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Proteção para quem educa

Publicado originalmente em Radis.

Solange, Mariana e Mariele não escolheram a carreira por conta de privilégios. Até porque, salários atrasados, sobrecarga de trabalho e falta de recursos não são aspirações de nenhum profissional. Também não trabalham apenas “por amor” à profissão — as três acreditam que a carreira merece ser valorizada pela população e pelos governos, com salários adequados e condições dignas. “Nossa missão na sociedade é a de promover educação e transformação por meio do conhecimento”, constata Mariele Furtado. “É um trabalho intelectual, mas também é uma atividade com seres humanos, que exige uma atualização constante e contínua dos educadores, e é também uma grande responsabilidade”, afirma Solange Carvalho. “Nenhuma sala, nenhum dia e nenhum aluno são iguais”, reflete Mariana de Oliveira.

As três mulheres têm, em suas carteiras de trabalho, a mesma profissão: professora. As três, em escolas públicas. E estão entre os trabalhadores que mais passarão por mudanças segundo a proposta de reforma da Previdência, apresentada pelo governo federal, em fevereiro, ao Congresso Nacional. Pelas regras atuais, os professores se aposentam mais cedo por ser uma profissão cujas características laborais geram mais impacto sobre a saúde: para os homens, são exigidos 55 anos de idade e 30 de contribuição; e para as mulheres, 50 e 25, respectivamente. A proposta do governo por meio da “Nova Previdência” eleva o tempo requerido para professores e professoras, ambos fixados em 60 anos de idade e 30 de contribuição. Porém, o texto do relator do projeto, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), alterou para 57 anos o tempo das mulheres; já o dos homens permaneceu com a sugestão inicial (60). A regra vale para professores da educação infantil, ensino fundamental e médio.

Prestes a completar 58 anos, mais de 20 deles em sala de aula, Solange Carvalho é hoje vice-presidente do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (CPERS). Ela é professora de História e Geografia da rede municipal de Caxias do Sul e da rede estadual desde 1994. Conhecedora dos impactos da reforma sobre sua vida e a de seus colegas de profissão, ela explica que a proposta não pretende apenas alterar a idade mínima exigida para os professores se aposentarem (que vai aumentar em sete anos): ela também dificulta o recebimento do salário integral. “Sem a integralidade, você só recebe a média desde quando começou a trabalhar. E sem a paridade, além de se aposentar ganhando menos, o professor não vai obter o reajuste de quem está na ativa. Essa é uma grande derrota dos direitos”, destaca. Na prática, para receber uma aposentadoria equivalente a 100% das médias dos salários, será necessário trabalhar por 40 anos.

“Ficaremos à míngua”, sentencia a educadora, ao apontar que o desamparo ao trabalhador ocorre justamente na velhice, quando ele mais necessita de proteção social. “A reforma impossibilita uma vida digna depois da aposentadoria. Estamos fazendo o máximo para esclarecer nossa categoria de que isso é um roubo. Essa reforma é para os bancos, que vendem a ilusão de que é importante implementar uma previdência complementar”, avalia. Educadoras como Solange possuem regras próprias para aposentadoria não por privilégio, mas porque a profissão apresenta características que impactam sobre suas condições de saúde. “A atividade em si requer muitas horas em pé. Também levamos serviço para casa, pois precisamos planejar as aulas e corrigir trabalhos e provas”, descreve. Além disso, existe a sobrecarga emocional e as tensões da sociedade que vão para dentro da sala de aula. “A gente lida diretamente com seres humanos, não trabalhamos com máquinas. Quanto mais violenta a sociedade fica, mais isso ecoa em diferentes espaços, e a escola é um desses locais em que a gente sente a violência eclodir”, analisa. Entre os problemas de saúde mais frequentes em professores, estão estresses emocionais, varizes, dores na coluna e deficiências na audição e na voz.

Realidade dos educadores

Outro fator que reflete no dia a dia dos professores é a falta de investimentos na educação. Solange ressalta que a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 95 — que congelou por 20 anos os investimentos na área — levou a um cenário de atraso nos salários, escassez de professores e falta de materiais didáticos. “Nem todas as escolas estão em boas condições. Algumas conseguem graças à comunidade, que faz o papel do Estado, por meio de festas, rifas e doações. Também existem escolas que estão em áreas de conflitos, com professores sendo agredidos”, relata. Com menos recursos, outra consequência é a ausência de profissionais fora da sala de aula, que atuam no apoio pedagógico e nas bibliotecas — o que gera ainda mais sobrecarga naqueles que restaram.

Além das dificuldades inerentes à profissão, os educadores narram que são obrigados a lidar cada vez mais com situações de pressão motivadas por perseguição ideológica ou política. “Somos colocados como algozes, doutrinadores ou criaturas perigosas. A sociedade que nos apoiava já começa a ter alguns segmentos que acham que somos nocivos, que podemos ‘doutrinar’ seus filhos”, aponta. Ela se refere a iniciativas que limitam a liberdade de expressão em sala de aula, como o incentivo para que alunos gravem os professores como forma de coação. “A professora em sala de aula tem que conquistar a atenção dos alunos com seu maior empenho e criatividade, mesmo que ela esteja devendo no banco e com salários atrasados”, ressalta.

Professora de História há 3 anos na rede pública de Minas Gerais, na cidade de Cataguases, na Zona da Mata mineira, Mariana de Oliveira narra que as condições de saúde mental são as que mais têm impactos negativos no cotidiano dos profissionais de educação. “É um trabalho difícil e desgastante, que traz uma série de problemas de saúde de ordem física e principalmente mental”, afirma.
Segundo ela, em uma sociedade marcada por desigualdades e por contextos de falência familiar, é comum entender a profissão de educador como uma espécie de “abnegação e amor incondicional”, transferindo toda a responsabilidade na educação de uma criança ou um jovem para os docentes e a escola. “É um peso muito grande para carregar e nós somos humanos! Somado a isso, a gente trabalha em uma escola sem recurso, que literalmente conta as moedas para dar o mínimo para os alunos. Pagamos do nosso próprio bolso muita coisa para tentar deixar a aula mais atrativa”, pontua.

Aos 28 anos, com mestrado em História Colonial pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Mariana acredita que a educação pode ter um papel transformador na vida das pessoas — “assim como fez com a minha”. “A educação me criou vivências que eu jamais imaginei ter, sendo filha de família de classe média baixa e ainda no interior”, reflete. No entanto, segundo ela, ao invés de fortalecer a escola pública, o que tem sido estimulado é o desrespeito e a coação em relação aos profissionais — pela primeira vez, ressalta a professora, a educação é vista como inimiga. “A escola deveria ser um lugar de expansão da mente e está cada vez mais se tornando um depósito de pessoas insatisfeitas”, reflete. Mesmo com as dificuldades, ela considera que no percurso do aprendizado é possível descobrir saídas e provocar reflexões.

Na mesma escola onde Mariana leciona história — a Escola Estadual Professor Clóvis Salgado, em Cataguases (MG) —, Mariele Furtado dá aulas de língua portuguesa. Também aponta problemas como turmas lotadas, salários atrasados ou parcelados, salas de aula sem estrutura e falta de apoio das famílias. Para ela, as mudanças nas regras de aposentadoria de professores fazem parte de um contexto de desvalorização da profissão — e deve levar ao adoecimento daqueles que serão obrigados a trabalhar mais, por mais tempo. “O que justifica as regras especiais de aposentadoria do professor é, sobretudo, o caráter intelectual e formador da profissão, o que demanda um desgaste tanto físico quanto emocional. Ter o direito de se aposentar com um menor tempo é uma forma de garantir a qualidade do trabalho docente e valorizá-lo”, pondera.

Com 10 anos de profissão e 32 de idade, ela se sente desvalorizada como profissional. “Não observo nenhuma preocupação, seja do governo ou da sociedade em geral, com o que pode acontecer com os professores que terão que ficar mais tempo em sala de aula”, lamenta. Porém, ela não perde a esperança no papel transformador da educação. “Tenho certeza de que continuaremos a lutar por uma sociedade melhor, mesmo que tenhamos que enfrentar todos esses desafios”, conclui.

Direito, não privilégio

O céu ainda está coberto de estrelas quando Sandra Pereira de Faria, 49 anos, acende o fogão para esquentar a água do café, que ajuda a cortar o sono e a aragem da madrugada. O marido, Edvar Marçal de Jesus, prepara-se para vencer a escuridão em busca do gado a ser conduzido até o curral, onde a família tira o leite enviado à cooperativa de pequenos agricultores. Antes levantavam por volta de 5h da manhã, mas o plantio de uva — atividade na qual a família se aventurou para diversificar a produção no sítio — fez com que o serviço aumentasse e eles passassem a acordar por volta de 4h. “Aqui não tem férias nem feriado”, conta Sandra, que durante toda sua vida viveu no campo.

Por volta de 9 horas, já terminam a lida com as vacas. É hora de botar a silagem no cocho, transportar o leite, tratar do porco e das galinhas. Às 10h30, Sandra já está de volta à casa para preparar o almoço, enquanto o marido e o genro cuidam do parreiral. Na rotina atribulada da roça, ela ainda encontra tempo para se deliciar com o abraço de seus dois netos, Heitor, de 2 anos, e Mariana, de 4 — que ela chama de “amores de sua vida”. O sítio em que Sandra mora com a família — o marido, a filha mais nova, o genro e os dois netos — fica a 52 quilômetros de Silvânia, cidade de Goiás com cerca de 20 mil habitantes. A família é assentada pela reforma agrária no terreno de 39 hectares; além do leite, eles produzem ovo, banana e milho — e agora veio o sonho do cultivo de uva.

Sandra conta que começou a trabalhar aos 9 anos de idade, como boia-fria, e hoje já soma 40 anos de serviço no campo. Ela vê com preocupação as mudanças na aposentadoria rural, propostas pelo governo com a reforma da previdência. “Encaro com muita preocupação. O trabalhador rural não tem hora para levantar, não tem repouso semanal ou férias, não tem décimo terceiro. A gente está exposto à chuva, ao sol, aos agrotóxicos, a todas as intempéries”, aponta. Para ela, a aposentadoria rural é uma forma de compensação pelo serviço desgastante na roça.

Atualmente assalariados rurais, agricultores familiares e pescadores artesanais têm direito à chamada condição de segurado especial da Previdência Social, para a qual precisam comprovar 15 anos na atividade — além de contar com 60 de idade, no caso de homens, e 55 para mulheres. Em lugar dos 15 anos de comprovação, a proposta da “Nova Previdência” indicou a exigência de 20 anos de contribuição e a idade mínima de 60 tanto para homens quanto para mulheres.

“A proposta tem a intenção de atacar a classe trabalhadora e os mais vulneráveis. Se ela for aprovada como está, poderá trazer pobreza e miséria para o campo”, ressalta Edjane Rodrigues, secretária de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Ela ainda destaca o impacto que essa mudança teria na economia de pequenas e médias cidades brasileiras, pois em 45% dos municípios do país, de acordo com dados da Contag, a soma das aposentadorias rurais é maior do que o dinheiro recebido do governo federal por meio do Fundo de Participação dos Municípios.
Não um privilégio, mas um direito que reconhece as dificuldades enfrentadas por essas pessoas no trabalho com a terra — é o que justifica a condição de segurado especial para os trabalhadores do campo, segundo Edjane. “O trabalho começa mais cedo, ele é mais penoso, e está condicionado a uma série de fatores. Na roça pode acontecer a perda da produção por falta ou excesso de chuva, por presença de pragas, e esses trabalhadores muitas vezes ainda precisam enfrentar dificuldades para comercializar a sua produção”, explica. Segundo ela, mudanças na previdência rural poderiam acarretar impactos negativos na economia, além de aumentar o êxodo rural. “Se as pessoas saírem do campo por causa da falta de oportunidades e de políticas públicas, não teremos como garantir a produção de alimentos saudáveis para a população”.

Por terem em geral uma jornada mais extensa do que a dos homens, as mulheres se aposentam mais cedo, como explica Edjane. No campo, segundo estimativa da Contag, elas trabalham, em média, 51 horas por semana, enquanto os homens têm uma jornada média de 43 horas semanais. Cuidar da casa e dos filhos é uma tarefa que elas dividem com o trabalho na roça. “Quantas mulheres acima de 60 anos hoje, que já estão aposentadas, cuidam dos filhos de suas filhas, porque estas precisam trabalhar? Uma das poucas políticas que reconhece essa divisão sexual do trabalho é a previdência social”, constata ela, que é filha de uma agricultora assentada pelo Programa Nacional de Crédito Fundiário, em Alagoas. O relato de Sandra confirma essa realidade: “Se brincar, as mulheres trabalham mais do que os homens. Ajudam em todas as tarefas e ainda vão para a roça”, afirma.

Edjane pontua também que a previdência rural tem a função de amparar o trabalhador do campo, que sempre teve dificuldades para garantir seus direitos. “O governo fala muito que a expectativa de vida melhorou, mas a gente precisa levar em conta que estamos vivendo mais graças a políticas que melhoraram nossa condição de vida, dentre elas a previdência social”, observa. Criada com a Constituição de 1988, a Previdência Rural buscou resgatar uma “dívida histórica” com essa categoria, na visão de Jane Berwanger, advogada especialista em direito previdenciário do Rio Grande do Sul — como Radis já destacou na edição 173. “Até 1988 a inclusão previdenciária dos rurais era bastante tímida: só o chefe de família tinha direito e o benefício era de salário mínimo. Além de recuperar essa dívida, também se buscou valorizar aqueles que produzem os alimentos”, analisa.

Uma nova proposta foi encaminhada pelo relator da PEC 06/2019, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), responsável por analisar a reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara dos Deputados: diferentemente do que propunha o governo, o relator propôs (13/6) a manutenção da idade mínima para aposentadoria rural em 55 anos para mulheres e 60 para homens, com a exigência de contribuição sobre a comercialização da produção fixada em 15 anos para mulheres e 20 para homens. Para Edjane, esse recuo foi resultado das mobilizações e pressões do movimento dos trabalhadores rurais, mas não significa que estes não sofrerão com mudanças. “Estabelecer 20 anos de contribuição para os homens rurais trará um grande impacto negativo, tanto para os agricultores familiares quanto para os assalariados rurais. Esse ponto ainda nos preocupa”, avalia.

Além da jornada dupla em casa e na roça, Sandra também participa ativamente de reuniões no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Silvânia — e a reforma da previdência tem sido uma pauta constante nos debates com comunidades rurais e quilombolas da região, como ela conta. Para a agricultora, a previdência é um alento para o povo do campo, que “tem uma vida tão difícil”. “As pessoas do meio rural, quando se aposentam, não vão para a cidade, eles continuam na roça. A aposentadoria é um complemento para nossa vida”, reflete. (L.F.S.)

Há 50 anos, o homem pousava na lua


Marco histórico possibilitou avanço da ciência
e evolução tecnológica para exploração espacial


“É um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”. Com essa frase, o astronauta Neil Armstrong entrou para história ao ser o primeiro homem a pisar na Lua. Esse grande passo está comemorando 50 anos de história neste sábado, 20 de julho de 2019. A missão Apollo 11 iniciou ainda no dia 16 de julho de 1969, quando os astronautas Neil Armstrong, comandante da missão, Buzz Aldrin e Michael Collins foram lançados do foguete Saturno V do Centro Espacial Kennedy, Cabo Canaveral, com o objetivo de chegar à lua.

Após três dias do lançamento, a tripulação entrou em órbita lunar. Armstrong e Buzz Aldrin pousavam o módulo lunar chamado Águia na superfície da lua, enquanto Michael Collins continuou pilotando o módulo de comando, chamado Columbia. Cerca de seis horas após o pouso, Neil Armstrong foi acompanhado pela TV por mais de 500 milhões de pessoas de todo o mundo que o viram caminhar pelo solo lunar.

Segundo o professor do curso de Física da Universidade de Passo Fundo (UPF), Me. Alisson Cristian Giacomelli, a possibilidade de o homem chegar à lua envolveu um processo extremamente complexo. “Você está saindo da superfície do planeta para chegar à superfície da lua, um satélite natural, então, é preciso ter consciência que você precisa pousar em uma certa região, teve um pequeno desvio, a Apollo não pousou exatamente onde eles queriam. Dificuldades surgem em uma viagem desse tipo, pois, entre outras coisas, devesse ter consciência de que se está mirando em um objeto bem distante e que esse objeto está se movendo”, disse.

De acordo com o professor, foi possível o homem chegar à lua por meio de uma série de cálculos e da evolução de técnicas e materiais. “É extremamente complexo, envolve uma série de cálculos. A lua está a aproximadamente 385 mil quilômetros da Terra. Cerca de uma vez por mês ela dá uma volta completa, então, você tem que ter todos os cálculos para depois conseguir voltar. Marte está a mais de 50 milhões de quilômetros e também está se movendo, então, para você sair com uma nave daqui, viajar meses e acertar aquele ponto, é complicado. Mas não é impossível, nós temos as ferramentas matemáticas, tecnológicas e físicas para conseguir prever, acertar aquele local”, explicou.

Segundo Giacomelli, para que um objeto seja lançado no espaço é preciso atingir a velocidade de escape, para que depois a nave continue a se locomover por inércia, com apenas algumas possíveis correções de trajetória.

Desenvolvimento de tecnologia trouxe benefícios para população
Milhões são investidos no desenvolvimento de novas tecnologias para possibilitar que o homem conheça mais sobre o espaço. A corrida espacial e a missão Apollo11 possibilitaram o desenvolvimento de métodos e técnicas que hoje fazem parte do cotidiano. “Para se conseguir que o homem fosse para a lua, foram desenvolvidos métodos, técnicas e materiais que podem ser usados para outras coisas. Nisso se enquadra até mesmo a ideia de colocar um satélite em órbita para conversar com as pessoas que estão lá. Esse contexto pode representar um grande impacto psicológico para alguns, a partir da materialização da consciência de que o homem pode ir para outro planeta. Mas também Há o impacto direto na parte de materiais, alimentos, questões médicas, tudo isso afetou muito as pessoas”, comentou Giacomelli.

Segundo o professor, a evolução da ciência não se desenvolve de forma neutra, pois está relacionada a aspectos sociais, políticos, culturais e econômicos de um certo contexto e de uma certa época. “Muitas teorias científicas e avanços tecnológicos são aliados à melhoria de qualidade de vida das pessoas. Além disso, a corrida especial que ocorreu no ambiente histórico da guerra fria entre EUA e União Soviética tinha uma disputa ideológica impulsionando esse desenvolvimento”, comentou.
Teorias de conspiração  

Há muitas teorias da conspiração que dizem que o homem não foi à lua. Segundo o professor, contudo, todas podem ser refutadas. “As teorias de conspiração que sugerem que o homem nunca foi para lua sempre existiram, e hoje em dia, com as redes sociais, isso se potencializa. Acho que a pessoa, antes de aceitar algo, tem que pesquisar em diferentes locais a informação, tem de pesquisar a credibilidade da informação a que teve acesso, para, então, criar uma opinião mais crítica. Mas nesse sentido de teoria conspiratória, há vários argumentos que podem ser de certa forma refutados”, disse.  

Segundo o professor, o homem ter pisado na lua demonstra que há muito a ser descoberto. “Quando pensamos é que vemos a importância de tudo que a raça humana desenvolveu e também é uma lição de humildade, porque percebemos que sabemos muito pouco, porque fomos a uma distância muito pequena com missões tripuladas e porque fomos até a lua, que é extremamente próxima comparando com outros locais que poderíamos ir”, pontuou.

Saiba mais
A Apollo 11 foi um voo espacial tripulado norte-americano responsável pelo primeiro pouso na lua. Armstrong tornou-se o primeiro humano a pisar na superfície lunar, seguido por Aldrin 20 minutos depois. Os dois passaram aproximadamente duas horas e quinze minutos fora da espaçonave e coletaram 21,5 quilogramas de material para trazer à Terra. Michael Collins pilotou sozinho o módulo de comando e serviço Columbia na órbita da Lua enquanto seus companheiros estavam na superfície. Os astronautas retornaram em segurança e aterrissaram no Oceano Pacífico em 24 de julho, após oito dias no espaço.

A magistocracia de Moro e Dallagnol

Foi quebrada a divisão de funções entre
acusador e julgador, desrespeitaram-se
cláusulas  pétreas  da  Constituição.

A “limpeza política” que o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol sempre preconizaram  para  o país,  com a postura de “heróis”  da  ética  e do combate  à corrupção, na verdade escondeu o jogo que promoveram para beneficiar  o  capitalismo financeiro internacional e nacional  ávido  por “privatizar” a riqueza  social em seu bolso.

Destruir a Petrobrás, a mando da elite do atraso, significou  empobrecer  o país  inteiro de um recurso fundamental, levando  à  destruição  de qualquer estratégia  de reerguimento  internacional do país, em troca da recuperação  de recursos  ridículos de tão pequenos.

A tese do Estado e da política corrupta serve para que se repassem  empresas estatais  e nossas  riquezas  do subsolo  a baixo custo  para nacionais e estrangeiros,  que se apropriam  privadamente da riqueza que deveria  ser de todos.

Essa é a corrupção real, como alerta o sociólogo Jessé Souza.  Uma corrupção legitimada   e tornada invisível, por uma leitura distorcida  e superficial de como a sociedade e seus mecanismos  de poder funcionam.

O “modus operandi”, do ex-juiz e do  procurador,  agora  veio à tona, graças  ao site  The Intercept Brasil. Em um dos diálogos revelados, Dallagnol diz claramente: “ A Lava Jato é contra a corrupção, seja de quem ela for. Vamos organizar  congressos  e eventos e lucrar, ok? Bom jeito  de aproveitar nosso networking e visibilidade”. Claros planos de enriquecimento pessoal do procurador.  Uau!!

Para o doutor em direito e professor da  USP, Conrado H. Mendes, “a fronteira  entre a corrupção  criminosa e a corrupção  normalizada  depende de onde o corrupto  se encontra no edifício do poder. A sociologia nos explica que o lugar mais confortável para corromper sem medo  é o da autoridade que interpreta e aplica  a lei”.  



STF e democracia. Assista!



Até porque esta tem o poder  de legalizar a corrupção para benefício  próprio e blindar-se de seu controle. A corrupção do judiciário se  autolegalizou. Simples assim.

A magistocracia, segundo o professor da  USP,  “tem o dom do ‘fiat lex’ (faça-se  a lei): pode ter empresa de ensino, mesmo que a Constituição proíba; pode dar palestra  remunerada e manter  valor sob sigilo mesmo que a Carta exija publicidade; pode usar esposa e familiares como testas de ferro  de sua empresa de palestras; pode falar  fora dos autos  sobre  casos  quaisquer mesmo que a Lei Orgânica  e o Código de Ética  da Magistratura  não permitam”.

Ironicamente, em nome do combate à corrupção, mergulhou-se no populismo judicial, manipulando a opinião pública por  meio de vazamentos sintonizados  no calendário eleitoral. Mais. Foi quebrada a divisão de funções entre acusador e julgador, desrespeitou-se  cláusulas  pétreas  da  Constituição, etc.

Felizmente, a imprensa, através do jornalista Glenn Greenwald, revelou o verdadeiro caráter dos festejados “justiceiros do bem”, que gozavam  da presunção  absoluta da legalidade. Que eram vistos, e ainda são por parte da opinião pública, como símbolos incorruptíveis de moralidade e ética.



Conheça jornalista Glenn Greenwald de um jeito um pouco diferente, em entrevista anterior às repercussões das sobre as revelações do Intercept Brasil.



Na  verdade, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol promoveram um contrabando da legalidade  dentro da normalidade de condutas promíscuas. Graças a eles, a Lava Jato está desmoralizada.



Morte da política? Sem mediações para encaminhar as novas demandas (necessidades, demandas e novos direitos), ficaríamos reféns dos entendimentos dos juízes, os doutores das leis. Eles, somente eles, teriam o poder de decidir nossos destinos e direitos. Os direitos individuais correriam menos riscos, mas os direitos sociais seriam todos banidos porque ninguém mais seria autorizado a organizá-los e defendê-los. (Nei Alberto Pies, março 2016). Veja mais aqui.

Uma nova “teoria da verdade”

É o comportamento típico daquele do barão famoso,
sem com isso dizer que o ministro da Cidadania
também seja um contumaz repetidor de suas
práticas epistemológicas.

Há um ministro, o da Cidadania, Osmar Terra, que tem se especializado em produzir uma “teoria da verdade” que dá sustentação à ação política do governo do qual é parte.

Ele formula seus posicionamentos orientado por um conceito de evidência bem peculiar (e conveniente): se vi (do verbo ver, não do verbo enxergar),[1] então existe e, se existe, é verdadeiro; se não vi, não existe, não é verdadeiro. Uma pérola da epistemologia, que não é nova, remonta ao Barão de Münchausen.

O ministro fez esta formulação em duas ocasiões. Na primeira, foi quando recusou os resultados do trabalho da Fundação Oswaldo Cruz no 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira. Disse à reportagem de O Globo: “Se tu falares para as mães desses meninos drogados pelo Brasil que a Fiocruz diz que não tem uma epidemia de drogas, elas vão dar risada. É óbvio para a população que tem uma epidemia de drogas nas ruas. Eu andei nas ruas de Copacabana, e estavam vazias. Se isso não é uma epidemia de violência que tem a ver com as drogas, eu não entendo mais nada. Temos que nos basear em evidências” – grifo nosso[2].



“Mafalda (em uma de suas tirinhas) acha que o poder público deveria cuidar daquele pobre, enquanto que a coleguinha da Mafalda, rainha da futilidade e de posições conservadoras, opina dizendo que não era necessário tanto, que bastava que se tirasse o pobre da vista. Ou seja, o pobre, o mendigo, o drogado de rua atrapalha as vitrinas. É realmente isso que importa”. (Filósofo Paulo Ghiraldelli sobre as cracolândias)



Dias atrás, segundo a jornalista Rosane de Oliveira[3], do grupo RBS, teria dito que “em matéria de fome, Brasil está nos níveis de Japão, Suécia, Noruega e Dinamarca. Ministro da Cidadania afirmou ainda que, ‘neste momento’, não conhece ninguém que passe fome no país”.

É o comportamento típico daquele do barão famoso, sem com isso dizer que o ministro também seja um contumaz repetidor de suas práticas epistemológicas, apenas que parece pôr mais força em suas convicções do que nos fatos; mais força na sua versão, melhor, na sua visão, que confunde com “evidência”.

O famoso livro “As aventuras do Barão de Münchhausen”,[4] escrito por Rudolf Erich Raspe e publicado em Londres, em 1785, conta a história da “experiência de um explorador disposto a defender seus ideais a qualquer custo”. Sua fama é a de ser o maior mentiroso do mundo. O incrível “barão” acreditava em suas próprias invencionices e as queria fazer passar por “verdades”: “Muito bem, cavalheiros, todos me conhecem e não podem pôr em dúvida minha veracidade” (2014, [59]).

O barão conta suas “histórias”, dá a “prova” da sua “verdade” e fornece os critérios para que tal se estabeleça. Por exemplo, depois de relatar sua segunda ida à lua diz: “Sei bem que tudo isso deve parecer muito estranho. Porém, se a sombra de uma dúvida restar no espírito de alguém, a solução é simples: que ele próprio faça essa viagem, pois vai então constatar o quão fiel à verdade sou como viajante” (2014, [72]). Ora, se restar dúvida que aquele que a tem tire por si a prova, “faça essa viagem”.

Este tipo de posição sugere uma suposta “teoria da verdade”, uma suposta “teoria do conhecimento”. Na verdade, trata-se de uma “anti-teoria” ou da impossibilidade da verdade.

Em termos práticos, não há porque fazer teoria, de qualquer tipo, não há porque fazer ciência, de qualquer tipo, nem mesmo porque buscar a verdade, basta “ver”. O que vale é a “crença”, no mais reles dos sentidos, aquele que não tem sentido algum.

Centrada no “puro mistério”, na ausência completa de qualquer possibilidade de algum tipo de necessidade de ser evidenciada, nem objetiva e nem subjetivamente, simplesmente qualquer coisa, qualquer dito, contanto que dito por quem pode dizer, quem tem poder para tal, pode ser elevada à certeza absoluta, indiscutível e incontestável, natural, eterna e perene: foi o “barão” que disse.

Não há possibilidade de crítica, porque simplesmente não é necessário debate, nem mesmo doutrinação – quem faz doutrinação é que sustenta verdades e as usa para “convencer forçosamente” aos outros.

O que faz é dizer e dizer é mais do que “fazer coisas com palavras” (Austin), dado que não há sequer a necessidade de algum vínculo entre o que se diz (palavras) com qualquer coisa que seja ou simplesmente com qualquer coisa (mas não em sentido pragmático), menos ainda com o que se faz. Está-se diante de tanto “nonsense” que, de tão dito e repetido, vira “bom senso” e está “muito bem distribuído”.

Nem Susan Haack, uma das mais renomadas estudiosas das teorias da verdade, poderia imaginar alguma possibilidade tão inaudita. Até o “paradoxo do mentiroso” por ela analisado[5] ficaria ultrapassado com tanta criatividade epistemológica, gnosiológica, lógica e ontológica.

Enfim, talvez o Pequeno Príncipe possa nos dar algum alento para seguirmos acreditando que possamos voltar a enxergar e, quiçá, poder dizer a verdade, sem virar barão, ou ministro…




[1] A raposa ao Pequeno Príncipe: “o essencial é invisível aos olhos” (SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O pequeno príncipe. 48. ed. Trad. Dom Marcos Barbosa. Rio de Janeiro: Agir, 2009).

[2] https://oglobo.globo.com/sociedade/ministro-ataca-fiocruz-diz-que-nao-confia-em-estudo-sobre-drogas-engavetado-pelo-governo-23696922?. O Globo, em 28/05/2019.

[3] https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/rosane-de-oliveira/noticia/2019/07/osmar-terra-diz-que-em-materia-de-fome-brasil-esta-nos-niveis-de-japao-suecia-noruega-e-dinamarca-cjyh7wkic01xz01pby5j917di.html. Gaúcha ZH, em 24/07/2019.

[4] RASPE, Rudolf Erich. As surpreendentes aventuras do Barão de Münchhausen. Trad. Claudio Alves Marcondes. Ilustr. Rafael Coutinho. São Paulo: Cosac Naify, 2014 [edição eletrônica]. Os números entre colchetes depois do ano indicam a “página” eletrônica.

[5] Haack diz que tal paradoxo “[…] vem em diversas variantes; a versão clássica diz respeito à sentença: (S) Esta sentença é falsa. Suponhamos que S é verdadeira; então o que ela diz é o caso; logo ela é falsa. Suponhamos, agora, que S é falsa; então o que ela diz não é o caso, logo ela é verdadeira. Assim, S é verdadeira sse S é falsa” (HAACK, Susan. Filosofia das Lógicas. Trad. Cezar A. Mortari e Luiz H. de Araújo Dutra. São Paulo: UNESP, 2002, p. 185-186).

Um jovem ativista cultural

Cássio Borges, um jovem ativista cultural, teve influências importantes desde muito cedo. Com uma avó professora, desenvolveu, desde os quatro anos, a vontade de ler. No seu tempo de escola, a vontade de trabalhar literatura, poesia e música com adolescentes e jovens. Vivendo de música, viu possibilidades de conciliar música e poesia.  Contando histórias, percebeu que as crianças desejam e necessitam de encantamentos.

Estas habilidades lhe permitiram estar trabalhando no SESC de nossa cidade, coordenando projetos culturais de abrangência local, regional e nacional.

Hoje, no auge dos seus 23 anos de idade, Cássio esbanja vigor e vitalidade na defesa da cultura como uma forma de cidadania. Defende a inclusão das diferentes formas de arte e cultura, sobretudo nas escolas públicas.

Conheçamos Cássio Borges por ele mesmo, em entrevista que concedeu ao site, organizada em 3 momentos: história e vida pessoal e literária; história profissional e artística; sua relação com a cidade de Passo Fundo e as experiências literárias e culturais.

NEI ALBERTO PIES: Conte-nos um pouco de sua história de vida pessoal envolvendo, desde cedo, sua vontade de ler e descobrir o mundo.

Minha avó- que não é de sangue, mas que uma vó que a vida deu-me de presente – trabalhou a vida toda como professora. Apresentou-me ao mundo dos livros e, por isso, em por mais um tanto, sou eternamente grato.

Nos finais de semana, ela colocava gibis e livros ao meu redor. Lia muito para mim. Graças a isso, com 4 para 5 anos, aprendi a ler. O primeiro livro que consegui ler sozinho foi “O Sanduíche da Maricota.” Depois, aventurei-me com Ziraldo e seu mundo de Menino Maluquinho, Joelho Juvenal e Professora Maluquinha. Então, soube – não sei como – que queria ser professor e estar envolto de livros.

NEI ALBERTO PIES: Ao cursar magistério na EENAV, surgiu desejo de servir a escola, trabalhar com adolescentes e jovens. Por que?

Antes mesmo do Magistério, esse desejo já estava vivo e latente. Sempre me senti muito a vontade no ambiente escolar e queria, de alguma forma, contribuir para melhorá-lo.

Trabalhar como adolescentes é desafiador em tempos de muito acesso virtual e pouca conexão.

Sim, pouca conexão. Conectar-se é estar de corpo e mente presente para exercitar nosso saber científico. Nas redes (anti) sociais, isso não acontece. Todos querem navegar, mas a maioria naufraga.

Meu objetivo é ajudar o jovem a buscar fontes de entretenimento que sejam culturais e edificantes. Acredito que é possível entreter-se e aprender ao mesmo tempo. Só é preciso saber onde e como buscar tais atividades.

NEI ALBERTO PIES: Qual foi a importância de alguns professores e professoras para despertar sua perspectiva artística literária?

Os professores Lauro Gomes e Laercio Fernandes dos Santos são aqueles seres inesquecíveis na vida de um aluno. Tamanha foi a motivação desses dois mestres que meu desejo de não sair nunca mais do ambiente escolar potencializou-se de uma maneira prazerosa e sem chance de dissuasão.

No magistério, aprendi muito sobre o que é ser professor e dos sacrifícios profissionais e pessoais que essa profissão envolve.

Apesar de não lecionar, tenho o privilégio de trabalhar com escolas através do Sesc e através da Literatura. Os ensinamentos desses mestres, até hoje, ecoam na minha cabeça quando sento para fazer um projeto, quando estou no palco, quando medio uma leitura. Enfim, há aqueles que se tornam eternos por tudo aquilo que ensinaram.

NEI ALBERTO PIES: Trabalhaste na Biblioteca Pública Municipal com contação de histórias. O que carregas desta experiência?

A Professora Suzana Einloft é um patrimônio humano da nossa cidade. Com ela, aprendi muito sobre como realizar projetos, firmar parcerias, tratar as pessoas. Na época, era ela quem coordenava todo o Núcleo Literário da Prefeitura Municipal. Os trabalhos que fizermos juntos –nos estagiários e ela – foram inesquecíveis: Contações de História, Teatro, Intervenções, Recitais de Poesia.

Na Biblioteca Pública Municipal, aprendi tudo que um curso superior não ensina. Aprendi a prática de ações culturais na veia.

NEI ALBERTO PIES: Há alguns anos no SESC, coordenas projetos culturais. Quais são estes projetos e como você se envolve com eles?

No Sesc, trabalho na Equipe da Cultura e estou a frente dos projetos de Literatura. Sempre tive muita autonomia para criar atividades e desenvolver esses projetos.

A Biblioteca é o meu QG. Um acervo com mais de 5.000 livros que estão disponíveis para qualquer um que queira ler. Também disponibilizamos acesso à computadores e à internet. Tudo de forma gratuita.

O Sesc Mais Leitura acontece 5 vezes ao ano e traz para a cidade autores, palestrantes, professores, ilustradores, contadores de história que fazem um trabalho todo voltado para fomentar o gosto pela leitura.

O Sesc Literatura possibilita que estejamos em mais de 30 municípios do interior da nossa região, levando a literatura para todos. Em Passo Fundo, participamos de atividades com escolas e instituições que nos procuram para que juntos motivemos a leitura.

NEI ALBERTO PIES: Fizeste a experiência de viver 04 anos de música. Que experiência foi esta?

Tocar semanalmente durante 4 anos, no mesmo lugar, ensina muito. Principalmente, como conhecer e lidar com pessoas. Se para um músico que fazia suas apresentações toda sexta-feira, para praticamente o mesmo público, já era um desafio, fico imaginando um professor que está diariamente com os alunos e precisa motivá-los, ensiná-los, manter a atenção, mas voltemos…

Trabalhar com a música foi muito prazeroso e instrutivo. Estar perto das pessoas e perceber do que gostam e do que não gostam ensinou-me muito mesmo. Hoje, trago em minhas atividades a música com complemento e a vivência que ela me proporcionou como metodologia.

NEI ALBERTO PIES: Sarau Literal. O que foi? Que lembranças?

O Sarau Literal Musical foi uma experiência única. Selecionei, carinhosamente, 10 canções que tiveram como fonte de inspiração a Literatura – Literatura com L maiúsculo. Disponibilizei, previamente, para as escolas que participaram, a lista de canções, os compositores e as obras literárias correspondentes. Foi um momento de exaltação à arte. Inexplicável a energia e a beleza desse momento. Podemos repetir, hehehe.

Já o Sarau Literal Livre, nasceu de um desejo que carrego sempre no bolso e no coração: DAR OPORTUNIDADE PARA TODOS.

O palco do Sesc tem de ser o mais democrático possível. Dever abrigar todos os artistas, independentemente do seu nível profissional. Desde que entrei nessa empresa que posso, tranquilamente, chamar de lar, fiquei entusiasmado com a ideia de poder oportunizar o nosso palco para os talentos locais.

O Professor Laercio trouxe os alunos do Colégio Estadual Joaquim Fagundes dos Reis que deram um show. Cantaram, dançaram, recitaram, dramatizaram. A Professora Ivania, da EENAV, trouxe as alunas do Magistério que realizaram uma dança cênica belíssima.

Foi lindo de viver!

NEI ALBERTO PIES: Celebraste 05 anos com Contação de histórias. O que significa esta experiência para ti? O que é ser um bom contador de histórias?

Fazer o que ama é um luxo de poucos. Felizmente, tenho esse privilégio – até quando, com o rumo estamos tomando, não se sabe.

Contar histórias está em mim desde sempre. A diferença é que agora me pagam para fazer, hehehe.

Contar histórias, na minha opinião, é o ápice da arte e do encantamento.

Sem recursos, sem cenário, sem figurino. Apenas uma boa narrativa que se desdobra em vozes e gestos. Todo o resto é elaborado pelo sexto sentido de quem está ouvindo: a imaginação. 

Na narrativa audiovisual – cinema, curtas, séries – temos tudo pronto. É preciso apenas absorver. Depois interpretar e julgar. Na contação de histórias, não. Assim como o leitor, o ouvinte é agente construtor dessa forma de arte. Ele imagina e recria automaticamente, através da sua imaginação, tudo aquilo que o contador de histórias está narrando. Sou um apaixonado por essa arte.

Um bom contador de histórias, antes de tudo, tem de ser um bom leitor. Lambuzar-se nas histórias infantis para ter repertório, pesquisar contos orais – pois é ali que reside a essência do contar- contar histórias para qualquer público independente de idade, classe ou cultura.

NEI ALBERTO PIES: Por tua experiência e trânsito na vida cultural de nossa cidade, como defines Passo Fundo? É uma cidade com grande ativismo cultural?

Sim. Uma cidade de muito ativismo e pouco público. Veja bem, Passo Fundo produz muita cultura, mas não consegue levar grande público até ela. Olha a riqueza que temos:  Sesc, Coletivo Andorinhas, Casa de Cultura Vaca Profana, Casa Drum Música e Arte, Coletivo das Artes, Espaço Cultural Roseli Doleski Pretto que compreende o Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, o Museu Histórico Regional, a Biblioteca Pública Municipal e a Academia Passo-Fundense de Letras, os grupos teatrais Ritornelo, Timbre de Galo e Madame Frigidaire e muito mais.

Contudo, a população prefere pagar R$150,00 para ver uma dupla sertaneja do que pagar R$ 12,00 e assistir um recitar de poesias, uma peça teatral, um conserto de violão.

Essa forma de enxergar a cultura local é o reflexo de que 80% dos passo –fundenses colocaram esse déspota abjeto na presidência da nação. Uma povo que não reconhece, não aprecia, não investe e não prestigia sua cultura local, dificilmente aprimorará seu saber crítico social.

NEI ALBERTO PIES: Por que nossa população e nossa cidade ainda não reconhecem o valor da arte, música, teatro e literatura local?

Esse fato é uma ausência de consciência. Já disse, em um poema, o seguinte:
Não me importo se você fala problema, poblema, pobrema
Eu quero é a solução.
Para todos nós.
Porque o problema mesmo
É quem começou a ganhar dez mil por mês
E pensa que é elite.
Dá chilique quando vê “pobre” no aeroporto
E acha bonito sair dizendo que quem trabalha
faz greve no domingo.
Por isso eu escrevo
Só assim eu me vingo
de um povo contra o povo
desumano e desunido

Somente quando o povo reconhecer-se como POVO e não como elite, começaremos a vislumbrar, ainda lá no horizonte, um preâmbulo de mudança.

NEI ALBERTO PIES: O SESC já atua há 63 anos em nossa cidade com trabalho social dirigido aos comerciários e também na área cultural. Tem um prédio que é uma referência na execução e promoção cultural. É, portanto, um local privado, com finalidades públicas. O que falta, na sua visão, para a cidade apropriar-se mais desta referência social e cultural de nossa cidade?

Essa consciência que tentei ilustrar na questão anterior, agregada de um sentimento de pertencimento. O Sesc trabalha para que as pessoas tenham a oportunidade de vivenciar a cultura e tornem-se consumidores de bens culturais, mas também é preciso que a população aproprie-se dessa oportunidade.

NEI ALBERTO PIES: Qual é a importância das feiras do Livro, das Jornadas de Literatura e do Festival de Folclore em nossa cidade?

IMENSURÁVEL! Esses três grandes eventos fazem com que até quem não é frequentador de ambientes culturais tenha um momento de parar e apreciar a arte e, quem sabe, tornar-se um consumidor de bens culturais.

Uma peça de teatro é um bem cultural, um livro é um bem cultural, aquela poesia que você ama e sabe decorar é um bem cultural. O caminho é longo e sem esses eventos a utopia seria embebida em uma piscina olímpica de hipérbole. 

NEI ALBERTO PIES:  Como vê a expressão da arte e a liberdade dos artistas neste momento histórico?

Estamos à mercê de um ignorante (no valor amplo dessa palavra). Os artistas e professores precisam fazer uma frente unidade para berrar aos quatro ventos a importância da cultura e da educação e como a união dessas duas expressões é de suma importância para uma nação.

Não acredito que acontecerá algo como um AI-5 que foi a legalização da censura, mas acredito na teoria do sapo na panela de água fervendo.

“Se você puser um sapo numa panela, enchê-la com água e a colocar no fogo, vai perceber uma coisa interessante: o sapo se ajusta à temperatura da água, e permanece lá dentro. E continuaria se ajustando, quanto mais subisse a temperatura. Quando a água estivesse perto do ponto de fervura, e o sapo tentasse saltar para fora, não conseguiria, porque estaria muito cansado devido aos ajustes que teve que fazer. Alguns diriam que o que matou o sapo foi a água fervendo. O que o matou, na verdade, foi a sua incapacidade de decidir quando pular fora”.

Os direitos serão tirados aos poucos como já estão fazendo. O que nós não podemos é nos acostumar e nos adaptar com um Presidente que fala o que fala e que faz o que faz. O jogo dele é esse. Quer que a população volte a considerar normal: ser grato ao patrão, inferiorizar minorias, soltar piadinhas preconceituosas, não respeitar quem pensa diferente. PRECISAMOS NOS LEVANTAR E JÁ!

Minha foto favorita dessa caminhada de 5 anos.

“A arte é política. Quem diz que não é não entende nada de política e nem de arte.” Precisamos retomar o orgulho de carregar essa bandeira.

Palestra formativa para o Magistério da EENAV.

É preciso ser louco. Gente normal desestimula.

Feira do Livro de Passo Fundo.

Apresentação no encontro em POA com todos os colegas de rede de Bibliotecas Sesc RS.

Faça como o presidente: beneficie seu filho

Cuide, proteja e preserve o meio ambiente.
Essa é a maneira mais indicada de beneficiar seus filhos.

Numa única semana, entre tantos disparates e verborreias, – por sinal, algo típico nos dias atuais – ouvimos do senhor presidente da República do Brasil, acerca da intenção de indicar um de seus filhos para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, a seguinte afirmação: “Pretendo beneficiar um filho meu sim”.

Polêmicas à parte (e aqui não é o espaço mais indicado para discuti-las pormenorizadamente), mas guardando as devidas diferenças e indo, pois, direto ao assunto, ouso crer – imbuído de mínima pretensão – que, se o presidente da República pode fazer isso, nós também podemos fazer o mesmo.

Todavia, é óbvio que, como não temos nem o poder e tampouco a jactância demonstrada pelo Chefe da Nação de indicar e nomear quem quer que seja para qualquer embaixada, tenha ou não esse indicado a “capacidade” de fritar hambúrguer ou de falar (fluentemente?) inglês – ainda que o idioma oficial da diplomacia seja o francês – reafirmo aqui, desde já, a intenção de consolidar um grande (porém modesto, é claro) movimento direcionado a beneficiar cada um de nossos filhos/filhas, a partir da impostergável necessidade de preservar o meio ambiente e de cuidar da natureza: cada qual a seu modo próprio.

Isso mesmo: qual tal começarmos uma ampla campanha com o seguinte slogan: BENEFICIE SEU FILHO: PRESERVE O MEIO AMBIENTE! É esse o chamado: algo muito simples, direto e objetivo.

Beneficie seu filho e proteja o meio ambiente, afinal de contas, a nossa espécie está agredindo a Terra de diversas maneiras estúpidas: i) pelos alimentos modificados e dotados de resíduos de agrotóxicos (herbicidas, inseticidas e pesticidas) acima do permitido com que nos alimentamos; ii) pela água das nascentes que comumentemente sujamos e contaminamos com resíduos químicos; iii) pelo ar cada vez mais poluído que diariamente respiramos por conta do uso de nossos carros; iv) pelo tipo de economia de descarte que praticamos – nunca houve tanta derrelição como agora.

Beneficie seu filho e cuide da Casa Comum em que todos moramos porque, dito às claras, nossas ações nos condenam, afinal, estamos esgotando tudo aquilo que encontramos pela frente. Nos últimos trezentos anos extraímos mais recursos naturais que em toda a história da humanidade. Nos últimos 150 anos conseguimos extrair a exaustão minério de ferro, manganês, bauxita, cassiterita e enxofre. Apenas nas últimas oito décadas a comunidade humana extraiu mais cobre, vanádio, nióbio, grafita e tântalo, desde que a vida surgiu na Terra, há 3,5 bilhões de anos. E apenas nos últimos cinquenta anos, pasmem, foram poluídos mais rios, lagos e mares desde o momento inicial em que o animal homem, taxonomicamente classificado de sapiens, colocou seus pés na Terra.

Beneficie seu filho sim e “ampare” (metaforicamente falando, é claro) com todo o cuidado possível a biosfera, porque a verdade é uma só: não estamos sabendo lidar com o planeta que nos acolhe. Dito em linguagem modesta, estamos aumentando impiedosamente a devastação sobre o meio ambiente.

Exemplo? Somente em relação aos quatro ecossistemas que fornecem nossos alimentos – florestas, pradarias, oceanos/pesqueiros e terras agrícolas – nos últimos 70 anos todos foram expostos à profunda devastação. E mais: durante esse mesmo período de tempo, das 17 reservas pesqueiras conhecidas, 11 delas, hoje, possuem taxas de retirada maior do que a capacidade de reposição. Especificamente em relação aos oceanos – o maior dos ecossistemas – dados divulgados pela FAO/ONU apontam que até 2048 não mais se poderá tirar de lá algum alimento significativo devido à taxa de extração exagerada que esse ecossistema vem sofrendo.

Beneficie seu filho e trate com muito respeito e até mesmo elevada veneração todo o espaço natural que os humanos habitam, porque a nossa espécie, na verdade, Homo imprudentes, está “engolindo” numa velocidade assustadora quase todos os recursos facilmente disponibilizados ao consumo.

Atualmente, 75% dos estoques mundiais das espécies de peixes mais vendidas no mundo estão no limite da sua capacidade de recuperação ou além desse limite. Algumas espécies como o bacalhau, o hadoque, o badejo e o linguado caíram 95% no Atlântico Norte. Em apenas 30 anos, de 1970 a 2000, as espécies de água doce diminuíram 28%, e as marinhas, 27%. No oceano aberto, onde os barcos que praticam pesca de arrastão se movimentam sem restrições, quantidades de merluza, mero, peixe imperador, atum de barbatana azul e tubarões enfrentam grandes problemas para se reproduzirem. 

Para os céticos que, a exemplo do senhor presidente da República, insistem em desqualificar (sem conhecimento de causa) quase todos os dados de devastação ecológico-ambiental, cabe dizer, especificamente em torno desse assunto, que os números são assustadores: de 1950 até os dias de hoje, a pesca total em águas abertas e abrigadas passou de 20 milhões para 95 milhões de toneladas métricas – um aumento de 375%.

Beneficie seu filho e ajude, de toda e qualquer forma possível, a preservar as áreas florestais, sabe por que? Porque nossas economias, empenhadas na política do crescimento a qualquer custo, estão devastando essas áreas com muita velocidade e sem nenhum senso de reparação. A constatação aqui, como em outros casos já citados, é odiosa: se no início do século XX a área florestal no mundo era estimada em 5 bilhões de hectares, hoje, essa área encolheu para 2,9 bilhões de hectares. Apenas num curto período de 5 anos, de 1990 a 1995, a perda de área florestal nos países em desenvolvimento atingiu, em média, 13 milhões de hectares por ano, ou, em geral, 6,5% de suas florestas a cada década.


As consequências? Simples também de ser entendida: deterioração ambiental crescente; algo evidenciado cada vez mais no esgotamento do capital natural (solos aráveis, rios, mares, florestas, polinização, fauna, flora e outros) com o consequente empobrecimento biológico da Terra.

E mais: somente nas últimas cinco ou seis décadas, de acordo com a Avaliação Ecossistêmica do Milênio, 20% dos recifes de corais do planeta foram destruidos (até 2030, 60% deles já não mais existirão), e outros 20% estão completamente degradados. Num período de apenas 30 anos (1950 a 1980), mais terras foram convertidas em lavouras do que em 150 anos, isto é, de 1700 a 1850; além disso, 35% das áreas de manguezais foram perdidas nos últimos tempos.

Conquanto, os dados odiosos não param por aí. Em todo o planeta, nada menos que quatro bilhões de hectares de terras firmes se encontram degradadas (vale dizer, já perderam a camada superior do solo).

Nos últimos 100 anos, as atividades humanas multiplicaram a extinção de espécies (fauna e flora) numa velocidade que causa espanto e indignação. Serve de exemplo: 30% dos anfíbios, 25% de coníferas, 21% de mamíferos e 12% de aves. Há mais dados severos: uma em cada oito das 9.946 espécies de aves no mundo; uma em quatro das 4.763 espécies de mamíferos e quase um terço de todas as 25 mil espécies de peixes, conforme consta no “Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas”, estão atualmente sob ameaça de extinção.

Ajude a conservar a natureza, proteja o meio ambiente e, assim, beneficie cada um de seus filhos, porque o momento atual exige de todos nós redobrada atenção, afinal, o engenho humano tem promovido, a toque de caixa, uma drástica mudança física na Terra por uso inadequado e totalmente fora dos limites planetários.

Atente-se agora para o nosso caso em particular. O Brasil continua sendo o país que mais desmata no mundo, e vale repetir, apesar do excelentíssimo senhor presidente da República, sem prévio conhecimento, contestar dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que através de imagens obtidas via satélite com o nível de precisão de 95%, faz o monitoramento da Amazônia desde 1988. Por conta dessas imagens, confiáveis e reconhecidas pela comunidade científica internacional, os brasileiros e o mundo sabem que, de 1º a 30 de junho do corrente ano, foram destruídos 920,4 km² de floresta amazônica no território brasileiro, contra 488,4 km² no mesmo mês em 2018.

Faça como o presidente do Brasil e beneficie sim o seu filho, a sua filha e os seus herdeiros, procurando deixar um ambiente saudável, equilibrado e seguro para todos eles porque a situação da causa ambiental por aqui, fácil de ser percebida, não está nada boa. Sabe-se que há um total de 627 espécies de animais e 472 de plantas que correm o risco de não mais constar do mapa de biodiversidade brasileira. Dessas espécies, cerca de 160 são peixes, 70 são mamíferos, 20 são répteis, 130 são invertebrados terrestres e 160 são aves. Dessa gravíssima perda de biodiversidade, a maior parte está na Mata Atlântica, da qual restam apenas 27%. Já da Caatinga, restam 63%; dos Pampas, 41%; do Cerrado, 60%; da Amazônia, 85%; e do Pantanal, 87%. A diferença desses percentuais, por dedução óbvia, já foi estupidamente destruída desde há muito tempo.



Nada pode ser superior à defesa da vida. Se o aumento produtivo dos dias de hoje vem ocorrendo na contramão do equilíbrio ecológico, afetando sobremaneira a qualidade social da vida humana e aproximando-nos assim de um perigoso colapso ambiental, acelerando de vez o impasse civilizatório, somente nos resta com alguma coragem engendrar um percurso diferente de tudo o que fizemos até agora.

Proteja e preserve o meio ambiente e beneficie todos os seus filhos, tendo em vista que a realidade atual é tenebrosa e preocupante: quase um quarto de todas as mortes no mundo, pasmem, são causadas por riscos ambientais, como ar poluído, água suja, locais de trabalho arriscados e estradas perigosas, de acordo com estudos produzidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Dados divulgados pela mesma OMS estimam que, de 12,6 milhões de mortes ocorridas no mundo em 2012, cerca de 23% desse total foram atribuídas a esses fatores, desencadeado principalmente pelo modo como avançam as economias industriais; isto é, sem qualquer respeito aos limites ecológicos do planeta.

Por fim, beneficie sim todos os seus descendentes, porque, no fundo, não estamos nem à direita e nem à esquerda nessa sempre candente discussão política do momento; estamos (e somos) da Terra, e estamos à frente.

Somos etimologicamente “húmus”, cujo significado é “terra fértil, fecunda”, originando as palavras homem/humano. Temos íntima relação com a natureza: somos formados por 20 aminoácidos e quatro ácidos nucleicos, e nada mais. Todos os seres vivos, sem exceção, utilizam esses 20 aminoácidos para fabricarem todos os tipos de proteínas de que necessitam. Todos os seres vivos do planeta Terra – homens, pássaros, peixes, vermes, minhocas, árvores, insetos, animais, plantas – são feitos basicamente de átomos de carbono, nitrogênio, hidrogênio, oxigênio e alguns outros elementos em menor quantidade.

Há muitas semelhanças entre nós, a natureza e os animais, sem contar a dependência mútua existente. Natureza, homem, fauna e flora convivem, metaforicamente, sob a mesma regência. É isso o que precisa ficar claro.

Portanto, trocando em miúdos, somos uma só raça com condições de habitar esse único planeta com possibilidade de fazer a vida prosperar. Cuide, proteja e preserve o meio ambiente. Essa é a maneira mais indicada de beneficiar seus filhos.

Por uma cultura de paz e por menos ódio nas escolas

Mais círculos de paz, metodologia da justiça restaurativa,
e não de fileiras de ódio e incitação de violência que só produzem
e reproduzem a ignorância que cega e a irracionalidade
que exclui e mata as pessoas, a escola, o conhecimento
e o nosso futuro como humanidade!

Circulou indevidamente, nesta semana, um vídeo de 33 segundos nas redes sociais, gravado por um aluno, de uma briga entre adolescentes de um tradicional colégio privado de Porto Alegre no simbólico último dia de aula antes das férias de julho, sem que ficassem claros os motivos que levaram à agressão mútua, ou mesmo, a pró-atividade do professor de uma disciplina não informada. Inobstante, não queremos falar sobre a briga, pois seria certamente mera especulação, já que não tivemos acesso à filmagem na sua íntegra e não gostaríamos de fazer um juízo de valor equivocado.

Embora refutemos toda forma de violência e reafirmemos que nenhuma deva nos ser estranha, relevada ou silenciada, nesse caso, o mais importante é problematizarmos as maneiras de lidarmos com ela. Nesse sentido, queremos analisar as representações sociais de adultos, a maioria pais de alunos dessa e de tantas outras prestigiadas escolas privadas da paróquia, que deliberadamente atacaram adolescente, sem embasamento ou empatia, vociferando ódio, também uma violência e um crime. Ódio sustentado por preconceitos de raça, gênero e de orientação sexual, agudizado pelo cada vez mais reiterado, infelizmente, patrulhamento ideológico contra a escola e professores(as).

Recebemos de vários grupos e de diversas pessoas o tal vídeo, fotos da sala de aula, posts e áudios com lamentáveis comentários sobre o fato. Compartilharemos, neste artigo, alguns desses registros. Acompanhe-nos e tirem as suas próprias conclusões.


Para a psicopedagoga Alcione Marques, “é preciso evitar que crianças e adolescentes sejam expostos a situações humilhantes. “Vivemos uma crise de autoridade, temos professores desprestigiados e frustrados, que precisam ter apoio e preparo, também é necessário que a escola saiba estabelecer regras e o aluno entenda que suas ações têm consequências”. Leia mais aqui.


Vivemos em um época de baixa da ciência, do conhecimento, da universidade e de alta de ideias de financeirização da educação pública e de “Escola Sem Partido”, embora os criadores desse projeto estejam insatisfeitos com o governo federal e, ao que tudo indica, também em crise financeira, como alegou a sua principal liderança para “pôr fim ao movimento”.

Claramente, contudo, essa ideologia continua viva em cada manifestação que coloca o professor na condição de suspeito e fomenta a desconfiança como parâmetro para a relação entre discentes e docente, estimulando a gravação de aulas para interditar conteúdos que fazem parte de conquistas civilizatórias, como a educação sexual e de gênero, entre outros direitos humanos fundamentais. Pasmem, atribuem, equivocadamente, esses temas a uma agenda de “esquerda” ou “comunista”, como preferem, e questionam a relevância, por exemplo, da Sociologia e da Filosofia, vitais para uma reflexão minimamente crítica, portanto potencialmente emancipatória, da realidade.



Cresce, no seio das escolas particulares e algumas escolas públicas, um movimento de mães e pais que defendem o que nem deveria estar sendo colocado em xeque: a autonomia das escolas, a liberdade de cátedra dos professores e professoras, o conhecimento como forma de emancipação e libertação dos adolescentes e jovens, a pluralidade de pensamentos. Conheça mais aqui.


Além disso, com o advento das redes sociais e do uso corrente de celulares e dispositivos móveis, os(as) alunos(as) facilmente gravam e publicam as aulas, mesmo sem autorização e não sendo um direito a priori, já que viola uma série de normas constitucionais e regras legais, e expõem seus colegas, os(as) professores(as) e a própria escola.

Mas não são as crianças e adolescentes que violam as regras de compartilhamento de imagem de menores e de aulas de professores(as), adultos também o fazem e são os principais responsáveis pela viralização de vídeos dessa natureza em grupos escolares de Whatsapp, como nesse caso.

Incrível o que falaram os adultos comentaristas dessa violência. Vejam, sem filtro: “dominada (a escola) pelo ideário de esquerda”; “ideologia de gênero”; “risco a que estão expostos os alunos da referida instituição (em razão da ideologia)”; “princípios (educacionais) impostos pela violência”; postura omissa e covarde do professor”; “a confusão teria começado em função da própria atitude do professor”; “eles estavam em uma aula de sociologia, dá para ver bem pela cara do bosta do professor e estavam falando aquelas imbecilidades comunistas”; “um professor doutrinador do PSOL passou na sala de aula um vídeo para mostrar aos alunos o abuso da polícia. Qual o objetivo disso?”…

Ora, por que falar sobre violência policial? Talvez porque vivemos no país que mais sofre com essa problemática, que também vivenciamos em Porto Alegre, basta ler jornal ou abrir o Facebook. Quer dizer que a escola não deveria ter trazido esse tema para debate? Então, a escola deve estar alheia às questões atuais que nos atingem a todos(as)?

Preferem dividir a sociedade desde a escola com partidarização e a interdição do conhecimento? Não desejam que os jovens pensem em soluções para os problemas concretos do país e do mundo como este ou a desigualdade social e racial que levou o Brasil à liderança mundial, tendo a polícia que mais morre e mais mata!

Quiçá, não saibam ou não reconheçam, as vítimas fatais dos dois lados, da polícia e da população, são jovens negros de periferia, com baixa escolaridade, que pertencem, como todas e todos nós, a uma sociedade racista, estruturadora da necropolítica.

E mais: 70% das vítimas dos mais de 62 mil homicídios anuais no país e a maioria dos 800 mil apenados também têm esse perfil. Sobre isso, os “árbitros” desse triste episódio da semana sentenciam: “entraram no papo do racismo e a guria do cabelo “x” é negra, guria que se diz guri, ela até mudou o nome dela, sabe estes papos assim (sobre racismo)”; “pois bem, uma menina, acreditem que a de cabelo “x” é uma menina”; “a Maria João”;” É claro que o menino foi acusado de ser covarde por bater numa mulher (seria menina, não?), mas é uma mulher com pênis”; “o moleque (que bateu) é tri de boa, eu conheço ele… a guria tava se crescendo na aula…comunista…quis dar uma mitadinha (vem de “mito”, imaginamos), veio para cima dele e tomou um aplauso (em verdade, um tapa no rosto)”.

Como se pode constatar, o preconceito como legadonasce no seio familiar e esses comentários deixam isso bem evidente. Daí porque sustentamos que essa violência, objeto dos comentários, emergiu na escola, mas foi semeada e é cultivada, em parte, pela família e pelos pais.

Uma cidadania ética e consciente, forjada no convívio entre as diferenças e no respeito às diversidades, é formada na primeira infância junto à família, nas inúmeras configurações e arranjos familiares possíveis, depois na escola e nas demais instituições sociais de socialização secundária.

As famílias, o Estado e a sociedade civil precisam disputar as juventudes que estão à margem com políticas públicas inovadoras de inclusão, de proteção e de promoção de direitos e com outras tecnologias de governo mais eficazes para resgatar o sentido e a valorização da vida com outras narrativas a serem construídas por intermédio da educação, da arte e da cultura. E que coincidência tantos dados de morte concentrados nesse perfil social: jovens negros de periferia.

Deixamos os nossos filhos na escola para estranhar essa realidade, para desnaturalizá-la, para pensarem em novas soluções e para entenderem que as violências, no plural, perpassam as relações sociais, o Estado, as polícias e a todos nós a partir dos preconceitos de classe, de raça, de gênero, de orientação sexual, de capacitismo, de credo religioso e de todo tipo de intolerância, discriminação e opressão.

Até quando a sociedade ficará inerte frente à falaciosa ideia de ideologização da escola propagada por extremistas de direita, ao incentivarem, conscientes ou não, a prática de violências, a exemplo do compartilhamento de vídeos seguidos de apelos contrários à liberdade de aprender e ensinar e à benfazeja pluralidade de ideias, própria da democracia?

E como resolver o preconceito macrossocial que chega até a sala de aula, estigmatizando, de forma descontrolada, na Internet, adolescentes e gerando uma ambiência beligerante em toda a comunidade escolar?

Necessitamos de mais debates sobre sobre racismo, gênero, liberdade, diversidade, ciberética e desigualdade. O sectarismo, que não se confunde com a radicalidade (de ir até a raiz) no pensar e no agir, e sua face mais conhecida, o extremismo, antagoniza a sociedade e pólos que não se encontram, impossibilitando o diálogo e a negociação, gerando medos, adoecimentos e vulnerabilidades que vitimam ainda mais alguns grupos, sobretudo os “matáveis”.

Apostemos, ainda, na disseminação da justiça restaurativa nas escolas para recompor as relações, mediar os conflitos, restaurar os danos e restabelecer a confiança, que só se vislumbra com respeito e limites, entre alunos(as) e professores(as), entre mães, pais e escola. Isso que se espera de uma educação democrática.

Carecemos de mais círculos de paz, metodologia da justiça restaurativa, e não de fileiras de ódio e incitação de violência que só produzem e reproduzem a ignorância que cega e a irracionalidade que exclui e mata as pessoas, a escola, o conhecimento e o nosso futuro como humanidade!



Autora: Aline Kerber é presidenta da Associação Mães e Pais pela Democracia (AMPD), em parceria com Eduardo Pazinato, membro da Comissão Jurídica da AMPD.

Devemos educar as crianças. Educamos?

Qualquer lugar é lugar para educar.
A educação vem de casa, mesmo que
esse ambiente não seja a casa.

Algumas histórias, imaginamos que só se efetivam na ficção. Porém, as piores e absurdas, observamos a olho nu, mesmo que elas não tragam nada de construção positiva a um ser: criança ou jovem em formação.

Era meio dia. O restaurante cheio. Comida deliciosa. Variada. Churrasco sendo servido com uma carne selecionada. O bufê apresentava uma gama de opções para saciar a fome. Eu já tinha me servido. Salada como de costume, em primeiro lugar. Depois, alguns outros alimentos que considero saciáveis e saudáveis. Poderia ser um dia como tantos outros, naquele restaurante de costume.

Qualquer lugar é propício para se educar. Inclusive num restaurante. Educar as crianças. A educação vem de casa, mesmo que esse ambiente não seja a casa. Educar os jovens e as crianças não demanda de um ambiente específico, nem momentos determinados para essa prática, que constrói um ser humano, na sua essência, como pessoa.

Uma mãe chegou. Duas crianças estavam com ela. Uma aparentava 2 anos. Esta já trazia um sorvete na mão. Observei discretamente, poderia ser um daqueles sorvetes em forma de cone, “corneto”. Claro essa criança não quis comer. Sentaram-se na mesa.

A criança de aproximadamente 4 anos chegou emburrada. A mãe fez, por muitas vezes, a pergunta clássica: – “Quer comer filhinha?” A menina com uma reação de desprezo à mãe, dizia que não queria. Cabeça baixa. Ali ficou. Novamente a mãe insistiu: “O que você quer comer filhinha?” Essa mãe tinha uma entonação de submissão a essa criança. A menina, é obvio, respondeu: – Não quero! Já disse!

Dali, alguns instantes, para minha decepção. Quase perco a noção de equilíbrio e senso humano.

Abri a boca para intervir. Queria dizer que não fizesse isso. Que conversasse com a criança lhe explicando que o importante é comer algo saudável. Queria dizer para essa mãe que o controle da situação compete a um adulto da relação. Que o momento era um momento de ensinar a criança a vencer frustações. Mas, me contive.

Nesse instante, a mãe levanta vai até perto do caixa, onde estavam pendurados alguns salgadinhos e alcança para a criança. A criança abre. Come juntamente com um refrigerante.

É impossível diante de tais circunstâncias não se questionar. Como educamos? Educamos? Que seres se tornarão? Assim, alimentam monstros, com baixa ou nenhuma tolerância à frustação.

Como será o nosso jovem? O nosso adulto? Seguem modestas hipóteses destes adultos ao amanhã.

Um desses poderá ser aquele que ao fim de um relacionamento não supera essa frustação, vai até a casa da ex e a mata, ou ela que poderá se matar por não estar acostumado a lidar com frustrações.

A vida é cheia de frustrações. Será que na vida a adulta não poderá ser contrariado? Será um adulto problemático, que não entende a frustração de seus desejos.



Nossa sociedade está doente, por que não é possível que
uma geração toda receba educação quando os adultos
não entendem seus papeis de progenitores e educadores de vidas.
Que precisam dizer não, ao invés de sempre dizer sim.

República das bananas

Nós, brasileiros, andamos atualmente perseguidos
pelo nosso passado e ainda nos dedicando à tarefa de
expulsar fantasmas que, teimosos,
continuam a assombrar.
Que saga!

Em 1904, o norte-americano William Sydney Porter cunhou o termo “República das Bananas” num conto chamado “O Almirante”.

A história se passa na Anchúria, um local fictício mas que há de ter sido inspirado em Honduras, país onde o escritor morava. A brincadeira pegou e acabou associada às nações latino-americanas, de uma maneira geral, e de forma sempre depreciativa. Identifica um país políticamente instável, submisso a um país rico e governado de forma autoritária.

Nestes sete primeiros desastrosos meses de governo, Bolsonaro, sem fazer muito esforço, nos remeteu à clara condição de República das Bananas.

Sem o menor pudor defendeu a nomeação do filho para a embaixada brasileira nos EUA, dizendo que não vê nada de errado em querer beneficiá-lo. Isto tem um nome: nepotismo!

Para aprovar a Reforma da Previdência, deputados ganharam 2,6 bilhões de reais em emendas. Mais uma vez, as emendas parlamentares acabaram se convertendo em formas de barganha política entre o presidente – arauto da “nova política” – e os congressistas. Uau!!

O Inpe divulgou dados do criminoso desmatamento em andamento na Amazônia. Foi o que bastou para que o presidente chamasse o respeitado cientista, diretor do Instituto, de mentiroso e de covarde.

Sua falta de educação e de traquejo para o cargo que exerce, foram novamente externados, quando chamou os nordestinos de “paraíbas”. Claro desrespeito e preconceito para com nossos irmãos daquela região do país.

Mais. Foi flagrado exigindo retaliações contra os governadores que não apoiaram sua eleição.


Isto me fez lembrar de Hermes da Fonseca que, em 1910, adotou a chamada “Política das Salvações”, contra as oligarquias que não o haviam apoiado na eleição em que venceu Rui Barbosa.

Confidenciei aos meus espantados botões: Nós, brasileiros, andamos atualmente perseguidos pelo nosso passado e ainda nos dedicando à tarefa de expulsar fantasmas que, teimosos, continuam a assombrar. Que saga!

E tem mais. Bolsonaro revelou sua tendência de censor ao querer estabelecer que gêneros de filmes deveriam ser apoiados pela Ancine. Vargas do Estado Novo e os generais da ditadura da década de 1970, estão muito bem representados!

Seguindo sua cruzada contra a imprensa, que considera sua inimiga, S.Exa., hostilizou de forma autoritária e grosseira a jornalista Miriam Leitão.

Outra insanidade presidencial foi ter negado a existência de pessoas passando fome no país. Com esta declaração Bolsonaro, sem dúvida, superou-se em sua demência.

Especialistas que faziam parte do Conselho Nacional de Política sobre Drogas (Conad), foram cortados por ordem do presidente. Isto impede a pluralidade e que a perspectiva científica norteie as discussões e decisões no Conselho.

Na República das Bananas do capitão sequer a caserna é poupada. Em sete meses de presidência, três oficiais-generais foram demitidos e na semana passada disse que outro, Luís Eduardo Rocha Paiva, aliou-se ao PCdoB, isto porque, o militar lhe teceu críticas.

Sem dúvida, estamos diante de um novo Febeapá, Festival de Besteiras Que Assola o País – antológica trilogia de livros lançados na década de 1960, pelo genial Sérgio Porto –, que registrou o besteirol da época.

Não é à toa o que as pesquisas mostram: Em sete meses, apenas um a cada três brasileiros aprova Bolsonaro. Outros 33% da população consideram seu governo ruim ou péssimo e, entre os dois polos, 31% têm a gestão como regular.

Bolsonaro continua focando no segmento mais autoritário e violento do bolsonarismo e, assim, fica cada vez mais preso a esta minoria, que ainda está disposta a sustentar a verdadeira República das Bananas e seu “mito”!

Educação, ciência e cultura sob ataque

Sem educação, sem cultura, sem ciência e tecnologia,
como passaremos do nosso histórico atraso
para o desenvolvimento?

O retrocesso nas políticas educacional, cultural, científica, tecnológica e ambiental vem caracterizando o governo Bolsonaro. Com especial atenção, o bolsonarismo, está destruindo educação e cultura que são vistas, assim como os professores, inimigos do novo regime instaurado no país.

É assustador e trágico assistir a destruição do presente e, consequentemente, do futuro das novas gerações. Sem educação, sem cultura, sem ciência e tecnologia, como passaremos do nosso histórico atraso para o desenvolvimento?

O corte impiedoso e drástico nos recursos destinados à estas áreas é explicitado no criminoso combate à universidade pública. Exatamente esta que investe na pesquisa, forma quadros, dá acesso e proporciona o conhecimento aos mais humildes.

Enquanto países como Alemanha, China, Coréia do Sul, EUA, Japão investem bilhões de dólares em educação, cultura, tecnologia, aqui, Bolsonaro determinou um corte geral de 40% no custeio das universidades federais.



Alemanha anuncia 160 bilhões de euros para universidades e pesquisas. Valor significa aumento médio anual de 2 bilhões de euros nos investimentos em ensino superior e centros de pesquisa durante o período de 2021 a 2030. “Estamos garantindo a prosperidade de nosso país”, diz ministra. Veja mais aqui.



Já o Ministério das Comunicações, Ciência, Tecnologia e Inovação foi “presenteado” com um corte de cerca de meio bilhão de reais em seu orçamento.

Há, de parte do bolsonarismo uma verdadeira loucura ideológica, além, de uma evidente e articulada mobilização de interesses econômicos.

Poderosos fundos estrangeiros assistem de camarote a destruição do ensino público nacional, enquanto calculam o que irão faturar com o seu desmantelamento.

Educação, ciência e cultura são, na visão do “iluminado” governo Bolsonaro, secundárias.

 Não fiquei surpreso, portanto, com o anúncio de que não teremos este ano a Jornada Nacional de Literatura.

Não existem verbas, anunciam os frustrados organizadores de um dos maiores eventos culturais do país.

É bem verdade que esta não é a primeira vez que isto acontece.



Conheça um pouco das atividades da Jornada Nacional de Literatura 2017.


Talvez se um painel sobre a “história das armas” e palestras com escritores “terrivelmente evangélicos”, fossem incluídos na programação da Jornada, esta ganhasse a atenção do governo do capitão. Até março de 2020 há tempo para tais “inovações”.

É lugar comum, mas muito verdadeiro, dizer que saber é poder. A habilidade de construir conhecimento sobre a própria existência é exclusiva do ser humano.

O conhecimento, usado como ferramenta de reflexão, é transformador. Isto incomoda um governo reacionário, autoritário, messiânico, pré-medieval, como o que existe hoje em Brasília, representante do que há de pior em nossa “elite do atraso”.

O Estado Brasileiro nunca promoveu a revolução educacional. É refém histórico das elites proprietárias que precisam manter o povo na ignorância e na incultura para ocultar a perversidade de seu projeto social de enriquecimento ilimitado, para reproduzir seus privilégios e se perpetuar no poder.

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