Estudar as emoções é como mergulhar na alma da criança e iluminar cavernas com a luz do sol para que as sombras desapareçam e permaneçam apenas as ideias reais e sem sustos.
As crianças
pequeninas ainda não sabem como lidar com as suas emoções, por isso necessitam
de pessoas que lhes ajudem a enfrentarem seus medos, angústias, aflições,
raivas e perdas.
É preciso dizer a
criança que ela não está sozinha com essas emoções e que nos preocupamos com
ela, por isso o ensino da inteligência emocional na sala de aula é tão
importante.
Quando as emoções não
são bem cuidadas, o pranto vem como consequência. O professor deve estar
preparado para saber lidar com a inteligência emocional dentro da sala de aula,
de forma que as crianças se sintam confiáveis e zeladas por alguém que as compreende.
Quando uma criança souber que um adulto compreende
as suas emoções é muito bom, pois sabe que não está sozinho nesse mundo difícil
de enfrentar.
Vivemos muitas
emoções o tempo todo. Lidamos com a raiva, as perdas, a ansiedade e tantas
outras emoções que nem sabemos qual mais nos aflige, assim são as crianças
diante das suas avaliações, testes de conhecimentos, competições esportivas,
olimpíadas de matemática, astronomia ou português.
A cada teste que a
criança é submetida, desencadeia-se dentro dela uma tensão emocional que faz
roer as unhas, que dá dor de barriga, que faz tremer as mãos e suar em excesso.
Esses sintomas físicos são causados pelas emoções sentidas na alma.
Como o professor deve ensinar a inteligência
emocional às suas crianças?
Primeiro, ele deve
contar às crianças histórias que falem de emoções, conversar sobre essas
histórias e suas personagens, mostrar às crianças uma solução e o mais
importante dizer para elas que podem vencer as emoções por mais difíceis que
pareçam.
A fragilidade dos laços na criança do mundo contemporâneo tem crescido nos últimos anos, igual à fragilidade dos laços no mundo dos adultos. As crianças não ficam mais presas a um amigo, animal ou brinquedo. Tudo é trocado por objetos tecnológicos de última geração.
Atualmente, temos vários livros com temas ligados a inteligência emocional para crianças que podem auxiliar o professor em sala de aula. O importante é não deixar a criança ficar ansiosa por demais com algo que pequeno, ou seja, não permitir que a criança crie monstros dentro de si antes mesmo de vivenciar o problema.
Sofrer por antecipação não é bom para ninguém,
principalmente para as crianças que estão conhecendo coisas novas todos os
dias.
A inteligência
emocional ajuda a criança a lidar com as dificuldades e os problemas diversos
que podem surgir na sua vida de uma forma menos dolorosa. Enfrentar a perda de
um parente ou de um animal de estimação é algo doloroso por demais, porém se a
criança sabe lidar com as suas emoções esse sofrimento tende a diminuir ou ser
repassado para outras atividades como a música, o desenho, a poesia e o
esporte.
Antigamente, os
professores se preocupavam apenas com a inteligência cognitiva dos seus alunos
deixando-os a mercê das dificuldades do mundo. Hoje, com um mundo que exige
cada vez mais que nos tornemos competitivos e seguros diante daquilo que
buscamos, precisamos cuidar das nossas emoções para alcançarmos os nossos
objetivos.
O quociente intelectual está sendo substituído pelo quociente emocional, ou seja, se a criança é capaz de lidar com problemas
lógicos de uma forma tranquila e sem ansiedade.
Escrever textos
reflexivos sobre a vida exige habilidades maiores do que simplesmente
conhecimentos de língua portuguesa, história e geografia, mas que a criança
saiba utilizar as emoções para descrever o que está no seu pensamento de forma
a trabalhar as suas ansiedades e expectativas diante do mundo.
Vivemos num mundo de
relações descartáveis onde hoje temos um amigo e amanhã ele já não está mais
entre nós, as crianças precisam aprender a lidar com isso. Um mundo onde os
nossos pais se separam e cada uma vai para o seu lado. É preciso que a criança esteja preparada
emocionalmente para aceitar coisas assim.
O contato com a inteligência emocional logo nos
primeiros anos proporciona um crescimento diante das grandes dúvidas da vida,
das angústias e aflições que somos submetidos o tempo todo.
É preciso levar a
inteligência emocional para as salas de aulas de todas as escolas públicas do
nosso país com certa urgência, pois só assim reduziremos a indisciplina e
aquelas crianças tímidas poderão ter mais oportunidades para se conhecerem mais
trabalhando com os amiguinhos as emoções que muitas vezes ficam escondidas
dentro delas até a idade adulta.
Chorar, sofrer, ficar
ansioso, faz parte da vida de toda criança saudável, o que torna-se um problema
quando isso passa a ser duradouro e persistente.
A inteligência
emocional trabalha com aquilo que há de mais bonito na gente, ou seja, as
emoções que muitas vezes só aparecem quando somos submetidos a situações novas.
O novo causa espanto e medo, por isso as crianças devem vivenciá-los sempre que
possível seja fazendo visitas a parques ecológicos, laboratórios de pesquisas
ou leituras de livros paradidáticos.
Uma criança nunca
chora por nada, se ela chora é porque algo está a perturbá-la. A melhor coisa
que o professor deve fazer, nesse caso, é investigar a causa daquele pranto
conversando com a criança, mostrando que se importa com ela.
Crianças com inteligência emocional tendem a
absorver o ensino-aprendizagem de forma mais rápida e eficiente. Elas não têm
medo de errarem por que sabem
que todos erramos, logo não ficam tão ansiosas diante das avaliações.
Estudar as emoções é
como mergulhar na alma da criança e iluminar cavernas com a luz do sol para que
as sombras desapareçam e permaneçam apenas as ideias reais e sem sustos.
O aluno que recebe afeto do professor também passa a conhecer mais as suas emoções e aprende a conviver com indivíduos de pensamentos diferentes sem se preocuparem se são ou não amados.
Gladis Pedersen é espírita. Escritora e pedagoga que recolhe histórias através da Coleção Conte Mais. Uma exímia contadora de histórias.
Hoje com 74 anos, mantém-se uma grande entusiasta dos potenciais de
todo e de cada ser humano e da educação. Em sua atuação, já foi Presidente da
Federação Espírita do RS, uma estudiosa e uma “mensageira” dos conhecimentos e
práticas da Doutrina Espírita.
Por anos seguidos, participou do CONER-RS (Conselho do Ensino Religioso
do Estado do RS), sempre defendendo o Ensino Religioso no paradigma
Inter-religioso. Atualmente, desenvolve um projeto que reúne Espiritualidade e
Meio Ambiente.
Conheçamos Gladis por ela mesma, nesta entrevista exclusiva ao site.
Pedersen contará um pouco da sua história de vida, de seus intensos e
importantes trabalhos como pedagoga, dirigente espírita, palestrante e
escritora.
NEI ALBERTO PIES: Conte-nos de onde surge e como se mantém este seu
grande entusiasmo pela educação e pela literatura?
Eu era muito jovem quando comecei a lecionar, lidando com crianças e adolescentes. Na prática docente, percebi quanto a linguagem simbólica da arte (história, desenho, música, dramatização) era recurso extraordinário para a aprendizagem dos alunos, pois mexia com suas emoções e sentimentos, especialmente a literatura. Notava que os alunos se identificavam com os personagens das histórias, viviam suas emoções: medo, tristeza, alegria, afeto, raiva e quanto essas experiências os aliviavam de seus conflitos pessoais.
NEI ALBERTO PIES: Quando e por que te tornaste escritora?
Sempre leio muito; é meu hobby. Busco, nos diversos autores da
literatura mundial, a mensagem positiva que eles passam através dessa arte. Na
tarefa docente, seguidamente escrevia textos curtos para trabalhar com os
alunos.
No ano de 2.000, junto com uma equipe de educadores, coordenamos o
resgaste de cerca de 250 histórias com propósitos morais edificantes. Em 2003
lançamos, pela Editora Francisco Spinelli (FERGS), os quatro livros da Coleção
Conte Mais com essas histórias. Logo a seguir, fomos coordenando a edição de
livros ilustrados infantis com as fábulas e contos dos livros 1 e 2. Em 2013,
lancei o livro “A Literatura e a Magia da Arte de Contar Histórias”, na Feira
do Livro de Porto Alegre e, no ano seguinte, na 28ª Feira do Livro de Passo
Fundo, que teve com o tema “A Literatura Através das Gerações” onde a capa de
meu livro foi a inspiração para o cartaz daquela feira. Foi o primeiro livro de
nossa Olsen Editora. Por esta editora continuamos escrevendo livros voltados à
área da educação, para pais e professores, dentro de nossa visão de mundo,
assim como publicação de obras infanto-juvenis.
NEI ALBERTO PIES: Fale-nos um pouco da Coleção Conte Mais? Quais seus
objetivos? Como a senhora reúne tantas histórias?
A Coleção Conte Mais, nos livros 1,2,3 e 4, reúne cerca de 250
histórias resgatadas no Rio Grande do Sul e que foram organizadas por faixa
etária e tema moral para facilitar a utilização por pais e professores.
O volume 1 contém fábulas, do gosto de crianças pequenas; o volume 2,
para crianças maiores, reúne histórias que envolvem a família, a escola e a
sociedade, com situações de vida real, e algumas fábulas. Os volumes 3 e 4
reúnem histórias fictícias e reais, biografias de vultos da história da
Humanidade, que deixaram exemplos de vida que nos servem de modelo. Para a
elaboração desse trabalho contamos com a prestimosa colaboração da professora Eloína
Lopes e de Sônia Alcade, ambas de Bagé, RS, da professora Lucimar Mantovani
Laidens, na revisão dos livros, e de Paulo Afonso Eberhardt na editoração
eletrônica, ambos de Passo Fundo, RS.
NEI ALBERTO PIES: Quais questões do Espiritismo a senhora mais gosta e
mais aborda em suas palestras, “como mensageira espírita?
A questão da importância da família como primeiro grupo social da
criança; a responsabilidade dos pais para educar e encaminhar os filhos; a
questão das fases que o ser humano passa na vida: infância, com suas
características, adolescência, como etapa de busca inquietante da identidade,
época de crises naturais que precisam ser enfrentadas pelos jovens com o apoio
dos pais e educadores. Nessas duas fases é indispensável dar à criança e ao
jovem o sentido verdadeiro da vida.
A idade adulta e fase da maturidade serão decorrência das duas anteriores.
O outro tema é a questão da importância de Deus, como nosso Pai e Criador, e de
Jesus como nosso irmão e Mestre, guia e modelo da Humanidade.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a importância do Ensino religioso
Inter-religioso na perspectiva de uma formação humana integral?
A importância do ER, inter-religioso, é fundamental na formação integral do aluno. Precisamos atender à dimensão moral, emocional e espiritual da inteligência deles. A religiosidade básica inerente a cada um de nós, independe da crença religiosa institucional que abraçamos, ou da não-crença que se adote. A educação no mundo ocidental tem privilegiado a dimensão intelectual da inteligência em detrimento das demais dimensões.
NEI ALBERTO PIES: Quais são as novidades da Nova BNCC para esta área do
conhecimento?
Encontramos, na proposta para o ER na BNCC, a relevância no foco da
necessidade de o aluno reconhecer-se e cuidar de si, do outro, da coletividade
e da natureza (Ecologia) enquanto expressão de valor da vida, enfocando a
necessidade de estimular o educando a construir seu sentido pessoal de vida, a
partir dos valores, princípios éticos e de cidadania que as informações e
reflexões desta área de conhecimento propiciam.
NEI ALBERTO PIES: O que significa o Estado do RS estender também ao
Ensino Médio, a área de conhecimento do Ensino Religioso?
O RS está um passo à frente neste sentido, em relação aos demais
estados brasileiros. A fase de adolescência rica de perspectivas de indagações
pelo sentido da vida, a busca pelo transcendental, pelo sagrado, peculiar a
essa fase, coloca a colocação do RS na vanguarda da educação integral do aluno
do Ensino Médio no Brasil.
NEI ALBERTO PIES: Por que é tão importante “conhecer as diferentes
religiões com o propósito de respeitá-las”?
Não se pode respeitar algo que não se conheça nada ou se conheça pouco sobre o assunto. O conhecimento das diferentes religiões, suas cosmovisões, ritos, mitos, adeptos proporcionam maior entendimento e compreensão sobre cada uma e a possibilidade de comparação entre uma e outra abordagem, leva à reflexão e à mudança de comportamento do aluno. Ele aprende a respeitar o outro e à sua crença, liberta-se do comportamento antifraterno, preconceituoso e fanático, fendo empatia e respeito pelo outro.
NEI ALBERTO PIES: O que a senhora aprendeu nestes longos anos de
participação no CONER-RS?
O que mais nos marcou nessa caminhada, junto com outras denominações
religiosas, foi o diálogo aberto, a fraternidade, a busca de consenso e a luta
irmanada pelo direito do aluno do ER como componente curricular da proposta
pedagógica da escola. A luta foi vitoriosa. Aí está o ER apresentada pela BNCC
como área de conhecimento.
NEI ALBERTO PIES: Que projeto é este, que a senhora coordena, que
envolve Espiritualidade e Meio Ambiente?
É um projeto quem está em gestação. A natureza, com suas leis, precisa
ser entendida e respeitada como obra da Criação Divina, assim como o Ser
Humano.
A interrelação das diversas disciplinas do ER deve estar relacionada
com a necessidade de preservação do Meio Ambiente.
Em 2015 lançamos, na Feira do Livro de Porto Alegre, o livro ilustrado
infantil “Sapiente, o Sapo Sabido”, pela Olsen Editora. Também lançado na Feira
do Livro de Lagoa Vermelha RS, com o objetivo de promover reflexões sobre as
consequências da poluição do meio ambiente sobre os seres vivos do planeta.
Esta obra está sendo utilizada por escolas coordenadas por Secretarias
Municipais de Educação em parceria com Secretarias Municipais de Meio Ambiente
para estimular, nas escolas, a criação de hortas escolares, pomares e outras
atividades relacionadas à preservação do meio ambiente.
NEI ALBERTO PIES: Na sua visão, por onde e por quem passa o futuro da
civilização e da humanidade?
O futuro da nossa civilização está nas mãos das pessoas de bem e de bom
caráter, para as quais a vida tem profundo sentido material e espiritual.
Percebemos o surgimento de uma nova geração de pessoas voltadas para o bem
comum, com mais capacidade de empatia e respeito pelo outro. Este aparente caos
vai passar e a humanidade viverá um futuro de paz, alegria e prosperidade. Não
é uma visão utópica, é certeza. Continuamos fazendo a nossa parte, trabalhando
com a educação infantil e com jovens. Acompanhamos o esforço hercúleo de muitos
professores nessa luta pelo bom combate na educação.
NEI ALBERTO PIES: Que mensagem deixas aos nossos jovens, tão ávidos por
realização e sentido de vida?
Que os jovens observem mais a natureza, vejam o nascer e o pôr do sol,
as estrelas à noite, a lua, respirem fundo o ar puro, encham os pulmões,
sintam-se plenos. Plantem sementes e vejam as plantas nascerem. As sementes
guardam a vida doada por Deus, indispensável à nossa manutenção.
Desliguem-se um pouco da comunicação virtual. Procurem a conversa
direta com os outros. Conversem olhando nos olhos dos outros. Escutem a voz do
outro, suas dores, queixas, alegrias. Sejam úteis, colaborem no lar, na escola,
na comunidade, nunca percam o entusiasmo. Não esqueçam que todos vocês são
cidadãos do Universo.
NEI ALBERTO PIES: Que mensagem deixas aos professores e professoras que
vivem tempos tão difíceis para cumprir finalidades de humanização através da
educação?
Que não percam a esperança! O professor é o agente que promove a
mudança, representa a chave para a melhoria do mundo. Nas suas mãos está o
futuro.
NEI ALBERTO PIES: Como te defines numa frase.
Sou uma pessoa otimista e dinâmica.
NEI ALBERTO PIES: O que mais tens vontade de dizer?
É sempre um prazer interagir com pessoas como tu, interessadas no bem
da Humanidade. Permaneço à disposição para tratar de assuntos dessa natureza.
Obrigada pela oportunidade de trabalho.
Há 25 anos trabalhando como psicóloga, em consultório, Tanize Vieira atende, prioritariamente, o público de crianças, adolescentes e jovens.
Em sua trajetória
profissional, Tanize teve oportunidade de perceber mudanças de comportamentos e
mudanças na percepção do papel e da função do profissional e terapeuta
psicólogo.
Nesta entrevista, contará
as motivações pessoais para o exercício da profissão, suas aprendizagens, suas
percepções sobre a importância do psicólogo ou psicóloga, sua compreensão sobre
as maiores dificuldades pelas quais passam as novas gerações de crianças,
adolescentes e jovens.
Esta entrevista faz parte
da Série Profissões Educadoras que
editamos ao longo dos últimos 5 anos de existência do site.
Conheçamos Tanize Vieira por ela mesma. Ela revela, com simplicidade e profundo conhecimento, importantes aprendizagens pessoais e profissionais como psicóloga.
NEI ALBERTO PIES: Como,
quando e porquê decidiste ser psicóloga?
Foi na infância, aos 8
anos de idade, não me recordo de que maneira, mas descobri que psicólogo era
uma pessoa que ajudava outras pessoas e isso chamou muito minha atenção. Desde
então, sonhava em ser. Mais tarde, no ensino médio, tive contato com uma
profissional e aulas introdutórias à psicologia o que ajudaram a confirmar esta
minha vontade de ser psicóloga.
NEI ALBERTO PIES: O
que mais te realiza na profissão nestes mais de 20 anos atuando em consultório?
O que me realiza é
perceber o resultado humano, a singularidade de cada um. Tanto o resultado de
apenas uma consulta, em perceber a pessoa saindo mais leve, aliviada, quanto o
resultado a longo prazo, em perceber a mudança, a evolução de uma pessoa que se
libertou de seus traumas.
Perceber
que ajudei uma alma é uma gratidão tremenda.
NEI ALBERTO PIES: A
sociedade já entendeu a função e o papel do psicólogo ou psicóloga?
A informação agora é muito
mais acessível, então percebo grande evolução no entendimento da profissão de
um psicólogo. Porém, ainda há muito estigma por parte dos mais antigos,
principalmente homens, que tentem guardar as mágoas ou tentar resolver sozinhos
com o clássico “não sou louco, porquê vou me tratar?!”.
Percebo
que os jovens são mais abertos para discutir sobre saúde mental, a importância
de um profissional, e em ser proativos em busca de tratamento.
NEI ALBERTO PIES: Quem
trata os outros, também se trata?
Claro, já fiz terapia e
isso me ajudou a compreender minha própria alma, medos, dificuldades, dores e
sonhos. É muito importante estar preparada para separar minha história da do
paciente, conseguindo assim lidar melhor com os processos que envolvem uma
sessão psicológica.
NEI ALBERTO PIES: Qual
é o foco da tua abordagem terapêutica com crianças, adolescentes e jovens?
Tenho como lema pessoal e
profissional esta citação de Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as
técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
É de suma importância
conhecer diversos métodos pois cada pessoa é única e eu, como profissional,
utilizo disto para adaptar a melhor abordagem para as necessidades do paciente,
mas antes e acima de tudo, o meu próximo.
NEI ALBERTO PIES: O
que ainda explica tanta dificuldade dos pais e mães aceitarem tratamento ou
terapia psicológica e psiquiátrica?
Pois muitos pais, a
necessidade de recorrer a um psicólogo atesta a sua incapacidade como cuidador
e criador, é como se fosse uma confirmação de “eu falhei”.
A
abordagem do meio da criança envolve as relações mãe-criança-pai-criança o que
desperta sentimentos de responsabilidade e, as vezes, culpa.
Quando o psicólogo entra
nestas dificuldades e formas de conflitos, há uma tendência dos pais em querer manter
o status-quo e conservar o padrão de relacionamento, fazendo os pais não
colaborar, boicotar ou interromper o tratamento.
NEI ALBERTO PIES: Na
sua visão, o que provoca tanto sofrimento e distúrbios psíquicos em nossas
crianças e jovens?
Este é um tema complexo e
analisa as mais diversas camadas sociais, desde o micro ao macro.
Por um lado, percebemos
mais distúrbios pois a conversa sobre a saúde mental é mais presente, não mais
se esconde o filho doente, a integração e o diálogo agora são diários.
Por
outro, esta geração coincidiu com o boom tecnológico e informacional com o qual
nós não fomos criados (eu mesma tenho muita dificuldade com esta parte). Esta
dualidade causa muita confusão na criação de nossas crianças.
Além deste meio cultural, mudamos
de paradigma socioeconômico. Como vimos anteriormente, as relações
mãe-criança-pai-criança são responsáveis por boa parte da formação, e, e com
pais e mães sobrecarregados nesta rotina de produção, pecamos no afeto e temos dificuldades
de vínculos afetivos, relacionamentos e controle das emoções: uma família
estressada gera uma criança instável. Sociedade doente, família doente, filhos
doentes.
NEI ALBERTO PIES: Por
que pessoas de 13 aos 35 anos de idade estão no grupo de maior risco de
suicídio, segundo dados mais recentes sobre o tema? As necessidades, aflições e
comportamentos das crianças mudaram muito ao longo dos últimos tempos. Se
mudaram, porquê?
Recentemente, ando lendo
os ensaios do filósofo Byun-Chul-Han, nascido na Coréia do Sul, porém formado
na Alemanha. Byun, em seus ensaios, faz uma análise muito única do ponto que
nos encontramos como sociedade e pessoas, e os motivos de tanta depressão e
aflições.
Deixo como recomendação,
aliás, dois de seus ensaios: A sociedade
do cansaço e Agonia de Eros.
Em seus livros, Byung
compara a nossa geração como a geração do Dever,
como a Sociedade da Disciplina, muito focado em Foucault. Fomos criados com
este senso de dever, com a ameaça da punição e da negatividade como um todo, ou
seja, nossa violência vêm de fora, do outro.
Já as gerações atuais, de
nossas crianças, adolescente e jovens adultos, juntamente deste boom
tecnológico e informacional (o qual Byung é veemente contra) é analisada como a
geração do Poder, como a Sociedade
do Desempenho.
A partir de um determinado
ponto, a sociedade do dever não foi mais capaz de suprir a produção, “o dever
se choca rapidamente com seus limites”. Alteramos a motivação da sociedade como
um todo para suprir esta produção. O dever
agora é poder. O famigerado Yes We
Can.
Como empreendedor de si
mesmo, “o apelo à motivação, à iniciativa e ao projeto é muito mais efetivo
para a exploração do que o chicote ou as ordens.”
Vemos esta mudança como
algo positivo, (o que com cautela o é) porém, o que não percebemos é a
violência, agora, vem deste excesso de positividade que é a Sociedade do
Desempenho: “todos nós podemos, oras! É só se esforçar! E se caso falharmos?
Bom, a culpa é sua, você não se
esforçou o suficiente.”
A
violência não é mais externa, através do dever, do outro, disciplina e ameaças,
a violência, agora, é o que Byung chama de violência neuronal, nos tornamos a
vítima e também o algoz da nossa própria mente.
Esta mudança de paradigma,
ilusão de liberdade, a urgência esmagadora para que produzamos, mostremos
resultados (e obviamente falhemos em alguma etapa, errar faz parte) e
consequentemente a autocondenação por não suprir esta produção insuprível – Sociedade do Cansaço – é um grande responsável pelo crescimento das
doenças neuronais, síndrome de burnout, depressão, em nossas crianças e jovens
adultos.
NEI ALBERTO PIES: Um
psicólogo ou uma psicóloga em cada escola é um bom caminho para o enfrentamento
da depressão, da ansiedade e de outros distúrbios psíquicos das crianças e
jovens?
Claro, como dito
anteriormente, a violência neuronal é cada vez maior e é necessário a
orientação profissional, intervenção, prevenção e formação da saúde e
inteligência emocional.
Porém, ainda vejo o acesso
ao profissional da saúde mental como elitizado, poucas pessoas conseguem ter
acesso a um tratamento regular e de qualidade, o investimento é alto.
É necessário aproximar o
profissional psicológico, principalmente da população de mais baixa renda, à
saúde mental. Nossas crianças serão o futuro da sociedade, vejo como o ponto
mais importante o suporte desde cedo.
NEI ALBERTO PIES: Como
a escola e os serviços de psicologia podem fazer parcerias?
Tanto o educador quanto o
profissional psicológico trabalham com o humano.
Acho interessante a integração da atuação de ambos dentro e fora da sala de
aula. Com um diálogo próximo e troca de informações se pode orientar para
melhor trabalhar e lidar com o conflito diagnosticado.
NEI ALBERTO PIES: Que
mensagem deixas aos jovens e adolescentes?
Se pudesse resumir em uma
única palavra, seria aceitação. Cada ser humano tem seu potencial e
dificuldades. Que o jovem não tenha medo de se olhar, não para se culpar dos
erros ou acertos, mas para buscar sempre sua evolução como ser humano, capaz de
compaixão e carinho. Aceitar a si mesmo, aceitar o próximo.
Nos últimos anos, escolas vem adaptando
comemorações que envolvem as famílias de seus estudantes. Com as novas
configurações da família, escolas estão adaptando comemorações de Mães e Pais
por Festas da Família. Além de respeitar a diversidade da formação das famílias
na atualidade, escolas promovem e valorizam a integração entre todos os
sujeitos que fazem parte da comunidade escolar: estudantes, professores e
professoras, funcionários e funcionárias, pais, mães, avôs e avós, tios e tias,
padrastos e madrastas.
Na cidade de Passo Fundo, escolas públicas da rede municipal estão fazendo as suas primeiras experiências de homenagens às famílias, promovendo encontros que chamam de Festas ou Encontros de Famílias.
Nesta matéria, contaremos um pouco da experiência
de duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental: EMEF Benoni Rosado e EMEF
Zeferino de Costi. São experiências ainda bastante incipientes, mas que já
demonstram os acertos destas escolas. A primeira escola fez, em 2019, a
primeira experiência. A segunda escola, fez a experiência pelo segundo ano
consecutivo.
Destacamos que, independente das formas de ser e de
configurar, o que importa é que as famílias sejam uma comunidade de amor. O
amor tudo suporta, tudo supera. Para dar conta dos enormes desafios de conviver
em família, o amor é a base de todas as relações familiares e interpessoais.
Conheça avaliações destas comunidades escolares,
começando com a EMEF Zeferino de Costi.
A diretora da Escola Neuza Brazaca Rego, com mais de 20 anos
de experiência como professora, faz a sua consideração.
“Nossa escola Zeferino Demétrio Costi fez neste ano a II
Festa da Família. Pensamos em fazer desta maneira para poder envolver todas as
famílias que cuidam de nossas crianças. Percebemos que, quando fazíamos
homenagem às mães, os pais também se faziam presentes. Quando homenageávamos os
pais, as mães também vinham junto. Também temos os avós que se envolvem de uma
maneira ou de outra no cuidado dos netos, vem trazer, buscar seus netos na
escola. Crianças que vivem só com a mãe, com pai e avós, com avós, com duas
mães. Para que nossas crianças se sentissem bem e não excluídas de uma maneira
ou de outra, fizemos a experiência e percebemos que acertamos”.
Ouvimos
também a professora Reni Baldo, envolvida
na preparação de apresentações de alunos para comemorar a integração da família
e escola. Baldo considera que “a festa da
Família como um momento de encontro e homenagens. Percebe-se que esta forma de
trazer a família de cada estudante para a escola foi bem aceita e mostra que
aos poucos estamos dando espaço para a realidade contemporânea onde as diversas
configurações familiares estão cada vez mais presentes no contexto escolar.
Todos sabemos sobre a importância da parceria entre escola e família, se desejamos uma educação de qualidade para que crianças, adolescentes e jovens assumam progressivamente o protagonismo de sua aprendizagem através da aquisição de autonomia no aprender a conhecer, no aprender a a fazer, no aprender a conviver e no aprender a ser. (4 pilares da UNESCO). Escola e família precisam estar conectados e conscientes da função de cada um para que a educação de qualidade aconteça.
Tivemos o
prazer de ouvir ainda um pai e uma mãe de alunos que se posicionaram favoráveis
a este tipo de atividade na escola envolvendo as diferentes configurações da
família na atualidade.
Wagner Pacheco, pai de estudante do primeiro
ano do Ensino Fundamental, primeiro ano de escola, argumenta que “atualmente, a formação da família
brasileira exige a compreensão de que a diversidade vive em cada lar. A escola
do século 21 precisa compreender que o respeito às diferenças só fortalece os
laços afetivos.
Ana Cláudia Lanza Colvero, mãe de aluna do oitavo ano do
Ensino Fundamental e professora da escola, avalia que “a segunda festa da família da escola ZDC foi com certeza uma
experiência muito emocionante. Participando sempre de todas as
apresentações tradicionais, há anos na minha atividade docente, vejo este
momento como inovador, contemplando os vários tipos de famílias. O envolvimento
de todos os segmentos da escola confirma o sucesso que foi esta edição”.
Ouvimos também a diretora a EMEF Benoni Rosado,
professora Gisela Oliveira. Esta
escola realizou em 2019 a primeira atividade das Famílias. Em anos anteriores,
reunia as mães em maio e os pais em agosto.
“O
primeiro encontro das famílias na escola foi realizado no dia 10 de agosto de
2019, na EMEF Benoni Rosado.
Esta data
foi incluída no calendário escolar de 2019 após avaliação com professores e equipe
diretiva das datas comemorativas voltadas ao Dia das Mães e Pais. Percebendo
uma ênfase maior e desproporcional em envolvimento no Dia das Mães e, através
de um consenso, a comemoração dessa data foi substituída pelo “Encontro das
Famílias na Escola”.
O
objetivo desta comemoração é aproximar a família da escola e possibilitar que
assim se fortaleçam os lados de união e comprometimento dos familiares com a
vivência do amor.
A
avaliação do primeiro encontro foi positiva e animada. A presença das famílias
superou os encontros anteriores. Devido a boa aceitação da comunidade escolar,
sugere-se a permanência desta data no calendário escolar do próximo ano”.
A família é uma árvore de
amor
Existem
no mundo diferentes famílias. Família grande, família pequena… Família com pai,
mãe e filhos, família com casal e um cachorro, família com pai e filhos,
família com mãe e filhos, família com dois pais ou duas mães, família em que os
avós são os pais, família de sangue, e família de coração.
A família
é o amor que plantamos em solo fértil, com raiz forte e que cultivamos e
cuidamos constantemente, para que brotem belas flores e bons frutos. Não é à
toa que se compara a família a uma árvore. Afinal, o que é a família senão
vários galhos unidos pela mesma raiz, e sustentados por um tronco comum, que
precisa ser forte para suportar as intempéries da vida.
A família é feita de laços para durar. Não importa se é família de sangue ou de
coração. O importante é que exista amor. As famílias de verdade são formadas
por pessoas unidas, que se apoiam incondicionalmente, que querem o bem do
outro, que se sacrificam reciprocamente sem pedir nada em troca, que celebram
as conquistas e alegrias da vida juntas, e que oferecem os ombros como suporte
para a dor e para o choro.
Há
famílias que são planejadas, plantadas desde a primeira semente. Há famílias
que brotam por acaso, em um solo pouco fértil. Mas as famílias realmente
felizes, são aquelas que nutrem a vida de amor! (Autoria desconhecida)
A literatura da Sueli Ghelen Frosi é palavra que tem poder social, que brota de uma mulher que não consegue assistir, inerte, as injustiças, mas usa uma ferramenta poderosa para mobilizar e sensibilizar as pessoas de seu entorno para melhorar a vida de todos.
A literatura ao longo de sua trajetória vem provando que uma de suas funções primordiais é a humanização do ser, que transforma a vida através da linguagem. Porém, a literatura só exercerá completamente sua função se tiver um comprometimento social.
Assim, a linguagem tem o poder, de através da arte da palavra, abrir horizontes, vislumbrar mundos e apresentar através da reflexão a esperança social. Isso tudo, podemos comprovar na poética de Carlos Drummond de Andrade: “Uma flor nasceu na rua! Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto… É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”.
As denúncias das
injustiças sociais, comprovamos na obra, por exemplo, de Castro Alves: “Negras
mulheres, suspendendo às tetas/ Magras crianças, cujas bocas pretas/ Rega o
sangue das mães… Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós,
Senhor Deus! Se é loucura… se é verdade/Tanto horror perante os céus?!” E,
nessa leva de literatura engajada socialmente, temos Eça de Queiroz, Machado de
Assis, Aluísio de Azevedo e outros.
Por que estou falando tudo isso? Porque alguns dias atrás, preparei o roteiro de uma entrevista e fiz a conversa no Programa Literatura Local, na TV Câmara de Passo Fundo com a colunista, filósofa, escritora e apresentadora, Sueli Ghelen Frosi e me dei conta que a sua literatura tem um engajamento com as reflexões do mundo, do ser humano e da mais profunda reflexão social. Assim, Sueli usa a palavra para denunciar, refletir, fortalecer e esperançar.
A literatura da Sueli é palavra que tem poder social, que brota de uma mulher que não consegue assistir, inerte, as injustiças, mas usa uma ferramenta poderosa para mobilizar e sensibilizar as pessoas de seu entorno para melhorar a vida de todos. Portanto, essa escritora combate a opressão que permeia nosso meio social. Dessa forma, o seu discurso derruba todas as barreiras excludentes, sejam elas, físicas, sociais e raciais.
Assista a maravilhosa entrevista que Sueli Ghelen Frosi concedeu em programa na qual ela é a apresentadora.
Para mim foi um grande prazer ter vivido essa experiência de entrevistá-la, pois assim posso entender, por que os livros estão sendo alvo de boicote ou de censura, pois a literatura que não se preste a denúncia, ou a reflexão para humanizar é palavra jogada ao vento, é chuva que não acaba com a seca é água que não mata a sede.
Disfarçado de “racionalização e otimização de custos”, o brutal enxugamento imposto pelo governo Leite sufoca a qualidade da educação, desestrutura a organização pedagógica, onera profissionais e, em última instância, prejudica o aprendizado.
Uma professora de matemática traça duas linhas paralelas no quadro negro. A lousa é dividida em três partes iguais, mas a aula não é de geometria. Cada terço apresenta conteúdos de grades diferentes; 3º, 4º e 5º ano do Ensino Fundamental. A educadora se desdobra para evitar a dispersão dos mais de 50 estudantes e ministrar três aulas em uma.
A escola fica em Porto Alegre e figurou recentemente no noticiário gaúcho. Mas a cena se repete em toda a rede estadual. Passados mais de seis meses do início do ano letivo, a crônica falta de profissionais tem levado um número alarmante de instituições a adotar o expediente da multisseriação – quando alunos de anos desiguais frequentam a mesma classe.
No meio rural, essa é a forma de organização predominante. Dada a baixa densidade habitacional, professores com formação específica atendem alunos de diversas idades no mesmo espaço, ligados pelo senso de comunidade próprio a quem vive no campo.
Já nas escolas urbanas, a multisseriação é uma anomalia do sistema. Trata-se de uma dupla violação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Primeiro, uma ofensa ao Art. 62, que limita a 30 o número de alunos por turma do 2º ao 4º ano. Depois, um completo desprezo pela carga horária mínima prevista no ano letivo, de 800 horas para o Ensino Fundamental.
Em 45 minutos de aula, cada estudante receberá apenas 15 de conteúdo adequado ao seu nível de escolaridade. Isso no cenário fantasioso de partilha perfeita do tempo, com uma educadora sobrecarregada e uma classe superlotada de crianças. Convém acrescentar que o atendimento personalizado às necessidades de cada estudante é em absoluto comprometido.
Disfarçado de “racionalização e otimização de custos”, o brutal enxugamento imposto pelo governo Leite sufoca a qualidade da educação, desestrutura a organização pedagógica, onera profissionais e, em última instância, prejudica o aprendizado.
Quando o IDEB gaúcho apresentar um desempenho aquém do desejado, não faltará quem responsabilize os educadores. Nós, apesar dos salários atrasados e congelados, da desvalorização e do descaso, fazemos a nossa parte. E o governo, quando fará a sua?
Autora: Helenir Aguiar Schürer, presidente do CPERS/Sindicato e professora do Estado.
Estamos em mais uma Semana
Farroupilha ou da fantasia. Autoridades e a mídia passam tecendo loas sobre a República
Rio-Grandense e seu lema calcado na liberdade, igualdade e humanismo,
devidamente cabresteados pelo MTG. A história, mais uma vez, será deixada de
lado. Uma tradição inventada renova-se a cada Semana Farroupilha e invade até as
salas de aula.
A fantasia toma ares de realidade. Rádios, jornais, televisão preferem adular o conservadorismo e a ignorância para garantir sua “audiência”. Na verdade foi uma “república de estancieiros”, na qual à peonada coube apenas “dançar”, que vendeu negros para se financiar e que os traiu em Porongos.
“A tese orientadora do “bom
gaúcho” provavelmente tem origem nas elaborações do tradicionalista Antônio
Augusto Fagundes, por volta de 1940, que escreveu sobre os hábitos e costumes
diferenciados dos gaúchos sul-rio-grandenses, em relação aos diferentes tipos
de gaúchos que vagueavam pelos campos da região platina”. (Setembrino Dal
Bosco)
Esquecem também os arautos gaudérios que os farroupilhas foram indenizados pelo Império com verbas secretas e que brigaram pelo dinheiro. Ignoram, igualmente, que o Acordo de Ponche Verde foi, na verdade, uma rendição. Isto é, perdemos a guerra. Os farrapos pediram perdão a D. Pedro II, foram indenizados, e se recolheram.
O metegismo desconhece que Domingos
José de Almeida tentou escreve um relato sobre a guerra. Recolheu material, mas
um grupo contrário o impediu de continuar em seu trabalho: “ não querem que eu escreva
esta história”, revelou Domingos. Foi silenciado, porque conhecia perfeitamente
o passado recente e as práticas de seus pares. Enfim, foi censurado.
Não há dúvidas de que a Guerra Civil dos Farrapos é um dos grandes acontecimentos
da história brasileira. Foi a primeira vez no Império que existiu uma República
funcionando durante quase nove anos com ministérios, serviço de correio,
Assembléia Legislativa, tesouro nacional, relações diplomáticas e soberania de
governo. Entretanto, ao confrontar a documentação, como alerta o historiador
Moacyr Flores, “ nota-se que há uma tradição inventada que se renova a cada
Semana Farroupilha”.
Em 2007 foi lançado o Manifesto contra o
Tradicionalismo, elaborados por historiadores de grande nomeada.
Nele os autores do manifesto
alertaram que na vivência memorialista ,na mídia de massa e nas celebrações de
efemérides o MTG “pratica a demência cronológica e estatística, impondo a
deturpação de que o povo se levantou contra o Império e os imigrantes e seus
descentes também cultuaram a Revolução Farroupilha, quando quase em sua totalidade,
não estavam no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845.
Se um dia aportaram no Brasil, isso se deve ao
projeto de colonização do Império. Os projetos de colonização fundamentais,
contribuíram para a formação do Rio Grande do Sul contemporâneo, não
pertenceram aos farroupilhas”. Trata-se, portanto, de uma façanha de mentira.
Também é preciso lembrar que,
militarmente, no auge de suas ofensivas, as tropas farroupilhas jamais passaram
de 6 mil homens em uma demografia oficial de cerca de 400 mil habitantes.
Cidades como Porto Alegre, Rio Pardo, Rio Grande, Pelotas, São José do
Norte lutaram ao lado do Império e, hoje, como revela Moacyr Flores, “realizam comemorações
da guerra civil, como se os antigos habitantes tivessem apoiado os farroupilhas”.
O Acampamento Farroupilha, segundo o historiador, “apaga da memória o fato de a
capital provincial ter expulso os republicanos e resistido ao cerco dos
rebeldes e, por isso, ganhou o título de Leal e Valerosa”.
Fica claro que a expressiva
maioria estava em armas a favor do Brasil, ou alheia à guerra civil, além
daqueles que fugiam da arregimentação obrigatória. É a Semana da Fantasia, na
qual é cultivada a mitologia da identidade e a ilusão daquilo que nunca fomos.
Historiadores demonstram que o
MTG funciona como um órgão central de adestramento, orientação e controle do
tradicionalismo, impondo cartilhas de comportamento e visão sobre o passado, o
lugar e o futuro de seus militantes. Defende que suas “práticas” decorrem como
sucedâneas da história. A historiografia, sociologia, antropologia críticas e o
jornalismo culto refutam suas “verdades”.
Na sua visão anacrônica da sociedade,
buscam formar peões e prendas alienados e obedientes.Com seu viés fundamentalista
pilchado, o movimento seleciona, consagra e reconhece as manifestações que
comungam com sua visão de memória, de cultura.
Tudo é considerado gauchesco e
transformado em sua aparência. Grupos sociais e a historicidade dos lugares não
são respeitados. O controle metegista produz intolerância, xenofobia e uma
incapacidade de visão crítica da sociedade rio-grandense e do mundo.
Como escreveu o historiador Tau Golin, “setembro virou um agosto
temporão. Nunca se viu uma derrota tão completa da racionalidade e do
conhecimento. Vestiram bombachas na história. Os historiadores (anulados pelos
patrões dos CTGs e seus agregados das falas), a pesquisa acadêmica, os
escritores e os artistas desruticizados são relegados à invernada do silêncio.
Secam-se as fontes do saber nas guampas de canha”.
Todo o resto está ameaçado pelas
lanças da ignorância estancieira, brandidas por tipos de todas as classes, como
possíveis vítimas para a carga dos piquetes da “tradição”. Decreta-se a derrota
da historiografia e o passado apenas fornece a matéria para um vaneirão aporreado
no galpão da memória”.
Neste 20 de setembro vou matear, ouvindo Noel
Guarani, Vitor Ramil e outros mais e buscar refúgio em alguma das obras de Tau
Golin, Mário Maestri, Moacyr Flores, Décio Freitas, Sandra Pesavento ou de
Juremir Machado. Neles ainda encontramos o que restou do bom senso na história
rio-grandense.
É imprescindível na profissão docente o autocuidado e trabalhar com as expectativas que são criadas em diferentes situações do cotidiano, que podem nos frustrar, pelos resultados.
A
profissão docente ainda está entre os primeiros lugares do ranking de
profissionais que adoecem em virtude do trabalho. Na última quarta-feira
(04) a psicóloga Sara Vassoler foi a cirandeira convidada dos Saberes em
Ciranda para debater com a categoria sobre o bem-estar docente.
Desde 2014, o CMP SINDICATO realiza o projeto Saberes em Ciranda. Já são em torno de 30 Cirandas realizadas. Esta Ciranda, assim como as outras, foi novamente um espaço legal, leve e divertido para abordar a dimensão humana dos professores e professoras municipais de Passo Fundo. Nesta dinâmica de Ciranda, as trocas e as vivências são o centro da aprendizagem de 2 horas de atividade.
Na oportunidade, Sara faz uma reflexão sobre fatores que colocam em risco e agravam a saúde dos professores e ressaltou que o bem-esta vai muito além do profissional, tendo ligação direta com o pessoal. Aponta que que “tudo que fizemos durante o dia influencia no bem-estar, “ como com quem conversa, livros que lê, programas que assiste e a presença dos amigos, por exemplo.
“É preciso permitir-se desligar, pensar as
vivências, o dia-a-dia… Como eu estou cuidando de mim? Os professores ensinam,
mas também cuidam do outro. E como cuidar do outro sem estar bem? É necessário
que cada pessoa reserve um tempo para si mesma, para desligar, fazer algo que
lhe faz bem e desligue de todo o resto. Isso influencia de forma significativa
e com o passar do tempo o efeito é muito benéfico, ” destacou Sara.
As
professoras que participaram da atividade buscaram construir expectativas que
apontem caminhos para melhorar a qualidade das relações que são construídas no
ambiente escolar melhorando, assim, a qualidade de vida dos profissionais da
educação. Destacaram que é imprescindível o autocuidado e trabalhar com as
expectativas que são criadas em diferentes situações do cotidiano e que em
diversas vezes nos frustramos com o resultado.
Uma
das dicas apontadas pelas participantes foi buscar encontrar ferramentas que
tornem o dia mais especial através dos detalhes, uma vez que quando a pessoa
não está bem isso afeta todo os espaços de convivência em que ela transita. Ao
final da atividade a psicóloga realizou uma dinâmica com os presentes para
trabalhar expectativa X realidade.
Sara Vassoler avaliou sua participação na atividade.
No dia 04 de setembro, tive a oportunidade de participar do encontro relacionado ao projeto Saberes em Ciranda, organizado pelos professores do CMP, com o tema: O bem estar docente. Na ocasião foi possível pensar junto com os participantes o que realmente influência o bem estar pessoal e qual a relação deste com o bem estar profissional. A Ciranda possui uma forma dinâmica de acontecer, na qual todos podem trocar saberes e experiências e entre as trocas feitas no encontro, destacou-se a importância de cada um poder dedicar um tempo do seu dia para pensar sobre suas ações, expectativas, momentos de vida e também para pensar sobre a sua prática profissional. Além disso, reservar um tempo do seu dia ou semana para realizar algo que goste e sinta que lhe faça bem, são aspectos importantes para a sua saúde emocional e bem estar, considerando que o bem estar pessoal relaciona-se diretamente com o bem estar pessoal e que este conjunto de fatores compõe a qualidade de vida. Abordou-se também a importância de lidar com as frustrações que surgem de forma positiva, buscando aprender algo com a experiência, mesmo não sendo fácil de lidar em alguns momentos. Foi uma satisfação poder estar presente nesta ciranda e reforço que falar sobre o bem estar docente é necessário para poder compreende-lo e buscar formas para mantê-lo presente!
O que a democracia não comporta não é a divergência radical, mas violência sobre os adversários, transformados em inimigos.
Como lidar com períodos sombrios na história de um país? O
Nazismo na Alemanha, o Fascismo na Itália, o Apharteid na África do Sul, as ditaduras
no Chile, Argentina, Brasil. Uma maneira é procurar entende-los e nunca
esquecê-los, os submetendo à análise criteriosa da história.
E quando as sombras novamente começam a se abater sobre um país?
Aí é preciso, com rapidez combatê-las, à luz da razão com base nos valores
democráticos. É o que precisamos fazer agora, com urgência, diante das ameaças
do bolsonarismo às nossas mais caras instituições.
Depois de oito meses não restam dúvidas de que, se tiver
oportunidade, Bolsonaro não hesitará em destruir o que restou da combalida
democracia brasileira.
Estamos diante da emergência
de discursos que se ajustam ao que Theodor Adorno chamou de “síndrome fascista”,
cujo elemento dominante é o ódio segregativo. Este é o grande risco que a nossa
democracia está correndo, segundo o psicanalista Christian Dunker, professor da
USP.
Lentamente o sentimento de ódio se transferiu do PT para o comunismo,
daí para o esquerdismo, gênero, ideologia e disso para qualquer conceito que
contenha expressão “social”. Assim, é possível entender como alguns
“especialistas em história”, consideram o Partido Nacional Socialista de Hitler,
de esquerda. Uau!!
Na visão sectária do bolsonarismo, qualquer política de
bem-estar social, qualquer iniciativa de redução de desigualdade, de
reconhecimento da diversidade, de defesa de direitos humanos passa ser “coisa
de comunista”.
Neste universo fica
autorizado o ataque as liberdades intelectuais, artísticas, de imprensa etc.
Em Porto Alegre, a exposição Independência em Risco,
promovida por cartunistas, foi cancelada porque a presidência da Câmara de
Vereadores – local da mostra –, considerou os desenhos ofensivos, já que
mostravam críticas ao governo Bolsonaro.
Um de meus botões, estupefato, indagou: quando começará a
queima de livros?
O ataque a inteligência brasileira é assustador. A começar
pelo Ministério da Educação que até agora não apresentou uma política clara para
a área. Seu titular vem se notabilizando por erros ortográficos crassos e atitudes
marcadas pelo ridículo, além de reduzir verbas para bolsas e pesquisa.
Estamos diante do crescimento de uma direita pseudoconservadora
que revela um ódio instrumental diante da diversidade, ao contrário dos que
defendem genuinamente uma democracia conservadora que são, por tradição,
indiferentes aos costumes alheios. Aqueles, querem a eliminação do “outro”.
Neste projeto figura o
encorajamento a violência e intolerância. Isto fica claro na retórica do
armamento, do policiamento ostensivo e do Exército no poder.
Enfim, a marcha da insensatez continua acelerada. O bolsonarismo-fundamentalista
odeia tudo o que o restringe e limita, embora se diga defensor da lei. Na
verdade, da lei que o protege e beneficia.
A democracia aguenta bem a polarização. Ela é o reino do
compromisso e do diálogo, mas suporta bem os momentos de disputa e de conflito,
próprios do exercício da política inerentes à pluralidade humana.
A democracia sempre
conviveu com momentos de polarização política – na Europa,nos Estados Unidos e
também no Brasil. O que a democracia não comporta não é a divergência radical,
mas violência sobre os adversários, transformados em inimigos.
Diante deste quadro, precisamos com urgência, nos mobilizar.
Como defende o rapper BNegão, “Quanto mais gente não afinar nem pipocar,
melhor”.
Jairo Oliveira viveu numa vila, numa cidade paranaense, como muitos outros meninos, de sua época Viveu a expectativa dos pais de que a escola iria lhe oferecer melhores oportunidades de vida. No entanto, foi percebendo a demora desta concretização.
O que parecia desmotivação para os estudos, talvez fosse
“ausência de perspectivas concretas” de ganhar seu dinheirinho, sua autonomia.
Por isso, Jairo não era um bom aluno. Passou a dividir a busca de algum
trabalho, que lhe rendesse certo dinheirinho para comprar suas coisas, ou mesmo,
para comprar uma Coca-cola para tomar com seus amigos.
Passou por várias
experiências profissionais: foi mecânico, lavador de carros, entregador de
jornais, preparador de amortecedores para carros de corrida, no total 15 antes
de se tornar professor e empresário aos 17 anos.
Hoje, de forma entusiasta e comprometida, Jairo coordena, organiza a metodologia e a prática de ensino de uma Escola de Educação Profissional nada convencional: a New Life Educação.
Em entrevista exclusiva ao site, Jairo falará de suas
Inspirações pessoais, de sua experiência na Educação Profissional e de suas
convicções sobre o ser humano, a escola e o mundo do trabalho no atual momento
histórico.
NEI ALBERTO PIES: Como foi sua vida escolar? Fale-nos de
suas experiências positivas e negativas no ambiente escolar.
JAIRO OLIVEIRA: Minha experiência escolar
não foi muito boa, na maior parte, não tinha vontade de ir à escola. Cada ano
tinha uma peculiaridade, um motivo forte para não ter tanto interesse em ir.
A vida escolar é de modo geral muito longa, então na escola
passamos pelo menos 3 tipos de fases, qual nos fazem sentir e pensar de forma
bastante singular, a infância, pré-adolescência e adolescência, onde passamos
por muitas transformações e a vida escolar está presente em todas, de forma
muito intensa.
Infância: esta foi a fase qual tive
meu maior desejo de ir à escola, lembro da mochila arrumada, era linda, todos
os cadernos e materiais novos, roupa e calçado impecável, pronto para descobrir
algo legal, pena ter durado pouco, sendo preciso, durou apenas alguns dias
antes do primeiro dia de aula.
Chegando na escola, quase
sem orientação nenhuma, não sabia ler, nem escrever, muito menos tinha visto
tanta criança reunida em um mesmo lugar. Por ser introvertido, lembro que me
senti assustado, logo todos foram divididos em grupos e levados a sala de aula,
sem nenhum tipo de apresentação, sem conhecer o local e as pessoas, me sentei e
tentei fazer o que os outros faziam, não tive habilidade ao abrir a mochila e
nem o que usar do que estava ali dentro, logo a professora em tom de voz
ameaçador “aos gritos” escrevia algo no quadro, sem entender nada que estava
acontecendo, e por ter dado o azar de sentar logo bem na frente, ela me pediu
que falasse o que estava escrito, desesperado por tudo que estava acontecendo,
em pânico fiquei calado, logo ouvia gritos e eram comigo, a partir dessa experiência
negativa, não queria ir à escola e comecei a ter problemas em casa, todos os
dias era uma batalha para dar um pequeno passo.
Acredito que o tipo de
perfil mais analítico e comprometido a levar em conta o que as pessoas falam,
podem ter potencializado estes fatos negativos. Foram vários anos até
estabilizar estes sentimentos e começar a ter uma evolução na escola.
Pré-adolescência e adolescência:
tive muitos colegas e amigos. O que achava mais legal era o trajeto até a
escola, ir conversando, brincando, o horário antes de iniciar a aula onde
jogava futebol na quadra, a hora do recreio, sempre fui bom com amizades, gosto
de conviver com pessoas e ter histórias para contar.
Na sala de aula consegui
sempre me manter na média, então não sofria muito com notas e pressão ao
estudar, mas ao mesmo tempo apenas fazia por que tinha que ser feito, nenhuma
matéria me chamou a atenção, por ser um aluno tranquilo, conseguia entender as
matérias para ter as notas necessárias,
Algumas vezes, passei por
recuperação, teve um ano que reprovei acredito ter sido no 5º ano, minha
família foi sempre tranquila quanto a acompanhar na escola, não ficava olhando
cadernos ou exigindo notas altas, se preocupavam mais com o comportamento e que
não repetíssemos o ano. Meu ensino médio foi meio conturbado devido a mudança
das matérias e a necessidade de saber muito para ter a nota média, comecei a me
sentir muito pressionado e com alguma dificuldade devido já estar trabalhando 8
horas por dia e mais 4 no colégio.
No primeiro ano do ensino
médio tive a oportunidade de iniciar um novo projeto, me tornar sócio
proprietário e professor de informática, com a mudança de cidade e o
compromisso assumido, não consegui concluir o ensino médio regular, tive que
recorrer a modalidade EJA.
Para resumir:
Positivo: – os colegas, amigos e a
oportunidade de interagir socialmente.
Negativo: -a obrigação de fazer algo que não gostava, sentimento de impotência por muito tempo, muitas vezes tive vontade de revidar e expressar o que sentia, mas ficava na vontade, fora isso, o que considerava grave e tinha medo era do fato de ter alunos agressivos, a oferta de drogas e aliciamento sexual, foram inúmeras as vezes que precisei me virar sozinho para sair de situações difíceis. Por vezes me via propenso a aceitar ofertas e seguir caminhos errados, acredito que levados pela falta de objetividade e resultado adquirido na escola.
NEI ALBERTO PIES: Qual era a sua expectativa na escola? Por
que a vida fora da escola lhe fez sentir mais útil e mais integrado na
sociedade?
JAIRO OLIVEIRA: Não tenho lembrança de ter
uma expectativa, um interesse e nem conhecimento sobre o ambiente escolar. Nasci
em família humilde, não conversavam muito sobre a escola, sempre vi a escola
como algo obrigatório, só sabia que precisava cumprir aquele período para ter
um futuro melhor, por não gostar das matérias, acabava por não me apropriar
delas e acreditar que teria algum sucesso diretamente ligado a elas.
Acredito que poucas crianças ou adolescente conseguem
“acreditar” que serão estudiosos das matérias escolares, por mais que elas nos
dão a base para todas as outras, não é fácil acreditar nisso.
Iniciei muito cedo fazendo
“bicos”, deveria ter uns 10 anos. Eram trabalhos de poucas horas e dias, que
rendiam algum dinheiro para comprar doces, roupas, calçados e peças para as
bikes que tinha.
Nos primeiros, lembro que
eles também não chamavam muita atenção, após alguns dias ou meses de trabalho
eu me sentia cansado da rotina, unicamente o que me motivava no começo era receber
algo “dinheiro” por certo esforço realizado.
Com o tempo comecei a
escolher melhor, só fazia o que era do meu interesse, permanecia se o ambiente,
as pessoas e o trabalho fizesse algum sentido, só depois pensava no valor que
receberia.
Muitos deles trabalhei de
graça, um em especifico na área da mecânica de camionetes C10, camionetes
usadas para puxar leite até o laticínio, trabalhei quase 1 ano sem receber
nada, mas o ambiente era tão bom e o trabalho qual eu executava ficava tão
perfeito, que só aquilo me bastava, como gratificação ao final deste período,
recebi muito conhecimento, aprendi dirigir, ganhei autoconfiança e um cheque
salário equivalente a meio salário mínimo, qual fiquei muito feliz em receber e
ao mesmo tempo não me sentia merecedor, porque considerava ter ganhado a
oportunidade e o tempo do proprietário que me ensinou sua profissão, foi um ano
de dedicação e tempo de alguém que se dedicou a me ensinar o que sabia. Este
tinha se tornado o meu professor profissional.
NEI ALBERTO PIES: Como tuas primeiras experiências
profissionais contribuíram para a sua formação pessoal e profissional?
JAIRO OLIVEIRA: Ao total foram 15 ambientes
e profissões em que tive experiências dos 10 aos 16 anos de idade. Conheci
muitos tipos de estruturas de trabalho, algumas delas não foram legais. De modo
geral, me ajudaram muito.
Hoje conheço muitas áreas de atuação e consigo
usar as experiências nos meus negócios e na vida pessoal. Uso diretamente na
formação de nossos alunos, por ter conhecido tantas pessoas, processos e
produtos, consigo materializá-los e modernizá-los em um ensino que consegue aos
poucos ir levando este aluno a entender o mercado profissional, de forma suave
em direção do sucesso profissional, para que quando tenha sua primeira
experiência, diminuam as chances de fracasso.
NEI ALBERTO PIES: Como foi assumir a direção de uma escola
de educação profissional, logo depois de largar o trabalho de frentista de
posto? Seus primeiros desafios?
JAIRO OLIVEIRA: Na minha infância, havia
feito muitos cursos, datilografia em máquinas de escrever, atendimento ao cliente,
garçom e o mais completo Curso de Informática da época, que se aprendia
(Ms-dos, sistemas operacionais, Internet e todo o pacote office). Gostava de
fazer cursos, eles sempre fizeram parte da minha vida, na época eram cursos
caros, chegavam a custar meio salário mínimo por mês.
Quando meu irmão mais velho
decidiu abrir a empresa, me convidou para iniciar junto em uma sociedade.
Iniciei como professor de informática. Para mim, não foi difícil porque já
conhecia muito bem aquele ambiente de escolas de cursos e o domínio da matéria
fez muita diferença.
Meus primeiros alunos foram
profissionais do Banco do Brasil da cidade de Ijuí, RS. Na época eu tinha 17
anos, recém tinha pedido demissão no posto de combustíveis qual era frentista e
lavador de caminhões e carretas.
Foram muitos dias de
estudos, lembro que era necessário elaborar as aulas que seriam passadas e foi
ali que me encontrei: toda aquela dificuldade com as matérias colegiais
pareciam não existir nas matérias de tecnologia, consegui elaborar aulas para
profissionais bem preparados na época, em seguida tive inúmeras turmas, com
públicos de todas as idades.
Minha maior motivação era
ver as salas cheias e as aulas sendo executadas com perfeição. Alunos felizes e
evoluindo dia a dia. Nos primeiros meses apenas dava aula, logo tive que
assumir a primeira escola, todos os setores e a sala de aula, na época eram
poucos colaboradores. Minha principal dificuldade foi ainda na adolescência ter
assumido muita responsabilidade ao mesmo tempo, sem estar tão preparado.
NEI ALBERTO PIES: Há quantos anos trabalhas com educação
profissional? Por que te realiza tanto?
JAIRO OLIVEIRA: Já fazem 21 anos desde a
primeira aula como professor. Hoje, sou um dos diretores responsável por desenvolver
metodologias e conteúdos de toda a rede NEW LIFE ESCOLA, voltando ao mercado
profissional.
Incluir Logomarca NEW LIFE
Me sinto realizado porque
conseguimos chegar num nível muito especial, onde nossos profissionais, alunos
e familiares se sentem felizes em estar em nossa instituição.
Mas me sinto muito mais feliz
porque consigo ver no olhar dos alunos o desejo de estar estudando, eles evoluem
dia a dia, percebo que poucos dias depois da primeira aula, os alunos se
mostram entusiasmados com tudo que acontece aqui.Sei que estão sendo respeitados em todos os níveis do processo,
tenho a certeza que terão um alto grau de sucesso na vida.
NEI ALBERTO PIES: Quais são suas críticas ao modo de
organização da escola tradicional?
JAIRO OLIVEIRA: Sempre tive amigos, dos
mais educados aos mais marginalizados. Se não tivesse uma família dedicada aos
valores, acredito que a escola poderia ter me empurrado para algo ruim, por que
se reúnem muitas crianças e adolescentes, dos mais variados tipos de cultura e
comportamento social, e muitos deles não eram boas companhias, vivenciei no
ambiente escolar. Me salvei por que os valores que aprendia em casa não me
deixavam escolher o caminho errado.
Hoje, trabalhando
arduamente para ter sucesso na área educacional, vejo quantos erros os alunos
são submetidos diariamente nas escolas.
A falta de estrutura
física, a grade curricular ultrapassada, a baixa valorização dos profissionais
da área e a falta de treinamento, principalmente em lecionar, são as principais
causas. Não é possível ensinar um aluno de forma adequada, se tudo isso está aquém
das expectativas do principal interessado “o aluno”. Enquanto o ensino for
obrigatório, os responsáveis da área, não se esforçarão para manter a qualidade
da entrega e desenvolvimento do ensino.
Penso que quando a escola não consegue dar a estrutura
adequada em todos os minutos de permanência de um aluno, ela não deveria
atendê-lo, pois estão em uma fase muito importante do seu desenvolvimento, onde
os erros comprometem toda a formação intelectual e social do aluno.
Quando incitamos o que há
de mau em uma criança, sendo frustrações, medos, angústias, impotência, que é o
que acontece quando essa criança sofre muito para estar adequado aos parâmetros
educacionais, nós a empurramos para o precipício, criamos o caos na vida da
família, que não terá ferramentas para resolver.
O local deveria ser
perfeito, se tratando de formação de longo prazo, estrutura impecável,
profissionais altamente remunerados e treinados para exercer tal compromisso.
A escola é a segunda
família do aluno, o resultado que ela está tendo ou terá no futuro é de inteira
responsabilidade das duas partes. Não tem como culpar a crianças ou
adolescente, eles são frutos destes dois ambientes.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a crença que tens no potencial de
cada ser humano?
JAIRO OLIVEIRA: Acredito em todosque consigam responder por seus atos.
As imitações de aprendizagem em determinadas áreas, não são empecilho algum na
era da tecnologia, consigo acreditar em um sucesso maior para os que forem
submetidos a uma melhor qualidade de relacionamentos, diversidade de ambientes
e desenvolvimento profissional iniciados na infância. Poucos terão destaque
expressivo sem estes fatores.
Todos nós, na fase adulta,
precisamos trabalhar, seja qual for o caminho e a ordem com qual ele chegou em
nossa vida, praticamente toda a nossa vida é dedicada ao trabalho.
Curiosamente, nas
principais fases da nossa formação, não ouvimos nada de forma clara, se quer
aprendemos quais os caminhos e habilidades naturais que temos.
Quando a criança e o adolescente passam toda essa fase sem
saber nada de ambientes profissionais, suas práticas e se tem habilidade com
quais, acaba comprometendo suas tomadas de decisões, quanto a qual se dedicar.
Essa falta de afinidade e
gosto pelo trabalho se consolida em sua vida, de forma tão expressiva, que a
grande maioria na fase adulta, trabalha por obrigação, bem como é na escola,
consequentemente não conseguirá ter uma vida social saudável, constituir
família ou se sentir feliz com a vida que leva.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a metodologia e os quais são os
princípios que embasam o trabalho educativo da New Life Educação?
JAIRO OLIVEIRA: No ano de 2018,
desenvolvemos um novo conceito educacional voltado à educação profissional,
chamado “a fórmula da nova vida”.
Recentemente, apresentamos
a 45 países de 5 continentes, na cidade de Genebra na Suíça. Ele foi
desenvolvido para crianças e adolescentes de 7 a 15 anos, que buscam seu
desenvolvimento pessoal e profissional. O ensino é dividido em fases
evolutivas.
Este projeto leva em conta
o desenvolvimento do aluno, nos 4 principais pilares da humanidade: Amor, Sabedoria, Inteligência, Vontade.
Criamos diretrizes para medir a evolução dos nossos alunos levando em conta
estas premissas.
Após anos buscando um
modelo ideal de ensino, conseguimos chegar nesta modelagem, conseguimos ver em
um curto período a visível evolução dos alunos.
Para nós já não é mais estranho ouvir relatos de pais que já
tinham perdido a esperança quanto ao futuro dos seus filhos, relatarem uma
grande evolução em comportamento social e desenvolvimento intelectual.
Para nós, todos os nossos
alunos são geniais, inovadores, são seres perfeitos, cada qual dentro das suas
possibilidades, habilidades e interesses. Nosso principal objetivo é comprovar
que todos evoluem muito em pouco tempo, os estabilizamos para gostarem de
estudar a si mesmos e o meio qual fazem parte, para que no futuro continuem
sempre fazendo isso, sem se sentirem pressionados ou infelizes.
A forma com qual medimos o
seu desenvolvimento, leva em conta características dos profissionais do futuro,
que precisam aprender sobre si mesmos, aprender diariamente, ter habilidades de
liderança, competências para conviver com grupos sociais e pelo menos ter a
ideia de empreendedorismo.
Os conteúdos trabalhados,
são apenas para expor os alunos a eles e fazê-los pensar e adquirir
habilidades, mas não tem intenção de formá-los em algo.
As matérias levam em conta a gestão de tempo, financeira, inteligência emocional, tecnologia da informação, robótica educacional, ferramentas do mundo digital e muitas outras que são inseridas diariamente na rotina das aulas. Essas materias não são estáticas, elas sofrem alterações em tempo real, o aluno recebe o que há de mais inovador dentro das possibilidades e necessidades do seu desenvolvimento.
NEI ALBERTO PIES: O que significa empreender-se?
JAIRO OLIVEIRA: Todos nós precisamos
aprender a empreender em nós mesmos em primeiro momento, costumamos não levar
isso em conta, e acabamos apenas por empreender em negócios. Empreender em si
mesmo sempre teve um valor maior.
NEI ALBERTO PIES: Qual é o perfil que o mercado de trabalho
busca hoje?
JAIRO OLIVEIRA: O novo profissional precisa
ter habilidades com as tecnologias do momento, habilidades para trabalhar com
pessoas e, principalmente, a flexibilidade de evoluir diariamente.
Não é em si uma novidade,
sempre se valorizou esse tipo de perfil, mas o grande problema é que para
qualquer cargo começara a ser exigido pelo menos um nível básico delas, e com a
mudança desenfreada das tecnologias, se perder o tempo certo, poderá se tornar
um profissional do passado muito rapidamente, coisa que não era necessário para
os empregos do passados, onde você poderia iniciar e se aposentar na mesma
profissão.
NEI ALBERTO PIES: Qual é a sua mensagem aos adolescentes e
jovens de hoje?
JAIRO OLIVEIRA: Inicie cedo:
Façam cursos principalmente os que são voltados a tecnologia e desenvolvimento
humano, eles podem ser iniciados já aos 7 anos lhe acompanharão pelo resto da
vida. Estes servirão de base ou complementares na sua vida profissional, seja
em qual for a área que escolher atuar. Escolha uma escola que se sinta parte do
processo, seja ela on-line ou presencial, cursos gratuitos ou pagos. Incluam-os
em sua vida, assim como comprar roupas, comidas ou dar presentes. Incentivem-se
a não parar nunca, logo que pensar assim, se sentirá feliz em dedicar algumas
horas por semana para estudar coisas novas.
Eles serão a chave do teu
sucesso, porque custam pouco tempo e dinheiro. Conhecera muitas áreas e irá
adquirir inúmeras habilidades em pouco tempo. Verá possibilidades em lugares
que jamais pensou, começará a aumentar seu desejo pelo trabalho e como
consequência terá mais sucesso pessoal e profissional.
Ponha-os em prática o quanto antes:
elabore pequenos projetos autorais e use a web para trabalhar ou inicie sua
vida profissional com tutoria de alguma empresa que considere te respeitar, use
estes projetos ou trabalho para começar a ganhar algum dinheiro e experiência,
comece como um jovem aprendiz ou pequeno empreendedor, o ideal que as primeiras
experiências sejam de menor duração e com carga horária diária de no máximo 4
horas, não permaneça muito tempo no mesmo fazendo a mesma coisa, troque de
empregos ou setores, ou projetos, a fim de conhecer pessoas, processos e
produtos diferentes, quando somos jovens temos menos pressão o que nos permite
errar mais e conhecer coisas novas.
Dificilmente, na sua primeira convicção, estará certo. Não
pare seus estudos por nada, leve a vida profissional como algo paralelo que lhe
dê prazer. Esta dica não ajuda muito quem quer seguir estritamente uma carreira
que exigirá muito empenho na área educacional, tais como concursos ou graduações
que exijam dedicação total, se acreditar que está certo na escolha, siga firme
neste propósito.
Acredito que a falta ou
pouca experiência profissional na adolescência, poderá te formar um
profissional com limitações para trabalhar em grupos, com dificuldades para
entregar soluções aos seus clientes, sejam eles nos setores públicos ou
privados.