As professoras, os professores são portadores da esperança porque são mobilizadores da constituição de cada estudante em sujeito, em ser humano.
Um ano letivo em que a rede estadual começa com
apenas pouco mais de dez por cento das escolas ter lutado bravamente contra os
projetos que humilham a educação ao tratar seus profissionais no sentido
contrário que determina o Plano Nacional da Educação: no mesmo nível que os
demais profissionais com a mesma formação.
Um ano escolar em que o governo federal anuncia canal para denunciar os e as professoras, quando a vivência democrática, o aprendizado da tolerância, do diálogo, da liberdade para discutir temas da formação humana e societária são tão urgentes diante da violência, da mutilação e suicídio dos jovens, do feminicídio que recrudesce, do abandono escolar.
Um ano em que o financiamento da educação está em risco porque fecham 20 anos de orçamento vinculado a fundos – FUNDEF E FUNDEB – e que o governo federal pressiona por desvinculação, quando sabemos que ainda temos muito a investir em educação para universalizar e qualificar, para construir um Brasil soberano e que inclua sua gente no trabalho e na renda, na cultura e na cidadania.
O FNDE revela que em 2019 foram repassados a prefeituras de todo o país 307,8 milhões de reais para a construção de creches e pré-escolas e melhoria da infraestrutura da rede de educação infantil. Trata-se do mais baixo repasse em 10 anos. (José Ernani Almeida)
Recomeça seu trabalho a educação enfrentando o
discurso econômico que hoje explica a política, que impõe austeridade como a
única saída, a renúncia a direitos, quando a política é que precisa explicar
suas opções: porque abre mão da soberania e desvia da educação a riqueza do
petróleo, dos nossos bens naturais e se submete ao rentismo do capital
improdutivo que nenhum compromisso tem com empregos e a formação da juventude.
Começa novo ano letivo para reanimar a esperança. Sem aula, sem educação, ela
fenece. As professoras, os professores são portadores da esperança porque são
mobilizadores da constituição de cada estudante em sujeito, em ser humano.
É incrível que quando a sociedade se mostra disposta a debater qualidade na educação, os professores/as são atacados e apontados como responsáveis pelo insucesso escolar. E o que é mais grave: as peculiaridades de seu ofício começam a ser entendidas como privilégios, não como direitos. Professores e artistas passam a ser tratados como inimigos da família e da sociedade. (Nei Alberto Pies)
“Eu sou esperançoso porque não posso deixar de ser
esperançoso como ser humano. Esse ser que é finito e que se sabe finito, e
porque é inacabado sabendo que é inacabado, necessariamente é um ser que
procura. Eu não posso desistir da esperança porque eu sei, primeiro, que ela é
ontológica. Eu sei que não posso continuar sendo humano se eu faço desaparecer
de mim a esperança e a briga por ela. A esperança não é uma doação. Ela faz
parte de mim como o ar que respiro. Se não houver ar, eu morro. Se não houver
esperança, não tem por que continuar o histórico. A esperança é a história,
entende?” Nos perguntava Paulo Freire.
Respondamos: sim. Somos sujeitos, fazemos a história.
Feliz ano letivo novo!
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O estilo de vida – ocidentalizado e centrado no consumo ostensivo – que pauta a realidade do mundo moderno é altamente insustentável porque afeta a capacidade de carga da Terra e força o planeta a uma crise ambiental cada vez mais hostil.
No tempo atual, parece não haver nada mais urgente
que a afirmação seguinte, ainda que possamos dela discordar: nossa manifestada
presença na Terra tem sido caracterizada, de um lado, por uma humanidade
esclarecida (com um grau elevado de conscientização), mas, de outro, por uma
humanidade obscurecida; tão obscurecida que, de todo modo, é capaz de ignorar
que a biosfera não dá conta de suportar as crescentes e insaciáveis demandas
humanas.
E tudo indica que ao menos uma boa parte do problema,
não é demais frisar, está justamente aí: em prol de atender essas ilimitadas demandas
humanas, não nos damos conta dos contratempos decorrentes, haja vista que já
chegamos num momento – não me esquivo a afirmar que nos aproximamos de um
perigoso ponto de conflito – em que as forças dominantes conseguiram colocar o
“consumo” no lugar da “cidadania”. Na figura de cidadão do mundo (sustentado
pela Terra), cada vez mais o homem moderno se encontra, pois, diante de
desafios ambientais que atinge a todos, seja a parte da humanidade esclarecida
ou a obscurecida.
Dada a gravidade da situação em curso que, é
presumível assim imaginar, contribui para aumentar as preocupações sobre o
futuro do planeta, é esperado que o sujeito humano se esforce e aperfeiçoe seu
poder transformativo. Conquanto, não tenhamos dúvida que isso requer dose de
coragem o suficiente para virar a página da história da abundância material que
vem marcando esses últimos tumultuados e trevosos tempos.
De toda sorte, é bom que se diga às claras que há sim boas razões
para acreditar nessa confortável possibilidade, principalmente se houver
interesse em aprofundar o processo de conquista de consciência planetária, seja
dito, condição de estar atento e ser cuidadoso com os destinos do planeta que
nos acolhe, e não se esquivar de condenar o conteúdo antiecológico do
capitalismo.
Para quem deseja apostar nesse horizonte, há
suficiente razão (i.e., a faculdade da síntese) para imaginar que o
desenvolvimento (em toda a sua vertente, social, humano, econômico, ecológico)
poderá substituir, no breve tempo futuro, a política de expansão das economias
modernas, superando de vez esse monstrengo chamado de “crescimento”, movimento
capaz de tornar a economia maior, mas não necessariamente em uma condição
melhor.
Não é o crescimento da economia, esclareça-se em
definitivo, que deixará a vida de cada indivíduo mais ou menos vibrante. O
crescimento econômico correlacionado ao aumento do PIB, dizem os especialistas,
é algo naturalmente desigual que apresenta certa facilidade para gerar
desequilíbrios, sejam eles intersetoriais ou inter-regionais. Isso ocorre
porque sempre haverá uma parte (ou mesmo algum setor) crescendo mais e em
velocidade maior que as outras; daí a afirmação, polêmica, dirão alguns, de que
o crescimento não apenas gera como também aprofunda desigualdades, e não
necessariamente a reduz.
Dito isso, interessa então falar aqui de uma
desigualdade econômica que, à luz de esclarecimentos, está completamente fora
de controle. Serve de exemplo: i) dados compilados em 2019 deixam em evidência
que os 2.153 bilionários do mundo têm mais riqueza do que 4,6 bilhões (60% da
população mundial); ii) caso se separe os 22 homens mais ricos do mundo
notar-se-á que eles têm mais riqueza do que todas as mulheres de África.
Entretanto, seria injusto e impreciso não citar algumas
das vantagens e/ou benefícios gerados pelo crescimento. Eles existem e precisam
ser devidamente anunciados.
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https://www.neipies.com/todos/
Mas para não tornar o assunto demasiado enfadonho, limitar-nos-emos a citar, por exemplo, que uma das vantagens que o crescimento traz consigo – e jamais se deve negar isso – é a possibilidade da criação de políticas sociais. Algo que no Brasil representa 20% do PIB e contribui em duas frentes para incentivar o próprio crescimento, a partir do fortalecimento do mercado interno de consumo de massas, e da ampliação dos investimentos na expansão da infraestrutura, enfrentando as muitas deficiências estruturais na oferta de serviços públicos.
Nessa direção, ouso assinalar que o crescimento terá
considerável contribuição na redução de desigualdades – embora não seja o
suficiente – caso proporcione igualdade de oportunidades, o que objetivamente
inclui pontos-chave como educação, acesso ao crédito, salários iguais, e assim
por diante. A igualdade de oportunidadesé
tão importante para o desempenho econômico que o relatório “Situação da
População Mundial 2017”, lançado pelo Fundo de População das Nações Unidas
(UNFPA), mostra que empresas que promovem a igualdade tem uma probabilidade 32%
maior de serem mais lucrativas, se projetando à frente das demais concorrentes.
O que é preciso levar em conta, nesse caso, é a existência de uma associação
positiva entre igualdade de gênero, PIB per
capita e níveis de desenvolvimento humano.
Terra chega à sua sobrecarga de recursos naturais.
Ademais, a imediata redução das desigualdades de gênero, frise-se, é bem entendida como fator determinante para que o mundo consiga atingir em 2030 os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Não por acaso, lê-se nesse mencionado relatório que os homens ocupam 76% da força de trabalho global, enquanto as mulheres representam 50%. O valor pago às mulheres – apenas metade delas em todo o mundo possui emprego remunerado – corresponde a 77% aos dos homens.
Indo direto ao ponto, depreende-se o seguinte: enquanto persistir
diferenças de gênero (corriqueira atitude que, a meu ver, margeia a
ignorância), muito mais complicado será levantar um bom e eficaz sistema de
amparo e proteção social capaz de promover a prosperidade humana.
II
O estilo de vida – ocidentalizado e centrado no
consumo ostensivo – que pauta a realidade do mundo moderno é altamente
insustentável porque afeta a capacidade de carga da Terra e força o planeta a
uma crise ambiental cada vez mais hostil. Desde há muito já está claro que esse
ponto, expresso no dinamismo do mercado econômico, não levará a comunidade
humana para um porto seguro.
Acredito, todavia, que não é preciso levantar e
aprofundar a discussão do que é entendido por dinamismo do mercado econômico,
salvo para destacar o fato – relevante, segundo suponho – de que é desse modo
que o planeta vai sendo literalmente devorado, ajudado pelos múltiplos
interesses em torno do extrativismo. Aqui fala-se abertamente de interesses que
guiaram muitas das escolhas feitas em diferentes períodos da história humana;
especificamente em relação aos interesses que comandam as políticas
extrativistas.
O ponto de partida, se observado apenas pelo âmbito
da América Latina, é reconhecer, como o faz o economista equatoriano Alberto
Acosta, que os governos neoliberais e os governos progressistas, em diferentes
momentos, colocaram suas expectativas de desenvolvimento em uma expansão
acelerada do extrativismo.
O problema a ser devidamente acentuado, assim confirma
Acosta, é que em nenhum caso ocorreu a transformação da matriz produtiva. Tudo
se mantém como sempre foi; e sequer se tenta afetar a lógica de acumulação do
capital. A rigor, é justamente isso o que leva Acosta, estudioso do assunto, a
afirmar taxativamente que se trata “apenas de modernizar o capitalismo. É por
isso que, embora tenham reduzido a pobreza, graças ao enorme rendimento das
exportações de matérias-primas, os ricos enriqueceram ainda mais”. (1)
O que vale anotar aqui, eliminando dúvidas, é que
pouco importa às forças dominantes quais são as contraindicações de todo esse
específico dinamismo. Uma vez pautado sistematicamente pela incontrolável ideia
(obsessão macroeconômica) de aumentar a produção material, o interesse que se
sobressai é o de fazer o PIB crescer, indicando com isso o nível de sucesso de
nações e governos. Entrementes, isso permite dizer que, enquanto aumenta-se o
fanatismo no princípio do crescimento, de um lado, exacerbam-se os muitos
contratempos (ecológico e ambiental, em destaque) do mundo social, de outro. Daí
a argumentação corrente de que nos últimos 150 anos, à medida em que o
crescimento econômico avançava em diferentes períodos, as indústrias do mundo
moderno seguiam poluindo o ar e modificando severamente o meio ambiente.
Ora, sem que se transgrida os fatos verdadeiros, é
dado observar que isso configura, ao fim e ao cabo, uma situação na qual a
categoria humana é severamente empurrada à convivência com um desconfortante
desequilíbrio ecológico-ambiental, cujos exemplos, cada vez mais perceptíveis,
pululam diante de cada um de nós. Basta atentar que “(…) mais da metade do
carbono dissipado na atmosfera devido à queima de combustíveis fósseis foi
emitido apenas nas últimas três décadas. E mais: apenas nos últimos quarenta
anos, diz o World Wildlife Fund (WWF), mais da metade dos vertebrados do mundo
morreu. É cada vez mais óbvio, portanto, que estamos no olho do furacão, em
meio a uma crise ecológica produzida por nós mesmos, tal como escreve David
Wells.
Essa crise, podendo ser vista por vários ângulos, mas
abusando de ilustrativos exemplos, mostra que teremos vagando por aí nada menos
que 200 milhões de refugiados do clima até 2050 – assim projeta as Nações
Unidas (UN). Detalhe importante: essa crise mostra ainda que “é impossível
pensar em recuperar o equilíbrio do sistema da Terra sem abandonar a lógica do
capital, que tudo converte em mercadoria e faz da crise uma oportunidade para
novos lucros”, escreve Pablo Solón, ativista ambiental boliviano.
Trata-se, então, sistematicamente de uma crise que
tem suas raízes no modelo de economia que prega o expansionismo como “salvação”
do mundo moderno, colocando o avanço econômico como o responsável direto pela
boa vida das populações. E como não mais se pode pensar os problemas ambientais
como meras ocorrências isoladas, insista-se aqui para dizer em tom de
esclarecimento que, se desde os últimos 150 anos as economias globais (umas
mais outras menos), têm ajudado a desequilibrar ecologicamente o planeta, tão
somente nos últimos 60 anos os humanos sobrecarregaram exaustivamente os mais
importantes ecossistemas conhecidos, afetando sobretudo as macroestruturas do
sistema Terra.
Veja-se, a priori, que o sistema de águas, principalmente quando percebido o
nível de esgotamento dos oceanos, o maior dos ecossistemas existentes e, de
longe, o grande “sistema de suporte à vida”, nos dizeres de Sylvia Earle, (2)
talvez seja o mais
ilustrativo dos exemplos. Afora isso, já se sabe que até 2048, caso não haja
radical mudança de postura, os oceanos atingirão um ápice em que não mais será
permitido a retirada de recursos alimentares, uma vez que a excessiva atividade
de pesca não respeita o tempo de reposição dos cardumes.
É curioso e bastante assombroso constatar que o
gênero humano não dá importância aos oceanos; e sequer percebem com alguma
clareza que são os oceanos que controlam o clima planetário, uma vez que
absorvem grande parte de dióxido de carbono da atmosfera, retêm 97% da água da
Terra e abriga 97% de sua biosfera. Logo, é imprescindível levantar esforços
para colocar um fim à degradação dos oceanos que, como se sabe, segue
prejudicado porque um terço do CO2 produzido pela atividade
econômica acaba sendo absorvido pelas águas oceânicas, tornando-as
imediatamente mais ácidas.
Mas repare no que segue: quando foi explicitado
linhas acima que a atualmente excessiva atividade de pesca não permite tempo de
reposição dos cardumes, em tom de acusação se quer anunciar, clara e
abertamente, a existência de um déficit
ecológico que a humanidade vem provocando no mundo biofísico. Um déficit que ocorre a cada ano num
período de tempo cada vez mais curto. Por conseguinte, isso exige um oportuno
esclarecimento: calculado pela Global Footprint Network, considerando quatro
fatores principais, quanto os
ecossistemas são capazes de produzir; quantas
pessoas existem no planeta; quanto
essas pessoas consomem; e, com que
eficiência os produtos são feitos, foi observado que em 2019, por exemplo, o
planeta Terra entrou no “cheque especial” no dia 29 de julho.
Para ser objetivo, significa dizer que os 7,6 bilhões
de habitantes do planeta consumiram todos os recursos naturais que o planeta
consegue regenerar em um período de um ano em apenas 210 dias. Por isso a
velocidade de consumo, nesse caso, é 74% maior do que a capacidade de a Terra
se regenerar. Desnecessário enfatizar, quero crer, que aí está um “drama”
(tornando aceitável esse termo) que contribui para alterar o sistema de
funcionamento da Terra.
Pois bem, uma vez mais olhando com relativa atenção o
uso excessivo de recursos da natureza, e misturando aqui, para efeito de boa
compreensão, uma linguagem econômica com a ecológica, a metáfora a seguir esclarece
o real perigo que representa essa última passagem: quando a Terra “entra” nesse
mencionado cheque especial, a humanidade imediatamente contrai uma “dívida
ecológica” que, a olhos vistos, tem sido cada vez mais difícil de pagar.
Uma dívida que vem expressa na forma de esgotamento
ecológico, escassez de água potável, criminosa perda de biodiversidade, erosão
do sistema solo, acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, acidificação dos
oceanos, empobrecimento biológico. Ou seja, por toda essa série de agudos
descompassos ambientais, acentuam-se consideráveis prejuízos que de imediato
comprometem a qualidade de vida.
Essa dívida ecológica, é certo afirmar, atesta o quão insustentável
tem sido o estilo de vida moderno, uma vez que cria condição de manter boa
parte da comunidade humana (principalmente a população que não encontra
mecanismo de defesa, dado o estado de vulnerabilidade do qual padece) bem mais
próxima das dores de um mundo que aumenta e muda rápido demais face a
existência de um relacionamento marcadamente hostil entre o homem, a economia e
a natureza.
Diante de receitas e diretrizes econômicas impetuosamente impostas para fazer avançar o produto monetizado, é chegada a hora de chamar a atenção para algo relevante: se cada vez mais a biosfera – i.e., “a esfera da vida”, como escreve Carl Folke – tem apresentado evidências de estar no limite de sua resiliência ecossistêmica, dir-se-á com notoriedade que a partir de certo tamanho da economia os custos socioambientais advindos de um patamar extra de crescimento ultrapassam eventuais benefícios de bem-estar material.
Feita mais essa advertência, e para voltar agora ao ponto inicial deste artigo, eleve-se as esperanças para o que a economista britânica Kate Raworth – a partir de sua já célebre abordagem da “economia donut” – espera que aconteça em breve, isto é, que os economistas se tornem de certo modo “agnósticos” e não “viciados” em crescimento econômico; até mesmo porque, no lugar de se conceber atividades econômicas à serviço da vida, o que se tem hoje, fato concreto, é o sujeito humano aprendendo com invejável rapidez a desvirtuar as chamadas boas condições conhecidas, entre essas a de colocar a vida à serviço da economia de produção, contrariando desse modo o papel social de uma ciência que nasceu para dar respostas afirmativas em torno da vida humana.
A força do carnaval. Todos se integram de maneira incrivelmente democrática, quebrando, quase sem perceber, cadeias de preconceitos, rompendo formalidades, denunciando e derrubando máscaras.
Hoje vamos deixar
de lado o circo existente
em Brasília para falar de
coisa séria, o carnaval. Sim, com o que
se vê hoje de parte do governo, carnaval
passou a ser coisa séria, até
porque tem objetivo – a alegria – e organização. Coisas inexistentes em
um governo, marcado pela vulgaridade e o mau humor.
O carnaval é
considerado reminiscência das festas
pagãs Greco-romanas que ocorriam entre
dezembro e fevereiro – saturnais e lupercais, respectivamente.
No Brasil chegou com
os lusos, na comemoração do entrudo, que festejava a
entrada da primavera e abria as solenidades litúrgicas da Quaresma, período da abstinência de carne – palavra que designa
o nome carnaval.
Entenda mais sobre a festa do Carnaval.
O entrudo era uma festa barulhenta, suja, e por vezes, violenta. Foi a partir da segunda metade do séc. XIX, que o entrudo passou a conviver com bailes de máscara em teatros e clubes, à moda europeia.
A primeira música
carnavalesca foi Ô Abre-alas, composta por Chiquinha
Gonzaga em 1899. Sinhô, compositor
da época, também é considerado o
pioneiro da mistura de classes sociais no carnaval. Primeiro passo
rumo à concepção atual dos desfiles das grandes escolas de samba.
Lentamente, o carnaval
foi se transformando na expressão que mais sintetiza as
características do que se chama
brasilidade, ou seja, a identidade
cultural do brasileiro, reflexo de sua formação, de sua história, de
suas venturas e desventuras.
Samba, frevo, festa de
rua, com muita gente suada, corpos bronzeados. A beleza, o erotismo (para
desespero da Damaris ) , o riso acima de tudo e, principalmente, a alegria. No
carnaval há uma mescla de culturas e gentes.
Hoje, através dos seus
enredos, as grandes escolas
aproveitam para fazer denúncias
sociais e marcar sua
presença na política. O
samba da Mangueira é exemplar:
“Nasci de peito aberto, de punho cerrado/ Meu pai
carpinteiro, desempregado/Minha mãe é
Maria das Dores Brasil./Favela, pega
visão/Não tem futuro sem partilha/ Nem messias de arma na mão”.
Já Zeca Baleiro
compôs marchinhas contundentes:
“Escória, escória/Nem fodendo
vocês vão conseguir entrar pra história/Vou lhes dizer o que é política/O vagão de lixo passa e o
trem da história fica/Vou lhes dizer o
que é arte e cultura/Não vai crescer nem
capim sobre vossa sepultura”.
Outra, dedicada ao
ex-secretário de Cultura Roberto
‘Goebbels’ Alvim: “Respeita Fernanda Montenegro, babaca/Tu saiu de que
cloaca?/Respeita Martinho da Vila, sem
mané/Você não vale nem a sola do seu pé”.
Eis a força do carnaval. É onde todos se integram de maneira incrivelmente
democrática, quebrando, quase sem perceber, cadeias de preconceitos, rompendo
formalidades, denunciando e derrubando máscaras.
Todos passam a ser protagonistas de um mesmo espetáculo.
Todos em uma só festa, cuja tônica é a alegria, a criatividade e a ampla
liberdade de expressão. A direita bolsonarista
vai à histeria!!!
O carnaval é uma das festas populares mais lucrativas do Brasi. Para conversar sobre as oportunidades de negócios em torno da festa, o Sem Censura conversa com o promoter Diógenes Queiroz, organizador do camarote “Allegria”, na Marquês de Sapucaí, e com Gebran Smera, estilista, cenógrafo e carnavalesco. Veja mais aqui.
O intuito foi apresentar uma possibilidade de vivência significativa na linguagem por meio do trabalho com o texto poético em turmas de Educação Básica, contemplando a experiência singular do sujeito que, via vocalizações, mobiliza significações na particularidade do discurso poético.
No
mês de novembro de 2019, estive ministrando um curso na II Jornada Mundial sobre o Ensino e Aprendizado do Português em Lima,
Peru. O tema do meu curso foi “O
trabalho com a poética da língua”, voltado para professores que ensinam
português no mundo. Nesse evento, estavam presentes professores dos Estados
Unidos, Perú, Argentina, Venezuela e Brasil.
A
Jornada foi promovida pela Asociación de Profesores de Portugués como lengua
Extranjera en Perú e aconteceu na Pontificia
Universidad Católica del Perú.
O
tema que eu levei para a explanação faz parte do eixo temático de minha
Dissertação de Mestrado em Linguística, na Universidade de Passo Fundo, que tem
como Orientadora a Professora Dra. em Linguística, Marlete Sandra Diedrich. Na
pesquisa trabalhamos à luz de princípios do linguista francês Émile Benveniste
e de Roman Jakobson.
O intuito no Perú foi
apresentar uma possibilidade de vivência significativa na linguagem por meio do
trabalho com o texto poético em turmas de Educação Básica, contemplando a
experiência singular do sujeito que, via vocalizações, mobiliza significações
na particularidade do discurso poético.
Apresentei
um trabalho com a poeticidade via vocalizações arranjos linguísticos e seu
potencial alcance de significação no ensino de língua. Neste estudo, voltamos
nossa atenção para a abordagem teórico-metodológica do ensino da língua
portuguesa, à luz de princípios advindos das reflexões de Roman Jakobson
(2007), em especial, daqueles apresentados no texto Linguística e Poética. Apresentamos uma proposta de minicurso no
escopo da temática “As metodologias e
abordagens de sucesso no ensino de português”.
“A literatura, como arte, consiste em um grande trampolim para o ensino e para despertar no educando o interesse em aprimorar a linguagem e a leitura, por consequência, uma mudança de atitude e de competência linguística em todas as áreas do conhecimento e da formação humana do cidadão”.
Em Benveniste buscamos suporte no artigo Significância e experiência, que encontramos em Últimas aulas no Collège de France. Nesse texto, aparece “a noção de “enunciação” compreendida como uma “experiência”.
Percebemos,
por esse viés, que a experiência na linguagem coloca em destaque a propriedade
da significância, pois é nela e por ela que o sujeito se reconhece. Dá a
entender que uma poética está ligada a experiência humana na linguagem,
salientando que isso é um ato individual, tendo a atividade linguística como
eixo central.
Não obstante, os autores chamam
atenção de que a linguagem em que se apresenta essa modalidade que é a escrita,
porque é através dela que encontramos o discurso do poeta, por exemplo, “,
impunha-se uma reflexão sobre a experiência específica da escrita representada
pela linguagem poética” (BENVENISTE, 1968 e 1969/ 2014, p. 53), notamos que o
linguista salienta a “experiência específica” que é a linguagem poética, quer dizer
que devemos olhar com diferenciados à esta linguagem.
Observamos que Benveniste conceitua a
linguagem poética, chamando-a de “linguagem interior”, pois a linguagem poética
exige que o analista “mude de instrumentos”, (BENVENISTE, 1968 e 1969/ 2014, p.
54), Em seguida ele define:“Essa “língua diferente” que seria a poesia
necessita, portanto, de uma “translinguística”: pois a “significância da arte”
é não convencional”.
Podemos entender que o linguista dá
ênfase a essa linguagem e define que devemos ter um olhar diferente, pois se
trata de uma linguagem e trata como “significância da arte”. E segue definindo
quais pontos merecem destaques nessa “translinguística” presente na poética, “a
mensagem poética, “ao contrário das propriedades da comunicação”, fala uma
emoção que a linguagem “transmite”. (BENVENISTE, 1968 e 1969/ 2014, p. 54). Com
essa definição do autor, acreditamos que estamos lidando com uma linguagem
“interior”, “diferente”, “não convencional” e que transmite “emoção”.
Assim,
continuamos nosso olhar teórico com Jakobson, para o ensino de língua a partir
da concepção da sua manifestação poética. Nessa concepção, entendemos que a linguística
não pode ser vista separada da literatura, pelo contrário, “[…] a Linguística
é a ciência global da estrutura verbal, a Poética pode ser encarada como parte
integrante da Linguística” (JAKOBSON, 2007, p. 119). Para Jakobson (2007,
p.119), “A poética trata dos problemas da estrutura verbal, […]”. O autor (p. 128) afirma que “[…] A função
poética não é a única função da arte verbal, mas tão-somente a função
dominante, determinante, ao passo que, em todas as outras atividades verbais
ela funciona como um constituinte acessório, subsidiário.”
Com essa motivação,
entendemos a função poética como um investimento nos arranjos verbais, os quais
se pautam nas relações entre as unidades linguísticas. Tais unidades comunicam
para além de si mesmas, num jogo de relações entre formas e sentidos que são
mobilizadas no discurso.
Em
Lima, tive a oportunidade de sentir que o trabalho que venho realizando há
muitos anos no que tange a
materialização no discurso da experiência de vocalização do texto poético
vivenciada em sala de aula na relação enunciativa de emissão e recepção entre eu/tu, foi muito bem aceito, por dar
atenção a uma abordagem teórico-metodológica do ensino da língua portuguesa e demonstrar
algumas possibilidades de ensino alicerçadas na teoria e prática. Inclusive,
muitos professores que lá estavam parabenizaram-me, dizendo que a partir da
minha fala se sentiram motivados enxergando novas possibilidades para o ensino
da língua.
Acesse também outras reflexões críticas e reflexivas no nosso site. Este website é uma construção feita por muitas mãos que desejam comunicar conhecimentos e reflexões em vista de um ser humano mais colaborativo e solidário.
A vida se equilibra, saudavelmente, entre fé e dúvida. Quando a fé aumenta, diminui a dúvida, e, quando a dúvida aumenta, diminui a fé.
Recordo, como
se fosse hoje, mas já se passaram trinta e três anos, de uma cena que dá o que
pensar. Eu estava voltando da universidade, à noite e, no caminho, entre a
universidade e a parada do ônibus, havia uma igreja aberta e decidi entrar.
No exato momento
em que entrei estavam sendo distribuídos envelopes para a oferta e, o pastor,
no alto de sua técnica persuasiva, utilizou um único argumento de motivação
para despertar a generosidade dos fiéis. Ele dizia: a dúvida é a presença do
diabo na vida da gente. Quem estiver com dúvida não precisa colaborar com
Deus…! Repetiu o mantra umas três vezes e parou…! Os envelopes foram
passando e, em seguida, recolhidos…! Acho que só eu não fui generoso, naquela
noite…! E não foi por falta de fé, ou por estar endemoniado.
Cuidado: não
há nada de errado em ser generoso com a igreja, até pelo contrário, a
generosidade é uma das melhores virtudes humanas.
A fé, também,
é uma virtude, uma das três virtudes teologais.
A fé, também, é uma virtude, uma das três virtudes teologais, mas a
dúvida não é um vício diabólico. Insisto: a dúvida não é a presença do diabo na
vida da gente. A dúvida é irmã gêmea da fé e lhe presta um auxílio inestimável
a fim de que não seja terreno fértil para aproveitadores.
A fé não nasce
da dúvida e nem a dúvida nasce da fé, mas ambas são filhas da mesma mãe: o
mundo da vida. A vida se equilibra, saudavelmente, entre fé e dúvida.
Quando a fé aumenta diminui a dúvida e quando a dúvida aumenta, diminui a fé.
Ou será que quanto mais a fé aumenta, mais a dúvida também aumenta e quanto
mais a dúvida aumenta, a fé também aumenta? Fica a dúvida!
Contudo, o
certo é que uma não vive sem a outra, como a cara necessita da coroa para ser
moeda.
Não pretendo,
contudo, falar da dúvida, mas da fé, apesar da dúvida.
A fé tem seu habitat natural nas religiões, todavia, a fé é uma
experiência humana importante demais para ser deixada somente para os
profissionais das religiões.
Antes da fé
religiosa, que em alguns sequer se manifesta, ocorre a fé antropológica, isto
é, a fé em si mesma e nos outros. Uma não se opõe a outra, pelo contrário, se
complementam e se retroalimentam.
Há uma
dialética frutífera ou um círculo virtuoso entre fé antropológica e fé
religiosa. A fé antropológica favorece a fé religiosa e a fé em Deus fortalece
a fé no humano.
Por uma questão de método, quando nos aventuramos conversar sobre a fé,
deveríamos começar pelo cotidiano da fé antropológica e, só depois, falar da fé
em Deus, para proceder do elementar ao complexo, do mais evidente ao mais
misterioso, do antropológico ao teológico.
Sem fé em si e
nos outros, na vida cotidiana, acabaríamos por adoecer. Se alguém descrê de si,
não crê ser capaz para nada e desconfia da própria sombra, que se pode esperar?
A fé em si mesmo é a mais primária e genuína atitude de uma biografia saudável.
Mas, saudável é, também, a fé que depositamos no outro, sem a qual nos tornamos
paranoicos.
Sim, o
contrário da fé não é a dúvida, mas o medo e o medo leva à paranoia. Não queira
viver ao lado de um paranoico, não é uma experiência edificante. O paranoico vê
inimigo e perigo lá onde inimigo e perigo não há. O universo mental e
psicológico de um paranoico é povoado por conspiradores por todos os lados. O
medo paranoico é doentio, a fé e a confiança, saudáveis.
Na vida
cotidiana, se de tudo tivéssemos medo, não tomaríamos o ônibus, pois, quem nos
garante que o motorista não seja um terrorista disposto a nos queimar vivos? Se
fôssemos movidos pelo medo, então não comeríamos num restaurante ou mesmo em
casa, pois a cozinheira pode não ter acordado de boa fé e decidido temperar,
com veneno, a saborosa comida. Alguém subiria em um avião se tivesse medo
paranoico? Duvido. O amor entre duas pessoas seria possível se um tivesse medo
e a suspeita, permanentemente, do outro? No começo e no fim do amor está a fé
no amor. Nem a obra do amor, como nos diz Kierkeggard, é prova suficiente do
amor. O amor se revela na obra, mas a obra pode enganar e, por isso, é preciso
crer no amor.
Há risco? É óbvio
que há, é da condição humana. Apesar do risco, contudo, cremos. No começo está
a fé que vence o medo, mas, cuidado, a dúvida acompanha, saudavelmente, a fé
como um anjo bom, nos alertando e protegendo do perigo!
O que vale
para a fé humana, vale também para a fé religiosa, a fé em Deus. E até mais,
pois a Deus ninguém viu. Se há risco na fé humana, imagine na fé em Deus! Há
muitos indícios para crer, mas crer continua sendo um salto no escuro.
Em algumas
coisas é fácil crer, por exemplo, que a paz, o amor, a fraternidade, o perdão e
a comunidade são divinos, quem duvidará disso? Mas crer que Deus existe e é
trindade eterna, que Jesus é Deus, que a ressurreição dos mortos é o destino de
todo humano vivente, que Deus pode intervir na natureza e fazer milagres etc.,
é fé em estado puro. Contudo, é melhor continuarmos acreditando, apesar do
risco e da dúvida. Afinal, como diz o apóstolo Paulo, a fé é a certeza do que
não vemos e uma posse antecipada do que esperamos.
Note bem, a
dúvida é saudável e é divina. O que é doentio é o medo paranoico. Duvidar de
Deus não nos torna doentes e diabólicos, mas se tivermos medo de Deus e nele
não depositarmos a confiança e, ao invés de cremos no seu amor e misericórdia,
vivermos com medo do seu castigo, adoeceremos espiritualmente, com certeza.
A fé sem a dúvida nos fanatiza.
O pai da fé,
Abraão, é prova disso. Engana-se quem pensa que Abraão era um tonto e um
fanático. A fé de Abraão não se mede pela disposição de matar o filho, se
preciso for, mas pela decisão de não matar o filho, sabendo que isso era o
desejo de Deus. Mas, como sabia que esse era o desejo de Deus? Pela fé dos que
acreditam na vida e não na morte. Abraão ouviu dois mandatos, um dizia: mate o
filho. Desse ele duvidou. Outro dizia: não lhes faça nenhum mal. Nesse ele
acreditou.
A sua fé foi
contra tudo e todos, pois a tradição era de sacrifícios humanos. Abraão rompe a
tradição, diz não à morte obedecendo o anjo que lhe pede para não sacrificar e
por isso mesmo se torna o pai da fé. Quando se fala da fé de Abraão, portanto,
não é qualquer fé, sobretudo não é a fé do fanático e do tradicionalista, mas a
fé no Deus vivo e da vida, isento de sacrifícios humanos, essa é a fé de
Abraão.
De qualquer
forma e, apesar de tudo, a melhor atitude ainda continua sendo do pai do menino
epilético endemoniado que procura Jesus para que este o ajude. Diz o pai: “se
tu podes, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. Ao que Jesus responde: “Se tu
podes!… Tudo é possível àquele que crê!” Imediatamente, o pai do menino
gritou: “Eu creio! Ajuda a minha incredulidade! ”
A fé é uma
certeza do que não vemos e posse antecipada do que esperamos. Mas, para não
virarmos fanáticos fundamentalistas é melhor rezar, dia após dia: “Eu creio!
Ajuda a minha incredulidade”!
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Pe Elli foi um testemunho do bem, seja na vida presbiteral, seja na missão de educador. E este posicionamento inspirou muitas pessoas nos caminhos a serem trilhados.
No início de fevereiro, Pe Elli Benincá partiu para a eternidade. Junto
como o sentimento de pesar que passou por todos nós, havia também o sentimento
de gratidão pelo o que este irmão significou na vida de muitas pessoas. Alguém
que passou no mundo fazendo o bem deixa um legado, um caminho a ser seguido. O
testemunho de fé e agir cidadão do Pe Elli foi válido e tem inspirado as
pessoas nas mesmas atitudes.
Pe Elli chegou à Passo Fundo em 1965 e de imediato assumiu dois serviços, o de presbítero, auxiliando na Catedral Nossa Senhora Aparecida, e do professor, nas áreas de filosofia e educação, no Consórcio Universitário Católico, hoje Universidade de Passo Fundo.
Quem o conheceu é unanime em dizer que ele exerceu com profundo senso de
responsabilidade estas duas missões.
Como presbítero foi um grande diferencial na Arquidiocese de Passo Fundo, contribuindo de forma significativa na formação dos futuros padres e também na formação dos agentes de pastoral leigos e religiosos. Ajudou muitos a compreenderem a importância da evangelização como um projeto eclesial e pessoal.
Como homem ligado ao ensino superior colaborou para que a formação dos futuros professores aliasse o conhecimento formal com o sentido humano do ser educador. Era um homem que acreditava no ser humano e o seu potencial libertador.
Ele operou com maestria o encontro da fé com a ciência, fortalecido no
cotidiano de trabalho em vista do bem do ser humano. O respeito e consideração
por cada interlocutor marcava as pessoas com quem dialogava, mesmo que as
posições fossem divergentes.
Foi um dos fundadores da Itepa Faculdades e a criação do Curso de Teologia foi muito importante para a formação teológica e pastoral dos presbíteros, leigos e religiosos da região de Passo Fundo e de outras regiões do Brasil. Tinha preocupação para que a formação teológica fosse dialogante com os diferentes contextos e ajudasse a encontrar caminhos para a eficácia da ação evangelizadora.
Uma outra contribuição importante do Pe Elli estava nos escritos. Deixou-nos muitos artigos e livros escritos.
As suas publicações eram uma forma de contribuição
para que outras pessoas exercessem a tarefa pedagógica e teológico-pastoral na
perspectiva que sempre sonhara: formação profunda e autonomia em ser e agir. A
leitura dos textos leva a pessoa a interagir com o seu contexto de vida e
trabalho em uma perspectiva crítica e aberta às transformações necessárias.
Por fim, ressalto o testemunho deixado. Nosso mundo precisa de bons
testemunhos, de gente que exerce com coragem a missão de ser sal da terra e luz
do mundo (cf. Mt 5, 13ss).
Pe Elli foi um testemunho do bem, seja na vida presbiteral, seja na
missão de educador. E este posicionamento inspirou muitas pessoas nos caminhos
a serem trilhados. É muito bom quando em nosso caminhar encontramos boas
referências que reforçam nossa busca.
As palavras são limitadas para expressar o que o Pe Elli significou para muitas pessoas. Diante desta limitação vale a expressão: muito obrigado Pe Elli.
Descanse em Paz!
Padre Elli Benincá por ele mesmo, vínculo com a UPF (Universidade de Passo Fundo)
A medicina paliativa pode e deve ser implantada na maioria dos hospitais porque estará priorizando a compaixão antes da tecnologia.
O medo da morte é ancestral. A alta
tecnologia que permite o prolongamento da vida é um adicional pós-moderno, que
assombra e exige muito dos que pensam a bioética. E exige muito dos que como
eu, entendem nada de medicina, mas entendem de sentimentos.
Aparelhos de precisão nos diagnosticam, mãos habilidosas e cada vez mais especializadas nos operam, remédios sofisticados dão conta da doença, efeitos colaterais dolorosos vêm no rastro, aparelhos hospitalares dão suporte à vida a qualquer custo, sem que muitos pacientes terminais possam manifestar-se contra a prática do prolongamento da vida.
O último direito que um paciente terminal tem é cerceado quando não pode manifestar claramente sua vontade. Há poucos profissionais treinados para auscultar sentimentos. O fim da vida é algo delicado demais para que a vontade de quem está à morte seja negligenciada. Morrer junto a estranhos, mesmo que atenciosos, não é a mesma coisa que morrer junto à família como quase sempre foi permitido.
Os valores pessoais devem vir antes da tecnologia o que exige um preparo especial de quem lida com o final da vida. A escuta cuidadosa e o conhecimento do que traz conforto às pessoas deve vir antes da ânsia por sobrevida. Medicamentos paliativos estão para um paciente terminal, como a prevenção está para a qualidade de vida. Profissionais da saúde que lidam com a vida terminal devem ser tão reconhecidos, quanto os que previnem de forma efetiva o aparecimento de doenças.
A medicina paliativa pode e deve ser implantada na maioria dos hospitais porque estará priorizando a compaixão antes da tecnologia. Proporcionar conforto a alguém que vai morrer é ajudar essa pessoa a superar a dor, a falta de ar e a solidão.
Morrer
em uma UTI deve ser algo excepcional e não a regra. Aparelhos sofisticados
devem prolongar a vida de quem tem uma vida para prolongar. Velhinhos e
velhinhas devem ter o direito de morrer.
Ajudamos a cuidar de algumas pessoas velhas na família. Por vezes assistimos à morte de um (a) deles (as), mas, no desespero de não perder quem amávamos, chamamos ambulâncias e vimos nossos queridos serem ressuscitados, para assistirmos mais alguns anos de sofrimento, que, sem técnicas de ponta, teriam permitido a morte em casa, em paz.
Este é um assunto delicado, mas que temos a obrigação de enfrentar. A morte faz parte da vida e, acho importante, devemos manifestar nossa vontade enquanto tivermos lucidez. Cabe conversar, ponderar, para que nosso direito à morte seja respeitado.
Doing role significa viver o processo de morrer. Temos o direito de, mesmo no fim, estabelecer relações, contar histórias de vida, rememorar o que nos fez felizes. Enfim, os velhinhos e velhinhas, assim como os pacientes terminais, querem finalizar suas vidas de uma forma participativa, exercendo o que lhes resta de vida confortável e respeitosamente.
Somos humanos em um processo longo e duro de evolução. Fugir de assuntos dolorosos não nos ajuda a evoluir, pelo contrário, nos deixa isolados e à mercê do que é frio e tecnológico, sem o calor dos sentimentos amorosos e de pertencimento.
Assim
como presenciei procedimentos “heróicos” de prolongamento da vida a qualquer
custo, entrei em contato com muita sensibilidade por parte de quem cuida da
vida com muita compaixão. Espero que o assunto seja pensado em todos os níveis
das ciências.
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Servidores públicos, estudantes, doentes, desempregados, aposentados já foram classificados como fardos. Simples assim! A educação brasileira agoniza!
O ataque do governo
Bolsonaro ao setor educacional
continua de forma
descarada. Universidades foram
acusadas de locais
de “balbúrdia”, de manterem
plantações de maconha, coisas nunca
provadas. Fruto dos delírios dos
seguidores do presidente.
Professores acusados
de proselitismo marxista, de promoverem doutrinação dos seus
alunos. Como se sabe, doutrinação é feita em igrejas
e partidos políticos. Em
sala de
aula, discute-se,
argumenta-se e busca-se analisar o
presente, com base na experiência
do passado.
A educação é, sem dúvida,
um ato político em seu sentido
histórico: a discussão da pólis em que vivemos e na qual
queremos viver. Na sala de aula, privilegia-se a cultura, os saberes
e os valores dos educandos
como ponto de partida e chegada
de uma educação como prática
da liberdade e da transformação.
Agora, quando as
aulas estão recomeçando, um
dado espantoso acaba de ser
revelado, escancarando a forma
como o atual governo trata a
educação: O FNDE revela que
em 2019 foram repassados a prefeituras
de todo o país 307,8 milhões de
reais para a construção
de creches e pré-escolas
e melhoria da infraestrutura da rede de educação infantil.
Trata-se do mais baixo
repasse em 10 anos. É o claro abandono da educação. E
dizer que em 2012 o repasse
foi de 2,28 bilhões
de reais. Coisa
de governo comunista.!!
E tem mais. Meus
espantados botões não acreditaram ao
saber que o governo vai cobrar
judicialmente os estudantes
inadimplentes do Fies. E óbvio, que inadimplente deve pagar suas dívidas. Mas, convenhamos, trata-se de uma perversidade
se considerarmos a baixa capacidade orçamentária dos jovens, sobretudo com a realidade do desemprego.
A perversidade fica mais evidente quando se sabe que em
2017, o governo golpista de Michel Temer concedeu perdão de
47 bilhões de reais
em dívidas com a União a 131
mil contribuintes, pelo programa de
recuperação fiscal, o Refis.
Permitiu ainda o
parcelamento de 59,5
bilhões, pouco mais da metade
da dívida original, em até
175 prestações.
Desde outubro de 2019,
o governo Bolsonaro, por Medida
Provisória do Contribuinte Legal, está oferecendo semelhante “mamata”. Quem são os
beneficiários? Figuras de destaque
da Casa Grande. Ulala!!
Aos meus
estupefatos botões expliquei: o descaso com a
educação, a perversidade com os devedores do Fies não são novidades. Bolsonaro costuma tratar
todos os problemas da população, sobretudo dos mais
necessitados, como estorvo.
Servidores públicos, estudantes, doentes, desempregados,
aposentados já foram classificados como fardos. Simples assim!
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As notas musicais são frequências
diferentes do som. Se você aumentar o fá, ele não será mais um fá, será um fá
sustenido ou um sol. Não é possível exagerar na nota sem desafinar a música. Um
sol exagerado é um sol sustenido ou um lá. O exagero altera a nota
desarmonizando a melodia, ou seja, tornando-se outra coisa.
Para cozinhar é preciso controlar o
fogo. Fogo demais queima e estraga tudo. Uma excelente comida, com excesso de
fogo, pode transformar-se em carvão e fumaça. Adeus ao requinte dos
ingredientes e à combinação dos temperos.
Quando os filhos se tornam tiranos dos
pais, imaturos e dependentes, fala-se que foi amor demais. Dizem do ciúme que é
um amor exagerado. Como assim “amor demais”? É possível dizer se é pouco ou
muito aquilo que não tem medida? Como acertar a dose daquilo que não cabe nos
frascos?
Recomenda-se aos pais que sirvam aos
filhos, até a idade escolar, cinco xícaras de amor por dia, em três momentos
diferentes, com quatro horas de intervalo, no mínimo. Para um filho amadurecer
equilibrado, após a adolescência, reduza-se o amor para três colheres de sopa
antes e depois das festas e após chegar muito tarde de uma festa noturna.
Santa Ignorância, socorrei-nos quando
mais precisarmos! O amor é, e ponto final. O amor é sábio, e ponto final. O
amor é auto-dosável e tem bom senso, o resto é amor do Paraguai.
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Amor demais é egoísmo com maquiagem barata. O medo da responsabilidade faz dos pais superprotetores dos filhos por culpas mais ou menos conscientes. Quem sabe as ausências injustificadas. Quem sabe a falta de exemplos na vida. Quem sabe uma preocupação mórbida com as finanças da casa, como se nelas, unicamente, repousasse a felicidade da família. Quem sabe os pais mimam os filhos tentando resgatar tardiamente um amor que não tiveram.
Quando se está na
floresta do mundo, os filhos precisam referências e segurança, e elas são dadas
por marcas claras plantadas pelos pais como árvores coloridas, pegadas
profundas, desenhos na terra.
O filho pode andar seguro na floresta
do mundo porque sabe os limites. Limites não comprimem, não afogam, não impedem
qualquer aventura. Limites são linhas seguras para que a criança, adolescente
ou jovem, caminhe no mundo e atravesse a floresta. Pais amorosos e conscientes
não prometem pão ou dinheiro para o caminho. Lembrem-se da história de João e
Maria em que as migalhas de pão são comidas pelos pássaros e as crianças
continuaram perdidas.
Peço perdão aos poetas
por preferir dizer que o amor é música e não fogo. É que o fogo pode ser medido
no tamanho das chamas, intensidade dos graus. A música precisa de harmonia,
ritmo, melodia. Se o sol não estiver lá, tenha-se dó, melhor dar ré e tapar os
ouvidos.
Fico com o apóstolo João que diz:
“Deus é amor e quem ama permanece em Deus”. Se Deus é perfeito o amor não pode
produzir frutos intragáveis. Amor é uma trilha feita pelos pais. Como toda
trilha tem pontos escorregadios, pedras, alguns rios para atravessar e até pode
e deve haver riscos. Quando o pais não estiverem por perto, os filhos saberão
seguir seu caminho a sós. Aliás, é para isso que os bons pais podem morrer
serenos. Eles sobreviverão sem nós. Amor
demais, amor não é.
Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola, para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos.
Eles não sabem que sabemos que eles sabem, contudo, fingem que não sabem.
Eles não sabem o que passei pra chegar até aqui, o
quanto estudei, abdicando do meu tempo com meus filhos.
Eles não sabem a dor que sinto ao ver o futuro
escapar por entre os dedos, decidido pelos votos de terceiros, que nunca
calçaram meus sapatos em caminhos pedregosos.
Eles não sabem o quanto sofrem famílias inteiras
pelos mais variados motivos quando empurram para a miséria pessoas que
estudaram e se dedicaram a garantir uma vaga de trabalho como servidor público.
Eles
não sabem o que é faltar o essencial, aquilo que nos confere o mínimo de
dignidade, e que é conquistado com muito trabalho.
Eles
não sabem a má aposta que fazem em dias vindouros.
Eles
não sabem que essa ganância, desumanidade e estupidez, mais dia menos dia
cobrará a fatura. Eles não sabem o quanto debocham dos trabalhadores quando
comemoram entre sorrisos e abraços tamanha crueldade
Eles
não sabem que sabemos que eles sabem, contudo, fingem que não sabem.
Bráulio Bessa, em poesia, conta um pouco da vida dos professores de todo Brasil.
(Se)Mentes
do amanhã
A escola pública deve ser assim Com a finalidade do pomar, do jardim Que no ventre da terra arada Depositamos sementes com um fim. Mestres jardineiros cultivando Desabrochares futuros Vislumbrando no horizonte A colheita farta de fruto maduro. O fruto disso tudo é a consciência Valor que só é possível Numa escola com ciência Numa escola com decência Ciência que educa, que prepara Que fertiliza o intelecto E espanta do canteiro a chaga Que outra (se)mente já burlara. Ciência e decência, que se nega aos jovens, quando se é omisso Quando não se tem com o futuro Nenhum traço de compromisso. Mas como em terra fecunda Pouco cuidado ainda vale A natureza, resiliente e dadivosa Permite ao broto seu desbrave.
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