual é possível aprender e educar.

(Nada do que se ensina tem sentido se não tocar o coração das pessoas.)

Em tempos de pandemia, quando as possibilidades de interação entre professores e estudantes estão mais restritas, vale lembrar que aprendizagens significativas não acontecem automaticamente com simples acesso às tecnologias. As aprendizagens significativas são viabilizadas a partir de relações qualificadas, comprometidas e envolventes entre os sujeitos da educação: os estudantes e os professores. Aliás, no ensino remoto, ficam mais difíceis e complexas as vivências de afetividade, por isso da necessidade de pensarmos sobre.

Abordar a inteligência emocional como a principal estratégia, associada a um bom conteúdo, pode evitar o abandono das crianças, adolescentes e jovens da escola. Precisamos de um olhar mais atento às necessidades afetivas do ser humano, que em muito se perdeu sem o contato presencial. Como trabalhar de forma mais ampla e eficaz esses aspectos num convívio semipresencial?

Mais do que nunca, escola e família devem estar juntas para minimizar as perdas e prejuízos das crianças e adolescentes, que são os mais frágeis deste processo.

Acreditamos que o amor e o afeto são componentes indispensáveis para aprendizagens significativas. Queremos aprendizados que tenham valor e sentido de vida. É verdade que também aprendemos na dor, no sofrimento e na desgraça, quando são inevitáveis. Mas, na escola e a partir dela, temos de construir um espaço para trocas e aprendizagens, através de relações que geram prazer e o desejo de estar junto (mesmo que distantes, conectados com o coração).

O filósofo Sérgio Cortella responde: qual é a relação entre afetividade, vínculo e aprendizagem? Assista e reflita!

A psicóloga Ana Manoela Detoni afirma que “a aprendizagem de uma criança acontece quando há desejo de aprender. Quando a família não vê o processo de aprendizagem como algo importante e a escola não faz investimento nesse aluno, fica difícil despertar nas crianças o desejo pelo saber, pois se todos desistiram dela porque ela não desistiria”? Leia mais!

Detoni continua:

“Não existe criança que não aprende ou não quer aprender, mas sim crianças que não aprenderam a estabelecer laços de afeto com a família, professores, escola e, consequentemente, com o saber. Por mais precários que eles sejam em casa, a escola pode propiciar uma relação saudável do aluno com a sociedade, na medida em que o trata como um indivíduo e o enxerga como um ser cheio de possibilidades.

A psicóloga Ana Manoela Detoni conclui: “a afetividade é a via de comunicação mais eficaz entre professor aluno, possibilitando o reconhecimento da capacidade intelectual do educando. Se dizemos que a educação hoje está caótica e difícil, temos o dever de pensar nas causas que a levaram a esta situação, fazendo uma reflexão acerca do comportamento dos pais e do corpo docente, para que possamos encontrar as causas e soluções para os problemas na escola hoje”.

Conheça também este importante vídeo onde o autor fundamenta a educação afetiva.

A filósofa Rosângela Trajano, em entrevista exclusiva ao nosso site, perguntada sobre a influência do afeto e da inteligência emocional na aprendizagem das crianças e adolescentes, assim se posicionou.

“Um professor só deveria ensinar se amasse verdadeiramente a sua profissão e os seus alunos. Sei que é difícil falar de amor nos tempos atuais, mas é necessário e muito. Quem ensina com amor transmite sabedoria para o resto da vida, deixa marcas na alma da criança. Vivemos épocas de ódio em que as pessoas não se preocupam mais umas com as outras; tememos sair das nossas casas, não acreditamos mais nas pessoas, não temos mais amigos verdadeiros. Passamos a confiar mais nas máquinas e estamos presos à tecnologia. Diante de tudo isso, o amor pede passagem para uma nova era. Um amor que cuide do outro, respeite e tenha proximidade do ser amante. Necessitamos falar mais de amor.

A inteligência emocional carece de efetivação nas salas de aulas, principalmente às crianças que são incompreendidas pelos adultos na maioria das suas emoções. Para citar um exemplo simples, uma criança birrenta nem sempre é assim por falta de educação, mas porque quer chamar a atenção de cuidados.

Já não damos atenção às nossas emoções e deixamos de lado os motivos pelos quais estamos crescendo ansiosos e depressivos. Para evitar que esses males se tornem um problema mais grave salvemos as nossas crianças trabalhando as suas emoções. As crianças também têm medo do escuro, de palhaços, de perderem as pessoas que amam e tantos outros medos; logo, precisam saber lidar com esses medos.

Aos Professores também cabe ensinar a criança a lidar com as suas emoções de forma que não sofra tanto, porque a infância é uma fase da vida onde há uma espécie de sofrimento significativo pela falta de respostas às dúvidas não respondidas e não aceitas pelos adultos.

Toda escola deveria adotar a disciplina de inteligência emocional, pois assim as crianças poderiam sair das suas casas na certeza de que encontrariam amor na escola. Tenho dedicado as minhas pesquisas na área da inteligência emocional há cerca de cinco anos, mas só agora venho escrevendo material didático para crianças e disponibilizado em meu site e redes sociais”.

Leia entrevista completa!

O papel da família na educação

Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil, reflete, em vídeo exclusivo ao site, sobre como se tornou mais sofisticado o papel dos pais e das mães na educação. Ela também afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos. Neste vídeo, já visto por aproximadamente 20 mil pessoas, Sueli esclarece o quanto a família é importante na formação educacional das crianças e adolescentes. Assista.

Cláudio Ely, professor de filosofia e Ensino Religioso e Orientador Educacional pondera aos professores e pais sobre o tipo de ser humano que queremos formar (ou estimular a ser) no ambiente educacional:

“No processo educacional humano, o que significa empenhar a inteligência? Podemos seguir os ditames instintivos da natureza e promover a justiça do mais forte, transformando, assim, a convivência social em campo de batalha e gerando o acúmulo de violência (produção de morte) em todas as áreas da atividade humana.

Ao assumirmos a postura do amor, nos descentralizamos do nosso egoísmo e mergulhamos na transcendência que afeta a todos, possibilitando o bem comum. A pergunta na definição do projeto educacional se impõe: que ser humano queremos ajudar a formar e como afetar a todos (muitos) para que se incluam no projeto proposto?

O afeto a ser veiculado pelo testemunho carrega em si os valores universais do respeito à alteridade, da solidariedade aos mais fracos e necessitados, da gratuidade no serviço ao bem comum, do cuidado do patrimônio social, do empenho pessoal pela justiça social.

Uma palavra aos pais de alunos: o testemunho, ou seja, o exemplo, é a maior dádiva para a saúde integral dos filhos, mas também pode se constituir em força desintegradora do caráter e da personalidade deles (dos filhos)”.

Todos sabemos sobre a importância da parceria entre escola e família se desejarmos uma educação de qualidade para que crianças, adolescentes e jovens assumam progressivamente o protagonismo de sua aprendizagem através da aquisição de autonomia no aprender a conhecer, no aprender a fazer, no aprender a conviver e no aprender a ser. (4 pilares da UNESCO). Escola e família precisam estar conectados e conscientes da função de cada um para que a educação de qualidade aconteça.

Conheça a experiência desta Escola da rede municipal de Passo Fundo a partir de uma atividade denominada Festa da Família, no ano de 2019, na qual a diversidade das famílias foi celebrada e respeitada.

Afetividade na educação em tempos de ensino híbrido

Na opinião de especialistas, na medida em que se consolidar o ensino híbrido, os estudantes serão mais protagonistas de sua aprendizagem, terão contato com diferentes fontes de conhecimento, se envolverão com atividades extra-classe e tudo isso é bem-vindo para uma formação mais humana.

Até aí, tudo bem. Mas como fortalecer e construir os laços de afetividade e o conhecimento da realidade e das necessidades dos estudantes sem a sua presença física ou com menor presença? No vídeo a seguir, a autora apresenta pistas para que professores e professoras possam oferecer condições mais favoráveis aos estudantes, despertar a motivação, o empenho e o interesse na sua construção de conhecimento a partir do ensino híbrido. Veja o vídeo!

A pesquisadora Patrícia Ferreira Campos, em artigo “O ensino híbrido e a afetividade no processo de aprendizagem”, apresenta pistas:

“O aluno permanecerá motivado a partir do momento que o conteúdo lhe desperte o gosto e o prazer. As experiências agradáveis vivenciadas numa sala de aula nunca serão esquecidas, a memória consolida os momentos marcantes. A aprendizagem é facilitada quando há envolvimento das partes, ou seja, as relações devem ser acolhedoras, respeitosas com o objetivo de despertar no aluno a confiança e a superação para os desafios. O papel do professor/instrutor é de extrema relevância para a permanência do aluno, especialmente porque tem a função de encantar com o conteúdo apresentado”.

Os aprendizes devem ter novas habilidades para serem capazes de estudar em ambientes informatizados de aprendizagem. Esperam-se novas atitudes e são propostas novas atividades nos ambientes de aprendizagens virtuais, como aprender de modo autônomo, desenvolver estratégias de estudo adequadas, e utilizar e explorar novos recursos de comunicação. Esperam-se ainda insights pedagógicos do aprendiz virtual, confiança no uso da tecnologia e motivação extra para os estudos”. Leia mais!

Como podemos observar, embora haja o amplo reconhecimento de que a afetividade seja um componente importante nas aprendizagens também no mundo virtual e na educação de forma remota/híbrida, há poucas pistas de como fazer com que ela seja uma constante, tanto na abordagem dos conteúdos quanto na relação dos sujeitos aprendentes: estudantes e professores.

Para que aprendizagens significativas ocorram, parece ser importante continuarmos perseguindo a ideia da importância da afetividade na aprendizagem. São os novos desafios que se impõem à educação, em tempos em que pandemia e isolamento social desafiam também as famílias, os sistemas escolares, os estudantes, os professores e as professoras, em todos os aspectos, também naqueles de aprendizagem.

Aprendizagens significativas são as que realmente importam!

Aprendizagem Significativa: do que estamos falando? Assista e descubra!

Sugestões de leitura: Gládis Pedersen, pedagoga e escritora, Convidada do site, editou, em 3 livros, interessantes reflexões sobre habilidades socioemocionais e sobre os desafios de trabalhar com adolescentes e jovens: “Educação, a Arte de Manejar o Caráter”, “Cartilha para os Pais” e “A Vida por um Fio”, sobre a tendência atual de suicídio na infância e juventude. Conheça estas e outras publicações no site.

Autor: Nei Alberto Pies

Edição: Alex Rosset

A coletividade e a expansão da consciência

Todos somos resultados de relações anteriores, sejam elas dos nossos pais, de uma grande explosão cósmica ou da criação divina.

Entre as inúmeras formas de compreender a expansão da consciência, se incluem os processos evolutivos aos quais cada ser humano está sujeito.

A última virada de século está marcada pelo individualismo exagerado, advindo do modelo social capitalista na sua versão neoliberal, que expandiu a ideologia centralizada nos méritos individuais, desconectados da história, da natureza e do contexto de vida.

A eminência da morte com a pandemia de 2020, evidencia um aspecto central do ser humano que é a consciência da morte.

Aparentemente, todos sabemos o significado de consciência. Contudo, uma definição conclusiva é uma tarefa em construção para as pessoas que desejarem expandir a própria consciência.

A imposição de um grau elevado de incerteza, salientado na convivência com a morte de inquantificáveis pessoas, contabilizadas em números, possibilita uma aceleração no processo de transformação e evolução. Para que essa transformação seja uma evolução humana, se faz necessário salientar três dimensões da coletividade: a individualidade, a relação e o todo.

Neste desenrolar existencial de cada ser humano, ainda nos primeiros anos de vida, todos devem ser individualmente ensinados, devem ter a oportunidade de aprender em seu núcleo parental, a importância e a imprescindibilidade do outro.

Para continuar vivendo, a pessoa humana ser educada e individualmente responsabilizada em cuidar da principal ferramenta que ele dispõem, o próprio corpo, em suas diversas dimensões.

Ter consciência das necessidade materiais e espirituais individuais é um aprendizado constante, que se apresenta relacionado ao contexto de vida individual. Os cuidados básicos, que devem fazer parte da educação para cada indivíduo, inclui alimentação, atividades físicas, horas de sono, atividades culturais e constituição de hábitos saudáveis.

Nenhum ser humano existiria sozinho. Pode-se dizer que esta regra não tem exceção, seja na visão mitológica, científica ou religiosa. Todos somos resultados de relações anteriores, sejam elas dos nossos pais, de uma grande explosão cósmica ou da criação divina.

Em nossos encontros de produção de conteúdos temos a oportunidade de ultrapassarmos o superficial e percebermos a relevância de aspectos centrais para a evolução humana. Você está convidado a se inscrever no You Tube, canal do Professor Israel Kujawa e acionar as notificações! Clique para se inscrever, participar e contribuir com esta construção.

Autor: Israel Kujawa

Edição: Alex Rosset

Terra adoecida, humanidade à deriva

A crise ambiental global é, antes de tudo, uma crise de valores que afeta sobremaneira a forma de pensar, agir e sentir da humanidade. Qualquer um com um mínimo de inteligência precisa perceber isso.

Restam poucas dúvidas de que é completamente inadequado (para usarmos esse termo brando) o modo pelo qual, hoje, a nossa espécie, Homo, se relaciona com a Natureza (matriz da vida), resultado direto de uma agressão antrópica – homocentrada – sem precedentes.

Fato concreto, estamos fazendo do planeta Terra – a Casa Comum (na boa e feliz expressão do Papa Francisco) de todos os viventes – um local incapaz de sustentar a vida, seja a humana ou a não humana.

Para além de muitas evidências, é pesaroso constatar que, sem muito esforço, nos tornamos, por assim dizer, potenciais destruidores da natureza (ou “agentes transformadores”, na coloquial expressão dos ambientalistas de outrora) e de tudo o que nela habita. Detalhe aparovante e inescapável: isso não é retórica, ou mesmo um mero flerte com o catastrofismo. É a voz da ciência que vem nos dizendo a todo o momento sobre os perigos à vista de todos. “Os impactos humanos estão causando danos alarmantes ao nosso planeta. (…) Predizemos também, com base na melhor informação científica disponível, que, mantida a via atual, a qualidade da vida humana sofrerá substancial degradação por volta de 2050”, assim nos alerta o Scientific Consensus on Maintaining Humanity´s Life Suppport Systems in the 21 st Century, de 2013.

Para onde quer que se lancem olhares, não é difícil observar que a perda de biodiversidade vem se dando de maneira crescente e assustadora. Há em curso um processo de perda de vida selvagem como nunca antes em toda a história da humanidade.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, no mundo, por volta de 11% das espécies de aves, 25% dos mamíferos, 20% dos répteis, 34% dos peixes e 12% das plantas estão ameaçadas de desaparecer para sempre nos próximos cem anos. Isso deixa em clara evidência que alteramos tudo o que encontramos pela frente.

Mexemos na composição do solo, do ar, do sistema de águas, e alteramos quimicamente os alimentos. Nada parece escapar à nossa fúria destrutiva. Diminuímos o mundo verde em diversos fronts. Passam os anos e seguimos destruindo mais de 7 milhões de hectares anualmente. Vários pesqueiros já entraram em colapso, enquanto lençóis freáticos continuam caindo assustadoramente mundo afora. Grandes extensões de solos e pradarias continuam sendo esgotadas. E somente nas últimas duas décadas, 35 por cento dos mangues desapareceram do mundo. As florestas – o nosso ar condicionado gratuito – “sumiram” por completo em 25 países e outros 29 perderam mais de 90 por cento de sua cobertura florestal.

Se os biólogos estiverem certos, o desenho do futuro é assombroso, uma vez que nos próximos cem anos os humanos – a nossa espécie pensante, taxonomicamente chamada de sapiens, vejamos a ironia aí presente – poderão eliminar de 20% a 50% de todas as espécies da Terra.

Para além disso, o que se sabe, desde já, é que quase 90% das espécies de animais vão perder habitat para a agricultura até 2050, quando é estimado o uso de pelo menos 2 milhões de quilômetros quadrados de novas terras agrícolas. De tal modo que, para não perdemos o assunto-central de vista, já se diz que a vida orgânica se esfacela a olhos nus, tanto que, de acordo com o professor Ron Milo e sua equipe de pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, já atingimos um estágio civilizacional em que há mais mundo artificial do que natural.

A massa antropogênica, que é resultado da atividade humana, expressa em prédios, asfalto, automóveis, fios, plástico, ferro, aço, papel processado, celular e assim por diante, representando 1,1 trilhão de toneladas, é, hoje, muito maior que a chamada biomassa (110 bilhões de toneladas a menos que a massa antropogênica). A causa disso, não duvidemos, é a ação humana; essa força antropogênica que já devastou 1 trilhão dos 2 trilhões de toneladas de árvores e plantas que existiam no início do século XX, levando à extinção milhares de espécies animais no processo.

Em entrevista ao jornalista Rodolpho Gamberini, do canal O Planeta Azul, no YouTube, Camila defende que a substituição de energia suja por energia renovável deve ganhar novo impulso a partir da experiência da pandemia. “Já existe tecnologia para que a gente polua menos. Fica muito claro que mudanças rápidas teriam impacto tanto no meio ambiente quanto na saúde humana”, afirma. Assista!

Notemos assim que, para além ainda das percepções claras e visíveis, tudo é demasiadamente assombroso, afinal de contas, dizem os especialistas, e entre eles o notável David Attenborough, que, hoje em dia, “não se trata mais de salvar o planeta, mas de nos salvarmos” (El Mundo, set. 2020). Ao desenvolver esse raciocínio, o próprio Attenborough segue afirmando que “a humanidade está em uma encruzilhada”, uma vez que (…) “o mundo natural está seriamente ameaçado e as consequências podem ser apocalípticas”. Aqui, mais uma vez, é preciso esclarecer que essa narrativa não pode ser vista como mero exagero. Isso é um fato real.

Triste constatação. O poder de destruição do Homo sapiens não tem limites, precisamos admitir essa nossa crassa falha de moral. É aterrador isso. Somos autodestruidores. E estamos fracassando. “O preço do fracasso”, vaticinou tempos atrás Eric Hobsbawn (1917-2012), ainda que dito em outro contexto, (…) “é a escuridão”.

Numa análise fria dos fatos conhecidos até o momento, sabemos que não se trata de mais uma crise qualquer, mas sim de severo descompasso situado no “coração” do meio ambiente.

Um desdobramento dessa perspectiva, por qualquer que seja o campo de visão, permite dizer abertamente que essa crise ecológica (insistindo, pois, no uso desse termo) provocada por nós mesmos, dadas às fissuras impostas ao meio ambiente, se volta contra a nossa própria espécie. Ocorre então que nossa exclusiva atitude exploratória contra a natureza tem mostrado, para além do mais, que temos potencial para desestabilizar inclusive as condições planetárias, desarticular mecanismos do sistema-vida, e, com isso, imprimir consideráveis modificações físico-químicas em nosso meio ambiente.

A configuração de mundo hoje, pensando na esfera do consumo global, é bem conhecida: 20% da população mundial do Norte global (a parte rica do mundo) consome 76% de toda a produção de riqueza mundial, ao passo que, do lado Sul do globo (a parte pobre), sobra apenas 24% da produção para ser “repartida” por 80% da população mundial. Leia mais!

Para cada uma dessas ações deletérias aqui mencionadas, tem-se a constatação (outro pesar) do quão dissociados nos encontramos das questões que envolvem o mundo natural, notadamente o ambiente ecológico (num sentido amplo do termo) e sua rica biodiversidade, do qual o homem moderno possui intrínseca relação, mas, no entanto, prefere se fechar dentro de uma visão estreita, condicionado a olhar quase que exclusivamente – e tão somente – para as coisas materiais, esperançoso assim de que a felicidade (lídimo desejo a que todos devemos nos concentrar) um dia será alcançada à base do acesso e posse material.

Quanto estupidez carregamos conosco. Isso não pssa de um erro palmar que tem nos acompanhado desde há muito em nossa jornada existencial.

Via de regra, envolto na prática do individualismo, parte considerável de nossa comunidade humana não titubeia em abandonar qualquer sentimento de moderação no trato para com o meio ambiente, e esquece, para além do mais, as ricas potencialidades naturais que nos circudam.

Esquecemos que na formação de massa física corporal de cada um de nós há componentes da natureza: 23 por centro de carbono, 2,6 por centro de nitrogênio, 1,4 por cento de cálcio, 1,1 por cento de fósforo e trinta outros elementos em mínimas porções.

A dissociação do ser humano para com a natureza é tão intensa (e grave) que ainda faz o Homem esquecer que possui em seu corpo 61 por cento de oxigênio e 10 por cento de hidrogênio, reunidos numa composição de 71 por cento de água.

Alheio à questão do meio ambiente no que concerne à necessidade da preservação ecológica, o homem moderno sequer dá conta da etimologia do próprio termo “homem”, palavra que vem de húmus (terra firme), evidenciando assim a íntima relação existente com a natureza.

É por isso que se diz que dentro dessa perspectiva nós – e TODOS os outros seres vivos – possuímos algo em comum: um mesmo padrão de organização química, a partir do funcionamento de células de organismos multicelulares e unicelulares.

Não por acaso, para que se esclareça em definitivo esse ponto, dir-se-á que, de um cavalo à um pássaro, de um peixe à uma ameba, de uma minhoca à uma borboleta, somos TODOS formados por 20 aminoácidos e quatro ácidos nucléicos. O que nos diferencia das demais espécies, reza o conhecimento científico, é apenas e tão somente a combinação desse alfabeto genético, nada mais.

TODOS os seres vivos, ao fim e ao cabo, enfatize-se à exaustão, utilizam apenas 20 aminoácidos para fabricarem todos os tipos de proteínas de que necessitam. 

Mas, todavia, alheio e completamente míope a isso tudo, o homem moderno segue isolado do amor pela vida que brota de toda essa rica composição ecossistêmica, ignorando, para além do mais, que o futuro dele mesmo depende essencialmente do equilíbrio a ser dado à cadeia ecológica que rege a vida na Terra.

Por isso, defendemos tanto a ideia de que a crise ambiental global é, antes de tudo, fundamentalmente uma crise de valores que afeta sobremaneira a forma de pensar, agir e sentir da humanidade. Qualquer um com um mínimo de inteligência precisa perceber isso.

Sem romantismo algum, resta que precisamos, no mais das vezes, passar a ofertar amor à vida, às coisas da natureza, às relações humanas e sociais. Para além dos resultados econômicos que nos guiam, e que nos deixamos levar, iludidos de que a economia é tudo o que nos resta, a vida (do jeito como a conhecemos) precisa mesmo ser pensada e sentida de diferentes outras maneiras. É isso o que mais importa. Não mais podemos permanecer isolados do amor pela vida.

“Todo governo que atenta contra a Constituição, torna vítimas o meio ambiente, os direitos humanos e os povos indígenas”. (Rúbens Ricupero, em entrevista ao Greenpace)

Autor: Marcus Eduardo de Oliveira

Edição: Alex Rosset

Eduardo Leite decreta passe-livre para a Covid nas escolas

Denise Garrett, epidemiologista, resumiu: a ciência, não a política, deve conduzir as decisões sobre como e quando reabrir escolas.

Em plena segunda-feira de carnaval, após uma semana marcada pelo salto de 22,5% nas internações e a chegada da cepa mais transmissível da Covid-19 no RS, o governador Eduardo Leite (PSDB) revogou a norma que limitava em 50% a ocupação de salas de aula durante a pandemia.

Mesmo em bandeira preta, as turmas poderão ter lotação máxima. Trata-se de algo inédito no mundo, sem paralelos na irresponsabilidade e no desrespeito à vida.

Não há mais restrições à circulação do vírus nas escolas, de resto já abandonadas à própria sorte pela falta de fiscalização, ausência de testagem, incompetência na entrega de EPIs e graves carências estruturais, financeiras e de recursos humanos.

Também já não temos governador. Inerte diante das imagens da folia macabra no litoral gaúcho, inepto na busca de vacinas e – como disse em dezembro – confiante na “liderança” de Bolsonaro para conduzir a imunização, Eduardo Leite quer presidir o país sem ter governado o próprio estado.

Agora, entrega a gestão da Secretaria da Educação ao sindicato patronal do ensino privado. O Sinepe/RS, autor do pedido esdrúxulo de flexibilização, fará a cogestão da pasta ao lado dos atuais ocupantes: fundações empresariais, traficantes de ensino e picaretas de toda sorte.

Enquanto isso, o principal jornal do estado noticia o fato com a naturalidade de um passeio no parque, reproduzindo a fundamentação kafkiana do procurador-geral do Estado, como quem relata decisão estritamente técnica e alheia à esfera da política. A blindagem ao governador – sequer citado, jamais questionado – impressiona.

Denise Garrett, epidemiologista, resumiu em artigo recente na Folha: a ciência, não a política, deve conduzir as decisões sobre como e quando reabrir escolas. Três dos cinco princípios fundamentais por ela listados já são desrespeitados aqui. A saber; baixa taxa de transmissão na comunidade, programas de testagem regulares e salas de aula bem ventiladas.

Agora, a intenção parece ser acabar com o veto a aglomerações. Em breve, o governador pretenderá terminar com a pandemia por decreto.

Nós, educadores(as), continuaremos lutando pelo direito ao principal bem resguardado pela Constituição: a vida. Exigimos vacinação imediata para todos os profissionais da educação, respeito e condições mínimas de segurança.

Sem vacina, sem testes, sem recursos, sem estrutura, sem profissionais, sem fiscalização, sem protocolos e sem governador – nem que seja para assumir a responsabilidade pelas mortes – não há como voltar.

#VacinaJáParaOsEducadores!

Esta matéria foi publicada, originalmente, em 16 de fevereiro de 2021, no site da entidade:  https://cpers.com.br/eduardo-leite-decreta-passe-livre-para-a-covid-nas-escolas/

Autor: Coluna CPERS

Edição: Alex Rosset

Espiritualidade Holística

Para quem vive dentro de uma realidade cultural dualista ou de visões parciais da espiritualidade, de visões que mais dispersam do que unem, é importante recuperar ou buscar a espiritualidade da inteireza, da integração, da visão holística, recuperando um centro que possa nos unir e ser fonte de vida para todos os viventes.

“Que uma das funções da nossa capacidade de compreensão seja esta: uma compreensão simbólica, mística, sapiencial, que entre em comunhão com a sabedoria  do cosmos, que cante as estrelas como diz o salmo, escute a mensagem e decifre aquele elo último que tudo amarra, que é o Espírito Criador, que é Deus, entranhado na realidade.” (Leonardo Boff)

Leonardo Boff sobre a Dimensão Espiritual através da Arte e da Natureza.

Que uma das nossas capacidades seja também, buscar a integração, a centralidade da espiritualidade superando dicotomias e dispersões.

Muitas e muitas vezes eu ouvi: “A gente vive como pensa”, por isso, é importante pensar o quê se pensa para saber por que temos certas práticas? Por exemplo, que compreensão temos da espiritualidade e a que práticas ela nos leva?

A espiritualidade deveria ser fruto da inteireza do ser humano, pois tudo o que é inteiro é belo, é justo, é sagrado. Portanto, a espiritualidade, se quer ser inteira, bela, justa, sagrada, deve contemplar todas as dimensões do ser humano, segundo Jean-Yves Leloup, correspondentes a quatro questões: O quê, Quem, Por quê, Para quem?

É na integração entre a sensação, o sentimento, a razão e a intuição, é na conexão entre estas quatro propriedades, que podemos encontrar a centralidade da espiritualidade.

Para ter uma melhor compreensão, de cada uma dessas propriedades, dou uma rápida explicação de acordo com Jean-Yves Leloup:

a) O quê: A verdadeira espiritualidade não pode ignorar a matéria, a materialidade do corpo, da terra (Nossa Casa Comum) a materialidade do universo. A saúde espiritual, do nosso ser, depende da saúde da matéria, depende da saúde da nossa casa comum, do universo, expressão de toda a matéria.

O ser espiritualizado, no sentido holístico, tem uma profunda preocupação com a ecologia, com a saúde plena do universo.

b) Quem:  A espiritualidade da inteireza tem como segunda questão: Quem? Quem convive comigo? Qual a relação que vivo com os outros? Não posso me sentir feliz se os outros não estiverem sentindo a mesma felicidade.

Assim como a minha saúde espiritual está ligada à terra, está ligada ao universo, porque eu sou terra, eu sou universo, assim também a minha saúde espiritual está ligada à saúde psíquica da sociedade, porque eu sou sociedade.

c) Por quê?  A espiritualidade holística não deixa de se colocar uma terceira questão: O por quê desta vida? O por quê desta vida jogada dentro de um espaço-tempo? Esta questão ajuda o ser humano a descobrir o sentido da sua existência, a ter consciência sobre tudo o que acontece ao existir humano. 

d) Para quem? Por fim, a quarta questão: Para quem nós vivemos? Com esta questão chegamos ao campo das religiões ou das tradições espirituais, cuja finalidade é estabelecer uma profunda conexão com o SER. Uma das maiores angústias do ser humano é não estar conectado à Fonte do Ser.

“Minha alma está inquieta enquanto não repousa em Deus”. Santo Agostinho.

Para quem vive dentro de uma realidade cultural dualista ou de visões parciais da espiritualidade, de visões que mais dispersam do que unem, é importante recuperar ou buscar a espiritualidade da inteireza, da integração, da visão holística, recuperando um centro que possa nos unir e ser fonte de vida para todos os viventes.

Com esta compreensão, certamente cultivaremos um profundo respeito e cuidado ecológico. Com esta compreensão, jamais nos fecharemos numa redoma egoística, pensando exclusivamente na nossa felicidade. Com esta compreensão certamente a justiça social não será apenas uma expressão, tantas vezes repetida, sem maiores consequências, mas um motivo forte para lutar pela causa dos que sofrem injustiças. Com esta compreensão, certamente saber-se-á colocar o Espírito Divino como Elo de integração e como essencial animador da vida, reconhecendo sua beleza, sua sacralidade e seu dinamismo interior e exterior.

Autor: Pe. Euclides Benedetti

Edição: Alex Rosset

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