A literatura da Sueli Ghelen Frosi é palavra que tem poder social, que brota de uma mulher que não consegue assistir, inerte, as injustiças, mas usa uma ferramenta poderosa para mobilizar e sensibilizar as pessoas de seu entorno para melhorar a vida de todos.
A literatura ao longo de sua trajetória vem provando que uma de suas funções primordiais é a humanização do ser, que transforma a vida através da linguagem. Porém, a literatura só exercerá completamente sua função se tiver um comprometimento social.
Assim, a linguagem tem o poder, de através da arte da palavra, abrir horizontes, vislumbrar mundos e apresentar através da reflexão a esperança social. Isso tudo, podemos comprovar na poética de Carlos Drummond de Andrade: “Uma flor nasceu na rua! Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto… É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”.
As denúncias das
injustiças sociais, comprovamos na obra, por exemplo, de Castro Alves: “Negras
mulheres, suspendendo às tetas/ Magras crianças, cujas bocas pretas/ Rega o
sangue das mães… Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós,
Senhor Deus! Se é loucura… se é verdade/Tanto horror perante os céus?!” E,
nessa leva de literatura engajada socialmente, temos Eça de Queiroz, Machado de
Assis, Aluísio de Azevedo e outros.
Por que estou falando tudo isso? Porque alguns dias atrás, preparei o roteiro de uma entrevista e fiz a conversa no Programa Literatura Local, na TV Câmara de Passo Fundo com a colunista, filósofa, escritora e apresentadora, Sueli Ghelen Frosi e me dei conta que a sua literatura tem um engajamento com as reflexões do mundo, do ser humano e da mais profunda reflexão social. Assim, Sueli usa a palavra para denunciar, refletir, fortalecer e esperançar.
A literatura da Sueli é palavra que tem poder social, que brota de uma mulher que não consegue assistir, inerte, as injustiças, mas usa uma ferramenta poderosa para mobilizar e sensibilizar as pessoas de seu entorno para melhorar a vida de todos. Portanto, essa escritora combate a opressão que permeia nosso meio social. Dessa forma, o seu discurso derruba todas as barreiras excludentes, sejam elas, físicas, sociais e raciais.
Assista a maravilhosa entrevista que Sueli Ghelen Frosi concedeu em programa na qual ela é a apresentadora.
Para mim foi um grande prazer ter vivido essa experiência de entrevistá-la, pois assim posso entender, por que os livros estão sendo alvo de boicote ou de censura, pois a literatura que não se preste a denúncia, ou a reflexão para humanizar é palavra jogada ao vento, é chuva que não acaba com a seca é água que não mata a sede.
Disfarçado de “racionalização e otimização de custos”, o brutal enxugamento imposto pelo governo Leite sufoca a qualidade da educação, desestrutura a organização pedagógica, onera profissionais e, em última instância, prejudica o aprendizado.
Uma professora de matemática traça duas linhas paralelas no quadro negro. A lousa é dividida em três partes iguais, mas a aula não é de geometria. Cada terço apresenta conteúdos de grades diferentes; 3º, 4º e 5º ano do Ensino Fundamental. A educadora se desdobra para evitar a dispersão dos mais de 50 estudantes e ministrar três aulas em uma.
A escola fica em Porto Alegre e figurou recentemente no noticiário gaúcho. Mas a cena se repete em toda a rede estadual. Passados mais de seis meses do início do ano letivo, a crônica falta de profissionais tem levado um número alarmante de instituições a adotar o expediente da multisseriação – quando alunos de anos desiguais frequentam a mesma classe.
No meio rural, essa é a forma de organização predominante. Dada a baixa densidade habitacional, professores com formação específica atendem alunos de diversas idades no mesmo espaço, ligados pelo senso de comunidade próprio a quem vive no campo.
Já nas escolas urbanas, a multisseriação é uma anomalia do sistema. Trata-se de uma dupla violação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Primeiro, uma ofensa ao Art. 62, que limita a 30 o número de alunos por turma do 2º ao 4º ano. Depois, um completo desprezo pela carga horária mínima prevista no ano letivo, de 800 horas para o Ensino Fundamental.
Em 45 minutos de aula, cada estudante receberá apenas 15 de conteúdo adequado ao seu nível de escolaridade. Isso no cenário fantasioso de partilha perfeita do tempo, com uma educadora sobrecarregada e uma classe superlotada de crianças. Convém acrescentar que o atendimento personalizado às necessidades de cada estudante é em absoluto comprometido.
Disfarçado de “racionalização e otimização de custos”, o brutal enxugamento imposto pelo governo Leite sufoca a qualidade da educação, desestrutura a organização pedagógica, onera profissionais e, em última instância, prejudica o aprendizado.
Quando o IDEB gaúcho apresentar um desempenho aquém do desejado, não faltará quem responsabilize os educadores. Nós, apesar dos salários atrasados e congelados, da desvalorização e do descaso, fazemos a nossa parte. E o governo, quando fará a sua?
Autora: Helenir Aguiar Schürer, presidente do CPERS/Sindicato e professora do Estado.
Estamos em mais uma Semana
Farroupilha ou da fantasia. Autoridades e a mídia passam tecendo loas sobre a República
Rio-Grandense e seu lema calcado na liberdade, igualdade e humanismo,
devidamente cabresteados pelo MTG. A história, mais uma vez, será deixada de
lado. Uma tradição inventada renova-se a cada Semana Farroupilha e invade até as
salas de aula.
A fantasia toma ares de realidade. Rádios, jornais, televisão preferem adular o conservadorismo e a ignorância para garantir sua “audiência”. Na verdade foi uma “república de estancieiros”, na qual à peonada coube apenas “dançar”, que vendeu negros para se financiar e que os traiu em Porongos.
“A tese orientadora do “bom
gaúcho” provavelmente tem origem nas elaborações do tradicionalista Antônio
Augusto Fagundes, por volta de 1940, que escreveu sobre os hábitos e costumes
diferenciados dos gaúchos sul-rio-grandenses, em relação aos diferentes tipos
de gaúchos que vagueavam pelos campos da região platina”. (Setembrino Dal
Bosco)
Esquecem também os arautos gaudérios que os farroupilhas foram indenizados pelo Império com verbas secretas e que brigaram pelo dinheiro. Ignoram, igualmente, que o Acordo de Ponche Verde foi, na verdade, uma rendição. Isto é, perdemos a guerra. Os farrapos pediram perdão a D. Pedro II, foram indenizados, e se recolheram.
O metegismo desconhece que Domingos
José de Almeida tentou escreve um relato sobre a guerra. Recolheu material, mas
um grupo contrário o impediu de continuar em seu trabalho: “ não querem que eu escreva
esta história”, revelou Domingos. Foi silenciado, porque conhecia perfeitamente
o passado recente e as práticas de seus pares. Enfim, foi censurado.
Não há dúvidas de que a Guerra Civil dos Farrapos é um dos grandes acontecimentos
da história brasileira. Foi a primeira vez no Império que existiu uma República
funcionando durante quase nove anos com ministérios, serviço de correio,
Assembléia Legislativa, tesouro nacional, relações diplomáticas e soberania de
governo. Entretanto, ao confrontar a documentação, como alerta o historiador
Moacyr Flores, “ nota-se que há uma tradição inventada que se renova a cada
Semana Farroupilha”.
Em 2007 foi lançado o Manifesto contra o
Tradicionalismo, elaborados por historiadores de grande nomeada.
Nele os autores do manifesto
alertaram que na vivência memorialista ,na mídia de massa e nas celebrações de
efemérides o MTG “pratica a demência cronológica e estatística, impondo a
deturpação de que o povo se levantou contra o Império e os imigrantes e seus
descentes também cultuaram a Revolução Farroupilha, quando quase em sua totalidade,
não estavam no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845.
Se um dia aportaram no Brasil, isso se deve ao
projeto de colonização do Império. Os projetos de colonização fundamentais,
contribuíram para a formação do Rio Grande do Sul contemporâneo, não
pertenceram aos farroupilhas”. Trata-se, portanto, de uma façanha de mentira.
Também é preciso lembrar que,
militarmente, no auge de suas ofensivas, as tropas farroupilhas jamais passaram
de 6 mil homens em uma demografia oficial de cerca de 400 mil habitantes.
Cidades como Porto Alegre, Rio Pardo, Rio Grande, Pelotas, São José do
Norte lutaram ao lado do Império e, hoje, como revela Moacyr Flores, “realizam comemorações
da guerra civil, como se os antigos habitantes tivessem apoiado os farroupilhas”.
O Acampamento Farroupilha, segundo o historiador, “apaga da memória o fato de a
capital provincial ter expulso os republicanos e resistido ao cerco dos
rebeldes e, por isso, ganhou o título de Leal e Valerosa”.
Fica claro que a expressiva
maioria estava em armas a favor do Brasil, ou alheia à guerra civil, além
daqueles que fugiam da arregimentação obrigatória. É a Semana da Fantasia, na
qual é cultivada a mitologia da identidade e a ilusão daquilo que nunca fomos.
Historiadores demonstram que o
MTG funciona como um órgão central de adestramento, orientação e controle do
tradicionalismo, impondo cartilhas de comportamento e visão sobre o passado, o
lugar e o futuro de seus militantes. Defende que suas “práticas” decorrem como
sucedâneas da história. A historiografia, sociologia, antropologia críticas e o
jornalismo culto refutam suas “verdades”.
Na sua visão anacrônica da sociedade,
buscam formar peões e prendas alienados e obedientes.Com seu viés fundamentalista
pilchado, o movimento seleciona, consagra e reconhece as manifestações que
comungam com sua visão de memória, de cultura.
Tudo é considerado gauchesco e
transformado em sua aparência. Grupos sociais e a historicidade dos lugares não
são respeitados. O controle metegista produz intolerância, xenofobia e uma
incapacidade de visão crítica da sociedade rio-grandense e do mundo.
Como escreveu o historiador Tau Golin, “setembro virou um agosto
temporão. Nunca se viu uma derrota tão completa da racionalidade e do
conhecimento. Vestiram bombachas na história. Os historiadores (anulados pelos
patrões dos CTGs e seus agregados das falas), a pesquisa acadêmica, os
escritores e os artistas desruticizados são relegados à invernada do silêncio.
Secam-se as fontes do saber nas guampas de canha”.
Todo o resto está ameaçado pelas
lanças da ignorância estancieira, brandidas por tipos de todas as classes, como
possíveis vítimas para a carga dos piquetes da “tradição”. Decreta-se a derrota
da historiografia e o passado apenas fornece a matéria para um vaneirão aporreado
no galpão da memória”.
Neste 20 de setembro vou matear, ouvindo Noel
Guarani, Vitor Ramil e outros mais e buscar refúgio em alguma das obras de Tau
Golin, Mário Maestri, Moacyr Flores, Décio Freitas, Sandra Pesavento ou de
Juremir Machado. Neles ainda encontramos o que restou do bom senso na história
rio-grandense.
É imprescindível na profissão docente o autocuidado e trabalhar com as expectativas que são criadas em diferentes situações do cotidiano, que podem nos frustrar, pelos resultados.
A
profissão docente ainda está entre os primeiros lugares do ranking de
profissionais que adoecem em virtude do trabalho. Na última quarta-feira
(04) a psicóloga Sara Vassoler foi a cirandeira convidada dos Saberes em
Ciranda para debater com a categoria sobre o bem-estar docente.
Desde 2014, o CMP SINDICATO realiza o projeto Saberes em Ciranda. Já são em torno de 30 Cirandas realizadas. Esta Ciranda, assim como as outras, foi novamente um espaço legal, leve e divertido para abordar a dimensão humana dos professores e professoras municipais de Passo Fundo. Nesta dinâmica de Ciranda, as trocas e as vivências são o centro da aprendizagem de 2 horas de atividade.
Na oportunidade, Sara faz uma reflexão sobre fatores que colocam em risco e agravam a saúde dos professores e ressaltou que o bem-esta vai muito além do profissional, tendo ligação direta com o pessoal. Aponta que que “tudo que fizemos durante o dia influencia no bem-estar, “ como com quem conversa, livros que lê, programas que assiste e a presença dos amigos, por exemplo.
“É preciso permitir-se desligar, pensar as
vivências, o dia-a-dia… Como eu estou cuidando de mim? Os professores ensinam,
mas também cuidam do outro. E como cuidar do outro sem estar bem? É necessário
que cada pessoa reserve um tempo para si mesma, para desligar, fazer algo que
lhe faz bem e desligue de todo o resto. Isso influencia de forma significativa
e com o passar do tempo o efeito é muito benéfico, ” destacou Sara.
As
professoras que participaram da atividade buscaram construir expectativas que
apontem caminhos para melhorar a qualidade das relações que são construídas no
ambiente escolar melhorando, assim, a qualidade de vida dos profissionais da
educação. Destacaram que é imprescindível o autocuidado e trabalhar com as
expectativas que são criadas em diferentes situações do cotidiano e que em
diversas vezes nos frustramos com o resultado.
Uma
das dicas apontadas pelas participantes foi buscar encontrar ferramentas que
tornem o dia mais especial através dos detalhes, uma vez que quando a pessoa
não está bem isso afeta todo os espaços de convivência em que ela transita. Ao
final da atividade a psicóloga realizou uma dinâmica com os presentes para
trabalhar expectativa X realidade.
Sara Vassoler avaliou sua participação na atividade.
No dia 04 de setembro, tive a oportunidade de participar do encontro relacionado ao projeto Saberes em Ciranda, organizado pelos professores do CMP, com o tema: O bem estar docente. Na ocasião foi possível pensar junto com os participantes o que realmente influência o bem estar pessoal e qual a relação deste com o bem estar profissional. A Ciranda possui uma forma dinâmica de acontecer, na qual todos podem trocar saberes e experiências e entre as trocas feitas no encontro, destacou-se a importância de cada um poder dedicar um tempo do seu dia para pensar sobre suas ações, expectativas, momentos de vida e também para pensar sobre a sua prática profissional. Além disso, reservar um tempo do seu dia ou semana para realizar algo que goste e sinta que lhe faça bem, são aspectos importantes para a sua saúde emocional e bem estar, considerando que o bem estar pessoal relaciona-se diretamente com o bem estar pessoal e que este conjunto de fatores compõe a qualidade de vida. Abordou-se também a importância de lidar com as frustrações que surgem de forma positiva, buscando aprender algo com a experiência, mesmo não sendo fácil de lidar em alguns momentos. Foi uma satisfação poder estar presente nesta ciranda e reforço que falar sobre o bem estar docente é necessário para poder compreende-lo e buscar formas para mantê-lo presente!
O que a democracia não comporta não é a divergência radical, mas violência sobre os adversários, transformados em inimigos.
Como lidar com períodos sombrios na história de um país? O
Nazismo na Alemanha, o Fascismo na Itália, o Apharteid na África do Sul, as ditaduras
no Chile, Argentina, Brasil. Uma maneira é procurar entende-los e nunca
esquecê-los, os submetendo à análise criteriosa da história.
E quando as sombras novamente começam a se abater sobre um país?
Aí é preciso, com rapidez combatê-las, à luz da razão com base nos valores
democráticos. É o que precisamos fazer agora, com urgência, diante das ameaças
do bolsonarismo às nossas mais caras instituições.
Depois de oito meses não restam dúvidas de que, se tiver
oportunidade, Bolsonaro não hesitará em destruir o que restou da combalida
democracia brasileira.
Estamos diante da emergência
de discursos que se ajustam ao que Theodor Adorno chamou de “síndrome fascista”,
cujo elemento dominante é o ódio segregativo. Este é o grande risco que a nossa
democracia está correndo, segundo o psicanalista Christian Dunker, professor da
USP.
Lentamente o sentimento de ódio se transferiu do PT para o comunismo,
daí para o esquerdismo, gênero, ideologia e disso para qualquer conceito que
contenha expressão “social”. Assim, é possível entender como alguns
“especialistas em história”, consideram o Partido Nacional Socialista de Hitler,
de esquerda. Uau!!
Na visão sectária do bolsonarismo, qualquer política de
bem-estar social, qualquer iniciativa de redução de desigualdade, de
reconhecimento da diversidade, de defesa de direitos humanos passa ser “coisa
de comunista”.
Neste universo fica
autorizado o ataque as liberdades intelectuais, artísticas, de imprensa etc.
Em Porto Alegre, a exposição Independência em Risco,
promovida por cartunistas, foi cancelada porque a presidência da Câmara de
Vereadores – local da mostra –, considerou os desenhos ofensivos, já que
mostravam críticas ao governo Bolsonaro.
Um de meus botões, estupefato, indagou: quando começará a
queima de livros?
O ataque a inteligência brasileira é assustador. A começar
pelo Ministério da Educação que até agora não apresentou uma política clara para
a área. Seu titular vem se notabilizando por erros ortográficos crassos e atitudes
marcadas pelo ridículo, além de reduzir verbas para bolsas e pesquisa.
Estamos diante do crescimento de uma direita pseudoconservadora
que revela um ódio instrumental diante da diversidade, ao contrário dos que
defendem genuinamente uma democracia conservadora que são, por tradição,
indiferentes aos costumes alheios. Aqueles, querem a eliminação do “outro”.
Neste projeto figura o
encorajamento a violência e intolerância. Isto fica claro na retórica do
armamento, do policiamento ostensivo e do Exército no poder.
Enfim, a marcha da insensatez continua acelerada. O bolsonarismo-fundamentalista
odeia tudo o que o restringe e limita, embora se diga defensor da lei. Na
verdade, da lei que o protege e beneficia.
A democracia aguenta bem a polarização. Ela é o reino do
compromisso e do diálogo, mas suporta bem os momentos de disputa e de conflito,
próprios do exercício da política inerentes à pluralidade humana.
A democracia sempre
conviveu com momentos de polarização política – na Europa,nos Estados Unidos e
também no Brasil. O que a democracia não comporta não é a divergência radical,
mas violência sobre os adversários, transformados em inimigos.
Diante deste quadro, precisamos com urgência, nos mobilizar.
Como defende o rapper BNegão, “Quanto mais gente não afinar nem pipocar,
melhor”.
Jairo Oliveira viveu numa vila, numa cidade paranaense, como muitos outros meninos, de sua época Viveu a expectativa dos pais de que a escola iria lhe oferecer melhores oportunidades de vida. No entanto, foi percebendo a demora desta concretização.
O que parecia desmotivação para os estudos, talvez fosse
“ausência de perspectivas concretas” de ganhar seu dinheirinho, sua autonomia.
Por isso, Jairo não era um bom aluno. Passou a dividir a busca de algum
trabalho, que lhe rendesse certo dinheirinho para comprar suas coisas, ou mesmo,
para comprar uma Coca-cola para tomar com seus amigos.
Passou por várias
experiências profissionais: foi mecânico, lavador de carros, entregador de
jornais, preparador de amortecedores para carros de corrida, no total 15 antes
de se tornar professor e empresário aos 17 anos.
Hoje, de forma entusiasta e comprometida, Jairo coordena, organiza a metodologia e a prática de ensino de uma Escola de Educação Profissional nada convencional: a New Life Educação.
Em entrevista exclusiva ao site, Jairo falará de suas
Inspirações pessoais, de sua experiência na Educação Profissional e de suas
convicções sobre o ser humano, a escola e o mundo do trabalho no atual momento
histórico.
NEI ALBERTO PIES: Como foi sua vida escolar? Fale-nos de
suas experiências positivas e negativas no ambiente escolar.
JAIRO OLIVEIRA: Minha experiência escolar
não foi muito boa, na maior parte, não tinha vontade de ir à escola. Cada ano
tinha uma peculiaridade, um motivo forte para não ter tanto interesse em ir.
A vida escolar é de modo geral muito longa, então na escola
passamos pelo menos 3 tipos de fases, qual nos fazem sentir e pensar de forma
bastante singular, a infância, pré-adolescência e adolescência, onde passamos
por muitas transformações e a vida escolar está presente em todas, de forma
muito intensa.
Infância: esta foi a fase qual tive
meu maior desejo de ir à escola, lembro da mochila arrumada, era linda, todos
os cadernos e materiais novos, roupa e calçado impecável, pronto para descobrir
algo legal, pena ter durado pouco, sendo preciso, durou apenas alguns dias
antes do primeiro dia de aula.
Chegando na escola, quase
sem orientação nenhuma, não sabia ler, nem escrever, muito menos tinha visto
tanta criança reunida em um mesmo lugar. Por ser introvertido, lembro que me
senti assustado, logo todos foram divididos em grupos e levados a sala de aula,
sem nenhum tipo de apresentação, sem conhecer o local e as pessoas, me sentei e
tentei fazer o que os outros faziam, não tive habilidade ao abrir a mochila e
nem o que usar do que estava ali dentro, logo a professora em tom de voz
ameaçador “aos gritos” escrevia algo no quadro, sem entender nada que estava
acontecendo, e por ter dado o azar de sentar logo bem na frente, ela me pediu
que falasse o que estava escrito, desesperado por tudo que estava acontecendo,
em pânico fiquei calado, logo ouvia gritos e eram comigo, a partir dessa experiência
negativa, não queria ir à escola e comecei a ter problemas em casa, todos os
dias era uma batalha para dar um pequeno passo.
Acredito que o tipo de
perfil mais analítico e comprometido a levar em conta o que as pessoas falam,
podem ter potencializado estes fatos negativos. Foram vários anos até
estabilizar estes sentimentos e começar a ter uma evolução na escola.
Pré-adolescência e adolescência:
tive muitos colegas e amigos. O que achava mais legal era o trajeto até a
escola, ir conversando, brincando, o horário antes de iniciar a aula onde
jogava futebol na quadra, a hora do recreio, sempre fui bom com amizades, gosto
de conviver com pessoas e ter histórias para contar.
Na sala de aula consegui
sempre me manter na média, então não sofria muito com notas e pressão ao
estudar, mas ao mesmo tempo apenas fazia por que tinha que ser feito, nenhuma
matéria me chamou a atenção, por ser um aluno tranquilo, conseguia entender as
matérias para ter as notas necessárias,
Algumas vezes, passei por
recuperação, teve um ano que reprovei acredito ter sido no 5º ano, minha
família foi sempre tranquila quanto a acompanhar na escola, não ficava olhando
cadernos ou exigindo notas altas, se preocupavam mais com o comportamento e que
não repetíssemos o ano. Meu ensino médio foi meio conturbado devido a mudança
das matérias e a necessidade de saber muito para ter a nota média, comecei a me
sentir muito pressionado e com alguma dificuldade devido já estar trabalhando 8
horas por dia e mais 4 no colégio.
No primeiro ano do ensino
médio tive a oportunidade de iniciar um novo projeto, me tornar sócio
proprietário e professor de informática, com a mudança de cidade e o
compromisso assumido, não consegui concluir o ensino médio regular, tive que
recorrer a modalidade EJA.
Para resumir:
Positivo: – os colegas, amigos e a
oportunidade de interagir socialmente.
Negativo: -a obrigação de fazer algo que não gostava, sentimento de impotência por muito tempo, muitas vezes tive vontade de revidar e expressar o que sentia, mas ficava na vontade, fora isso, o que considerava grave e tinha medo era do fato de ter alunos agressivos, a oferta de drogas e aliciamento sexual, foram inúmeras as vezes que precisei me virar sozinho para sair de situações difíceis. Por vezes me via propenso a aceitar ofertas e seguir caminhos errados, acredito que levados pela falta de objetividade e resultado adquirido na escola.
NEI ALBERTO PIES: Qual era a sua expectativa na escola? Por
que a vida fora da escola lhe fez sentir mais útil e mais integrado na
sociedade?
JAIRO OLIVEIRA: Não tenho lembrança de ter
uma expectativa, um interesse e nem conhecimento sobre o ambiente escolar. Nasci
em família humilde, não conversavam muito sobre a escola, sempre vi a escola
como algo obrigatório, só sabia que precisava cumprir aquele período para ter
um futuro melhor, por não gostar das matérias, acabava por não me apropriar
delas e acreditar que teria algum sucesso diretamente ligado a elas.
Acredito que poucas crianças ou adolescente conseguem
“acreditar” que serão estudiosos das matérias escolares, por mais que elas nos
dão a base para todas as outras, não é fácil acreditar nisso.
Iniciei muito cedo fazendo
“bicos”, deveria ter uns 10 anos. Eram trabalhos de poucas horas e dias, que
rendiam algum dinheiro para comprar doces, roupas, calçados e peças para as
bikes que tinha.
Nos primeiros, lembro que
eles também não chamavam muita atenção, após alguns dias ou meses de trabalho
eu me sentia cansado da rotina, unicamente o que me motivava no começo era receber
algo “dinheiro” por certo esforço realizado.
Com o tempo comecei a
escolher melhor, só fazia o que era do meu interesse, permanecia se o ambiente,
as pessoas e o trabalho fizesse algum sentido, só depois pensava no valor que
receberia.
Muitos deles trabalhei de
graça, um em especifico na área da mecânica de camionetes C10, camionetes
usadas para puxar leite até o laticínio, trabalhei quase 1 ano sem receber
nada, mas o ambiente era tão bom e o trabalho qual eu executava ficava tão
perfeito, que só aquilo me bastava, como gratificação ao final deste período,
recebi muito conhecimento, aprendi dirigir, ganhei autoconfiança e um cheque
salário equivalente a meio salário mínimo, qual fiquei muito feliz em receber e
ao mesmo tempo não me sentia merecedor, porque considerava ter ganhado a
oportunidade e o tempo do proprietário que me ensinou sua profissão, foi um ano
de dedicação e tempo de alguém que se dedicou a me ensinar o que sabia. Este
tinha se tornado o meu professor profissional.
NEI ALBERTO PIES: Como tuas primeiras experiências
profissionais contribuíram para a sua formação pessoal e profissional?
JAIRO OLIVEIRA: Ao total foram 15 ambientes
e profissões em que tive experiências dos 10 aos 16 anos de idade. Conheci
muitos tipos de estruturas de trabalho, algumas delas não foram legais. De modo
geral, me ajudaram muito.
Hoje conheço muitas áreas de atuação e consigo
usar as experiências nos meus negócios e na vida pessoal. Uso diretamente na
formação de nossos alunos, por ter conhecido tantas pessoas, processos e
produtos, consigo materializá-los e modernizá-los em um ensino que consegue aos
poucos ir levando este aluno a entender o mercado profissional, de forma suave
em direção do sucesso profissional, para que quando tenha sua primeira
experiência, diminuam as chances de fracasso.
NEI ALBERTO PIES: Como foi assumir a direção de uma escola
de educação profissional, logo depois de largar o trabalho de frentista de
posto? Seus primeiros desafios?
JAIRO OLIVEIRA: Na minha infância, havia
feito muitos cursos, datilografia em máquinas de escrever, atendimento ao cliente,
garçom e o mais completo Curso de Informática da época, que se aprendia
(Ms-dos, sistemas operacionais, Internet e todo o pacote office). Gostava de
fazer cursos, eles sempre fizeram parte da minha vida, na época eram cursos
caros, chegavam a custar meio salário mínimo por mês.
Quando meu irmão mais velho
decidiu abrir a empresa, me convidou para iniciar junto em uma sociedade.
Iniciei como professor de informática. Para mim, não foi difícil porque já
conhecia muito bem aquele ambiente de escolas de cursos e o domínio da matéria
fez muita diferença.
Meus primeiros alunos foram
profissionais do Banco do Brasil da cidade de Ijuí, RS. Na época eu tinha 17
anos, recém tinha pedido demissão no posto de combustíveis qual era frentista e
lavador de caminhões e carretas.
Foram muitos dias de
estudos, lembro que era necessário elaborar as aulas que seriam passadas e foi
ali que me encontrei: toda aquela dificuldade com as matérias colegiais
pareciam não existir nas matérias de tecnologia, consegui elaborar aulas para
profissionais bem preparados na época, em seguida tive inúmeras turmas, com
públicos de todas as idades.
Minha maior motivação era
ver as salas cheias e as aulas sendo executadas com perfeição. Alunos felizes e
evoluindo dia a dia. Nos primeiros meses apenas dava aula, logo tive que
assumir a primeira escola, todos os setores e a sala de aula, na época eram
poucos colaboradores. Minha principal dificuldade foi ainda na adolescência ter
assumido muita responsabilidade ao mesmo tempo, sem estar tão preparado.
NEI ALBERTO PIES: Há quantos anos trabalhas com educação
profissional? Por que te realiza tanto?
JAIRO OLIVEIRA: Já fazem 21 anos desde a
primeira aula como professor. Hoje, sou um dos diretores responsável por desenvolver
metodologias e conteúdos de toda a rede NEW LIFE ESCOLA, voltando ao mercado
profissional.
Incluir Logomarca NEW LIFE
Me sinto realizado porque
conseguimos chegar num nível muito especial, onde nossos profissionais, alunos
e familiares se sentem felizes em estar em nossa instituição.
Mas me sinto muito mais feliz
porque consigo ver no olhar dos alunos o desejo de estar estudando, eles evoluem
dia a dia, percebo que poucos dias depois da primeira aula, os alunos se
mostram entusiasmados com tudo que acontece aqui.Sei que estão sendo respeitados em todos os níveis do processo,
tenho a certeza que terão um alto grau de sucesso na vida.
NEI ALBERTO PIES: Quais são suas críticas ao modo de
organização da escola tradicional?
JAIRO OLIVEIRA: Sempre tive amigos, dos
mais educados aos mais marginalizados. Se não tivesse uma família dedicada aos
valores, acredito que a escola poderia ter me empurrado para algo ruim, por que
se reúnem muitas crianças e adolescentes, dos mais variados tipos de cultura e
comportamento social, e muitos deles não eram boas companhias, vivenciei no
ambiente escolar. Me salvei por que os valores que aprendia em casa não me
deixavam escolher o caminho errado.
Hoje, trabalhando
arduamente para ter sucesso na área educacional, vejo quantos erros os alunos
são submetidos diariamente nas escolas.
A falta de estrutura
física, a grade curricular ultrapassada, a baixa valorização dos profissionais
da área e a falta de treinamento, principalmente em lecionar, são as principais
causas. Não é possível ensinar um aluno de forma adequada, se tudo isso está aquém
das expectativas do principal interessado “o aluno”. Enquanto o ensino for
obrigatório, os responsáveis da área, não se esforçarão para manter a qualidade
da entrega e desenvolvimento do ensino.
Penso que quando a escola não consegue dar a estrutura
adequada em todos os minutos de permanência de um aluno, ela não deveria
atendê-lo, pois estão em uma fase muito importante do seu desenvolvimento, onde
os erros comprometem toda a formação intelectual e social do aluno.
Quando incitamos o que há
de mau em uma criança, sendo frustrações, medos, angústias, impotência, que é o
que acontece quando essa criança sofre muito para estar adequado aos parâmetros
educacionais, nós a empurramos para o precipício, criamos o caos na vida da
família, que não terá ferramentas para resolver.
O local deveria ser
perfeito, se tratando de formação de longo prazo, estrutura impecável,
profissionais altamente remunerados e treinados para exercer tal compromisso.
A escola é a segunda
família do aluno, o resultado que ela está tendo ou terá no futuro é de inteira
responsabilidade das duas partes. Não tem como culpar a crianças ou
adolescente, eles são frutos destes dois ambientes.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a crença que tens no potencial de
cada ser humano?
JAIRO OLIVEIRA: Acredito em todosque consigam responder por seus atos.
As imitações de aprendizagem em determinadas áreas, não são empecilho algum na
era da tecnologia, consigo acreditar em um sucesso maior para os que forem
submetidos a uma melhor qualidade de relacionamentos, diversidade de ambientes
e desenvolvimento profissional iniciados na infância. Poucos terão destaque
expressivo sem estes fatores.
Todos nós, na fase adulta,
precisamos trabalhar, seja qual for o caminho e a ordem com qual ele chegou em
nossa vida, praticamente toda a nossa vida é dedicada ao trabalho.
Curiosamente, nas
principais fases da nossa formação, não ouvimos nada de forma clara, se quer
aprendemos quais os caminhos e habilidades naturais que temos.
Quando a criança e o adolescente passam toda essa fase sem
saber nada de ambientes profissionais, suas práticas e se tem habilidade com
quais, acaba comprometendo suas tomadas de decisões, quanto a qual se dedicar.
Essa falta de afinidade e
gosto pelo trabalho se consolida em sua vida, de forma tão expressiva, que a
grande maioria na fase adulta, trabalha por obrigação, bem como é na escola,
consequentemente não conseguirá ter uma vida social saudável, constituir
família ou se sentir feliz com a vida que leva.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a metodologia e os quais são os
princípios que embasam o trabalho educativo da New Life Educação?
JAIRO OLIVEIRA: No ano de 2018,
desenvolvemos um novo conceito educacional voltado à educação profissional,
chamado “a fórmula da nova vida”.
Recentemente, apresentamos
a 45 países de 5 continentes, na cidade de Genebra na Suíça. Ele foi
desenvolvido para crianças e adolescentes de 7 a 15 anos, que buscam seu
desenvolvimento pessoal e profissional. O ensino é dividido em fases
evolutivas.
Este projeto leva em conta
o desenvolvimento do aluno, nos 4 principais pilares da humanidade: Amor, Sabedoria, Inteligência, Vontade.
Criamos diretrizes para medir a evolução dos nossos alunos levando em conta
estas premissas.
Após anos buscando um
modelo ideal de ensino, conseguimos chegar nesta modelagem, conseguimos ver em
um curto período a visível evolução dos alunos.
Para nós já não é mais estranho ouvir relatos de pais que já
tinham perdido a esperança quanto ao futuro dos seus filhos, relatarem uma
grande evolução em comportamento social e desenvolvimento intelectual.
Para nós, todos os nossos
alunos são geniais, inovadores, são seres perfeitos, cada qual dentro das suas
possibilidades, habilidades e interesses. Nosso principal objetivo é comprovar
que todos evoluem muito em pouco tempo, os estabilizamos para gostarem de
estudar a si mesmos e o meio qual fazem parte, para que no futuro continuem
sempre fazendo isso, sem se sentirem pressionados ou infelizes.
A forma com qual medimos o
seu desenvolvimento, leva em conta características dos profissionais do futuro,
que precisam aprender sobre si mesmos, aprender diariamente, ter habilidades de
liderança, competências para conviver com grupos sociais e pelo menos ter a
ideia de empreendedorismo.
Os conteúdos trabalhados,
são apenas para expor os alunos a eles e fazê-los pensar e adquirir
habilidades, mas não tem intenção de formá-los em algo.
As matérias levam em conta a gestão de tempo, financeira, inteligência emocional, tecnologia da informação, robótica educacional, ferramentas do mundo digital e muitas outras que são inseridas diariamente na rotina das aulas. Essas materias não são estáticas, elas sofrem alterações em tempo real, o aluno recebe o que há de mais inovador dentro das possibilidades e necessidades do seu desenvolvimento.
NEI ALBERTO PIES: O que significa empreender-se?
JAIRO OLIVEIRA: Todos nós precisamos
aprender a empreender em nós mesmos em primeiro momento, costumamos não levar
isso em conta, e acabamos apenas por empreender em negócios. Empreender em si
mesmo sempre teve um valor maior.
NEI ALBERTO PIES: Qual é o perfil que o mercado de trabalho
busca hoje?
JAIRO OLIVEIRA: O novo profissional precisa
ter habilidades com as tecnologias do momento, habilidades para trabalhar com
pessoas e, principalmente, a flexibilidade de evoluir diariamente.
Não é em si uma novidade,
sempre se valorizou esse tipo de perfil, mas o grande problema é que para
qualquer cargo começara a ser exigido pelo menos um nível básico delas, e com a
mudança desenfreada das tecnologias, se perder o tempo certo, poderá se tornar
um profissional do passado muito rapidamente, coisa que não era necessário para
os empregos do passados, onde você poderia iniciar e se aposentar na mesma
profissão.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a sua mensagem aos adolescentes e
jovens de hoje?
JAIRO OLIVEIRA: Inicie cedo:
Façam cursos principalmente os que são voltados a tecnologia e desenvolvimento
humano, eles podem ser iniciados já aos 7 anos lhe acompanharão pelo resto da
vida. Estes servirão de base ou complementares na sua vida profissional, seja
em qual for a área que escolher atuar. Escolha uma escola que se sinta parte do
processo, seja ela on-line ou presencial, cursos gratuitos ou pagos. Incluam-os
em sua vida, assim como comprar roupas, comidas ou dar presentes. Incentivem-se
a não parar nunca, logo que pensar assim, se sentirá feliz em dedicar algumas
horas por semana para estudar coisas novas.
Eles serão a chave do teu
sucesso, porque custam pouco tempo e dinheiro. Conhecera muitas áreas e irá
adquirir inúmeras habilidades em pouco tempo. Verá possibilidades em lugares
que jamais pensou, começará a aumentar seu desejo pelo trabalho e como
consequência terá mais sucesso pessoal e profissional.
Ponha-os em prática o quanto antes:
elabore pequenos projetos autorais e use a web para trabalhar ou inicie sua
vida profissional com tutoria de alguma empresa que considere te respeitar, use
estes projetos ou trabalho para começar a ganhar algum dinheiro e experiência,
comece como um jovem aprendiz ou pequeno empreendedor, o ideal que as primeiras
experiências sejam de menor duração e com carga horária diária de no máximo 4
horas, não permaneça muito tempo no mesmo fazendo a mesma coisa, troque de
empregos ou setores, ou projetos, a fim de conhecer pessoas, processos e
produtos diferentes, quando somos jovens temos menos pressão o que nos permite
errar mais e conhecer coisas novas.
Dificilmente, na sua primeira convicção, estará certo. Não
pare seus estudos por nada, leve a vida profissional como algo paralelo que lhe
dê prazer. Esta dica não ajuda muito quem quer seguir estritamente uma carreira
que exigirá muito empenho na área educacional, tais como concursos ou graduações
que exijam dedicação total, se acreditar que está certo na escolha, siga firme
neste propósito.
Acredito que a falta ou
pouca experiência profissional na adolescência, poderá te formar um
profissional com limitações para trabalhar em grupos, com dificuldades para
entregar soluções aos seus clientes, sejam eles nos setores públicos ou
privados.
Entrevistar um colega de profissão não é uma tarefa fácil, pois podemos cair no óbvio, ou, estender a conversa por horas. Nesse caso, a entrevista durou horas e, ainda, emendamos um café.
Conheci Celestino Meneghini, quando fomos colegas na Rádio Uirapuru,
sempre admirei seu jeito único de noticiar. Porém, conhecer um pouco mais de
sua vida jornalística é desvendar um tanto da história da cidade e de momentos
importantes que marcaram a vida dos passo-fundenses.
É descortinar um jornalismo que perpassa momentos distintos da história
como a Ditadura Militar, Abertura Política, a chegada da tecnologia e a
disseminação das redes sociais. Filho de imigrantes italianos, Celestino
Meneghini, nasceu em Santa Cecília do Sul, na época vilarejo de Tapejara. Aos
seis anos, veio para Passo Fundo, cursou o primário na escola Menino Jesus e
foi num seminário em Erechim que concluiu o Ensino Clássico e iniciou o
Científico, que correspondia ao atual Ensino Médio, o qual veio concluir na
escola EENAV, em seguida, iniciou a faculdade de Direito na Universidade de
Passo Fundo. Seduzido pelas ondas do rádio, foi um teste para locutor que deu
início a essa história.
Márcia Machado: Como você iniciou na profissão de jornalista?
Celestino Meneghini: Era um desejo grande ser locutor de rádio, em
casa ouvia a Voz do Brasil, ainda nos rádios a válvula, meu imaginário estava muito
ligado ao rádio e quando comecei a falar no rádio foi a maior realização, algo
muito emocionante, para mim foi uma oportunidade que ocorreu de repente.
Com a instalação da Rádio
Planalto na cidade, em 1969, surgiu a oportunidade de fazer um teste para
locutor, e me habilitei a concorrer a vaga. O teste era feito por técnicos de
uma faculdade de Pelotas que vieram à cidade para fazer a avaliação dos
postulantes, e eu me apresentei. Vários locutores renomados da época, estavam
concorrendo como Duarsan
Bitencourt D`Ávila,Telmar Cotelinski, José Guedes, José Ernani (era
apresentador da Rádio Passo Fundo na época), entre outros. Havia fila para
fazer o teste e o programador informou que a lista para locutor já estava quase
completa, havia apenas uma vaga, ainda assim, me deu um tema e pediu para que
eu simulasse uma transmissão externa, estava concorrendo com mais ou menos uns
300 postulantes ao cargo de locutor.
Era uma loucura. Fui selecionado
e fiquei fazendo locução comercial, após passei a apresentador de programas
musicais e, em seguida, comecei a fazer reportagens e algumas transmissões
externas que me levaram a preferir a reportagem e as notícias. Como repórter na
rádio Planalto, eu procurava movimentava a cidade.
Às vezes, fazia denúncias envolvendo
nomes importantes da sociedade, mesmo gerando certo desconforto aos diretores
da emissora, me tornei uma referência às fontes. Porém, também fiz alguns adversários,
descontentes com o meu trabalho. Um dos fatos ocorreu quando um policial
aposentado abordou um rapaz e bateu nele de forma violenta, contudo, era a
pessoa errada e resolveram abafar o caso, porém, eu denunciei. O policial foi
até a direção da emissora afirmando que ia me processar. Eu imaginando que
seria demitido, busquei provas que confirmavam a ação, produzindo um dossiê
sobre o caso, o qual levei ao conhecimento da direção da rádio e o fato foi
esquecido. Eu também trabalhei na Rádio Passo Fundo e Rádio Uirapuru.
Márcia Machado: Além
de emissoras de rádio, você também escreveu para os principais jornais da
cidade?
Celestino Meneghini: Em 1974, trabalhei no jornal Diário da Manhã,
onde permaneci por uns três anos, o Dr. Dyógenes Martins Pinto era o diretor,
mas lembro do seu Tulio Fontoura, fundador do jornal, uma figura admirada e muito
respeitada no jornalismo de Passo Fundo.
Nos anos 80, fui editor do jornal O Nacional,
anos da Abertura Política, momento de transição, tanto política como
tecnológica, com a chegada de emissora de TV e também das emissoras FMs na
cidade.
Foram anos de muito trabalho. De
1990 a 2000 mantivemos o jornal O Cidadão, em sociedade com o meu irmão, era um
jornal semanal. Após ingressei na Rádio Uirapuru. Já entre os anos 2003 a 2005,
retornei ao jornal O Nacional, na redação trabalhei com jornalistas como Fátima
Trombini e Argeu Santarém, que já não estão mais conosco, havia uma sintonia
muito boa.
Neste período estabeleci com a
OAB, o jornal da Ordem dos Advogados do Brasil, abrangendo 27 municípios
abordando assuntos da Ordem, foi um jornalismo diferenciado, focado em uma
categoria, foi uma grande experiência. Fui duas vezes presidente do Sindicato
dos Jornalistas em Passo Fundo (haviam apenas dois sindicatos, um em POA e
outro no interior do estado, sediado em Passo Fundo), também fui dirigente da
Federação Nacional dos Jornalistas
(Fenaj). Após me dediquei à advocacia, mas sempre mantive um pé na advocacia e
outro no jornalismo, através da colunas que escrevo.
Márcia Machado:
Como era fazer jornalismo no interior do estado em tempos de Ditadura?
Celestino Meneghini: A gente queria ver um sinal de liberdade.
Todos nós, os quais exerciam um trabalho de resistência na imprensa, estávamos
frequentando os bancos universitários, dois amigos meus, o Santarém (Argeu) e o
Tasca (Ivaldino), foram presos durante o Regime Militar, época da ditadura mais
forte 1964/1965.
A gente era visado, havia pressão
dentro da faculdade, a gente questionava e tinha uma contingente de colegas
reacionários (de Direita), fui processado na faculdade, fui expulso da
faculdade (iniciou-se um processo de expulsão arbitrário), na época não
tínhamos o direito de defesa, era processado e já deferido. Na época, era
difícil você ter a lucidez e paciência
adequada, para não se exacerbar e não transformar a atitude, a tua
inclinação política num diletantismo.
Confesso que briguei demais por
determinadas bandeiras partidárias, pela liberdade. Fui investigado várias vezes pelo Regime
Militar na época e nunca encontraram nada que me desabonasse. Meu nome e de
outros colegas jornalistas constaram, por anos, na lista do exército como
subversivos. Foram anos difíceis.
“Meu nome e de outros colegas
jornalistas constaram, por anos, na lista do exército como subversivos. Foram
anos difíceis”.
Márcia Machado: Além de jornalista, você também assumiu cargos
políticos na cidade e no estado?
Celestino Meneghini: Depois da passagem pela Rádio Planalto nos
anos 70, fui trabalhar na Rádio Passo Fundo, e então, enveredei para política,
fui diretor municipal de Turismo, assumi a chefia de gabinete da primeira
administração do prefeito Airton Dipp (PDT), após assumi um cargo na
comunicação no Governo do Estado em Porto Alegre, fui diretor de comunicação de
companhias como a CRT, CEEE, Sulgás, Companhia Riograndense de Mineração,
fiquei no cargo por um ano, após retornei a Passo Fundo. Como estava formado em
Direito e já estava exercendo a profissão, me estabeleci em Erechim onde
advoguei para bancos. Retornei novamente a Passo Fundo, onde tive
dificuldades em conseguir emprego nas redações por ser uma jornalista
investigativo, de confronto, e me dediquei a advocacia.
O rádio passou a ser feito em
horários alternativos. Em 2005, voltei a assumir cargo público junto a
assessoria de comunicação da prefeitura
de Passo Fundo e, em 2009, como
coordenador da Junta Administrativa de Recursos de Infrações de
Trânsito, a Jari. Mesmo na política, sempre mantive contato com o
jornalismo, com o advento da internet não ia mais à redação, escrevia minhas colunas
em casa, esse ambiente da redação é que sinto falta, principalmente, das
máquinas de datilografia, a gente olhava aquelas peças de metal ali, aquele
barulho, parecia ora uma metralhadora, ora, um ruflar de asas, enfim, a gente sentia
aquela emoção. Mesmo em meio aquela conversa toda conseguia me centrar no ritmo
das teclas para produzir os textos.
Eu sempre tive empenhado na
produção de texto, gosto muito de escrever. Hoje sou colunista jornal O
Nacional, porém o ritmo é diferente.
“ […] esse ambiente da redação
é que sinto falta, principalmente, das máquinas de datilografia, a gente olhava
aquelas peças de metal ali, aquele barulho parecia, ora uma metralhadora,
ora um ruflar de asas, enfim, a gente sentia
aquela emoção.”
Márcia Machado: A sua relação com a política chegou em algum momento influenciar o seu trabalho jornalístico?
Celestino Meneghini: Sempre tive uma relação com a política, eu
tinha minha militância no partido PDT e depois no PSB, sou advogado do partido
ainda hoje. Sempre consegui separar, o tanto quanto possível, me empenhava no
aspecto jornalismo, para fazer as coberturas, nunca houve problema em fazer uma
matéria que viesse a repercutir contra algum partido.
Sempre procurei como comentarista
e cronista, numa abordagem política partidária, dar uma conotação de
observador, até porque, eu não cobria as matérias referentes ao meu partido.
Nas coberturas políticas sempre procurei respeitar as pessoas que pensavam
politicamente igual, ou não a mim, até hoje mantenho isso. Minha coluna hoje é
de um profissional mais maduro, observador, tenho minha intuição.
“Minha coluna hoje é de um profissional mais maduro, observador, tenho
minha intuição”.
Márcia Machado:
Enquanto jornalista, observador, como você avalia o atual momento político do
país?
Celestino Meneghini: Hoje estamos vivendo um novo período, após uma
turbulência toda no país, fomos roubados pelos mandantes do país, por um
partido que o povo confiou, no qual inclusive eu votei. Não sou do PT, mas
votei e pensei que o PT ia dar a solução e chegou a encaminhar a solução,
quando ofereceu um espaço para o ser humano, uma base de sobrevivência para a
nação brasileira, mais liberdade para as pessoas e as comunidades, mas de
repente ocorreu a Lava Jato e o impeachment.
Também há razões para as pessoas
se revoltaram com a propagação da corrupção que envolveram outros partidos,
inclusive partidos tradicionais que estão envolvidos nas denúncias de
corrupção. Sempre houve gente séria num e outro partido, como sempre houve
falcatruas políticas em um e outro partido. Não restou ninguém inocente de modo
geral.
Precisamos agora é momento de
colocar os pés no chão, temos um presidente que se elegeu num fenômeno de comunicação
diferenciado, que não compareceu nos debates públicos, mas que trabalhou rápido
e lépido na utilização das redes sociais e continua fazendo. Já estava
prenunciado, na eleição do presidente Trump nos Estados Unidos já havia
ocorrido fenômeno semelhante.
Acredito que foi transportado o
modelo em diferentes plataformas e aí surgiu o fenômeno cibernético que está
aí, temos um presidente que me parece está empenhado em manter o foco no
combate a corrupção, mas pegou uma país com sérios problemas e, até o momento,
não conseguiu apresentar nenhuma novidade que respalde e ofereça uma esperança
aos brasileiros, pois corremos o risco de termos nossa esperança tolhida.
Márcia Machado: Você falou sobre o fenômeno cibernético, para onde
se encaminha o jornalismo em tempos midiáticos?
Celestino Meneghini: A sobrevivência dos jornais impressos está,
logisticamente, comprometida. Há movimentos no mundo inteiro, onde grandes
grupos jornalísticos tiveram que encerrar as atividades e aqui no Brasil
também. Passo Fundo é um fenômeno no Rio Grande do Sul, ninguém teve por tanto
tempo dois jornais diários e fortalecidos.
Mas a questão da agilidade da
informação, através da sinergia das redes sociais vai ser infinitamente
superior, em termos de acessibilidade, porém, vem o fator que sempre achei importante na minha vida profissional, é a função do jornalista, o comentarista, os coordenadores, o editor, eles só estarão
prontos enquanto profissionais, quando passarem pela reportagem.
O repórter tem a convivência com
o fato, não há maneira mais fidedigna, mesmo na subjetividade da interpretação
da notícia, de você ver o fato, eu fiz muitas reportagens, quando havia
dificuldade sobre informações, o segredo é ir no local do fato e conversar com
as pessoas, já tive casos policiais que desvendei antes da polícia, com
documentos e provas .É empenho, é trabalho. Ser repórter não é uma genialidade,
é uma atitude de zelo com a notícia. Você tem que prezar a fonte.
O repórter Carlos Wagner (foi
jornalista investigativo do Zero Hora) é um exemplo, ele convivia com as
fontes, no caso dos Sem Terras ele passava dias nos acampamentos, convivendo
com o movimento e o que ele revelava era o diferencial. Frente a relação midiática das notícias, os
desvios de caráter são individuais e coletivos, eles se disseminam através da digitalização da maldade, da
covardia, imune à responsabilização, as pessoas utilizam meio covarde de
ofender os outros e vender ideias sem conteúdo, a verdade é dizimada e corre
grandes riscos. Tem coisas boas e fiéis, o problema é a conotação que o ser
humano dá.
A notícia corre risco de ser
vencida pela velocidade do ódio, pela discrepância e má interpretação dos
fatos. Na política é modismo a criação de fatos ( fake news) e manuseio de
marketing, mecanismos que funcionaram na
eleição de Bolsonaro.
“Ser repórter não é uma
genialidade, é uma atitude de zelo com a notícia. A notícia corre risco de ser
vencida pela velocidade do ódio, pela discrepância e má interpretação dos
fatos.”
Márcia Machado: Como o jornalismo contribui para uma sociedade mais
crítica e solidária?
Celestino Meneghini: O jornalista tem que se aliar ao contexto educacional,
ele é um curador, um observador de ideias e pensamentos, ele tem que manter a
fidelidade à verdade, ele tem que ser competente, nem sempre ele terá uma
remuneração adequada para isso, situação histórica no jornalismo, aí entra a
parte de sacerdócio do jornalista. O
jornalista é um eterno resistente. Ele tem que ter princípios, discordar e ser
oposição a tudo, até a própria oposição, porque jornalismo é opor ideias.
“O jornalista é um eterno
resistente. Ele tem que ter princípios,
discordar e ser oposição a tudo, até a própria oposição, porque jornalismo é
opor ideias”.
Márcia Machado: Enquanto advogado como você percebe a promoção e
aplicação da justiça em nosso país, em tempos de ataques aos direitos sociais?
Celestino Meneghini: Nós temos uma legislação, uma vertente
constitucional, que é bastante humanizada e temos a lei comum que fica cingida
aos segmentos de matéria jurídica que é a aplicação do direito e da justiça. A
justiça estabelece parâmetros que atendem pouco a uma equidade, hoje a justiça
está se tornando muito acadêmica e pouco se devota a equidade que emana do
poder e da capacidade humana de julgar.
Historicamente o Direito está devendo muito para a justiça social, tem que participar mais ativamente. A justiça que estamos vivenciando, também é uma expressão da falta de qualidade de base da nação brasileira, da sociedade, temos a herança da escravidão que até hoje não se apagou e vai ser difícil apagar. A missão do estado é fazer o possível e o previsível, mas o estado não quer ter previsibilidade ante as dificuldades do povo, frente as pessoas mais sofridas. A utopia deve ser o vértice da busca dos fatos, da solidariedade, do bem.
Fotos: Márcia Machado Caricatura: Leandro Dóro Legenda: A velha e boa máquina de escrever acompanha Meneghini de longa data, Um eterno resistente
Pequenas histórias
Tiroteio no Plantão
Eu vivenciei o uso de arma por
jornalistas, em épocas passadas era normal, pois muitas vezes tínhamos que
entrar a campo aberto para fazer a reportagem. Hoje não é recomendado. Eu
estava de plantão na madrugada e fui informado da morte de um cidadão
esfaqueado em frente a um restaurante no centro da cidade, momento em que ele
deixava o estabelecimento com a namorada. Imediatamente, eu fui na delegacia de
polícia para saber sobre o andamento do caso. Na delegacia encontrei o inspetor
de polícia sozinho no plantão, ele me convidou para uma diligência, fomos de
fusca, inclusive eu estava armado, o que era natural naquela eṕoca. O inspetor
já sabia quem era o suspeito do crime e fomos até a casa, quando o policial
chegou no local houve uma confusão e começou um tiroteio, eu com medo, também
atirei, porém, o suspeito não foi alcançado. O local era próximo ao bairro que
eu morava e os irmãos do suspeito me conheciam, então, dias depois do
fato, fui comprar leite e vi um carro se aproximar com
três pessoas dentro, ouvi uma voz que em tom de ameaça falou “é
esse aí que deu os tiros na frente de casa”. Com medo, fui embora, vi
que ia apanhar ali.
Manchete polêmica
Eu era editor do O Nacional e fui fazer uma
matéria que precisava ser complementada, fui até Vila Hípica buscar mais
informações sobre um assassinato. O morto era um bandido conhecido e o
assassinato ocorreu momento em que ele estava batendo numa grávida. As mulheres
da vila se mostraram aliviadas com a morte do bandido, dizendo que havia sido
uma limpa o assassinato. Eu então usei a fala de manchete “Morte de bandido foi
uma limpa na Hípica”. No dia seguinte, estou na redação, fechando o jornal, por
volta das 23h, entrou um homem, que se identificou ser da família do bandido assassinado,
e se mostrou ofendido com a matéria divulgada, tentei argumentar, mas ele
alterado, disse que veio para resolver a questão de “homem para a homem”. Ele
abriu o casaco e me mostrou uma adaga, eu peguei o meu revólver e também mostrei
de maneira discreta. Por fim, ouvi a
versão dele dos fatos, produzi a matéria e publiquei na primeira página, o que
não era usual, mas fiz por medo.
O taxista era meu
irmão
Noutro momento fiz a denúncia
contra um famoso vigarista, isso nos anos de 1973/1974, ele me “marcou” e
durante uma conversa com uma
taxista, disse que ia acertar contas com
o jornalista Celestino Meneghini, por tê-lo tratado como falsário. O taxista,
era meu irmão, e mudou o trajeto da corrida, em certo momento, de posse de um
facão, se identificou ao cliente e o intimidou exigindo que ficasse longe de
mim. O falsário sumiu.
Locutor oficial das Diretas Já
Fui escolhido o locutor oficial
do Movimento Diretas Já em Passo Fundo, momento da abertura política no país.
No jornal eu era entusiasta pelas eleições diretas, então, fui convidado para
presidir o comício pelas Diretas em Passo Fundo, que reuniu 5 mil pessoas no
Clube Juvenil, foi um estrondo na cidade.
Eu era editor do jornal O Nacional e fiquei de produzir a matéria do
comício, porém, os informantes do exército estavam em toda a parte e
sequestraram as minhas fotografias e não pude mostrar o tamanho do ato. Eu
escolhi três ou quatro fotógrafos e acabei sem nenhuma foto, pois o material
deles também foi apreendido. Já o Acácio
Silva, editor do Diário da Manhã na época, conseguiu manter e publicar suas
fotos, nos “furou”, eu tive que usar fotos de arquivo. Se quer deixar um
jornalista magoado e só tirar o material. Estiveram no ato figuras como Pedro
Simon, Olívio Dutra, Caruso da Rocha, Alceu Collares, entre outros.
Infiltrado na comitiva da presidência da República
Em 1973/74, transformamos uma
Variant, em unidade móvel da Rádio Planalto, em cima do veículo foram instalados
os equipamentos, era uma novidade para a cidade e região na época, pois
proporcionava falar de cidades da região, era algo fantástico falar ao vivo do
local do fato. A chegada da unidade móvel, culminou com a visita do presidente Médici a cidade. Fui com a unidade móvel até o campo de
aviação para acompanhar a chegado das autoridades. A guarda de segurança era feita pela
guarnição do exército da cidade, me acompanhou o diretor da emissora Padre
Paulo Farina, mas ele foi em outro veículo. E eu fui adentrando ao local onde
estava a guarnição do exército e, como conhecia alguns soldados, fiz um sinal
de continência e segui com a unidade móvel, mas a medida em que eu ia passando,
ia recebendo gestos de continência, eu não entendia a atitude, e cheguei até o espaço reservado
aos veículos da comitiva presidencial. Quando dei o primeiro boletim ao vivo, o
Comandante do Exército mandou me retirar do local. Foi, então, que percebi que
a viatura da emissora havia sido confundida pelos militares, por ser de cor
Oliva, acharam que o veículo era do exército e fazia parte da comitiva do
Presidente da República. Eu quase fui preso.
Revolta dos Motoqueiros
O momento mais apreensivo na
minha vida foi a cobertura do episódio dos Motoqueiros (Revolta de Motoqueiros
em 1979). Eu estava cobrindo o levante popular (única revolta contra a Ditadura
Militar, no Brasil, liderada por motociclistas) com a unidade móvel.
Enquanto um colega dirigia o veículo, eu ia transmitindo ao vivo. O movimento saiu da Avenida Brasil rumo ao
Quartel do Exército, momento em que eu ouvi os estampidos, e vi alguns manifestantes
chorando, eu falei para meu colega é festim, não vai matar ninguém. E de
repente começou um tiroteio, um tumulto envolvendo os manifestantes e a Brigada
Militar, de um lado apedrejamentos de viaturas, brigas, de outro gritos de
ordem, acenos dos prédios. No canteiro central eu ouvia os estampidos de balas
e pessoas caindo. E quando o olho para o lado meu colega havia abandonado o
local e eu fiquei sozinho no meio da confusão com o microfone, tomei a direção
do veículo e continuei dirigindo e falando ao microfone. Quando cheguei em frente ao Quartel, vi que a
situação era crítica, mas em nenhum momento parei a transmissão. Foi então que
o exército interferiu, acalmou a situação que resultou em duas mortes.
O Instituto Libertarte é mantido por doações dos seus voluntários que viabilizam a manutenção das oficinas de música, transporte para viagens, compra de instrumentos e outros investimentos como palestras e cursos ligados à arte, cultura e lazer.
A presença do Estado na vida das
pessoas pode ser sentido de várias maneiras. No tratamento da água, na
iluminação pública, no atendimento hospitalar ou até mesmo a falta destes
serviços. O Estado é fundamental na prestação de uma série de serviços
fundamentais para a população e ele possui a responsabilidade de garantir
direitos básicos aos cidadãos, como segurança, cultura e educação.
Entre o orçamento do Estado, a
execução de projetos e a definição das prioridades de um governo existem falhas
que colocam grande parcela da sociedade na vulnerabilidade social, na miséria e
por consequência, em muitos casos, a cometer atos infracionais e crimes. É
indiscutível que o Estado deve ter essa responsabilidade e a tarefa de
qualificar cada vez mais estes serviços que fazem a engrenagem social “funcionar”.
Há um verdadeiro percurso
burocrático que gera a morosidade e a falência dos serviços públicos. A falta
de vontade, a falta de dinheiro, a alta demanda, a corrupção, a falta de
prioridade e tantos outros motivos prejudicam o sucesso e o bom desenvolvimento
de ideias e projetos importantes pelo Brasil todo.
Dadas estas condicionantes da gestão pública, reconhece-se a limitação
dos municípios, dos estados, da união e a importância das organizações da
sociedade civil de interesse público, organizações não-governamentais,
fundações e entidades que buscam dar a sua contribuição no desenvolvimento da
sociedade.
A expressão “Terceiro Setor”
começou a ser usada nos anos 70 nos EUA para identificar um setor da sociedade
no qual atuam organizações sem fins lucrativos, voltadas para a produção ou a
distribuição de bens e serviços públicos (SMITH, 1991).
Em Passo Fundo, a OSCIP Instituto
Libertarte tem como missão apoiar e desenvolver ações para a defesa, elevação,
manutenção da qualidade de vida e o bem-estar de crianças, adolescentes e
jovens em fase de desenvolvimento, em especial com vistas à socioeducação e
proteção daqueles que cometeram atos infracionais e/ou tiveram seus direitos
violados e a quem foram aplicadas as medidas socioeducativas e de proteção
previstas na legislação pertinente.
Atualmente o principal projeto do
Instituto é a banda Libertarte, formada por três jovens egressos da Fundação de
Atendimento Socioeducativo (FASE), por músicos profissionais e pelo Juíz da
Vara da Família e Sucessões, diretor do Fórum da Comarca de Passo Fundo, Dalmir
Franklin de Oliveira Jr, coordenador do projeto. A banda tem realizado
apresentações em Passo Fundo e região e já possui um trabalho autoral de
destaque com letras de reflexão social baseadas nas experiências vividas pelos
jovens artistas. O Instituto prevê a implementação de novos projetos que devem
ser iniciados ainda neste ano.
O Instituto Libertarte é mantido
por doações dos seus voluntários que viabilizam a manutenção das oficinas de
música, transporte para viagens, compra de instrumentos e outros investimentos
como palestras e cursos ligados à arte, cultura e lazer.
A OSCIP trabalha durante e após a
execução das medidas socioeducativas, com o objetivo de acompanhar os egressos,
auxiliando-os no prosseguimento do aprendizado e retorno à sociedade, quando
institucionalizados, ou fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
Autor: Wagner Pacheco, Presidente do Instituto Libertarte
Ainda há espelhos nos quartos das criancinhas? Elas ainda se espantam quando se veem nos espelhos?
É
comum vermos criancinhas brincando com tablets ou smartphones. Há até alguns
feitos especialmente para elas com jogos interativos e vídeos. Apesar de
estarmos em plena revolução tecnológica, não é certo que criancinhas, com menos
de dois anos de idade, se apeguem a esses aparelhos, pois deixam de valorizar
os seus brinquedos e amiguinhos próximos.
Os
pais não suportam mais os choros dos seus filhos e para vê-los quietos fazem
qualquer coisa, logo como sabem que os aparelhos eletrônicos são atrativos
mostram às criancinhas que ficam à mercê desses aparelhos, esquecendo uma vida real do outro lado da telinha.
O que ocorre com criancinhas que se
divertem com aparelhos eletrônicos?
Quando
crescerem mais um pouco não saberão lidar com a valorização das pequenas
coisas, assim como brinquedos e jogos. Não terão vivenciado a experiência de
quebrar um brinquedo ou de chorar por outro que tenha se perdido. Não saberão
quem são seus heróis de verdade ou como se tornarão heróis diante das demais
crianças. O pior, não saberão como brincar com
as demais crianças.
As crianças não ficam mais presas a um amigo, animal ou brinquedo. Tudo é trocado por objetos tecnológicos de última geração.
A vida na tenra idade é incompreendida pelos adultos e na primeira oportunidade que têm de ver as criancinhas quietas fazem o que estão ao alcance para isso, porém mesmo que o smartphone ou tablet tenha um atrativo adequado para a idade da criança, ou seja, apenas um vídeo com musiquinha ou um joguinho bobo, não é recomendado que passe tanto tempo presa a esses aparelhos eletrônicos, pois deve desenvolver as suas emoções e socializar-se com os parentes e amiguinhos.
A criancinha que passa a maior parte
do tempo diante da tela de um tablet tem tendências a ficar ansiosa e
dependente desse aparelho quando maiorzinha.
O
bom é que os pais esperem que as criancinhas cresçam mais um pouco para
presentear-lhes com aparelhos eletrônicos. Na internet, são disponibilizadas
muitas imagens de pequeninos brincando com aparelhos eletrônicos, o que torna o
acesso às brincadeiras e ao convívio familiar
cada vez mais distante.
É
preciso que voltemos a valorizar a contação de histórias, as cantigas de ninar,
os brinquedos feitos a mão e, principalmente, o abraço e a conversa sempre com
as criancinhas. Deixá-las largadas com um tablet ou smartphone até a hora de
dormir não é nada bom para o desenvolvimento das emoções.
Elas aprendem a ter raiva, a amar, a
serem pacientes, a serem caridosas, experimentando a realidade como ela é,
mesmo que seja difícil ter que ouvir a criancinha chorar por um desses
aparelhos o melhor é distraí-las com brinquedos
criativos e instrutivos.
É
sabido que há softwares e aparelhos desenvolvidos para essa turminha, mas o
quanto pudermos evitar que elas tenham na tenra idade o contato com eles que
façamos.
Evitemos
que as nossas criancinhas sejam tomadas pela revolução tecnológica, pois o que
elas mais precisam na primeira infância é de carinho, pessoas reais, emoções e
amor, muito amor.
Os aparelhos eletrônicos ainda não
sabem amar, o que é bom. Mas pais e responsáveis podem fazer esse diferencial
levando as criancinhas para um passeio no parque, para se lambuzarem com um
sorvete, tomarem um banho de praia ou se sujarem no meio da chuva.
São
nos dias de chuva que as crianças estão mais presas aos aparelhos eletrônicos,
pois não têm como brincar no pátio de casa para não se molharem e evitarem
resfriados, no entanto os pais não estão evitando o vício de ficar plugado o
tempo inteiro nos aparelhos eletrônicos que podem causar problemas psicológicos
e físicos mais tarde às criancinhas.
A
melhor coisa é que as crianças tenham contato com mais brinquedos e
brincadeiras que desenvolvam a mente e o corpo, pois é preciso um equilíbrio
entre os dois. E que não seja permitido a nenhuma criancinha ficar sentada por
horas diante de um aparelho eletrônico sem experimentar o correr, pular e
brincar vivendo a sensação maravilhosa de espalhar os brinquedos pela casa toda
até se cansar.
Antigamente, os pais evitavam que as
criancinhas chorassem muito com ameaças de castigos. Hoje, eles melhoraram um
pouco tirando o castigo e colocando nas mãos das criancinhas os aparelhos
eletrônicos que pensam serem bastante educativos para os seus filhos, mas que
prejudica o bom desenvolvimento dos seus pensamentos.
Quantas criancinhas nunca
experimentaram o prazer de fazerem perguntas por que simplesmente os aparelhos
eletrônicos já respondem tudo para elas ou nunca se perceberam diante do
espelho com raiva, chorando, tristonhas e dançando?
Ainda
há espelhos nos quartos das criancinhas? Elas ainda se espantam quando se veem
nos espelhos?
O
ato de espantar-se só é adquirido diante de vivências com o mundo real, tais
como: por que está chovendo? Por que meu amiguinho morreu? Por que estou
crescendo?
São
perguntas que a criancinha só é instigada a perguntar se ela perceber-se no
mundo real, por isso é preciso que os pais dediquem aos seus filhos momentos de
lazer longe das telinhas dos aparelhos eletrônicos para que tornem-se crianças
curiosas e criativas.
Essas crianças só têm como lazer a televisão que poucas vezes instrui e, muitas vezes, violenta e traumatiza a criança. É um sério problema deixar crianças sozinhas com a televisão, pois, de certa forma, ela é o lobo mau do mundo contemporâneo, querendo de alguma forma engolir as criancinhas indefesas. (Rosângela Trajano)
O amor à Pátria, o respeito aos símbolos nacionais e o orgulho de sermos brasileiros perpassam o ambiente escolar todos os dias.
Durante o
mês de setembro, em especial, levanta-se discussões nos meios de comunicação de
massa a teoria de que estamos desencantados com os rumos da nação.
Consequentemente, brasileiros estariam sem civismo e sem amor à Pátria.
Afirma-se, também, que as escolas deixaram de ensinar o patriotismo e o amor ao
Brasil. Permito-me discordar
frontalmente desta tese.
Levianamente,
os mais convictos destas teses, dizem que o mal da nação estaria nos políticos
corruptos e em partidos políticos que estariam promovendo mais suas bandeiras
do que a bandeira do Brasil. Que os brasileiros estariam deixando de lado a
exaltação de amor à Pátria para digladiar-se com os demais pelos créditos e
paixões do partido A, B ou C. Dizem, ainda, que partidos de esquerda estariam
na origem da falta de amor à Pátria. Em síntese: o problema do Brasil seria a
política (coisa do demônio) e, principalmente, os partidos de esquerda seriam
os maiores culpados pela falta de civismo dos brasileiros.
Vejam.O amor sempre é relação, é feito
de apostas e acordos, vividos permanentemente. O amor é doação, e tudo o que
contradiz a doação fere e machuca. O civismo, por sua vez, pode ser uma forma
de amor, mas não é a única forma de amar um país. (Vejam: sou gaúcho e gosto
muito desta terra. Isso não quer dizer que eu deva seguir o tradicionalismo
que, embora seja uma forma de amar o Rio Grande do Sul, não é a única forma de
amá-lo. Sou gaúcho, mas não sou tradicionalista).
O civismo é autoritário e impositivo, já o
amor nasce livre e desimpedido, espontâneo e duradouro. O civismo precisa ser
medido, enaltecido e demonstrado, já o amor ao Brasil brota livre, instantâneo
e sem medidas definidas para ser vivido pelos brasileiros.
Em oportunidades espontâneas e
livres, os brasileiros apreciam muito a bandeira e o hino nacional. As cores da
diversidade cultural, regional e étnica de tantos povos que aqui fazem sua
morada são sobrepostas pelas cores da bandeira, maior símbolo de identidade
nacional.
O
sentimento de amor ao Brasil gera-se através da participação, da importância e
do envolvimento que dispensamos, cotidianamente, como cidadãos brasileiros. Em
setembro de 2016, defendi que “uma
das maiores atitudes cívicas e cidadãs é demonstrar amor à Pátria
interessando-se por ela, participando ativamente dos acontecimentos que a
envolvem no atual momento histórico. Afirmar democracia é atitude relevante e
decisiva para vislumbrar o futuro desta nação. É necessário afirmar e debater,
de forma ampla, aberta e plural a “participação como um direito humano”, a fim
de sensibilizar e comprometer a todos com a luta por sua efetivação no
cotidiano de todos e de cada pessoa”.
A
confusão generalizada entre civismo e amor ao Brasil produz uma dicotomia
absurda e desnecessária. Talvez aí esteja explicação do mecanismo chave da
compreensão desta confusão, na medida em que justamente os que mais lutam por
um Brasil para todos os brasileiros são enquadrados pelos outros como se não o
amassem.
A maioria
dos brasileiros ama nosso país, mas manifesta seu amor de diferentes formas.
Ocupar as ruas sempre é um ato de amor, que se manifesta através de lutas, de
manifestações por liberdade, democracia e direitos, ou também por intencionadas
manifestações cívicas de amor e apreço ao país em comemorações da Semana da
Pátria.
O amor à Pátria, o respeito
aos símbolos nacionais e o orgulho de sermos brasileiros perpassam o ambiente
escolar todos os dias. Justamente, por isso, a escola também é espaço para as
críticas ao modo de ser, pensar e agir de todos os brasileiros porque todos
desejamos o melhor para o Brasil.
Lutar por
direitos, por liberdade e por dignidade humana é, para mim, a maior
demonstração de amor ao Brasil e a todos os brasileiros. Um país que tanto
amamos não pode considerar que “lutar por direitos e cidadania é crime”.