É bom acordar todo dia e saber que encontraremos jovens com tanta energia e sonhos. Vemo-nos neles. Somos eles.
Era
um sonho grandioso ser professor. Fazer faculdade, então muito mais. Mudar o
mundo estava nos planos. Contribuir positivamente na vida de jovens tornava uma
realização profunda. Para quem veio de família pobre o esforço movia o
impossível. Impossível? Sim. Olhando para trás percebo que ele não existe para
quem tem na mente objetivo.
Ser
professor já sou há 25 anos. Transformei o mundo? Depende do ponto de vista e
do “mundo” que falamos.
O
mundo e transformado pelas pessoas e aqueles que conviveram comigo, esses anos
todos, levam grandes boas experiências que se deram através da linguagem. Mas
nisso tudo, a transformação maior se deu dentro do meu eu, do meu coração. Me
tornei alguém realizado. Feliz. A transformação se deu muito mais pra mim. Sou
um ser humano melhor. E me renovo a cada dia com o convívio com jovens.
Estamos sufocados. O governo nos sufoca. A desvalorização profissional corrói a esperança. Muitas vezes, ela esta na calçada da vida, quase sem vida. O salário que não vem.
Os
governos que não priorizam a educação. Estamos por mais de 5 anos sem nenhum centavo
de reajuste. Não temos dinheiro para nos manter. Suprir o mínimo da família.
Com toda essa avalanche de negatividade, como revitalizar o sonho a cada dia?
As
únicas pílulas que estamos tomando para não morrer a míngua vêm do retorno de
nossos alunos e alunas, como nos exemplos que seguem.
Por onde começar?
Como
eu sempre falei, as aulas dele me lembram o filme “Sociedade dos poetas mortos“, por serem aulas dinâmicas,
divertidas e que inspiram, fazem despertar o talento que cada um tem dentro de
si. São aulas que podemos cantar, dançar, recitar poemas, atuar…
Fizemos
Invasões Culturais, e aprendemos
muito com isso. Levamos cultura em outras escolas.
Aprendemos com ele, que as aulas não precisam ser como nós estávamos acostumados, podemos aprender também, de maneira divertida e que todos participem.
Émerson Ryan da Silva – 208
Meu nome é Vitória
Carolina. Tenho 16 anos e participar das Invasões
Culturais foi a melhor coisa que o ensino médio me proporcionou. Eu tenho
muito que agradecer ao professor Laércio por ter me dado essa oportunidade, de
poder levar arte a juventude, e
encontrar a arte em mim. Na primeira vez estávamos ansiosos, aflitos,
envergonhados. Depois de ver o encanto nos olhos de cada um, a magia do momento
em recitar poesias famosas e nos encontrarmos nos versos, tudo fluiu
perfeitamente.
Não era algo forçado, e
mesmo tendo um pouco de cansaço físico, nada superava os aplausos no final do
espetáculo. A arte engloba tudo. Podemos sentir isso na pele. A amizade
aflorava, quando decorávamos o poema do colega, e assim ajudava-o a ensaiar um
pouco antes. Quando olhávamos uns para os outros e dizíamos, “você está
incrível!”.
As parcerias na
apresentação firmaram vínculos profundos, e mesmo que se passe 20 anos, ainda
saberemos recitar, cada um a sua parte, no seu devido tempo. Ter a nossa turma
como escolhida para esse projeto foi um privilégio e tanto. Nunca vamos nos
esquecer desses dias incríveis, e das palavras amorosas, encorajadoras e de
orgulho do nosso querido professor. Isso com certeza é algo que levaremos para
a vida.
Vitória Carolina Machado dos Santos – 208
Meu nome é Gabriel Andara
da Silva, sou aluno do professor Laercio Fernandes dos Santos e participei do
trabalho de Português e Literatura, a Invasão
Cultural. Eu gostei muito de participar e levar poesia e música para jovens
e alunos de outras escolas e do próprio Instituto Estadual Cecy Leite Costa.
Foi muito gratificante levar essa experiência a outros jovens que nunca tiveram
ela antes.
Gabriel Andara da Silva
Não bastasse isso, conto um fato. Um
dia desses fui para uma consulta de rotina num determinado hospital e já estava
saindo da consulta quando fui abordado por uma enfermeira me dizendo: “Oi
professor, parabéns pelo trabalho que desenvolve na escola”. Eu olhei bem para
ela e perguntei: “Mas de onde mesmo eu te conheço”? Ela com um sorriso largo de
lado a lado e me respondeu que eu tinha dado aula pra ela numa instituição de
ensino superior e que ela tinha tido uma experiência fantástica com as minhas
aulas.
Em
seguida, ela me acompanhou até a recepção e dirigindo-se para as funcionárias
dizendo: “Gente! Essa é o melhor professor de Passo Fundo! Ele declama, conta
história, faz teatro e até apresentou um programa de televisão”.
Assista programa de TV apresentado por Laércio Fernandes dos Santos.
Por isso tudo, que o sonho não morre, porque ele é alimentado por injeções que nos impulsionam todo dia. São pelos alunos que fizemos. São por eles que renovamos a esperança. São por eles que acreditamos.
Quando
o sonho está corroído, estraçalhado são eles que juntam os pedaços e
cuidadosamente recolocam. É bom acordar todo dia e saber que encontraremos
jovens com tanta energia e sonhos. Vemo-nos neles. Somos eles. É bom acordar e
saber que na escola temos uma direção que nos apoia que nos entende, que nos
ampara. Caso contrário, ou por outros motivos o sonho de educador do início
estaria desfeito.
Para surpresa de todos, pelo menos das pessoas civilizadas, as jovens passaram a ser atacadas em nossas redes sociais pelas já conhecidas hordas de bárbaros.
A sociedade mundial
vem se mostrando
imprevidente e cega diante dos
alertas de cientistas
(97% deles) sobre o claro e
evidente processo de aquecimento do planeta, fruto da ação
humana.
Nenhuma pessoa
responsável pode concordar que
podemos simplesmente continuar destruindo florestas e
a lançar carbono no
ar. Prevenir a mudança
climática é uma
ideia cuja hora chegou . A negação do problema por companhias energéticas, governantes irresponsáveis
e pela direita política beira a insanidade.
Igualmente, precisamos
fugir do discurso catastrófico adotado pela
esquerda justiceira climática. O planeta
é de
todos e isto exige responsabilidade compartilhada e a
busca por soluções a curto prazo.
Cientistas alertam que mesmo
se as emissões de gases
de efeito estufa
caírem pela metade até
2050 e forem zeradas até
2075, o mundo ainda estará a
caminho de um aquecimento
arriscado, pois o CO2 já emitido permanecerá na atmosfera por muito tempo. Não basta, portanto, parar de espessar a estufa; em algum momento, precisaremos desmontá-la.
Diante deste preocupante
quadro, de forma alentadora, jovens
adolescentes surgem para
dar lições aos
adultos. Lilly Platt, uma holandesa de apenas 11 anos, ganhou destaque mundial ao
alertar para a devastação
em curso na Amazônia.
Greta Thunberg, uma sueca
de 16 anos, discursou na abertura
da Cúpula do Clima
na ONU, transformando-se em
símbolo e imagem do protesto mundial contra o tratamento que a natureza
vem recebendo.
“Vocês roubaram meus sonhos e infância”, diz Greta Thunberg na ONU
Para surpresa de todos, pelo menos das pessoas civilizadas, as jovens passaram a ser atacadas em nossas redes sociais pelas já conhecidas hordas de bárbaros. Imagens pornográficas e até ameaças foram postadas.
O candidato a embaixador
em Washington, Eduardo Bolsonaro, compartilhou com sua
malta uma foto em que
Greta aparece almoçando
em um trem enquanto é
observada por crianças africanas
famintas do lado de fora.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) compartilhou no Twitter, na noite desta quarta-feira (25), uma foto montagem da ativista ambiental Greta Thunberg, de 16 anos. Na imagem, a jovem aparece tomando café em uma cabine de trem, enquanto crianças supostamente pobres a observam da janela. Veja mais aqui.
Uma imagem mal intencionada, covarde, além, de ser falsa. O indivíduo não perde o hábito de viver de fakes. Diante de uma questão tão delicada e importante, esta foi a reação do candidato a embaixador nos EUA. Uau!!
Deixando de lado a
típica parvoíce dos Bolsonaros, gostaria de dividir com meus leitores o que
afirma o cientista cognitivo Steven Pinker, em seu livro O Novo Iluminismo.
Ele mostra-se preocupado com a situação do clima mundial mas,
igualmente, revela-se um “otimista condicional”.
Segundo ele “problemas
são solucionáveis. Isso não
significa que se resolverão por si mesmos, mas significa
que podemos resolvê-los se
sustentarmos as forças
benéficas da modernidade que nos permitiram resolver problemas
até agora, entre elas a
governança internacional e
investimentos em ciência e tecnologia”.
Concordo. Também acredito que a humanidade não está caminhando de forma irrevogável para o suicídio
ecológico. Mas não podemos abusar
e ignorar os alertas dos cientistas.
A verdade, é que
os últimos quatro anos (2015 a 2018) foram os mais
quentes da história, conforme a Organização
Metereológica Mundial. Já a Amazônia
corre o risco de “savanização”, ou seja,
de substituição da selva por
vegetação rasteira, alerta Carlos
Nobre, da USP, um dos maiores climatologistas do planeta.
Se depender de indivíduos como os
integrantes do clã Bolsonaro e de
seus seguidores fundamentalistas, este é um
processo que não terá mais volta.
Afinal, não podem ouvir falar em
livros, cultura, ciência e meio ambiente que já
empunham seus fuzis.
Fico pasmo ao
constatar como o
homem responde com vingança atroz
a insignificância que a natureza
o reduz.
O que muda é se assumimos compromissos a partir das nossas ações humanas no planeta ou se estamos preocupados somente com o status social que recomenda “dosar” e qualificar nosso consumo como mais sustentável. (Nei Alberto Pies)
Sendo objetivo: floresta preservada vale mais que terra desmatada.
Pensar a Amazônia – equivocadamente
ainda hoje entendida como o “pulmão do mundo”, denominação que bem cabe às
algas marinhas, responsáveis pela produção de 54% do oxigênio do mundo – num contexto
amplo, isto é, sob a esfera política, social, econômica e ecológica, requer, à
primeira vista, que se faça lacônica e generosa reflexão sobre boa parte da
riqueza natural (vastíssima diversidade de fauna e flora) ali existente.
É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente o Brasil, adotem medidas sérias para salvar uma região determinante no equilíbrio ecológico do planeta”, diz o documento da CNBB.
Para início de conversa, estamos falando de uma área de 5,2 milhões de Km2 (61% do Brasil e 14% da população brasileira, 29 milhões de pessoas concentradas em áreas urbanas), incluindo nove estados e 3 importantes e ricos biomas, Amazônia e partes do Cerrado e do Pantanal.
Pensar
o bioma Amazônia, onde está a maior floresta tropical em biodiversidade do
mundo (contemplando 10% de toda a biomassa do planeta), significa observar
com elevada atenção nada menos que 49% do território brasileiro; isso
representa, pasmem, 16 vezes o tamanho do Estado de São Paulo.
Pensar, pois, a maior floresta
tropical do mundo (com 30 mil espécies de plantas e 30 milhões de espécies
animais) significa reconhecer que essa “nossa” especial riqueza é capaz de
levar umidade para toda (vale o
grifo) a América do Sul (abriga-se ali 20% dos recursos hídricos de todo o
planeta), influenciando no regime de chuvas na região e contribuindo para
estabilizar o clima global.
De passagem, urge lembrar que a
floresta funciona como uma bomba de água que abastece a atmosfera com o vapor
que forma as nuvens e mantém as chuvas; e qualquer desregulação
das chuvas, como é fácil notar, impacta diretamente o agronegócio, afetando
assim os destinos do nosso país que tem 90% da agricultura dependente de chuva (apenas 10% das lavouras brasileiras são irrigadas).
É aqui, na maior floresta tropical do
mundo, que se tem o maior e mais volumoso rio, o Amazonas, com extensão de
6.800 km, desbancando assim o Nilo, com 6.695 km e o Yangtzé, com 6.300 km. É
aqui – cumpre frisar sempre que possível – que está também uma das maiores sociodiversidades
culturais do mundo, com diversas etnias e povos não contatados, alguns em
regime de isolamento (107 grupos ao todo).
Detalhe:
estima-se que aproximadamente vivem na região amazônica mais de 460 mil índios,
divididos entre 225 sociedades indígenas, com mais de 180 línguas.
A campanha #PovosDaFloresta é protagonizada por 25 lideranças de nove povos indígenas da Amazônia, comunidades quilombolas do Vale do Ribeira (SP) e ribeirinhas da Terra do Meio, no Pará. Com sua força e beleza, a campanha saúda a diversidade de povos que vive e protege as florestas e lembra que são as florestas que regulam o clima, produzem a chuva para a agricultura e abrigam a maior biodiversidade do planeta, potencial fonte de novos medicamentos e curas.
Há um ponto que não se pode deixar escapar à compreensão: a Amazônia (o ecossistema mais biodiverso da Terra) tem algo de muito especial que, à luz de boa sabedoria, não deixa de surpreender a todos. Não raras vezes, há sempre novas descobertas acontecendo.
Veja-se a propósito que, entre 2010 e 2013,
foram descobertas mais de 400 novas espécies de animais e plantas na região,
aumentando sobremaneira a extrema necessidade de preservar este bioma e toda a
sua biodiversidade (isto é, a exuberância da vida na Terra). Ao longo desse
período mencionado, foram descobertas, ao todo, 258 espécies de plantas, 84 de
peixes, 58 de anfíbios, 22 de répteis, 18 de aves e uma de mamífero, numa surpreendente
média de duas descobertas por semana. Algo que se soma às mais de 1,2 mil novas
espécies de animais e plantas identificadas e listadas pelo conhecimento
científico.
Toda essa riqueza – que não para por
aí – é digna de relevante nota: a Amazônia possui uma série de riquezas
minerais mal exploradas economicamente. São metais como ferro, zinco,
alumínio, nióbio (usado principalmente na produção de ligas
de aço de alta resistência) e ouro que estão presentes no subsolo amazônico em
quantidades variáveis.
Especificamente em relação ao
nióbio, tema que frequentemente ocupa o noticiário nacional, o Brasil possui
98% da reserva global. Somente a reserva de Araxá e Tapira, em Minas Gerais,
com 75% da quantidade disponível, tem material o bastante para mais de 200 anos
de exploração.
E a história
segue: as mais ricas e variadas espécies da Amazônia, cabe destacar, também são
importantes pelo seu uso para produzir medicamentos, alimentos e outros tantos
produtos. São mais de 10 mil espécies de plantas da área que possuem princípios
ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas.
Serve de exemplo: em 2017, pesquisa realizada
pela Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, mostrou que a planta “Unha-de-Gato”,
além de ser utilizada para tratar artrite e osteoartrose (doença
relacionada com a lesão degenerativa da cartilagem articular), ainda reduz a fadiga e melhora a
qualidade de vida de pacientes em estágio avançado de câncer.
Fora isso, produtos típicos da floresta
são comercializados em todo o Brasil, como açaí (90% das exportações dessa
fruta se destinam aos mercados dos EUA e Japão; Alemanha, Bélgica, Reino Unido,
Canadá, França e outros compram os 10% restantes), guaraná (já transformado em
referência cultural), frutas tropicais, palmito, fitoterápicos,
fitocosméticos, couro vegetal, artesanato de capim dourado e artesanato
indígena.
Há ainda produtos não madeireiros que
apresentam elevado valor de exportação: castanha-do-brasil (ou
castanha-do-pará), jarina (o marfim vegetal), rutila e jaborandi (princípios
ativos), pau-rosa (essência de perfume), resinas e óleos, entre outros.
No entanto, vale observar o seguinte:
embora venha se tornando um assunto quase familiar, boa parte dos brasileiros –
algo que deve ser lamentado – ainda desconhece a importância real da Amazônia
para o equilíbrio planetário, bem como os mais sérios problemas e ameaças (desde
a destruição da floresta em si à fragmentação de seus ambientes aquáticos, como a
interrupção e desvio dos cursos dos rios para a construção de barragens e,
notadamente, a prática de desmatamentos criminosos – algo como dois campos de futebol
desmatados a cada minuto) que recaem sobre esse fundamental ecossistema do planeta.
Note-se, ademais, que isso exige
comentários detalhados. De acordo com estudo divulgado pelo Observatório do
Clima, o desmatamento (que representa
hoje a liberação de 200 milhões de toneladas de carbono por ano, 2,2% do fluxo
total global, grifo meu, MEO) vem causando cada vez mais impactos graves na
diversidade de espécies. Estima-se que a Pan-Amazônia (outro grifo meu: entre 2000 e 2017, a Amazônia inteira, e não
apenas a parte brasileira, perdeu 29,5 milhões de hectares de floresta, o
equivalente a área territorial do Equador) já tenha perdido 11% de sua
cobertura.
Criminosamente, isso causou perda de 7%
no habitat das espécies. Para 2050, a projeção com políticas de controle de
desmatamento mostra 21% de redução da floresta (e 19% na diversidade); sem
controle, isso vai a 40% (e 36% de perda de diversidade).
Todo esse
descompasso, como é plausível imaginar, eleva a necessidade de se conhecer em
detalhes o que se passa com a Amazônia para que se procure, na medida do
possível, mitigar todos os impactos possíveis.
A propósito, Vera Maria
Fonseca de Almeida, em artigo escrito especialmente para a Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência (SBPC), alerta que:
O
Brasil não conhece essa Amazônia real, porque sua realidade não é avaliada,
tampouco divulgada. O Brasil, todavia, precisa perceber a Amazônia hoje, não só
como uma paisagem, não como um bioma somente, não só como uma fronteira… A
Amazônia é uma região geográfica deste país comportando as características
vitais de qualquer ambiente ocupado pelo ser humano, quer em sua vertente
urbana, quer em sua vertente rural. Tem vida política, religiosa, comercial,
industrial. Por isso também polui, também invade, também cresce
desordenadamente e sua população sobrevive em favelas nas periferias das
cidades. Nela também há violência como em qualquer outra região do país. Há,
porém, um aspecto que a torna diferente das demais regiões. Essa diferença
resulta tanto de sua configuração geofísica como da história de sua
colonização. Nela, são os rios que imperam e são esses rios os detentores do
ritmo de vida do homem, dos bichos e da própria floresta. Nesse mesmo rio está
o principal meio de comunicação, de locomoção e de subsistência do amazônida.
Falando abertamente, há
considerável desconhecimento de algo bastante representativo que está devidamente provado: a maior
floresta tropical do globo consegue produzir mais riquezas se mantida de pé que
derrubada.
Sendo
objetivo: floresta preservada vale mais que terra desmatada. Há uma boa gama
de ótimos estudos mostrando que os serviços ambientais proporcionados pela
Amazônia – ou serviços ecossistêmicos, como são conhecidos – como regulação do
clima, oferta de água, manutenção da fertilidade do solo e prevenção da erosão,
geram mais recursos econômicos (ganhos) que a substituição da vegetação nativa
por culturas como a soja ou a pecuária.
No entanto, a destruição da Floresta
Amazônica, notadamente em termos de áreas desmatadas, continua sendo prática
comum. São odiosos e inaceitáveis os números conhecidos de destruição em toda a
região: apenas entre agosto de
2017 a julho de 2018, foram derrubadas cerca de 1.185.000.000 (um bilhão,
centro e oitenta e cinco milhões) de árvores.
E repare bem que, depois
de acentuada queda nos registros de desmatamento, caindo de 27,8 mil km² em
2004 para 4.600 km² em 2012, o menor índice da história brasileira (vide gráfico abaixo), dados do INPE, Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais, considerando o período mencionado linhas acima
(ago/17 a jul/18), mostram preocupante aumento de 15% sobre os 12 meses
anteriores. Desde agosto de 2018, a devastação ilegal atinge, em média, 52 hectares
da Amazônia/dia.
O novo problema, porém, é que
dados mais recentes, isto é, dos primeiros 15 dias de maio de 2019, por
exemplo, são os piores no mês em uma década – 19 hectares/h, em média, representando
o dobro do registrado no mesmo período de 2018. O que se sabe é que foram
perdidos oficialmente, em apenas uma quinzena, 6.880 hectares de floresta
preservada na Região Amazônica.
Não bastasse isso, agora os
registros de aumento das queimadas – notadamente de janeiro a agosto de 2019 –
indicam que a tendência de crescimento da destruição da floresta segue em alta.
Até o mês de agosto de 2019, o Brasil registrou – pasmem novamente – 131.327
queimadas florestais, segundo o INPE.
Por fim, dito numa
linguagem modesta, o que precisa ficar claro é o seguinte: todos esses trágicos
acontecimentos terminam evidenciando certa coerência com as promessas do atual
presidente da República de diminuir as políticas de proteção ambiental para
facilitar, em partes e no todo, a exploração econômica da região e de seu
impacto negativo.
E mais: apesar de o atual
mandatário enxergar as críticas internacionais – principalmente as de líderes
políticos do exterior – como uma espécie de complô, algo que em sua distorcida
visão impediria o crescimento do Brasil, a verdade é que, goste-se ou não,
estão em xeque as principais diretrizes ambientais dominantes no país nos
últimos tempos.
Tristes e conturbados tempos.
Tempos trevosos, para ser claro, explícito e definitivo.
Prof. Marcus Eduardo Oliveira Autor dos livros “Economia Destrutiva” (ed. CRV) e “Civilização em desajuste com os limites planetários” (ed. CRV), entre outros. prof.marcuseduardo@bol.com.br
No mês de novembro de 2018, o Centro Municipal dos
Professores de Passo Fundo tornou-se oficialmente o Sindicato dos Professores Municipais
de Passo Fundo. Depois de 30 anos de história, de lutas e conquistas, a tão
sonhada carta sindical foi conseguida através de uma ação impetrada pelo
próprio CMP junto à justiça do trabalho, que teve como resultado a concessão do
importante documento que fez, de fato e de direito, o CMP como o único e
legítimo representante da categoria do magistério municipal.
Muitos foram os questionamentos em relação à
legitimidade e também à utilidade de um sindicato somente dos professores do
município. Entretanto, após alguns meses de funcionamento como sindicato,
podemos apontar algumas questões que justificam o esforço demandado na
construção de uma entidade autônoma, como é o CMP Sindicato.
Disponibilidade
Com a carta sindical, foi possível que três colegas
pudessem ser cedidos ao sindicato para trabalhar exclusivamente pela categoria.
Com isso, melhorou não só o atendimento interno, mas, principalmente, o
atendimento externo, por exemplo, as visitas nas escolas, representação nos
diversos órgãos e fóruns oficiais, além do acompanhamento dos colegas
professores de uma forma individualizada, quando estes nos solicitam.
Dedicação exclusiva à categoria
Hoje, ao contrário da realidade que tínhamos quando
estávamos ligados a outro sindicato, os colegas contam com pessoas que pensam
exclusivamente as questões do magistério, sem dividir seu tempo e energia em
demandas que nada têm a ver com as necessidades dos educadores. Essa nova
dinâmica possibilita melhor desempenho e direcionamento de esforços, mantendo
sempre o foco nas necessidades dos professores.
Processos judiciais
Com a autonomia conquistada, foi possível dar maior
atenção aos processos judiciais e às demandas judiciais pendentes. No último
levantamento feito, o departamento jurídico do CMP SINDICATO informa que já
foram repassados para a categoria o valor aproximado de R$ 600.000,00 a título
de ações ganhas, na justiça, contra a Prefeitura de Passo Fundo. Isso só foi
possível devido à agilidade dos nossos advogados e à possibilidade de
identificar demandas judiciais em potencial.
Garantia do pagamento de 1/3 de férias sobre a
unidocência e sobre os regimes
Essa foi uma importante conquista da entidade, pois
conseguimos solucionar um problema que afetava boa parcela do magistério
municipal. Os professores e professoras terão, a partir de agora, a garantia
dessas verbas todo ano, tendo em vista o acordo feito com o executivo
municipal.
Demandas específicas da categoria
Ter um sindicato próprio possibilita um atendimento
personalizado para tratar de questões específicas da nossa categoria, o que,
muitas vezes, não é possível quando há muitas categorias em um único sindicato.
Um exemplo disso foram as questões do pagamento do regime especial para os
gestores no início do ano e agora, no meio do ano, a regulamentação do recesso
para diretores e coordenadores. Essas e outras questões tiveram êxito em função
da intervenção direta do sindicato, que negociou com a Secretaria Municipal de
Educação obtendo êxito e garantindo questões importantes aos colegas.
Reajustes
Através de mobilizações e negociações, o CMP
Sindicato conseguiu, ao longo dos últimos cinco anos, repassar um percentual
superior a 30% de reajuste ao magistério municipal. Trata-se de um aumento
considerável, tendo em vista a realidade de outras categorias e que foi
conseguido através de mobilização, negociação e, algumas vezes, através de
greves e muita luta da categoria.
Nova sede
Com a disponibilidade de professores, foi possível
oferecer e gerenciar uma nova sede aos professores municipais. Trata-se de um
local mais amplo, com diversos espaços, oferecido para todos os associados que
podem alugar por um valor simbólico o local para festas ou outras atividades. A
sede conta com uma ótima infraestrutura, com salão de festas, dois auditórios e
piscina, que vem sendo usada quase todos os fins de semana e também durante a
semana, quando escolas realizam suas atividades nas dependências do sindicato.
Objetivos para o futuro próximo
O CMP Sindicato é uma entidade forte que cresce a
cada dia. Nos últimos quatro meses, filiamos em torno de 100 novos professores
e, ao mesmo tempo, reduzimos algumas despesas, com o objetivo de ter uma
entidade saudável financeiramente falando. Nosso objetivo, ainda nesta gestão,
é melhorar a qualidade de atendimento nas áreas jurídicas e de saúde do
professor e também iniciar o projeto de aquisição de uma sede própria, que
possa atender adequadamente a todos os nossos associados. São planos
ambiciosos, mas factíveis, desde que possamos contar com o apoio da categoria.
Outrossim, sabemos que existem demandas pendentes e
que aguardam solução. Entre elas, está a questão da devolução dos valores
descontados na paralisação de 2018. Essa questão já foi ajuizada e, brevemente,
teremos um desfecho que acreditamos ser favorável. A outra questão diz respeito
às promoções das professoras da Educação Infantil. Essa, sem dúvida, é uma das
questões mais emblemáticas. O governo municipal parou de promover as colegas da
educação infantil acarretando imensos prejuízos para esse segmento da educação.
Conseguimos, após dias de protestos, arrancar cinco promoções, o que é
basicamente nada em um universo de quase 150 colegas. Essa demanda é o nosso
grande desafio e nunca será esquecida pelo sindicato que está negociando essa
questão de forma política e jurídica.
O sindicalismo no Brasil está passado pelo seu pior
momento. Ataques estão sendo perpetrados contra essas entidades, com o objetivo
de enfraquecer a luta dos trabalhadores, para que não tenham força para reagir
às investidas daqueles que elegeram os sindicatos os culpados das mazelas do
país. O CMP Sindicato segue firme e forte e consciente de que a única forma de
termos nossa dignidade preservada é a nossa união e ter as entidades sindicais
fortes e organizadas, sempre ao lado dos trabalhadores.
Há uma crescente afirmação de que os sindicatos estariam perdendo seu poder de representação dos trabalhadores e trabalhadoras. Será?
Durante o Setembro Amarelo, duas escolas de Passo Fundo receberam a palestra e a reflexão sobre Promoção da Vida e prevenção ao Suicídio, através da voluntária do CVV em Passo Fundo, Verônica Azambuja.
A atividade, pensando para adolescentes e jovens, foi extraordinária. Através de um bate papo, com linguagem acessível e direta, Azambuja apresentou um clipe da Banda Detonautas: Ilumina o Mundo.
Depois do clipe, os jovens puderam
interagir perguntando, expondo suas opiniões e ampliando seus conhecimentos
sobre ansiedade, depressão, solidão como fatores que podem contribuir com os
altos números do suicídio no Brasil, mas em especial no RS e na nossa cidade
Passo Fundo, RS.
Publicamos
depoimentos de algumas pessoas envolvidas na atividade.
“As atividades que envolveram o CVV durante o setembro amarelo nas
escolas, foi um desafio muito grande. Levar esse tema tão complexo como
prevenção ao suicídio e apresentar o trabalho do CVV para acolher, fazendo a
escuta das pessoas que procuram o número 188.
Trabalhar com adolescentes foi desafiador pois eles tem dificuldades muitas
vezes de falar sobre o que estão sentindo, tanto em casa, quanto no ambiente
escolar. Os alunos foram bem receptivos e participativos, questionaram e até
mesmo procuraram para conversa individual.
O CVV levou informações necessárias e também conforto para quem precisou. Sempre pontuamos que “Falar é a Melhor Solução” e levando o assunto, debater com eles foi gratificante.
Nós, como educadores, devemos conversar com nossos alunos, trazendo
dados e assim prevenindo casos onde possam ocorrer tentativas.
Posso dizer que foi gratificante essa experiência e assim pude ajudar
muitas pessoas que ali questionaram e procuraram”.
O Brasil é o oitavo colocado a nível mundial em.suicídios, sendo o RS um
dos primeiros colocados a nível nacional e Passo Fundo a segunda cidade no
estado. A cada 45 minutos no Brasil, alguém tira a vida através do suicídio. O
CVV está 24h por dia, todos os dias do ano disponível pelo número 188,
totalmente gratuito. (Verônica Azambuja,
Voluntária do CVV em Passo Fundo, RS)
“A presença da Verônica Azambuja, ex-aluna do
Instituto Estadual Cecy Leite Costa, gerou identificação imediata com os
estudantes. O conhecimento de causa e sua atuação no CVV, contribuíram para uma
abordagem franca, direta, empática.
Na
adolescência e juventude, é fundamental falar sobre temas pertinentes ao
cotidiano dos nossos estudantes, mesmo que delicados, acolhendo, esclarecendo e
encaminhando. A informação com responsabilidade é o melhor caminho. (Douglas Peretto, vice-diretor turno tarde
IECLC)
“A atividade realizada por Veronica Azambuja do CVV – com a
temática Prevenção ao Suicídio e Promoção da Vida para os alunos dos 7⁰s, 8⁰ e
9⁰ anos na escola Municipal Zeferino Demétrio Costi (EMEF ZDC) foi muito
importante e significativa, porque tínhamos como objetivo principal orientar,
prevenir e valorizar a vida.
O diálogo e a escuta foram dois quesitos fundamentais no
decorrer da atividade. Nossos alunos participaram e perguntaram muito,
comprovando o quanto este espaço de diálogo, escuta e reflexão é importante no
processo de formação dos nossos alunos. Agradecemos imensamente ao CVV na
pessoa da Veronica Azambuja. (Adriana
Severo dos Santos, orientadora educacional)
Depoimentos
“A palestra serviu para que entendêssemos o quanto é importante conversarmos sobre o que nos machuca e saber ouvir a dor dos outros. A empatia faz o ser humano se sentir melhor com ele mesmo, pois o sentimento de saber que conseguiu ajudar alguém é a maior recompensa que poderíamos receber.
Podemos dizer que a depressão e o suicídio é culpa da sociedade que, muitas vezes, impõe padrões tóxicos sobre todos nós, roubando a nossa saúde e a nossa autoestima”. (Gabrielly Almeida, estudante nono ano EMEF ZDC)
“A palestra foi importante e muito boa, pois os temas abordados e o jeito dela abordar um assunto tão difícil como o suicídio foi interessante, como, por exemplo, quando Verônica questionou a todos se alguém seria capaz de escutar uma outra pessoa sem julgar”. (Eduardo Zorzan, estudante nono ano EMEF ZDC)
Depressão é coisa séria e se não for tratada, pode levar ao suicídio. As pessoas que cometem suicídio não querem morrer, só querem aliviar a dor. Às vezes, essas pessoas só querem desabafar, falar o que sentem. Por isso, devemos estar atentos e ajudar as pessoas quando elas nos pedem ajuda”. (Esthér Oliveira Souza, estudante sétimo ano EMEF ZDC)
Cada vida é importante e necessária e o suicídio não é saída. Quando uma pessoa está isolada e muito calada, procuremos falar com ela e não julgá-la, apenas escutar”. (Bernardo Rosa, estudante sétimo ano EMEF ZDC)
Para experimentados diplomata, o presidente perdeu a última chance de ser respeitado no exterior.
O discurso de Bolsonaro nas Nações Unidas foi marcado pela
lenga lenga que seus seguidores usam diariamente nas redes sociais. Isto é, intolerância
e digressões retóricas confusas. Levou para a tribuna seu delírio ideológico
contra o comunismo, ideologia de gênero, ambientalismo e indigenismo, além, do
fundamentalismo evangélico. Só faltou o gesto da arminha.
Como legítimo representante do populismo autoritário de
extrema-direita, Bolsonaro mostrou ao mundo que em sua visão limitada não cabe
espaço para a proteção dos direitos das minorias ou a promoção do bem-estar
humano.
Subestima a ciência, o
mercado de ideias, inclusive a liberdade de expressão, a diversidade de opinião
e a verificação factual de alegações que servem a seus próprios interesses.
Teve o descaramento de afirmar que seu governo “protege as
florestas”, quando se sabe que o desmatamento quase dobrou desde a sua chegada ao
poder em janeiro, a um ritmo de 110 campos de futebol por hora. Disse que o
Brasil usa apenas 8% do seu território para produção de alimentos. E a área
usada pela pecuária? A ONU “comunista”, mostra que alcança 28,2%.
Estufou o peito para afirmar “nossa soberania”, esquecendo-se
que cumpre ordens de Donald Trump, em um processo de hiperentreguismo e
subalternidade completa.
Mentiu ao dizer que, em 2013, o PT importou dez mil médicos
de Cuba. Os jornais o desmascararam em minutos. No começo, foram apenas 391.
Mais: que os médicos entraram no Brasil sem comprovação profissional. A lei exigiu
diploma de curso superior. Quem vive de fakes não abandona a prática. Ah! Ainda
se queixou que a mídia mundial espalha mentiras sobre o Brasil. Uau!!
Mostrou claramente que o seu populismo negligencia as limitações
da natureza humana e despreza as instituições governadas por normas e controles
constitucionais que limitam o poder de atores humanos defeituosos como ele.
Os ideais de tolerância, direitos iguais foram devidamente menosprezados pelo presidente brasileiro que escancarou sua hostilidade aos índios. Sua vítima foi o cacique Raoni, cotado para empalmar o Nobel da Paz.
Papa Francisco recebe índio Raoni, durante realização do Sínodo para Amazônia. Veja mais, clicando aqui.
Bolsonaro esqueceu que estava falando para uma plateia
mundial e não para sua claque de alucinados seguidores, ou para seus vizinhos
milicianos do condomínio da Barra da Tijuca.
Demonstrando que ainda vive no clima da Guerra Fria, dedicou
boa parte de sua fala para atacar os “comunistas”, o “marxismo cultural”. Tenho
certeza que boa parte da opinião pública mundial pensou estar diante de um
clone latino-americano de segunda classe, do senador Joseph McCarthy, que nos
anos 1950 promoveu uma cruzada contra os comunistas nos EUA.
A lógica do nós contra eles (imprensa, socialistas, colonialistas)
predominou. Para experimentados diplomatas o presidente perdeu a última chance
de ser respeitado no exterior. Outros, não tiveram dúvidas em afirmar que esta
foi a pior abertura da Assembléia Geral da ONU em todos os tempos.
Enfim, foi um discurso marcado por teorias conspiratórias,
delírios ideológicos, mentiras, raciocínio anedótico, fundamentalismo
evangélico e demagogia rasteira.
Já a imagem do Brasil no exterior continua descendo a ladeira. Há, pelo menos, uma consolação. Nossa bandeira nunca será vermelha. Ufa!!
Estudar as emoções é como mergulhar na alma da criança e iluminar cavernas com a luz do sol para que as sombras desapareçam e permaneçam apenas as ideias reais e sem sustos.
As crianças
pequeninas ainda não sabem como lidar com as suas emoções, por isso necessitam
de pessoas que lhes ajudem a enfrentarem seus medos, angústias, aflições,
raivas e perdas.
É preciso dizer a
criança que ela não está sozinha com essas emoções e que nos preocupamos com
ela, por isso o ensino da inteligência emocional na sala de aula é tão
importante.
Quando as emoções não
são bem cuidadas, o pranto vem como consequência. O professor deve estar
preparado para saber lidar com a inteligência emocional dentro da sala de aula,
de forma que as crianças se sintam confiáveis e zeladas por alguém que as compreende.
Quando uma criança souber que um adulto compreende
as suas emoções é muito bom, pois sabe que não está sozinho nesse mundo difícil
de enfrentar.
Vivemos muitas
emoções o tempo todo. Lidamos com a raiva, as perdas, a ansiedade e tantas
outras emoções que nem sabemos qual mais nos aflige, assim são as crianças
diante das suas avaliações, testes de conhecimentos, competições esportivas,
olimpíadas de matemática, astronomia ou português.
A cada teste que a
criança é submetida, desencadeia-se dentro dela uma tensão emocional que faz
roer as unhas, que dá dor de barriga, que faz tremer as mãos e suar em excesso.
Esses sintomas físicos são causados pelas emoções sentidas na alma.
Como o professor deve ensinar a inteligência
emocional às suas crianças?
Primeiro, ele deve
contar às crianças histórias que falem de emoções, conversar sobre essas
histórias e suas personagens, mostrar às crianças uma solução e o mais
importante dizer para elas que podem vencer as emoções por mais difíceis que
pareçam.
A fragilidade dos laços na criança do mundo contemporâneo tem crescido nos últimos anos, igual à fragilidade dos laços no mundo dos adultos. As crianças não ficam mais presas a um amigo, animal ou brinquedo. Tudo é trocado por objetos tecnológicos de última geração.
Atualmente, temos vários livros com temas ligados a inteligência emocional para crianças que podem auxiliar o professor em sala de aula. O importante é não deixar a criança ficar ansiosa por demais com algo que pequeno, ou seja, não permitir que a criança crie monstros dentro de si antes mesmo de vivenciar o problema.
Sofrer por antecipação não é bom para ninguém,
principalmente para as crianças que estão conhecendo coisas novas todos os
dias.
A inteligência
emocional ajuda a criança a lidar com as dificuldades e os problemas diversos
que podem surgir na sua vida de uma forma menos dolorosa. Enfrentar a perda de
um parente ou de um animal de estimação é algo doloroso por demais, porém se a
criança sabe lidar com as suas emoções esse sofrimento tende a diminuir ou ser
repassado para outras atividades como a música, o desenho, a poesia e o
esporte.
Antigamente, os
professores se preocupavam apenas com a inteligência cognitiva dos seus alunos
deixando-os a mercê das dificuldades do mundo. Hoje, com um mundo que exige
cada vez mais que nos tornemos competitivos e seguros diante daquilo que
buscamos, precisamos cuidar das nossas emoções para alcançarmos os nossos
objetivos.
O quociente intelectual está sendo substituído pelo quociente emocional, ou seja, se a criança é capaz de lidar com problemas
lógicos de uma forma tranquila e sem ansiedade.
Escrever textos
reflexivos sobre a vida exige habilidades maiores do que simplesmente
conhecimentos de língua portuguesa, história e geografia, mas que a criança
saiba utilizar as emoções para descrever o que está no seu pensamento de forma
a trabalhar as suas ansiedades e expectativas diante do mundo.
Vivemos num mundo de
relações descartáveis onde hoje temos um amigo e amanhã ele já não está mais
entre nós, as crianças precisam aprender a lidar com isso. Um mundo onde os
nossos pais se separam e cada uma vai para o seu lado. É preciso que a criança esteja preparada
emocionalmente para aceitar coisas assim.
O contato com a inteligência emocional logo nos
primeiros anos proporciona um crescimento diante das grandes dúvidas da vida,
das angústias e aflições que somos submetidos o tempo todo.
É preciso levar a
inteligência emocional para as salas de aulas de todas as escolas públicas do
nosso país com certa urgência, pois só assim reduziremos a indisciplina e
aquelas crianças tímidas poderão ter mais oportunidades para se conhecerem mais
trabalhando com os amiguinhos as emoções que muitas vezes ficam escondidas
dentro delas até a idade adulta.
Chorar, sofrer, ficar
ansioso, faz parte da vida de toda criança saudável, o que torna-se um problema
quando isso passa a ser duradouro e persistente.
A inteligência
emocional trabalha com aquilo que há de mais bonito na gente, ou seja, as
emoções que muitas vezes só aparecem quando somos submetidos a situações novas.
O novo causa espanto e medo, por isso as crianças devem vivenciá-los sempre que
possível seja fazendo visitas a parques ecológicos, laboratórios de pesquisas
ou leituras de livros paradidáticos.
Uma criança nunca
chora por nada, se ela chora é porque algo está a perturbá-la. A melhor coisa
que o professor deve fazer, nesse caso, é investigar a causa daquele pranto
conversando com a criança, mostrando que se importa com ela.
Crianças com inteligência emocional tendem a
absorver o ensino-aprendizagem de forma mais rápida e eficiente. Elas não têm
medo de errarem por que sabem
que todos erramos, logo não ficam tão ansiosas diante das avaliações.
Estudar as emoções é
como mergulhar na alma da criança e iluminar cavernas com a luz do sol para que
as sombras desapareçam e permaneçam apenas as ideias reais e sem sustos.
O aluno que recebe afeto do professor também passa a conhecer mais as suas emoções e aprende a conviver com indivíduos de pensamentos diferentes sem se preocuparem se são ou não amados.
Gladis Pedersen é espírita. Escritora e pedagoga que recolhe histórias através da Coleção Conte Mais. Uma exímia contadora de histórias.
Hoje com 74 anos, mantém-se uma grande entusiasta dos potenciais de
todo e de cada ser humano e da educação. Em sua atuação, já foi Presidente da
Federação Espírita do RS, uma estudiosa e uma “mensageira” dos conhecimentos e
práticas da Doutrina Espírita.
Por anos seguidos, participou do CONER-RS (Conselho do Ensino Religioso
do Estado do RS), sempre defendendo o Ensino Religioso no paradigma
Inter-religioso. Atualmente, desenvolve um projeto que reúne Espiritualidade e
Meio Ambiente.
Conheçamos Gladis por ela mesma, nesta entrevista exclusiva ao site.
Pedersen contará um pouco da sua história de vida, de seus intensos e
importantes trabalhos como pedagoga, dirigente espírita, palestrante e
escritora.
NEI ALBERTO PIES: Conte-nos de onde surge e como se mantém este seu
grande entusiasmo pela educação e pela literatura?
Eu era muito jovem quando comecei a lecionar, lidando com crianças e adolescentes. Na prática docente, percebi quanto a linguagem simbólica da arte (história, desenho, música, dramatização) era recurso extraordinário para a aprendizagem dos alunos, pois mexia com suas emoções e sentimentos, especialmente a literatura. Notava que os alunos se identificavam com os personagens das histórias, viviam suas emoções: medo, tristeza, alegria, afeto, raiva e quanto essas experiências os aliviavam de seus conflitos pessoais.
NEI ALBERTO PIES: Quando e por que te tornaste escritora?
Sempre leio muito; é meu hobby. Busco, nos diversos autores da
literatura mundial, a mensagem positiva que eles passam através dessa arte. Na
tarefa docente, seguidamente escrevia textos curtos para trabalhar com os
alunos.
No ano de 2.000, junto com uma equipe de educadores, coordenamos o
resgaste de cerca de 250 histórias com propósitos morais edificantes. Em 2003
lançamos, pela Editora Francisco Spinelli (FERGS), os quatro livros da Coleção
Conte Mais com essas histórias. Logo a seguir, fomos coordenando a edição de
livros ilustrados infantis com as fábulas e contos dos livros 1 e 2. Em 2013,
lancei o livro “A Literatura e a Magia da Arte de Contar Histórias”, na Feira
do Livro de Porto Alegre e, no ano seguinte, na 28ª Feira do Livro de Passo
Fundo, que teve com o tema “A Literatura Através das Gerações” onde a capa de
meu livro foi a inspiração para o cartaz daquela feira. Foi o primeiro livro de
nossa Olsen Editora. Por esta editora continuamos escrevendo livros voltados à
área da educação, para pais e professores, dentro de nossa visão de mundo,
assim como publicação de obras infanto-juvenis.
NEI ALBERTO PIES: Fale-nos um pouco da Coleção Conte Mais? Quais seus
objetivos? Como a senhora reúne tantas histórias?
A Coleção Conte Mais, nos livros 1,2,3 e 4, reúne cerca de 250
histórias resgatadas no Rio Grande do Sul e que foram organizadas por faixa
etária e tema moral para facilitar a utilização por pais e professores.
O volume 1 contém fábulas, do gosto de crianças pequenas; o volume 2,
para crianças maiores, reúne histórias que envolvem a família, a escola e a
sociedade, com situações de vida real, e algumas fábulas. Os volumes 3 e 4
reúnem histórias fictícias e reais, biografias de vultos da história da
Humanidade, que deixaram exemplos de vida que nos servem de modelo. Para a
elaboração desse trabalho contamos com a prestimosa colaboração da professora Eloína
Lopes e de Sônia Alcade, ambas de Bagé, RS, da professora Lucimar Mantovani
Laidens, na revisão dos livros, e de Paulo Afonso Eberhardt na editoração
eletrônica, ambos de Passo Fundo, RS.
NEI ALBERTO PIES: Quais questões do Espiritismo a senhora mais gosta e
mais aborda em suas palestras, “como mensageira espírita?
A questão da importância da família como primeiro grupo social da
criança; a responsabilidade dos pais para educar e encaminhar os filhos; a
questão das fases que o ser humano passa na vida: infância, com suas
características, adolescência, como etapa de busca inquietante da identidade,
época de crises naturais que precisam ser enfrentadas pelos jovens com o apoio
dos pais e educadores. Nessas duas fases é indispensável dar à criança e ao
jovem o sentido verdadeiro da vida.
A idade adulta e fase da maturidade serão decorrência das duas anteriores.
O outro tema é a questão da importância de Deus, como nosso Pai e Criador, e de
Jesus como nosso irmão e Mestre, guia e modelo da Humanidade.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a importância do Ensino religioso
Inter-religioso na perspectiva de uma formação humana integral?
A importância do ER, inter-religioso, é fundamental na formação integral do aluno. Precisamos atender à dimensão moral, emocional e espiritual da inteligência deles. A religiosidade básica inerente a cada um de nós, independe da crença religiosa institucional que abraçamos, ou da não-crença que se adote. A educação no mundo ocidental tem privilegiado a dimensão intelectual da inteligência em detrimento das demais dimensões.
NEI ALBERTO PIES: Quais são as novidades da Nova BNCC para esta área do
conhecimento?
Encontramos, na proposta para o ER na BNCC, a relevância no foco da
necessidade de o aluno reconhecer-se e cuidar de si, do outro, da coletividade
e da natureza (Ecologia) enquanto expressão de valor da vida, enfocando a
necessidade de estimular o educando a construir seu sentido pessoal de vida, a
partir dos valores, princípios éticos e de cidadania que as informações e
reflexões desta área de conhecimento propiciam.
NEI ALBERTO PIES: O que significa o Estado do RS estender também ao
Ensino Médio, a área de conhecimento do Ensino Religioso?
O RS está um passo à frente neste sentido, em relação aos demais
estados brasileiros. A fase de adolescência rica de perspectivas de indagações
pelo sentido da vida, a busca pelo transcendental, pelo sagrado, peculiar a
essa fase, coloca a colocação do RS na vanguarda da educação integral do aluno
do Ensino Médio no Brasil.
NEI ALBERTO PIES: Por que é tão importante “conhecer as diferentes
religiões com o propósito de respeitá-las”?
Não se pode respeitar algo que não se conheça nada ou se conheça pouco sobre o assunto. O conhecimento das diferentes religiões, suas cosmovisões, ritos, mitos, adeptos proporcionam maior entendimento e compreensão sobre cada uma e a possibilidade de comparação entre uma e outra abordagem, leva à reflexão e à mudança de comportamento do aluno. Ele aprende a respeitar o outro e à sua crença, liberta-se do comportamento antifraterno, preconceituoso e fanático, fendo empatia e respeito pelo outro.
NEI ALBERTO PIES: O que a senhora aprendeu nestes longos anos de
participação no CONER-RS?
O que mais nos marcou nessa caminhada, junto com outras denominações
religiosas, foi o diálogo aberto, a fraternidade, a busca de consenso e a luta
irmanada pelo direito do aluno do ER como componente curricular da proposta
pedagógica da escola. A luta foi vitoriosa. Aí está o ER apresentada pela BNCC
como área de conhecimento.
NEI ALBERTO PIES: Que projeto é este, que a senhora coordena, que
envolve Espiritualidade e Meio Ambiente?
É um projeto quem está em gestação. A natureza, com suas leis, precisa
ser entendida e respeitada como obra da Criação Divina, assim como o Ser
Humano.
A interrelação das diversas disciplinas do ER deve estar relacionada
com a necessidade de preservação do Meio Ambiente.
Em 2015 lançamos, na Feira do Livro de Porto Alegre, o livro ilustrado
infantil “Sapiente, o Sapo Sabido”, pela Olsen Editora. Também lançado na Feira
do Livro de Lagoa Vermelha RS, com o objetivo de promover reflexões sobre as
consequências da poluição do meio ambiente sobre os seres vivos do planeta.
Esta obra está sendo utilizada por escolas coordenadas por Secretarias
Municipais de Educação em parceria com Secretarias Municipais de Meio Ambiente
para estimular, nas escolas, a criação de hortas escolares, pomares e outras
atividades relacionadas à preservação do meio ambiente.
NEI ALBERTO PIES: Na sua visão, por onde e por quem passa o futuro da
civilização e da humanidade?
O futuro da nossa civilização está nas mãos das pessoas de bem e de bom
caráter, para as quais a vida tem profundo sentido material e espiritual.
Percebemos o surgimento de uma nova geração de pessoas voltadas para o bem
comum, com mais capacidade de empatia e respeito pelo outro. Este aparente caos
vai passar e a humanidade viverá um futuro de paz, alegria e prosperidade. Não
é uma visão utópica, é certeza. Continuamos fazendo a nossa parte, trabalhando
com a educação infantil e com jovens. Acompanhamos o esforço hercúleo de muitos
professores nessa luta pelo bom combate na educação.
NEI ALBERTO PIES: Que mensagem deixas aos nossos jovens, tão ávidos por
realização e sentido de vida?
Que os jovens observem mais a natureza, vejam o nascer e o pôr do sol,
as estrelas à noite, a lua, respirem fundo o ar puro, encham os pulmões,
sintam-se plenos. Plantem sementes e vejam as plantas nascerem. As sementes
guardam a vida doada por Deus, indispensável à nossa manutenção.
Desliguem-se um pouco da comunicação virtual. Procurem a conversa
direta com os outros. Conversem olhando nos olhos dos outros. Escutem a voz do
outro, suas dores, queixas, alegrias. Sejam úteis, colaborem no lar, na escola,
na comunidade, nunca percam o entusiasmo. Não esqueçam que todos vocês são
cidadãos do Universo.
NEI ALBERTO PIES: Que mensagem deixas aos professores e professoras que
vivem tempos tão difíceis para cumprir finalidades de humanização através da
educação?
Que não percam a esperança! O professor é o agente que promove a
mudança, representa a chave para a melhoria do mundo. Nas suas mãos está o
futuro.
NEI ALBERTO PIES: Como te defines numa frase.
Sou uma pessoa otimista e dinâmica.
NEI ALBERTO PIES: O que mais tens vontade de dizer?
É sempre um prazer interagir com pessoas como tu, interessadas no bem
da Humanidade. Permaneço à disposição para tratar de assuntos dessa natureza.
Obrigada pela oportunidade de trabalho.
Há 25 anos trabalhando como psicóloga, em consultório, Tanize Vieira atende, prioritariamente, o público de crianças, adolescentes e jovens.
Em sua trajetória
profissional, Tanize teve oportunidade de perceber mudanças de comportamentos e
mudanças na percepção do papel e da função do profissional e terapeuta
psicólogo.
Nesta entrevista, contará
as motivações pessoais para o exercício da profissão, suas aprendizagens, suas
percepções sobre a importância do psicólogo ou psicóloga, sua compreensão sobre
as maiores dificuldades pelas quais passam as novas gerações de crianças,
adolescentes e jovens.
Esta entrevista faz parte
da Série Profissões Educadoras que
editamos ao longo dos últimos 5 anos de existência do site.
Conheçamos Tanize Vieira por ela mesma. Ela revela, com simplicidade e profundo conhecimento, importantes aprendizagens pessoais e profissionais como psicóloga.
NEI ALBERTO PIES: Como,
quando e porquê decidiste ser psicóloga?
Foi na infância, aos 8
anos de idade, não me recordo de que maneira, mas descobri que psicólogo era
uma pessoa que ajudava outras pessoas e isso chamou muito minha atenção. Desde
então, sonhava em ser. Mais tarde, no ensino médio, tive contato com uma
profissional e aulas introdutórias à psicologia o que ajudaram a confirmar esta
minha vontade de ser psicóloga.
NEI ALBERTO PIES: O
que mais te realiza na profissão nestes mais de 20 anos atuando em consultório?
O que me realiza é
perceber o resultado humano, a singularidade de cada um. Tanto o resultado de
apenas uma consulta, em perceber a pessoa saindo mais leve, aliviada, quanto o
resultado a longo prazo, em perceber a mudança, a evolução de uma pessoa que se
libertou de seus traumas.
Perceber
que ajudei uma alma é uma gratidão tremenda.
NEI ALBERTO PIES: A
sociedade já entendeu a função e o papel do psicólogo ou psicóloga?
A informação agora é muito
mais acessível, então percebo grande evolução no entendimento da profissão de
um psicólogo. Porém, ainda há muito estigma por parte dos mais antigos,
principalmente homens, que tentem guardar as mágoas ou tentar resolver sozinhos
com o clássico “não sou louco, porquê vou me tratar?!”.
Percebo
que os jovens são mais abertos para discutir sobre saúde mental, a importância
de um profissional, e em ser proativos em busca de tratamento.
NEI ALBERTO PIES: Quem
trata os outros, também se trata?
Claro, já fiz terapia e
isso me ajudou a compreender minha própria alma, medos, dificuldades, dores e
sonhos. É muito importante estar preparada para separar minha história da do
paciente, conseguindo assim lidar melhor com os processos que envolvem uma
sessão psicológica.
NEI ALBERTO PIES: Qual
é o foco da tua abordagem terapêutica com crianças, adolescentes e jovens?
Tenho como lema pessoal e
profissional esta citação de Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as
técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
É de suma importância
conhecer diversos métodos pois cada pessoa é única e eu, como profissional,
utilizo disto para adaptar a melhor abordagem para as necessidades do paciente,
mas antes e acima de tudo, o meu próximo.
NEI ALBERTO PIES: O
que ainda explica tanta dificuldade dos pais e mães aceitarem tratamento ou
terapia psicológica e psiquiátrica?
Pois muitos pais, a
necessidade de recorrer a um psicólogo atesta a sua incapacidade como cuidador
e criador, é como se fosse uma confirmação de “eu falhei”.
A
abordagem do meio da criança envolve as relações mãe-criança-pai-criança o que
desperta sentimentos de responsabilidade e, as vezes, culpa.
Quando o psicólogo entra
nestas dificuldades e formas de conflitos, há uma tendência dos pais em querer manter
o status-quo e conservar o padrão de relacionamento, fazendo os pais não
colaborar, boicotar ou interromper o tratamento.
NEI ALBERTO PIES: Na
sua visão, o que provoca tanto sofrimento e distúrbios psíquicos em nossas
crianças e jovens?
Este é um tema complexo e
analisa as mais diversas camadas sociais, desde o micro ao macro.
Por um lado, percebemos
mais distúrbios pois a conversa sobre a saúde mental é mais presente, não mais
se esconde o filho doente, a integração e o diálogo agora são diários.
Por
outro, esta geração coincidiu com o boom tecnológico e informacional com o qual
nós não fomos criados (eu mesma tenho muita dificuldade com esta parte). Esta
dualidade causa muita confusão na criação de nossas crianças.
Além deste meio cultural, mudamos
de paradigma socioeconômico. Como vimos anteriormente, as relações
mãe-criança-pai-criança são responsáveis por boa parte da formação, e, e com
pais e mães sobrecarregados nesta rotina de produção, pecamos no afeto e temos dificuldades
de vínculos afetivos, relacionamentos e controle das emoções: uma família
estressada gera uma criança instável. Sociedade doente, família doente, filhos
doentes.
NEI ALBERTO PIES: Por
que pessoas de 13 aos 35 anos de idade estão no grupo de maior risco de
suicídio, segundo dados mais recentes sobre o tema? As necessidades, aflições e
comportamentos das crianças mudaram muito ao longo dos últimos tempos. Se
mudaram, porquê?
Recentemente, ando lendo
os ensaios do filósofo Byun-Chul-Han, nascido na Coréia do Sul, porém formado
na Alemanha. Byun, em seus ensaios, faz uma análise muito única do ponto que
nos encontramos como sociedade e pessoas, e os motivos de tanta depressão e
aflições.
Deixo como recomendação,
aliás, dois de seus ensaios: A sociedade
do cansaço e Agonia de Eros.
Em seus livros, Byung
compara a nossa geração como a geração do Dever,
como a Sociedade da Disciplina, muito focado em Foucault. Fomos criados com
este senso de dever, com a ameaça da punição e da negatividade como um todo, ou
seja, nossa violência vêm de fora, do outro.
Já as gerações atuais, de
nossas crianças, adolescente e jovens adultos, juntamente deste boom
tecnológico e informacional (o qual Byung é veemente contra) é analisada como a
geração do Poder, como a Sociedade
do Desempenho.
A partir de um determinado
ponto, a sociedade do dever não foi mais capaz de suprir a produção, “o dever
se choca rapidamente com seus limites”. Alteramos a motivação da sociedade como
um todo para suprir esta produção. O dever
agora é poder. O famigerado Yes We
Can.
Como empreendedor de si
mesmo, “o apelo à motivação, à iniciativa e ao projeto é muito mais efetivo
para a exploração do que o chicote ou as ordens.”
Vemos esta mudança como
algo positivo, (o que com cautela o é) porém, o que não percebemos é a
violência, agora, vem deste excesso de positividade que é a Sociedade do
Desempenho: “todos nós podemos, oras! É só se esforçar! E se caso falharmos?
Bom, a culpa é sua, você não se
esforçou o suficiente.”
A
violência não é mais externa, através do dever, do outro, disciplina e ameaças,
a violência, agora, é o que Byung chama de violência neuronal, nos tornamos a
vítima e também o algoz da nossa própria mente.
Esta mudança de paradigma,
ilusão de liberdade, a urgência esmagadora para que produzamos, mostremos
resultados (e obviamente falhemos em alguma etapa, errar faz parte) e
consequentemente a autocondenação por não suprir esta produção insuprível – Sociedade do Cansaço – é um grande responsável pelo crescimento das
doenças neuronais, síndrome de burnout, depressão, em nossas crianças e jovens
adultos.
NEI ALBERTO PIES: Um
psicólogo ou uma psicóloga em cada escola é um bom caminho para o enfrentamento
da depressão, da ansiedade e de outros distúrbios psíquicos das crianças e
jovens?
Claro, como dito
anteriormente, a violência neuronal é cada vez maior e é necessário a
orientação profissional, intervenção, prevenção e formação da saúde e
inteligência emocional.
Porém, ainda vejo o acesso
ao profissional da saúde mental como elitizado, poucas pessoas conseguem ter
acesso a um tratamento regular e de qualidade, o investimento é alto.
É necessário aproximar o
profissional psicológico, principalmente da população de mais baixa renda, à
saúde mental. Nossas crianças serão o futuro da sociedade, vejo como o ponto
mais importante o suporte desde cedo.
NEI ALBERTO PIES: Como
a escola e os serviços de psicologia podem fazer parcerias?
Tanto o educador quanto o
profissional psicológico trabalham com o humano.
Acho interessante a integração da atuação de ambos dentro e fora da sala de
aula. Com um diálogo próximo e troca de informações se pode orientar para
melhor trabalhar e lidar com o conflito diagnosticado.
NEI ALBERTO PIES: Que
mensagem deixas aos jovens e adolescentes?
Se pudesse resumir em uma
única palavra, seria aceitação. Cada ser humano tem seu potencial e
dificuldades. Que o jovem não tenha medo de se olhar, não para se culpar dos
erros ou acertos, mas para buscar sempre sua evolução como ser humano, capaz de
compaixão e carinho. Aceitar a si mesmo, aceitar o próximo.
Nos últimos anos, escolas vem adaptando
comemorações que envolvem as famílias de seus estudantes. Com as novas
configurações da família, escolas estão adaptando comemorações de Mães e Pais
por Festas da Família. Além de respeitar a diversidade da formação das famílias
na atualidade, escolas promovem e valorizam a integração entre todos os
sujeitos que fazem parte da comunidade escolar: estudantes, professores e
professoras, funcionários e funcionárias, pais, mães, avôs e avós, tios e tias,
padrastos e madrastas.
Na cidade de Passo Fundo, escolas públicas da rede municipal estão fazendo as suas primeiras experiências de homenagens às famílias, promovendo encontros que chamam de Festas ou Encontros de Famílias.
Nesta matéria, contaremos um pouco da experiência
de duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental: EMEF Benoni Rosado e EMEF
Zeferino de Costi. São experiências ainda bastante incipientes, mas que já
demonstram os acertos destas escolas. A primeira escola fez, em 2019, a
primeira experiência. A segunda escola, fez a experiência pelo segundo ano
consecutivo.
Destacamos que, independente das formas de ser e de
configurar, o que importa é que as famílias sejam uma comunidade de amor. O
amor tudo suporta, tudo supera. Para dar conta dos enormes desafios de conviver
em família, o amor é a base de todas as relações familiares e interpessoais.
Conheça avaliações destas comunidades escolares,
começando com a EMEF Zeferino de Costi.
A diretora da Escola Neuza Brazaca Rego, com mais de 20 anos
de experiência como professora, faz a sua consideração.
“Nossa escola Zeferino Demétrio Costi fez neste ano a II
Festa da Família. Pensamos em fazer desta maneira para poder envolver todas as
famílias que cuidam de nossas crianças. Percebemos que, quando fazíamos
homenagem às mães, os pais também se faziam presentes. Quando homenageávamos os
pais, as mães também vinham junto. Também temos os avós que se envolvem de uma
maneira ou de outra no cuidado dos netos, vem trazer, buscar seus netos na
escola. Crianças que vivem só com a mãe, com pai e avós, com avós, com duas
mães. Para que nossas crianças se sentissem bem e não excluídas de uma maneira
ou de outra, fizemos a experiência e percebemos que acertamos”.
Ouvimos
também a professora Reni Baldo, envolvida
na preparação de apresentações de alunos para comemorar a integração da família
e escola. Baldo considera que “a festa da
Família como um momento de encontro e homenagens. Percebe-se que esta forma de
trazer a família de cada estudante para a escola foi bem aceita e mostra que
aos poucos estamos dando espaço para a realidade contemporânea onde as diversas
configurações familiares estão cada vez mais presentes no contexto escolar.
Todos sabemos sobre a importância da parceria entre escola e família, se desejamos uma educação de qualidade para que crianças, adolescentes e jovens assumam progressivamente o protagonismo de sua aprendizagem através da aquisição de autonomia no aprender a conhecer, no aprender a a fazer, no aprender a conviver e no aprender a ser. (4 pilares da UNESCO). Escola e família precisam estar conectados e conscientes da função de cada um para que a educação de qualidade aconteça.
Tivemos o
prazer de ouvir ainda um pai e uma mãe de alunos que se posicionaram favoráveis
a este tipo de atividade na escola envolvendo as diferentes configurações da
família na atualidade.
Wagner Pacheco, pai de estudante do primeiro
ano do Ensino Fundamental, primeiro ano de escola, argumenta que “atualmente, a formação da família
brasileira exige a compreensão de que a diversidade vive em cada lar. A escola
do século 21 precisa compreender que o respeito às diferenças só fortalece os
laços afetivos.
Ana Cláudia Lanza Colvero, mãe de aluna do oitavo ano do
Ensino Fundamental e professora da escola, avalia que “a segunda festa da família da escola ZDC foi com certeza uma
experiência muito emocionante. Participando sempre de todas as
apresentações tradicionais, há anos na minha atividade docente, vejo este
momento como inovador, contemplando os vários tipos de famílias. O envolvimento
de todos os segmentos da escola confirma o sucesso que foi esta edição”.
Ouvimos também a diretora a EMEF Benoni Rosado,
professora Gisela Oliveira. Esta
escola realizou em 2019 a primeira atividade das Famílias. Em anos anteriores,
reunia as mães em maio e os pais em agosto.
“O
primeiro encontro das famílias na escola foi realizado no dia 10 de agosto de
2019, na EMEF Benoni Rosado.
Esta data
foi incluída no calendário escolar de 2019 após avaliação com professores e equipe
diretiva das datas comemorativas voltadas ao Dia das Mães e Pais. Percebendo
uma ênfase maior e desproporcional em envolvimento no Dia das Mães e, através
de um consenso, a comemoração dessa data foi substituída pelo “Encontro das
Famílias na Escola”.
O
objetivo desta comemoração é aproximar a família da escola e possibilitar que
assim se fortaleçam os lados de união e comprometimento dos familiares com a
vivência do amor.
A
avaliação do primeiro encontro foi positiva e animada. A presença das famílias
superou os encontros anteriores. Devido a boa aceitação da comunidade escolar,
sugere-se a permanência desta data no calendário escolar do próximo ano”.
A família é uma árvore de
amor
Existem
no mundo diferentes famílias. Família grande, família pequena… Família com pai,
mãe e filhos, família com casal e um cachorro, família com pai e filhos,
família com mãe e filhos, família com dois pais ou duas mães, família em que os
avós são os pais, família de sangue, e família de coração.
A família
é o amor que plantamos em solo fértil, com raiz forte e que cultivamos e
cuidamos constantemente, para que brotem belas flores e bons frutos. Não é à
toa que se compara a família a uma árvore. Afinal, o que é a família senão
vários galhos unidos pela mesma raiz, e sustentados por um tronco comum, que
precisa ser forte para suportar as intempéries da vida.
A família é feita de laços para durar. Não importa se é família de sangue ou de
coração. O importante é que exista amor. As famílias de verdade são formadas
por pessoas unidas, que se apoiam incondicionalmente, que querem o bem do
outro, que se sacrificam reciprocamente sem pedir nada em troca, que celebram
as conquistas e alegrias da vida juntas, e que oferecem os ombros como suporte
para a dor e para o choro.
Há
famílias que são planejadas, plantadas desde a primeira semente. Há famílias
que brotam por acaso, em um solo pouco fértil. Mas as famílias realmente
felizes, são aquelas que nutrem a vida de amor! (Autoria desconhecida)