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Como ensinar as crianças a amarem os anfíbios

Como poderá existir vida num rio poluído? Quem está matando os sapinhos? Por que fazemos isso?

As crianças não têm emoções e/ou sentimentos formados quando nascem, tudo é um processo ao longo das suas vivências que vai se construindo conforme recebem informações das pessoas próximas e do mundo ao seu redor, logo elas não sabem diferenciar o que é feio do bonito, o que é o bom do mau.

Nas primeiras idades somos nós, adultos, os responsáveis pela formação espiritual das crianças, por isso cabe a nós um cuidado delicado para não enchermos seus espíritos de conceitos e pré-conceitos que dizem respeito somente às nossas vivências enquanto seres pensantes e sentipensantes de passagem pelo planeta Terra.

Para compreender o mundo, a criança precisa que o adulto lhe ensine aos poucos o que realmente merece ser colocado no seu pequeno espírito, o que pode ser apreendido e versado na sua razão. Assim, permitimos que a criança possa por si própria fazer escolhas, buscar alternativas e caminhos para um bem viver.

“Há crianças que brincam no meio da floresta, de tomar banho de rio, de contar as estrelas, de ver São Jorge na lua, de querer passar embaixo do arco-íris. Ah! Essa vida cheia de brincadeiras, de sorrisos, de comer as goiabas do vizinho e sujar a camisa com nódoa de caju”. Leia mais!

A tenra idade é a fase da aprendizagem que levaremos ao longo das nossas vivências. É nessa fase que encontramos crianças com sentimentos e emoções diante das pessoas e das coisas, conforme aquilo que os adultos as apresentaram. Se você disse para uma criança que tal coisa é feia e nojenta aquilo ficará marcado dentro do seu pequeno espírito talvez pela vida inteira, pois as primeiras impressões são as que ficam. Mudar esse sentimento só com muita confiança à pessoa que continuará a educá-la.

Nenhuma criança nasce sabendo diferenciar coisas feias de bonitas, mas nós adultos costumamos a todo instante dizer para elas que não peguem em tal coisa porque é nojenta, porque é feia, porque não gostamos daquilo e acabamos colocando no seu espírito aquilo que são sensações nossas, sem permitirmos que a própria criança experiencie essa vivência.

Claro é que, na maioria das vezes, acendemos o alerta de não deixar que as nossas crianças fiquem à mercê de coisas más ou quem possam a vir lhes prejudicar, mas tenhamos cuidado com a forma pela qual as educamos, pois todo ensinamento errado pode acarretar em traumas futuros.

Para entrar no assunto deste artigo, quero falar um pouco dos anfíbios, mais precisamente dos sapinhos, rãs e pererecas que vivem nos rios e lagos das cidades. Esses animais são indefesos e não fazem mal a ninguém. Considerados feios por uns e nojentos por outros, eles servem para equilibrar o meio ambiente comendo muriçocas e mosquitos como também para alimentar outros animais.

Não devemos ensinar às crianças a jogarem pedras ou sal em seus corpinhos indefesos. Isso é maldade. Isso é um ensinamento errado. Ao contrário, devemos ensinar às crianças o quão importante os anfíbios são para a nossa natureza.

Na minha pequena infância, aprendi que os sapos são bichos horríveis. Quando aparecia um sapinho dentro de casa, as pessoas jogavam sal em seus corpos. Eu não sabia por que faziam aquilo, eu só via e achava aquilo engraçado e esquisito. Hoje, adulta, vejo o quanto isso é prejudicial aos sapinhos, pois impede que os mesmos possam respirar, uma vez que a respiração é cutânea, ou seja, pela pele.

Na minha pequena idade, jogava-se sal para espantar o bichinho pra longe, era comum vermos sapinhos mortos no terreiro próximo de casa. Eu nem chorava porque aprendi que por bicho que a gente não cria em casa não é preciso chorar, e acreditava que só se devia chorar por gato e cachorro. Eu era uma menina boba e as pessoas faziam questão que crescesse assim.

Pois bem, depois de mostrar a importância dos anfíbios para o meio ambiente, venho pedir aos pais e professores que ensinem às suas crianças a amarem os anfíbios mostrando a importância que têm para o meio ambiente. Apresentando nas suas aulas ou rodas de conversas imagens desses bichinhos, locais onde vivem e seus costumes diários e noturnos.

Nunca dizer para uma criança que tem bicho feio na natureza, isso quem deve julgar é ela depois de se conhecer mais sobre tal bicho. Todo cuidado é necessário quando ensinamos às crianças a preservarem o meio ambiente.

Os sapinhos e rãs são pouco encontrados nos dias atuais nas cidades grandes, geralmente os encontramos em comunidades pequenas onde tem rios e lagos. Nesses locais devemos ter mais cuidado no respeito à natureza, principalmente aos anfíbios porque grande parte da população tem pré-conceitos sobre eles que se tornaram comuns no dia a dia, e ensinam às crianças que esses bichos são feios e nojentos, que devem ficar longe deles. Quando criança eu só sabia que sapo servia para fazer macumba, triste experiência.

Mas sapo, rã e perereca também servem para não permitir que mosquitos e muriçocas invadam as nossas casas, se eles forem extintos o meio ambiente será afetado e quem mora próximo de um rio ou lago verá um desencadeamento da natureza, ou seja, um número crescente de mosquitos.

Todo animal tem a sua importância significativa ao planeta. Eu escolhi os anfíbios por acreditar que eles são os que mais sofrem perseguição por parte de algumas pessoas, principalmente no que concerne aos sapinhos que são sempre vistos como um bicho que só serve para fazer macumba. Na minha infância, aprendi desde cedo que a gente quando quer o mal de uma pessoa coloca o nome dela num papel e coloca na boca do sapo, depois costura e pronto, ela só vai viver coisas terríveis. O que não é verdade. Os sapos não fazem mal a ninguém.

Vemos que o preconceito em relação aos sapos, rãs e pererecas ainda é muito grande até hoje.

Também deixo aberto para o professor ou pais falarem do uso dos animais para oferendas por parte de algumas religiões, como também do uso para experimentos científicos. Tudo isso precisa ser abordado com as crianças para que elas não cresçam bobas iguais a mim, pois essas informações erradas nós trazemos para a vida adulta e acabamos transmitindo para outras pessoas ao nosso redor que são leigas no assunto.

Ensinar às crianças a como amarem os anfíbios pode ser meio complicado porque a maioria delas vivem presas dentro de apartamentos, casas e condomínios, logo nunca conhecerão esses animais, porém há aquelas que vivem nas cidades pequenas onde já vemos uma queda no número de anfíbios, ou seja, eles estão desaparecendo e por nossa causa as crianças nunca mais poderão ver um sapinho ou uma rã no quintal de casa ou num passeio pelo rio.  

Os sapinhos são muito usados para experimentos científicos em laboratórios. Devemos ter cuidado com isso, pois se trata de uma vida. Este é um assunto para ser debatido com a questão ética.

Até onde podemos tirar uma vida para fazer uma experiência científica? O que vai acontecer com o sapinho se a nossa experiência fraquejar? E se eu matar o sapinho? São essas e tantas outras questões que devem ser abordadas neste assunto delicado. Toda vida importa para o equilíbrio e amor ao meio ambiente.

Outro assunto que também deve ser discutido com as crianças é a questão da rã, anfíbio encontrado nos rios e lagos também, serve como alimento ao homem. Mas até onde surge a questão ética da grande matança das rãs para alimentar pessoas que pagam caro pelo seu prato? Estamos desequilibrando a natureza tirando dela centenas de rãs mensalmente para alimentarmos os nossos desejos da gula?

Eu sei que alguns animais devem ser comidos pelos homens, mas defendo que sejam comidos quando se tem fome verdadeira e que não há outro alimento por perto para evitar o seu consumo desenfreado. Outro dia, conheci um restaurante onde tinha um tanque enorme cheio de rãs à espera de serem mortas para atender o desejo de seus clientes.

São por todos os motivos expostos acima que venho como uma pessoa que grita e pede socorro aos anfíbios que procuremos ensinar às nossas crianças o respeito e a admiração por todos esses bichinhos para que possam viver bem onde quer que estejam.

Nas aulas podemos mostrar as imagens de alguns deles e comentarmos sobre as suas existências e importâncias. Começando pela natureza e depois pela questão da ética, pois sem ela não podemos chegar ao espírito da criança, uma vez que toda ela cresce conhecendo os seus deveres e direitos das coisas baseadas nos nossos comportamentos diante do mundo.

É importante que cuidemos dos anfíbios antes que seja tarde demais. Os sapinhos são indefesos e quando invadem as nossas casas é porque nos rios e lagos algo de errado já está acontecendo, pois eles não costumam sair por aí fazendo mal a ninguém.

Também devemos mostrar às crianças que o conceito de feiura depende de nós, pois o que é feio não significa ser maldoso, e tendemos a criar esse tipo de sentimento pelas coisas feias como se elas trouxessem sempre algo desagradável para nós.

Os anfíbios estão desaparecendo por nossa causa. Antigamente, perto de mim, tinha um rio e eles vinham nos visitar todas as noites. Hoje, não tem mais rio e os sapos morreram todos.

O homem atingiu o meio ambiente com o seu crescimento desenfreado e a construção de prédios residenciais próximos a rios e lagos o que destruiu tudo que tinha ao nosso redor. É esse cuidado que devemos ter quando formos dar uma aula sobre a importância dos anfíbios, ou seja, eles só vão existir se existirem rios e lagos. Como poderá existir vida num rio poluído? Quem está matando os sapinhos? Por que fazemos isso? O que pode nos causar o desenvolvimento?

Que todo sapinho, rã ou perereca possa viver em paz nos rios e lagos espalhados pelo mundo inteiro.

E que as nossas crianças possam aprender a amá-los independente de boniteza, pois desde cedo as ensinamos a amarem ursos de pelúcia e essas sequer os conhecem passando-lhes uma imagem de que todo urso é manso e carinhoso quando não é verdade. Com base nisso podemos ensinar-lhes a amarem e respeitarem os anfíbios também se não tivemos pré-conceitos diante da natureza que tanto nos quer bem e nos proporciona um bem viver no planeta Terra. Ela só quer que a respeitemos.

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Pensar é para todos

Não são muitos os pensadores preocupados em transmitir sua mensagem para o grande público. Nas últimas décadas, porém, essa prática parecer estar ganhando mais adeptos.

Erich Fromm é um dos meus psicólogos favoritos. Até por que, além de psicólogo, era filósofo e sociólogo. Uma de suas obras mais conhecidas é “A arte de amar”, na qual ele procura conceituar o amor e seus antecedentes históricos para, então, o situar no mundo atual. E não se entenda “amor”, aqui, apenas como atração sexual.

Em “A arte de amar”, Fromm trata sobre o amor a partir de vários ângulos, inclusive em seu sentido transcendente.

Uma das características mais admiráveis de Fromm era sua capacidade de escrever de forma simples. Ele tinha a preocupação de se fazer entendido pelo maior número possível de pessoas.

Crítico ferrenho do capitalismo e da sociedade de consumo, ele acreditava que sua mensagem só teria valor se pudesse ser compreendida também pelo cidadão não erudito.

Além de “A arte de amar”, os livros “Ter ou ser?” e “O coração do homem”, valem, igualmente, a leitura.

O primeiro é, basicamente, uma crítica ao consumismo e ao valor exacerbado que o mundo ocidental dá a economia, em detrimento de áreas como a ecologia e a qualidade de vida.

No segundo, Fromm distingue dois tipos principais de orientação de caráter: o necrófilo, atraído pela morte e pela destruição, e o biófilo, voltado para a vida e sua preservação.

Se as pessoas desenvolverão um caráter inclinado para uma ou outra orientação, isso dependerá do tipo de sociedade na qual estão inseridas. Creio ser até desnecessário afirmar que Fromm identificou, em nossos dias, estímulos alarmantes para o desenvolvimento de posturas necrófilas…

Não são muitos os pensadores preocupados em transmitir sua mensagem para o grande público. Nas últimas décadas, porém, essa prática parecer estar ganhando mais adeptos. Na filosofia, por exemplo, há vários autores interessados em dividir suas ideias com o povo.

O filósofo francês Luc Ferry, inclusive, chegou a vender milhares de exemplares do seu “Aprender a viver”, um best-seller. Apesar do título, a obra não é de autoajuda, mas sim sobre a história da filosofia. Alain de Botton é outro exemplo, com “As consolações da filosofia”, “Desejo de status”, entre outros.

No Brasil, a internet tem ajudado a divulgar o trabalho de pessoas como Leandro Karnal, Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho.

Que surjam mais adeptos da prática de Fromm! Pensar não pode ser algo restrito a academia.

Sugestões de uma prática pedagógica:

Com estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental ou de Ensino Médio.

  1. Ler, compreender e contextualizar os argumentos e a abordagem do texto nos dias atuais;
  2. Pesquisar pensamentos e ideias de Eric From e destaca-los para discussão ou socialização na turma;
  3. Desafiar os estudantes a uma breve pesquisa sobre os pensadores brasileiros da atualidade: Leandro Karnal, Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho. Listar pensamentos e trajetórias de cada um.
  4. Problematizar com estudantes o porquê que o Brasil, historicamente, não valoriza e não dá espaço a seus pensadores e cientistas?

Autor: Aleixo da Rosa

Edição: Alex Rosset

Uma mãe professora

Estávamos no escritório eu e meu colega advogado. Com a janela aberta, enxergávamos o ambiente de uma família com três filhos no andar inferior do prédio vizinho.

A senhora, mãe de três filhos pequenos, arrumava a cozinha e servia o almoço para a gurizada. Ela professora, apressava tudo para alimentar as crianças. Colocou os três em formação e serviu os pratos, enquanto se ajeitava para ir ao colégio e lá chegar antes da uma hora.

Cessada a balbúrdia da manhã, todos começaram a comer. Súbito, o pequeno, atirou o prato para o ar e ficou rindo. A mãe estava de costas e deixou seu prato sobre a pia, espantada com a cena. A comida se espalhou sobre a mesa.

E a mãe falava alto, e começou limpar novamente a cozinha com o chão respingado. “Seu pestinha! pensa que vai mandar em mim? – disse a mãe. E sentenciou: Vou cortar teu pescoço, e daí quero ver você andar sem cabeça!!

Mas, agilmente, arrumou tudo. O pequeno (dois anos), sentou sério e parou de rir.

Lá foi a jovem mestra arrumar-se para lecionar. Cabelos pretos e longos amarrados e abriu a porta para sair. Olhou para o menino, lindo demais, e viu que este mostrava o prato vazio, indicando que havia comido tudo, no segundo turno.

A mãe viu aquilo e voltou de braços abertos com sorriso de felicidade, abraçou aquele “pestinha” de barriga cheia, cobriu de beijos e tomou o caminho da escola.

 Saiu sorrindo! Aquela mãe nem lembrou que ficara sem almoço. Saiu sorrindo olhando para a boca rebocada o pequeno rebelde.

O prato dela esfriou e ficou na pia, mas a mãe saiu com o coração cálido, deixando o seu bebê aos cuidados dos irmãos.

Foi uma cena que jamais esqueci. Aquela mãe ardorosa capaz de tanta ternura, talvez nem estava percebendo o que dissera…

Autor: Celestino Meneghini

Edição: Alex Rosset

O ensino religioso e habilidades socioemocionais

O professor precisa ter consciência da dimensão emocional da sua inteligência, se autoconhecer, assim, terá melhores condições de reconhecer, empaticamente, a atitude socioemocional de cada estudante.

Encontramos na BNCC que o ER pode contribuir para que os educandos consigam construir seus sentidos pessoais de valores, de princípios éticos, de cidadania, de autoconhecimento, cuidando de si e do outro, da coletividade e da natureza.

No desenvolvimento das habilidades socioemocionais, destaca-se que o educando não domine apenas o conhecimento cognitivo, tradicional, mas que saiba a importância do controle das emoções, da empatia, das relações sociais e da tomada responsável das decisões. Recursos pedagógicos: diálogo, conversa, trabalho colaborativo, elaboração de projetos em conjunto a partir de uma problematização. Assuntos como igualdade, diferenças, ajudam a que se reconheça e respeite o outro e verbalize sentimentos e intenções de si e dos outros. Exercitar a arte da convivência: ouvir e aceitar o outro como ele é.

Estimular o desenvolvimento do senso crítico e da criatividade, ajudando o educando a reconhecer as próprias emoções e saber modulá-las e interagir com respeito e empatia, mantendo a curiosidade e o entusiasmo.

As habilidades socioemocionais podem ser desenvolvidas ao longo da vida.

O educador precisa, também, aprender a reconhecer suas emoções, regulá-las, para ter condições de relacionar-se bem com os outros, com empatia, tolerância e solidariedade. Deve saber fazer as melhores escolhas no processo de tomada de decisão.

O bem-estar emocional do educador tem impacto significativo no rendimento escolar do educando. Educar implica em dinamismo, coragem, força e disposição para aceitar e amar o outro. Só ensina bem aquela que realiza suas atividades com amor e está atento às reações emocionais dos alunos.

O professor transmite o que ele é, precisa se autoconhecer, ter autoestima e compreender que o ato de aprender é um ato de imitação, tem que ter vínculo afetivo entre o que ensina e aquele que aprende.

As emoções nascem com o ser humano: a raiva, o medo, a tristeza, o afeto, a alegria, a curiosidade, nos impulsionam para a vida, são reptilianas, primitivas, mentais e orgânicas. Elas provocam reações químicas no corpo, são carentes de censura. Por exemplo, o medo provoca dor na barriga; a raiva da taquicardia, suor frio etc.

Os sentimentos são emoções que já passaram pelos filtros conscientes e espirituais. Foram educadas.

Um recurso didático muito bom para educar as emoções na infância é contar histórias, fabulas. A criança identifica-se com os personagens, vive suas emoções, identifica com as suas e percebe que tudo passa, que se transforma. Uma fábula ótima, neste sentido é a do Lobo Mau e os Três Porquinhos.

Em outra matéria ao site, já manifestei: “Na prática docente, percebi quanto a linguagem simbólica da arte (história, desenho, música, dramatização) era recurso extraordinário para a aprendizagem dos alunos, pois mexia com suas emoções e sentimentos, especialmente a literatura. Notava que os alunos se identificavam com os personagens das histórias, viviam suas emoções: medo, tristeza, alegria, afeto, raiva e quanto essas experiências os aliviavam de seus conflitos pessoais”. Leia mais!

As emoções não educadas podem causar problemas de comportamento, a raiva, que nos ajuda a agir, pode se transformar em ódio, ressentimento, estimulando a produção hormonal de cortisol, que prejudica o organismo, a pessoa fica agressiva.

Na fábula acima citada, os porquinhos vencem o lobo, no final o que causa alegria genuína neles. Dissiparam a tristeza, a raiva e o medo.

O adulto pode educar suas emoções procurando reconhecer no momento que elas surgem, parar, refletir, ter plena consciência, conversar com e emoção, questionar: por que estou reagindo assim? Acalmar a emoção, respirar pausadamente, oxigenar o corpo, manter a mente alerta, largar a emoção, é a cura. Depois, analisar a origem daquela emoção.

Temos que nos dar conta que muitas doenças nascem porque engolimos o choro, calamos a boca, o peito. O corpo fala, falatório interno, reage, adoece. Precisamos aprender a expressar nossas emoções: falar, gritar, chorar e tranquilizar a dor emocional que sentimos. Ações que ajudam neste processo: escrever uma carta, um e-mail, fazer um poema, cantar, dançar, correr no parque, fazer uma faxina. Não calar, esclarecer…

A prece sincera, elevar o pensamento, pedir ajuda divina, é muito positivo para nos acalmar, serenar, de acordo com a crença e a fé de cada um. O exercício da meditação diária, quando reservamos um tempo para estar conosco, é excelente recurso para educar nossas emoções.

 O professor do ER para trabalhar com os alunos o desenvolvimento das habilidades socioemocionais precisa ter consciência da dimensão emocional da sua inteligência, se autoconhecer, assim, terá melhores condições de reconhecer, empaticamente, a atitude socioemocional de cada estudante.

A rede municipal de Passo Fundo realizou Encontro a partir da “Trilha Formativa Ensino Religioso e a Escola Pública” no último dia 11 de maio de 2011, através do canal Yotube SME Passo Fundo. Este encontro contou com a participação da professora, pedagoga, pesquisadora e escritora Gládis Pedersen. O tema abordado foi “As Competências Socioemocionais e o Ensino Religioso”, destinado a todos os Professores de Educação Infantil, Anos Iniciais e de Ensino Religioso dos Anos Finais da rede municipal de Passo Fundo, mas também acessível agora aos que quiserem acompanhar o evento através do vídeo postado no yotube.

Acesse aqui: https://youtu.be/UZtetrhM36k?t=1138

Autora: Gládis Pedersen

Edição: Alex Rosset

As palavras e as coisas em tempos críticos de pandemia

Quando as pessoas falam sobre o externo ou sobre alguém, estão revelando o que pensam de si. Tomara que se escutem também e que tenham essa possibilidade de se escutar para saírem do sofrimento que massacra a si e aos outros.

Que saibamos cuidar uns dos outros com sensibilidade e inteligência!

Observar baixinho, com empatia e compaixão, as vezes é só o que podemos fazer. Tenho dito isso para muitas pessoas que me abordam diariamente com situações que nos parecem surreais.

Uma amiga me dizia ontem que não era possível alguém recusar a vacina da covid-19. Estávamos tristes com uma situação próxima. Parece que não é, mas é.

Escutamos os argumentos e não sentimos que fosse o momento para nos contrapor. O tempo e o jeito da fala são fundamentais para construirmos o enlace. Aí que está a chave para as pontes, penso.

O medo da morte também está presente nessa lógica de não tomar vacina, vencendo o instinto de vida.

Além de outros fatores como a ideia de que são sempre os outros os ideológicos e os que partidarizam tudo (a própria pessoa acha que não faz e não tem ideologia, são só os outros que têm), uma face do NEGACIONISMO que também é uma recusa à vida e ao coletivo. E isso atravessa a esquerda e a direita. E entre os políticos mais ainda, porque há cálculo de voto e esse é o pensamento hegemônico. Que triste…

Nas periferias não é esse o pensamento que impera, felizmente. Temos visto isso de perto neste debate de volta às aulas seguras, pois a maioria das mães é contra o retorno, vide o percentual de retorno às aulas nas escolas públicas no ano passado e agora.

“Vai quem quer” é o que dizem os governos para se desresponsabilizarem pelas vidas perdidas e pelas políticas públicas para garantir uma escola segura e condições básicas de acordo com profissionais da educação, como vacinação ou testagem em massa.

E essa ideia tem muita força: cada um por si, que se tenha a liberdade de levar ou não, exceto os professores que são obrigados, “mas sempre foi assim e é uma escolha essa profissão que ninguém respeita e defende”, a ideia de preguiça dos professores (reflexo do colonialismo e servidão), “não dê o peixe, ensine a pescar” (mesmo em contexto de PANDEMIA).

A democracia tem sido defendida como uma escolha individual de quem tem recursos e, inclusive, soberana à vida frente a uma pandemia, com uma relativização de vida que não se ancora nas condições sociais, materiais e sanitárias da realidade.

A escola, concebida como essencial para resolver todos os problemas e para se responsabilizar por atender integralmente ao aluno pelo desmonte de quase todas as políticas sociais. A ideia de estado mínimo, a necessidade e a distorção da lógica em pleno vigor por uma política autoritária e genocida segue dando a linha…

Uma escola para aprender e ensinar com liberdade pressupõe que o ambiente não seja dominado pelo medo e que tenha professores valorizados, escutados e voltados ao aluno, que é o centro do debate da educação. Por isso eu também comprei essa briga.

Qual a eficácia pedagógica e de resolução do problema da “mãe que precisa levar o filho para poder trabalhar” desse sistema de escala ou revezamento dos estudantes em aulas presenciais? As escolas clandestinas ou os cuida-se vão deixar de existir? Quem fica com as crianças nos outros dias?

Do ponto de vista do desenvolvimento da aprendizagem a presença escalonada dos estudantes compensa os riscos de contaminação do entorno deles (familiares, professores, servidores e demais profissionais envolvidos no retorno das aulas presenciais) e de toda a sociedade? Esse é o questionamento central e que tem sido desprezado nessa guerra de narrativas do libera geral e cada um por si.

Em tempos de necessário isolamento e distanciamento pela pandemia, pelos desgovernos, pela polarização e pela negação, a palavra pode positivar e nos salvar!

Eu leio, escuto, falo e escrevo muito. Tenho me mantido firme, embora com muitas desilusões e necessários perdões diários no caminho.

Tenho construído diversos espaços para isso, mas um deles tem sido um pilar de sustentação, ao lado também de mulheres incríveis e que estão a fim de olhar o dentro e o fora para terem sanidade na luta pela vida, com muita leveza e capacidade de recriação dessa realidade! Um grupo de psicanálise!

Quanto legado para entendermos as palavras e as coisas, né Foucault?!

Quando as pessoas falam sobre o externo ou sobre alguém, estão revelando o que pensam de si. Tomara que se escutem também e que tenham essa possibilidade de se escutar para saírem do sofrimento que massacra a si e aos outros.

Que saibamos cuidar uns dos outros com sensibilidade e inteligência! Vamos superar esta cegueira com muita escuta, afeto e ação coletiva!

Nunca houve no mundo tantos dizeres, tantos discursos, tantas coisas ditas como salvação ou como ameaça. Maltratada ou respeitada, profanada ou sacralizada, amada ou estuprada, a Palavra, misteriosa e miserável, na forma de larva e pá que lavra ou abre a vala à semente, sobrevive enlouquecida na ascendente Babel da atualidade. Como disse Gabriel Garcia Marques, a quem parafraseio, o grande derrotado é o silêncio, nunca a Palavra. (Pablo Morenno) Leia mais!

Esta publicação foi originalmente publicada em: https://www.brasildefators.com.br/2021/05/04/as-palavras-e-as-coisas-em-tempos-criticos-de-pandemia

Autora: Aline Kerber

Edição: Alex Rosset

ASSEPSIAS

O resultado desta infância asséptica é uma geração de adultos imaturos emocionalmente, sem resiliência, sem empatia, sem coragem, dependentes dos pais ou do Estado.

Tenho algumas cicatrizes de criança. Os hospitais eram longe, as benzedeiras perto. Porém, dez filhos vezes cinco choros por dia é igual a cinquenta idas à benzedeira. Muito para uma só mãe. Um abraço e um assopro – Deus na criação – curava tudo, ou quase. Foram-se as feridas, ficaram as cicatrizes. Cicatrizes são apenas histórias plásticas e indolores.

Meus irmãos e eu nascemos em casa. Minha mãe gostava de exibir seu ventre sem cortes. Achava virtude sua.

Tempos em que andar descalço era comum. Desde bebê. E os calos das solas, depois, tornavam-se proteção contra pontas de pedras e espinhos.

Meus pais não tratavam pequenas dores como parte da vida. E os medos também. Aliás, meu pai contava muitas histórias assustadoras, sem dó nem piedade.

Agora são tempos de antidepressivos. Curingas emocionais. Trocam-se frustrações por pílulas, amores por pílulas, mortos por pílulas, sonhos por pílulas, notas baixas por pílulas, contas por pílulas, dúvidas por pílulas…*

A dor anda estigmatizada pela anestesia. Heróis sofredores já não seduzem ninguém com sua fortaleza. Popularizaram-se os analgésicos, os hospitais, os médicos, os especialistas, as cesarianas. Benzedeiras são falsas, as parteiras perigosas, as mães ignorantes. Uma nuvenzinha de dor no horizonte, chamamos o helicóptero. Com tantos diagnósticos precoces e eficazes, é fútil a função orgânica da dor.

A assepsia do medo também invade as casas e as escolas. Há pouco, um programa do Ministério da Educação fez chegar às crianças contos de fadas sem bruxas, sem monstros, sem maldade. A única maldade é com a infância, olhada como se fosse uma falha da vida. 

Se a vida não é isenta de dores e medos, por que não preparar nossos filhos para isso? O resultado desta infância asséptica é uma geração de adultos imaturos emocionalmente, sem resiliência, sem empatia, sem coragem, dependentes dos pais ou do Estado.

Os pais e mães de hoje se desesperam ante qualquer dorzinha do filho. Se chora ou não dorme, se arrotou diferente, se o xixi aumentou, soará o celular do pediatra. E o sangue, então? Partem em desespero para o pronto- socorro mais próximo. Um assopro nem seria cogitável. Ficam tão angustiados que perdem o fôlego.

Não sou advogado da dor. Não. Jamais. Da dor física, nunca. Não defendo masoquistas, nem sádicos.

O problema é que a anestesia para o corpo contaminou a alma. Ninguém mais tem coragem de amadurecer suas dores, ninguém mais está preparado para seus ferimentos, suas pequenas e necessárias cruências interiores.

 Coincidência. Médicos da alma são os mesmos do corpo. Fez-se da alma um órgão ou um membro esmiuçado em alguma especialidade. Nela, parece, tudo se cura com um mesmo remédio: eritema, equimose, feridas, fraturas, tumores.

Graças às descobertas científicas, os meninos de hoje não precisarão levar para o futuro cicatrizes corpóreas. Com as cirurgias plásticas, um ventre sem corte não ensejará virtude ou coragem.

Quanto às dores e medos da alma, contudo, uma pílula curinga não parece ajudar. Quem sabe, para a alma, valha mesmo a ciência das benzedeiras, das parteiras e dos pais assopra-dores. Cicatrizes e calos, no corpo ou na alma, são escudos para a vida.

  • *Nota: Ressalvo casos em que a medicação é necessária para evitar danos maiores a si ou aos outros. Minha crítica é a uma simplificação do uso, ou, em alguns casos, ao uso indiscriminado sem acompanhamento médico.

Autor: Pablo Morenno

Editor: Alex Rosset

Desmonte da Educação Pública e Reforma do Ensino Médio em livros

Temos o prazer de apresentar duas importantes publicações com autoria do professor Gabriel Grabowski e convidados.

Grabowski é graduado em Filosofia Plena pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Dom Bosco (1985), com Especialização em Sociologia (Ufrgs, 1997), Mestrado em Educação Profissional (Ufrgs, 2004), Doutorado em Educação (Ufrgs, 2010) e MBA de Gestão Universitária pela UCS/Comung (2017). Atualmente é docente e pesquisador da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, RS; pesquisador do Programa de Qualidade Ambiental e Mestrado em Letras; e professor do Centro Universitário Metodista de Educação (IPA), em Porto Alegre. Integra a Diretoria da Associação de Escolas Superiores de Formação de Profissionais do Ensino (Aesufope) e o Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (CEEd/RS).

Seus estudos e pesquisas versam sobre os seguintes temas: Educação e Trabalho, Financiamento da Educação, Ensino Médio, Educação Profissional, Juventudes e Formação de Professores. É autor de A desconstrução do futuro: juventudes, reforma do ensino médio e retrocessos das políticas educacionais (Carta Editora, 2019, 144 p.)

Desmonte da Educação Pública – Políticas educacionais, Ensino Médio, Pandemia e EaD (Carta Editora, 2020, 192 p.).

Exemplar impresso: R$ 20.00 + taxa correio

Pedidos: ggrabowski153@gmail.com

Neste segundo livro publicado pela Carta Editora, o autor aborda os desdobramentos das políticas educacionais recentes e a desconstrução do ensino no país. Professor e pesquisador da Feevale, Gabriel Grabowski, amplia a análise crítica do contexto de destruição da educação, da ciência, da cultura, do meio ambiente, da vida e do futuro da nação brasileira.

Produzido com apoio do Sindicato dos Professores – Sinpro/RS Publicações – o livro está organizado em dois capítulos e conta com a colaboração dos professores, pesquisadores e especialistas em educação Jaquline Moll (Ufrgs) e Iula Santana (professora rede estadual); Acácia Zeneida Kuenzer, docente aposentada da UFPR; e do professor e investigador Dr. Amílcar Coelho, de Portugal.

ARTIGOS – A primeira parte contém artigos publicados de Gabriel Grabowski publicados entre fevereiro de 2019 e junho de 2020 no portal do Jornal Extra Classe, do qual o autor é colaborador desde 2018. Os textos foram revisados e atualizados e analisam de forma crítica a dinâmica e destruição da educação no atual governo nacional.

ENSAIOS – O segundo capítulo aborda, a oferta do ensino médio no Rio Grande do Sul, a reforma do ensino médio no Brasil e a escola pública de Portugal enquanto experiência internacional.

São três ensaios de grande relevância para o momento educacional que vivenciamos.

Em Direito ao ensino médio e os governos do Rio Grande do Sul no período pós-Emenda Constitucional n. 59/2009: discursos, propostas e descontinuidades, as pesquisadoras e educadoras Jaquline Moll (Ufrgs) e Iula Santana (professora rede estadual), observam que não há política de Estado, mas programas de governo, que se renovam a cada quatro anos, resultando em descontinuidades administrativas, pedagógicas e curriculares.

Gabriel Grabowski e a pesquisadora Acácia Zeneida Kuenzer, docente aposentada da UFPR, por sua vez, analisam a Reforma do “Novo” Ensino Médio no Brasil, desencadeada através da Medida Provisória 764/2016 e em implementação.

No terceiro ensaio, a obra traz a reflexão e colaboração do professor e investigador Dr. Amílcar Coelho, de Portugal, abordando as Perspectivas do Ensino@Distância em Portugal em tempo de pandemia.Desde a Revolução dos Cravos – 25 abril de 1974 –, Portugal tem tem realizado uma caminhada na educação que merece ser analisada. Porém, é na última década que tem se destacado no âmbito a OCDE e União Europeia com seus avanços qualitativos no desempenho escolar.

A Desconstrução do Futuro: Juventudes, Reforma do Ensino Médio e Retrocessos das Políticas Educacionais (Carta Editora, 144p., 2019).

Exemplar impresso: R$ 18,00 + taxa correio.

Pedidos: ggrabowski153@gmail.com

Versão Ebook Kindle Amazon: US$ 2.99

O livro reúne 25 artigos que analisam os retrocessos das políticas educacionais no período de janeiro de 2017 a janeiro de 2019. Em textos breves, o autor analisa a reforma do “novo” ensino médio, aprovada sem debate com a comunidade escolar, e o seu impacto no acesso e permanência na educação básica e superior; a Base Nacional Curricular Comum (BNCC); a condição dos jovens brasileiros; a desregulamentação e flexibilização da modalidade de educação a distância no ensino superior, com forte impacto nos cursos de formação de professores e cursos superiores de tecnologias, quanto na educação profissional e ensino médio; entre outros temas.

“O conjunto de retrocessos na educação básica e superior, desencadeado a partir de 2016, que deverá ter continuidade no governo Bolsonaro, impactam no presente e no futuro dos estudantes brasileiros. Nem os direitos constitucionais (art. 227) para com as crianças, adolescentes e jovens estão preservados, entre os quais: o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”, ressalta Grabowski.

Como assinala o professor Gaudêncio Frigotto no prefácio da obra, Grabowski convida a um embate teórico e ético-político ao analisar “as medidas e contrarreformas que interditam a dupla cidadania para a maioria dos jovens da classe trabalhadora e condenam o Brasil ao trabalho simples e a ser uma nação sem autonomia e soberania”.

“Dois aspectos são preocupações constantes nas avaliações do autor em seus textos: a precarização progressiva da formação dos professores e o comprometimento das potencialidades da juventude brasileira em decorrência do descaso das elites com a educação dos jovens”, assinala o diretor do Sinpro/RS, Marcos Fuhr. O livro tem o apoio do Sinpro/RS Publicações.  

Créditos fotos: divulgação

Edição: Alex Rosset

COVID-19 e os cultos religiosos

A fé é um instrumento valioso que ajuda as pessoas a lidarem com as adversidades da vida, entretanto, neste momento difícil em que tantas vidas já foram perdidas, ficar em casa é uma das melhores formas de prevenção contra o COVID-19.

Desde o início da Pandemia, provocada pelo vírus COVID-19, há uma discussão na sociedade brasileira sobre a abertura e o funcionamento presencial dos templos religiosos. A polêmica tem dividido a opinião pública, assim como setores do judiciário brasileiro.

O debate tem se dado em função da liberação de cultos religiosos pelo ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STF), Kássio Nunes. O referido ministro acatou um pedido da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE), o qual solicitava a liberação de cultos dos templos religiosos durante a Pandemia. A entidade religiosa alega que os prefeitos e os governadores não poderiam proibir um direito individual das pessoas, em razão do Brasil ser um estado laico.

Os que argumentam serem favoráveis defendem a tese de que a prática religiosa in loco é um auxiliar na manutenção da saúde mental do brasileiro em função do conforto espiritual que as igrejas podem ofertar. Sendo assim, os serviços religiosos devem ser considerados atividades essenciais, bem como supermercados, postos de gasolinas, farmácias, etc.

Por outro lado, alguns segmentos entenderam que as entidades religiosas precisam da suspensão de suas atividades para evitar possíveis aglomerações sujeitas à disseminação do vírus. As comunidades cristãs evangélicas e católicas têm por tradição a organização de eventos de massa. Por exemplo, ao longo do ano a Igreja Católica organiza procissões, missas campais, festivais de músicas, acampamentos de orações, festas domiciliares; e as missas costumam aglomerar centenas de pessoas.

Lideranças das religiões evangélica, católica e muçulmana contam como tem mantido as atividades no período de isolamento.

Vale lembrar que de acordo com o censo do IBGE realizado em 2010, o número de católicos no Brasil é de 64% da população. Mesmo com a queda do número de fiéis e muitos não indo às igrejas, a presença semanal de adeptos católicos nos templos é significativa.

Para o segmento evangélico, é interessante pontuar considerações a respeito da abertura dos templos. Os evangélicos têm crescido muito nas últimas décadas, os dados do IBGE de 2010 apontam 22,2% da população brasileira. A fé evangélica é expressada em eventos com grande quantidade de pessoas. São realizados anualmente: show, cultos, passeatas, festas religiosas e outras atividades.

No tocante ao período da pandemia, líderes religiosos evangélicos, conhecidos nacionalmente, posicionam favoravelmente que os templos religiosos são atividades essenciais e não devem ser fechados. Um dos fatores para tal é o simples fato que as atividades religiosas são empreendimentos geradores de quantidades financeiras gigantescas, uma vez que o fiel colabora financeiramente com os produtos vendidos.

Interessante é que o Ministro Kássio Nunes atendeu um pedido de uma instituição que legalmente não poderia solicitar tal questão para o STF. O próprio ministro reconhece isso no parecer para justificar o seu voto. Entretanto, a questão levantada é a de que Kássio Nunes sinalizou por meio do seu voto, apoio aos segmentos da comunidade evangélica e católica, corroborando para o discurso negacionista assumido pelo governo federal desde o início da crise sanitária. Não se pode esquecer que ele foi indicado pelo Bolsonaro ao STF com a aposentadoria do decano Celso de Melo.

O pedido da ANAJURE é reflexo de um pensamento negacionista instalado em algumas ramificações religiosas do Brasil. Aglomerar implica dar chance ao vírus contaminar outras pessoas. Infelizmente, o sistema de saúde está em colapso e o governo federal pouco faz para reverter tal situação.

A fé é um instrumento valioso que ajuda as pessoas a lidarem com as adversidades da vida, entretanto, neste momento difícil em que tantas vidas já foram perdidas, ficar em casa é uma das melhores formas de prevenção contra o COVID-19.

Caminhos da fé: religiões aprendem lições com a pandemia no RS. Assista!

Autor: Marcos Vinicius de Freitas Reis

Edição: Alex Rosset

O livro infantil, o adulto e a criança: obras de artes entrelaçadas

O mundo da criança é só dela. O adulto só entra quando é convidado. Mas não é todo adulto que é convidado para visitar esse mundo. Tem que ser um adulto especial, com espírito infantil e sábio.

O livro infantil trata de coisas que podem acontecer com qualquer um de nós na idade adulta ou infantil. Claro que a ficção está por trás de muitas situações, mas isto não impede que a criança leitora aprenda a lidar com os problemas do seu cotidiano. Ela enfrenta os problemas relacionados à vida e aos obstáculos que nela encontra de uma forma menos dolorosa.

Alguns autores defendem livros humanistas para crianças; não tenho do que reclamar dos livros surgidos no começo da nossa literatura infantil. As fábulas de Esopo e os contos de fadas têm essa característica exigida: são cheios de ideias da humanidade. Ideias que foram resgatadas dos contos populares, das histórias criadas pelo povo e para o povo. Entendo por ideias da humanidade aquelas que mostram a vida e os sentimentos do povo.

E como nos diz o filósofo Montaigne, “tudo se submeterá ao exame da criança e nada se lhe enfiará na cabeça por simples autoridade e crédito.”

Sendo assim, a criança tem o direito de escolher o que quer ler, como quer preencher seu mundo imaginário, quais personagens quer colocar dentro dele e como vão agir nesse mundo. As crianças vão saber escolher quais as melhores histórias, pois devemos considerar que toda história deixa alguma coisa no espírito infantil que cedo ou tarde florescerá. 

Afinal, gostar de ler exige uma série de situações pelas quais é preciso passar: a primeira é a descoberta do valor da leitura; a segunda é a curiosidade pelas novidades que os livros trazem; a terceira é ter livros ou impressos ao alcance das mãos. Tais fatores aparecem, principalmente, quando as bibliotecas estão por perto e são facilmente visitáveis, fornecendo livros emprestados. (Padre César Moreira). Leia mais!

No começo foi bastante difícil seguir essas palavras de Montaigne, pois tudo era imposto à criança. Hoje, já é possível ver um pequeno número de crianças nas livrarias e bibliotecas escolhendo os livros que lhes interessam para leitura. Antes, os pais aconselhados pelos educadores obrigavam seus filhos a ficarem sentados por horas e horas lendo livros sem graça e de difícil compreensão, muitas vezes com recortes que deixavam as crianças curiosas, como aconteceu com Os Lusíadas, de Luís de Camões, que nas escolas teve um grande corte para se adaptar ao pequeno mundo da infância. Esses cortes só despertavam mais ainda a imaginação das crianças. Elas ficavam curiosas para saber o porquê daquela censura. E procuravam ler às escondidas o texto completo.

Nesse aspecto que Montaigne acerta quando diz que cabe às crianças escolherem o que ler e não aos adultos. Submeter uma criança a uma leitura que ela não aprecia é como um castigo até a última página, pois para se chegar até lá o caminho é árduo e sem graça.

O adulto não consegue compreender que a criança busca até mesmo nos livros didáticos o seu mundo do faz-de-conta e o lúdico. Claro que esses dois elementos devem vir recheados com ideias coesas, palavras e expressões instrutivas e não de termos ou chavões que não se adequam aos espíritos ainda em formação.

Os livros devem ser lidos pelas crianças como um pássaro voando no céu, ou seja, com liberdade. E as crianças devem escolher a melhor posição para ler um livro, um livro que seja agradável.

O melhor livro é aquele que se torna travesseiro quando a criança cansada descansa sua cabeça sobre ele. Há crianças que gostam de ler deitadas no piso da sala ou do quarto de dormir, outras preferem se deitar na poltrona, algumas escolhem uma árvore para sentar-se embaixo dela e ficar ali se deleitando com aquele livro que está quase terminando, e o herói ainda não conseguiu vencer o mal.

O mundo da criança é só dela. O adulto só entra quando é convidado. Mas não é todo adulto que é convidado para visitar esse mundo. Tem que ser um adulto especial, com espírito infantil e sábio. A criança quando gosta de alguma coisa tende a apertar, abraçar, tocar para sentir que existe já que o seu mundo do faz-de-conta costuma criar essas coisas imaginárias e quando se depara com elas na realidade fica pasma. Mas, essa mesma criança que gosta também sabe responder aquilo que não gosta, e assim ela fecha a cara, se afasta e se cala.

Não temos o direito de invadir esse mundo, devemos respeitá-lo se quisermos ter o amor da criança, talvez o maior presente que um adulto pode receber, um presente tão raro e tão pouco valorizado.

O mundo mágico da criança é habitado por heróis, princesas, príncipes, duendes, fadas, bruxas, animais, a natureza em geral, e quando muitos desses adultos mais próximos sabem compreendê-la se transformam numa dessas figuras. Ser uma fada ou um príncipe de uma criança dá um gostinho especial à vida solitária que nós, adultos, levamos atolados no exercício das atividades cotidianas.

É na infância quando mais temos tempo e liberdade de fazer o que gostamos. A criança dispõe de tempo suficiente para todas as coisas que quiser fazer.

Sim, são nas obras obras-primas em que as crianças deveriam ser iniciadas desde a tenra idade para uma formação mais perfeita e sólida. De fato, as crianças que têm acesso aos clássicos da literatura infantil são mais abertas ao diálogo, sabem se expressar, perdem a timidez e se colocam nas apresentações escolares ou comunitárias sempre como heroínas. Isso porque sabem que é preciso entender o mundo como seus heróis das historinhas.

Um livro é uma obra de arte. A leitura de uma obra nunca é a mesma. Ela fala muitas línguas, mostra muitas imagens, apresenta muitos significados. Na verdade, a obra de arte nunca é aquilo que pensamos ser, ela é sempre mais alguma coisa. Se uso essas palavras para exemplificar um livro como uma obra de arte também me vejo em diferentes interpretações de leituras.

A hermenêutica aparece aqui distinguindo uma linguagem da outra. O que é uma coisa para mim, para um outro indivíduo pode significar outra. O sentimento que uma palavra ou imagem desperta na minha alma pode ser diferente em outra. 

Assim são os livros infantis. Eles nunca afirmam nada. Eles contam histórias. Se as crianças vão interpretá-las de um jeito ou de outro, cada uma tem o livre arbítrio para pensar o que quiser. Dá asas à imaginação e criar a sua própria interpretação. A figura que uma criança interpreta num livro só de ilustrações pode ter a interpretação completamente diferente daquilo que o ilustrador quis apresentar. Por isso, o livro se torna uma obra de arte das mais clássicas e fiéis ao seu público.   

O livro para crianças não deve ter somente caráter educativo. O livro que se propõe a ser uma obra de arte deve acima de tudo ter figuras de linguagem. As onomatopeias são as mais apreciadas pelas crianças. O livro infantil deve ter palavras de encanto, pequenas, grandes, que sejam difíceis de pronunciar e engraçadas quando se dobra a língua e não se consegue falar. Não deve ser dono da verdade, porque a verdade deve ser traçada pela criança, logo permitir que se abra espaço ao imaginário.

O dono da história não deve ser o personagem, mas a criança, por isso cada vez mais temos visto livros escritos na primeira pessoa. O eu chama a criança para dentro do livro, é como se o eu fosse a própria criança que está lendo e não o personagem.

O bom livro é aquele que o escritor fez dele a sua principal obra de arte. Criou-o com todo o cuidado e delicadeza pensando no seu leitor. Uma plurissignificação surge exatamente como a leitura de uma obra de arte, ou seja, o caráter de subjetividade de cada criança. Um bom livro não tem um só significado, mas muitos. Pode criar vários mundos diferentes no imaginário da criança.

Além do mais, assim como a obra de arte, não nos basta para termos uma única interpretação da vida, o livro que é uma boa obra de arte deve se abrir para mais de uma visão da vida. A criança deve refletir sobre os possíveis mundos ao seu redor para escolher em qual deles quer realmente habitar definitivamente, antes que cresça, ou antes, que um adulto chegue, a pegue nos braços e a jogue lá dentro de um desses mundos que ele acha ser melhor para ela.

E, para não esquecer, obra de arte lembra imagem, pensamos nos livros ilustrados, com capas duras, o miolo em papel especial. Feitos exclusivamente para chamar a atenção do pequeno leitor num primeiro olhar. Os desenhos, às vezes, falam mais do que mil palavras. Alguns livros são constituídos só por desenhos. E os escritores juntamente com os ilustradores criam suas obras de arte exatamente como pensam as crianças.

Um dos livros que mais admiro como uma verdadeira obra de arte é o livro “Adivinha quanto eu te amo” de Sam Mcbratney. Tanto as ilustrações quanto as frases curtas e a mensagem que o livro nos transmite encantam não só as crianças, mas muitos adultos que buscam a beleza do amor. O amor desprovido de interesse e contado em imagens.

Esta relação entre o livro infantil, o adulto e a criança deve ser mantida ao logo da vida para que todos se beneficiem pelo amor à literatura e aos personagens que muitas vezes nos salvam de dores e traumas que poderíamos carregar por longos anos.

O professor Eládio Weschenfelder diz que “a leitura gera, com o tempo, necessidade de imitar, escrevendo como aqueles que a gente aprendeu a ler”. Veja vídeo sobre a importância da leitura e literatura, bem como de projeto Bando e Bandinho de Letras.

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Nós não precisamos mais dar aula!

A escola pública está perdida. O perigo está anunciado para onde se envereda a educação: o precipício. A escola particular aproveita o momento para se fortalecer no seu lado positivista e conteudista. Em que ao aluno apenas cabe o papel de mero reprodutor.

Há dias quero escrever um texto. Desejo que o meu texto seja algo que chame atenção do leitor e dialogue com ele em questões importantes do nosso tempo.

Sigo as obrigações cotidianas. A principal delas é sentar em frente a um computador.  Manter a animação e motivação para representar um profissional que não está decepcionado com a forma educacional que vem sendo adotada. Mais tarde vou ao mercado. Academia para me manter vivo.

Saio no final de semana em contato com um ou dois amigos para desfrutar a natureza. Isso permite uma revitalização da alma. A indignação me empurra para o desabafo. Esse alívio tem de ser pela escrita. Minha mente viaja. 

Penso no leitor. Sobre o que o meu interlocutor deva pensar ao ler algo. Resolvo preparar uma aula “top”. Meu aluno merece. Sou impedido por muitas exigências que me são cobradas. Nenhuma delas no foco principal: aprendizagem do aluno. Faço e tomo um suco de maracujá.

Dou aula remota a tarde toda. Pego o meu celular. Muitos recados da coordenação “pedagógica”. Muitas notificações advindas de alunos exigindo resposta. Minha cabeça está exausta. Preciso ir à academia.

Pego o capacete para sair. Nesse momento fui interrompido por uma chamada do colega Nei Alberto Pies…Por acaso, não tens alguma reflexão nova para publicação no próximo final de semana?

Há dias estou pensando num assunto que me tira o sono e permeia meus pensamentos diários. Estou indignado.

O que menos importa é o aluno agora. A aprendizagem não é o foco. O planejamento de uma boa aula que foque em estratégias para o desenvolvimento reflexivo através da linguagem, é o que menos importa.

Você só deve se dedicar para responder mais de 99 notificações dos alunos e da coordenação. Por que quanto tempo leva para pensar uma aula? Você deve planejar. Planejar. Para quê? Para estatística. Não para pôr em prática. O que é prática? Importam os números. Não a aprendizagem ou como o aluno aprende.

Esse planejamento é de dados. Não para futuras práticas de aprendizagem. O aluno não é o centro desse planejamento. É para a Coordenadoria Regional de educação verificar. Para a Secretaria de Estado da Educação monitorar. Monitorar o quê? Se o professor está se ocupando. Com o aluno? Não. Isso não interessa.

Levei uma semana preenchendo tabelas, planilhas. Porcentagem da porcentagem. Daquela porcentagem. Que no montante geral vira porcentagem. Para mandar para a Coordenadoria.

Você dá uma boa aula? Nunca ninguém se interessou. Estratégias para ajudar o aluno a aprender. Não precisa. Preencham as tabelas. E as habilidades que estão no plano anual, no plano trimestral? Enfeitam. São bonitos dizeres pedagógicos.

Para a prática? Não. E também não vem ao caso. O que mais interessa é você imitar a lógica. Assim você é um bom profissional. Olha o whatsapp. Visualiza. Visualiza. Posta. Posta de novo. Refaz. Refaz de novo, mudou a orientação. Não questiona. Remove o aluno da turma tal. Adiciona aluno. Adiciona. Remove. Remove. Adiciona. Posta recado. Preenche. Preenche.

Faz a porcentagem. Porcentagem da aula. Porcentagem dos alunos. Porcentagem das atividades. Porcentagem do geral. Envia. Compartilha. Segue a orientação. Não discuta. Não questione. Tempo pra isso? Não interessa. Isso mais parece sistema capitalista. Beba. Vista. Coma. Compre. A mecanização me assusta.

Escrevo o que não gostaria de estar escrevendo. Minha crônica poderia estar falando do suporte tecnológico e pedagógico para o aluno. Falando de estratégias para tornar a aula remota menos mecanizada. Gostaria.

Queria que minha crônica falasse de alegria de descobrir e ensinar com novas formas. Tanto estudei. Tanto refletimos. Passamos por fases históricas em que o professor era o centro.

Mudamos o foco para o aluno. Enxergamos o aluno como ser aprendente.  Evoluímos. Agora estamos com o foco no sistema. Sistema para demonstrar que o governo não desampara. Que a estatística mostra que os alunos foram aprovados. Todos. Dados artificiais.

Professor e estudante são sujeitos aprendentes, mas professor tem a função de organizar processos formativos com intencionalidade de aprendizagem. Reflexão bem atual de Paulo César Carbonari. Leia mais!

A aprendizagem não ocorre. As coordenações, que deveriam ser pedagógicas, hoje exercem um papel paradoxal de meros reprodutores de recados, advindos da mantenedora. Também estão sufocadas e mecanizadas pelo sistema.

A escola pública está perdida. O perigo está anunciado para onde se envereda a educação: o precipício. A escola particular aproveita o momento para se fortalecer no seu lado positivista e conteudista. Em que ao aluno apenas cabe o papel de mero reprodutor.

Queria que minha crônica tivesse o brilho do olho do jovem opinando. Refletindo. Aprendendo. A vitalidade e o entusiasmo do professor fazendo o que lhe cabe. Ensinando satisfatoriamente. Não queria que minha crônica falasse da usurpação do direito da sua profissão que é ensinar.

Esperamos que a presencialidade devolva o espírito da aprendizagem. Que a presencialidade nos devolva a dualidade dos conteúdos x construção de processos de aprendizagem. Assim, outra crônica poderá surgir como o sorriso na face de cada educador satisfeito pela profissão que escolheu. Não pelo choro provocado pelo sufocamento sistêmico.

O Sistema Educacional não está preocupado com a aprendizagem, mas com a estatística. Infelizmente!

Como será a escola do futuro? Deveríamos ressignificar o sentido e o papel da escola na perspectiva humanizante, onde a centralidade da mesma seja a construção permanente de conhecimentos, envolvendo os sujeitos aprendentes: professores e estudantes. Uma escola onde a socialização seja uma dimensão que se incorpora às práticas educativas, de forma permanente, de maneira intencionada e valorizada pedagogicamente. (Nei Alberto Pies) Leia mais!

Autor: Laércio Fernandes dos Santos

Edição: Alex Rosset

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