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Coronavírus: acadêmicos da UPF relatam situações pelo mundo

Enquanto alguns permanecem
nos países para os quais viajaram,
outros retornaram ao Brasil.


Desde o início do semestre, muitos acadêmicos da Universidade de Passo Fundo (UPF) estão em diferentes lugares do mundo, vivendo a experiência de um intercâmbio. Em função da pandemia de coronavírus, no entanto, muitos tiveram suas aulas suspensas temporariamente, enquanto outros seguem estudando de casa, respeitando as quarentenas impostas em muitos países, para evitar a disseminação do vírus. Alguns ainda, optaram por voltar ao país.

Confira o depoimento de alguns deles sobre a situação nos países onde estão ou onde estiveram nos últimos meses:


Fernanda Luiza Facioli – acadêmica de Medicina Veterinária, 8º nível – Espanha

Fernanda Luiza Facioli

“Estou em León, na Espanha, e aqui há umas duas semanas, começaram a surgir os primeiros casos positivos. As pessoas no início, e eu inclusive, não estávamos muito preocupados, porque eram casos isolados, distantes de onde eu estava. Ainda tudo estava funcionando normalmente. Mas as coisas foram piorando muito rápido, começaram a surgir novos casos a cada dia. Na província de Castilla y León, por mais ou menos uma semana, os casos estavam abaixo da linha dos cem, mas como em todo o resto do país, tudo começou a aumentar muito rápido. Na sexta-feira, dia 13 de março, recebemos a informação de suspensão das aulas. Apesar de sexta-feira a Espanha estar com um número grande casos, ainda estávamos tendo aula, enquanto, por exemplo, Portugal já tinha suspendido. Da sexta para o sábado, a Espanha entrou em estado de alerta e quarentena em todo o território, porque os casos aumentaram muito, eram mais de dois mil casos novos por dia, e é o que vem acontecendo até agora.

Durante a quarentena aqui, não podemos sair para a rua. O comércio inteiro fechou, exceto mercados e farmácias, mas não são todos que estão abertos. Só temos autorização para ir até o mercado ou farmácia, ou quem tem algum documento que o permita fazer esse movimento de ter que se deslocar a algum lugar e retornar para casa, como pessoas que trabalham em empresas que funcionam a portas fechadas. Quem desrespeita a quarentena está suscetível a multas que partem dos 300 euros. Se for uma pessoa que está com a doença, ela pode ter uma pena de um ano de prisão.

Está bem complicada a situação aqui mesmo. No início ninguém imaginava que fosse tomar uma proporção dessas e agora está todo mundo apavorado. Muitos intercambistas retornaram para seus países enquanto ainda dava tempo. Alguns lugares como Madrid ainda têm voos, mas muito reduzido, mas é muito arriscado se deslocar nesse momento. Eu tinha companheiras de apartamento e agora estou sozinha porque elas voltaram para seus países. Alguns intercambistas abandonaram de fato o programa de intercâmbio, não vão voltar, mesmo quando as aulas retornarem. Nós não temos uma projeção exata de quando as aulas vão retornar, porque elas foram suspensas por 15 dias, seria até dia 30, mas essa suspensão vai ser prorrogada até no mínimo depois da Semana Santa.

A universidade está tentando ao máximo trabalhar com o calendário acadêmico que tem, estamos recebendo material para estudo individual, apresentações, algumas matérias estão fazendo videoconferência. Estamos fazendo trabalhos, respondendo alguns questionários, mas todas as práticas estão adiadas. Então, talvez isso leve a necessidade de estender o calendário acadêmico, principalmente por causa das questões práticas. Esperamos que no Brasil seja um pouco diferente, embora as coisas estejam apenas começando, mas eu desejo que no Brasil possa ser diferente daqui porque está bastante complicado.


Vitória Czarnobai – acadêmica de Agronegócio, 7º nível – Argentina

Vitória Czarnobai

Quando cheguei em Rosário, nem acreditei, me senti uma criança em fase de conhecimento do mundo, porque tudo era novo pra mim e estava ali realizando um sonho, estudar fora do Brasil, conhecer uma nova cultura, costumes, culinária, novas amizades, idioma novo, enfim, um misto de sentimentos inexplicáveis.

Os primeiro dias foram muito difíceis, não conhecia nada, não me comunicava bem com eles, ir no mercado, loja, restaurante era sempre um novo desafio, quase desisti, achei que não ia aguentar, porque era tudo muito diferente, principalmente o jeito que olham quando percebem que você é brasileiro.

Tive uns dois dias bem turbulentos, mas foram passando, arrumei uma residência estudantil de meninas para morar, saí do hotel e fui pra lá, conheci três brasileiras que estão cursando Medicina, e então já me senti como se tivesse em casa.

Os dias se passaram, e a situação do covid-19 começou piorar no mundo inteiro, a Argentina no momento tinha 32 casos confirmados, nove deles eram na cidade em que eu morava, com um milhão de habitantes. No último domingo, à tarde, saíram boatos de que as universidades e escolas iam fechar por 15 dias. E no fim do domingo (15), o governo anunciou quarentena, recomendando somente sair se necessário, para mercado e farmácia, fronteiras fechadas, sem funcionamento de ônibus. As gôndolas dos mercados esvaziaram ainda antes do meio-dia da segunda-feira (16), comecei me assustar, não sabia o que fazer, se ficava e realizava meu sonho ou se vinha embora pra passar esse momento difícil próximo da minha família.

Na quarta-feira (18), recebi a notícia que as fronteiras iriam se fechar, ninguém mais entrava nem saía do país por nenhum meio de locomoção, foi ai que decidi deixar meu sonho de lado e voltar para o Brasil, próximo de minha família, amigos e esperar toda essa triste situação que nos encontramos hoje passar.

Voltei, triste, por não poder terminar meu intercâmbio, mas feliz pois, esses dias de novas experiências, trouxeram de volta para o Brasil uma nova Vitória.

Nesse momento, me encontro em quarentena, para prevenção de minha saúde e de todos os meus familiares. Precisamos ter muita fé, orar muito e emanar energia positiva pro mundo inteiro, para que possamos sair dessa situação logo.


Andréia Lucca Christmann – acadêmica de Medicina – Austrália

Andréia Lucca Christmann

Andréia Lucca Christmann – acadêmica de Medicina – Austrália

Cheguei na Austrália na quinta-feira e na sexta-feira recebi o e-mail de cancelamento do meu estágio, uma semana antes do início, dizendo que infelizmente eles não poderiam me receber e que eu poderia pegar minha taxa de matrícula de volta. Fiquei um pouco desesperada, fui na universidade e conversei com o pessoal e me falaram que todos os alunos da medicina deles estavam na mesma situação. Tentaram me realocar em outros hospitais, mas todos estão com a mesma conduta e infelizmente não teve como. A professora Luciane da Assessoria Internacional falou com o Cônsul, conseguimos contato com o diretor do hospital e mesmo com os contatos não teve como solucionar o problema. Tentei estágio com médicos nas clínicas deles, mas não foi bem sucedida, tentei estágio com os paramédicos, também não aconteceu. Cancelaram as aulas de Inglês do meu namorado e eu já tinha decidido voltar, mas ele ia ficar. Mas causou bastante estresse, nessas situações de pandemia que a gente não sabe o que vai acontecer é difícil ficar longe sem saber por quanto tempo, sem saber como vai ficar, mas como cancelaram as aulas dele, ele decidiu voltar.

Tentamos remarcar o voo para o final de semana, mas infelizmente estavam todos lotados, marcamos nosso voo para segunda-feira. A Latam deixou remarcarmos de graça, mas a Quantas que faz o voo até o Chile cobrou 500 Dólares americanos de cada um. Numa semana tínhamos toda viagem planejada, na outra não tinha nada. Segunda-feira tentaremos voltar, mas já cancelaram nosso voo do Chile para o Brasil, mas até o Chile o voo ainda está confirmado, voltaremos eu, meu namorado e meu irmão, que mora aqui. Apenas minha irmã vai ficar, já que ela já tem uma vida aqui, é casada, tem uma empresa, não tem como voltar, o que é mais uma situação que é ruim. Vou voltar porque preciso fazer meu estágio e quero ajudar nessa situação de Passo Fundo. O Ministério da Saúde está realocando os doutorandos e a gente vai ajudar no combate do coronavírus. Eu volto, faço uma quarentena e depois começo meu estágio. Pra quem tá fora do país e tinha uma expectativa diferente para os próximos meses é muito decepcionante, muito frustrante, é um estresse atrás do outro. Cada dia uma notícia nova, cada dia tem que mudar de plano. É uma tensão emocional bem complicada estando fora do país, gastando tudo em dólar, sem saber o que vai acontecer amanhã. 




Assessoria de Imprensa
Universidade de Passo Fundo(54) 3316-8110 | www.upf.br

Melhorar a imunidade em tempos de coronavírus

É essencial nosso empenho para a
manutenção da saúde imunitária,
especialmente por que ainda não dispomos
de vacina nem de imunidade prévia,
por se tratar de um novo vírus.


Existem duas maneiras de se proteger contra o coronavírus: evitando a infecção (contágio) ou evitando que a infecção se transforme em doença, especialmente doença grave e potencialmente letal. Estaremos livres da infecção se não tivermos contato com pessoas infectadas, utilizando-se os procedimentos amplamente divulgados.




Foi declarada a pandemia do Coronavírus e podemos enfrentar essa questão sem pânico e com a ajuda da ciência. A mestre e doutora em Neurociência pela USP com pós-doutoramento pela University of Chicago, Claudia Feitosa-Santana, nos mostra os fatos científicos sobre essa questão e faz uma reflexão filosófica sobre esse vírus que infectará uma grande parte de nossa população. Esse vídeo foi gravado na manhã de 12 de março de 2020.




No caso de o contágio acontecer, três situações poderão ocorrer: (1) infecção assintomática (sem doença); (2) doença leve ou moderada; (3) doença grave e potencialmente letal.

É o estado de saúde do sistema imunitário que determinará como a infecção irá evoluir.

Se ele estiver funcionando adequadamente, a infecção evoluirá sem doença ou com doença leve, como acontece com a grande maioria dos casos; se estiver com seu funcionamento comprometido, a tendência é que a infecção evolua para doença moderada ou grave. Assim, é essencial nosso empenho para a manutenção da saúde imunitária, especialmente por que ainda não dispomos de vacina nem de imunidade prévia, por se tratar de um novo vírus. Como ajudar a manter e fortalecer a saúde imunitária?

1. Evitar o medo e o pânico: eles causam ansiedade, que aumenta a produção de cortisol e outras substâncias depressoras da imunidade.

2. Reduzir a ansiedade: A maneira mais prática, rápida, eficaz e sem efeitos colaterais para se reduzir a ansiedade é a respiração controlada. Pratique-a muitas vezes por dia: sente-se com as costas retas, feche olhos e boca, respire lenta, suave e o mais profundamente possível por alguns minutos, com total atenção na entrada e na saída do ar. Além de sua ação ansiolítica instantânea e poderosa, a respiração controlada aumenta substancialmente a oxigenação do organismo e, em consequência, melhora o funcionamento de todas as células, inclusive as do sistema imunitário. 

3. Manter um regime de sono regular: basta uma noite mal dormida (quantidade ou qualidade) para prejudicar a imunidade.

4. Reduzir o consumo de álcool, tabaco e drogas: todos podem comprometer a imunidade.

5. Hidratação adequada: Entre 55% e 60% de nosso corpo é constituído por água: ela é essencial para o funcionamento de todas as células e órgãos, inclusive os responsáveis pela defesa contra agentes infecciosos. Uma hidratação inadequada resseca as mucosas e as tornam vulneráveis às infecções, compromete as funções do sistema imunitário, estimula a inflamação, sobrecarrega o coração e os rins, compromete as funções cognitivas do cérebro e causa fadiga e desmaios. As perdas diárias de água pela urina, suor, evaporação pela pele, respiração e fezes precisam ser repostas por água pura, ou água com limão, em volumes de 2,0 litros/dia (mulheres) e 2,5 litros/dia (homens), ou cerca de 30 ml/kg/dia. A hidratação cuidadosa é especialmente importante nos idosos já que nesta população a sensação de sede está diminuída.

6. Suplementação de vitaminas, sais minerais e outros: A manutenção da integridade e da funcionalidade do sistema imunitário depende de níveis adequados de vitaminas e sais minerais, especialmente na população idosa, onde ocorrem frequentes carências. Além disso, várias vitaminas e sais minerais exercem ação antiviral comprovada, embora não tenham sido ainda testados em relação ao COVID-19.  Convém lembrar que tais compostos em excesso podem ter efeitos nocivos para a saúde

  • Vitamina A: atua contra o vírus do sarampo, HIV, coronavírus aviário.
  • Vitaminas B: atuam contra o coronavírus MERS-CoV.
  • Vitamina C: atua contra vários vírus responsáveis por infecções
    respiratórias humanas e coronavírus aviário.
  • Vitamina D: atua contra o coronavírus bovino.
  • Vitamina E: atua contra o coxsackievírus e coronavírus bovino.
  • Selênio: atua contra o vírus da influenza, coronavírus aviário e
    bloqueia mutações virais.
  • Zinco: atua contra o vírus do sarampo e o coronavírus SARS-CoV.
  • Ferro: bloqueia mutações virais.
  • Ácidos graxos ômega-3: atua contra o vírus da influenza e o HIV.


Conheça mais ideias do doutor Eduardo Tosta, neste vídeo.

7. Alimentos fortalecedores da imunidade e com atividade antimicrobiana:

Limão: Muito rico em vitaminas (A, B1, B2, B3, B6, B9, C e E), sais minerais (ferro, potássio, cálcio, magnésio, sódio, fósforo, boro, manganês, cobre, flúor, zinco e molibdênio) e compostos bioativos (principalmente na casca: hesperidina, eriocitrina, diosmina e roifolina). O limão possui comprovada ação reguladora da imunidade (imunomoduladora), anti-inflamatória, antioxidante, analgésica, ansiolítica, antialérgica, antibacteriana, antifúngica e antiviral (a roifolina bloqueia a atividade do coronavírus SARS-CoV e a hesperidina e a diosmina têm potencial para atuar sobre o COVID-19). O limão deve ser consumido como suco e sua casca ralada (depois de bem lavadas) usada em vários pratos salgados e doces.

Cúrcuma (açafrão da terra): Seu principal composto ativo, a curcumina, apresenta poderosa atividade imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, neuroprotetora, cardioprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora (pulmão), hepatoprotetora, antitumoral, antibacteriana, antifúngica, antiparasitária e antiviral (hepatites B e C, herpes simplex, coxsackie B3, HIV, papiloma, encefalite japonesa e coronavírus SARS-CoV).

Aveia: É fonte de proteínas de alta qualidade, minerais (cálcio e ferro) e vitaminas (B e E) e de dois compostos bioativos importantes: a glucana beta e a avenantramida. A glucana beta é poderoso composto imunoestimulante e aumenta a resistência contra infecções por bactérias, vírus, fungos e parasitos e a avenantramida possui atividade anti-inflamatória e antioxidante. 

Gengibre: O gingerol e os outros 168 compostos bioativos do gengibre possuem atividades imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, analgésica, neuroprotetora, cardioprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora, gastroprotetora, hepatoprotetora, antitumoral, antibacteriana, antifúngica, antiparasitária e antiviral (hepatite C, dengue e, talvez, COVID-19).

Açaí: A velutina e outros compostos flavonoides, antocianinas e carotenoides do açaí apresentam atividades imunomoduladora, antiinflamatória, antioxidante, analgésica, hepatoprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora, cardioprotetora, antilipêmica, neuroprotetora, antidiabética, antidepressiva, antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiparasitária. A possível atividade antiviral ainda não foi testada.

Linhaça: Os lignanos, principais compostos bioativos da linhaça, apresentam atividade imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, antibacteriana e antifúngica. A herbacetina, outro composto bioativo, possui possível atividade contra o coronavírus MERS-CoV. Para destruir possíveis efeitos tóxicos das sementes de linhaça, é conveniente aquece-las em forno de micro-ondas a 100ºC por 1 minuto antes do consumo. 

Brócolis: Rico em vitaminas (E, C, K, B, A, carotenoides), sais minerais (selênio, cálcio, ferro, zinco) e compostos bioativos com atividades imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, cardioprotetora, antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiviral (influenza, vírus sincicial respiratório)

 Uva tinta, amendoim: Os dois alimentos têm uma característica em comum: são ricos em resveratrol, um composto bioativo com atividades imunomoduladora, anti-inflamatória, antioxidante, neuroprotetora, cardioprotetora, nefroprotetora, pneumoprotetora, hepatoprotetora, gastroprotetora, enteroprotetora, enteroprotetora, mioprotetora (músculos), antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiviral (herpes simplex, influenza, varicela-zoster, citomegalovírus, HIV, polioma e coronavírus MERS-CoV). O resveratrol pode ser consumido como suco de uva, vinho tinto, uva passa e, principalmente, farinha de uva, que também é rica em antocianinas das sementes.

Mel: Além de rica fonte de vitaminas (B2, B3, B5, B6, B9 e C), sais minerais (potássio, sódio, cálcio, ferro, fósforo e magnésio) e peróxido de hidrogênio (água oxigenada), o mel possui vários compostos bioativo, especialmente quercetina e miricetina, responsáveis por suas atividades imunomoduladora (principalmente imunoestimulante), anti-inflamatória, antioxidante, antidiabética, antibacteriana (inclusive bactérias resistentes a antibióticos), antifúngica (candidíase) e antiviral (rubéola, herpes e vírus respiratório, inclusive o coronavírus MERS-CoV).

 Soja: Possui isoflavonas, como a genisteína e a daidzeína, com atividades imunomoduladora, cardioprotetora, osteoprotetora (osteoporose), antidepressiva, antitumoral, antibacteriana, antifúngica e antiviral (rotavírus, herpes simplex, adenovírus, VIH, vírus respiratórios, inclusive os coronavírus SARS-CoV e MERS-CoV). 

 Kefir: É o leite fermentado no domicílio por uma comunidade complexa de lactobacilos e leveduras probióticas, que produzem seu próprio alimento prebiótico (kefirano). Apresenta potente atividade imunomoduladora (aumenta a imunidade anti-infecciosa, antitumoral, controla alergias, suprime a autoimunidade), anti-inflamatória, antitóxica, antibacteriana, antifúngica e antiviral (hepatite C, HTLV-1, rotavírus, herpesvírus, influenza aviária).

Todas as medidas aqui propostas têm base científica comprovada, são isentas de efeitos colaterais indesejáveis, desde que adotadas com sensatez e poderão concorrer para proteger não só do coronavírus, mas de qualquer outro agente infeccioso.



Em artigo publicado em 14 de março de 2020, o historiador José Ernani de Almeida indaga: “terá a combalida rede pública brasileira condições de atender como deveria a esta demanda? Basta lembrar que a Saúde deixou de receber no ano passado 9 bilhões de reais”. 



Em outra publicação do site, o jornalista Moisés Mendes compara o sistema de saúde brasileiro (SUS) e o sistema de saúde privado dos EUA e sentencia: “Nossa estrutura de saúde pública, que Bolsonaro tenta destruir, pode nos salvar. E os americanos não têm o suporte da saúde pública”. Leia mais:



Autor: Eduardo Tosta, Médico imunologista CRM-DF 1187 Professor Emérito da Universidade de Brasília

A Ira

O que te deixa irado?
O que te deixa irado diz muito de quem és.
A ira é o mais perigoso, devastador e
mortal dos pecados capitais.


A ira é o pecado contra a mansidão. A mansidão é uma virtude, a ira é um vício. A mansidão é a virtude da moderação e do equilíbrio emocional que evita a explosão incontida da ira. A ira é o pecado da perturbação e descontrole das paixões que desencadeiam a violência e a vingança. A mansidão é do bem, a ira é do mal.

A ira é o mais perigoso, devastador e mortal dos pecados capitais. Se a mansidão é o controle das emoções, a ira é seu descontrole total. O irado solta a fera que habita em cada humano e destrói, a um só golpe, a fina e tênue casca da racionalidade, sensibilidade amorosa e civilidade que protege o humano de seus primitivos desejos instintivos.

A ira despe o humano da capa de civilidade que o protege e, desnudado, regride, instintivamente, ao estado de natureza, onde as paixões imperam. A ira libera o animal que habita nos porões do nosso inconsciente coletivo e, quando isso acontece, é melhor sair da frente!


A ira cega os olhos da alma, endurece o coração, ruboresce a face, enrijece os nervos e parte para o ataque. A ira não conhece o recuo e não toma distância e ponderação. A ira é abrupta e faz o agente agir movido pelo sangue fervilhando. O irado move-se, irracionalmente, pela sede de vingança ou por algum tipo de medo. Aí está o seu pecado.

Se não fosse por vingança ou por reação instintiva ao medo, a ira não seria pecado. Sim, pois existe a ira santa e esta não pode ser pecado, visto que é santa.

A ira santa é uma pulsão instintiva, instalada, naturalmente, no corpo e na alma, que salvaguarda os bens morais e espirituais da sua violação e reage quando da violação. Nesse aspecto, a iracúndia é uma espécie de “cão de guarda” que nos protege da banalização do mal. A bíblia é prova de que a ira tem um lado bom, um lado do bem, quando até Deus perde a paciência.


“Temos todos o direito e o dever de discordar, de quem quer que seja, quando a estupidez, a arrogância e a mentira agridem a nossa inteligência, sabedoria e ponderação.  A gente até suporta, silenciosamente, até um certo ponto, mas a reação da racionalidade se impõe. (Nei Alberto Pies)




O que faz a ira ser santa? Poucas ocasiões fazem a ira ser santa, mas em todas elas o que está em jogo é algo essencial a ser preservado, o amor a Deus e ao próximo.

Foi por ira que Deus expulsou Adão e Eva do paraíso, enviou o dilúvio e destruiu Sodoma e Gomorra. Foi por ira que Moisés matou um egípcio que, diante dele, tinha matado um seu irmão Hebreu. Foi por ira que o mesmo Moisés despedaçou as tábuas da Lei ao ver o povo adorando um bezerro de ouro.

Foi por ira que Jesus toma um chicote e expulsou os vendilhões do templo. Em todos os casos está a preservação do sagrado moral e espiritual. Não se pode deixar que o essencial seja corrompido sem uma reação irada. Há situações em que a mansidão é covardia e capitulação.

O “dar a outra face”, “amar os inimigos” e “abençoar os que amaldiçoam” é uma racionalização e uma pedagogia da libertação necessárias e revolucionárias, porém, em determinas circunstâncias, não dá para conversar e se entender mansamente e, nesses casos, a ira é santa, mas só em casos muito especiais. Nesses casos especiais, a ira tem uma causa boa e, então, como diz Tomás de Aquino, “essa ira se chama ira por zelo”, desde que submetida à razão.

O que te deixa irado? O que te deixa irado diz muito de quem és. Se a ira for um desejo inconfesso de vingança planejada, és um vulgar vingativo. Se a ira for uma atitude rotineira diante de qualquer contratempo, então, és um humano banal.

Se a ira te assalta somente na defesa dos próprios interesses, porém não na defesa de grandes valores da justiça e do bem comum, então, és, simplesmente, egocêntrico. Contudo, se a ira se manifestar na hora da preservação do essencial e do inegociável, lá onde a palavra e a mansidão não alcançam, então, és, simplesmente, mental, moral e espiritualmente saudável.

Jesus é a referência definitiva em relação a esse pecado capital, aliás, via de regra, de todos os pecados capitais. Nele se manifesta a ira santa de uma forma exemplar e ninguém duvida que fez a coisa certa ao perder a paciência diante da corrupção que tinha se instalado no templo. Contudo, se ele agiu de maneira irada nessa ocasião, agiu com mansidão e humildade em todas as outras.

Os mansos são bem-aventurados e herdarão os céus. Os que agem sem pensar, com violência e vingança herdarão o quarto círculo do inferno, como nos diz Dante na Divina Comédia.


Conheça outras reflexões no blog Gilmar Zampieri

A maldição das epidemias

Terá a combalida rede pública brasileira condições de atender como
deveria a esta demanda do novo Coronavírus?
Basta lembrar que a Saúde deixou de receber
no ano passado 9 bilhões de reais?


O coronavírus está ganhando status de epidemia global. Aliás, não é a primeira vez que a humanidade sofre com tal fenômeno assustador. No séc. XIV houve a Peste Negra, ou peste bubônica.

Alastrando-se rapidamente por grande parte da Europa, atingiu uma população já em declínio e subalimentada. As cidades congestionadas tiveram os mais altos índices de mortalidade.

Cerca de 20 milhões de pessoas, talvez – aproximadamente de um quarto a um terço da população da Europa –, pereceram no pior desastre humano da história conhecida. Fala-se em um total de 200 milhões na Eurásia!



“O COVID-19 é um teste para as nossas sociedades, e todos estamos aprendendo e nos adaptando à medida que reagimos ao vírus. A dignidade e os direitos humanos precisam estar na frente e centralizar esse esforço, e não ser uma reflexão tardia”, disse Bachelet. Veja mais aqui.


Generalizaram-se a histeria e as superstições populares. Por vezes, essa histeria voltava-se contra os judeus, acusados de terem causado a peste envenenando os poços. Massacres terríveis de judeus ocorreram, apesar dos apelos do papado.

Em 1918, em plena 1ª.Guerra Mundial, tropas inteiras griparam-se, mas as dores de cabeça, a febre e a falta de ar eram muito graves e, em poucos dias, o doente morria incapaz de respirar e com os pulmões cheios de líquidos. Era o surgimento da gripe espanhola, como ficou conhecida, devido ao grande número de mortos na Espanha.

A pandemia afetou 50% da população mundial, matando de 20 a 40 milhões de pessoas. No Brasil, ela chegou ao final de setembro. Em pouco tempo espalhou-se por todo o país. Vitimou até o Presidente Rodrigues Alves.

Aqui em Passo Fundo, as vítimas da gripe espanhola, foram tratadas no Hospital São Vicente de Paulo, que iniciava sua histórica trajetória. Foram atendidos 76 doentes , sendo que 15 faleceram ( 4 crianças e 11 adultos).

O coronavírus, como sabemos, surgiu na China. Não me parece mero acaso. Os chineses possuem um histórico de desprezo pela natureza em nome da acelerada industrialização. Na verdade, colocaram o dinheiro acima da saúde e da vida em si.

Via de regra, toda a epidemia é fruto da degradação ambiental. Consequência da sujeira profunda, de qualquer tipo. Higiene não gera doenças!

Agora, como na Idade Média, manifestações histéricas absurdas surgem. Já existe igreja prometendo unção curadora para imunizar os fiéis contra o coronavírus e outras epidemias. Ulala! Só falta uma teoria explicando que se trata de um “complô marxista”.

Confidenciei a meus assustados botões: Terá a combalida rede pública brasileira condições de atender como deveria a esta demanda? Basta lembrar que a Saúde deixou de receber no ano passado 9 bilhões de reais. Assim, nada indica que o novo vírus mudará esse cenário.

Conclusão. Só a unção curadora nos imunizará!! Aleluia!




O Conselho Nacional de Saúde (CNS) reivindica revogação imediata da Emenda Constitucional 95/2016, que retirou verba do Sistema Único de Saúde (SUS), congelando investimentos até 2036. A necessidade se fortalece diante dos casos do Novo Coronavírus (COVID-19) no Brasil.



Estamos nas mãos deles

Nossa estrutura de saúde pública,
que Bolsonaro tenta destruir, pode nos salvar.
E os americanos não têm o suporte da saúde pública.


Pensadores que se antecipam ao que vem aí, como o Nobel Paul Krugman, advertem para o que parece óbvio: o mundo finalmente se dará conta, com o alastramento da pandemia e quando tentar sair dos escombros, que os americanos são governados por uma pessoa despreparada intelectual e emocionalmente.

E que essa constatação, tardia só para alguns, valerá para outros povos sob liderança assemelhada, o que inclui o Brasil. Também temos, por imitação, o nosso Trump, mas finalmente teremos uma vantagem.

Nossa estrutura de saúde pública, que Bolsonaro tenta destruir, pode nos salvar. E os americanos não têm o suporte da saúde pública.

Os americanos (e os brasileiros que moram lá e fingem ser americanos) terão uma experiência dolorosa. Todos, incluindo os ricos, sofrerão as consequências do desamparo dos pobres e miseráveis.

A China, tão depreciada pelos americanos que se acham superiores, parece ter contornado o pior momento e empurrado o dilema para os espertos de Washington.

O país cantado pela capacidade de igualar oportunidades (o que é grande farsa americana) vai conviver com a chance de ver muita gente ficar quase igual.

Ricos sob a ameaça do vírus não serão necessariamente igualados a pobres e miseráveis. Mas sentirão os seus medos. Estarão mais vulneráveis do que chineses, brasileiros, russos, porque o país nunca quis saber dos desprotegidos.

O americano médio nunca quis ser solidário diante de propostas concretas de criação de uma rede de saúde pública. O que há são remendos. Cuba tem uma estrutura de assistência universal que os EUA nunca tiveram.

Mas existe uma saída: os ricos se fecharão em casa para fugir, não só dos europeus, mas dos seus pobres sem assistência que ameaçam agora contaminá-los.

Krugman lembra que Trump nega a realidade de um país sem estrutura de saúde ao atribuir todos os males a conspirações sinistras.

Também é desconfortável nessas horas perceber que parte das esquerdas adere, para copiar a extrema direita, às teorias de que a peste foi fabricada.

Circulam longos textos com ‘embasamentos’ político e econômico sobre o que o vírus representa como algo que foi gerado para acabar com os inimigos.

A esquerda, que há horas tenta imitar a direita, por achar que assim vencerá a guerra da comunicação pelo Whats e pelo Twitter, assume suas piores feições. Trump e Bolsonaro estão bem acompanhados.

As teses sobre conspirações sinistras não são uma tentação apenas das ignorâncias consagradas, mas das ignorâncias em formação.

Quem acredita que beber querosene imuniza contra o vírus não é o mesmo que está certo de que Washington é quem distribui o vírus pelo mundo. Mas são da mesma turma. O disseminador da tese da conspiração pretende apenas ser mais sofisticado.

Que ninguém se esqueça, enquanto as teorias se propagam, que os americanos são liderados por Trump e que nós estamos sob a liderança de Bolsonaro, Paulo Guedes, Damares, Araujo, Weintraub, Sergio Moro.

Moro disse no programa Central GloboNews que o importante agora é lavar as mãos. Moro apresenta-se como um dos estrategistas brasileiros contra a pandemia. Estamos todos nas mãos desses caras.



Publicado originalmente em Blog do Moises Mendes

Gente de bom coração sofre mais

“Gente de coração bom sofre mais,
mas também sempre dorme com a
consciência tranquila e acorda em paz”.
(Victor Fernandes)

Doutor Drauzio Varella, me dirijo ao Senhor em solidariedade pelas repercussões negativas depois do seu espontâneo abraço à transexual Suzy Oliveira, revelado durante reportagem exibida no Fantástico.

A reportagem do Fantástico teve a intenção de mostrar a realidade em que vivem pessoas transexuais num presídio. Corajosamente, o senhor também já assumiu todas as consequências pelas repercussões negativas que sua espontânea ação amorosa suscitou.

O abraço de Drauzio foi um ato de amor, caridade e expressão pura de humanidade. Os cristãos que negam e difamam esta atitude do médico não aprenderam nada com a vida e os ensinamentos de Jesus.

Como já escreveu Frei Betto, “todos nós cristãos somos discípulos de um preso: Jesus de Nazaré. Ele chegou a afirmar sua identificação com os encarcerados: “Estive preso e me visitastes” (Mateus 25, 36). Puna-se o crime, salve-se o criminoso. Caso contrário, a indiferença, o ódio, a sede de vingança farão nascer em nós o assassino em potencial. O resto será apenas uma questão de oportunidades”.

Padre Fábio de Mello usou seu perfil no Instagram para elogiar Drauzio por sua postura. Segundo Mello, a atitude foi “verdadeiramente profética”. “Procure não fazer julgamento. Ouse ver o coração solitário, a dor abscôndita que tantas vezes nosso preconceito não nos permite decifrar. Ouça bem o terceiro ‘bastante’ que essa mulher trans, presidiária, diz ao final”, escreveu Fábio de Mello.

Drauzio Varella, como disseste após as repercussões, não és juiz. És médico e repórter. Sua vida, bem como suas posturas depois das repercussões revelam que és uma pessoa de muita sensibilidade e humanidade.

Não conheço suas crenças, mas cultivas atitudes que revelam espiritualidade como cuidado (de si mesmo, dos outros, da natureza). Há muitos, por aí, cheios de religião e vazios de espiritualidade, como já escreveu Reverendo René Kivitz em circunstâncias onde a prática da caridade também foi barrada por conta de cegueira religiosa.



“Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra a prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar os favores de Deus, você está discutindo religião. Quando você concentra sua atenção e ação em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade que é comum a todas as tradições religiosas”.
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Seu abraço não te condena! As repercussões negativas deste abraço revelam que estamos perdendo humanização na sociedade na medida em que politizamos, julgamos e condenamos os que ainda são capazes de fazer o bem, sem olhar a quem.

Imagino, Drauzio, que seu coração esteja sofrendo muito. Quem faz o bem, de forma espontânea, desinteressada e humanizadora, sofre pela intolerância dos que ainda não são capazes de praticar compaixão, que nada mais é do que “colocar-se no lugar dos outros”.

“Fazer o bem sem olhar a quem” é uma associação ao princípio do amor ao próximo, a quem não posso nem devo escolher ou selecionar, pois nem sempre está revelado em sua totalidade. Não devo me preocupar com o beneficiário de minha ação ou caridade, devo simplesmente fazer o bem. Carrega também um princípio ético de reciprocidade e ensinamento de uma lei universal de retorno (quem faz o bem, colhe o bem. Já quem faz o mal, …)

Antonio Carlos Barro, professor de teologia, assim problematiza a expressão “fazer o bem sem olhar a quem”.

  1. “Fazer o bem é uma escolha minha. Intencional. Depende apenas de mim e está em mim fazer isso. Fazer o bem não depende do outro, da circunstância, de nada. Se eu quero fazer o bem, eu o faço. Ponto final.
  2. Sem olhar a quem expressa o conceito bíblico do amor ao próximo. O meu próximo não é escolhido pelas minhas preferências, predileções ou vontades. Sem olhar a quem expressa uma bondade que não espera retribuições, que não espera favores e nem mesmo um “muito obrigado”. É a expressão suprema da solidariedade da raça humana.
  3. Fazer o bem sem olhar a quem faz parte também de uma lei universal que precisamos considerar mesmo à vista do que foi escrito acima. É a lei da semeadura e da colheita. Isso é inevitável. Quem faz o bem, colhe o bem. Uma pessoa que pratica o bem nunca se arrepende (diferentemente de quem pratica o mal)”.

Meus irmãos e minhas irmãs, estamos varrendo das nossas relações sociais os valores cristãos fundamentais ensinados e praticados por Jesus Cristo. Jesus, mais do que ninguém, ensinou e praticou o bem, a compaixão e a solidariedade aos que o procuravam, sem prévios julgamentos. Sabia acolhê-los em seus pecados, indicando-lhes caminhos como no caso da mulher adúltera.



“…Ele é o Filho de Deus, santo, puro e mesmo assim não condenou a mulher que foi pega em atitude pecaminosa. Jesus mostra sua compaixão pela mulher, ele quer dar a ela uma oportunidade de ser curada, de crescer. Jesus não a pune, pelo contrário estende a ela uma nova oportunidade para poder consertar, escolher novos caminhos para sua vida. “Vá e não peques mais”. Ele mostra misericórdia e graça. Dá a ela uma nova direção para sua vida. Jesus mostra a compaixão. Ele tem compaixão por nós também! Somos pecadores, não há distinção alguma entre os homens e mulheres. Jesus olha para nós e sabe das nossas fraquezas, mas Ele não aponta o dedo para nos condenar, Ele quer nos ajudar a ter novos caminhos para nossa vida”.  (Joice Lima, Igreja Batista de Morumbi)
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Pastor Hermes Carvalho Fernandes, líder da Igreja Reina Brasil, também escreveu após as repercussões negativas do abraço de Drauzio à transexual Suzy:



“Você se recusaria a abraçar uma trans por saber de sua vida pregressa de crimes? Será que temos o direito de condenar um médico ateu por ser mais cristão do que nós? Será que não estamos agindo exatamente como fez o fariseu que questionou Jesus por receber a oferta de uma prostituta? “Quando o fariseu viu isso, pensou assim: Se este homem fosse, de fato, um profeta, saberia quem é esta mulher que está beijando e tocando nele e a vida de pecado que ela leva” (Lucas 7: 39).”
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À prática do bem e da caridade precedem julgamentos? Qual é a diferença entre o abraço a uma pessoa (cuja história não importa -em casos de solidariedade e humanidade) e uma ação de caridade a pessoas que passam fome ou necessidades?

Olhamos o currículo das pessoas que beneficiamos com uma ação de doação de alimentos? Perguntamos sobre a sua ficha criminal na hora de estendermos uma sopa, um alimento ou uma roupa a quem não tem? Ou, simplesmente, fazemos o bem, importando-nos, sobretudo, com a sua humanidade?

Não é justo, razoável e nem sensato que condenemos ações que promovem a humanização. O acolhimento, indispensável na vida de cada e de todo ser humano, deve ser encorajado e estimulado.

Todo ser humano deseja e necessita, imensamente, ser querido, amado e compreendido. Creio que a verdadeira humanização também passa por isso e, com certeza, livraria muitos e muitas dos “encarceramentos”.

Mas a quem interessam as verdadeiras histórias e contextos, se é muito mais fácil simplesmente julgar?

Irmão Drauzio Varella, seu “tão questionado abraço” despertou em mim os melhores sentimentos humanistas e cristãos! Reafirmaste crença de que “o amor cura e o abraço salva”. Sinta-se por mim também abraçado!

Mudar a Educação salvar a vida das mulheres

Quanto mais cedo começar a
educação para uma cultura não machista,
mais possibilidades teremos de os meninos
tornarem-se adultos que respeitam as mulheres.

Os índices de violência contra a mulher seguem aumentando mesmo quando os demais delitos diminuem, como os dados do início desse ano no Rio Grande do Sul: 233%de aumento do feminicídio no mês de janeiro! Fica muito evidente que não avançamos na percepção das suas causas, ou sabemos e subestimamos, continuando a reproduzir o sexismo – tratamento desigual de homens e mulheres – ou então, que são profundamente enraizadas na formação dos sujeitos e para alterar é preciso políticas públicas em larga escala, que cheguem nas escolas e nas famílias, nas relações trabalhistas e sociais, nas igrejas e nos meios de comunicação.

Quem pode conviver e naturalizar 116 feminicídios em 2019, 1714 estupros, 20989 lesões corporais e 37.381 ameaças de violência contra mulheres, considerando apenas o que foi registrado? Ninguém. No entanto, as explicações ainda tem muitos subterfúgios: ou passam pela responsabilização da vítima, ou são tratados da mesma forma que qualquer outra violência, ou, principalmente, a cultura conservadora que informa a visão da mulher, é defendida e reproduzida desconectada, sem relação com a violência.

Não há outro jeito: se não transformar a cultura machista através da educação. Fica evidente que trabalhar apenas na repressão não resulta em redução da violência contra a mulher e as meninas quando, pelos dados do balanço do Estado do Rio Grande do sul de 2019, aplicou-se mais na Segurança do que na Educação. Os números mostram a redução da maioria dos delitos, porém no caso da violência contra mulheres, não.

É fundamental conseguirmos trabalhar nos fatores geradores da violência. E todos os estudos apontam para a construção cultural dos papeis de homens e de mulheres que coloca essas em posição inferior, a destina a espaços privados e a atividades consideradas de menor complexidade e poder, ao mesmo tempo em que concede ao homem papel superior, de liderança, de liberdade e de poder.

O que chamamos de machismo está aí produzido diariamente nos costumes, nas práticas sociais, no âmbito das famílias, atingindo fortemente a construção das subjetividades.

A exemplo da recente conquista em Porto Alegre, onde pelo mandato de vereadora, aprovamos a Lei 12507/19, protocolamos na ALRS o Projeto de Lei que leva para o âmbito estadual, e seu sistema de ensino, o desafio de transformar a educação no sentido de identificar, problematizar e superar todas as manifestações de discriminação e violência contra mulheres e meninas.

A educação cumpre um papel fundamental para mudar comportamentos machistas e discriminatórios em relação às mulheres e às meninas. Quanto mais cedo começar a educação para uma cultura não machista, mais possibilidades teremos de os meninos tornarem-se adultos que respeitam as mulheres.

A Rede Estadual de Educação pode cumprir função importante e decisiva para a difusão de comportamentos não machistas e de respeito às meninas e às mulheres, desde que profissionais tenham suporte e formação isso.

“Meninos e meninas que recebem orientação adequada têm mais chance de se tornarem homens e mulheres civilizados, tolerantes e fraternos”. (Nota CPERS Sindicato)

A proposta traz diretrizes como:

  • O estímulo ao registro e à socialização de práticas pedagógicas que atuem no sentido da erradicação de todas as formas de discriminação e violência contra mulheres e meninas;
  • A valorização do protagonismo das/dos adolescentes e jovens nas estratégias de reflexão e ação que problematizem manifestações de violência;
  • O incentivo o trabalho integrado com as diferentes linguagens artísticas e tecnológicas que favorecem o envolvimento e a reflexão de temas delicados e a desconstrução de tabus;
  • O favorecimento da manifestação estética de cada estudante e de coletivos, oportunizando a vivência de identidades, papéis, ideias e o confronto saudável de pontos de vista, comportamentos e concepções divergentes;
  • A identificação e problematização das violências que ocorrem contra professoras e funcionárias de escola e que residem no fato de serem mulheres.

O referido projeto de Lei está na última comissão para ser votado – exatamente a da educação – e irá depois a plenário. A par disso, estamos publicando uma cartilha que traz dicas (pesquisadas em sites sobre a temática) para professoras e professores, pais, mães e estudantes e problematiza práticas usuais que sem perceber naturalizamos. Vejam algumas:

  1. Atividades domésticas para todos: marido não “ajuda” nas tarefas domésticas, divide. A responsabilidade é de ambos. Práticas como: vai sentar no sofá com seu pai, enquanto eu e sua irmã lavamos a louça” tornam verdade essa cultura onde só as mulheres da casa são responsáveis pelas atividades domésticas. Tem louça na pia? Juntem-se todos e organizem! A casa tá bagunçada além da pia? Então, dividam as tarefas! Ensine desde a infância os seus filhos, independente do gênero, a organizarem suas coisas, arrumarem seus quartos e a fazerem atividades de casa, colaborando assim com o coletivo! Os meninos e meninas devem ser estimulados sem os rótulos de atividades de: “meninos” e “meninas”.
  2. Pais e mães são exemplos que produzem verdades. As funções do pai só são diferentes das da mãe em alguns momentos por questões biológicas, como o amamentar, no mais, os cuidados com a reprodução da vida deve ser de ambos, compartilhados.
  3. Meninos choram.  O machismo roubou do homem o direito de ser sensível (Ana Luiza Garcia). Ser humano fica triste, sente medo ou se emociona independentemente do sexo. E inibir sentimentos pode causar reflexos negativos no futuro.
  4. O tom da voz não diz alguma coisa sobre ser homem ou mulher. Mas é comum se ouvir a repreensão:não fale com voz fina! Já paramos para pensar que em momentos de insegurança, nervoso, medo e carência o timbre de voz da criança pode mudar? E, além disso, a criança vai passar por todo o processo de desenvolvimento da fala e amadurecimento da voz. Ainda, parecer mulher por ter afinado a voz não deve ser colocado como “defeito”, pois passa a idéia de que ser mulher é ser menos que homem. É assim que o menino cresce se achando superior e se torna um adulto que acredita que destratar a mulher o afirma como homem.
  5. Meninas gostam e tem aptidão para o esporte SIM!  Incentive o Esporte. Inserir as meninas no contexto esportivo – estimulando a prática e levando a jogos é um dos caminhos para mudar esse quadro.
  6. Brincar sem Tabus. Deixe seus filhos e filhas à vontade para brincar com carrinhos e bonecos. Usar as cores que quiserem usar. Assim serão criados para serem felizes e livres.Por que o menino não pode brincar disso tudo quando criança? Porque só as meninas é quem devem e podem brincar de casinha, boneca e ter filhos imaginários? Muitas das experiências da infância é que vão formar o adulto que a criança será. Isso não significa que influenciará seu gênero.
  7. Sexualidade não está à prova. Independentemente da orientação sexual (que vai se manifestar a seu tempo), meninos e meninas devem ser gentis, meninos e meninas devem experimentar autonomia e devem ter uma infância plena.
  8. Meninos e Meninas não são pequenos adultos. Puxar o  canto “com quem será” em um aniversário de crianças, estimular beijinhos entre os bebês ou chamar a filha do amigo de “minha norinha” coloca os pequenos num papel que não lhes cabe e distorce precocemente a formação da sexualidade e o condicionamento a ela.
  9. O respeito ao corpo. Profetizar que o menino vai ‘destruir corações’, enquanto ela quando crescer ‘vai dar trabalho’: expressões como essas acabam por legitimar o assédio masculino e a impor culpa a quem é vítima, no que se refere à exposição da beleza feminina. Para mudar esse quadro, é preciso desenvolver entre as crianças conceitos de integridade corporal e consentimento.
  10. Sem essa de provedor e princesa: A figura da princesa à espera do príncipe encantado (o provedor) sugere fragilidade. Ou, ainda, que uma mulher só se realiza com casamento e maternidade – que podem sim ser aspirações, desde que pautadas em cumplicidade, não em dependência.
  11. Empoderar para igualar: Muitos homens se sentem acuados e até ofendidos por pautas feministas, porque não entendem que o machismo oprime mulheres. O empoderamento feminino busca igualdade, não inverter a opressão.

A despedida de Celso de Mello

“Foi quem, fora do cenário da política,
primeiro advertiu para a possibilidade de Bolsonaro
ter cometido crime de responsabilidade ao passar adiante
para a sua turma o vídeo com a convocação
para os protestos contra o Congresso”.

O personagem de 2020, com ou sem golpe, será o ministro Celso de Mello. Perdemos referências de nomes e atitudes, fomos abandonados pelo direito de ter expectativas e somos ameaçados por um golpe, mas ainda nos resta Celso de Mello.

Teve um tempo em que os operários ou os estudantes iriam nos salvar com suas revoltas e anarquismos, toda vez que o mundo estivesse em apuros com golpistas e fascistas. Os partidos, os sindicatos, os grandes líderes estariam sempre a postos.

Não há mais os líderes das emergências, da presteza do momento, do vem cá e nos tira desse buraco e nos conduz às ruas e à liberdade. Nem os professores, as universidades, o poder do conhecimento, nada mais nos acolhe como um dia nos socorreu.

Desapareceram ou fragilizaram-se os nossos oráculos, as vozes orientadoras de ações coletivas.  Mas ainda temos Celso de Mello, que não é político, não é líder de nada e nem é pop. Mas foi ele quem primeiro reagiu publicamente à tentativa de golpe.

Foi Celso de Mello quem escreveu uma nota enviada à Folha de S. Paulo, apontando Bolsonaro como um presidente com “a visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo”.


Para Celso de Mello, a atitude de Bolsonaro revelaria “a face sombria de um presidente da República que desconhece o valor da ordem constitucional, que ignora o sentido fundamental da separação de Poderes, que demonstra uma visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo que exerce e cujo ato de inequívoca hostilidade aos demais Poderes da República traduz gesto de ominoso desapreço e de inaceitável degradação do princípio democrático!!!”.
Veja mais aqui.



Foi quem, fora do cenário da política, primeiro advertiu para a possibilidade de Bolsonaro ter cometido crime de responsabilidade ao passar adiante para a sua turma o vídeo com a convocação para os protestos contra o Congresso.

Celso de Mello saiu na frente de todos os que poderiam ter dito alguma coisa e só depois pegaram carona no que ele já havia dito. E por isso, então, será o personagem de 2020?

O ministro será a grande figura desses tempos sombrios porque em março ou abril (se não adiarem mais uma vez) dará o voto decisivo, com texto histórico, no processo sobre a conduta de Sergio Moro na Lava-Jato.

Teremos dele toda uma argumentação em defesa do combate à corrupção, como fez quando do mensalão. Mas, ao final do longo voto, o decano do Supremo irá dizer que há fundamento na acusação de suspeição dos atos do ex-juiz que mandou encarcerar Lula e depois virou ministro de um governo ligado a milicianos e outros favorecidos por suas decisões.

O ministro dirá que não há como compactuar com a postura do ex-juiz e suas consequências, quando essas, ao invés de fortalecerem, ameaçam a Justiça. E falará em voz alta que seu voto tem o objetivo de reparar desmandos e proteger o Judiciário, para que não se normatizem os precedentes do magistrado que agia arbitrariamente como acusador.

O ministro poderá ser um pouco mais incisivo, ou até um pouco mais brando. Mas, na essência, será isso que irá dizer, e a Terceira Turma terá então, com os votos de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, maioria para condenar Moro.

Celso de Mello não terá outra saída que não seja a defesa de um Judiciário torto e vilipendiado – que atua seletivamente, que pune pobres e negros, que deixa prescrever os processos contra corruptos da direita, que encarcera ajudantes de traficantes –, mas que se degradará ainda mais se aceitar com naturalidade as ações de Sergio Moro em Curitiba.

Celso de Mello aposenta-se em novembro, e Moro é candidato à sua vaga. Alguns dizem, por tentativa enviesada de antecipar seu voto, que o ministro não depreciaria a imagem de quem postula uma cadeira que terá ocupado por 31 anos.

Se for brando, o ministro poderá, por esse raciocínio, livrar-se mais adiante da acusação de que julgou com severidade um futuro substituto. Não há como ser contorcionista na hora da despedida.

O processo da suspeição de Moro não tratará apenas da Lava Jato, mas do que seus desvios justiceiros representam como ameaça ao Judiciário. Será o último ato de Celso de Mello. Não haverá como não ser histórico.


Publicado originalmente em Extraclasse.  

Em busca de uma comunidade de destino sustentável para todos

O crescimento da economia, ao aumentar
a oferta de bens e serviços, pode até nos tornar mais ricos,
mas está longe de ser a condição que nos tornará melhores.

Face a incisiva cultura capitalista e seu correlato paradigma dominante, a economia do crescimento, não me parece descabido considerar que cada um de nós, desde há muito, foi habituado a pensar e olhar para a estrutura da economia global exclusivamente pelo espectro do crescimento, da expansão da atividade econômica. Ao sabor de uma boa discussão, tem sido dito nas entrelinhas que cada “homem econômico” foi devidamente doutrinado a enxergar o sucesso de uma determinada localidade da economia observando-se tão somente a tendência ascendente da produção material e da geração de serviços.

Pela visão economicista que predomina, o sucesso econômico das nações (ou algo próximo disso), advém do aumento produtivo, mesmo no caso de se perceber, en passant, que isso tende a provocar certas ameaças à integridade do meio ambiente. Mas como a própria história do futuro ainda está para ser devidamente escrita, esse delicado ponto, não obstante a comunidade de ambientalistas elevar a voz em tom de protesto, permanece em aberto.

No entanto, interessa destacar o seguinte: caso se aprofunde a interação entre vida socioeconômica e mundo natural, perceber-se-á que é do fino ajuste da relação Homem-Terra-Economia que se subscreve a tarefa final que espreita o ser humano, realizar-se para uma vida plena. Essa é a questão definitiva.

E como se sabe que a economia desde a sua emergência (final do século XVIII) tem sido não apenas uma boa ciência, mas notadamente espécie de eixo articulador (enquanto atividade produtiva) que orienta os destinos humanos, é possível dizer que essa desejada condição – realizar-se para a vida plena – requer o alcance de boas orientações. Talvez a mais significativa delas seja a necessidade de “cambiar la economia para cambiar la vida”; premissa-chave defendida, entre outros, pela economista equatoriana Magdalena Léon.

Por fim, cabe chamar a atenção para um decisivo chamado: se a nossa espécie ainda tem a intenção de continuar fazendo parte do acervo biológico terreno, com convicção tenaz deve ser pronunciado que já passou da hora de mudar o comportamento existencial dos primatas, a começar pelo abandono da ideia corrente de que o crescimento econômico, ícone da modernidade, irá nos completar.

O crescimento da economia, ao aumentar de forma considerável a oferta de bens e serviços, pode até nos tornar mais ricos, aliás, disso ninguém duvida, mas está longe de ser a condição que nos tornará melhores. Com algum esforço, muitos afirmam que nos tornaremos melhores, de fato, caso consigamos construir uma comunidade de destino sustentável para todos.

E como já não é mais segredo algum que a comunidade humana se especializou em abusar das condições dos ecossistemas planetários (até mesmo ultrapassando em alguns casos as fronteiras ecológicas e assim comprometendo os sistemas geradores de vida da Terra), convém não perder de vista a narrativa feita por Kate Haworth: “a nossa geração é a primeira a compreender adequadamente os danos que temos causado ao nosso lar planetário, e provavelmente a última a ter a chance de fazer algo transformador em relação a isso”.

De tal modo, é desnecessário dizer às claras que isso exige imediata ação. Até mesmo porque, tomando como referência o que consta no preâmbulo da Carta da Terra, (…) estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro […] A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida […]

Semeando resistência

Dona Luiza embarcou na terça-feira, no ônibus em que eu estava. Trocamos poucas palavras no caminho até Brasília, pois ela estava sentada num dos primeiros bancos da frente e eu mais para o fundo.

Hoje sentei ao seu lado para assistir a segunda mesa de debate do dia, sobre capitalismo, patriarcado, racismo e violência. Enquanto aguardávamos o início, conversamos.

Ela me contou que durante a infância morou no interior de Lagoa Vermelha. Os pais morreram quando tinha 12 anos e como nenhum parente morava perto, ela ficou sob os cuidados de uma vizinha muito pobre, que por não ter condições de criá-la, deu-a em “adoção” a um homem quase 20 anos mais velho.

O homem abusava sexualmente dela e tornou-se seu “marido”. Tiveram 13 filhos, seis dos quais já estão mortos. Vítima diária de violência doméstica, Dona Luiza sobreviveu a espancamentos, tentativas de estrangulamento, fome, frio: tudo ocasionado pelo “companheiro”. Buscou a delegacia diversas vezes, tentando salvar a sua vida e a vida dos filhos, mas, como ela disse “porque eu sou analfabeta, pobre e moro na roça, eles me tiravam para mentirosa…sabe como é, né fia”. Resistiu, do jeito que pôde, aguentando a dor em silêncio.

Quando um dos filhos mais velhos se casou e foi morar num assentamento do MST, chamou a mãe para ir com ele. Ela queria, mas não sabia como se libertar das garras do marido, porque tinha medo que, por raiva, ele se voltasse contra aqueles que ela amava.

Um tempo depois, cansada de apanhar e não ter para quem pedir socorro, Dona Luiza juntou suas coisinhas, pegou as crianças e fugiu ao encontro do filho mais velho, na esperança de começar uma nova vida, com menos dor.

Foi acolhida pelo movimento e, em poucos meses, ganhou um pedaço de terra no assentamento Dom Orlando, que cultiva até hoje, plantando verduras, legumes e criando galinhas. “O MST me fez ser um ser humano e entender, mesmo que eu não saiba ler e escrever, o que é a exploração”, me disse, emocionada.

Pouco antes de começar o debate, que acompanhou atentamente, respondendo com ânimo a cada grito de ordem, Dona Luiza pediu se poderia tirar uma foto minha, para não me esquecer. Eu disse que sim, mas com uma condição: que eu também pudesse fotografá-la, ainda que tenha certeza que jamais vou esquecer sua história. Afinal, Dona Luiza é a materialização de tudo o que esse I Encontro Nacional das Mulheres do MST significa.

Sou solidário às lutas feministas. Além de solidariedade, quero dividir convicção de que o conhecimento, a valorização e a participação ativa na vida da sociedade são as mais importantes ferramentas para enfrentar a discriminação e a violência a que são injustamente submetidas mulheres do Brasil e do mundo”. (Nei Alberto Pies)
Veja mais aqui.

Autora: Vanessa Lazzaretti

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