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O dia do professor

“Educação não transforma o mundo.
Educação muda as pessoas.
Pessoas transformam o mundo”
(Paulo Freire)

Foi no dia 15 de outubro de 1827 que D.Pedro I baixou um Decreto Imperial criando o Ensino Elementar no Brasil.Ele estabelecia que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”.

O decreto falava de muita coisa: descentralização do ensino, salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia era inovadora, revolucionária.

Faltou apenas ser cumprida. O dia dedicado ao professor, entretanto, somente foi comemorado 120 anos depois, em 1947.

Foi iniciativa de professores de uma pequena escola da Rua Augusta, em São Paulo. Quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para evitar a estafa e também de congraçamento e análise dos rumos para o restante do ano, já que o longo período letivo do segundo semestre ia de 1º.de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período.

A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade de São Paulo e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963.

Desde então muita coisa mudou na atividades dos professores. Hoje, pais não aceitam as notas dos filhos, ameaçam e questionam professores.

Os filhos, sem limites, brigões, cultivadores do bulling, passam a ter toda a razão. As escolas, temerosas de perder clientes, avalizam em muitas ocasiões tais comportamentos, justificando-os como “rebeldia característica de adolescentes” E em meio a tudo isto está o professor.

Agora o professor enfrenta um novo desafio: uma tentativa irracional de evitar as luzes do conhecimento via defensores da estapafúrdia, anacrônica e medieval “escola sem partido”. São donos de uma compreensão das mais estreitas do que é educação e do que é ensinar.

Essas pessoas de um reacionarismo espantoso, acreditam piamente no mito da neutralidade da ação docente, segundo o qual, o professor não tem cara, não tem lado, não toma partido, não pensa nem intervém de modo transformador na realidade social.

Para elas, o professor deve estar unicamente comprometido com a sagrada missão de transmitir conteúdos anonimamente escolhidos, aparentemente desinteressados e oficialmente listados.

Os defensores da “escola sem partido”, são os extremamente partidários e ideologizados. O caminho por eles apontado é do retrocesso, já que são portadores do “chip fascista” da extrema-direita. O que querem é “uma escola para o seu partido”.

Não aceitam que o professor é o condutor do processo de conhecer, aprender, isto é, mudar. O verdadeiro portador da vocação ontológica de cada ser humano: ser livre, produtor de cultura, história. E isto ele faz trabalhando o conhecimento enquanto práxis: teoria e método que desvelam a contradição existente em todos os fenômenos e coisas.

É ele que desperta o jovem para a transformação e a criatividade. Paulo Freire chamou a isso de Curiosidade Epistemológica, isto é, acrescentar ao mundo algo nosso. Ao assim proceder escola, professores e alunos estão mudando o mundo. E mudando para melhor.

Mas para que este processo seja concretizado, as coisas não podem acontecer apenas e tão-somente na sala de aula. O professor precisa ser valorizado com piso salarial, carreira, condições de trabalho, acesso aos bens culturais e tecnológicos, respeito, diálogo, formação permanente e participação efetiva na gestão da educação.

Os processos avaliativos devem ser democráticos, internos e externos (por meio de universidades públicas), onde será valorizado o mérito, em contraposição à “meritocracia” de inspiração neoliberal. Afinal, professor não é jogador de futebol que deve ganhar de acordo com o número de gols marcados.

Sabemos que os melhores professores se caracterizam por ter vários anos de experiência, ter um conceito positivo de si mesmo e do seu trabalho, ter expectativas positivas com relação a todos os seus alunos e conseguir fazer todos os alunos aprenderem.

O bom professor é aquele que consegue fazer com que seus alunos aprendam bem o que precisam aprender, no ritmo correto. A sociedade espera tudo dos professores, os pais transferem a eles muito das suas responsabilidades.

A propósito encontrei uma carta de Abrahan Lincol, enviada ao professor do seu filho, em 1830.Isto é, antes da primeira metade do século 19, já aos professores tudo era atribuído. Eis o que pedia Lincoln:

“Caro professor, ele terá que aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar a vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo sozinha contra todos. Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram”.

Um grande abraço a todos os colegas professores pela passagem do nosso dia. Vamos continuar lutando pela educação crítica e livre. Jamais evoluiremos como sociedade sem examiná-la com rigor, visando melhorá-la!

A cultura sob ataque

Se quisermos combater a censura,
não será ridicularizando seus excessos,
mas contestando seu cerne.

A censura é multiforme e camaleônica. Ela nunca morre, apenas dorme. Hoje o seu modus operandi é via aparelhamento da cultura pela extrema-direita no poder.

O trator do obscurantismo investe pesado contra as instituições de cultura e lazer. Um exemplo claro é o que está acontecendo no sistema S (que inclui Sesc, Sesi, Senai, Senac, Sebrae e outras instituições ligadas às confederações patronais do País).

É uma guerra subterrânea, quase invisível ao olho público, que o bolsonarismo está dirigindo às expressões do espírito no Brasil. Programações culturais estão sendo obrigadas a serem canceladas e existe um clima de autocensura por conta das indicações do governo, que se alinham a cultura neopentecostal.

A sanha moralista e amante da censura começa a macular a reputação de instituições como o Sesc que têm se configurado em anos recentes como refúgio da liberdade de expressão.

Assim, a censura vai ganhando novas formas e regenera o corpo destruído, como certas espécies de vermes. O governo, claramente, quer controlar as manifestações culturais, com o apoio de “machões e bolsogatas” acuados pelos avanços na questão de gênero.

Um filme sobre Chico Buarque sofreu interferência do governo quando de sua exibição no Uruguai. A vida de Carlos Marighella, retratada em um filme de Wagner Moura, foi proibido.

A Caixa Federal agora ganhou um “manual” que traz orientações sobre “possíveis riscos de atuação contra as regras dos espaços culturais, manifestações contra a Caixa e contra o governo e quaisquer outros pontos que podem impactar”. Este “manual” orientará o que poderá ou não ser mostrado no espaço Caixa Cultura.

No Banco do Brasil não é diferente. Censura descarada de fazer inveja ao DIP de Vargas que censurava a manipulava a cultura na ditadura do Estado Novo.

O governo parece querer controlar a cultura pelas portas de entrada e saída, dizendo o que pode ou não ser apresentado. Esquece que a cultura é livre, independente e, em seus melhores momentos, antagônica ao Estado.

A censura no governo Bolsonaro é explícita e há uma forte razão: quem quer impedir os outros de refletir por conta própria tem que começar muito cedo.

Tem que começar proibindo a imaginação. E por isso, se quisermos combater a censura, não será ridicularizando seus excessos, mas contestando seu cerne.

Não será zombando de seus erros, mas defendendo a capacidade que têm o pensamento – e a fantasia – de criar mundos novos.

A censura jamais conseguirá reprimir a liberdade de pensamento e a imaginação.

Escola não é caserna: modelo cívico-militar criminaliza educadores e custa caro

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Ora, é na rua que as forças de segurança pública devem estar. Com patrulhamento permanente, fora dos portões da escola e do processo de ensino-aprendizagem.

Com pompa e medalha de mérito da Brigada Militar, o secretário Faisal Karam anunciou recentemente a adesão do Rio Grande do Sul ao programa de escolas cívico-militares criado pelo governo Bolsonaro.

Trata-se de mais um aceno do governo Eduardo Leite ao PSL, partido do presidente e do deputado estadual Tenente Coronel Zucco, entusiasta do modelo e autor da proposta.

Sem projetos para atacar os reais problemas da educação, Leite se curva ao autoritarismo e compromete a autonomia das escolas, a gestão democrática e recursos do Estado em um projeto inútil e demagogo.

O programa institui a presença de oficiais da reserva ou brigadianos reformados no interior das instituições para “resgatar princípios como disciplina, ordem e valorização dos símbolos da pátria”.

Não há problemas em formar fileiras para cantar o hino nacional. Mas o fetiche da disciplina cívica não salvará jovens das drogas ou da violência urbana. Nem elevará o nível de ensino. Lugar de militar é na caserna e de policial é na rua.



O civismo é autoritário e impositivo, já o amor nasce livre e desimpedido, espontâneo e duradouro. O civismo precisa ser medido, enaltecido e demonstrado, já o amor ao Brasil brota livre, instantâneo e sem medidas definidas para ser vivido pelos brasileiros.(Nei Alberto Pies)

Escola é para quem tem formação para educar, não para reprimir.


Desvio de função

Além da função “disciplinar” caberá aos militares atuar na área psicossocial, identificando problemas familiares de estudantes e situações que possam “influenciar no aprendizado e convivência”. São atribuições para as quais o oficialato não tem qualquer formação.

Por estudo e experiência, monitoria e supervisão são atividades natas de quem educa.

Trocar o giz pelo coturno é um desrespeito com a categoria. A mensagem por trás do projeto é clara: a culpa da “desordem” e da “indisciplina” é dos professores e funcionários(as).

Alçado do anonimato à cadeira na Assembleia pelo bolsonarismo, Zucco soube surfar a onda do pânico moral e da cruzada contra a educação como poucos.

O militar acredita em fábulas, como a existência de doutrinação ideológica imposta por educadores(as), e já escreveu que “a permissividade em sala de aula está produzindo uma legião de jovens incapazes”.

É mais um expoente da sombria inversão de narrativa que criminaliza quem trabalha no chão da escola, ainda mais cruel quando se considera as condições de miséria da categoria no Rio Grande do Sul.

Com um mentor intelectual desta envergadura, não resta dúvidas de que as escolas “cívico-militares” serão ricas em episódios de censura, ingerência na gestão pedagógica e perseguição aos trabalhadores(as).


Programa onera o Estado

O investimento anunciado pelo governo federal – de R$ 1 milhão por escola – será destinado ao salário dos oficiais da reserva. É o Estado que precisará bancar uniformes e a qualificação dos espaços.

Caso opte por brigadianos reformados, a destinação dos recursos se inverte. Em todo caso, o projeto onera os cofres públicos em um contexto de crise financeira e sucateamento da educação.

Como de costume na gestão Eduardo Leite, há dinheiro para tudo, menos para quem mais precisa.


Critérios escusos

Nesta quarta-feira (2), veio a público o primeiro alvo selecionado para o experimento de militarização. Trata-se da EEEM Alexandre Zattera, de Caxias do Sul.

Estranhamos.

De acordo com o governo federal, com a Seduc e com o próprio deputado Zucco, dois critérios seriam utilizados na definição das escolas: vulnerabilidade social e baixo desempenho no Ideb

A Alexandre Zattera é uma escola de qualidade acima da média. No índice em questão, está entre as dez melhores instituições estaduais de Caxias. No Rio Grande do Sul, supera a maioria dos educandários.

A vulnerabilidade social é uma característica da maior parte do alunado da rede pública, mas não é especialmente destacada em Caxias, cidade que figura no topo de índices como o IDH e o Idese.

No Atlas da Violência, o município da Serra ocupa a 15ª posição no ranking gaúcho de homicídios.

Por outro lado, a cidade é a que mais votos concedeu ao deputado Zucco, excetuando a capital. Outro dado preocupante: a escola na mira dos militares é conhecida por ter trabalhadores(as) engajados na luta sindical.

Resta saber se haverá diálogo real com a comunidade escolar ou se o modelo será, como sugeriu Bolsonaro, imposto de cima para baixo, à revelia do resultado da consulta.

Em reportagem do Pioneiro, a diretora ilustra – de forma inadvertida – a ineficácia do modelo. Afirma que 10 alunos já foram assaltados a caminho da escola em uma mesma noite.

Ora, é na rua, portanto, que as forças de segurança pública devem estar. Com patrulhamento permanente, fora dos portões da escola e do processo de ensino-aprendizagem.

Miguel Arroyo, professor emérito da UFMG, sintetizou o problema em entrevista recente: “as escolas militares têm bons resultados para formar militares, mas não são os melhores exemplos para formar cidadãos com valores de democracia e de igualdade.”



“Disfarçado de “racionalização e otimização de custos”, o brutal enxugamento imposto pelo governo Leite sufoca a qualidade da educação, desestrutura a organização pedagógica, onera profissionais e, em última instância, prejudica o aprendizado”. (Helenir de Oliveira, presidente CPERS)


Nota conjunta Direção Central CPERS.

Rosangela Trajano: professora, escritora e amante da sabedoria

Rosângela Trajano, pseudônimo Danda Trajano,
é uma mestra em muitas coisas que envolvem educação:
poesia, filosofia e amor no ato de ensinar.

Ela simplesmente é. Não veio ao mundo a passeio, mas veio para fazer diferença. Além de sua formação superior (em Literatura Comparada, Filosofia Licenciatura e Bacharelado), criou o Projeto Giges que ensina filosofia na calçada da sua casa desde o ano 2000 e foi uma das responsáveis pela implantação da disciplina de filosofia no ensino fundamental II da Secretaria Municipal de Educação de Extremoz-RN. É também editora da Revista Barbante, revista que edita material e produção literária.

Atua com filosofia para crianças, meio ambiente (ecologia), literatura infantil, informática para crianças, psicanálise, filosofia e literatura e contação de histórias.

Com 22 livros publicados na área da literatura infantil e 01 e-book para adultos. Criadora de três coleções de material didático de ensino de Filosofia para Crianças e uma para adolescentes: Lelo amarelo Belo (educação infantil), Para gostar de pensar (ensino fundamental I), Amigos do saber (ensino fundamental II) e Meninos da filosofia (ensino fundamental II), De boa (Ensino médio). É também pesquisadora da UERN – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Campus Caicó, no grupo Ensinar e Aprender na Educação Básica (Filosofia para Crianças).

Atualmente, Trajano é professora apenas no seu projeto voluntário de filosofia para crianças que realiza na sua casa e também é palestrante.

Entrevistamos Rosangela Trajano com a intenção de homenagearmos todos os professores do Brasil, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte. Queremos respeitar as diferenças, mas, sobretudo, destacar as semelhanças na arte de ensinar de todos os educadoras e educadores brasileiros.


NEI ALBERTO PIES: De onde surgiu sua paixão por ensinar? Conte-nos um pouco de sua experiência com alfabetização de crianças.

Desde criancinha brincava de ser professora com as minhas bonecas de pano. Gostava de ensiná-las a ler e escrever. Colocava os meus poucos e velhos livros nos colos das minhas bonecas e ficava lendo com elas. Escrevia nas paredes de casa para que lessem. Quando adulta, minha primeira formação foi em licenciatura e a minha primeira aula foi para crianças do segundo ano do ensino fundamental I, na cidade de Extremoz, onde coloquei em prática o meu amor pela arte do ensino-aprendizagem.

Os meus alunos daquele segundo ano ensinaram-me a como dar aulas para crianças, eles eram os alunos mais fofos do mundo! Tudo o que eu ensinava aprendiam e estavam sempre ansiosos por novos conhecimentos. Eu ensinava inglês, espanhol, ecologia, artes, literatura além das disciplinas obrigatórias.

“Ilustrações, uma das habilidades bastante utilizadas por Rosângela Trajano”



NEI ALBERTO PIES: Como você usa a filosofia na vida e na profissão? Qual é a importância da filosofia neste momento histórico?

Toda criança nasce questionadora e, comigo, não foi diferente. Eu tinha muitos porquês na infância e os trouxe para a vida adulta. Antes mesmo antes de cursar a faculdade de filosofia eu brincava de ser filósofa nas minhas poesias questionando a vida e as coisas ao meu redor. Nunca aceitei conceitos prontos e sempre fui crítica em relação ao que me ensinavam, acho que por isso deixei várias faculdades incompletas porque as aulas nunca satisfaziam minha vontade de aprender e eu saía delas questionando se o que me foi ensinado estava certo ou não.

A filosofia ajuda-me a ser mais humana e aceitar as pessoas como elas são.

Na profissão, acredito que as minhas aulas abordam sempre questões presentes no cotidiano das crianças e dos jovens incentivando o pensar crítico.

O que mais respeito no meu aluno é a sua forma de pensar e se relacionar com o outro. Sou apenas uma ponte entre o pensar crítico e a sabedoria.

Estamos vivendo um momento bastante difícil no mundo e no país em que as pessoas estão cheias de ódio e não têm mais tempo para se preocuparem umas com as outras, somos líquidos como dizia o sociólogo Zygmunt Bauman.

Sinto que necessitamos de pessoas capazes de pensar criticamente para não aceitarem as fake news e a disseminação do ódio. Também vivemos uma época onde as emoções devem se sobrepor a razão para nãos nos tornarmos robôs ou manipulados por terceiros.

 Nunca se falou tanto em inteligência emocional quanto agora e a filosofia sempre se preocupou com a razão deixando as emoções um pouco de lado, mas alguns filósofos como Cícero e Epicuro exploraram essa área, também.

NEI ALBERTO PIES: Qual é a importância de professores e professoras escritores/escritoras como você?

Não me acho uma escritora, escrevo mal traçadas linhas para viver um pouco mais além dos outros. Escrever nos salva e nos ajuda a conhecermos os nossos outros eus, nos leva a criar mundos melhores e a sair da poluição desse mundo contemporâneo onde as pessoas estão preocupadas em tirarem proveito das coisas a qualquer custos. As amizades, na maioria das vezes, geram interesses.

Acredito que todo escritor deveria ter um projeto voluntário para ajudar as pessoas a aprenderem a ler e a escrever cada vez melhor.

NEI ALBERTO PIES: O que caracteriza a cultura potiguar? Que elementos culturais levas para tua profissão docente e como escritora de livros e revistas?

Os meninos do mangue da Pedra do Rosário e da Ponte Velha do bairro de Igapó. Eles são a minha maior inspiração.

No Rio Grande do Norte diz-se que em cada esquina tem um poeta e creio ser isso verdadeiro. Aqui comemoramos o dia da poesia duas vezes ao ano. O nome dado à cidade do Natal pelo folclorista Câmara Cascudo é uma poesia linda “Natal, a noiva do sol”. 

A poesia potiguar influencia bastante a minha inspiração. Tenho dentro de mim uma alma de muitas artes e culturas que vão desde a poesia à paixão pelo piano. Acredito que o calor humano do povo potiguar me contagia. Aqui todos somos irmãos e amigos, um ajuda o outro naquilo que melhor conhece.

NEI ALBERTO PIES: Conte-nos de tuas produções literárias e de material didático de filosofia para crianças.

O meu primeiro livro impresso foi publicado em 1999 no gênero poesia para crianças. De lá para cá não parei mais de escrever para crianças. Escrevo mais de madrugada quando contemplo as estrelas da janela do meu quarto de dormir.

Tenho muitos escritos inéditos e passeio pelos mais diversos estilos poéticos contemporâneos que vão desde a arte de fazer poetrix ao camaquiano. Também já produzi um poema épico para crianças com mais de três mil versos.

O material didático para crianças é um trabalho que tenho orgulho de fazer e é reconhecido e utilizado por professores do Brasil inteiro.

Já escrevi várias coleções para educação infantil, ensino fundamental I e II e ensino médio. Mantenho uma página no Facebook onde publico aulinhas quase todos os dias e disponibilizo gratuitamente para professores e estudantes. No momento, estou trabalhando numa nova coleção de material didático para a educação infantil que será toda ilustrada por mim e terá como texto o poetrix, estilo poético distribuído em três versos de trinta sílabas poéticas contendo um título.

NEI ALBERTO PIES: Qual é a finalidade da poesia no processo de ensino-aprendizagem de crianças, adolescentes e jovens?

Ensinar a criança a pensar criticamente através das figuras de linguagem e incentivá-las a criarem novos mundos através do imaginário. A criança que estuda poesia tem rapidez na elaboração de problemas lógicos e facilidade na leitura e interpretação de textos.

Se os professores melhor conhecessem os benefícios que a poesia pode trazer às crianças trabalhariam mais com ela em sala de aula.

É uma pena que existam tão poucos livros de teorias sobre isso. Eu mesma já quis oferecer um curso sobre a poesia para crianças na sala de aula e quase não achei material, foi preciso adaptar material do ensino superior. Penso em mais tarde escrever livros de teoria sobre a importância da poesia para criança no seu processo de ensino-aprendizagem. O meu grande sonho é ver todas as escolas trabalhando a poesia em sala de aula.

NEI ALBERTO PIES: Foste desafiada a produzir textos mais reflexivos, todos publicados no site e com muita aceitação. Conte-nos deste desafio novo, uma vez que já tens mais de 20 publicações deste estilo publicados no site.

Comecei publicando no site apenas historinhas curtas para crianças, mas ao longo dos meses percebi que tinha pouca leitura por parte do público. Pensei em algo que pudesse contribuir na formação dos leitores do site e tive a ideia de escrever textos que levassem o internauta a ser instigado a ler o que eu escrevia. Logo dediquei a minha escrita a reflexões sobre a educação de crianças incluindo as suas emoções e afetividade.

NEI ALBERTO PIES: Na sua percepção, qual é a influência do afeto e da inteligência emocional na aprendizagem das crianças e adolescentes?

Um professor só deveria ensinar se amasse verdadeiramente a sua profissão e os seus alunos. Sei que é difícil falar de amor nos tempos atuais, mas é necessário e muito.

Quem ensina com amor transmite sabedoria para o resto da vida, deixa marcas na alma da criança. Vivemos épocas de ódio em que as pessoas não se preocupam mais umas com as outras, tememos sair das nossas casas, não acreditamos mais nas pessoas, não temos mais amigos verdadeiros, passamos a confiar mais nas máquinas e estamos presos à tecnologia. Diante de tudo isso, o amor pede passagem para uma nova era. Um amor que cuide do outro, respeite e tenha proximidade do ser amante. Necessitamos falar mais de amor.

A inteligência emocional urge nas salas de aulas, principalmente às crianças que são incompreendidas pelos adultos na maioria das suas emoções, para citar um exemplo simples, uma criança birrenta nem sempre é assim por falta de educação, mas porque quer chamar a atenção de cuidados.

Já não damos atenção às nossas emoções e deixamos de lado os motivos pelos quais estamos crescendo ansiosos e depressivos, para evitar que isso se torne um problema mais grave salvemos as nossas crianças trabalhando as suas emoções.

As crianças também têm medo do escuro, de palhaços, de perderem as pessoas que amam e tantos outros medos, logo precisam saber lidar com esses medos.

Cabe ao professor ensinar a criança a lidar com as suas emoções de forma que não sofra tanto, porque a infância é uma fase da vida onde sofremos bastante por não termos as nossas dúvidas respondidas e aceitas pelos adultos.

Toda escola deveria adotar a disciplina de inteligência emocional, pois assim as crianças poderiam sair das suas casas na certeza de que encontrariam amor na escola. Tenho dedicado as minhas pesquisas na área da inteligência emocional há cerca de cinco anos, mas só agora venho escrevendo material didático para crianças e disponibilizado em meu site e redes sociais.

NEI ALBERTO PIES: Quais os desafios na profissão docente no Brasil hoje?

Temos muitos desafios, citarei os que acredito serem mais urgentes nos dias atuais: ensinar as crianças a pensarem criticamente, respeito e valorização ao professor, aprender a ensinar através da tecnologia da informação e escolas com boa estrutura.

NEI ALBERTO PIES: O reconhecimento e a valorização dos professores é uma concessão da sociedade ou uma conquista e uma afirmação permanente dos próprios professores e de quem acredita no poder da educação?

As duas coisas estão relacionadas. A sociedade sempre vai reconhecer o bom professor. Sabemos que há uma desvalorização do educador brasileiro, mas aquele que se dedica com amor e desenvoltura à educação se destacará dos demais sendo reconhecidos pelos próprios alunos, pais ou responsáveis e depois pela sociedade como um todo.

A educação precisa ser revista no Brasil. Temos grandes educadores e insistimos em importar modelos educacionais estrangeiros, não valorizando as metodologias de ensino dos nossos professores.

Conheço professores que se dedicam a elaborarem planos de aulas com textos instigantes aos seus alunos, eventos culturais nas escolas, salas de leitura com mediadores eficientes e nada disso é percebido pelas autoridades. Os nossos professores ganham salários baixos, não têm salas de aulas confortáveis e nem material didático de apoio, como vão ensinar com qualidade? Esforçam-se muito para dar o melhor que sabem e fazem isso com dedicação.

Salvemos a nossa educação oferecendo aos professores novas oportunidades de crescimento nas suas carreiras pedagógicas e melhores salários, assim todos estaremos reconhecendo os seus serviços essenciais à sociedade.

NEI ALBERTO PIES: Uma frase que define Danda Trajano.

Amanhã ainda serei criança.

NEI ALBERTO PIES: Uma mensagem aos professores e professoras deste imenso Brasil.

Caros professores e professoras, sei das dificuldades e desafios que vivemos nos últimos anos, porém não podemos cruzar os braços diante de tudo isso. Escolhemos essa profissão e devemos exercê-la com todo o nosso afeto e carinho por aqueles que tanto precisam de nós. Aquele que ensina transmite também valores para os seus alunos, muitos jovens sonham os sonhos dos seus professores.

O mundo necessita de adultos com conhecimentos os mais variados, por isso nos esforcemos cada vez mais para darmos o melhor de nós às crianças que chegam todos os dias nas nossas escolas com vontade de aprender um pouco sobre o que é o mundo e por que precisamos tanto estudar.

Quando tem um professor amigo, a criança ou jovem passa a sentir os seus desejos e vontades mais fortes e possíveis de serem realizados. Somos responsáveis pela criação de um novo mundo.

Façamos como nos ensina Edgar Morin nos seus sete saberes necessários à educação do futuro. Sigamos os exemplos de Rousseau, Kant, Montaigne e Sócrates para nos tornarmos cada vez melhor sem perder as nossas singularidades.

Eu também sou professora e ensino pensando sempre no que o meu aluno vai levar para a sua vida futura daquilo tudo que lhe ensino. Ensinar é uma arte que toca a alma do educando. Ensine com amor, ensine a viver.



Conheça site oficial Rosângela Trajano https://rosangelatrajano.com.br/

Sonho se reconstrói na experiência educacional

É bom acordar todo dia e saber que
encontraremos jovens com tanta energia e sonhos.
Vemo-nos neles. Somos eles.

Era um sonho grandioso ser professor. Fazer faculdade, então muito mais. Mudar o mundo estava nos planos. Contribuir positivamente na vida de jovens tornava uma realização profunda. Para quem veio de família pobre o esforço movia o impossível. Impossível? Sim. Olhando para trás percebo que ele não existe para quem tem na mente objetivo.

Ser professor já sou há 25 anos. Transformei o mundo? Depende do ponto de vista e do “mundo” que falamos.

O mundo e transformado pelas pessoas e aqueles que conviveram comigo, esses anos todos, levam grandes boas experiências que se deram através da linguagem. Mas nisso tudo, a transformação maior se deu dentro do meu eu, do meu coração. Me tornei alguém realizado. Feliz. A transformação se deu muito mais pra mim. Sou um ser humano melhor. E me renovo a cada dia com o convívio com jovens.



Ensinar com amor e aprender com emoção.



Estamos sufocados. O governo nos sufoca. A desvalorização profissional corrói a esperança. Muitas vezes, ela esta na calçada da vida, quase sem vida. O salário que não vem.

Os governos que não priorizam a educação. Estamos por mais de 5 anos sem nenhum centavo de reajuste. Não temos dinheiro para nos manter. Suprir o mínimo da família. Com toda essa avalanche de negatividade, como revitalizar o sonho a cada dia?

As únicas pílulas que estamos tomando para não morrer a míngua vêm do retorno de nossos alunos e alunas, como nos exemplos que seguem.

Por onde começar?

Como eu sempre falei, as aulas dele me lembram o filme “Sociedade dos poetas mortos“, por serem aulas dinâmicas, divertidas e que inspiram, fazem despertar o talento que cada um tem dentro de si. São aulas que podemos cantar, dançar, recitar poemas, atuar…

Fizemos Invasões Culturais, e aprendemos muito com isso. Levamos cultura em outras escolas.

Aprendemos com ele, que as aulas não precisam ser como nós estávamos acostumados, podemos aprender também, de maneira divertida e que todos participem.



Émerson Ryan da Silva – 208

Meu nome é Vitória Carolina. Tenho 16 anos e participar das Invasões Culturais foi a melhor coisa que o ensino médio me proporcionou. Eu tenho muito que agradecer ao professor Laércio por ter me dado essa oportunidade, de poder levar arte a juventude, e encontrar a arte em mim. Na primeira vez estávamos ansiosos, aflitos, envergonhados. Depois de ver o encanto nos olhos de cada um, a magia do momento em recitar poesias famosas e nos encontrarmos nos versos, tudo fluiu perfeitamente.

Não era algo forçado, e mesmo tendo um pouco de cansaço físico, nada superava os aplausos no final do espetáculo. A arte engloba tudo. Podemos sentir isso na pele. A amizade aflorava, quando decorávamos o poema do colega, e assim ajudava-o a ensaiar um pouco antes. Quando olhávamos uns para os outros e dizíamos, “você está incrível!”.

As parcerias na apresentação firmaram vínculos profundos, e mesmo que se passe 20 anos, ainda saberemos recitar, cada um a sua parte, no seu devido tempo. Ter a nossa turma como escolhida para esse projeto foi um privilégio e tanto. Nunca vamos nos esquecer desses dias incríveis, e das palavras amorosas, encorajadoras e de orgulho do nosso querido professor. Isso com certeza é algo que levaremos para a vida.



Vitória Carolina Machado dos Santos  – 208

Meu nome é Gabriel Andara da Silva, sou aluno do professor Laercio Fernandes dos Santos e participei do trabalho de Português e Literatura, a Invasão Cultural. Eu gostei muito de participar e levar poesia e música para jovens e alunos de outras escolas e do próprio Instituto Estadual Cecy Leite Costa. Foi muito gratificante levar essa experiência a outros jovens que nunca tiveram ela antes.



Gabriel Andara da Silva

            Não bastasse isso, conto um fato. Um dia desses fui para uma consulta de rotina num determinado hospital e já estava saindo da consulta quando fui abordado por uma enfermeira me dizendo: “Oi professor, parabéns pelo trabalho que desenvolve na escola”. Eu olhei bem para ela e perguntei: “Mas de onde mesmo eu te conheço”? Ela com um sorriso largo de lado a lado e me respondeu que eu tinha dado aula pra ela numa instituição de ensino superior e que ela tinha tido uma experiência fantástica com as minhas aulas.

Em seguida, ela me acompanhou até a recepção e dirigindo-se para as funcionárias dizendo: “Gente! Essa é o melhor professor de Passo Fundo! Ele declama, conta história, faz teatro e até apresentou um programa de televisão”.



Assista programa de TV apresentado por Laércio Fernandes dos Santos.



Por isso tudo, que o sonho não morre, porque ele é alimentado por injeções que nos impulsionam todo dia. São pelos alunos que fizemos. São por eles que renovamos a esperança. São por eles que acreditamos.

Quando o sonho está corroído, estraçalhado são eles que juntam os pedaços e cuidadosamente recolocam. É bom acordar todo dia e saber que encontraremos jovens com tanta energia e sonhos. Vemo-nos neles. Somos eles. É bom acordar e saber que na escola temos uma direção que nos apoia que nos entende, que nos ampara. Caso contrário, ou por outros motivos o sonho de educador do início estaria desfeito.

Greta e a agressão ambiental

Para surpresa de todos, pelo menos das pessoas civilizadas, as jovens passaram a ser  atacadas  em nossas redes sociais pelas  já  conhecidas hordas  de  bárbaros.


A sociedade mundial  vem  se mostrando imprevidente  e cega  diante dos  alertas  de  cientistas  (97% deles) sobre  o claro e evidente  processo  de aquecimento do planeta, fruto  da  ação humana.

Nenhuma pessoa responsável pode concordar que  podemos  simplesmente  continuar destruindo florestas  e  a  lançar  carbono no  ar.  Prevenir   a   mudança  climática  é  uma  ideia  cuja hora chegou . A  negação do problema  por companhias  energéticas, governantes irresponsáveis e  pela direita  política beira  a insanidade.

Igualmente, precisamos   fugir  do discurso catastrófico  adotado pela  esquerda  justiceira climática. O planeta  é de  todos  e isto exige  responsabilidade compartilhada  e  a busca por soluções  a curto prazo.

Cientistas alertam que mesmo  se  as emissões  de gases  de  efeito  estufa  caírem  pela metade  até  2050  e forem zeradas  até  2075,  o mundo ainda estará  a  caminho de um aquecimento  arriscado, pois  o  CO2 já emitido  permanecerá na  atmosfera por muito tempo.  Não basta, portanto, parar de  espessar a estufa;  em algum momento, precisaremos  desmontá-la.

Diante deste  preocupante  quadro, de  forma  alentadora,  jovens  adolescentes  surgem  para  dar  lições  aos  adultos. Lilly Platt, uma holandesa de apenas  11 anos, ganhou destaque mundial ao alertar  para  a devastação  em curso  na  Amazônia.

Greta Thunberg, uma sueca  de  16  anos, discursou na  abertura    da  Cúpula  do Clima  na  ONU, transformando-se  em  símbolo e  imagem do  protesto mundial contra o tratamento que  a natureza  vem recebendo.



“Vocês roubaram meus sonhos e infância”,
diz Greta Thunberg na ONU


Para surpresa  de  todos, pelo menos  das pessoas civilizadas, as  jovens passaram a ser  atacadas  em nossas redes sociais pelas  já  conhecidas hordas  de  bárbaros. Imagens   pornográficas  e  até  ameaças  foram  postadas.

O candidato  a  embaixador  em  Washington, Eduardo  Bolsonaro, compartilhou  com sua  malta  uma foto  em que  Greta  aparece  almoçando  em um trem enquanto  é observada  por crianças  africanas  famintas  do lado de fora.



O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) compartilhou no Twitter, na noite desta quarta-feira (25), uma foto montagem da ativista ambiental Greta Thunberg, de 16 anos. Na imagem, a jovem aparece tomando café em uma cabine de trem, enquanto crianças supostamente pobres a observam da janela.
Veja mais aqui.



Uma  imagem mal intencionada, covarde, além, de ser  falsa. O indivíduo não perde o hábito de viver de fakes.   Diante  de uma questão tão delicada  e importante,  esta  foi  a reação  do candidato  a  embaixador nos  EUA. Uau!!

Deixando  de  lado  a típica  parvoíce   dos Bolsonaros, gostaria  de dividir com meus leitores  o que  afirma  o cientista  cognitivo Steven Pinker,  em seu livro O Novo  Iluminismo.  Ele mostra-se  preocupado  com a situação do clima mundial mas, igualmente,  revela-se  um “otimista condicional”.

Segundo ele “problemas  são  solucionáveis. Isso não significa que  se  resolverão por si mesmos, mas  significa  que podemos resolvê-los  se sustentarmos  as  forças  benéficas  da modernidade  que nos permitiram resolver  problemas  até  agora,  entre elas a  governança  internacional e investimentos  em  ciência e tecnologia”.

 Concordo. Também acredito que a   humanidade não está caminhando  de forma irrevogável para o suicídio ecológico. Mas não  podemos  abusar  e ignorar os alertas dos cientistas.

A verdade,  é que os  últimos  quatro anos (2015 a 2018) foram  os  mais quentes  da história, conforme  a  Organização  Metereológica  Mundial.  Já a  Amazônia corre o risco de  “savanização”, ou seja, de substituição da  selva  por  vegetação  rasteira, alerta Carlos Nobre, da USP, um dos maiores climatologistas do planeta.   

Se depender  de  indivíduos  como  os integrantes  do clã Bolsonaro   e  de seus  seguidores fundamentalistas, este   é  um processo que não terá mais volta.  Afinal, não podem  ouvir falar em livros, cultura, ciência  e meio ambiente  que já  empunham seus  fuzis.

Fico pasmo  ao constatar  como  o  homem responde  com vingança  atroz  a insignificância  que a natureza o  reduz.



O que muda é se assumimos compromissos a partir das nossas ações humanas no planeta ou se estamos preocupados somente com o status social que recomenda “dosar” e qualificar nosso consumo como mais sustentável. (Nei Alberto Pies)

Rápido olhar sobre a Amazônia

Sendo objetivo: floresta preservada
vale mais que terra desmatada.

Pensar a Amazônia – equivocadamente ainda hoje entendida como o “pulmão do mundo”, denominação que bem cabe às algas marinhas, responsáveis pela produção de 54% do oxigênio do mundo – num contexto amplo, isto é, sob a esfera política, social, econômica e ecológica, requer, à primeira vista, que se faça lacônica e generosa reflexão sobre boa parte da riqueza natural (vastíssima diversidade de fauna e flora) ali existente.



É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente o Brasil, adotem medidas sérias para salvar uma região determinante no equilíbrio ecológico do planeta”, diz o documento da CNBB.



Para início de conversa, estamos falando de uma área de 5,2 milhões de Km2 (61% do Brasil e 14% da população brasileira, 29 milhões de pessoas concentradas em áreas urbanas), incluindo nove estados e 3 importantes e ricos biomas, Amazônia e partes do Cerrado e do Pantanal.

Pensar o bioma Amazônia, onde está a maior floresta tropical em biodiversidade do mundo (contemplando 10% de toda a biomassa do planeta), significa observar com elevada atenção nada menos que 49% do território brasileiro; isso representa, pasmem, 16 vezes o tamanho do Estado de São Paulo.

Pensar, pois, a maior floresta tropical do mundo (com 30 mil espécies de plantas e 30 milhões de espécies animais) significa reconhecer que essa “nossa” especial riqueza é capaz de levar umidade para toda (vale o grifo) a América do Sul (abriga-se ali 20% dos recursos hídricos de todo o planeta), influenciando no regime de chuvas na região e contribuindo para estabilizar o clima global.

De passagem, urge lembrar que a floresta funciona como uma bomba de água que abastece a atmosfera com o vapor que forma as nuvens e mantém as chuvas; e qualquer desregulação das chuvas, como é fácil notar, impacta diretamente o agronegócio, afetando assim os destinos do nosso país que tem 90% da agricultura dependente de chuva (apenas 10% das lavouras brasileiras são irrigadas).

É aqui, na maior floresta tropical do mundo, que se tem o maior e mais volumoso rio, o Amazonas, com extensão de 6.800 km, desbancando assim o Nilo, com 6.695 km e o Yangtzé, com 6.300 km. É aqui – cumpre frisar sempre que possível – que está também uma das maiores sociodiversidades culturais do mundo, com diversas etnias e povos não contatados, alguns em regime de isolamento (107 grupos ao todo).

Detalhe: estima-se que aproximadamente vivem na região amazônica mais de 460 mil índios, divididos entre 225 sociedades indígenas, com mais de 180 línguas.



A campanha #PovosDaFloresta é protagonizada por 25 lideranças de nove povos indígenas da Amazônia, comunidades quilombolas do Vale do Ribeira (SP) e ribeirinhas da Terra do Meio, no Pará. Com sua força e beleza, a campanha saúda a diversidade de povos que vive e protege as florestas e lembra que são as florestas que regulam o clima, produzem a chuva para a agricultura e abrigam a maior biodiversidade do planeta, potencial fonte de novos medicamentos e curas.


Há um ponto que não se pode deixar escapar à compreensão: a Amazônia (o ecossistema mais biodiverso da Terra) tem algo de muito especial que, à luz de boa sabedoria, não deixa de surpreender a todos. Não raras vezes, há sempre novas descobertas acontecendo.

Veja-se a propósito que, entre 2010 e 2013, foram descobertas mais de 400 novas espécies de animais e plantas na região, aumentando sobremaneira a extrema necessidade de preservar este bioma e toda a sua biodiversidade (isto é, a exuberância da vida na Terra). Ao longo desse período mencionado, foram descobertas, ao todo, 258 espécies de plantas, 84 de peixes, 58 de anfíbios, 22 de répteis, 18 de aves e uma de mamífero, numa surpreendente média de duas descobertas por semana. Algo que se soma às mais de 1,2 mil novas espécies de animais e plantas identificadas e listadas pelo conhecimento científico.

Toda essa riqueza – que não para por aí – é digna de relevante nota: a Amazônia possui uma série de riquezas minerais mal exploradas economicamente. São metais como ferro, zinco, alumínio, nióbio (usado principalmente na produção de ligas de aço de alta resistência) e ouro que estão presentes no subsolo amazônico em quantidades variáveis.

Especificamente em relação ao nióbio, tema que frequentemente ocupa o noticiário nacional, o Brasil possui 98% da reserva global. Somente a reserva de Araxá e Tapira, em Minas Gerais, com 75% da quantidade disponível, tem material o bastante para mais de 200 anos de exploração.

E a história segue: as mais ricas e variadas espécies da Amazônia, cabe destacar, também são importantes pelo seu uso para produzir medicamentos, alimentos e outros tantos produtos. São mais de 10 mil espécies de plantas da área que possuem princípios ativos para uso medicinal, cosmético e controle biológico de pragas.

Serve de exemplo: em 2017, pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, mostrou que a planta “Unha-de-Gato”, além de ser utilizada para tratar artrite e osteoartrose (doença relacionada com a lesão degenerativa da cartilagem articular), ainda reduz a fadiga e melhora a qualidade de vida de pacientes em estágio avançado de câncer.

Fora isso, produtos típicos da floresta são comercializados em todo o Brasil, como açaí (90% das exportações dessa fruta se destinam aos mercados dos EUA e Japão; Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Canadá, França e outros compram os 10% restantes), guaraná (já transformado em referência cultural), frutas tropicais, palmito, fitoterápicos, fitocosméticos, couro vegetal, artesanato de capim dourado e artesanato indígena.

Há ainda produtos não madeireiros que apresentam elevado valor de exportação: castanha-do-brasil (ou castanha-do-pará), jarina (o marfim vegetal), rutila e jaborandi (princípios ativos), pau-rosa (essência de perfume), resinas e óleos, entre outros.

No entanto, vale observar o seguinte: embora venha se tornando um assunto quase familiar, boa parte dos brasileiros – algo que deve ser lamentado – ainda desconhece a importância real da Amazônia para o equilíbrio planetário, bem como os mais sérios problemas e ameaças (desde a destruição da floresta em si à fragmentação de seus ambientes aquáticos, como a interrupção e desvio dos cursos dos rios para a construção de barragens e, notadamente, a prática de desmatamentos criminosos – algo como dois campos de futebol desmatados a cada minuto) que recaem sobre esse fundamental ecossistema do planeta.

Note-se, ademais, que isso exige comentários detalhados. De acordo com estudo divulgado pelo Observatório do Clima, o desmatamento (que representa hoje a liberação de 200 milhões de toneladas de carbono por ano, 2,2% do fluxo total global, grifo meu, MEO) vem causando cada vez mais impactos graves na diversidade de espécies. Estima-se que a Pan-Amazônia (outro grifo meu: entre 2000 e 2017, a Amazônia inteira, e não apenas a parte brasileira, perdeu 29,5 milhões de hectares de floresta, o equivalente a área territorial do Equador) já tenha perdido 11% de sua cobertura.

Criminosamente, isso causou perda de 7% no habitat das espécies. Para 2050, a projeção com políticas de controle de desmatamento mostra 21% de redução da floresta (e 19% na diversidade); sem controle, isso vai a 40% (e 36% de perda de diversidade).

Todo esse descompasso, como é plausível imaginar, eleva a necessidade de se conhecer em detalhes o que se passa com a Amazônia para que se procure, na medida do possível, mitigar todos os impactos possíveis.

A propósito, Vera Maria Fonseca de Almeida, em artigo escrito especialmente para a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), alerta que:

O Brasil não conhece essa Amazônia real, porque sua realidade não é avaliada, tampouco divulgada. O Brasil, todavia, precisa perceber a Amazônia hoje, não só como uma paisagem, não como um bioma somente, não só como uma fronteira… A Amazônia é uma região geográfica deste país comportando as características vitais de qualquer ambiente ocupado pelo ser humano, quer em sua vertente urbana, quer em sua vertente rural. Tem vida política, religiosa, comercial, industrial. Por isso também polui, também invade, também cresce desordenadamente e sua população sobrevive em favelas nas periferias das cidades. Nela também há violência como em qualquer outra região do país. Há, porém, um aspecto que a torna diferente das demais regiões. Essa diferença resulta tanto de sua configuração geofísica como da história de sua colonização. Nela, são os rios que imperam e são esses rios os detentores do ritmo de vida do homem, dos bichos e da própria floresta. Nesse mesmo rio está o principal meio de comunicação, de locomoção e de subsistência do amazônida.

Falando abertamente, há considerável desconhecimento de algo bastante representativo que está devidamente provado: a maior floresta tropical do globo consegue produzir mais riquezas se mantida de pé que derrubada.

Sendo objetivo: floresta preservada vale mais que terra desmatada. Há uma boa gama de ótimos estudos mostrando que os serviços ambientais proporcionados pela Amazônia – ou serviços ecossistêmicos, como são conhecidos – como regulação do clima, oferta de água, manutenção da fertilidade do solo e prevenção da erosão, geram mais recursos econômicos (ganhos) que a substituição da vegetação nativa por culturas como a soja ou a pecuária.

No entanto, a destruição da Floresta Amazônica, notadamente em termos de áreas desmatadas, continua sendo prática comum. São odiosos e inaceitáveis os números conhecidos de destruição em toda a região: apenas entre agosto de 2017 a julho de 2018, foram derrubadas cerca de 1.185.000.000 (um bilhão, centro e oitenta e cinco milhões) de árvores.

E repare bem que, depois de acentuada queda nos registros de desmatamento, caindo de 27,8 mil km² em 2004 para 4.600 km² em 2012, o menor índice da história brasileira (vide gráfico abaixo), dados do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, considerando o período mencionado linhas acima (ago/17 a jul/18), mostram preocupante aumento de 15% sobre os 12 meses anteriores. Desde agosto de 2018, a devastação ilegal atinge, em média, 52 hectares da Amazônia/dia.

O novo problema, porém, é que dados mais recentes, isto é, dos primeiros 15 dias de maio de 2019, por exemplo, são os piores no mês em uma década – 19 hectares/h, em média, representando o dobro do registrado no mesmo período de 2018. O que se sabe é que foram perdidos oficialmente, em apenas uma quinzena, 6.880 hectares de floresta preservada na Região Amazônica.

Não bastasse isso, agora os registros de aumento das queimadas – notadamente de janeiro a agosto de 2019 – indicam que a tendência de crescimento da destruição da floresta segue em alta. Até o mês de agosto de 2019, o Brasil registrou – pasmem novamente – 131.327 queimadas florestais, segundo o INPE. 

Por fim, dito numa linguagem modesta, o que precisa ficar claro é o seguinte: todos esses trágicos acontecimentos terminam evidenciando certa coerência com as promessas do atual presidente da República de diminuir as políticas de proteção ambiental para facilitar, em partes e no todo, a exploração econômica da região e de seu impacto negativo.

E mais: apesar de o atual mandatário enxergar as críticas internacionais – principalmente as de líderes políticos do exterior – como uma espécie de complô, algo que em sua distorcida visão impediria o crescimento do Brasil, a verdade é que, goste-se ou não, estão em xeque as principais diretrizes ambientais dominantes no país nos últimos tempos.

Tristes e conturbados tempos. Tempos trevosos, para ser claro, explícito e definitivo.



Prof. Marcus Eduardo Oliveira
Autor dos livros “Economia Destrutiva” (ed. CRV) e “Civilização em desajuste com os limites planetários” (ed. CRV), entre outros. 
prof.marcuseduardo@bol.com.br

Valeu a pena ter um sindicato de professores municipais

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Após alguns meses, quais os avanços da categoria?

No mês de novembro de 2018, o Centro Municipal dos Professores de Passo Fundo tornou-se oficialmente o Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo. Depois de 30 anos de história, de lutas e conquistas, a tão sonhada carta sindical foi conseguida através de uma ação impetrada pelo próprio CMP junto à justiça do trabalho, que teve como resultado a concessão do importante documento que fez, de fato e de direito, o CMP como o único e legítimo representante da categoria do magistério municipal.

Muitos foram os questionamentos em relação à legitimidade e também à utilidade de um sindicato somente dos professores do município. Entretanto, após alguns meses de funcionamento como sindicato, podemos apontar algumas questões que justificam o esforço demandado na construção de uma entidade autônoma, como é o CMP Sindicato.

Disponibilidade

Com a carta sindical, foi possível que três colegas pudessem ser cedidos ao sindicato para trabalhar exclusivamente pela categoria. Com isso, melhorou não só o atendimento interno, mas, principalmente, o atendimento externo, por exemplo, as visitas nas escolas, representação nos diversos órgãos e fóruns oficiais, além do acompanhamento dos colegas professores de uma forma individualizada, quando estes nos solicitam.

Dedicação exclusiva à categoria

Hoje, ao contrário da realidade que tínhamos quando estávamos ligados a outro sindicato, os colegas contam com pessoas que pensam exclusivamente as questões do magistério, sem dividir seu tempo e energia em demandas que nada têm a ver com as necessidades dos educadores. Essa nova dinâmica possibilita melhor desempenho e direcionamento de esforços, mantendo sempre o foco nas necessidades dos professores.

Processos judiciais

Com a autonomia conquistada, foi possível dar maior atenção aos processos judiciais e às demandas judiciais pendentes. No último levantamento feito, o departamento jurídico do CMP SINDICATO informa que já foram repassados para a categoria o valor aproximado de R$ 600.000,00 a título de ações ganhas, na justiça, contra a Prefeitura de Passo Fundo. Isso só foi possível devido à agilidade dos nossos advogados e à possibilidade de identificar demandas judiciais em potencial.

Garantia do pagamento de 1/3 de férias sobre a unidocência e sobre os regimes

Essa foi uma importante conquista da entidade, pois conseguimos solucionar um problema que afetava boa parcela do magistério municipal. Os professores e professoras terão, a partir de agora, a garantia dessas verbas todo ano, tendo em vista o acordo feito com o executivo municipal.

Demandas específicas da categoria

Ter um sindicato próprio possibilita um atendimento personalizado para tratar de questões específicas da nossa categoria, o que, muitas vezes, não é possível quando há muitas categorias em um único sindicato. Um exemplo disso foram as questões do pagamento do regime especial para os gestores no início do ano e agora, no meio do ano, a regulamentação do recesso para diretores e coordenadores. Essas e outras questões tiveram êxito em função da intervenção direta do sindicato, que negociou com a Secretaria Municipal de Educação obtendo êxito e garantindo questões importantes aos colegas.

Reajustes

Através de mobilizações e negociações, o CMP Sindicato conseguiu, ao longo dos últimos cinco anos, repassar um percentual superior a 30% de reajuste ao magistério municipal. Trata-se de um aumento considerável, tendo em vista a realidade de outras categorias e que foi conseguido através de mobilização, negociação e, algumas vezes, através de greves e muita luta da categoria.

Nova sede

Com a disponibilidade de professores, foi possível oferecer e gerenciar uma nova sede aos professores municipais. Trata-se de um local mais amplo, com diversos espaços, oferecido para todos os associados que podem alugar por um valor simbólico o local para festas ou outras atividades. A sede conta com uma ótima infraestrutura, com salão de festas, dois auditórios e piscina, que vem sendo usada quase todos os fins de semana e também durante a semana, quando escolas realizam suas atividades nas dependências do sindicato.

Objetivos para o futuro próximo

O CMP Sindicato é uma entidade forte que cresce a cada dia. Nos últimos quatro meses, filiamos em torno de 100 novos professores e, ao mesmo tempo, reduzimos algumas despesas, com o objetivo de ter uma entidade saudável financeiramente falando. Nosso objetivo, ainda nesta gestão, é melhorar a qualidade de atendimento nas áreas jurídicas e de saúde do professor e também iniciar o projeto de aquisição de uma sede própria, que possa atender adequadamente a todos os nossos associados. São planos ambiciosos, mas factíveis, desde que possamos contar com o apoio da categoria.

Outrossim, sabemos que existem demandas pendentes e que aguardam solução. Entre elas, está a questão da devolução dos valores descontados na paralisação de 2018. Essa questão já foi ajuizada e, brevemente, teremos um desfecho que acreditamos ser favorável. A outra questão diz respeito às promoções das professoras da Educação Infantil. Essa, sem dúvida, é uma das questões mais emblemáticas. O governo municipal parou de promover as colegas da educação infantil acarretando imensos prejuízos para esse segmento da educação. Conseguimos, após dias de protestos, arrancar cinco promoções, o que é basicamente nada em um universo de quase 150 colegas. Essa demanda é o nosso grande desafio e nunca será esquecida pelo sindicato que está negociando essa questão de forma política e jurídica.

O sindicalismo no Brasil está passado pelo seu pior momento. Ataques estão sendo perpetrados contra essas entidades, com o objetivo de enfraquecer a luta dos trabalhadores, para que não tenham força para reagir às investidas daqueles que elegeram os sindicatos os culpados das mazelas do país. O CMP Sindicato segue firme e forte e consciente de que a única forma de termos nossa dignidade preservada é a nossa união e ter as entidades sindicais fortes e organizadas, sempre ao lado dos trabalhadores.



Há uma crescente afirmação de que os sindicatos estariam perdendo seu poder de representação dos trabalhadores e trabalhadoras. Será?



Fonte: Assessoria de Comunicação do CMP Sindicato
Fotos: Ingra Costa e Silva

CVV: promovendo vida e prevenindo suicídio em escolas

Durante o Setembro Amarelo, duas escolas de Passo Fundo
receberam a palestra e a reflexão sobre Promoção da Vida
e prevenção ao Suicídio, através da voluntária do
CVV em Passo Fundo, Verônica Azambuja.

A atividade, pensando para adolescentes e jovens, foi extraordinária. Através de um bate papo, com linguagem acessível e direta, Azambuja apresentou um clipe da Banda Detonautas: Ilumina o Mundo.

Depois do clipe, os jovens puderam interagir perguntando, expondo suas opiniões e ampliando seus conhecimentos sobre ansiedade, depressão, solidão como fatores que podem contribuir com os altos números do suicídio no Brasil, mas em especial no RS e na nossa cidade Passo Fundo, RS.

Publicamos depoimentos de algumas pessoas envolvidas na atividade.

“As atividades que envolveram o CVV durante o setembro amarelo nas escolas, foi um desafio muito grande. Levar esse tema tão complexo como prevenção ao suicídio e apresentar o trabalho do CVV para acolher, fazendo a escuta das pessoas que procuram o número 188.

Trabalhar com adolescentes foi desafiador pois eles tem dificuldades muitas vezes de falar sobre o que estão sentindo, tanto em casa, quanto no ambiente escolar. Os alunos foram bem receptivos e participativos, questionaram e até mesmo procuraram para conversa individual.

O CVV levou informações necessárias e também conforto para quem precisou. Sempre pontuamos que “Falar é a Melhor Solução” e levando o assunto, debater com eles foi gratificante.

Nós, como educadores, devemos conversar com nossos alunos, trazendo dados e assim prevenindo casos onde possam ocorrer tentativas.

Posso dizer que foi gratificante essa experiência e assim pude ajudar muitas pessoas que ali questionaram e procuraram”.

O Brasil é o oitavo colocado a nível mundial em.suicídios, sendo o RS um dos primeiros colocados a nível nacional e Passo Fundo a segunda cidade no estado. A cada 45 minutos no Brasil, alguém tira a vida através do suicídio. O CVV está 24h por dia, todos os dias do ano disponível pelo número 188, totalmente gratuito. (Verônica Azambuja, Voluntária do CVV em Passo Fundo, RS)

“A presença da Verônica Azambuja, ex-aluna do Instituto Estadual Cecy Leite Costa, gerou identificação imediata com os estudantes. O conhecimento de causa e sua atuação no CVV, contribuíram para uma abordagem franca, direta, empática.

Na adolescência e juventude, é fundamental falar sobre temas pertinentes ao cotidiano dos nossos estudantes, mesmo que delicados, acolhendo, esclarecendo e encaminhando. A informação com responsabilidade é o melhor caminho. (Douglas Peretto, vice-diretor turno tarde IECLC)

“A atividade realizada por Veronica Azambuja do CVV – com a temática Prevenção ao Suicídio e Promoção da Vida para os alunos dos 7⁰s, 8⁰ e 9⁰ anos na escola Municipal Zeferino Demétrio Costi (EMEF ZDC) foi muito importante e significativa, porque tínhamos como objetivo principal orientar, prevenir e valorizar a vida.

O diálogo e a escuta foram dois quesitos fundamentais no decorrer da atividade. Nossos alunos participaram e perguntaram muito, comprovando o quanto este espaço de diálogo, escuta e reflexão é importante no processo de formação dos nossos alunos. Agradecemos imensamente ao CVV na pessoa da Veronica Azambuja. (Adriana Severo dos Santos, orientadora educacional)



Depoimentos

“A palestra serviu para que entendêssemos o quanto é importante conversarmos sobre o que nos machuca e saber ouvir a dor dos outros. A empatia faz o ser humano se sentir melhor com ele mesmo, pois o sentimento de saber que conseguiu ajudar alguém é a maior recompensa que poderíamos receber.
Podemos dizer que a depressão e o suicídio é culpa da sociedade que, muitas vezes, impõe padrões tóxicos sobre todos nós, roubando a nossa saúde e a nossa autoestima”.
(Gabrielly Almeida, estudante nono ano EMEF ZDC)
“A palestra foi importante e muito boa, pois os temas abordados e o jeito dela abordar um assunto tão difícil como o suicídio foi interessante, como, por exemplo, quando Verônica questionou a todos se alguém seria capaz de escutar uma outra pessoa sem julgar”.
(Eduardo Zorzan, estudante nono ano EMEF ZDC)
Depressão é coisa séria e se não for tratada, pode levar ao suicídio. As pessoas que cometem suicídio não querem morrer, só querem aliviar a dor. Às vezes, essas pessoas só querem desabafar, falar o que sentem. Por isso, devemos estar atentos e ajudar as pessoas quando elas nos pedem ajuda”.
(Esthér Oliveira Souza, estudante sétimo ano EMEF ZDC)
Cada vida é importante e necessária e o suicídio não é saída. Quando uma pessoa está isolada e muito calada, procuremos falar com ela e não julgá-la, apenas escutar”.
(Bernardo Rosa, estudante sétimo ano EMEF ZDC)

Bolsonaro na Onu

Para experimentados diplomata,
o presidente perdeu a última chance
de ser respeitado no exterior.

O discurso de Bolsonaro nas Nações Unidas foi marcado pela lenga lenga que seus seguidores usam diariamente nas redes sociais. Isto é, intolerância e digressões retóricas confusas. Levou para a tribuna seu delírio ideológico contra o comunismo, ideologia de gênero, ambientalismo e indigenismo, além, do fundamentalismo evangélico. Só faltou o gesto da arminha.

Como legítimo representante do populismo autoritário de extrema-direita, Bolsonaro mostrou ao mundo que em sua visão limitada não cabe espaço para a proteção dos direitos das minorias ou a promoção do bem-estar humano.

Subestima a ciência, o mercado de ideias, inclusive a liberdade de expressão, a diversidade de opinião e a verificação factual de alegações que servem a seus próprios interesses.

Teve o descaramento de afirmar que seu governo “protege as florestas”, quando se sabe que o desmatamento quase dobrou desde a sua chegada ao poder em janeiro, a um ritmo de 110 campos de futebol por hora. Disse que o Brasil usa apenas 8% do seu território para produção de alimentos. E a área usada pela pecuária? A ONU “comunista”, mostra que alcança 28,2%.

Estufou o peito para afirmar “nossa soberania”, esquecendo-se que cumpre ordens de Donald Trump, em um processo de hiperentreguismo e subalternidade completa.

Mentiu ao dizer que, em 2013, o PT importou dez mil médicos de Cuba. Os jornais o desmascararam em minutos. No começo, foram apenas 391. Mais: que os médicos entraram no Brasil sem comprovação profissional. A lei exigiu diploma de curso superior. Quem vive de fakes não abandona a prática. Ah! Ainda se queixou que a mídia mundial espalha mentiras sobre o Brasil. Uau!!

Mostrou claramente que o seu populismo negligencia as limitações da natureza humana e despreza as instituições governadas por normas e controles constitucionais que limitam o poder de atores humanos defeituosos como ele.

Os ideais de tolerância, direitos iguais foram devidamente menosprezados pelo presidente brasileiro que escancarou sua hostilidade aos índios. Sua vítima foi o cacique Raoni, cotado para empalmar o Nobel da Paz.

Papa Francisco recebe índio Raoni, durante realização do Sínodo para Amazônia. Veja mais, clicando aqui.

Bolsonaro esqueceu que estava falando para uma plateia mundial e não para sua claque de alucinados seguidores, ou para seus vizinhos milicianos do condomínio da Barra da Tijuca.

Demonstrando que ainda vive no clima da Guerra Fria, dedicou boa parte de sua fala para atacar os “comunistas”, o “marxismo cultural”. Tenho certeza que boa parte da opinião pública mundial pensou estar diante de um clone latino-americano de segunda classe, do senador Joseph McCarthy, que nos anos 1950 promoveu uma cruzada contra os comunistas nos EUA.

A lógica do nós contra eles (imprensa, socialistas, colonialistas) predominou. Para experimentados diplomatas o presidente perdeu a última chance de ser respeitado no exterior. Outros, não tiveram dúvidas em afirmar que esta foi a pior abertura da Assembléia Geral da ONU em todos os tempos.

Enfim, foi um discurso marcado por teorias conspiratórias, delírios ideológicos, mentiras, raciocínio anedótico, fundamentalismo evangélico e demagogia rasteira.

Já a imagem do Brasil no exterior continua descendo a ladeira. Há, pelo menos, uma consolação. Nossa bandeira nunca será vermelha. Ufa!!

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