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Avaliar pode ser “tri”, desde que…

Avaliar não significa um processo metonímico, onde se avalia uma parte do todo. A avaliação é o todo. Deve ser o todo. Para avaliar o processo escolar, não é com uma prova advinda de um mundo imaginário, aplicada à “meia dúzia” de alunos que compareceram na escola que vamos chegar num todo.

Avaliar deve ser “tri” porque é através dela que medimos o processo amplo escolar. Se a avaliação conseguir traduzir a realidade de cada segmento que compõe o todo, ela cumpre seu papel, caso contrário, será mais uma atividade, mais pelo prazer de se realizar do que o prazer do efeito causado.

Assisti, dia desses, a Professora Dra. Josiane Toledo, contratada para dar a devolutiva da prova de Língua Portuguesa da “Avaliação Diagnóstica”, elaborada pelo Estado do RS para diagnosticar o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes das escolas estaduais.

Toledo dizia tudo aquilo que sabemos sobre, como e para que a avaliação serve, pois nosso conhecimento permite afirmar isso. Dizia que devemos entender qual o lugar está a avaliação? Para onde vamos com a avaliação?  Em se tratando em Língua Portuguesa precisamos ajudar para que nosso estudante leia e tenha capacidade de compreensão e que não só codifique. Que o estudante tenha uma apropriação através da linguagem. E que ler significa ter a capacidade de recuperar o sentido da palavra. Que não podemos ler da mesma forma uma poesia e um texto científico ou acadêmico. Que devemos ensinar nossos alunos a construir sentido naquilo que se lê. Tudo isso sabemos muito bem.

Em outra oportunidade, escrevemos que avaliação tem por meta o ajuste e a orientação para a intervenção pedagógica visando a aprendizagem da forma mais adequada para o aluno. É um elemento de reflexão contínua para o professor sobre sua prática educativa e instrumento para que o educando possa tomar consciência de seus progressos, dificuldades e possibilidades. Por isso, a avaliação deve ser realizada envolvendo o conteúdo trabalhado através de trabalhos, provas e acompanhamento sistemático do desempenho demonstrado no estudo.

A avaliação deve oferecer um feedback ao professor sobre como melhorar seu ensino e como o aluno melhorar a performance dele, já que esse tópico merece uma atenção singular na abordagem didático-metodológica, pois, “a avaliação tem sido um tema muito polêmico nestes últimos anos”. (WEIDUSCHAT, 2007, p.73). Por esse viés, ao não tratar essa questão com atenção no ensino, poderá se perder todo o processo.  Avaliar denota um olhar para de todos os segmentos que compõe a escola e não fixar somente num segmento.

Assim pensamos quando elaboramos nossas Avaliações Diagnósticas, solicitadas pela Coordenadoria Regional de Educação e fomos desrespeitados dizendo que as nossas avalições não teriam mais validade. A Secretaria de Estado da Educação contratou uma empresa de Minas Gerais para elaborar as tais Avaliações. Quando nós elaboramos, debruçados em dados concretos e particulares de cada escola, da qual somos exímios conhecedores, não serviu, agora para o Estado pagar uma empresa para realizar a Avaliação, sem conhecer a realidade, aí tem valor.

Essa atitude adotada condiz com tudo o que já estudamos sobre avaliação? Que papel tem essa avaliação tida como “Tri”? Por que desrespeitar dessa maneira os atores sociais locais? Algo que vem pronto de outro Estado, com interesses políticos e financeiros, tem poder de medir a realidade do nosso aluno do Instituto Estadual Cecy Leite Costa, por exemplo?

Procuraram saber que existe a Marie vinda do Haiti, a Gerliennys, o Jannier, a Sariath, o Brighan e outros tantos vindos da Venezuela? Saber da Morion e seus irmãos que vêm de Bangladesch? Saber que tem famílias pedindo ajuda para a escola com dificuldade de se alimentar? Saber que muitos alunos não têm celular, internet ou até mesmo possibilidade psicológica para enfrentar os problemas sociais que os afligem e refletem no ser estudante? Saber que muitos alunos sumiram, simplesmente, e a coordenação está fazendo um esforço descomunal para recuperá-los?

Nós soubemos, tudo isso compõe uma avaliação justa que realmente diagnostica a realidade enfrentada. O que o governo está fazendo para minimizar a questão social que afeta diretamente no aprendizado? Qual é o papel da avaliação apresentada pelo governo, sabendo que a cada final de ano há uma pressão para que se amenize a infrequência e altere a nota para que todos os alunos sejam aprovados? Isso é avaliar? Que autonomia se dá para escola e ao professor?

Mudamos o foco para o aluno. Enxergamos o aluno como um ser aprendente.  Evoluímos. Mas agora estamos com o foco no sistema. Sistema para demonstrar que o governo não desampara. Que a estatística mostra que os alunos foram aprovados. Todos. Dados artificiais. (07/05/2021)

Avaliar não significa um processo metonímico, onde se avalia uma parte do todo. A avaliação é o todo. Deve ser o todo. Para avaliar o processo escolar, não é com uma prova advinda de um mundo imaginário, aplicada à “meia dúzia” de alunos que compareceram na escola que vamos chegar num todo.

Apenas nos interessa a metonímia? Avaliar significa levar em consideração de que o profissional da educação está desmotivado com seu salário congelado desde 2014, desde que o botijão de gás custava, R$ 37,00, que a gasolina R$ 2,60, que o 5 kg de arroz R$ 8,00. Avaliar significa olhar para a infraestrutura das escolas, em que a internet não dá conta e obriga o próprio professor a rotear seu celular para trazer o mundo à sala de aula.

Avaliar significa considerar que as escolas estão trabalhando com pessoas reduzidas para desenvolver o calhamaço de demandas exigidas para alimentar estatísticas falsas para o governo. Esquecer essas coisas do processo é avaliar pelo viés metonímico. A escola, a educação não são metonímicas. É o todo e não parte do todo. Onde está o professor neste processo? Ele foi ouvido?

Essa avaliação não é maciça, como se referiu a Secretária de Educação. Avaliar é um processo que envolve o todo. Não é algo onde tudo que é decidido vem a cabresto. Onde tudo é decidido sem respeito ao profissional e a escola que são os que mais conhecem a realidade social e da aprendizagem. Querem saber, de fato, o quê? Chame o professor, a coordenação, a escola como um todo e terão respostas mais verdadeiras.

Conheça mais sobre os resultados da avaliação diagnóstica “Avaliar é Tri RS”, concluída no dia 16/06/2021, aplicada nas escolas estaduais do Estado. https://www.estado.rs.gov.br/avaliacao-diagnostica-avaliar-e-tri-rs-e-concluida-com-cerca-de-500-mil-participantes

Autor: Laércio Fernandes dos Santos

Edição: Alex Rosset

Os pinhões e a psicoterapia

Com a imagem de um pinhão brotando que me permiti viajar em pensamentos e comparar aquela semente a algumas pessoas que conheci por conta de meu trabalho em psicoterapia.

Estamos no sul do Brasil. É inverno e este ano a safra de pinhão foi das melhores, como há muito não acontecia. Dia destes, juntando pinhões sob uma araucária, encontrei um cujo “pavio” apontava meio centímetro para fora: estava germinando! Olhando para cima não pude fugir à constatação mais do que óbvia, – ululante diria meu primo – de que tal semente, do tamanho de meu dedo mínimo e que acomodava-se na palma de minha mão, poderia ser um dia uma frondosa árvore como aquela sob a qual eu me encontrava, onde, sozinho, eu não conseguiria envolver o seu formidável tronco num abraço.

Com esta imagem do pinhão brotando que me permiti viajar em pensamentos e a comparar aquela semente a algumas pessoas que conheci por conta de meu trabalho em psicoterapia.

Todas as que seguiram este curso natural do crescimento – e tal e qual à parábola do semeador encontraram terreno fértil e condições propícias para seus desenvolvimentos – puderam em suas transformações encontrar uma nova forma de viver, talvez mais leve, com menos exigências, tornando-se mais tolerantes, amorosas, enfim, melhores.

Todavia, tal como os pinhões, outra parcela que conheci encerrou ali o seu ciclo: ou por não ter uma oportunidade para germinar ou por acomodar-se a uma vida medíocre, pensando estar, assim, cumprindo seu papel na família, no trabalho ou na sociedade.

Não somos pinhões caídos ao solo e lançados à sorte, somos seres humanos dotados de vontade, de amor, de inteligência e de livre arbítrio que nos possibilitam discernir nossas escolhas.

Por definição da Organização Mundial de Saúde, somos seres biológicos, psicológicos e sociais (muito embora eu faça parte daquela turma que acrescenta a espiritualidade à essência de cada um) e por isso herdeiros de uma carga genética e ao mesmo tempo estruturados psicologicamente em meio à sociedade. São estas condições que nos tornam diferentes e nos deixam mais – ou menos – preparados para a vida.

Tudo isso para dizer que sempre quando início um novo atendimento em psicoterapia, levo em consideração que aquela pessoa que no momento inspira cuidados, é como uma semente que está com todo o potencial para sua germinação e que posso auxiliar para que a mesma encontre em sua família, em seu trabalho, em seu relacionamento as condições propícias para seu desenvolvimento natural, o do crescimento.

Todavia, reconheço que é dentro dela que está o primeiro movimento (a germinação) para sua transformação, e este, cabe unicamente a si mesmo executar. Portanto, toda e qualquer mudança desejada em uma psicoterapia passa necessariamente pela vontade em abandonar velhas formas e ir ao encontro de um novo momento, em busca do curso natural de todo o ser vivo, o da transformação e do crescimento. Mas isso dá trabalho.

Portanto, trabalhe-se, renove-se, cresça!  

Leia mais em

Autor: César A R de Oliveira

Edição: Alex Rosset

Escola, planos e planejamentos para quem?

O planejamento da aula faz parte do exercício docente. Planejar é necessário. E não vejo problemas nisso! Um bom planejamento faz toda diferença na vida do aprendiz. Planos matam ou salvam!

Hoje fiz planos sobre o que escrever. Resolvi escrever sobre planos. Planos que matam e planos que salvam. Planejamentos de aulas! Porque certamente há milhares de professores elaborando suas aulas neste momento. Ou os fizeram no período da tarde, ou de manhã, ou na madrugada. Sei que o fizeram, porque o planejamento da aula faz parte do exercício docente. Planejar é necessário. E não vejo problemas nisso! Um bom planejamento faz toda diferença na vida do aprendiz. Planos matam ou salvam!

O que chama atenção é o fato de que milhares de professores estão a planejar seguindo determinações de secretarias e coordenações, sem poder ao menos escutar e dialogar com seus estudantes. Isso mata! Parece que é conduta, prática frequente, normalizada. É o planejamento antecipado! Ou, planejamento adultocêntrico, meu termo preferido. Isso mata!

Estou me referindo ao planejamento para fins de documentação, que serve para provar que alguém dedicou tempo para compô-lo; aquele que serve para encher folhas e planilhas que comprovam algo. Nasce em detrimento de um programa. Nasce sob a ótica do professor, sem o olhar do aluno. Nasce do pensamento (exausto) do professor, sem o pensar do aluno. Nasce sem a escuta e a voz daqueles aos quais o planejamento se destina: os estudantes! O planejamento que nasce assim, mata!

O que inquieta e incomoda muito os professores está relacionado com a contradição entre o que se estuda e o que se faz, ou seja, entre teoria e prática. De que adiantam tantas formações, momentos em que se discute sobre a necessidade de se perceber e entender o ser humano que está a aprender. Estudos que dão ênfase para protagonismo do estudante, compreendido como ser único, potente, capaz; e ainda, que precisa de uma formação criativa e crítica, que possibilite o exercício democrático.

Lindo! Lindo e falso! Mas, por que é falso? Porque o planejamento adultocêntrico não oportuniza a participação do estudante, assim não existe protagonismo, nem criatividade, nem criticidade, tampouco se aprende democracia, embora se fale muito nela.

Não se trata de afirmar que são os estudantes que decidem o planejamento, mas sim de momentos de interação entre eles e o professor. Por meio do diálogo, com escuta atenta e sensível, seria possível perceber interesses, pensamentos, sentimentos, experiências, opiniões, reivindicações, preferências, além das diferentes realidades de vida. Com isso seria possível traçar o planejamento, um percurso formativo verdadeiro.

Milhares de professores fazem planos de aula para cumprir protocolos. Aulas para o mês inteiro, traçadas para o perfil passivo de estudante, embora o discurso seja o de estudante ativo. Com o planejamento feito antecipadamente, o professor pode até morrer. Mas seus planos ficam. Isso que é eternizar!

Milhares de professores estão fazendo planos, preenchendo tabelas, planilhas! Quando estão com os estudantes, o semblante é de preocupação com a papelada. Todos sabem que faz parte do seu trabalho. O problema é que a ordem está invertida, o certo é primeiro o ser humano, depois a burocracia.

Se assim continuar, é pertinente informar que, por esta perspectiva não se vê preocupação com o estudante e a sua formação. A preocupação tem a ver basicamente com exigências legais, bem contraditórias, inclusive. Tem a ver com o mundo adulto e tudo que é mais fácil e confortável para ele.

Quem inventa isso? O adulto. Para contemplar o que ele precisa, não o estudante. Alguma coisa o aluno tira de proveito nisso, alguma coisinha. Mas talvez seja por isso que em determinado momento da vida estudantil, seja bem ruim cumprir certos afazeres escolares. Talvez o estudante perceba que é invisível, inaudível, incomunicável. Talvez a escola se torne o lugar onde ele não queira estar.

Agora vejam!

Como é possível elaborar planejamentos que contemplem espaço, tempo e interações, a partir do que expressa a criança, com planejamento adultocêntrico?; Como é possível oportunizar a participação das famílias e pensar na documentação pedagógica, partir do que expressa a criança, com planejamento adultocêntrico?

Como é possível considerar o papel da natureza, partir do que expressa a criança, com planejamento adultocêntrico? Como é possível contemplar a cultura, partir do que expressa a criança, com planejamento adultocêntrico? Como é possível o aprendizado em companhia, que tanto é mencionado, com planejamento adultocêntrico?

Como é possível o protagonismo do estudante, a formação criativa e crítica e o exercício democrático com planejamento adultocêntrico, elaborado com antecedência para cumprir protocolos, oriundos de determinações que desconsideram o professor?  Não é possível. Ponto.

Tenho dó, pena de mim (sou professora) por ter de seguir certas normas, porque elas são tolas, e ter consciência da tolice causa sofrimento, adoece! Lamento que os meus colegas também tenham de se sujeitar a cumprir atribuições que se contradizem. Entendo o adoecimento de muitos. Lamento porque somos passivos! É triste! E não é surpresa que tornemos nossas crianças assim. Embora a papelada diga o contrário.

É importante que saibamos que é impossível a participação ativa do estudante, se os planos forem elaborados somente pelo professor/adulto e do jeito como está sendo feito. A participação do aprendente inexiste. Ele está ficando de fora do processo. Ele só vai desenvolver o que o professor solicitar, portanto, de modo passivo. E isso é muito ruim, especialmente se pretendemos salvar a sociedade.

Muitos vão dizer: mas eu deixei que conversassem! Mas eu deixei que participassem. (Fake! Aceita! É fake!)

Milhares de professores estão fazendo planos, preenchendo tabelas e planilhas, agindo passivamente, seguindo as normas. É muito ruim. É quase insuportável.  Então, pensem para o estudante o que é: Muito ruim. Quase insuportável! Mas ele não é o propósito, só não querem deixar evidente!

Agora, veja um exemplo que salva! É de Educação Infantil, que pode tornar-se prática em outros níveis também. A imagem mostra uma parte de uma reunião de planejamento: Dando voz à Criança.

Segue o breve relato:

Nas últimas semanas, os grupos de crianças participaram de fóruns para expressar as suas opiniões sobre a sua vida infantil; o que poderia ser melhorado na escola; e que novas ideias poderiam implementar para melhorar as suas experiências escolares. E claro, qualquer reunião criativa precisa de…lanche! Aqui estão apenas alguns dos pontos levantados por algumas crianças.

′′Eu AMO a escola e quero cozinhar mais! (E)

′′Gostaria que tivéssemos um barco no parque!” (A)

′′Quero que o papai leia uma história para todos os meus amigos”. (B)

′′Precisamos brincar mais de moto.” (A)

Após os fóruns, o planejamento foi construído. Não sei quantos pedidos foram atendidos (sei sim, mas não vou contar). O que sei é que muito do que propõe a nossa base legal pode ser contemplada a partir do que elas disseram. O que muda? Tudo!

O adulto sai do centro, embora sua função seja essencial. Toda papelada que tanto pedem também será contemplada, no momento certo. Aqui temos um exemplo de exercício democrático. Isso salva!

Mas afinal, você tem planos para o quê?

Se esta crônica incomodou, tirou você da passividade intelectual por um momento, certamente podes rever seus planos e mudar de alguma maneira o percurso!

O que menos importa é o aluno agora. A aprendizagem não é o foco. O planejamento de uma boa aula que foque em estratégias para o desenvolvimento reflexivo através da linguagem, é o que menos importa. (Laércio Fernandes dos Santos) Leia mais!

Autora: Ana Lúcia Vieira

Professora da rede municipal de Passo Fundo

Edição: Alex Rosset

O mal-estar na civilização

O ser humano moderno (civilizado) trocou uma porção de possibilidades de felicidade por uma porção de segurança. Esse é o preço que gera o mal-estar vivido por muitos de nós.

O mal-estar na civilização é um dos escritos mais importantes do pai da psicanálise Sigmund Freud (1856-1939).

Freud não é apenas o pai da psicanálise, mas o fundador de uma forma muito inovadora de pensamento, de um modo muito peculiar de produzir ciência e conhecimento. Suas investigações sobre a psique revolucionaram o que se sabia sobre a alma humana, instaurando uma ruptura profunda com toda tradição de pensamento ocidental. Seus estudos sobre a vida inconsciente, realizado ao longo de toda uma vida, produziu uma vasta obra que hoje se torna obrigatória para compreender os desafios da ciência, da filosofia e da própria educação.

Ler e estudar Freud possibilita “outra dimensão do olhar” não só para entender a psique humana e seus mistérios, mas também para compreender os problemas educacionais do presente e do futuro. É como se adquiríssemos outras lentes para ver o mundo, a relação entre as pessoas e principalmente o modo como os seres humanos se comportam e se relacionam entre si.

Como bom investigador da alma humana, perguntando-se sobre os critérios – ao seu ver equivocados – usados pelos seres humanos para eleger os valores centrais da vida e assim traçar o rumo da felicidade, Freud realiza uma instigante e provocativa reflexão sobre a origem da necessidade do sentimento religioso no ser humano, sobre as (im)possibilidades da felicidade e da tensão entre o princípio de prazer e o princípio de realidade na condução da vida humana.

Ao investigar por que ser humano é tão pouco dotado para ser e permanecer feliz, Freud revela que um dos principais e invencíveis obstáculos à felicidade é a constituição psíquica e a dificuldade de lidar com as próprias frustrações. No jogo da civilização você ganha alguma coisa mas, habitualmente, perde em troca alguma coisa. E é assim que ocorre a dinâmica da vida e é dessa mesma forma que se constituiu a civilização.

“A civilização”, diz Freud, “se constrói sobre uma renúncia ao instinto”, impõe grandes sacrifícios, a suspensão de profundos desejos e a “economia libidinal do indivíduo”.

Assim, a civilização é um compromisso, uma troca continuamente reclamada e para sempre instigada a se renegociar.

O ser humano moderno (civilizado) trocou uma porção de possibilidades de felicidade por uma porção de segurança. Esse é o preço que gera o mal-estar, essa situação incômoda que nos atrapalha, nos incomoda, mas é condição para viver em sociedade.

Não se pode fazer tudo o que se quer ou se deseja (embora alguns tentam esquecer disso), pois sempre existem consequências. Talvez o grande problema da condução da vida humana é que erroneamente fomos ensinados de que a felicidade pode ser conquistada ou adquirida definitivamente, quando não passa de um momento efêmero que precisa ser permanentemente reavivado e reconstruído.

Enganam-se aqueles que acreditam que a felicidade está em comprar coisas, em adquirir bens materiais ou atingir certas metas planejadas. Como horizonte, ela sempre nos escapa quando tentamos capturá-la. A felicidade não está nas coisas ou num lugar, mas na capacidade humana sempre inconclusa de viver intensamente a vida nas pequenas coisas.

Em outra reflexão publicada no site, escrevemos sobre Educar o Educador. ”… é necessário pensar projetos de formação que visem construir espaços de reflexão permanente sobre as próprias práticas dos professores que estão no cotidiano da escola enfrentando a árdua e imprescindível tarefa de educar”. Leia mais!

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição: Alex Rosset

Como trabalhar desmatamento e queimadas em sala de aula?

Toda escola deve propiciar à criança um ensino que se preocupe com o futuro do planeta começando pela preservação das nossas florestas.

Perto da minha casa tinha uma pequena floresta que foi destruída pelas constantes queimadas. A gente não podia brincar nela porque era um lugar privado, mas podíamos ver algumas espécies de animais passeando pelas ruas e isso nos enchia de alegria. Uma vez vi um tatu e corri atrás dele toda contente, mas o bichinho se enfiou na floresta e não o vi mais.

Eu acordava e abria a janela do meu quarto para sentir o cheiro do mato que vinha de lá. As árvores daquela floresta eram as minhas melhores amigas.

Será que as crianças de vocês poderão contar um depoimento como esse acima nos próximos anos?

Ter uma floresta perto de casa é um privilégio para poucos por incrível que pareça, pois o nosso país é cheio delas. Não é à toa que temos a maior floresta do mundo, a Amazônia. Tão grande que todo mundo quer cuidar dela, menos a gente.

A gente não sabe cuidar do que temos, é verdade. Se soubéssemos não deixávamos a Amazônia sofrer tanto com o desmatamento e as queimadas. Não permitiríamos que pessoas estranhas invadissem a nossa maior floresta e derrubassem centenas de árvores seculares com serras elétricas. O que é preciso para aprendermos a cuidar da nossa Amazônia? Será que nos falta amor?

Nos últimos anos, o número de desmatamentos e queimadas tem aumentado assustadoramente na Amazônia e no Cerrado brasileiros. Estão desmatando e queimando para atenderem aos desejos do homem contemporâneo. Esse homem que sempre acha está certo agindo em prol do progresso sem pensamento crítico e reflexivo, sem educação ambiental e muito menos sem leis que julguem as suas ações desenfreadas contra o meio ambiente.

Eu temo esse homem do progresso, ele não sabe o que faz com a natureza. Ele não sabe o que faz consigo mesmo. Gostaria de que os nossos governantes também tivessem aulas de educação ambiental, assim eles compreenderiam o quanto o meio ambiente é importante para a vida humana na Terra.

Desde os tempos da colonização do Brasil as nossas florestas estão sendo desmatadas. Começou pelo litoral brasileiro e a mata atlântica quase deixou de existir. O que nos resta delas é uma pequena área protegida em algumas cidades para que o homem não tenha acesso e queira explorá-las novamente. Temos um país cheio de florestas e poucos parques florestais, por incrível que pareça. Nas grandes metrópoles, é mais fácil encontrarmos concreto e prédios do que árvores.

Na Amazônia, a exploração dos madeireiros é imensa. Já podemos ver através de fotos grandes áreas desmatadas. Com isso, sofrem os animais sem habitats para viverem, sofre a biodiversidade que vai se acabando cada vez mais e sofrem os indígenas sem as suas terras para plantarem.

A exploração da floresta amazônica é um problema grande demais para ser resolvido apenas num pequeno ensaio como este. Envolve grandes empresários, pessoas milionárias, donos de negócios que mexem com muito dinheiro. Talvez por isso seja tão difícil controlar o desmatamento na Amazônia. Antes era possível ouvir o canto dos pássaros por lá, hoje em dia é o barulho das serras elétricas que ronda as diversas áreas da floresta. São árvores milenares que vão abaixo todos os dias pelas mãos de homens que só visam fazer grandes negócios com aquela boa madeira.

A maioria dos homens não tem ideia do tempo que se leva para uma árvore nascer e crescer. Eles chegam cortando tudo, derrubando as árvores com as suas serras elétricas ou machados como se fossem donos das florestas. Destroem tudo. O que antes era uma área verde e arborizada vira, de repente, um terreno vazio. São centenas de caminhões andando por estradas clandestinas e escondidas no meio da floresta amazônica carregando troncos de árvores. Todos os dias isso ocorre, e todos os dias as autoridades não fazem nada para frear esse desmatamento.

Eu tenho medo do homem de paletó que cria leis e também dos que as aplicam. Eles parecem homens pimentões, por dentro não têm quase nada.

No nosso Cerrado, tem acontecido as diversas queimadas. Um problema sério também porque acaba mantando animais e destruindo seus habitats. A biodiversidade é prejudicada e o homem que mora perto dessas florestas passa a respirar fumaça e ter problemas pulmonares sérios. Mas, não estão queimando apenas o nosso Cerrado não. Estão queimando tudo quanto é mato existente no país.

Onde tem lugar com um pouco de mato o homem vai lá e bota fogo. Parece que o mato incomoda. Alegam alguns que terrenos com mato são propícios a criarem insetos, bichos venenosos e etc. O homem alega de tudo para desmatar e queimar, eis a verdade.

O desmatamento e as queimadas têm sido necessários, segundo o homem de negócios para a construção de casas. Nalgumas cidades, já não vemos mais árvores nas ruas. E quando essas existem sofrem podas por trabalhadores não especialistas que ao invés de apenas as podarem cortam toda a copa, deixando apenas metade do tronco.

O progresso é assim: prefere casas e prédios ao invés de árvores. Em algumas cidades pequenas do interior do nosso país, é possível ver o progresso chegando com o desmatamento de alguns locais para a construção de hotéis de luxo. Não há nenhuma lei que proíba esse tipo de construção. Não há nenhum governante que seja contra essa destruição do meio ambiente da sua cidade. Ficamos todos de braços cruzados vendo as nossas florestas virem abaixo.

É preciso educar as crianças sobre o desmatamento e as queimadas nas salas de aulas para que possam crescerem protegendo as poucas árvores que restarem nos seus locais de moradia.

A primeira pergunta que deve ser feita a uma criança é o que ela entende por desmatamento. O professor deve anotar na lousa todas as respostas das crianças. Depois conversar com os alunos sobre os motivos que estão desmatando as nossas florestas e por último perguntá-los quais as consequências disso para o nosso futuro. Pedir para que as crianças desenhem florestas com grandes árvores, que desenhem uma solução para o desmatamento, que escrevam poemas sobre as árvores. Os poemas rimados são maravilhosos para que as crianças aprendam mais facilmente um tema, por isso também é importante pesquisar sobre poetas que trabalham com questões ambientais e levar esses poetas para a sala de aula.

Quanto as queimadas, o professor deve mostrar para os seus alunos algumas coisas práticas, tipo: fechar toda a sala para que fique abafada até as crianças sentirem calor, falar que as crianças devem ficar longe de qualquer tipo de fogo, explicar que os animais sofrem com o calor do fogo e as fumaças e muitos deles chegam até a morrerem. Pedir para as crianças contarem se já viram algum mato ou floresta sendo queimada e o que sentiram.

O que podemos fazer para evitar as queimadas? Como podemos conscientizar os nossos pais e adultos para não queimarem as florestas? Fazer cartazes mostrando como se comportam os animais com as queimadas e o que sofrem, além de elaborarem textos sobre as causas e consequências delas.

O ensino sobre o desmatamento e as queimadas em sala de aula deve ser prático e não apenas teórico, por isso é importante que as crianças conheçam florestas e lugares arborizados para entrarem em contato com a natureza. Na volta do passeio elaborar um pequeno texto sobre a experiência daquele momento. Também deve-se educar as crianças para plantarem árvores nas praças e locais públicos onde seja possível. Na escola, substituir o chão de concreto pelo de terra e plantar pequenas árvores.

Nada é mais bonito do que ter uma árvore no meio do terraço de uma escola. Levar as crianças para apanharem as folhas secas das árvores de uma praça pública e contar para elas da importância daquelas folhas para o meio ambiente. Permitir que as crianças possam subir nas árvores e brincarem nos seus galhos tendo contato direto com a natureza. Sempre com o cuidado de que não venham a se machucar.

Mostrar às crianças da importância das árvores frutíferas para a nossa alimentação: caju, manga, goiaba. Contar histórias às crianças sobre grandes árvores. Existem muitas histórias na nossa literatura com esse tema. Contar a história dos baobás para as crianças é uma forma de incentivar as suas curiosidades.

Uma criança que cresce em contato com a natureza na idade adulta não permitirá que a destruam. Ela vai saber valorizar as árvores e os animais, pois na tenra idade aprendeu a importância deles para o bem-estar do planeta e tudo o que se aprende na infância fica marcado no espírito para o futuro, por isso é tão importante que aprenda a gostar das florestas enquanto é criança para que não se torne um adulto somente preocupado com o progresso e o desenvolvimento das cidades.

Que as nossas crianças possam ser exemplos aos adultos escrevendo poemas, desenhando, produzindo textos na internet sobre a importância das florestas para a vida humana na terra. O professor pode ajudar as crianças a usarem as redes sociais para divulgarem as suas opiniões sobre os desmatamentos e as queimadas.

Toda escola deve propiciar à criança um ensino que se preocupe com o futuro do planeta começando pela preservação das nossas florestas. Um terreno baldio cheio de mato precisa ser limpo, é claro, mas não ter os seus matinhos cortados. As pessoas tendem a jogar lixo nesses locais e culpam os matos pela criação de insetos e bichos venenosos à saúde humana.

A gente nem vê mais terrenos baldios pelas cidades, pois estão sendo usados para servirem de estacionamentos de carros e o que era mato passa a ser concreto com telhas quentes para abrigarem os veículos embaixo delas. A gente não vê mais uma árvore nos bairros de periferia das grandes cidades. São nesses bairros onde mais se precisa conscientizar a população para não derrubadas das árvores.

A construção de supermercados, oficinas, escolas e barracos segue destruindo as nossas árvores sem que haja nenhuma preocupação por parte das autoridades locais como seria o caso dos presidentes de conselhos comunitários ou lideranças locais. Mas, isso também é um caso polêmico porque se alguém vai falar para que esse ou aquele homem não derrube a árvore que está dentro do seu terreno pode ser motivo para desavenças, brigas ou até mesmo inimizade. É por essa razão que muitos silenciam e assim vamos perdendo as nossas árvores.

Bom seria se houvesse um governo comprometido com as florestas junto com o progresso. Que ele se preocupasse com as duas coisas, mas que desse prioridade a preservação das florestas, pois como se sabe são elas que proporcionam o equilíbrio da vida no planeta.

Sem as florestas todos nós morreremos com ilhas de calor enormes e com a poluição do ar. Já vemos algumas preocupações por parte de autoridades e ativistas ambientalistas surgirem, porém ainda falta muito para conscientizarmos a maioria da população da importância das florestas.

É preciso que a mídia televisiva, a que está mais perto da população, comece a divulgar de forma intensa as consequências dos desmatamentos e das queimadas fazendo campanhas de preservação e cuidados das nossas florestas.

A vida no planeta terra precisa de cuidados e amor. Só se cuida bem daquilo que se ama. E para amar a gente precisa conhecer o amado. Toda criança deve conhecer uma floresta e sentir o ar puro entrar nos seus pulmões. Sentir também o cheiro das frutas e das folhas molhadas pela chuva.

As florestas não podem acabar e toda cidade deve ter o seu parque florestal onde crianças e adultos possam passar domingos brincando e tendo contato com a natureza. Esse contato que tanto bem nos faz, pois, a criança que aprende a amar uma árvore sabe bem o que é ser feliz.

Dizem os idosos africanos que em alguns troncos de árvores moram deuses. Que esses deuses possam nos trazer muitos dias belos e cheios de sombra com ar puro, porque viver no concreto com um calor de mais de quarenta graus está insuportável.

Professor, incentive os seus alunos a pedirem para os papais e as mamães comprarem apenas materiais escolares ecológicos, principalmente o papel. Que esses materiais não agridam o meio ambiente e nem sejam fabricados a partir de árvores derrubadas. Também escolha um dia na semana para levar os alunos a abraçarem uma árvore próxima da escola e a declamarem poemas para ela.

A minha mãe, quando eu era criança, costumava me dizer que as árvores são boas ouvintes. Se isso é verdade ou lenda eu não sei, só posso afirmar que antigamente eu era mais feliz quando no quintal da minha casa tinha um cajueiro e uma mangueira. Hoje eu só tenho concreto e algumas flores em vasos de cimento. A flor Glória da manhã vem todos os dias me dá bom dia e no final da tarde morre para nascer no outro dia cheia de alegria.

Que a alegria dessa flor ao amanhecer possa nos encher de esperança de que o homem do progresso passará a ver as florestas com um novo olhar, ou seja, cuidará de construir sem desmatar. Que assim seja.

Chegamos hoje à publicação de número 50 neste site. Agradeço aos leitores e leitoras que acompanham meus ensaios, o que me motiva para continuar escrevendo. Alterno questões de meio ambiente, literatura e educação. Obrigado! Em outra publicação, escrevemos: Exigimos um mundo melhor e não sabemos quase nada de como torná-lo melhor para os nossos filhos e netos e até mesmo para nós mesmos. Sujamos as cidades, entupimos os esgotos e provocamos as chuvas ácidas. Somos mal-educados com o meio ambiente, não temos o cuidado que ele merece. Leia mais!

 Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

O resgate do sagrado feminino

A necessidade de tratar um tema como o resgate do sagrado feminino revela uma negação histórica no tocante ao lugar da mulher na sociedade, sobretudo na esfera do religioso.

As religiões são profundamente marcadas pelo selo do masculino possuidor do poder de decisão. A própria consideração de um Deus Pai todo poderoso, quando mal interpretada, pode legitimar uma cultura de opressão ao feminino. Historicamente esse fato pode ser comprovado em quase todas as religiões. Essa constatação ressalta ainda mais a importância de tratarmos o tema do resgate do Sagrado feminino.

É inquestionável a força da presença feminina nas religiões, mas por outro lado essa presença quantitativa não é reconhecida nos espaços decisórios do âmbito religioso. Vale lembrar aqui a mensagem do Papa para Jornada da Paz deste ano que denunciou a consideração insuficiente que se dá à condição feminina “nas concepções antropológicas que persistem em algumas culturas, que ainda destina à mulher um papel de grande submissão ao homem, com consequências que ofendem a dignidade de pessoa e impedem o exercício das liberdades fundamentais”.

Se pesquisarmos sobre o feminino primitivo e o divino, veremos que as primeiras representações da divindade foram de mulheres. A deusa era a grande mãe capaz de gerar e sustentar a vida. Trata-se de um mistério fascinante, um mistério sagrado.

De acordo com Erich Neumann em seu livro A grande mãe “a cultura primitiva é em grau bastante elevado um produto do grupo das mulheres”.1Seguindo numa perspectiva histórica notamos uma racionalização dos mistérios em que as mulheres vão perdendo sua semelhança com o sagrado. As religiões vão construindo um Deus masculino e perdendo o aspecto da deusa.

Na Grécia e em Roma, por exemplo, as deusas eram presentes e cultuadas, mas aos poucos a associação com o feminino foi sendo esquecida. Numa perspectiva bíblica a passagem mais significativa do Antigo Testamento sobre a mulher e sua condição (Gn 2-3) apresenta a mulher como auxiliar “igual ao homem, ossos dos seus ossos, carne de sua carne, da sua mesma espécie” (Gn 2), e por isso o homem deixa seus pais para viver com ela. O relato demonstra a igualdade entre os dois sexos e a inferioridade da mulher é explicada em (Gn 3,16) como uma degradação do estado primitivo e original da humanidade.

Já no Novo Testamento a maneira como Jesus tratava as mulheres é reveladora (Mt, 13,13; Lc 15,8ss). Ele faz milagres a pedido das mulheres (Mt 8,14ss). Jesus quebrou preconceitos, conversou sem embaraço com a samaritana no poço de Jacó, o que para os discípulos pareceu contrário aos bons costumes (Jo 4,7ss.27). Nessa ótica o comportamento de Jesus pode ser visto como revolucionário.

No gnosticismo há pergaminhos (Nag Hammadi) que se referem a Deus como Pai e Mãe afirmando o elemento feminino como divindade. O Jardim do Éden gnóstico aponta para uma inversão de valores. Eva é a mulher dotada de Espírito que instruída pela serpente traz a vida a Adão. Deus criador aparece com características humanas negativas, distante da concepção do Deus criador, sumo Bem. Ele amaldiçoa a mulher e a serpente.

Na visão do espiritismo, homem e mulher são iguais perante Deus. O Livro dos Espíritos tem um item com o título Igualdade dos direitos do homem e da mulher. Qualquer discriminação contra o feminino é fruto do domínio injusto imposto pelo homem à mulher. “Os espíritos encarnam como homens ou mulheres porque não tem sexo.”2No islamismo temos o pedido de Maomé para que os homens sejam bons para com as mulheres. Como podemos notar a imagem que se faz de Deus condiciona todo um contexto cultural e traz consequências para a vida social. Resgatar o sagrado feminino é resgatar a face materna de Deus que foi sendo escondida com o passar do tempo pela imposição de uma cultura masculinizada.

Referências:

1 A Grande Mãe, pág. 249.

2 O Livro dos Espíritos. Pág. 105.

Observação: Este material compõe uma produção didático pedagógica, realizada como resultado das atividades desenvolvidas no Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, que é uma política de formação continuada e de valorização dos professores da rede pública estadual do Estado do Paraná, em parceria com a Instituições de Ensino Superior, no caso, a Universidade Estadual de Londrina – UEL, sob a orientação do Prof. Dr. Wander de Lara Proença. Trata-se de uma unidade didática que analisa o papel da mulher nas diferentes tradições religiosas com abordagem de estudo sobre a questão de gênero como material pedagógico no ensino fundamental, da autora: Marcia Aparecida Ienartovicz. Traz também roteiros de atividades a serem trabalhadas com estudantes séries finais Ensino Fundamental.

 Conheça mais:http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2016/2016_pdp_hist_uel_marciaaparecidalenartovicz.pdf

Autor: Carlos Alberto Chiquim – Presidente da ASSINTEC

Edição: Alex Rosset

Mais apego, mais dor?

Talvez o segredo esteja mesmo no despojamento. Desapegar-se não apenas das cargas e riquezas materiais, mas também dos afetos, dos ressentimentos, das mágoas e ódios… e dos amores.

Eu posso entender as pessoas, como meu pai, sofreu muito depois que mais de 60 anos de convívio com a minha mãe, interrompidos pela sua partida. Talvez essa perda fez desgastar muito da sua vontade de permanecer nesse plano.

Admiro esse amor que despreza o tempo e a senescência da carne. No caso dos meus pais, houve uma união que se manteve firme e forte, algo cada dia mais difícil de encontrar em um mundo de amores fugazes e inconstantes.

Apesar da imagem positiva que sempre guardei dessas uniões, não vejo nelas um valor absoluto. Não há porque acreditar que os casamentos – de qualquer tipo – deveriam continuar para além do tempo em que são úteis e construtivos a ambos. Parece que todos admiram e invejam relações duradouras, mas poucos são aqueles que sabem os martírios que por vezes estão escondidos por trás dessas uniões.

É comum a gente se apiedar do sobrevivente que fica entre nós quando a morte leva o parceiro. A gente diz “coitado” ou “tadinha” porque sabe que a morte de um será devastadora para o outro.

Já a morte de alguém que nos é indiferente não nos maltrata nem desanima. Parece que amar é investir na dor de perder. “Amam-se tanto que o amor deles é sua maior fragilidade”.

A nossa pressa nos trai, nos incomoda, nos atormenta, nos persegue, nos escraviza. A oportunidade de amar nos liberta do tempo e também do espaço. Viva o agora no amor e se eternize no agora permanente. (Autor Gerson Schmidt) Leia mais:!

Como um avarento que, de tão apegado às posses, sofre por antecipação pelo medo de perder sua riqueza. Talvez o segredo esteja mesmo no despojamento. Desapegar-se não apenas das cargas e riquezas materiais, mas também dos afetos, dos ressentimentos, das mágoas e ódios… e dos amores. Quanto mais apego, mais dor.

Em outra publicação no site, refletimos sobre a importância das religiões na vida das pessoas. Escrevemos: “não peço que acreditem em Deus ou nos espíritos, até porque não exijo isso sequer de mim. Entretanto peço um pouco de respeito com a forma com a qual as pessoas traduzem para si o enigma da existência”. Leia mais!

Autor: Ricardo Herbert Jones

Edição: Alex Rosset

Vidas findam. Ideias não!

Neste dia 08 de julho de 2021, José Ernani de Almeida fez sua passagem. Ernani, ou professor Ernani, era muito conhecido no meio educacional e no meio político e cultural de nossa cidade Passo Fundo.

Como Convidado do site, publicou 81 de suas tantas reflexões e crônicas que escrevia para defender as suas posições sobre a vida, sobre o mundo e sobre a sociedade.

Registramos depoimentos e mensagens de algumas pessoas que conviveram mais próximos de José Ernani, em reverência à sua vida e à sua história. Nada mais do que um merecido e justo reconhecimento por tudo que professor José Ernani fez pela educação, cidadania e cultura a partir de nossa cidade.

“Nós da Academia Passo-Fundense de Letras lamentamos profundamente perder um colega de grande valor. O que se pode dizer a respeito?

Na verdade, mesmo sendo a dor, inerente à vida, podemos ter a determinação de tornar nossa existência mais suportável, fornecendo-lhe sentido por meio da busca e da construção da autenticidade. Ernani foi incansável para encontrar um sentido que defina a espécie humana por meio do percurso da alegria e realização, ou da insatisfação e conflito. Ele se somou àquele grupo de pessoas cujo objetivo central é desenvolver a qualidade mais poderosa com que todos nós fomos agraciados: o amor à vida, algo que só é possível devido a raiz da história da humanidade que é a busca da individuação e da aspiração de liberdade”.

(Mauro Gaglietti, membro da Academia Passo-Fundense de Letras)

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“Ernani foi professor de várias gerações em Passo Fundo e região. No ano em que eu nasci, ele iniciou a dar aula em cursos de pré vestibular. Passou pelos principais (Gama, Garra, Medschool entre outros). Foi radialista e secretário de cultura. É seu o legado do Fundo Municipal de Cultura, do Conselho de Cultura e de uma secretaria exclusiva para o tema. Suas aulas show sobre a história da MPB marcaram época.

Quando a ignorância e o negacionismo estavam em alta e muitos fugiam do enfrentamento ao pensamento obscuro, Ernani se agigantou. Magrinho, franzino, ele tornou-se um Golias. Não deixava ninguém sem resposta. Tinha paciência e argumentos para todos.

Foi alvo de ataques agressivos e irresponsáveis nas redes sociais. Mas nunca reclamou. Enfrentou tudo isso de peito aberto e postura altiva. Foi um intelectual e estudioso até o fim. Sempre devorando livros e produzindo textos. Lembro de quando visitei ele no hospital em POA. Fiquei muito comovido ao ver como ele enfrentou o câncer com uma força de viver incrível. Sempre otimista e com esperança. Essa vontade de viver era para fazer mais pela sociedade e por sua família. Para defender e divulgar a cultura. Era por isso que ele vivia.

Foi uma figura humana extraordinária. Seu legado e sua trajetória serão sempre lembrados pelos seus amigos, familiares, colegas e camaradas.

Descanse em paz meu irmão e Camarada! Tua luta e teu legado não foram em vão. Tiraremos aqui as melhores lições e principalmente essa tua alegria e otimismo no futuro da humanidade! Saudades eternas”.

(Professor Juliano Roso, Presidente Estadual do PCdoB)

Um humanista, grande conhecedor da música brasileira. Um professor brilhante de história, uma inteligência lúcida e crítica. José Ernani Almeida nos fará falta, especialmente nestes tempos de trevas. (Pablo Morenno, escritor)

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Um SORRISO no rosto e um microfone na mão. Assim ele sempre será lembrado. Hoje, o mundo perde uma das pessoas mais encantadoras que tivemos a honra de conviver. Um profissional apaixonado, um amigo honesto, um verdadeiro paizão, intelectual e guerreiro. Lutou até o fim, sem perder as esperanças na vida e em um mundo melhor. Foi uma honra ter oportunidade de aprendermos com você, nosso esterno Mestre José Ernani de Almeida. Viver e não ter a vergonha De ser feliz Cantar e cantar e cantar A beleza de ser Um eterno aprendiz…

(Mensagem da MEDISCHOOL, Escola especializada em cursos de preparação para Vestibular)

Ao mestre, com carinho.

Perdi um amigo, um professor e uma referência como profissional de rádio.

Passo Fundo perdeu um intelectual, um mestre e um grande ser humano.

Um incêndio de grande proporção queimou uma biblioteca.

Perdemos José Ernani Almeida.

O luto, é coletivo.

Luz em seu novo caminho, meu caro!

(Ipácio Carolino, comunicador)

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 “Fomos colegas na implantação da Rádio Planalto. O Ernani foi sempre dedicado à arte e cultura, um missionário da libertação. Perdemos uma das maiores expressões culturais de nossa história regional. Em sua carreira inicial na Rádio Passo Fundo, nos anos 60, fazia coleta ou resenha do noticiário internacional, ou telegráfico. Sempre foi bom observador da arte musical, sagrando-se campeão de audiência na Rádio Planalto com a Grande Parada dos sucessos musicais. Exemplo de dedicação aos estudos como advogado e depois professor de história. Cidadão correto e de dedicação familiar”.

(Celestino Meneghini, comunicador e cronista)

José Ernani Almeida foi também um atuante Colaborador Convidado do nosso site. Sua primeira publicação data de 11/11/2018 (Identidade de Gênero) e a última data de 21/05/2021 (Gênero: uma palavra proibida). Nossos agradecimentos pelas suas instigantes e interessantes reflexões. Segue link de sua coluna como Autor no site!

Autor: Nei Alberto Pies

Edição: Alex Rosset

Como ensinar às crianças a se alimentarem bem

Muitos de nós precisamos mudar os nossos hábitos alimentares para que as nossas crianças possam nos imitar, isso é importante. Sempre digo que as crianças costumam imitar os adultos com quem convivem e isso é uma grande verdade.

Desde o ventre das nossas mães somos alimentados saudavelmente. E para isso continuar precisamos aprender alguns bons hábitos alimentares. Quando nascemos, devemos receber o leite materno que dizem ter poderes quase mágicos, ou seja, é capaz de proteger a criança de infecções intestinais, gases e prisão de ventre além de auxiliar na digestão. Também fortalece o seu sistema imunológico e a protege contra alergias. Sem contar que o movimento feito pela boca do bebê ajuda na formação do palato e da mandíbula.

Recebemos nos primeiros meses de vida o alimento mais saudável que possamos imaginar.

Contudo, durante o nosso crescimento, as coisas tendem a mudar. Criamos hábitos alimentares nas crianças que não são saudáveis a saúde do corpo e da alma. Apressados com o tempo que não para de correr, damos qualquer coisa para a criança comer e parar de chorar, fazemos os seus desejos para que não fiquem de birra e acabamos acostumando mal as crianças a se alimentarem.

Muitos de nós precisamos mudar os nossos hábitos alimentares para que as nossas crianças possam nos imitar, isso é importante. Sempre digo que as crianças costumam imitar os adultos com quem convivem e isso é uma grande verdade.

O número de crianças obesas e com diabetes cresce assustadoramente a cada ano, e o maior causador dessas enfermidades é o mal hábito alimentar. Sim! A obesidade é uma doença crônica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde.

Comidas enlatadas, biscoitos recheados, pipocas industrializadas, sanduíches e refrigerantes são o que as crianças mais gostam de comer, porém é preciso educá-las com uma alimentação saudável e que ajude a fortalecer o corpo e a mente. Para isso, os pais devem começar a mudar a alimentação de toda a família, inclusive as suas. A criança quando senta-se à mesa ela quer uma comida colorida e deliciosa e para isso temos muitas receitas boas na internet.

Podemos começar a educar a criança a se alimentar bem substituindo os biscoitos recheados e as guloseimas por frutas as mais diversas. As frutas são excelentes fontes de energia e ajudam as crianças no desenvolvimento cognitivo e fortalecem o organismo contra diversas doenças as quais estão sempre expostas quando brincam na areia da praia, no parquinho da escola ou na praça perto de casa.

Toda fruta é bem-vinda. Incentivar, aos poucos, a criança a substituir o biscoito recheado pela fruta não é tarefa fácil, pois exige uma educação alimentar cuidadosa, mas não é impossível.

O importante é não permitirmos que as crianças cresçam com maus hábitos alimentares, assim estaremos ajudando-as a comerem bem durante todas as fases da vida. O problema maior é quando essa criança já está mal-acostumada com uma alimentação que só prejudica o seu crescimento e desenvolvimento intelectual. Neste caso é preciso que busquemos ajuda de uma nutricionista para que a criança seja acompanhada por um profissional que possa substituir os alimentos prejudiciais à sua saúde por alimentos saudáveis.

Muitos pais ou professores podem alegar da dificuldade de se conseguir uma consulta com uma nutricionista pelo Sistema Único de Saúde – SUS e isso é verdade. Acredito que cada secretaria municipal de educação deveria ter uma nutricionista para acompanhar as crianças na escola observando o que trazem de casa para lanchar e até mesmo o que estão comendo nas escolas. Sim, porque muitas vezes o lanche da escola não é tão saudável o quanto parece.  Às vezes a sopa é gordurosa demais ou o cachorro-quente vem com muito óleo. Muitas crianças nem deveriam comer pães e nem macarrão na escola, o que não acontece.

Se não temos uma nutricionista na escola precisamos buscar no SUS algum médico que possa substitui-la e acompanhar o peso físico ideal da criança. Esse acompanhamento é fundamental para saber se ela está crescendo com saúde. A criança que não brinca, não corre, não pula e passa o dia sentada logo cedo se tornará uma sedentária. Isso é um grave problema, pois toda criança precisa correr até se cansar.

Quando a criança brinca que chega a ficar enfadada isso é bom para o seu corpo e para a sua mente. Significa que de um jeito ou de outro movimentou o seu corpo. Nos dias atuais, as crianças estão presas dentro das suas casas assustadas com a violência que toma o mundo depois dos muros e das grades. São crianças que não têm com quem brincar e muito menos espaço para correrem e pularem. Com isso, além de se alimentarem mal o sedentarismo acaba prejudicando o seu crescimento físico e intelectual.

Para incentivar a criança a se alimentar bem, os pais e professores devem colorir os seus pratos incentivando-as a comerem saladas com tomate, alface, pimentão, cebola, espinafre, repolho roxo, brócolis, pedaços de frutas e etc. Também acostumar sempre que possível a criança a comer verduras, tipo: cenoura, batatinha e chuchu. Além de oferecer às crianças já grandinhas castanhas de cajus e outras sementes que são deliciosas e fortalecem o organismo.

Toda comida preparada em casa e nas escolas para as crianças deve ser cuidadosamente servida à mesa. A lanchonete da escola também deve ter uma oferta diversificada de comidas saudáveis como sanduíches naturais e sucos de frutas.

Também faz-se necessário tirar o hábito da criança comer na sala assistindo televisão. Toda alimentação deve ser feita à mesa e se possível com toda a família reunida. Nada de levar o prato de comida para o quarto, para a sala ou para a varanda. Ensinar a criança a trocar, aos poucos, a colherzinha por um garfo também é importante. E sempre que levar a comida à boca mastigá-la com cuidado diversas vezes antes de engolir. Não permitir que a criança encha a colher de comida de forma a ficar com a boca cheia quase sem conseguir mastigar.

Nunca ter pressa para se alimentar. Evitar o hábito de comer tomando suco ou água também é importante para a boa digestão e absorção dos nutrientes por parte do organismo.

Se houver um espaço na escola para plantação de uma horta será muito bom para as crianças. Assim, elas terão contato com a terra e poderão plantar o que mais tarde comerão. As crianças tendem a ficar ansiosas para que as sementes cresçam rapidamente e possam ver os primeiros pés de alface, os primeiros tomates a brotarem e fazem a festa cheias de alegria ao saberem que produziram os seus próprios alimentos e que poderão comê-los no lanche da escola.

Também é possível fazer uma horta até mesmo em casa ou no apartamento. Basta separar um cantinho com um vaso grande, pegar um pouco de areia e plantar as hortaliças e verduras mais fáceis de serem cultivadas.

No lanche da tarde, ao invés de oferecer a criança um pedaço de bolo substituir por um picolé de fruta será muito bom. Se desejar levar a criança ao supermercado passar mais tempo próximo das seções de frutas e verduras. Mostrar para a criança a importância de cada uma delas para o seu crescimento mesmo que os pais entendam pouco dos benefícios das frutas basta dizer que elas são boas para fortalecer o corpo e a mente.

Quando se fala com as crianças que elas precisas crescer fortes e saudáveis todas elas acham isso bom, mas também é preciso dizer-lhes que para isso ocorrer elas precisam comer bem. E comer bem é substituir as guloseimas por frutas e verduras.

Aquelas famílias que gostam muito de comer carnes vermelhas todos os dias devem evitar que as crianças herdem esses hábitos. A carne vermelha traz malefícios ao corpo de todo ser humano ao longo dos tempos. Incentive a sua criança a se acostumar a comer peixe, aves e ovos. Evite coisas fritas e opte pelas assadas ou cozinhadas. Faça com que a hora da alimentação seja um grande momento do dia para a criança e crie horários fixos para as refeições. Isso educará o organismo da criança.

Procure alimentar o seu filho com boa comida sem gastar muito com isso.

A boa comida pode ser um prato de feijão com arroz acompanhado de uma boa salada. Muitas crianças estão tão acostumadas a comerem comidas enlatadas que não gostam de comer feijão. É preciso saber da importância do feijão para o organismo, pois é uma importante fonte de vitaminas além de colaborar para o bom funcionamento do sistema nervoso e da medula óssea.  Coloque sempre no prato do seu filho uma porção de feijão para três de arroz, é o recomendado pelos nutricionistas.

Não obrigue o seu filho a comer. Caso ele se negue a comer o prato de feijão com arroz não se desespere, mas também não ofereça outra comida para ele. Quando sentir verdadeiramente fome pedirá para comer qualquer coisa. Não devemos ceder a todos os quereres das crianças para não acostumá-las mal. Afinal, somos os responsáveis pelos seus desenvolvimentos físicos e mentais.

Falar de alimentação saudável para crianças no nosso país é uma tarefa bem difícil para mim que convivo com muitas que sequer têm o que comer em casa. Sequer têm uma geladeira onde guardar comida. Vivem do que encontram nos lixões dos restaurantes ou ganham de alguma pessoa bondosa. Também conheço o número de crianças desnutridas no nosso país e me assusto com ele todos os dias, pois também só tende a crescer.

Voltamos ao mapa da fome, infelizmente. Eu sei de tudo isso e não me esqueço um só minuto do quanto muitas crianças morrem vítimas da fome todos os dias no Brasil. Não estou sendo irrealista em nenhum momento. Eu mesma já senti fome e sei bem o que é acordar pela manhã cedo e não ter nada na mesa para comer.

Uma criança com fome vai comer a primeira coisa que lhe for dada. Seja o biscoito recheado ou seja a fruta. No meu entendimento, acredito que os nossos governantes deveriam criar restaurantes que servissem comida gratuita e saudável para todas as crianças em situação de rua ou que seus pais estivessem desempregados. Seria uma forma de aliviar a fome de todas elas. Quem sabe eu ainda veja isso um dia acontecer no meu país.

Sei que muitas crianças podem escolher o que comer, mas a maioria delas não tem nada para comer na hora do almoço e isso é uma coisa grave. As políticas públicas devem cuidar da alimentação das nossas crianças para que possam crescer fortes e saudáveis. Se antes eu falei de crianças obesas também me refiro aqui ao grande número de crianças desnutridas, principalmente, no nordeste do nosso país.

Educar uma criança com fome a se alimentar bem é impossível, mas educar uma criança que tem em casa uma despensa e geladeira cheia de comida a sua disposição faz-se necessário e urgente. São dessas crianças que estou falando e peço a sua atenção, caro leitor.

Muitas vezes, vi nas escolas por onde dei aulas crianças trazendo lanches de casa os mais prejudiciais à saúde, tais como: pão com queijo, doces, biscoitos recheados, refrigerantes e etc. Incentivar a criança a substituir a comida enlatada pela comida natural faz-se urgente. Sei que muitos pais não têm tempo para preparar uma boa panela de feijão e de arroz para o almoço, mas preparar uma sopa industrializada para a sua criança é um grande mal que você estará fazendo para ela.

Incentivemos as crianças a comerem bem comprando sempre alimentos saudáveis para as nossas casas. Eduquemos desde a tenra idade as crianças a perguntarem sobre quais benefícios essa ou aquela comida vai trazer para elas.

Estudemos sobre os alimentos. Não precisamos ficar experts ou fazermos um curso de nutrição, mas termos o cuidado de conversar com as nossas crianças sobre o bem que tal comida vai trazer-lhe é importante para incentivá-las a aprenderem a gostar de comer bem.

Comer bem não é encher a barriga e ficar pelos cantos. Comer bem é satisfazer-se com um prato colorido e saudável cheio de nutrientes.

Se possível, levar as crianças para a cozinha e pedir-lhes para ajudar a preparar a comida também faz muito bem para elas. Assim, vão aprendendo desde cedo a preparem os seus próprios alimentos.

Deixar que lavem as frutas e hortaliças, que guardem a comida na geladeira e que preparem receitas fáceis e saudáveis como o preparo de um sanduíche natural é uma forma de mostra-lhes que podem ser úteis no preparo da comida de casa. Nunca deixar, é claro, que a criança maneje facas ou tesouras pontiagudas e nem se aproxime do fogão, na cozinha. Que as crianças possam sentir-se confortáveis e seguras nesse cantinho da casa. E que a ajuda no preparo dos alimentos se torne um hábito.

Para ensinar as nossas crianças a se alimentarem bem, necessitamos, antes de tudo, de nos educarmos. Muitos adultos têm maus hábitos alimentares, principalmente, os que moram sozinhos. Os pais divorciados quando levarem os seus filhos para passarem o fim de semana com eles deverão rever as suas alimentações. Nada de comida improvisada ou comida de restaurante barato. Nada de refrigerantes ou guloseimas.

Muita gente adulta costuma dizer “o que não mata engorda” e isso é verdade. Tanto é que as nossas crianças estão obesas devido esses alimentos sem cuidados que estão comendo a toda hora. Tem criança que basta ir à despensa de casa ou abrir a geladeira para ter acesso as mais deliciosas guloseimas. Nunca procuram por uma fruta para lanchar, comem várias vezes durante o dia. O que é pior, comem sem sentir fome, apenas pelo hábito de comer ou para matar a ansiedade que é um problema a ser discutido por nós noutro momento.

A criança obesa sofre bullying na escola e fora dela. Sente-se sozinha com a sua enorme barriga nas rodas de brincadeiras com os amigos, logo cansa e não consegue brincar como queria. Ela não consegue imaginar que um dos grandes problemas da sua gordura é o mal hábito alimentar.

Achamos bonitinho as crianças com dobrinhas nos braços e nas pernas, queremos abraçá-las fortemente porque são fofinhas e lindas, mas atentemos para o peso ideal de uma criancinha de apenas um ou dois anos de idade. Às vezes essas dobrinhas são sinais de alerta para uma futura obesidade.

Para terminar esta reflexão, ratifico que a alimentação é importantíssima para o bom crescimento físico e mental da criança e quanto mais nutrientes melhor! Entre os nutrientes mais importantes nessa fase estão o zinco, os carboidratos, o cálcio, as proteínas, as vitaminas em geral.

Substitua o refrigerante do seu filho por um delicioso suco de frutas. Mostre à criança o quanto comer bem vai fazer dela um adulto inteligente, forte e corajoso.

Inventamos todos os dias máquinas capazes de imitar as emoções humanas, mas ainda não descobrimos uma solução para a fome. Essa fome que enfraquece o corpo e mata milhões de crianças no mundo inteiro, principalmente no continente africano. É triste ver uma criança pedindo um pão nos semáforos das grandes avenidas das cidades. É triste quando vemos os pais com os filhos nos braços de casa em casa pedindo um pouco de comida. Porém, essa cena tem crescido nos últimos anos. Leia mais!

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Um bom tênis

Mas o mundo moderno tem destruído cada vez mais a importância da interioridade. Cada vez mais é a imagem externa, os outdoors, os carros potentes, os prédios desnecessariamente suntuosos, que nos atraem.

Toda vida humana é também subjetiva. Por que, então, enfatizamos tanto o mundo objetivo?

Valorizamos os tênis de alguém mais do que sua cultura. Nos interessamos mais por bonitezas aparentes e efêmeras do que por belezas veladas, porém duradouras.

De tanto olharmos para fora, nos esquecemos do que trazemos em nós. Tire os bens materiais de uma pessoa, esqueça sua aparência e o que sobrar é o que ela realmente é.

Se você tiver todo o resto, mas não esse “algo” impalpável, terá uma casa vazia, uma casca.

Temos dificuldades para enxergar a “água do rio”. Nos fixamos apenas em seu leito. Pedras e ribanceiras nos são mais visíveis do que a substância formadora de nossa interioridade.

Atentando cada vez mais para o exterior, nos desvalorizamos como indivíduos e como espécie.

A capacidade de abstração, a mente, a interioridade, a subjetividade, não são nossa marca principal, a nos definir?

Dependemos da matéria. Ela é nossa base. Mas com ela apenas, somos tanto quanto um graveto. O que conseguimos criar a partir dela e, até mesmo, apesar dela — eis aí o nosso diferencial.

Mas o mundo moderno tem destruído cada vez mais a importância da interioridade. Cada vez mais é a imagem externa, os outdoors, os carros potentes, os prédios desnecessariamente suntuosos, que nos atraem.

Estamos sendo levados a cada dia para mais longe de nós mesmos, por uma sociedade a qual nós próprios criamos.

Afinal, para que alma, quando podemos ter um bom tênis?

Autor: Aleixo da Rosa

Edição: Alex Rosset

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