“O triste de tudo isso é que, `a medida que crescemos, nos acostumamos não apenas com a lei da gravidade. Acostumamo-nos, ao mesmo tempo, com o mundo em si.” (Josteen Gaarder)
A experiência de fazer comentários em emissora de rádio local tem permitido compartilhar olhares, compreensões e inquietudes sobre temas e assuntos muitas vezes maltratados, até mesmo pelos meios de comunicação.
Creio e defendo o livre exercício das liberdades de expressão, opondo-me a iniciativas e manifestações que negam a importância e a necessidade de verdadeiros conhecimentos, num assombroso culto à mediocridade e à desinformação.
Com efeito, o tema escolhido para esta crônica surgiu após ouvir uma manifestação de um amigo radialista, o qual questionava a necessidade de manter nos currículos escolares as disciplinas de filosofia e de história. Expressou sua opinião em tom provocativo; confesso que me senti provocado, respeitosamente desafiado.
Fui, então, rever alguns dos estudos que fiz e tenho feito, também sobre essas duas disciplinas do conhecimento e da formação educacional e acadêmica – devolvendo com uma pergunta:
Quem despreza e desdenha da filosofia e do estudo da história, o faz por excesso de saberes ou por desconhecimento?
Se é por excesso, o que não acredito, não quer que outros tenham acesso as mesmas fontes e conteúdo; se for por desconhecimento, o que é mais provável, está a falar do que não sabe, logo não compreende – numa perigosa postura de propagar a cegueira intelectual própria – na expressão do poeta Mario Quintana, é o verdadeiro autodidata, o ignorante por conta própria.
George Orwel, em uma de suas classificas obras – quando li pela primeira vez era uma obra de ficção – 1984, aponta que o Grande Irmão, num modelo de panopiticon – sistema de poder e controle, recomendou que fossem suprimidas palavras dos dicionários, empobrecendo o vocabulário seria mais fácil manter um sistema de dominação sem resistências.
O conhecimento produz pessoas conscientes que podem questionar o poder e os poderosos do momento.
Aliás, não se pode esquecer que a palavra filosofia – no sentido primário – significa exatamente amigo do saber, amigo do conhecimento, pois “só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência.
Uma sugestão para leitura instigante ´um livro clássico de um autor norueguês “O mundo de Sofia”, sugiro e recomendo como uma leitura importante para iniciantes e inquietos, uma verdadeira viagem a história da filosofia.
Um pensador já escreveu que um povo que não conhece a sua história está fadado a repetí-la. O estudo e a compreensão histórica de um povo é essencial para compreender a realidade, o que temos, assim como para prever e construir outras possibilidades para o futuro.
Assim, nessa breve e sintética reflexão, mesmo sem muitas pretensões, cumpre formular algumas indagações: se não sabemos quem somos, o que e como pensamos sobre as coisas do mundo; o que foi vivido, o que vivemos e como iremos viver, repudiando a importância da filosofia e do estudo histórico, não estamos empobrecendo a consciência individual e coletiva para manter e propagar modelos de dominação, que tem no obscurantismo e na desinformação as formas mais eficientes para não se submeter a análises críticas?
Liberdade de pensamento, de expressão e de opinião são valores que precisam ser alimentados, nutridos e estimulados com bons e qualificados referenciais… lembrando uma frase do ex-presidente americano Barack Obama: “na vida, na política, a ignorância não é uma virtude…”.
Afetuosamente, encerro dizendo que é preciso salvar a leitura, fazer um ode à filosofia e ao estudo crítico da história.
Não é porque moramos em áreas urbanas movimentadas que não teremos uma árvore próxima de nós. O resto, se quisermos, será sombra das nossas próprias árvores, plantadas pelas nossas e pelas mãos das nossas crianças com sorrisos e alegrias de não se acabarem mais.
Assim dizia o poeta português Fernando Pessoa “Segue o teu destino…/ Rega as tuas plantas;/Ama as tuas rosas. O resto é a sombra de árvores alheias”. Que cada um de nós possa seguir o seu destino regando as plantas e amando as rosas, mas com sombra de árvores não alheias aos nossos olhares, mas próximas dos nossos corações e lugares de morada. Afinal, não é porque moramos em áreas urbanas movimentadas que não teremos uma árvore próxima de nós. O resto, se quisermos, será sombra das nossas próprias árvores, plantadas pelas nossas e pelas mãos das nossas crianças com sorrisos e alegrias de não se acabarem mais.
A Revolução Industrial foi um período de grande desenvolvimento tecnológico que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII e se espalhou pelo mundo causando grandes transformações. O homem depois da Revolução Industrial já não é mais o mesmo.
Com o avanço da tecnologia, novas máquinas foram criadas, pessoas trabalhavam por muitas horas, havia exploração do trabalho e uma nova forma das indústrias produzirem explodiu mundo afora. Nisso tudo, a tecnologia entrou em várias áreas do homem chegando às cidades modernas. Foi preciso derrubar árvores para construir prédios com vários andares, shopping centers, cinemas, museus, viadutos e etc.
As cidades queriam se modernizar e o verde foi trocado pelo cinza do concreto.
No entanto, as cidades que conservaram árvores nas suas avenidas são mais valorizadas hoje em dia, e comprar uma casa numa rua arborizada pode custar milhões de reais. Isso porque é raro vermos uma rua com árvores nos grandes centros, nas grandes avenidas, nos bairros de classe alta. Os grandes empreendimentos tomaram conta das nossas cidades. Os altos edifícios estão por todas as partes. Encontrar uma árvore no meio de uma avenida movimentada é coisa rara e mesmo assim as que restaram estão sendo derrubadas por alegação de que suas raízes ou galhos estão atrapalhando o asfalto ou os fios de iluminação pública.
É muito triste quando vemos uma árvore secular ser derrubada em prol do progresso. Eu vi e senti-me muito triste. Vi muitas árvores Pau-Brasil sendo derrubadas há coisa de cinco anos na minha universidade pública para construção de outros prédios. A alegação da reitoria é de que era preciso e não tinha outro jeito. Acho que tem jeito para tudo quando as autoridades querem preservar o meio ambiente.
Na minha rua tem uma árvore onde as pessoas se sentam à tardinha para conversar embaixo da sua sombra. Eu, particularmente, acho linda essa interação das pessoas com a árvore. Ela não dá frutos, apenas uma sombrinha deliciosa, principalmente, no verão quando fica mais quente o clima. Todo mundo da rua corre para debaixo da árvore. Várias vezes ela já foi podada devido os fios de iluminação pública.
A árvore é tão gentil que é dessas que não sujam as ruas com as suas folhas. Mal elas caem. Se eu pudesse andaria com uma árvore dentro da minha mochila. Creio ser muito chique quem pode dizer “eu tenho uma árvore.” Mas eu já tive muitas na minha infância. Sim, o quintal da minha casa tinha mangueira, cajueiro, goiabeira e coqueiros. Era a coisa mais linda do mundo. A gente tinha lugar para fazer balanço, meus irmãos chupavam caju no alto dos galhos do cajueiro, eu chupava manga que caía da mangueira. Aquela velha infância que poucos hoje em dia podem desfrutar. Fui muito feliz na minha infância tendo o meu cajueiro como o meu melhor amigo e confidente. Eu confiava a ele os meus maiores segredos.
Porém, precisamos ter cuidados com os cupins que costumam aparecer vez ou outra nas árvores das grandes cidades. Cupins são uma praga terrível, porque eles estão por todos os lugares. Faz alguns anos, talvez sete ou oito anos, que veio abaixo depois de uma forte chuva uma árvore linda da pracinha do meu bairro porque estava doente com tantos cupins que a comeram por dentro deixando-a vazia e fácil de ser derrubada por qualquer ventania.
Das minhas árvores queridas restou-me a mangueira do quintal de dona Marilde, minha vizinha amada com mais de oitenta anos. Eu chupei muitas mangas da sua mangueira frondosa. Mas, os cupins apareceram nela e passaram para as casas dos vizinhos causando um problema jurídico sério. Os vizinhos reclamavam de que os cupins da árvore estavam destruindo os seus telhados e móveis.
Dona Marilde depois de muito relutar teve que derrubar a sua mangueira. Foi triste esse dia, mas era preciso porque o progresso exigia. A construção de casas nos quintais próximos estava crescendo. As pessoas costumam aproveitar os seus grandes quintais para construírem os famosos puxadinhos e alugarem. Afinal, terreno está caro e difícil de ser comprado na cidade grande. O meu bairro é cheio de puxadinhos aqui e acolá. As pessoas procuram aproveitar todo o espaço do quintal com a construção de novos prédios contribuindo assim para o aquecimento global, porque ao meu redor só se ver casas de cimento e tijolo e nada de árvores.
Também perto da minha casa até um dia desses tinha uma pequena floresta privada. A gente não podia passear dentro dela. Era tudo amurado. Mas só de saber que ela existia e que contribuía para melhorar o ar que respiramos já era muito bom. Antes, não sentíamos tanto calor perto da minha casa.
As crianças, curiosas, fizeram buraquinhos no muro para verem as árvores da pequena floresta. E assim, até eu fui ver as árvores pelos buraquinhos. O verde dentro daquele terreno gigante era intenso. O verde tomava conta de todo o terreno. De repente, assim do nada, os proprietários resolveram queimar a floresta. Sofremos com a fumaça que vinha de lá. Foram três dias de incêndio e vários dias retirando as cinzas de dentro das nossas casas trazidas pelo vento. Restou apenas o terreno queimado e muitos animais mortos. Foi triste. Pela primeira vez o meu coração doeu muito mesmo ao ver aquilo.
A ação do homem em relação ao meio ambiente é uma coisa devastadora. Ele queima para construir prédios, ele queima porque acha que é preciso. Ele se acha saber o que é melhor para o meio ambiente.
As árvores urbanas têm uma importância enorme para as crianças do mundo inteiro. Nos bairros onde ainda encontramos árvores as crianças costumam brincar embaixo delas aproveitando a sombra e o ar puro. Elas gostam da árvore. Brincam sentadas ao seu redor, de bilocas, de trocar figurinhas, de bonecas, de carrinhos e etc. As crianças sabem bem o quanto as árvores são maravilhosas.
Ter uma árvore de frente à casa é o maior barato. E quantas pessoas poderiam ter uma árvore de frente a sua casa, conversando com a prefeitura e procurando saber onde e como plantá-la. Na frente da minha casa eu não posso plantar mais nada porque o concreto tomou conta de tudo. Sinto muito por isso. Mas, acho bonito casa que tem uma árvore de frente para abrigar os pardais que ficam a voar pelas nossas janelas à procura de comida.
As árvores urbanas proporcionam grandes benefícios aos seus moradores. As pessoas não sabem da sua importância. Elas podem melhorar a qualidade de vida no que diz respeito ao corpo e ao espírito. Procurem, sempre que possível, plantar uma árvore de frente as suas casas. Vocês vão descobrir as coisas boas que ela pode nos oferecer além de frutos e uma gostosa sombrinha.
Tem uma avenida grande na minha cidade que os seus canteiros são formados por árvores seculares. Eu as acho lindas e tomara que as autoridades nunca inventem de derrubá-las. As pessoas alegam que é preciso derrubar as árvores das grandes avenidas para quando houver ventania elas não caírem em cima dos veículos. Eu não concordo com isso. Acho que os motoristas é que não deveriam colocar os seus carros embaixo dessas árvores, pois elas já estavam ali primeiro do que eles. Elas não são culpadas por serem velhinhas e frágeis. Vamos deixá-las viverem até quando puderem.
E também discordo de algumas podas que são feitas nas árvores que só faltam cortá-las pelo tronco. Muitos funcionários das prefeituras não sabem podar árvores. Na verdade, eles nem sabem o valor de uma árvore e vão tocando o machado nos seus galhos. É terrível o estrago que fazem nelas.
Também não concordo quando alegam que uma determinada rua é perigosa devido a escuridão causada pelas árvores. Nossa, gente, as árvores chegaram primeiro. Vamos deixá-las quietas. Se essa ou outra rua é escura e têm muitos assaltos devido as árvores como vocês alegam, coloquem iluminação de forma que não as agridam. Há tecnologia para isso. Depende da boa vontade das autoridades administrativas. Outra alegação muito corriqueira nos dias atuais que tenho ouvido é de que avenidas de grandes cidades com árvores são locais para as pessoas se drogarem. Nada a ver essa conversa. As pessoas se drogam em qualquer espaço público. As árvores são lugares para divertimento e até mesmo reflexão. Eu muitas vezes já me peguei debaixo de uma delas pensando sobre a vida e as pessoas ao meu redor.
São tantas as alegações para derrubarem as árvores das avenidas das grandes cidades que a gente fica sem saber o que dizer as autoridades incompetentes que só pensam no desenvolvimento e construção de edifícios e prédios que vão enaltecer as belezas da cidade e mostrar que os prefeitos estão mesmo trabalhando, quando na verdade, as pessoas deviam se conscientizar de que é possível um desenvolvimento sustentável e um futuro verde pensando sempre que as árvores chegaram primeiro e que ali sempre será o lugar delas.
Se da árvore da frente da sua casa, da sua rua ou até mesmo do seu prédio caem muitas folhas secas, principalmente, no outono convide a sua criança para junto com você apanhá-las. É uma terapia maravilhosa porque ajuda você a esquecer o estresse e a ansiedade e ajuda a criança a desenvolver o seu pensamento com relação a proteção do meio ambiente. Pegue uma sacola de tecido ou uma vasilha e vá colhendo as folhinhas junto com a sua criança. Aproveite para ir contando a ela as histórias daquela árvore. Afinal, toda árvore tem uma história e se você não sabe nenhuma da sua procure conhecer.
A árvore da minha rua foi plantada por um casal de idosos que abriam as portas da sua casa para todos assistirem televisão nos finais da tarde e embaixo dela os jovens começavam a se conhecer, namorar e até mesmo se casarem. Incentive a sua criança a escrever cartas e poemas para a árvore que fica perto de vocês.
As árvores urbanas além de nos proporcionarem sombra também ajudam a evitar enchentes, pois elas recolhem a água da chuva para as suas raízes. Além de melhorar a qualidade do ar, as árvores absorvem dióxido de carbono, um gás de efeito estufa que contribui para o aquecimento global. Quem tem uma árvore perto de casa certamente tem um ar menos poluído. Pense nisso e plante uma árvore. Não custa nada. Vai ter mais verde perto de você, vai trazer mais passarinhos para perto da sua casa e a sua rua ficará mais bonita porque uma árvore diante de uma casa é a coisa mais linda do mundo. Experimente plantar um ipê. Ipês são lindas árvores.
As árvores também ajudam a criar um clima mais úmido contribuindo para a umidade do ar no seu bairro ou cidade. Vocês sabem que eu sou uma ativista ambiental, logo defendo que em todo lar deveria ter uma árvore para as crianças poderem brincar embaixo delas, em cima delas, ao redor delas e abraçá-las com carinho e cuidados. Quem disse que árvores com grandes troncos não precisam de cuidados?
Quando eu era criança que tinha um sonho ruim e acordava chorando a minha bisavó me levava para o meu cajueiro no quintal de casa. Eu contava o meu sonho ruim para ele na certeza de que aquele sonho se acabaria ali e nunca aconteceria porque assim como o meu cajueiro tinha o poder de dar frutos também tinha o poder de destruir sonhos ruins. Eu sempre acreditei nisso e acredito até hoje.
As árvores são o maior patrimônio ambiental que existe nas cidades grandes. Já pensou poder caminhar nas calçadas, praças e parques desfrutando de uma sombra gostosa e um ventinho maravilhoso nos assanhando os cabelos? As árvores abrigam os pássaros e diversos outros insetos. Se na sua casa tem uma árvore cuide bem dela, pois certamente ela saberá como o recompensar dando-lhe frutos e um ar bem gostoso para você poder brincar embaixo dela.
Os passarinhos das cidades grandes não encontram mais árvores para fazerem os seus ninhos e isso também é muito triste. Vemos ninhos sendo construídos em postes de iluminação pública e até mesmo dentro de algumas casas por falta de árvores. Os passarinhos sentem-se protegidos quando fazem os seus ninhos nas árvores. Nunca derrube um ninho e nem maltrate os passarinhos. Os pardais, os sabiás são pássaros que costumeiramente vemos pelas cidades. Eles só querem ser bem tratados.
Sabe aqueles dias bem secos em que o seu nariz chega a sangrar por causa da secura? Então, as árvores ajudam a aumentar a umidade da cidade, pois quando transpiram liberam água para o ambiente. Além disso, elas tiram do ar a poeira e o excesso de carbono como já foi dito acima que acabam poluindo o lugar onde você vive. Nas cidades cheias de asfalto e concreto onde não têm árvores e o sistema de esgoto é precário sempre ocorrem grandes enchentes quando chove muito, isso porque a água não tem para onde ir. A água da chuva geralmente fica na terra onde a árvore está plantada evitando assim as enchentes.
É muito importante falar sobre as árvores é que elas embelezam em muito o lugar onde você vive. E nos proporcionam uma sensação de bem-estar, de tranquilidade e paciência quando abrimos os braços para abraçá-las. Uma sensação maravilhosa que só aqueles que convivem com o estresse do trânsito, das reuniões infindáveis nos ambientes de trabalho, com a cotação do dólar, com as altas e baixas das bolsas de valores e etc, sabem quando entram em contato com a natureza.
Os pais devem sempre atentar para quando forem construir as suas casas deixarem um espaço de terreno no quintal. Assim, diminuirá o calor e poderá plantar uma árvore junto com as suas crianças. Na escola também é bom ter um espaço de terreno onde as crianças possam entrar em contato com a natureza e, de preferência, que tenha sempre uma árvore no seu pátio ou de frente ao prédio onde funciona a escola. Você já pensou na tranquilidade que sentimos quando caminhamos nos bosques ou pracinhas das nossas cidades que são arborizadas?
Muitas pessoas nem precisam de terapeutas ou psicólogos para curarem as suas ansiedades, bastam sentirem a natureza perto delas e já se sentem rejuvenescidas e reenergizadas. Conheço um senhor que a sua casa era bem velhinha, dessas com as paredes rachadas e o telhado cheio de goteiras, porém de frente a casa havia uma árvore frondosa enorme e ele pediu cerca de milhões de dólares na sua venda. Todos ficaram horrorizados e perguntavam o que a casa tinha de especial e ele, orgulhosamente, dizia a árvore. Sim, casas com árvores são valorizadas pelos corretores que chegam a cobrar fortunas dependendo do número delas no terreno.
Faz doze anos que dei de presente à minha sobrinha no dia da árvore uma mudinha. Ela plantou e hoje está enorme bem próxima da janela do seu quarto de dormir. Ninguém mexe na árvore da minha sobrinha. Só o pai dela vez por outra faz uma pequena poda. Já alegaram que ela está atrapalhando a iluminação pública, já alegaram que garotos fumam maconha embaixo dela, mas a árvore não tem nada a ver com o que as pessoas gostam de fazer ao seu redor. Elas está ali poque é um presente da natureza para nós que só sabemos reclamar das coisas bonitas que temos e não conseguimos enxergar um palmo embaixo dos nossos narizes.
A árvore da minha sobrinha protege a pintura da luz forte do sol da parede do seu quarto, não permite que o sol entre no seu quarto, deixa mais fresco o asfalto de frente a ela e sem contar que os pardais nos finais de tarde vêm tudo cantar na árvore. É uma das coisas mais lindas da natureza que posso ver sempre que passo lá.
E para finalizar o nosso ensaio desta semana eu deixo com vocês o poema de Olavo Bilac intitulado “Velhas árvores” nos seus lindos versos que dizem “Envelheçamos rindo. Envelheçamos / Como as árvores fortes envelhecem, / Na glória de alegria e da bondade, / Agasalhando os pássaros nos ramos, / Dando sombra e consolo aos que padecem!”
Assim, nós ficamos com a reflexão desses versos tão belos para envelhecermos e deixar que as árvores das nossas ruas, avenidas, praças ou quintas de casa possam envelhecer junto conosco. Viva as árvores!
Somente pessoas emocionalmente saudáveis conseguem abrir mão da tentação de manipular, ou seja, de não desejar tirar uma vantagem escondida na relação com o outro.
Desde criança, sabemos manipular os pais para obter sua atenção ou algo que queremos. Os pais, por sua vez, manipulam os filhos oferecendo recompensas se eles fizerem a sua vontade. Quando adolescentes, usamos de novas estratégias para “chantagear” os pais. E, quando iniciam os relacionamentos amorosos, sabemos muito bem como usar os artifícios do amor para manipular o outro.
Na vida adulta e no trabalho, não poderia ser diferente: sempre que possível, manipulamos o cliente, o colega e até mesmo o chefe. Não raramente oferecemos um produto ou serviço que sabemos não ser o que é anunciado. Quando compramos algo, manipulamos o vendedor para tentar obter alguma vantagem.
Frequentemente somos manipulados, sem perceber, pelas pessoas próximas, pela mídia, pelos políticos, pelas igrejas, pelo cinema, pela história oficial etc. Nem sempre percebemos, mas quando nos damos conta, nos sentimos enganados e desejamos nos afastar destas pessoas.
A manipulação psicológica é uma falsificação da realidade e visa induzir o outro a pensar da forma que desejamos. Para tanto, são utilizadas táticas enganosas que se parecem extremamente honestas. A manipulação é uma violência discreta que costuma ocorrer nos relacionamentos. O manipulador é uma pessoa frustrada que não assume as suas responsabilidades e tende a culpar o outro por tudo que não vai bem. Muitas vezes se coloca como vítima, é um passivo agressivo.
E como sair desde círculo vicioso se somos todos manipuladores e manipulados em maior ou menor grau? Como não fazer aos outros o que não gostamos que façam conosco?
O autoconhecimento é o caminho para romper este círculo. Quando nos percebemos manipuladores e desejamos deixar de ser, é que construiremos relações saudáveis. Somente pessoas emocionalmente saudáveis conseguem abrir mão da tentação de manipular, ou seja, de não desejar tirar uma vantagem escondida na relação com o outro.
Se formos honestos conosco e com os outros, perceberemos mais claramente quando alguém está tentando nos manipular. Teremos condições de dizer não a este tipo de relacionamento. Do contrário, seguiremos criticando os políticos, as igrejas, a mídia etc. e fazendo o mesmo nas nossas relações.
Em outra publicação no site, escrevemos sobre a tentação de profissionais de diferentes áreas impressionar e convencer seus futuros clientes/pacientes através de seu instagram, pelo alto número de seguidores. Esta estratégica pode ser perigosa, sobretudo porque seguidores dá para comprar, conhecimento não! Leia mais: https://www.neipies.com/quem-estuda-e-porque-nao-se-garante-no-instagram/
É pela moral, pela literatura, arte, filosofia, religião e pela vida contemplativa que o sentido da vida se apresenta para além do ato de viver e sobreviver simplesmente.
“Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos quando fazemos Nos dias em que não fazemos, apenas duramos”. Desde que a pandemia se instalou, essa frase do Pe. Antônio Vieira não me sai da cabeça. Ela me acompanha como uma sombra e fica cutucando meu cérebro!
Dizem que as heresias são uma verdade extremada e essa frase parece uma heresia. Ele está mais para Goethe do que para a Bíblia, aparentemente. A Bíblia, magistralmente sintetizada pelo evangelista João, diz que “no princípio era a palavra” ao que Goethe contrapõe com a máxima: “no princípio era a ação”. Talvez a forma sutil de salvar a todos, inclusive o padre seja dizer que palavra é ação e a ação é palavra. Afinal, como dizia Heidegger, “o círculo é a festa do pensamento”.
São falhas todas as tentativas de dizer quem somos quando essas tentativas reduzem o complexo ao simples, o todo à parte, o círculo ao ponto no centro do círculo. Reduzir o ser ao fazer parece simplismo, não? A não ser que no verbo “fazer” caiba tudo, inclusive rezar, cantar, ler, passear, contemplar…!
Para lançar luz sobre o problema, Hannah Arendt parece ser uma boa companhia, se o que procuramos for o humano na sua integralidade. Na sua perspectiva, o humano pode ser pensado em quatro dimensões ou estágios: labor, trabalho, ação e espírito. Mesmo que a dignidade humana só seja alcançada na vida ativa e do espírito, os outros estágios não são descartáveis, se quisermos pensar o todo.
Por labor, Arendt entende o humano no seu esforço de manutenção e reprodução da vida. O labor é o outro nome para vida nua, como diria Agamben, uma vida biológica, sem biografia e desprovida de direitos. O labor é o conjunto das rotinas biológicas empreendidas para não deixarmos de ser. O labor é o esforço de duração e de sobrevivência. Pelo labor nos igualamos à vida vegetal e animal que se esmeram em ser e continuar sendo, durando.
O trabalho, por sua vez, é o esforço humano que incide sobre a natureza, transformando-a e colocando-a a nosso favor através de mecanismos de produção de ferramentas e serviços facilitadores da vida. Essa dimensão da vida humana é o que se convencionou chamar de homo faber.
A ação, diferentemente do labor e do trabalho, não incide sobre a matéria, sobre a natureza e não visa a sobrevivência, mas a vida ativa criadora de espaços de habitação favoráveis na vida pública mediante a palavra e o discurso na ordem do político.
Pela ação, o humano se individualiza e escreve sua história, sua vida, sua bio-grafia e, de alguma forma, se sobressai à da espécie que permanece no limite da reprodução e mecanismos de manutenção da vida privada e social dada pelo labor e pelo trabalho. É pela ação que o indivíduo demarca a irrepetibilidade e dignidade intransferíveis. É pela ação que o humano se faz humano.
Parafraseando Simone de Beauvoir daria para dizer que “não nascemos humanos, tornamo-nos humanos pela ação”. A vida ativa nos eleva e nos empresta uma dignidade que o labor e o trabalho por si só não alcançam.
A vida do espírito, por sua vez, é do âmbito do querer, do julgar e do pensar. Esse âmbito nos tira da banalidade e nos eleva para o alto, mais para os anjos ou demônios, do que para animais.
É pela moral, pela literatura, arte, filosofia, religião e pela vida contemplativa que o sentido da vida se apresenta para além do ato de viver e sobreviver simplesmente. É claro, a corrupção do melhor redunda no pior e, por isso, a possibilidade do diabólico e do mistério da iniquidade, sempre presentes na condição humana, pertence à condição humana e a esse âmbito da ação e da palavra.
A frase do Pe. Vieira continua perturbando minha cabeça e me acompanhando como um fantasma. Mas, em boa medida a luz, projetada por Arendt, dissolve a sombra que paira sobre o verbo fazer, tirando-o de um sentido meramente instrumental e elevando-o para uma atividade discursiva, ativa e espiritual. Se o sentido do fazer alcançar o estágio do trabalho, da ação e do espírito, então, sim, o dia em que nada “fazemos” nessas três dimensões, apenas duramos.
Não é nada emocionante apenas durar.
Aliás, é puro tédio. Por isso, pequenos trabalhos manuais, caminhadas, exercícios físicos, conversas, leituras, orações, meditações, jogos, algumas postagens nas redes sociais a favor da democracia e contra as personalidades autoritárias e, sobretudo, cozinhar, cuidar do jardim e semear rúculas é o que pode, pelo menos para os aposentados ou sem trabalho formal, nos salvar em tempos de pandemia e pós-pandemia.
O saber crítico, assim como a arte, nos humanizam, nos tornam melhores seres humanos.
Buscamos revelar, com alegria e satisfação, histórias de vida imbricadas com a humanização, seja através da arte ou da educação. Não conhecemos pessoalmente o entrevistado desta matéria, mas soubemos que a sua arte e a sua forma de comunicar estão a serviço da liberdade e da autonomia dos seres humanos. Sabemos que sua arte é engajada, parte de um compromisso maior de promover a vida e a plena realização humana.
Alisson Affonso nasceu no dia 23 de abril de 1979, é natural de Rio Grande, cidade onde reside. É Bacharel em Artes Visuais pela FURG, desenvolve pesquisas junto ao Coletivo Mancha Negra, além de Oficinas de Desenho da Figura Humana. Foi editor do Jornal Peixe Frito, Revista IDEIA, Revista em Quadrinhos PLATAFORMA HQ e atualmente produz quadrinhos e ilustrações para jornais sindicais. Foi premiado no Salão de Humor de Paraguaçu Paulista, Salão de humor do ABCD, Salão de humor de Rio Grande, Salão Internacional de Desenho para Imprensa, Animarte RJ, Animamundi, Concurso de Tiras Humorísticas GAG, Prêmio Ângelo Agostini, Concurso cartum ZH, Prêmio histórias de Trabalho SMC, Salão Medplan de humor, Salão de Humor de Cerquilho, Salão de humor de Mogi Guaçu, Concurso Internacional de desenhos animados “Veneração da Noiva, República da Macedônia e Concurso Internacional de Caricaturas, Salão Internacional de humor de Limeira, Nosorog, Bósnia e Prêmio Coalizão Negra por Direitos e Artigo 19 Expôs em Saint-Jus-le-Martel-França, DessinateursBrésiliens.
Conheçamos Alisson Affonso por ele mesmo, por aquilo que pensa, realiza e faz.
SITE NEIPIES: Como, quando e por que surgiu o teu envolvimento com artes visuais?
Alisson Affonso: Então, meu falecido pai almejava um filho jogador de futebol, mas nasci com um problema ortopédico que foi tratado durante os primeiros anos e isso foi o meu álibi pra fugir das atividades físicas e me render aos encantos da poética do desenho. É difícil entender o princípio de um fascínio, aquele carimbo na alma que você quer manter para todo o sempre.
SITE NEIPIES: Nos contaste que teu trabalho como cartunista segue uma linha humanista. O que entende por isso?
Alisson Affonso: Entendo que não há outra saída saudável para o mundo que não seja a humanista, a desigualdade está aos berros, ao nosso redor e com toda a informação que temos acesso é preciso escolher o lado certo, ou seja, aquele que te dará condições de exercer empatia e compromisso social.
SITE NEIPIES: Qual foi a importância do Curso de Artes Visuais da FURG para sua formação artística, cultural e humana?
Alisson Affonso: Assim que terminei o ensino médio comecei a almejar o ingresso no Curso de Artes Visuais Licenciatura, na época era dificílimo concorrer com os demais interessados, eram poucas vagas e havia cursos pré-vestibulares que preparavam seus concorrentes mais abonados, isso fez com que eu conseguisse uma vaga bem mais tarde, porém, não me arrependo, entrei no curso mais maduro, tive a sorte de fazer parte da primeira turma de Bacharéis em Artes Visuais da FURG, lá encontrei os meus pares e socializei muito, já que a poética do desenho sempre me colocava em uma posição extremamente solitária.
SITE NEIPIES: Quais são suas maiores realizações pela arte e quais são também seus maiores desafios?
Alisson Affonso: Vivemos um período muito delicado em que a arte e cultura sofrem os maiores ataques da extrema direita, minhas maiores realizações através das minhas manifestações gráficas são ligadas à resistência e êxito de comunicação com as pessoas, meu maior desafio hoje é me manter sadio pra seguir em frente!
SITE NEIPIES: O que representam as tuas importantes participações e premiações em concursos nacionais e internacionais?
Alisson Affonso: Há um interesse no exercício intelectual e criativo, muitos salões internacionais são temáticos e também possuem linhas humorísticas diferentes. O valor dos prêmios não é muito alto, nunca compete com a satisfação de ser premiado entre tanta gente boa.
SITE NEIPIES: Viveste uma experiência bem peculiar de hospitalização por conta do Covid-19. Conte-nos como foram os seus dias de hospital e como manifestaste pela arte esta experiência?
Alisson Affonso: Passei longos 20 dias internado, foi o maior tempo que fiquei longe dos meus e da minha casa, neste período perdi o meu pai para a doença e vi a minha família extremamente apreensiva com a minha saúde, foi aí que lutei com muita garra e é claro, o desenho estava lá, fiquei produzindo muito e tentando seguir a rotina de trabalho mesmo sem as estruturas que costumo ter em casa.
Alisson Affonso, artista plástico, ficou 20 dias internado no Hospital Universitário da FURG. O ilustrador desenhou e deu cores à batalha contra a doença. Segue link da matéria de matéria: https://globoplay.globo.com/v/9567481/
SITE NEIPIES: Qual é a relação que fazes com a arte e a superação dos preconceitos e discriminação racial?
Alisson Affonso: Então, conheço poucos cartunistas negros e entre eles nem todos possuem o compromisso representativo, a minha forma de enfrentamento é abordar as questões discriminatórias com mais veemência.
SITE NEIPIES: Tuas tiras e desenhos sobre Paulo Freire, por ocasião do seu Centenário em 19/09/2021 fizeram maior sucesso em redes sociais de todo Brasil. Qual é a tua relação com este grande pedagogo brasileiro?
Alisson Affonso: Paulo Freire organizou o pensamento quanto à importância das vivências no aprendizado, legitimando o patrimônio das pessoas e ao mesmo tempo dando a importância à diversidade, só por isso, já merece ser ovacionado e homenageado eternamente!
SITE NEIPIES: Qual é a marca de tua arte? O que pretendes afirmar como cartunista?
Alisson Affonso: A intenção é provocar reflexão e, às vezes, ternura.
SITE NEIPIES: Quais são os materiais que utilizas para representar a tua arte? Pintas em qualquer superfície?
Alisson Affonso: Gosto de transformar as coisas, ser do interior e não ter acesso aos materiais de ponta, fez com que eu impulsionasse meus suportes alternativos, ressignificando objetos e ao mesmo tempo chamando atenção para a importância de intensificar o olhar artístico.
SITE NEIPIES: Uma frase, um pensamento, que digam algo sobre você.
Alisson Affonso: Amar e mudar as coisas me interessa mais! (Belchior)
SITE NEIPIES: Quais são teus contatos? Onde a galera pode te encontrar?
Alisson Affonso: Utilizo as redes sociais, Facebook e Instagram:
Neste episódio da web série do projeto de extensão Fora da Caixa, a Tainã entrevistou o cartunista rio-grandino Alisson Affonso, exemplo de criatividade.https://www.facebook.com/watch/?v=728062261255744
DEPOIMENTO DE PROFESSORA TATIANA LEBEDEFF, PELOTAS, RS.
Quando o professor Nei Alberto Pies me convidou para falar um pouquinho sobre o Alisson Affonso eu gelei… mas, aceitei. Não sou “exatamente” uma amiga, nem mesmo uma conhecida, daquelas que se encontra nos corredores do trabalho…
Minha relação com o Alisson é de stalker. Não uma stalker das psicopatas clássicas do cinema. Sou uma stalker que busca na web um conforto estético no meio da loucura diária. Durante a pandemia, Alysson foi uma das vozes que a arte nos presenteou para produzir eco. Um eco sensível com as dores dos que sofreram perdas (das mais diversas) e as dificuldades da ciência em se fazer compreendida.
Ler Alisson é ler, com certeza, justiça e doçura, numa alquimia poderosa que mexe com os sentidos da gente.
Alisson é um premiado artista cujas aquarelas e desenhos dão, às vezes, um soco no estômago como os desenhos sobre as mulheres afegãs. E, em outros trabalhos, a amorosidade é tamanha que podes borrar o rímel, como o tributo a Amy Winehouse.
Para saber o que está incomodando o mundo basta procurar as ilustrações editoriais do Alisson, ele sempre está lá, alertando a todos com seus pinceis afiadíssimos, dando cutucadas nos rins da gente.
Eu tenho uma bergamota desenhada pelo Alisson, que ele disponibilizou, gentilmente, entre outras obras, para leilões de arte beneficentes. Leilões que ajudaram muitas entidades filantrópicas, durante os tempos duros da pandemia.
O artista Alisson deixa todos babando ao colocar fotografias de seus “estudos” diários no facebook. Estudos em suportes inusitados, como pincéis, espelhos de interruptores de luz, muros da sua casa, caixinhas, badulaques quaisquer que viram ouro puro, quando tocados por suas tintas.
Alisson ganhou o Brasil e o Facebook, na última semana, com sua coleção de Paulos Freire, um mais lindo e expressivo que o outro. Todos retratando a grandiosidade e singeleza do pensador. Uma dupla perfeita de homenageado e admirador! Parabéns Alisson, pela merecida repercussão do teu trabalho.
A casa representa esfera privada, a escola é ambiente público. Esse espaço público comum da educação precisa de construtores. E essa é a missão dos professores. Somente eles podem construir as condições para uma capilaridade educativa baseada no comum e na convivência.
Quando, em 1992, Paulo Freire escreveu a Pedagogia da Esperança, o Brasil passava por tensionamentos políticos, entre avanços democráticos e por uma desilusão com utopias e perspectivas futuras.
Foi o ano em que Collor sofreu impeachment.
Enquanto muitos discursos pragmáticos defendiam a adaptação à realidade, alegando que sonhos e utopias eram inúteis, Freire optava pela prática educativa enquanto uma opção progressista, desveladora e uma experiência de desocultação da verdade.
Nessa obra, Freire apontava e denunciava que “a democratização da sem-vergonhice que vinha tomando conta do país, o desrespeito à coisa pública, a impunidade, se aprofundaram e se generalizaram tanto que a nação começou a se colocar em pé, a protestar. Os jovens e os adolescentes também vêm as ruas, criticam, exigem seriedade e transparência. O povo grita contra os testemunhos da desfaçatez. As praças públicas de novo se enchem. Há uma esperança, não importa que nem sempre audaz, nas esquinas das ruas, no corpo de cada uma e de cada um de nós. É como se a maioria da nação fosse tomada apor uma incontida necessidade de vomitar em face de tamanha desvergonha”.
A esperança freiriana tem uma dupla dimensão: ontológica e de ação. “Não sou esperançoso por pura teimosia mas por imperativo existencial e histórico. A esperança é necessidade ontológica”. O ser humano e a educação de humanos não podem prescindir da esperança, inclusive, porque ninguém tem o direito de semear a desesperança para os estudantes que estão iniciando a vida e os estudos. Nas palavras dele: “Não é, porém, a esperança de cruzar os braços e esperar. Movo-me na esperança, enquanto luto, e se luto com esperança, espero”.
Essa pedagogia reafirma uma perspectiva e compromisso de utopias possíveis, de sonhos e projetos de um futuro para a nação brasileira, particularmente os jovens estudantes. E mais, Freire era categórico de que não há utopia verdadeira fora da tensão entre a denúncia de um presente tornando-se cada vez mais intolerável e o anúncio de um futuro a ser criado, construído, política, estética e eticamente, por nós, mulheres e homens.
A utopia implica essa denúncia e esse anúncio, mas não deixa esgotar-se a tensão entre ambos quando da produção do futuro antes anunciado e agora um novo presente. A nova experiência de sonho se instaura, na medida mesma em que a história não se imobiliza, não morre. Pelo contrário, continua.
Unidades na diversidade
Estamos a atravessar hoje uma condição similar à de 1992. Crise política e econômica que perdura desde 2016, retrocessos nas políticas sociais e educacionais, presidência da República semeando ameaças em plena crise sanitária da covid-19 e possibilidades de retrocessos democráticos. Muitas incertezas e inseguranças de todas as ordens. Comunidade internacional em alerta. Investidores temerosos. Cientistas, intelectuais e jovens deixando o país ou planejando fazê-lo.
Neste ambiente, inspirados pela vida e obra de Paulo Freire, novamente nós, enquanto educadores, precisamos reafirmar e promover a utopia e a esperança, através da denúncia e do anúncio, da resistência e da ação, com unidade na diversidade, apostando na cultura, na ciência e no conhecimento, com democracia e justiça social.
A pandemia da covid-19 parou o mundo. Fechou as escolas. O “mercado global da educação” quer tirar o máximo de proveito da crise atual. E esses mercadores oportunistas semeiam e decretam algumas “ilusões” que precisamos denunciar e nos contrapor, tais como: as aprendizagens acontecem naturalmente numa diversidade de tempos e ambientes; que a escola física vai dar lugar à “escola virtual” (remota, digital); que a pedagogia será substituída pelas tecnologias; que os professores são prescindíveis e tutores e instrutores de plataformas inteligentes bastam e que a qualificação para o trabalho é mais importante que a formação de seres humanos para viverem juntos em sociedades ambientalmente sustentáveis.
Este mercado da educação ancora-se na lógica do “solucionismo tecnológico” e do “consumismo pedagógico”. Esta indústria aposta no digital, com ofertas privadas, com produção de conteúdos, materiais e instrumentos de gestão para a educação pública. Eis a razão de tantos institutos e fundações empresariais ditando soluções educacionais, meritocráticas, baseadas em avaliações de desempenho, especialmente para a educação pública, fazendo parte de cogestão em secretarias de Educação por todo o Brasil.
Nessa tensão freiriana de denunciar e de anunciar, António Nóvoa e Yara Alvim propõem uma terceira categoria: enunciar. Enunciar outras possibilidades que nos libertem da tirania do presente.
Em recente artigo intitulado Os professores depois da pandemia (2021), os autores contrapõem as “ilusões” acima referidas e reafirmam que a educação implica sempre uma intencionalidade, impõe a valorização dos professores na construção de um espaço público comum da educação, na criação de novos ambientes escolares e na composição de uma pedagogia do encontro.
Os autores reconhecem que o contrato entre a escola e a sociedade estabelecido há mais de 150 anos precisa ser revisto, já que a covid o revogou. Mas a educação deve ser produtora do comum, valorizando as diferenças, sempre em uma mesma sociedade.
Aprender a estudar em comum é a melhor forma de produzir uma vida em comum, uma sociedade convivial. Para tanto, precisamos de uma educação pública que nos permita ir além do espaço que já habitamos: a casa. Até porque a casa é o contrário da escola. Em casa estamos entre iguais, na escola estamos entre diferentes e, o que nos educa é a diferença.
A casa representa esfera privada, a escola é ambiente público. Esse espaço público comum da educação precisa de construtores. E essa é a missão dos professores. Somente eles podem construir as condições para uma capilaridade educativa baseada no comum e na convivência.
Este espaço público só terá sentido com uma forte participação social, mediante novas articulações entre os tempos familiares, sociais e laborais. As tecnologias, por si só, não educam ninguém. São meios. A educação possui télos: humanizar.
Sem professores, nossa educação seria muito mais pobre e limitada, pois nada substitui a relação humana. Há um patrimônio humano que é impossível digitalizar, virtualizar.
A escola constitui-se em um espaço de abertura, mas, também, de recolhimento. O tempo escolar é diferente do tempo social. A escola precisa “desacelerar” o mundo e a vida, permitindo aos estudantes experiências que, na velocidade vigente, não tem outro lugar.
Precisamos praticar o silêncio da escuta, a compreensão do outro e praticar a capacidade de nos “desconectarmos” do digital para a experiência da existência humana única.
Para Nóvoa e Alvim, a educação funda-se em dois movimentos: adquirir uma herança e projetar um futuro, nos permitindo ir mais longe, através do conhecimento científico, artístico, literário, filosófico e humanístico. Entre o indivíduo e a sociedade, há a humanidade. Podemos ser livres e, para tanto, não precisamos estar sós.
Pertencimento
A pedagogia do encontro é sempre uma relação humana, pois o digital permite manter laços, mas nunca substituirá o encontro humano. Não há ensino sem conhecimento, sem um encontro intenso, por vezes duro e sofrido.
A pedagogia não pode ser a repetição monótona do que já conhecemos, mas deve ser como a pesquisa, um gesto de procura, de descoberta, de curiosidade e de prazer.
O encontro não se dá com um “conhecimento acabado”, mas como movimentos de construção; as neurociências contribuem para perceber o funcionamento do cérebro e os processos de aprendizagem, demonstrando que a “consciência é uma grande sinfônica” em que as emoções têm valor cognitivo e que não é possível separar o sentir e saber; a pedagogia é um processo conjunto de construção de aprendizagens, mas é, também, uma forma de pertencimento humano.
A pedagogia do encontro exige reciprocidade, inclusive porque adoecemos quando somos privados da presença do outro. É muito vulgar a afirmação de que, hoje, qualquer um de nós traz no bolso, ou no celular, mais informações, dados e imagens do que a ciência acumulou ao longo dos séculos. Como aprender a pensar, sabendo que nunca poderemos fazê-lo sozinhos. É para isso que precisamos dos professores, para comporem uma pedagogia do encontro.
Que este diálogo entre a Pedagogia da Esperança e a Pedagogia do Encontrodenunciem as falácias da “escola virtual”, que anunciem sonhos e utopias para as novas gerações e, enunciem uma escola enquanto espaço público comum construído pelos professores e estudantes. O que nos humaniza não é mais conhecimento, mais técnica, mais qualificação profissional, mais verdade, mas a busca de sentido para nossa vida e para nossas ações.
“Ciência sem sabedoria pode se tornar perigosa. Tecnologia sem prudência pode gerar o caos e a barbárie. Portanto, trata-se de buscar sempre o que é necessário sem desconsiderar o essencial. No equilíbrio entre o necessário e o essencial poderemos avançar no caminho que nos torna mais humanizados, tal como enfatizou Paulo Freire! (Leia mais:https://www.neipies.com/a-insuficiente-necessidade-da-ciencia/ )
A escrita bem elaborada que constrói amizade requer um rigoroso processo de investigação, sistematização e elaboração que não se restringem ao simples domínio de técnicas artificiais de elaboração textual, mas se projeta na primorosa comunicação dialógica com a realidade e com a tradição.
Em seu polêmico escrito Regras para o parque humano, o filósofo alemão Peter Sloterdijk, lembrando o escritor Jean-Paul Sartre, explica que livros “são cartas redigidas a amigos, apenas mais longas”.
Com essa afirmação, Sloterdijk explicita precisamente a natureza e a função do que foi o humanismo na sociedade ocidental: “a comunicação propiciadora de amizade realizada à distância por meio da escrita”. Isso significa que quando tomamos contato com os livros e escritos em uma determinada área do saber, estamos efetivamente nos aproximando e apropriando das “cartas de amizade” que os antecessores nos enviaram para que agora pudéssemos ter acesso ao que eles descobriram e sistematizaram. “Faz parte das regras do jogo da cultura escrita que os remanescentes não possam antever seus reais destinatários”, expressa Sloterdijk, e continua: “não obstante, os autores lançam-se à aventura de pôr suas cartas à caminho de amigos não identificados”.
A leitura das longas cartas, por sua vez, depende da “boa vontade” e do interesse dos destinatários não-identificados que podem ou não se sentir atraídos em ler tais mensagens redigidas em outras circunstâncias e que agora poderão ajudar a discernir certos fatos e problemas que perturbam o contexto atual.
Por isso, Nietzsche tem razão quando diz que a escrita é o poder de transformar o amor ao próximo, ou ao que está mais próximo, no amor à vida desconhecida, distante, ainda vindoura. “A escrita não só estabelece uma ponte telecomunicativa entre amigos manifestos vivendo espacialmente distantes um do outro no momento do envio da correspondência”, afirma Sloterdijk, “mas também põe em marcha uma operação rumo ao que não está manifesto: ela lança uma sedução ao longe, com o objetivo de revelar ao amigo desconhecido enquanto tal e leva-lo a ingressar no círculo de amigos”.
As preciosas reflexões de Sloterdijk sobre essa íntima ligação entre escrita e amizade estão ligadas a tentativa de explicar as razões pelas quais o humanismo se instaurou e se solidificou na tradição ocidental. De forma análoga podemos dizer que essa relação se estabelece no momento em que tomamos a decisão de publicar um conjunto de ideias que nos são aprazíveis e desejamos compartilha-las com outros “amigos não identificados”.
Não sabemos ao certo quais serão os destinatários destes escritos. Não sabemos como tais escritos serão recebidos e interpretados, muito menos a repercussão que os mesmos poderão ter em outros meios diferentes dos quais estamos acostumados. No entanto, nossa intenção de fundo é compartilhar com um público mais amplo, com destinatários não-identificados, aquilo que, por um certo tempo, foi objeto de investigação restrita por quem tem paixão pelo pensamento filosófico.
O ato de escrever um texto é, antes de tudo, um longo processo de organização do pensamento, de intensa leitura, investigação, disciplina, método e determinação. Escrever é por no papel um pensamento próprio, auxiliado por diversos autores (“amigos” do passado ou presente) que contribuem com seu pensamento sistematizado em forma de escrita.
Conforme o dizer do filósofo alemão Arthur Shopenhauer, em seu livro A arte de escrever, “uma grande quantidade de conhecimentos, quando não foi elaborada por um pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada”. É por isso que a escrita bem elaborada que constrói amizade requer um rigoroso processo de investigação, sistematização e elaboração que não se restringem ao simples domínio de técnicas artificiais de elaboração textual, mas se projeta na primorosa comunicação dialógica com a realidade e com a tradição. Escrevemos porque almejamos compartilhar nossas ideias com amigos não identificados do presente e do futuro.
A escrita cuidadosa que constrói laços de amizade se opõe radicalmente as fakes, tão comuns em nossos dias.
Geralmente quem dissemina e compartilha fakes não está preocupado em construir relações de amizade, não quer compartilhar algo construtivo que promove o bem querer, o conhecimento, a verdade, a informação validada; ao contrário deseja construir a desavença, o ódio, a mentira, a falsidade, a destruição. Promove um conjunto de informações falsas, perversamente elaboradas para destilar o veneno do preconceito, do machismo, do racismo, da xenofobia e todas as formas de maldade que tanto mal fizeram a humanidade e continuam produzindo a violência e a destruição dos laços humanos.
A circulação de fakes nas redes sociais, as distintas formas de fanatismo (religioso, político, ideológico) e o negacionismo da ciência são atitudes de pessoas e de grupos perversos que adotaram a banalidade do mal como forma de vida e acreditam que suas convicções patológicas são mais importantes que vidas humanas. Nesse sentido, é importante dizer que a escrita de bons textos, a socialização de tais escritos pode se tornar um poderoso antídoto para neutralizar a banalidade do mal que tomou conta do cenário atual.
Escrevo também para me fazer nesse mundo. Pra marcar e reler minhas palavras na minha mente ou em qualquer papel e, mais uma vez, me ver. Me ver porque nem sempre fui vista como queria. E isso é algo incômodo ainda pra mim: tentar compreender esse espelho com que insistem em ver aqueles que não queremos que pareçam com a gente. (Helena Schimitz) Leia mais: https://www.neipies.com/escrever-para-que-em/
Faça com que as crianças reflitam sobre clima e natureza e levantem questões críticas, de posicionamento favorável a proteção do meio ambiente e com mais rigor a quem prejudica a natureza. Crie uma cartilha de boas práticas junto a natureza.
O poeta Mário Quintana já dizia “A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.” Sim, falo dessa vida que está dentro de um cosmo maior que está dentro de um outro cosmo bem maior e assim vamos entrando cosmo adentro porque não existe apenas a unicidade, mas a duplicidade apesar de que cada um tem a sua subjetividade e a sua essência.
Vivemos numa realidade que pode ser quebrada em pedacinhos e nos parecer, de repente, muitas. Ilusão? Senso comum? Isso não é ciência? Eu não sei. Há anos brinco de fazer ciência dentro do meu quarto através da poesia que o mundo me oferece.
A vida é essa porção de coisas que a natureza nos presenteia todos os dias, só não sabemos o que fazer com ela. Muitos nada fazem com a vida, apenas a deixam passar e alguns outros a maltratam. A vida é a natureza, as florestas, os animais, eu, você…. sim, você, que se deixa ser maltratado pela estupidez de pessoas que pensam saber mais sobre você do que você mesmo.
Costumo pensar no clima como sendo esse dever de casa que não estamos sabendo fazê-lo, melhor ainda, nem por onde começarmos. Acredito que precisamos rever a lição. Esse clima que a gente nunca sabe como vai se apresentar amanhã. Ora, chove, ora não. Nunca sabemos direito em que estação do ano estamos porque na verdade esta que está aí e a que os meteorologistas costumam dizer cronologicamente em qual delas estamos, mas isso não é mais assim em algumas partes do país. Sempre foi assim no nordeste brasileiro.
Nunca o sertanejo soube o que era o inverno. Castigado pela seca vive até hoje sem saber o que é o frio e vendo suas vaquinhas e plantações de feijão e milho morrerem de sede. A seca castiga o sertanejo, mas ele resiste. Ele é um exemplo para todos nós diante do dilema do problema do clima no mundo inteiro.
O sertanejo pode ser o nosso professor para nos ensinar como lidar com esse clima incerto que vivemos ao redor do mundo.
As notícias sobre o efeito estufa, aquecimento global e o problema do nosso clima estão por todos os lugares e as crianças têm contato com elas. Assim como nós elas ficam apreensivas e precisam saber como lidar com tudo isso. O que fazer para se proteger desse tempo louco que está lá fora? Ora chove, ora faz sol. Não se sabe bem se deve levar sempre o guarda-chuva na mochila ou se o dia será inteiro de sol. Também não se sabe quando o sol faz tanto mal para a pele e quando ele é bom para nos ajudar a adquirimos vitamina D.
A forma como nós professores, pais e responsáveis por crianças lidamos com essas informações vai ajudar as crianças, o certo é de que não devemos esconder nada delas. Claro que não vamos causar-lhes pânico, mas deixá-las informadas a respeito do que está verdadeiramente acontecendo com o meio ambiente.
Em “Vidas secas” romance publicado em 1938 por Graciliano Ramos, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. Se não tomarmos cuidado com o problema do clima, estaremos próximos de ver muitas famílias se deslocando de várias regiões do Brasil para outras porque não podem mais sobreviver com o comportamento estranho do clima.
Há regiões castigadas com a falta de chuvas no país, são elas: sul, sudeste e centro-oeste. O sertanejo não está mais sozinho com a falta de chuvas. Nessas regiões, a plantação de manga, laranja e outras frutas além da pecuária estão sofrendo a consequência do clima que parece ter ficado estranho de uma hora para outra. Já não chove mais nessas regiões há meses. E o homem do campo vem sofrendo as consequências perdendo os seus animais e as suas plantações.
Sempre morei na região nordeste, mas como vivo no litoral nunca senti a falta de chuva intensamente. No entanto, nos dias de chuva na minha infância a gente corria para tomar banho nas bicas das casas dos vizinhos. Quando a chuva vinha mesmo morando num local onde a chuva não custa a vir, a gente se sentia muito feliz. Criança combina com chuva e eu não sei explicar o motivo. Quando chovia a gente fazia uma festa correndo pra lá e pra cá cheios de alegrias. Eu me lembro bem de uma musiquinha que a minha professora cantava pra gente no jardim de infância “Cai chuva / Cai lá do céu / Cai chuva / No meu chapéu /” não sei de quem é a autoria da letra, mas sempre gostei dela. A gente cantava essa musiquinha para chamar a chuva porque a professora assim como todos nós a amávamos.
Aqui no local onde moro faz tempo que o clima anda estranho por demais. Antigamente, quando eu era criança, na estação do inverno mais ou menos nos meses de junho e agosto a gente não precisava ligar o ar condicionado ou o ventilador. Eu me lembro bem que ficava de meias e pijama dentro de casa coberta dos pés a cabeça. E de que também nesta época do ano passava uns dois a três dias chovendo.
Hoje já não é mais assim. Quando muito chove é uma manhã inteira e já não sinto mais frio, ao contrário, para dormir necessito ligar o ar condicionado. No inverno as pessoas vão à praia por aqui e não reclamam de frio. Até mesmo nas cidades que ficam nas regiões serranas onde o frio chegava à casa dos seis graus no inverno a gente já não sente mais tanto frio assim e chove pouco nesses locais. O clima está diferente e acho que sei alguns motivos dessa mudança que tentarei mostrar para vocês para que juntos possamos buscar uma solução.
Temos percebido que o efeito estufa mecanismo que ocorre com a ação de gases que retêm calor na atmosfera do planeta tem aumentado com a emissão desses gases nos últimos anos. O dióxido de carbono é responsável por 60% do efeito estufa, cuja permanência na atmosfera é de centenas de anos. O dióxido de carbono é proveniente da queima de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo, gás natural), queimadas e desmatamentos, que destroem reservatórios naturais e sumidouros, que tem a propriedade de absorver o CO2 do ar. Isso significa que quanto mais veículos saírem todos os dias das garagens para as ruas das cidades grandes mais poluentes teremos no ar, assim como quanto mais queimarmos e desmatarmos as nossas florestas também.
Precisamos nos educar de forma consciente com os problemas que estamos causando no meio ambiente. Isso é coisa séria.
O aquecimento global é o aumento da temperatura média do planeta por causa da emissão desenfreada desses gases. São muitos poluentes: fábricas, veículos, transportes urbanos, queimadas e etc. O óxido nitroso também é responsável em 6% pelo efeito estufa. A concentração deste gás teve um enorme aumento devido ao uso de fertilizantes químicos, à queima de biomassa, ao desmatamento e às emissões de combustíveis fósseis. Antigamente, o agricultor usava fertilizante natural nas suas plantações. O estrume feito do cocô da vaca era um dos preferidos pelos agricultores, mas hoje tudo tem que ser químico, tudo tem que ser industrializado. Estamos desmatando as nossas florestas para criarmos gado ou vendermos a nossa madeira para as grandes indústrias. Os madeireiros não se preocupam com o reflorestamento.
A Amazônia está cada vez mais sendo destruída. Já não temos mais tantas áreas verdes nas nossas cidades o quanto antes. Ruas arborizadas têm as suas casas com valores altíssimos porque os empresários sabem o valor de uma árvore. Outros empresários preferem derrubar florestas para construírem edifícios. Participei outro dia de uma manifestação na minha cidade para não derrubarem uma árvore que tem no meio da rua e estava impedindo de os veículos passarem por ela. O homem quer destruir tudo. Nossa! Chega causa medo tanta destruição!
Outro gás responsável por 20% do efeito estufa, os clorofluorcarbonos são utilizados em geladeiras, aparelhos de ar condicionado, isolamento térmico e espumas, como propelentes de aerossóis, além de outros usos comerciais e industriais. Como se sabe, esses gases reagem com o ozônio na estratosfera, decompondo-o e reduzindo, assim, a camada de ozônio que protege a vida na Terra dos nocivos raios ultravioletas. É por isso que devemos ter cuidado ao nos expor ao sol, pois os raios ultravioletas podem deixar queimaduras sérias nas nossas peles. Devemos comprar equipamentos eletrônicos que tenham selos ecológicos. Quanto menos malefícios causarem ao meio ambiente melhor será para todos nós. Não é uma preocupação de apenas um ou dois cidadãos, é uma preocupação de todos indivíduos.
Afinal, o clima está estranho por nossa causa. Somos nós os responsáveis pela falta de chuva no centro-oeste onde o agricultor está vendo as suas plantações morrerem sem água para irrigação como deveria.
O vapor d’água encontrado na atmosfera também absorve parte da radiação emanada pela terra e é um dos maiores contribuintes para o aquecimento natural do globo. Apesar de não ser produzido em quantidade significativa por atividades antrópicas, considera-se que, com mais calor, haverá mais evaporação d’água e, por conseguinte, um aumento de sua participação no aumento do efeito estufa. Estamos vivendo um aquecimento global grande consequência da nossa falta de educação para com o meio ambiente. Em cada rua que passo, em cada casa onde vou, em cada shopping onde chego, não vejo mais árvores ou plantas. Tudo é concreto.
Estamos sentindo o clima aumentar a cada ano, pouco, mas já é um pouco que tem atingido as calotas da Antárctica e da Groenlândia. Elas têm derretido e os nossos pinguins estão ameaçados de ficarem sem os seus habitats, morrendo muitos dos seus filhotes.
O derretimento das calotas polares afetará ainda mais o clima. Os seus derretimentos trarão consequências que vão muito além do aumento do nível médio do mar. Também serão afetados a circulação dos oceanos, a temperatura da água do mar e do ar nos continentes. Evidências mostram que a perda de massa das calotas polares da Antártica e da Groenlândia, bem como das geleiras continentais, está acelerando em resposta ao avanço do aquecimento global. No filme “Happy Feet” que há um pinguim que não sabe cantar, mas sabe dançar, e muito talvez não seja mais possível para as crianças daqui há alguns anos compreender como era a vida desses pinguins porque não teremos mais geleiras no mundo. Logo, o filme não fará mais sentido algum às crianças.
Precisamos ter cuidado com o aquecimento global. Não desmatarmos ou queimarmos as florestas, evitarmos o consumo de eletrodomésticos prejudiciais a natureza e se possível deixarmos nossos carros nas garagens duas a três vezes na semana. Se cada um de nós fizermos a nossa parte estaremos contribuindo para um mundo melhor.
Antes de conversamos com as crianças sobre o problema do clima ao redor do mundo precisamos que elas se sintam confortáveis onde estão e que tenham confiança naquilo que vamos lhes dizer. Então, precisamos estar preparados para o caso de a criança trazer o assunto para a sala de aula ou para a mesa do jantar. Provoque uma conversa sempre com questões que ela possa refletir e ter a sua própria opinião, não apresente a sua se não for preciso. Deixe que a criança crie a sua realidade. Tão importante quanto conversar com as crianças sobre o problema do clima é acolhê-la e dizer que sempre haverá uma solução para tudo, por isso devemos juntos procurarmos essa solução.
Cada um de nós pode agir do nosso jeito, seja votando num candidato que se preocupe com o meio ambiente, seja nas nossas profissões, seja plantando uma árvore no quintal de casa. Há sempre algo que podemos fazer para contribuir com que o problema do clima seja resolvido.
Para ajudarmos as crianças a aprenderem o motivo do problema do clima no mundo inteiro uma primeira coisa que devemos fazer é pedir para que elas pesquisem sobre as quatro estações do ano e em que lugares do Brasil essas estações ainda são bem definidas. Também devemos pedir às crianças para pesquisarem as causas de falta de chuva no nordeste brasileiro e como poderíamos resolver o problema da falta de água para o sertanejo.
As crianças sabem como ninguém dar ideias, inventar coisas novas, e sugerir novas alternativas aos problemas que lhes são colocados. Elas sentem-se incentivadas e motivadas a resolverem problemas complexos. Gostam quando discutimos com elas coisas que acham serem somente de adultos, isso as fazem sentir mais responsáveis.
Uma outra alternativa é levar as crianças para um passeio ao ar livre. Mostrar para elas como a natureza se apresenta, falar de como está o tempo naquele momento, perguntar para elas o que acham do clima da cidade. Fazer com que falem como se sentem com o calor, o frio, a falta de chuvas ou o seu excesso. Discuta com as crianças sobre o efeito estufa mostrando vídeos e gravuras. Fale também sobre os gases que geram esse efeito. Traga para a sala de aula um profissional que possa explorar mais esse assunto através de uma palestra educativa.
Peça para as crianças desenharem sobre a chuva, a neve, o calor. Aquelas crianças que nunca viram a neve para que desenhem como a imaginam e aquelas crianças que sofrem com o calor como eles aproveitam o dia de sol.
Também é importante mostrar às crianças que o problema do clima faz ocorrer enchentes, incêndios e secas. Cada um desses problemas deve ser bem abordado com vídeos e filmes capazes de explorar o pensamento da criança para uma reflexão sobre o que podemos fazer para controlar tudo isso. Quando chove nas grandes cidades temos muitas enchentes, isso porque às vezes passa anos sem chover e quando a chuva vem as cidades não estão preparadas para recebê-las. Tem chuvas que duram pouco tempo, mas fazem um grande estrago nas cidades grandes derrubando casas e deixando dezenas de pessoas desabrigadas. Tem lugares que nunca chove como é o caso de algumas regiões do Brasil que estão passando por problemas terríveis de seca.
Também pode ser explorada a questão do aumento na conta de energia elétrica porque as nossas usinas hidrelétricas estão sofrendo também com a falta de chuvas. Os incêndios que surgem nas diversas florestas ao redor do mundo devido a mata seca e que acabam destruindo plantas e matando animais indefesos. Tudo isso é motivo preocupante e que as crianças precisam saber como proteger a natureza.
Conversem, professores, com as crianças sobre o tempo, de repente está quente e começa a chover do nada. Essa chuva que cai junto com um sol forte. Tem um ditado popular que diz que quando isso ocorre é porque é casamento de raposa chuva com sol. Uma raposa está se casando naquele exato momento. Traga para a sala de aula poemas sobre o clima, o tempo, o efeito estufa e o aquecimento global. Sei que temos poucos, mas há bons poemas sobre esses temas.
Procurem fazer com que as crianças reflitam sobre esses assuntos e possam levantar questões críticas de posicionamento favorável a proteção do meio ambiente com mais rigor a quem prejudica a natureza. Criem uma cartilha de boas práticas junto a natureza. Passe filmes e vídeos sobre a natureza e lugares onde o clima está sendo afetado pela falta de educação ambiental do homem.
Assim como dizia o poeta português Fernando Pessoa nos seus versos “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” Que cada um de nós possamos fazer do tempo das nossas crianças momentos maravilhosos seja na chuva seja no sol. Que elas possam desfrutar de momentos intensos brincando com a chuva ou fazendo um castelo de areia na praia diante do sol.
As coisas não precisam durar séculos para terem valor, mas apenas um instante. Os meus momentos de infância onde eu corria pra lá e pra cá tomando banho de chuva serão inesquecíveis para mim.
Agora me peguei pensando que vez ou outra alguém me liga para perguntar se na minha casa está chovendo e quando digo que não a pessoa do outro lado diz que na sua casa sim, chove. A pessoa mora num bairro próximo do meu e ainda assim chove lá e não chove cá. Para ver como a natureza é bela e tem as suas peraltices.
E para finalizar o nosso ensaio desta semana eu trago para vocês os versos do poema “A chuva” de Arnaldo Antunes que diz o seguinte “A chuva derrubou as pontes. / A chuva transbordou os rios. / A chuva molhou os transeuntes. / A chuva encharcou as praças. / A chuva enferrujou as máquinas. / A chuva enfureceu as marés. / A chuva e seu cheiro de terra. / A chuva com sua cabeleira. / A chuva esburacou as pedras. / A chuva alagou a favela. / A chuva de canivetes. / A chuva enxugou a sede. / A chuva anoiteceu de tarde.” Que vocês possam ter tardes anoitecidas pela chuva todos os dias.
Assista aqui: A chuva | Edi Fonseca lê o poema de Arnaldo Antunes
Entrave que se coloca às mulheres que desejam ocupar espaços de poder e decisão é a violência política de gênero. Isso significa que, para além das barreiras históricas para se eleger, quando as mulheres chegam ao poder elas ainda enfrentam muitas dificuldades para manter os cargos conquistados – simplesmente por serem mulheres.
Minhas amigas e meus amigos, é um prazer dispor de mais esse espaço para conversar com todas e todos vocês. E hoje, para inaugurar nossa coluna, gostaria de tratar de um assunto muito importante, que impacta diretamente na democracia: a violência política contra a mulher. Você sabe o que essa forma de violência representa e como ela se manifesta diariamente? Vamos entender, juntas e juntos.
De acordo com o levantamento realizado pela organização Terra de Direitos e Justiça Global, as mulheres representam aproximadamente 13% dos cargos eletivos de todas as esferas políticas do Brasil (municipal, estadual e federal). Entre os fatores de desigualdade que afetam a participação política das mulheres, estão questões já bastante debatidas como a divisão sexual do trabalho, que impõe exclusivamente à mulher a responsabilidade pelo trabalho doméstico e pelo cuidado com os filhos e a família – fator que gera duplas e até triplas jornadas e impacta diretamente na participação feminina em diversos espaços sociais, sendo um deles o espaço da política.
Além disso, outro entrave que se coloca às mulheres que desejam ocupar espaços de poder e decisão é a violência política de gênero. Isso significa que, para além das barreiras históricas para se eleger, quando as mulheres chegam ao poder elas ainda enfrentam muitas dificuldades para manter os cargos conquistados – simplesmente por serem mulheres.
A violência política contra a mulher ou violência política de gênero pode ser definida, segundo a organização Terra de Direitos e Justiça Global, como atos físicos, de intimidação psicológica e/ou discriminatórios, agressões, disseminação de discursos de ódio e conteúdo ofensivo contra mulheres eleitas, candidatas, pré-candidatas ou designadas para exercer papel de representação pública e/ou política, com o objetivo de suspender, interromper, restringir, ou desestabilizar seu exercício livre e pleno de representação e participação política.
Essa forma de violência, acontece, na maioria dos casos, não em forma de agressão física, mas como ameaças, intimidação psicológica, humilhações e ofensas. Talvez seja por isso que as discussões sobre a violência política de gênero demoraram tanto tempo para fazer parte do debate público, ainda que as mulheres que ocupam espaços de poder já denunciem essa prática há muito tempo.
No Brasil, assim como em países por todo o globo, segundo a professora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Flávia Biroli, há muitas vítimas emblemáticas da violência política de gênero.
As maiores representantes desse fenômeno são as mulheres eleitas do campo de esquerda: Dilma Rousseff, a primeira presidenta do Brasil, vítima do golpe de 2016 e alvo de agressões de cunho machista durante o processo que a destituiu do cargo. Lembram do adesivo de carro no qual Dilma é ilustrada de pernas abertas para a mangueira de abastecimento do posto ser introduzida? Esse é um caso escancarado de misoginia e violência política de gênero.
Outros casos muito evidentes de violência política de gênero foram os vivenciados por Marielle Franco, vereadora assassinada com quatro tiros na cabeça em março de 2018, no Rio de Janeiro; pela deputada federal Maria do Rosário – que ouviu em 2014 do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), então deputado, que não merecia ser estuprada “porque é feia”.
Além delas, outra situação ainda mais recente foi o episódio de assédio sexual dentro da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em dezembro de 2020, quando a deputada Isa Penna foi assediada sexualmente por outro deputado durante uma sessão da Casa Legislativa.
Todos esses casos deixam evidente que o aumento da participação e representação política de mulheres é acompanhado por um aumento sistemático de violência contra elas. Para lidar com esse problema, em primeiro lugar, é preciso notar que mulheres ainda são minoria na disputa e à frente de cargos públicos e entender a violência política baseada em gênero como mais um mecanismo de exclusão da mulher dos espaços de poder, que merece especial atenção.
Um avanço significativo nesse sentido é a Lei Nº 14.192, sancionada no início do mês de agosto desse ano, que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater essa forma de violência. Entre outros pontos, a normativa estabelece que a pena para quem comete violência política de gênero é reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. Essa pena aumenta em ⅓ (um terço) se o crime for cometido contra mulheres gestantes, maiores de 60 anos ou com deficiência.
Todas as mulheres que estão na política, infelizmente, sofrem preconceito durante o exercício de suas prerrogativas constitucionais, ainda que ocupem esses espaços como representantes do povo que as elegeu. Isso ocorre porque o espaço político é estruturado com foco nos homens, como se apenas eles fossem capazes ou devessem ocupá-lo. Não podemos permitir.
Na última quarta-feira (15), comemoramos o Dia Internacional da Democracia. A data nos impele a fazer uma afirmação: as mulheres representam mais de 52% do eleitorado brasileiro e, portanto, é mais do que legítimo que elas ocupem os espaços de poder e decisão. Violentar politicamente uma mulher eleita ou candidata é violar a democracia.
Se você, assim como eu, já ficou interessado num serviço oferecido pelas redes sociais, antes de se deixar levar pelo feed bonito, pela “boa lábia” do profissional, pelo seu número de seguidores, pelos famosos que ele atende e pela sua agenda cheia, procure saber sobre a formação deste profissional e sobre o seu histórico. Seguidores dá para comprar, conhecimento não!
Os programas infantis geralmente não são educativos. Atualmente, além de vender produtos, eles estão obcecados em conseguir seguidores nas redes sociais e muitos deles repetem inúmeras vezes palavras como “quero ser famoso”, “é divertido” e “dá um like e me segue lá no Facebook/Instagram”.
A música de abertura do desenho “Ilha dos Desafios” diz: “Essa é a vida que eu escolhi/ Eu ralo muito, mas já venci/ Faço tudo, vou arrebentar/ Um dia eu chego lá/ Por que eu quero ser famoso”.
Não é por acaso que o sonho das crianças de hoje é ser Youtuber famoso – a “profissão do futuro”. Existem até escolas dando cursos de como ser um Youtuber famoso para crianças do ensino fundamental. Ou seja, a mensagem que está sendo passada é de que no futuro não será importante ter pessoas competentes atuando nas áreas de educação, saúde, ciências sociais, exatas, etc.
Poderíamos pensar que tudo isto é coisa de crianças e, quando elas crescerem, vão ver que a fama não é tudo. Na verdade, para muitos adultos, ela é tudo sim! E qual o problema em querer ser famoso? Nenhum! Algumas pessoas conseguiram milhões de seguidores no Instagram e se tornaram famosos por se destacaram no Big Brother, assim como tem os que se destacam fazendo divulgação científica, tornando a ciência acessível para todos.
Usar as redes sociais para divulgar o seu trabalho e suas propostas foi uma democratização da informação, que no passado era feita apenas pelos rádios, jornais e TV.
Me chamou a atenção que alguns médicos estão fazendo ótimos stories explicativos sobre saúde, dando dicas e, ao final, convidam para seguí-los e oferecem seus serviços.
Eu fiquei interessado e liguei para um médico Youtuber e descobri que a consulta custa R$1.600,00, retorno a R$800,00 e que para uma consulta online a espera era de 6 meses. Pesquisei mais um pouco e vi que o mesmo médico fala sobre problemas do dedão do pé até a ponta dos cabelos, um especialista em tudo.
Li no Instagram o post “Médico que faz residência é pq não se garante no Instagram”, onde a Dra. Camila Perazzoli critica este e o anúncio que diz: “Seu conhecimento não importa, o que importa é a forma com que você se comunica. Faça meu curso e atenda somente pacientes particulares pro resto da sua vida”. Ela salienta que se um procedimento médico der errado, não dá para voltar para o hospital e pedir o dinheiro de volta, como se faz ao devolver um eletrodoméstico.
Portanto, se você, assim como eu, já ficou interessado num serviço oferecido pelas redes sociais, antes de se deixar levar pelo feed bonito, pela “boa lábia” do profissional, pelo seu número de seguidores, pelos famosos que ele atende e pela sua agenda cheia, procure saber sobre a formação deste profissional e sobre o seu histórico.