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Passo Fundo orienta rede municipal no Ensino Religioso

Passo Fundo, historicamente, tem um trabalho relevante e consistente do Ensino Religioso, seja a partir de iniciativas das redes estadual e municipal de ensino, bem como da parceria e protagonismo do CONER (Conselho do Ensino Religioso), Seccional Passo Fundo.

Compreendendo a necessidade de fortalecer e promover a oferta da disciplina e área de conhecimento Ensino Religioso em toda sua rede escolar, na perspectiva do diálogo interreligioso, a Coordenadoria de Educação da Secretaria Municipal de Educação organiza documento que apresenta diretrizes gerais e amplas sobre a temática.

No ano de 2019, a Rede Municipal de Ensino de Passo Fundo fez a revisão de toda Organização Curricular, adequando-se ao Documento Orientador do Território de Passo Fundo, promovendo estudos e validando contribuições importantes dos próprios professores que atuam nesta área de conhecimento. A partir de 2020, esta nova Organização Curricular já está embasando os planejamentos dos docentes.

Passo Fundo, historicamente, tem um trabalho relevante e consistente do Ensino Religioso, seja a partir de iniciativas das redes estadual e municipal de ensino, bem como da parceria e protagonismo do CONER (Conselho do Ensino Religioso), Seccional Passo Fundo. Há décadas, organiza-se formações e suportes para professores de Ensino Religioso, sejam eles qualificados ou não para atuar nesta disciplina. A rede municipal de ensino tem diversos professores e professoras nomeados através de Concurso Público para atuarem especificamente nesta área de conhecimento.

Para Leocir Thomé, coordenador da coordenadoria de educação, este documento foi construído para ser uma perspectiva orientadora para toda a comunidade escolar, envolvendo os estudantes, os pais e mães, os professores, as direções escolares. Deseja-se que o Ensino Religioso contribua com a formação integral de todo ser humano e de todas as pessoas que acessam a escola.

“Reconhecer a religiosidade de cada um, e de todos os seres humanos, torna a escola um ambiente mais humanizado, mais acolhedor e emancipador. A escola, ao promover o conhecimento das diferentes religiões, promove o respeito, base de uma boa convivência humana e social”.

O Ensino Religioso, enquanto área do conhecimento, pode contribuir de forma significativa na construção constante de uma cultura da paz nas escolas. As habilidades e competências propostos para o ensino religioso na BNCC buscam reforçar a valorização da vida, repeito aos Direitos Humanos, reconhecimento as diferentes formas de expressão cultural e pela proposição de uma cultura de diálogo e de paz.

“Pontes entre o cotidiano escolar e a fé e crença de todos!”

ENSINO RELIGIOSO: Conhecimento de diferentes tradições religiosas e expressões de fé. Disciplina que estuda e aprofunda o CONHECIMENTO, a cultura religiosa. Respeita a pluralidade religiosa. Não trabalha a fé (isso compete à religião ou igreja de cada pessoa). Apresenta o Transcendente nas mais diversas culturas e tradições religiosas. Dá atenção ao Fenômeno Religioso, que é universal e se manifesta nas diferentes culturas e não somente numa religião.

AULA RELIGIÃO: Conteúdos de uma só religião/ Religião se refere à crença, manifestação de fé de cada pessoa. Pode acontecer em escolas confessionais.

A escola, assim como o Estado é laico, ou seja, não impõe nenhuma religião, mas respeita a todas, manifestando-se imparcial diante de cada uma delas. O Estado, por respeito à consciência, garante o Pluralismo religioso.

A escola, como uma sala de aula, é um lugar plural, em que pessoas de diferentes denominações religiosas devem conviver, tendo cada uma sua fé respeitada e, se possível, socializada. Desta forma, o reconhecimento de sua religiosidade passa também a permitir o respeito à fé dos outros.

O ERE BUSCA:

  • Formação integral do ser humano;
  • Conhecimento científico das religiões para compreender diversidade religiosa;
  • É uma área de conhecimento que busca o estudo das religiões, com a intenção de “CONHECER PARA RESPEITAR”;
  • O resgate de valores/ o respeito à diversidade religiosa e direitos humanos, visando uma convivência harmoniosa e pacífica na escola e na sociedade.

FUNÇÃO DA ESCOLA: Apresentar conhecimentos e saberes religiosos e representar a diversidade cultural brasileira.

O QUE EVITAR NA ABORDAGEM DE SALA DE AULA E ESCOLA?

  • PROSELITISMO: valorizar uma religião em comparação à outras;
  • EVENTOS RELIGIOSOS ligados somente a uma religião;
  • EXPOSIÇÃO E PROMOÇÃO das crenças pessoais do professor/a ou dirigente da escola;
  • ENSINO RELIGIOSO como educação moral ou coersão social (certo/errado, o que pode ou o que não pode, …)

FENÔMENO RELIGIOSO: Objeto de estudo do Ensino Religioso.

Fenômeno é o que aparece, o que se manifesta. A religiosidade está impregnada na vida humana e na cultura dos povos. Precisa ser estudada, considerada e valorizada como parte integrante da cultura brasileira.

O ENSINO RELIGIOSO E A SALA DE AULA:

Os professores e professoras que atuarem no Ensino Religioso devem ter:

  • Disponibilidade pessoal para estudar e aprender sobre os conhecimentos das religiões;
  • Dialogar com colegas que já tem experiência de sala de aula com a disciplina;
  • Ter postura de respeito e consideração à todas as religiões das quais participam os estudantes;
  • Conhecer o Documento Orientador da SME/Ensino Religioso;
  • Disponibilidade de participar de eventos de formação oferecidos pela SME ou Coordenadoria de Educação para aprofundar metodologias de trabalho e conhecimentos.

ESTRATÉGIAS DE MOTIVAÇÃO DOS ESTUDANTES:

  • Envolver as famílias em atividades (Entrevistas, Conversas orientadas com pessoas que seguem religião, etc)
  • Promover palestras com representantes de diferentes religiões;
  • Visitar templos religiosos (visitas ou viagens de conhecimento)
  • Trabalhar com materiais audiovisuais sobre os temas e conhecimentos das religiões;
  • Realizar pesquisas internet (sites, símbolos, textos sagrados,…)

ENSINO RELIGIOSO está + ligado ao UNIVERSO da

ESPIRITUALIDADE: CUIDADO

Consigo mesmo, com os outros, com a Natureza e com o Transcendente.

DESAFIO DA ESCOLA/EDUCAÇÃO:

  • Ampliar o universo cultural para que estudantes vejam religião de forma crítica (não para deixar de ser religiosos, mas para que entendam religiosidade de forma mais ampla e profunda)
  • Esvaziar-se de religião e promover mais a espiritualidade no ambiente escolar;
  • Promover maior integração entre entidades religiosas, lideranças religiosas e comunidade escolar para que todos tenham noção da importância do Ensino Religioso na formação humana integral do ser humano.
  • Contribuir para a superação dos preconceitos e desentendimentos que ocorrem na sociedade em função do não conhecimento dos temas das diferentes religiões.

COMO ENTENDER HOJE O PLURALISMO RELIGIOSO?

  • Vivemos um tempo de diferentes caminhos e buscas – atribuir sentido à vida;
  • Pluralismo é típico de sociedades secularizadas (sem domínio do poder religioso);
  • Contexto da ética e da alteridade;
  • Tolerância religiosa (lado humano da religião)
  • Respeito e reconhecimento do ateísmo e agnosticismo
  • A fé e a religião não estão em crise/ observa-se crise das religiões mais tradicionais.



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Perguntas e respostas

Como conversar com pais que veem conflito entre a escola e a sua religião?

Vale uma autocrítica. Reflita se as aulas estão de fato, sendo inclusivas e respeitosas a todas as religiões, o que não significa deixar de lado os conhecimentos científicos que a escola tem por obrigação de ensinar. Se estiver seguro que o tratamento é adequado, converse de maneira tranquila. Exponha os objetos do trabalho e esclareça que a intenção não é converter os alunos ou fazer com que eles deixem de seguir a religião da família, mas que aprendam a conhecer e respeitar a diversidade religiosa.

Como agir quando questões como os direitos humanos entram em choque com crenças?

Apesar da abertura para discussão, alguns fundamentos são princípios inegociáveis.  Na escola, os direitos humanos, o respeito e a convivência democrática são alguns deles.  Quando eles são desrespeitados, é necessário aprofundar a discussão.  Nesses casos, vale levantar com a turma alguns valores fundamentais das religiões e pensar, conjunto, como eles se aplicam em ações realcionadas a esses temas.

O que fazer se o debate entre religiões se tornar acolorado em sala de aula?

O respeito deve pautar todas as discussões.  A perpectativa adotada em classe não pode se basear em discutir as diferentes versões em busca de uma correta.  Ao debater os diferentes mitos sobre a criação do Universo, por exemplo, o professor deve estimular a escuta dos alunos.  Em casos de versões parecidas mais conflitantes, como pode acontecer entre variantes de uma mesma religião – entre cristãos católicos e cristãos evangélicos, por exemplo -, vale abrir o debate para explorar mais a fundo as diversidades dentro de uma mesma matriz.  Dá para aprofundar a discussão mostrando como em outras matrizes isso também acontece.  As histórias dos orixás africanos, por exemplo, podem variar muito dependendo do local onde e religião é praticada. 

O QUE FAZERO QUE NÃO FAZER
APRESENTAR MITOS E TRADIÇÕES Discuta símbolos, histórias e rituais de religiões de diferentes origens e estabeleça paralelos entre eles. DISCUTIR VALORES Apresente princípios e discuta como eles se traduzem em ações práticas. DISCUTA A NÃO RELIGIOSIDADE Abra espaço também para discutir o pensamento de ateus e agnósticos. CONTEXTUALIZE Mostre como diferentes entidades religiosas influenciaram aspectos políticos e econômicos da História.SIMULAR RITUAIS Não faça simulações de ritos.   A pesquisa pode se basear apenas em textos e  imagens. INCORPORAR PRÁTICAS RELIGIOSAS AO COTIDIANO A escola é diversa.  Por isso, não a transforme em templo, praticando orações ou outros rituais. USAR RELIGIÃO COMO ARGUMENTO MORAL “É pecado” e “Deus não gosta” pode ser substituídos por valores universais, como respeito e paz. DESCONSIDERAR A RELIGIÃO DOS ALUNOS Leve em consideração e respeite as diferentes crenças da turma.


Fonte: Revista Nova Escola, Ano 32, número 302, maio 2017.
Conheça também: BNCC Ensino Religioso.

Conhecendo Judaísmo pelos testemunhos de um religioso

Numa palestra sobre Judaísmo numa escola pública municipal de minha cidade, Passo Fundo, a meu convite, aconteceram episódios que relatarei agora como forma de conhecimento e reconhecimento dos conteúdos essenciais do Judaísmo.

Conheço Berel Natan Engelman há mais de 10 anos. Ele é a liderança espiritual da Comunidade Judaica de Passo Fundo  por mais de 25 anos. Uma pessoa sempre disponível, aberta, paciente e que encoraja professores e professoras que tem a incumbência de trabalhar o conhecimento das diferentes religiões em sala de aula.

Engelman participa há mais de 10 anos do CONER – Seccional Passo Fundo. O Coner é uma entidade da sociedade civil, organizada por representantes das diferentes religiões, e que cumpre papel importante de orientar, fomentar e exigir das redes de ensino a implantação, a organização e a oferta do ensino religioso como área de conhecimento no ensino fundamental e no ensino médio (caso específico do RS).

O CONER-RS, fundado no ano de 2004, tem, entre outras finalidades: “articular a ação conjunta de todas as denominações associadas, com o objetivo de somar forças na busca de meios e condições que assegurem a tutela do direito à liberdade de consciência religiosa e do direito ao Ensino Religioso, como parte integrante da formação básica do cidadão”.

Numa das primeiras palestras sobre Judaísmo numa escola pública municipal de minha cidade, a meu convite, aconteceram episódios que relatarei agora como forma de conhecimento e reconhecimento dos conteúdos essenciais do Judaísmo.

“Chegando à escola, Berel foi recebido por alguém da direção. Eu estava com duas turmas de alunos de oitavo e nonos anos, aguardando sua presença.

Assim que adentrou na sala, me disse “Shalom”, que significa em hebraico paz, harmonia, bem-estar e pode ser usado idiomaticamente para significar olá e adeus como saudações.

Shalom



Engelman apresentou-se, organizou seu material, e expôs o seu conteúdo às turmas que demonstravam certo interesse, uma vez que já haviam sido preparados por seu professor em aulas anteriores. Mas revelava-se bastante tenso.

Dividiu a sua apresentação (palestra) em PowerPoint em Fundamentos da fé judaica e em conhecimentos sobre o Holocausto Nazista (genocídio ou assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus durante a II Guerra Mundial).

Quando passou da primeira meia hora de apresentações, a tensão do palestrante veio a tona. Berel contou para os mais de 35 alunos que, desde a entrada na escola, vira muitas suásticas (no pórtico da entrada, nas paredes e nas classes da sala). Perguntou se os alunos sabiam do seu significado. Eles responderam que não.

Os alunos ficaram estupefatos e chocados com as informações que receberam logo após este momento. Não faziam ideia e nem tinham a dimensão do que este símbolo nazista representa como sofrimento na memória recente do povo judeu no mundo. Claro que, alguns poucos, continuaram a não entender o porquê de tamanha ênfase a este conteúdo.

Foi uma grande aula de história e um grande depoimento de um judeu revelando sua indignação e sofrimento com relação a este símbolo tão emblemático usado por Hitler na Alemanha, durante a implantação do regime nazista.

Mas, o que eu aprendi, como professor, viria depois. No final, ao sair da sala, Berel Natan Engelman pediu para que eu o acompanhasse até a saída da escola. Quando chegamos na saída, mostrou-me um desenho do símbolo nazista desenhado numa das pilastras da entrada da escola. Pediu licença para segurar a minha mão. Neste momento, apagamos juntos o símbolo, que fora desenhado através de um giz. Este gesto marcou-me profundamente. Aproximou-me muito deste ser humano que, além de cumprir com suas tarefas religiosas, faz o possível para ajudar as gerações jovens entenderem a crueldade do nazismo e a importância do seu povo e de sua cultura no Brasil e no mundo.

Engelman continuou e continua generoso em sua missão de abrir a sinagoga para a “visita de conhecimentos” que passamos a realizar uma vez ao ano, com estudantes do nono ano do Ensino Fundamental.

Continua, também, disponível a dar palestras sobre Fundamentos da fé judaica. A visitação ao Cemitério Israelita também pode ser agendada clicando aqui, onde você encontrará os contatos e telefones das pessoas responsáveis.

Assim escreveu:

“Quero deixar meu depoimento em relação às diversas visitas realizadas pelo Professor Nei Alberto Pies e por outros Professores juntamente com seus alunos em nossa Sinagoga (Templo Judaico). A experiência vivida certamente é muito positiva para ambos os lados, mas ter convivido esses momentos, seguidos de várias perguntas formuladas pelos alunos, só vem reforçar o que nós como entidade religiosa pensamos em relação à proximidade com outras pessoas de culto e fé diferente da nossa. Parabenizo pela iniciativa das visitações junto aos locais sagrados tendo a certeza que esta juventude crescerá com mais informações, sabendo respeitar as culturas diversas existentes em nossos país. Parabéns e Shalom! (Berel Natan Engelman, Presidente e Líder Espiritual da Sociedade União Israelita de Passo Fundo)

Sua generosidade o fez sistematizar também um conjunto de perguntas de estudantes que são mais comuns sobre o judaísmo. Estas perguntas servem como subsídio das aulas, antes da visitação à Sinagoga.




JUDAÍSMO – PERGUNTAS:

COMO SE CHAMA O LIVRO SAGRADO DOS JUDEUS?

O QUE É SHABAT?

POR QUE SE ACENDEM DUAS VELAS NO SHABAT?

O QUE É SHALOM ALEICHEM?

O QUE SIGNIFICA KIDUSH?

COMO SE CHAMA OS PÃES DOS JUDEUS?

POR QUE OS MENINOS JUDEUS SÃO CIRCUNCIDADOS?

EXISTE ALGUMA CERIMÔNIA PARA AS MENINAS JUDIAS QUANDO NASCEM?

QUAL O SIGNIFICADO DO BAR-MITZVÁ?

QUAL O SIGNIFICADO DO BAT-MITZVÁ?

POR QUE O NOIVO QUEBRA UM COPO NO FINAL DA CERIMÔNIA DE CASAMENTO?

POR QUE É PROIBIDO AOS JUDEUS CASAREM-SE COM UMA PESSOA QUE NÃO SEJA DA MESMA RELIGIÃO?

POR QUE SE COBRE O CORPO LOGO APÓS O FALECIMENTO?

POR QUE SE COLOCAM VELAS ACESAS AO LADO DO CORPO DO FALECIDO?

COM QUAL ROUPA O FALECIDO SERÁ ENTERRADO?

POR QUE OS CAIXÕES NÃO SÃO ORNAMENTADOS E FLORES NOS ENTERROS JUDAICOS?

EXISTE UMA ORAÇÃO ESPECÍFICA PARA OS MORTOS?

POR QUE É COSTUME COLOCAR PEDRINHAS NOS TÚMULOS?

EXISTEM DATAS ESPECÍFICAS PARA LEMBRAR DOS FALECIDOS?

A LEI JUDAICA PERMITE A CREMAÇÃO?

POR QUE OS SUICIDAS SÃO ENTERRADOS SEPARADAMENTE?

UM JUDEU PODE SER ENTERRADO EM UM CEMITÉRIO ECUMÊNICO?

COMO O JUDAÍSMO ENTENDE A VIDA A PÓS A MORTE?

POR QUE OS HOMENS JUDEUS USAM UMA KIPÁ (SOLIDÉU)?

O QUE É TALIT?

O QUE É MEZUZA?

O QUE É TEFLIN?

O QUE É MAGUEN DAVID?

O QUE É MINYAN?

O QUE É SHAMÁ ISRAEL?

O QUE É SHOFAR?

O QUE É MITZVÁ?

EXISTE UMA ORAÇÃO ESPECÍFICA PARA VIAGENS?

A PALAVRA AMÉM É SIGNIFICANTE PARA OS JUDEUS?

POR QUE AS MULHERES SENTAM SEPARADAMENTE DOS HOMENS NA SINAGOGA?

O QUE SE FAZ COM OS LIVROS SAGRADOS QUE NÃO PODEM MAIS SER UTILIZADOS?

POR QUE OS JUDEUS ESCREVEM D’US COM APÓSTROFE?

UM CRISTÃO PODE ASSISTIR AO SERVIÇO RELIGIOSO NA SINAGOGA?

O QUE É COMIDA KASHER?

POR QUE OS JUDEUS NÃO COMEM CARNE DE PORCO E CAMARÃO?

OS JUDEUS COMEMORAM A PÁSCOA?

O QUE É MATZÁ?

COMO CHAMA O ANO NOVO JUDAICO?

O QUE É O DIA DO PERDÃO PARA OS JUDEUS?

QUAL A DIFERENÇA DE CHANUKÁ E CHANUKIÁ?

QUAL A DIFERENÇA ENTRE OS TERMOS HEBREUS, ISRAELITAS, JUDEUS E ISRAELENSES?

NA RELIGIÃO JUDAICA, O HOMEM VALE MAIS DO QUE A MULHER?

QUAL O LOCAL MAIS SAGRADO PARA OS JUDEUS?

JESUS ERA JUDEU?

POR QUE OS JUDEUS SE CUMPRIMENTAM COM A PALAVRA SHALOM?



Sugestões de uma prática pedagógica

Questões para aprofundar conhecimentos da cultura e da história dos judeus no Brasil.

Esta atividade pode ser aplicada a estudantes do sétimo ano, segundo trimestre, Unidade temática “Manifestações religiosas/crenças religiosas e filosofias de vida”, Objeto de Conhecimento: “Lideranças religiosas” e “Habilidades”: reconhecer papéis atribuídos às lideranças de diferentes tradições religiosas/identificar lideranças religiosas presentes no espaço municipal e suas contribuições à formação espiritual/exemplificar líderes religiosos que se destacam por contribuições à sociedade.

No nono ano, Unidade temática “Crenças religiosas e filosofias de vida”, Objeto de Conhecimento “Vida e morte”, habilidades “identificar sentidos de viver e morrer em diferentes tradições” e “caracterizar ritos fúnebres de diferentes tradições”.

Esta prática pedagógica também pode ser aplicada a estudantes do Ensino Médio.

  1. Acesse o material do CONIB(https://www.conib.org.br/historia/). Neste site descobrimos que a comunidade judaica no Brasil é a segunda mais importante da América Latina, atrás da Argentina e à frente do México, com 120 mil entre os 204 milhões de brasileiros, ou seja, 0,06% da população. Qual é a conclusão que podemos chegar sobre a importância dos judeus no Brasil, estudando conteúdo do link citado?
  •  Quais das questões listadas na parte final do texto acima por Berel Natan Engelman, Líder Espiritual da Sociedade União Israelita em Passo Fundo, correspondem às suas curiosidades sobre o judaísmo?
  • Que livros ou filmes você já viu sobre o Holocausto a que o povo judeu foi submetido na II Guerra Mundial? O que estes filmes ou livros demonstram?
  • Qual é o sentido e o cuidado que os judeus têm para com seus mortos, sobretudo quando tratam do Beit Kvarot (lugar dos sepulcros) ou (casa da eternidade), conforme matéria (https://www.sinagogapf.com.br/chevra_kadisha)?

Conhecimentos e habilidades filosóficas

As temáticas apresentadas para a filosofia procuram caracterizar o objeto do conhecimento, que é o pensamento crítico e reflexivo. Para tanto, remetem sempre ao que é filosofar?, aos grandes temas abordados pelos filósofos ao longo da história da humanidade , qual é o papel da lógica e da ética. A filosofia, ou o filosofar, devem ajudar a problematizar o nosso cotidiano, em busca de respostas mais elaboradas e mais consistentes e conscientes.

Seguem 26 reflexões que foram selecionadas como subsídios para o trabalho de professores e professoras que atuam com Filosofia nas séries finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.



O QUE É FILOSOFAR?

“Existir, por si só, é algo misterioso…  Afinal, quem somos nós? Qual o sentido das nossas vidas? O que significa dizer que somos livres? E até que ponto podemos conhecer a realidade? Eis, aqui, a nossa própria existência em questão. Pois tais interrogações, dentre tantas outras, incidem sobre a compreensão que possamos ter das nossas vidas, como das nossas relações com os outros, e afetam a nossa visão do mundo, se paramos para pensar…” (AUTOR Sérgio Sardi).

Acesse o texto clicando aqui.

Sugestões de uma prática pedagógica

Esta prática pedagógica pode ser aplicada em estudantes do sexto ano do Ensino Fundamental, Unidade temática Ética e Lógica, Objetos de Conhecimento: “O homem como um ser que pensa/A arte de perguntar, Habilidades: “pensar sobre o ato de aprender, o tempo, os modos de aprender, a responsabilidade, o desejo e a autonomia/estabelecer a distinção entre o filosofar espontâneo, próprio do senso comum e o filosofar como reflexão”.

Questões que fazem pensar: (elaboradas por professor Alex Rosset)

  • 1) Por que a sabedoria nunca se apresenta de forma acabada?
  • 2) De todas as questões apresentadas pelo texto, qual delas você considera a mais importante? Justifique.
  • 3) Desde sua origem na Grécia Antiga, o que a filosofia necessita para se desenvolver?
  • 4) Para que servem a perplexidade e admiração na filosofia?
  • 5) Explique como o diálogo pode ser uma ferramenta da filosofia?
  • 6) A filosofia é algo desafiador: “Surge assim um convite a pensar naquilo que é, ainda, não-pensado, a ir ao encontro dos nossos próprios limites, condição de sua superação”. Você é capaz de pensar numa frase que motiva o sentido de sua vida? Escreva.



DESCONECTADOS, EM REDE?

“Sou usuário das “redes sociais”, acompanho o que pessoas próximas e distantes publicam em seus perfis, interajo com alguns post, “curto”, “comento” “compartilho”, mas também fico irritado, perplexo indignado diante de outros. Pensado sobre essas duas atitudes, surgiu a necessidade deste texto que, mesmo que pessoal, nasceu para permitir reflexão”. (AUTOR: Marciano Pereira)

Acesse o texto clicando aqui.

Sugestões de uma prática pedagógica

Esta prática pedagógica pode ser aplicada a estudantes de sétimo ano do Ensino Fundamental, Unidade temática Ética e Lógica, Objeto do Conhecimento: “Eu, adolescente, no tempo e espaço”, Habilidade: “refletir a relação dos jovens com as mídias e outros grupos sociais”.

Questões que fazem pensar (elaboradas pelo professor Alex Rosset)

  1. A partir da leitura do texto, promover discussão com estudantes sobre a forma como estes utilizam as redes sociais.
  2. Levantar situações, no quadro, sobre situações em que o uso das redes sociais revelam o egoísmo e a maldade das pessoas e outras situações onde o uso das redes pode promover ações solidárias e humanizantes.
  3. Fazer caça palavras que segue.



CAIXA DE PANDORA

“Segundo a mitologia grega, Pandora foi a primeira mulher da terra, criada por ordem de Zeus. Ela teve em seu poder um jarro contendo todos os males do mundo. Conhecido como a Caixa de Pandora, esse recipiente não deveria jamais ser aberto. Pandora, no entanto, não resiste à curiosidade (talvez maldade ou ingenuidade) e abre a caixa. Uma vez aberta, não é mais possível impedir que o horror se espalhe pelo mundo”. (AUTORA: Tatiana François Motta)

Para acessar o texto, clique aqui.

Sugestões de uma prática pedagógica

Esta prática pedagógica pode ser aplicada em estudantes do sexto ano do Ensino Fundamental, Objetos do Conhecimento Conflitos morais e éticos/Refletindo sobre temas voltados à ética e à moral, Habilidade: “refletir filosoficamente algumas situações morais e éticas ( a partir de histórias) presente nas relações do homem em sociedade, para melhor pensar e criar saídas aos problemas cotidianos.

Questões que fazem pensar. (elaboradas pelo professor Alex Rosset)

  • 1) Pesquise e faça resumo do mito grego “A caixa de pandora”.
  • 2) Qual o único elemento que permaneceu na caixa de pandora? Porque ela sempre se mantém?
  • 3) Faça uma lista de ao menos cinco grandes males que atingem o Brasil atualmente.
  • 4) Segundo o texto como se explica a viabilidade da civilização desenvolver-se?
  • 5) Qual atitude devemos ter diante dos males que estão ao nosso redor?
  • 6) De que maneira podemos manter controlada nossa pulsão destrutiva?



O QUE É IGNORÂNCIA?

“Desde a relativização de dados e estudos sobre meio ambiente e saúde pública, até a contestação absurda de descobertas científicas, a postura da sociedade tende a enaltecer o senso comum e equiparar opinião pessoal a conhecimento acadêmico e científico”. (AUTORA: Tatiana François Motta).

Para acessar o texto, clique aqui.



CONCEITOS DE AMIZADE, AMOR E AFETOS

” Redescobrir-se como um ser em permanente relação com os outros pode ser a grande contribuição que cada um, individualmente, pode oferecer para a elevação de uma nova consciência de humanidade. Reconhecer e vivenciar valores como a solidariedade, a amizade, o amor, a partilha, a alteridade pode nos possibilitar um mundo onde existam menos violentos e menos violentados”. (AUTOR: Nei Alberto Pies)

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COMO VER O MUNDO: FILOSOFO E CIDADÃO

Nossas crianças estão sendo educadas, já corporalmente, para o imediatismo das imagens. O imediatismo, ou seja, o sem mediação, é antes de tudo o rápido. Acesso e entendimento precisam, agora, de velocidade. As pessoas aceleram meus vídeos. Não querem pensar. Se irritam se não recebem toda a informação de uma vez só, como quem recebe um tapa na cara, e não um beijo. São pessoas que já foram educadas pela minha neta. Que sabe beijar já, mas que estará propensa a estapear, aposto. (AUTOR Paulo Ghiraldelli)

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SENTIDO DE VIDA

“A religião e a filosofia são duas doutrinas de salvação exatamente por elaborarem, sistematicamente, aquilo que seria o essencial numa ordem hierárquica de valores, não só para viver, mas bem viver”. (AUTOR Gilmar Zampieri)

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Sugestões de uma prática pedagógica

Esta prática pedagógica pode ser aplicada a estudantes do sétimo ano do Ensino Fundamental, Unidade temática Ética e Lógica, Objeto de Conhecimento “Eu, adolescente no tempo e no espaço”, Habilidade “discutir a fase típica da vida adolescente: sentimentos, conflitos, desejos para refletir sobre os conflitos com olhar mais aberto e consciente”.

Questões que fazem pensar. (elaboradas pelo professor Alex Rosset)

  • 1) Por que a vida do ser humano não pode ser definida apenas como biológica?
  • 2) O que foi decisivo para Frankl manter-se vivo enquanto enfrentava uma vida de privações e de presença excessiva do mal?
  • 3) Faça uma pesquisa sobre logoterapia e escreva um parágrafo resumindo no que consiste.
  • 4) Exemplifique como podemos formular o sentido da vida segundo o texto.
  • 5) Pergunte no seu círculo de convivência, pais, avós, tios(as), qual o sentido da vida para eles. Organize as respostas e traga para compartilhar com os colegas.
  • 6) Quais são as quatro teorias sobre o sentido de vida que são apresentadas no vídeo que está publicado no texto?



CRONICA SOBRE EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE

“Mas a denúncia estava lá, dentro e fora de uma igreja da França. A dor de que fui tomada era imensa. Vivi intensamente a gentileza e a elegância daquelas pessoas que jogavam, que confraternizavam e denunciavam uma situação que todos conhecemos no Brasil, o país que mais mata pessoas LGBTs do mundo”. (AUTORA Sueli Ghelen Frosi)

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A IMPORTÂNCIA DE LER

“Afinal, gostar de ler exige uma série de situações pelas quais é preciso passar: a primeira é a descoberta do valor da leitura; a segunda é a curiosidade pelas novidades que os livros trazem; a terceira é ter livros ou impressos ao alcance das mãos. Tais fatores aparecem, principalmente, quando as bibliotecas estão por perto e são facilmente visitáveis, fornecendo livros emprestados”. (AUTOR: Padre Cesar Moreira)

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MITO DA CAVERNA HOJE

“Seguindo os ensinamentos de Sócrates, Platão indica que para atingir o mundo verdadeiro, o indivíduo deve exercitar o pensamento crítico e racional, transcendendo os limites dos sentidos básicos. De acordo com essa história, as pessoas que vivem em uma grande caverna, estão presas por correntes, que as forçam a estar fixadas com a olhar para as paredes em que estão projetadas as sombras”. (AUTOR Israel Kujawa)

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Sugestões de uma prática pedagógica

Questões que fazem pensar.

Após leitura e compreensão do texto, discutir, em círculo, que novas formas de alienação o mundo moderno apresenta aos jovens de hoje? Que ilusões, que falsas ideias ainda rodeiam o imaginário dos adolescentes e jovens?



O AMOR EM SUAS DIFERENTES CONCEPÇÕES

“Os agressores e assassinos pareciam falar com a mesma propriedade como Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos que ama”; como São Francisco: “Por amor deixei todos os bens e optei pela irmã pobreza.” Justificam-se como Tereza de Calcutá: “Por amor entreguei minha vida aos pobres e doentes.” Quem lhes deu autoridade para a profanação do amor”. (AUTOR Pablo Morenno)

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FILOSOFIA NO DIA A DIA

“Duvido que alguém tenha saído daquela sala sem ter sido profundamente afetado. Certamente aquela meninada tinha a impressão de que a filosofia fosse algo abstrato, fruto de conceitos que, através da história da filosofia diferentes pensadores elaboraram para entender os valores, a natureza, a beleza, o homem, cada um à sua maneira”. (AUTORA Sueli Ghelen Frosi)

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JOVENS ESTACIONADOS NO PRESENTE –SEM PERSPECTIVAS?

“A revolução da Internet – mas de modo particular o Facebook, WhatsApp e o Instagram – levou uma boa parte da população, homens e mulheres, a estacionar no presente. Um presente fortemente marcado por uma conduta narcisista, no amplo espectro do individualismo moderno ou pósmoderno. E não se trata somente da adolescência e da juventude, como muitas vezes se nota em visões estereotipadas”. (AUTOR Alfredo Gonçalves).

Para acessar o texto, clique aqui.

Sugestões de uma prática pedagógica

Esta prática pedagógica pode ser aplicada a estudantes do sétimo ano do Ensino Fundamental, Unidade temática Ética e Lógica, Objeto de Conhecimento “Eu, adolescente no tempo e no espaço”, Habilidade “discutir a fase típica da vida adolescente: sentimentos, conflitos, desejos para refletir sobre os conflitos com olhar mais aberto e consciente”.

Questões que fazem pensar

  1. Será que o autor tem razão em afirmar que as redes sociais tornaram os adolescentes, jovens e adultos mais individualistas, egoístas e narcisistas?
  2. O que você entendeu desta frase: “Tudo e todos podem ser objetos desse jogo onde está em campo um exagerado apaixonar-se por si mesmo e pela própria performance”?
  3. Qual é a mensagem do vídeo “Geração sem filtro”?
  4. O que o filósofo brasileiro Sérgio Cortella quis dizer no vídeo Z – Geração do Agora?




QUEM SOU EU?

“Nós somos constituídos por pessoas. Eu não sou eu. Eu sou o outro. A vida do outro que viveu pra mim. E eu vou constituindo outras pessoas. Assim nós nos tornamos eternos”. (AUTOR Laércio Fernandes dos Santos).

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LIBERDADE EXISTE?

“Segundo a filosofia, liberdade é a independência do ser humano. Isto é o mesmo que ter autonomia, porém, na prática, restam os questionamentos de que liberdade é utopia. Sartre, Descartes, Kant e Marx tiveram o cuidado de questionar o conceito. No dia-a-dia fica evidente a nossa incapacidade de sermos realmente livres.” (AUTOR Sueli Ghelen Frosi).

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VERDADE E CONHECIMENTO

“Acredito que o conhecimento tem o propósito de atrair e incentivar as pessoas para a busca do novo, sem nenhum trauma, humilhação ou opressão. Talvez esse seja o ensino que liberta o indivíduo, que demonstra amor pelo próximo e pelo coletivo, e que como diz Paulo Freire impregna de sentido aquilo que fazemos a cada instante”. (AUTOR Ricardo Germani)

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DERROTA DO PENSAMENTO?

“Não é apenas o pensamento diplomado que está sendo derrotado. Trata-se também do pensamento de quem busca a verdade através da leitura e do conhecimento de diversas fontes, e se trata do saber ancestral e baseado nas experiências vividas, que não pode ser desprezado pelo saber imediato e sem relação com nada, além da própria impressão da realidade, influenciada pelos meios de (des)informação que hoje dispomos”. (AUTOR: Rui Antonio de Souza).

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ONDE ESTÁ NOSSA HUMANIDADE?

“Os teólogos também fazem perguntas essenciais, mas eles sempre são socorridos pelo além, pela revelação que vem de fora. O filósofo não. O filósofo está no limite da razão. No máximo pode ter intuições e inspirações humanas, demasiadas humanas, mas nunca divinas. O que lhe é limite é, contudo, sua grandeza”. (AUTOR Gilmar Zampieri).

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DEFINIÇÕES DO SER HUMANO

“Diferentemente de Aristófanes que diz que o amor é satisfação no encontro com o objeto amado, Sócrates diz que o amor é desejo e desejo é desejo de algo que nos falta. Acontece que não há objeto que satisfaça o desejo, e o próprio Sócrates diz que há uma escalada de desejos passando de um corpo belo físico e particular, ascendendo para os belos corpos, avançando para as ciências do belo e para o Belo em si…! Amar é, pois, adiar constantemente a satisfação, porque na medida em que se alcança o objeto amado, deseja-se outra coisa e outra coisa e outra coisa, sem fim…” (AUTOR: Gilmar Zampieri)

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O PREÇO POR NÃO SABER

– Teu barato te custou muito caro, pois contratando pessoas incompetentes, perdeste três dias de produção. Da minha parte, levei anos para cursar uma boa faculdade. Ralei noites a fio, preparando-me para as provas, exames e estágios. E mais, continuo a viajar em busca dos saberes globalizados. Tudo tem seu preço, Senhor! (AUTOR Eládio Weschenfelder)

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COMO NOS TORNAMOS HUMANOS?

“Nosso maior palco é a vida e nela somos eternos aprendizes. Nosso maior desafio é a humanização, através do conhecimento. O conhecimento nos torna melhor seres humanos. A escola e a vida são oportunidades de aprendizagem, socialização e construção de conhecimentos. Humanizar é um dos maiores desafios da atualidade”. (AUTOR: Nei Alberto Pies)

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FALAR E ESCUTAR

“Os bons “escutadores” andam sumidos e fazem muita falta no atual momento histórico. Quando temos poucos dispostos a nos ouvir, criamos diferentes maneiras de comunicar as nossas alegrias, dores e angústias de ser humano, como também nossas bestialidades. Amplia-se, então, geralmente, ainda mais nossa incompreensão por parte dos outros”. (AUTOR Nei Alberto Pies)

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O TATU FILOSOFANTE

“O tatu há muito não dormia, pois não queria mais sonhos. Mas descobriu que a vida sem sonhos não tem graça. Era um sujeito sem casa, sem nome, sem roupa, sem problemas, sem saber. Mas sem sonhos, para que viver? (AUTORA Rosangela Trajano)

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RELAÇÃO SER HUMANO E DEMAIS ANIMAIS

“A questão é a relação dos humanos para com os animais que muito precisamente pode ser qualificada de prática nazista de holocausto em campos de concentração. Há um holocausto diário em ação e as vítimas são os mais inofensivos e inocentes possíveis, os animais. Os animais são de Deus, a bestialidade é dos homens (Platão).(AUTOR Gilmar Zampieri)

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SOMOS FOGUEIRINHAS

“Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo”. (Conto de Eduardo Galeano)

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IDEIAS SÃO LENTES

“Há algo de estranho e admirável no mundo. Pensar, por exemplo, que tudo poderia simplesmente não existir, ou que sequer sabemos o que somos, para onde vamos e qual o sentido de tudo… pode até causar vertigens. Pois, são muitas, e são decisivas as perguntas que surgem quando indagamos o sentido último de tudo o que nos cerca”. (AUTOR Sérgio Sardi).

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Filosofia, ética e política

As temáticas apresentadas para a filosofia procuram caracterizar o objeto do conhecimento, que é o pensamento crítico e reflexivo. Para tanto, remetem sempre ao que é filosofar?, aos grandes temas abordados pelos filósofos ao longo da história da humanidade , qual é o papel da lógica e da ética. A filosofia, ou o filosofar, devem ajudar a problematizar o nosso cotidiano, em busca de respostas mais elaboradas e mais consistentes e conscientes.

Seguem 29 reflexões que foram selecionadas como subsídios para o trabalho de professores e professoras que atuam com Filosofia nas séries finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.


VALORIZAR A VIDA E PRESTAR SOLIDARIEDADE AOS IMIGRANTES

“Ano passado, no Instituto Estadual Cecy Leite Costa, deparei-me com uma situação que exigiu de mim, mais do que ser um professor, ser um verdadeiro ser humano, que vê no outro o seu semelhante. Entrei para dar aula num 3º Ano, observei que 3 alunos não eram brasileiros. Eu poderia fazer como muitos: eles que se virem, quem mandou sair do Haiti para morar no Brasil? Darei minha aula de Língua Portuguesa e se eles não aprenderem, o problema é deles”. (AUTOR Laércio Fernandes dos Santos)

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Sugestões para uma prática pedagógica

Questões que ajudam a pensar:

  • 1) Quais são os motivos que levam as pessoas a migrarem para outros países?
  • 2) Quais foram as motivações que levaram o professor a procurar o Ateliê de Conversação?
  • 3) Qual foi a atitude da estudante quando soube que havia alguém estudante sem material escolar? Qual sentimento fez ela se mobilizar?
  • 4) Pesquise quais são as maiores dificuldades encontras pelos imigrantes quando chegam a um novo país.
  • 5) Você conhece história semelhantes a do professor que fez a diferença na vida dos imigrantes? Relate algumas.
  • 6) Por que é necessário um olhar mais tolerante e compassivo com os imigrantes, como sugere autor de outro texto com link nesta publicação?



TEMPOS DE ASSOMBRO

“Se a Peste Negra trouxe  grandes  alterações  sociais e contribuiu para  acabar com o sistema de servidão imposto aos  camponeses  à  época, o que provocará o  Coronavírus   na  economia, na sociedade e na política ?  Quem viver, verá! (AUTOR José Ernani de Almeida)

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Sugestões para uma prática pedagógica

Propor aos alunos que respondam, em duplas ou trios, as questões que seguem. Depois, realizar um debate, com a sala de aula em forma de círculo.

Questões que ajudam a pensar:

  • 1) Temos a sensação de que o Brasil seja o paraíso, mas assistimos a alguns fenômenos desastrosos com grandes consequências sociais: seca, rompimento de barragem, pandemia e outros. No Brasil existe algum plano ou política pública para auxiliar nos possíveis desastres?
  • 2) Sempre que acontece algum fenômeno desastroso procuramos culpados. Essa seria a nossa maneira de nos afastarmos de nossa responsabilidade? Como podemos ser responsáveis pelo que nos acontece?
  • 3) Como podemos exemplificar a expressão: “(…)falsa noção de riqueza da sociedade de consumo do século 21”.
  • 4) Em busca do lucro a qualquer custo, muitas coisas boas são sacrificadas. Por exemplo, a natureza e também vidas humanas. Vocês concordam que algumas pessoas precisam se sacrificar para que outras possam ter uma vida boa e farta?
  • 5) O que vocês imaginam que pode mudar em nossas vidas cotidianas após o evento do Corona Vírus?



CULTURA DE TOLERÂNCIA E ESTUPIDEZ

“A cultura de ódio, perseguição e mentiras cega toda a sociedade, manipula as mentes e nos transforma em “robôs”, repetidores de inverdades e frases prontas”. (AUTOR: Nei Alberto Pies).

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O MEDO COMO OBSTÁCULO PARA A ETICA

“O medo é um obstáculo à ética, porque paralisa a ação. E se não podemos agir, então estamos apartados de nossas escolhas, isso porque se não há ação não há possibilidade, não há devir. (AUTOR: Flávio Tonetti e Arthur Meucci)

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COMO NOS TORNAMOS HUMANOS?

“Nosso maior palco é a vida e nela somos eternos aprendizes. Nosso maior desafio é a humanização, através do conhecimento. O conhecimento nos torna melhor seres humanos. A escola e a vida são oportunidades de aprendizagem, socialização e construção de conhecimentos. Humanizar é um dos maiores desafios da atualidade”. (AUTOR: Nei Alberto Pies)

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Sugestões para uma prática pedagógica

Questões que ajudam a pensar: (elaboradas pelo professor Alex Rosset)

Assistir ao vídeo para responder as questões.

  • 1) Qual é o maior desafio da atualidade apresentado pelo texto?
  • 2)  Quais são as consequências de um mundo cheio de ignorância?
  • 3) Quais são as duas funções principais da escola no processo de humanização?
  • 4) Por que é preciso resgatar os valores essenciais?
  • 5) Quais são as ações que mais humanizam? Cite exemplos.
  • 6) Paulo Freira fala sobre uma maneira de mudar o mundo: mudando as pessoas. Pesquise outras maneiras possíveis de mudar o mundo para melhor.



CRIANÇAS DE AUSCHWITZ

“Imaginemos várias crianças num trem lotado, com sede, fome e calor, no escuro chorando pelos seus pais sem saber para onde estão sendo levadas e com medo do que vai lhes acontecer logo mais. Sim, isso é o inferno e se ele existiu algum dia na terra esse lugar foi Auschwitz. Que esse mal não aconteça nunca mais e que as nossas crianças nunca mais sofram nas mãos de soldados sem misericórdia no coração.” (AUTORA Rosangela Trajano).

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Sugestões para uma prática pedagógica

Questões que ajudam a pensar

Motivados pela leitura do texto, assistir filmes ou ler livros sobre as consequências do holocausto sobre as crianças, da II Guerra Mundial, como “O menino do pijama listrado” e/ou “A menina que roubava livros”. Ao final, fazer um resumo da leitura do texto e de um dos vídeos que assistiu ou livros que leu.




RAIVA: ASPECTOS BONS E MAUS

“A raiva é parte de tudo o que queremos mostrar. É tudo aquilo que não superamos carregar sozinhos. Por não vivermos sozinhos, expulsamos de nós o que já não conseguimos carregar e suportar dentro da gente”. (AUTORA Fernanda Oliveira)

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CRISE ÉTICA

“Mas afinal, o que é ética? Resumindo, a ética trata do agir humano. É também uma postura, uma atitude e um modo de ser, como diziam os gregos. No dia a dia o papel da ética é orientar as ações humanas para que sejam as melhores possíveis”. (AUTOR Angelo Vitório Cenci).

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Sugestões para uma prática pedagógica

Questões que ajudam a pensar: (elaborado pelo professor Alex Rosset)




ÉTICA NA POLÍTICA

“É aqui que ganha relevância a pergunta do título: para que serve a ética na política? O exemplo acima torna a resposta muito simples e transparente: serve para identificar os possíveis conflitos de interesses que estão em jogo, precavendo-se contra eles desde o momento do registro da candidatura. (AUTOR Alfredo Gonçalves).

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RESPEITO E CONSIDERAÇÃO AOS IMIGRANTES

“O direito de migrar é universal. Nenhum ser humano é ilegal. É dever do Brasil, signatário de vários tratados internacionais que reconhecem esse direito, garantir a segurança e os direitos dos migrantes no país. A face cruel do capitalismo não irá barbarizar nossa humanidade”. (AUTOR Setembrino Dal Bosco).

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COMO EDUCAR PARA A ÉTICA?

Comportamentos racistas, machistas, homofóbicos, xenófobos e especistas são sinais de atraso e perversão de ordem moral e má formação de caráter. Pais e professores necessitam ter isso em conta. Isso coloca uma pergunta constrangedora para todas as famílias e para as escolas. Qual é o conceito de vida bem-sucedida que estamos ensinando para os filhos e estudantes? (AUTOR Gilmar Zampieri)

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HOMOFOBIA: QUESTÃO DE OPINIÃO?

“O Brasil está entre os países que mais matam pessoas por serem elas mesmas, por buscarem amar e ser livremente. Ser homossexual no Brasil é um fator de risco, já que a cada 19 horas um LGBT é morto simplesmente por ser quem é. A cada 23 horas uma travesti é morta por crime de ódio em virtude da sua identidade de gênero, diferente do “tradicional”, que incomoda a ponto de matar e resulta em estatísticas alarmantes”. (AUTORA Ingra Costa e Silva).

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Sugestões para uma prática pedagógica

Questões que fazem pensar.

  1. A partir da leitura do texto, levantar na turma situações conhecidas pelos estudantes sobre a prática da homofobia na sociedade.
  2. Propor discussão sobre porque o Brasil tem tão altos índices de violência contra as populações LGBTs?
  3. O que precisa acontecer na sociedade para que nos tornemos mais tolerantes às diferentes diferenças entre a gente?




COMO É A VIDA NAS REDES SOCIAIS?

“A internet, porém, é feita por anônimos. As pessoas que postam e compartilham nem sempre são seres reais – e nem sempre falam sobre dados e informações reais. O espaço virtual propicia a omissão do sujeito e, todos os dias, o facebook te convida a dar a sua opinião quando te pergunta na página inicial: “No que você está pensando?” (AUTORIA site)

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COISAS DE MENINO E COISAS DE MENINA?

“Reforçando estes papéis construídos socialmente, lá na infância, que fizemos com que os adultos naturalizem que o trabalho doméstico e cuidar dos filhos é uma função da mulher, que o homem deve ser agressivo, correr de carro, demonstrar masculinidade portando armas…”. (AUTOR Ingra Costa e Silva).

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O QUE REPRESENTAM OS POLÍTICOS E A POLÍTICA?

“A política não é um espaço para a ação de anjos, mas é o espaço de disputa dos mais diferentes interesses que estão em jogo na sociedade. A disputa destes interesses é legítima, desde que os mesmos estejam sempre bem explicitados, para que todos saibam o que move os candidatos que se propõem a representar os interesses da população”. (AUTOR: Nei Alberto Pies)

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A VIOLÊNCIA SE DIZ DE VÁRIAS FORMAS

“Algo parecido acontece com as múltiplas cópias possíveis de serem feitas a partir do original. O original é só um, as cópias são muitas. Essa ideia é atraente, mas é falsa. Essa postura é reflexo de um platonismo tardio que pensa a partir da metafísica do Um, do Bem, do Justo em si. Aristóteles já havia confrontado Platão e dito que o bem, o verdadeiro, o belo, o ser, enfim, se diz de várias e legítimas formas. Mas isso tudo é conversa de filósofos metafísicos e a questão que interessa, aqui, é mais pé não chão, mais terra e menos nuvens. Sejamos, pois, fieis à terra, como diz Nietzsche”. (AUTOR Gilmar Zampieri)

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NORMALIDADE: PORQUE ACEITAMOS CERTAS COISAS COMO NORMAIS?

“Como podemos considerar aceitável que pessoas próximas a nós espalhem fotos e vídeos íntimos de gente que nem conhecem, ou que conhecem bem demais? Como pode ser comum a indigência, a barbárie, a deterioração da vida humana, a desconsideração total com sentimentos e necessidades dos outros?” (AUTORA: Tatiana François Motta)

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ÉTICA E HOMOSSEXUALIDADE

“A ética levanta a seguinte questão: o que há de errado em ser homossexual? E se não há nada de errado, porque então insistir em querer que os que são, mudem e deixem de ser?” (AUTOR: Gilmar Zampieri)

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SABER OUVIR

“Ouvindo o outro você escuta o que ele disse, ao invés de escutar o que quer ouvir. Você aprende, você entende. Você discute. Tão demonizadas em períodos de bipolaridades políticas e religiosas, as discussões têm um papel fundamental na construção de novos saberes. Na construção de ideias coletivas, na construção de um mundo mais humanamente habitável e socialmente justo”. (AUTORA: Ingra Costa e Silva).

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ÉTICA NA ALIMENTAÇÃO

“Estamos, agora, a um passo de perder a inocência alimentar, inocência no prato. O prato e o que entra nele é algo tão natural que, raramente, e poucos se interrogam, seriamente, quanto à necessidade de pensar e escolher consciente e responsavelmente o que se come. O ato de comer é um ato ético, ou anti-ético. É um ato ético sempre que nele entra o outro reconhecido como outro, respeitado como outro em seus direitos, e anti-ético quando negamos a alteridade do outro enquanto outro”. (AUTOR: Gilmar Zampieri).

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RECONHECIMENTO SOCIAL

“A qualidade de nossa vida social está intrinsecamente ligada com a nossa capacidade de conviver, de associar-se, de mover-se, de construir acordos e projetos coletivos, de agregar”. (AUTOR Nei Alberto Pies)

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VANTAGENS EM COOPERAR

“Ao desaprendermos a cooperação, empobrecemos nossas relações sociais e a própria condição de humanidade, que se realiza a partir da interdependência com os outros. Ao abrirmos mãos da intrínseca relação entre o eu e o outro, perdemos a dimensão da construção social que é sempre coletiva; que nos faz humanidade em movimento”. (AUTOR Nei Alberto Pies)

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Sugestões para uma prática pedagógica

Questões que ajudam a pensar: (elaboradas pelo professor Alex Rosset)

Esta prática é sugerida para estudantes do oitavo ano do Ensino Fundamental, Unidade temática Ética, Objetos de Conhecimento Dilemas éticos/valores, habilidade “experimentar situações que possibilitem o debate e a argumentação e exercitar a tomada de posição em princípios éticos”.

  • 1) Quais são as principais vantagens entre aqueles que cooperam?
  • 2) Quais as consequências possíveis se abrirmos mão da cooperação entre nossos semelhantes?
  • 3) Em seu slogan de publicidade o banco Sicredi anuncia: “Gente que coopera cresce”. Que mensagem o banco de crédito espera transmitir às pessoas?
  • 4) O que significa ser um individualista? Elabora um exemplo de uma situação de individualismo.
  • 5) Por que, segundo o texto, a minha liberdade não termina onde começa a do outro?
  • 6) Sutilmente o texto afirma que as gerações atuais são mais individualistas. Quais seriam os motivos?



ENTRE ESTÉTICA E UTILIDADE

“O sentido estético não é apenas feminino, é inerente ao ser humano como os detalhes das malas, embora nas mulheres, por motivos óbvios, adquiriu ênfase próprio. Até minha mãe, simples cabocla e camponesa, almejava a beleza em seus feitos”. (AUTOR: Pablo Morenno)

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Sugestões para uma prática pedagógica

Questões que ajudam a pensar: (elaboradas pelo professor Alex Rosset)

Esta prática pode ser aplicada em estudantes do nono ano do Ensino Fundamental, Unidade temática Política, Conhecimento e estética/Temas ligados à estética. Habilidade “pensar o conceito de estética e pensar criticamente os padrões de beleza que regem sociedade atual”.

Também pode ser aplicada a estudantes do Ensino Médio.

  • 1) Faça uma pesquisa sobre a definição do que é estética e como ela pode ser útil para a sociedade.
  • 2) O que a estética é capaz de fazer com as coisas mais simples do mundo?
  • 3) Você consegue perceber a distribuição estética no espaço em que vive? Cite ao menos três exemplos.
  • 4) Quando você está pesquisando um produto novo para a comprar o que mais leva em consideração? Sua beleza ou apenas a utilidade? Explique.
  • 5) Seria correto, segundo o texto, afirmar que o senso estético (a capacidade de julgar, raciocinar, apreciar e decidir o que é belo e agradável aos sentidos humanos) está mais desenvolvidos nas mulheres? Justifique sua posição.
  • 6) O belo pode ser definido como (a) que tem formas e proporções harmônicas; bonito ou também (b) que produz uma viva impressão de deleite e admiração. Identifique uma obra de arte que seja capaz de fazer jus aos atributos do belo e explique os motivos de sua escolha.




POR QUE SER ÉTICO?

“Partindo de uma concepção de que somos seres em relação, o professor afirma que a humanidade está nas mãos dos seres humanos. Somos abertos, inconclusos, podemos sempre ser diferentes e mais do que somos. Ao mesmo tempo que pode estar na perspectiva de potencialização e afirmação positiva, a humanidade pode também estar na perspectiva da destruição e dominação de uns sobre os outros”. (AUTOR Paulo César Carbonari)

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Sugestões de uma prática pedagógica

Questões que fazem pensar.

  1. Quais são as ideias apresentadas no vídeo sobre ser ético?
  2. Que exemplos da vida cotidiana podemos citar como parte da dimensão ética da vida da gente?
  3. É fácil agir eticamente?




COMO É SER MULHER HOJE?

“Sozinha nunca merece. Existindo nunca merece. Bem na verdade, parece que nunca merece. Em situação nenhuma, em lugar nenhum, com roupa nenhuma. Isso é ser mulher. Todo dia, de uma forma tão frequente, acabamos naturalizando todo tipo de barbaridade que a sociedade nos submete. E aí, você ia querer ser mulher numa sociedade como esta? (AUTORA Ingra Costa e Silva)

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EXISTEM HUMANOS DIREITOS?

“Gosto da frase que diz: os direitos humanos não são só para os humanos direitos. Essa frase dá o que pensar. Há uma narrativa conservadora e elitista que teima em se opor aos defensores dos direitos humanos dizendo que estes só defendem marginais, homossexuais, pobres, negros e excluídos”. (AUTOR Gilmar Zampieri)

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DIREITOS E FRAGILIDADE HUMANAS

“Ainda esperamos encontrar o humano: em sua fragilidade. Sim, ali está o humano, na fragilidade, nos limites da fragilidade. É ali que todas as nossas mais profundas crenças se chocam com a singular realidade. E, deste modo, renovam-se como sentido. Pensar assim é pensar que a dignidade não é dada e nem é mérito de privilegiados”. (AUTOR Paulo César Carbonari).

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MUNDO SEM REFLEXÃO?

“Como somos, sem ideias? O que seremos sem reflexão (que nada mais é do que pensar a ação humana)? O que importa é que, apesar desta cultura de não-reflexão já ter tomado conta de quase todo mundo, ainda conseguimos espaços para perguntar e refletir, como estou fazendo agora. Resta saber se ainda existem espaços para a gente mudar, de verdade, o percurso que a engenhosa humanidade já decidiu trilhar. Se ainda teremos tempo de nos humanizar (nos tornar seres humanos melhores). (AUTOR Nei Alberto Pies)

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O QUE É SER DO BEM?

Somos, por natureza humana, pouco bons e pouco maus. Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno, estamos em busca do necessário equilíbrio. As religiões sabem disso, por isso sua insistência em nos ajudar a equilibrar os pensamentos e as ações cotidianas”. (AUTOR Nei Alberto Pies)

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As pestes

Temos hoje várias pestes em uma só…
uma biológica, perigosa e outras cujo
mecanismo de transmissão é o mesmo
do século XIV, a ignorância.


O mundo já passou por vários surtos epidêmicos e, a proporção com que aconteceram, também resultou em impactos profundos na humanidade após esta crises.

A peste negra, difundida por ratos e suas pulgas contaminadas pelo Yersinia pestis, foi uma epidemia medieval que aconteceu nos idos de 1300 resultou em extermínio em massa da população. Estima-se em até 200 milhões de mortes.

Durante muito tempo, a Peste foi perpetuada pela limitação intelectual da época. Daniel Defoe, famoso por Robinson Crusoé, produziu um livro chamado “Um diário do ano da peste”, escrito em 1722, nos conta que os ingleses mastigavam fumo ou amarravam noz-moscada no pescoço além de acreditar que aquele surto seria um castigo de Deus. O livro ainda destaca narrativas dos aproveitadores, daqueles que tem interesses escusos por trás da realidade.

Logo em seguida, a transmissão do rato (por meio da pulga), esta virose passava a ser transmitida pessoa para pessoas através de secreções respiratórias. Sua solução portanto, exigia ações coordenadas, não adiantava eu resolver meu problema se o vizinho não mantivesse condições adequadas em uma fase da história sem educação, luz, agua abundante e muito menos saneantes comprados no mercado.

O que estamos vendo agora é a mesmo quadro, um doença que cursa tal qual uma gripe mas que vitima por volume de pessoas contaminadas. A solução não seria diferente… cooperação, o que seria também fácil passados dois mil anos do nascimento de Cristo.

Acontece que nós retornamos muitos anos, décadas e talvez séculos de uns tempos para agora. Com isso, surgiram admiradores de ratos e suas pulgas contaminadas e até mesmo defensores de fantasias e condutas preconizadas por psicopatas poderosos tal qual 1722.

Aqui é preciso separar a subjetividade política da realidade científica. É bem possível que muitos estejam utilizando a situação para uso político? A resposta é óbvia. Confirmando ou negando esta hipótese, qualquer uma das respostas não possui qualquer impacto sobre o problema real, basta entrar no site de qualquer empresa de comunicação mundial para avaliarmos a dimensão exata do problema.

Colocar uma enfermeira italiana chorando pode ser útil politicamente mas também precisamos prestar atenção no conteúdo da fala. Ela pode está sendo usada para interesses terceiros, mas mantém os interesses primários de descrever o fenômeno vocalizado.

Não há soluções simples. Na verdade, estamos muito próximo a termos que escolher entre mantermos nosso distanciamento social radical ou alguma flexibilização com fins a manter a atividade econômica. Como sempre, precisaremos aliar parcimônia e velocidade.

Em tempos passados, tínhamos líderes de espectros ideológicos diversos, mas com inteligência suficiente para agir. Neste momento, nosso líder maior é alguém mais preocupado com a próxima eleição do que com o boletim epidemiológico da COVID19.

Em epidemias, a ação concatenada institucional é fundamental e naturalmente surgem líderes que eventualmente não estavam no status quo. E a sensibilidade do líder preocupado com a solução do problema seria potencializar os mais aptos… mas o que nosso líder fez? Inicialmente negou o problema… e quando o problema se mostrou inegável, simplificou…quando ele tomou proporções maiores, derrubou o líder e seus discípulos.

Não há nenhuma chance de não passarmos por esta guerra. A questão é se todos vamos estar ao final de tudo isso, quem de nós ou dos nossos pode tombar nesta guerra? E as vítimas serão pela gravidade da doença ou porque um jovem que tinha uma forma benigna da doença que, ao negá-la, repassou-a com alguma conduta irresponsável?

Temos várias pestes em uma só… uma biológica, perigosa e outras cujo mecanismo de transmissão é o mesmo do século XIV, a ignorância. Naqueles tempo as luzes do conhecimento se materializaram na racionalidade, na Ciência e no Renascimento.

Fique em casa, lave as mãos porque todos precisamos seguir para ver o que vem pela frente.

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Escolas mais solidárias pós pandemia

As escolas só serão locais de profusão de solidariedade se fizerem de seus espaços locais onde se alimenta sonhos. Há muito as escolas deixaram de ser o local onde se vive sonhos.


Em outro texto publicado neste site, acenei como sendo uma das possibilidades a aflorar nesse novo mundo pós pandemia – mas que acima de tudo deve ser construído – a ideia de imaginarmos escolas solidárias. Efetivamente, não se trata de criar um modelo, pois é impossível fazer a solidariedade, a cooperação e o cuidado se assentarem numa proposta. A solidariedade só pode ser experimentada.

Como poderão ser ou se organizar as escolas quando chegar ao fim a pandemia?

Parafraseando a professora Tatiana Lebedeff, que em artigo publicado diz que “quando as aulas voltarem, eu não quero que tenha aula”, surge a ideia de que as escolas que nascerão devem subverter seus próprios passos. Não receber os alunos eu seu formato habitual é o primeiro sinal dessa transformação. Recebe-los de outra maneira é o começo do novo.

Ora, como podem ser erigidas escolas solidárias? Elas só se farão na experimentação, na acolhida a estudantes que ainda não sabemos em que condições chegarão. A solidariedade dentro das escolas será experimentada na atenção àqueles que chegam mais vulneráveis. Uma vulnerabilidade com feições emocionais, econômicas, sociais, e também de aprendizagem. Mas há também de se atentar para os rostos ausentes, aqueles que não comparecerem.

Há muito tempo se fala que os estados emocionais e as condições socioeconômicas são fatores que interferem na aprendizagem. Novamente, a aprendizagem se constituirá no grande desafio que as escolas devem enfrentar.



“O aluno que recebe afeto do professor também passa a conhecer mais as suas emoções e aprende a conviver com indivíduos de pensamentos diferentes sem se preocuparem se são ou não amados. O amor do professor basta-lhe. O aluno vê no professor amado um herói, ele sabe que pode contar-lhe seus mais íntimos segredos, confiar-lhe seu brinquedo mais querido e falar de si sem temer ficar de castigo ou coisa parecida.”  (Rosângela  Trajano)



Desafio porque o mundo passa por um momento crítico e precisa se reinventar (mesmo que uns não queiram); e também porque essa reinvenção não se dará longe das escolas. É necessário então, compreender que a aprendizagem é o centro da ação pedagógica, sem negar aquilo que interfere, e sem abrir mão de mecanismos que possam funcionar como uma ponte.

Quando falamos em escolas solidárias estamos também nos referindo a aprendizagem solidária.

Devemos pensar em propostas pedagógicas que permitam que escolas e estudantes criem uma rede de cooperação capaz de não deixar ninguém para trás quando tratar-se de aprender e de construir caminhos. Devemos cerrar a lógica da competitividade que prenuncia, favorece e justifica os “bons”, e não se atenta aqueles que por condições diversas não atingem as expectativas. Precisamos pensar em ações que estimulem a cooperação entre estudantes e que produza uma aprendizagem atenta ao mundo e aos seus desafios.

Se a lógica solidária é caminhar no sentido de acolher, incluir e cooperar, as escolas precisam pensar em saídas cujo proposito não prescinda dessas pessoas singulares, mas que também foquem em ações coletivas. As escolas podem criar metas ou propostas de aprendizagem e de avaliação da aprendizagem que tenham uma função ou conotação coletiva. Metas de aprendizagem e de avaliação da aprendizagem focada em turmas ou grupos.

As escolas só serão locais de profusão de solidariedade se fizerem de seus espaços, locais onde se alimenta sonhos. Há muito as escolas deixaram de ser o local onde se vive sonhos.

É comum encontrar estudantes no ensino fundamental e nos primeiros anos do ensino médio que não se identificam com nenhuma causa, engajamento cultural, propósito de vida, profissão, ou mesmo nutre o desejo de ir a faculdade. No máximo se sonha ou se nutre a ideia de uma ida a faculdade quando se está concluindo o ensino médio. As escolas como locais de sonhos é mais que isso. É ir eticamente promovendo experiências e conectando os alunos aos seus interesses e desejos.

Sabemos que boa parte das escolas Brasil afora são pequenos prédios, sem muita estrutura, sobrevivendo com poucos recursos. Todavia, é necessário ampliar o tamanho da escola. Isso não significa dizer que a lógica seja construir espaços maiores. Uma saída para ampliar a escola é desenvolvermos ações que possibilitem aos estudantes conhecer e viver experiências nos mais variados espaços de produção do conhecimento. Podem ser experiências em questões que denotam desafios coletivos como é o caso das questões ambientais, econômicas e de saúde; questões jurídicas ou políticas; de esportes e da arte; da literatura e da ciência.

Se não há mal nenhum sonhar em um novo modo de fazer educação, as escolas, o poder público, as famílias e a sociedade, poderiam construir uma grande rede de cooperação e de experimentação de novas formas de aprendizagem. Uma educação que não se limite geograficamente e estaticamente a um lugar. Ampliaríamos ainda mais as escolas se conseguíssemos criar programas de intercâmbio entre alunos de bairros distintos, cidades ou estados diferentes. Uma escola viva, solidária, que se faz pelo movimento, pelo contato com outras realidades, e pela troca de experiências.




“É necessário cultivar na criança os laços duradouros de afeto por tudo o que a cerca. Aprender a cuidar e conservar as suas coisas, a respeitar os seus amigos, a cuidar de si mesmo, e a cuidar do ambiente em que vive. A todo instante nossas crianças são convidadas a trocar de super heróis, a trocar de roupas, a trocar de brinquedos e de animais”. (Rosangela Trajano)

Pensar a Política, conectados com a pandemia

É necessário superar a política como “a arte do possível” (Bismarck) para pensarmos a política como uma atitude de compromisso ético, que as pessoas possam estabelecer entre si.


Hoje queremos falar sobre a importância política para o convívio da espécie humana do nosso lugar de fala, o lugar da Filosofia. Enfatizamos que se trata de pensar a política como a possibilidade de estabelecer laços sociais e não de vinculação estrita às agremiações partidárias.

Tomamos três falas separadas no tempo, mas que produzem, segundo nossa compreensão, aproximações sobre a ideia e a importância da política – Aristóteles, Hannah Arendt e Pepe Mujica.

Para Aristóteles, filósofo grego, o indivíduo não se basta, precisa estar relacionado com um conjunto de indivíduos. E adverte: “Aquele que for incapaz de viver em sociedade, ou que não tiver necessidade disso por ser autosuficiente, será como uma besta ou um deus, não uma parte do Estado”. Isso leva à compreensão de que a espécie humana traz em sua condição a dimensão política, sendo a cidade uma comunidade política.

O que há de comum entre os indivíduos é o ser político, o envolver-se com as tarefas da cidade, da comunidade política. Isso difere da interpretação polarizada de militâncias partidárias que buscam exercer o poder e a governabilidade da cidade. O que não é um mal, apenas destacamos que a ideia da política é mais do que o exercício da governabilidade, de uma representação partidária.

Hannah Arendt, pensadora política alemã, na esteira de Aristóteles, mas já no século XX, discute a forma do fazer político e o sentido da política. Destaca que a condição humana de emancipação se realiza quando as necessidades básicas estiverem resolvidas. É o momento da mundanidade, quando o sujeito entra na esfera pública, para participar da vida política.

Sem a política, a sobrevivência da espécie humana estaria ameaçada. Seu destaque é que a política ocorre entre os humanos, como uma experiência de liberdade. Ela atribui à ação o papel articulador da pluralidade dos homens, da convivência entre os diferentes. “Todos os aspectos da condição humana têm alguma relação com a política; mas esta pluralidade é especificamente a condição de toda vida política”.

Pepe Mujica, político uruguaio deste século, não sabemos se leitor desses ou de outros filósofos, manifesta um entendimento sobre a política, afirmando que ela interessa à espécie humana, por permitir uma conjugação de esforços no sentido de viabilizar a vida em comum.

Mujica emite seu pensamento em frases como: “Não podemos ser fanáticos. Temos que ter a ousadia política de inovar. Devemos ter a honra intelectual de reformular o caminho”. Tais compreensões permitem uma visão alargada do conceito de política, além de uma única determinação da atividade política, como gerenciamento de conflitos ou como gestão da economia.




Mujica afirma: “sou torcedor das cidades pequenas. As megalópoles engolem tudo”. Veja mais:



E Mujica continua: “O homem é o único animal que tropeça várias vezes na mesma pedra e sabe que tropeça”. Isso trata da racionalidade e da emoção, categorias que ele identifica no seguinte dizer: “Precisamos ter tempo para cultivar os afetos”.

Novos interrogantes permitem que façamos uma nova leitura e construamos um novo discurso, como sujeitos políticos que somos, diante das demandas da sociedade atual, em todos os seus desdobramentos políticos, que incidem em questões éticas.

Em tempos de crise, no quadro dessa experiência da Pandemia, em que o cenário dos conflitos se estabelece de uma forma imperativa, onde aparecem racionalidades que se interpelam e se agridem com argumentos pouco convincentes, julgamos oportuno trazer à cena contribuições sobre o nosso “ser político”, como elemento imprescindível para o entendimento das diferenças de perspectiva, acerca da moralidade pública.

Atingida por discursos passionais, advindos de uma estreiteza moral, a esfera pública se ressente de clareza acerca de políticas públicas, no governo da comunidade política. É necessário superar a política como “a arte do possível” (Bismarck) para pensarmos a política como uma atitude de compromisso ético, que as pessoas possam estabelecer entre si. Esse resgate valorativo pode retirar véus conciliadores, próprios de práticas subservientes e utilitaristas.



“A política é a grande estrada para a mudança, não a mídia, o judiciário ou o mercado. A política deve ser feita tanto na inteligência do mercado como na inteligência do bem social, a justiça é o ordenamento de função constitucional, somente isso, e comete grandes atrocidades quando criminaliza projetos claramente benéficos ao povo. Quem não é capaz a isso, não é capaz a política”. (Cristina Schnorr)

Ensinamentos do coronavírus

De agora, até a próxima eleição, teremos oportunidade de identificar pessoas comprometidas com a manutenção e produção da vida, onde tecnologia e políticas públicas estejam a serviço do bem estar de todos; alimentação, moradia e saúde tenham prioridade em relação ao acúmulo material e financeiro da produtividade.

Estado forte? Políticas públicas?  Sistema de saúde público? Sistema público de acesso a moradia? Os grupos políticos que administram o nosso país, seja em nível federal, estadual ou municipal, apesar das diferenças entre si, defendiam que o importante é ter polícia, armas e militares no comando do poder.

Ocorre que, de repente, surge um ser imaterial que ameaça, indistintamente a vida, então o estado e seus gestores passam serem responsabilizados.  Nós, brasileiros e brasileiras, precisamos aprender com os impactos deste vírus, visto que a produtividade e as armas não são garantias para assegurar nossa vida.




Em outro artigo, já abordei que “o vírus é um inimigo imaterial, que exige aumento dos cuidados com a principal ferramenta que nos foi disponibilizada que é o nosso próprio corpo, bem como dos cuidados com os outros, visto que o aumento da contaminação social aumenta o risco de morte de pessoas próximas que temos o dever de proteger”.



Um dos primeiros ensinamentos gira em torno do tema da economia. Desde a idade antiga, quando o ser humano começou a cuidar da própria sobrevivência, a busca por segurança material, associada com a garantia do básico para sobrevir, incluindo a alimentação e a moradia, se apresentaram como componentes centrais para a economia.

O desenvolvimento da tecnologia, das últimas décadas possibilitou a produção de uma quantidade enorme, com centenas de milhares de toneladas de alimentos e unidades habitacionais excedentes, que poderiam atender, além das necessidades da totalidade de pessoas existentes no planeta terra.

Este excesso de produção industrial e de produtividade individual, subordinada pela dimensão egoísta, do individualismo extremado, já estava colocando em riscos saúde e a sobrevivência individualizada e agora coloca em risco a sobrevivência da vida humana no planeta terra.




“A prevalente suposição de que o sistema econômico poderia atingir um ´ótimo´ sempre ignorou a união entre os sistemas econômicos e bióticos, além de desdenhar a existência de limites naturais. Nos modelos econômicos convencionais, os fatores que devem ser maximizados são utilidades individuais e não as necessidades de um sistema biótico”. (Marcus Eduardo de Oliveira)




Em nome da suposta liberdade individual, o “livre mercado” passou a instrumentalizar e sugar ao máximo todos os recursos naturais disponibilizados pela grande ser vivo que conhecemos como planeta terra. A produção de alimentos, tão necessária para assegurar a sobrevivência humana, deixou de ser orientada pelo seu princípio essencial que é de manter o ser humano saudável e passou a ser orientada pelo acúmulo material e pelo lucro. As tecnologias de produção de moradias, com possibilidade de produção de habitações seguras para todas as pessoas é inviabilizada pela ganância do mercado imobiliário.

O Covid 19 se apresenta como uma possibilidade para esclarecer a falsa e superficial polêmica criada pelos defensores da produtividade. Durante décadas fomos levados a crer que o sistema econômico do “livre mercado” era a melhor ou única alternativa para organizar a vida em sociedade.

Em 2020, estamos diante de uma oportunidade revolucionária de redirecionamento, no modo de organizar o uso da tecnologia e da produção, neste grande sistema vivo, interligado e interdependente que conhecemos como planeta terra.

De agora, até a próxima eleição, teremos oportunidade de identificar pessoas comprometidas com a manutenção e produção da vida, na qual a tecnologia e as políticas públicas estejam a serviço do bem estar de todos, na qual a alimentação, a moradia e saúde tenham prioridade em relação ao acúmulo material e financeiro da produtividade.

Filosofia e meio ambiente

As temáticas apresentadas para a filosofia procuram caracterizar o objeto do conhecimento que é o pensamento crítico e reflexivo. Para tanto, remetem sempre ao que é filosofar?, aos grandes temas abordados pelos filósofos ao longo da história da humanidade , qual é o papel da lógica e da ética. A filosofia, ou o filosofar, devem ajudar a problematizar o nosso cotidiano, em busca de respostas mais elaboradas e mais consistentes e conscientes.

Seguem 08 reflexões que foram selecionadas como subsídios para o trabalho de professores e professoras que atuam com Filosofia nas séries finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.


RESÍDUOS: DA NATUREZA E DE NOSSA MENTE

“A afirmação: “o lixo é nosso e é um problema social” parece dizer tudo, em todos os sentidos. Quanto ao lixo material, já descobrimos destinos como a reciclagem e o reaproveitamento, na medida em que ele pode gerar algum dinheiro”. (AUTOR: Nei Alberto Pies)

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Sugestões de uma prática pedagógica

Questões que fazem pensar:

  1. Água, solo e alimentos saudáveis são a tríade sagrada que está na base da sobrevivência humana e planetária. Por quê?
  2. “O lixo é nosso e é um problema social”. Por quê?
  3.  O meio ambiente precisa mais de nossas respostas do que de nossas perguntas. Por quê?
  4. Qual é o conceito de sustentabilidade que defende o escritor e teólogo Leonardo Boff em vídeo, publicado no texto?



COMUNIDADE DE DESTINO SUSTENTÁVEL?

“Caso se aprofunde a interação entre vida socioeconômica e mundo natural, perceber-se-á que é do fino ajuste da relação Homem-Terra-Economia que se subscreve a tarefa final que espreita o ser humano, realizar-se para uma vida plena. Essa é a questão definitiva”. (AUTOR: Marcus Eduardo de Oliveira)

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CRESCIMENTO ECONÔMICO E CUSTOS AMBIENTAIS

“Vem daí uma primeira pergunta básica: como sustentar (no sentido direto de manter o equilíbrio, a resistência) um constante crescimento (verdadeiro oximoro, registre-se) da produção econômica que ocorre “dentro” de um sistema complexo, a Terra, que, além de ser dotada de recursos limitados, jamais irá aumentar de tamanho?”/ Filme: A história das coisas. (AUTOR: Marcus Eduardo de Oliveira)

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COMO ADAPTAR VIDA AO QUE O MEIO AMBIENTE PODE OFERECER?

“Sem mais, para o pleno sucesso dessa ação, me posiciono ao lado daqueles que ousam acreditar que a comunidade humana, antes de mais nada, carece de assimilar com muita responsabilidade o que disse John Sawhill (1936-2000), ex-presidente da The Nature Conservancy: “No final, nossa sociedade será definida não somente pelo que criamos, mas pelo que nos recusamos a destruir. A escolha é nossa”. (AUTOR Marcus Eduardo de Oliveira)

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COMO PENSAR O NOSSO LIXO?

“Precisamos apostar na reciclagem, para isso primeiro devemos mudar nossa percepção sobre o lixo nos livrando daquela velha mentalidade que o associava ao inútil. Ele é fonte de riqueza, muitas pessoas poderão tirar o sustento para suas famílias, em um trabalho ecologicamente correto”. (AUTOR Ésio Francisco Salvetti)

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Sugestões de uma prática pedagógica

Questões que fazem pensar/ Interpretação do texto:

  1. O que é este nosso sistema de produção das coisas e utensílios? Quais suas caraterísticas?
  2. Assista o vídeo “A história das coisas”, que tem em torno de 23 minutos. Faça uma análise deste vídeo (de 10 a 15 linhas)
  3. Assista o vídeo Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar. O que fala este vídeo? Qual é a mensagem?
  4. Como a palavra lixo foi adquirindo diferentes interpretações no decorrer da história?
  5. Você sabe como é feita a destinação do lixo em sua cidade? Faça uma breve pesquisa e descreva.




A VIDA DE TODOS OS SERES

“Será mesmo que devemos seguir em frente, sem indignação, sem culpa e sem vergonha por tratar os animais como se fossem objetos e não como seres sencientes e “sujeitos de uma vida” e, portanto, portadores de direito à liberdade, saúde e vida? Será mesmo? Eduque-se e eduque seus filhos e seus discípulos espirituais, dizendo não ao especismo e sim à fraternidade universal, para que o princípio do amor incondicional seja real”. (AUTOR Gilmar Zampieri)

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Sugestões de uma prática pedagógica

Questões que fazem pensar:

  1. Ler o texto e marcar ou anotar as ideias mais relevantes
  2. Discutir, em círculo:
  3. Por que o ser humano ainda se considera tão superior aos demais animais?
  4. Os outros animais podem ser tratados como coisa, como objeto para o nosso interesse e prazer. Os animais têm apenas valor instrumental, isto é, só tem valor para nós e não em si mesmos. Será?
  5. O que é especismo? Ele é valido para a nossa convivência harmônica com a natureza?
  6. Como vivermos uma fraternidade universal?



SÓ RECICLAR BASTA PARA SALVAR O PLANETA?

“Ouvimos dizer em toda parte, por exemplo, que a reciclagem é a solução para o lixo que se acumula em todo o planeta, além de poupar os recursos naturais. Isso está parcialmente correto. Porém não se trata da solução, mas de parte dela, e talvez de uma parte bem pequena. Pois não nos damos conta de que a reciclagem também consome energia e gera resíduos, muitas vezes tóxicos, além de não ser praticável de forma eficiente com alguns materiais”. (AUTOR Sergio Sardi).

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PEDAGOGIA DO AMOR

“Começamos a nos educar quando passamos e exercitar a admiração pela beleza da vida, não como turistas, mas como nativos que dividem o seu território, o seu ambiente exterior e interior com os demais seres que o habitam. Quando, então, amar e respeitar se tornam ações compartilhadas. E hábitos são transformados a partir de um contínuo trabalho interior”. (AUTOR Sérgio Sardi).

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Sugestões de uma atividade pedagógica

Questões que fazem pensar: ler o texto e fazer uma discussão coletiva, orientado por algumas questões:

  1. “Uma ética do cuidado de si e do ambiente se completa com uma ética do cuidado do outro”. O que entendemos disso?
  2. “Começamos a nos educar quando passamos e exercitar a admiração pela beleza da vida, não como turistas, mas como nativos que dividem o seu território, o seu ambiente exterior e interior com os demais seres que o habitam. Quando, então, amar e respeitar se tornam ações compartilhadas. E hábitos são transformados a partir de um contínuo trabalho interior”.
  3. “Quem ama, cuida. Não porque necessita cuidar, mas porque deseja, porque se percebe conectado e reconhece em sua própria existência e na existência de cada ser vivo uma obra de arte inigualável. Quem ama, admira”.
  4. Qual é a mensagem da imagem que ilustra a publicação? O que entendemos dela?

Que mundo virá com o fim da pandemia?

Que mundo virá?
Difícil dizer!
Mas que mundo é possível,
podemos imaginar.


Nesses dias de incerteza e de receio diante de um inimigo invisível, as pessoas tem se perguntado acerca de que mundo virá após a pandemia do corona vírus. Certamente, fazer uma projeção acerca desse desejado mundo novo, não parece ser uma ação cabível a nós, sobreviventes acuados e bombardeados por uma tensão entre a solidariedade e o respeito a vida, e do outro, os valores do capital. Que mundo virá? Difícil dizer! Mas que mundo é possível?

Merleau-Ponty – filósofo francês – diz num dos seus momentos de reflexão que é pelo corpo que sentimos o mundo. “O corpo é meu ponto de vista sobre o mundo”. Temos hoje muitos pontos de vistas sobre o mundo: tensos; em dores de morte; fragilizados; mas também inquietos aguardando e pensando sobre esse novo que virá.

Esse novo (mundo) que virá, virá também sendo feito por uma nova perspectiva de educação. Já parece ser consenso que não podemos prescindir desta, e muito menos da ciência e da pesquisa cientifica.

Certamente, devemos voltar para as escolas munidos da sensibilidade e do interesse em acolher crianças, adolescentes e jovens, que pelo isolamento social, carecem de refazer suas relações e suas perspectivas após experimentarem problemas que vão dos efeitos do desemprego aos traumas da doença e das mortes.




Gostaria que as escolas refletissem com as crianças o que significou essa experiência para elas, para as famílias. Que falem sobre resiliência, enfrentamento de frustrações, sobre solidariedade. Temos que levar alguma lição do que estamos vivendo, temos que fortalecer nossas relações como famílias e como sociedade. (Tatiana Lebedeff)




Por que é necessário pensar a educação antecipadamente? Ora, por todo o país a maioria das escolas são pequenos prédios fechados, com pouca estrutura, sobrevivendo com poucos recursos, com professores exaustos em virtude da pandemia, e desmotivados em razão dos problemas de aprendizagem, violência e indisciplina.

Essas escolas vão receber seus estudantes que vem de casas caiadas, pequenas, lotadas, com e sem TV, e também sem ter o que comer. Sem conforto, internet ou Netflix. Mas o que aí é supérfluo?

Como as escolas poderão projetar-se como fundamentais numa sociedade onde se descredencia o conhecimento cientifico e se supervaloriza o capital? Mas não só isso. Essa mesma sociedade emite um discurso rasteiro onde a morte de muitos é justificável. Qual o antidoto a isso?

Uma saída é certamente o cultivo de uma cultura de cuidado e solidariedade, gestada nos mais variados espaços e como projeto dentro das escolas. Mas como produzir escolas solidárias para além da lógica competitiva que ainda orienta os sistemas de ensino, para além da evasão, e dos mecanismos de negação e exclusão?

Não podemos prescindir dessa tentativa, visto que somos uma humanidade conectada e além dos problemas que já enfrentávamos, somos agora herdeiros também das dores da China, da Itália, da Espanha e do Irã. Eventos que parecem atestar que o nosso modelo de desenvolvimento e organização social não se sustenta.

Uma outra questão deve entrar no rol de discussão nas escolas: o espaço, o papel e os impactos das novas tecnologias e do mundo digital na vida das pessoas. É difícil qualquer previsão nessa direção. Mas será necessário compreender os impactos do mundo digital na vida das pessoas e como a escola vai se alinhar com esse universo.

Resta, por fim, relacionar como a escola pode ser um espaço de humanização, através do conhecimento crítico e reflexivo. O conhecimento gerado na escola, pelos conteúdos das disciplinas e ou pela socialização, pode ser importante alicerce para nos tornarmos seres humanos melhores e mais habilitados a entender o mundo e as coisas que nele se passam.




“Desnecessário dizer, às claras, que o desafio que temos pela frente é enorme. Difícil contestar, do ponto de vista lógico, que precisamos agir com brevidade, uma vez que somos constantemente convocados ao entendimento de que as coisas seguem, e a nossa história, para o bem maior da humanidade e de necessários tempos de paz, não tem fim. Sigamos cooperando. Temos o dever de continuar nossa evolução moral”. (Marcus Eduardo de Oliveira)




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