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O cavaleiro do Apocalipse?

O Brasil, como sabemos, está longe de ser
um país com padrões civilizados,
situação que deverá avançar
com o atual presidente.

Entidades que defendem a vida em nosso país, estão alarmadas com as decisões do presidente da República. Como verdadeiro Cavaleiro do Apocalipse – Os cavaleiros, Peste, Guerra, Fome e Morte, são descritos na terceira visão profética do Apóstolo João no livro Bíblico de Revelação –, Bolsonaro vem pautando seu governo por excessos assustadores, brincando com a vida dos cidadãos.

Na verdade, ele vem sendo coerente com o que sempre foi. Foi expulso do exército por ter planejado explodir bombas no Rio como protesto por aumento salarial. Quando do impeachment de Dilma Roussef, homenageou um dos maiores assassinos da ditadura militar, Brilhante Ustra.

No seu governo, o Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003, virou letra morta. Por meio de decreto, Jair Bolsonaro, ampliou o porte de armas de fogo para 20 categorias.

 Assim, 19,1 milhão de brasileiros poderão ter o porte de armas facilitado, segundo cálculos do Instituto Sou da Paz. Mais armas representam mais mortes, em um país que já é o recordista mundial em mortes por armas de fogo.

Não é tudo. O decreto autoriza crianças e adolescentes a praticar tiro desportivo mesmo sem aval judicial. É a receita perfeita para a repetição de tragédias nas escolas, tão comuns nos Estados Unidos.



A façanha de conter a violência num contexto de pobreza, tensão social e hormônios explosivos talvez se explique mesmo pela descoberta do afeto cada vez que um conflito chega ao fim.

Já o pacote “anticrime” do seu Ministro da Justiça tem o condão de autorizar execuções sumárias pelos agentes da segurança pública.

Determinou o fim das lombadas eletrônicas e dos pardais nas rodovias federais, o que beira à total irresponsabilidade ao ignorar o papel fundamental dos controladores de velocidade no combate às mortes no trânsito. Segundo o Presidente, é para dar “paz aos motoristas”. Seria a paz dos cemitérios?

Agora, quer acabar com a multa para quem desrespeita a regra de transportar crianças na cadeirinha, substituindo por uma mera advertência. Menos mal que a atitude insana do Presidente foi rebatida com veemência e será desautorizada no Congresso.

Tem mais. Quer acabar com o exame toxicológico dos caminhoneiros, quando sabe-se que tais profissionais, para cumprir longas jornadas de trabalho, utilizam-se de remédios estimulantes. Outro disparate amazônico.

O Brasil, como sabemos, está muito longe de ser considerado um país com padrões civilizados. Cerca de 40 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito, muitos deles verdadeiros crimes.

É o quinto no ranking da OMS com mais mortes no trânsito. Enquanto isto, o Presidente, literalmente, insiste em dirigir o país na contramão! Haveria alguém com lucidez, tranquilidade e firmeza para conduzir o governo?

A severidade na aplicação das punições vem resultando na diminuição das mortes em nossas ruas e estradas. Isto, entretanto, parece não sensibilizar o chefe da Nação que, previsivelmente, o máximo que consegue é identificar-se como herói dos motoristas irresponsáveis.

Quando o prefeito de NY, Bill de Blasio, disse ser Bolsonaro “um ser humano muito perigoso”, as hostes bolsonarianas foram à loucura. Mas, convenhamos, o prefeito Blasio apenas fez uma constatação. Estaríamos diante de um dos Cavaleiros do Apocalipse?



Nosso maior desafio é a humanização, através do conhecimento crítico e reflexivo. O conhecimento nos torna melhor seres humanos. A escola e a vida são oportunidades de aprendizagem, socialização e construção de conhecimentos. (Nei Alberto Pies)

O Homeschooling e a sentença de morte da Educação Integral

O Homeschooling, ao contrário do que afirmam,
não será, no Brasil, salvamento seletivo para
um modelo educacional moribundo?

Puxada estranhamente pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ao invés do Ministério da Educação, a MP do Homeschooling, sob pretexto de liberdade de escolha, encontrou a solução para qualificar a educação brasileira: tirar todas crianças da escola. 

Aliás, todas não, só algumas. O modelo já funciona muito bem em países desenvolvidos, com taxas de analfabetismo perto do zero e alto desenvolvimento humano, e vem dar voz a pouco mais de 15 mil estudantes, segundo a ANED, deixando no vácuo mais de 50 milhões de estudantes que esperam uma resposta de qualificação da educação formal, que em milhares de casos é a única chance de romper ciclos de pobreza.

A grande motivação dos defensores do modelo, seria a violência e o bullying sofrido pelos estudantes, além de incompatibilidade moral e religiosa das famílias com o sistema escolar. Mas será mesmo? Ou seria um processo de salvamento seletivo para um modelo educacional moribundo?

Para reflexão, lembro dos 4 pilares da Educação para o Século XXI da UNESCO: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser.

Nessa rica e contemporânea visão de Educação Integral, estão presentes habilidades cognitivas e socioemocionais.

As cognitivas, dão conta dos multiletramentos como leitura e escrita do mundo, habilidades mais técnicas e mecânicas, mas imprescindíveis para qualquer pessoa ser produtiva e independente na sociedade atual.

As socioemocionais, tratam justamente de “aprender a viver com os outros” e “aprender a ser”, desenvolvendo empatia, valorização da diversidade, resiliência e percepção do outro como seu par, temas que podem ser colocados em segundo plano no Homeschooling, criando um hiato social irreparável em toda uma geração.

Temos problemas gravíssimos na educação brasileira, gerando falta de percepção de valor pelos estudantes e famílias de diversas classes sociais. Mas, se o barco está furado, precisamos nos concentrar em consertá-lo, e não oferecer salva vidas para quem pode, enquanto olham de longe o barco naufragando com 99,9% dos passageiros agonizantes.



Para Ana Pennido, trazer os jovens para dentro do processo de construção do conhecimento e incluir de fato a tecnologia no dia-a-dia das salas de aula estão entre as prioridades de uma educação mais eficaz, justa e condizente com a aprendizagem de indivíduos do novo século.
Leia mais clicando aqui.


Amilton Rodrigo de Quadros Martins
Líder do InovaEdu/IMED – Laboratório de Ciência e Inovação para a Educação, e do Núcleo Norte Gaúcho de Letramento em Programação do Instituto Ayrton Senna. Membro da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa e Articulador do Arranjo do Desenvolvimento da Educação Norte Gaúcho. Pesquisador e ministrante de Cursos e Palestras sobre Educação Maker e Aprendizagem Ativa. Senador na JCI – Junior Chamber Internacional, com atividades de formação de jovens em comunicação e liderança. Professor de Graduação, Pós Graduação e Estágio Docência de Stricto Sensu da IMED e Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação da UFU-MG. Doutor em Educação (UPF/2017) com bolsa CAPES PDSE na Universidade de Roma Tre, com tese em Criatividade e Teoria do Flow usando Robótica Educacional, Mestre em Educação com foco em aprendizagem e criatividade através de programação de computadores para jovens e graduado em Ciência da Computação.

Página: fb.com/profeamilton
Twitter: @profeamilton

Uma economia que sirva o ser humano

Ignorar a Natureza, o meio ambiente,
o capital e o patrimônio natural, assim sabemos,
faz parte da estúpida ação que consolida o
predomínio das forças produtivas da economia.

Em apenas dois séculos de existência, pode-se dizer que o impacto de dois movimentos basilares da economia – o industrialismo e o consumismo – alinhavado a uma histórica estrutura disfuncional que permeia a economia global e imiscuído na órbita do mercado capitalista, conseguiu desequilibrar completamente a relação Homem-Natureza; Homo sapiens-Terra.

Ocorre que a estratégia econômica organizada pelos países que rapidamente foram se industrializando ao longo dos últimos tempos – centrada na fixa ideia do crescimento econômico ilimitado – obrigou a comunidade humana a conviver com a insidiosa destruição do meio ambiente; destruição ajudada, seja dito, pela ação antrópica.

Dito isso, vê-se que a devastação ambiental pode ser claramente percebida desde pelo menos os últimos setenta anos; momento em que começou a ficar evidente que o modelo econômico em curso iniciava esforços no sentido de transformar simples desejos humanos em necessidades materiais, o que levou a consolidar a aquisição material como sinônimo de prosperidade (paradigma da conquista).

No entanto, a linguagem teórica precisava mensurar isso tudo. Eis que entrou em cena o recém-criado indicador PIB (pós-1945), usado desde então como métrica de avanço econômico. Na verdade, usado como “contabilidade” do crescimento econômico que compara a “riqueza” produzida pelas nações.

Mas observe-se algo relevante: à medida que algumas questões políticas foram simplesmente “transformadas” em temas econômicos, rapidamente os economistas criaram a relação PIB/censo populacional, traduzindo-se no PIB per capita, ou seja, numa perspectiva quantitativa que visava comparar o desempenho das nações no espaço e no tempo. O estofo dessa ação, importa deixar claro, terminou por fazer do crescimento econômico o principal dogma da economia moderna.

Desde então, tudo passou a ser “pensado” (e sonhado) em termos de expansão quantitativa da economia – a essência do crescimento. Sob essa inspiração, dir-se-á que a dosagem de mais crescimento (aumento do PIB, em destaque) ainda hoje é vista como uma espécie de “remédio” (milagroso) para curar todo e qualquer tipo de disfunção (anomalia) social.

O problema, no entanto, é que o aumento do PIB – além de ocasionar – acaba por encobrir (simplesmente ignora) qualquer tipo de preocupação com o agravamento da questão ambiental decorrente. Se o PIB está subindo, a economia está indo muito bem, obrigado! É assim que reza a cartilha do pensamento convencional.

Ora, diga-se em bom tom: se a boa saúde de qualquer governo, tenha ele a coloração político-partidária que tiver, depende artificialmente do crescimento do PIB, a verdadeira (e desejada) boa saúde do contingente populacional depende sobretudo da vitalidade dos ecossistemas.

Aceite-se ou não, goste-se ou não, isso é fato sólido, e não mera retórica de ambientalista. No entanto, como o que predomina é a força do poder econômico – portanto, aqueles que realmente mandam e determinam as coisas no mundo – a produção material global, até mesmo por ter se tornado muito maior que a capacidade de suporte da Terra, acaba por promover o enfraquecimento dos ecossistemas.



Em outro artigo, publicado no site, defendo que nada pode ser superior à defesa da vida. Se o aumento produtivo dos dias de hoje vem ocorrendo na contramão do equilíbrio ecológico, afetando sobremaneira a qualidade social da vida humana e aproximando-nos assim de um perigoso colapso ambiental, acelerando de vez o impasse civilizatório, somente nos resta com alguma coragem engendrar um percurso diferente de tudo o que fizemos até agora.


O resultado? Simples assim: à medida que a política do crescimento – quando emerge entre nós – consolida o mercado de consumo, a economia global segue “engolindo” os recursos naturais e os ecossistemas, piorando desse modo as condições de vida das populações.

As consequências? Simples também de ser entendida: deterioração ambiental crescente; algo evidenciado cada vez mais no esgotamento do capital natural (solos aráveis, rios, mares, florestas, polinização, fauna, flora e outros) com o consequente empobrecimento biológico da Terra.

Mas, todavia, repare no seguinte: para o pensamento econômico tradicional (algo fácil de presumir) tudo isso que foi colocado acima pouco importa; tanto é que esses recursos, dito capital natural, valiosos por definição, não aparecem nos apontamentos do PIB.

O PIB, simplesmente, ignora-os. Certo mesmo foi o que disse, em seu tempo, o senador norte-americano Robert Kennedy (1925-1968): “O PIB mede tudo, exceto aquilo que faz a vida valer a pena”.

Ignorar a Natureza, o meio ambiente, o capital e o patrimônio natural, assim sabemos, faz parte da estúpida ação que consolida o predomínio das forças produtivas da economia. É difícil romper com isso.

Pela visão economicista, o que deve ser considerado não é a Natureza, mas sim o capital físico criado pelos homens (máquinas, rodovias, carros, fábricas, roupas, eletrodomésticos e outros); afinal, é isso que permite o crescimento do PIB. Outrossim, é isso o que dá vitalidade aos governos. Seja dito que, aos donos do mundo, pouco importa se toda a rica biodiversidade vira alvo de desconfiguração.

À luz de alguma sensibilidade, anuncia-se uma infeliz constatação: as forças produtivas ignoram que o sistema-vida, do jeito como o conhecemos, somente prospera devido a existência do mundo natural; daí a assertiva de que a natureza é, sobretudo, matriz da existência de tudo o que vive.

Atualmente, tendo como cenário o esfacelamento dos principais serviços ecossistêmicos, a ultrapassagem das fronteiras planetárias (limites ecológicos) e a crescente e preocupante perda de biodiversidade que afasta cada vez mais de nossas vistas várias espécies animais, não é exagerado afirmar que estamos na iminência de um colapso geral. O perigo nos espreita.

Pois bem. Voltando o olhar crítico aos desajustes axiais da economia-mundo que resvalam sobretudo na questão ecológica, vale agora fazer uso de terminologias marxistas para dizer que parte considerável da disfuncionalidade econômica ora sentida está, de fato, na raiz do “reino da necessidade material”, manifestada na incessante (por isso sufocante) “necessidade” de atingir crescimento econômico, esquecendo-se num canto qualquer o “reino da liberdade”.

Em sentido geral, a busca do desenvolvimento (mais qualidade) tem sido constantemente inferiorizada frente à busca do crescimento (mais quantidade), e a conquista material (paradigma de progresso) cada vez mais tende a gozar de supremacia diante de qualquer outra condição socioeconômica.

Por parte do convencionalismo econômico, repare nisso, cria-se assim condição de justificar o atual comportamento da economia tradicional que, bem sabemos, continua usando os serviços prestados pelos homens da atualidade para consolidar dois movimentos axiais bastante prejudiciais à causa ecológica: a economia de mercado (com seu renovado desejo de aumentar o nível de produção) e a sociedade de consumo (com a prática do consumismo, algo que já se tornou patológico).

É curioso notar algo mais: mesmo que hoje, diante da superioridade do mercado de consumo capitalista, orientado por decisões de cunho mercadológico, pareça pouco provável que as orientações e práticas da humanidade consigam atingir um nível de produção industrial que use menos taxa de consumo material e energético das sociedades industriais, mitigando os efeitos nocivos que recaem sobre a natureza e o meio ambiente, é necessário, tanto quanto desejável, que enxerguemos a porta de saída para fugir desse “modelo”, criando a partir daí condições para que se levante as bases de uma civilização verdadeiramente humana.

É sabido que os principais problemas da humanidade – dos quais a destruição do meio ambiente empreendida por mãos humanas ocupa lugar central – não serão resolvidos (ou mitigados), apenas, e tão somente, com avanços científicos e tecnológicos, mas, sim, quando devidamente combinados à ação dos próprios humanos, dado o alcance de conscientização planetária (projeto comunitário).

Na prática, espera-se então que esse espírito comunitário propicie o reconhecimento de duas importantes causas: 1) que todos nós estamos abrigados sob o mesmo teto (a Casa da Vida, o Lar Terrestre) da qual somos meros hóspedes, e não os donos e; 2) a aceitação de que somos, todos, partes (e participantes) da própria Natureza.

Utopia ou não, temos que pensar assim. É preciso ainda que saíbamos, antecipadamente, que todo e qualquer animal homem é também terra fértil; é húmus, de onde etimologicamente vem a palavra “homem”.

Sob essa inspiração, é predito que o principal desafio colocado à humanidade talvez seja, de fato, o de construir uma nova economia. Uma nova economia que sirva o Ser Humano e que entenda que os processos de produção material devem se subordinar à lógica da ecologia; compreendendo que a Natureza tem a função de limitar o avanço da economia.

Por fim, em reforço ao que foi dito, carecemos mesmo de um novo modelo de economia que tenha a cor verde da sustentabilidade ambiental, e que, mutatis mutandis, seja plenamente capaz de aproximar o Homem moderno do mundo natural numa relação benfazeja, colocando a ação econômica sob orientação do bem comum; portanto muito diferente da distrofia atual.




Sobre o autor: (*) Economista e ativista ambiental. Autor de “Civilização em desajuste com os limites planetários” (Ed. CRV), entre outros. prof.marcuseduardo@bol.com.br

Mulher professora na política. Por quê?

Sofia Cavedon nasceu numa
cidade da Serra Gaúcha: Veranópolis.
Foi estudar em Porto Alegre e lá fixou residência,
exerceu sua profissão de professora e atua na política, em defesa da
educação pública de qualidade, da cultura, do esporte e da democracia,
dentre outras bandeiras de sua atuação.

Na sua trajetória política, foi dirigente do Sindicato dos Servidores Municipais de Porto Alegre e, em função de sua atuação e liderança, desafiada pelos colegas a representar a sua categoria de professores na Câmara de Vereadores de Porto Alegre por cinco mandatos e agora assumiu como deputada estadual.

Sofia Cavedon é Destaque na Educação neste site justamente por demonstrar a importância dos professores e professoras na política. Sua atuação política e cidadã demonstra que, ocupando espaços políticos, os professores e professoras, através de mandatos parlamentares, podem contribuir para a elaboração de políticas educacionais, para a defesa da educação pública de qualidade e para o resgate da dignidade na profissão docente.

Sofia é reconhecida por seus pares como uma liderança forte, convicta e batalhadora. Conheçamos mais dela por ela mesma.

NEI ALBERTO PIES: Nasceste no interior do estado, numa cidade da serra gaúcha e atuas e vives hoje na Capital do RS, Porto Alegre. Como, quando e porque o seu interesse pela educação e pela política?

A educação constituiu minha família e utopias originárias. A mãe formou-se professora primária e isso abriu a porta da autonomia e liberdade para ela que desde criança trabalhava em casa de família. Ensinou para seus cinco filhos que educação era tudo na vida. Não conseguiu fazer faculdade e. mesmo só com vinte horas de contrato e meu pai operário serralheiro, ela afirmava que seus filhos fariam e não sossegou até que isso acontecesse.

Eu me criei inquieta como ela, no meio de cadernos e livros, rezas e trabalho. A política era proibida no interior.

Como nasci em 63, fomos educados e disciplinados para a obediência e pelo medo. Desperto para as injustiças e para a solidariedade no grupo de jovens da igreja, mas isso se tornará engajamento político na faculdade e no trabalho de professora já em Porto Alegre. 

NEI ALBERTO PIES: Sua trajetória de estudante, líder sindical, vereadora e agora deputada estadual. Qual é a motivação deste seu trabalho na política?

Fui fazer educação física na UFRGS cujo vestibular era uma epopéia para nós lá no interior! Foi um divisor de águas na minha vida pela experiência da casa de estudante – CEURGS -, pela efervescência cultural da capital e pelo trabalho de professora que começou no Colégio Sevigné onde estudamos os pensadores construtivistas e a metodologia de Projetos, inovadores na época.

Os concursos para a Rede Municipal e depois para a Estadual de Ensino – conquistas da redemocratização – abriram as portas para a carreira pública e aí eu comecei a militar pela educação de qualidade para todos e todas, a discutir os projetos de mundo que estavam em disputa nas primeiras eleições diretas, me filiei ao Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras e assumi a liderança sindical.   

NEI ALBERTO PIES: Como o seu trabalho de militância ligado à juventude, aos grupos e coletivos de jovens, mulheres e trabalhadores vem colaborando com sua trajetória de professora, liderança sindical, vereadora e agora deputada estadual?

Minha militância começou de fato com o exercício da docência na periferia da cidade discutindo a redemocratização da educação, transformando a prática pedagógica que era autoritária, excludente e seletiva, advinda da ditadura militar.

A Educação Física me deu um lugar alargado de coordenação de atividades gerais da escola municipal Ildo Meneguetti, de muita relação comunitária e afetiva com os e as estudantes. Também fui alfabetizadora e regente de classe de segundo e quarto anos.

Quando passei pela gestão da Secretaria Municipal de Educação como Secretária, penso que consegui manter o mesmo compromisso que me mobilizou e que pelos quais muitos mobilizei na luta sindical e nas salas de aula a valorização dos e das profissionais da educação, a construção de uma educação inclusiva, democrática, de qualidade para cada um e cada uma das estudantes.

NEI ALBERTO PIES: Na sua visão, qual é a importância das mulheres professoras na política sindical e educacional?

As mulheres estarem nos espaços públicos e profissionais é em si um processo revolucionário. A acumulação capitalista as pressupõe no trabalho gratuito de reprodução da vida. Por isso no Rio grande do Sul temos mais de 300 mil mulheres no trabalho doméstico e somente cerca de 90 mil tem carteira assinada, por exemplo.

Acumulamos essas funções quando fomos para o trabalho fora do lar e também por isso as categorias onde majoritariamente trabalham as mulheres são com menor remuneração como a das professoras.

Tomar consciência disso e fazer as rupturas necessárias desde a produção cultural dos meninos e das meninas até a construção das políticas afirmativas reparadoras da desigualdade, é nossa tarefa política primordial se queremos alterar a vida das mulheres e da sociedade desigual.

NEI ALBERTO PIES: Quais são, hoje, os maiores desafios da profissão docente?

Compreender que a defesa de sua profissionalização digna e da realização do seu objeto de trabalho depende da luta geral de todos os trabalhadores na defesa do valor do trabalho, dos valores da vida diante da mercantilização, da financeirização da economia, da concentração de privilégios, terras e renda que se impõem pela violência e pelo pensamento único dominado através das mídias empresariais. A educação para esses será pobre, alienadora e excludente. Os professores desvalorizados e aplicadores de conteúdos gerados por empresas.

Nosso desafio é sermos construtores de nossa valorização junto com a melhor educação para os filhos e filhas dos trabalhadores e trabalhadoras.

NEI ALBERTO PIES: Quais são, hoje, os maiores desafios da escola pública de qualidade social (que interessa a todos os envolvidos nela: estudantes, professores, professoras, pais e mães)?

De duas ordens: disputar o financiamento de uma educação como direito de todos e todas e defender a educação integral, democrática, humanizadora e produtora de sujeitos de pensamento livre.

Esse financiamento que os defensores do Estado Mínimo dizem que é impossível, está na riqueza do Pré-Sal, está nos impostos que o lucro financeiro não paga e buscar isso na mudança da correlação de forças nas ruas, na organização social, comunitária, sindical e popular.  

NEI ALBERTO PIES: Qual a importância da atuação e organização dos sindicatos de professores neste momento histórico do país e da educação em nossa cidade?

Trata-se nesse momento de defender um país de direitos sociais e políticos que a geração anterior à nossa buscou com suas vidas na redemocratização do Brasil, que escrevemos na Constituição de 88 e que está severamente ameaçado.

A luta na defesa da Previdência significa defender todo a Seguridade Social dos brasileiros e brasileiras com sua universalidade e solidariedade geracional. Estão em risco o Sistema de Previdência Social que poderá se tornar um seguro individual e miserável, o Sistema Único de Saúde e o Sistema Único de Assistência Social que serão desconstitucionalizados se passar essa reforma, que na verdade é uma destruição! 

NEI ALBERTO PIES: Como o seu mandato de Deputada Estadual está direcionando pautas e ações em defesa da escola pública no Rio Grande do Sul?

Com muita honra e alegria, a partir da articulação de toda a bancada do PT na Assembleia Legislativa, eu estou presidindo por dois anos a Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia e estou dedicando a esse espaço institucional toda a força política para dar voz aos educadores e educadoras, para as comunidades escolares, aprofundando o debate e exigindo respeito e investimento na área.

Desde fevereiro já pautamos em audiências públicas a falta de Recursos Humanos, o tema das obras escolares, a defesa das bibliotecas, a escola de tempo integral, a educação indígena escolarizada, a UERGS- nossa Universidade Estadual do Rio Grande do Sul -, a violência nas escolas. Todos os temas têm desdobramentos para a busca de soluções. Logo lançaremos um Observatório da Educação com números e dados que nos ajudarão muito a caminhar, lançaremos a Mostra das Boas Práticas Pedagógicas e faremos um grande Seminário no mês de outubro. 

NEI ALBERTO PIES: Uma frase pela qual valha a pena viver.

Se a vida é assim injusta, violenta e desigual é porque foi produzida por homens e mulheres, não é natural nem inexorável. Outro Mundo é possível, vamos fazê-lo!

NEI ALBERTO PIES: Uma frase que defina Sofia Cavedon.

Uma inquieta professora que ama a vida e as possibilidades de transformá-la.

NEI ALBERTO PIES: Uma frase pela qual valha a luta pela educação.

A educação não muda o mundo, ela muda as pessoas que podem transformá-lo. É do mestre Paulo Freire

NEI ALBERTO PIES: Uma mensagem a todos os professores e professoras do RS e do Brasil.

Coragem!



Fotos: Divulgação/Arquivo pessoal

A arte e o imbecil

Por quê? Por que matar a arte?

Sobre o brilho reflexivo da arte, derrubaram o manto ofuscado do preconceito e da irracionalidade. Aquilo que provoca tuas verdades, que derruba teu pedestal do elevado status social, que, mesmo impróprio, faz pensar na possibilidade de tua falta de propriedade, que escancara as tuas portas e revela tua alma carregada de falso moralismo, tudo isso que te toca, que te desloca, que te tira do lugar onde você se coloca, deseja obscurecer, com a tua mania de dizer o que é certo e o que é errado sem sequer saber ou aceitar, se certo ou errado possa estar.

Por que te assusta tanto a nudez, talvez o medo de revelar que por baixo das tuas vestes caprichosas esconde a igualdade que deseja negar e a diferença que não consegue aceitar porque nunca teve a coragem de ser aquilo que hoje condena?

Por que o teu Deus merece mais respeito que o Deus ou Deuses de outrem e até mesmo que o respeito pela defesa da ausência de um Deus? Talvez te seja conveniente manter as aparências porque te falta a capacidade de aceitar que não deve aceitar tudo e que, por isso mesmo, também não pode rejeitar tudo o que pode ser aceito por outro qualquer.

Por que tuas crianças não podem ser expressadas na dor que sentem, escondidas sob os luxuosos mármores frios da tua própria morada? Seria porque aquilo que os olhos não veem o coração não sente ou porque teu coração mente e, por isso mesmo, deseja que os olhares dos outros não possam ver para dentro do teu ou porque sabe que tua verdade é frágil que teu filho poder ser teu maior crítico e destruir teu reinado forjado sobre o lodo do teu conhecimento?

Por quê? Por que matar a arte? Talvez, porque a arte tenha, mais uma vez, cumprido sua missão: provocar a catarse humana, despertando em ti o que você guarda reprimido em si mesmo, a persona que é ocultada pelo personagem que você criou e vê, agora, ameaçado pela arte que te desvela.

Por isso, por tua fraqueza mórbida, por tua moralidade de “cueca suja”, por tua insegurança, por tua convicção ameaçada, por teus olhos estarem há tanto tempo acostumados à escuridão, é que, mais uma vez, sobre o brilho reflexivo da arte, você derruba o manto ofuscado do preconceito e da irracionalidade que te abate e te condena ainda mais que a própria arte que tua imbecilidade abate.


“Não é só de pão que vivemos, mas de poesia, como disse brilhantemente William Carlos Williams: “não é fácil encontrar novidades em poemas, mas homens morrem miseravelmente todos os dias por falta do que neles existe”. (Manoel Soares Magalhães)

Os malabaristas do sinal vermelho

A tendência é de que este número de “malabaristas” aumente. São malabaristas reais, frutos de uma sociedade de mercado.

Eles já fazem parte do nosso cotidiano. Estão diariamente nas principais esquinas de Passo Fundo aproveitando o tempo do sinal vermelho para oferecer o seu show. Fazem malabarismos, engolem fogo, equilibram bolinhas, jogam cones para o alto e os acolhem nos braços com rara habilidade, equilibram-se em pernas de paus, vestidos com roupas coloridas. Agora, apareceu até um solista de violino, em uma de nossas artérias mais movimentadas de nossa cidade Passo Fundo, RS.

Verdadeiros palhaços das ruas: Os malabaristas do sinal vermelho.

João Bosco e seu filho Francisco retrataram com rara inspiração estes personagens do nosso dia-a-dia em uma canção composta em 2003: “Penso nos malabaristas do sinal vermelho/Que nos vidros dos carros/Descobrem quem são/ Uns, justiceiros, reclamam o seu quinhão/Outros pagam com a vida sua porção/ Todos são excluídos na grande cidade”.  https://youtu.be/CXdmsnOADp8?t=39

Depois do rápido espetáculo, que precisa ser ajustado ao tempo do sinal vermelho, eles passam entre os carros para colher o “pagamento” pelo que ofereceram. São movimentos rápidos, cronometrados e arriscados. É a busca pela sobrevivência no modelo capitalista neoliberal. E, aí, como diz a letra da canção – nos vidros dos carros, descobrem quem são –isto é, os verdadeiros mendigos contemporâneos.



“Como não aplaudir e encher o rosto de encanto ao ver um espetáculo de marionetes? Como não se prender na confusa tentativa de compreender como pode, um boneco, fazer tantos movimentos e com uma dinâmica que parece dar vida ao mesmo?” (Elias Foschesatto)


E nós, acomodados em nossos carros, com ar-condicionado, ouvindo uma boa música, também descobrimos naquele pequeno tempo do sinal vermelho os graves problemas sociais que ainda nos rodeiam. Dias atrás, fiquei observando que, diante da abordagem do malabarista, que era um adolescente de no máximo uns 18 anos, a maioria fingiu não ver o que acontecia à sua frente.

Nada, ninguém se abalou, nenhuma moeda. A maioria ignorou o seu “trabalho”. As janelas dos carros permaneceram fechadas. Os motoristas nem olhavam, nem reconheciam a existência daquele artista. A questão que talvez poucos perceberam é que não se tratava de circo ou de teatro, era realidade.

Realidade social exposta, jogada na nossa frente. Lembrei que a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente rezam que viver não é apenas respirar, mas a participação em todos os direitos da cidadania, bem como a proteção contra as agressões, danos físicos, emocionais, sociais, etc.

Sou sempre receptivo e lhe dei uma pequena recompensa pelo breve show. Quando o sinal abriu ele voltou para a calçada, contou os trocados até então arrecadados e começou a se preparar para o próximo número do seu repertório. Até imaginei que a Secretaria de Serviços Urbanos poderia remunerá-los por aliviar, por breve instantes, a tensão dos estressados motoristas diante dos problemas do nosso conturbado trânsito.

Na verdade andamos todos apressados. Afinal, tempo é dinheiro. Paulinho da Viola, em uma antológica canção de 1967, retratou esta realidade em Sinal Fechado: “Eu vou indo correndo/pegar meu lugar no futuro/ me perdoe a pressa/é a alma dos nossos negócios.” Muitas vezes ficamos contrariados por sermos obrigados a frear e esperar o interminável tempo de um sinal vermelho.

O correto, sem dúvida, é encaminhá-los para os órgãos assistenciais. É difícil, entretanto, não ajudá-los. Ao vê-los não tem como não se recordar de outra canção, sobre esta verdadeira saga de nossas esquinas. Chico Buarque e Francis Hime já cantavam em 1993: “No sinal fechado/Ele vende chiclete/Capricha na flanela/E se chama Pelé/Pinta na janela/Batalha algum trocado”.

A verdade é que hoje eles fazem parte do cenário urbano das nossas cidades. São o retrato das desigualdades sociais que ainda nos atormentam e que possuem raízes históricas como a forma de colonização, a profunda dependência externa do país, a acumulação de riqueza pelas camadas mais favorecidas da população.

A marginalização histórica de parcelas significativas da nossa gente, aliadas às práticas administrativas que privilegiam o apadrinhamento político e favorecem o desvio de verbas, podem explicar a situação de segmentos como destes “malabaristas do sinal vermelho”.

E a tendência é de que este número de “malabaristas” aumente. Em março, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, em meio aos 13 milhões destes últimos já existentes, o Brasil fechou mais de 43 mil empregos com carteira assinada.

Estes personagens são o resultado do que Karl Polanyi denunciou em 1944 em seu clássico “A Grande Transformação”, segundo o qual de uma economia de mercado se passou a uma sociedade de mercado. E em qualquer mercado, sempre algo é descartado.



Incríveis artistas de rua.

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Bandinho de Letras

O poeta português Fernando Pessoa, sabiamente, já proferiu em um de seus poemas que Quando as crianças brincam/E eu as oiço brincar,/Qualquer coisa em minha alma/Começa a se alegrar. É o que fazem algumas crianças hoje no Bandinho de Letras: brincam com as palavras e sensibilizam a todos que estão ao seu redor com sua incomparável doçura e astúcia.  

O Bandinho de Letras, atualmente sob a orientação da professora Me. Mariane Rocha Silveira, constitui uma das ações do Projeto de Extensão Literatura em Diálogo, coordenado pela professora Dra. Ivania Campigotto Aquino e tem por objetivo principal desenvolver o gosto pela literatura desde muito cedo. Participam do grupo crianças do ensino fundamental – com idades compreendidas entre cinco e 10 anos – e seus pais, que os acompanham em todos os encontros e apresentações.

As reuniões, que ocorrem de forma quinzenal no Mundo da Leitura, proporcionam momentos de apreciação de textos literários, principalmente contos e poemas de diferentes autores, em língua portuguesa e em língua espanhola e que, muitas vezes, rendem outros textos, como o poema “O gatinho fofinho”, produzido coletivamente pelas crianças.

Além disso, estes momentos servem para ensaiar e organizar as apresentações, que acontecem em distintos espaços da cidade de Passo Fundo, mediante convite, e em consonância com a disponibilidade dos participantes.  O Bandinho de Letras é composto, hoje, pelas seguintes crianças:

Ana Clara Castaman Carniel – 5°ano, Colégio Salvatoriano Bom Conselho.
Ana Flor Spannenberg Vieira – 2º ano, EEEF Gomercindo dos Reis.
Bárbara Vitória Spannenberg Vieira – 7º ano, IE Metodista.
Glória Alexandra Spannenberg Vieira – Pré II, EMEI André Zaffari e Cantinho da Luz.
Helena Rodrigues Facco – Escola Notre Dame Menino Jesus.
Henrique Santin Boeira –  2º ano, Escola Notre Dame Menino Jesus.
Júlia Borges – 5°ano, Colégio Salvatoriano Bom Conselho.
Lúcia Santin Boeira – Nível III da Educação Infantil, Escola Notre Dame Menino Jesus.
André Luís Dalchiavon Pies, primeiro ano, Colégio Marista Conceição.

O gatinho fofinho
Um gato metido e colorido
Que todos os dias miava
E seu leitinho tomava.
Tinha cócegas na barriga
E adorava comida.
Arranhava o sofá,
Mas a dona vinha gritar!
Que dona má,
Dava uma bola de pelo
Para o gato brincar.
Até que um dia,
Numa manhã bem fria,
Ao lado da dona foi se deitar
E a abraçou para se desculpar.



Segundo professor Eládio Weschenfelder,
“o futuro do Brasil está nas crianças leitoras”.

Matéria sobre 20 anos do Bando e 05 anos do Bandinho de Letras, em 2016.

Amar: um jeito de incomodar os que odeiam

O amor não tem hora,
nem pode ser obediente à
pretensa racionalidade dos políticos.
O certo seria o contrário. 

Andei lendo que alguns amigos e conhecidos estariam tentando submeter o amor de Lula às conveniências da política. Argumentam que essa não seria a hora de falar de amor.

Mas o amor não tem hora, nem pode ser obediente à pretensa racionalidade dos políticos. O certo seria o contrário. 

A política é que deveria seguir os rastros do amor. Quando segue, geralmente dá certo. Quando não dá, é porque não era amor.

Algumas esquerdas, mais do que as direitas, terão de aprender que amar é transgredir quase sempre e é até desagradar amigos que gostam de palpitar sobre os amores dos outros. 

Não tentem aprisionar também o amor de Lula. Que esse amor se liberte, se propague e nos contagie, até porque ficamos sabendo que é isso que Lula quer. Que todos fiquem sabendo do seu novo amor. 
O amor de Lula por Rosângela faz bem a todos nós. Só faz mal ao bolsonarismo. Amar também é um jeito bom de incomodar os que odeiam.

Por outro lado, um novo capítulo.

O tom geral da imprensa é de que o governo Bolsonaro acabou. Os jornais apenas refletem o cenário devastado de Brasília. Vinicius Mota, secretário de redação da Folha e colunista do jornal, anuncia que Bolsonaro será “reduzido a seu átomo original” e que começa a se esboçar um grande consenso para substituir o ‘projeto’ que não deu certo.

Outras abordagens mostram que os políticos estão sondando os militares e que a senha dos fardados é mais ou menos essa: entendam-se vocês, porque nós estamos fora. Por enquanto.

O resumo geral, juntando as vozes que se manifestam por toda parte, na política e nos jornais, é mais ou menos esse: Bolsonaro não tem, nunca teve, forças para reagir.

A trama se encaminha para o previsível desde Collor. A direita vai destruir a própria criatura via Congresso. Bolsonaro será boicotado em tudo, incluindo a reforma da previdência. E o próximo passo, dependendo da evolução do caso Flávio-Queiroz, todo mundo sabe. 

Se o plano não der certo e se Bolsonaro sobreviver, o governo irá se arrastar até onde for possível. Mas Bolsonaro não terá mais condições de dizer nem a fórmula da água. Bolsonaro pai e seus garotos serão figuras gasosas.

Lembraremos daqui a algum tempo que o governo chegou ao fim quando um dos filhos de Bolsonaro não se aguentou e pediu Lula livre ao vivo na TV.

Eu já espero o fim do pesadelo e estou pronto para a festa de casamento de Lula com Rosângela. O bolsonarismo acabando e Lula nos presenteando com um novo amor. Nada poderia ser mais simbólico. 

O ódio de Bolsonaro e dos filhos será soterrado pelo amor de Lula e Rosângela. Lula livre já, para casar logo.

Autor: Moisés Mendes, jornalista.

O Camões para Chico Buarque

No momento em que as notícias péssimas
povoam o nosso cotidiano, a premiação de Chico Buarque
é um verdadeiro bálsamo, em meio a
mediocridade que nos cerca e nos assusta.

Os sensíveis e comprometidos com a dignidade da vida revelam um apreço especial por Chico Buarque e, agora, sentem-se eufóricos quando o escritor, cantor e compositor, aos 74 anos, foi consagrado com o Prêmio Camões de Literatura, considerado a honraria mais importante da literatura em língua portuguesa.

Como escreveu Antonio Cândido, Chico “é um homem realmente exemplar, cuja integridade pode servir de modelo e cuja variedade e aptidões chega a causar espanto”. Chico em seus textos e melodias, denota coisa rara que é a sobranceira relação às modas, a absoluta indiferença ao êxito.

No teatro Chico, com raro talento, fundiu harmoniosamente a maestria artística e a consciência social (Gota D’Água; Roda Viva) completando um perfil de cidadão serenamente destemido e participante, sempre na melhor orientação política, como demonstra no atual contexto que vive o país.

Também na área da ficção Chico mostrou-se um dos melhores praticantes do gênero entre nós (Estorvo, Benjamin, Budapeste, Leite Derramado). Chico escreve de forma densa, sem concessões, inventivo, com um toque de originalidade rara.

Na música Chico tem um extraordinário trabalho que levou Tom Jobim a assim defini-lo: “Eterno, simples, sofisticado, criador de melodias bruscas, nítidas, onde a vida e a morte estão sempre presentes, o dia e a noite, o homem e a mulher, tristeza e alegria, o modo menor e o modo maior, onde o admirável intérprete revela o grande compositor, o sambista, o melômano inventivo, o criador, o grande artista, o poeta maior…”

No momento em que as notícias péssimas povoam o nosso cotidiano, a premiação de Chico Buarque é um verdadeiro bálsamo, em meio a mediocridade que nos cerca e nos assusta.

O Camões vem premiar um artista múltiplo: podemos apreciar sua genialidade e poder de criação como compositor, seresteiro, poeta e cantor, tradutor, adaptador de poemas para balé, recriador de tragédias gregas como óperas contemporâneas, na literatura infantil, na ficção, mesclando a cultura de outros séculos e de outras civilizações com a nossa.

Como escreveu Gilberto Gil: “Em tudo, Chico Buarque tem sido levado a fazer-se fonte, a tornar-se ponte, a seguir-se em caminhos por onde trilham gerações como a minha, a nossa, rumo aos livros de história”.

Louvemos o grande Chico Buarque de Holanda!!!

Protagonismo, em tempos de ataques à sua profissão docente!

Regina Costa dos Santos vem se destacando
na defesa da educação pública municipal, de qualidade social,
e na defesa dos interesses dos professores e professoras
em Passo Fundo, RS, como dirigente do CMP Sindicato.

É uma liderança sindical com trajetória e experiências anteriores ao seu trabalho de professora de educação infantil. Desde muito jovem, Regina participa de grupos de jovens, de organização de coletivos de mulheres e de trabalhadores, a partir de seus locais de trabalho e de seus bairros.

Regina Costa dos Santos é Destaque na Educação, reconhecida por seus pares como uma liderança forte, convicta e batalhadora. Conheçamos mais de Regina por ela mesma.

NEI ALBERTO PIES: “Nem sempre professora, mas desde jovem na luta”. Como, quando e porque o seu interesse pela educação?

Acredito que o próprio envolvimento com grupos de base foi contribuindo para ingressar no magistério.

Não teve uma data, local ou ainda uma determinada situação. Acredito que as vivências do processo de formação foram me direcionando para profissão docente, onde as referências de professores e pessoas que fui tendo ao longo da minha vida e a utopia de contribuir na construção de um mundo mais justo e humano foram fundamentais.

Desde muito jovem tenho facilidade em trabalhar com grandes grupos e profissionalmente sempre me imaginei dando aula, tanto que tenho dificuldade de me ver em outra profissão, com o mesmo êxito que desenvolvo a atividade docente.

Recordo-me que logo que ingressei no curso normal-magistério, no EENAV esta pergunta era recorrente dos professores(as) no primeiro dia de aula, diferente de outras colegas não era pelo AMOR as crianças, mas pelo respeito ao SER HUMANO e por acreditar que a educação cumpria e cumpre um papel fundamental na transformar do mundo em um lugar mais justo e humano.

Claro que não fácil, pois oriunda de uma família muito pobre, tive muitas dificuldades para estudar, mesmo no período do magistério que era público, morava em um bairro da periferia que ficava distante da escola e não tinha dinheiro para comprar vale transporte e fazer as muitas cópias (Xerox) e os trabalhos, logo fazia muitos quilômetros a pé e o jeito era copiar dos os xerox no caderno e fazer os trabalhos utilizando restos de materiais que coletava dos amigos(as).

Para fazer a universidade foi ainda mais complicado, pois em Passo Fundo a faculdade era particular e naquele período era um LUXO de poucos terem uma graduação, com ajuda de amigos e a inserção do mercado de trabalho possibilitou que pudesse me formar. Fiquei quase 10 anos, pois com poucos recursos, casa para manter e um filho pequeno para sustentar muitas vezes acabava por ter que trancar os estudos e retomar um tempo depois, mas tudo, no seu tempo, foi dando certo.  

Fotos: CMP Sindicato/Ingra Costa e Silva


NEI ALBERTO PIES:  O que significa para ti ser professora de educação infantil e representar no Sindicato dos professores os interesses de todos os professores e professoras da rede municipal de ensino de Passo Fundo?

É uma grande responsabilidade, mas coletivamente vamos nos completando e buscando alternativas para superar os desafios.

Em 2003 ingressei na EMEI Sonho Encantado, na época pela ´´cooperativa´´ na fase de transição da assistência social para educação, tudo era muito precário muitos alunos por turma e de idades diferentes, uma carga horária extensa, com recursos humanos e material escassos…

Foi na educação infantil que fui me constituído professora e sindicalista. Pois uma não existe sem a outra.

Víamo-nos diante do caos e sem ter a quem recorrer foi neste período que começamos a refletir sobre nossa realidade de trabalho e a importância de estarmos em espaços que contribuíssem para mudar esta realidade, por intermédia de uma colega tive meu primeiro contato com Centro Municipal dos Professores, associação, a qual originou o CMP sindicato, mais tarde. Em 2006 ingressei na rede como professora efetiva, o que possibilitou reivindicar juntamente com minhas colegas melhores condições de trabalho e buscar estar mais perto da associação, na qual em 2010 concorri e comecei a fazer parte da direção.

Importante, destacar que mesmo não sendo dirigente sindical a partir da nossa organização no local de trabalho, fomos construindo coletivamente alternativas para melhorar nossas condições de trabalho.

NEI ALBERTO PIES: Como o seu trabalho de militância ligado à juventude, aos grupos e coletivos de jovens, mulheres e trabalhadores vem constituindo a sua trajetória de professora e liderança sindical?

Estar na liderança de um sindicato e estar sendo desafiada diariamente a “remar contra a maré´´, considerando que estamos em uma sociedade onde se sobressai as práticas individuais e competitivas da sociedade e do mundo do trabalho.

Ter a oportunidade de me constituir em grupos de base, através da análise da realidade e da formação a partir da ação militante, me permitiu entender muitas coisas que o espaço acadêmico não nos oferece, o que chamo de faculdade da vida, pois foi nestes espaços que aprendi a viver coletivamente onde o outro importa, onde ninguém é bom de mais que não precise das outras pessoas. 

Defendo que o trabalho de base, neste caso, a escola deve ser o orientador da atuação sindical e das ações de transformação da educação.

NEI ALBERTO PIES: Na sua visão, qual é a importância das mulheres professoras na política sindical e educacional?

A mulher no movimento sindical e na educação sempre foi merecedora de destaque seja pela função de liderança, seja como parte de uma categoria que predomina o público feminino e é formadora de opinião e que tem um papel fundamental na sociedade.  

Importante e fundamental a participação efetiva da mulher na luta sindical, na política educacional e partidária e demais instâncias de poder, porque nós somos as verdadeiras representantes da classe feminina e a nós cabe estar, lutando pela emancipação das mulheres, pela nossa profissão docente e pela educação pública de qualidade.

É comprovando que se queremos mudar a sociedade, esse processo perpassa pela educação onde somos as protagonistas, as quais somos essenciais, pois somos cerca de 86% dos profissionais que atual na educação.

Neste sentido, nossos sindicatos e instituições de educação devem levar em consideração a realidade de trabalho e de vida das mulheres, onde estamos e atuamos em várias frentes, seja como mulheres, mães, esposas, professoras…

Tenho defendido por onde passo que se queremos um mundo mais justo e igualitário perpassa por estar ocupando os espaços de liderança.

NEI ALBERTO PIES: Quais são, hoje, os maiores desafios da profissão docente?

Os desafios são muitos, pois vivemos atualmente vários ataques a profissão docente, que perpassam pelo desmantelamento dos planos de carreira, cargas horárias extensas que são fruto dos baixos salários, onde acabamos por ter que trabalhar vários turnos para poder aumentar a renda, acrescido da desvalorização social da carreira, falta de condições humana e material de trabalho e as dificuldades sociais e aprendizagem.

Entendo que este cenário de descaso vem sendo desgastante para nossos professores, no entanto não podemos nos abater, temos que encarar e a organização dos profissionais da educação é uma alternativa, onde costumo dizer que são desafios coletivos e individuais.

Coletivos, no que diz respeito a estar LUTANDO por investimentos financeiros significativos dos governantes na educação e políticas públicas para educação de qualidade e de valorização da profissão docente.

Individuais, no que diz respeito a compreender a importância de ser protagonistas na defesa da profissão docente e da educação de qualidade. O sentindo de pertencimento é primordial para ressignificar o processo de organização e mobilização da categoria.

NEI ALBERTO PIES: Quais são, hoje, os maiores desafios da escola pública para que seja um ambiente de qualidade social, que interessa a todos os envolvidos nela (estudantes, professores, professoras, pais e mães)?


Acredito que um dos maiores desafios é estar resistindo aos ataques à educação pública e a profissão docente, participando de forma efetiva da construção de uma sociedade justa e democrática, lutando contra qualquer tipo de violência e discriminação e
pela a defesa da escola pública, gratuita, democrática, laica e de qualidade, que garanta da plena liberdade de ensinar e aprender.

NEI ALBERTO PIES: Qual a importância da atuação e organização do CMP Sindicato neste momento histórico do país e da educação em nossa cidade?

Não tem como falar dar importância do Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo sem lembrar do processo de criação, o CMP Sindicato foi fundado em 2015, uma entidade criada pelos professores e professoras da rede, que diante da necessidade de ter de fato e de direito um sindicato que defenda os direitos da categoria, que lute por melhores condições de trabalho e de vida para professores e que se mantenha firme na defesa da educação de qualidade para nosso município.

Esta entidade nasceu repleta de sonhos, lutas e muita ousadia e vem cumprindo o papel importante, no que diz respeito a organização e mobilização da classe trabalhadora, destaco que em tempos difíceis para classe trabalhadora, ter uma entidade aguerrida e convicta da necessidade da luta, toda a classe trabalhadora ganha.

Tenho muito orgulho do nosso sindicato, pois mesmo com todos os ataques as organizações sindicais, temos nessa entidade a esperança de retomarmos nossa dignidade profissional e resgatar a importância da educação na construção de um outro mundo, o qual acredito que é possível.

Sim, o CMP Sindicato e todos os sindicatos de trabalhadores são fundamentais para classe trabalhadora, foi e será através destas entidades que conquistamos, manteremos e teremos avanços profissionais, no entanto cabe lembrar dirigentes passam e as entidades ficam, mas os trabalhadores são corresponsáveis pelo protagonismo e os rumos que a organização sindical irá tomar, e mais se queremos o fortalecimento da LUTA dos trabalhadores precisamos de sindicatos fortes, e só será possível quando a massa dos trabalhadores entenderem a importância.

NEI ALBERTO PIES: Uma frase pela qual vale a pena viver.

“Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida. ´´(Che Guevara)

NEI ALBERTO PIES: Uma frase que define Regina Costa dos Santos.

“Lute pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo”. (Olga Benário Prestes)

NEI ALBERTO PIES: Uma frase sobre educação.

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”.  (Paulo Freire)

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