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O conflito entre fé e ciência

Para Collins, a ciência é a única forma confiável para entender o mundo da natureza. As ferramentas científicas, quando utilizadas corretamente, são fantásticas para gerar profundos discernimentos na existência material. Porém, a ciência é incapaz de responder questões mais profundas, tais como: Por que o universo existe? Qual o sentido da existência humana? O que acontece após a morte?

O conflito entre fé e ciência é uma das grandes questões que perpassa a história do pensamento ocidental. Desde a modernidade, quando houve a separação entre as questões religiosas e as questões da ciência, esse problema tem acompanhado diversas gerações e provocado calorosos debates. Muitos escritos foram produzidos na tentativa de dar respostas as inquietantes indagações que surgem dessa tensão entre as razões da crença e a crença na razão.

Como a ciência é movida pela dúvida e pela razão, enquanto que quem alimenta a fé é a crença e o espírito, tornou-se frequente a ideia de que os cientistas costumam ser descrentes e de que as “verdades” da ciência não se conjugam com as “verdades” da fé.

Entre os diversos livros que abordam a temática, a presente resenha irá se ocupar do livro A linguagem de Deus de Francis Collins. Diretor do Projeto Genoma e considerado um dos cientistas mais respeitados da atualidade, o biólogo americano Francis Collins foi ateu convicto até os 27 anos. A partir da própria experiência pessoal ao cursar medicina e testemunhar o verdadeiro poder da fé religiosa entre seus pacientes, mudou sua visão de mundo e passou a se considerar um cientista religioso.A linguagem de Deus é uma descrição de como ele deixou de ser ateu, uma narração das dificuldades que encontrou nos meios acadêmicos quando passou a confessar sua crença e a apresentação de evidências de que a ciência e a religiosidade devem caminhar juntas em prol da humanidade.

Na belíssima e esclarecedora introdução, Collins apresenta a questão central que perpassa todo o livro: “Nesta era moderna de cosmologia, evolução e genoma humano, será que ainda existe a possibilidade de harmonia satisfatória entre as visões de mundo científica e espiritual?”. Collins está convicto que sim, pois para ele não há conflito entre esses dois domínios. O domínio da ciência está em explorar a natureza. O domínio de Deus encontra-se no mundo espiritual, um campo que não é possível esquadrinhar com os instrumentos da linguagem da ciência. Por isso deve ser examinado com o coração, com a mente e com a alma – e estas devem encontrar uma forma de abarcar ambos os campos.

Para Collins, a ciência é a única forma confiável para entender o mundo da natureza. As ferramentas científicas, quando utilizadas corretamente, são fantásticas para gerar profundos discernimentos na existência material. Porém, a ciência é incapaz de responder questões mais profundas, tais como: Por que o universo existe? Qual o sentido da existência humana? O que acontece após a morte? Por isso sua intenção com A linguagem de Deus é explorar uma integração sóbria e intelectualmente honesta entre a visão científica e a visão espiritual.

Não é possível no espaço deste breve ensaio descrever e analisar os argumentos de Collins desenvolvidos nas 279 páginas que compõe o livro. No entanto, para nossa reflexão, gostaria de destacar uma advertência ele faz para os que acreditam em Deus e para os cientistas.

Para os primeiros ele diz: “Se Deus é criador de todo o universo, se Deus tem um plano específico para a entrada da humanidade em cena e se Ele deseja uma afinidade com os humanos, nos quais injetou a Lei Moral para que se aproximassem Dele, Deus não pode ser ameaçado pela nossa mente minúscula e seus esforços por compreender a magnitude de Sua criação”.

E para os cientistas ele adverte: “Se você é daqueles que acreditam nos métodos da ciência, mas permanecem céticos em relação à fé, este seria um bom momento para se perguntar que obstáculos estão em seu caminho na busca de uma harmonia entre essas duas visões de mundo”.

Com isso Collins quer demonstrar que a ciência não é ameaçada por Deus; ela é aprimorada. Da mesma forma Deus não é ameaçado pela ciência; Ele a possibilitou por completo. E compreendendo dessa forma que poderemos juntos, recuperar os fundamentos sólidos de uma síntese satisfatória entre intelectualidade e espiritualidade de todas as grandes verdades. Certamente um bom tema de reflexão educacional que precisa ser enfrentado no fazer pedagógico de todos os que se comprometem em tornar o espaço escolar um processo de formação cidadã.

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Curso de Filosofia e do Mestrado e Doutorado em Educação da UPF

Edição: Alex Rosset

Lula: uma pedra no meio do caminho de Bolsonaro

Lula continua sendo a grande pedra no meio do caminho de Bolsonaro e que ele tem tentado levá-la até o topo do monte assim como fez Sísifo no mito grego, mas parece estar cansado. E se continuar como Sísifo nunca chegará ao topo do monte nem ele e nem a pedra.

O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu uns versos maravilhosos que nos diz “No meio do caminho tinha uma pedra / Tinha uma pedra no meio do caminho /
Tinha uma pedra / No meio do caminho tinha uma pedra” e todos nós temos um caminho a seguir que vez em quando nos deparamos com uma pedra metafórica como forma de obstáculo para a realização dos nossos sonhos e desejos. Assim é que Lula aparece no meio do caminho de Bolsonaro, como uma pedra, uma grande pedra que dispara nas pesquisas em primeiro lugar e vai assustando onosso presidente. Será que ele vai conseguir tirar essa pedra do seu caminho?

Como todos sabem, Lula foi culpado e condenado por corrupção pelo Juiz Sérgio Moro que na época estava à frente das investigações da operação da Lava Jato junto com a Polícia Federal. Essa operação começou em 2014 e prendeu muitos políticos e empresários acusados de corrupção. Lula foi julgado e condenado por vários crimes e ficou preso por mais de 500 dias na sede da Polícia Federal na cidade de Curitiba no estado do Paraná. Mas, sempre disse ser inocente e estar sendo vítima de perseguição. Em 2019, Lula foi solto e teve a condenação de vários dos crimes dos quais foi acusado anulados pelo Supremo Tribunal Federal – STF.

Lulinha paz e amor está de volta e cheio de vontade de voltar a ser presidente novamente. Bolsonaro que se cuide! O caminho estava livre para ele, mas de repente eis que Lula aparece como uma pedra no meio do caminho e atrapalha tudo. Até o presente momento ele pode ser candidato as eleições de 2022. Nada o impede de fazer isso. E acho até mesmo que não há nome melhor no PT do que o próprio Lula. Concordemos.

Bolsonaro diz-se não preocupado. Será mesmo? Tenho cá as minhas dúvidas. A sua rejeição só cresce a cada pesquisa. Até mesmo entre os evangélicos onde despontava como o candidato favorito as eleições de 2022. O povo começa a abrir a cabeça sobre as irresponsabilidades do nosso presidente e a sua grosseria para com os jornalistas e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Sem se preocupar com o que aconteceria no Brasil, com a chegada da pandemia, fez propaganda de medicamento que não curava a Covid-19 levando muitos brasileiros à morte. Fez e continua a fazer pouco caso da vacina. Chegando a dizer que ela transmite o vírus HIV. Com isso, o Brasil está num número absurdo de mais de 600.000 mortos por Covid-19. Os números têm caído porque governadores e prefeitos não têm dado ouvidos a Bolsonaro, mas ainda assim continuam altos. E o povo sofrendo de todos os lados.

É um governo altamente despreparado. Dá pouco valor as questões ambientais e quando fala só diz tolices. Enquanto outros países preocupam-se em salvar a Amazônia ele protege um ex-ministro investigado pela Polícia Federal. E se alguém sabe fazer algo neste país em termos de proteção é Bolsonaro que consegue proteger todos os seus aliados. Parece que Bolsonaro tem medo da sua própria sombra e quando quer agredir alguém não mede esforços para isso.

O corte de verbas das instituições federais que tanto pesquisam em prol da ciência brasileira é uma irresponsabilidade enorme no meio da pandemia. Essas instituições já mostraram que são imprescindíveis para o bom funcionamento dos serviços de saúde no nosso país. Algumas universidades estão ameaçadas de fecharem as suas portas daqui há alguns meses. Isso é uma vergonha!

O preço da gasolina sobe todos os dias e da conta de luz assustam o brasileiro. A gente vai no supermercado hoje e compra 1kg de feijão por um preço. No outro dia já compra por outro. O pobre não pode mais comer um pedaço de carne e a mistura no seu prato é um ovo cozido. Está tudo muito caro no Brasil. Antes o pobre podia sonhar em viajar de avião, hoje nem sonho tem mais.

Em meio a tudo isso aparece Lula como uma luz no fim do túnel. E ele veio cheio de vontade de mostrar a Bolsonaro que ainda é querido e amado pelo Brasil afora. As pesquisas apontam Lula como favorito para as eleições de 2022. Se cuida, Bolsonaro. Se tudo seguir como está e o Lula continuar livre para ser candidato no ano que vem muita coisa vai mudar. Com Lula na disputa das próximas eleições presidenciais muita gente está assustada.

Lula volta ao cenário político num momento em que o Brasil passa por sérios problemas econômicos, financeiros e de saúde pública. A inflação tem crescido a cada dia, as pessoas estão desempregadas e com fome, o PIB não consegue chegar ao esperado pelo ministro da economia e a covid-19 continua a assustar as autoridades estaduais com as suas variantes. Com isso, Lula vai fortalecendo o seu discurso de salvar o país e criando as suas bases políticas em viagens pelo Brasil.

Mas, não é só Bolsonaro que anda assustado com a sombra de Lula no meio do seu caminho. O PSDB procura um candidato que assuste Lula e Bolsonaro, mas não encontra. O Dória tem demonstrado pouca popularidade entre os brasileiros apesar de ser chamado de “pai da vacina”. A terceira via para as eleições presidenciais está difícil de ser encontrada.

A disputa boa se tudo der certo vai ficar entre Lula e Bolsonaro. Mesmo com Bolsonaro a dizer que vive sendo perseguido por todos e que ninguém o deixa trabalhar pelo Brasil. O cercadinho onde ele só diz besteiras pode estar perto de acabar se as coisas continuarem assim. É preciso agir, Bolsonaro!

O Brasil está doente e não é de Covid-19. Estamos doentes das mazelas que pareciam ter sido curadas em tempos passados e, de repente, voltaram mais resistentes ainda a luta do pobre trabalhador brasileiro que se acorda todos os dias de madrugada para ir procurar trabalho e volta para casa sem nada no fim do dia.

Este cenário brasileiro é propício para Lula ganhar a sua eleição. Não há candidato que o supere. Só se alguém tiver um coelho escondido numa cartola e estiver deixando para tirá-lo em meados do próximo ano.

Por enquanto Lula continua sendo a grande pedra no meio do caminho de Bolsonaro e que ele tem tentado levá-la até o topo do monte assim como fez Sísifo no mito grego, mas parece estar cansado. E se continuar como Sísifo nunca chegará ao topo do monte nem ele e nem a pedra. A terceira via, talvez, pode ser uma surpresa para todos nós.

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

FRANCISCO & FRANCISCO

O Papa Francisco representa a Igreja dos pobres. Igreja que à riqueza e ao luxo, aos títulos e à pompa, à solenidade e ao ritualismo estéril, dá preferência a uma sincera simplicidade.

Uma igreja que se comunica com o povo e com o mundo não numa linguagem acadêmica, sofisticada, hermética e desconhecida, mas com gestos, palavras e parábolas populares e acessíveis ao mais simples dos mortais. Por isso mesmo, confere novo sabor e novo tempero à Palavra de Deus e à Boa Nova de Jesus Cristo. A palavra deixa as estantes cheias de pó e se transforma verdadeiramente em “Evangelho = Boa Notícia”. O Verbo se faz carne viva e amiga, presença ativa e sadia, olhar e sorriso que penetram e amam, consolam e reavivam, abençoam e trazem esperança.

Assim fez o pobre de Assis. Sua pobreza e sua nudez, como as de Jesus de Nazaré, interpelam as vestimentas bordadas a ouro e prata de tantos sacerdotes, templos e religiões. Sua acolhida aos leprosos e abandonados, como a do profeta itinerante do Evangelho, questiona a insistência na construção de fortalezas e palácios inacessíveis. Sua mensagem lúcida e límpida, vibrante e alegre, como as imagens do Reino, se revestem de beleza e poesia sem par. Água cristalina diante da sede crescente de encontro com o outro e com o totalmente Outro.

No momento em que boa parte da Igreja insistia em aliar-se ao poder temporal, desfrutando de seus benesses, Francisco surge como um pobre servidor, lembrando o gesto do lava-pés na última ceia, seguido da oração sacerdotal. Quando trono e altar pareciam dar-se as mãos, através da espada e da cruz, Francisco canta e louva o Criador na singeleza dos pássaros e das flores, dos astros e das águas, das árvores e dos frutos, a exemplo do homem de Nazaré.

Contemporâneo de uma Igreja que combate furiosamente os infiéis e os hereges, Francisco chama a todos e a tudo de irmão e irmã, seguindo o Mestre que prega o amor aos inimigos. Enquanto os tribunais eclesiásticos acendem fogueiras para queimar os pecadores e hereges, em boa parte mulheres, o pobre de Assis lhes vai ao encontro, consciente de que Jesus oferece o perdão a todas as Marias e Madalenas, Josés, Pedros e Antonios arrependidos. Numa época onde predominava o obscurantismo, o medo e o pecado, Francisco renova sobre a sociedade medieval o olhar terno, puro e doce do Filho de Deus.

Tempos difíceis, em que a própria Igreja se envolve em conflitos e guerras, Francisco se faz instrumento da paz, com os olhos fixos na palavras da Sagrada Escritura. Quando as trevas do ódio parecem tomar conta dos corações e das almas, o pobre de Assis se faz poeta e mensageiro da luz do amor. E se acaso e escuridão e o desespero cobriam a luz do sol e o azul do céu com nuvem sombria e ameaçadora, Francisco era o porta voz da fé e da esperança renovadas. Andarilho da palavra e do gesto, nutria os corpos encurvados, os espíritos abatidos e os corações desesperançados.

Um filho da burguesia nascente que, com ousadia, coragem e profetismo, deixa a própria casa e os familiares para lançar-se nas pegadas de Jesus, e consequentemente, no caminho tortuoso dos pobres e excluídos, dos migrantes e refugiados, dos invisíveis e descartáveis. Ousadia que traz sérias interrogações a quem, nos dias de atuais e mesmo dentro da Igreja e/ou dos Institutos e Movimentos Religiosos, segue exatamente o caminho inverso. Coragem que desafia um retorno às fontes genuinamente evangélicas, numa verdadeira “fidelidade criativa”, a qual, em lugar de uma mera imitação, busca recriar diante dos desafios de hoje a Boa Nova do Mestre. Profetismo para resgatar e reavivar a “opção evangélica pelos pobres” no contexto da economia globalizada que, a um tempo, concentra e descarta, exclui e mata, produzindo contemporaneamente riqueza e miséria, ostentação e fome, mansões e casebres.

Autor: Alfredo J. Gonçalves

Edição: Alex Rosset

O ser e o não-ser do ser humano!

Do nascer ao morrer, o ser humano é um feixe de possibilidades. Umas advindas de condicionamentos e de imposições, outras de desejos, necessidades ou livres decisões.

O que é o ser humano? A pergunta é súbita e direta. Sua resposta pode ser precisa ou imprecisa, simples ou complexa, abstrata ou concreta, individual ou coletiva. Tudo a um só tempo, a qualquer tempo, desde todos os tempos. Questão que não se satisfaz com resposta do tipo “isso” ou “aquilo”, como dissera Cecília Meireles na poesia intitulada “Ou isso ou aquilo”. Nela, a poetisa afirma: “Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva! […] Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranquilo. Mas, não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo”.

Assista ao vídeo: https://youtu.be/a3-p1KntVOU?t=10

Na realidade, entre a chuva e o sol há também o tempo nublado, o vendaval e a tempestade; a noite escura, a noite enluarada, o entardecer, o alvorecer e outras situações mais. Além de brincar e correr, também pode-se estender a mão a quem precisa e ajudar a viver. Pode-se visitar um cemitério e sentar-se para refletir. Indagar-se, por exemplo, sobre o ser e o não-ser do ser humano.

Na afirmação de Paulo Freire, “o mundo não é, o mundo está sendo”. Do mesmo modo, o ser humano não é. Ele está permanentemente sendo. E sempre está diante de si a possibilidade de ser mais ou ser menos.

O ser mais diz respeito à vocação humana por excelência que é, precisamente, a da humanização. Por outro lado, é possível impor-se a si próprio ou a outros o ser menos, que consiste na desumanização, ou seja, na diminuição do sentido, do valor e do respeito à humanidade. Assim, “a desumanização, que não se verifica, apenas, nos que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam, é distorção da vocação do ser mais” (FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 13 ed., Paz e Terra, 1983, p. 30).

Do nascer ao morrer, o ser humano é um feixe de possibilidades. Umas advindas de condicionamentos e de imposições, outras de desejos, necessidades ou livres decisões. Embora todos os seres humanos nasçam “livres e iguais em dignidade e direitos”, conforme assegura o art. 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, muitas vezes a liberdade não se viabiliza no mundo ultraliberal, antidemocrático, opressor e produtor de exclusão e de morte.

No contexto atual, muitos seres humanos são negados de ser e privados de ser mais. No dizer de Freire (1983, p. 31), são literalmente “demitidos da vida”. Ou, como analisou o psiquiatra e filósofo Frantz Fanon (1925 – 1961), são “condenados da terra”. A subtração das condições da possibilidade de muitos viverem com dignidade é a demonstração de perversidade de quem se desumanizou. A negação do direito de humanidade de uns sobre outros é a própria decadência e falência do ser humano enquanto tal.

Experimentamos tempos tenebrosos em que a negação da vida e a produção da morte sobrevieram por atacado, sem deixar de acontecer no varejo.

A morte está em contínuo processo dentro e fora de nós, podendo ser acelerada e agravada ou, de outra parte, retardada e suavizada. Ela é devir acontecendo e fato que se consuma no tempo que se escoa em todos os viventes.

Morremos aos poucos até acabar de morrer. Mas, isso é só uma face do mesmo ser que pode nascer e renascer todos os momentos até acabar de desabrochar para um pleno viver.

Enquanto decorrem os dias que conduzem ao dia derradeiro, é altamente importante e recomendável buscar diariamente ser mais e melhor. Essa meta não se confunde com o ter mais, objetivo principal do sistema de capital e da sociedade de consumo. Para ser mais, só há um caminho: o da humanização de si e dos outros. Só é possível alcançá-la quando este for o sentido último da nossa vida e quando a nossa vida também for colocada a serviço da promoção da vida dos últimos!

“Nascemos suficientemente velhos para morrer e abundantemente novos para viver. Somos constituídos como seres de mil e uma possibilidades. Vivemos em contextos com um milhão de influências. Morremos todos os dias um pouco e uma vez como derradeira por milhões de motivos”. Leia mais: https://www.neipies.com/o-ser-a-morte-e-a-vida/

Autor: Dirceu Benincá

Edição: Alex Rosset

Você ajuda ou divide a execução das tarefas domésticas?

Beautiful young Afro American couple is giving high five and smiling while sitting on the floor in kitchen after cleaning it

Carecemos de uma mudança urgente, uma vez que o acúmulo desta dupla jornada pelas mulheres resulta não somente no esgotamento físico mas também interfere em sua saúde mental.

Tem sido frequente ouvir – de homens – sobre o quanto participam com suas companheiras na execução das atividades domésticas. Quando lhes pergunto sobre quais são estas, tenho por respostas uma lista mínima de afazeres, o que corrobora com uma pesquisa feita por National Survey of Families and Households, um departamento da Universidade de Michigan (EUA) que realiza pesquisas longitudinais em famílias norte-americanas. Segundo o órgão, enquanto as mulheres contribuem com 64% das horas trabalhadas em casa (serviços domésticos) os homens não contribuem com mais do que 30% destas.

Mas como mudar esta realidade numa sociedade onde há décadas as mulheres deixaram de ser “donas de casa” – tão somente-  para também trabalhar fora? Onde a cultura ainda vê tais tarefas como obrigação da mulher?

Reafirmo: carecemos de uma mudança urgente, uma vez que o acúmulo desta dupla jornada pelas mulheres resulta não somente no esgotamento físico mas também interfere em sua saúde mental.

A data (recém passada) de 23 de setembro assinalava o Dia Internacional de Combate ao Estresse, a qual fora instituída mundialmente para que se reflita sobre este mal que assola milhões de pessoas no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 90% da população mundial sofre com o estresse, e, no Brasil, a preocupação também é grande. De acordo com um levantamento da Associação Internacional do Controle do Estresse (ISMA), já somos o segundo país do mundo com o maior nível de estresse.

É claro que o estresse pode decorrer tanto do ambiente de trabalho como do social, ou mesmo dentro das relações familiares. Proponho, neste texto, uma reflexão apenas sobre o questionamento aos casais (a base e a origem de uma família) sobre o quanto um bom entendimento na distribuição da execução das tarefas domésticas tem implicância na saúde e na qualidade de vida de ambos.

Há muitas formas de combate ao estresse, desde cuidados alimentares, prática de atividades físicas diárias, de qualidade de sono, da manutenção de relacionamentos sociais e de lazer, além de uma rígida disciplina financeira e de responsabilidades com o trabalho. Assim, como múltiplas são as causas desencadeadoras de estresse, igualmente, um sem número de atitudes podem nos auxiliar no seu combate.

Amigo leitor, comece por cuidar de quem você ama, seja justo e assuma a execução de mais tarefas domésticas em sua casa, ambos ganharão com isso.

Podemos agradecer e comemorar todos os dias, sem, no entanto, deixarmos de lutar por um futuro melhor. Pessoas que têm por hábito a prática de atitudes de gratidão vivem de forma mais leve, adoecem menos e são aquelas que sempre queremos ter ao nosso lado. Sendo mais gratos seremos mais queridos e estaremos em paz conosco. Leia mais: https://www.neipies.com/com-gratidao-adoecemos-menos/

Autor: César A R de Oliveira

Psicólogo – whats app (54) 99981 6455

www.homemnapsicologia.com.br

Edição: Alex Rosset

As sementes e os terrenos

As questões são muitas e complexas. Mas, a questão das questões está no tipo das sementes a serem semeadas. Ou não?

Com diferentes enfoques, a parábola bíblica do semeador é narrada por três evangelistas (Mt 13, 1-9; Mc 4, 3-9; Lc 8, 4-8). Também pelo evangelho apócrifo de Tomé (9). Ela continua muito oportuna e inspiradora.

Terrenos ótimos, bons, ruins e péssimos como referidos na parábola, seguem existindo. Semente de qualidade muito boa, transgênica, envenenada e vencida, igualmente.

Tipos de semeadores há uma variedade enorme. Nos terrenos bons, qualquer tipo de semente pode vingar. Vai depender dos/as cultivadores/as permitir que prosperem ou não. Já nos terrenos pedregosos e áridos, embora se lance semente da melhor qualidade, pouco ou nada produzirá, exatamente porque o terreno é ruim. Quanto às colheitas, sabe-se que elas nunca fogem da natureza das sementes.

Da metáfora para a realidade humana, tudo a ver. Imaginemos o amor, o respeito, a equidade social, a solidariedade e a paz como sementes. É altamente recomendado cultivá-las em todos os tempos, para o que se requer um preparo permanente dos terrenos. Entretanto, embora não se queira, há muita semente péssima que emerge de forma espontânea, mas que também é lançada e cultivada. E o pior é que muitos o fazem obcecadamente, inclusive em nome de Deus, da fé e da religião. Semeiam, adubam e comemoram a expansão das sementes do ódio e da intolerância.  

Vivemos num país em que milhões são excluídos dos direitos e das condições básicas de sobrevivência. A concentração da renda e da riqueza segue em escala geométrica. Segundo o Relatório sobre Riqueza Global (2021), publicado pelo Banco Credit Suisse, no Brasil o 1% mais rico concentra 49,6% de toda a riqueza do país.

Assim, retornamos ao criminoso mapa da fome e da miséria. Uma realidade de pernas para o ar, onde “quem não é prisioneiro da necessidade é prisioneiro do medo. Uns não dormem por causa da ânsia de ter o que não têm, outros não dormem por causa do pânico de perder o que têm” (Eduardo Galeano). Nessa ordem, vigora a desordem associada e multiplicada pela pandemia e pelos pandemônios.

O ódio e as agressões virtuais e presenciais racham famílias e relações de amizade. Criam verdadeiros apartheids domésticos e sociais. A situação a que chegamos em nível mundial e, especialmente no Brasil, assume configurações inéditas. Para tentar compreendê-la será necessário a ajuda de todas as ciências. Entre elas, a psicanálise, a neurociência e a psiquiatria terão papel fundamental.

Por que é que o ódio passou a pulsar tão forte e insaciável nos humanos, sem qualquer escrúpulo, inclusive nas ditas “pessoas de bem”? Alguns estão afirmando que, por vias obscuras e fakenianas (falseadas), instalou-se na sociedade uma verdadeira Síndrome de Estocolmo coletiva, na qual se verifica uma paixão cega dos torturados por mitos torturadores, até identificados como autores de crimes de lesa humanidade.

Em um tal cenário de discriminação e violência generalizadas, vale recordar uma vez mais a famosa declaração do presidente da África do Sul (1994 – 1999) e Prêmio Nobel da Paz (1993), Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”. O grande líder Mandela combateu o bárbaro regime do apartheid (na “terra brasilis”, ele vigora há séculos) com as “armas” da paz.

Diante dessa safra gigantesca da cultura do ódio, da destruição do outro e da natureza, da desigualdade, da exclusão e da fome, podemos ter basicamente três atitudes:

a) Juntarmo-nos a estes/estas cultivadores/as e seguir produzindo a barbárie;

b) Ficarmos indiferentes, que é o mesmo que dar vitória ao time que está ganhando;

c) Fazer a diferença por meio da prática do diálogo, do amor e do respeito interpessoal, da solidariedade, etc.

Embora as atitudes pessoais sejam essenciais, elas não são suficientes. É preciso mais. Para problemas sistêmicos, nacionais e globais são necessárias medidas, políticas e programas estruturais e continuados. As questões são muitas e complexas. Mas, a questão das questões está no tipo das sementes a serem semeadas. Ou não?

Façamos de nossa vida um instrumento de promoção da vida mais plena e feliz. Embora nas turbulências, caminhemos firmes e esperançosos, pois não estamos destinados ao nada. Embora nem sempre pareça, nossa vida tem futuro. O futuro de um porto muito mais seguro! Leia mais: https://www.neipies.com/o-ser-a-morte-e-a-vida/

Autor: Dirceu Benincá

Edição: Alex Rosset

Quando a poesia nos torna um nada ou um Alguém: de Álvaro de Campos à Florbela Espanca

Os dois poetas conversam em versos semelhantes que se diferenciam apenas na forma de utilizar as palavras para falar desse conhecer-se e conhecimento das coisas que nos rodeiam e tanto precisamos saber como são constituídas para que cada vez mais possamos poetizá-las.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Álvaro de Campos

Sonho que sou Alguém cá neste mundo…
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

Florbela Espanca

Atrevo-me a comparar dois poetas portugueses maravilhosos e que os leio quase diariamente. Não tenho livros de cabeceira. Tenho livros nas minhas mãos e na mochila que levo para onde vou. Se você me encontrar na rua pode pedir para ler o livro que carrego. Terei sempre um poeta português junto comigo, porque amo aqueles que aqui chegaram e povoaram esse país fazendo dele um lugar maravilhoso para se viver.

A poesia portuguesa é para mim a mais linda do mundo, começando por Fernando Pessoa e chegando em Ernesto Manuel de Melo e Castro. Eu também não posso esquecer das mulheres portuguesas que brilham na arte da poesia e aqui deixo o meu abraço afetuoso à poesia de Sophia de Mello Bryner Andresen e a Luiza Neto Jorge cada uma com a sua unicidade e eu lírico que se diferenciam na arte de poetizar, mas se aproximam quando tecem versos que nos encantam a alma como se fossem orvalhos das manhãs.

Falar da poesia do engenheiro naval Álvaro de Campos é entrar no mundo da heteronomia de Fernando Pessoa no que há de mais profundo e filosófico sobre a sua poesia que se larga no chão feito enamorado apaixonado que se despede do seu eterno amor, seja naquele que pensa na vida como um balanço onde o estar aqui nem sempre é presença, mas essência que veste a psiquê de uma aprendizagem metafísica que nunca sabe ser-se ou quem ser-se, se é que somos algo antes de existir para a realidade do mundo.

No heterônimo de Álvaro de Campos, Fernando Pessoa consegue falar de uma psiquê que abre as portas da sensibilidade poética para falar de um nada que se aproxima de Parmênides quando ele se refere ao ser e ao não-ser que apesar de estarem próximos não são iguais.

O ser pode ser pensado e o não-ser é aquilo que não pode ser pensado. Se o não-ser não pode ser pensado e se de certa forma ele existe no universo deve se esconder atrás do daimon socrático. Eis uma questão que suspende o juízo para ser refletida. Em todo caso o poeta Álvaro de Campos traz esse não-ser quando fala em seus versos que nunca será nada. Existir também é ser um nada, penso.

Se a física nos diz que 74% do universo é composto pelo vazio e que 22% é composto de matéria escura, essa matéria pode ser vista como coisas que estão preenchidas por algo, o nada não deixaria de existir de alguma forma.

E por que o poeta Álvaro de Campos não pode querer ser nada? Talvez porque ele já seja alguma coisa mesmo sentindo-se vazio na sua essência há uma metafísica que alerta que o não poder é o poder da sabedoria divina onde os deuses do Olimpo têm poderes sobrenaturais capazes de mesmo não quererem ser nada serem o tudo para aqueles que acreditam neles.

Não poder querer ser nada é desrespeitar a essência do ser e essa desobediência é livre para o poeta que abre o seu terceiro verso dizendo que apesar de não querer ser nada tem todos os sonhos do mundo e quem tem imagens tem sabedorias à parte necessárias ao bom viver.

O nada não existe. Está é uma concepção do filósofo Bergson contemporaneamente modernizada por Sartre que nos diz que apesar do nada não existir pode ser concebido por operações da mente e de que o nada é uma entidade de existência real, ou seja, resumindo para simplificar nossas palavras melhor, o nada existe enquanto ser. E está presente na natureza e na verdade enquanto ser uno e indivisível. Por isso quando o poeta Álvaro de Campos nos diz que não é nada, na verdade, ele quer nos dizer que é mais do que tudo, ele é um ser completo que busca a essência das coisas e se percebe desassossegado ao não encontrá-las, logo é que no verso seguinte ele nos diz que tem em si todos os sonhos do mundo e quem não os teria preocupado em encontrar essa origem das coisas ao nosso redor? Vale a reflexão.

E o que dizer de ser Alguém para Florbela Espanca? Talvez o ser de Parmênides que explica o que é pensado, a imagem que criamos no pensar, o que é uno, o que se apresenta à realidade. Se lembrarmos do filósofo Descartes o ser é aquilo que se pensa, logo existe. E por existir Florbela passa a sofrer todas as dores geradas pelas coisas presentes na realidade, uma angústia e melancolia produzida pelas musas da poesia.

O ser é tudo aquilo que constitui a realidade e pode ser formado como imagem no nosso pensamento. Para Parmênides o ser é todo, ou seja, inteiro, ele não se separa. Sendo a poeta Florbela Espanca um ser, melhor dizendo, um Alguém como ela mesma diz em seus versos pode ter um saber vasto e profundo, saber este que se apresenta na realidade dos mundos das ideias do filósofo Platão.

Todo saber é vasto e profundo quando não está preso, quando pode voar, quando é livre para navegar em mares nunca antes navegados.

A poesia de Florbela Espanca é doída, mas dói também ser um Alguém que não pode ser separado e que não pode ser dividido. Todo ser completo percebe-se apesar da sua completude ainda por indefinido tanto no existir quanto na arte da sabedoria. Assim é que o filósofo Sócrates dizia “Só sei que nada sei”. E por mais que a poeta Florbela Espanca diga ter um saber vasto e profundo para justificar ser alguém neste mundo, ela sabe que precisa saber mais para tornar-se infinita e por isso nos diz na terra anda curvada, como se essa terra soubesse mais do que ela.

Todos sabemos que da terra surgiu o homem segundo o cristianismo e que da terra vêm os alimentos que necessitamos para sobrevivermos, logo a terra passa a ser chamada por muitos de mãe terra. Essa mãe que tudo nos dar e nos proporciona.

O nada do poeta Álvaro de Campos ao Alguém de Florbela Espanca se aproximam e são semelhantes. A semelhança é concebida quando lembramos de Sartre na concepção do ser nada. Apesar desse ser nada não querer existir ele faz parte do nosso pensamento, então Álvaro de Campos também é uma Alguém assim como Florbela Espanca. O estar aqui existe e não pode ser o nada. Ter muitos sonhos dentro de si é a mesma coisa de ter um conhecimento vasto e profundo.

Os dois poetas conversam em versos semelhantes que se diferenciam apenas na forma de utilizar as palavras para falar desse conhecer-se e conhecimento das coisas que nos rodeiam e tanto precisamos saber como são constituídas para que cada vez mais possamos poetizá-las.

Se há uma melancolia na poeta Florbela Espanca também podemos encontrá-la no poeta Álvaro de Campos. E todos são divinamente inspirados pelas musas como nos exemplifica o filósofo Platão no seu diálogo Íon.

Sabemos hoje que a poesia não é feita somente de inspiração divina, mas de uma necessidade de conhecimento técnico sobre as coisas e talvez por isso Álvaro de Campos tenha tantos sonhos que podem tornar-se reais a partir do conhecimento que for adquirindo ao longo dos seus anos assim como a poeta Florbela Espanca mesmo com um saber vasto e profundo anda na terra curvada, sabendo que precisa de mais conhecimento técnico.

A perfeição do poetar está naquilo que aprendemos ao longo dos anos. Seja o conhecimento científico ou o do senso comum. Necessitamos dos dois para poetizarmos a vida de uma forma que possamos extrair das coisas aquilo que não é percebido pelos seres comuns que andam de olhos vedados e não sabem ler outonos, primaveras, invernos e verões antes do nada sumir do pensamento e tornar-se Alguém até depois do não-ser.

Quando o olho de um professor para de brilhar, a escola perde a poesia. E como diz aquele professor de literatura que refundou a sociedade dos poetas mortos, nada contra as demais matérias, mas é a poesia que nos mantêm vivos.(Luciana Kraemer) Leia mais: https://www.neipies.com/a-poesia-que-nos-mantem-vivos/

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Mergulho no Recordações Maristas

Quem já não ouviu falar de que tal história daria um livro! Pois é, as histórias que andavam de boca em boca e que poderiam ser liquefeitas, viraram livro. Parafraseando o livro mais lido do mundo, pode-se dizer que os verbos reunidos tornaram-se o livro Recordações Maristas. 

Há muitos leitores que perguntam qual a melhor modalidade para se ler um livro, jornal ou revista. Respondo que cada leitor tem seu jeito de mergulhar num texto. Se for um livro de contos, ou crônicas, alguns preferem selecionar alguns títulos, começando pelo mais impactante, ou ir àquele que melhor atende suas expectativas. 

Caso for a leitura de uma revista, a mesma regra, isto é, seleciona o artigo melhor ilustrado, sempre visando o tema de seu maior interesse. Já no que se refere ao jornal, há os que começam pelo final, onde consta a crônica do David Coimbra, ou o horóscopo. Outros ainda preferem a página policial, ou a parte esportiva.  Vejo tanta gente lendo de trás pra frente!

Resumindo, cada leitor é único, selecionando o que mais lhe interessa.  Pois lhe digo, ao ler o livro Recordações Maristas, há nele um misto de depoimentos, testemunhos, contos e crônicas, organizados pelos professores Agostinho Both e Eládio V. Weschenfelder.

Assista ao vídeo de lançamento da obra: Neste vídeo está registrado um entusiástico e significativo lançamento de Livro Recordações Maristas, organizado pelos professores Eládio Vilmar Weschenfelder e Agostinho Both. O lançamento do livro foi no dia 23 de outubro de 2021, às 18 horas. https://youtu.be/j4KuLWT5yZo?t=70

Como antologia, outros escritores participam ativamente falando sobre episódios vivenciados durante o processo de formação para serem religiosos Maristas, mas que, por razão de cunho pessoal, seguiram o rumo laico.

Na Parte I, Agostinho Both, Anilo Whatier e Rení G. Oleksinski tratam sobre três alterbiografias sobre os Irmãos Maristas Victor Rossetto, Pedro A. Weschenfelder e Taciano P. Rizzotto.  Também tecem significativas informações sobre a importância da obra educativa Marista, desde sua origem até a contribuição à criação da Universidade Federal de Santa Maria e Universidade de Passo Fundo, inclusive da PUC/RS.

Aos leitores que preferem a leitura de textos mais breves e impactantes do ponto de vista do final imprevisível, como doses de humor e quebra de paradigmas, indicamos a Parte II, escrita pelos Ex-Irmãos Maristas que, por um longo tempo estiveram juntos, mas que agora se reúnem para contar histórias na forma de livro. Que ler, verá! 

Quem já não ouviu falar de que tal história daria um livro! Pois é, as histórias que andavam de boca em boca e que poderiam ser liquefeitas, viraram livro. Parafraseando o livro mais lido do mundo, pode-se dizer que os verbos reunidos tornaram-se o livro Recordações Maristas.   

Contatos para acesso ao livro:

www.eabeditora.com.br

https://www.livrariadelta.com.br/

Autor: Eládio Vilmar Weschenfelder

Edição: Alex Rosset

 

Como será o retorno à vida normal nas escolas em 2022?

Nossa proposta é provocativa. Quantas possibilidades nos aguardam no sentido de darmos novo direcionamento a nossa prática docente partindo da realidade, dando sentido profundo à vida do aluno e engajando-o em atividades significativas para ele, que lhe trarão, além de conhecimentos, a aplicação na realidade deles, a convivência com os outros e o autoconhecimento.

O que oferecer aos alunos? Qual será o papel dos professores? Como adequar, no Plano Político Pedagógico da Escola, a proposta da BNCC a ser gradualmente implementada, especialmente quanto ao desenvolvimento das habilidades socioemocionais? Estes são alguns questionamentos inquietantes que surgem agora na mente dos diretores, equipe técnica e professores das escolas de todas as redes em nosso Estado.

Deixando de lado a questão dolorida histórica de desvalorização financeira do educador e a falta de recursos básicos nas escolas, que provocam desânimo natural, ousamos refletir, como educadora, sobre os desafios deste novo tempo que, após a parada obrigatória exigida pela pandemia da Covid 19, na esperança de retorno da normalidade, com todos os cuidados necessários, como poderemos agir no ensino, nas escolas.

Estamos no raiar de uma nova época, novo momento histórico para a Humanidade, onde a família e a escola têm papel relevante na reintegração da vida cotidiana da criança e do jovem, na busca, até, de recuperar o tempo perdido.

Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola, para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos. Assista!

Entendemos que todo projeto educativo deverá partir da ideia de PERTENCIMENTO do aluno nos diversos grupos sociais que ele está inserido, família, rua, bairro, município. Trabalhar a sua história pessoal, da família, da escola, do município, do Estado, da nação, do mundo.

O aluno precisa sentir-se parte integrante de toda esta rede vibrante de vida, como um ser social e histórico e, de que forma ele poderá ajudar a promover a mudança para melhor. O trabalho decente ocorrerá num processo interdisciplinar e transdisciplinar visando atingir este fim.

O aluno precisa sentir que pertence a este lugar (município) onde seu lar está inserido, onde ele nasceu ou mora. Para sentir-se integrado a este meio, precisa conhecer a sua História, aprender a reverenciar os antepassados, a cultura, as expressões religiosas, a base da economia, sua produção, a organização política e administrativa, a situação do meio ambiente, a sua preservação etc. Esta abordagem pedagógica feita pela escola abre amplo leque de atividades didáticas que devem ser planejadas com a colaboração da comunidade escolar.

O meio ambiente onde estamos inseridos deve ser o ponto de partida para esta reflexão. Nesta perspectiva temos que levar em conta a administração pública do município, suas diversas secretarias e seus objetivos entrelaçados umas com as outras. Por que? A Secretaria de Educação deverá estar em sintonia maior com a do Meio Ambiente e as demais secretarias.

Temas como:  Reciclagem e coleta de lixo, poluição da água, ar e solo, produção de energia limpa, adubo orgânico, os agrotóxicos e outros que serão levantados pelos grupos, proporcionam motivação de mudança de comportamento que trará interesse para o aluno participar.

Estas atividades práticas que vão surgir, ajudam a desenvolver as habilidades socioemocionais como: horta na escola, de legumes e ervas medicinais, hortas comunitárias, ajardinamento da escola, plantio de árvores. Participação de recuperação de áreas verdes, de locais públicos, enfim, uma gama de atividades que poderão surgir em forma de projetos construídos coletivamente na escola.

Toda atividade deve ser embasada no estudo das áreas de ensino e das disciplinas que a escola proporciona. É um trabalho de rede, de integração, que atingirá individualmente o aluno, despertando nele a vontade de colaborar, cooperar, interagir, produzir de forma fraterna, superando os desafios dos conflitos naturais pois ele pertence a este espaço e pode melhorá-lo.

Os recursos da Natureza representam a maior fonte de equilíbrio para a pessoa. A observação e a interação com a mesma estimulam a elaboração de bons pensamentos, da consciência participativa e estimula a vontade de executar atividades boas, produtivas, que nos aproxima uns dos outros com alegria e fraternidade.

Aprender com a Natureza o processo de comparação de vários aspectos da vida, de seu verdadeiro significado e leva a nos identificarmos o transcendental, o divino.  É surpreendente para o aluno verificar que a semente guarda dentro de si a vida, a árvore, a nova planta.

Nos aflige ver, pelas mídias, as queimadas e desmatamento da floresta amazônica. Quem de nós não gostaria de ir até lá ajudar a apagar o fogo e plantar novas árvores para recuperá-la? Precisamos perceber que o meio ambiente de nosso município também está degradado, poluído, não podemos ir à Amazônia, mas podemos, em ação conjunta, através de educação consciente, ajudar a recuperar o espaço em que estamos inseridos e que dele usufruímos.

Nas grandes cidades de países desenvolvidos, verdadeiras selvas de pedra, encontram-se parques naturais, como em Paris, Madrid, Lisboa, Coimbra, New York, onde as escolas levam seus alunos para aprender jardinagem, semear, fazer mudas de vegetais, em local especial para esta atividade. Cada cidade deveria ter seu horto florestal, seu jardim botânico, espaços que são verdadeiras salas de aula natural, ao ar livre. Qual é a arvore ou planta símbolo de seu município?  Você conhece?

Um dos maiores ecologistas e ambientalistas do mundo, o agrônomo José Lutzenberger, era gaúcho, nos deixou um grande legado; já é falecido. Ele atuou na Área de Educação Ambiental e na promoção de tecnologias brandas socialmente compatíveis, tais como: Agricultura Regenerativa, Manejo Sustentável dos Recursos Naturais, a Medicina Natural. Nos deixou um grande legado na promoção da luta pela preservação ambiental. Criou o Rincão Gaia, em Rio Pardo, RS, numa área de 30 hectares, que estava totalmente degradada, devastada pela exploração de basalto e hoje é exemplo vivo de como podemos recuperar a natureza e torná-la útil ao ser humano.

Nossa proposta é provocativa. Quantas possibilidades nos aguardam no sentido de darmos novo direcionamento a nossa prática docente partindo da realidade, dando sentido profundo à vida do aluno e engajando-o em atividades significativas para ele, que lhe trarão, além de conhecimentos, a aplicação na realidade deles, a convivência com os outros e o autoconhecimento.                

O ano letivo de 2022 nos aguarda!

Autora: Gladis Pedersen de Oliveira

Edição: Alex Rosset

Proposta Metodológica para o Ensino Religioso

 “Ser dialógico, para o humanismo verdadeiro, não é dizer-se descomprometidamente dialógico; é vivenciar o diálogo. Ser dialógico é não invadir, é não manipular, é não sloganizar. Ser dialógico é empenhar-se na transformação constante da realidade. Esta é a razão pela qual, sendo o diálogo o conteúdo da forma de ser própria à existência humana, está excluído de toda relação na qual alguns homens sejam transformados em “seres para outro” por homens que são falsos “seres para si”. É que o diálogo não pode travar-se numa relação antagônica” (FREIRE, 1983. p.43).

Chegamos ao nosso terceiro ensaio da proposta de reflexão intitulada História Fundamentos e metodologia do ensino Religioso Escolar.  A primeira publicação ocorreu dia 01/10/2021 com o texto sobre os aspectos históricos, você pode ler mais no link https://www.neipies.com/historia-fundamentos-e-metodologia-do-ensino-religioso-escolar-ensaios-de-uma-reflexao-em-construcao/.  No segundo ensaio publicado dia 15/10 apresentamos fundamentos com a intenção de responder a pergunta: porque Ensino Religioso na educação Básica? Leia mais https://www.neipies.com/por-que-ensino-religioso-na-educacao-basica/   Neste último ensaio da trilogia, sugerimos uma metodologia para as aulas de Ensino Religioso.

Independente da “série” ou ano de estudo do estudante, é importante que eles sejam envolvidos nas aulas desde o início, para que essa ocorra como uma “comunidade de investigação[1]”, nesse caso, do fenômeno religioso. Para tanto, se faz necessário partir de uma concepção dialógica de educação, na qual o estudante e docente são sujeitos que se colocam em processo de aperfeiçoamento e construção de saberes. 

Essa concepção requer uma antropologia segundo a qual estamos em formação permanente, nos educamos juntos mediatizados pelo mundo como dizia o educador, filósofos e sociólogo Paulo Freire. Sendo o diálogo a opção metodológica para o ensino religioso, já se cumpre um dos requisitos deste componente que é educar para a valorização da diversidade, da pluralidade, das alteridades.

Para ser fiel a essa concepção de educação e de metodologia, é importante conhecer a religião dos estudantes, as vivências que possuem e qual compreensão já trazem consigo no que tange o Ensino Religioso escolar. Tendo o conhecimento do contexto religioso dos estudantes é possível contemplá-lo e inseri-lo no campo da cultura religiosa, partir de vivências favorece para a adesão e envolvimento dos estudantes.  Feito isso é necessário e urgente distinguir ensino de religião do Ensino Religioso, ideia que precisa ser lembrada com frequência e em diferentes momentos da caminhada letiva, visto que muitos ainda concebem as aulas deste componente como sendo de caráter doutrinário.

Uma vez dado esse passo significativo, é de grande relevância que o professor, a professora trabalhe, sempre que possível, a perspectiva interdisciplinar deste componente, cujo saber, nasce também de um olhar para a filosofia, as ciências da religião, a história e a sociologia.

O trabalho interdisciplinar pode favorecer a valorização da área de Ensino Religioso e das ciências humanas, o que significa também promover uma educação humana e humanizadora que se opõe a perspectivas tecnicistas e meramente empresariais. Em seguida, apresentamos o que pode ser uma estrutura, um dos caminhos para aulas de Ensino Religioso comprometidas com os fundamentos apresentados no segundo ensaio.

Para bem realizar esse intento de respeito as alteridades, valorização da vida e promoção da diversidade cultural e religiosa, dentro de uma perspectiva dialógica, é importante dar início às aulas com uma atividade prévia, ou seja, uma técnica ou dinâmica que mobiliza para o estudo/investigação que se deseja fazer de acordo com o objeto que se pretende abordar.  Essa atividade previa pode ser prática, ou ainda consistir em um audiovisual, música, tirinha, discurso, notícia, análise de obra de arte.  

Num segundo momento da aula, é importante problematizar fazendo a ligação do conteúdo com a história, a filosofia, a sociologia ou outro componente de acordo com as possibilidades do objeto que está sendo trabalhado. Suponhamos que se trate do conceito intolerância, a atividade prévia pode consistir numa notícia sobre intolerância, num audiovisual que conte essa situação, e a problematização pode ocorrer na análise de dados acera da intolerância religiosa no Brasil e ou no mundo.

Importante desenvolver nos estudantes as habilidades de problematização, visto que são as perguntas que movem as investigações e possibilitam a criação de hipóteses fazendo da sala de aula um espaço propício para valorização e produção cientifica.

No terceiro momento da aula de Ensino Religioso pode ocorrer a fundamentação a partir de um texto especifico, e ou audiovisual sobre; mantendo o exemplo anterior o texto pode tratar sobre a diversidade religiosa, a distinção entre ecumenismo e diálogo Inter religioso, a alteridade como princípio ético; as leis em torno da liberdade religiosa. A escolha do recurso vai depender do objeto que será trabalhado, do perfil da turma e da proposta didático pedagógica da instituição.

No quarto momento é muito importante sistematizar a aula visando ser fiel a proposta da habilidade que estiver em questão, é importante que nesse momento o estudante apresente os resultados do estudo no qual participou e interagiu como um sujeito ativo do processo de aprendizagem.

Essa sistematização final pode ocorrer a partir da produção de um texto, da confecção de mensagens, banner, cards, jogos educativos. Pensando no conceito de intolerância, por exemplo, o estudante pode produzir uma “peça publicitária” com a intenção de combater a intolerância religiosa; um jogo de tabuleiro e ou jogo digital sobre o tema, uma poesia, uma história em quadrinhos, um desenho.  A escolha desse recurso dependerá do segmento, do perfil da turma. Nos quatro momentos sugeridos aqui, a sensibilidade docente para a escolha dos melhores caminhos é imprescindível.  

Entendemos que uma prática que ocorre observando a fundamentação que apresentamos e esses passos metodológicos está em sintonia com as habilidades da área de Ensino Religioso propostas na BNCC, a saber:

  1. Conhecer os aspectos estruturantes das diferentes tradições/movimentos religiosos e filosofias de vida, a partir de pressupostos científicos, filosóficos, estéticos e éticos.
  2. Compreender, valorizar e respeitar as manifestações religiosas e filosofias de vida, suas experiências e saberes, em diferentes tempos, espaços e territórios.
  3. Reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da natureza, enquanto expressão de valor da vida.
  4. Conviver com a diversidade de crenças, pensamentos, convicções, modos de ser e viver.
  5. Analisar as relações entre as tradições religiosas e os campos da cultura, da política, da economia, da saúde, da ciência, da tecnologia e do meio ambiente.
  6. Debater, problematizar e posicionar-se frente aos discursos e práticas de intolerância, discriminação e violência de cunho religioso, de modo a assegurar os direitos humanos no constante exercício da cidadania e da cultura de paz. (BNCC, 2018)

Tendo apresentado sugestões metodológicas para aulas de ensino religioso, entendemos que a realização de feiras ecumênicas e inter-religiosas envolvendo outros componentes curriculares potencializam a construção de um ensino comprometido com a valorização da alteridade, com a pesquisa e produções capazes de fomentar a cultura da paz.  

Ainda, neste aspecto, entendemos que colocar os estudantes em diálogo com líderes de diversas religiões e filosofias de vida potencializa o estudo dos objetos do conhecimento de cada segmento da educação básica, essa proposta pode ser elaborada em consonância com a proposta pedagógica das diferentes instituições, em espírito de diálogo e valorização da legislação em vigor. 

Muito mais do que ensinar no sentido de transmitir o que propomos, especialmente neste último ensaio, foi a construção conjunta de saberes, o que significa também produção de ciência.

O Ensino Religioso, área de conhecimento e componente curricular, possibilita acesso ao amplo conhecimento religioso já presente na história e nos habilita para a ampliação e construção de cultura, que se deseja de paz, de respeito a vida e de efetivação dos Direitos Humanos. À você que nos acompanhou nessa trajetória fica o convite: partilhe de sua experiência, com ela podes enriquecer essa reflexão que segue em construção.

Para refletir (individualmente ou em grupo de professores):

1. Qual metodologia você utiliza para as aulas de Ensino Religioso?

2. De que aulas de Ensino Religioso você lembra? Explique.

3. Partilhe vivências que te marcaram na escola (palestras, feiras, encontros, passeios). Como a pluralidade, a diversidade, as alteridades foram contempladas nesses acontecimentos?

REFERÊNCIAS:

BENINCÁ, Elli. Religião, Saúde e o Popular. Passo Fundo. Editora Berthier 2010.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

SOUZA, Tania Silva. O ensino de Filosofia para crianças: uma nova perspectiva a partir de Matthew Lipman. Polymatheia, v. 8, n. 13, p. 58-75, 2015. Acesso em: 25 jun. 2020.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 18 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 1996.

Autor: Marciano Pereira.

Edição: Alex Rosset


[1] Conceito emprestado do pensador Matthew Lipman, que tratando sobre filosofia pra crianças sugere que as aulas sejam espaços de investigação de problemas, proposição de hipóteses, fazer que ocorre entre sujeitos envolvidos numa proposta dialógica capaz de fomentar a cidadania, a democracia e pôr consequência os direitos humanos.

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