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Sem testagem nem máscaras PFF2, RS fica em 17º lugar em índice de segurança das aulas presenciais

A falta de uma política de testagem e a omissão do Estado em fornecer máscaras PFF2 à comunidade escolar deixaram o Rio Grande do Sul entre as piores colocações no Índice de Segurança do Retorno às Aulas Presenciais (ISRAP).

> Confira a íntegra dos dados na Nota Técnica da Rede de Pesquisa Solidária

O ISRAP foi estabelecido pela Rede de Pesquisa Solidária – que reúne mais de 100 pesquisadores de diversas universidades – para avaliar os protocolos de reabertura criado pelos governos federal, estaduais e municipais com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Outro estudo, divulgado pelo Jornal da USP nesta quinta-feira, aponta que máscaras mal utilizadas podem elevar em 1000% os casos de Covid-19 nas escolas. Já a utilização correta e a distribuição de PFF2 podem reduzir o crescimento relativo dos casos a 40%.

O ISRAP é composto por oito categorias, sendo quatro consideradas de Média Complexidade e quatro de Alta Complexidade. As políticas de Média Complexidade incluem transporte, distanciamento, higiene e o Ensino Remoto. Já as de Alta complexidade são máscara, ventilação, imunização e testagem.

Os especialistas avaliam que o governo federal falhou na elaboração de um protocolo unificado para o retorno das aulas presenciais no país e não cumpriu com sua responsabilidade de “coordenar, baseado em evidências técnico-científicas, o debate permanente sobre protocolos que permitiriam volta às aulas presenciais mais seguras nas redes de ensino”.

O estudo também indicou que estados e capitais falharam na comunicação de seus protocolos e não adotaram as medidas necessárias para um retorno seguro às aulas.

“Apenas 56% das capitais e 49% dos estados apresentaram planos estruturados. Nos demais, os protocolos das redes estaduais e das redes municipais das capitais estaduais não foram divulgados em formato de um documento único, estruturado e transparente”, destacaram os pesquisadores, salientando que “a transparência, eficácia e eficiência na comunicação dos protocolos é de grande importância, não apenas para a comunidade escolar, mas para o conhecimento e segurança da sociedade como um todo”.

Principais recomendações de políticas públicas resultantes da análise:

  • Os protocolos de reabertura de ensino presencial devem ser continuamente melhorados e aprimorados pelos governos. Para permitir maior compreensão e maior chance de implementação, os planos devem ser publicados com todas as medidas resumidas em um documento, único e público;
  • O ensino remoto, política indispensável ao funcionamento dos modelos híbridos, precisa de maior preocupação por todas as esferas da administração pública, sobretudo quanto à ampliação do acesso à internet;
  • Máscaras PFF2 devem ser distribuídas amplamente nas escolas públicas e junto às populações em situação de vulnerabilidade social. Mesmo que as PFF2 possam ser reutilizadas, enquanto estiverem íntegras e com boa vedação do rosto, recomenda-se que, após o uso, sejam deixadas num local arejado e ao abrigo do sol por pelo menos 3 dias. Por isso, é necessária a distribuição de máscaras para todos os alunos, funcionários e professores;
  • Os protocolos das redes de ensino no país devem privilegiar a renovação frequente do ar e a ventilação. Guias para o monitoramento de CO2 nas salas de aula e nos demais espaços de ensino poderiam ser incluídos nos protocolos;
  • Os protocolos precisam especificar guias para orientar a testagem RT-PCR, RT- LAMP ou antígeno ativa e periódica de profissionais de educação, funcionários e alunos;
  • Os protocolos precisam dedicar maiores esforços na criação de medidas que visam evitar a interação entre turmas e especificar orientações para que diferentes turmas não sejam misturadas em atividades coletivas. Nesse sentido, a criação de bolhas seria a medida mais eficaz;
  • As redes de ensino devem produzir relatórios que permitam acompanhar de perto a implementação e o impacto das reaberturas de escolas para o ensino presencial.

Fonte: https://cpers.com.br/sem-testagem-nem-mascaras-pff2-rs-fica-em-17o-lugar-em-indice-de-seguranca-das-aulas-presenciais/

Edição: Alex Rosset

Normal: curso que forma professores/as na fase inicial da docência

A formação inicial de professores e professoras é um componente fundamental para a qualidade da educação.  No RS ainda se mantém o Curso Normal (também chamado Magistério) para estudantes que se formaram no Ensino Fundamental e passam a ingressar no Ensino Médio, há 150 anos.

Conforme dados do Censo Escolar 2020, no Rio Grande do Sul, 108 instituições de ensino ofertam o Curso Normal, das quais 99 são escolas Estaduais, 04 Municipais e 05 Particulares, em um total de 10.871 matrículas.

Com as mudanças previstas na Reforma do Ensino Médio, este Curso corre o risco de ser extinto ou ser descaracterizado na forma com que vem sendo oferecido há 150 anos no RS, o que tem preocupado muitos especialistas e estudiosos da educação no RS e no Brasil.

Procurando valorizar este Curso, destacar a sua importância e justificar a sua existência, conversamos com a professora e diretora Ivana da Rosa Garcia, do Instituto Estadual de Educação Tiradentes, de Nova Prata, RS, que há cinquenta anos oferece o Curso Normal. Ao final, seguem também opinião de 2 especialistas da educação, com larga experiência e reconhecimento educacional, Celso Vasconcellos e Gládis Pedersen de Oliveira.

SITE NEIPIES: Fale-nos do Instituto Estadual Tiradentes e da sua relação histórica com a oferta do Curso Normal para estudantes do Ensino Médio do entorno da Serra.

Professsora Ivana: O I.E.E.Tiradentes completa 92 anos de atividades prestadas à comunidade de Nova Prata e região. Estamos há nove gerações contribuindo na educação da nossa comunidade. Em 1969, abriu a 1° turma de curso normal, que era referência na região e abrangia cerca de 10 municípios, devido à alta procura pelo curso, a seleção dos participantes era feita por meio de uma prova.

Atualmente, é feita a publicação de edital e os interessados fazem sua inscrição no site. Nosso Curso Normal permite que os/as aluno/alunas se familiarizem com componentes curriculares específicos que oferecem um suporte seguro para a realização de estratégias que visam possibilidades para uma nova reflexão-ação. Além das inúmeras aulas práticas, projetos e recursos realizados que auxiliarão no trabalho docente.

SITE NEIPIES: Qual é a situação do Curso Normal na sua escola hoje (procura, número de inscritos, número de alunos Cursando ou fazendo estágio)?

Professsora Ivana: Atualmente no I.E.E. Tiradentes estamos com o 2° e 3° ano do Curso Normal. No total com 20 alunas matriculadas, incluindo as que estão em estágio. Sempre temos alunas procurando pelo Curso Normal, mesmo diante da enorme desvalorização profissional.

SITE NEIPIES: Como é e como se dá a formação dos jovens no Curso Normal? O Curso tem componentes curriculares e professores especializados para atuar no Normal?

Professsora Ivana: A grade curricular do Curso Normal em nível médio, segue a orientada pela Secretária Estadual de Educação e o currículo mínimo da BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Entre os componentes curriculares ofertados estão as que fazem parte da formação básica, a parte diversificada (seminário integrado, ensino religioso, língua inglesa e língua espanhola), educação e conhecimento (filosofia da educação, história da educação, sociologia da educação, psicologia da educação, estrutura e funcionamento da educação básica e libras) e conhecimentos específicos na educação infantil e ensino fundamental (didática geral, didática da linguagem, didática da matemática, didática das ciências da natureza, didática das ciências humanas, didática da educação física, didática da arte educação e didática do ensino religioso), práticas pedagógicas desenvolvidas na escola em turno inverso e estágio profissional, totalizando 1400 períodos anuais e 1166 horas anuais. No final dos três anos, as alunas totalizam 4265 horas (somando formação básica, práticas pedagógicas e estágio profissionalizante).

O Instituto Tiradentes tem seu quadro completo de professores, com formação específica em seu componente curricular, a maioria com especialização e pós graduação.  Também dispomos de toda estrutura física adequada às práticas do curso, bem como salas de aula exclusivas, biblioteca.

SITE NEIPIES: Qual é a principal motivação dos jovens pelo Curso?

Professsora Ivana: Eu queria apresentar uma reportagem feita pelo Jornal Correio Livre (http://www.jornalcorreiolivre.com/ ), do dia 23/10/2020, onde a estudante Ana Flávia Bueno Fabro fala sobre a importância do Magistério em sua vida.

SITE NEIPIES: Na sua avaliação, por que é tão importante manter e fortalecer o Curso Normal como um Curso específico ou como Modalidade do Ensino Médio, mesmo que outros Estados brasileiros já não o ofereceram mais?

Professsora Ivana: No caso do I.E.E.Tiradentes, ele perde sua identidade, perde na qualidade do ensino, pois somos uma escola de aplicação (onde os estudantes normalistas realizam suas práticas e seus projetos), consequentemente deixa de ser um Instituto.

Outro ponto importante, é que deixamos de capacitar profissionais para lecionar no Ensino Infantil, ou seja, em creches e pré-escolas.

Para muitas de nossas alunas, esta é uma das poucas oportunidades ou talvez a única, de cursar um curso profissionalizante, gratuito e próximo a sua casa e ainda com a oportunidade de ter um estágio remunerado e após um emprego, nas escolas de educação infantil do município e da região. 

Também, na experiência vivenciada que proporciona uma visão ampliada acerca da formação docente e dos elementos constitutivos desse processo contínuo e transformador de sua realidade social.

SITE NEIPIES: Há estudantes que passam pelo Curso Normal, mas seguem outras profissões. O que este Curso agrega para outras e diferentes profissões, para além do Magistério?

Professsora Ivana: O objetivo principal do Curso Normal está na docência, ou seja, habilitar futuros professores a ensinar, nas diferentes fases de desenvolvimento de crianças.

Atualmente, a formação em curso normal nível médio pode cumprir três funções: primeira é o recrutamento para as licenciaturas, a segunda, a preparação de pessoal auxiliar para creches e pré-escolas e a última, servir como centro de formação continuada.

SITE NEIPIES: Como a senhora avalia as atuais mudanças previstas e que vem sendo implantadas no Ensino Médio? Na sua avaliação, teremos um Ensino Médio mais atualizado com as necessidades do jovem estudante e com as demandas do mundo atual?

Professsora Ivana: Na minha opinião, a partir dos resultados das avaliações externas, tais como Prova Brasil, ANA, Ideb, Pisa, entre outras, está claro que a educação brasileira precisa de uma reforma. A arquitetura do novo ensino, onde as aprendizagens são focadas na formação de cidadãos e no desenvolvimento de competências e habilidades, com disciplinas integradas em quatro áreas do conhecimento e itinerários formativos de acordo com áreas de interesse do estudante e projetos de vida que tem como objetivo auxiliar os alunos a refletir sobre o sentido e os diferentes significados da vida social e profissional, parece ser muito adequada.

Porém, alguns pontos ainda me deixam apreensiva e acredito que deveriam ser levados em consideração, como por exemplo:

-Valorização profissional;

-Manter o Curso normal;

-Ensino médio noturno e a evasão escolar (receberão o mesmo tipo de ensino dos estudantes do turno integral?);

-Formação de professores;

-Reais oportunidades de escolhas de itinerários;

– Currículo flexível (nossos estudantes têm maturidade para optar?) ;

– Escola estruturada e eficientemente planejada para que seja capaz de oferecer, mais do que conteúdo, alimentação para cada um dos alunos.   

SITE NEIPIES: Uma mensagem aos colegas professores e professoras que bravamente resistem na profissão, apesar dos ataques a seus direitos e da desvalorização.

Professsora Ivana: Professor, dar aula não é apenas sobre transmitir conhecimentos, também é sobre ensinar o mundo e expandir as perspectivas do aluno. Tenha sempre a certeza de que você é o grande mestre da sociedade!

 “Ninguém nasce educador ou marcado para ser   educador.   A   gente   se   faz   educador, a   gente   se   forma como   educador, permanentemente, na prática e na reflexão da prática”.  (FREIRE, 1991, p. 58).

Conheça também matéria sobre os 90 anos do IEE Tiradentes, uma entrevista com dona Judit Davi Lenzi

Seguem opiniões de 2 especialistas da educação sobre o fortalecimento e manutenção do Curso Normal, na estratégia da formação inicial docente.

“Defendo o Curso do Magistério, em princípio, por duas grandes razões:

  1. Oportunidade de profissionalização da juventude: por exemplo, fiz Curso de Eletrônica (escola técnica) e, aos 18 anos, já me sentia gente com um diploma na mão e um emprego.
  2. Sensibilidade e habilidade para o Ensino que, muitas vezes, a Pedagogia não consegue desenvolver. Minhas hipóteses iniciais são de que isso se dá em função da idade do início do magistério (maior abertura e esperança no mundo) e ao enfoque mais prático do Currículo.

Para formar o professor iniciante ou auxiliar sendo que, no máximo em 03 ou 04 anos, deverá ingressar na Licenciatura”.

(Celso Vasconcellos , Doutor em Educação pela USP, Mestre em História e Filosofia da Educação pela PUC/SP, Pedagogo, Filósofo, pesquisador, escritor, conferencista, professor convidado de cursos de graduação e pós-graduação, responsável pelo Libertad – Centro de Pesquisa, Formação e Assessoria Pedagógica). “A experiência nos demonstrou, atuando por anos no Curso de Magistério, dando aulas de Didática, de Filosofia, História e Psicologia da Educação e na Supervisão Pedagógica, a grande importância na formação profissional para o magistério na Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental. O estágio docente, em classe regular, acompanhada pela professora titular e a supervisão pedagógica era a apoteose desta formação.

Causa perplexidade a proposta de acabar com esta formação porque entra em choque com as orientações propostas pela BNCC que preconiza o desenvolvimento de competências na criança, o ensino por competências, onde os alunos devem ser levados a conhecer suas habilidades, saber e aplica-las, saber fazer, e assim, resolver os desafios da vida cotidiana.

A BNCC preconiza ainda que o professor deve assumir uma visão plural, singular e integral da criança, como sujeito da aprendizagem. Sabemos que a fase infantil é a mais propícia para aprender, para compreender a vida, será a base da personalidade, do caráter. Como se dará esta situação se, em sala de aula, o professor não for preparado adequadamente na sua formação docente?  Se a sua formação for precária, como simples assessor/assistente de educação? 

Parece-nos uma grande incoerência esta proposta de exclusão do curso Normal no Ensino Médio. O correto, lúcido, por parte dos meios competentes, face as excelentes propostas da BNCC, seria propor uma ampla discussão sobre a questão, antes de decisões precipitadas que trarão prejuízos para a Educação no Rio Grande do Sul

(Gladis Pedersen de Oliveira, Pedagoga, Especialista em Educação)

Edição: Alex Rosset

O lixo e a sua reciclagem: o que as crianças precisam saber

As crianças são extremamente criativas e sensíveis as causas ambientais. Quando falamos com elas sobre cuidados, logo se preocupam em buscarem soluções para o que propomos cuidar.

Segundo o cantor Charlie Brown Júnior, na sua canção “Lixo e o luxo”, “eu sou o lixo e o luxo, sou o ódio e sou o amor”. Que essas contradições de Charlie Brown possam se encontrar num só poema e que nos conscientizemos de que para nos tornarmos o luxo e o amor precisamos contribuir para um mundo melhor desenvolvendo formas e maneiras de reduzirmos o nosso lixo, principalmente aquele que tanto agride o meio ambiente.

Veja e assista: O lixo e o luxo: https://youtu.be/aEOYXXrs_Zw?list=RDaEOYXXrs_Zw&t=28

Sejamos sábios no luxo para não sairmos por aí trocando de aparelhos eletrônicos de mês em mês e amorosos ao procurarmos buscar junto com as crianças o que podemos fazer com o nosso lixo.

As crianças precisam saber que lixo pode ser luxo e que com ele podemos ganhar dinheiro e ajudar o planeta.

Tantas crianças catam latinhas de alumínio todos os dias pelas ruas das grandes cidades, em restaurantes e festas para vendê-las e juntar moedinhas. Mas será que elas sabem que fazendo isso estão ajudando o meio ambiente? Será que elas sabem que além das latinhas de alumínio existem muitas outras coisas que prejudicam o planeta?

É educativo e necessário que conversemos com as crianças sobre o nosso lixo. Afinal, elas são boas ouvintes e assim como têm ideias para quase tudo que desejam podem nos ajudar a dar um jeito nesse monte de lixo que produzimos todos os dias. Simbora conversar com a criançada!

A reciclagem é bastante importante para o meio ambiente. Também pode tornar-se uma fonte de renda às famílias carentes. Recolher o lixo reciclável do vizinho não é nenhuma vergonha, assim como apanhar garrafas e copos plásticos do meio das ruas. Eu já fiz isso várias vezes e continuo fazendo. Acho até bonito quem faz esse tipo de coisa porque está ajudando o planeta e limpando as ruas que na maioria das vezes são feias de tão sujas.

Reciclar é a palavra do momento, não que esteja em moda, mas que seja algo existente enquanto for necessário.

Em tempos de tecnologia acelerada, trocamos de aparelho celular, tablets ou desktops praticamente todos os anos e não sabemos o que fazer com o velho. Tendemos, na maioria das vezes, a jogá-los no lixo caseiro o que é errado e todos sabemos disso, mas não somos educados para procurarmos outro local. Somos por deveras bastante cômodos dentro das nossas casas.

Sempre queremos fazer as coisas de uma forma mais fácil, que nos dê menos trabalho e que seja rápida. Para que se preocupar em procurar um lixo para aparelhos eletrônicos se posso deixar a televisão de cinquenta e cinco polegadas perto do meu saco de lixo e dar uma gorjeta ao gari para levá-la? É assim que fazemos.

A mídia nos acostumou a desapegarmos rapidamente das coisas. Já não temos cuidado com os nossos aparelhos eletrônicos porque sabemos que se eles quebrarem é só ir em uma loja e comprar outro. Pronto! Substituímos por um mais novo e até com um design mais bonito.

Acumulamos lixo eletrônico com esse nosso desapego rotineiro. Cada coisa que vai para o lixo caseiro acaba afetando de forma agressiva o meio ambiente e poluindo aterros, rios, lagoas e mares.

Antes mesmo dos aparelhos eletrônicos tão famosos nos dias de hoje, já jogávamos as pilhas de radinhos no lixo de casa. Nem nos preocupamos com o que elas podem causar de mal ao meio ambiente. Só não queremos ficar com aquilo em cima do armário ou da estante, que não serve mais para nada. Mas por que as pilhas podem ser tão tóxicas e prejudicar o meio ambiente? A resposta está na sua composição: as pilhas são compostas de metais pesados e tóxicos, como o mercúrio, chumbo e o cádmio, que quando jogados incorretamente em lixões e aterros comuns podem contaminar o solo e os lençóis freáticos.

É preciso todo um cuidado com o lixo que produzimos em casa.

Além das crianças, os idosos também precisam ser educados quanto a forma como devem descartar os seus lixos eletrônicos, pois são eles que vêm consumindo muita tecnologia nos últimos anos no mundo inteiro. É preciso conscientizá-los de que o planeta é de todos nós e que quanto mais nos educarmos em relação aos cuidados do meio ambiente mais estaremos propiciando um mundo melhor para os nossos netos e bisnetos.

O lixo não é uma coisa suja se você souber separá-lo direitinho e cuidar dele também. Não é uma coisa que ninguém possa colocar as mãos ou pegar que vai se infectar com doenças. Depende do lixo que você produz para isso acontecer.

Pensemos um pouco no trabalho dos garis. Se jogamos garrafas de vidro, copos ou pratos quebrados nos sacos dos nossos lixos o que pode ocorrer com eles? Podem se machucar e se ferirem gravemente. Já pensou um ferimento de um palito de churrasquinho? Ou um corte de uma garrafa quebrada? Muitos garis se ferem todos os dias com o lixo que produzimos nas nossas casas. Parece até que não nos preocupamos mais com ninguém.

Tudo o que queremos é o nosso bem e os outros que se virem e se cuidem como acharem melhor. Mas as coisas não são assim. O lixo deve ser jogado no lugar certo.

Também temos a mania de jogar o lixo das nossas casas em terrenos baldios. Outro erro grave. Certos terrenos têm até cercas e muros, mas somos tão mal-educados que ignoramos tudo e jogamos por cima das barreiras, o nosso lixo. Contribuindo assim para a criação de mosquitos, escorpiões, muriçocas e outros bichos nesses locais. Se o proprietário do terreno não o limpa com frequência esse lixo vai acumulando no terreno e os vizinhos são os que sofrem com os insetos. Eu já vi poltronas velhas e armários jogados em terrenos baldios.

As pessoas pensam que só porque o terreno está ali a céu aberto elas podem jogar o que quiser dentro deles que não vai incomodar a ninguém. É um engano quem pensa assim. Se você costuma jogar seu lixo no terreno baldio de frente a sua casa pare de fazer isso, pois está de alguma forma trazendo doenças para a sua família como mosquitos da dengue que se reproduzem em pneus ou outros objetos que acumulem água.

Tem tanta coisa que podemos aprender sobre o lixo. Primeiro, devemos nos conscientizar de que o lixo deve ser descartado no lugar correto. Que para cada tipo de lixo existe um coletor adequado. Segundo que o lixo eletrônico é extremamente prejudicial ao meio ambiente. E terceiro que se reciclarmos o nosso lixo poderemos proteger o planeta, ganharmos um dinheirinho e ainda criarmos peças bonitas para fazermos uma bela exposição num local adequado, ou seja, viramos artistas.

A reciclagem é uma das melhores formas de cuidarmos do nosso lixo e ajudarmos a quem vive desse tipo de trabalho. Na minha rua toda semana passa um homenzinho recolhendo lixo reciclado nas nossas casas. Eu já conversei com ele várias vezes e me disse que é do que sobrevive.

A grande questão é: o que fazer com tantos equipamentos eletrônicos velhos? A reciclagem pode ser feita por coleta de materiais e descarte em locais apropriados. Em várias cidades do nosso país já podemos encontrar em shoppings, museus, supermercados e escolas coletores apropriados para receberem lixos eletrônicos.

Ainda são poucos os pontos de descarte do lixo eletrônico nas cidades, esse é o grande problema, mas se reivindicarmos e exigirmos das autoridades locais que sejam instalados em outros pontos, principalmente, nas periferias eles vão se sentir pressionados e tenderão a nos ouvir.

O lixo eletrônico não é pequeno. Em uma família de dois adultos e três crianças ele pode ser grande demais se a família tem a rotina de descartar tudo o que se quebra e comprar aparelhos novos. Esses aparelhos que podem ser televisores, aparelhos celulares, tablets, desktops e etc., são formados por componentes de plástico, metal e placas de componentes eletrônicos que ainda podem ser usados. Esses componentes podem conter mais de sessenta substâncias tóxicas e nocivas ao meio ambiente e às pessoas, entre eles arsênico, mercúrio, chumbo, cádmio entre outras. Por isso não podem ser descartados junto com o lixo comum.

No Brasil, ainda são poucas as empresas que trabalham com reciclagem de lixo eletrônico, mas você pode fazer desse lixo peças artesanais bonitas para decorar a sua casa. É um grande problema para o meio ambiente o lixo eletrônico. Nunca sabemos o que fazer com ele. A cada dia só cresce mais e mais.

No lixo comum é fácil encontrarmos aparelhos eletrônicos em meio a papéis velhos e comidas estragadas. Até mesmo nos oceanos podemos encontrar lixo eletrônico porque as pessoas jogam em qualquer lugar. Este não é um problema só das autoridades, mas nosso. Precisamos encontrar soluções para o lixo eletrônico urgentes. Devemos incentivar as crianças a reciclarem esse lixo com a nossa criatividade.

Dizem que o brasileiro é criativo, isso é verdade. Se começarmos a fazer uso da nossa criatividade para transformar o lixo eletrônico em bens materiais que possam ser usados de outra forma, estaremos dando um grande passo para a proteção do meio ambiente. Para tanto, é preciso uma união de ativistas ambientais, biólogos, químicos e artistas visuais que em conjunto possam criar ações e cartilhas que incentivem o uso por mais tempo dos aparelhos eletrônicos ou que aqueles que não servem mais para os seus usos possam ser usados de outra maneira como objetos de decoração, por exemplo.

Não é somente o lixo eletrônico do planeta que está preocupando os ambientalistas, mas o lixo espacial também.

No espaço, o homem tem deixado muito lixo eletrônico. Podemos encontrar de tudo um pouco: telescópios antigos, câmeras fotográficas, robôs e até mesmo espelhos. Esse lixo segue poluindo o espaço e de uma certa forma prejudicando a forma como a natureza se comporta. Tudo tem uma causa e uma consequência.

Esse desapego das coisas de uma maior facilidade, tem nos trazido grandes desconfortos no quesito de um bem viver ecologicamente correto. Se os nossos astronautas não estão preocupados com o lixo espacial que um dia virará lixo de alguma estrela ou planeta precisamos sensibilizar as crianças para que desde a tenra idade possam tomar decisões sobre esse lixo e encontrarem soluções as mais urgentes e necessárias para um mundo melhor.

Serão as crianças que poderão nos dar uma luz. Talvez conversando com os nossos alunos, filhos e netos sobre o que podemos fazer com um aparelho celular velho para evitar jogá-lo no lixo eles nos tragam uma ideia que nunca pensamos.

As crianças são extremamente criativas e sensíveis as causas ambientais. Quando falamos com elas sobre cuidados, logo se preocupam em buscarem soluções para o que propomos cuidar. Podemos ensinar às nossas crianças a separar o lixo reciclável num saco à parte do lixo comum. Podemos mostrar para elas no que uma garrafa plástica pode se transformar depois de reciclada. Muitos artesãos fazem vassouras com garrafas plásticas em algumas cidades brasileiras.

A natureza já tem tanta coisa para fazer por nós que nem tudo cabe a ela e nem tudo ela pode fazer sozinha. Ela precisa da nossa ajuda e as crianças são as melhores pessoas para conversarem com a natureza que não gosta de mentiras e que sabe se comportar docilmente e ingenuamente igual a elas.

Se na escolinha as crianças forem convidadas a assistirem vídeos de lixões onde todo o tipo de lixo é descartado e forem instigadas a um diálogo sobre o que podemos fazer para proteger o meio ambiente do lixo eletrônico certamente elas vão nos trazer muitas soluções bacanas.

O ideal mesmo era de que nós aumentássemos o uso dos nossos aparelhos eletrônicos, ou seja, os usássemos até ficarem velhinhos, mas as empresas de tecnologia não contribuem para isso, pois estão sempre oferecendo produtos novos a fim de lucrarem. É o lado econômico e financeiro que fala mais alto quando se toca no assunto de tecnologia no mundo.

Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos. Assista:

Os professores podem criar projetos nas escolas para as crianças juntarem o lixo reciclável como garrafas plásticas e latinhas de alumínio para venderem e comprarem livros ou material escolar. As latinhas de alumínio são as mais fáceis de serem encontradas pelas ruas e em toda cidade tem lugares que as compram para reciclagem. Se jogadas no lixo comum vão levar quase duzentos e cinquenta anos para se decomporem, porém se forem recicladas em poucos meses estarão sendo usadas com novas utilidades.

As tampinhas de garrafas plásticas podem servir nas escolas para criação de jogos os mais diversos. O primeiro de tudo é explicar para as crianças o que é a reciclagem e o motivo da sua importância para o planeta.  

As crianças também podem ter contato e entrevistarem artistas que fizeram das garrafas plásticas poltronas e até mesmo casas. Nesta aula, elas podem ser convidadas a criarem ideias e fazerem os seus próprios objetos ou brinquedos com as garrafas. Na escola também podemos utilizar as garrafas para plantarmos hortaliças e fazermos delas pequenos vasos. Há várias ideias na internet ensinando a reciclar as garrafas plásticas.

Usar a que melhor a sua criança vai conseguir compreender de forma fácil e rápida é uma boa alternativa. Estima-se que mais de oitenta por cento das garrafas plásticas de água descartáveis se tornem lixo o que vem causando tantos problemas ao meio ambiente.

Pergunte a uma criança o que ela faz com o seu sapato velho. O sapato que não serve mais para nada ou o que a vovó ou o vovô fazem com os seus sapatos. Certamente, a resposta será que jogam no lixo porque tudo vai para o lixo.

Mas digam às crianças quanto tempo leva um sapato de couro para se decompor e elas ficarão boquiabertas. Sim! Um sapato de couro leva cerca de quarenta anos para se decompor e estima-se que cerca de trezentos milhões deles sejam jogados no lixo comum anualmente. Eles são extremamente prejudiciais ao meio ambiente devido ao curtimento. Curtir o couro cru é um processo de industrialização que envolve operações de processamento que tem por finalidade deixá-lo utilizável para a indústria e o atacado. Os curtimentos mais utilizados são os vegetais e os minerais, sendo este último o mais utilizado. Devido aos vários processos que envolvem o curtimento este pode ser perigoso ao planeta.

Toda criancinha usa fralda descartável nos dias atuais o que é altamente prejudicial ao meio ambiente quando jogada no lixo comum, pois a sua decomposição completa ocorre depois de quatrocentos e cinquenta anos. É o que mais vemos nos aterros de lixos. Um bebê usa centenas de fraldas ao longo da sua vida. Se pudéssemos voltar a usar as fraldinhas de tecido, aquelas que duravam anos, muitas vezes a criança crescia e passava a fralda para o irmãozinho menor seria tão maravilhoso.

Como disse acima, somos cômodos demais. Queremos tudo com praticidade, afinal a tecnologia está aí para usufruirmos mais do nosso tempo livre e ninguém quer ficar lavando fralda de tecido mesmo que isso seja para o bem do meio ambiente que acarreta no nosso bem.

Se temos o lixo eletrônico como um vilão do meio ambiente e sem respostas concretas do que podemos fazer com ele ainda temos os alimentos que são jogados fora. Acredite se quiser, mesmo em tempos de fome, aonde pessoas estão morrendo porque não têm o que comer muitas famílias ainda desperdiçam comida jogando-as no lixo. Os grandes restaurantes também fazem isso.

Alguns alimentos custam a se decompor quando jogados no lixo. Talvez poucos saibam, mas um caroço de maçã ou uma casca de banana leva cerca de um mês para se decompor e uma casca de laranja leva seis meses. O que pode ser mais impressionante é saber que uma única folhinha de alface pode levar pelo menos vinte e cinco anos para se decompor em um aterro sanitário.

A decomposição de resíduos alimentares leva bastante tempo. Sabemos que os alimentos em aterros se decompõem sem oxigênio, criando metano que é um gás vinte e três por cento mais forte do que os gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono. Assim, mesmo que parte desse metano seja convertido em energia, uma grande parte vai para a atmosfera contribuindo para a mudança climática, por isso o clima está cada vez mais louco em algumas regiões do planeta e lugares onde antes eram bastante frios estão ficando quentes ou vice-versa.

O certo é que não devemos desperdiçar comida. Comprarmos apenas aquilo que vamos comer. Prestar atenção na validade dos alimentos industrializados, comprar sempre o que é necessário para alimentar a família por uma semana ou um mês. Alimentação está muito cara para ser desperdiçada. O valor da cesta básica todo mês aumenta e um trabalhador assalariado já não pode alimentar os seus filhos com uma alimentação saudável todos os dias.

Quem joga comida no lixo nunca sentiu fome e não faz caridade. Coloque no seu prato a quantidade exata que você sabe que vai comer.

A gente podia não produzir lixo, não é mesmo? Sim! Isso seria a coisa melhor do mundo! Mas já que não temos como evitar os vários tipos de lixos vistos aqui que nós sejamos educados e saibamos reduzi-lo ou descartá-lo em locais apropriados.

O problema do lixo eletrônico continua sendo grande e parece que não temos soluções fáceis. Urgente se faz usarmos por mais tempo os nossos aparelhos celulares e não darmos ouvidos as diversas propagandas de consumo desenfreado.

Segundo Lavoisier, considerado o pai da química moderna, “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Que com esta citação de Lavoisier possamos transformar o nosso lixo em coisas alegres, bonitas e decorativas aos olhos dos amantes da arte e da poesia de se reinventar e reinventar coisas maravilhosas todos os dias para tornar o mundo melhor.

Não acumule lixo no seu coração, recicle-o em amor!

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Quanto vale um professor?

Estou propondo uma necessária reflexão sobre o cuidado que todos nós podemos e devemos ter com nossos professores se quisermos ter um educação melhor para nossos filhos e uma pátria realmente educadora.

Não há dúvidas que a educação é importante e imprescindível em qualquer sociedade. O grau de desenvolvimento e de riqueza de um país passa, necessariamente, pelos níveis de escolarização de seu povo. Estudos mostram que os índices de pobreza, violência, indigência, mortalidade infantil, homicídios, latrocínios, corrupção e tantos outros males que nos preocupam e nos causam insegurança e indignação, são drasticamente diminuídos quando a educação é colocada como prioridade efetiva nas gestões públicas e na forma como a sociedade cuida dos processos educativos escolares.

De modo geral, há um consenso de que a educação é importante. Os políticos são os primeiros a pronunciarem discursos inflamados (principalmente em época de eleição) em defesa da educação e do quanto vão se empenhar para que a educação seja prioridade em governos.

A grande maioria dos pais almeja que seus filhos possam ter escola de qualidade e muitas vezes estão até dispostos a pagar pela escola de seus filhos desde que esta garanta uma aprendizagem compatível com as exigências do futuro profissional. No entanto, efetivamente, estamos muito longe de ter uma educação de qualidade em nosso país e a suposta centralidade da educação não ultrapassa os limites do discurso retórico. Estamos muito distantes de ter “um país com educação de qualidade”.

Minha experiência, de mais de 30 anos lidando com educação escolar nos mais diversos níveis (da educação infantil ao doutorado, formação de professores, palestras, cursos, discussão com especialistas, integrando comissões, avaliando instituições etc), bem como minhas pesquisas que tenho desenvolvido nos últimos mais de 20 anos anos, divulgadas nos mais de 30 livros organizados e nos mais de uma centena de artigos publicados em diversos periódicos qualificados no Brasil e alguns no exterior, me fazem concluir que não se pode ter educação de qualidade sem cuidar do professor.

Mas quanto vale um professor?

Não estou falando de salário, de remuneração ou da folha de pagamento dos municípios, dos estados ou das instituições privadas que atuam com educação. Não estou falando da quantidade de dinheiro que cada família investe na educação dos seus filhos.

Estou falando do valor simbólico e social de um professor; estou me referindo ao reconhecimento que qualquer profissão precisa ter para que possa ser exercida com dignidade, com paixão e com dedicação; estou alertando para o fato de que os estudos mostram que num futuro próximo não teremos mais professores para educar nossos filhos; estou propondo uma necessária reflexão sobre o cuidado que todos nós podemos e devemos ter com nossos professores se quisermos ter um educação melhor para nossos filhos e uma pátria educadora.

Não tenho dúvidas que existem muitos tipos de professores: assim como há professores dedicados, comprometidos, entusiasmados pelo que fazem, educadores no pleno sentido da palavra; há também aqueles que, infelizmente, são relapsos, acomodados, irresponsáveis, descomprometidos, que se tornaram professores “por acidente” ou por falta de opção e que alguns poucos chegam a envergonhar nossos sistemas educacionais.

Na grande maioria das escolas encontramos os dois tipos de professores e talvez é de nossa responsabilidade valorizarmos aqueles que diariamente “gastam” sua vida para que nossos filhos tem uma educação de qualidade, uma educação pautada nas virtudes, que lutam bravamente para contribuir na formação de uma educação cidadã.

A pandemia revelou de forma cruel e implacável o quando uma sociedade sofre com escolas fechadas, com a ausência de uma convivência social organizada e formativa entre crianças, jovens e adultos nos ambientes escolares e como toda comunidade sobre com a desescolarização.

Mesmo neste momento difícil de isolamento social, a grande maioria dos professores não mediu esforços para se reinventar e reinventar alternativas para não deixar crianças, jovens e adultos sem momentos formais de ensino e de aprendizagem.

Não faltaram desinformados e mensageiros da maldade que, sem saber as reais situações de precarização que muitos professores, compartilharam em suas “bolhas digitais” calúnias e fakes ofensivas aos professores, exigindo que as escolas fossem imediatamente abertas, pois “lugar de criança é na escola e que se dane a pandemia”. Professores perderam sua vida do retorno precoce das aulas em certas escolas.

 Valorizar o trabalho do professor, reconhecer sua importância, participar das atividades da escola, ser uma presença ativa na educação dos filhos, conhecer a forma como os professores realizam o seu trabalho, tornar a educação dos filhos o centro de nossa atenção são alguns indicativos para que a educação ocupe o lugar que ela merece no mundo em que vivemos.

O tipo de ser humano e de profissional que se tornará nosso(a) filho(a) depende do tipo de formação que ele(a) está tendo na escola e em nossa casa. Assim, ao invés de perguntarmos que mundo deixaremos para nossos filhos, devemos perguntar que filhos deixaremos para este mundo.

Em outra publicação Educar o Educador, escrevemos: “A obrigação de educar é assunto público ou questão privada? Por que há de ser obrigatório educar? E quem educa o educador? São questões que dizem respeito a todos nós e por isso precisamos pensar juntos”. Leia mais!

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição: Alex Rosset

Qual o futuro do Curso Normal no RS?

Não é possível conceber que o Curso Normal, cuja qualidade na formação inicial de professores para a educação infantil e os anos iniciais sempre foi inquestionável, seja sucateado, ou simplesmente, morto e sepultado. É preciso revitalizá-lo! É preciso dar-lhe um novo sentido, sem descaracterizar a sua importância para as comunidades do Rio Grande do Sul.

Desde 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN 9.394/96, uma dúvida paira no ar: o que vai ser do Curso Normal? A pergunta parece retórica, mas não é… Parece matéria vencida, mas não é… Parece retrocesso, mas não é…

No Estado do Rio Grande do Sul, única Unidade da Federação a manter mais de cem escolas, públicas e privadas, com oferta de Curso Normal, ou, como menciona o artigo 62 da LDBEN, “formação de nível médio, na modalidade normal”, a preocupação com a formação inicial para os professores dos primeiros anos do Ensino Fundamental sempre foi uma constante.

Há mais de 150 anos, a formação de professores em nível médio está presente no território gaúcho. Cursar o “Normal” sempre significou preparar-se para o futuro, para muito além da docência; preparar-se para os desafios do cotidiano, com uma formação sólida e humanista, independente do caminho profissional a ser efetivamente construído com a conclusão do Ensino Médio.

Não obstante essa realidade histórica, a própria LDBEN ainda reconhece a importância do Curso Normal de nível médio quando o admite, como “formação mínima para a docência na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental” (art. 62).

Mesmo com o indicativo de que a formação desses profissionais fosse direcionada para a licenciatura em Pedagogia, o Estado do Rio Grande do Sul nunca admitiu a possibilidade de extinguir essa modalidade, mas pensou, em diferentes momentos pós-LDBEN, formas para ressignificá-la, realizando as adequações necessárias aos novos tempos, agregando qualidade à formação geral e à especificidade da formação para a docência, fortalecendo seu reconhecimento pelas comunidades nas quais está inserida.

No entanto, uma grande dúvida permeia nossos pensamentos: onde serão inseridos, profissionalmente, os egressos?

Sabe-se que muitas redes municipais, motivadas por algumas Instituições de Ensino Superior e “apavoradas” pela interpretação equivocada do, igualmente equivocado, e já revogado, § 4º do artigo 87 da LDBEN, suprimiram, de seus Planos de Carreira, a possibilidade de ingresso, pelos habilitados em nível médio na modalidade normal, nas carreiras de magistério. Dessa forma, em muitas redes municipais, o ingresso dos egressos não foi mais possível, desencadeando um grande esvaziamento do Curso Normal.

Apesar disso, não é possível conceber que o Curso Normal, cuja qualidade na formação inicial de professores para a educação infantil e os anos iniciais sempre foi inquestionável, seja sucateado, ou simplesmente, morto e sepultado. É preciso revitalizá-lo! É preciso dar-lhe um novo sentido, sem descaracterizar a sua importância para as comunidades do Rio Grande do Sul.

O Conselho Estadual de Educação, no longínquo ano 2000, exarou a Resolução 252, fixando normas complementares às Diretrizes Curriculares para a formação inicial de professores para a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental, estabelecidas pelo CNE em 1999. Essa Resolução indicou possibilidades para qualificar a oferta e manter o Curso Normal ativo e cumprindo o seu papel na educação das novas gerações de docentes, considerando as exigências da LDBEN. Essa normatização, ainda vigente, trouxe muitas possibilidades, e, ainda hoje, orientam os processos de reorganização do Curso Normal no RS.

Investir na formação, mais específica, de profissionais para atuarem na Educação Infantil, da creche à pré-escola, é uma boa alternativa pois, muitos municípios se valem da formação em nível médio na modalidade normal, para recrutar atendentes, auxiliares e educadores (o nome do cargo depende muito de cada rede municipal) para acompanharem os docentes dessa etapa da Educação Básica. Também muitas escolas privadas que atendem crianças na Educação Infantil buscam, no Curso Normal, a formação mínima de nível médio para os profissionais que auxiliam os docentes pedagogos nas atividades cotidianas em sala de aula e nos demais espaços pedagógicos.

Outra possibilidade a ser explorada, e significativamente importante, é de que a escola formadora oportunizasse, periodicamente, uma atualização àqueles que já estão em atividade, complementando a formação continuada oferecida pelas redes de ensino. Dessa forma, além da formação inicial, as escolas contribuíram para a qualificação dos docentes, atendentes, auxiliares e educadores, complementando a sua função social.

Por fim, faz-se necessário que, ao Curso Normal de nível médio, seja dado o devido reconhecimento pela sólida e efetiva contribuição, ao longo de mais de 150 anos, para a formação inicial de professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. E que, no processo de estruturação do Novo Ensino Médio, seja oportunizada uma ampla discussão sobre o “locus” que ocupará o Curso Normal. Será um itinerário formativo? À qual área de conhecimento estará vinculado? Será um itinerário de Formação Técnica e Profissional? Está no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos – CNCT? A qual Eixo pertence?

É preciso ter parcimônia e cautela quando a decisão a ser tomada pode mudar, significativamente, o modo de vida de muitas comunidades. Contribuir para a mudança de pensamento, de comportamento, de atitudes, de vida, é nosso compromisso de educadores(as). É preciso refletir se estamos fazendo isso de forma positiva, harmônica, solidária e comprometida com a felicidade e o sucesso das novas gerações.

Autor: José Adilson Santos Antunes

Edição: Alex Rosset

Migrante: minha cama é minha casa

Crise sanitária e humanitária, acrescenta-se a insegurança quanto à inserção no mercado de trabalho, bem como a garantia dos direitos básicos à mera sobrevivência. Os vulneráveis se tornam indesejados e “descartáveis”.

A pandemia exibe sua face perversa e devastadora. Efeitos de curto, médio e longo prazo, que imprimem sequelas desconhecidas e, por isso mesmo inquietantes, sejam elas de ordem física ou emocional, sejam as marcas no cérebro e sistema nervoso central.

O fato é que, no momento, já se contabilizam mais de meio milhão de mortos no Brasil. Ao partirem, de forma precoce, deixaram uma enorme quantidade de famílias de enlutadas. Figuram entre elas grande parte de dependentes desassistidos, filhos e filhas de uma tragédia que por todo lado espalha vítimas.

Destas últimas, os migrantes o são em dupla dimensão. Não poucos perderam qualquer tipo de fonte de rendimento, por mínima que seja, enquanto outros sequer conseguiram os documentos necessários para uma cidadania segura. Para eles, à crise sanitária e humanitária, acrescenta-se a insegurança quanto à inserção no mercado de trabalho, bem como a garantia dos direitos básicos à mera sobrevivência. Os vulneráveis se tornam indesejados e “descartáveis”.

O coronavírus não conhece fronteiras. Com a fúria e a violência de um furacão endiabrado, ceifa e varre centenas de milhares de vidas pelos quatro cantos do planeta. Vale um exemplo: “Arrendar uma casa ou um quarto é uma frase que não entra nas conversas dos imigrantes acabados de chegar às grandes cidades. Em Lisboa, pagam 100 a 250 euros por uma cama ou uma vaga, dormem em beliches que ocupam todos os cantos de um assoalho. Vivem em prédios velhos e degradados (…). O elevado custo da habitação afeta tanto os portugueses como os estrangeiros, mas são maiores as dificuldades para quem vem de longe”, os migrantes.

Os dados da Eurostat de 2019 confirmam as desvantagens habitacionais dos estrangeiros. No que diz respeito à superlotação das casas, Portugal é um dos países da União Europeia (EU) onde a distância entre a população de nacionalidade portuguesa e estrangeira é maior: 24,5% dos estrangeiros residem em alojamentos superlotados enquanto 7,8% dos nacionais vivem nessas condições, ou seja, menos 16,7 pontos percentuais, diz o Relatório Estatístico Anual de 2020, Integração de Imigrantes, do Alto-Comissariado das Nações Unidas para as Migrações”. (Cfr. niem-migracao@googlegroups.com, veiculado na data de 8 de julho de 2021).

O novo coronavírus, porém, encontrou no Brasil um terreno fértil para se proliferar e dizimar um número inusitado de vítimas fatais. Entre os fatores que contribuíram para esse contágio inédito, está em primeiro lugar o menosprezo quanto ao potencial mortífero da Covida-19, por parte do presidente da república, Jair Bolsonaro, em cumplicidade com outros representantes do governo federal – o que levou à consequência lógica da indiferença e desinteresse públicos.

Mais grave, entretanto, foi a pretensão de medicar de forma irresponsável e incompetente remédios sem eficácia comprovada contra o coronavírus. Some-se a isso uma acentuada e repetida dose de escárnio e deboche, descaso e miopia diante da morte, da separação e do sofrimento de tantos cidadãos.

Difícil perdoar quem, de tão prepotente, alheio ou insensível, torna-se incapaz de solidarizar-se com milhões de órfãos enlutados!

Na raiz de semelhante atitude, encontramos o negacionismo não somente diante da pesquisa e dos avanços científicos, mas também no que diz respeito ao bom senso e a uma convivência minimamente humana. Negacionismo que desde cedo bateu-se de forma autoritário e violenta conta as instituições e instâncias do Estado de direito, tentando a todo custo minar os alicerces da democracia.

E bateu-se, ainda, com igual virulência contra os membros dos demais poderes, Judiciário e Legislativo, além da rota de colisão quase que diária e obsessivo com acadêmicos, artista, intelectuais e com os meios de comunicação em geral. Como se qualquer pessoa com o mínimo de racionalidade e de bom senso constituísse uma ameaça, na medida em que tende a ressaltar a ignorância do chefe da nação e sua seita de fanáticos.

Numa palavra, desta vez é o “rei” que faz o papel de “bobo da corte”. Isso sem falar do desrespeito ostensivo quanto às normas sanitárias, tanto da OMS, quanto do Ministério da Saúde do próprio governo.

Hoje as migrações se fazem por etapas. A terra natal é sempre o lugar de partida, evidentemente, mas ignora-se o lugar de chegada. Cada etapa representa, ao mesmo tempo, um o ponto de chegada e uma tentativa de fixação. Mas permanece aberta a possibilidade de retomar a estrada. O ponto de chegada pode converter-se em novo ponto de partida. Leia mais!

Autor: Pe. Alfredo J. Gonçalves

Edição: Alex Rosset

Servidor público não pode ser um paradoxo

A própria palavra servidor significa aquele que serve. Se o cidadão paga imposto é o serviço público antecipado, deve receber um tratamento á altura. Esse é o princípio.

Os textos são pensamentos contidos e, muitas vezes, lutamos contra as palavras para que elas não se manifestem. As palavras esperam ser escritas, porque é delas que se materializa o discurso.

Esse texto me fez mergulhar surdamente no reino das palavras porque fui provocado por um discurso paradoxal de um Deputado Estadual do RS, tratando com tamanho desprezo o serviço público, se vangloriando por ter vendido mais uma empresa pública estadual. Assista o vídeo do deputado, postado em rede social.

Assim, o texto explode. Dizia esse “representante do povo”, abre aspas: “acabamos de concretizar, juntamente com o Governador Eduardo Leite, a privatização da CEEE, muito importante esse passo para o Estado do Rio Grande do Sul, para possibilitar ainda mais investimento…momento histórico…deixando um grande legado para os gaúchos”.

Nesse discurso já existe um paradoxo, porque ele foi eleito pelo povo para zelar, preservar, manter o serviço público. Ao contrário, faz o que não deveria fazer, pois está ali para garantir que o povo usufrua do seu direito. Há uma vontade muito grande de uma parcela dos políticos em acabar com os serviços públicos, reduzindo o Estado à zero.

O paradoxo discursivo está em dizer “deixando um grande legado para os gaúchos”. Que legado é esse? Deixar a pampa pobre? Herança maldita? Para depois esse mesmo cidadão dizer na Assembleia Legislativa que não há como fazer nada pela população, porque é a iniciativa privada que tem domínio.

Rock de Galpão interpreta “Herdeiro da Pampa Pobre”, de Vaine Darde e Gaúcho da Fronteira, com a participação especial de Humberto Gessinger, no ​Centro Histórico-Cultural Santa Casa​, em Porto Alegre, em maio de 2017. A canção, logo depois do seu primeiro lançamento, no álbum “Gaitaço” (1990), de Gaúcho da Fronteira, passou a ocupar um lugar de destaque no repertório tradicionalista gaúcho, recebeu também o reconhecimento do público rockeiro de todo o Brasil com a versão gravada pelos Engenheiros do Hawaii em seu álbum “Várias Variáveis” (1991). A versão apresentada neste vídeo é parte integrante do DVD “Rock de Galpão 10 Anos na Estrada” (2018). https://youtu.be/i4Go6Qf9wYU?t=93

O Estado deve garantir os serviços públicos e não privados. Se nós privatizarmos todos os serviços que são prestados ao cidadão, que autonomia o governo vai ter para garantir ao povo, que paga altos impostos, na retribuição de direitos?

Daqui a pouco não vamos ter mais razão de existir políticos, porque se não há serviço público, para que políticos? Estradas (privadas)? Energia (privada) Água (desejo de privatizar)? Petrolífera (desejo de privatizar tudo). Educação? (sucateada).

Para que serve o serviço público, se não é estar a serviço do povo? O que é um servidor público senão um agente para proteger a população?

O serviço público serve para garantir à população a devolução do que ele contribui. O serviço público não é prestado gratuitamente, ele é pago antecipado e, por isso, deve funcionar. O cidadão merece um bom tratamento. O Estado deve manter os serviços públicos e de boa qualidade.

Sobre o discurso similar ao que trouxemos no início desta reflexão, é absurdamente contraditório, porque é como se ele fosse gerado do ventre e quando sai (se elege) maltrata quem o gerou, como se o filho maltratasse a mãe.

Eu sou um linguista e me alimento com as palavras. O que seria eu sem as palavras, se eu as maltratasse? Uso as metáforas porque elas me permitem que o leitor entenda facilmente o sentindo que dou às palavras. Sabe aquela história “a raposa cuidar do galinheiro?” Conhece o ditado: “Cuspiu no prato que comeu?” Se assemelha com o servidor público que entra no serviço público e depois faz pouco caso dele.

Eu sou funcionário público passado em concurso e a meu ver devo cuidar e defender o público sempre. Sou educador e devo fazer de tudo dentro da função que desempenho, não desmoralizar.

O funcionário público que passa num concurso tem o dever de lutar para melhorar o que é público, ainda mais quem entra nesse setor com a responsabilidade de zelar pelo público, como o político, que se diz representante do povo. Ninguém está fazendo favor para a população. Na educação, que é a área, da qual conheço muito bem, somos bombeiros da vida. Bombeiros que salvam dos perigos. Bombeiros que alcançam a escada e ajudam a subir. Salvam vidas encaminhando para os melhores caminhos.

Enquanto funcionários públicos, devemos fazer sempre o que está no nosso alcance para que a população saia satisfeita. Não podemos ser paradoxais. Paradoxo contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, a crença ordinária e compartilhada pela maioria.

A própria palavra servidor significa aquele que serve. Se o cidadão paga imposto é o serviço público antecipado, deve receber um tratamento à altura. Esse é o princípio.

Autor: Laércio Fernandes dos Santos

Edição: Alex Rosset

A arte de contemplar o belo

Contemplar, sobretudo, é ver Deus nos seres e nos acontecimentos, pois Deus fala na história, em cada situação concreta.

Nossa vida é feita de rotina, de pressa e de falta de admiração e contemplação. Perdemos o essencial na vida, invisível aos olhos (Saint Exupery, no livro “O pequeno Príncipe”), pela pressa de chegar, de realizar, de fazer acontecer.

Estamos sempre atrasados em nossa neurose, parecendo que alguém vai morrer porque não chegou. Perdeu-se o jeito de contemplar as coisas mais simples, mais corriqueiras, mais genuinamente belas e pequeninas, mas incrivelmente grandes.

A palavra “contemplação” vem do latim cum + templare, que é colocar-se dentro do templo, numa situação de envolvimento e admiração. Projeta-se no templo a descoberta (o descobertar) da vontade de Deus.

A palavra latina templum é “lugar donde a vista se descortina ao redor, espaço marcado no ar em que os agoureiros observavam o voo das aves” ou ainda “o santuário do pensamento”.

Contemplar é um olhar atento que descobre Deus na presença de suas ações e de suas obras. Segundo Frei José Carlos Pedroso, contemplar, ao pé da letra, não é orar (de os, oris = boca), nem rezar (de recitare: ler alto ou repetir um texto escrito), mas é um relacionamento excelente com Deus, a quem nós ficamos observando, descobrindo, saboreando a vida genuinamente de sinais, feita de ritos e gestos.

A própria palavra descobrir é entendida como “tirar a coberta” e desvelar como “tirar o véu”.

Um verdadeiro contemplador seria um “observador de voo”, um perceptível interpretador dos movimentos e acontecimentos num olhar clínico da realidade. É observador, não deixando passar em branco os detalhes de Deus em sua vida.

Podemos fazer exercícios de contemplação. Contemplar, sobretudo, é ver Deus nos seres e nos acontecimentos, pois Deus fala na história, em cada situação concreta.

Santa Clara e São Francisco foram grandes santos contemplativos da humanidade, que viam Deus em todas as criaturas, que chamavam de irmão e irmã. Até o lobo é chamado de “irmão lobo”, juntamente com o sol e com a lua, trazendo o dia pela mão. Sabiam contemplar o belo, o corriqueiro, no ordinário da vida.

Fascinante recordar Madre Teresa de Calcutá: “A contemplação não ocorre por nos fecharmos num quarto obscuro, mas por permitirmos a Jesus que viva a Sua Paixão, o Seu amor, a Sua humildade em nós, que reze conosco, que esteja conosco e que santifique através de nós.

A nossa vida e a nossa contemplação são unas. Não é uma questão de fazer, mas de ser”. É preciso parar o bonde, que está andando! Como cantou Raul Seixas: “Pare o mundo, que eu quero descer”. É preciso redescobrir a arte de saber parar tudo perder tempo e contemplar.

A nossa pressa nos trai, nos incomoda, nos atormenta, nos persegue, nos escraviza. A oportunidade de amar nos liberta do tempo e também do espaço. Viva o agora no amor e se eternize no agora permanente. (08/04/2017) Leia mais!

*Publicação originalmente publicada em: https://www.donfanews.com.br/colunista/338/a-arte-de-contemplar-o-belo.html

Autor: Pe. Gerson Schmidt

Edição: Alex Rosset

Candidata a professora, formou-se médica

Gostamos de contar histórias de profissões educadoras. Todas as profissões tem algo a nos ensinar; aprendemos sempre, em vários momentos de nossa vida e a partir de muitas possibilidades e oportunidades. Nesta entrevista, apresentamos lições importantes a partir de uma médica, com história pessoal vinculada à educação.

A história que contaremos agora é de Cristine Pilati, médica e Secretária da Saúde do Município de Passo Fundo.Pilati escolheu, no seu tempo de Ensino Médio, fazer o Curso Normal (Magistério) pensando em ser professora.  Depois de concluir o Curso no Ensino Médio, escolheu Medicina. Este seu gosto pelo ensinar não foi ofuscado pela escolha da nova profissão; muito antes, pelo contrário, acompanha Cristine até hoje.

Cristine Pilatti estudou na EENAV (Escola Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro), uma das escolas estaduais da Região Norte do RS que até hoje continua formando jovens professores e professoras no Curso Normal (Magistério). Confira a matéria: https://www.neipies.com/importancia-do-curso-normal-magisterio-na-formacao-inicial-de-professores-e-professoras/

Nem todos os/as estudantes que escolhem até hoje o Curso Normal (Magistério) como parte da formação inicial dos professores e professoras seguem na profissão, mas como podemos perceber, esta experiência significativa de preparar-se para a profissão docente impregna de sentido outras profissões que são influenciadas pelos conhecimentos e vivências deste Curso.

Conheçamos um pouco de Cristine Pilatti e de sua história por ela mesma.

SITE NEIPIES: Em que contexto, ainda bem jovem, decidiste fazer o Curso Normal na Escola EENAV? 

Cristine Pilati:  Meus pais são professores. Minha mãe foi diretora da Escola Arcoverde Cardeal Acorverde e Pedro dos Santos Pacheco de 1972 a 1985. Meu pai professor de Geografia da Escola EENAV. Ambos cursaram magistério. Minha madrinha Claci foi Secretária de Educação do Município de Marau por muitos anos. A Educação sempre esteve presente no nosso lar. Então, foi muito natural a escolha do Magistério como primeira profissão. Amo ensinar, isto está presente em toda minha carreira profissional. A Educação e a forma que evoluímos e nos tornamos melhores como pessoas e sociedade.

SITE NEIPIES: Quais são suas melhores lembranças, memórias e aprendizagens do Curso Normal? 

Cristine Pilati:  As melhores lembranças são as crianças e minhas colegas de turma. Tínhamos um grupo de teatro maravilhoso. Fui também presidente do Grêmio Estudantil do EENAV, uma lembrança muito boa.

SITE NEIPIES: Seu pai é professor. Sabias detalhes da profissão docente desde casa. Conte-nos sobre isso.

Cristine Pilati: Como falei anteriormente, minha família tem este vínculo forte com a educação, não somente no Ensino Médio, como no Ensino Superior. Minhas irmãs também são professoras, Terezinha Pilati e Adriana Pilati, meus primos também, como Roberto Portalluppi, em Marau, professor de Inglês e Biologia, do EJA. Trabalhar com a Educação, é um grande prazer e realização pessoal para todos na minha casa.

SITE NEIPIES: Como vês a profissão professor/a?

Cristine Pilati: Os professores são grandes combatentes das desigualdades sociais. São heróis, na minha visão. Atualmente, acredito ser muito desafiador conseguir ensinar. Neste mundo repleto de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, levar o ensino ao jovens torna-se uma tarefa árdua e deve ser valorizada por toda a sociedade.

SITE NEIPIES: Em que contexto nasceu a vontade e decisão de cursar Medicina?

Cristine Pilati: Desde que me conheço por gente, gosto de cuidar das pessoas. Ensinar também é cuidar! Sempre busquei a medicina, mas isso não me impediu de gostar de ensinar, só veio acrescentar para minha realização profissional. Desde cedo, nós médicos aprendemos que devemos passar o conhecimento para os mais jovens, internos, doutorandos, alunos e médicos residentes. Isso nos atualiza e nos compromete com a continuidade dos princípios de Hipócrates.

SITE NEIPIES: Quais foram, até agora, os maiores desafios de sua profissão? E as realizações?

Cristine Pilati: Acho que jamais imaginei o que estaríamos vivenciando hoje a partir da Pandemia da COVID – 19. O medo, a incerteza, fadiga e a necessidade de nos inventarmos todos os dias, buscando o máximo de resiliência nunca foi tão necessário. Cada conquista é única, mas acredito que a maior foi realmente a formatura em Medicina, até hoje, este foi meu melhor momento profissional, aquele realmente especial.

SITE NEIPIES: Quais são, hoje, os desafios de dirigir a Secretaria Municipal de Saúde de nossa cidade Passo Fundo?

Cristine Pilati: Nunca me imaginei nesta posição, mas sou comprometida em tudo que faço. Quem me conhece, sabe que os desafios fazem parte de mim. Acredito no SUS. Acredito que a população necessita de diretrizes e políticas de saúde justas. Creio que o bom debate, na sociedade, tem um grande espaço e valor. Devemos nos preocupar com esta construção e a sociedade deve participar, auxiliando na implantação destas ações e realizando o controle social.SITE NEIPIES: Que mensagem gostarias de dirigir aos que lêem esta entrevista.

Cristine Pilati: Aos professores que me auxiliaram a ser o que sou, meu muito obrigada! À minha família, que me inspira todos os dias, agradeço pela paciência. Ao Prefeito Pedro Almeida, minha gratidão por me convencer a encarar este desafio!

SITE NEIPIES: Um pensamento, uma frase, uma ideia que diga algo sobre você ou sobre sua vida.

Cristine Pilati: “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito curta, para ser insignificante” — Charlie Chaplin.

Edição: Alex Rosset

Algumas maneiras de ensinar as crianças sobre a preservação dos oceanos e mares

Faz-se necessário mostrar as nossas crianças a importância da conservação dos oceanos e mares. As crianças são abertas a coisas novas, são curiosas e gostam de investigar tudo o que contamos para elas. São boas na aprendizagem.

A poeta portuguesa Sophia de Mello Bryner Andresen amava o mar. Em seus poemas é belo o amor que encontramos pelo mar. Ela fala de uma forma tão carinhosa que chega a doer, a gritar, a imprimir na gente o quanto os nossos oceanos estão sofrendo por nossa causa. Sim, somos os responsáveis pelos seus sofrimentos e nada fazemos para sarar as suas dores e os seus pedidos de ajuda.

Acho que perdemos os sentidos no que diz respeito ao meio ambiente. É como se não escutássemos, não ouvíssemos, não sentíssemos e não tocássemos nas águas ou nas árvores e deles não fizéssemos uso para nada. Claro que isso é mentira porque necessitamos do meio ambiente para continuarmos vivendo.

Sem os oceanos e mares, teria sido bem difícil descobrir novos mundos, como fizeram os navegadores que não temeram as lendas e mitos sobre a imensidão dos oceanos e os seus poderes sobrenaturais, nem ouviram as palavras de anciãos que temiam o desbravar dos oceanos como podemos ver na figura do Velho do Restelo contada no poema dos “Lusíadas” do poeta Luiz Vaz de Camões.

Peçamos a Poseidon, deus dos mares e oceanos, proteção para que possamos sempre cuidar das nossas águas salgadas como se cuida de algo que se ama muito e que nunca a sua ira se volte contra nós. Que com o seu tridente ele possa fazer brotar oceanos e mares nos corações das crianças e assim possam mergulhar nas suas águas límpidas e afáveis.

Para não causar confusão de compreensão, vou explicar a diferença entre mares e oceanos. Os oceanos são os maiores elementos de água salgado do mundo. Enquanto os mares, são porções menores também de água salgada. Espero que fique claro que ao falar de mares e oceanos, refiro-me a água salgada do nosso planeta Terra. E é dessa água salgada que quero falar ao longo do meu ensaio, ora falando da grandiosidade dos oceanos, ora falando dos mares que são porções menores, mas que nem por isso deixam de ter importância para todos nós.

Os oceanos ocupam setenta por cento da superfície do planeta. Algumas crianças ainda não os conhecem, mas não custarão a conhecê-los. São importantes para a nossa sobrevivência como também para a vida marinha.

O menino ou menina que tem seu primeiro contato com a água do mar fica deslumbrado com aquela imensidão, aquelas ondas que vão e vêm, aquele azul que se movimenta num belo bailado e nos proporciona momentos de lazer maravilhosos à beira-mar, pois as pessoas que vivem nas cidades litorâneas desfrutam dos oceanos para se divertirem ao seu redor.

Lembro-me bem da minha infância de quando passava os meus domingos de frente para o mar deitada na areia da praia, escutando o canto das ondas e desfrutando de um sol quente. Tomar banho de mar era a coisa mais gostosa do mundo para uma menina de oito anos de idade que tinha como distração gratuita apenas o mar.

As águas do oceano da minha cidade são as mais belas que já vi em toda a minha vida. Elas parecem nos acariciar quando as tocamos, parecem nos abraçar e nos embalar em seus seios feitas mães cuidadosas. São águas afáveis e amantes de uma gente que não sabe mais valorizá-las, ou seja, tornamo-nos carrascos das águas dos oceanos castigando-as e fazendo-as sofrer as mais diversas dores e perigos que imaginarmos.

Os oceanos têm recebido ameaças à sua sobrevivência com o aumento da poluição, pesca predatória e mudanças climáticas. A vida marinha está em perigo: mamíferos e corais correm o risco de desparecerem do planeta. Quem são os culpados? Quem? Um grande NÓS em letras cursivas para chamar atenção e conscientizar cada um de vocês da importância dos oceanos e mares para o planeta.

Nos oceanos, encontramos diversos ecossistemas que estão sofrendo, principalmente com a poluição desenfreada porque somos robotizados a descartar tudo o que não serve mais para nós pelas janelas dos nossos caríssimos automóveis ou descartamos em locais impróprios. Com isso, as águas das chuvas levam todo o lixo encontrado nesses locais para os oceanos e mares.

Estudos apontam que corremos o risco de perder mais da metade da vida marinha até 2100. Isso é um fato preocupante, pois os oceanos fazem parte da ecologia da Terra e quando coisas assim acontecem causam impacto indireto em outros aspectos do nosso planeta.

Mudanças ambientais significativas prejudicam a saúde dos ecossistemas dos oceanos, por isso quanto mais diminuirmos as agressões ao meio ambiente estaremos contribuindo para a sua preservação. É cuidando, amando e dando importância que construiremos um mundo melhor para vivermos e não o agredindo. Esse cuidado que não vemos mais nem dentro das nossas casas porque não temos mais tempo para cuidar dos nossos familiares é o mesmo que estamos fazendo com o meio ambiente.

Sinceramente, eu não sei o que faz uma pessoa jogar uma garrafa de plástico no meio da rua e não colocá-la na mochila e descartá-la num lugar apropriado. Tem pessoas que são tão agressivas ao meio ambiente que fazem questão de sujar as praias e mares com os seus famosos piqueniques, quando vão embora deixam para trás um rastro de sujeira grande como se quisesse dizer eu estive aqui, quanto orgulho, né?

Um estudo da NASA recente, 2019, mostrou como o aumento da temperatura das águas dos oceanos está ligado a eventos climáticos extremos, assim como desastres. Precisamos parar com essas agressões aos oceanos e mares. Devemos nos educar para salvarmos o meio ambiente de uma forma consciente e cuidadosa.

Educar as nossas crianças desde a tenra idade para que aprendam bem cedo a protegerem o meio ambiente de forma que na vida adulta tenham um lugar melhor onde se viver. Este é o nosso lugar de vida. Se não cuidarmos dele tenderemos a viver de forma precária e difícil.

Faz-se necessário mostrar as nossas crianças a importância da conservação dos oceanos e mares. As crianças são abertas a coisas novas, são curiosas e gostam de investigar tudo o que contamos para elas. São boas na aprendizagem.

Os mares recebem esgotos não tratados que correm para os oceanos poluindo suas águas. Na minha cidade, podemos ver um esgoto enorme a céu aberto derramar sujeiras nas águas do mar de uma das suas mais belas praias. Uma água escura, suja, fétida e extremamente poluente.

O despejo inadequado de esgotos nas águas dos mares provoca um fenômeno chamado eutrofização. A eutrofização provoca uma coloração turva nas águas ficando com níveis baixíssimos de oxigênio. Isso provoca a morte de diversas espécies animais e vegetais, e tem um grande impacto para os ecossistemas marinhos.

As crianças tomam banho nessas águas poluídas sem se darem conta dos perigos das doenças da pele e até mesmo outras que podem vir a ser causadas. É triste ver isso. O poder público nada faz para parar com essa poluição. Outros poluentes dos mares e oceanos são alguns materiais que poderiam ir para o lixo: garrafas, sacolas, canudos, copos plásticos.

Devíamos ter uma lei que proibisse o uso de plásticos em alguns restaurantes e que nas cidades litorâneas eles não pudessem ser usados. É comum vermos tartarugas, golfinhos e outros animais marinhos mortos envolvidos em sacolas de plásticos.

Também temos a pesca predatória que tem destruído cada vez mais com a vida marinha. Essa atividade pesqueira executada de forma desenfreada, ou seja, é a pesca excessiva e insustentável praticada pela ação humana. Das espécies marinhas mais ameaçadas pela pesca predatória no Brasil, temos: os peixes, os caranguejos e as lagostas. A infinidade de pescadores que pescam lagostas novinhas e pequenas, caranguejos fêmeos e em período de reprodução é enorme.

O peixe atum é um dos mais ameaçados por esse tipo de pesca. Sabemos da necessidade que o pescador tem para trazer o alimento para a sua família do mar, mas se ele continuar a fazer esse tipo de pesca chegará um dia que não terá mais o que comer nem em terra nem no mar. A comida desaparecerá por completo porque ele mesmo destruiu tudo.

Só quem já mergulhou nas águas profundas dos oceanos sabe da imensidão da sua beleza ao ver os seus corais coloridos, os golfinhos que vêm brincar conosco e as algas marinhas.

 Levar as crianças para fazerem pequenos mergulhos nos mares próximos das suas casas é um passeio educativo para mostrar a importância da preservação e do cuidado. E por falar em educação vou citar mais algumas maneiras além dessa para educar as crianças na proteção dos mares e oceanos, pois elas são curiosas e sinceras nos seus sentimentos e muitas vezes sabem cuidar das coisas muito melhor do que certos adultos, principalmente, aquelas mais observadoras e atentas a tudo ao seu redor.

Uma educação para proteção dos mares e oceanos pode começar mostrando às crianças a sujeira que alguns adultos costumam deixar nas praias depois de um dia de lazer. Levar a criança com um depósito ecológico para colher o lixo das praias dizendo para ela quanto tempo leva uma garrafa plástica para se decompor é importante.

Para quem não sabe uma garrafa plástica leva em média 450 a 500 anos para desaparecer do planeta depois de descartada, por isso que é importante a reciclagem. Depois da coleta de todo o lixo separar aquele que pode ser reciclado e vendido para uma empresa de reciclagem que o transformará em um objeto de bom uso.

Também podemos convidar as crianças para assistirem documentários sobre os oceanos conosco ao sabor de uma boa pipoca e de um suco de frutas delicioso. Há muitos documentários na Internet falando sobre a importância dos oceanos e mares, seus diversos ecossistemas e as suas belezas naturais. Pedir para que as crianças pesquisem também na Internet vídeos que mostrem o impacto da poluição nos oceanos e mares e discutir com elas o motivo pelo qual devemos ter cuidado com o nosso lixo também pode ser uma boa alternativa.

Não basta colocar a criança para ver o documentário ou vídeo. É preciso um diálogo sincero onde fique claro que a preservação dos oceanos é de responsabilidade de todos nós: adultos e crianças.

Outra maneira interessante de conscientizar as crianças sobre a preservação dos oceanos e mares é na hora da contação de histórias tanto na escola quanto em casa, ler para elas livros que abordem os cuidados que devemos ter para com as nossas águas salgadas. A poeta citada no início deste ensaio tem alguns livros para crianças maravilhosos e dentre eles cito “A menina do mar”.Um livro lindo para todas as idades. Em “A menina do mar” a escritora e poeta Sophia de Mello Bryner Andresen conta uma história para crianças de todas as idades sobre o desejo de mergulhar nas águas profundas do mar, de unir a terra e a água fazendo delas uma só coisa. É uma história que ensina sobre o amor, a saudade e o cuidado com o mar e a vida marinha. Vale a pena ler com os pequenos e discutir com eles cada detalhe que a escritora colocou na história chamando sempre a atenção para a preservação desses oceanos e mares.

Além da contação de histórias, também podemos ler com as crianças poemas sobre os mares, oceanos, peixes, caranguejos e outras vidas marinhas. As crianças também podem aprender a cantar a musiquinha linda intitulada “Peixinhos do mar”. É uma música curta, mas vale a pena trazê-la para o ensino-aprendizagem da criança.

A poesia, ainda tão pouco explorada na sala de aula, pode ser uma importante fonte de ensino-aprendizagem às crianças, pois as suas rimas e metáforas facilitam o mesmo. Sem contar que através dos poemas as crianças podem viajar outros mundos com as metáforas criadas pelos poetas.

Também podemos pedir para as crianças desenharem ou pintarem animais marinhos. Elas adoram desenhar peixinhos e tartarugas! O desenho fortalece a ligação afetiva da criança com o objeto desenhado. Naquele tempo que ela levou para desenhar ou pintar o bichinho foi colocado afeto e cuidado que fica no seu espírito e pode ser acordado na vida adulta.

O importante é que ao longo da sua vida, a criança tenha um ensino-aprendizagem de valorização e preservação dos oceanos e mares de forma que possa se tornar consciente e responsável, evitando a poluição do meio ambiente.

Uma maneira bem divertida para um passeio de fim de semana é levar as crianças para visitarem um aquário. Lá elas terão contato com animais marinhos que nunca viram antes e ficarão cheias de curiosidades e alegres. No caminho para o aquário canções sobre o mar e os seus animais podem ser cantadas, poemas podem ser declamados e pode-se até abrir um debate sobre o que as crianças esperam encontrar no aquário. Os professores devem sempre usar do lúdico e da brincadeira para incentivarem a aprendizagem das crianças.

Uma outra coisa importante é ensinar as crianças a reduzirem o uso dos plásticos. Substituir as sacolas plásticos de supermercados por sacolas de tecidos que podem ser reutilizáveis é uma boa opção. Sempre mostrando e falando para a criança o motivo pelo qual está se fazendo aquilo.

A poluição por plásticos nos mares e oceanos acaba criando um desequilíbrio com as mortes de várias espécies de animais marinhos. Faça a sua própria sacola de tecido junto com a sua criança. Costure-a, pinte-a e deixe-a bem bonita para quando forem ao supermercado ou à feira. A criança vai gostar muito da ideia.

E por último, envolva as crianças no assunto, procurando sempre nas reuniões familiares ou nas conversas à mesa falar sobre a importância da preservação dos oceanos e mares. Leia jornais e revistas para elas. Tire uma horinha no dia para ensinar sobre a importância do meio ambiente e a sua preservação. Não deixe apenas para a escola essa tarefa.

Cuidar dos oceanos e mares é tarefa de todos nós. Os professores devem sempre estar atentos a todos os assuntos sobre os oceanos e mares para atualizarem as crianças.

Algo que lembrei agora e seria interessante às crianças seria que todas elas tivessem em suas casas e na escola um brinquedo que representasse um animal marinho. As crianças adoram bichinhos de pelúcia e podem passar horas brincando com eles. Gostam de inventar diálogos com esses fazendo do bichinho muitas vezes um herói dos seus medos e angústias. Até mesmo o professor ou professora pode adotar um bichinho de pelúcia marinho na sala de aula e sempre que possível brincar com as crianças contando a história dos hábitos e costumes de cada animal, explorando a forma como se alimentam e se reproduzem. Também é uma ideia bem divertida e lúdica.

Ensinar as crianças que as ondas do mar não fazem barulho, mas que cantam dos seus jeitos também é uma forma de respeito e ensino. Nas cidades litorâneas, levar as crianças para um passeio diante do mar será maravilhoso para molharem os pezinhos e ouvirem o canto das ondas ao tocar nas pedras. E nas cidades sem mar tentar mostrar através de vídeos, filmes e documentários o quanto o canto das ondas do mar é bonito e tranquilizador.

Muitos poetas e escritores preferem morar de frente para o mar, pois dizem terem mais inspiração com o canto das suas ondas. Acho um privilégio para poucos morar perto do mar. Eu moro e sei bem o quanto é maravilhoso. Não há nada mais bonito no mundo do que acordar com o canto das ondas do mar a acariciar os coqueiros.

Que os nossos governantes criem leis mais fortes para proteção dos oceanos e mares e que possamos contribuir do nosso jeito para que as suas águas continuem sempre azuis e belas. E que seja possível uma tartaruga vir depositar os seus ovos na areia da praia e voltar para o mar, tranquila assim como viver por longos anos. Eu não sei você, leitor, mas eu sou feita do mar. Tenho em mim as mais belas ondas que um surfista possa imaginar e as mais belas praias onde um poeta pode morar. O mar sou eu!

 Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

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