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Intolerância Zero: um manifesto pela coexistência pacífica entre as religiões e demais segmentos sociais

Este livro chega num momento delicado
em nossa história quando o ódio
e a intolerância recíprocos ameaçam
destruir nossa pacífica convivência.



Há que se celebrar o fato de vivermos numa das maiores democracias do mundo. Pessoas de todas as etnias, credos e culturas se mesclam provendo um caldo sem precedentes na história da civilização, com todos os nutrientes para a emergência de uma sociedade pacífica pautada na equidade, na diversidade e no respeito mútuo. Todavia, tudo isso repousa sobre uma calibragem muito sensível. A qualquer momento o equilíbrio pode ser rompido, e, como uma bicicleta em movimento, poderá pender para um lado ou para o outro.

Temos evidências históricas indiscutíveis de que todo extremismo é perigoso. Portanto, a manutenção deste equilíbrio deve ser tarefa prioritária, a ordem do dia. Um descuido, e lá se vão anos e anos de convivência amistosa.

De acordo com Jesus, a única maneira de coexistir com quem pensa diferente é pautando nossa conduta no amor. Porém, para alguns, a instrução de Jesus delimita este amor ao próximo e semelhante, excetuando assim o distante e o diferente. O que se esquecem de considerar é que o genuíno amor é o que encurta distâncias e revela semelhanças.

Este livro chega num momento delicado em nossa história quando o ódio e a intolerância recíprocos ameaçam destruir nossa pacífica convivência.

Como adquirir a obra:

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Fé e Ciência – Minha Participação em programa na GLOBO – Quadro Expedição Espiritual no programa “Como será?” de Sandra Annemberg.


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A questão da privatização!

O colapso do fornecimento de energia no Amapá
desnudou as inconsequências e inconveniências
das privatizações de empresas que produzem
insumos como a energia elétrica.


A energia elétrica é um dos insumos universais, sem a qual a economia moderna não pode funcionar. O colapso do fornecimento de energia no Amapá desnudou as inconsequências e inconveniências das privatizações de empresas que produzem insumos como a energia elétrica.

A negligência da concessionária privada espanhola Isolux Corvan, fez o Amapá retornar ao modo de vida do começo do século XX.

O caos no Amapá fez o governo recuar no plano de vender a Eletrobrás e a Eletronorte.

A verdade é que as empresas privadas são voltadas para a maximização de lucros no curto prazo e com frequência deixam de fazer os investimentos necessários. É a lógica da iniciativa privada.

Na contramão das privatizações, o Transnacional Institute ( TNI ) constatou forte tendência de reestatização de atividades essenciais em países como a Alemanha, França, Canadá, Estados Unidos e Japão. 

Isso em função da baixa qualidade dos serviços e dos seus elevados custos.

Ensino Religioso no Novo Ensino Médio

A educação que visa o pleno desenvolvimento humano
não pode omitir o conhecimento e o estudo das
religiosidades e dos fenômenos religiosos, objetos de
estudo do Ensino Religioso. O fenômeno religioso é
indissociável da vida das pessoas, não podendo estar
ausente dos estudos realizados na escola.



A BNCC, base de toda a elaboração e reescrita dos currículos do Novo Ensino Médio, resgata o acúmulo das definições ocorridas nas últimas décadas sobre concepção e importância do Ensino Religioso no ambiente escolar. Este resultado compõe esforços de muitas mentes e mãos que estudaram e estudam o Ensino Religioso, hoje reconhecido como área de conhecimento no EF (Ensino Fundamental) e componente curricular da área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (no caso do RS).

A finalidade do Ensino Religioso é o conhecimento dos fenômenos religiosos, na perspectiva da diversidade religiosa. Fundamenta-se na ideia de que é preciso “conhecer para respeitar”, trabalhando os conhecimentos religiosos sem proselitismo, mas reconhecendo sua importância na formação histórica e cultural dos diferentes povos e de toda humanidade e afirmando valores que promovam o respeito, a alteridade, a ética e convivência pacífica como pilares de uma sociedade justa e equilibrada.

Breve histórico Educação no Brasil e o Ensino Religioso

A Lei 5692/1971 fez importantes modificações no Ensino Médio, nominando esta modalidade de ensino como “Segundo Grau”, acrescendo o quarto ano para a qualificação profissional de nível técnico. Esta lei refere-se ao Ensino Religioso Escolar no artigo 7, colocando-o como disciplina nos horários normais dos estabelecimentos de ensino, tanto no primeiro como no segundo grau. A Constituição de 1988, por sua vez, institui o “ensino religioso de matrícula facultativa, como disciplina dos horários normais das escolas públicas de Ensino Fundamental”. Mesmo sem ser mencionado, o Ensino Religioso no Ensino Médio, escolas da rede particular mantiveram esta disciplina. O Estado do RS, por conta de sua Constituição Estadual, também prevê a disciplina do Ensino Religioso no Ensino Médio.

Quase dez anos depois, a nova LDB, Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996, reorganiza a estrutura da educação brasileira em educação básica e educação superior, sendo a primeira dividida em três: educação infantil, educação fundamental e educação de ensino médio. O ensino médio passa, no artigo 35, a ser a etapa final da educação básica com a “finalidades de consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento dos estudos, a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.

O artigo 36 da LDB afirma que o Currículo do Ensino Médio será composto pela Base Nacional Comum Curricular e pelos Itinerários formativos específicos regulamentados pela Medida Provisória 746/2016, a serem definidos pelos sistemas de ensino, a partir das áreas de conhecimento. Esta medida provisória afirma que os currículos deverão trabalhar a formação humana integral e adotar trabalho orientado para Projeto de vida e aspectos cognitivos socioemocionais, conforme diretrizes do MEC.

Cabe destacar que o FONAPER (Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso), ao longo de seus 25 anos de existência, organizou 5 eixos organizadores de conteúdos para cada uma das séries do Ensino Fundamental: Culturas e Tradições Religiosas; Escrituras Sagradas e/ou Tradições Orais; Teologias; Ritos; Ethos. Estes eixos que se constituíram no passado tinham e tem o interesse de dar identidade ao Ensino Religioso que, numa escola plural, deve atender ao plural sem ferir identidades.

 Cabe ainda destacar que diversas Editoras investiram em vista deste novo jeito de ver o Ensino Religioso, muito mais que confessional, muito mais que ecumênico, mas inter-religioso.

No Rio Grande do Sul, o Ensino Religioso é parte integrante do currículo do Ensino Fundamental e Médio, atendendo ao disposto na Constituição Estadual de 1989, compondo, juntamente com as demais áreas do conhecimento, um todo orgânico e interdisciplinar, com foco na construção efetiva de aprendizagens significativas. Observando o que está posto na Resolução CEB/CNE nº 04/2010, na Resolução CEB/CNE nº 07/2010, no Parecer CEED/RS n°290/2000 e na Resolução CEED/RS 256/2000, entende- se o Ensino Religioso numa perspectiva interreligiosa, onde objeto de estudo é o Conhecimento Religioso que proporciona a compreensão de conceitos de imanência e transcendência, assegurando o respeito à diversidade cultural e religiosa do povo brasileiro, sem proselitismo, conhecendo as diferentes Matrizes Religiosas.

Ensino Religioso e Educação Integral

Na perspectiva de uma formação plena e integral justifica-se a presença do Ensino Religioso no ambiente escolar. 

Na sociedade brasileira, a diversidade religiosa é componente cultural reconhecido. Nela todas as crenças religiosas devem ser conhecidas e estudadas para serem respeitadas, fortalecendo os laços de solidariedade, fraternidade, respeito e convivência com diálogo nos quais se assenta a vida social.

Considerando o ser humano em sua totalidade, para além da dimensão racional, a religiosidade e suas diferentes expressões, compõe uma dimensão humana relevante. A educação que visa o pleno desenvolvimento humano não pode omitir o conhecimento e o estudo das religiosidades e dos fenômenos religiosos, objetos de estudo do Ensino Religioso. O fenômeno religioso é indissociável da vida das pessoas, não podendo estar ausente dos estudos realizados na escola. Neste sentido, a escola estará colaborando para superar uma visão fragmentada e meramente racional da vida, do conhecimento e do mundo, valorizando a dimensão espiritual de nossa existência.

A escola, tanto quanto a sala de aula, pensadas como mediadoras na formação integral das pessoas, não podem deixar de abordar, numa fase tão importante que é a juventude (com seu pensar crítico, questionador e reflexivo), o conhecimento religioso que envolve a todos, bem como o conhecimento dos ateus e dos agnósticos, mesmo que seja apenas para compreendê-los, nunca para modificá-los.

O Ensino Religioso quer valorizar o patrimônio cultural religioso produzido a partir da relação do conhecimento Revelado (transcendência e Transcendente das tradições) e o conhecimento produzido pelas capacidades humanas que advém da dimensão da observação e pelos sentidos e uso da razão/reflexão. Ao valorizar os conhecimentos religiosos, filosóficos e científicos, em diálogos permanentes, podemos permitir que o jovem, no decorrer dos estudos, valorize a pluralidade cultural, respeite o princípio da alteridade e se desenvolva na dimensão da autonomia e do protagonismo juvenil.

As Tradições Religiosas, a partir das Ciências Humanas, e no específico Ciências da religião, têm muito a oferecer a partir do conhecimento religioso em vista das metas e objetivos a que se propõe a educação neste momento histórico.

Conhecimentos e habilidades que podem se consolidar no Ensino Religioso Ensino Médio

A BNCC apresenta competências específicas de Ensino Religioso para o Ensino Fundamental, que, no Ensino Médio, podem ser resgatadas para a consolidação do conhecimento. 

“1. Conhecer os aspectos estruturantes das diferentes tradições/movimentos religiosos e filosofias de vida, a partir de pressupostos científicos, filosóficos, estéticos e éticos. 2. Compreender, valorizar e respeitar as manifestações religiosas e filosofias de vida, suas experiências e saberes, em diferentes tempos, espaços e territórios. 3. Reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da natureza, enquanto expressão de valor da vida. 4. Conviver com a diversidade de crenças, pensamentos, convicções, modos de ser e viver. 5. Analisar as relações entre as tradições religiosas e os campos da cultura, da política, da economia, da saúde, da ciência, da tecnologia e do meio ambiente.6. Debater, problematizar e posicionar-se frente aos discursos e práticas de intolerância, discriminação e violência de cunho religioso, de modo a assegurar os direitos humanos no constante exercício da cidadania e da cultura de paz”.

O diálogo inter-religioso é uma ferramenta indispensável para o estudo dos conhecimentos das diferentes tradições religiosas, movimentos religiosos e filosofias de vida. Compreender as diferenças e as semelhanças que existem nas religiões, na sua busca pelo Transcendente (Ser Superior) e nos seus fundamentos de fé sem julgamentos, nem moralismos e nem proselitismo, é fundamental para uma educação que promova a tolerância, o diálogo, o respeito às diferenças.

Seguem sugestões de habilidades que podem contribuir para a consolidação dos conhecimentos do Ensino Religioso no Ensino Médio, bem como podem definir a especificidade da atuação deste componente curricular nesta última etapa de formação da Educação básica.

  1. Ser humano: um ser integral: Entender o ser humano em todas as suas dimensões e potencialidades e compreender a importância das competências e habilidades socioemocionais;
  2. Sentido de vida e Projetos de vida:  Integrar o sentido de vida, uma das grandes buscas humanas, que se traduz em razões suficientes para viver, na elaboração dos Projetos de vida dos estudantes do ensino Médio;
  3. Ética e relações sociais: buscar o sentido das ações humanas, tendo em vista a promoção do bem comum, da solidariedade e da cooperação;
  4. Relação de cultura e religiosidade: olhar para a realidade dos diferentes povos e nações para compreender como estão entrelaçados na sua cultura os aspectos religiosos; perceber como os diferentes povos e nações assentam a sua história a partir da religiosidade e da fé de seu povo;
  5. Espiritualidade na dimensão do cuidado: perceber a necessidade de cuidar de si, cuidar dos outros, cuidar da natureza e cuidar do Transcendente para viver uma vida mais plena e realizada;
  6. Ateísmo e agnosticismo: Compreender o ateísmo e agnosticismo como frutos de escolhas pessoais e que devem ser respeitadas, sem discriminação, e em diálogo respeitoso com os que declaram sua fé;
  7. Paradoxo: secularismo X fundamentalismo: entender como a sociedade atual se conforma entre negação do poder religioso e a forma autoritária de vivenciar os valores religiosos;
  8. Diversidade religiosa e liberdade de crença como direitos humanos. Entender que o direito à crença e a liberdade de expressá-la são garantias de cada pessoa e de cada grupo humano e que o Estado brasileiro é um Estado Laico, não promovendo nenhuma religião, mas reconhecendo a importância de todas;
  9. História e religiosidade dos povos africanos e indígenas em território gaúcho: Compreender e reconhecer a importância e a relevância da história dos povos africanos e indígenas na constituição da história do RS;
  10. Elementos de Fundamentação, em diferentes Tradições, para as datas significativas na cultura local: estudar eventos próximos da comunidade escolar – feriados e suas motivações, temas Dia da solidariedade, Mulher, Finados, outros, sempre no viés de entender como as tradições religiosas as significam.

Se você quer participar da Consulta Pública do Referencial Curricular Gaúcho (RCG) dando sugestões, críticas ou novas proposições ao documento, clique aqui. No específico Ensino Religioso, ele é componente curricular integrante das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (CHSA). 


O RS é um dos poucos estados brasileiros que mantém o Ensino Religioso também no Ensino Médio. O convite que te faço é para que leias o documento, traga críticas e sugestões para enriquecer as concepções e os horizontes da implantação do Novo Ensino Médio, a partir da Formação Geral e dos Itinerários Formativos.




Autora: Gládis Pedersen, com a colaboração de Nei Alberto Pies, Marilu Vedoya Grenzel e Valdecir João Bianchi.

O velório de Maradona

Maradona foi um exemplo de sinceridade passional,
com as suas glórias e pecados, não querendo nunca
ser um modelo para ninguém.
Mantinha a consciência de que custava
muito sangue ser Maradona todo o dia. 


Os argentinos sabem doer. Sabem fazer um morto se sentir importante. Sabem homenagear os seus heróis. Sabem se despedir com música e langor. Sabem expor a paixão de seu sofrimento. Sabem se desesperar. Sabem uivar aos céus, com os lobos de suas lágrimas.

Nunca se testemunhou uma comoção nacional tão grande desde o velório de Evita Perón. Maradona é capaz de superar as duas milhões de pessoas nas ruas de 1952. E isso no meio de uma pandemia. 

Ele morre e continua jogando futebol, ele morre e continua arrastando multidões para vê-lo. 

Não é um homem, mas um estádio. 

Por mais frio e indiferente que qualquer um seja, não existe como não se arrepiar, mesmo quem não gosta do esporte ou quem cultivava ressalvas sobre o posicionamento político de esquerda do craque ou quem apontava os seus problemas pessoais, como as drogas e seus casamentos acidentados. 

É uma demonstração monstruosa de fé na eternidade que só é testada com a morte. 

Como diz o escritor argentino Roberto Fontanarrosa, “não me importa o que Maradona fez com a vida dele. Eu me importo com o que ele fez com a minha”.

Ele transformou corações, garantiu ao seu povo sofrido e massacrado por golpes militares e sucessivas inflações a possibilidade de ser feliz por noventa minutos. Ele venceu uma Guerra das Malvinas paralela dentro do campo, deixando os adversários ingleses no chão e trazendo uma Copa do Mundo para casa. Ele saiu de um bairro pobre de Buenos Aires, privado de luz, com a eletricidade de suas próprias pernas. 

E pensar que ele não jogava futebol para se exibir, mas para sobreviver – na infância, disputava campeonatos para conseguir um refrigerante e um sanduíche. 

A magia nos gramados começou cedo demais. Não teve tempo de ser adulto. Estreou profissionalmente aos 15 anos – El Pibe de Oro -, com uma inacreditável habilidade de girar e mudar a sua direção e a sua velocidade. Driblou a miséria, enganou sucessivos escândalos, recomeçou sempre. 

Foi um exemplo de sinceridade passional, com as suas glórias e pecados, não querendo nunca ser um modelo para ninguém. Mantinha a consciência de que custava muito sangue ser Maradona todo o dia. 

Dom Diego é a maior celebridade da Argentina de todos os tempos. Nem a política, nem a religião produzirão um ídolo igual. 

Na sua lápide, constará: Obrigado, bola!

E a bola responderá: Eu que agradeço, eu não sou a mesma desde que você me amou.

Renovação escolar e ideias inovadoras

Renovar também significa destruir uma rotina cansativa
e devolver ao processo uma luz permeia em cada ser,
para que não se perca a alegria de ensinar,
no mais profundo holocausto.


“Os alunos estão desanimados!”, “Ninguém entra na aula do Meet.”, “Nós professores estamos cansados, desanimados e desmotivados!” Essas falas representam o processo dolorido vivenciado num período difícil de renovação e despendimento de tudo o que julgávamos que sabíamos e tínhamos como ferramenta para educar.

Nesta atmosfera real atual surge brilhantemente e apropriadamente uma excelente ideia por parte da coordenação do Instituto Estadual Cecy Leite Costa, O DESAFIO VIRTUAL CECY, na tentativa de descontruir a rotina mecanizada pela inevitável única arma que nos restou: a tecnologia. Postar atividades, dar aula no meet, sentado numa cadeira esperando em frente uma tela a participação dos estudantes e a devolutiva das atividades, que muitas vezes não ocorria.

Lembro o dia que a Coordenadora Tatiane falou empolgada sobre a ideia de fazer um desafio virtual. Percebi nos seus olhos a motivação e o crédito que apresentava a cada palavra emitida convencendo que seria bom para renovar, mexer as estruturas educacionais esfaceladas por uma pandemia. Ela deixou claro que o objetivo geral era animar tanto alunos quanto professores.

A emissão de desconfiança e descrédito de que isso pudesse dar certo estava presente nos olhares dos presentes. Eu, inclusive, até pensei e duvidei comigo mesmo. Será que isso vai funcionar? Pois sei que gincana, sei que dá certo de forma presencialmente, mas será que virtualmente terá sucesso? Tenho certeza que outros colegas até pensaram: “mais uma “atividadezinha”.

Como funcionaria: teríamos uma semana inteira para coordenar através do meet essa atividade. Soubemos que a coordenação nas pessoas das professoras Eliane, Tatiane e Gabriela e do professor Douglas trabalharam muito. A ideia era que as turmas se organizassem para cumprir tarefas, usando tecnologia aliada ao entrelaçar das disciplinas. Essas tarefas iam de criação de avatares individuais a adivinhar quem era o mestre mascarado. Numa semana anterior os professores pensaram e prepararam essas atividades. Claro tudo isso, com a orientação da coordenação.

O Desafio Virtual transcorreu, mas qual foi a surpresa? Os alunos se envolveram tanto que possibilitou, inclusive, a união da turma, além de motivar, trazer um alento para um processo rotineiro. Isso é tão verdadeiro que podemos observar no depoimento de professores e alunos. Trago a seguir esses depoimentos que enunciam dizeres de positividade de uma ideia que se configurou na renovação educacional no meio cenário desgastado. 

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“Quando falaram da atividade, a primeira coisa que me veio na cabeça: ah! Vão fazer uma gincaninha! Talvez minha cabeça seja uma cabeça de “velho” e não fiz ideia que os alunos iriam receber tão bem. A intenção brilhante que a escola teve e os alunos captaram a sensibilidade da escola em quebrar isso de trabalho, trabalho e aula e aula. Os alunos compraram a ideia. Parabéns a coordenação por essa iniciativa louvável”. (Professor Roberto Paranhos)

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“Uma coisa que eu achei muito legal que a escola fez essa semana foi o Desafio Virtual, de certa forma, isso acabou unindo a nossa turma novamente, porque a gente acordava de manhã e ficava todo mundo conversando no grupo da turma. Esse está sendo um momento único, porque está marcando o nosso terceirão, mesmo com uma pandemia, esses são momentos que acabam marcando. Assim vou olhar para trás e vou lembrar que mesmo me meio a pandemia, eu tive amigos de verdade, que além de professores, eu tive pais (mães) que estavam ali para me escutar. O momento não deve ser apenas de tristeza. Os professores e alunos estão sobrecarregados, está sendo estressante para as duas partes, então o Desafio Virtual renovou as relações”. (Estudante Émerson Ryan Silva)

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“Nessa semana do Desafio Virtual nós revivemos o espírito de equipe da nossa turma que estava meio deserta, muitos alunos não ajudava mais nas atividades, não participavam mais das aulas e nessa semana acabaram interagindo bastante, muitos colaboraram para que tudo dessa certo. Antes da gincana, ninguém mais participava das aulas a gente até se sentia triste, porque pensar que falta pouco para o término e os colegas desmotivados e desistirem. O desafio de descobrir quem era o mestre eu acho que foi o dia mais difícil, porque muitos professores a gente não conhecia muito bem, aí a gente foi investigar nas redes sociais para desvendar. Foi muito divertido. Houve até uma discussão: “Não, mas é muito magro para ser o fulano”. “Não, mas é muito diferente.” (Estudante Luana Cenci)

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Boas ideias nascem de pessoas que querem motivar as outras. Pessoas com espírito de liderança, de empreendedorismo educacional transformam o ambiente em conhecimento instigante às outras pessoas.  Renovar também significa destruir uma rotina cansativa e devolver ao processo uma luz permeia em cada ser, para que não se perca a alegria de ensinar, no mais profundo holocausto. A humanidade se cura com pensamentos que trazem soluções.

Nosso agradecimento, aplauso e reconhecimento a todos professores do Cecy que toparam participar dessa grande brincadeira que foi o #DesafioCecy. Obrigado pela dedicação, pelo empenho em fazer a foto, em buscar referências na sua área. Que nossas loucuras pela educação sejam sempre abençoadas.

🤔EXPLICANDO

A gente pediu para os professores que quisessem, se disfarçassem. As turmas precisavam adivinhar quem era o mestre. Tudo isso dentro de uma semana de gincana virtual.

Veja o vídeo aqui.

Novas vereadoras e vereadores eleitas/os vinculados a causas de impacto social

Acabou a eleição! Eleição sempre é um tempo onde são renovadas as ideias para melhor gerir e organizar as nossas cidades. Os vereadores e vereadoras cumprem papel de porta-vozes dos anseios e necessidades da comunidade. Os eleitos e eleitas agora nos representam. 


As convenções partidárias aprovaram 352 candidatos e candidatas que disputaram 21 cadeiras de vereadores em nossa cidade. 

A nova composição da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, com 21 vereadores, pode ser analisada sob vários aspectos, que vão desde a representatividade dos eleitos, como a multiplicidade de partidos e ideologias que compõem o universo dos que foram eleitos (15 partidos elegeram representantes).

A renovação é um dos aspectos que podemos destacar. Dos atuais 21 vereadores, apenas 07 foram reeleitos.  

Nesta matéria, destacaremos as trajetórias de 02 vereadores e 02 vereadoras eleitos/as vinculadas a bandeiras ou causas para seus mandatos. Alberi Grando, médico, defende a bandeira da Saúde e do SUS. Eva Valéria Lorenzato, agricultora e advogada, defende a representatividade das mulheres e a defesa da vida e dos direitos. Michel S. Oliveira defende as juventudes e vai pautar ações de afirmação e valorização dos jovens. Regina Costa dos Santos, professora municipal, defende as causas da educação pública, de qualidade social. 

Conheçamos um ponto mais destes vereadores e vereadoras eleitos/as para a gestão 2021-2024 por eles mesmos/as.

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SITE NEIPIES: Vereador Alberi Grando, como avalia o pleito eleitoral de 2020?

Doutor Alberi: Com certeza, foi um pleito atípico. É a quinta vez que participo, e nunca tinha me sentido tão perdido para fazer um prognóstico. Uma certeza eu tinha, pois como médico, via o medo e a insegurança das pessoas, isso por culpa da pandemia. Todo mundo estava assustado. Pessoas que manifestavam o desejo de votar, depois voltavam atrás. Soma-se isso, o descontentamento da população com nossos políticos. Então, não foi difícil avaliar que teríamos muitas abstenções. Foram mais de 45.000 votantes que não compareceram, votaram em branco ou anularam o voto. Isso é mais dos que votaram no Prefeito eleito.

SITE NEIPIES: Como pretende trabalhar, na Câmara, as bandeiras e as causas defendidas na campanha eleitoral?

Doutor Alberi: Não é difícil defender minhas bandeiras. Minha principal bandeira, de maneira bem genérica, foi prometer uma atuação com ética e transparência, ouvindo as pessoas na atuação de fiscalização e elaboração de leis. A velha política é receber o voto e desaparecer. Não é sempre assim? Pois, proponho fazer diferente, como já fiz nas outras legislaturas em que participei. Ouvir as pessoas. Democracia não é governo do povo? Como o povo vai governar se você não ouve para saber o que ele, povo, quer em termos de gestão! Parece simples assim. E é simples mesmo. Ouvir. E traduzir isso nas tuas ações. Buscar se aproximar das pessoas, fazer pedidos de informações e de providências, que são prerrogativas únicas do vereador, marcar audiências públicas, enfim, dar voz a quem está pedindo. E um pedido já veio das urnas: muda isso! 

Mas, quem sabe, sendo mais objetivo, posso dizer que uma bandeira que sempre defendi, e vou continuar defendendo, é a defesa do SUS, Sistema Único de Saúde. A montagem dessa lei, em 1990, foi perfeita. Mas agora, depois de 30 anos, já carece de algumas revisões. E, os Municípios, a quem cabe praticamente tudo na execução da política de saúde, tem que pressionar o Congresso Nacional, através das Câmaras de Vereadores, para fazer as devidas correções. Há que se discutir as diretrizes, como integralidade e participação da comunidade, além do financiamento, da forma de contratação dos profissionais, da competência de cada esfera de governo, a equidade, etc. 

SITE NEIPIES: Qual a importância de implantarmos políticas públicas para elevar nossa qualidade de vida e a nossa cidadania?

Doutor Alberi: Quando se busca o cidadão, se conhece a realidade. Infelizmente, carecemos de educação e de cultura. Há justificativa para o progresso se a população se mantém nas trevas da ignorância? Penso que não. Há justificativa uns terem tanto e muitos terem pouco? Penso que não. Há justificativa para pessoas morrerem de fome quando produzimos alimentos suficientes para todos? Penso que não. É dever do Estado corrigir essas distorções.  O investimento em emprego e renda, educação, esclarecer os direitos e deveres, é o caminho para a cidadania. Não se fala de tomar de quem tem, para dar para quem não tem, mas fazer políticas públicas com equidade. E, com base ideológica. Defendo o trabalhismo de Alberto Pasqualini.

SITE NEIPIES: Como seu mandato contribuirá para reverter a descrença na política?

Doutor Alberi: As pessoas tem toda a razão em descrer nos políticos. Quem detém o poder de criar leis, o faz em benefício próprio. Exemplos: porque não se impede legalmente a reeleição, se sabemos que a reeleição é a fábrica do político profissional? Não vejo uma só justificativa para um parlamentar, seja vereador, deputado, senador, ter a prerrogativa de se reeleger quantas vezes quiser. O argumento de que é um direito do cidadão conduzir novamente o seu político para o cargo, cai por terra quando vemos que essa recondução é feita através de compra de votos, doações e promessas inviáveis. Mais uma vez vimos isso nessas eleições, agora. 

Depois do cumprimento de um mandato, ou quem sabe, até dois, o político deve voltar para sua profissão de origem, seja médico, agricultor, operário, professor ou outra. Mas, a lei permite a eternização na função de político. E é conveniente para o político, pois aprende como usufruir bem e mal do seu mandato. E, é de se pensar, porque o Congresso Nacional estabeleceu uma única reeleição para o Executivo mas não fez isso com o Parlamento? 

Outra aberração são as tais de emendas parlamentares. Se destina uma enormidade de recursos para os parlamentares distribuírem para quem bem quiser. Mas, é função do parlamentar mexer com recursos financeiros? Não, parlamentar fiscaliza e faz leis! Mas, distribuir recursos forma o curral eleitoral, que é conveniente para a próxima reeleição. 

Como meu mandato pode contribuir para as pessoas começarem a acreditar nos políticos?  Como essas mudanças não são competências do Vereador, vou contribuir denunciando isso, como faço há muito tempo! E, certamente que agindo com ética, transparência e respeito pela diversidade de pensamento, tento ser um bom exemplo. Afinal, como um ente público, sou visto e copiado.

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SITE NEIPIES: Vereadora Eva Valéria Lorenzato, como avalia o pleito eleitoral de 2020?

Eva Valéria: O processo eleitoral desse ano foi um tanto atípico, em função da pandemia. Reduzimos muito o número de visitas e todas as que fizemos seguiram o protocolo de segurança, mantendo o distanciamento, usando máscara e álcool gel. Por outro lado, as redes sociais e as plataformas eletrônicas possibilitaram muitos encontros e levaram nossas propostas para diferentes pessoas que no modo físico possivelmente não conseguiríamos chegar.

De um modo geral, acredito que foi um bom pleito, de bastante aprendizado sobre o uso de novas ferramentas, de fortalecimento das ideias, de acolhida e de construção coletiva.

SITE NEIPIES: Como pretende trabalhar, na Câmara de Vereadores, as bandeiras e as causas defendidas em sua campanha eleitoral e que permitiram a sua eleição?

Eva Valéria: No período eleitoral, propus diversas bandeiras que seriam defendidas por mim, caso fosse eleita. Com a confiança do povo em meu nome, essas bandeiras serão os eixos de atuação que irão nortear o meu mandato como vereadora. São elas: apoio ao protagonismo das mulheres; fortalecimento da agricultura familiar; defesa da saúde e da educação pública; valorização da classe trabalhadora; Direitos Humanos para todas e todos; cuidado com o meio ambiente; cidade justa, democrática e sustentável.

Esses eixos são temas a partir dos quais iremos propor projetos e convidar a comunidade e as/os colegas do Legislativo para debater.

Vou trabalhar, entre outros projetos, pela qualificação e fortalecimento da Rede de Apoio e Proteção à Mulher Vítima de Violência; pela qualificação da mobilidade (estradas) no meio rural, incluindo pavimentação asfáltica e o acesso à comunicação (em especial internet); pela ampliação e fortalecimento da Estratégia da Saúde da Família com o máximo de cobertura na cidade e no meio rural; pela promoção da economia solidária, do micro empreendimento e das pequenas empresas; pela universalização de acesso à água potável e ampliação da rede de saneamento básico.

SITE NEIPIES: No seu entendimento, qual é a importância de implantarmos políticas públicas para elevar nossa qualidade de vida e a nossa cidadania? 

Eva Valéria: As políticas públicas mediam as relações entre o Poder Público e a sociedade. É através delas que o município chega nas pessoas e impacta em diferentes áreas de sua vida, como a saúde, a educação, o emprego e renda. 

É justamente por isso que as políticas públicas são fundamentais para o desenvolvimento de uma cidade mais justa e igualitária, especialmente quando são destinadas a atender as necessidades das comunidades que vivem em maior situação de vulnerabilidade. Uma política pública que dá incentivos à uma mãe chefe de família que precisa empreender para alimentar seus filhos, por exemplo, contribui para que aquela família tenha uma vida digna.

A tarefa das vereadoras e dos vereadores é atuar no planejamento e na criação de políticas públicas que melhorem as condições de vida da comunidade. 

SITE NEIPIES: Como seu mandato parlamentar contribuirá para reverter a descrença na política, algo tão disseminado na nossa sociedade?

Eva Valéria: Eu acredito que a descrença na política não é algo natural, mas algo que vem sendo induzido, muitas vezes por quem está no poder, para que as pessoas deixem de ter interesse em aprender, participar e se envolver com a política e, consequentemente, não questionem o que os políticos fazem de certo ou de errado.

O propósito do meu mandato será estimular a participação popular e levar as pessoas para dentro da Câmara de Vereadores, para que juntos tenhamos força para encaminhar projetos de lei que beneficiem a população. Vamos apostar na ampliação das Leis de Iniciativa Popular, a exemplo da Lei do Passe Livre, que construímos em 2009 quando o Rui era vereador. Queremos que as pessoas se tornem protagonistas e atuantes nas decisões sobre as políticas públicas da cidade.

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SITE NEIPIES: Vereador Michel Oliveira, como avalia o pleito eleitoral de 2020?

Michel Oliveira: Eleição atípica, o contato com o eleitor teve que ser pensado de forma estratégica, marcado pela utilização da redes sociais e das mídias digitais. A legislação eleitoral formulou uma campanha equilibrada entre os candidatos, diminuição das propagandas de forma visual e sonora também, fazendo com que os candidatos criassem maneiras criativas de apresentas suas propostas e que as mesmas chegassem a seus eleitores. Quem soube trabalhar dessa forma inovadora, de forma produtiva, no meu ponto de vista teve êxito em seu pleito.

SITE NEIPIES: Como pretende trabalhar, na Câmara de Vereadores, as bandeiras e as causas defendidas em sua campanha eleitoral e que permitiram a sua eleição?

Michel Oliveira: Tenho como propósito respeitar e representar o povo passofundense, zelando sobre seus direitos e deveres, cumprir e fazer cumprir a Legislação Municipal, utilizando a política como ferramenta para promoção de cidadania, geração de oportunidades e transformação de vidas.

Principais bandeiras defendidas serão: Educação, Fomento ao Trabalho, Qualificação e Renda, Juventude, Movimentos Populares e Entidades Sociais.

Na Câmara de Vereadores, quero ser o porta-voz do povo passofundense perante o Legislativo e Executivo Municipal e órgãos públicos e, através das ações realizadas, criar mecanismos para solução de demandas, respeitando as diferenças, valorizando a vida e o ser humano, com dignidade e tratamento igual para todos.

SITE NEIPIES: No seu entendimento, qual é a importância de implantarmos políticas públicas para elevar nossa qualidade de vida e a nossa cidadania? 

Michel Oliveira: As políticas públicas só tem efetividade quando se tornam políticas sociais e estas atingem as necessidades da nossa comunidade. 

É importante termos consciência de que os projetos e ações devem ser discutidos diretamente com a comunidade e também com as entidades representativas. Precisamos estar atentos isso para de fato construir ações que irão atender as necessidades e os anseios da nossa comunidade. Eu particularmente Trabalho desta forma. Quero também trazer o entendimento de que as pessoas precisam deixar de ser habitantes de passo fundo e se tornarem cidadãos de fato, através da pratica dos seus direitos e deveres.

SITE NEIPIES: Como seu mandato parlamentar contribuirá para reverter a descrença na política, algo tão disseminado na nossa sociedade?

Michel Oliveira: Eu represento uma renovação jovem que possui conhecimento, trajetória e, principalmente, propostas de trabalho que se transformarão em projetos através da atuação como Vereador eleito. Serei efetivo nas ações, participativo na comunidade irei honrar o compromisso e a oportunidade que a comunidade me confiou com muito trabalho e dedicação na Câmara Municipal de Vereadores.

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SITE NEIPIES: Vereadora Regina, como avalia o pleito eleitoral de 2020?

Professora Regina: Avalio que o pleito eleitoral de 2020 foi muito diferente e desafiador. Diferente porque estamos vivendo um período excepcional com a pandemia do Covid 19 que assola o mundo, logo a campanha teve que ter muitos cuidados, responsabilidade e compromisso com a vida do(a) outro(a). 

Segundo, porque fui candidata pela primeira vez, o que não foi fácil, pois já era difícil fazer campanha em situações normais, imaginem estrear em plena à uma pandemia.  

Desafiador, pois fazer campanha com poucos recursos, sendo mulher, rompendo com os vícios da velha política. Apostamos em uma campanha coletiva, pedagógica, responsável e propositiva, o que nos manteve com esperança e nos levou a conquistar uma cadeira no legislativo e provamos que tínhamos capacidade coletiva de eleger uma mulher, uma professora, uma lutadora para dar voz.

A conquista desta cadeira na Câmara de Vereadores foi da Educação, mulheres, jovens, da classe trabalhadora, sobretudo dos professores e professoras. Fui eleita com 1904 votos, fiquei entre os vereadores(as) mais votados do pleito e fui a mulher mais votada da Câmara de Vereadores; sem dúvida essa eleição foi um marco histórico para Câmara de Vereadores de Passo Fundo.

SITE NEIPIES: Como pretende trabalhar, na Câmara de Vereadores, as bandeiras e as causas defendidas em sua campanha eleitoral e que permitiram a sua eleição?

Professora Regina: Nosso mandato estará a serviço dos(as) passofundenses. Nossa primeira ação será implementar o mandato coletivo e participativo, instituindo o Conselho do mandato da vereadora e o gabinete itinerante para ouvir e encaminhar as demandas da população. 

No legislativo Municipal vamos lutar por um mandato que seja coletivo, transparente e propositivo em políticas públicas para melhorar a qualidade de vida de todas e todos.

SITE NEIPIES: No seu entendimento, qual é a importância de implantarmos políticas públicas para elevar nossa qualidade de vida e a nossa cidadania? 

Professora Regina: É fundamental e urgente, como exemplo, políticas públicas de combate a violência contra mulher, nossa cidade está entre as mais violentas do Estado, a Câmara Municipal precisa olhar para essa triste realidade, assim como muitas outras demandas que precisam de respostas. 

Entendo que o vereador(a) é o agente político mais próximo da comunidade e tem por obrigação ter um olhar diferenciado, onde a política pública só faz sentido quando responde a realidade. Mais do que sair inventado projetos mirabolantes, temos que olhar para as necessidades do nosso povo, fiscalizar a aplicação das leis que já existem e propor novas políticas públicas que venham a ressignificar o papel do legislativo municipal, que vai muito além de fazer homenagens, dar nomes para ruas…

SITE NEIPIES: Como seu mandato parlamentar contribuirá para reverter a descrença na política, algo tão disseminado na nossa sociedade?

Professora Regina: Na contramão dos velhos vícios da política, trabalhando muito, não fazendo conchavos, não apoiando projetos que venham a prejudicar a classe trabalhadora, fazendo um mandato que represente os anseios da população da nossa cidade, tendo como pilares a coletividade, a participação popular, a transparência e sendo um mandato propositivo.


Foto de capa: Comunicação Câmara de Vereadores de Passo Fundo

O Ser, a morte e a vida

De acordo com nossa compreensão sobre o significado
da existência humana, podemos buscar ser mais ou ter mais;
ser mais individualistas ou mais solidários;
promover a vida ou instigar a morte.


Nascemos suficientemente velhos para morrer e abundantemente novos para viver. Somos constituídos como seres de mil e uma possibilidades. Vivemos em contextos com um milhão de influências. Morremos todos os dias um pouco e uma vez como derradeira por milhões de motivos.

Esses números são apenas simbólicos; querem transmitir a ideia de que somos um mistério em andamento. E enquanto nos é permitido seguir andando conscientes, também nos é dada a oportunidade de refletir acerca do ser, da morte e da vida.

Nossa vida humana está atravessada por duas linhas existenciais que se orientam em sentido inversamente proporcional. Isso, ao menos, como grande possibilidade. Uma é a linha biológica; a outra é espiritual. Na perspectiva da primeira linha, nascemos carregados de vida e vamos, a cada dia que passa, subtraindo de seu saldo, até acabar de morrer. Na orientação da linha espiritual, nascemos habitados por um potencial incalculável de vida e podemos caminhar de tal modo até viver plenamente, eternamente, felizmente, conforme assegura a nossa fé.

A vida nunca se deixa inscrever e nem descrever de modo satisfatório. Ela sempre nos foge, nunca nos basta. Mesmo quando parecemos fartos de viver, a vida vai mais além. Ela não é só o que parece e também não é apenas o que desaparece. Embora envolta em mil dores ela quer viver. Ainda que rodeada por um milhão de amores, ela teme morrer.

Feitos à imagem e semelhança do Todo Poderoso, o Ser infinito de muitos nomes, somos constituídos com o desejo e a esperança de eternidade. Somos insaciáveis, insatisfeitos, inacabados, em processo. Buscamos sempre mais. De acordo com nossa compreensão sobre o significado da existência humana, podemos buscar ser mais ou ter mais; ser mais individualistas ou mais solidários; promover a vida ou instigar a morte.

Somos vocacionados para a vida. Não deixemos que a morte nos recolha de uma vida sem sentido. Não deixemos que outras forças nos retirem o sentido de uma existência verdadeiramente humana, solidária, comprometida com todas as formas de vida. A curva biológica da nossa existência é muito curta para ser pequena.

Façamos de nossa vida um instrumento de promoção da vida mais plena e feliz. Embora nas turbulências, caminhemos firmes e esperançosos, pois não estamos destinados ao nada. Embora nem sempre pareça, nossa vida tem futuro. O futuro de um porto muito mais seguro! Homenageemos os nossos entes queridos segundo nossas crenças e com nossos rituais na certeza de que, quem busca a vida, não morre jamais!

Autor: Dirceu Benincá, Doutor em Sociologia, pós-doutor em Educação e professor da Universidade Federal do Sul da Bahia.

SUGESTÕES PARA UMA ATIVIDADE PEDAGÓGICA 

Esta atividade pode ser trabalhada com turmas do nono ano do Ensino Fundamental, seguindo orientações da Nova BNCC no Componente Curricular Ensino Religioso. Unidade temática: Crenças religiosas e filosofias de vida. Objeto de Conhecimento: Vida e morte. Habilidades: (EF09ER03) Identificar sentidos do viver e do morrer em diferentes tradições religiosas, através do estudo de mitos fundantes. (EF09ER03RS-01) Compreender o sentido de vida e morte em diferentes Tradições Religiosas.

Este conhecimento sobre Sentido de Vida e de morte pode ser também trabalhado no Ensino Médio, articulado com Projetos de Vida.

QUESTÕES PARA APROFUNDAR CONHECIMENTOS: (Elaboradas pelo professor Alex Rosset, professor de Ensino Religioso da rede municipal de Passo Fundo, RS)

  1. O que o autor do texto quer transmitir com a seguinte metáfora: “Somos constituídos como seres de mil e uma possibilidades. Vivemos em contextos com um milhão de influências. Morremos todos os dias um pouco e uma vez como derradeira por milhões de motivos.”
  1. Quais são as duas linhas existenciais que estamos passando no momento atual? Explique cada uma delas com suas palavras.
  1. Com ajuda da leitura do texto e a observação da charge abaixo elabore quais devem ser nossas principais motivações para seguir acreditando que a vida vale a pena.
C:\Users\piesn\OneDrive\Área de Trabalho\MIGUELITOS E SENTIDO DE VIDA 1.png
  1.  Na igreja ou denominação religiosa que você ou alguém da sua família participa, como se faz a relação da vida com a morte? Pesquise para apresentar em sala de aula.
  1. Pesquise, na internet, o sentido da vida e da morte em diferentes religiões. (Acesse aqui ou faça sua busca: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2018/11/02/interna-brasil,717180/a-morte-segundo-as-diferentes-religioes.shtml ).O conteúdo desta pesquisa será apresentado em sala de aula, para discussão e compreensão das diferentes formas de ver a vida e a morte nas diferentes tradições religiosas.
  1. O que podemos fazer com nossas vidas para que a citação final do texto:” quem busca a vida, não morre jamais!” faça sentido?

Ubuntu

Segundo o espírito de Ubuntu,
as pessoas não devem buscar levar vantagem pessoal
em detrimento do bem-estar do grupo.
A felicidade de um não pode custar
a infelicidade dos demais.




Ubuntu é uma filosofia de origem africana que expressa a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. Trata-se de um conceito amplo sobre a essência do ser humano e a maneira como deve se comportar em sociedade. 

Este conceito foi uma importante ferramenta na luta contra o regime Apartheid na África do Sul. Nelson Mandela inspirou-se nele para conduzir a política de reconciliação nacional, que uniu várias etnias em torno de um projeto que visava transformar aquele país num exemplo de superação de conflitos étnicos. 

De acordo com o manifesto do movimento criado por Mandela em 1944, “o africano quer o universo como um todo orgânico que tende à harmonia e no qual as partes individuais existem somente como aspectos da unidade universal.”

De acordo com o arcebispo anglicano Desmond Tutu, autor de uma teologia ubuntu “a minha humanidade está inextricavelmente ligada à sua humanidade.” Em seu livro “No Future Without Forgiveness” (em português: “Sem perdão não há futuro”), Tutu explica: “Uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível para as outras, apoia as outras, não se sente ameaçada quando outras pessoas são capazes e boas, com base em uma autoconfiança que vem do conhecimento de que ele ou ela pertence a algo maior que é diminuído quando outras pessoas são humilhadas ou diminuídas, quando são torturadas ou oprimidas.” Tudo isso, porque, “uma pessoa é uma pessoa por intermédio de outras pessoas,” O ser humano solitário é uma contradição. 

Diferente da lógica cartesiana que tem conduzido o Ocidente por séculos, em vez de “penso, logo existo”, a filosofia africana Ubuntu diz: “Existo porque pertenço.” Ubuntu, portanto, implica compaixão, comunhão e abertura de espírito ao outro, opondo-se ao narcisismo e ao individualismo tão predominante nas sociedades ocidentais.

A educadora sul-africana Dalene Swanson, professora da University of British Columbia, em Vancouver, Canadá, fala o seguinte a respeito do ubuntu:

“Diferentemente da filosofia ocidental derivada do racionalismo iluminista, o ubuntu não coloca o indivíduo no centro de uma concepção do ser humano. Este é todo o sentido do ubuntu e do humanismo africano. A pessoa só é humana por meio de sua pertença a um coletivo humano; a humanidade de uma pessoa é definida por meio de sua humanidade para com os outros: (…) o valor de sua humanidade está diretamente relacionado à forma como ela apoia ativamente a humanidade e a dignidade dos outros; a humanidade de uma pessoa é definida por seu compromisso ético com sua irmã e seu irmão.”

Há uma história que circula na internet atribuída a filosofa e jornalista Lia Diskin, que teria sido contada durante o Festival Mundial da Paz ocorrido em Florianópolis em 2006, e que exemplifica eloquentemente o sentido da filosofia Ubuntu:

“Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele então propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva. Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí, ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro. As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “Já!”, imediatamente, todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e os comerem felizes. O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou por que elas tinham ido todas juntas, se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam: “Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo…” 

Ubuntu Todos Os Dias, Ame Todos Os Dias! “Ubuntu” é uma palavra que representa uma filosofia e uma ética antiga africana que significa: “Sou quem sou, porque somos todos nós”. (Thiago Rodrigo)

Como é difícil para alguém acostumado ao espírito competitivo que rege as culturas consideradas mais avançadas do mundo, pelo menos do ponto de vista econômico, entender este tipo de comportamento baseado na cooperação, em que ninguém precisa perder para que outro ganhe. Segundo o espírito de Ubuntu, as pessoas não devem buscar levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. A felicidade de um não pode custar a infelicidade dos demais. Para que uma pessoa seja plenamente feliz será preciso que todas do grupo se sintam igualmente felizes. 

E não é isso que dizem as Escrituras? O apóstolo João afirma que nossa alegria só será completa num ambiente de comunhão, onde a alegria de um completa a alegria do outro. Ninguém é feliz sozinho. Por isso, Paulo não se incomodou em suplicar: “Completem a minha alegria, tendo o mesmo sentimento, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude.”

Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos que vieram antes de nós e aos que ainda hão de nascer. Fomos convidados por Jesus a tomar assento à mesa do reino de Deus, ao lado de Abraão, Isaque e Jacó e de toda a sua descendência espiritual. Formamos todos uma única família, a família humana, reconciliados com Deus e uns com os outros por meio de Seu Filho Jesus Cristo.

 Vemos, então, que o legado que recebemos dos povos africanos vai muito além da música, da comida, das crenças, do folclore. Fomos agraciados com conceitos desta envergadura, capazes de demolir estruturas injustas como a do Apartheid.

A saída para o negro é a luta

Não é muito pensar que, na desigual sociedade brasileira, aos negros é dado o papel subalterno. “Isso precisa ser desconstruído”, defende Thula de Oliveira Pires, professora de direito constitucional da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). 

Segue entrevista, originalmente publicada na Revista Radis.

A cor da pele marca as distâncias e a forma como o Estado lida com seus cidadãos e estabelece uma hierarquia racial. Mesmo que ascenda e ocupe espaços de privilégio e poder, como o Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte de Justiça do País, o negro é visto como exceção à regra e ponto fora da curva. Não é muito pensar que, na desigual sociedade brasileira, aos negros é dado o papel subalterno. “Isso precisa ser desconstruído”, defende Thula de Oliveira Pires, professora de direito constitucional da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Com mestrado e doutorado na área, e estudando a interface entre direito e racismo, Thula é mulher negra, criada em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde mora até hoje, mãe de Dandara, como assim se definiu em conversa com a reportagem da Radis, em junho. Para a pesquisadora, o racismo histórico brasileiro é uma questão de direitos humanos, e, enquanto esses não contemplarem as demandas e especificidades da população negra, servirão somente para poucos. Thula acredita que, para mudar esse quadro, é preciso pensar sobre como os códigos do racismo operam — e buscar estratégias eficazes para lidar com ele.

Em sua tese de doutorado você tratou da criminalização do racismo na Justiça. O que concluiu?

Temos dificuldade em pensar racismo institucional no Brasil dentro de uma perspectiva estrutural. Junto com alunos, levantei, de 1989 a 2011, todos os casos que envolviam questões raciais julgadas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O que vimos é uma vergonha. Os juízes não interpretam fatos explícitos de racismo como racismo. Algumas decisões são bizarras. Em um caso o juiz estava tão mal informado que não viu racismo no black face [maquiagem teatral na qual pessoas brancas são pintadas de negras para imitá-las de forma caricata], que marcou um dos maiores episódios de racismo dos Estados Unidos. Isso é ignorância e cinismo. Na decisão que condenou Rafael Braga [preso nas manifestações de junho de 2013 por portar uma garrafa de desinfetante e condenado a 11 anos e três meses de prisão], o juiz diz que próprio réu deu provas significativas de que estava envolvido e que apresentava “marcas” de crime. A imagem é evidente: o corpo do Rafael era a prova gritante do tráfico. Mas, no depoimento, Rafael negou o cometimento do crime. Então, como ele mesmo pode ser a prova cabal de que o crime aconteceu?

A marca é seu corpo negro?

Só dá para entender essa sentença usando um marca-texto na expressãozinha que fala dessa marca. É o corpo que está sendo usado como prova mais bem-acabada de tráfico de drogas. A pesquisa investigou a questão do racismo institucional e mostrou as entrelinhas dos processos. Um dos grandes problemas é que os juízes sequer se dão ao trabalho de argumentar, de explicitar ou não o racismo — o que não ocorre em casos envolvendo judeus, quando boa parte dos casos são considerados racismo e há uma argumentação tratando o caso. Não peço que um juiz faça uma tese sobre a questão racial, mas apenas que ele dê conta do que está no processo

Como você encara as acusações de que há “vitimismo” e “racismo reverso” nas ações do movimento negro?

A inserção do negro nos espaços sempre é vista como a conquista de alguém que honra por ser a exceção, por ser de primeira linha, por ter estudado em Paris. Mas o racismo nem sempre é explícito, então há um esforço para tentar demonstrá-lo. É daí que surgem as acusações de “vitimismo” ou “mimimi”. Quando a pessoa assume o discurso do racismo reverso, eu uso um raciocínio lógico dedutivo que desmonta seu argumento. Se alguém disser “me chamou de branquela e fui discriminada”, pergunto: no que chamar de “branquela” inviabilizou sua trajetória numa sociedade como a brasileira? Qual é o seu prejuízo por ser “branquelo”? Você perdeu a oportunidade de emprego ou de acesso a algo? Conotação de respeito? Não! Então fica mais fácil para a gente discutir.

Recentemente, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, se referiu ao ex-colega Joaquim Barbosa como “negro de primeira linha”. O episódio ilustra esta situação?

O episódio explicita a maneira pela qual o racismo também opera nos lugares privilegiados. A possibilidade de o negro estar num local de poder está condicionada a sua aproximação com o padrão branco e masculino. A fala do ministro denuncia muita coisa, mas nada traz de novo. E o pedido de desculpas também. É sempre “uma piada”, um “mal- -entendido”, um “eu não quis fazer assim” ou “eu queria ter aprendido a falar em outros termos, mas é o inconsciente”. Eu prefiro tratar a questão racial a partir das estruturas: não personalizo os episódios ou busco intenções particulares. Se há efeitos desproporcionais de violência, de não acesso e desrespeito em relação à população negra, há racismo. Pelas repercussões desse episódio, há caminho para alguma repactuação. O ministro não é algoz, apenas verbalizou a maneira pela qual os códigos do racismo operam no Brasil. É por isso que a intenção não importa. Nós temos que pensar como esses códigos operam para entender o mundo que herdamos e buscar ferramentas que sejam eficazes contra eles.

Há uma naturalização deste “mal-entendido”?

Não é confortável para ninguém se defrontar com imagens construídas a vida inteira. Uma pessoa comprometida com os direitos humanos só se dá conta do seu nível de racismo quando discute branquitude. E é natural que a primeira reação seja de resistência: “não é nada disso, eu sempre me coloquei ao lado de vocês”. É por isso que prefiro quando botam o capuz. E também entendo que num determinado momento não ter conversa é do jogo. Mas se existe alguma potência nesse estado de absoluto retrocesso que vivemos, é a de instaurar um conflito real. Acho que a população negra tem recursos escassos e vai continuar disputando permanentemente, porque sempre vai ter gente de fora. E enquanto tiver gente de fora, tem que ter disputa.

De que modo o racismo afeta a saúde da população negra?

O povo negro está adoecendo de tudo e o genocídio é a chave para entender essa situação. Genocídio não é só extermínio. Ele também se manifesta nas estruturas do Estado, no cárcere, na escola e no sistema público de saúde. O racismo acontece no sistema de saúde quando a pessoa não tem acesso, não é reconhecida como sujeito ou demora a receber atendimento — o que nem sempre está relacionado à enfermidade que carrega. Há um arquétipo sobre o corpo negro de que ele aguenta dor e é mais forte, e que pode ser atendido num segundo momento. A precarização do SUS também afeta a saúde. Ainda que os profissionais de saúde queiram oferecer o melhor tratamento possível, ele é inviabilizado devido às condições, medicamentos, falta de materiais e acesso às cirurgias que são necessárias.

Como é possível mudar esse cenário?

O racismo se reinventa e se readequa. Eu acho que a formação profissional é um momento em que é possível perceber como operam as estruturas do racismo. Não creio que ela consiga alterar o racismo nesses grupos, mas pode indicar que o exercício da função pública exige algumas condutas. Ainda que seja racista, o agente do Estado é obrigado, pelo menos, a obedecer à impessoalidade e à moralidade administrativa. Mas eu não tenho a esperança de que é possível sensibilizar essas pessoas para que um dia venham a olhar o outro de maneira não hierárquica. Por isso acho necessário investir na formação permanente como um todo, nas faculdades de Medicina e Enfermagem, nos cursos de técnico de Enfermagem, dos profissionais que atuam dentro do hospital.

A formação mais humanista daria conta de mudar essa concepção?

Esse humanismo hegemônico não nos humaniza. Só um outro humanismo que atribua humanidade a todos os corpos humanos. O pensamento pós-colonial e decolonial ajuda a entender esse novo humanismo. Entendo que a formação vai além do caminho instrumental do direito. Uma saída é fomentar modelos distintos de atuação do direito com modelos alternativos de justiça restaurativa, modelos autônomos de mediação de conflito, longe de um direito técnico-formal, institucional.

Você tem usado em artigos e palestras o conceito de “amefricanidade”. Você poderia explicar do que se trata?

Essa categoria político-cultural foi cunhada pela historiadora Lélia Gonzalez [1935/1994], uma das principais articuladoras do movimento negro. Ela quis pensar os reflexos do projeto colonial escravista sobre a vida de uma mulher negra no Brasil. Lélia entendia que, apesar das especificidades e de contextos que forjam diferenças entre populações afrodescendentes na América Latina, existe uma unidade marcada pela experiência da escravidão e que permite pensá-la em termos diaspóricos [deslocamento normalmente forçado ou incentivado]. É uma categoria que inclui a experiência ameríndia, mas que não pretende determinar tudo aconteceu com esta população. Lélia falava em primeira pessoa e não tinha a pretensão de falar em nome da mulher afroboliviana ou afroperuana, por exemplo. Eu vejo o pensamento de Lélia reverberando nos processos recentes de articulação e de ação política das mulheres.

Qual a contribuição que este conceito traz para o momento atual?

A de que temos que pensar em ferramentas que deem conta do que nós, mulheres negras brasileiras ou latinoamericanas, herdamos desse legado. Não temos que tentar adaptar uma solução pensada para outra realidade. Não dá para achar que na rubrica dos direitos humanos, por exemplo, será produzido algum resultado mais interessante. Se vamos falar sobre a violência obstétrica, temos de observar nossas especificidades. Não dá para ficar discutindo se a anestesia dificulta ou não o parto natural, se a nossa principal demanda talvez seja o acesso à anestesia. Não dá para continuar a sermos vistas como aquelas que aguentam dor. Temos que disputar e repactuar nos nossos termos.

Por que falar de direitos humanos em um contexto de desmonte de tantos direitos?

Esse momento é uma oportunidade política para a gente disputar um lugar. Nós sempre estivemos excluídos do acesso aos direitos. Agora, que a ameaça de corte é para muitos, é possível colocar os nossos termos à mesa para dar conta da nossa realidade. Creio que tem que haver uma repactuação ou os direitos humanos vão continuar disponíveis para poucos. No Brasil, os direitos humanos sempre foram tratados de maneira não racializada. Quando a realidade de pessoas negras emerge, somos obrigados a disputar categorias que determinam sua subalternização ou sua precariedade. Não creio que teremos uma organização política de massa se não permitirmos que a articulação pelos direitos envolva todos os que são diretamente afetados.

Qual o papel da comunicação na mudança deste cenário? Você vê algum impacto positivo no uso das novas tecnologias pelos movimentos sociais?

Acho esses movimentos impactam nos lugares onde se constituem. O corpo negro esteve sempre muito isolado. Sempre foi visto como um que fura o funil, e é difícil produzir uma articulação de fôlego sozinho, ou com poucos. Quando juntos, eles se fortalecem, conseguem se articular e se capacitar. A conversa fica maior. Em boa parte desses coletivos há um compromisso histórico das articulações negras no Brasil de unir teoria e prática. Mas não dá para saber o que podem atingir e até onde podem ir. Eu vejo que há uma geração em que alguns têm se articulado por vias tradicionais, e outros optam por formas mais alternativas, digo, autônomas. É essa pluralidade de articulação que vai produzir uma disputa política nova. A luta dos negros sempre foi imbricada e geralmente tem um compromisso que vai além da questão racial e de gênero. Há sempre uma luta contra o legado colonial escravista. São movimentos decoloniais, pós-coloniais. A comunicação pode reverberar outras possibilidades. Nessas experiências alternativas as próprias pessoas produzem e reproduzem suas narrativas. Só que essas experiências não aparecem ou aparecem de maneira deturpada e hierarquizada na mídia. É importante informar e trazer à luz essas experiências nos termos daqueles que as experimentam.

O que você prevê para o futuro?

Luta. Luta. Eu não tenho otimismo nas lutas internas do direito. Mas se eu não tivesse otimismo, eu estaria deprimida. Tem que ter algum grau de otimismo para manter a chama da luta acessa. A população preta não tem outra alternativa: ou luta ou sucumbe. O otimismo serve para levantar e botar a armadura antes de sair de casa. A saída é a luta, o conflito, a disputa. Não vejo outro caminho ou perspectiva.

Orgulho do Brasil?

Enfatizar o que dá certo significa deslocar o olhar
do problema para a solução, e tentar encontrar
nos exemplos de sucesso a força e a inspiração
para transformar o que não funciona e
superar nossos problemas.


O Brasil é um país extremamente desigual. Milhares de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. Em pleno século XXI, ainda não superamos o racismo. Assistimos estarrecidos a crimes ambientais e à degradação da natureza. Há crianças sem acesso à escola e criminalidade descontrolada em grandes cidades. Minorias são desrespeitadas, mulheres são alvo fácil de discriminação e violência. 

Nossa democracia é jovem, e muitas vezes parece que está em risco. Temos um sistema tributário complexo e instável, juros altos e uma burocracia enorme que atrapalha investimentos e dificulta a vida de quem quer empreender.

Vivemos em um país continental que consegue unir sua população com a mesma língua e com uma cultura rica que, mesmo em suas diferenças, nos faz sentir pertencentes à mesma nação. O Brasil tem o maior e mais inclusivo sistema de saúde pública do mundo, o SUS. Não há nenhuma experiência parecida num país com população semelhante à nossa. O sistema eleitoral brasileiro é mais ágil e seguro que o da maioria dos outros países.

Temos aqui algumas das empresas mais lucrativas, inovadoras e eficientes do planeta. Para ficar em apenas três exemplos: é daqui a Klabin, produtora e exportadora de papéis, empresa com menor custo mundial de produção, com projeto de manejo ambiental e proteção à fauna silvestre reconhecido internacionalmente. Temos a Marcopolo, maior fabricante de carrocerias para ônibus do mundo, que durante a pandemia criou um sistema inovador de desinfecção de veículos em tempo recorde. Temos a WEG, multinacional brasileira de equipamentos eletroeletrônicos, atuando em 36 países, mundialmente reconhecida por sua capacidade de inovação e lucratividade crescente e consistente.

Os dois parágrafos anteriores contêm informações verdadeiras. São duas formas de contar a mesma história. Podemos optar pela narrativa do sucesso ou do fracasso. Enfatizar o que dá certo não significa ignorarmos nossos pontos fracos, as injustiças sociais ou os problemas políticos e econômicos que enfrentamos. Significa deslocar o olhar do problema para a solução, e tentar encontrar nos exemplos de sucesso a força e a inspiração para transformar o que não funciona e superar nossos problemas.

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