Os exercícios, a vigília e os cuidados para melhorar os nossos pensamentos, dependem da capacidade de interligar os mesmos com a imaginação e com a materialização.
Todo ser humano tem as capacidades de pensar, imaginar e agir. No modo simplista de algumas abordagens conhecidas como “autoajuda”, a orientação central é pensar positivo.
Os exercícios, a vigília e os cuidados para melhorar os nossos pensamentos, dependem da capacidade de interligar os mesmos com a imaginação e com a materialização. Os condicionantes para as boas ações advém da boa energia, que se materializa de inúmeras formas, recebe diversas caracterizações, deve ser identificada e usada de modo apropriado.
Vale registar, ainda, a relevância de estarmos próximos, em sintonia e percebendo a energia abundante que vem da natureza. Para além disto, é valido referenciar as energias que movem as pessoas como a fé, a esperança, a organização, a disciplina, os bons hábitos, a defesa da vida, as palavras, os pensamentos e a imaginação.
A autoconfiança, a segurança pessoal e coletiva, passam pela mente, são representadas na imaginação, no pensamento e são de grande relevância para a materialização de uma realidade.
O neurocientista, Sidarta Ribeiro retoma as descobertas feitas por Sigmund Freud, salientando a importância da imaginação, simbolizada nos sonhos produzidos por nossa mente. Em um dos seus livros “O Oráculo da Noite – A História e a Ciência do Sonho”, defende que imaginação é fonte preciosa de insights para as nossas vidas. Os insights podem ser caracterizados com uma capacidade de criar soluções diante de problemas que que precisam ser resolvidos ou administrados.
As angústias diante das incertezas de uma época de mudanças profundas, ou mais do que isto, em uma mudança de época, devem mover as pessoas para superação das dificuldades e inseguranças.
No histórico do aprendizado humano, simbolizado na educação, seja ela formal ou informal, a segurança material da própria sobrevivência e a autoconfiança são de grande relevância para concretizar realidades específicas.
A revolução industrial e a inteligência artificial construídas pela humanidade permitem que o “básico” seja disponibilizado para todas as pessoas.
Essa realidade, escrita na última frase do parágrafo anterior, é material e deve ocupar a mente do maior número possível de pessoas.
Para que este movimento interligando a realidade material com o pensamento e a imaginação se expanda como ondas, precisamos difundir alguns aprendizados. Um deles é a importância dos encontros e as suas realizações, mesmo estando em diferentes espaços físicos. Outro é que não existiríamos sozinhos, somos dependentes de outros seres humanos e da natureza. Um terceiro, destacado neste texto, deve ser relacionado com a evolução da humanidade, reforçando a necessidade de uma postura ativa e protagonista, diante da necessidade de relacionarmos e interligarmos bons pensamentos, imaginação e materialização.
Em outra publicação no site, já escrevemos que “pensar e desejar a materialização de uma condição social de abundância, no contexto da pandemia, parece ser contraditório, mas é uma imposição para quem está comprometido com a evolução humana”.
Numa conversa com uma pessoa da comunidade ouvi a sugestão de colocar na frente da igreja de uma faixa com os dizeres “tenhamos fé, tudo vai passar”.
Certamente vai. O dizer explicita a esperança que está em nossos corações. Precisamos acreditar nesta superação. É a força que nos faz andar.
Ainda estamos no meio de um momento muito difícil, ainda inseguros e como medo, mas a fé ajudará atravessarmos esta tempestade. Para tanto, nos coloquemos em disposição de acolhida à orientação que Jesus deu ao discipulado na perspectiva das tribulações, “não tenham medo” (Mt 10,31).
Neste percurso, marcado pelo medo e insegurança, reconhecemos que Jesus está conosco e se faz o nosso companheiro, estendendo a mão quando estivermos cansados ou fraquejarmos (Mt 14,31). A fé gera a confiança, também o compromisso de colaborarmos para que tudo se resolva com serenidade.
A tarefa maior, a partir da nossa fé, é preservar a vida humana. A vinda de Jesus ao seio da humanidade estava voltada à preservação da vida como ele falou: “eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
A vida como bem maior, defendida por Jesus, parece algo dado como tranquilo, indiscutível, mas não é bem assim. Além das tantas vidas perdidas por violências, enfermidades e fome, estamos perdendo vidas por causa da COVID 19. Segundo os dados deste final de julho, passamos de noventa mil mortes e daqui alguns dias serão mais de 100 mil. Isto não é bom.
Infelizmente, ainda ouvimos expressões banalizando estas mortes. Recordemos. São vidas que se perdem, são famílias enlutadas, filhos sem pais, pais sem filhos e, em muitos casos, sem um rito de despedida, uma prece de adeus.
Não podemos compreender as mortes como normalidade, porque a vida, segundo a tradição cristã, está acima de todos os processos e deve cumprir seu ciclo deste a concepção até o seu ocaso natural.
O texto da Campanha da Fraternidade deste ano já fazia uma alerta sobre algumas situações envolvendo não só a vida humana, mas a vida do Planeta: percebe-se que não estamos cuidando como deveríamos deste amoroso presente divino.
Nosso Planeta adoeceu pela falta do respeito e cuidado humano. A preocupação chega ao ser humano.
Continua o texto: constata-se que chegamos a um ponto em que até mesmo a nossa condição humana mais profunda esbarra em uma série de angustiantes indagações. Certamente a pandemia aprofunda estas indagações. Nos damos conta da nossa fragilidade e que a pretensa onipotência, aliada à prepotência era vazia.
Lembremos a ideia de que somos um sopro, uma chama de vela vacilante, que pode se apagar a qualquer momento.
Já víamos de uma trajetória de descompromisso social com a vida das pessoas pobres, sustentado na cultura do descarte em vista do bem do mercado financeiro, segundo alerta do Papa Francisco: o ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que pode se usar e depois jogar fora. Assim, teve início a cultura do descartável, que aliás chega a ser promovida (…) os excluídos não são explorados, mas resíduos, sobras (EG 53). É um grande pecado que fere a Deus, pois todo o ser humano é criado amorosamente a sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,26).
Diante da enfermidade planetária, que tem afetado toda a criação e, de forma direta, a vida humana, temos de recuperarmos a dimensão do cuidado.
Sofremos uma boa chamada de atenção vinda da natureza. Acolhamos com humildade e tenhamos a disposição de nos recuperarmos no mundo criado, começando pelo cuidado com a vida humana. Ela está em primeiro lugar, sobretudo porque neste momento é a mais fragilizada.
Diante de ti ponho a vida e ponho a morte Mas tens que saber escolher Se escolhes matar, também morrerás Se deixas viver, também viverás Então viva e deixa viver (Padre Zezinho)
Autor: Pe. Ari Antônio dos Reis
Questões para aprofundar conhecimentos:
Segundo autor deste texto, qual é a relação que podemos fazer entre a vinda de Jesus Cristo ao mundo e a defesa da vida?
A defesa da vida deveria ser algo natural. Por que, então, ainda existem pessoas que banalizam as mortes de algumas pessoas, seja pela violência, fome, enfermidades ou pela COVID?
Qual é o plano de Deus, na visão dos cristãos, para com a vida do ser humano e a vida no planeta?
O mundo produz mesmo “pessoas descartáveis”? O que você pensa disso?
O empregado não saiu pro seu trabalho pois sabia que o patrão também não tava lá. Dona de casa não saiu pra comprar pão pois sabia que o padeiro também não tava lá E o guarda não saiu para prender pois sabia que o ladrão, também não tava lá E o ladrão não saiu para roubar pois sabia que não ia ter onde gastar. (Raul Seixas)
Nesse tempo de recolhimento compulsório da maioria da população mundial devido à pandemia do novo Coronavírus Covid-19, consolo-me, pois até o momento, ainda não tinha presenciado grandes tragédias que resultaram na morte de milhões de pessoas, como aconteceu nas I e II Guerras Mundiais, por exemplo. Pois é chegado o tempo.
Milhares de pessoas em todo o mundo estão perdendo a vida, levando-as governos à aflição. E o pior é que, por enquanto, ainda não há vacina para contê-la, bem como ninguém sabe ao certo o que virá pela frente sendo que, no Brasil, já há um grande o número de vítimas em apenas 05 meses. Então, o dilema é recolher-se e esperar pela produção de uma vacina salvífica.
Os leitores podem não acreditar, mas como professor de Literatura, tive o privilégio de ler e viver três pandemias, isto é, sentir como três obras ficcionais abordaram as pestes em tempos passados que também vitimaram milhões de pessoas.
A primeira, Decamerão, escrita pelo poeta italiano Boccaccio, em 1350. A segunda, A Peste, de Albert Camus, escrita em 1947; a terceira, o romance Ensaio sobre a Cegueira, escrita em 1995 pelo romancista português José Saramago.
Nas três experiências de leitura pude confirmar a tese de Heráclito de Éfeso de que “a guerra é a mãe de todas as coisas”, pois contém, pelo menos, a duplicidade, isto é, a vida e a morte, a doença e a saúde, o bem e o mal, o trágico e o heroico, o vírus e a vacina, o medo e a coragem, dentre outras antíteses.
Atualmente, em tempos da pandemia Covid-19, estamos em plena guerra, a qual já tem no Brasil, quase 100 mil vítimas. Soma-se a isso o desemprego, a fome, o isolamento social, os hospitais superlotados, as aflições e as doenças de ordem psicológica, dentre outros efeitos que virão num futuro bem próximo.
Se na guerra convencional a espera é pela paz, na pandemia do Coronavírus a espera é pela vacina anti-Covid-19.Nessa busca, há quatro laboratórios na corrida para proteger os humanos contra um vírus tão pequeno, mas tão letal. Isso é a pandemia real. Resta saber se haverá outras guerras pela posse, autoria e distribuição das vacinas.
No que se refere às pandemias ficcionais, digo literárias, Decamerão, de Boccaccio, redigido por volta de 1350, inaugura a prosa de ficção ocidental, sendo o pioneiro a reunir múltiplos contos para tecer uma estrutura complexa na forma de romance e novela. Nesse sentido, funda a tradição romanesca que se estende até os dias atuais e estabelece um modelo para o que viria a ser o conto ficcional e, mais tarde, a novela e o romance.
A obra junta cem narrativas contadas por sete damas e três cavalheiros que, para fugir da peste negra que afligia os habitantes da cidade italiana de Florença, se recolhem para passar o tempo e celebrar a vida, narrando histórias uns aos outros para ganhar tempo e para fugir do isolamento social.
A história parece se repetir com diferenças, sendo que, naquele tempo, a era industrial ainda estava longe da modernidade atual, predominando o mercantilismo. Por seu lado, em tempo de Coronavírus – Covid 19, exatamente na segunda década do Século XXI, mais precisamente entre os 2019 e 2020, explode a pandemia do novo Coronavírus na China, espalhando-se à Itália, Espanha, Inglaterra, EUA, Brasil, dentre outros países. O fato é que foi exatamente na Itália, na Lombardia, cuja capital é Milão, cidade industrial, que, há pouco, seu prefeito menosprezou a expansão da doença para fins de ter o agrado dos empresários. Porém, a doença matou milhares de pessoas. Vê-se claramente o desdobramento da história com suas semelhanças e diferenças.
A obra ficcional A Peste, de Albert Camus, foi publicado em 1947, um pouco após o fim da Segunda Guerra Mundial. O romance conta a história da chegada de uma epidemia na cidade argelina de Orã. A personagem principal é o médico Rieux, que combate a doença até o momento em que ela se dissipa depois de muitas mortes.
O narrador descreve como a população reage, indo da apatia à ação, bem como alguns profissionais se expõem aos riscos para enfrentar e eliminar a peste. Denuncia também que há oportunistas e aproveitadores, como um personagem que lucra com um mercado paralelo de produtos. Num primeiro momento, as autoridades insistem em esconder a doença, fato que Camus veria de forma crítica, no sentido de sempre nomear as coisas ao público. Por fim, há na obra o cuidado de se mostrar as coisas como elas são de fato. O livro fala que existem problemas de abstração, como a desinformação e a abstração, as quais geram histeria e comportamentos levianos ou xenofóbicos, como temos visto no Brasil.
Em A Peste, o número de mortes é anunciado diariamente numa rádio. Por outro lado, o narrador descreve algumas das mortes, o que faz os leitores senti-las de uma forma mais direta. Por coincidência, o que se verifica na imprensa brasileira é a divulgação do número de óbitos diários, que é informado diariamente pelas redes de televisão, rádios, jornais na forma de gráficos e bandeiras coloridas: branca, preta, azul, laranja e vermelha.
Por seu turno, o romance Ensaio sobre a Cegueira, publicado em 1995 pelo escritor português José Saramago, narra a história da epidemia de cegueira branca, a qual se espalha por uma cidade e vai acometendo um por um de seus habitantes, trazendo o caos e abalando as estruturas de uma sociedade civilizada. É um romance que não apela pelo engraçado e nem ao religioso, tanto que não há nele espaço à comicidade e à piedade. É uma obra que, mesmo sendo uma ficção, é bem detalhista e realista.
Contrastando com a cegueira preta, a cegueira branca é de natureza metafórica, pois ironiza a cegueira moderna, a qual não vê o óbvio, isto é, as injustiças, a fome, a corrupção, a falta de ética, a violência contra as mulheres, negros, índios e contra diferentes gêneros. O texto não questiona Deus, nem os governos, mas questiona o sistema de vida que rege as pessoas no cotidiano moderno e urbano que, feitas semáforos, sinalizam quando avançar ou parar, e que, por isso, confina as pessoas nos manicômios dos afetados pela falta de visão, isto é, pela cegueira branca. A obra também foi transposta para o cinema e o autor ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998. Parece que Saramago, alinhando-se aos antecessores Boccaccio e Camus, profetiza a Pandemia do Covid-19 para esse início do Terceiro Milênio.
Como “a guerra é a mãe de todas as coisas”, a pandemia do Covid-19, está deixando suas indeléveis marcas tanto de caráter positivo, quanto negativo. De negativo são, até o momento, as mais de 600 mil mortes no mundo e as quase 100 mil no Brasil; a fome e o desemprego; o isolamento social; a corrução na compra e distribuição das verbas ao combate do Coronavírus; a suspensão das atividades escolares, religiosas, culturais, esportivas e recreativas; as patologias de ordem física e psicológica, dentre outras, que deixarão cicatrizes por décadas.
Por seu turno, a pós-pandemia Covid-19, trará benefícios capazes de qualificar os padrões de higiene, convivência, solidariedade e ética, sem contar com os benefícios de ordem virtual e de enriquecimento linguístico. Mudarão o sistema de moeda corrente, o controle de doenças endêmicas, o sistema de ensino, educação, transporte, saúde, esportes, o emprego, a economia e a segurança.
Durante a Pandemia, por exemplo, já foram incorporadas à Língua Portuguesa inúmeros vocábulos, os quais se tornarão estrangeirismos em pouco tempo, tanto que os brasileiros comuns já sabem o que significam os termos ingleses lockdown, lives, delivery, home office, home school, loungs, drive thru, upgrade, hand over, hand in, e assim por diante. Quem sobrevir ao Covid -19 logo verá!
A guerra contra o novo Coronavírus traz em seu bojo elementos positivos e negativos que, quer queira, quer não, profetizam que a humanidade deverá dar uma guinada extraordinária a partir desse início do Terceiro Milênio, pois um poderoso e pequeno vírus mostrou que há algo muito mais poderoso e amedrontador a se enfrentar: a luta pela vida saudável, deixando-se as injustiças e as guerras convencionais na memória trágica da humanidade.
Graziela Bergonsi Tussi é uma professora que sempre buscou inovar em suas aulas. No tempo que viajava por conta de participar de um grupo de danças e cultura, trazia elementos culturais de países da América Latina para dentro de suas aulas. Participava ativamente da realização do Festival Internacional de Folclore em Passo Fundo.
É também professora de línguas, além de professora de Geografia.
Foi despertando também para a necessidade do uso das tecnologias para facilitar e promover a educação.
Neste momento em que a Pandemia do Covid exige o domínio e o uso das ferramentas digitais na educação, Graziela agora pode contribuir, de maneira solidária, seus conhecimentos para com outros colegas professores e professoras. Pode também apontar os potenciais do uso das tecnologias na educação.
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SITE NEIPIES: O que mais te realiza como professora?
Professora Graziela: Saber que estou fazendo a diferença na vida de alguém, com certeza. Temos a missão de mudar o mundo através do conhecimento, e quando percebemos que nossos alunos estão prontos para o mundo, que olham as experiências de maneira crítica e aprendem a manejar elas, temos nossa missão cumprida.
SITE NEIPIES: Qual a importância de ensinar geografia neste momento histórico (de pandemia)? Professora Graziela: A Geografia está em toda parte, e saber a importância dela para a educação, já é importante. Durante esse tempo de pandemia, mais importante ainda, pois é com essa disciplina que estudamos as Revoluções Tecnológicas e as implicações delas na vida das sociedades, podemos analisar mapas e dados sobre a epidemia, relacionar dados de países. Para nós, professores de Geografia, infelizmente, cada catástrofe é um prato cheio de novas informações e conhecimentos.
SITE NEIPIES: Quando, como e porquê você começou a se qualificar e estudar o uso das tecnologias digitais na educação?
Professora Graziela: Desde que comecei a lecionar, sempre utilizava muito o recurso audiovisual, principalmente a TV, por conta de documentários. Posteriormente, uma amiga minha professora da rede municipal me apresentou as Webquests, que apliquei com meus alunos algumas vezes, e comecei a gostar da ideia de ir além da pesquisa pela pesquisa. Em 2012 comecei a fazer um curso de especialização no Instituto Federal Sul-Riograndense, sobre Mídias na Educação, que aborda todas as tecnologias que podemos utilizar em sala de aula.
Sempre tive muita curiosidade em buscar um curso mais específico e, a partir desse, cursos de menor duração foram complementando meus estudos.
Nunca podemos parar de estudar, as tecnologias estão sempre se atualizando, modificando, e nós precisamos acompanhar, ou pelo menos conhecer. Agora, por exemplo, estou fazendo um curso de Aprendizado de Máquina, que tem relação com programação de computadores (trabalho com Informática Educativa nos Anos Iniciais). Ainda pretendo fazer Mestrado em Educação ou Licenciatura em Computação.
SITE NEIPIES: Como está sendo para você instruir e orientar outros colegas professores no uso de plataformas como ferramentas para aulas remotas e à distância?
Professora Graziela: Maravilhoso! Estamos aprendendo muito juntos, nos aproximando mais, apesar de estarmos distantes. Analisando fora da caixa, é muito parecido com a sala de aula de anos finais, cada um tem um ritmo de aprendizado diferente, alguns são mais focados, outros têm dificuldades, mas todos querem aprender.
Quando fizemos lives para fazer as formações, é muito bom, porque nos encontramos e parece que faz meses que não nos vemos. Para mim é realmente um privilégio poder fazer parte desse momento histórico da nossa rede, da nossa escola. Ao mesmo tempo, a responsabilidade é grande, o cansaço também… mas o resultado vai ser espetacular, com certeza.
SITE NEIPIES: Que mensagem você daria aos estudantes sobre o uso das tecnologias na educação? Professora Graziela: Vocês praticamente nasceram com um celular na mão, então aproveitem essa vantagem para aprimorar o conhecimento de vocês. Tecnologia não é só jogos, apesar de aprendermos muito com eles, há tempo para tudo. Aprendam a dividir o tempo de vocês, busquem em fontes confiáveis, cuidem o que vocês compartilham na rede e com quem vocês se relacionam. A vida era bem mais segura quando a gente só brincava na rua. E por favor, não esqueçam de ler livros.
SITE NEIPIES: Que mensagem você daria aos pais e mães sobre o uso das tecnologias na educação? Professora Graziela: Podemos aprender muito com as tecnologias, não podemos ir do oito ao oitenta. Nem deixar à vontade, nem proibir. Nesse tempo em que estamos em casa, utilizar a internet vai ser o principal recurso de acesso à escola, mas para tudo precisamos ter limites, não podemos sobrecarregar nossas crianças. Tempo para brincar, para ler um livro, para ficar com a família, para jogar. Porque se a gente não medir (e falo isso tanto para pais quanto para professores), em pouco tempo estaremos todos esgotados mentalmente. Deve ser algo leve e prazeroso, a tecnologia é nossa aliada, não vamos virar escravos dela.
SITE NEIPIES: Como imaginas o futuro da educação no pós pandemia?
Professora Graziela: Penso que jamais voltaremos ao que éramos, todos mudamos nosso pensamento sobre o que é educação. Aquilo que há anos lemos sobre o protagonismo do estudante, finalmente está sendo posto em prática. Estamos pensando em novas formas de avaliar, de interagir. E isso, quando voltarmos à forma presencial de aulas, com certeza se manterá, e espero que as atividades à distância se tornem um hábito, e que não precise de outra pandemia para que outra revolução aconteça.
Professora Graziela Bergonsi Tussi em live organizada pela professora Regina Costa dos Santos, falando da temática Plataformas digitais educacionais: impactos e desafios.
As ações humanitárias de uma pessoa revelam a sua consciência ética. Ela percebe que pode propiciar felicidade para si e para os outros.
O ser humano é o único “animal ético” que existe. Somente ele pode apresentar a consciência criativa, pensar de forma abstrata, na beleza, na tolerância, na bondade, na esperança, na gratidão, etc. e cultivar pensamentos elevados e nobres.
Ele tem a tendência inata a acreditar em Deus, um ser superior, criador de tudo e no que é belo, bom e verdadeiro.
A consciência ética é inerente ao ser humano, ela está presente no âmago de si, em potencial e precisa ser desenvolvida, estimulada a desabrochar pela educação, no verdadeiro sentido etimológico da palavra: “extrair de dentro”.
O processo de aprendizagem ética ocorre gradativamente com o autodescobrimento.
Em que consiste o autodescobrimento? É o despertar de si, do self, superando o ego. O despertar da identidade divina que cada um traz em si. É a capacidade de perceber-se um ser único, extraordinário, peculiar, diferente dos outros, com imenso potencial positivo a ser desenvolvido, que vai lhe propiciar a aquisição de valores, o senso de liberdade e de escolha de experiências que lhe cabe vivenciar.
O aluno do Ensino Religioso, no Ensino Fundamental, ainda está dominado pelo egocentrismo da infância, especialmente nos anos iniciais. Isto lhe dificulta o discernimento entre o certo e o errado, o bem e o mal, o bom e o pernicioso. A linguagem simbólica da Arte – a Literatura, a Pintura, o Desenho, a Música, a Dança, o Teatro – facilita a compreensão e aquisição de valores morais e das atitudes éticas coerentes.
Cabe ao componente curricular do Ensino Religioso ajudá-lo a descortinar as aquisições éticas indispensáveis à afirmação de si mesmo, através da introspecção, que é o processo de conduzir a atenção para dentro de si, para a análise das possibilidades íntimas que ajudam o amadurecimento psicológico.
Aprender a centrar-se em si, cria um clima de segurança emocional para a realização de cada ação proposta pelo professor do Ensino Religioso sobre a questão em pauta, agindo com calma, serenidade, confiança e rigor, percebendo o outro e o respeitando com suas peculiaridades e diferenças.
A reflexão sobre si mesmo ajuda o aluno a assumir sua identidade e humanidade.
As boas ações praticadas pela pessoa revelam o nível de desenvolvimento de sua consciência ética. Ela percebe que a prática do bem lhe dá felicidade, que é um estado de bem-estar que se irradia, alcançando os outros, como se fosse uma luz que se expande em todas as direções, ampliando o senso de responsabilidade pela vida que se expressa na Natureza.
O aluno vai ficar consciente que ser ético é ser agente do progresso, das edificações beneficentes e culturais de seu grupo social, começando pela família, escola e a sociedade.
Entenda neste vídeo explicativo, o que é Ética.
“A consciência ética é a conquista da iluminação, da lucidez intelecto-moral, do dever solidário e humano. Ela proporciona uma criatividade construtiva ilimitada, que conduz a santificação, na fé religiosa; ao heroísmo, na luta cotidiana e nas batalhas profissionais; ao apogeu, na arte, na ciência, na filosofia, pelo empenho que enseja em favor de uma plena identificação com o ideal abraçado”. (O Homem Integral – Divaldo Franco, p. 61)
As ações humanitárias de uma pessoa revelam a sua consciência ética. Ela percebe que pode propiciar felicidade para si e para os outros. Tem muita empatia que é a capacidade de perceber e sentir o que os outros sentem, buscando contribuir para minorar os problemas existenciais do próximo.
Encontram-se, na História da humanidade, inúmeros exemplos de pessoas que desenvolveram em alto grau a consciência ética, deixando, através de suas vidas, registros de obras beneméritas, revelando a capacidade de empatia que elas tinham de perceber os sentimentos dos outros e de buscar ajudar, iluminando suas vidas. Alguns destes personagens históricos: Madre Teresa de Calcutá, Mahatma Gandhi, Albert Schweitzer, Allan Kardec, Hans Christian Andersen, João Henrique Bach, Mozart, Villa Lobos, Mari Curie, Monteiro Lobato…
Autora:Gladis Pedersen de Oliveira, Pedagoga – Especialista em Educação (gladispedersen@gmail.com)
Bibliografia consultada
Oliveira, Gladis Pedersen – Educação: A Arte de Manejar o Caráter – Olsen Editora Idem – A Literatura e a Magia da Arte de Contar Histórias – Olsen Editora Rodrigues, Miriam – Educação Emocional Positiva – Sinopsys Franco, Divaldo Pereira – O Homem Integral – Leal Editora Idem – Vida, Desafios e Soluções – Leal Editora
Glossário
(Contribuições professora Nara Vidal)
Inata: que faz parte do indivíduo desde o seu nascimento; congênito. Que nasce com o indivíduo; inerente: características inatas. Âmago: a parte que fica no centro de qualquer coisa ou pessoa; parte central. Cerne. Egocentrismo: conjunto de atitudes ou comportamentos indicando que um indivíduo se refere essencialmente a si mesmo. Egoísmo. Introspecção: reflexão que a pessoa faz sobre o que ocorre no seu íntimo, sobre suas experiências etc. Observação e descrição do conteúdo (pensamentos, sentimentos) da própria mente. Beneméritas: Que ou quem ajuda ou faz o bem a outrem. = BENFEITOR
Proposta de uma atividade pedagógica
Esta atividade pode ser aplicada a estudantes de Sétimos Anos do Ensino Fundamental ou em turmas do Ensino Médio.
No Sétimo Ano, Unidade temática: Crenças religiosas e filosofias de vida, Objetos de Conhecimento: Princípios éticos e valores religiosos. Habilidades: (EF07ER06) Identificar princípios éticos em diferentes tradições religiosas e filosofias de vida, discutindo como podem influenciar condutas pessoais e práticas sociais. (EF07ER06RS-5) Identificar criticamente a relação entre fé, razão e ética.
Para aprofundar os conhecimentos, após leitura do texto:
A autora Gládis Pedersen fala da importância do autodescobrimento. O que é que é autodescobrir-se?
“As boas ações praticadas pela pessoa revelam o nível de desenvolvimento de sua consciência ética. Ela percebe que a prática do bem lhe dá felicidade, que é um estado de bem-estar que se irradia, alcançando os outros, como se fosse uma luz que se expande em todas as direções, ampliando o senso de responsabilidade pela vida que se expressa na Natureza”. Você conhece ou já fez uma boa ação, que te deu grande satisfação e retorno de felicidade? Descreva.
A autora cita pessoas com alto grau de consciência ética como Madre Teresa de Calcutá, Mahatma Gandhi, Albert Schweitzer, Allan Kardec, Hans Christian Andersen, João Henrique Bach, Mozart, Villa Lobos, Mari Curie, Monteiro Lobato. Faça pesquisa rápida na internet e escreva quem foram e o que faziam estas pessoas.
Crie uma frase, completando a afirmação: Consciência ética é…..
Veja este vídeo explicativo (https://youtu.be/xaoHPwa9sqk?t=18) e responda: Como posso saber se sou ético?(se não entendeu bem, assista novamente)
Discutir o racismo é relevante no nosso tempo histórico. Somente com análises críticas da formação da nossa história e do conhecimento da postura de seus sujeitos influentes é que poderemos compreender melhor o mundo que somos e o mundo que desejamos construir no agora, e logo adiante.
Uma boa publicação é aquela que é capaz de gerar grandes debates. Uma publicação nunca abarca a totalidade do pensamento, ainda mais quando é escrita na perspectiva do dialógica das crônicas.
Publicamos o texto Monteiro Lobato seria um racista? no último final de semana. Ao compartilharmos o texto em diferentes grupos nas redes sociais, percebemos o potencial de debate e questionamentos que este suscitou, levantando questões da vida pessoal e de relevância do autor/escritor Monteiro Lobato.
Decidimos, então, continuar conversando com os leitores do site, apresentando algumas repercussões de leitores e da própria autora, abordando as questões polêmicas levantadas. O legal é seguir conversando, levantando proposições, defendendo pontos de vista, que nada mais são do que vistas de um outro ponto. O leitor que nos acompanha tirará as suas próprias conclusões.
Discutir o racismo é relevante em nosso tempo histórico. Somente com análises críticas da formação da nossa história e do conhecimento da postura de seus sujeitos influentes é que poderemos compreender melhor o mundo que somos e o mundo que desejamos construir no agora, e logo adiante.
Somos muito gratos com aqueles e aquelas que se dispõem a um debate democrático e respeitoso, com o necessário respeito a todos os pontos de vista.
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Pablo Couto, professor de língua portuguesa e Mestre em Análise do Discurso, morador de Canoas, RS, escreve que “Monteiro Lobato era sim racista. Há uma vasta literatura falando sobre isso. O racismo está presente em sua vida pessoal, inclusive com críticas a Machado de Assis apenas pela cor da pele, e também em sua obra.
Não há anacronismo nenhum nessa afirmação, até por que vários intelectuais já rebatiam as suas ideias. Monteiro chegou a elogiar a Ku Klux Klan e lamentar que o Brasil não tivesse algo parecido.
Agora, concordo com você em um ponto: não acredito que ele deva ser silenciado ou excluído dos livros de história e literatura. No entanto, a contextualização do racismo em sua obra deve ser feita quando aparecer na escola. Deve-se abrir também uma discussão sobre as raízes escravagistas e suas consequências em nosso meio social”.
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Ricardo Jones, 60 anos, morador Porto Alegre, graduado em ginecologia, obstetrícia e homeopatia, ativista da humanização do nascimento, escritor e palestrante, escreve um texto que dividiu com a gente para manifestar seus pontos de vista.
Anacronismos
“Não há dúvida que Monteiro Lobato era racista. Mais ainda, era um eugenista, um entusiasta da KKK e um racista ATIVISTA, mais do que apenas um sujeito com preconceito racial. Foi membro da sociedade paulista de eugenia e divulgador dessas ideias, as quais – no início do século XX – tinham uma aura cientificista.
Todavia, esta não é a mais importante abordagem.
O que me parece urgente debater em tempos de “cancelamentos” a respeito da “questão Monteiro Lobato” é o quanto é possível “separar autor de obra” e se é adequado que sejam feitos julgamentos sobre figuras da literatura fora do devido contexto histórico. Ou seja, separar a obra das questões subjetivas de quem a escreveu e não sucumbir ao anacronismo – o julgamento de um sujeito apartado de seu tempo.
Nem é necessário ir muito longe. Na minha própria experiência pessoal existem claras lembranças de uma época em que tais ideias não recebiam da cultura o adequado contraditório. Ao longo de toda a infância eram comuns as piadas racistas, as quais eram contadas impunemente para qualquer um – inclusive por mim – pois eram tratadas na cultura como “brincadeira”, “chiste”, “jocosidade”, etc.
Não há dúvida, entretanto, do seu conteúdo racista e segregacionista quando exposto às luzes do século XXI. Usava-se da piada para encobrir um conteúdo separatista, um apartheid informal e subliminar, essencial e estrutural, que se expressava em uma forma extremamente potente de coesão cultural: o humor.
O mesmo ocorria com as piadas homofóbicas. Na minha época, um dos humoristas mais celebrados era o “Costinha”, um dos artistas mais engraçados do seu tempo. Entre suas piadas, 90% eram sobre gays, “bichinhas”, como ele dizia, homossexuais com atitudes afetadas. Hoje em dia suas piadas seriam um escândalo, mas apenas 40 anos nos separam do seu auge como piadista. Julgar Costinha – e não suas piadas – seria um anacronismo, assim como julgar Monteiro Lobato sem levar em conta o entorno cultural em que estava envolvido.
Outro aspecto é pensar sobre Monteiro Lobato e esquecer a vida pessoal – e até a obra – de tantos outros escritores. Devemos, por exemplo, esquecer a obra de Heidegger ou Celine por suas vinculações com o nazismo? Seria justo apagar a música de Michael Jackson pelas acusações que recebeu – em vida e depois dela – de abusos sexuais contra menores? É adequado esquecer o racismo explícito de Humberto de Campos e Fernando Pessoa (sim!!!) ou devemos sorver suas obras e descontar os erros de seu tempo?
E a defesa da pedofilia de Simone Beauvoir? Deveríamos relevar estas manchas em sua biografia e continuar aprendendo com seus textos precursores do moderno feminismo? Ou devemos também apagar todos os seus escritos?
E o que fazer com os feitos de médicos brasileiros como Miguel Couto, Roquette Pinto (médico e pai da radiodifusão no Brasil), Renato Ferraz Kehl e tantos outros que participaram da Sociedade Paulista de Eugenia? E quanto a literatura infanto juvenil? Vamos “cancelar” Lewis Carroll pelas acusações de pedofilia que foram feitas contra ele?
Deveriam as crianças todas do mundo ser privadas das aventuras de “Alice no país das Maravilhas” pela suspeita de uma falha ética do seu autor? Pior ainda: devemos destruir a obra de Woody Allen, falsamente acusado de abuso sexual, apenas para agradar a “patrulha”? E o que fazer com a pedofilia de Charles Chaplin?
Se um antropólogo achasse, mas areias da Galileia, um manuscrito essênio que revelasse uma mancha moral gritante de Jesus, seria justo acabar com o cristianismo em nome da purificação necessária para limpar esta mácula?
Há um adágio antigo que nos diz: “As virtudes são dos homens, as falhas são do seu tempo”. Eu li toda a obra de Monteiro Lobato na entrada da adolescência e não percebi nenhum racismo explícito nela. Não que não houvesse; ela estava evidente na topografia dos personagens, mas este racismo sutil ainda era invisível nos anos 70. Somente agora podemos percebê-lo para julgar sob esta nova perspectiva.
O mesmo digo dos outros autores.
Não há mal algum em apontar a pedofilia, o nazismo e o racismo nos autores. Também é justo mostrar estes erros nas obras que escreveram, mas é fundamentar não se deixar levar pelo anacronismo, julgando um sujeito fora do seu tempo e da cultura que o envolvia.
Monteiro Lobato e muitos outros devem ser mantido nas escolas exatamente para que se possa debater com os alunos sobre os valores de meados do século XX. Apagar a história, mesmo em nome de valores nobres, empobrece a cultura.
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Ipácio Carolino, do Movimento Negro em Passo Fundo, RS, contribui com a discussão posta pela publicação, com o envio desta reflexão que segue.
Dualidade… Ambivalência.
Somos seres compostos de duas metades, duas faces, luz e sombras. Potencializamos um lado, mas não anulamos o outro. Podemos encontrar pitadas de genialidade em alguém que demonstra ser ignorante e também acharmos doses de perversidade em quem se diz bom.
Quanto ao autor em questão, não há dúvidas de que é racista; suas obras e declarações provam isso. Quem o elencou à apreciação literária foi a elite branca. Nós, negros, somos maioria nesse país e nunca nos foi dada a oportunidade de escolher obras e autores que achamos importantes para apresentar à classe estudantil. Lembrem, nossas crianças negras também são estudantes.
A supremacia, ou a superioridade branca, sempre nos foi imposta, sempre nos foi colocada como norma, o que não significa que tenha sido por nós entendida e aceita como tal.
Estamos em tempos de profundas, necessárias e inevitáveis revisões históricas e conceituais. Todas as estruturas estão sendo postas à prova, todos os sistemas, instituições e lideranças, estão sendo questionados; negros não voltarão para a senzala, gays, não retornarão para o armário, a Amélia deixou de ser a mulher de verdade…
Nada será como antes. E não será, porque nós não queremos que seja.
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Para a escritora e filósofa Rosangela Trajano, a autora do texto “Monteiro Lobato seria um racista?”, “o escritor veste-se de mundos nunca antes visitados por outras pessoas, pois eles são criados entre a imaginação e a realidade vivida ao longo dos seus anos.
O contexto histórico diz à realidade como deve comporta-se e a imaginação usa essas imagens contextualizadas para falar daquilo que se vê, ouve e toca. Não podemos comparar o escritor com o cidadão nunca. Um vive na imaginação e o outro na realidade, os dois encontram-se no momento da inspiração divina dada pelas musas, como assim relata Platão no seu diálogo Íon.
Não foi surpresa a repercussão de tantos comentários e compartilhamentos no meu pequeno ensaio e fico feliz que ele tenha repercutido e criado várias discussões sobre ser Monteiro Lobato um racista ou não.
Na verdade, não quis deixar uma opinião formada, apenas expus o aspecto da sua literatura e ratifico que não vejo racismo nas suas lindas obras. Elas afirmam o conhecimento de mundo adquirido pelo autor ao longo dos seus anos expondo na sua literatura ficção e realidade, quem sabe um pouco mais de realidade seja possível encontrar em Monteiro Lobato. Talvez seja difícil para muitas perceberem isso, mas basta esquecer o cidadão Monteiro Lobato e deliciar-se com a sua obra que tão bem educa crianças e jovens.
Longe de mim defender o racismo, uma vez que sou mulher negra e sofro preconceito em vários lugares onde vou no meu país. Sei a dor que é sentir-se humilhada e tratada pela cor da sua pele.
Ninguém queira passar o que passo nas lojas de grifes, nos restaurantes de luxo ou quando vou comprar um objeto de valor significativo. Outro dia, um colega perguntou-me porque eu não cortava meu cabelo já que estava saindo feia nas fotos e escritor tem que sempre estar bonito.
Vale ressaltar aqui que meu cabelo é cheio de cachinhos. Sou neta de uma indígena e de uma negra que me contavam histórias belíssimas. O meu mundo não é branco com azul, mas negro da cor da noite sem lua.
Já chorei e fui para a delegacia prestar queixa de racismo quando quis comprar um relógio na loja de um grande shopping da minha cidade e o vendedor disse-me que era caro demais para eu comprar, levando-me para uma seção de relógios mais baratos. Disse-lhe que queria o que gostei, e ele insistiu perguntando se eu tinha visto o preço porque a cor da minha pele não combinava com o relógio da vitrine e nem com o seu valor.
A quem pensa que não sei o que é racismo, está enganado. Eu sou vítima desse crime quase todos os dias, basta sair de casa com as minhas sandálias de borracha e minha mochila de pano nas costas. Lá vai a nega amostrada, isso eu ouço “carinhosamente” da minha vizinha do outro lado da rua que já é uma senhora branca e cheia de afeto por mim, mas ela não sabe o mal que me faz todas às vezes que diz isso.
Não julguemos as pessoas pelo que escrevem. O girassol não deve ser julgado quando está recolhido na madrugada fria, mas ao meio-dia quando mostra o seu rosto ao mundo”.
Não podemos deixar as crianças sozinhas com suas dúvidas, como fizemos na tenra idade, ou seja, tratá-las como depósitos de conhecimentos. O ensino hoje é reflexivo e exige interpretação de textos, gráficos e mapas.
Vivemos tempos difíceis no mundo inteiro no que concerne à saúde e à educação dos nossos filhos. Antes éramos sufocados pelo trabalho fora de casa e não tínhamos tempo para cuidar das nossas famílias. Estávamos sendo robotizados, a diferença é que ainda sonhamos, e as máquinas, não.
Como nos falou Zygmunt Bauman, “Amores líquidos e Tempos líquidos”, ou seja, tudo se desfaz rapidamente, tudo cessa com o passar do tempo, nada é para sempre.
No entanto, com o início da pandemia e a recomendação da OMS – Organização Mundial da Saúde – para que fizéssemos o isolamento social, de repente, tudo parou.
As crianças deixaram de ir à escola, e nós começamos a trabalhar “home office”. Adaptar-se a esse novo modelo de trabalho tem sido um desafio para nós adultos, imagine para os jovens e as crianças estudantes do mundo inteiro.
A educação de jovens e crianças foi bruscamente atingida e os pais se vêem às voltas com seus filhos na frente das telas de computadores, muitas vezes compartilhando horários com as suas tarefas. Não para jogar videogame ou para acessar as redes sociais, coisas que eles, os filhos, bem sabem fazer e já virou prática nos seus cotidianos. Não! A coisa agora é outra.
Os pais se viram no dever de estudar junto com seus filhos, tirar as dúvidas deles, ajudar nos exercícios escolares e, dessa vez, sem poderem contar com a ajuda das secretárias do lar ou babás porque elas não podem ir trabalhar para não infectar as famílias ou serem infectadas.
O cuidado é grande. Em casa, apenas a família: pai, mãe e filhos. E agora? O que vamos fazer com os nossos filhos? Como vamos incentivá-los nos estudos se estamos assoberbados de trabalho?
Os pais não têm escolhas. É hora de sentar na frente do computador e assistir à aula online em que professores driblam todas as dificuldades tecnológicas, as distâncias e as metodologias nunca antes aprendidas para dar o melhor de si.
Os pais estão estudando junto com seus filhos, ou seja, reaprendendo o que viram quando mais jovens ou mesmo na infância. Muitos têm falado que é uma experiência incrível poder tirar a dúvida do filho; outros acham complicado porque não conseguem mais se lembrar da lição vista há tantos anos.
Tenho amigos que estão nesse dilema. Nos últimos dias, quando ligo para meus amigos, sempre escuto a mesma conversa de que não podem mais cuidar da casa e trabalhar direito porque estão estudando, junto com seu filho, matemática, a saber, máximo divisor comum e mínimo divisor comum, assunto visto no sexto ano do Ensino Fundamental.
Meu irmão me ligou para saber quem tinha inventado o conceito de habitus na sociologia, pois meu sobrinho de doze anos de idade estava estudando Pierre Bourdieu pela aula de sociologia online, e ele, o pai, nunca tinha ouvido falar sobre esse sociólogo.
Minha amiga com pouco mais de setenta anos, poetisa e cordelista, se viu às voltas com um problema sério outro dia com seu netinho, uma vez que a professora pedira na aula online para ele citar qual a função de uma mitocôndria, organela celular, coisa que ela, a avó, estudou no antigo segundo grau há mais ou menos trinta e cinco anos.
A verdade é que os pais saíram do comodismo e se viram estudando com seus filhos assuntos os mais diversos. Recordaram-se das suas vidas escolares.
Os pais engenheiros que mal sabem rabiscar uma poesia tiveram de estudar Carlos Drummond de Andrade; pais médicos que mal sabem desenhar tiveram de aprender para ajudar o filho no desenho do mapa da América Latina, enquanto pais advogados tiveram de aprender o novo conceito da antropologia “decolonial” para explicar a seus filhos o significado.
Não está sendo fácil essa nova rotina para os pais. Alguns não vêem a hora de ver os filhos voltarem à sala de aula presencial, outros se divertem ligando para os amigos atrás de auxílio. O importante é que a lição ensinada pela aula remota seja aprendida, e os exercícios, resolvidos.
Afinal, não podemos deixar as crianças sozinhas com suas dúvidas, como fizemos na tenra idade, ou seja, tratá-las como depósitos de conhecimentos. O ensino hoje é reflexivo e exige interpretação de textos, gráficos e mapas.
Os pais estão vendo a importância de nunca deixar de rever o que foi estudado na juventude e os saberes interdisciplinares tão importantes nos dias atuais. Não é mais valorizado o especialista em alguma coisa, mas aquele profissional que se destaca em várias áreas do conhecimento, por isso o ensino se dá de forma interdisciplinar com os conhecimentos ligados uns aos outros.
O divertido nisso tudo é que a maioria das crianças e dos jovens acaba ensinando a seus pais coisas que estes não sabiam ou haviam esquecido, como fez a sobrinha de um amigo ao lhe explicar como ocorre o processo de fotossíntese nas plantas.
O ensino remoto tem seus problemas, porém uma coisa podemos afirmar: aproximou pais e filhos.
Em casa, sozinhos, os alunos não têm a quem pedir ajuda senão a eles, os pais, e são estes que ajudarão na escrita da redação para o ENEM, apontando erros de ortografia e gramática. Claro que sempre com a ajuda do professor da escola através da aula online, a questão é que o professor fica apenas cerca de quarenta a cinquenta minutos com o aluno, enquanto os pais têm o dia inteiro para estudar com seus filhos. E quanto maior o tempo de estudo maior será a aprendizagem.
Esperamos que o ensino remoto nos traga boas experiências ou que, pelo menos, solidifique uma proximidade maior entre pais e filhos no ensino-aprendizagem, seja na escola, seja em casa. Os frutos de tudo isso virão em breve. Para a minha surpresa, vi um amigo poeta discutindo química no nosso grupo de poesia, isto é, pelo visto já estamos colhendo os frutos.
Um salve a nossos heróis professores, que estão se desdobrando nesse novo modelo de ensino.
A tarefa dos pais e mães na educação de seus filhos e no seu acompanhamento na escola tornou-se mais complexa e sofisticada. Veja boas dicas desta especialista, Sueli Ghelen Frosi, da Associação dos Pais do Brasil.
Aos professores e professoras, damos a missão de educar e instruir as nossas crianças. É verdade que eles devem instruir com afeto, mas não sozinhos.
Toda criança precisa de amor. Na minha infância, estudei numa escola onde a criança que não soubesse a tabuada aritmética decorada levaria palmadas nas mãos. Eu morria de medo daquele castigo e aos sete anos já sabia toda a tabuada.
Os castigos antigamente eram comuns na vida das criancinhas. Ficar ajoelhado em cima de vários caroços de milho, ir dormir com fome, dormir no escuro mesmo com medo dos monstros e o pior deles ser trancado num lugar fechado sozinho, como eu fui.
Não se deve bater numa criança ou colocá-la de castigo num canto escuro da casa para aprender a ter bons modos ou a tarefa escolar. O ensino não combina com maus tratos.
Nenhuma criança deve ser chamada de burra porque tem dificuldades de aprender. É inaceitável que os pais ou responsáveis invadam as suas privacidades. Fica proibido assustar crianças dizendo que o homem do lixo vai levá-la embora ou que um monstro irá engoli-la na madrugada.
Defendo uma educação com afeto, pois o que fazemos com as nossas crianças hoje será refletido na vida adulta amanhã. Tudo o que uma criança vive e ouve ela guarda dentro de si e mais tarde vem à tona seja num sintoma emocional ou agressão física aos coleguinhas e pessoas próximas, por isso vemos alguns morderem os outros sem motivos aparentes. É preciso amar antes de chegar perto de uma criança, conhecer o verdadeiro sentido do amor.
Quando falo de amor refiro-me às emoções e sentimentos bons que devemos guardar na alma, tais como o respeito e o perdão ao próximo. Precisamos aprender o que é o bem na sua mais singela essência para só assim nos aproximarmos das crianças que são pessoas especiais que buscam na gente proteção e carinho.
Em outra publicação no site, já defendemos que “o afeto que o professor dedica a seus pequenos alunos faz com que eles sintam confiança no que está sendo ensinado, despertem para a curiosidade e a admiração”. Veja mais aqui.
Se não lhes damos isso, onde procurarão? Em estranhos nas redes sociais ou nas portas das escolas, principalmente àqueles que lhes oferecem uma bala ou brinquedo.
Amar é…. amar é ser paciente e buscar sempre compreender o choro da criança, a dificuldade de aprendizagem, a raiva e a timidez. Amar é respeitar a vontade da criança, não falo das birrentas, mas daquelas que desejam coisas possíveis de receberem, que não nos custará quase nada dar-lhes.
Uma das coisas que mais precisam as crianças dos dias atuais é de atenção e confiança nos pais, responsáveis e professores. A confiança é essencial para uma criança aprender tanto as tarefas escolares quanto a tornar-se uma boa pessoa. Confiar que o outro não vai nos deixar cair, que o outro não vai nos abandonar, que o outro vai nos ensinar tudo o que sabe sobre aquele dever de casa difícil de fazer.
Educar uma criança não é nada fácil, pois estamos acostumados a viver correndo, temos pressa para tudo, nunca paramos para um café ou conversa com os amigos, imagine com um ser pequenino.
Entregamos as nossas crianças às escolas e corremos para o trabalho sempre apressados. Não percebemos quando as nossas crianças estão chamando a nossa atenção seja através do recolhimento dentro do quarto e distância dos amiguinhos, seja no pavor de uma pessoa próxima da família. O que mais tarde irá causar doenças psicológicas e físicas.
Aos professores e professoras, damos a missão de educar e instruir as nossas crianças. É verdade que eles devem instruir com afeto, mas não sozinhos.
O tempo que a criança passa na escola é bem pouco em relação ao que ela passa em casa. Assim mesmo os professores esforçam-se para amar os seus alunos contando-lhes histórias, declamando poesias, brincando de ciranda. São os professores que estão salvando a instrução das nossas crianças nesses tempos de isolamento social, inventando-se a cada dia, criando metodologias de ensino nunca antes vistas. Assunto que quero discutir em outro momento.
O importante é saber que o professor precisa amar o seu aluno sem impor-lhe o seu conhecimento goela abaixo, mas fazendo-lhe refletir em cima dos diversos assuntos ensinados sobre a importância da sua aprendizagem.
Para que professores cuidem bem das nossas crianças é preciso que as salas de aulas sejam ventiladas, ou seja, com janelas, vasos de flores, cartazes com imagens alegres e coloridos e limpas.
Há esforços de professores que ensinam em escolas públicas com paredes rachadas e goteiras, apesar de tudo eles amam os seus alunos, mas jamais poderão oferecer um ensino de qualidade, pois lhes falta o básico que é o bem-estar dos seus alunos. Nenhuma criança vai se sentir bem num espaço onde as paredes podem desabar a qualquer momento.
Atualmente, os professores fazem uso da tecnologia para dar aulas e algumas escolas já mantém os professores mais distantes dos alunos. Porém, ainda há escolas onde os professores pegam na mão da criança e a ajuda a cobrir a letrinha, a pintar o desenho do gato e a colar a gravura no papel. É preciso sentir o calor humano. Crianças gostam de proximidade.
Professores sabem o que é amar uma criança. São eles que ensinam, na maioria das vezes, aos pais e responsáveis.
Dêem mais atenção aos nossos professores. Certa vez, um deles me salvou da depressão. O professor pode salvar a sua criança do desânimo, da desistência, da indisciplina e até mesmo de conquistar os seus objetivos. Conheci uma professora que abraçava os seus alunos antes de entrarem em sala de aula todos os dias, e outra que inventou uma fadinha que escrevia cartas para eles todas as semanas.
Professores são criativos. Abro aqui um espaço para abraçar os professores dos lugares mais longínquos do Brasil que sequer têm giz para escreve no quadro-negro e continuam com amor no coração ensinando as nossas crianças. Viva o amor! Viva o professor brasileiro.
Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil, afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola, para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos.
Genocídio, classificado por jurista polonês Raphael Lemkin: “… destruição de uma nação ou grupo étnico”. Está acontecendo no Brasil?
A declaração do ministro Gilmar Mendes sobre o envolvimento dos militares no que, a cada nova contagem de mortos pelo coronavírus, mais se parece com um genocídio, provocou forte reação da caserna. A verdade, é que o ministério mais parede um quartel, recheado de militares, que, presume-se, pouco entendem do assunto.
Agora, a jurista Deisy Ventura, especialista entre pandemias e direito internacional, uma das maiores autoridades mundiais no assunto, afirma que há todos os elemento necessários à tipificação de crimes contra a humanidade na resposta do governo brasileiro à covid-19: intenção, plano e ataque sistemático.
Para ela “no que se refere à população em geral, acredito que há o crime de extermínio, artigo sétimo, letra b, do Estatuto de Roma. É também um crime contra a humanidade. E, no caso específico dos povos indígenas, minha opinião é de que pode ser tipificado como genocídio, o mais grave entre os crimes contra a humanidade.(…)
O governo brasileiro assumiu, desde o início da pandemia o comportamento que tem até hoje: de um lado o negacionismo em relação à doença e, de outro, uma ação objetiva contra o governos que tentam dar uma resposta efetiva à doença.”
E ela justifica a política de extermínio: “ todos os estudos têm nos mostrado que as populações mais atingidas são as populações negras, são as populações mais pobres, são os mais vulneráveis, entre eles também os idosos e os que têm comorbidades”.
A jurista cita várias atitudes do Presidente como a de criticar o fechamento de escolas, a de vetar o uso de máscaras e a obrigação dos estabelecimentos comerciais de afixar o número máximo de pessoas que deveriam estar lá dentro. Veta o uso de máscaras no sistema carcerário, nos templos e estabelecimentos de ensino. São vetos contra a saúde pública.
Mais. O atraso na sanção da norma que liberava recursos financeiros para os Estados. O Congresso aprovou a ajuda e o presidente retardou o máximo a sanção à lei que dava socorro financeiro aos Estados, muitos sem recursos para comprar sedativos e respiradores.
Com relação aos povos indígenas o tratamento é criminoso. Só em 7 de julho, sim, 7 de julho (!!??) foi aprovado o plano emergencial para enfrentar uma emergência que foi declarada pela OMS em 30 de janeiro e, pelo Brasil, em 3 de fevereiro. Se não bastasse, o presidente da República vetou a garantia de acesso à água potável aos povos indígenas.
Foi vetada, igualmente, a obrigação de organizar o atendimento de média e alta complexidade nos centros urbanos, foi vetado o acompanhamento diferenciado dos casos que envolvam indígenas, inclusive foi vetada a oferta emergencial de leitos hospitalares e UTI.
Também vetada a inclusão dos índios nos planos emergenciais de atendimento dos pacientes graves das secretarias municiais e estaduais, que inclusive obrigada o SUS a fazer o registro e a notificação de raça e de cor. Foi vetada a obrigação de explicar para os indígenas a gravidade da doença!
“Fica claro o ódio a população que é considerado pelo governo como inferior e subalterna, como indígenas e negros. São aqueles que atrapalham seus interesses e são considerados por eles obstáculo do ponto de vista da racionalidade econômica que defendem”, acrescenta a jurista.
Genocídio, foi classificado em 1943 pelo jurista polonês, Raphael Lemkin: “Por genocídio entendemos a destruição de uma nação ou grupo étnico”.
Harmonizando nosso Eu, poderemos acalmar a mente e encontrar um pouco da Paz de que precisamos. Depois disto, sim, tome suas decisões.
Vamos com calma, pois dados estatísticos se prestam a interpretações. A verdade é que a procura pelo termo “divórcio online gratuito” cresceu 9900% no período de 13 a 29 de abril e a busca “Como dar entrada em um divórcio” teve aumento de 82% segundo dados divulgados pelo Google Brasil. Isso não quer dizer que o número de divórcios aumentou de forma absurda, mas sim, que há muitos casais insatisfeitos com seus relacionamentos e que tal procura por informações reflete apenas a realidade.
De fato, somente em São Paulo em um escritório especializado em separações de clientes de classe média, durante o mês de abril, houve um aumento em 177% de pedidos de separações.
Tais informações referem-se a um levantamento de dados globalizado, tendo como fator a pandemia. Nele, além do Brasil, países como China, Portugal, EUA, Itália, África e Austrália também tiveram contabilizados aumentos de pedidos de divórcios.
A obviedade é que as rotinas das famílias foram transformadas: com os filhos ficando em casa por não ter escolas ou creches para ir, com muitos profissionais sendo demitidos ou tendo reduzidos seus salários e horários, com todas as atividades profissionais sofrendo implicações – algumas podendo ser realizadas em casa – aumentaram os níveis de estresse, ansiedade e casos de depressão (sem falar de transtornos compulsivos exacerbados nas bebidas, cigarro, comida, gastos online…).
Considerando o exposto, outros estudos apontam para aumento de consumo de medicamentos ansiolíticos, antidepressivos, vitaminas e todos aqueles que alguma fake news “tiver dito” ser eficiente no combate ao covid-19.
Vale lembrar que automedicação é um (infeliz) hábito incrustrado na cultura nacional mesmo antes da pandemia.
Por tudo isso, a saúde emocional pode ser afetada independentemente de faixa etária ou de colocação social, e, no caso de casais, a retomada de equilíbrio não passa necessariamente pelo fim do relacionamento.
O fato é que a pandemia apenas revelou a realidade de algumas famílias que já vinham sofrendo abalos: pais que mal conversavam com os filhos, casais que dedicavam-se até altas horas em seus trabalhos ou estudos, saídas de happy hour com amigos, futebol, academia, tudo o que poderia servir de pretexto para minimizar os contatos dentro de casa parou! Por causa disto, muitas pessoas foram obrigadas a ficar em um lugar onde menos ficavam nas 24 horas: na própria casa.
É possível reverter a situação? Quanto ao Covid-19 sim, é uma questão de tempo, agora, quanto aos danos emocionais, muitas atitudes precipitadas neste momento poderão ser motivos de sofrimento pelos próximos meses ou anos.
É preciso que o “fique em casa” signifique também nos reencontrarmos e abrirmos as portas de nossa casa mental, puxarmos um banquinho, e sentarmos nele para uma reflexão. É harmonizando nosso Eu que poderemos acalmar a mente e encontrar um pouco da Paz de que precisamos. Depois disto, sim, tome suas decisões.
Em outro artigo, publicado no site, escrevemos que “está mais do que na hora de aprendermos a viver pela Lei do Amor. Assim, há que se propor um exercício de reflexão, o de que é sempre melhor estar na condição de quem possa dar do que na daquele que precisa receber. Há uma troca de alegrias na solidariedade – não interessa de que lado estejamos – onde somos contagiados ante tanta felicidade! É a ação do amor”.