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Religiões ou: sobre o que não se pode provar

As religiões não se interessam pelos “fatos” – científicos ou não – mas pela “verdade” que existe por trás destes fatos.

O espiritismo carece de comprovações, pelo menos daquelas exigidas pela ciência cartesiana. Ele é um sistema lógico, como a psicanálise. Nem tudo se pode comprovar, pelo menos não com o instrumental que possuímos. Não há ainda um fato científico que comprove – além de qualquer dúvida – a existência da alma ou a reencarnação.

Fortes indícios, como bem o sabemos, não são provas. Todavia, lembremos apenas que o ar já existia antes de sabermos do que ele é feito, assim como as estrelas quando acreditávamos que elas não eram mais do que furos na abóbada celeste. Se não posso provar a sobrevivência da alma, tampouco o ego, o superego, a alegria, a tristeza, o ciúme, a desconfiança ou o narcisismo podem ser reproduzidos em laboratório. Tais modelos de compreensão, todavia, nos auxiliam a explicar os buracos deixados pela ciência. Essa, por sua vez, tentará indefinidamente desvendar tais mistérios para um dia, quiçá, ser capaz de descortiná-los.

Não peço que acreditem em Deus ou nos espíritos, até porque não exijo isso sequer de mim. Entretanto peço um pouco de respeito com a forma com a qual as pessoas traduzem para si o enigma da existência.

Para além disso, pergunto por que a nossa necessidade de desaprovar as crenças alheias? Em que elas nos incomodam?

Para isso é importante entender do que é constituída uma crença. Uma crença é essencialmente uma linguagem, um idioma que se usa para ser compreendido pelos outros. É uma forma de expressar uma cosmologia teleológica que oferece sentido ao universo através de símbolos, metáforas e histórias. Por esta razão, as religiões não se interessam pelos “fatos” – científicos ou não – mas pela “verdade” que existe por trás destes fatos. Esta verdade, que carrega valores múltiplos e significados morais e políticos, é uma plataforma por sobre a qual transitamos e encontramos interlocução.

As religiões servem como a mais relevante e consistente amálgama social, para que os propósitos de convivência e cooperação – essenciais para a sobrevida de nossa espécie – possam encontrar expressão e difusão.

Os fatos, da forma como ocorreram no mundo real, são totalmente irrelevantes neste sentido.

O debate sobre o peso de Jesus, um judeu que falava para judeus numa Palestina dominada, não tem nenhuma importância ao se debater biblicamente o episódio em que “caminhou abre as águas”. Não é da física ou da matemática que trata a religião, pois estes são fatos do mundo físico. Ela se ocupa da “Verdade”, que preexiste e sobrevive à senescência da matéria. Não se analisa religião através da comprovação de suas histórias, mas a partir da compreensão histórica de suas premissas compartilhadas, seus valores e ideias.

Tratar a religião como uma série de “histórias bobas”, “fatos não comprovados” ou “manipulação” ou também “má ciência” é confessar a ignorância nas origens e no sentido último desses modelos de comunhão social.

Ao mesmo tempo, tentar entendê-la literalmente tratando os símbolos contidos como fatos para assim justificar desejos e aspirações momentâneas – políticas ou pessoais – é fundamentalismo, e ele nada tem a auxiliar no progresso do conhecimento.

Em outra oportunidade, já tivemos publicada neste site reflexão Desejos. “Sim, como dizia Sêneca, “a pobreza não vem da escassez de recursos, mas da proliferação dos desejos”. Toda a riqueza acima do limite das necessidades é governada pelos desejos, e estes são infinitos e incontroláveis”. Leia mais!

Autor: Ricardo Herbert Jones

Edição: Alex Rosset

Em educação, tudo tem seu tempo

“O diálogo cria base para colaboração” (P. Freire)

Considerando os impactos e o agravamento das desigualdades educacionais e tecnológicas na pandemia e as dificuldades dos governos no seu enfrentamento, é pertinente implementar reformas curriculares (BNNC, RCG e “Novo” Ensino Médio) neste contexto e momento sem a participação de toda comunidade escolar?

No recente balanço dos 7 anos do PNE 2014-2021, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação demonstrou que o mesmo “não está sendo cumprido. No lugar dele, são colocadas uma série de políticas públicas que vão na contramão do que ele preconiza: políticas discriminatórias, excludentes, de censura, e de esvaziamento da escola como lugar vivo, democrático, transformador e livre. Assim, o descumprimento do Plano Nacional de Educação está no centro da barbárie que toma a educação nacional”.

Outra publicação do Movimento Todos pela Educação e Human Rights Watch Brasil aponta que a interrupção das aulas presenciais por conta da pandemia está causando um retrocesso profundo e cruel na educação brasileira, com graves repercussões na desigualdade educacional, no aprendizado escolar e no sistema de proteção alimentar, física e socioemocional de milhões de crianças e jovens.

A pandemia da Covid-19 afetou a educação de milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo, mas a resposta desastrosa do governo brasileiro a ela piorou dramaticamente seu impacto sobre os brasileiros, afirmam aas entidades acima citadas. Portanto, a prioridade e emergência neste momento, do governo federal, dos governadores e prefeitos, não deveria ser envidar esforços e alocar recursos para o combate das desigualdades, da evasão escolar e das condições de trabalho e estudo dos educadores e estudantes?

O Ministério da Educação tinha para a Educação Básica orçamento de R$ 48,2 bilhões para 2020, mas gastou apenas R$ 32,5 bilhões, o menor valor desde 2011. O MEC também reduziu verbas do Programa Educação Conectada, voltado à universalização do acesso à internet de alta velocidade na educação básica. Segundo o relatório da comissão da Câmara mencionado acima, apenas R$ 100,3 milhões foram empenhados para o programa, menos da metade dos recursos efetivamente utilizados no ano anterior.

Enquanto escolas, estudantes, professores e pais se empenham para fazer frente aos novos desafios emanados da pandemia – como a garantia do direito à educação e aprendizagem de todos estudantes -, o MEC, CNE, CONSED e entidades elegem a implementação de uma reforma curricular – no caso a BNCC, do RCG e do “Novo” Ensino Médio -, como a solução mágica para a crise educacional. Trata-se de um duplo erro: a reforma não resolverá os problemas causados pela pandemia e desorganizará o que está funcionando apesar do contexto.

A questão que precisamos discutir coletivamente é como implementar mais uma reforma com as escolas fechadas desde março de 2020, sem discussão com estudantes – sujeitos principais da reforma – e com professores preocupados e focados com a transposição das aulas presenciais para plataformas sem domínio dos professores e estudantes. E pior, a pandemia continua com uma média de 2.500 mortes por dia. Vamos ignorar e naturalizar a morte em nosso cotidiano?

Todas nossas energias institucionais e docentes estão voltadas para dar conta das aprendizagens teóricas e práticas, em meio a presencialidade parcial e virtualidade. Forçar a implementação de mudanças, sem a totalidade da comunidade presente e participando do processo é temerário, senão, ausência de sensibilidade e pertinência.

Neste sentido, o Observatório do Ensino Médio do RS propôs ao Conselho Estadual de Educação que a suspensão da “implementação do Novo Ensino Médio durante a pandemia para ampliar escuta e o debate” e um tempo maior para análise do RCG, com realização de audiências públicas pelo CEEd/Seduc com a sociedade, escuta efetiva dos estudantes e jovens, diálogo com educadores e pesquisadores em cada área do conhecimento.

Toda reforma curricular requer duas condições prévias: plano de formação docente e plano de implementação, investimentos e condições para a finalidade que se propõe. Nenhuma destas condições foram providenciadas e, no contexto de fracasso de enfrentamento da pandemia e de desinvestimentos governamentais em plena crise sanitária, tal ausência de planos comprometem a própria reforma, também candidata ao fracasso.    

Há evidências que a formação dos jovens é permeada por disputas e tem se apresentado na educação brasileira de múltiplas formas, sendo a do ensino médio e da educação profissional as mais visadas. Nas últimas cinco décadas (desde 1970), diversas propostas e ideologias reformistas foram testadas – a maioria fracassou –, mas, persistimos na descontinuidade de políticas e programas a cada governo e, o mais grave, sempre culpabilizando a escola, os professores e os próprios jovens pela falta de comprometimento.

Com narrativa de protagonismo juvenil e autonomia dos estudantes para escolher cinco opções de itinerários, já temos evidências que as mantenedoras e escolas oferecerão, no máximo, duas opções já preestabelecidas. Logo, não haverá possibilidade de opções nem protagonismo juvenil, cuja evidência é a ausência dos jovens estudantes nas discussões e definições em curso e pela necessidade do distanciamento social.

Essa realidade de exclusão e desigualdade escolar de jovens-adolescentes requer um projeto estrutural de escola pública, universal, para todos, com investimentos nas condições de ensino, formação e valorização dos professores, escuta e participação dos estudantes. A escola deve ser um espaço de vida, de cultura, de formação integral, de cidadania e democracia, de alegria e de fazer amigos.

“Quem exagera o argumento prejudica a causa dizia Hegel e a escolha do momento adequado é fator preponderante para o sucesso ou fracasso da reforma. As reformas podem esperar, até porque a vida e a rotina dos estudantes já estão impactadas pelas crises que os atingem diretamente. Educação é processo coletivo e tudo tem seu tempo.

Esta é a segunda publicação neste site. Em outro texto, abordamos a temática da decência na perspectiva ética. “A partir da ruptura social, aprofundada pela Covid, é preciso repensar o papel do ser humano na Terra. Precisamos deixar de nos ver como o centro do mundo e apostar mais na promoção de valores coletivos e universais. Somente assim superaremos esta profunda crise”.  Leia mais!

Autor: Gabriel Grabowski

Edição: Alex Rosset

Importância do Curso Normal (Magistério) na formação inicial de professores e professoras

Sabemos que a formação inicial de professores e professoras é um aspecto fundamental para a qualidade da educação.  No RS, como em alguns estados brasileiros, ainda se mantém o Curso Normal (também chamado Magistério) para estudantes que se formaram no Ensino Fundamental e passam a ingressar no Ensino Médio.

Conforme dados do Censo Escolar 2020, no Rio Grande do Sul, 108 instituições de ensino ofertam o Curso Normal, das quais 99 são escolas Estaduais, 04 Municipais e 05 Particulares, em um total de 10.871 matrículas.

Procurando valorizar este Curso, destacar a sua importância e justificar a sua existência, sobretudo para a formação dos professores e professoras da educação infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, conversamos com a professora Ivanete Terezinha Santi, que é coordenadora do Curso Normal da Escola Estadual de Educação Básica Nicolau de Araújo Vergueiro (EENAV), em Passo Fundo, RS.

SITE NEIPIES: Há quantos anos este Educandário oferece o Curso Normal (Curso de formação de professores e professoras no Ensino Médio)? Qual é a importância desta oferta para o município de Passo Fundo e de toda região Norte do RS?

Professora Ivanete: A história da formação de professores em Passo Fundo está ligada a Escola Estadual de Educação Básica Nicolau de Araújo Vergueiro, uma vez que desde a sua origem vem oferecendo o Curso Normal.

No ano de 1929, emergia a necessidade da criação de um Estabelecimento de Ensino para formar professores, pois não havia nesta região educandário com tal finalidade. O movimento pró-criação da Escola Complementar partiu da iniciativa da professora Eulina Braga, que exercia o cargo de Diretora do Colégio Elementar, Estabelecimento Estadual com mais de 100(cem) alunos, localizado em frente à Praça da República (atual Ernesto Tochetto) contando com o apoio e trabalho da professora Anna Luíza Ferrão Teixeira.

É de grande importância o oferecimento do Curso Normal, temos alunos oriundos dos diversos bairros da cidade, bem como dos municípios vizinhos de  Passo Fundo.

A procura do Município, bem como das escolas de Educação Infantil na busca de alunos que cursam esta modalidade para atuar como monitoras, é vista como um ponto forte do Curso.

SITE NEIPIES: A senhora coordena este Curso na Escola há pelo menos 08 anos. Conte-nos de sua relação com esta Modalidade de Ensino no Ensino Médio?

Professora Ivanete: Minha base de formação inicial também foi o Curso Normal, iniciei no ano de 1982 trabalhando na Educação Infantil. Fiz curso de Pedagogia, o qual veio trazer mais certeza que é com a Educação que me realizo profissionalmente.

Percebo nos diálogos com os alunos que ingressam que também trazem esta motivação de ensinar, de atuar com o bem precioso que são as crianças.

SITE NEIPIES: Fale-nos da motivação destes jovens pelo Curso e da motivação dos colegas professores e professoras na formação inicial destes docentes.

Professora Ivanete: A maioria dos alunos que buscam a Formação do Curso Normal vêem como uma alternativa de trabalho já durante a Formação, um campo que oferece várias atuações, monitores de alunos especiais, auxiliar de Educação Infantil, bem como uma formação para a vida, devido ao currículo que é desenvolvido durante o Curso.

SITE NEIPIES: Na sua avaliação, por que é tão importante manter e fortalecero Curso Normal no Ensino Médio, mesmo que outros Estados brasileiros já não o ofereceram mais?

Professora Ivanete: Na minha avaliação, o Curso Normal oferece uma formação especial para atuar na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, esta formação não é tão evidenciada (detalhada) nos Cursos de Educação do Ensino Superior. Relatos de Professores da Universidade sobre o diferencial dos alunos oriundos do Curso Normal, sobre os que fizeram o Ensino Médio é perceptível e evidenciada nos conhecimentos que demonstram através das participações em sala de aula.

Percebe-se também que alunos que passaram pelo curso buscam outras áreas de formação no Ensino Superior (veterinária, estética, odontologia, estética …). Neste sentido, acredito na formação de qualidade também mais ampla e geral.

SITE NEIPIES: Qual é a situação do Curso Normal na sua escola hoje?

Professora Ivanete: Desde que estou atuando na Escola, o Curso sempre teve uma boa procura, geralmente são oferecidas 90 vagas, as inscrições acontecem no site da SEDUC.

Em 2020, tivemos uma procura maior, abrimos quatro turmas no mês de março. Já para este ano, devido a pandemia e o pouco tempo para inscrição, iniciamos com 2 turmas.

No ano de 2021 temos: 2 turmas de 1º ano com 61 alunos, 3 turmas de 2º ano com 67 alunos, 2 turmas de 3º ano com 50 alunos e uma turma de Estágio com 37 alunos. Temos hoje, no total, 215 estudantes vinculados ao Curso.

SITE NEIPIES: Como é a organização Curricular do Curso Normal?

Professora Ivanete: O Ensino Médio Curso Normal tem na sua matriz curricular todos os componentes da Educação Geral que constam no Ensino Médio, porém com uma carga horária semanal menor, além da Formação Profissional. Constam 18 componentes no primeiro ano, 24 no segundo ano e 22 no terceiro ano. Estes componentes curriculares oferecem ao aluno com conjunto de conhecimentos que poderá ser aperfeiçoado independente da área que deseja seguir, pois dá uma boa base de aprendizado.

A Prática Pedagógica de 400 hs desenvolvidas nos três anos do curso. Acredito ser um diferencial para uma formação mais consistente, bem como o Estágio supervisionado que acontece no 4º ano com a duração de um semestre.

SITE NEIPIES: Como a senhora vê as atuais mudanças previstas e que vem sendo implantadas no Ensino Médio? Teremos um Ensino Médio mais atualizado com as necessidades do jovem estudante e com as demandas do mundo atual?

Professora Ivanete: Acredito que sempre há necessidade de adequação e mudanças em todos os setores da sociedade, a educação precisa caminhar para a formação de cidadãos que dêem conta das necessidades emergentes. Percebo, porém, dificuldade de muitos profissionais atuar para que os estudantes sejam críticos, criativos e busquem uma maior autonomia.

SITE NEIPIES: Uma mensagem aos jovens estudantes que escolhem pela profissão Professor ou Professora. Uma mensagem aos colegas professores e professoras que bravamente resistem na profissão, apesar dos ataques a seus direitos e da desvalorização.

Professora Ivanete: Penso que a profissão Professor tem algo de “alma” “vocação”, é mais do que apenas optar por uma carreira a seguir.

 Vou relatar algo bem familiar aqui.

Minha mãe foi professora, quando criança as brincadeiras com minhas irmãs eram na maioria das vezes de escolinha. Tenho três filhos, não imaginava qual carreira iriam seguir, principalmente porque, nos dias de hoje, nossa profissão é pouco valorizada e também tem salário pouco atrativo.

Com muito orgulho, tenho dois filhos que desempenham a profissão de professor, sei que é por amor que o fazem. A fala do caçula quando decidiu fazer matemática foi: “eu escolhi é pela PROFISSÃO”. Isto me dá a certeza que, mesmo com tantas opções nos dias de hoje, ainda tem os que vem com a missão de ensinar. Minha filha é formada em Jornalismo, foi para Sydney para fazer curso de inglês, mas o destino levou para um curso na área da Educação Infantil. Hoje é professora de educação infantil e adora o que faz.

      Apresentamos, agora, um pouco da trajetória do Educandário EENAV (Escola Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro) no Curso Normal.

  Trajetória do Curso Normal EENAV: tempos, espaços e convivências

Este é um artigo que foi escrito em 2018, faz parte de um livro organizado pela SEDUC com um histórico de todas as escolas do Curso Normal do RS.

A história da formação de professores em Passo Fundo está ligada à Escola Estadual de Educação Básica “Nicolau de Araújo Vergueiro”, uma vez que desde a sua origem vem formando profissionais através do Curso Normal.

No ano de 1929, surgiu a necessidade da criação de um Estabelecimento de Ensino para formar professores, pois não havia nesta região educandário com tal finalidade. O movimento pró criação da Escola Complementar partiu da iniciativa da professora Eulina Braga, que exercia o cargo de Diretora do Colégio Elementar – Estabelecimento Estadual, com mais de cem alunos, localizado em frente à Praça da República (atual Ernesto Tochetto), contando com o apoio e trabalho da professora Anna Luíza Ferrão Teixeira. O governo do estado estava inclinado a instalar uma Escola em Cruz Alta, não em Passo Fundo. Sabendo disso, a professora Eulina Braga apelou para o Dr. Nicolau de Araújo Vergueiro, Intendente Municipal, que empenhou todo seu prestígio junto ao Governo Estadual, conseguindo com que a Escola Complementar fosse instalada em Passo Fundo.

Assim, em abril de 1929 foi instalada, oficialmente, a Escola Complementar no edifício do Clube Pinheiro Machado, localizado na Avenida Brasil, n.º 792; este prédio foi cedido temporariamente. Matricularam-se no primeiro ano da Escola cinquenta e sete alunos. Em seguida, conheceu-se o primeiro Diretor da Escola Complementar, o Professor Reinaldo Haeuer que a dirigiu até o início de 1932. Desde sua abertura, a Instituição adquiriu notoriedade, atraindo alunos de municípios vizinhos. Em maio de 1932, sob a direção da educadora Mathilde Hassolocher Mazeron, a Escola Complementar transferiu-se para o prédio que mais tarde funcionaria a Câmara Municipal de Vereadores. Em dezembro desse ano, realizou-se a primeira formatura com dezenove Professores. A Escola Complementar passou à categoria de Escola Normal Oswaldo Cruz, formando até o ano de 1957 quatorze turmas, totalizando duzentos e trinta e seis alunos-mestres. Três anos mais tarde, foi autorizado o funcionamento do Ginásio Estadual, incorporando-o à Escola Normal Oswaldo Cruz que, nesse mesmo ano foi transferido para o prédio do antigo Colégio Elementar e passou a denominar-se Ginásio Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro em homenagem aos relevantes serviços prestados à causa da educação pelo referido médico.

Em 1959, a Escola Normal Oswaldo Cruz e o Ginásio Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro, sob a única direção, transferiram-se daquelas instalações para o prédio próprio situado à Rua Capitão Araújo, n.º 444, próximo à Praça Tamandaré. Em 1960 ampliou suas atividades com oferecimento do 2º Ciclo (Colégio Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro) junto à Escola Normal Oswaldo Cruz.

Cabe aqui salientar que, segundo algumas normalistas da época, o desejo de entrar no curso foi com a intenção de serem professoras, também por vontade dos pais, e ainda por ser uma profissão de “status”, voltada basicamente ao público feminino, no entanto, naquele contexto, era muito difícil ingressar no CENAV, em virtude da prova de seleção (comparada ao vestibular nos dias de hoje). Havia muito rigor, o uniforme era examinado diariamente, pois os alunos não entravam na escola se não estivessem uniformizados. Na hora cívica semanal a entoação do Hino Nacional, era obrigatória e, no currículo, além dos componentes da base comum, também estavam incluídas os estudos das Línguas: Inglesa, Francesa e Latina; as aulas eram de segunda a sábados; a maior dificuldade centrava-se nos professores que eram estritamente rigorosos, porém competentes, o que demandava muito empenho e estudo por parte dos alunos. Depois de formadas as alunas iniciavam atuando nas séries inicias até se aposentarem, e outras cursaram o ensino superior.

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc), por meio de seu Departamento Pedagógico, está disponibilizando o livro Narrativas e Memórias das Escolas Estaduais de Curso Normal do Rio Grande do Sul. A obra resgata, através de fotos e um conjunto de narrativas, a trajetória da modalidade de ensino responsável pela formação de professores. Para ter acesso à obra completa e depois fazer o download basta clicar aqui. O Rio Grande do Sul é um dos poucos estados que ainda mantêm o Curso Normal – atualmente, a rede estadual possui cerca de 100 escolas da modalidade.

Somente em 16 de outubro de 1975, realizou-se a unificação da ENOC (Escola Normal Oswaldo Cruz) e CENAV (Colégio Nicolau de Araújo Vergueiro) passando a denominar-se Escola Estadual de 1º e 2º Graus Nicolau de Araújo Vergueiro, contando com Primeiro Grau Completo, Curso de Aplicação (1ª a 4ª Série) 5ª a 8ª Séries e ainda 2º Grau diurno e noturno com as seguintes Habilitações: Magistério, Auxiliar de Patologia Clínica, Técnico em Laboratórios Médicos, Auxiliar de Análise de Solos e Auxiliar de Adubação. A este leque de Habilitações foi acrescido: Laboratorista de Análises Clínicas (1976) e Enfermagem (1980); esta desenvolvida em Convênio com a Universidade de Passo Fundo, cabendo à EENAV administrar somente a parte da Educação Geral. No ano de 1990, foram implantados os Estudos Adicionais à Habilitação Magistério, a fim de qualificar professores para a Educação Pré-Escolar. Em 1993, iniciou-se o funcionamento das classes de Jardim de Infância, atualmente denominada Educação Infantil: Pré-Escola.  Estes Estudos foram extintos a partir de 2001, uma vez que o Curso Normal passou a suprir essas necessidades. Em 2000, passou a denominar-se Escola Estadual de Educação Básica “Nicolau de Araújo Vergueiro”, carinhosamente chamada de EENAV. No período de 2011 a 2018, foi disponibilizado para a clientela regional, turmas do Curso Normal, no turno da noite, com a finalidade de suprir as necessidades de formação docente de Indígenas e Monitoras da Educação Infantil que buscavam uma habilitação para atuar nas Escolas de Passo Fundo e região.

Atualmente, para ingressar no Curso Normal, em nossa escola é necessário fazer a inscrição no site da Secretaria Estadual da Educação e a seleção se dá através de sorteio, se houver maior número de inscritos do que de vagas.

Créditos: rede social https://www.facebook.com/passofundoemimagens

Em pesquisas recentes, os estudantes relatam que optaram pelo Curso Normal pelo sonho de serem professores desde a infância, por gostar de crianças, pela influência positiva de educadores na formação pessoal e dos pais que admiram o ofício de ser professor. Em relação a experiência no curso, dizem ser satisfatória e gratificante e, ao mesmo tempo, desafiadora e complexa pela exigência nos estudos teóricos, elaboração de materiais didáticos e as diferenças que estão presentes no dia-a-dia. A maioria pretende atuar na área da educação, buscando formação superior, após o término do curso.

Hoje, o Curso conta com sete turmas de normalistas, tendo uma previsão anual de, aproximadamente, 40 alunos formandos. As aulas regulares acontecem, diariamente, no turno da manhã; as práticas pedagógicas no turno inverso, em classes de aplicação na própria escola e demais instituições conveniadas. Os estudantes provem de bairros de Passo Fundo e Municípios da região.  A procura de vagas é intensa, por ser historicamente uma escola com raízes e renome; possuir proposta diferenciada e um quadro de professores habilitados; equipe gestora qualificada para atender os anseios da comunidade em prol da cidadania. Todos os sujeitos são convidados a participar do processo de aprendizagens em toda a Educação Básica, avaliando, sugerindo e atuando conforme as mudanças estruturais/educacionais e contexto escolar, contribuindo para a vivência de um processo democrático na escola. O bom conceito do Curso Normal, bem como o de Educação Básica, se deve ao comprometimento com a proposta pedagógica diferenciada, mediada pelos objetivos, filosofia e princípios regimentados pelo educandário.

O Curso Normal, ao longo das décadas, ainda mantém seu espaço como uma opção de Curso Profissionalizante concernente à educação e com a implantação de Escolas de Educação Infantil, ampliaram-se as oportunidades, atendendo ao mercado de trabalho, pois antes mesmo de terminarem o curso, nossos alunos já tiveram experiências na área como auxiliares e ou monitores. No decorrer de tantos anos, em prol do ensino, mesmo com tantas mudanças e dificuldades enfrentadas pelo país e nosso estado, a escola continua mantendo a qualidade educacional a que se propôs desde a sua fundação.

Edição: Alex Rosset

Agricultura Familiar e juventudes no RS

Será que alguma escola pública valoriza a realidade dos jovens da agricultura familiar? Alguma escola desenvolve um projeto específico, que contemple as demandas, os desejos e as necessidades destes jovens?

A agricultura familiar compõe a história e a realidade de uma importante parcela da população gaúcha. Ela tem importância significativa para assegurar segurança alimentar e nutricional da população brasileira, uma vez que é responsável por 70% dos alimentos consumidos no país.

Caracteriza-se, ainda, no aspecto da sustentabilidade da produção e manejo dos alimentos, onde se respeita a biodiversidade e os recursos naturais, a produção é livre do uso de agrotóxicos e a produção é mais diversificada e de maior qualidade. Promove também o fortalecimento das comunidades e de pequenos municípios do RS através de organizações solidarias e agroecológicas de produção, que garantem o abastecimento dos mercados locais, além de distribuir renda dentro do próprio segmento.

O RS, conforme o Censo Agropecuário 2017, apresentado pela Emater/RS/Ascar contava com 365.094 unidades dentro desta característica, ficando em quarto lugar nesse ranking, atrás da Bahia, Minas Gerais e Ceará.

Já conforme critérios do IBGE, seriam 294 mil estabelecimentos (80,5%) foram classificados como de agricultura familiar, detendo 25,3% das áreas. Esse recorte é baseado em quatro critérios da Lei 11.326/2066: o estabelecimento deve ter área de até quatro módulos fiscais; utilizar, no mínimo, metade de trabalho familiar no processo produtivo e de geração de renda; auferir, também no mínimo, metade da renda familiar de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento e ter a gestão do estabelecimento ou empreendimento estritamente familiar.

Outra característica assumida pela agricultura familiar é que, independentemente do tamanho da propriedade, essas unidades têm por objetivo a produção para venda ou subsistência, onde boa parte a produção é para consumo próprio do produtor e de sua família. Eventualmente, parte da produção é comercializada para atender a outras necessidades das famílias que dependem muito da atividade agropecuária para sua sobrevivência econômica.

Os jovens da agricultura familiar no Ensino Médio

Será que alguma escola pública valoriza a realidade dos jovens da agricultura familiar? Alguma escola desenvolve um projeto específico, que contemple as demandas, os desejos e as necessidades destes jovens?

Os jovens que moram em pequenos municípios ou comunidades do RS apresentam dificuldades de participação na gestão da unidade familiar, muitas vezes ficam sem remuneração pelo seu trabalho, tem pouca ou nenhuma autonomia; poucas oportunidades de lazer, esportes, entretenimento ou conexão com o mundo virtual, o que acarreta a saída dos mesmos para as cidades, especialmente as jovens mulheres.

 A falta de perspectivas e as buscas por uma vida melhor são, muitas vezes, estimuladas pelas próprias famílias a um processo migratório. Esta realidade acarreta o envelhecimento da população rural e a masculinização (maioria da população de homens no meio rural) e a inserção precária destes jovens no mundo do trabalho urbano.

Os jovens da agricultura familiar demandam uma atenção especial, sobretudo de políticas públicas que valorizem os seus estudos, conjugando com suas necessidades de renda, de valorização de seu trabalho, de apoio à sua permanência no campo, de incentivos para viabilizar a sua sobrevivência junto a estas unidades produtivas, como também de qualificação tecnológica e digital.

As escolas públicas, sobretudo de Ensino Médio, podem contribuir para valorizar e potencializar a criatividade, a sabedoria e o conhecimento das gerações mais jovens. Podem criar projetos adaptados à realidade da agricultura familiar. Farão isso? Ou continuarão educando fora da realidade, promovendo apenas o “deslumbramento” das realidades urbanas?

Referências:

Consultas feitas em: https://estado.rs.gov.br/agricultura-familiar-e-desenvolvida-em-25-da-area-rural-no-rs-aponta-ibge

http://www.emater.tche.br/site/area-tecnica/inclusao-social-produtiva/juventude-rural.php#.YNOGU-hKg2w

Autor: Nei Alberto Pies

Edição: Alex Rosset

Educar o Educador

A educação deve preparar pessoas para competir na sociedade do mercado ou deve formar seres humanos completos? Deve doutrinar ou educar para a autonomia?

A centralidade da educação se faz sentir em todos os lugares. Basta abrir um jornal, participar de eventos acadêmicos, escutar discursos políticos em época de campanha eleitoral, visitar uma livraria ou conversar com pessoas comuns sobre os problemas cotidianos para que, de forma espontânea, o tema da educação apareça.

Talvez essa centralidade não seja uma marca exclusiva do nosso tempo. Em outras épocas, a educação também foi protagonista das atenções de diversas civilizações. A Paidéia,na experiência educacional grega, a Humanitas, na experiência pedagógica latina, e a Büldung,na tradição educacional alemã, são algumas das tantas manifestações do quanto a educação foi palco de grandes debates em todas as épocas.

No entanto, em nossa cultura atual, a educação figura como sendo ao mesmo tempo causa e possibilidade de superação dos principais problemas que afligem a sociedade contemporânea.

Muitos atribuem à ausência, deficiência ou má qualidade educacional a causa dos problemas que perturbam e dificultam o desenvolvimento de uma sociedade mais decente para se viver; outros acreditam que a construção de uma sociedade mais justa depende da capacidade de se educar as futuras gerações. Muito embora sejam aparentemente divergentes, as duas posições convergem na medida em que estabelecem que não é possível projetar um futuro melhor sem que haja uma aposta incisiva no processo educativo.

Em seu belo livro O valor de educar, o filósofo e educador espanhol Fernando Savater diz que “em qualquer educação, por pior que seja, há suficientes aspectos positivos para despertar em quem a recebeu o desejo de fazer melhor com aqueles pelos quais depois será responsável” (2000, p. 17). Tal perspectiva nos tutela o desafio de pensar e estruturar processos educativos para que as futuras gerações possam ser melhores do que a nossa geração ou a geração que nos precedeu.Mas como realizar tal façanha? De que forma é possível pensar e projetar um processo educativo que seja suficientemente eficaz para dar conta das crises e demandas educacionais atuais?

A educação deve preparar pessoas para competir na sociedade do mercado ou deve formar seres humanos completos? Deve doutrinar ou educar para a autonomia? Deve concentrar as suas energias no repasse de informações e na instrução eficiente ou no árduo e complexo processo de produção de conhecimentos e na construção de cidadãos? Deve preparar para um emprego ou preparar para a vida? Deve manter uma “neutralidade aparente” diante da pluralidade de opções ideológicas, religiosas, políticas e tantas outras formas de vida ou deve inserir-se no debate sobre o preferível e propor modos de vida mais confiáveis?

O próprio Savater (2000, pp. 18-19), no livro acima citado, amplia o leque de questões sobre essa problemática da seguinte maneira: é obrigatório educar todo mundo da mesma maneira, ou deve haver tipos diferentes de educação, conforme a clientela a que tais tipos sejam destinados?

A obrigação de educar é assunto público ou questão privada? Por que há de ser obrigatório educar? E quem educa o educador? São questões que dizem respeito a todos nós e por isso precisamos pensar juntos.

Da capacidade que temos para responder ou pensar sobre tais questões, desenha-se o tipo de educação que estamos realizando e projetando para a formação das futuras gerações.

Seria contraditório projetar uma sociedade mais solidária e menos corrupta, se continuarmos investindo tacitamente num modelo de educação que prima pela competição e pela lógica do dinheiro; não podemos esperar por uma sociedade mais justa e responsável, se continuarmos apostando numa prática educativa excludente e autoritária; não podemos sonhar com uma educação de qualidade para nossos filhos, se os professores continuarem tendo péssimos salários e uma formação cada vez mais medíocre; não podemos acreditar na sustentabilidade do planeta, se continuarmos com um modelo de educação que estimula e consolida o consumismo e o acúmulo irresponsável de produtos descartáveis que aumentam as montanhas de lixo, poluem as águas e estão acabando com o planeta.

Para enfrentar tudo isso, é necessário pensar projetos de formação que visem construir espaços de reflexão permanente sobre as próprias práticas dos professores que estão no cotidiano da escola enfrentando a árdua e imprescindível tarefa de educar. O livro Educar o educador (FÁVERO e TONIETO, 2010) tem a pretensão de contribuir com reflexões sobre algumas temáticas inerentes a formação continuada.

Assista à vídeo de Altair Fávero e Carina Tonieto: Educar o educador

Referências:

FÁVERO, Altair Alberto; TONIETO, Carina. Educar o Educador: reflexões sobre formação docente. Campinas: Mercado de Letras, 2010.

SAVATER, Fernando. O valor de Educar. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição: Alex Rosset

Educação ambiental para crianças

Quanto mais as crianças receberem educação ambiental, mais cuidarão do nosso planeta.

A poetisa portuguesa Sophia de Mello Bryner Andresen escreveu sobre o mar. Fez dele a sua poesia, escrevendo muito sobre um mar bonito e intrigante ao mesmo tempo. Descreveu o comportamento do mar, falou das suas ondas e da sua areia e da sua maresia. Trouxe para nós a beleza de se viver perto do mar.

Junto com os seus poemas, escreveu prosa para crianças também sobre o mar. O mar da poeta certamente não era poluído assim como também não é o planeta do nosso Pequeno Príncipe, o que faz dele o planeta mais belo do universo. Precisamos cuidar mais dos nossos mares, florestas, mangues, rios e lagoas. Precisamos cuidar da terra urgentemente. Essa mãe terra de onde todas as coisas nascem e se reproduzem.

Se o Pequeno Príncipe tivesse que se preocupar com os seus baobás e com o lixo produzido por ele mesmo, seu planetinha não resistiria muito tempo, certamente ele sabia o que fazer com o seu lixo protegendo a sua linda rosa de toda má sorte que possa causar a uma vida, pois a vida exige cuidados especiais e particulares para continuar a existir em qualquer planeta do universo. Mesmo que esse planeta seja habitado por um só homem, vale a pena cuidar dele para que nunca seja destruído por um desastre não natural.

Assim são os homens, cheios de mimos, de espanto, de curiosidade. Homens que investigam a natureza à procura de respostas às suas indagações. Afinal, já perguntava Sócrates: “Quem sou eu?” Esta pergunta nos leva a indagar sobre o futuro da humanidade e quem seremos nós daqui a alguns anos com esse crescimento desenfreado. Leia mais!

Estamos poluindo o nosso planeta. Todos os dias, os nossos automóveis que saem das indústrias sem nenhuma preocupação com o meio ambiente vão para as cidades grandes poluir o ar que respiramos. São muitos os veículos a poluírem as cidades, além das grandes fábricas que jogam as suas fumaças para os nossos céus. Quase não conseguimos respirar nas metrópoles. Estamos sendo sufocados com a intensidade de gás carbônico presente nesses lugares.

Exigimos um mundo melhor e não sabemos quase nada de como torná-lo melhor para os nossos filhos e netos e até mesmo para nós mesmos. Sujamos as cidades, entupimos os esgotos e provocamos as chuvas ácidas. Somos mal-educados com o meio ambiente, não temos o cuidado que ele merece.

Todos os dias entregamos para ele centenas de caminhões de lixo que poderiam ser reciclados. Jogamos baterias de celular no lixo comum. Como somos ingratos com a natureza! Essa natureza que nos proporciona uma vida melhor e saudável quando estamos perto das florestas, rios e mares. Não! A poeta Sophia de Mello Bryner Andresen certamente ficaria desapontada conosco. E com toda razão.

Há como mudar as nossas atitudes e gestos diante do meio ambiente e salvar o que ainda nos resta. Educando-nos e educando as crianças desde cedo a cuidarem da natureza a respeitarem a mãe terra como se respeitam os pais e os parentes mais velhos. Cabe aos professores, responsáveis e pais essa educação ambiental. Ensinar a criança desde a tenra idade a não jogar lixo nas ruas, a trazer o papel da bala de chupar para ser descartado em casa. Nós temos o dever de mostrar às crianças que o meio ambiente depende de nós para sobreviver e que nós dependemos dele para vivermos melhor.

A educação ambiental começa quando ensinamos às nossas crianças a não sujarem as ruas com copos e garrafas de plástico, pois esses quando a chuva vem são levados para os mares e rios causando os mais terríveis desastres com os nossos animais marítimos.

Muitas tartarugas são encontradas mortas sufocadas por sacolas plásticas, alguns peixes trazem aqueles pequenos pedaços de latas de refrigerante que usamos para abri-los, dentro de suas barrigas. É muito triste ver os animais morrendo sabendo que somos os maiores causadores dessas mortes devido a nossa falta de educação ambiental.

Como é triste também saber que falta água para muitas pessoas no nosso país. Os moradores do sertão nordestino sofrem com as constantes secas e precisam andar dezenas de quilômetros para pegarem uma água barrenta, salobra e suja que servirá para o alimento, banho e até mesmo matar a sede.

É importante educar as crianças para economizarem água e não poluírem os nossos rios e lagoas. Toda pessoa devia economizar água. Aquela água que sai da máquina de lavar poderia ser guardada em grandes bacias ou botijões plásticos para uso na descarga do banheiro, para lavar a calçada ou até mesmo para lavar o carro.

Dói no meu coração quando vejo pessoas com a mangueira de borracha aberta e a água sendo desperdiçada na lavagem de um automóvel, calçada ou até mesmo aguando um jardim de flores. A água é o nosso maior bem. Não devemos desperdiçá-la à toa. Toda economia deve ser feita com ela. Sem água não é possível ter vida. Por isso se faz importante que aprendamos desde cedo a cuidar dos nossos rios e lagos evitando jogar lixo dentro deles.

Outro problema que precisamos resolver com certa urgência é o lixo das nossas casas. Temos a mania de jogar tudo no lixo residencial. Não nos damos conta de que os garis são pessoas humanas iguais a gente e que estão sujeitos as mais diversas doenças e infecções. Descartamos garrafas e pratos de vidro, baterias de celulares, pilhas de rádio, palitos de churrascos e tantas outras coisas que podem fazer mal aos garis e aos catadores de lixos além de prejudicar o meio ambiente.

As instituições públicas estão muito preocupadas com outras coisas e acabam esquecendo de nos educar para cuidarmos do meio ambiente. Seria preciso que as prefeituras colocassem coletores de produtos e peças eletrônicas em diversos bairros. Algumas prefeituras já até fazem isso, mas esquecem das periferias onde todos os dias também são descartados lixos tecnológicos.

É preciso olhar o planeta como um todo e não se preocupar tão-somente com os bairros de classe alta por onde passam os turistas. Nesses bairros as ruas são limpas, arborizadas e há coletores de lixo.

Na sala de aula, o professor ou professora deve enfatizar às crianças nesses cuidados mostrados acima. Trabalhar com os alunos a criação de poemas, desenhos e histórias que enfatizem o cuidado com o meio ambiente. Se possível criar um mascote que seja o cuidador do nosso planeta. Também reservar um cantinho para os diversos coletores de lixo e, principalmente, ensinar às crianças onde jogarem os seus lixos tecnológicos com um coletor especial num cantinho da escola para isso.

Também é possível pedir para as crianças em casa separarem aquele lixo que pode ser reciclado de forma que depois ele possa ser vendido e com o dinheiro ganho a escola comprar livros e material didático para incentivar as crianças cada vez mais a reciclarem os seus brinquedos. Sim, porque tem criança que desde cedo aprende que se o brinquedo quebrar não serve mais e joga logo no lixo. Não devemos nunca jogar aparelhos de televisão no carro do lixo! O que muitas pessoas costumam fazer!

Uma educação ambiental sempre se fez necessária em todas as escolas, desde os primórdios da civilização. Só agora estamos dando conta dessa necessidade. Se tivéssemos nos preocupado com isso há alguns séculos, talvez o nosso clima não estivesse tão quente e as nossas geleiras estivessem conservadas.

Somos os poluidores do meio ambiente. Somos os culpados desse mundo cheio de lixo no qual estamos vivendo. Não prestamos atenção nos pedidos de socorro que o meio ambiente vem fazendo há dezenas de anos. Com isso seguimos sofrendo o impacto de um planeta poluído que está morrendo aos poucos.

Há escolas que ensinam às crianças a plantarem árvores nas praças públicas e isso é um gesto grandioso. Mas, não é só ensinar a plantar a árvore e deixá-la aos cuidados do tempo. É ensinar a regá-la, a adubar a terra, a conversar com a árvore, a ninar a árvore e a dar-lhe todos os cuidados necessários para que cresça protegida.

Outra coisa que tenho observado nos meus passeios matinais pela minha cidade é a poda de árvores seculares em alguns lugares públicos. Quando o trabalhador é consciente, ele apenas faz uma poda simples de forma que não maltrata tanto a árvore, mas quando é um trabalhador não treinado para aquela função ele poda toda a árvore deixando apenas os seus galhos e muitos chegam ao cúmulo de cortarem até os galhos deixando apenas o tronco. Que crime fazemos com as nossas árvores todos os dias!

Outra coisa que tenho visto são árvores seculares sendo derrubadas para a construção de prédios públicos. Isso mesmo! Se o poder público não demonstra preocupação com o meio ambiente imagine o que dirá o setor privado. Eu choro com essa agressão ao meio ambiente porque há lugares onde antigamente havia uma árvore onde eu me sentava para ler um livro ou apenas desfrutar de uma sombra e hoje só nos resta o sol quente.

E por falar em sol quente me veio agora o descuido das nossas prefeituras nos pontos de ônibus de algumas cidades. Sim! As pessoas ficam expostas ao calor, ao sol e até mesmo a chuva em pontos de ônibus sem nenhuma proteção. Muitas vezes a espera do transporte público pode levar horas nos lugares onde esse serviço é precário. Ficar exposto ao sol sem usar protetor solar todos os dias pode causar doenças na pele. É preciso que se façam abrigos nos pontos de ônibus e que as pessoas se sintam confortáveis nesses locais.

A gente não sabe mais cuidar de nada. Parece que nem de nós mesmos sabemos cuidar porque seguimos acumulando problemas e mais problemas para explodirmos de uma vez só na pessoa mais frágil que aparecer na nossa frente. Assim fazemos com o meio ambiente, ou seja, parece-me que o agredimos não por pura falta de educação ambiental, mas por pura maldade.

Vejo jovens já grandinhos e com uniforme escolar, voltando da escola, dentro dos transportes públicos jogando a garrafinha plástica que acabou de beber a sua água pela janela. É triste tudo isso!

Uma coisa me empolga. Conversar com os catadores de lixo da minha cidade. Eles salvam todos os dias o meio ambiente. Retiram do lixo aquilo que pode ser reciclado. Reclamam de que as pessoas não se preocupam em separar o lixo descartável dos demais e que muitas vezes se cortam e se ferem com vidros encontrados nos lixões. Deveríamos ter mais cuidado com os catadores de lixo.

Na verdade, deveríamos ter mais cuidado com todas as coisas e pessoas ao nosso redor. Na maioria dos materiais recicláveis vem o símbolo de reciclagem, mas as pessoas não conhecem ou não leem. A conscientização e educação para a reciclagem também se faz necessária.

Vamos educar as nossas crianças para cuidarem do meio ambiente criando material paradidático exclusivo para que possam ler nas horinhas de descuido como dizia o poeta. Quanto mais as crianças receberem educação ambiental, mais cuidarão do nosso planeta.

A terra está sofrendo as agressões do mundo globalizado e tecnológico e para aliviarmos o seu sofrimento só educando com zelo as crianças para que se preocupem em criar formas de proteção e cuidados para com ela. Recicle o seu pensamento em relação ao meio ambiente e torne o mundo melhor.

 Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Caipira merece respeito!

Ser caipira (viver na roça), não é motivo de ser menos.

Ser caipira, não significa ser analfabeto; mesmo que seja, não significa falta de sabedoria. Mas sim, ter a sabedoria da vida no campo.

Ser caipira, não significa ter falta de dentes, ou dentes podres, estragados… Mesmo que sejam, não é por vontade do caipira (camponês), mas sim pela desigualdade social que se perpetua na frente de nossos olhos.

Ser caipira, não significa se vestir maltrapilho, se assim o for, é por que as condições lhe faltam para se adequar às estruturas da cidade moderna.

Eu sou natural do interior. Sou camponês de origem, com muito orgulho. Mas custou muito para obter orgulho do que sou. Sofri preconceito uma boa parte da vida até me firmar quanto pessoa e me valorizar pela trajetória que construí.

Roça é um lugar de fartura, mas também de muito trabalho. Iludem-se aqueles que pensam que uma “chácara” é um lugar maravilhoso sem dar muito trabalho. Para quem não pode oferecer seu trabalho, terá de ofertar dinheiro para que alguém cuide, zele e organize o ambiente, para poder desfrutá-lo lindo, aconchegante e organizado. (Nei Alberto Pies) Leia mais!

O debate atual diminuiu os preconceitos com quem é do interior, muitas pessoas que migraram do interior para a cidade se arrependeram, bem como há pessoas que moram na cidade e gostariam de migrar para o interior e assim por diante. Mas ainda existe muito preconceito.

Recentemente, em edição do Big Brother Brasil (BBB21), que teve várias personalidades interessantes para conviver e debater sobre temas legais, apareceu a figura dos Bastiões (Caio e Rodolfo). Tanto o Caio, quanto o Rodolfo se mostraram figuras com diversos problemas, como todos nós temos, e ao mesmo tempo foram agraciados com o apelido de Bastiões, sendo estes caracterizados pela figura do camponês bonachão, simples e grosseiro que não sabe lidar com as coisas mais sofisticadas, que tem dificuldade de falar o português corretamente… uma maneira mais moderna e elegante de representar o “Jeca Tatu” de Monteiro Lobato.

Monteiro Lobato expõe em Urupês o personagem jeca tatu como uma crítica social, que a elite tratou de transfigurar e piorar a imagem. Jeca tatu é o home do campo, miserável, visível aos olhos da sociedade apenas como motivo de chacota.

“Pobre Jeca tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade” Monteiro Lobato.

A figura do Jeca Tatu foi implementada pela elite, com inúmeras pretensões e deve ser rediscutida. Jeca Tatu, Bastião, ou qualquer outra figura que se apresente com a intenção de diminuir as pessoas devem ser desmistificadas. Afinal de contas, o que mais vale na vida são as ações com boas intenções, que se dão nas relações.

No mês de junho, escolas e alunos reúnem-se para fazer apresentações para a comunidade escolar. Realizam-se apresentações como teatros e danças “típicas”. A quem se referem as vestimentas? A vestimenta é tipicamente remendada, rasgada e “fora de moda”. Na cabeça usa-se um chapéu grande, e, na maioria das vezes, rasgado. Quem usa chapéu em nossa sociedade? A vida na roça merece respeito. (Laercio Fernandes dos Santos) Leia mais!

Autor: Rudimar Barea

Edição: Alex Rosset

Veta, governador! Oito razões para dizer NÃO à Educação Domiciliar

Exigimos o veto total ao projeto, que atende à agenda de uma minoria e coloca em risco os esforços de garantir educação pública, universal e de qualidade.

Aprovado por 28 votos a 21 em sessão da Assembleia Legislativa nesta terça-feira (8), o PL 170 autoriza a educação domiciliar no Rio Grande do Sul, de autoria do deputado Fábio Ostermann (NOVO).

Trata-se de um ataque frontal à escola como um ambiente de aprendizagem e de proteção de crianças e adolescentes, que subverte o dever do Estado em prover educação e poderá ter graves consequências para a sociedade.

Exigimos o veto total ao projeto, que atende à agenda de uma minoria e coloca em risco os esforços de garantir educação pública, universal e de qualidade.

Abaixo, listamos oito razões para dizer NÃO à Educação Domiciliar

1. COMPROMETE O DIREITO DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES À CONVIVÊNCIA SOCIAL E AO ACESSO A CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS E HUMANÍSTICOS E VISÕES DE MUNDO

Para além daquelas defendidas pelas doutrinas religiosas e políticas de suas famílias. Esse direito foi reafirmado pelo Parecer nº 34/2000 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação(CEB/CNE) e pelas decisões históricas do Supremo Tribunal Federal em julgamentos de 2020, referentes a ações que tratam de leis inspiradas pelo movimento Escola sem Partido. As crianças e adolescentes não são propriedades de suas famílias

2. OCULTA E AUMENTA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E A EXPLORAÇÃO SEXUAL

A não obrigatoriedade de frequência à escola inviabiliza a identificação e encaminhamento de casos e amplia as possibilidades de ocorrência de violência doméstica e sexual. Cerca de 70% dos autores de agressões contra crianças e adolescentes são integrantes da família. Em 2020, durante o isolamento social e o fechamento de escolas, acarretados pela pandemia, o Brasil atingiu o maior número de denúncias de violência contra crianças e o adolescentes desde 2013 por meio do Disque 100. Foram 95.247 denúncias, uma média de 260 novos casos a cada dia. A educação domiciliar não protege as crianças e adolescentes da violência.

3. AUMENTA A INSEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

A pandemia evidenciou o papel da escola como a política pública mais capilar e cotidiana, estratégica para o acesso a outros direitos e o enfrentamento das desigualdades. O Programa Nacional de Alimentação Escolar é uma das mais relevantes políticas voltadas à garantia do Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas via escola. Para muitos estudantes, é na escola que se faz a única ou a principal refeição do dia.

4. ROMPE COM A POLÍTICA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva foi uma conquista pela igualdade ao acabar com a segregação de estudantes em escolas e classes especiais prevendo como um direito das crianças e adolescentes com deficiência a frequência às escolas regulares. A aprovação da modalidade da educação domiciliar pode favorecer que crianças com deficiência sejam retiradas da escola e, com isso, do convívio social, ou, ainda, legitimar que instituições recusem a matrícula desses estudantes.

5. APROFUNDA AS DESIGUALDADES EDUCACIONAIS

A educação domiciliar não é uma alternativa viável para a maioria da população brasileira, já que requer condições de funcionamento indisponíveis em boa parte dos lares. Trata-se, assim, de um projeto elitista, sem interesse coletivo e com baixa demanda social. A escola é o local de oportunidades igualitárias para novas aprendizagens, de interação e respeito às diversidades.

6. ESTIMULA A EVASÃO ESCOLAR

Como forma de combater a evasão, a estrutura escolar prevê o acompanhamento e a busca ativa de estudantes com queda de frequência. Já a educação domiciliar aumentará o distanciamento entre estudantes e Estado, dificultando a identificação de evasão e a implementação de estratégias de busca ativa. Segundo pesquisa do Conselho Nacional de Juventude (2020), 28% dos jovens que evadiram em decorrência da pandemia não pretendem retomar os estudos quando houver retorno presencial. Neste contexto de aumento de evasão, a prioridade de alocação de recursos e pessoal deve ser o fortalecimento das escolas públicas e das políticas de busca ativa, não um distanciamento ainda maior Estado-estudante.

7. FRAGILIZA A DEMOCRACIA E A CIDADANIA

A pandemia evidenciou a importância da escola e dos espaços de socialização de crianças e adolescentes. A escola é um espaço fundamental para a construção de uma sociedade democrática ao possibilitar o convívio social. É nela que estudantes aprendem a reconhecer e respeitar as diferenças e a conhecerem outras visões de mundo. Privar crianças e adolescentes do direito à escola é restringir o exercício da cidadania.

8. ONERA OS COFRES PÚBLICOS PARA UMA BAIXA CAPACIDADE DE ATENDIMENTO DE DEMANDA

A educação domiciliar não pode ser encarada como economia aos cofres públicos. Sua regulamentação demanda uma estrutura de avaliação e de fiscalização de ambientes domésticos, com difícil capilaridade e alto custo para o Estado. Regulamentar a educação domiciliar demandará provisionar recursos para o custeio da sua operacionalização: acompanhamento de matrículas, aplicação de avaliações externas, contratação de supervisores, além de novas demandas não dimensionadas para conselhos tutelares e escolas. Trata-se de situações não mensuradas nos projetos em debate no Congresso e sequer passíveis de solução dentro da constitucionalidade.

Conheça o MANIFESTO PÚBLICO, assinado por mais de 350 organizações, entidades e redes

Autor: CPERS Sindicato

Edição: Alex Rosset

Como educar financeiramente as suas crianças

As crianças necessitam aprender o que é fundamental para viverem bem. Faz-se necessário educar financeiramente as crianças para que aprendam que nem sempre podemos ter tudo o que desejamos.

Vivemos tempos difíceis financeiramente. A pandemia agravou a vida das famílias e alguns pais perderam os seus empregos ou tiveram os seus salários cortados pela metade. Desde sempre, sabemos que é preciso aprender a economizar se quisermos prosperar no futuro; o problema é que o dinheiro é tão pouco que mal sobra para fazermos uma poupança ou investirmos em algo. Também estamos mal acostumados com os apelos das mídias e saímos gastando todo o nosso dinheiro com coisas supérfluas.

Ainda não nos acostumamos a gastar apenas o necessário. É grande o número de pessoas endividadas, principalmente aquelas que usam cartões de créditos. O Serviço de Proteção ao Crédito – SPC registra grande número de inadimplentes a cada ano. Claro é que o salário mínimo no nosso país mal dar para pagar as despesas básicas de uma casa, imagine pensar em luxo ou coisa parecida.

Às vezes planejamos uma viagem, passar as férias num bom hotel, levar as crianças a um shopping no final de semana, mas não temos condições financeiras para realizarmos tais passeios. Ficamos angustiados e acabamos sofrendo com a falta de dinheiro para uma simples diversão com a família.

O avanço da internet e as propagandas encontradas nas mais diversas redes sociais são apelativas e nos induzem a comprar, comprar e comprar. Somos influenciados a todo instante a comprarmos, mesmo coisas que não nos serão necessárias para nada. Algumas pessoas vítimas de compulsão por compras, doença chamada pelos psiquiatras de oneomania são os que mais sofrem.

É preciso cuidado! É preciso saber o que você realmente necessita comprar! Há pessoas que para esquecerem as suas tristezas saem gastando tudo o que têm em compras e assim sentem-se recompensadas quando trazem nas mãos enormes sacolas cheias de coisas que não servirão para nada.

Vivemos num século em que somos incentivados a comprar. E, para que possamos viver bem e não nos endividarmos, é que precisamos educar financeiramente as nossas crianças no objetivo de crescerem conscientes a esses apelos das mídias as quais estão permanentemente conectadas e resistirem as mais diversas propagandas de estímulo às compras.

Devemos educar financeiramente as nossas crianças para que elas aprendam desde cedo a economizar, a gastar somente o necessário, a poupar seja quanto for e, principalmente, a saber administrar a sua mesada.

Antes de educarmos as nossas crianças, precisamos nos educar. Filhos de pais endividados não saberão como lidar com as suas mesadas. Assim como os pais, sairão por aí gastando a torta e a direita tudo o que acharem que precisam, quando na verdade são coisas pelas quais podem passar sem elas.

As crianças necessitam aprender o que é fundamental nas suas vidas para continuarem a viver bem. Não é porque o amiguinho da escola tem um tênis ou uma roupa de grife que ela também terá que ter. Se os pais não podem comprar é preciso que sejam sinceros e tenham uma conversa com a criança sobre as suas dificuldades financeiras.

Muitos pais sequer podem dar mesada no final do mês para os seus filhos. Às vezes as crianças recebem alguns trocados para comprar o lanche da escola. É esse dinheiro que deve ser economizado cuidadosamente.

A criança não precisa comprar um lanche maior do que a sua vontade de comer. Ela pode se satisfazer com um simples sanduíche e guardar o troco para fazer outra coisa. É desde a infância que se aprende a economizar.

Também devemos ensinar às crianças que a mesada não precisa ser gasta com bobagens, mas que elas podem fazer uma poupança ou mesmo ter um velho mealheiro de porquinho para guardarem as suas moedas.

Antigamente, toda criança tinha um porquinho onde poupava moedas para a realização de um sonho.

Chegou o momento de voltarmos a presentear as crianças com mealheiros. Eles são o início da educação financeira. Desde a tenra idade a criança é incentivada a guardar as suas moedinhas se quiser comprar esse ou aquele brinquedo. Isso é muito bom para a educação financeira de qualquer criança. É um incentivo que não vemos mais nos tempos atuais. Claro que as coisas mudam, mas algumas devem ser resgatadas para a boa educação dos pequeninos.

Existem aquelas crianças que recebem uma boa mesada por mês e essas são as que mais precisam de educação financeira. Nada de viver trocando de aparelho celular de seis em seis meses ou comprando o melhor tênis do momento. Chegou a hora de investir o dinheiro em outros negócios. Precisamos ensinar às crianças a como se tornarem pequenos investidores na bolsa de valores, a comprarem ações de grandes empresas e a fazerem negócios que ajudem a multiplicar as suas mesadas, tudo com o olhar cuidadoso dos pais ou responsáveis.

Chegamos aqui naquelas crianças que, infelizmente, passam dias e noites nos semáforos das grandes avenidas das nossas cidades limpando para-brisas de automóveis. Essas aprendem desde cedo a economizarem as suas moedas para levarem comidas às suas famílias e comprarem o que desejam. São crianças que enfrentam a fome, a sede, o frio e estão sempre a batalhar por uma vida melhor. O bom era que não fosse preciso elas trabalharem nunca, mas vivemos num país de desigualdades sociais graves.

As crianças que trabalham para sobreviverem também não estão salvas dos apelos das mídias. Essas sonham com bonés, tênis e aparelhos celulares de grifes. Talvez sejam as crianças mais vulneráveis na nossa sociedade, pois quando não ganham as moedinhas necessárias para a realização dos seus sonhos são influenciadas a práticas de pequenos roubos para adquirirem o que seus pais e seus trabalhos não podem lhes dar.

Faz-se necessário educar financeiramente as crianças para aprenderem que não temos tudo o que desejamos, que muitas vezes nem precisamos daquilo que a propaganda da rede social costuma mostrar.

Os pais devem ser os maiores incentivadores na educação financeira calculando junto com os filhos as despesas de água, luz, telefone e internet e até mesmo quanto gasta com a gasolina do carro mensalmente. Levando-os para fazerem supermercado juntos e pesquisarem os preços das frutas, do feijão, do arroz, do biscoito que a criança tanto gosta. Comparando os preços de um supermercado com outro. Mostrando para o filho a dificuldade de trabalhar trinta dias para ganhar X ou Y salário que muitas vezes só dar para pagar as despesas da casa e por isso eles custam tanto a fazerem uma viagem bacana.

Se a criança desde cedo aprender a ter responsabilidade financeira como as crianças que necessitam trabalhar para sobreviver, não gastarão as suas mesadas à toa. Sempre terão um dinheiro para mandar consertar o brinquedo quebrado, o aparelho celular que parou de funcionar ou o notebook que apresentou um defeito de uma hora para a outra.

As crianças imitam os adultos. Assim é que se os pais levam seus filhos às feiras e pechincham na hora das compras elas aprenderão desde cedo a fazerem negócios. Serão cuidadosas em gastar cada centavo que tiverem.

Na escola, a professora ou professor, pode fazer uma lista de coisas que as crianças gostam de comer e junto com elas pesquisar os preços dessas coisas em três ou quatro supermercados comparando as diferenças um para o outro. Também pode ser discutido os diversos aumentos de gás de cozinha que estamos tendo nos últimos meses. Outra coisa importante é pedir para que cada criança economize com o gasto de água e energia em casa e no final de cada mês veja o quanto economizou de um mês para o outro.

Que a criança também seja incentivada a registrar quanto gasta no seu lanche diário e no final do mês calcular quanto gastou ao todo e no que poderá economizar no mês seguinte. Também não é preciso comprar os melhores cadernos com capas duras e de super-heróis para estudar, as canetas cheias de brilho e encantamento, a melhor calculadora. Tudo deve ter um limite na hora da compra e isso deve ser mostrado à criança.

Nas aulas passeios, as crianças devem ser estimuladas a gastarem apenas o necessário. Se forem levadas a visitarem uma livraria, que comprem somente os livros que serão necessários para os seus estudos e deleites.

Os professores também podem trazer outros exemplos para a sala de aula como o de mostrar aos seus alunos o valor de um salário mínimo e com eles calcular o que se dar para gastar com esse dinheiro juntando aluguel de casa, água, luz e comida. Pedir às crianças sugestões de como economizar na água e na luz e incentivá-los sempre a não fazerem compras desnecessárias.

A educação financeira começa em casa, mas a escola também é responsável por ela. Os professores devem ter o cuidado de não deixarem as crianças gastarem as suas mesadas com coisas supérfluas que não vão lhes trazer nenhum benefício ou muito menos comprar por comprar. Estamos vivendo uma época em que economizar é a palavra do momento.

Os pais devem ter cuidado quando usarem os seus cartões de créditos na internet, pois muitas vezes as crianças se conectam em sites de compras e com o cartão aberto podem sair comprando tudo o que verem sem se darem conta que estão gastando o limite do cartão do papai ou da mamãe, trazendo com isso sérios problemas no final do mês nas faturas para os pais. Todo cuidado é pouco quando se usa a internet. Os pais também devem manter os cartões bem guardados e distantes das crianças menores. Elas nunca vão ter entendimento que não podem sair comprando tudo o que desejarem.

A professora ou professor deve trazer exemplos práticos para a sala de aula, principalmente os de famílias de classes diferentes para que as crianças aprendam desde cedo que vivemos num país de desigualdades financeiras enormes. Uns têm muito e outros não têm quase nada.

Educar financeiramente uma criança é extremamente necessário para os dias atuais. Resgate o velho porquinho e comece a incentivar o seu filho a poupar moedinhas para comprar o que ele deseja.

Não caia na tentação de presentear a sua criança com uma grande festa de aniversário e ficar endividado. É melhor um bolinho simples com os parentes e amigos e depois explicar para a criança o motivo da grande festa ter sido adiada. São coisinhas sinceras que dizemos a esses pequeninos que vão dando confianças para eles. Afinal, mentir às crianças não é uma coisa boa e de um jeito ou de outro elas vão acabar descobrindo.

Não tenha vergonha de dizer para a sua criança que não tem dinheiro para comprar aquele smartphone que ela tanto deseja ou que não pode matriculá-la no cursinho de inglês ou na aulinha de natação porque está em contenção de despesas. Ao invés de ficar envergonhado, conte para a sua criança sobre o quanto você trabalha para ganhar um salário no final do mês que só dar para pagar as contas da casa e comprar um ou outro remédio necessário.

A educação financeira deveria ser estudada ao longo de toda a nossa vida estudantil, assim seríamos pessoas mais cuidadosas com o nosso dinheiro.

Também peço aos pais que não tenham vergonha de contar aos seus filhos que será preciso trocar de escola no ano seguinte porque a mensalidade da atual está muito cara e a família está em contenção de despesas, ou seja, cortando tudo o que pode para não ficarem mais endividadas. Tudo deve ser explicado à criança para que ela compreenda e respeite as decisões dos seus pais.

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Com gratidão, adoecemos menos

Pessoas que têm por hábito a prática de atitudes de gratidão vivem de forma mais leve, adoecem menos e são aquelas que sempre queremos ter ao nosso lado.

É incrível, mas quantas vezes você ouviu na mídia ou de alguns profissionais a queixa de que, em sendo o Dia do Professor, Dia do Médico, Dia do Meio Ambiente, da água, da árvore… nada temos a comemorar? Sei, podemos defender que isto é uma posição crítica e que por assim ser, num não conformismo, é que as coisas podem mudar para melhor: justamente através das críticas.

Todavia, temos mais por hábito o de reclamar do que o de agradecer, e para isso a história do meio copo d’água é uma grande lição. Reclamamos que a mensalidade da faculdade está cara sendo que nem agradecemos por estarmos entre os –apenas- 8,7% da população que concluem os estudos em nível superior (IBGE-2019), assim como reclamamos dos preços abusivos de muitos medicamentos sem nos darmos conta de que ainda temos acesso a uma farmácia e ao poder de compra dos mesmos.

“Veja bem…”, diria um amigo meu, não estamos tirando a razão e a importância do inconformismo, da necessidade de nos mobilizarmos para uma sociedade mais justa; quero apenas escrever sobre a possibilidade de sermos mais gratos.

Há um livro de leitura muito agradável – com base na teoria da psicologia Junguiana – intitulado Psicologia da Gratidão, onde, por exemplo, cita que nos tornamos mais gratos quando saímos da individualidade e rumamos para a vida na coletividade. É de lá que extraio: “O ingrato, diante do seu atraso emocional, reclama de tudo, desde os fatores climatéricos aos humanos de relacionamentos, desde os orgânicos aos emocionais…”

É o atraso emocional caracterizando o ingrato; querem um exemplo? Que uma criança chore, faça birras por não obter algo é compreensível, já, um adulto que assim aja ante uma frustração, estaria, sem dúvidas, demonstrando um comportamento imaturo e atrasado emocionalmente para o acontecido.

Então que observemos como estão nossas atitudes para as coisas que acontecem em nossas vidas: somos menos reclamões e mais agradecidos? Voltados para o individualismo ou para o grupo social com o qual convivemos? Conseguimos identificar maturidade em nossas atitudes de maneira que podemos afirmar que estamos emocionalmente equilibrados?

Vamos procurar tornar cada dia um motivo a mais de inspiração para bem vivermos, comemorando os méritos, as conquistas e principalmente, agradecendo o esforço de cada um daqueles que mesmo anonimamente contribuem para nossas vidas.

Podemos agradecer e comemorar todos os dias, sem, no entanto, deixarmos de lutar por um futuro melhor. Pessoas que têm por hábito a prática de atitudes de gratidão vivem de forma mais leve, adoecem menos e são aquelas que sempre queremos ter ao nosso lado. Sendo mais gratos seremos mais queridos e estaremos em paz conosco.

Em outra publicação do site, também escrevemos que “saber escutar a si e aos outros requer estar harmonizado com a vida, pressupõe um bom estado de saúde, uma vez que a incapacidade de escutar pode estar ligada a transtornos de ansiedade, de falta de atenção/concentração ou a situações estressoras, por exemplo”. Leia mais!

Autor: César A R de Oliveira

Edição: Alex Rosset

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