Biblioteca: lugar de livros e de histórias

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A alegria das crianças e a boa repercussão junto às professoras da rede municipal demonstram a importância das atividades de Contação de histórias e mediação com os livros na Biblioteca Pública Municipal Arno Viuniski.

A Biblioteca Pública Municipal Arno Viuniski, ao longo dos últimos anos, vem oferecendo às crianças e adolescentes das escolas públicas e privadas, uma visita agendada para conhecimento do acervo de livros, contação de histórias e oficinas que trabalham a socialização, como também conhecimentos de literatura.

No segundo semestre, a Biblioteca retomou estas atividades, com prévio agendamento das escolas. Durante os meses de agosto e setembro, serão trabalhadas histórias e lendas voltadas ao folclore brasileiro e gaúcho. Em outubro e novembro, o foco será a poesia de Mário Quintana, homenageado da 38ª Feira do Livro, que acontece de 4 a 15 de novembro de 2026.

A alegria das crianças e a boa repercussão junto às professoras da rede municipal demonstram a importância destas atividades. Para a equipe da Biblioteca, nos dois turnos, todas as terças e quintas-feiras são dias de alegria e prazer em servir as crianças com atividades que vão além da leitura de livros.

Para a coordenadora da Biblioteca Municipal Arno Viuniski, Vanessa Hickmann, a presença das escolas na Biblioteca é uma forma de cativar os leitores e aproximar os estudantes de todas as idades ao universo da arte, seja da literatura, da música ou do teatro. Para ela, a formação de leitores transcende o contato com o livro e a palavra escrita, sensibilizando o olhar das crianças através de uma experiência literária estética e significativa.

Hickmann destaca que as atividades também servem como uma motivação para o trabalho pedagógico, pois sente que as professoras se envolvem e percebem que ler pode ser divertido. Isso também se confirma na energia que paira durante a visita e pelo brilho do olhar das crianças. O que repercute no trabalho da sala de aula.

Leia também: www.neipies.com/biblioteca-espaco-de-livros-e-de-formacao-de-leitores/

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VISITA À BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL ARNO VIUNISKI – Depoimento de professoras

No dia 1º de setembro, os alunos dos 1º anos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Arlindo Luiz Osório, com suas respectivas professoras Teresinha Janaína Burgert e Paula Brotto, realizaram uma visita à Biblioteca Pública Municipal Arno Viuniski.

Durante a visita, os alunos puderam apreciar uma encantadora contação da história do Saci Pererê, apresentada de forma lúdica e envolvente, com cantigas folclóricas que despertaram a curiosidade e a participação das crianças. Os alunos se envolveram com muita alegria, cantando, interagindo e vivenciando a história de maneira significativa.

Ao final da contação, foi realizado um momento de diálogo e troca de conhecimentos, no qual as crianças puderam conhecer um pouco mais sobre a origem e as características dessa lenda tão conhecida do folclore brasileiro. Foi conversado sobre o Saci como uma criança arteira e brincalhona, além de conhecerem alguns dos elementos que fazem parte de sua história, como o gorro mágico, que lhe confere poderes, o cachimbo, relacionado à cultura indígena, e a característica de possuir apenas uma perna.

Também foi explicado às crianças que, segundo a lenda, uma das formas de capturar o Saci seria retirar seu gorro mágico, fazendo com que ele perdesse seus poderes e pudesse ser colocado dentro de uma garrafa.

Após a contação da história, os alunos participaram de oficinas de leitura e brincadeiras folclóricas, ampliando a experiência e tendo contato com diferentes manifestações da cultura popular brasileira.

Para finalizar a vivência, os alunos foram conduzidos a um espaço ao ar livre, onde participaram de um agradável piquenique, compartilhando momentos de convivência, alegria e descontração.

A experiência foi maravilhosa e muito significativa. As crianças retornaram à escola entusiasmadas, felizes e cheias de histórias para contar, especialmente por terem tido a oportunidade de conhecer a Biblioteca Pública Municipal Arno Viuniski. Para muitas delas, essa foi a primeira oportunidade de visitar esse espaço tão importante para a cultura, a leitura e a comunidade de nossa cidade.

Foi, sem dúvida, um momento de aprendizagem, descobertas, cultura e encantamento, que ficará guardado com muito carinho na memória de nossos pequenos leitores.

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Para os estagiários Arthur e Otávio e estagiária Yasmin que integram as atividades de Contação de histórias e oficinas, é “uma experiência enriquecedora e desafiante. É uma oportunidade única este trabalho com as crianças e adolescentes, gerando na gente empatia, jogo de cintura, realização de combinados, respeito ao ritmo, singularidade e tempo de cada criança”.

Para eles, “o trabalho na Biblioteca está dentro das expectativas iniciais deste trabalho, sobretudo porque estamos fazendo o que gostamos, podemos treinar e desenvolver musicalidade com as crianças, através de atividades interativas. O trabalho com as crianças proporciona um grande prazer, devolvido para a gente em forma de carinho, sorrisos, memórias das histórias e interação”.

Por que contar a Lenda do Saci?

Uma das histórias contadas para crianças dos anos iniciais (primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental é a Lenda do Saci, escrita por Ricardo Azevedo, em seu livro Contos e lendas de um vale encantado: uma viagem pela cultura popular do vale do Paraíba, da Editora Àtica.

A seguir, texto de Eládio Vilmar Weschenfelder, doutor em Literatura sobre o significado e o alcance desta lenda.

SACI-PERERÊ: um dos mais importantes mitos brasileiros

“Os mitos e lendas são parte importante do folclore linguístico e literário de um povo. Comemorá-los, estudá-los e entender suas significações são fundamentais ao entendimento da história, da alma e da identidade brasileira.

Saci-Pererê, o mais simpático dos mitos brasileiros, surge como contraponto aos monstrengos internacionais, como os contidos no Halloween, tanto é que a cada dia 31 de outubro foi criado o Dia do Saci e seus amigos.

O escritor Monteiro Lobato foi, dentre outros escritores e estudiosos, um dos pioneiros no resgate do folclore literário brasileiro.

Em 1917 procedeu a uma consulta popular através de cartas, nas quais solicitava aos leitores do jornal O Estado de São Paulo, relatos e experiências com o simpático, travesso e moleque de uma perna só. Com a riqueza das informações recebidas, publicou a obra O Saci-Pererê: resultado de um inquérito.

Anos mais tarde, Pedrinho, já no sítio de Dona Benta, movido pela curiosidade, ouvirá da boca do Tio Barnabé, que tinha mais de oitenta anos, os relatos de que viu o Saci quando menino, ainda no tempo da escravidão, na fazenda de Passo Fundo.

Quem não conhece a obra lobatiana O Saci, que teve as primeiras edições publicadas pela Companhia Editora Nacional! Por sua vez, também o estudioso Câmara Cascudo teve como objeto de estudo o mito do Saci, sendo que o tema, a partir de então, rendeu uma série de livros, teses, filmes e artigos na imprensa.

Fisicamente, Saci é um menino afro-descendente que só tem uma perna, usa carapuça vermelha, leva na boca um cachimbo aceso e tem um furo na mão. O menino Saci é um genuíno tipo que reúne as características dos afro descendentes, europeus e de brasileiros típicos. 

Psicologicamente, Saci é um ente livre e que, por isso, vive fazendo artes do tipo: azeda o leite, quebra a ponta das agulhas, embaraça os novelos de linha, esconde as tesouras, coloca sujeirinhas na comida, gora os ovos, vira os pregos para cima, atropela as galinhas, espanta os cavalos. Enfim, diz Tio Barnabé: “O Saci não faz maldade grande, mas não há maldade que não faça”.

Sendo um menino livre da escravidão negra no Brasil, Saci, para ter visualidade, apronta, como todo garoto, suas artes. No entanto, é especial, pois fruto da brutalidade, perdeu uma perna, significando que e a escravidão foi feroz também com as crianças afro-descendentes.

Seu cachimbo incorpora a tradição indígena, pois seus caciques selavam acordos, fumando o “cachimbo da paz”. Usa a carapuça vermelha, visto que assimilou, em parte, a cultura europeia, lembrando os imigrantes europeus e emblemas da liberdade na Roma antiga. Lembra também o barrete (gorro) adotado pelos camponeses ibéricos e os republicanos após a Revolução Francesa de 1789, assim como a força de Sansão que estava nos cabelos. Tem um furo na mão para fazer mágicas com as brasinhas acesas, as quais também servem para acender o cachimbo.  Portanto, estão presentes no Saci as características dos três povos que deram origem ao povo brasileiro: os índios, os afro-descendentes e os europeus.

Mentira ou verdade, Saci-Pererê representa o espírito de liberdade, paz, força e espontaneidade do povo brasileiro, juntamente com seus comparsas da boa fantasia: Boitatá, Caipora, Cuca, Negrinho do Pastoreio e tantos outros.

Antes das festas em homenagem ao Saci para resgatar a fantasia da criançada do Brasil, ao invés de copiar os estrangeirismos que manipulam as crianças e os jovens. Deu pra ti, Halloween. Viva o Saci-Pererê!”

 Autor: Eládio Vilmar Weschenfelder.

Fotos: Arquivos pessoais/Divulgação /Biblioteca Pública Municipal Arno Viuniski

FONTE do texto sobre o Saci : www.neipies.com/saci-perere-um-dos-mais-importantes-mitos-brasileiros/

Edição: A. R.

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