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As vidas e os impossíveis

Pessoas de boa vontade lutam, sacrificam-se e
não desanimam de serem honestas e justas,
fugindo da mediocridade e sendo reconhecidas.

 

A vida humana é permeada por níveis de estresse, de dor e de infelicidade, por isso não é adequado fazer uso dos mesmos como argumentos para não se mover em direção a uma realidade que se apresenta limitada por uma ideia de espaço e de tempo.

Em outro artigo, escrevemos sobre a importância da aprendizagem com os outros: “As construções humanas individuais estão interligadas com uma rede de variáveis, a exemplo da natureza, em que a fertilização da terra e a manutenção da vida passam por estágios que demandaram acumulação de água em forma de vapor”.

Aprender com as experiências dos outros

Contrariamente, devemos considerar os argumentos que apontam para uma realidade cognitiva e material atual como resultado da capacidade que as pessoas já tiveram de transgredir e de romper os limites do que estava estabelecido como possível.

Uma das formas do ser humano romper os limites é buscando o que parece ser incansável e irrealizável, acreditando na força e no talento para transformar a imaginação em realidade.

O impossível está presente, em nossa vida, mais do que costumamos perceber, ao ponto de podemos afirmar que somos resultados dele.

Para exemplificar essa compreensão, basta retrocedermos na nossa história para saber que há dois séculos era considerado impossível o deslocamento aéreo das pessoas.

Continuamos influenciados em buscar sensações de segurança, orientando o próprio comportamento por compreensões conservadores e limitadoras, aceitando a realidade como foi posta ou construída. No entanto, viver uma existência de falsa segurança, é abdicar da possibilidade de superar os limites e se conformar com as ideias apresentadas e impostas como sendo as possíveis.

O medo do erro e do fracasso impedem as pessoas a se arriscarem e romperem os limites cognitivos e sociais. Por outro lado, pessoas que acreditaram no impossível transformaram a realidade e ocupam lugar de destaque na história, sendo que alguns podem ser citados como exemplo: Cristóvão Colombo, Rene Descartes, Isaac Newton, Albert Einstein e Luiz Inácio da Silva.

Pessoas de boa vontade lutam, sacrificam-se e não desanimam de serem honestas e justas, fugindo da mediocridade e sendo reconhecidas.

Os inconformismos diante dos limites (cognitivos e sociais) possibilitam o acesso aos impossíveis. Podemos fazer uso da força e dos recursos disponíveis para construir o que se apresenta no espaço e no tempo presentes como não real, realizado o que parece irrealizável.

Os limites do possível não estão estabelecidos originariamente, por isso temos a potencialidade de construir o impossível. Para tanto, precisamos ser capazes de imaginar e exercitar as possibilidades de fazer com que ele se torne realidade.

Vida na roça merece respeito

Nesta época junina deveria se fazer uma reflexão profunda sobre a vida sofrida que levam as pessoas da roça, e não ridicularizá-las da forma que é feito. Particularmente, como educador, (filho desta origem) e pessoa humana que tem um pouco de sentimento por essas pessoas que somos nós mesmos, nossos pais, nossos vizinhos, nossos colegas…

 

No mês de junho, escolas e alunos reúnem-se para fazer apresentações para a comunidade escolar. Realizam-se apresentações como teatros e danças “típicas”. Se olharmos pelo lado da expressão corporal, até isso colaborará para o desenvolvimento intelectual, corporal e linguístico. Agora se pergunta: como são feitas estas expressões? A que se refere à vestimenta?

A vestimenta é tipicamente remendada, rasgada e “fora de moda”. Na cabeça usa-se um chapéu grande, e, na maioria das vezes, rasgado.

Quem usa chapéu em nossa sociedade? São aquelas pessoas que trabalham de sol a sol para produzir o alimento. São as que tocam essa sociedade em termos de produção, que deveriam ter muito mais valor e, no entanto, são desprezadas. Esta vestimenta é encontrada nas pessoas da nossa sociedade que estão excluídas de um processo opressor e capitalista.

Nesta época deveria se fazer uma reflexão profunda sobre a vida sofrida que levam as pessoas, e não ridicularizá-las da forma que é feito. Particularmente, como educador, (filho desta origem) e pessoa humana que tem um pouco de sentimento por essas pessoas que somos nós mesmos, nossos pais, nossos vizinhos, nossos colegas, sou contra estas exposições que ridicularizam os agricultores e gente simples do campo. Sem querer, e sem refletir, acabamos de excluí-los duplamente.

A linguagem utilizada é até profana por se tratar de um esculacho muito grande da Língua Portuguesa, pois a real fala de nossos trabalhadores não chega a esse nível de deboche. E não se pode esquecer que essas pessoas da roça, trabalhadores que, para manter esse sistema que está aí e para o sustento desta nação, não tiveram oportunidade de acesso à educação.

Nós, educadores, deveríamos nos perguntar, já que falamos um pouco mais aproximados da língua “padrão”, talvez porque, com muito custo, chegamos a uma universidade, se temos o direito de ridicularizar a linguagem e o modo de ser dos outros, porque a dignidade das pessoas jamais estará na linguagem assim, ou assado… Deveríamos ter o cuidado para não estar incentivando, como algo normal, nossos educandos que tenham essa atitude, ainda, que por vezes, inconsciente.

Eu sinto orgulho de ser um filho da roça, porque a vida no “interior” me ensinou valores muitíssimo finos e refinados. (Nei Alberto Pies)

Vida na roça

 

 

 

Ponto de Vista

Há pouco tempo, trouxe aqui, em outra publicação no site, o Mito das Verdades.

A cosmovisão africana, assim como outras culturas que vieram depois, encontrava nos mitos, explicações para tudo e todas as situações. Nesse momento em que diferentes visões de mundo e percepções de vida se chocam na busca pela hegemonia, penso ser oportuno trazer este mito da cultura Yorubá. 

O Mito das Verdades

Recorro novamente a essa valiosa fonte de conhecimento que é a cosmovisão africana Yorubá, para trazer mais um itã, mais um mito.

Falo de Exú, essa figura controversa e tão mal entendida do panteão africano, mas que é fundamental, indispensável na visão de mundo Yorubá, para a existência de tudo.

Exú não exige de nós muito, mas espera ao menos o mínimo pelo que ele representa,  e o mínimo que podemos edevemos fazer a Exú é reverenciá-lo.

“Certo dia, dois amigos possuidores de terras vizinhas, iniciaram suas atividades sem a devida saudação a esse princípio da dinâmica da vida. Exú, na forma de um desconhecido, usando um boné de duas cores, uma decada lado, passou na fronteira dessas terras entre os dois homens que trabalhavam e os cumprimentou efusivamente. Logo depois um dos amigos perguntou ao outro:

– Quem é aquele homem de barrete vermelho que passou aqui?

E o outro respondeu:

-Não sei quem é ele, mas sei que o gorro era preto.

-O casquete era vermelho!

-Não. Era preto!

A discussão foi acirrada e acabou em luta de morte.”

Moral da história: Devemos ser cautelosos ao defender a verdade como se fosse absoluta e o ponto de vista como se fosse único.

Laroyê Exú(Exú, o que fala alto).
Exú o mojubá (Exú, eu o respeito).

“Sua opinião” mata

Lutar pelos direitos humanos é uma
luta constante e isso engloba a luta por um mundo
onde ninguém possa ousar querer nos dizer como amar. 

 

Em 17 de maio de 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Anos depois a data foi escolhida para festejar o Dia Internacional Contra a Homofobia.

Podemos entender por homofobia uma série de atitudes e sentimentos negativos em relação aos homossexuais, bissexuais, transgêneros e ou pessoas intersexuais. É um ódio imensurável e esse ódio mata. Vale pontuar que a maioria absoluta das pessoas que praticam homofobia não se vê como homofóbico.

O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo e estima-se que diariamente sejam registradas ao menos 5 denúncias de violência homofóbica. Grande parte das mortes são registradas por espancamento, tiro, asfixia ou facadas. Requintes de crueldade são comuns nos crimes.

Enquanto trago estas informações o número de LGBTs mortos em 2018 é de 177 e aumentando. De acordo com levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia no ano passado 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) foram mortos em crimes motivados por homofobia. Os dados de 2017 representam um aumento de 30% em relação ao ano anterior, que registrou mais de 340 assassinatos. Em 2015 foram 319 LGBTs brutalmente mortos, contra 320 em 2014 e 314 em 2013.

O Brasil está entre os países que mais matam pessoas por serem elas mesmas, por buscarem amar e ser livremente. Ser homossexual no Brasil é um fator de risco, já que a cada 19 horas um LGBT é morto simplesmente por ser quem é. A cada 23 horas uma travesti é morta por crime de ódio em virtude da sua identidade de gênero, diferente do “tradicional”, que incomoda a ponto de matar e resulta em estatísticas alarmantes. Quem não integra os índices de pessoas assassinadas pela intolerância inevitavelmente já passou por outras formas de violência que pode ser física, psicológica ou verbal.

Isso é resultado da ignorância, da estupidez, da burrice e do ódio.

No Brasil a homofobia é institucional e os LGBTs são marginalizados em todos os espaços que tentam ocupar. A homofobia está muito longe de ser “minha opinião” e ao que parece, infelizmente, ainda está longe de ser de fato criminalizada.

Reproduzir discurso excludente, que oprime, julga ou debocha de LGBTs resulta em centenas de filhos, irmãos, primos, companheiros e amigos mortos dia após dia.

Sua piada mata.

Sua homofobia, disfarçada de “minha opinião,” mata.

Reflitam.

Lutar pelos direitos humanos é uma luta constante e isso engloba a luta por um mundo onde ninguém possa ousar querer nos dizer como amar.  Já dizia Johnny Hooker “um novo tempo há de vencer pra que a gente possa florescer e, baby, amar, amar, sem temer”.

Que assim seja.

Amem. (sem acento)

Organização Mundial da Saúde retira transexualidade da lista de transtornos mentais e abre nova categoria denominada saúde sexual. Veja mais aqui.

 

Passo Fundo, RS: qual é a sua ambição?

Cidades diversificadas economicamente, tolerantes culturalmente
e abertas a novas ideias constituem pólos de força magnética
para indivíduos que buscam mudar o mundo através
do empreendedorismo econômico ou social.

 

Li recentemente um livro provocativo – “A Ascensão da Classe Criativa” – de Richard Florida, professor de Negócios e Criatividade na Rotman School of Management da Universidade de Toronto, que se notabilizou mundialmente como um intelectual que pesquisa indústrias criativas aliadas a planejamento urbano e desenvolvimento econômico.

O centro do seu trabalho passa pela definição de classe criativa e o papel que a mesma desempenha no desenvolvimento econômico e o papel das cidades como fontes de atração de indivíduos empreendedores.

Assim, a classe criativa é a classe que emerge na economia do século XXI e é formada por indivíduos das ciências, das engenharias, da arquitetura e do design, da educação, das artes plásticas, da música e do entretenimento, com capacidade de criação de novas ideias, novas tecnologias e novos conteúdos criativos.

Essa nova classe, dos indivíduos criativos ou originais, na acepção de outro autor que está lista de leituras (“Originais” de Adam Grant, psicólogo organizacional da Wharton School) está mudando o mundo do trabalho e move-se pelo poder de atração que as cidades exercem. Cidades diversificadas economicamente, tolerantes culturalmente e abertas a novas ideias constituem polos de força magnética para indivíduos que buscam mudar o mundo através do empreendedorismo econômico ou social.

A competição do século XXI, portanto, se dará entre cidades e sua capacidade de atração de pessoas criativas.

Morar em São Paulo ou São Francisco, Boston, Nova York, Tóquio, Austin, Berlin, Milão? Morar e montar novos negócios em Passo Fundo ou em Porto Alegre, Joinville, Londrina, Maringá, Caxias do Sul, Ribeirão Preto?

Desde que iniciamos a construção do projeto da IMED, nos perguntamos: qual é a sua ambição, Passo Fundo?

Nossa cidade passou a aparecer em listas e rankings nacionais nos últimos quinze anos, destacando-se como um bom local para desenvolvimento de carreiras. O PEDEL – Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico de Passo Fundo -, apresentado pela Prefeitura Municipal de Passo Fundo em 2015 demonstra a força desta cidade com menos de 200 mil habitantes e dotada de uma ampla base de atores tecnológicos e de pesquisa – UPF, EMBRAPA, UFFS, IFSul, SENAI, SENAC, Hospital São Vicente de Paulo, Hospital da Cidade, FASURGS, IMED, Hospital Prontoclínica, HO, BSBIOS, SEMEATO, KUHN, BIOTRIGO, dentre muitos outros.

Passo Fundo é a décima economia do RS, centro político, de comércio e de prestação de serviços de toda a região norte do Estado. Estamos situados em uma região com economia razoavelmente diversificada – agronegócio, saúde, educação, setor metal mecânico.

A cidade passou durante as últimas gestões pela ampliação da sua capacidade industrial e pela revitalização de espaços públicos, recuperando sua autoestima.

Mas, como um inconformista à la Adam Grant, para onde vamos? Por que não nos mobilizamos coletivamente para extrair da base instalada todo seu potencial? Quando resolveremos problemas históricos, como o aeroporto, por exemplo (porta de entrada e saída de todos aqueles que queiram realizar negócios na cidade)?

Onde está a energia mobilizadora de um padrão de governança local da sociedade civil, capaz de aliar-se ao poder público, para projetar publicamente Passo Fundo de fato como a melhor cidade média da região sul do Brasil para empreendedores?

O mundo está mudando muito mais rapidamente que muitos de nós poderiam imaginar. Uber, Airbnb, WhatsApp, Nubank, Cabify, Tesla, Amazon, Netflix já fazem parte de nossas vidas. Neste momento, criativos do mundo, do Brasil e do RS estão escolhendo onde morar, empreender e como farão para mudar o mundo. Por que não em Passo Fundo?

A guria de Vacaria

É fácil ser militante e correr poucos
riscos em tempos de calmaria.
A democracia testa seus defensores
em seus piores momentos.

 

Márcia Tiburi é de Vacaria. Foi o que anunciou com alegria o advogado e professor Carlos Frederico Guazzelli no meio de um debate sobre fascismo hoje à noite (19 de junho de 2018) no Café Nossa Cara, no Bom Fim. Guazzelli é vacariense e estava se exibindo.

Há muito tempo não temos muito o que exaltar por aqui. O fascismo, um dos temas que Márcia Tiburi gosta de abordar, ganha feições variadas no Estado desde antes do golpe de agosto de 2016.

O Rio Grande que alguém algum dia inventou de chamar de o Estado mais politizado do Brasil (e muitos acreditaram nessa lenda) é visto hoje como a república do relho.

Márcia mexe com o orgulho dos vacarienses porque se atreveu a se apresentar como pré-candidata ao governo do Rio pelo PT. Criou o fato político do mês. A professora de filosofia e escritora mora no Rio há quatro anos. Vai para uma guerra.

Márcia vai para a linha de frente da política numa hora em que muitos estão saindo.

Quem ainda estiver em dúvida sobre o que deve fazer em meio à longa ressaca do golpe, que se inspire no gesto corajoso de Márcia. Pelo Rio, por Marielle, pelas mulheres, pelo Brasil, por Lula, pela democracia.

Marielle representava uma grande parcela da população carioca, foi a quinta mais votada da cidade. Representava um conjunto de ideias que defende as minorias (sociais), que busca igualdade e justiça. Era mulher, negra, lésbica e favelada. Estava ocupando um espaço de poder que há séculos tentam deixar o mais distante possível desta parcela da população. (Ingra Costa e Silva)

Hoje e sempre, Marielle Presente!

Uma mulher vai encarar a disputa pelo governo no Estado em que os homens não conseguem descobrir ou não querem descobrir quem matou uma mulher negra, favelada, de esquerda, militante política, vereadora, defensora das comunidades pobres e dos direitos humanos, bissexual, formada em sociologia.

A valente Marielle merece que sua história e sua memória sejam homenageadas pelo gesto de uma gaúcha de Vacaria. Sem gauchismos e sem bravatas.

Márcia se dispõe a enfrentar a barra de um Estado quebrado, os traficantes, as milícias, os capitães Nascimentos, os amigos do José Padilha, a Globo, o Jornal Nacional, os traumas causados pela intervenção federal, os golpistas, os fascistas com chiado, os conchavos das máfias dos garotinhos e dos cabrais.

É fácil ser militante e correr poucos riscos em tempos de calmaria. A democracia testa seus defensores em seus piores momentos.

No livro “Como Conversar com um Fascista – Reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro”, editado pela Record, Márcia nos ajuda a refletir sobre o medo que os fascistas têm das mulheres.

Pois vai em frente, Márcia Tiburi. Mete medo neles.

Em outro texto, escrevi: Quando aparecer algum pregador direitoso querendo se livrar de Hitler, citem este livro fantástico. E leiam o relato de Silvia, porque é uma das raras obras sobre o nazismo pelo ponto de vista do jornalismo e sobre como o jornalismo de esquerda se engaja, em momentos graves, à luta contra as grandes ameaças.

Um grande livro contra fascistas e nazistas

Babacas ilustrados

O que está acontecendo com nossa educação formal
que dá conhecimento, mas não cultura,
que transmite conteúdo, mas não humaniza?
A educação que apenas transmite saberes técnicos
forma apenas babacas ilustrados como tantos que vemos por aí.

 

Muito antes dos movimentos ecológicos, meu pai jamais deixava queimar os restos das colheitas. Era melhor apodrecer e virar adubo. Ele também tinha o que hoje descobri ser empatia por animais e pessoas. Ensinou a sermos honestos, respeitosos e cordiais.

Uma vez uma vaca nossa entrou no milharal do vizinho e, embora tivesse o vizinho dito que não tinha problema, na colheita meu pai levou até ele três cestos do produto para compensar o estrago feito.

Meu pai mal desenhava o nome com um lápis laranja de pedreiro. Nunca teve educação formal, escola, ou livros.

Relato esse exemplo para me perguntar qual o lugar da educação para melhorar nosso jeito de nos relacionarmos com os outros, para nos ajudar a desenvolver a empatia afetiva, para que tenhamos atitudes mais humanas e melhorarmos a convivência.

Surgem esses questionamentos após acompanhar o caso dos brasileiros que constrangeram uma mulher russa, divertindo-se com ela como se lidassem com um brinquedo qualquer. Entre eles um advogado, que chegou a ser secretário de turismo de Ipujuca em Pernambuco, um tenente da polícia militar de Santa Catarina e um engenheiro civil. Todos com ensino superior, mas completamente idiotas. E sempre sob o argumento de “uma brincadeira inocente”. Assim, como há alguns anos atrás, meninos bem educados da classe alta de Brasília atearam foto a um índio por diversão.   Como é possível alguém ser estudado e um babaca social?

“Se fosse por aqui, seja com protagonistas estrangeiros ou brasileiros, a história poderia ser diferente. “Tipificamente, aqui seria enquadrado como contravenção da importunação ofensiva ao pudor”, explica a defensora pública Paula Machado, coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher. Ou seja: pagariam uma multa por importunar, de modo ofensivo ao pudor, e tornar pública essa humilhação”.

Veja mais aqui.

Mais uma.  Após alterações sem-pé-nem-cabeça efetuadas para o Prêmio Jabuti deste ano, – que ensacou como batatas iguais a literatura para crianças, a literatura para jovens e a ilustração, – reagiram editores, escritores e ilustradores dessas literaturas. Foi então elaborada uma carta à Câmara Brasileira do Livro, em que mais de 300 profissionais da área questionamos os novos critérios.

Após ouvidos moucos aos questionamentos, Volnei Canônica, conhecedor do assunto e grande movimentador cultural do livro, escreveu um artigo em um site especializado em literatura.

No artigo, expôs os questionamentos já antes contidos na carta. Pois bem, o que não interessava, mas passou a interessar, é que Volnei Canônica é casado com Roger Mello, um de nossos mais significativos autores e ilustradores, sendo já premiado com o Nobel da ilustração, o Prêmio Christian Andersen. Foi então que o curador do Prêmio Jabuti, cheio de pós-doutorados e com seu Lattes recheado de publicações sobre literatura, ao invés de responder aos questionamentos, comenta em post no artigo, que Volnei Canônica tão somente levava a crítica para o lado pessoal, para defender “seu amor”, no dia dos namorados. Ante a repercussão do comentário nas redes sociais, o dito curador veio a pedir demissão, sem, contudo, rever suas posições e preconceitos.

O que está acontecendo com nossa educação formal que dá conhecimento, mas não cultura, que transmite conteúdo, mas não humaniza? Por que meu pai, sem escola, sabia se colocar como ser humano no mundo, com sensibilidade e empatia para outros animais e pessoas?

Será que é possível ensinar alguém a ser mais humano? Como a escola poderia fazer isso?

Do que já vi e vivi, aprendi que a Arte, quando vivenciada e não apenas quando objeto de estudo, desenvolve a sensibilidade e humaniza.

Não adianta, como o curador do prêmio Jabuti, ver a literatura ou outra arte apenas como objeto de saberes. É preciso deixar-se envolver, vivenciar, deixar-se tocar. É como quem canta, como quem dança, como quem representa, como quem lê um livro literário não apenas para ter respostas numa prova, mas para experienciar na própria pele as dores e alegrias dos personagens.

A educação que apenas transmite saberes técnicos forma apenas babacas ilustrados como tantos que vemos por aí. Precisamos de uma educação que vivencie as experiências emotivas e afetivas do ser humano. Creio que as artes, adequadamente mediadas, podem nos ajudar, e muito.  

Bernadete Dalmolin: mulher com ideias inovadoras para a UPF

 

Em entrevista exclusiva para o site, Bernadete Dalmolin
responde a questões que envolvem sua história pessoal e
o desejo coletivo de fazer uma gestão inovadora na
UPF (Universidade de Passo Fundo) a partir do diálogo,
da humanização e da gestão compartilhada.

 

Professora Bernadete, como avalias o processo da eleição para a Reitoria em 2018? O que significa a vitória da proposta de um grupo de pessoas que propôs a gestão compartilhada para a nossa querida UPF?

Foi um importante momento de participação, de avaliação e de discussão de projetos para a universidade que queremos nos próximos anos. A vitória da proposta do Movimento Ação UPF significa que a comunidade acadêmica deseja avançar, efetivamente, na vivência da gestão democrática, envolvendo os docentes, discentes e técnicos-administrativos, orientando-se pelas relações dialógicas e de humanização.

A UPF tem uma organização colegiada muito clara, mas ela deve ser fortalecida e ressignificada institucionalmente, potencializando a capacidade de análise, de resolução, de eficiência e de agilidade, sem prejuízo à educação que caracteriza o ensino universitário.

 

Quais foram e quais são as motivações pessoais para estar à frente da UPF para o período de 04 anos? O que de sua trajetória pessoal e profissional estará impregnado na forma de gerir a Universidade?

A principal motivação é, sem dúvida, compartilhar um projeto de Universidade em que a UPF reforça seu caráter comunitário, aprofundando a concepção de uma Instituição formadora e de produção do conhecimento contribuindo para o desenvolvimento da região. Além disso, dar vazão e voz ao enorme capital intelectual acumulado nessas cinco décadas de história.

“Entendemos que é com transparência e agregação das pessoas, com as capacidades de cada uma, que nos potencializaremos em torno de um projeto comum”.

Penso que sempre tem um encontro de trajetórias num coletivo como este que se constituiu no Movimento Ação UPF. Da minha trajetória, acredito que estarão presentes algumas características, comoo diálogo, a capacidade agregadora, a transparência e o afeto.

Quais são, hoje, os maiores desafios da gestão desta Universidade num contexto de crise institucional, política e econômica, mas também de um tempo onde o próprio papel da educação vem sendo questionado?

É preciso considerar o contexto de criseeconômica que, neste momento, afetam visceralmente as Instituições Comunitárias. Aliado a isso, as profundas transformações da educação superior, como a massificação dos sistemas, as formas de competição entre instituições de ensino superior, o tensionamento entre o público e o privado, assim como as inovações tecnológicas. A UPF necessita conviver e dialogar com esse tempo, enfrentando cautelosamente as dificuldades, fazendo as adequações necessárias e, abrindo-se às inúmeras possibilidades que ele traz consigo.

“Entendemos que é necessário aprofundar o papel das Instituições Comunitárias, reforçando seu caráter de instituição pública não estatal. Cumprimos, ao longo da história, um papel fundamental, fazendo frente a “vazios educacionais” (não cumpridos pelo Estado) e impulsionando o desenvolvimento das regiões”.

Buscaremos, em conjunto com as nossas associações, intensificar essa pauta junto aos órgãos governamentais, a fim de abrir frentes de financiamento diferenciadas às nossas ICES.

Assumimos como orientação a visão de futuro segundo a qual uma grande universidade comunitária se faz com excelência acadêmica, sustentabilidade econômica, interação com a comunidade, produção do conhecimento e gestão compartilhada. Isso significa que, internamente buscaremos equilibrar colegialidade e pró-atividade na gestão, movendo-nos com agilidade frente aos desafios e sermos resilientes na preservação dos valores acadêmicos.

 

Como é conciliar ensino, pesquisa e extensão no século XXI de tantas transformações?

É um desafio, pois requer uma ruptura de uma base formativa que está arraigada em modelos (teorias, metodologias e práticas) bastante tradicionais, fruto de um processo histórico e fragmentado de fazer ciência, de aprender e de ensinar.

Penso que é no entrelaçamento dessas dimensões que poderemos encontrar novos sentidos às atividades acadêmicas do nosso tempo, ou seja: ao fazermos pesquisa, geramos extensão (ou vice-versa), transformando a sala de aula em um ensino mais dinâmico aos nossos estudantes.

Nós temos condições de acelerar esse ambiente inovador, a partir do relacionamento com os diferentes públicos, de identificação de oportunidades, de negociação, de cooperação, inovando nossos currículos, fortalecendo e abrindo linhas de pesquisa e tornando, cada vez mais, nossa “casa UPF” e nossa comunidade um lugar mais qualificado para crescer e se desenvolver.

“Este papel está na gênese da universidade e, num mundo cada vez mais plural e complexo, com diferentes e variadas formas de vida, o que faz a diferença é essa integralidade que potencializa a formação de um sujeito crítico, ético, aberto ao diálogo, com capacidade de pensar por si mesmo, com olhar abrangente, sensibilidade imaginativa e responsabilidade social”.

O que significa para ti, para a instituição e para a própria comunidade geral a eleição da primeira reitora mulher da Universidade de Passo Fundo?

O mundo da gestão ainda é eminentemente masculino. Romper a lógica hegemônica, neste caso, também é importante e inovador. Que pena que é a primeira vez em 50 anos, até porque as mulheres sempre estiveram presentes no cenário da educação brasileira, mas que bom que aconteceu agora (na UPF as professoras somam mais de 40% do total).

Creio que isso será muito importante para que outras mulheres possam ocupar espaços de gestão, trazendo para esse campo, características que são próprias ou mais aguçadas no gênero feminino.

Em momentos da campanha eleitoral ouvíamos depoimentos que expressavam “incômodos” com a possibilidade da UPF teruma reitora, como por exemplo: “uma gestão complexa não é para pessoas sentimentais, emotivas”, dentre outros, buscando desqualificar características e negar trajetórias (inclusive de gestão).

“Penso que precisamos superar pré-conceitos que reforçam uma cultura dominante de um perfil masculino para os cargos da alta gestão”.

Acho que as diferenças entre homens e mulheres são salutares e complementares e, promover a igualdade de gênero no lugar do trabalho, é uma questão justa e inteligente, aproveitando as competências e talentos de cada um/uma, também nos espaços estratégicos de condução e de tomadas de decisão.

 

Qual é a sua visão sobre a construção de um conhecimento para a humanização, que é uma das propostas do nosso site? (a ideia que defendemos é de que, através do conhecimento reflexivo, podemos superar a nossa ignorância e nos tornarmos assim pessoas melhores).

Falar em humanização é falar em relações, em reconhecimento do outro como sujeito de direitos e saberes.

“É preciso deixar claro que não estamos falando apenas de cordialidade, ou de momentos de uma reunião dos funcionários com seus dirigentes, estamos falando de uma postura, de uma prática cotidiana. Estamos falando do resgate e fortalecimento do que é ser sujeito, ser HUMANO”.

Entendo que a construção de um conhecimento para a humanização passa pela superação de uma cultura institucional fortemente assentada nos modelos de gestão, que vem de determinadas escolas clássicas e que ainda são fortes na sociedade. Modelos esses, que produziram como efeito, a dominação, a separação entre quem pensa e quem executa o trabalho, a alienação. Formas não compatíveis com uma gestão de educação da natureza da nossa.

Para isso, instituiremos modos de trabalho que produzam tanto compromisso e convivência solidária com o interesse comum, quanto capacidade reflexiva e autonomia dos diferentes espaços de gestão. Dito de outra forma, trabalharemos fortalecendo a capacidade de ser, de pensar, de refletir, de criar e de fazer de cada um.

 

O que a comunidade acadêmica e comunidade geral pode esperar da gestão compartilhada para os próximos quatro anos? Qual será a marca e a identidade de trabalho desta gestão que representas como reitora?

Pode esperar uma gestão em que todos importam e todos serão convidados a participar, a refletir e a decidir. Assim, acreditamos que iremos ampliar a autonomia de gestão das unidades e dos cursos e potencializar a capacidade de análise, de resolução, de eficiência e de agilidade.

 

Por fim, como defines numa frase você, Bernadete Dalmolin.

Uma pessoa presente, de diálogo, de fácil convivência e que se inquieta com injustiças de toda a ordem.

Espero que dê tudo certo

Desejo que qualquer um,
em qualquer profissão,
tenha uma vida digna e feliz.

 

Acompanhei a polêmica sobre a brincadeira “se nada der certo”, na qual alguns alunos imaginavam o que fariam, caso não tivessem êxito na vida acadêmica. Pensei nos meus filhos e sobrinhos. Pensei no futuro deles, no que eu desejo para eles. O significaria “dar certo ou errado”?

Duas escolas do Rio Grande do Sul criaram, em ocasiões diferentes, uma atividade curiosa. Os alunos do terceiro ano do ensino médio se fantasiaram dentro do desafio : e se os meus planos de vestibular e de vida falharem? Desafio dado e surgiram garis, faxineiras, vendedoras, presidiários etc. As fotos circulam pela internet. Qual o problema da atividade?

Dar errado, para mim, é ser alguém desonesto, intolerante, violento. É ser estelionatário, assaltante, traficante. Ver que alguém que eu amo tornou-se uma pessoa que pensa só em si, e que se considera melhor do que os outros pelo simples fato de ter nascido numa situação econômica mais favorável, seria uma constatação de que “deu errado”.

Se tudo der certo, meus filhos, sobrinhos e amigos vão estudar, aprender, trabalhar. Vão encontrar uma profissão da qual gostem e vão poder viver dela. Vão ter uma vida material confortável e segura.

Espero que tudo dê certo, e que eles e todos os jovens do país possam seguir o caminho profissional que desejarem e se destacar pela sua competência. Qual profissão eles terão? Não sei. Para mim, tanto faz, desde que seja uma atividade honesta e que possa ajuda-los a ser pessoas melhores.

Na verdade, para os que puderem ir mais longe nos estudos e nos sonhos, desejo que tudo dê mais certo ainda. Desejo que eles aprendam a respeitar as diferenças, mesmo quando não puderem compreendê-las.

Desejo que percebam que nem todos têm as mesmas oportunidades, infelizmente. Desejo que entendam que são privilegiados, mas que isso não os torna melhores, apenas mais obrigados a desempenhar um papel social construtivo. Espero que compreendam que fazem parte de uma comunidade, que suas ações têm consequências, e eles são responsáveis por elas.

Espero que tudo dê certo para todos. Mas se a vida não acontecer conforme a expectativa, e ao invés de médico, um filho ou sobrinho acabar sendo atendente de lanchonete, desejo que isso dê certo. Desejo que ele possa trabalhar de forma produtiva e honesta, que seja remunerado decentemente e respeitado por colegas e clientes. Desejo que qualquer um, em qualquer profissão, tenha uma vida digna e feliz.

A civilização se afogará no próprio lixo?

A perspectiva é que se não houver
mudanças drásticas no modelo de produção,
essa civilização se afogará em seu próprio lixo.

 

No decorrer da história foram construídas diferentes percepções sobre o lixo, desde a percepção e a associação ao inútil, até uma percepção ecológica. O fato é que ele ajuda a contar a história de muitas civilizações, até mesmo a nossa.

A palavra “lixo” sempre esteve associada ou definida como tudo aquilo que se descarta que não mais pode ser utilizado, resultante de diferentes atividades, sejam elas domésticas, comerciais e industriais, dentre outras. Na idade média, a idéia de lixo (excedentes humanos) era restrita aos resíduos eliminados pelos organismos, como fezes, urina e o próprio corpo em decomposição. Desta forma, ele era apresentado como uma ameaça aos seres humanos, especialmente por ser a causa do surgimento de grandes epidemias.

Com a revolução industrial, o desenvolvimento de técnicas e as descobertas científicas possibilitaram a ampliação da percepção do lixo. Passou-se a compreender que a própria emissão de gases poluentes é uma forma de lixo. A partir da década de 70, mudou-se a perspectiva de percepção desses excedentes humanos, e passou a ser uma das grandes preocupações ecológicas, sobretudo, por causa da industrialização crescente.

Atualmente, um dos grandes debates que ganham força política é a relação excedente versus meio ambiente. É um debate que se insere também na agenda dos direitos, especialmente ao direito à saúde ambiental. Um direito que por muito tempo vem sendo negligenciado pelo poder público, especialmente, aos mais pobres.

O fato é que com a modernidade, particularmente no ramo da indústria moderna, a produção de resíduos cresceu enormemente. Na ponta inicial do processo industrial, para atingir a eficácia da produção em massa, exigiu que se cortassem, aparassem, segregassem, separassem ou extirpassem as partes de matéria prima. Na verdade, cortamos as árvores, demolimos as montanhas para extrairmos os metais, consequentemente, poluímos a água e o ar.

A história das coisas.

O grande problema desse sistema de produção em massa é com a sua própria sobrevivência num planeta finito. Deparamos-nos hoje com escassez de recursos naturais, devido à utilização demasiada e descontrolada, buscando cegamente o desenvolvimento e o crescimento econômico.

Mas o problema não acaba por aqui.

No final desse processo, na outra ponta do sistema, emergem os excedentes humanos, os resíduos como subproduto do processo. Que fim dar a ele? O que fazer com esse excedente?

Ele sempre foi encarado como inútil, mas com um potencial desastroso, por isso criou-se a indústria de manejo do lixo. Infelizmente, as medidas tomadas não foram suficientes para neutralizar ou amenizar os perigos de sua exposição. O manejo ocorreu através da criação de aterros sanitários, ali os excedentes da humanidade poderiam ser transportados e depositados. O grande problema é que, adotamos um sistema altamente poluente para nossas águas, solos e ares.

Outro fator problemático é que devido à urbanização desordenada há enorme carência de espaços para a construção de aterros. A oferta de aterros sanitários é cada vez menor, enquanto a produção de lixo prossegue inabalável. Os sinais são claros, caminhamos para a autocombustão e explosão do sistema atual. A perspectiva é que se não houver mudanças drásticas no modelo de produção, essa civilização se afogará em seu próprio lixo.

Conforme descreve o sociólogo polonês Zygmunt Bauman: “A modernidade tem sido suspeita de uma tendência essencialmente suicida, semelhante uma cobra comendo seu próprio rabo”, o problema é que ela nunca sabe quando o estômago será seu alimento.

O século XXI, apesar da perspectiva de avanços científicos e tecnológicos, caminha sob o signo da incapacidade de incluir no ciclo de uso o destino ecologicamente correto para as montanhas de excedentes gerados pela humanidade e depositados em lugares impróprios. Nos bastidores do Estado e do mercado temas como crescimento, desenvolvimento e sustentabilidade são atualmente os grandes desafios, assim como a necessidade de efetivar ações e criar uma nova concepção.

Precisamos apostar na reciclagem, para isso primeiro devemos mudar nossa percepção sobre o lixo nos livrando daquela velha mentalidade que o associava ao inútil. Ele é fonte de riqueza, muitas pessoas poderão tirar o sustento para suas famílias, em um trabalho ecologicamente correto.

Repensar, reduzir, reutilizar, reciclar.

É tempo de reestruturar esse sistema linear, cujo ciclo pode ser resumido em extração, industrialização, uso e descarte. Precisamos transformar esse sistema linear em algo novo. Atualmente há iniciativas que pensam todo o processo produtivo no modelo de “ciclo fechado”, são iniciativas baseadas na sustentabilidade, equidade, energia renovável. É um sistema circular que não desperdiça recursos e nem pessoas. É nessas iniciativas que precisamos apostar.

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