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A volta da lei dos sexagenários

As pessoas terão que trabalhar desde os 16 anos
para conseguir receber a aposentadoria.
E quem começar a trabalhar com 20 anos ?
Irá se aposentar depois dos 80.

Em 1885, no final da Monarquia, foi aprovada a Lei dos Sexagenários, ou Saraiva-Cotegipe, que estabelecia a liberdade aos escravos “ de 60 anos de idade, ficando, porém, obrigados a título de indenização pela alforria, a prestar serviços a seus ex-senhores pelo espaço de três anos”.

Na prática, era simples: cada idoso teria de envelhecer um pouco mais sob o jugo de seu apegado proprietário. Na verdade, os negros maiores de 65 anos foram libertados já que não podiam mais produzir e eram considerados como fardos. Os que ainda estavam vivos, é bom que se diga.

 A acumulação primitiva do capital no Brasil ostentava um superávit de cadáveres jamais visto em outro lugar. A lei ficou conhecida como “ a gargalhada nacional”, uma vez que a expectativa de vida dos negros era de 30 anos.

Não faltariam imitadores da lei dos sexanegários no futuro. É o que estamos vendo agora com a proposta de reforma da aposentadoria, que representa um gigantesco retrocesso social.

É impensável que um trabalhador fique exercendo suas atividades até os 65 anos e que precise ter 49 anos de contribuição previdenciária para que possa ter a sua aposentadoria integral. A média de vida em alguns estados é de 65 anos ou menos.

As pessoas terão que trabalhar desde os 16 anos para conseguir receber a aposentadoria. E quem começar a trabalhar com 20 anos ? Irá se aposentar depois dos 80. Estamos diante de outra “gargalhada nacional”!!

Previdência Social, é preciso deixar claro, não é gasto, mas sim investimento. Mais: Auditores da Receita Federal revelam que a previdência é superavitária, ao contrário do que diz o governo.

Ao longo de nossa história, governos desviaram e desviam a finalidade de seus recursos aplicando o dinheiro do contribuinte em outras atividades. Assim foi, por exemplo, em Itaipú, Ponto Rio-Niterói e Brasília. Isto gerou descontroles. Mesmo assim, a Previdência não é deficitária.

É evidente que os trabalhadores precisam mudar a sua cultura quanto as prioridades do seu futuro. É preciso desenvolver o hábito de poupar e se preocupar com a sua velhice.

Entretanto, esta responsabilidade individual deve ser acompanhada pelo empenho do Estado em resolver o grande problema que é o da desigualdade social. Enquanto esta crucial questão não for resolvida, dificilmente haverá uma sociedade capaz de comandar seu próprio futuro previdenciário. Acima de tudo, é preciso promover condições para a formação de cidadãos com dignidade plena.

O governo acena com o regime de aposentadoria por capitalização. Em síntese: cada um por si. Empregadores e Estado ficam livres de contribuir de maneira universal para o bem-estar da população na velhice.

Este modelo foi aplicado no Chile, onde o número de suicídios de idosos aumentou de forma exponencial. Ulala!

O ministro que propõem tal modelo, Paulo Guedes, é um ex-banqueiro. Então fica claro. A velhice será vendida aos bancos. Isto é, sua reforma é muito boa para quem ganha com o dinheiro dos outros. Mais uma “gargalhada nacional”.

Sabe-se que o principal inimigo da dignidade humana adotou muitas vezes o nome de progresso.

Autor: José Ernani de Almeida – Professor.

Quem não se trumbica, se comunica

comunicacao

Terá o choro da criança mais efetividade comunicativa
que nossos esforços de construção de coesão para
resistir aos retrocessos e aberrações?


Passou o tempo em que a conversa de portão com os vicinais bastava à necessidade de informação. Já não se está mais em momento onde acatar passivamente as ponderações do repórter da rádio local é a única opção de saber sobre fatos e acontecimentos. Âncoras de telejornais também já perderam a exclusividade do palco e das lentes das câmeras. Por sua vez, esse novo cenário demanda um conjunto de conhecimentos (alguns bastante simples, outros ainda pouco investigados) sobre comunicação. Não é mais suficiente comunicar: está-se diante do imperativo de saber como comunicar. A velha máxima do “quem não se comunica, se trumbica”, parece estar sendo precedida por “quem não se trumbica, se comunica”.

Como estamos nos comunicando? Tal problematização não põe em questão, primariamente, os meios e instrumentos de comunicação. Que, diga-se de passagem, nunca foram tão diversos e de acessibilidade objetiva, ainda que padronizada. Em primeiro lugar, esta provocação quer despertar para o quão preparados estamos para comunicar.

O choro de uma criança é ato de comunicação. Ato fundamentado, objetivo, baseado em fatos. Ato eficaz. Com uma única opção de forma de comunicação, com um palco social restrito, sem qualquer conhecimento de teorias de comunicação e de capacidade de manuseio de tecnologias, ainda implume, a criança é capaz de, através do recurso do choro, comunicar e reivindicar condições para sua sobrevivência. Por sua vez, o/a cidadão/ã contemporâneo, crítico/a, civilizado/a e alfabetizado/a, esbraveja em diferentes palcos, hora até em caixa alta e, mesmo assim, passa desapercebido/a, como apenas mais uma “aparição” qualquer nas “linhas da vida”.

Como recuperar nossa efetividade comunicativa? Como sermos ouvidos/as em meio a uma sociedade de “diplomados/as a falar”? Terão as redes sociais e as formas contemporâneas de comunicação realmente democratizado o ato de comunicar?

Democracia é, sobretudo, condição de comunicação. Mas não de qualquer forma de comunicação. Comunicação organizada, coletiva, discutida, sistematizada, consensuada. Teremos perdido nossa capacidade de comunicação? Será que não estamos nos trumbicando, apenas emitindo ruídos? Quantas conversas acabam em defesas egoístas e até irracionais de pontos de vistas? Quantas ponderações são rechaçadas com alegações de não ter, o interlocutor, gabarito para falar sobre o assunto em questão? A arrogância que inviabiliza a “conversa de portão”, desmobiliza a construção da democracia, que se dá, também, pela comunicação. Será que não estamos nos trumbicando mais que comunicando?

O pretensioso discurso “dono de si” dos/as fulanos/as em suas padronizadas (mas personalizáveis) redes sociais tem pouco ou nada de autonomia e maturidade. Para que a tortura física, se a dominação social pode ser conquistada pela moldagem do pensamento, lícita, limpa, não-reativa. A comunicação efetiva controla a rua, influencia o povo, garante a sobrevivência. Comunicação é poder de manipulação, mas pode também ser instrumento de resistência e construção democrática. Discursos odientos, ao disseminarem a imbecilidade, fortalecem e afirmam a comunicação como ato de dominação, de manipulação, de subjugação. Somente o discurso aberto, crítico e desarmado (que não significa despreparado) pode construir e ser espaço de resistência.

Não se ser quer aqui um retorno ao “na minha época era assim…” Mas, aqueles e aquelas que se pretendem agentes sociais na construção de sujeitos, precisam compreender que o atual contexto demanda que qualifiquemos nossa atuação, que repensemos processos. O que era efetivo e eficaz em contextos aparentemente lineares, se esvai no atual contexto, cuja complexidade torna difícil até mesmo uma analogia figurativa. E o passo preliminar para isso é recuperarmos nossa condição de comunicação. Uma condição que não significa apenas capacidade de fala, mas também de escuta e, fundamentalmente, de discernimento do que escutar. Estamos tendo a capacidade de discernir o choro de fome, fralda suja ou dor de barriga, daquele “choro de manha”?

Somos muitos. Podemos ser fortes. Comunicaremos o coletivo ou nossa necessidade mais animalesca de sobreviver ocupando o centro do espetáculo? É isso que faz a criança. Para sobreviver, com seu choro, ocupa o centro do espetáculo. Em nossa ânsia por “reconhecimento”, expresso no número de curtidas e compartilhamentos, nos esquecemos que o real engajamento se dá na conversa de portão, que, como se disse no início, não precisa mais “ser no portão”, mas precisa ser tão efetiva e significativa como “a do portão”.

Comunicação não violenta.

Estar com medo é como estar morto

Presos e amordaçados, como deliberamos?
Como escolhemos se estamos intimidados,
se temos medo de caminhar adiante?

“O medo é um obstáculo à ética, porque paralisa a ação. E se não podemos agir, então estamos apartados de nossas escolhas, isso porque se não há ação não há possibilidade, não há devir.

Uma ação paralisada se configura como uma prisão no tempo presente. Estar preso é não poder prosseguir, é não ir adiante porque estamos acorrentados a nós mesmos. E se entendemos o pensamento como um modo de ação, concluímos que estar preso é manter em cativeiro nossa alma, é impedir o fluxo de nossas ideias e romper com a perspectiva de interação e transformação.

Estar preso é continuar a estar preso. É estar incapaz, pela circunstância que nos é imposta pelo próprio medo, de deixar de ter medo. É aniquilar a ideia de futuro como algo diferente. É impedir que a ideia de futuro, como algo libertador, seja realizada. É assumir que a prisão do sono, ou daquele que sonho preso em uma cama, é a única realidade possível.

Presos e amordaçados, como deliberamos? Como escolhemos se estamos intimidados, se temos medo de caminhar adiante?

Ter medo é como se deparar num labirinto espirado, e se ver como quem escorre num ralo, mas sem poder ir embora, sem conseguir escapar para longe do redemoinho de eternas repetições.

Estar com medo é o mesmo que estar morto”.


O que é vencer na vida? Feat Sérgio Mario Cortella

Para saber mais, clique aqui.

Fonte: Flávio Tonnetti e Arthur Meucci. 
Ética, Medo & Esperança – Coleção Miniensaios
de Filosofia. Petrópolis: Vozes, 2013

Você tem medo de que?


Medo e esperança são duas faces da mesma moeda.
Não há esperança sem medo e não há medo sem esperança.


Será que o medo vai vencer a esperança? Medo por todos os lados! Uma criança que nasce hoje vem à luz sob o signo do medo! O medo parece que se tornou o sentimento dominante. Medo, medo, medo!


 “Você é o que você faz”.

Medo por todos os lados e por diversos motivos. Medo de desastres ecológicos. Medo de assaltos. Medo do desemprego. Medo de doenças. Medo da mudança climática. Medo da polícia. Medo do outro. Medo do inimigo invisível! Medo do terror. Medo do medo!

O medo nos imobiliza. O medo nos entristece. O medo nos paralisa. O medo nos faz todos retraídos e desconfiados. O medo nos acua! O medo nos recolhe. O medo nos despotencializa. O medo nos oprime. O medo nos torna reféns.

O medo não é um afeto ou sentimento mau em si. A esperança não é um afeto ou sentimento bom em si. Medo e esperança são duas faces da mesma moeda. Não há esperança sem medo e não há medo sem esperança.

O que é o medo? O medo é uma tristeza instável, surgida da ideia de uma coisa futura ou passada, de cuja realização temos alguma dúvida.

O que é a esperança? A esperança é uma alegria instável, surgida da ideia de uma coisa futura ou passada, de cuja realização temos alguma dúvida.

Quem tem esperança tem medo de que a coisa não se realize. Quem tem medo, tem dúvida sobre a realização ou não do que não gostaria que se realizasse e, portanto, tem esperança.

Esses conceitos dialeticamente dispostos são do filósofo Spinoza. Conceitos e relação entre conceitos que captam bem a nossa sensação e dança de afetos nos tempos atuais.

Parece que definitivamente entramos na era da incerteza e da insegurança.

Aliás, dois conceitos mais para fechar o quadro. Segurança e insegurança.

Segurança é uma alegria surgida da ideia de uma coisa futura ou passada, da qual foi afastada toda causa de dúvida. Insegurança, é o estado de tristeza surgida da ideia de que o que causa o medo, ainda permanece (Spinoza).

Se assim for, e parece que é, então a tensão entre medo e esperança, segurança e insegurança está longe de ser resolvida e teremos que saber conviver com ela.

Não aceitar seguranças e esperanças ilusórias e medos fictícios, eis ai a tarefa de discernimento que só o pensamento pode operar.


Como lidar com o medo? Monja Coen responde.

Europa e seus encantos: relatos de uma viagem


Reconhecendo as virtudes de outros povos e outros países,
conseguimos refletir muito sobre nosso modo de ser,
pensar e agir brasileiros.

Uma viagem à Europa, muitas coisas me saltam aos olhos: a língua, a educação, a arquitetura, a arte e a comida. Num texto único fica impossível descrever tamanha admiração e emoção.

Talvez eu pudesse falar do que vi nas ruas e em alguns lugres públicos como igrejas e palácios, na França, professoras com seus alunos ensinando a arte.

Talvez eu pudesse falar sobre o uso da língua inglesa ao chegar na Inglaterra e ter que me explicar por horas, sobre meu objetivo em estar querendo ultrapassar a migração. E em tudo o que eu falava era posto um ponto de interrogação, mesmo mostrando o endereço onde ficaria e a passagem de retorno.

Talvez eu pudesse falar da arquitetura que encanta e surpreende tanto na França como na Inglaterra, ou até mesmo, do clima e a expressão das pessoas que vi.

Poderia, ainda, contar sobre a ética, a moral e a honestidade em ver que nos supermercados da Inglaterra ou da França: você mesmo pesa suas frutas e produtos da padaria, colocando o preço e ao chegar ao caixa você se depara com uma máquina em que você mesmo passa seus produtos, encere uma determinada nota na máquina e ela te devolve o troco, saindo sem que ninguém lhe pergunte se realmente você fez correto.

Todavia, relatarei fato impressionante que me aconteceu, levando em conta a seriedade das instituições e a pontualidade.

Era 24 de janeiro. Muito cedo. Estávamos em Paris, França. Saímos eu e meu amigo. Destino aeroporto. Sem nem mesmo olhar na passagem. Chegamos no Aeroporto Orly. Meu amigo me olhou. Tem certeza que é esse aeroporto? Olhamos na passagem não era. Desespero. Hora que voa. Que não espera. O que fazer? O Aeroporto era Charles de Gulle, mais conhecido como CDG. Ficava do outro lado de Paris.

Pagamos um táxi. Caro. Muito caro. Custou$ 130,00 euros. Em reais R$ 585,00 mais ou menos. Disso fica a dica, nunca saia para viagens somente com o dinheiro limitado. Chegamos correndo. Despachamos as malas. Corremos para o embarque. Um avião de porte pequeno. Bem pequeno. Com muitas oscilações.  Destino Inglaterra. O avião balançava. Ao invés de turbina. Tinha hélices.

Atravessamos o Canal da Mancha que levou cerca de 1 hora. Chegamos à Inglaterra, Cidade de Southampton. Fomos crivados de perguntas na Migração do Reino Unido, inclusive nos perguntaram várias vezes a mesma coisa. Entrevista por três agentes da Migração. Dispensados. Seguimos em direção à esteira aonde chegam as malas. Cadê minha mala? A policial respondeu que era para nós passarmos falar com mais dois policiais. Chegamos noutra sala. Dois policiais com luvas como se fossem revistar as malas. Muitas perguntas. Inclusive se usávamos drogas.

Dispensados do novo interrogatório, dirigi-me ao balcão da Empresa AirFrance. Questionei-os sobre a minha mala que não havia encontrado. Começa bater o desespero. Ligam para a França. Minha mala havia ficado na França. Fizeram o protocolo. Desespero aumenta. Cheguei à Inglaterra, onde passaria uns dias, inclusive visitaria Londres, porém tudo o que precisava estava num outro país, no caso França. Solícitos, garantiram que minha mala chegaria à Inglaterra naquela noite. Naquele momento, 17 horas da tarde. Desespero ainda mais aumenta. Insegurança. Já que eu não ficaria em Southampton, meu destino final era a cidade de Portsmouth, onde moram meus amigos que fica a 32 km de Southampton. Nisso o agente reintegrou que não precisava criar pânico porque minha mala estaria no endereço dos meus amigos em Portsmouth no mesmo dia.

Ao chegamos à casa do meu amigo, minha surpresa, logo tocou o telefone. Era a companhia aérea dizendo que minha mala havia chegado a Southampton. E que às 20 horas estaria no endereço indicado em Portsmouth. Ficamos aguardando.

Vinte horas, nem um minuto mais nem a menos toca a companhia. Era o entregador. Verifiquei. Intacta estava a minha mala.

Isso me fez perceber o quanto é importante a seriedade institucional e a responsabilidade com o cliente. A pontualidade também é uma marca dos europeus.

A Europa tem este poder de nos surpreender e de nos ensinar. Reconhecendo as virtudes de outros povos e outros países, conseguimos refletir muito sobre nosso modo de ser, pensar e agir brasileiros.

Universidade para a Casa Grande

É óbvio que o conceito de “universidade para todos” é uma utopia. Entretanto, as afirmações do presidente e do ministro condenam a  senzala ao seu papel  histórico entre nós.

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro afirmou que os jovens  brasileiros  tem “tara” pelo  diploma  superior e que seria melhor  se muitos deles  buscassem  o ensino profissionalizante  para  atuar  em funções  como técnico em conserto de eletrodomésticos  e mecânico de automóvel. Isto é, condenou os pobres a se conformarem com  posições  subalternas.

Agora, o ministro da Educação Ricardo V. Rodrigues, importado da  Colômbia, afirmou que a  universidade não é para todos, mas somente  para algumas  pessoas. As Universidades, segundo ele, “devem ficar reservadas  para uma  elite intelectual,  que não é a mesma  elite  econômica”.

Estaria o sistema de cotas – que dá oportunidade para negros, pardos, índios e estudantes  de escolas públicas  entrarem  nas universidades federais sob ameaça?  Seria o ensino  superior  um privilégio dos  filhos  da Casa Grande ?

Usando chavões, clichês e jargões para não manifestar o que realmente pensa, o ministro usa  o  “pensamento twitter”, o mesmo  do presidente. Faz   afirmações, mas não as  detalha.

Sabemos   que o ensino  básico  precisa  ser melhorado  com urgência.  É a fórmula   ideal para assegurar  acesso igualitário  ao ensino superior.  Mas  quando não se alcança  esta qualidade? Simplesmente excluir  ou adotar  políticas  que  facilitem  o equilíbrio  desta balança?

Boaventura Sousa Santos, no livro “Pela mão de Alice: o Social  e o Político  na Pós-Modernidade”, abordou  na década de  90 do século passado, as crises das  universidades. Uma delas estava relacionada  às  restrições  do acesso  e  da  credenciação das competências, por um lado, e  as exigências  sociais  e políticas  da democratização  da universidade  e da reivindicação  da igualdade de oportunidades para os  filhos das classes populares, do outro.

Eis que o tema reaparece no Brasil do séc. XXI. É óbvio que o conceito de “universidade para todos” é uma utopia. Entretanto, as afirmações do presidente e do ministro condenam  a  senzala ao seu papel  histórico entre nós.


Universidade para todos, Willian Cardoso.



A família dos muito pobres repete há 500 anos  a  família dos escravos. Pior. Eles ainda fazem o mesmo  tipo de serviço  que faziam antes.  São escravos domésticos.

O Brasil atual  não gosta  do pobre. Temos um  verdadeiro apartheid. O PT alimentou um ódio  visceral  por um motivo  central: tocou  no grande pecado  de ter  diminuído  um pouquinho a distância  entre  as  classes. Coisa de comunistas.

Como a classe média não pode transformar esse ódio  ao pobre  em mensagem política – porque  seria  canalhice  e temos a questão da influência cristã –, ela utiliza  mecanismos como o que está propondo o ministro colombiano, para manter a exclusão e manter  a senzala em seu  devido  lugar.

Suas excelências, o presidente e seu ministro, deveriam ler a Constituição que  no art. 205 deixa claro:  “A educação, direito de todos e dever do Estado  e da família, será promovida e incentivada  com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo  para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Já o inciso V, do art. 206, garante, “acesso aos níveis  mais elevados  do ensino, da pesquisa e da criação  artística, segundo a capacidade de cada um”.

Resgatar práticas de pseudoprofissionalização pode perpetuar  o atraso tecnológico e científico do Brasil.


Ministro da Educação de Bolsonaro, Ricardo Vélez, declara que Universidade para todos não existe: “As Universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual”. O que você acha destas afirmações?

Não torcemos contra governo “vinho velho em pipa nova”

Definitivamente, o que fazemos
não é torcer contra.
Tem outro nome.
Chama-se Resistência.


Os apoiadores [as] do governo “temoquemudaiçudaí” afirmam que estamos torcendo contra e nos pedem para deixá-lo governar. Vituperam alto. Porém seus vilipêndios resumem-se ao ignóbil e esdrúxulo comentário de que livraram o país de um regime político que nunca existiu no…país!

Certamente não estamos torcendo contra o governo simpatizante e apoiador das milícias e capacho do capital financeiro-rentista-especulativo internacional e nacional. Não. Em hipótese alguma estamos torcendo contra.

Torcer contra não condiz com nossa ação ativa-prática de militante em defesa do mundo do trabalho. Não tem nada a ver com torcer.

A gente torce por algo que gostaríamos que acontecesse ou não. Por exemplo: eu torço contra qualquer time que jogar com o meu glorioso Internacional e torço a favor de qualquer time que jogar contra o Grêmio. O resultado final independe da minha ação prática e direta de militante social e político.  Fico esperando o término da partida na expectativa de um resultado favorável a minha torcida ou secada!

Então, se não estamos torcendo contra, fazemos o que? Muy bien, para facilitar a compreensão da nossa atitude, vejamos o que já fez, pretende fazer e a caracterização, de forma sintética, que temos do governo “vinho velho em pipa nova”.

Em menos de um mês extinguiu o Ministério do Trabalho. Seu ministério é composto por 8 generais, 3 banqueiros, 2 pastores evangélicos, 2 latifundiários, 3 políticos mafiosos tradicionais e 4 áulicos de outras áreas. Está utilizando a máquina pública em benefício próprio da sua família e da pacotilha ministerial. É xenófobo, homofóbico, machista, racista e envolvido em corrupção. Deixou claro que irá atacar os direitos dos trabalhadores [as] para garantir a lucratividade dos banqueiros, latifundiários e grandes empresários; Quer acabar com a Justiça do Trabalho. Quer aprofundar aquela desgraça de reforma trabalhista com a tal carteira verde amarela destruindo definitivamente os direitos dos trabalhadores. Acabar com a nossa aposentadoria. Flexibilizar as licenças ambientais. Privatizar nossas estatais. Privatizar a saúde e educação, além de ser um governo canalha e com relações promíscuas com milícias assassinas.

Cintes de suas políticas, não podemos, em hipótese alguma, ficar aguardando, na torcida, de que os ataques não virão. Temos o dever e a obrigação militante de organizar a luta contra esse governo. Definitivamente, o que fazemos não é torcer contra. Tem outro nome. Chama-se Resistência. E certamente resistiremos, pois, enquanto existir vida e luta, haverá esperança!


Um vídeo esclarecedor e interessante sobre estratégias de seguir as lutas por direitos sociais e resistência no governo Bolsonaro, de Débora Baldin.

Ingredientes do nacionalismo populista

Manobrando a vontade popular, por uma série de mecanismos já entrevistos, faz dela seu trampolim para subir os degraus do poder, como também seu ponto de apoio para desdenhar e liquidar os opositores.


Não é difícil traçar o perfil de um representante do chamado nacionalismo populista, o qual tem levado ao poder “homens fortes” em vários e diferentes países, como Estados Unidos, Áustria, Hungria, Brasil, Itália, entre outros.

O jornalista e escritor italiano, Federico Rampini, elenca alguns de seus ingredientes “universais” (Rampini Federico, Quando inizia la mostra storia, Ed. Mondadori, Milano, 2018, pag. 383). Em primeiro lugar, é preciso desenvolver uma mensagem apocalíptica, no sentido de despertar medos e preconceitos na população. Por um lado, trata-se de manipular e instrumentalizar ameaças e fantasmas, em vista de interesses eleitoreiros e corporativistas. Por outro, entra em jogo a habilidade de desenhar os contornos de caricaturas falsas, exagerando, por exemplo, os riscos de abrir as portas aos estrangeiros ou da concorrência comercial. Daí a tendência ao isolamento e ao fechamento das fronteiras, evitando o “problema” dos migrantes, prófugos e refugiados.

Um segundo ingrediente vem de um contexto em que predomina uma crise econômica forte e prolongada. Crise que avança sempre acompanhada de declínio e debilidade do “establishment”. Evidentemente, o medo e a ameaça, citados anteriormente, ganham raízes profundas no terreno movediço da falta de emprego, da perda de poder aquisitivo e de condições precárias de vida.

Ao mesmo tempo que um solo cada vez mais escorregadio parece abrir-se debaixo dos pés, as estrelas como que se apagam nos céus. Perdem-se as referências que nos guiavam: as verdades convertem-se em dúvidas, as certezas em incertezas e as perguntas superam a capacidade de encontrar respostas.

Navega-se sem bússola na “modernidade líquida” de Bauman. Em lugar de assumir as consequências das próprias decisões, melhor depositar a liberdade pessoal aos pés de alguém mais poderoso. Alguém que passa a ditar as leis e as regras, carregando sobre os ombros o “fardo” da responsabilidade. A força aparente, entretanto, esconde uma dificuldade de diálogo e de raciocínio lógico. Os instintos se sobrepõem à racionalidade.

Um terceiro fator pode ser a coincidência de um novo meio de comunicação, ou de uma forma inédita e mais veloz de comunicar-se. Neste sentido, não é exagero afirmar que a invenção da imprensa, por Johannes Gutenberg (1398-1468), permitiu a Martin Lutero (1483-1546) e demais seguidores acelerar suas ideias a uma velocidade sem precedentes. Permitiu igualmente a difusão também sem precedentes da Bíblia, bem como a livre interpretação de seus escritos. Deus origem a uma onda de tensões e guerras religiosa que só seriam controladas pelo tratado ou paz de Vestfália, em janeiro de 1648.

Nos dias atuais, a maioria dos estadistas eleitos nos últimos anos nos países assinalados acima, chegou ao poder com o auxílio da Internet e das redes sociais do mundo virtual. Veículo ambíguo e volátil, em que as “fake News” e os fatos reais têm limites nebulosos e flexíveis.

O quarto e último elemento tem a ver com o narcisismo do político, o qual costuma apresentar-se, simultaneamente, como profeta e pregador. Uma ilimitada e às vezes doentia autoestima desvia-o de qualquer confronto direto e aberto com os demais projetos concorrentes, enquanto candidato, ao mesmo tempo que o leva a fugir de uma séria e oportuna autocrítica, quando sentado no trono. Prepotente a arrogante, basta-se a si mesmo.

Manobrando a vontade popular, por uma série de mecanismos já entrevistos, faz dela seu trampolim para subir os degraus do poder, como também seu ponto de apoio para desdenhar e liquidar os opositores.

O apelo frequente ao número de votos recebidos torna-se sua arma principal, como se a democracia dependesse mais da quantidade que da qualidade. Tende a dirigir-se diretamente à massa, em lugar de contar com a intermediação, mais atenta e menos incauta, de grupos, movimentos, instituições ou organizações de base. Teme e dispensa os debates, agarrando-se prevalentemente a determinados bordões, slogans ou chavões, os quais costumam dizer tudo sem nada explicar de maneira concreta e detalhada. Em vez de um passo adiante no duro processo democrático, instalam-se uma espécie de ditaduras disfarçadas.

A escola e sua função contemporânea de humanização

Educar sempre trouxe desafios imensos, sobretudo em tempos de profundas transformações tecnológicas, de organização da produção e da sobrevivência humana.

Educar sempre foi e será uma grande arte, um grande desafio, que sofrem influências de cada momento histórico.  Neste momento histórico, o conceito de rede também pode ser aplicado aos desafios da educação, cada vez mais complexos, o que não permite quaisquer simplificação.

Educar faz parte do processo dinâmico da vida em sociedade. Educar sempre trouxe desafios imensos, sobretudo em tempos de profundas transformações tecnológicas, de organização da produção e da sobrevivência humana.  O sentido de educar (ou ensinar) sempre foi o de acompanhar as evoluções e mudanças sociais, gerando maiores possibilidades de inserção no mundo da cidadania e no mundo do trabalho. A escola cumpre, historicamente, função de propiciar as condições de inserção dos indivíduos na sociedade.

Neste momento histórico, a escola cumpre com a função insubstituível de sistematização das informações (para transformá-las em conhecimento) e da socialização (convivência saudável e respeitosa, mediada pelo conhecimento).

A divulgação acelerada e o alto volume das informações disponíveis às crianças, adolescentes e jovens exige uma postura educativa capaz de fazê-los construir entendimentos de si mesmos, dos outros, da natureza e da sociedade.

Ao mesmo tempo em que leem mais, tem mais acesso aos diferentes conhecimentos, os educandos de hoje escrevem menos, tem muitas dificuldades de comunicar e expressar seus sentimentos e conhecimentos, tem grandes dificuldades nos seus relacionamentos interpessoais, tem dificuldades de projetar suas vidas alicerçadas em sonhos e projetos de vida.


“Humanização nas escolas”, entrevista com jornalista e especialista em educação Anna Penido.



O excesso de informações, somadas com a velocidade da divulgação destas, gera, muitas vezes, uma distância enorme entre o mundo real e o mundo virtual. Estar informado e conectado ao mundo virtual não é suficiente para decidir o que fazer com o mundo real, seja a partir de uma intervenção e atitude pessoal ou coletiva. O mundo real exige posturas e atitudes que ensejam coragem, determinação, empenho e esforço pessoal, criatividade, ousadia.

O fato de vivermos na era da tecnologia e da informação não quer dizer que podemos suprimir a importância da oralidade, da escrita e outras formas de comunicação como a arte, a linguagem corporal, a linguagem simbólica e religiosa, o audiovisual, dentre tantas outras. Afinal, o ser humano é um ser integral e as suas diferentes dimensões (características) devem ser desenvolvidas e articuladas no seu processo de ensino-aprendizagem.

Mais do que nunca, para a nossa humanização, precisar comunicar e compreender melhor a nós mesmos e aos outros, em sintonia com a natureza e com o transcendente (Ser superior). Este processo também é chamado de ESPIRITUALIDADE, que é muito mais do que religião.


“Espiritualidade é um sopro interior que que me faz ter fé na vida”. (Pe. Fábio de Mello)



Por vivermos num mundo onde o domínio das diferentes linguagens é condição para uma boa inserção social, precisamos, desde a escola, aperfeiçoar as nossas capacidades comunicativas, o que pode ser traduzido por EDUCOMUNICAÇÃO.


Documentário Educomunicação.



Assim, para darmos conta da integralidade do ser humano, precisamos empenhar esforços para que a educação se torne um PROCESSO DE APROPRIAÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA de experiências, de confrontações, de resoluções e desafios da vida e do conhecimento, de aplicação do conhecimentos e das informações na vida prática e cotidiana. A isso podemos chamar de SISTEMATIZAÇÃO, processo no qual nos apropriamos de informações para dar às mesmas utilidade e função prática e aplicável na vida de cada um e de todos.

Uma escola é como uma rede. Uma rede que articula e promove a interação de diferentes sujeitos aprendentes: os educandos, os educadores, os pais, as equipes diretivas e gestoras, os funcionários e funcionárias. Estes sujeitos fazem a educação acontecer utilizando os diferentes meios e métodos de aprendizagem, que geram processos de apropriação de conhecimento e de convivência social.

A apropriação do conhecimento do conhecimento e a convivência social são os dois maiores objetivos da educação contemporânea. Fazer educação, nos dias atuais, significa compreender o sentido da escola, do mundo e do ser humano, contemplando a diversidade e a complexidade social que construímos até aqui como humanidade.

Nada de modismos, nada de simplificações! Educação em rede exige postura que integre os diferentes pensamentos, métodos pedagógicos e formas de convivência social.

Cada escola constitui um ambiente único, mediado pelos sujeitos, pelas suas intencionalidades e pelos seus métodos e modos de ver o ser humano, a vida e a sociedade. Os diferentes sujeitos e as diferentes estratégias educativas representam os “nós” que fazem uma rede ser o que ela é. Por isso mesmo, que o parâmetro de avaliação de cada escola deve ser ela mesma. A qualidade social de educação se mede a partir de critérios previamente definidos pela comunidade escolar e, sobretudo, pelo grau de satisfação de todos os que estão envolvidos nela e com ela.


“A missão do professor é provocar inteligência, provocar espanto, provocar curiosidade”. (Rubem Alves)

O eterno ritual da passagem do tempo

A esperança, ao contrário do que pensa o comum dos mortais, longe de nos ajudar a viver melhor, nos faz perder o essencial da vida, que deve ser abraçado aqui e agora. É preciso viver intensamente o aqui e agora.

Começo uma das últimas reflexões deste ano lembrando de John Lennon: “A vida é aquilo que acontece enquanto você está planejando o futuro”.

Contar o tempo é uma grande ilusão, como sabemos, mas – e se não contássemos? Li esta indagação tempos atrás. Não lembro quem a escreveu, mas a achei muito pertinente.

Agora, quando nos aproximamos de um novo ano, a questão de contar o tempo se torna muito presente. Ao iniciar 2019 lá iremos todos assistir à queima dos fogos, tomar espumante, trocar votos de um feliz ano novo entre abraços e beijos efusivos. Estaremos comemorando o tempo que passou e, igualmente, o tempo que está chegando.

É a emoção da virada, da volta a uma espécie de marco zero, do recomeço, de projetar o futuro. Vamos renovar propósitos, fazer um balanço do que passou e do que poderemos fazer nos próximos 12 meses.

É um momento de doçuras e reconciliações, principalmente, no momento em que vivemos. Tempo de soerguimento de ânimo e afirmação de propósitos. Quantas vezes já fizemos isto no passado e, obviamente, continuaremos a fazê-lo. É um ritual de passagem do tempo. Ah! o tempo! Sempre ele.

Embora saibamos que não há recomeço pelo simples fato da passagem de ano, mesmo assim, iremos todos aderir ao coro da contagem regressiva e, ao toque da meia-noite, estaremos emocionados trocando votos de felicidades, saúde, progresso etc.

Sabemos que o tempo, para todos nós, avança de forma inexorável. Talvez, na passagem de um ano para o outro, busquemos aprisionar o que não é possível deter, o calendário. Sabemos que ele provoca desgaste e envelhecimento.

É ele que, diariamente, nos mostra, nos alerta, que o tempo está passando. Entretanto, a cada 365 dias, todos nós temos a ilusão de retornar ao marco zero e começar tudo de novo. Vamos dizer feliz ano novo e derramar lágrimas ao saudar, com alegria, emoção e esperança, a chegada de 2019. Esta é a mágica da passagem de ano.

Caetano Veloso compôs uma canção, Oração ao Tempo, na qual exalta o seu mistério:

“ És um senhor tão bonito/Quanto a cara do meu filho/Tempo, tempo, tempo, tempo/Vou te fazer um pedido/Compositor de destinos/Tambor de todos os ritmos/Entro num acordo contigo/Por seres tão inventivo/E pareceres contínuo/És um dos deuses mais lindos/Que sejas ainda mais vivo/No som do meu estribilho/Ouve bem o que te digo/Peço-te o prazer legítimo/E o movimento preciso/De modo que o meu espírito/Ganhe um brilho definido/E quando eu tiver saído/Para fora do teu círculo/Não serei nem terás sido/Ainda assim acredito/Ser possível reunirmo-nos/Num outro nível de vínculo/Tempo,tempo,tempo”.

Coisas de um grande poeta.

A Grécia e seus sábios nos deixaram um ensinamento célebre, o Carpe Diem (aproveita o dia de hoje), ou seja, a convicção de que só vale a pena viver a vida que se situa no aqui e no agora, na reconciliação com o presente.

Nesta época de renovação de esperanças, é preciso lembrar de um ensinamento dos filósofos, segundo o qual, a esperança, ao contrário do que pensa o comum dos mortais, longe de nos ajudar a viver melhor, nos faz perder o essencial da vida, que deve ser abraçado aqui e agora. Isto é, não podemos viver a nostalgia de um passado que não existe mais e a espera de um futuro que ainda não existe. É preciso viver intensamente o aqui e agora.

 O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu, com toda a sua genialidade, uma Receita de Ano Novo:


Para você ganhar belíssimo Ano Novo

Não precisa
Fazer lista de boas intenções
Para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
Pelas besteiras consumidas
Nem parvamente acreditar
Que por decreto de esperança
A partir de janeiro as coisas mudem
E seja tudo claridade, recompensa,
Justiça entre os homens e as nações,
Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
Direitos respeitados, começando
Pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
Que mereça este nome,
Você, meu caro, tem de merecê-lo,
Tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
Mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o ano novo
Cochila e espera desde sempre.

Feliz 2019 para cada um e cada uma!!!

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