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Ferramentas das religiões

As orações, os cânticos e mantras, jejuns,
mudras, propósitos empoderadores, acreditem,
usados com profundidade e sinceridade,
vão te levar à algum lugar.

Diferente da abordagem de alguém que prima pelo autoconhecimento, voltado aos processos libertadores, dos quais pudessem esperar um discurso massacrante sobre limitações e aprisionamentos provenientes das religiões, não farei isso, porque respeito a evolução de todos.

As pessoas comumente confundem as religiões com pessoas que as comandam em determinada instância. Em uma época de enfoque quântico de libertação da “Matrix”, há discursos em que nos remetem de imediato à verdadeira conexão do “Eu” com o “ Eu Sou”.

As religiões nos oferecem ferramentas profundas e poderosas para esse encontro, todas elas.

As orações, os cânticos e mantras, jejuns, mudras, propósitos empoderadores, acreditem, usados com profundidade e sinceridade, vão te levar à algum lugar.

No meio místico, usa-se comumente, para fins de purificação e sobre tudo para obter-se clareza, visão ou clarividência, o jejum. Sim, o mesmo que nos dias de hoje, de forma intermitente, usa-se para emagrecer.

Adicione ao seu jejum intermitente um propósito transcendente e também orações sinceras, mantras, silêncio e introspecção e ou algum foco específico sobre o qual deseja ter mais compreensão. Irás de imediato experimentar sensações desde físicas à espirituais que nunca sentiu e terás resultados incríveis.

A título de exemplo: sentirás no corpo físico leveza, no plano mental clareza, no plano espiritual unidade com as coisas que te rodeiam, desde seus semelhantes e também os seres que convivem conosco, como os animais, plantas e outros criaturas. Sentimento profundo de liberdade.

Mas em qual religião eu encontro isso?

Em todas as religiões, contudo, fuja daquelas que detêm e te limitam, das que te encham o coração e a mente de julgamentos efêmeros e fundamentados em distorções da realidade e ou até mesmo de suas escrituras sagradas e seus apócrifos enterrados.

Ahh.. mas e as leis, tábuas e normas das religiões? Existem pessoas de vários níveis de desenvolvimento, os despertos, os que irão despertar e os que dormem. Portanto, acredito que elas também sejam necessárias em alguns casos, para literalmente “adestrar o impulso e o descontrole humano”

Todas as religiões em algum momento sugerem a meditação. Esta é, seguramente, uma forma de encontro com o “ Eu Sou”.  Meditem!

Paz e luz !

Relembrando Chiara Lubich

A Economia de Comunhão deve canalizar
capacidades e recursos para produzir riqueza
em prol dos que se encontram em dificuldades.

Ao contrário da economia consumista, baseada na cultura do “ter”, a economia de comunhão é a economia do “dar”. Isto pode parecer difícil, árduo, heróico. Mas não é assim, porque o homem, feito à imagem de Deus, que é Amor, encontra a própria realização justamente no amor, na doação. Esta exigência está no mais profundo do seu ser, tenha ele fé em Deus ou não. É justamente nesta constatação, comprovada pela nossa experiência, que está a esperança de uma difusão universal da economia de comunhão.

O distanciamento cada vez mais frequente entre as pessoas, a agressão sistemática ao meio ambiente em prol de um crescimento econômico sem limites, a consolidação de um modelo econômico que enaltece substancialmente o consumo conspícuo, a busca desenfreada pelo dinheiro como sinônimo de felicidade, o crescimento das injustiças econômicas e sociais e o desmantelamento dos princípios básicos que modelam a teia da vida.

Desnecessário afirmar categoricamente que a somatória disso provoca profundo descontentamento no cotidiano dos povos, e tem levado cada vez mais pessoas à reflexão em torno da mais absoluta necessidade de se resgatar os laços de sociabilidade e de afirmar um compromisso em prol de um mundo melhor; de um mundo mais justo e socialmente mais equilibrado; de um mundo social comum.

Nesse sentido, resgatando a possibilidade de se construir um mundo econômico e social menos injusto, que crescem ações para reverter essa tendência de distanciamento entre as pessoas, tentando aproximá-las pela prática da partilha, da comunhão (da comum união).

(Chiara Lubich, 1920 – 2008)

Tentativas de novos agrupamentos em favor de ações coletivas, cercadas de cooperação e união entre os membros tem se destacado com mais freqüência numa época em que os valores monetários, como é fácil perceber, têm se soerguido em relação aos valores éticos, morais e sociais. Uma tentativa nessa linha de atuação cooperativa que merece destaque é a chamada Economia de Comunhão (EdC).

A comunhão (comum união entre os membros) tem sido uma porta de entrada para a solidificação de um novo modo de fazer economia, no qual esteja presente a prática da comunhão-cooperação-fraternidade.

Em poucas e objetivas palavras, a Economia de Comunhão pode ser resumida como sendo a combinação de eficiência econômica com solidariedade, tendo como arrimo o princípio da cooperação.

A verdade é que a busca pela justiça social e um lugar para se viver em que “entre eles não haja necessitados” (lema da EdC) tem sido discutido amplamente entre aqueles que se põem a construir uma nova maneira de pensar a própria vida a partir das relações econômicas, tendo como elemento integrador desse sistema a participação das empresas.

Esse é o modelo da Economia de Comunhão que procura, por meio de redes (conjunto de pessoas ou organizações interligadas direta ou indiretamente) pôr a economia à serviço do atendimento aos mais pobres, uma vez que percebe claramente que os sistemas econômicos tradicionais têm sido incapazes de tirar a fome da boca de uma criança.

O ponto fundamental desse novo jeito de “pensar a economia” é a cooperação e a ajuda mútua (na prática é a cultura do “dar” e do “doar-se”) entre os agentes e o amplo e irrestrito apoio aos projetos de cunho social que enalteçam o papel das pessoas integrando-as no sistema produtivo.

Falando abertamente, o propósito é um só: levar a dimensão da fraternidade para a macroeconomia que dita, na essência, as políticas econômicas públicas. O objetivo? Fazer com que a teoria econômica tradicional seja sensível à economia social e faça valer o princípio maior dessa ciência social: proporcionar melhoria (bem-estar) de vida a todos.

Nas palavras de Chiara Lubich (1920-2008), ativista social italiana, criadora desse movimento a partir de uma visita feita às comunidades carentes em São Paulo, em 1991: a Economia de Comunhão deve canalizar capacidades e recursos para produzir riqueza em prol dos que se encontram em dificuldades.

Os lucros devem ser livremente colocados em comum, divididos em três partes, no seguinte sentido:

  1. Ajudar os pobres e dar-lhes sustento, enquanto não conseguirem um posto de trabalho;
  2. Desenvolver estruturas de formação de ‘homens-novos’, ou seja, pessoas formadas e animadas pelo amor, capazes de viver a ‘ cultura da partilha’;
  3. Incrementar e fortalecer a própria empresa. (CHIARA, L. em “O Movimento dos Focolares e a Economia de Comunhão”, Vargem Grande Paulista, Ed. Cidade Nova, 1999).

Nota-se com isso que algumas ações em prol da construção de um mundo melhor estão em plena atividade; resta, apenas, de nossa parte, uma maior participação, afinal, em se tratando de resgatar os mais nobres valores em torno da vida, isso não pode esperar por muito tempo.

Pais na antessala da psicóloga

Pais e mães devem admitir que especialistas de
comportamento e de alma podem intervir
positivamente com crianças e adolescentes,
com o objetivo de libertá-las de “amarras psíquicas”
que as impedem de viver plenamente.

Sempre difícil pais e mães acompanhar filhos e filhas em atendimento psicológico. O acompanhamento parece invocar sentimentos de impotência e incapacidade, mesmo daqueles pais e mães que já entenderam a importância de uma terapia.

A função de uma psicóloga pode ser definida nas frases de uma criança de 07 anos, após 10 sessões de terapia: “Sabe, pai, psicóloga é legal. Ela mexe com os sentimentos e a alma das crianças e, às vezes, muda o pensamento delas”.

Esta mesma criança, ao ser interrogada sobre superação de seus medos, seguiu adiante e disse: “Pai, estas coisas eu e a psicóloga conversamos só no consultório, lá dentro”.

A experiência de levar filhos para atendimento clínico terapêutico coloca pais e mães em outro lugar: na antessala. Talvez aí resida a chave do entendimento da terapia psicológica: permitir que outros, além de nós pais e mães, avôs e avós, professores e professoras possam ser suporte para que nossas crianças e adolescentes entendam seus sentimentos e aprendam a libertar-se de seus medos e incompreensões, através do diálogo, fala e escuta especializada.

Controlar a ansiedade e o desejo injustificado de controlar e dominar o mundo e o imaginário das crianças parece ser um dos grandes desafios de pais e mães que levam filhos ou filhas ao consultório de psicólogos ou psicólogas.

Pais e mães devem admitir que especialistas de comportamento e de alma podem intervir positivamente com crianças e adolescentes, com o objetivo de libertá-las de “amarras psíquicas” que as impedem de viver plenamente.

Conforme afirma a psicóloga Tanise Vieira, “para muitos pais, “a necessidade de recorrer a um psicólogo atesta a sua incapacidade como cuidador e criador, é como se fosse uma confirmação de “eu falhei”. A abordagem do meio da criança envolve as relações mãe-criança-pai-criança o que desperta sentimentos de responsabilidade e, as vezes, culpa. Quando o psicólogo entra nestas dificuldades e formas de conflitos, há uma tendência dos pais em querer manter o status-quo e conservar o padrão de relacionamento, fazendo os pais não colaborar, boicotar ou interromper o tratamento”.

Leia mais: https://www.neipies.com/aprendizagens-de-uma-psicologa-de-criancas-e-jovens/

Foi na antessala de um consultório clínico que escrevi esta reflexão. No vazio, no silêncio, na espera pelo término de mais uma sessão, brotou a vontade de compartilhar esta experiência única de aprendizagem como pai, acompanhante de filho, em terapia.

Escrevi também para encorajar pais e mães que têm crianças e adolescentes que convivem com ansiedade, medos e sintomas de depressão.

Queridos: nós não falhamos como pai e mãe quando não conseguimos ajudar nossos filhos em todas suas necessidades psíquicas e existenciais. Tenhamos, então, humildade para dividir esta tarefa com professores e professoras, psicólogos e psicólogas e psiquiatras. Estes últimos compõe a ajuda especializada que nós não estamos habilitados a oferecer a eles.



Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola, para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos.



Falhamos mais quando insistimos que podemos responder sozinhos pela educação e formação de nossos filhos e filhas. Falhamos quando achamos que ninguém, além de nós, pode entender, compreender e orientar nossos filhos e filhas nas questões psíquicas e existenciais e educacionais.

Nossos filhos e filhas, neste século XXI, já podem contar com a ajuda de conhecimentos amplamente disponíveis na internet e nas redes sociais sobre como funcionam a alma humana e os comportamentos. E podem contar, também, com o esforço de seus pais e mães que agora entendem a complexidade deste momento histórico e de necessidades de seus filhos nesta fase de suas vidas.

O que mais afeta as gerações mais jovens são as incertezas do momento e a falta de clareza nas perspectivas do futuro.

A tarefa da educação e da formação humana deve ser, cada vez mais, resultado de um esforço conjunto de toda sociedade e de todos os sujeitos que agem com e sobre as crianças e adolescentes.



“O ser humano do futuro, provavelmente, será alguém com mais inteligência e com menos contato com outros seres humanos. Esta restrição aos espaços de convivência humana apresenta, entre as consequências, um espaço privilegiado para a psicologia, incluindo a necessidade de aperfeiçoar a sintonia entre o desenvolvimento cognitivo e emocional”. (Israel Kujawa)

De “temporários” a novos tempos de educação

Projetar o desenvolvimento da educação de qualidade,
de abrangência e eficácia, exige que se superem
as atuais condições em que se encontra
a política educacional no RS.

 Educação pública estadual do RS sobrevive e tenta fazer milagres apesar da instabilidade, da intermitência e do empobrecimento. Projetar o seu desenvolvimento na qualidade, abrangência e eficácia, exige que se superem essas condições. Explico.

Os dados pesquisados e organizados no Observatório da Educação no RS, com dados de 2006 a 2018, identificam que não se alcançou um processo progressivo de mudanças e incrementos nos insumos, programas e recursos humanos, ao contrário, há descontinuidade, interrupção e desinvestimento.

A falta de professores e funcionários de escola; o número de contratados temporários cada vez maior; prédios com pouca manutenção e enorme burocracia e incapacidade do Estado de fazer restaurações e consertos; o não cumprimento das Consultas Populares, onde estão várias obras escolares; o fechamento das turmas de Educação Infantil – o que poderia ser evitado pela cooperação entre os entes; a descontinuidade de programas de apoio federal, como o Mais Educação que fazia ampliação de tempo escolar; o fechamento de bibliotecas, ausência de refeitórios, laboratórios, conexão de internet, etc.

A redução das equipes pedagógicas, o parcelamento e congelamento de salários, esvaziam as escolas estaduais, desestimulam a carreira docente, apressando aposentadorias. Esses e outros tantos elementos implicam muitas vezes na perda de prestígio junto à comunidade, perda de alunos e de qualidade.

O reflexo no Ensino Médio, exclusiva responsabilidade do Estado, é brutal: evasão e reprovação aumentando, resultado longe da meta do IDEB, incapacidade de buscar os adolescentes e jovens que não ingressaram ou desistiram em idade escolar.



“Opressor pode ser um governo com projeto de poder, um grupo empresarial ou de fanáticos religiosos, não necessariamente o rico, embora dinheiro, poder e sexo mandem nessa bagaça toda. Estão matando os professores, aos poucos!” (Douglas Pereto, professor)

A tradição e qualidade do grupo de trabalhadores e a mobilização da comunidade, que apoia inclusive financeiramente, ainda mantém o vigor, mas longe da necessidade dessa geração e do desenvolvimento do Estado!

Essa ampliação de vagas temporárias para professoras em 5020, somando-se as 19.980 existentes, terá que ser para transição desse momento, em que o governo deve muitas aulas aos jovens estudantes, para um novo tempo, onde se retome a aposta na escola pública!

O temporário virar permanente é destruir o sistema público de ensino e destruir os sonhos da juventude. Por isso estamos vinculando a aprovação dos novos contratos à renovação de todos e realização de concurso público: posição que a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa tomou e consolidou numa emenda coletiva.

De 2006 a 2019 passamos de 13% a 31% de contratos temporários de magistério e para 40% nos demais trabalhadores da educação. Precisamos inverter esse gráfico!

De outro lado, estamos envolvidos no debate nacional sobre o financiamento da Educação Básica. Momento extraordinário em que se extingue o atual Fundeb – Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Professores – e que se discute e irá a voto à nova fórmula do financiamento. Precisamos que este novo Fundeb se torne permanente, com mais recursos da União – dos atuais 10% até 40% indicam os projetos de Lei – e que essa complementação chegue aos municípios.

Já tivemos dois encontros Nacionais das Comissões de Educação, uma grande audiência na AL/RS e um próximo encontro, em Porto Alegre, no dia 21 de outubro, com a relatora da PEC do Fundeb, deputada Dorinha. O Seminário Nacional de Educação, que a Comissão de Educação que presido realizou em outubro do corrente ano, também soma esforços na compreensão da conjuntura que atinge a área e na mobilização da sociedade gaúcha para que se abra um novo horizonte para a sua educação.



“As iniciativas que pautam a educação brasileira seguem nesse sentido perigosíssimo.  Números e escalas orientam os discursos, assépticos de gente, cínicos ao comparar realidades bem diversas: público – privado, países ricos – países pobres; perversos ao colocar em suspeita o educador e estimular a filmagem como obtenção de “provas” pelo estudante, suprimindo a ética e a amorosidade da relação educacional”.


Sofia Cavedon é Deputada Estadual do PT, Presidenta da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa do RS.

O caos chileno

Vamos querer repetir aqui o que hoje ocorre no Chile,
isto é, aumentar o processo de exclusão?

As “façanhas” das ditaduras latino-americanas do séc. XX continuam produzindo trágicos efeitos. No Chile, Pinochet impôs ao país um dos mais bárbaros regimes ditatoriais.

O país, menina dos olhos dos neoliberais, construiu seu “progresso” sobre torturados, desaparecidos e assassinados. Tais atrocidades são ignoradas pelos neoliberais e, por incrível que pareça até justificadas, diante dos supostos avanços econômicos.



Jornalistas Pedro Santander, Victor Farinelli e Francisca Quiroga, diretamente do Chile, explicam a convulsão social que vem tomando as ruas do país governado por Sebastián Piñera.

Agora, entretanto, o “paraíso do neoliberalismo latino-americano”, começa a mostrar seu verdadeiro caráter.

O descontentamento dos chilenos com o sistema previdenciário, administrado por empresas privadas, o deficiente sistema público de educação, o custo da saúde e os baixos salários em relação ao custo de vida acabou vindo à tona junto com os protestos sobre o preço do metrô.

Os idosos chilenos, em função do sistema de aposentadoria por capitalização, hoje ganham menos do que o salário mínimo. Resultado. Depressão e altas taxas de suicídios entre os mais velhos.

A desigualdade é espantosa entre os chilenos. 1% da população detém 26,5% da riqueza nacional. Já 50% das famílias vulneráveis são o obrigadas a se contentar com 2,6% do todo.

São raros no mundo os lugares onde o 1% mais rico da população ganha mais de 25% da renda total do país. Na América Latina, o fenômeno acontece em apenas dois países: no Chile e no Brasil.

Manifestações chilenas, outubro de 2019

O modelo neoliberal que dá evidentes sinais de esgotamento vem deixando um rastro de miséria atrás de si. A Argentina de Macri já quebrou em duas ocasiões. Enquanto isso os grandes bancos enchem suas burras nos “paraísos” neoliberais.

A constatação é de que, ao lado da ditadura centralizadora de Maduro, na Venezuela, que levou o país ao caos, igualmente, os ditos “paraísos” neoliberais de ditadura rentista, também estão afundando.

Aqui é preciso destacar que um dos artífices do modelo neoliberal chileno, que hoje leva o país a ameaça de uma guerra civil, foi o ministro Paulo Guedes que quer importar o modelo chileno para o Brasil. Uau!

À título de comparação, gostaria de lembrar que a Bolívia de Evo Morales, agora reeleito, é o país que mais cresce na América Latina. Riquezas como petróleo e gás foram nacionalizados. No Velho Continente, Portugal governado por um socialista, vai muito bem obrigado, depois de romper com o neoliberalismo da UE.

Vamos querer repetir aqui o que hoje ocorre no Chile, isto é, aumentar o processo de exclusão?



Uma aula sobre o que acontece no Chile – Reinaldo Azevedo

​Ocupando vidas com cuidado e arte


Projeto CuidArte realiza ações com crianças
que residem na ocupação Valinhos II,
em Passo Fundo



Desde pequenas, as crianças da Ocupação Valinhos II vivem o desejo da família de conquistar uma moradia. Algumas delas peregrinarão por mais de uma ocupação ao longo da vida. Viver em um lugar ocupado é um desafio e uma insegurança diária. Faltam acessos a muitas coisas, especialmente no que se refere aos direitos. Mas como vivem as crianças de uma ocupação em meio a esse cenário? Foi a partir de reflexões semelhantes a essa que surgiu o projeto CuidArte, promovido pela Associação Beneficente São Carlos, em parceria com a Universidade de Passo Fundo (UPF) e Cáritas Arquidiocesana.

 A ocupação Valinhos II existe há cerca de cinco anos e conta com cerca de 130 famílias, grupo que, em grande parte, é composto por crianças. Nesse contexto, o projeto CuidArte surgiu em 2018, voltado especialmente para atender às crianças. Uma das filiais da Associação Beneficente São Carlos em Passo Fundo é o Seminário Scalabrini, que fica em frente à ocupação. “Começamos a nos dar conta da realidade social dessas famílias, que residem na ocupação Valinhos II, ou Vale da Benção, como costumam chamar. Conhecendo um pouco das demandas, resolvemos construir um trabalho social”, comenta o presidente da Associação Beneficente São Carlos, padre Alexandre Biolchi.

O nome do projeto reúne duas ações importantes: o cuidar e a arte. “O CuidArte surgiu a partir da ideia do cuidado com a vida, especialmente o cuidado com as crianças e mulheres, categorias mais vulneráveis da ocupação, e o cuidado com a arte, por meio de atividades lúdicas”, explica Biolchi.

E esse olhar para as crianças faz muito sentido para Edivânia Rodrigues da Silva, moradora da ocupação. “Crianças precisam de um lugar para brincar e não temos pracinha aqui. Sabemos o quanto esses espaços também são educativos na perspectiva pedagógica. Dessa forma, o projeto ajuda a construir relações fraternas, por meio de pinturas, jogos e conhecimento”, declarou Edivânia, que também integra a Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo, e destaca ainda a importância de investir nos pequenos. “Investir nessas crianças é investir no adulto do amanhã. E você sabe que grande parte delas não sonham em sair daqui, mas em melhorar o lugar onde moram. Então, precisamos melhorar este espaço para conjugar esse sonho com a realidade”, ressalta a moradora.

As ações do projeto costumam ocorrer na sede da ocupação, localizada no ponto mais alto do lugar. As paredes são de madeira, forradas com caixinhas tetra pak. Aos sábados à tarde, o projeto CuidArte ocupa a sede para receber as crianças, os pais, voluntários e estagiários do projeto.


Parcerias para realizar desejos e mostrar possibilidades

Diversas parcerias estão sendo realizadas a fim de potencializar esse trabalho. Dois acadêmicos do curso de Pedagogia da UPF realizam estágio com esse grupo de crianças e trabalham temas e metodologias variadas. Entre os principais assuntos, estão cidadania, direitos humanos, cuidado com a natureza e autocuidado. “Levarei essa experiência para o resto da minha vida profissional. Trabalhando com a subjetividade e o capital cultural das crianças, a gente percebe por que temos tantas dificuldades em trabalhar conceitos como cidadania, porque muitas vezes as pessoas mal têm lazer ou educação, sendo que direitos fundamentais básicos são negados, até mesmo o saneamento básico”, salienta o acadêmico de Pedagogia Leonardo Viecilli.

São muitas as atividades realizadas com as crianças, desde desenhos, pinturas, brincadeiras, até o registro dos sonhos, desejos e possibilidades. Vagner Santos da Silva, 9 anos, deseja muitas coisas, entre elas, que as paredes da sede da ocupação sejam pintadas de azul, que as janelas tenham vidros, que haja um refeitório, que a ocupação tenha árvores com um monte de frutas (laranjas e maçãs…), e que seja feito um campinho de futebol. Singelos desejos, mas que para o Vagner representam grandes possibilidades.

Ao ser perguntado sobre o que é uma ocupação, ele respondeu: “Eu ainda não sei o que é ocupação, estou tentando conhecer e aprender. Eu só sei que é importante ter casa, porque não podemos morar na rua e também não podemos ficar sem emprego”.

 O Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo (VivaEmau!) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UPF também está engajado no projeto justamente para tentar realizar os desejos das crianças na ocupação. Uma forma de mostrar ao Vagner que as possibilidades existem. “As crianças entregaram desenhos nos quais elas disseram o que gostariam que tivesse na sede da ocupação. Pretendemos começar pela pintura, que foi algo que eles representaram muito em todos os desenhos. A ideia é deixar o espaço mais colorido”, revela a acadêmica do curso de Arquitetura e integrante do VivaEmau! Samara Savariz.


Fotos: Natália Fávero 
A ocupação Valinhos II existe há cerca de cinco anos e conta com cerca de 130 famílias, grupo que, em grande parte, é composto por crianças

Pobreza e compaixão

Os pobres não são invenção,
não são uma ideia.
Os pobres são reais.
Os pobres existem,
e sofrem a violação
da sua vida e dignidade.

A defesa das causas dos pobres é uma tarefa muito árdua. Exige-nos mais do que compreensão, discursos e teorias sobre a pobreza, mas, sobretudo, compromisso e compaixão. Somos muito preconceituosos para com o sofrimento e a situação indigna como vivem os pobres.

Desconhecemos sua realidade e não queremos mexer na raiz dos nossos problemas: a nossa forma de organizar o mundo. É muito forte entre a gente a ideia de que pobres são coitados, por isso desprovidos de sorte e de bens. Se não lutam, são preguiçosos. Se lutam e exigem mudanças tornam-se perigosos. Mesmo quando passam fome, insistimos em dizer que eles ainda deveriam ser capazes de sonhar.



Papa Francisco, o Papa dos pobres.



Só a lucidez da razão e a sensibilidade podem tratar bem das questões da existência e convivência humanas. Na visão ocidental, desenvolvemos a ilusão de que só a razão nos dará respostas aos problemas humanos.

Nem a razão ornamental (que serve de ornamento), nem a razão instrumental (ferramenta para transformar a realidade) são capazes de justificar o sofrimento e a realidade daqueles que excluímos socialmente (os pobres).

Os pobres não são invenção, não são uma ideia. Os pobres são reais. Os pobres existem, e sofrem a violação da sua vida e dignidade.

Leonardo Boff, defensor incansável das causas dos pobres e oprimidos, afirma que são três as compreensões que se tem da pobreza.

Uma primeira, clássica, é a ideia de que o pobre é aquele que não tem. A estratégia então é mobilizar quem tem para ajudar a quem não tem, através de ações assistencialistas, sem reconhecer a potencialidade dos mesmos. A segunda ideia, moderna, é aquela que descobre os potenciais do pobre e compreende que o Estado deve fazer investimentos para que ele seja profissionalizado e potencializado, com vista à inserção no mundo produtivo.

Ambas as posições desconsideram, na visão de Boff, que a pobreza é resultado de mecanismos de exploração, que sempre geram enormes conflitos sociais. Boff acredita que é preciso reconhecer as potencialidades dos pobres não apenas para engrossarem a força de trabalho, mas principalmente para transformarem o sistema social. Os pobres, organizados e articulados com outros atores da sociedade, são capazes de construir uma democracia participativa, econômica e social. “Essa perspetiva não é nem assistencialista nem progressista. Ela é libertadora”.

Só a compaixão se reveste de libertação. A compaixão não é sofrer pelos outros, mas sofrer com eles. O sofrer com os outros permite colocarmo-nos no seu lugar. Ver a partir dos seus pontos de vista e das suas realidades. É também deixar-se transformar, permitindo que os nossos mais nobres sentimentos se traduzam em ações concretas a favor dos pobres, fracos e marginalizados.

Poucos vivem a compaixão. Muitos perderam a sensibilidade, o que os impossibilita de viver a caridade e o amor ao próximo.



“Não fechemos o coração diante dos pobres”.



Outros preferem atribuir aos pobres a culpa pela sua situação de miséria e vulnerabilidade. Outros discursam democracia, não perguntando se esta propicia as mesmas condições e oportunidades a todos, como ponto de partida. Porque o ponto de chegada depende de cada um de nós. E muitos, em grande número, tratam como crime a atitude de quem luta por causas humanitárias, quando estas exigem uma mudança na estrutura e organização da sociedade.

“As pessoas são pesadas demais para serem levadas nos ombros. Leve-as no coração”, disse Dom Hélder Câmara. Este é o sentido maior da compaixão para com os pobres: não os defendemos por serem bons ou anjos, mas porque são parte de uma sociedade desigual, que não sabe lidar com eles.

Papa Francisco anuncia e confirma em seu pontificado desejo: “como eu gostaria de uma igreja pobre, para os pobres”. Desejemos, também nós, praticar a compaixão para erradicar a pobreza no Brasil e no mundo, engajando-nos na defesa dos pobres e na denúncia das desigualdades sociais que os geram.



O médium baiano Divaldo Franco dedica uma singela homenagem à Irmã Dulce, recentemente canonizada como Santa Dulce dos Pobres. Em Salvador, a freira é conhecida como O Anjo Bom da Bahia.

Contra a banalização do mal, a educação

Esse mês de outubro tem que ser de alerta,
de espanto, de protesto dos que não renunciam
à educação como processo de humanização!

Hannah Arendt em A banalidade do mal, evidencia que viu no julgamento de Adolf Eichmann – criminoso nazista –  um burocrata preocupado em cumprir ordens, para quem as ordens substituíam a reflexão.  Foi muito criticada pelos que queriam que ela o julgasse um monstro, mas ela foi além. Apontou o sistema que banalizou o mal.

Para torturar, matar um semelhante, é necessário que não se trate mais de um semelhante, uma pessoa que pensa, chora, ama, sofre.  É necessário deixar de ser gente, tornar-se um elemento, um judeu, um negro, um gay, um terrorista, um comunista, um número, um vínculo, uma vaga.

A desumanização do objeto da violência é fundamental pra um sistema voltado para um grupo dispor da vida e do sofrimento dos outros – o totalitarismo.  Torturar, matar, tirar direitos de um semelhante se choca com os valores herdados ou aprendidos.

O professor Ladislaw Dowbor em seu artigo sobre o filme Hannah Arendt, cujas reflexões registrei acima, contou que seu torturador – de quando preso na ditadura militar – lhe apresentava relatos de outros prisioneiros para que confirmasse, ganhando rendimento, pois só queria mesmo era ser promovido. Treinado para conseguir resultados e premiado por eles – meritocracia – o que o impedia de ver os torturados como seres humanos iguais a si.

As iniciativas que pautam a educação brasileira seguem nesse sentido perigosíssimo.  Números e escalas orientam os discursos, assépticos de gente, cínicos ao comparar realidades bem diversas: público – privado, países ricos – países pobres; perversos ao colocar em suspeita o educador e estimular a filmagem como obtenção de “provas” pelo estudante, suprimindo a ética e a amorosidade da relação educacional.



“A pergunta é: a quem interessa manter a escola pública tão sufocada e tão maltratada? (Nei Alberto Pies)



Lembrem que o fascismo se nutre da destruição do diálogo! Não à toa, se propõe a ordem cívico-militar nas escolas.

Quando professores e estudantes se tornam meros números, “vínculos”, vagas, o fechamento de bibliotecas escolares, de setor pedagógico, de refeitório, por necessidade do sistema de reduzir custos é absorvido.

Não há prurido nenhum em romper processos pedagógicos suprimindo turmas e reenturmando estudantes em qualquer período do ano, mudando os professores, os colegas, as formas de avaliação.  Como também não tem em demitir profissionais por adoecerem, subtrair salário e carreira. 

“São ordens que recebemos” – repetem as Coordenadoras Regionais de Educação, selecionadas para tal. Ordens que visam o sucesso do sistema do “estado mínimo”, não o sucesso da educação. Ordens substituem a reflexão, afirmava Hannah, lembram?

Esse mês de outubro tem que ser de alerta, de espanto, de protesto dos que não renunciam à educação como processo de humanização! Um salve aos professores e às professoras que lutam. É por todos nós que o fazem!



“Para quem defende “melhor ter algum emprego que emprego nenhum”, saibam que a teoria de o governo ter que pagar melhor por risco de ficar sem profissionais nunca vai acontecer, há sempre alguém desesperado que vai aceitar trabalhar por trocados. A educação de verdade desaparecerá”. (Douglas Peretto, professor)

Brasil está mais desigual

A desigualdade existente reflete, essencialmente,
os talentos, esforços e valores diferenciados dos indivíduos
ou, ao contrário, ela resulta de um jogo viciado
na origem e no processo.

O Brasil, que já é um dos 15 países mais desiguais do mundo, conseguiu ver a concentração de renda aumentar ainda mais em 2018, segundo levantamento divulgado esta semana pelo IBGE. Os mais ricos no país concentraram rendimento, enquanto os mais pobres sofreram com queda na renda.



Desigualdade Global: Brasil


Todo bom cristão sabe que os homens são iguais por sua natureza porque todos são portadores da mesma essência. Ideias velhas nos legaram o tema da corrupção dos tolos, só na política, como nosso grande problema nacional.

Na corrupção real, no entanto, o problema central – sustentado por outras forças – é a manutenção secular de uma sociedade desigual, que impede o resgate do Brasil dos esquecidos e humilhados.

A ONG Oxfam Brasil, já havia revelado que apenas 5% da população, os mais ricos, recebe mensamente o mesmo que os demais 95%. A desigualdade patrimonial é igualmente escandalosa. Seis brasileiros concentram a mesma riqueza que a metade mais pobre da população.

Não é por acaso, que o Brasil dono da nona maior economia do mundo, ocupa a décima colocação no ranking da desigualdade da ONU, empatado com a Suazilândia, a menor nação da África.

Esta injustiça secular que nos dilacera, também nos divide entre o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.

Em 2014, o Brasil parecia disposto a reduzir as desigualdades infames. Naquele ano a FAO, celebrou, em seu relatório de segurança alimentar, a exclusão do país do mapa da fome. A verdade, é que apesar do inegável avanço social – entre 2003 e 2014, 29 milhões de cidadãos saíram da condição de pobreza –, a redução das disparidades de renda e patrimônio foi tímida.

Agora, infelizmente, voltamos ao caminho da desigualdade absurda. Os segmentos superiores continuam aumentando seus privilégios, o que lembra a França do séc. XVIII, em que primeiro e segundo estados estavam isentos de obrigações, como pagar impostos.

Exemplos: “A posse de jatos, helicópteros, iates e lanchas não paga nenhum tributo. Veículos terrestres, como o meu e o seu carro, requerem o pagamento de IPVA.”

Mais. Somos um país com uma porção de terra cultivada de cerca de 300 milhões de hectares, 35% do território nacional. Já o valor arrecadado do ITR representa menos de 0,06% do total arrecadado pelo país. O rombo está em torno de 30 bilhões. Fantástico!! São benesses para o agronegócio. Uau!!

Um dos pilares da abissal desigualdade no Brasil é o regressivo sistema de tributação, “amigo dos super-ricos”. A carga tributária é mal distribuída, de modo que os pobres e a classe média pagam mais impostos, proporcionalmente, do que os mais ricos. Isto sem contar com a sonegação fiscal.

A justiça – ou não – de um resultado distributivo depende do enredo subjacente: das dotações iniciais dos participantes e da lisura do processo do qual ele decorre.

A desigualdade existente reflete essencialmente os talentos, esforços e valores diferenciados dos indivíduos ou, ao contrário, ela resulta de um jogo viciado na origem e no processo.

Uma sociedade justa é uma sociedade que harmoniza eficientemente as exigências da hierarquia e da igualdade, numa ordem que tende para o bem comum. Não é, infelizmente, o nosso caso.

Nossa sociedade é fruto de um pacto dos donos poder para perpetuar um modelo social cruel forjado na escravidão. A brutal desigualdade de renda continua a ser o traço que nos caracteriza. O atual governo veio para manter e consolidar esta infâmia.

O Brasil, como asseverou Darcy Ribeiro, “último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso”.


Pesquisa mostra que aumento da desigualdade coincidiu com queda no atendimento do Bolsa Família.

Os jovens e os exterminadores

O rapaz mostrado para todo o Brasil entregando
um boneco a Salles, durante audiência na
Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados,
é quase uma aparição.
Nem seu nome os jornais
conseguiram descobrir.

O jovem de gravata que afrontou os incendiários da Amazônia e entregou o boneco-troféu Exterminador do Futuro ao ministro Ricardo Salles é uma raridade. Os jovens brasileiros não afrontam publicamente mais ninguém que detenha poder.

É a realidade dos tempos bolsonaristas. Politicamente, os jovens brasileiros envelheceram décadas desde as passeatas de 2013 e as ocupações de escolas de 2016.

O rapaz mostrado para todo o Brasil entregando um boneco a Salles, durante audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, é quase uma aparição. Nem seu nome os jornais conseguiram descobrir.



O ministro recebeu estatueta com um homem usando terno e segurando uma placa sobre o tronco de uma árvore derrubada.


É um moço ao redor dos vinte anos, com cara de guri e uma mochila às costas. Mas a Folha de S. Paulo o definiu assim: “Homem que entregou boneco a Ricardo Salles foi retirado de audiência por seguranças”.

É um homem. Não é um jovem. Homem. Só isso. Não é apresentado tampouco como estudante. Parece que assim sequestram sua condição de jovem. Se os estudantes sumiram, quem aparece para protestar só pode ser um homem, não um jovem.

O moço se identifica nas redes sociais como iannunesc. Iann seria seu nome, e Unesc seria, dizem, a Universidade do Extremo Sul Catarinense.

Apresenta-se como “às vezes marxista, sempre antifascista”. Defende “ecologia, revolução e igualdade” e prega: “A juventude tem que ser revolucionária”.

É uma bela apresentação. Mas onde estão seus parceiros? Dia desses, um grupo de estudantes fez passeata em Porto Alegre contra o desmonte da educação. A chuva acentuou a dramaticidade da solidão de algumas dezenas de bravos. Apenas algumas dezenas.

Jovens se reúnem com radicalidade em praças do mundo todo para defender a Amazônia. Poucos se mobilizam no Brasil. A cara da expressão midiática mundial da defesa do meio ambiente era, até pouco tempo, a do democrata Al Gore. Um homem, um político consagrado, um sujeito maduro. E o mundo se sensibilizava com Al Gore.

Agora, a defensora da Terra é uma menina de 16 anos. Os jovens têm Greta Thunberg como inspiração. Mulher, adolescente autista, uma pessoa diferente, uma voz poderosa a acusar os exterminadores de futuro.

Mas os adultos atacam Greta. Sabe-se que as escolas têm a sueca como inspiração. As crianças a adoram. Só que os homens feitos buscam problemas em Greta. E os jovens brasileiros não conseguem dar potência política ao que Greta significa para o país na hora em que os cúmplices de Bolsonaro devastam a Amazônia.

Onde estão os parceiros de Iann? Mesmo os não-marxistas, os não-ambientalistas, os não-antifascistas? Que poder de destruição foi acionado pela extrema direita a ponto de imobilizar quem historicamente sempre puxou as resistências?

Repetem-se os relatos de professores (e dos próprios estudantes) sobre a combinação de resignação, inércia e depressão em escolas em geral e nas universidades. Na Ufrgs, na Unicamp, na USP, na Unisinos, na UFC, na PUC, no IFSul, na UFSM. Dizem que os estudantes estão abatidos e sem forças.

Há um sentimento de alheamento, que aciona uma pergunta desconfortável, quase sempre arredada para um lado: os jovens não estariam refletindo a desorientação dos professores e do ambiente universitário?

A universidade teria perdido, há muito tempo, o poder de inspirar os que se inquietam, provocam e transgridem. O bolsonarismo apenas se aproveitou dessa acomodação para iniciar a destruição das disciplinas das humanas e da universidade pública, perseguindo, cortando bolsas, ameaçando demitir, disseminando o terror.

É desolador, mas é bem provável que o avanço do bolsonarismo não explique tudo.

Fonte: ExtraClasse

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