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Concepções de humanidade e religião em tempos de Covid 19

Obedecer as orientações e permanecer em casa
significa pensar na existência como sendo uma grande teia;
teia de relações onde o que parece estritamente pessoal influência
na configuração de toda teia, podemos ser um fio a mais a compor
essa complexidade de relações e agir de forma solidária.



Em tempos de pandemia, algumas reflexões, embora pareçam óbvias, se fazem urgentes.  A seguir, ensaio duas que nasceram da observação e do desejo de contribuir neste momento de intensa crise.

Primeiramente, falamos da noção de humanidade como um projeto que precisa de aprimoramento contínuo; em seguida sobre a função formativa das religiões e o desafio das mesmas no enfretamento desta pandemia; por fim, tentamos poetizar nossa esperança em dia melhores e felizes para a família humana.

As informações de cunho científico, para o combate a pandemia tem como principal orientação que as pessoas permaneçam em suas casas, o isolamento tem soado como a melhor resposta que podemos dar para barrar o avança do Covid 19.

Não obstante este aviso, pessoas e organizações têm oferecido certa resistência, e certa aversão a ciência que parece decorrente do que ouso chamar de “institucionalização da ignorância”. Não aderir ás orientações cientificas e menosprezar os danos que o covid 19 pode causar, mostra entre outras coisas, a fragilidade dos laços coletivos, e infelizmente certa falência da noção de humanidade.




Com a experiência do covid-19 e antes que a emergência climática e ambiental se torne irreversível, por exemplo, é necessário também que estejamos atentos, pois todo filme de desastre começa com cientistas sendo ignorados. (Ergon Cugler, pesquisador da EACH/USP)
Veja mais aqui




Mais do que em outros tempos, é preciso pensar que o ser humano não está pronto, é projeto em construção permanente, se faz ao tomar parte na construção da história. No entanto a história, ainda que pessoal, não acontece fora da coletividade, da sociabilidade que precisa ser retomada e alimentada para que todas as ações construam cidadania e testemunhem esperança na humanidade, contrariando toda lógica individualista, egocêntrica e desnuda de amor fraterno.

Assumir-se na condição de sujeito, ser histórico, não é um processo desvinculado do social e do comunitário, visto que toda ação por mais pessoal e individual que pareça reflete no seio social.

Nosso contexto reforça essa tese, uma decisão que parece simples pode implicar amplamente no conjunto da sociedade, obedecer as orientações e permanecer em casa significa pensar na existência como sendo uma grande teia; teia de relações onde o que parece estritamente pessoal influência na configuração de toda teia, podemos ser um fio a mais a compor essa complexidade de relações e agir de forma solidária, ou desconsiderar as orientações e romper com fios, estraçalhar mentes espalhando o medo e dando vazão ao pânico como tem insinuado algumas pessoas constituídas em cargos de liderança.

Cito três exemplos vivenciados recentemente. Quando fui a consulta médica ontem (20/03) percebi que a maioria do comércio de Passo Fundo estava com as portas fechadas, exceto uma loja que permanecia aberta contrariando o Decreto Municipal; ainda na quarta-feira à noite (18/03) quando retornava do último dia de aula presencial, antes do início da quarentena, uma igreja estava aberta e com significativo número de fiéis, muito perigoso neste momento de transmissão comunitária; vi notícias verdadeiras e muitos comentários sobre a estocagem de alimentos e outros  mantimentos; bem como aumento no preço do álcool gel,   com estes  exemplos ilustro o que foi dito anteriormente, e repito veementemente,  necessitamos nos pensar como humanidade, indivíduos que existem em relação com outras pessoas, que tomam decisões, com impactos mais amplos do que a gente imagina; é hora de relembrar um ensinamento da maioria dos nossos  pais, de que não podemos tudo o que desejamos e queremos, não estamos no centro do mundo e este não gira em torno do nosso “umbigo”.

Agora mais do que em outros tempos urge recuperar a noção de família humana, de humanidade que só é em relação, como numa grande teia; penso que a filosofia africana ubuntu precisa ser retomada, estudada e vivida para que superemos este momento de crise dando a humanidade um direcionamento comunitário, social, global, visto que “ser humano é ser com os outros”.




 “Ubuntu” é uma palavra que representa uma filosofia e uma ética antiga africana que significa: “Sou quem sou, porque somos todos nós”.




Enquanto humanos que existem em sociedade (políticos por natureza, como disse Aristóteles), também buscamos pela dimensão transcendente da existência. É também da natureza humana desejar um sentido transcendente para a vida, penso que a serviço disso devem se colocar as religiões. A diversidade religiosa tem orientado seus fiéis neste momento difícil, algumas com bastante coerência entendendo que a fé não exclui a necessária prudência e não nos isenta do vírus como se sobre os fiéis existisse um escudo protetor.

São belas e louváveis as iniciativas de solidariedade, as manifestações de carinho feitas desde as janelas dos prédios, através de aplausos aos profissionais de saúde, bem como as ações de conscientização e apoio feitas pelas redes sociais, cujo uso precisa ser potencializado neste momento para que não sucumbamos a desinformação e a solidão.

Cabe as religiões e as diversas concepções de fé, nos auxiliar a passar com equilíbrio por estes momentos de tensão, visto que são elas formadoras de opinião e orientadora das ações de muitas pessoas que a elas aderem com fervor. Repudio toda forma de crença e questiono a veracidade de uma religião que orienta os fiéis a demostrarem a fé se aglomerando em reuniões e ou cultos, com argumento de que é nesta hora que são provados para mostrar o quanto creem.

Entendo que a ação de Deus não é mágica, e não exclui de forma alguma nossa participação, cuidar-se e pensar no outro é o que de mais caridoso podemos fazer neste contexto. Não vá a sua igreja, não frequente as celebrações agora, mas apoie-se na sua fé e tenha atitudes coerentes com o querer de Deus, que segundo as escrituras e o exemplo de Jesus Cristo quer a vida, o cuidado com toda vida; se não és cristão, mas tem uma prática religiosa sugiro que revisite os ensinamentos de sua religião, o livro sagrado e ou a doutrina, te garanto que não encontrara pensamento contrário a este. 

Qualquer orientação que soar contraria ao cuidado da vida, a sua e dos outros, não provém do querer de Deus, a não ser que estejamos falando de experiências diferentes de Deus, de noções controversas, sobre as quais fico a disposição para o diálogo em espirito de fraternidade.  Viva com fé, reze, ore, pense positivo, conecte-se com o Deus de sua fé, mas não desacredite no que tem falado a ciência e a experiência de outros países. Que Deus nos inspire atitudes de cuidado e nos mantenha firmes na esperança ativa de que dia melhores virão.    




Leo Fraiman fala sobre vivência da espiritualidade como lição em tempos do novo Coronavirus.




Por fim, mas sem a pretensão de “fechar a porta” desta temática desejo que cada um de nós possa ser humano, em espírito de fraternidade e solidariedade para que superemos este momento de dificuldade e saíamos dele mais crescidos, mais amigos, mais famílias, mais humanizados e humanizadores.

Voltemos nosso coração e nossos olhos para a dimensão transcendente da existência e sejamos coerentes com o apelo por vida feito em cada jardim que desabrocha em flor; em cada templo de tijolo que fechado nos orienta a sermos nós templos vivos, que na atitude de isolar-se dos demais testemunhemos um amor que é maior e energiza a teia de relações da qual somos feitos.

A Peste ou outra forma de exclusão?

Nesse momento do mundo infestado pela pandemia,
ressurge o cenário da peste, em todos os aspectos.
Deparamo-nos com os “ratos” entrando sutilmente
em nossas casas, perturbando nossa vida,
tirando nossos direitos e impossibilitando
nossa emancipação.


Albert Camus nos inspira, sempre atual. Escreveu (1947) um romance A Peste, em que descreve Oran, uma cidade da Argélia, invadida por ratos. Seus habitantes se tornam vítimas de uma epidemia.


Aparecem personagens solidários, descrentes, irônicos, debochados, enfim tudo aquilo que se situa na subjetividade, como representação do humano. No quadro devastador da peste, os personagens da tragédia se mostram em suas lutas, em suas conquistas, em suas fraquezas, em suas paixões, em suas revoltas.

A contingência humana vivida em uma cidade invadida por ratos estabelece os limites das reações, que se movimentam entre o desespero e a comicidade, a embriaguez e a lucidez.


Ao descrever a cidade-cenário, Camus arbitra sobre os sentimentos de espanto e de indiferença, que percorrem o imaginário dos sujeitos, convivendo em uma cidade assolada pela peste. A descrição assume cânones de investigação e de estranheza. Os atos do cotidiano, as datas e os dias que seguem demarcam a cartografia de uma situação absurda.


A dimensão do entendimento dos que sofrem só pode ser medida na aproximação da vida, em sua concretude e na tessitura de suas significações. Personagens como o médico e o jornalista ocupam lugares diferentes e se comportam a partir de seus valores.


Em Camus, é extremamente acentuada a questão do compromisso do sujeito consigo mesmo e com os outros. Há uma solidariedade que se constrói na aventura humana, estabelecendo laços de convivência.


Esse panorama camusiano aparece diante de nós com uma transparência meridiana sobre o que estamos vivendo atualmente, nessa contingência da pandemia do Coronavírus. Encontramos nos fatos e nos relatos a similaridade da tragédia descrita pelo escritor.


Temos, de um lado, um certo sentimento de indiferença diante da primeira notícia acerca do vírus, em dezembro de 2019. Chutamos a notícia, tal como foi chutado o primeiro rato que apareceu num prédio. O morador achou estranho e o porteiro ficou escandalizado.

Tivemos a mesma atitude. Não nos atingirá, estamos muito longe da China e não temos os mesmos costumes e hábitos culturais daquele povo. Eram as reações preconceituosas ou impulsivas. De outro lado, nos deparamos com a irresponsabilidade de algumas autoridades que não levaram a sério o problema da pandemia. Entenderam (?) que se tratava de uma histeria coletiva, não própria das pessoas inteligentes. Que se resguardem os interesses econômicos, que o mais virá por acréscimo.


E agora?! Tocamos na tela do mundo e o que vemos?! Crescimento da “peste”, mortos que se avolumam, sistemas de saúde entrando em colapso e determinando quem deve viver e quem terá que morrer. Eis a perplexidade diante do imponderável!!


Ainda bem que, tal como no romance de Camus, temos pessoas envolvidas com a Ciência, com a disciplina, com a determinação e a lucidez para nos orientarem sobre como viver e conviver em tempos de dor e de morte. Os “ratos” que invadem o mundo, hoje, são outros, mas igualmente provocam doenças, mortes e atitudes discricionárias.

A lógica da peste é verdadeira. Temos aqui e agora, tal como entre os personagens da narrativa, o flagelo real, embora pensemos, tal como Camus, que nem a desgraça é eterna. Temos uma certeza, que é o cumprimento da tarefa diária de cuidado com a gente mesma e com os outros. Estamos intimados a sermos sérios, responsáveis e solidários.


Por que essa narrativa nos possibilita a reflexão sobre uma forma de excluir os mais pobres, os mais frágeis, os mais despossuídos? Porque presenciamos uma espécie de exílio, uma realidade de exclusão entre os que têm e os que não têm condições de enfrentar a Peste.


Nesse momento do mundo infestado pela pandemia, ressurge o cenário da peste, em todos os aspectos. Deparamo-nos com os “ratos” entrando sutilmente em nossas casas, perturbando nossa vida, tirando nossos direitos e impossibilitando nossa emancipação.


A peste exige que lutemos com dignidade, sem abrir mão da honradez e sem compactuar com a violência. Tal como um dos personagens do romance, queremos produzir esperança entre todos, que estão na cidade invadida pelos ratos. Que na mesa dos excluídos também a alegria seja servida, pois a Justiça será sempre o fundamento da vida feliz.



José Medina Pestana, professor Titular da UNIFESP, também descreve sobre a relação da Peste, do romance de Albert Camus e o novo Coronavirus (COVID 19). Leia mais aqui.

Valter Hugo Mãe, em carta aos brasileiros publicada no dia 19 de março de 2020, escreve: “Se eu estiver “escrevendo do futuro”, percebam que não falo de mais de uns dias adiante. Estamos, talvez, 15 dias à frente. São os 15 dias que têm para salvar o vosso país de uma derrocada sanitária e econômica sem comparação com nada do que viram até agora”. Veja mais aqui.

Tempos difíceis que exigem cuidado, coragem e esperança

Estejamos dispostos a contribuir para que a humanidade
não se perca e torne tudo ainda mais difícil.
De posse das informações é possível sabermos
o rumo a seguir ou que atitudes tomar.


Estamos iniciando uma rotina de tempos difíceis. A pandemia (porque tem alcance mundial) do “corona vírus” ou COVID – 19, chegou ao Brasil. Serão tempos difíceis, contudo oportunidade de aprofundarmos o senso de responsabilidade e solidariedade; de formarmos uma grande aliança de proteção e cuidado com a vida, sobretudo dos mais frágeis. Para tanto urge algumas atitudes.


Primeiro exercitar a capacidade de escutar e discernir as informações que chegam até nós. Acompanhar as orientações dos especialistas que já têm conhecimento na área e que estão dando uma colaboração inigualável. Acolher estas informações com humildade, porque são muito importantes nesta travessia de enfermidade social. É a contribuição possível diante de uma chaga que nos pegou de surpresa. São informações voltadas para o bem da população. Como estão sendo divulgadas muitas informações equivocadas, é necessário o discernimento para distinguir a verdade da mentira ou do equívoco.

Cabe atenção para não divulgarmos uma informação da qual não temos plena certeza da veracidade. Sejamos canais da boa informação e não da confusão.


O segundo passo é agir com solidariedade. O vírus está espalhado e se não formos solidários acabaremos todos prejudicados. Aqui a solidariedade implica em fazer o que é possível para facilitar a vida dos irmãos e irmãs e também o trabalho das autoridades. Se é possível colaborar, mesmo que seja de uma forma mínima, façamos isto com altruísmo e muito amor. O espírito de colaboração estende-se para outras pequenas atitudes no nosso cotidiano.


Lembremos que é também um tempo de diferentes renúncias. Todos teremos que renunciar a alguma coisa: vendas, lazer, estudos, convivências com amigos, diversão, entre outras. Algumas iniciativas e processos ficarão parados. A vida não será normal. Teremos algumas perdas. Elas são justificadas, se preservarmos o bem maior que é a vida.


Outro passo importante é manter a serenidade. Em tempos difíceis não podemos perder a calma ou a confiança. Estejamos dispostos a contribuir para que a humanidade não se perca e torne tudo ainda mais difícil. De posse das informações é possível sabermos o rumo a seguir ou que atitudes tomar. Entretanto, façamos isso como muita serenidade.

Nos últimos anos parte do povo foi mordido pelo vírus da intolerância e o pensamento diferente significava ver o outro como inimigo mortal. Nestes dias o nosso inimigo é o corona vírus. Não existe outro. Sejamos serenos e contribuamos para reconfigurar nossas relações não pelo ódio, mas pelo amor, a concórdia e a solidariedade.


No livro Êxodo, a Bíblia relata a travessia do Povo de Deus no deserto que deixaria para trás a escravidão e tinha a esperança de chegar à terra prometida. No deserto foi desafiado a se refazer como povo, construindo uma nova forma de relação entre eles e Deus, superando os equívocos aprendidos no Egito.


Também estamos em uma travessia. Temos muitas preocupações, dúvidas, medos e incertezas. São sentimentos próprios destas situações. Contudo, não percamos a esperança, a vontade de ajudar, a coragem de coletivamente superar esta travessia. Deus está conosco. Sintamo-nos instrumentos do seu agir nestes tempos difíceis que exigem coragem e esperança.

Desinfecção da ignorância

A imprensa não é vetor de vírus.
A imprensa apenas espalha informações.
Uma delas diz para lavar as mãos.
O momento exige muita cautela com o
inescrupuloso passa e repassa pelas redes sociais.


Lave bem as mãos. Não me lembro de ter vivido uma situação análoga ao momento em que estamos passando. Há riscos, mas não pode haver pânico.

A questão comportamental pode ser mais letal do que a própria doença. A falta de conhecimento ajuda na propagação de falsas informações. Mas lave as mãos.

A ficção supera a imaginação de Ian Fleming, criador de James Bond. Há, ainda, um criminoso interesse para politizar uma pandemia. Chegam ao cúmulo de dizer que o vírus é comunista! Uau, será que também come criancinhas? Isso, claro, quando não parte de homens públicos que desdenham dos fatos e da ciência para colocar a culpa na imprensa.

Ora, a imprensa não é vetor de vírus. A imprensa apenas espalha informações. Uma delas diz para lavar as mãos. O momento exige muita cautela com o inescrupuloso passa e repassa pelas redes sociais. É o moderno vetor do vírus da insanidade. 

Numa época em que todos se acham profissionais de mídia, circulam as mais absurdas idiotices. É a pulverização da desinformação que ocupa o espaço da verdadeira informação. Isso confunde as pessoas e pode ser letal.

Antes de acreditar nas postagens cheias de milagrosos conteúdos, apenas lave as mãos. Escolha bons exemplos e vire o rosto para a irresponsabilidade, além de tapa-lo para espirrar.

Fico pasmo diante daquilo que pessoas, até então tidas como esclarecidas, repassam pelo zap-zap. Recebi um vídeo onde algum idiota leu no rótulo de um aerossol desinfetante de ambientes que o mesmo seria eficaz contra vários vírus. Inclusive o coronavírus. Mas a lata foi produzida muito antes do surgimento da atual ameaça. Então, lá vieram as mais absurdas conclusões e teorias conspiratórias.

Ora, coronavírus são uma família de vírus há muito conhecida da ciência. O Covid-19 que é a novidade. Então lavem bem as mãos e deixem de lado essas postagens. Ou logo entraremos no Guinness World Records no topo da idiotice. Ou muito pior, caso não lavarmos as mãos.


Quando a ignorância bate à porta

Quando batem a porta para a racionalidade, então a ignorância bate à porta. Quando fecham a porta para o conhecimento, a pesquisa e o ensino, escancaram a porta para a ignorância.

Quando as portas estão fechadas para o diálogo, a ignorância fardada pela truculência já se instalou. Quando não há mais portas para o contraditório, a razão evaporou pela janela. Quando não encontramos portas para a igualdade, a ignorância oprime vidas pelo ralo.

Quando a ignorância desafia a verdade, abrem-se as portas para as mentiras. Quando a ignorância desdenha da ciência, a evolução dá com a cara na porta da insensatez. Quando há portas abertas para a discriminação, a ignorância se esbalda.

Quando a ignorância passa pela porta, surge o inconsciente coletivo. Quando a ignorância bate à porta, acaba a inteligência e a civilidade. Então, feche as portas para a ignorância!



Autor: Luiz Carlos Schneider, publicado em O Nacional, Passo Fundo, RS.

Coronavírus: acadêmicos da UPF relatam situações pelo mundo

Enquanto alguns permanecem
nos países para os quais viajaram,
outros retornaram ao Brasil.


Desde o início do semestre, muitos acadêmicos da Universidade de Passo Fundo (UPF) estão em diferentes lugares do mundo, vivendo a experiência de um intercâmbio. Em função da pandemia de coronavírus, no entanto, muitos tiveram suas aulas suspensas temporariamente, enquanto outros seguem estudando de casa, respeitando as quarentenas impostas em muitos países, para evitar a disseminação do vírus. Alguns ainda, optaram por voltar ao país.

Confira o depoimento de alguns deles sobre a situação nos países onde estão ou onde estiveram nos últimos meses:


Fernanda Luiza Facioli – acadêmica de Medicina Veterinária, 8º nível – Espanha

Fernanda Luiza Facioli

“Estou em León, na Espanha, e aqui há umas duas semanas, começaram a surgir os primeiros casos positivos. As pessoas no início, e eu inclusive, não estávamos muito preocupados, porque eram casos isolados, distantes de onde eu estava. Ainda tudo estava funcionando normalmente. Mas as coisas foram piorando muito rápido, começaram a surgir novos casos a cada dia. Na província de Castilla y León, por mais ou menos uma semana, os casos estavam abaixo da linha dos cem, mas como em todo o resto do país, tudo começou a aumentar muito rápido. Na sexta-feira, dia 13 de março, recebemos a informação de suspensão das aulas. Apesar de sexta-feira a Espanha estar com um número grande casos, ainda estávamos tendo aula, enquanto, por exemplo, Portugal já tinha suspendido. Da sexta para o sábado, a Espanha entrou em estado de alerta e quarentena em todo o território, porque os casos aumentaram muito, eram mais de dois mil casos novos por dia, e é o que vem acontecendo até agora.

Durante a quarentena aqui, não podemos sair para a rua. O comércio inteiro fechou, exceto mercados e farmácias, mas não são todos que estão abertos. Só temos autorização para ir até o mercado ou farmácia, ou quem tem algum documento que o permita fazer esse movimento de ter que se deslocar a algum lugar e retornar para casa, como pessoas que trabalham em empresas que funcionam a portas fechadas. Quem desrespeita a quarentena está suscetível a multas que partem dos 300 euros. Se for uma pessoa que está com a doença, ela pode ter uma pena de um ano de prisão.

Está bem complicada a situação aqui mesmo. No início ninguém imaginava que fosse tomar uma proporção dessas e agora está todo mundo apavorado. Muitos intercambistas retornaram para seus países enquanto ainda dava tempo. Alguns lugares como Madrid ainda têm voos, mas muito reduzido, mas é muito arriscado se deslocar nesse momento. Eu tinha companheiras de apartamento e agora estou sozinha porque elas voltaram para seus países. Alguns intercambistas abandonaram de fato o programa de intercâmbio, não vão voltar, mesmo quando as aulas retornarem. Nós não temos uma projeção exata de quando as aulas vão retornar, porque elas foram suspensas por 15 dias, seria até dia 30, mas essa suspensão vai ser prorrogada até no mínimo depois da Semana Santa.

A universidade está tentando ao máximo trabalhar com o calendário acadêmico que tem, estamos recebendo material para estudo individual, apresentações, algumas matérias estão fazendo videoconferência. Estamos fazendo trabalhos, respondendo alguns questionários, mas todas as práticas estão adiadas. Então, talvez isso leve a necessidade de estender o calendário acadêmico, principalmente por causa das questões práticas. Esperamos que no Brasil seja um pouco diferente, embora as coisas estejam apenas começando, mas eu desejo que no Brasil possa ser diferente daqui porque está bastante complicado.


Vitória Czarnobai – acadêmica de Agronegócio, 7º nível – Argentina

Vitória Czarnobai

Quando cheguei em Rosário, nem acreditei, me senti uma criança em fase de conhecimento do mundo, porque tudo era novo pra mim e estava ali realizando um sonho, estudar fora do Brasil, conhecer uma nova cultura, costumes, culinária, novas amizades, idioma novo, enfim, um misto de sentimentos inexplicáveis.

Os primeiro dias foram muito difíceis, não conhecia nada, não me comunicava bem com eles, ir no mercado, loja, restaurante era sempre um novo desafio, quase desisti, achei que não ia aguentar, porque era tudo muito diferente, principalmente o jeito que olham quando percebem que você é brasileiro.

Tive uns dois dias bem turbulentos, mas foram passando, arrumei uma residência estudantil de meninas para morar, saí do hotel e fui pra lá, conheci três brasileiras que estão cursando Medicina, e então já me senti como se tivesse em casa.

Os dias se passaram, e a situação do covid-19 começou piorar no mundo inteiro, a Argentina no momento tinha 32 casos confirmados, nove deles eram na cidade em que eu morava, com um milhão de habitantes. No último domingo, à tarde, saíram boatos de que as universidades e escolas iam fechar por 15 dias. E no fim do domingo (15), o governo anunciou quarentena, recomendando somente sair se necessário, para mercado e farmácia, fronteiras fechadas, sem funcionamento de ônibus. As gôndolas dos mercados esvaziaram ainda antes do meio-dia da segunda-feira (16), comecei me assustar, não sabia o que fazer, se ficava e realizava meu sonho ou se vinha embora pra passar esse momento difícil próximo da minha família.

Na quarta-feira (18), recebi a notícia que as fronteiras iriam se fechar, ninguém mais entrava nem saía do país por nenhum meio de locomoção, foi ai que decidi deixar meu sonho de lado e voltar para o Brasil, próximo de minha família, amigos e esperar toda essa triste situação que nos encontramos hoje passar.

Voltei, triste, por não poder terminar meu intercâmbio, mas feliz pois, esses dias de novas experiências, trouxeram de volta para o Brasil uma nova Vitória.

Nesse momento, me encontro em quarentena, para prevenção de minha saúde e de todos os meus familiares. Precisamos ter muita fé, orar muito e emanar energia positiva pro mundo inteiro, para que possamos sair dessa situação logo.


Andréia Lucca Christmann – acadêmica de Medicina – Austrália

Andréia Lucca Christmann

Andréia Lucca Christmann – acadêmica de Medicina – Austrália

Cheguei na Austrália na quinta-feira e na sexta-feira recebi o e-mail de cancelamento do meu estágio, uma semana antes do início, dizendo que infelizmente eles não poderiam me receber e que eu poderia pegar minha taxa de matrícula de volta. Fiquei um pouco desesperada, fui na universidade e conversei com o pessoal e me falaram que todos os alunos da medicina deles estavam na mesma situação. Tentaram me realocar em outros hospitais, mas todos estão com a mesma conduta e infelizmente não teve como. A professora Luciane da Assessoria Internacional falou com o Cônsul, conseguimos contato com o diretor do hospital e mesmo com os contatos não teve como solucionar o problema. Tentei estágio com médicos nas clínicas deles, mas não foi bem sucedida, tentei estágio com os paramédicos, também não aconteceu. Cancelaram as aulas de Inglês do meu namorado e eu já tinha decidido voltar, mas ele ia ficar. Mas causou bastante estresse, nessas situações de pandemia que a gente não sabe o que vai acontecer é difícil ficar longe sem saber por quanto tempo, sem saber como vai ficar, mas como cancelaram as aulas dele, ele decidiu voltar.

Tentamos remarcar o voo para o final de semana, mas infelizmente estavam todos lotados, marcamos nosso voo para segunda-feira. A Latam deixou remarcarmos de graça, mas a Quantas que faz o voo até o Chile cobrou 500 Dólares americanos de cada um. Numa semana tínhamos toda viagem planejada, na outra não tinha nada. Segunda-feira tentaremos voltar, mas já cancelaram nosso voo do Chile para o Brasil, mas até o Chile o voo ainda está confirmado, voltaremos eu, meu namorado e meu irmão, que mora aqui. Apenas minha irmã vai ficar, já que ela já tem uma vida aqui, é casada, tem uma empresa, não tem como voltar, o que é mais uma situação que é ruim. Vou voltar porque preciso fazer meu estágio e quero ajudar nessa situação de Passo Fundo. O Ministério da Saúde está realocando os doutorandos e a gente vai ajudar no combate do coronavírus. Eu volto, faço uma quarentena e depois começo meu estágio. Pra quem tá fora do país e tinha uma expectativa diferente para os próximos meses é muito decepcionante, muito frustrante, é um estresse atrás do outro. Cada dia uma notícia nova, cada dia tem que mudar de plano. É uma tensão emocional bem complicada estando fora do país, gastando tudo em dólar, sem saber o que vai acontecer amanhã. 




Assessoria de Imprensa
Universidade de Passo Fundo(54) 3316-8110 | www.upf.br

Melhorar a imunidade em tempos de coronavírus

É essencial nosso empenho para a
manutenção da saúde imunitária,
especialmente por que ainda não dispomos
de vacina nem de imunidade prévia,
por se tratar de um novo vírus.


Existem duas maneiras de se proteger contra o coronavírus: evitando a infecção (contágio) ou evitando que a infecção se transforme em doença, especialmente doença grave e potencialmente letal. Estaremos livres da infecção se não tivermos contato com pessoas infectadas, utilizando-se os procedimentos amplamente divulgados.




Foi declarada a pandemia do Coronavírus e podemos enfrentar essa questão sem pânico e com a ajuda da ciência. A mestre e doutora em Neurociência pela USP com pós-doutoramento pela University of Chicago, Claudia Feitosa-Santana, nos mostra os fatos científicos sobre essa questão e faz uma reflexão filosófica sobre esse vírus que infectará uma grande parte de nossa população. Esse vídeo foi gravado na manhã de 12 de março de 2020.




No caso de o contágio acontecer, três situações poderão ocorrer: (1) infecção assintomática (sem doença); (2) doença leve ou moderada; (3) doença grave e potencialmente letal.

É o estado de saúde do sistema imunitário que determinará como a infecção irá evoluir.

Se ele estiver funcionando adequadamente, a infecção evoluirá sem doença ou com doença leve, como acontece com a grande maioria dos casos; se estiver com seu funcionamento comprometido, a tendência é que a infecção evolua para doença moderada ou grave. Assim, é essencial nosso empenho para a manutenção da saúde imunitária, especialmente por que ainda não dispomos de vacina nem de imunidade prévia, por se tratar de um novo vírus. Como ajudar a manter e fortalecer a saúde imunitária?

1. Evitar o medo e o pânico: eles causam ansiedade, que aumenta a produção de cortisol e outras substâncias depressoras da imunidade.

2. Reduzir a ansiedade: A maneira mais prática, rápida, eficaz e sem efeitos colaterais para se reduzir a ansiedade é a respiração controlada. Pratique-a muitas vezes por dia: sente-se com as costas retas, feche olhos e boca, respire lenta, suave e o mais profundamente possível por alguns minutos, com total atenção na entrada e na saída do ar. Além de sua ação ansiolítica instantânea e poderosa, a respiração controlada aumenta substancialmente a oxigenação do organismo e, em consequência, melhora o funcionamento de todas as células, inclusive as do sistema imunitário. 

3. Manter um regime de sono regular: basta uma noite mal dormida (quantidade ou qualidade) para prejudicar a imunidade.

4. Reduzir o consumo de álcool, tabaco e drogas: todos podem comprometer a imunidade.

5. Hidratação adequada: Entre 55% e 60% de nosso corpo é constituído por água: ela é essencial para o funcionamento de todas as células e órgãos, inclusive os responsáveis pela defesa contra agentes infecciosos. Uma hidratação inadequada resseca as mucosas e as tornam vulneráveis às infecções, compromete as funções do sistema imunitário, estimula a inflamação, sobrecarrega o coração e os rins, compromete as funções cognitivas do cérebro e causa fadiga e desmaios. As perdas diárias de água pela urina, suor, evaporação pela pele, respiração e fezes precisam ser repostas por água pura, ou água com limão, em volumes de 2,0 litros/dia (mulheres) e 2,5 litros/dia (homens), ou cerca de 30 ml/kg/dia. A hidratação cuidadosa é especialmente importante nos idosos já que nesta população a sensação de sede está diminuída.

6. Suplementação de vitaminas, sais minerais e outros: A manutenção da integridade e da funcionalidade do sistema imunitário depende de níveis adequados de vitaminas e sais minerais, especialmente na população idosa, onde ocorrem frequentes carências. Além disso, várias vitaminas e sais minerais exercem ação antiviral comprovada, embora não tenham sido ainda testados em relação ao COVID-19.  Convém lembrar que tais compostos em excesso podem ter efeitos nocivos para a saúde

  • Vitamina A: atua contra o vírus do sarampo, HIV, coronavírus aviário.
  • Vitaminas B: atuam contra o coronavírus MERS-CoV.
  • Vitamina C: atua contra vários vírus responsáveis por infecções
    respiratórias humanas e coronavírus aviário.
  • Vitamina D: atua contra o coronavírus bovino.
  • Vitamina E: atua contra o coxsackievírus e coronavírus bovino.
  • Selênio: atua contra o vírus da influenza, coronavírus aviário e
    bloqueia mutações virais.
  • Zinco: atua contra o vírus do sarampo e o coronavírus SARS-CoV.
  • Ferro: bloqueia mutações virais.
  • Ácidos graxos ômega-3: atua contra o vírus da influenza e o HIV.


Conheça mais ideias do doutor Eduardo Tosta, neste vídeo.

7. Alimentos fortalecedores da imunidade e com atividade antimicrobiana:

Limão: Muito rico em vitaminas (A, B1, B2, B3, B6, B9, C e E), sais minerais (ferro, potássio, cálcio, magnésio, sódio, fósforo, boro, manganês, cobre, flúor, zinco e molibdênio) e compostos bioativos (principalmente na casca: hesperidina, eriocitrina, diosmina e roifolina). O limão possui comprovada ação reguladora da imunidade (imunomoduladora), anti-inflamatória, antioxidante, analgésica, ansiolítica, antialérgica, antibacteriana, antifúngica e antiviral (a roifolina bloqueia a atividade do coronavírus SARS-CoV e a hesperidina e a diosmina têm potencial para atuar sobre o COVID-19). O limão deve ser consumido como suco e sua casca ralada (depois de bem lavadas) usada em vários pratos salgados e doces.

Cúrcuma (açafrão da terra): Seu principal composto ativo, a curcumina, apresenta poderosa atividade imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, neuroprotetora, cardioprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora (pulmão), hepatoprotetora, antitumoral, antibacteriana, antifúngica, antiparasitária e antiviral (hepatites B e C, herpes simplex, coxsackie B3, HIV, papiloma, encefalite japonesa e coronavírus SARS-CoV).

Aveia: É fonte de proteínas de alta qualidade, minerais (cálcio e ferro) e vitaminas (B e E) e de dois compostos bioativos importantes: a glucana beta e a avenantramida. A glucana beta é poderoso composto imunoestimulante e aumenta a resistência contra infecções por bactérias, vírus, fungos e parasitos e a avenantramida possui atividade anti-inflamatória e antioxidante. 

Gengibre: O gingerol e os outros 168 compostos bioativos do gengibre possuem atividades imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, analgésica, neuroprotetora, cardioprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora, gastroprotetora, hepatoprotetora, antitumoral, antibacteriana, antifúngica, antiparasitária e antiviral (hepatite C, dengue e, talvez, COVID-19).

Açaí: A velutina e outros compostos flavonoides, antocianinas e carotenoides do açaí apresentam atividades imunomoduladora, antiinflamatória, antioxidante, analgésica, hepatoprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora, cardioprotetora, antilipêmica, neuroprotetora, antidiabética, antidepressiva, antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiparasitária. A possível atividade antiviral ainda não foi testada.

Linhaça: Os lignanos, principais compostos bioativos da linhaça, apresentam atividade imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, antibacteriana e antifúngica. A herbacetina, outro composto bioativo, possui possível atividade contra o coronavírus MERS-CoV. Para destruir possíveis efeitos tóxicos das sementes de linhaça, é conveniente aquece-las em forno de micro-ondas a 100ºC por 1 minuto antes do consumo. 

Brócolis: Rico em vitaminas (E, C, K, B, A, carotenoides), sais minerais (selênio, cálcio, ferro, zinco) e compostos bioativos com atividades imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, cardioprotetora, antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiviral (influenza, vírus sincicial respiratório)

 Uva tinta, amendoim: Os dois alimentos têm uma característica em comum: são ricos em resveratrol, um composto bioativo com atividades imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, neuroprotetora, cardioprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora, hepatoprotetora, gastroprotetora, enteroprotetora, enteroprotetora, mioprotetora (músculos), antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiviral (herpes simplex, influenza, varicela-zoster, citomegalovírus, HIV, polioma e coronavírus MERS-CoV). O resveratrol pode ser consumido como suco de uva, vinho tinto, uva passa e, principalmente, farinha de uva, que também é rica em antocianinas das sementes.

Mel: Além de rica fonte de vitaminas (B2, B3, B5, B6, B9 e C), sais minerais (potássio, sódio, cálcio, ferro, fósforo e magnésio) e peróxido de hidrogênio (água oxigenada), o mel possui vários compostos bioativo, especialmente quercetina e miricetina, responsáveis por suas atividades imunomoduladora (principalmente imunoestimulante), anti-inflamatória, antioxidante, antidiabética, antibacteriana (inclusive bactérias resistentes a antibióticos), antifúngica (candidíase) e antiviral (rubéola, herpes e vírus respiratório, inclusive o coronavírus MERS-CoV).

 Soja: Possui isoflavonas, como a genisteína e a daidzeína, com atividades imunomoduladora, cardioprotetora, osteoprotetora (osteoporose), antidepressiva, antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiviral (rotavírus, herpes simplex, adenovírus, VIH, vírus respiratórios, inclusive os coronavírus SARS-CoV e MERS-CoV). 

 Kefir: É o leite fermentado no domicílio por uma comunidade complexa de lactobacilos e leveduras probióticas, que produzem seu próprio alimento prebiótico (kefirano). Apresenta potente atividade imunomoduladora (aumenta a imunidade anti-infecciosa, antitumoral, controla alergias, suprime a autoimunidade), anti-inflamatória, antitóxica, antibacteriana, antifúngica e antiviral (hepatite C, HTLV-1, rotavírus, herpesvírus, influenza aviária).

Todas as medidas aqui propostas têm base científica comprovada, são isentas de efeitos colaterais indesejáveis, desde que adotadas com sensatez e poderão concorrer para proteger não só do coronavírus, mas de qualquer outro agente infeccioso.



Em artigo publicado em 14 de março de 2020, o historiador José Ernani de Almeida indaga: “terá a combalida rede pública brasileira condições de atender como deveria a esta demanda? Basta lembrar que a Saúde deixou de receber no ano passado 9 bilhões de reais”. 



Em outra publicação do site, o jornalista Moisés Mendes compara o sistema de saúde brasileiro (SUS) e o sistema de saúde privado dos EUA e sentencia: “Nossa estrutura de saúde pública, que Bolsonaro tenta destruir, pode nos salvar. E os americanos não têm o suporte da saúde pública”. Leia mais:



Autor: Eduardo Tosta, Médico imunologista CRM-DF 1187 Professor Emérito da Universidade de Brasília

A Ira

O que te deixa irado?
O que te deixa irado diz muito de quem és.
A ira é o mais perigoso, devastador e
mortal dos pecados capitais.


A ira é o pecado contra a mansidão. A mansidão é uma virtude, a ira é um vício. A mansidão é a virtude da moderação e do equilíbrio emocional que evita a explosão incontida da ira. A ira é o pecado da perturbação e descontrole das paixões que desencadeiam a violência e a vingança. A mansidão é do bem, a ira é do mal.

A ira é o mais perigoso, devastador e mortal dos pecados capitais. Se a mansidão é o controle das emoções, a ira é seu descontrole total. O irado solta a fera que habita em cada humano e destrói, a um só golpe, a fina e tênue casca da racionalidade, sensibilidade amorosa e civilidade que protege o humano de seus primitivos desejos instintivos.

A ira despe o humano da capa de civilidade que o protege e, desnudado, regride, instintivamente, ao estado de natureza, onde as paixões imperam. A ira libera o animal que habita nos porões do nosso inconsciente coletivo e, quando isso acontece, é melhor sair da frente!


A ira cega os olhos da alma, endurece o coração, ruboresce a face, enrijece os nervos e parte para o ataque. A ira não conhece o recuo e não toma distância e ponderação. A ira é abrupta e faz o agente agir movido pelo sangue fervilhando. O irado move-se, irracionalmente, pela sede de vingança ou por algum tipo de medo. Aí está o seu pecado.

Se não fosse por vingança ou por reação instintiva ao medo, a ira não seria pecado. Sim, pois existe a ira santa e esta não pode ser pecado, visto que é santa.

A ira santa é uma pulsão instintiva, instalada, naturalmente, no corpo e na alma, que salvaguarda os bens morais e espirituais da sua violação e reage quando da violação. Nesse aspecto, a iracúndia é uma espécie de “cão de guarda” que nos protege da banalização do mal. A bíblia é prova de que a ira tem um lado bom, um lado do bem, quando até Deus perde a paciência.


“Temos todos o direito e o dever de discordar, de quem quer que seja, quando a estupidez, a arrogância e a mentira agridem a nossa inteligência, sabedoria e ponderação.  A gente até suporta, silenciosamente, até um certo ponto, mas a reação da racionalidade se impõe. (Nei Alberto Pies)




O que faz a ira ser santa? Poucas ocasiões fazem a ira ser santa, mas em todas elas o que está em jogo é algo essencial a ser preservado, o amor a Deus e ao próximo.

Foi por ira que Deus expulsou Adão e Eva do paraíso, enviou o dilúvio e destruiu Sodoma e Gomorra. Foi por ira que Moisés matou um egípcio que, diante dele, tinha matado um seu irmão Hebreu. Foi por ira que o mesmo Moisés despedaçou as tábuas da Lei ao ver o povo adorando um bezerro de ouro.

Foi por ira que Jesus toma um chicote e expulsou os vendilhões do templo. Em todos os casos está a preservação do sagrado moral e espiritual. Não se pode deixar que o essencial seja corrompido sem uma reação irada. Há situações em que a mansidão é covardia e capitulação.

O “dar a outra face”, “amar os inimigos” e “abençoar os que amaldiçoam” é uma racionalização e uma pedagogia da libertação necessárias e revolucionárias, porém, em determinas circunstâncias, não dá para conversar e se entender mansamente e, nesses casos, a ira é santa, mas só em casos muito especiais. Nesses casos especiais, a ira tem uma causa boa e, então, como diz Tomás de Aquino, “essa ira se chama ira por zelo”, desde que submetida à razão.

O que te deixa irado? O que te deixa irado diz muito de quem és. Se a ira for um desejo inconfesso de vingança planejada, és um vulgar vingativo. Se a ira for uma atitude rotineira diante de qualquer contratempo, então, és um humano banal.

Se a ira te assalta somente na defesa dos próprios interesses, porém não na defesa de grandes valores da justiça e do bem comum, então, és, simplesmente, egocêntrico. Contudo, se a ira se manifestar na hora da preservação do essencial e do inegociável, lá onde a palavra e a mansidão não alcançam, então, és, simplesmente, mental, moral e espiritualmente saudável.

Jesus é a referência definitiva em relação a esse pecado capital, aliás, via de regra, de todos os pecados capitais. Nele se manifesta a ira santa de uma forma exemplar e ninguém duvida que fez a coisa certa ao perder a paciência diante da corrupção que tinha se instalado no templo. Contudo, se ele agiu de maneira irada nessa ocasião, agiu com mansidão e humildade em todas as outras.

Os mansos são bem-aventurados e herdarão os céus. Os que agem sem pensar, com violência e vingança herdarão o quarto círculo do inferno, como nos diz Dante na Divina Comédia.


Conheça outras reflexões no blog Gilmar Zampieri

A maldição das epidemias

Terá a combalida rede pública brasileira condições de atender como
deveria a esta demanda do novo Coronavírus?
Basta lembrar que a Saúde deixou de receber
no ano passado 9 bilhões de reais?


O coronavírus está ganhando status de epidemia global. Aliás, não é a primeira vez que a humanidade sofre com tal fenômeno assustador. No séc. XIV houve a Peste Negra, ou peste bubônica.

Alastrando-se rapidamente por grande parte da Europa, atingiu uma população já em declínio e subalimentada. As cidades congestionadas tiveram os mais altos índices de mortalidade.

Cerca de 20 milhões de pessoas, talvez – aproximadamente de um quarto a um terço da população da Europa –, pereceram no pior desastre humano da história conhecida. Fala-se em um total de 200 milhões na Eurásia!



“O COVID-19 é um teste para as nossas sociedades, e todos estamos aprendendo e nos adaptando à medida que reagimos ao vírus. A dignidade e os direitos humanos precisam estar na frente e centralizar esse esforço, e não ser uma reflexão tardia”, disse Bachelet. Veja mais aqui.


Generalizaram-se a histeria e as superstições populares. Por vezes, essa histeria voltava-se contra os judeus, acusados de terem causado a peste envenenando os poços. Massacres terríveis de judeus ocorreram, apesar dos apelos do papado.

Em 1918, em plena 1ª.Guerra Mundial, tropas inteiras griparam-se, mas as dores de cabeça, a febre e a falta de ar eram muito graves e, em poucos dias, o doente morria incapaz de respirar e com os pulmões cheios de líquidos. Era o surgimento da gripe espanhola, como ficou conhecida, devido ao grande número de mortos na Espanha.

A pandemia afetou 50% da população mundial, matando de 20 a 40 milhões de pessoas. No Brasil, ela chegou ao final de setembro. Em pouco tempo espalhou-se por todo o país. Vitimou até o Presidente Rodrigues Alves.

Aqui em Passo Fundo, as vítimas da gripe espanhola, foram tratadas no Hospital São Vicente de Paulo, que iniciava sua histórica trajetória. Foram atendidos 76 doentes , sendo que 15 faleceram ( 4 crianças e 11 adultos).

O coronavírus, como sabemos, surgiu na China. Não me parece mero acaso. Os chineses possuem um histórico de desprezo pela natureza em nome da acelerada industrialização. Na verdade, colocaram o dinheiro acima da saúde e da vida em si.

Via de regra, toda a epidemia é fruto da degradação ambiental. Consequência da sujeira profunda, de qualquer tipo. Higiene não gera doenças!

Agora, como na Idade Média, manifestações histéricas absurdas surgem. Já existe igreja prometendo unção curadora para imunizar os fiéis contra o coronavírus e outras epidemias. Ulala! Só falta uma teoria explicando que se trata de um “complô marxista”.

Confidenciei a meus assustados botões: Terá a combalida rede pública brasileira condições de atender como deveria a esta demanda? Basta lembrar que a Saúde deixou de receber no ano passado 9 bilhões de reais. Assim, nada indica que o novo vírus mudará esse cenário.

Conclusão. Só a unção curadora nos imunizará!! Aleluia!




O Conselho Nacional de Saúde (CNS) reivindica revogação imediata da Emenda Constitucional 95/2016, que retirou verba do Sistema Único de Saúde (SUS), congelando investimentos até 2036. A necessidade se fortalece diante dos casos do Novo Coronavírus (COVID-19) no Brasil.



Estamos nas mãos deles

Nossa estrutura de saúde pública,
que Bolsonaro tenta destruir, pode nos salvar.
E os americanos não têm o suporte da saúde pública.


Pensadores que se antecipam ao que vem aí, como o Nobel Paul Krugman, advertem para o que parece óbvio: o mundo finalmente se dará conta, com o alastramento da pandemia e quando tentar sair dos escombros, que os americanos são governados por uma pessoa despreparada intelectual e emocionalmente.

E que essa constatação, tardia só para alguns, valerá para outros povos sob liderança assemelhada, o que inclui o Brasil. Também temos, por imitação, o nosso Trump, mas finalmente teremos uma vantagem.

Nossa estrutura de saúde pública, que Bolsonaro tenta destruir, pode nos salvar. E os americanos não têm o suporte da saúde pública.

Os americanos (e os brasileiros que moram lá e fingem ser americanos) terão uma experiência dolorosa. Todos, incluindo os ricos, sofrerão as consequências do desamparo dos pobres e miseráveis.

A China, tão depreciada pelos americanos que se acham superiores, parece ter contornado o pior momento e empurrado o dilema para os espertos de Washington.

O país cantado pela capacidade de igualar oportunidades (o que é grande farsa americana) vai conviver com a chance de ver muita gente ficar quase igual.

Ricos sob a ameaça do vírus não serão necessariamente igualados a pobres e miseráveis. Mas sentirão os seus medos. Estarão mais vulneráveis do que chineses, brasileiros, russos, porque o país nunca quis saber dos desprotegidos.

O americano médio nunca quis ser solidário diante de propostas concretas de criação de uma rede de saúde pública. O que há são remendos. Cuba tem uma estrutura de assistência universal que os EUA nunca tiveram.

Mas existe uma saída: os ricos se fecharão em casa para fugir, não só dos europeus, mas dos seus pobres sem assistência que ameaçam agora contaminá-los.

Krugman lembra que Trump nega a realidade de um país sem estrutura de saúde ao atribuir todos os males a conspirações sinistras.

Também é desconfortável nessas horas perceber que parte das esquerdas adere, para copiar a extrema direita, às teorias de que a peste foi fabricada.

Circulam longos textos com ‘embasamentos’ político e econômico sobre o que o vírus representa como algo que foi gerado para acabar com os inimigos.

A esquerda, que há horas tenta imitar a direita, por achar que assim vencerá a guerra da comunicação pelo Whats e pelo Twitter, assume suas piores feições. Trump e Bolsonaro estão bem acompanhados.

As teses sobre conspirações sinistras não são uma tentação apenas das ignorâncias consagradas, mas das ignorâncias em formação.

Quem acredita que beber querosene imuniza contra o vírus não é o mesmo que está certo de que Washington é quem distribui o vírus pelo mundo. Mas são da mesma turma. O disseminador da tese da conspiração pretende apenas ser mais sofisticado.

Que ninguém se esqueça, enquanto as teorias se propagam, que os americanos são liderados por Trump e que nós estamos sob a liderança de Bolsonaro, Paulo Guedes, Damares, Araujo, Weintraub, Sergio Moro.

Moro disse no programa Central GloboNews que o importante agora é lavar as mãos. Moro apresenta-se como um dos estrategistas brasileiros contra a pandemia. Estamos todos nas mãos desses caras.



Publicado originalmente em Blog do Moises Mendes

Gente de bom coração sofre mais

“Gente de coração bom sofre mais,
mas também sempre dorme com a
consciência tranquila e acorda em paz”.
(Victor Fernandes)

Doutor Drauzio Varella, me dirijo ao Senhor em solidariedade pelas repercussões negativas depois do seu espontâneo abraço à transexual Suzy Oliveira, revelado durante reportagem exibida no Fantástico.

A reportagem do Fantástico teve a intenção de mostrar a realidade em que vivem pessoas transexuais num presídio. Corajosamente, o senhor também já assumiu todas as consequências pelas repercussões negativas que sua espontânea ação amorosa suscitou.

O abraço de Drauzio foi um ato de amor, caridade e expressão pura de humanidade. Os cristãos que negam e difamam esta atitude do médico não aprenderam nada com a vida e os ensinamentos de Jesus.

Como já escreveu Frei Betto, “todos nós cristãos somos discípulos de um preso: Jesus de Nazaré. Ele chegou a afirmar sua identificação com os encarcerados: “Estive preso e me visitastes” (Mateus 25, 36). Puna-se o crime, salve-se o criminoso. Caso contrário, a indiferença, o ódio, a sede de vingança farão nascer em nós o assassino em potencial. O resto será apenas uma questão de oportunidades”.

Padre Fábio de Mello usou seu perfil no Instagram para elogiar Drauzio por sua postura. Segundo Mello, a atitude foi “verdadeiramente profética”. “Procure não fazer julgamento. Ouse ver o coração solitário, a dor abscôndita que tantas vezes nosso preconceito não nos permite decifrar. Ouça bem o terceiro ‘bastante’ que essa mulher trans, presidiária, diz ao final”, escreveu Fábio de Mello.

Drauzio Varella, como disseste após as repercussões, não és juiz. És médico e repórter. Sua vida, bem como suas posturas depois das repercussões revelam que és uma pessoa de muita sensibilidade e humanidade.

Não conheço suas crenças, mas cultivas atitudes que revelam espiritualidade como cuidado (de si mesmo, dos outros, da natureza). Há muitos, por aí, cheios de religião e vazios de espiritualidade, como já escreveu Reverendo René Kivitz em circunstâncias onde a prática da caridade também foi barrada por conta de cegueira religiosa.



“Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra a prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar os favores de Deus, você está discutindo religião. Quando você concentra sua atenção e ação em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade que é comum a todas as tradições religiosas”.
Veja mais aqui.

Seu abraço não te condena! As repercussões negativas deste abraço revelam que estamos perdendo humanização na sociedade na medida em que politizamos, julgamos e condenamos os que ainda são capazes de fazer o bem, sem olhar a quem.

Imagino, Drauzio, que seu coração esteja sofrendo muito. Quem faz o bem, de forma espontânea, desinteressada e humanizadora, sofre pela intolerância dos que ainda não são capazes de praticar compaixão, que nada mais é do que “colocar-se no lugar dos outros”.

“Fazer o bem sem olhar a quem” é uma associação ao princípio do amor ao próximo, a quem não posso nem devo escolher ou selecionar, pois nem sempre está revelado em sua totalidade. Não devo me preocupar com o beneficiário de minha ação ou caridade, devo simplesmente fazer o bem. Carrega também um princípio ético de reciprocidade e ensinamento de uma lei universal de retorno (quem faz o bem, colhe o bem. Já quem faz o mal, …)

Antonio Carlos Barro, professor de teologia, assim problematiza a expressão “fazer o bem sem olhar a quem”.

  1. “Fazer o bem é uma escolha minha. Intencional. Depende apenas de mim e está em mim fazer isso. Fazer o bem não depende do outro, da circunstância, de nada. Se eu quero fazer o bem, eu o faço. Ponto final.
  2. Sem olhar a quem expressa o conceito bíblico do amor ao próximo. O meu próximo não é escolhido pelas minhas preferências, predileções ou vontades. Sem olhar a quem expressa uma bondade que não espera retribuições, que não espera favores e nem mesmo um “muito obrigado”. É a expressão suprema da solidariedade da raça humana.
  3. Fazer o bem sem olhar a quem faz parte também de uma lei universal que precisamos considerar mesmo à vista do que foi escrito acima. É a lei da semeadura e da colheita. Isso é inevitável. Quem faz o bem, colhe o bem. Uma pessoa que pratica o bem nunca se arrepende (diferentemente de quem pratica o mal)”.

Meus irmãos e minhas irmãs, estamos varrendo das nossas relações sociais os valores cristãos fundamentais ensinados e praticados por Jesus Cristo. Jesus, mais do que ninguém, ensinou e praticou o bem, a compaixão e a solidariedade aos que o procuravam, sem prévios julgamentos. Sabia acolhê-los em seus pecados, indicando-lhes caminhos como no caso da mulher adúltera.



“…Ele é o Filho de Deus, santo, puro e mesmo assim não condenou a mulher que foi pega em atitude pecaminosa. Jesus mostra sua compaixão pela mulher, ele quer dar a ela uma oportunidade de ser curada, de crescer. Jesus não a pune, pelo contrário estende a ela uma nova oportunidade para poder consertar, escolher novos caminhos para sua vida. “Vá e não peques mais”. Ele mostra misericórdia e graça. Dá a ela uma nova direção para sua vida. Jesus mostra a compaixão. Ele tem compaixão por nós também! Somos pecadores, não há distinção alguma entre os homens e mulheres. Jesus olha para nós e sabe das nossas fraquezas, mas Ele não aponta o dedo para nos condenar, Ele quer nos ajudar a ter novos caminhos para nossa vida”.  (Joice Lima, Igreja Batista de Morumbi)
Veja mais aqui.

Pastor Hermes Carvalho Fernandes, líder da Igreja Reina Brasil, também escreveu após as repercussões negativas do abraço de Drauzio à transexual Suzy:



“Você se recusaria a abraçar uma trans por saber de sua vida pregressa de crimes? Será que temos o direito de condenar um médico ateu por ser mais cristão do que nós? Será que não estamos agindo exatamente como fez o fariseu que questionou Jesus por receber a oferta de uma prostituta? “Quando o fariseu viu isso, pensou assim: Se este homem fosse, de fato, um profeta, saberia quem é esta mulher que está beijando e tocando nele e a vida de pecado que ela leva” (Lucas 7: 39).”
Veja mais aqui.

À prática do bem e da caridade precedem julgamentos? Qual é a diferença entre o abraço a uma pessoa (cuja história não importa -em casos de solidariedade e humanidade) e uma ação de caridade a pessoas que passam fome ou necessidades?

Olhamos o currículo das pessoas que beneficiamos com uma ação de doação de alimentos? Perguntamos sobre a sua ficha criminal na hora de estendermos uma sopa, um alimento ou uma roupa a quem não tem? Ou, simplesmente, fazemos o bem, importando-nos, sobretudo, com a sua humanidade?

Não é justo, razoável e nem sensato que condenemos ações que promovem a humanização. O acolhimento, indispensável na vida de cada e de todo ser humano, deve ser encorajado e estimulado.

Todo ser humano deseja e necessita, imensamente, ser querido, amado e compreendido. Creio que a verdadeira humanização também passa por isso e, com certeza, livraria muitos e muitas dos “encarceramentos”.

Mas a quem interessam as verdadeiras histórias e contextos, se é muito mais fácil simplesmente julgar?

Irmão Drauzio Varella, seu “tão questionado abraço” despertou em mim os melhores sentimentos humanistas e cristãos! Reafirmaste crença de que “o amor cura e o abraço salva”. Sinta-se por mim também abraçado!

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