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Formação de professores: função de um Sindicato?

Eventos e processos formativos mais
dialógicos ou os que desafiem a reflexão
e a escrita sobre as práticas docentes parecem
estar no horizonte das necessidades
contemporâneas da educação no
atual momento histórico.


Um Sindicato de Professores deve pensar, além de sua natureza específica de organização para a defesa, manutenção e conquista dos direitos, estratégias de formação para os docentes. A responsabilidade pela formação dos professores (continuada, em serviço) é das redes municipais e estaduais de ensino. Os professores devem valorizar esta formação e envolver-se da melhor forma possível, pois é imprescindível para a nossa atuação profissional.

As propostas e estratégias formativas de um sindicato de professores estão colocadas na perspectiva cidadã, do protagonismo dos professores e professoras, dos temas da atualidade, das relações e conflitos cotidianos na escola, dos interesses dos professores como cultura, saúde, arte, política, espiritualidade e relações sociais.

“Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho”.

O professor, assim como os demais profissionais, precisa atualizar-se permanentemente como ser humano em construção e em sua atuação profissional/pedagógica.

Nesta perspectiva, é importante entender que os professores/as já trazem uma bagagem específica de conhecimento (por sua formação acadêmica) e de trajetória de vida, mas podem juntos constituir aprendizagens significativas e específicas, gerando identidades próprias e específicas do “ser docente”. “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho. Nos educamos juntos, mediados pelo mundo”, como já disse o educador brasileiro Paulo Freire.

Eventos mais dialógicos ou os que desafiem a reflexão e a escrita sobre as práticas docentes parecem estar no horizonte das necessidades contemporâneas da educação no atual momento histórico.

O papel do Sindicato de professores é promover e propor iniciativas que promovam mudanças nas concepções de formação que são oferecidas pelas redes de ensino, como também aquelas oferecidas por universidades ou organizações sociais que atuam na formação docente.

O Sindicato, por sua natureza de representação e organização, é um laboratório de permanente formação de professores e professoras. No Sindicato se ensina e se aprende muito, através dos desafios permanentes de comunicação, organização e mobilização pelas demandas profissionais específicas do magistério. As habilidades e as competências que estão sendo gestadas e testadas no cotidiano da atividade sindical também são parte da formação docente de uma rede municipal de ensino.




O CMP Sindicato (Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo) oferece diferentes modalidades de formação: Projeto Vivências Docentes, Projeto Saberes em Ciranda, Reuniões periódicas em escolas, Pré-congressos e Congresso Anual dos Professores Municipais, dentre outros.



Formação para sistematização de práticas educativas

Sistematizar as práticas educativas, pensar sobre as intervenções cotidianas de uma sala de aula à luz das teorias e dos pensadores é parte de um desafio mais ousado de formação de professores e professoras.

Embora já bastante estudadas, a sistematização e a escrita das práticas pedagógicas ainda não foram internalizadas entre a gente como estratégia de mudança e ressignificação do “fazer docente”. Parece estar ainda restrita ao fazer pedagógico que embasa as experiências educativas sociais e populares. Ou a estudos do “pessoal da pedagogia”.

Em matéria da Revista Nova Escola, podemos reconhecer a importância de observar, registrar e refletir as práticas docentes e a parceria entre gestores escolares e professores. “Quando há parceria com colegas e gestores, o processo formativo se amplia, mas Tamara crê que o ato de escrever já contribui para seu aperfeiçoamento. “O registro faz com que o momento não fique para trás e o aprendizado se consolide.” A escuta sensível e o olhar para o que as crianças dizem e pensam têm sido o caminho para melhorar sua prática e se fortalecer como professora”. Leia mais aqui.

Afirmamos, por fim, a importância da formação na vida pessoal e profissional dos docentes. Cremos, sobretudo, que são necessárias mudanças de posturas e de práticas, para melhorarmos a qualidade de nossa intervenção pedagógica, conectada com o mundo e com as necessidades dos estudantes.

Não acreditamos que projetos externos, muitas vezes oferecidos como receitas por universidades, por si só, promovam as mudanças didáticas e pedagógicas que precisamos implantar em nossas escolas, em tempos em que o uso das diferentes tecnologias e redes sociais molda o universo das nossas relações sociais e de aprendizagem. Estas iniciativas devem estar acompanhadas do protagonismo, reflexão e sistematização das práticas dos professores envolvidos.

Os professores são protagonistas da educação, mas, na medida em que não escrevem, discutem e promovem suas práticas educativas, dão margem para outros profissionais que, fora da educação ou das salas de aulas, dizem o que precisamos fazer na escola.  Podemos, e devemos, ousar mais!

Conhecendo conceitos e valores religiosos

A intenção e objetivo desta publicação é disponibilizar um roteiro de publicações que podem ajudar no planejamento das aulas de professores e professoras. Assim que acessarem o material, a ideia é que trabalhem as temáticas com seus alunos a partir de memórias/sínteses dos textos ou questões elaboradas pelos próprios professores, nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

Algumas das temáticas, com respectivos links das publicações, já seguem com “Sugestões para uma prática pedagógica”.

Seguem 29 reflexões que foram selecionadas como subsídios para o trabalho de professores e professoras que atuam com Ensino Religioso nas séries finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Bom trabalho!


CONCEITOS DE HUMANIDADE E DE RELIGIÃO

“Mais do que em outros tempos, é preciso pensar que o ser humano não está pronto, é projeto em construção permanente, se faz ao tomar parte na construção da história. No entanto a história, ainda que pessoal, não acontece fora da coletividade, da sociabilidade que precisa ser retomada e alimentada para que todas as ações construam cidadania e testemunhem esperança na humanidade, contrariando toda lógica individualista, egocêntrica e desnuda de amor fraterno”. (AUTOR Marciano Pereira)

Sugestões para uma prática pedagógica
Elaborar um questionário para ser respondido por estudantes, contemplando 3 elementos abordados pelo autor:
a) Qual é a concepção de humanidade?
b) Qual é a concepção de Deus?
c) O que a filosofia africana, apresentada no vídeo “Ubuntu” pode nos ensinar em tempos de pandemia do novo Coronavírus no mundo?

CORONAVIRUS: CUIDADO, CORAGEM E ESPERANÇA

“Também estamos em uma travessia com o Coronavírus. Temos muitas preocupações, dúvidas, medos e incertezas. São sentimentos próprios destas situações. Contudo, não percamos a esperança, a vontade de ajudar, a coragem de coletivamente superar esta travessia. Deus está conosco. Sintamo-nos instrumentos do seu agir nestes tempos difíceis que exigem coragem e esperança”. (AUTOR: Ari Antônio dos Reis)

SIGNIFICADO DE IRA

“Se não fosse por vingança ou por reação instintiva ao medo, a ira não seria pecado. Sim, pois existe a ira santa e esta não pode ser pecado, visto que é santa. A ira santa é uma pulsão instintiva, instalada, naturalmente, no corpo e na alma, que salvaguarda os bens morais e espirituais da sua violação e reage quando da violação. Nesse aspecto, a iracúndia é uma espécie de “cão de guarda” que nos protege da banalização do mal. A bíblia é prova de que a ira tem um lado bom, um lado do bem, quando até Deus perde a paciência”. (AUTOR: Gilmar Zampieri)

Sugestões para uma prática pedagógica
O texto permite fazer relações interessantes sobre o problema do pecado e de como libertar ou salvar o pecador.

FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM

Como já escreveu Frei Betto, “todos nós cristãos somos discípulos de um preso: Jesus de Nazaré. Ele chegou a afirmar sua identificação com os encarcerados: “Estive preso e me visitastes” (Mateus 25, 36). Puna-se o crime, salve-se o criminoso. Caso contrário, a indiferença, o ódio, a sede de vingança farão nascer em nós o assassino em potencial. O resto será apenas uma questão de oportunidades”. (AUTOR: Nei Alberto Pies)

Sugestões para uma prática pedagógica
O texto permite fazer relações interessantes sobre o problema do pecado e de como libertar ou salvar o pecador.
Questões para serem respondidas pelos estudantes:
a) Qual os conceitos de religião e espiritualidade que aparecem no texto principal e nos textos indicados na publicação?
b) O professor de teologia Antonio Carlos Barro explica algumas implicâncias da expressão “fazei o bem sem olhar a quem”. Quais são estas implicâncias?
c) Por que não nos compete julgar a história das pessoas na hora de ajuda-las ou praticar caridade?

A IMPORTÂNCIA DA FÉ (ASPECTO ANTROPOLÓGICO E RELIGIOSO)

“A fé não nasce da dúvida e nem a dúvida nasce da fé, mas ambas são filhas da mesma mãe: o mundo da vida. A vida se equilibra, saudavelmente, entre fé e dúvida.  Quando a fé aumenta diminui a dúvida e quando a dúvida aumenta, diminui a fé. Ou será que quanto mais a fé aumenta, mais a dúvida também aumenta e quanto mais a dúvida aumenta, a fé também aumenta? Fica a dúvida! (AUTOR: Gilmar Zampieri)

Sugestões para uma prática pedagógica
O texto aborda os sentidos antropológicos e religiosos da fé. Interessante para fazer leitura prévia e discutir, em sala de aula, ouvindo a opinião de todos os estudantes.

QUAIS AS FERRAMENTAS DAS RELIGIÕES?

“As religiões nos oferecem ferramentas profundas e poderosas para esse encontro, todas elas. As orações, os cânticos e mantras, jejuns, mudras, propósitos empoderadores, acreditem, usados com profundidade e sinceridade, vão te levar à algum lugar. (AUTOR Nelson Ribeiro).

Sugestões para uma prática pedagógica
Propor debate sobre as principais ferramentas que as religiões apresentam para a evolução e a espiritualidade de cada um. Depois, solicitar pesquisa para que cada estudante pesquise qual é a ferramenta que a sua religião orienta para se chegar a Deus.

POR QUE A DEFESA DOS POBRES?

“Só a compaixão se reveste de libertação. A compaixão não é sofrer pelos outros, mas sofrer com eles. O sofrer com os outros permite colocarmo-nos no seu lugar. Ver a partir dos seus pontos de vista e das suas realidades. É também deixar-se transformar, permitindo que os nossos mais nobres sentimentos se traduzam em ações concretas a favor dos pobres, fracos e marginalizados”. (AUTOR: Nei Alberto Pies)

Sugestões para uma prática pedagógica
Questões para debate:
a) Há diferença entre sofrimento e sacrifício? (Conceitos)
b) Onde fica o protagonismo daquele que sofre?
c) Como ter compaixão e agir de tal forma que o pobre, fraco, marginalizado receba o conforto de se sentir sujeito e protagonista da própria libertação?

CONCEITOS DE FÉ, RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE

“Todos deveriam reconhecer diferenças entre fé, religião e espiritualidade. Fé sempre é uma questão pessoal, uma forma e uma relação íntima de cada um com o Transcendente. Religião é a experiência coletiva da vivência da fé (não por acaso, nas religiões os seguidores se chamam de irmãos ou irmãs). Já espiritualidade, remete a uma dimensão sempre maior, que pode e deve ser pensada na perspectiva das aulas de ensino religioso. Espiritualidade é Cuidado: consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com o Transcendente”. (AUTOR: Nei Alberto Pies).

EXPERIÊNCIA DE PRÁTICA (VISITA) A UM TEMPLO BUDISTA

“O budismo não é uma religião proselitista, os praticantes não saem por aí falando para converter as outras pessoas. A pessoa que tem conexão com o budismo, vai procurar, ler, estudar, ouvir palestra, se depois disso chegar a conclusão que vai ser bom para a sua vida, ela segue”. (AUTORA: Gloria Fauth, seguidora budismo)

Sugestões para uma prática pedagógica
Discutir com a turma uma possibilidade de visitar templos religiosos na sua cidade ou em cidades próximas. A publicação relata a experiência de alunos do oitavo e nono anos, que fizeram uma excursão de um dia para conhecer o Templo Budista em 3 Coroas, no RS.

NÃO VIVEMOS SOZINHOS E DEPENDEMOS UNS DOS OUTROS

“Solidariedade e compaixão são valores e atitudes que nos unem para a superação dos sofrimentos comuns à nossa condição humana. A libertação e superação dos sofrimentos humanos requerem que a gente seja capaz de colocar-se no lugar do outro, lá onde o outro está. Para fluir compreensão e entendimento, precisamos ser capazes de escutar”. (AUTOR: Nei Alberto Pies).

Sugestões para uma prática pedagógica
a) Conviver intensamente e desinteressadamente com os outros é a melhor forma de buscar felicidade. Como disse Chaplin, “não preciso me drogar para ser um gênio; não preciso ser um gênio para ser humano, mas preciso do seu sorriso para ser feliz”. A partir do texto e desta citação, elaborar uma redação com temática “Por que não somos felizes sozinhos”?
b) Fazer pesquisa sobre o Conceito de Alteridade. O que é? O que tem de relevante para as relações sociais?

COMO CONSTRUIR SENTIDO DE VIDA?

“A religião e a filosofia são duas doutrinas de salvação exatamente por elaborarem, sistematicamente, aquilo que seria o essencial numa ordem hierárquica de valores, não só para viver, mas bem viver”. (AUTOR Gilmar Zampieri)

Sugestões para uma prática pedagógica
a) Relacionar problemas que a religião, quando vivida na radicalidade, já causou  de situações e conflitos na história da humanidade.
b) Quais são as 4 teorias sobre o Sentido de vida apresentadas no vídeo relacionado dentro desta publicação. Com qual deles você mais se identifica?

O QUE É VERDADEIRA FELICIDADE?

“Consumimos antidepressivos, livros sobre meditação, treinamentos e vivências, porque sentimos quase uma obrigação de sermos felizes. Acho que como um comportamento social generalizado, isso acaba sendo um pouco egoísta. Cada um pensando só na sua realização”. (AUTOR: Tatiana François Motta).

Sugestões para uma prática pedagógica
Fazer pesquisa, complementando os conhecimentos do texto, sobre pesquisas da Neurociência e felicidade.

SIGNIFICADO DO PERDÃO

“O verdadeiro perdão significa sermos capazes de reconsiderar tudo aquilo que nos atingiu negativamente; que advém dos outros e também de nós mesmos. Como perdoamos aos outros, também temos de nos perdoar. Só conseguimos perdoar a pessoa: não é possível perdoar o mal que ela fez. Perdoar as maldades dos outros seria como concordar com elas. O perdão é necessário muito mais para quem sofreu o mal do que para quem o praticou. Perdoar é uma necessidade para manter o espírito da gente em ordem e em paz”. (AUTOR Nei Alberto Pies)

Sugestões para uma prática pedagógica
Esta publicação é interessante para estudar, pesquisar e relacionar o papel do Transcendente (que os cristãos chamam de Deus) com o Projeto Criador e a visão do Transcendente presente nas diferentes Tradições Religiosas.

CONCEITOS DE RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE

Na religião, a crença é indispensável, pois religiosos acreditam em um Deus que ninguém pode ver, ou seja, ninguém tem a certeza de sua existência e nem pode dizer que tem, já que até mesmo dentro do próprio coração, há uma dúvida. Porém, se alguém pudesse nos dar uma resposta clara para tudo ou se Deus aparecesse para nós, não haveria fé e a religião poderia passar a ser uma ciência racional, pois tudo estaria provado e claro para todos. (AUTORA Ana Beatriz Perez de Souza, estudante)

Sugestões para uma prática pedagógica

Esta publicação é resultado de uma redação construída por uma turma de nono ano, a partir de discussões feitas em sala de aula sobre crenças e não crenças e a necessidade de respeitar todas as formas de crer. A autora é uma estudante de nono ano.
A partir da leitura deste texto, os estudantes poderiam produzir redação com o tema “Minhas crenças e minhas certezas”.

VIOLÊNCIA É DOS HOMENS; NÃO É DE DEUS

“Em outras palavras, a violência em nós é uma possibilidade de ser, uma escolha, e não uma condição natural ou uma condição ontológica. Religiosa e teologicamente, a violência é o mal a ser evitado e superado em nome de Deus, pois Deus é o antimal por excelência. Entender Deus como antimal e, por consequência, o não violento, é o que nos cabe pensar”. (AUTOR: Gilmar Zampieri)

Sugestões para uma prática pedagógica
Esta publicação abre possibilidades de discussão e conhecimentos sobre as metodologias da não-violência ativa e a vida de Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Permite também discutir sobre o papel da agressividade do ser humano para tirar da natureza o seu sustento, por mais que se pense cuidador e ecológico, a natureza lhe serve. Permite também abordar a temática do fanatismo de grupos minoritários de algumas religiões que fazem a guerra em nome da fé.

PODERES DA FÉ E DA ORAÇÃO.

“Sou um homem de fé, cristão, educado na doutrina Católica Apostólica Romana. Tenho conhecimentos de várias e muitas tradições religiosas e também de filosofias como ateísmo e agnosticismo porque sou professor de Ensino Religioso em escolas públicas. Estes conhecimentos nunca abalaram a minha fé, mas, antes, pelo contrário, confirmaram ainda mais minhas crenças. Nunca acreditei cegamente em milagres, mas sempre achei que poderiam existir entre a gente, a partir da fé de cada pessoa”. (AUTOR Nei Alberto Pies)

SABER OUVIR

“Ouvindo o outro você escuta o que ele disse, ao invés de escutar o que quer ouvir. Você aprende, você entende. Você discute. Tão demonizadas em períodos de bipolaridades políticas e religiosas, as discussões têm um papel fundamental na construção de novos saberes. Na construção de ideias coletivas, na construção de um mundo mais humanamente habitável e socialmente justo”. (AUTORA: Ingra Costa e Silva).

Sugestões para uma prática pedagógica
A partir da leitura desta publicação, estudantes respondem roteiro de questões;
a) O que é saber ouvir?
b) Quais são as condições para uma boa escutatória?
c) A humanidade, nas diferentes Tradições religiosas, ouviu atentamente ao Transcendente?
d) Como as diferentes tradições religiosas interpretaram a verdade que foi revelada pelo Transcendente?

AGIMOS POR ÉTICA OU ETIQUETA?

“A diferença está entre os que pregam a ética e os que pregam a etiqueta como formas de colaborar com a sobrevida do planeta, entre quem se dispõe a promover mudanças na organização econômica e social e entre aqueles que buscam compensar o planeta com “atitudes politicamente corretas”. (AUTOR: Nei Alberto Pies).

COMER COMO ATO DE ESPIRITUALIDADE.

“Tudo está conectado, diz o Papa Francisco. E esse é um caso de conexão profunda. Dizer que pobre não tem e não se importa com hábitos alimentares, com boa alimentação, com confraternização, com comensalidade, mas só quer comer, como sinônimo de nutrição, é reduzir uma pessoa a uma árvore”. (AUTOR: Nei Alberto Pies)

ESPIRITUALIDADE E ALIMENTAÇÃO

“Talvez seja oportuno acrescentar à ideia da comensalidade que, em si mesma já porta uma dimensão espiritual, a ideia de que alimentar-se sob um horizonte espiritual do bem significará, no mínimo, prestar atenção para três atitudes básicas espirituais: a gratidão, o perdão e a solidariedade”. (AUTOR Gilmar Zampieri)

Sugestões para uma prática pedagógica
Esta publicação é interessante para aprofundar conhecimentos relacionados à saúde, bulimia, anorexia, produção e distribuição de alimentos, ecologia, agroindústria, vegetarianos e veganos. Resgata também a Comensalidade, o ato de comermos juntos como um ato humano ético e espiritual. Não basta comer e comer sem vítimas, é bom comer com o outro, festejar, banquetear, conversar, reunir e pacificar os espíritos ao redor da mesa.

CONCEITOS DE AMOR E “CARPE DIEM”

“Nosso amor tem a dimensão do nosso tempo e o tempo adquire o valor do nosso amor: quando o amor cresce e se exerce, o tempo ganha em importância; quando, ao invés, não se ama ou até se odeia, perde-se o tempo. Não importa o que se faça, se for sem amor, será tempo perdido”. (AUTOR Pe. Gerson Schmidt)

CONCEITOS DE FÉ, RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE

“Antes de pensarmos na fé como fé em Deus, é fundamental pensar a fé na dimensão puramente humana. Fé humana ou antropológica é o que move o filho a se jogar do terceiro andar do prédio, em meio à fumaça que lhe impossibilita ver, mas ouve a voz do pai que lhe diz: “joga-se meu filho, eu sei que tu não me vês, mas eu te vejo”. E o filho se joga. Pascal dizia que é “a fé é um salto no escuro”. Nada mais apropriado. Sem fé, a vida seria impossível”. (AUTOR Gilmar Zampieri)

Sugestões para uma prática pedagógica
Esta publicação é bastante rica para conhecimento dos conceitos de fé, religião e espiritualidade. Os estudantes poderão aprofundar estas questões, a partir de roteiro.
a) O autor do texto afirma que “eu tenho fé numa religião que fomenta a espiritualidade da justiça, paz e ecologia. E você, que tipo de fé tem?
b) Como é possível fé sem religião? Assistir vídeo “Os sem religião e a espiritualidade não religiosa” e fazer resumo.
c) Vídeo “Retratos de Fé” apresenta a múltipla pertença religiosa, que consiste na prática simultânea de diferentes religiões. Explique o que entendeu.
d) O que o pastor evangélico André Kivitz entende por religião e espiritualidade (em texto com link desta publicação)?

COMO NOS TORNAMOS HUMANOS?

“Nosso maior palco é a vida e nela somos eternos aprendizes. Nosso maior desafio é a humanização, através do conhecimento. O conhecimento nos torna melhor seres humanos. A escola e a vida são oportunidades de aprendizagem, socialização e construção de conhecimentos. Humanizar é um dos maiores desafios da atualidade”. (AUTOR: Nei Alberto Pies)

RELAÇÃO SER HUMANO E DEMAIS ANIMAIS

“A questão é a relação dos humanos para com os animais que muito precisamente pode ser qualificada de prática nazista de holocausto em campos de concentração. Há um holocausto diário em ação e as vítimas são os mais inofensivos e inocentes possíveis, os animais. Os animais são de Deus, a bestialidade é dos homens (Platão). (AUTOR Gilmar Zampieri)

DIREITOS E FRAGILIDADE HUMANAS

“Ainda esperamos encontrar o humano: em sua fragilidade. Sim, ali está o humano, na fragilidade, nos limites da fragilidade. É ali que todas as nossas mais profundas crenças se chocam com a singular realidade. E, deste modo, renovam-se como sentido. Pensar assim é pensar que a dignidade não é dada e nem é mérito de privilegiados”. (AUTOR Paulo César Carbonari).

SOMOS FOGUEIRINHAS

“Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo”. (Conto de Eduardo Galeano)

ENSINO RELIGIOSO PARA ESPIRITUALIDADE

“O Ensino Religioso ministrado nas escolas públicas não é mais catequese, não é aula de religião e muito menos lugar para rezar e orar. O Ensino Religioso é a oportunidade de conhecimento das diferentes religiões com o intuito de respeitar e reconhecer as diferentes crenças e práticas religiosas que coexistem na sociedade. O objetivo é o diálogo interreligioso como pressuposto para construção de relações de respeito, reverência e paz, solidariedade e paz no mundo”. (AUTOR Nei Alberto Pies)

Sugestões para uma prática pedagógic
Esta publicação ajuda na discussão da importância do Ensino Religioso como uma área de conhecimento, com toda comunidade escolar.

O QUE É SER DO BEM?

Somos, por natureza humana, pouco bons e pouco maus. Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno, estamos em busca do necessário equilíbrio. As religiões sabem disso, por isso sua insistência em nos ajudar a equilibrar os pensamentos e as ações cotidianas”. (AUTOR Nei Alberto Pies)

VISITAS DE CONHECIMENTOS E VIAGENS DE ESTUDOS

“Ao longo destes últimos quinze anos trabalhando com a disciplina do Ensino Religioso, especialista em Metodologia de Ensino Religioso, conheci pessoas, vivi experiências de trocas de conhecimentos, visitei templos religiosos e dialoguei muito sobre o universo religioso. Assumo que sei pouco, quase nada, sobre as tradições religiosas”. (AUTOR professor Nei Alberto Pies)

Sugestões para uma prática pedagógica
A partir de roteiro de questões, alunos aprofundam conhecimento e fazem trabalho avaliativo.
a) Resuma as aprendizagens do professor de Ensino Religioso, ao longo dos seus 15 anos de experiência de sala de aula?
b) Por que é tão difícil afirmar que sabemos muito das religiões, apesar de nosso esforço em conhecê-las e estuda-las?
c) Qual é o principal objetivo das visitas de conhecimento, conforme texto linkado na publicação?
d) Qual é o objetivo de uma viagem de Conhecimentos a um templo budista, relatada em texto com link na matéria principal?

Conhecendo tradições religiosas

A intenção e objetivo desta publicação é disponibilizar um roteiro de publicações que podem ajudar no planejamento das aulas de professores e professoras. Assim que acessarem o material, a ideia é que trabalhem as temáticas com seus alunos a partir de memórias/sínteses dos textos ou questões elaboradas pelos próprios professores, nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

Algumas das temáticas, com respectivos links das publicações, já seguem com “Sugestões para uma prática pedagógica”.

Seguem 13 reflexões que foram selecionadas como subsídios para o trabalho de professores e professoras que atuam com Ensino Religioso nas séries finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Bom trabalho!


RESUMO DOS VALORES CRISTÃOS

“O cristão vive segundo o Espírito Santo de Jesus. O “espírito da coisa”, isto é, o espírito de Jesus, é o que foi dito nos seis primeiros itens, e os que seguem, desse decálogo. Não há nada de exotérico e nada de fuga do mundo na espiritualidade de Jesus e dos cristãos. A oração, o recolhimento, a distância do cotidiano, a separação dos afazeres da labuta diária para um momento de oração, é o que alimenta e dá energia para o fogo da espiritualidade cristã”. (AUTOR Gilmar Zampieri)

Sugestões para uma prática pedagógica
Relacionar os 10 valores cristãos que o autor destacou a partir da vida de Jesus Cristo. Dividir a turma em grupos para a escolha destes valores, com a intenção de aprofundarem os mesmos através de uma pesquisa que será apresentada nas aulas seguintes.

TERREIROS E SUA FUNÇÃO NAS PRÁTICAS DE TRADIÇÃO AFRICANA

“Terreiros fazem parte das periferias de todas as cidades brasileiras, sejam de umbanda, de candomblé ou de nação. Com ritualísticas diferenciadas, mas unidas pelas raízes africanas, a simplicidade ainda é item quase que obrigatório nos templos destas religiões. Mesmo com estruturas por vezes grandiosas, a essência ainda é a da benzedeira que tem um galho de erva e o coração cheio de amor”. (AUTORA Ingra Costa dos Santos)

Sugestões para uma prática pedagógica
Interessante para refletir porque os terreiros geralmente estão localizadas nas periferias das cidades. A sociedade, modo geral, também considera esta tradição religiosa como periférica (à margem da sociedade)?

INTOLERÂNCIA COM CRENÇAS DE RAIZ AFRICANA

“Com mais de 65 mil terreiros o Rio Grande do Sul é o Estado onde mais se registra o crescimento destas religiões e apesar de não haver dados concretos sobre Passo Fundo, a estimativa é que existam mais de 200 templos na cidade. Apesar do grande número de adeptos, nos últimos meses a cidade registrou três casos de intolerância religiosa, sendo dois deles em escolas da rede municipal de ensino”. (AUTORA: Ingra Costa e Silva).

Sugestões para uma prática pedagógica
Interessante para refletir porque os terreiros geralmente estão localizadas nas periferias das cidades. A sociedade, modo geral, também considera esta tradição religiosa como periférica (à margem da sociedade)?

COMO ENTENDER REALIDADE E TER COMPAIXÃO COM IMIGRANTES

“Essa é parte da história da minha família. Acredito que seja parecida com a de muitas outras famílias brasileiras. As histórias se repetem: fome, pobreza, perseguição política ou religiosa, medo, violência, ou alguma razão semelhante faz com que as pessoas abandonem sua casa, seu país, suas raízes e parte de sua família para viver em outro lugar”. (AUTOR Tatiana François Motta)

Sugestões para uma prática pedagógica
Verificar, na turma, se há estudantes com desejo de fazer intercâmbios, ou mesmo morar em outros países. Depois desta informação, a partir da leitura do texto, promover debate sobre a imigração, a partir de algumas questões.
a) Como vocês se viriam num lugar novo, no país dos outros, construindo lá seu projeto de vida?
b) Como imaginam que será a acolhida daquele povo, daquela nação, a um estrangeiro?
c) Como nós, brasileiros e brasileiras, acolhemos quem busca o nosso país como um lugar para viver melhor?
d) Se o mundo é de todos, porque ainda há tantos empecilhos para a migração?

CULTURA E RELIGIÃO DOS JUDEUS NO NORTE DO RS

Nei Alberto Pies: Qual é a relação dos judeus de Passo Fundo com o Estado de Israel? Berel: Todos os judeus do mundo inteiro tem uma ligação forte com Israel, pois é sua Pátria-Mãe. A Torá (Livro Sagrado dos Judeus) menciona muitas vezes Israel, assim como a capital Jerusalém, sua ligação direta para com o povo judeu, seja àquele que vive em Israel ou todos os demais espalhados mundo a fora através da diáspora (dispersão do povo judeu pelo mundo).

Sugestões para uma prática pedagógica
Fazer uma pesquisa na internet sobre a cultura do povo judeu, suas crenças, suas influências no mundo e o Estado de Israel, referência política e religiosa para os judeus de todo mundo.

ESPIRITISMO E SEUS PRINCÍPIOS

Nei Alberto Pies: Como se define o espiritismo? Paulo Eberhardt: A Doutrina Espírita é de natureza tríplice, pois abrange princípios filosóficos (é uma “filosofia espiritualista”), científicos e religiosos ou morais. Daí Allan Kardec afirmar: O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática consiste nas relações que se podem estabelecer entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem de tais relações.

Sugestões para uma prática pedagógica
Esta publicação é uma entrevista com o Coordenador de uma casa espírita. A partir da entrevista, aprofundar os conhecimentos do espiritismo em forma de pesquisa na internet.

DIVALDO FRANCO – REFERÊNCIA ATUAL DO ESPIRITISMO

“Divaldo foi muito próximo de Chico Xavier, tanto que na maioria de suas palestras ele faz referência ao amigo, sempre contando algum fato da vida do médium. E como há tantas especulações sobre comunicações atribuídas a Chico, lhe perguntei se o amigo teria lhe dado alguma comunicação”. (AUTORA: Márcia Machado)

DEFENDER FÉ CRISTÃ, MAS AMANDO A TODOS

Nei Alberto Pies: Nas aulas de Ensino Religioso das escolas públicas, promovemos o paradigma inter-religioso, oportunizando aos alunos e alunas o conhecimento das diferentes religiões com o propósito de que possam respeitá-las. O que o senhor acha disso? Fernando Lyra: Acho fundamental todo e qualquer desenvolvimento do respeito. Na doutrina cristã, o ser humano foi criado a imagem e semelhança de Deus, por isso, qualquer pessoa deve ser respeitada como um semelhante, independentemente qual seja sua crença religiosa. Se necessário, posso até defender com toda convicção a fé cristã diante de outras religiões, mas é meu dever amar as pessoas, independente do que pensam.

Sugestões para uma prática pedagógica
A partir desta entrevista com um pastor de uma igreja evangélica, debater ou solicitar respostas, em forma de um trabalho de avaliação, com os alunos, perguntando:a) O que é amar? Por que amar o diferente? b) Que lugar ocupa o diferente dentro de minha proposta de amor?c) Por que Jesus manda seus seguidores amar os inimigos?d) Não podemos ser relativistas, nem fundamentalistas. Sem deixar de amar, como fazer o outro perceber que seus valores não servem e que não posso dar o direito de um agir a partir dos conceitos que tem?

RAZÕES PARA ENTENDER UM ATEÍSTA

“Sou ateu convicto e praticante. Tenho motivos racionais para, feita a depuração, ter conseguido superar lenda cultural-histórica-milenar criada pelo homo sapiens objetivando aliená-lo materialmente, espiritualmente e socialmente. Sou ateu por ser adulto, militante social e, sobretudo, historiador”. (Setembrino Dal Bosco).

Sugestões para uma prática pedagógica
Esta publicação permite o conhecimento das razões para o ateísmo, pois resulta de um depoimento pessoal de um ateu. Os estudantes poderiam entrevistar uma pessoa que se declara ateu ou atéia para entender razões de sua posição. O ateísmo e a agnosticismo precisam ser considerados para as aulas do Ensino Religioso.

CULTURA E COSMOVISÃO AFRICANA.

“Como uma parte do meu eu pode estar bem se a outra não está? Semelhante à filosofia sul-africana do Ubuntu, o nosso Nri Vamosá moçambicano também vai muito além das palavras. Enquanto o mundo se debruça em um conceito de natureza humana baseado na livre escolha pessoal e no individualismo, a experiência de unidade do Ubuntu ou do Nri Vamosá se baseia na ideia da comunidade, onde cada um depende do outro para ser pessoa. (AUTORA: Victória Holzbach).

A AFRICA COMO ELA É

Victória destaca que o trabalho cotidiano de cada moçambicano é regado pelo sonho e pela crença de um país melhor. A esperança é o grande ânimo deste povo, num contexto de mudanças rápidas, cheio de inovações e estranhezas de uma África cheia de novidades e diferenças.

DESMISTIFICANDO A AFRICA

“Precisamos lembrar que a África é um continente imenso, com 54 países e, assim como o continente americano ou o europeu, possui uma vasta variedade de tradições, idiomas, culturas, climas, vegetações, povos e realidades. Temos que concordar que falar de qualquer coisa em relação a África neste tom reducionista é como resumir a América pelos Estados Unidos”. (AUTORA Victória Holzbach)

VISITA DE CONHECIMENTOS: FORMA DE CONHECER AS TRADIÇÕES RELIGIOSAS

“O objetivo da atividade é complementar e ampliar os conhecimentos das tradições religiosas já estudadas em sala de aula, conhecendo os lugares e as referências físicas (templos ou prédios com funções religiosas). O conhecimento mais rico das diferentes religiões nem sempre está disponível e compreensível em livros, vídeos ou na internet”. (AUTOR Nei Alberto Pies).

Sugestões para uma prática pedagógica
Ler o texto e discutir a importância das visitas de conhecimento para entender as religiões. Após, Levantar, junto aos estudantes, os templos religiosos de sua cidade. Se possível, organizar uma visita dirigida a estes templos, com combinações prévias com seus responsáveis. Nesta visita, conhecerão o local e receberão breves informações e conhecimentos.

O coronavírus e a verdadeira guerra

O mundo está sendo impactado por um ser imaterial
que obriga as instituições do estado a repensar as
políticas de austeridade fiscal, para implementar
políticas sociais de renda básica universal e de
altos investimentos públicos para os
cuidados com a saúde de todos.


O discurso, o comportamento, e as ações para combater o corona vírus, um ser imaterial que está ameaçando a humanidade, escondem a verdadeira guerra entre o pensamento individualista/ultra liberal e o pensamento coletivo/social/ sistêmico.

A modernidade antropocêntrica, iniciada com o declínio da pensamento medieval, estava vivendo até o início de 2020, o ápice do individualismo liberal.

Os defensores de instituições estatais, garantidoras de políticas públicas e sociais não tinham voz, nem vez. As políticas liberais, defensoras do estado mínimo, da austeridade fiscal, do estado mínimo e do individualismo, estavam aumentando, sem nenhuma contraposição.

O coronavírus se apresenta, também, como uma possibilidade para evoluirmos, superando o pensamento antropocêntrico que posicionou o ser humano como se fosse o centro, com a falsa compreensão de si mesmo, do planeta terra e do universo.

Esta compreensão equivocada legitimou a instrumentalização egoísta dos outros seres vivos e do planeta terra, usado como um objeto para ser explorado em suas potencialidades materiais. O individualismo, exaltando a competição, que separava as pessoas que com mérito, pela capacidade de especulação financeira, de produtividade, de lucro, de ostentação material e de consumo, separando e excluindo as pessoas sem méritos, por serem improdutivas e não merecedoras de atenção, está sofrendo um ataque momentâneo.



“O crescimento da economia, ao aumentar de forma considerável a oferta de bens e serviços, pode até nos tornar mais ricos, aliás, disso ninguém duvida, mas está longe de ser a condição que nos tornará melhores. Com algum esforço, muitos afirmam que nos tornaremos melhores, de fato, caso consigamos construir uma comunidade de destino sustentável para todos”. (Marcus Eduardo de Oliveira)



A guerra de 2020 está mostrando que os exércitos preparados com armas nucleares, dotadas de inteligência artificial, altamente capacitadas para eliminar os inimigos destrutivos, são totalmente inúteis e ridículas.

O vírus é um inimigo imaterial, que exige aumento dos cuidados com a principal ferramenta que nos foi disponibilizada que é o nosso próprio corpo, bem como dos cuidados com os outros, visto que o aumento da contaminação social aumenta o risco de morte de pessoas próximas que temos o dever de proteger.

A competição, que legitimava a atenção para a produtividade e para o lucro está sendo voltada para a cooperação e para o cuidado coletivo e universal.

O mundo está sendo impactado por um ser imaterial que obriga as instituições do estado a repensar as políticas de austeridade fiscal, para implementar políticas sociais de renda básica universal e de altos investimentos públicos para os cuidados com a saúde de todos.

A humanidade está vivendo uma oportunidade de mudança em direção ao aperfeiçoamento, diminuindo a ganância e aumentando a cooperação.

A distância física, entre pessoas que deveriam estar afetivamente próximas e vinculadas, imposta como regra básica para não ser atingido mortalmente pelo inimigo, possibilita a evolução na percepção da importância do encontro e do afeto. 

A guerra contra o coronavírus é uma oportunidade para percebermos que a verdadeira guerra é entre o pensamento individualista, egoísta, do estado mínimo e o pensamento social que defende a coletividade, a vida acima do lucro, que as instituições públicas devem cuidar das pessoas, que a todos esteja assegurando o básico para viveremos com dignidade.



“O valor da ciência não deve ser questionado, mas para fortalecer nosso cotidiano, nos ajudar a levantar da cama com esperança de algo melhor, para sermos melhores com o próximo, para levantar a cada queda e para superar crises de depressão, precisamos de algo além da razão… precisamos de fé. A fé não pode ser racionalizada, tem de ser experenciada. Temos que acreditar que vai dar certo, mesmo que não entendamos o processo ou direção.  (Eliane Taines Bodah)

Jornalistas de todos os dias

Não basta ser jornalista, tem que ser contra o racismo,
contra o machismo, contra a homofobia, contra o colonialismo.
Tem que ser defensor dos direitos humanos e defensor do povo.


No dia 07 de abril é o Dia dos Jornalistas. Mas, jornalistas, somos todos os dias e o tempo todo.

Há pouco mais de um ano, decidi dar uma pausa na atuação profissional para me dedicar à minha formação. Ainda assim, o jornalismo pulsa em mim, é parte fundamental do que eu sou e de como vejo o mundo.

Jornalista não é uma profissão isenta de culpas e imparcial, por certo. É claro o papel que a mídia e os jornalistas desempenharam, pelo bem ou pelo mal, para que chegássemos aonde estamos, no que se refere à situação política e social do Brasil.

Eu, que sempre acreditei no jornalismo como uma ferramenta de mudança social, me decepciono cada vez que o vejo sendo utilizado para a manutenção de um bloco do poder que perpetua o racismo, o machismo, o colonialismo e tantos outros problemas que estão na estrutura da sociedade.

O jornalismo (e o jornalista) não deve ser romantizado. Aprendi isso pela dor de ver muitos comunicadores prestando desserviços para a sociedade, apresentando opiniões cheias de preconceito, escrevendo manchetes e matérias que culpabilizam as vítimas em casos de estupro, que condenam pessoas pobres, negras e periféricas quando para a justiça são suspeitos.

A linguagem tem poder. Não são apenas palavras.

Ainda assim, acredito que a comunicação livre é um dos pilares da democracia e que o jornalista cumpre papel fundamental nesse processo – por mais que ainda não tenhamos experimentado uma democracia estável no Brasil. Só uma imprensa livre é capaz de garantir que a máxima “poder do povo” seja minimamente efetiva, longe de manipulações.

Em meio a uma pandemia do COVID -19, ver os jornalistas na linha de frente, correndo riscos, sendo atacados pelo (des)governo e pelo protótipo totalmente errado de presidente que temos, e ainda assim mantendo-se firmes na missão de informar a real situação da crise, me faz sentir orgulho da profissão.



“As ruas precisam continuar vazias para que os jornalistas continuem trabalhando por vocês”.

Ver o crescimento dos veículos independentes e a sua luta diária na construção de uma outra narrativa, na produção de um jornalismo contra hegemônico, me faz ter esperança na profissão. É nesse jornalismo que eu acredito e é esse jornalismo que eu quero ajudar a construir.

Rendo homenagem aos jornalistas que fazem jus ao importante papel que assumem. Mas é necessário lembrar: não basta ser jornalista, tem que ser contra o racismo, contra o machismo, contra a homofobia, contra o colonialismo. Tem que ser defensor dos direitos humanos e defensor do povo.



“Hoje, os melhores textos do jornalismo de fôlego, das grandes reportagens, são de mulheres. E a melhor coisa no jornalismo é o “excesso” de mulheres, que fazem hoje o que a repórter Celia Ribeiro já fazia nos anos 60 e 70. Elas já são maioria nas redações”. (Moisés Mendes)

Fragmentos de espiritualidade em tempos de pandemia

Que significa colocar-se nas mãos de Deus?
Significa muita coisa, menos transferir
para Ele aquilo que devemos fazer com
nossas próprias mãos, nossos meios e nossas forças.

A história humana, ao longo dos séculos, encontra-se pontilhada de epidemias e pandemias. A peste negra e a gripe espanhola figuram entre as mais conhecidas e letais. O livro A peste de Albert Camus representa um quadro aproximativo de uma cidade golpeada e isolada por esses inimigos invisíveis e, por isso mesmo, mais perigosos e difíceis de combater.

Que ensinamentos espirituais podem nos trazer esses períodos dramáticos de isolamento, deserto e quarentena? O que podemos aprender de tais experiências-limite e trágicas? Como dar-se conta que, atrás das nuvens sombrias, o sol segue seu percurso? Três aspectos ganham grande relevância: a) somos todos frágeis e iguais; b) necessitamos uns dos outros e c) estamos todos nas mãos de Deus.



“A maioria dos cristãos acredita no poder mágico e extraordinário que vem do poder de Deus sobre a nossa frágil condição humana. Nesta perspectiva, o milagre sempre é um fenômeno externo à vida da gente. A gente pede, implora e se Deus não atende, a gente xinga, a gente esbraveja Deus porque Ele não nos atendeu. Parece que o milagre é só de Deus e a gente fica na passividade de ser apenas seu beneficiário. Isso, talvez, explique porque há tanta gente que está brigada com Deus”. (Nei Alberto Pies)

Somos todos frágeis e iguais. Entre os animais, o ser humano, ao nascer, é aquele que apresenta maior grau de fragilidade. De início, demora meses para caminhar com as próprias pernas, para comunicar-se com os demais e para alimentar-se por si só. Somente por ocasião da adolescência e da juventude, começará a adquirir uma certa autonomia em relação aos progenitores e à casa em que veio ao mundo.

Para suprir semelhantes carências e lacunas, recebemos do Criador razão, inteligência e imaginação, incomuns no conjunto do reino animal. Daí a criação de utensílios, ferramentas e instrumentos que, de certa forma, ampliam seus braços, pernas poder de visão e audição, conferindo-lhe uma superioridade inquestionável.

Paradoxalmente, a própria fragilidade humana conduziu sua trajetória a uma série de inventos, de descobertas e a um conhecimento sem igual. Nascem a ciência, a tecnologia e o progresso, juntamente com uma inédita capacidade de adaptação.

Se os demais seres vivos nascem já “prontos, completos” e encontram um ambiente a eles adequado, o ser humano é chamado a superar-se a cada obstáculo, a ser sujeito de seu crescimento e construir um entorno propício ao próprio desenvolvimento. Certo, tal capacidade tem levado, não raro, e continua levando, a um poder e domínio absoluto, avassalador, sobre a natureza e a história, chegando muitas vezes à depredação, à devastação e à sujeição não apenas de outras espécies de animais, mas também de seus próprios semelhantes. É o lado negativo de um saber mal utilizado, ou utilizado para interesses escusos, desfigurado em seus fins.

De qualquer forma, fica a lição de que a fragilidade humana e as carências iniciais constituem um convite à humildade, ao aprendizado e a um desenvolvimento que só termina com a morte.

A incompletude humana traz embutida sua criatividade, e esta emerge com força diante das adversidades. Estiagens, inundações, epidemias e outras catástrofes costumam ser terreno fértil para a inteligência, a imaginação e a solidariedade. As potencialidades no ato de unificar-se, superar-se e desenvolver-se permanecem latentes na condição humana. E podem decidir por alternativas inovadoras e insuspeitáveis no curso da história. Certo, novamente aqui, forças semelhantes têm desencadeado fatores perniciosos, tais como tensões e conflitos, opressão e exploração, violência e guerra – mas, como diz a canção, sempre resta a possibilidade de “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”.

Necessitamos uns dos outros. Além da humildade, da abertura ao aprendizado e da faculdade de união, a fragilidade tende a aproximar os seres humanos.

Nos momentos difíceis, experiências-limite da existência – doença, separação, morte, desemprego, amor não correspondido – cada um de nós pode ajudar os demais a carregarem a sua cruz.

Mas a própria cruz, ninguém a pode carregar sozinho. Até mesmo Jesus, como dizem os relatos evangélicos, teve a ajuda de Simão Cirineu para chegar com o lenho ao lugar da execução. Neste caso, cabe uma máxima: quando mais profundamente conhecermos a nós mesmos e às nossas debilidades e fraquezas, mais estaremos abertos à compreensão frente às debilidades e fraquezas dos outros.

Abertos, prontos e disponíveis à solidariedade. Surge então o outro lado das relações humanas: o conhecimento recíproco da fragilidade, na condição humana, leva por uma parte à sair de si mesmo e prontificar-se a ajudar quem tem a vida mais ameaçada; por outra parte, prepara-nos para receber com devida humildade a ajuda do próximo. Quebra-se assim a autossuficiência, a arrogância que habitam tão perto do saber, do poder e do domínio.

O autoconhecimento abre o horizonte para um conhecimento mais amplo sobre o ser humano e a sociedade. De fato, quem de nós já não passou por uma experiência-limite? Momento difícil e extremo em que chegamos a dizer no íntimo de nós mesmo: “Senhor, até aqui eu vim, arrastei-me com todas as minhas forças, mas agora não posso mais, carrega-me com teus braços potentes”! Não, Deus não vai carregar ninguém! Mas sua graça é capaz de derreter os corações empedernidos, para que possam deixar de lado o orgulho e buscar ajuda. O Senhor, sem dizer uma palavra, indicará seus anjos que nos carregarão sobre suas asas. E semelhantes anjos, com muita frequência, estão do nosso lado: um familiar, um amigo, um companheiro, um conhecido ou desconhecido – como no caso do Bom Samaritano. O desafio é superar a tolerância pelo cuidado uns com os outros.

Importante nesse caso é falar, gritar, pedir socorro! Muita gente está sempre disposta a socorrer os outros, mas se isola e se cala quando a tempestade bate à própria porta. Um certo orgulho impede de abrir o coração e a alma, na tentativa de buscar socorro.

Vale aqui outra máxima: quem fala, grita e pede socorro, tende a salvar-se. A psicologia ensina que o próprio ato de verbalizar o que se sente é já uma forma de afastar os fantasmas que nos perseguem e assustam.

Falar sobre as nuvens sombrias que cobrem o céu individual, é uma forma de desvanecê-las e abrir espaço para um raio de sol, um raio por menor que seja. Depois, aqueles que não falam, não gritam e não pedem socorro, tendem a afogar-se no próprio veneno. A dor, seja ela qual for, quando atinge o pico do desespero, torna-se cega, não permite um raciocínio lógico. Daí a necessidade de buscar alguém como referência de compreensão e ajuda.



Quem fala se liberta e quem escuta permite a si mesmo e aos outros que o mundo e as consciências se alarguem, permitindo que aconteça o que é a maior busca de todos: a felicidade e a realização. (Nei Alberto Pies)

Estamos todos nas mãos de Deus. Iguais na carência e na fragilidade, aos poucos nos damos conta que necessitamos contar com os demais, estender as mãos e deixar que essas se estendam sobre nós mesmos.

Mas tudo ganha um sentido mais profundo quando descobrimos que o Criador, origem do universo, de todos os seres vivos e de todos os seres humanos, ao tornar-se nosso Pai comum, tornou-nos igualmente irmãos e irmãs. É o que rezamos na oração do Pai-nosso, transmitida pelo próprio Jesus. Na primeira parte, o olhar vertical para Deus, seu nome, sua vontade, seu reino; na segunda parte, um olhar horizontal para o próximo, o pão de cada dia, as relações de perdão, os perigos da tentação. Conclui-se que quem reza “Pai-nosso”, não pode rezar “pão meu”. Se o Pai é nosso, o pão também deve sê-lo. E pão aqui, simbolicamente, indica tudo o que o ser humano necessita para manter-se de pé e com a devida dignidade. Ou seja, pão em sentido ampliado é sinônimo de terra, trabalho, teto, salário justo, segurança, educação, saúde direitos respeitados, relações de amizade e solidariedade.

Tudo isso ganha maior relevância quando uma catástrofe se abate sobre a pessoa, a família, um grupo, um povo, uma cidade, um país… E com maior razão quando se abate sobre o mundo inteiro, como é o caso da pandemia do Covid-19.

Que significa colocar-se nas mãos de Deus? Significa muita coisa, menos transferir para Ele aquilo que devemos fazer com nossas próprias mãos, nossos meios e nossas forças.

Convém deter-se numa terceira máxima: a oração não modifica nossos males e problemas, modifica nossa maneira de encará-los. Em outras palavras, Deus não vai resolver aquilo que compete às autoridades sanitárias, aos governos, às instâncias e organismos internacionais e a todos nós, cada qual na sua esfera.

No silêncio da oração, o Pai vai confortar os ouvidos cheios de vírus e ruídos com palavras silenciosas de luz e paz e serenidade; vai aquecer o coração com a chama invisível de seu amor sempre fiel e presente; vai inundar a alma ressequida com a água viva que vem da fonte de sua infinita misericórdia.

Numa palavra, a oração vai fortalecer nosso íntimo com a força da fé e da esperança, armadura que nos torna capazes de seguir adiante na certeza de que o sol brilha apesar das nuvens. “Quando sou fraco é então que sou forte” diz Paulo. Noite e tempestade não duram para sempre e, o final, tornamo-nos mais próximos, fraternos e solidários.



Sugestões de uma prática pedagógica

Esta prática pedagógica pode ser aplicada a estudantes do nono ano do EF (Ensino Fundamental), Unidade Temática “Crenças religiosas e filosofias de vida”, Objeto de conhecimento “Vida e Morte”. Habilidades: valorizar o corpo como instrumento divino/analisar dimensão corpórea dos indivíduos como “instrumento divino” e analisar a influência da tradição cristã na estruturação dos conceitos de vida e morte para a ciência e para a filosofia.

Após leitura do texto, propor o aprofundamento do tema, através da interpretação do texto, com as seguintes questões:

  1. A humanidade já passou por diferentes epidemias e pandemias. Que ensinamentos espirituais podem nos trazer esses períodos dramáticos de isolamento, deserto e quarentena?
  2. “O autoconhecimento abre o horizonte para um conhecimento mais amplo sobre o ser humano e a sociedade. De fato, quem de nós já não passou por uma experiência-limite de doença ou dor intensa”? Descreva.
  3. A concepção cristã de Deus revela que Ele é a origem do universo, de todos os seres vivos e de todos os seres humanos, que ao tornar-se nosso Pai comum, tornou-nos igualmente irmãos e irmãs. É o que rezamos na oração do Pai-nosso, transmitida pelo próprio Jesus. Qual é o sentido da oração do Pai Nosso?
  4. “A dor, seja ela qual for, quando atinge o pico do desespero, torna-se cega, não permite um raciocínio lógico. Daí a necessidade de buscar alguém como referência de compreensão e ajuda”. Qual é a saída sugerida pelo autor?
  5. Qual é a importância de falar ou pedir socorro quando estamos em situações de sofrimento?
  6. “Nos momentos difíceis, experiências-limite da existência – doença, separação, morte, desemprego, amor não correspondido – cada um de nós pode ajudar os demais a carregarem a sua cruz.” Como poderíamos interpretar este gesto de ajudar os outros nestas situações?
  7. “A oração não modifica nossos males e problemas, modifica nossa maneira de encará-los”. O que você entendeu desta afirmação?
  8. O autor fala de fragmentos de espiritualidade em tempos de pandemia. A que fragmentos ele estava se referindo?

Quem manda em Brasília?

Vejam a que ponto chegamos.
Uma espécie de “golpe branco”,
ao se confirmar o que dizem os analistas.


O episódio da ameaça, não confirmada, de demissão do ministro Mandetta pelo presidente, que alardeou poder dizendo-se ser o dono da caneta, deixou dúvidas ou quase uma certeza; Bolsonaro passou a ser uma figura decorativa!

Todos os indicativos revelam que os comandantes militares, tendo à frente o Gen. Braga Neto, assumiram o comando do governo. Seria Braga Neto uma espécie de eminência parda do governo, como Golbery na ditadura militar? Golbery montou e desmontou a ditadura.




“O primeiro a dar uma resposta foi Luis Nassif, que deu em manchete no seu site: “Acordo das Forças Armadas coloca Braga Netto como `presidente operacional´” O que é isso? Nunca tinha ouvido falar nessa expressão, mas o colega deu detalhes: “Oficialmente, o general de Exército Braga Netto assumiu o comando do governo Bolsonaro em cargo que os meios militares estão chamando de Estado-Maior do Planalto”. (Ricardo Kotscho)
Para mais informações, clique aqui.



Ao que parece será permitido a Bolsonaro dar suas caóticas entrevistas, cercado por um grupo selecionado para aplaudi-lo e agredir a imprensa. Nelas ele fará o que sabe e o que mais gosta de fazer, isto é, inventar teorias conspiratórias, acusar os comunistas, ofender as pessoas e dar demonstrações públicas de sua paranoia.

Vejam a que ponto chegamos. Uma espécie de “golpe branco”, ao se confirmar o que dizem os analistas. Convenhamos, aos olhos do mundo o Brasil, mostra-se como uma nave desgovernada e aquele que haveria de ser o timoneiro está completamente perdido na névoa de sua demência.

Até aqui, recusa-se a entender que sua inépcia põe vidas em risco. Pior. Coloca-se contra todas as evidências da ciência, contra seu ministro da Saúde, contra a OMS, baseando-se nos palpites do lunático Olavo de Carvalho e dos filhos, todos de uma formação científica invejável. Ulala!!

Desde sua posse Bolsonaro é assessorado por um grupo ideológico que nunca escondeu seu sectarismo, medievalismo e ódio. Nada mais perigoso do que a ignorância sincera. O país está cansado de sucessivas truculências e imprudências, atitudes alopradas e irresponsáveis, criminosas mesmo. Enfim, o presidente foi construindo seu próprio isolamento.

Estamos vivendo uma situação social semelhante àquela retratada por Machado de Assis no conto O Alienista, onde há um entra e sai do hospício administrado por um maluco.

Diante deste quadro, mais uma vez as forças que historicamente derrubam presidentes no Brasil, desde o século XX, parecem prontas e cada vez mais dispostas a aplicar os velhos métodos e dispositivos contra Bolsonaro.

É bem verdade que este abriu todos os flancos possíveis. Assim, seu afastamento não será nenhuma surpresa. Ou terá que se resignar a ser transformado numa espécie de Rainha da Inglaterra, que reina, mas não governa. A quem diga que o papel ideal seria o de bobo da corte!




Deixem de se preocupar com Bolsonaro, que está sob controle dos militares e do Supremo. Preocupem-se com os 33% que ainda apoiam Bolsonaro, não desistem do sujeito e dão sobrevida aos desatinos do pai e dos filhos. Bolsonaro é a expressão desse um terço da população, e não o contrário. Sem eles, Bolsonaro não seria nada. (Moisés Mendes)
Para mais informações, clique aqui.



Foto de Capa: O presidente eleito Jair Bolsonaro, ao lado do general Augusto Heleno, futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional, em cerimônia do aniversário da Brigada de Infantaria Paraquedista, na Vila Militar, no Rio — Foto: Fernanda Rouvenat / G1

O que falta a Bolsonaro?

Na verdade, a competência e o bom senso de Mandetta,
por ser um homem da ciência e sua popularidade,
incomodam uma personalidade como a de Bolsonaro.


O presidente Bolsonaro disse ontem, dia 01 de abril de 2020, em entrevista à uma emissora de rádio que está faltando “humildade” ao ministro da Saúde, Luiz H. Mandetta.

Aí fiquei confabulando com meus fiéis botões. E o que falta ao Presidente? Falta entender, como disse Barack Obama que “tanto na política como na vida, a ignorância não é uma virtude”.

Falta entender que ele escolheu, desde a posse, o confronto sistemático. Apoiou-se num deplorável grupo ideológico saído diretamente da Idade Média que até agora assombra a sociedade civilizada

Falta a percepção que começou muito mal o seu governo. Inventou a Casa Civil mais desajeitada e incompetente da história republicana e criminalizou o exercício da política como uma indefinida “nova política”.

Falta entender que quando do surgimento da desgraça do Covid-19, seguiu seu “patrão” Donald Trump e alinhou-se com sua gente medieval, que com fervor dizimal, nega todo o conhecimento científico e classificou-a como uma histeria e, posteriormente, como uma “gripezinha”.

Falta entender que na área econômica está desorientado. Na verdade, seu governo não sabe como lidar com a situação. Seu ministro da Economia foi educado para que o Estado sirva ao mercado.

Agora que desapareceu a mão invisível, a perturbação é total. Mas não esquecem a quem realmente serve. Basta ver a criminosa insistência em criticar o isolamento defendido por Mandetta.

Falta entender que é um irresponsável, ineficiente e alienado que joga o País na incerteza num momento dramático da vida nacional. Que merece ser interditado para o bem de todos os brasileiros. Os suíços, como seus relógios, foram certeiros no diagnóstico: ele é o idiota mais perigoso do planeta.

Falta-lhe perceber que não têm empatia, humanidade. Procura radicalizar argumentos para uma fração minoritária da sociedade que permanece ao seu lado. Mostra-se, exacerbado, egoísta, obsceno ao colocar os interesses econômicos acima da vida.

Falta perceber que está agindo como um necropolítico (“aquele que tem o poder de definir quem importa, quem é ‘descartável’ e quem não é”, “quem pode viver e quem deve morrer”, na definição do filósofo camaronês, Achille Mbembe). Agora, na pandemia, sua vocação alimenta-se de ambições reeleitorais e do desejo de agradar aos patrões.

Falta, por último, a percepção que possui alta insensibilidade em relação aos outros, busca sempre o conflito, é muito egocêntrico e nunca se arrepende, sente culpa ou remorso. Sintomas claros de sociopatia!

Portanto, o pecado do ministro da Saúde é mínimo, por faltar-lhe “humildade”. Na verdade, a competência, bom senso, por ser um homem da ciência e sua popularidade, incomodam uma personalidade como a de Bolsonaro.

Fica Mandetta!!!

Confidenciei a meus assustados botões: Terá a combalida rede pública brasileira condições de atender como deveria a esta demanda? Basta lembrar que a Saúde deixou de receber no ano passado 9 bilhões de reais. Assim, nada indica que o novo vírus mudará esse cenário.

Pessoas se isolam, seus direitos, não!

O momento é grave, mas a ameaça grave do vírus não pode atacar,
além das vias respiratórias, também nosso discernimento.
E isto deve nos posicionar no plano dos princípios,
dos processos e dos procedimentos…
enfim, de todos os aspectos implicados.


Vivemos uma grave pandemia no Brasil e no mundo, o que nos obriga ao recolhimento (denominado isolamento social) como uma forma de, solidariamente, preservarmos a vida das pessoas mais vulneráveis a esta doença (pessoas idosas e pessoas com algum tipo de doença crônica).

Esta recomendação médica tem se mostrado a mais eficaz para darmos, ao Sistema de Saúde, a possibilidade de atender as pessoas quando o pico da expansão e disseminação do vírus exigir atendimentos considerados mais sérios (ventilação mecânica e cuidados de tratamento intenso). No entanto, este isolamento social, não significa o “afastamento” dos nossos direitos, os direitos humanos.

Além de praticar o isolamento social, devemos cobrar ações efetivas do Estado para promover o controle sanitário da pandemia e minimamente garantir a sobrevivência dos cidadãos mais desfavorecidos, bem como investir recursos no Sistema Único de Saúde, inclusive garantido o aporte dos bilhões retirados da saúde no ano de 2019.



Distanciamento social, lavar as mãos frequentemente, capacidade de fazer testes massivos de diagnóstico e isolamento dos infectados: as recomendações para deter o avanço do coronavírus são relativamente fáceis. Mas não para 13 milhões de pessoas que vivem nas favelas do Brasil: com uma alta densidade demográfica, serviços básicos — como água e luz — deficientes e, muitas vezes, sem nenhum sistema de esgoto. Leia mais aqui.



Para salvaguardar os direitos, preservam-se os serviços essenciais para a manutenção da vida, da saúde e da circulação dos alimentos e insumos indispensáveis para manter a vida e a sociedade funcionando, em condições que garantam a sobrevivência de todos.

Os direitos continuam exigindo todas condições para preservar a dignidade humana, este conceito difícil de ser definido, mas facilmente percebido quando ausente na vida de cada um e de todos os seres humanos.


Economia e saúde pública

Neste contexto, colocam-se em disputa ideológica a manutenção da economia e a preservação da vida. O que é mais importante?  A economia é também uma questão de saúde pública?

Todos sabemos que as condições materiais tem papel importante na qualidade de vida de todos nós. Geralmente, esta preocupação é levantada pelos cientistas sociais, que denunciam e reclamam por condições e dignidade humana para todos, sem distinção. Estranha que agora, esta verdade dos cientistas sociais vem sendo largamente utilizada por muitos outros especialistas para flexibilizar o “isolamento social” e retomar o aquecimento da economia.

O que mudou? Estamos vivenciando uma nova forma de interpretar a realidade ou estamos novamente diante de um oportunismo momentâneo para justificar a supremacia da economia sobre a vida humana?

Paulo César Carbonari, coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), argumenta que

“não faz o menor sentido estabelecer relação entre saúde e economia que não seja conjuntiva. Não há espaço para disjuntivas ou condicionais. O que está acima de tudo é a vida, como todo (zoe e bios, nua e qualificada), para todos/as e em abundância, ainda que num contexto de algo risco. Ela preside toda ação e toda decisão. Toda postura distinta será necrófila e ensejará necroética, necropolitica, necroeconomia. A vida não tem valor, é condição de todo valor e determinante de todas as medidas de saúde, de economia, políticas, éticas, … A própria morte há que ser em dignidade. O momento é grave, mas a ameaça grave do vírus não pode atacar além das vias respiratórias também nosso discernimento. E isto deve nos posicionar no plano dos princípios, dos processos e dos procedimentos… enfim, de todos os aspectos implicados. Sempre há uma saída, ainda que difícil e custosa. Longe deste momento soluções orientadas pelo “cálculo do suportável” tão invocado pelos ultraneoliberais (ultimamente em baixa) ou a “redução de danos” como sugerem “humanistas” pouco humanistas”.

A filósofa e professora universitária Cecília Pires, também fala sobre o assunto, afirmando que

“as nossas relações sociais se estabelecem em vários vínculos, que construimos, sendo um deles o vínculo econômico, em determinado momento, pelas relações de mercado. Assim pensando as coisas relacionadas, pois tudo está ligado, a economia, como a saúde e a educação e tudo o mais devem estar no mesmo patamar de importância na vida humana. O problema é quando se estruturam gavetas para guardar setores da vida, como se guardam objetos. Muito mal! Perde-se com isso a visão de totalidade, em que tudo está vinculado a tudo, no processo da vida”.

Júlio Perez, auditor fiscal, lembra que

“cabe ao Estado fazer essa mediação entre a saúde e a economia usando do seu poder, em última instância, de ser o fiador dos meios de pagamento, qual seja, da moeda, priorizando naturalmente a saúde, dentro de parâmetros técnicos para que este afastamento da sociedade das atividades econômicas durem o menos possível. Afinal, sem vida, não há economia”.

O historiador José Ernani de Almeida lembra, neste contexto, que leu recentemente uma manifestação de um espanhol de nome Pedro Vallin:

“Acreditávamos que o medo da morte convertia ateus em crentes, mas, na verdade, converteu os neoliberais em keynesianos”. Sem dúvida, o mundo não será mais o mesmo depois do novo coronavirus. A economia não será mais a mesma, com certeza. Acredito que planos estatais, como o New Deal nos anos 30 do século passado, que criou o programa de intervenção estatal mais ambicioso de todos os tempos – com investimento público, proteção aos pobres, impostos progressivos, segurança social, negociação coletiva, serão necessários. É bom lembrar à direita histérica que o New Deal não foi nenhum programa comunista, ele representou uma profunda transformação democrática. Foi naquele momento nos EUA que de certa forma, nasceu o que hoje chamamos de Estado do Bem Estar Social.

Francisco Carles Xavier, advogado, contribui com este debate afirmando que

“o momento requer equilíbrio nas decisões, não só governamentais. Pelo jeito, tanto na saúde como na economia, o dever de casa não estava sendo bem feito. Então o negócio é: primeiro, cuidar das pessoas, não podemos correr o risco de precisar de toda a rede de saúde – médicos, enfermeiros, hospitais, insumos, etc – e não dispormos (morrer na fila); segundo e concomitante: começarmos, todos nós, empresas, instituições e cidadãos, a programar a retomada de todos setores da economia, afinal, ela depende de nós.“

Pelo que podemos concluir, a vida humana é a condição para salvaguardarmos a existência planetária e a economia depende mais das pessoas do que as pessoas da economia.


Desqualificar, não. Politizar, sim

Desde o início da pandemia no Brasil, o combate ao novo Coronavirus vem sendo desqualificado do ponto de vista da política. O presidente Bolsonaro, contrariando orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde), vem travando uma luta política desqualificada, tentando jogar responsabilidades que seu governo não consegue assumir para outros entes, sejam eles os governadores dos estados, os prefeitos e parte da população que aceita as recomendações médicas e pratica o “isolamento social”.

Desqualificar a condução política do combate à pandemia e fazer jogo político para apontar culpados, não assumir as responsabilidades devidas a cada ente federado, é fazer o jogo de “uns contra os outros”. Fazer desobediência individual propositada de regras que o próprio governo assume como ordenamento para todos. A pandemia do COVID-19 mostra que pode afetar distintas classes sociais e não escolhe a quem vai infectar (embora, como apontamos acima, os mais pobres e os moradores da favela poderão ser os que sofrerão mais).

Politizar o combate ao COVID -19, por outro lado, é fazer a defesa do SUS (Sistema Único de Saúde), é cobrar as responsabilidades de todos os envolvidos nas diferentes instâncias de poder e decisão.

 É apontar e exigir que as decisões tomadas sejam de interesse comum, preservem a saúde, a vida e a dignidade de todos, principalmente daqueles aos quais a nova doença pode ser mais letal. É apoiar e ser solidário ao trabalho dos profissionais da medicina e dos demais trabalhadores que não podem parar para que a vida em sociedade permaneça garantida.

 É também exercer solidariedade ética, pensando na proteção de todos. É participar de iniciativas solidárias para minimizar os efeitos da crise econômica que leva à fome e falta de condições mínimas de sobrevivência. É cobrar que o Estado Brasileiro se responsabilize em propiciar renda mínima suficiente para que as pessoas possam ter suas necessidades básicas atendidas.

Empresária Luiza Trajano, presidente da Magalu, defende o SUS dizendo que é o que de melhor existe no mundo. Iniciativas privadas e governo devem injetar recursos, com foco no social. Leia mais aqui.

Neste momento, as decisões que serão tomadas no Brasil interessam a todos os brasileiros e brasileiras. Por isso, a política exerce papel fundamental, justamente porque opera com escolhas e com prioridades.

Há, ainda, outro elemento a ser considerado. Embora, neste momento da pandemia, os cientistas e médicos tenham de ser ouvidos com muita atenção, a ciência e a medicina não podem ficar apartadas dos critérios da política e da ética.

Como é possível conciliar liberdade da ciência, equidade social e dignidade dos seres humanos? Prevalecerão tais tendências neste século XXI? Veja mais aqui.

Por fim, apontamos a necessidade de uma Solidariedade ética mundial para superarmos de forma humanitária o enfrentamento à pandemia do COVID-19. Atitudes egoístas, pessoais de cada um e de governantes, são exemplos do quanto ainda não entendemos que se trata de que a própria sobrevivência da própria humanidade corre riscos. Como ensina o poeta e música Gonzaguinha, “E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. E é tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho, por mais que pense estar”.

Noção de humanidade é o que não pode nos faltar! Com política séria, com discernimento, sabedoria e com cuidados e com aprendizagens diárias, individuais e coletivas, haveremos de fazer mais esta travessia. Como chegaremos do lado de lá?

Como sugere Paulo Carbonari, o meio da travessia, o momento em que estamos vivendo agora, é o indicador de como chegaremos do outro lado da margem. Este indicador está sendo construído agora, nas ações e nas decisões que tomamos, individual e coletivamente!

Nota de falecimento

A pressa se apressa cada vez mais. Viramos presas fáceis de uma pressa difícil. Eu li nos jornais. Artifício. Artificiais.

Alguém, de súbito, pergunta:

– Para onde vamos com tanta pressa?

Um silêncio abismal ecoa, de apressado em apressado.

Não estão livres. Estão prensados, formatados, compactados, estressados demais.

– Alguém sabe para onde estamos indo?

– Segue, meu caro, segue logo, é preciso ir. Não há tempo para questionar.

Continuam nessa, seguindo a pressa. Apressados, passados, ultrapassados pelos que vem logo atrás com pressa ainda maior. A pressa pressiona, não deixa parar.

Reuniões infinitas. Decisões proféticas. Mas eis que é preciso fazer. Não precisa cumprir o acordo. Tudo flui! O planejamento obstrui. Cada um faz como quer. Depois, todos reclamam e apontam os erros de cada um. Outra reunião. Outra decisão. Fechou a porta. Não importa, pode abrir se quiser.

Viva a democracia. Orgia involuntária. Burocratas, tecnocratas, psicopatas! Um bando de patas batendo lata vazia. O que fazer todo mundo sabe, mas ninguém sequer fazia. ‘Homo Faber.’ Fobia de não fazer.

– Segue companheiro! Anda logo, vai ligeiro. Olha a pressa que te espia pela fresta do banheiro. O que era público virou ‘privada’!

– Hei! Alguém me responda? Isso é uma piada.

– Segue a onda camarada. A vida hoje é assim, corrida. Não há tempo para parada. Segue, segue, segue, próxima saída.

E lá se vai, parece rápido, mas está num jegue.

Segue, segue, segue…. Não importa o que se persegue.

-‘Êita diabo doido’ essa vida perseguida.

A correria empurra o dia. A noite é um açoite: tempo demais para parar.

Levanta, vai para sala, faz planilhas, arruma a mala, corre para o aeroporto.

– Está morto?

– Ainda não.

– Que bom. Manda continuar.

E lá vai o apressado. Volta estressado.

– Pera aí, perdi o celular. Para tudo, acabou-se o mundo. Não, não. Está tranquilo, coloquei para recarregar. Liga no outro ou manda WhatsApp, chama no Skype, SMS, até parece que não sabe usar? Vê se me esquece, preciso andar. Não grite, marca reunião no Meet e deixa estar.

– Acabei de ‘curtir’. Li no ‘Face’. Publiquei no ‘My space’. Não tem tempo para ler? Vai no ‘Twitter’, resumi para você! Cento e quarenta caracteres! Cadê meus alteres? Preciso malhar.

– Morreu? Faz quanto tempo já?

– Pelo jeito sim. Faz quinze minutos que não curte nem compartilha.

– E o trabalho?

– Nem me fale. Sobra tempo para nada mais. Essa vida está muito apressada. Capitalismo selvagem. Matilha! Sai para lá Satanás! Vadiagem aqui não cabe mais.

– É, virou malandragem. Real ou virtual, tudo tão oculto na sempre visível ‘time line’.

– Então, morreu mesmo?

– Está ‘off line’. Então, morreu.

– Vai no velório? Eu não posso, estou com pressa.

– Pois é, nem eu!



Sem a pretensão de esgotar o assunto, enquanto a técnica se desvincular da ciência humana, estaremos em um mundo que evolui caminhando a passos largos para a desumanização. Essa “rede de relações”, esse emaranhado de nós e fios que formam a sociedade complexa, precisa se converter em ferramenta para a educação dos afetos, para a potencialização da compaixão, para a vivência da solidariedade.

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