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Xô depressão!!!

O aumento expressivo na procura por medicamentos ou por psicoterapias também caracterizaram este período recente, uma vez que crises de ansiedade, stress, depressão atingiram a muito mais pessoas e obrigando-as a que buscassem ajuda.

“Já perdi a fome, a vontade de viver
Já perdi o mundo e um motivo pra morrer
Não é a tristeza que me mata
Nem a alegria que me faz viver
É apenas um vazio… (Um vazio)
que me deixa assim.
Longe de todos e até de mim.” (Mary Rowsten)

Quando o tema é depressão, tem sido uma constante nos resultados de pesquisas na área da saúde a constatação do aumento da incidência de casos: a cada levantamento os dados apontam que mais e mais pessoas são acometidas por este mal. Só que, desta vez, chama a atenção o fato de que o aumento se deu em todas as faixas etárias; depressão não é só mais uma doença típica de adultos mais velhos ou de idosos, há também uma expressiva elevação de casos na faixa etária dos 18 aos 34 anos de idade.

A Pesquisa Nacional de Saúde traz dados antes e pós pandemia, e, muito embora a depressão tenha sua origem multifatorial, não há dúvidas de que o Covid-19 contribuiu para o aumento do número de casos.

Durante a pandemia, inicialmente, havia o medo de morte ante a indisponibilidade de atendimento médico a quem necessitasse, depois, vieram as ocorrências das mortes de familiares e de amigos, as perdas econômicas com o desemprego e/ou diminuição da renda e outras tantas mazelas.

O aumento expressivo na procura por medicamentos ou por psicoterapias também caracterizaram este período, uma vez que crises de ansiedade, stress, depressão atingiram a muito mais pessoas e obrigando-as a que buscassem ajuda.

A luz no fim do túnel é a esperança de que, assim como as grandes recessões econômicas ou as guerras que já assolaram a humanidade, o quadro pandêmico vá passar em breve.

Suas marcas deixarão em algumas pessoas cicatrizes profundas pelas perdas que causaram, e, nem mesmo os que passaram incólumes ao vírus estarão livres de suas consequências sociais e econômicas. O que precisamos é ter disposição para seguirmos em frente.

Tenhamos em mente – em contraponto à citação no subtítulo – que o vazio existencial que poderia nos levar a um quadro depressivo pode ser evitado mediante alguns esforços, pois, se preenchermos nossas vidas com atitudes amorosas, de atenção, de escuta, de colaboração, não estaremos sozinhos nesta caminhada. Alie-se a isso uma reflexão sobre os erros que cometemos e o que poderíamos fazer para repará-los e teremos ótimos ingredientes para superarmos esta reta final de pandemia.

Assista: A médica psiquiatra Dra Ana Beatriz Barbosa Silva fala sobre depressão no programa Sem Censura. Depressão é tema do livro “Mentes Depressivas: as três dimensões da doença do século”, de sua autoria. Programa: Sem Censura – TV Brasil. https://youtu.be/xxzY1CrgjGU?t=458

Autor: César A R de Oliveira

Psicólogo: whats app (54) 99981 6455. https://homemnapsicologia.com.br/

Edição: Alexsandro Rosset

Israel Kujawa: evolução humana e social por meio da educação

Israel Kujawa pauta sua trajetória e inserção social a partir do seu trabalho na educação, como professor da educação básica e do ensino superior, mas sempre associando as mesmas com as preocupações da realidade social na qual toda a sociedade está inserida.

Declara-se um humanista, pregando a necessidade de uma evolução humana e social, através da educação. Como mesmo afirma, “sou um defensor convicto da educação de qualidade, mas não existe educação de qualidade separada do social e do funcionamento institucional”.

Mais recentemente, por acreditar que a solução dos problemas sociais é complexa e precisa de ações políticas e de políticas públicas, Kujawa também desafiou-se a participar mais ativamente da política partidária, concorrendo a uma vaga de vereador na cidade de Passo Fundo, obtendo mais de 500 votos. Através de um sistema de rodízio do seu partido, o PT (Partido dos Trabalhadores), junto aos três suplentes de maior representatividade e votação, o PT (Partido dos Trabalhadores), assumiu a vereança por um mês, em junho de 2022. A vereadora eleita pelo PT na cidade é Eva Valéria Lorenzato.

Há pouco tempo atrás, construiu também seu canal no Yotube (https://www.youtube.com/channel/UCMQoomGetU04CXmolQjkjvA) para produzir conhecimentos que promovam a evolução humana e social, através da educação.

Durante este breve período na Câmara de Vereadores de Passo Fundo, Israel Kujawa fez a sua experiência como parlamentar. Nesta entrevista, conheça um pouco mais sobre ele e sobre sua trajetória por ele mesmo.

SITE NEIPIES: Conte-nos, brevemente, um pouco mais de tua trajetória de professor sempre ligada com as questões da realidade social em Passo Fundo.

Professor Israel Kujawa: Minha trajetória como professor tem várias etapas. Quando me formei em filosofia no ano 1992, tive uma certa dificuldade em me seguir na atividade profissional. Em 1995 entrei, via concurso, na rede pública estadual. Antes disso já tive uma experiência nos anos de 1993 e 1994, como professor num curso de graduação em filosofia.

Desde que comecei minha carreira profissional sempre priorizei espaços de estudo, fiz uma primeira especialização em filosofia, uma segunda especialização em linguística aplicada ao ensino da língua estrangeira.

Uma segunda etapa, está associada com experiências de gestão e gestão pedagógica na Educação de Adultos (extinto NEEJA) e uma atividade de assessoria pedagógica em educação popular. O mestrado em educação e a vinculação no ensino superior, como professor num curso de psicologia, representam uma outra etapa importante que me proporcionaram o doutorado e pós doutorado em um ciclo acadêmico que agregou muito na minha trajetória. Paralelamente, no final da década passada e início dessa, acumulei algumas experiências de gestão em secretarias municipais da habitação e do planejamento. Em todas as etapas orientei minha prática pedagógica aproximando e relacionando o individual ou social e o institucional.

SITE NEIPIES: Como e porque a política te cativa e te motiva para as ações cotidianas e de representação social e em defesa da própria educação?

Professor Israel Kujawa: A realização do doutorado em Psicologia Social Institucional me proporcionou um bom entendimento sobre o funcionamento das instituições. Nas minhas experiências e leituras sobre as relações entre os indivíduos e as instituições, aprendi que as instituições funcionam mais para auto perpetuação do que para atender as pessoas. Avalio que essa percepção me deu condições de atuação mais consciente e eficaz nos espaços institucionais. Sou um defensor convicto da educação de qualidade, mas não existe educação de qualidade separada do social e do funcionamento institucional.

SITE NEIPIES: Que importância teve o rodízio que o PT realizou em 2022 com os três suplentes de vereadores assumindo um mês de mandato parlamentar na Câmara de Vereadores de Passo?

Professor Israel Kujawa: O conceito de democracia, construído pelos gregos passou por experiências de evolução significativa. Por outro lado, experimentamos no século 20, amargos retrocessos com as ditaduras, impulsionadas pelo fascismo e materializadas no nazismo e no stalinismo.

A vida nos ensina que não somos nada sozinhos.A ocupação de espaços institucionais decorre de movimentos e atuações coletivas, por isto é justo que os espaços sejam democraticamente compartilhados. Nenhum vereador se elege apenas com seus votos individuais mas com a soma dos votos dos candidatos do seu partido. Deste modo, considero extremamente adequado a rotatividade entre os candidatos mais representativos.

SITE NEIPIES: O seu slogan como candidato à vereador foi: “quem é da educação, sabe seu papel. Esta é a razão pra votar no Israel”. Como traduziu esta ideia na atuação parlamentar neste mês de junho de 2022?

Professor Israel Kujawa: Gosto de me apresentar como um professor que decidiu ocupar os espaços institucionais da política para defender a educação. Ao sermos informados da oportunidade de ocupar a função de vereador por um mês, procuramos nos preparar com uma imersão na rotina regimental e no funcionamento da Câmara de Vereadores. O estudo do funcionamento da Câmara de Vereadores nos apresentou as atuações possíveis, as ações e os espaços prioritários a serem ocupados.

Em sintonia com a nossa trajetória e proposta do movimento iniciado em 2020 orientamos a nossa atuação pela narrativa que associa educação com o básico material como alimentação com habitação e com saúde. Um recorte central foi a cultura e o comportamento dos passofundenses em relação aos resíduos que individualmente produzimos. Os resíduos são fontes de renda e podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida e no atendimento das necessidades básicas de milhares de moradores do nosso município. Esta constatação informando que 150 toneladas de resíduos são produzidos e não reciclados, significa renda desperdiçada.

Conversamos ainda com as lideranças sociais e as instituições ambientais que têm trajetória na educação ambiental. Dialogamos com diversos secretários, educação, habitação, obras e meio ambiente apresentando indicativos concretos para darmos alguns passos na superação dos desperdícios e no atendimento do básico para as pessoas que passam por necessidades.

SITE NEIPIES: Qual foi a importância do reconhecimento ao trabalho social da Cáritas Arquidiocesana de Passo Fundo em Sessão Solene realizada no dia 21 de junho de 2022?

Professor Israel Kujawa: Ao dialogarmos com as cooperativas de recicladores, que fazem um trabalho digno e extremamente significativo do ponto de vista pedagógico e material, percebemos que a Cáritas foi uma das grandes propulsoras destas iniciativas. Como professor, como pai e liderança social, me sinto desafiado a pensar e propor caminhos para a melhoria da qualidade de vida. Com 60 anos de atuação, a Cáritas se apresenta como a principal instituição que atua nesse recorte e apontar caminhos para que os cidadãos conquistem o básico e construam de forma comunitária a melhoria da sua das suas condições de vida.

Confira matéria já publicada no site: https://www.neipies.com/caritas-60-anos-de-trabalho-resistencia-esperanca-e-profecia/

SITE NEIPIES: Quais foram as prioridades e iniciativas neste mandato parlamentar de um mês?

Professor Israel Kujawa: Revisitamos as ocupações e conversamos com lideranças, intermediando demandas das mesmas com o poder público municipal. Revisitamos e intermediamos as demandas das cooperativas de recicladores. Escutamos e nos apropriamos da trajetória de atuação das entidades ambientais e assistenciais do município. Dialogamos com os principais secretários municipais intermediando as demandas recebidas. Apresentamos e aprovamos na Câmara de Vereadores indicativos para que o executivo atualize o Plano Municipal de Gestão dos resíduos sólidos e o Plano Municipal de Educação.

SITE NEIPIES: Na sua visão, por que é importante votarmos em representantes dos professores e professoras no legislativo (Câmaras de Vereadores, Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados)?

Professor Israel Kujawa: Nosso país está afetado por retrocessos no conjunto das políticas públicas voltadas para as camadas sociais com mais necessidade material. Nosso país está afetado por retrocessos nas políticas públicas de educação e na desvalorização dos seus profissionais, as instituições educacionais sofreram um processo de desqualificação. O melhor caminho para nos recuperarmos deste retrocesso passa pela participação na política com ação dos sujeitos, diretamente envolvidos com a temática, não apenas de atores políticos que não tem qualificação nem vivência na educação.

SITE NEIPIES: Qual é a importância de tua pré-candidatura a deputado federal para a cidade de Passo Fundo e para toda a nossa região?

Professor Israel Kujawa: A democracia do nosso país está fragilizada. O aperfeiçoamento da mesma passa por uma evolução na representatividade. A crise de lideranças qualificadas, com vínculo social regional compromete a representatividade e a democracia. A nossa trajetória com mais de três décadas de atuação social e educacional, em dezenas de escolas de educação básica e ensino superior nos credencia como uma opção para qualificar a representatividade regional.

SITE NEIPIES: Que mensagem deixas a todos os cidadãos e cidadãs da cidade de Passo Fundo e de toda região?

Professor Israel Kujawa: Me apresento como uma pessoa orientada pela esperança, pelo otimismo e pelo entusiasmo. Estou certo que nosso poder individual de mudança das condições materiais é pequeno. Estou certo, também, que o social não é natural, mas construído pela ação humana. Disponibilizo, para o conjunto da comunidade regional, uma trajetória que protagonizou movimentos com construções sociais, institucionais e comunitárias. Aproveito o espaço para sugerir que você, leitor ou leitora desta matéria, se engaje em nosso movimento ou em movimento para qualificar a representatividade política, contribuindo para a evolução humana e social por meio da educação.

Edição: Alexsandro Rosset

A lenda da mãe preta: resgate de uma Passo Fundo viva

Baseada na cultura dos povos nativos e envolvendo aspectos históricos, ambientais e até mesmo místicos, a história narra a saga de uma mãe desconsolada pela fuga de seu filho e de como a sua dor se transforma em vida, gerando uma fonte de água.

Resgatar, recontar, relembrar. É com esse intento que nasceu o projeto A lenda da mãe preta: resgate de uma Passo Fundo viva, pelo escritor e contador de histórias Gabito. A ideia surgiu de um outro projeto, intitulado Conta Gaúcho, que está levando a escolas municipais contações de histórias e exposição de artes visuais com temática regionalista. Como a lenda da mãe preta está no repertório dessas apresentações, vislumbrou-se a possibilidade de publicá-la em livro. Desafio proposto, desafio cumprido.

Considerada a narrativa popular mais conhecida e significativa de Passo Fundo, a lenda da mãe preta é considerada um patrimônio local. Baseada na cultura dos povos nativos e envolvendo aspectos históricos, ambientais e até mesmo místicos, a história narra a saga de uma mãe desconsolada pela fuga de seu filho e de como a sua dor se transforma em vida, gerando uma fonte de água. Tão significativa é a sua presença no folclore passo-fundense, que foi edificada uma praça em sua homenagem.

Nesse sentido, no ano de 2021, o projeto de Gabito foi contemplado com recursos do 6º Prêmio Funcultura, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, tornando possível a publicação do livro.

O processo de edição da obra contou com um competente time, tendo a artista Gabrielly Paz nas ilustrações, a professora Daniela Bettin na revisão, a designer Aline Fochi na diagramação e a impressão dos livros ficou a cargo da Editora Berthier. A tiragem terá sua distribuição dividida em duas partes: metade dos livros será entregue gratuitamente em escolas municipais, a fim de fomentar o conhecimento sobre a própria identidade cultural nos espaços educacionais e a outra metade está sendo comercializada ao público em geral.

No último dia 25/06 ocorreu o lançamento do livro A lenda da mãe preta, na Delta Livraria do Passo Fundo Shopping. Reunindo amigos e outros leitores, o escritor Gabito conversou com o público sobre o processo de criação da obra, contou histórias e deu autógrafos.

Contando com a participação da ilustradora Gabrielly Paz e da musicista Luiza S. Gomide, que abrilhantou o evento com uma apresentação ao violino, o lançamento proporcionou uma tarde de emoção e confraternização entre apaixonados pela literatura. O evento foi a primeira iniciativa de divulgação do livro e do projeto.

Durante o ano de 2022 serão realizadas outras ações desse cunho, em parceria com as mais variadas instituições, com o objetivo de tornar possível o resgate e a valorização do folclore de Passo Fundo.

Quem deseja adquirir exemplares do livro pode entrar diretamente em contato com o autor Gabito, pelo número (54) 9 8127 2895 ou @gabito.prof (Instagram), ou comprá-lo diretamente na Delta Livraria do Passo Fundo Shopping.

Curiosidades sobre os monumentos das duas mães de Passo Fundo: Assista: https://youtu.be/O7m4FSBp_sw?t=108

Fotos da Praça da Mãe Preta: obtidas do vídeo Nexjor UPF: https://youtu.be/O7m4FSBp_sw?t=91

Imagens lançamento do Livro: Divulgação/ Arquivo pessoal do autor

Edição: Alexsandro Rosset

Ideologia de gênero: ameaça ou falácia?

Com a proximidade das eleições, candidatos desprovidos de qualquer programa de governo que vise o bem-estar da população recorrem a expedientes nada louváveis para atrair votos.

Dentre os expedientes utilizados, estão as pautas de costume que abordam desde assuntos relativos à sexualidade, passando pelo aborto e pelas drogas. Sem dúvida, o mais usado para aterrorizar as pessoas e convencê-las a confiar-lhes seus votos está a tal “ideologia de gênero.”

Pastores transformados em cabos eleitorais vociferam de seus púlpitos, anunciando a sórdida tentativa dos partidos de esquerda em sexualizar nossas crianças, com a intenção de transforma-las em gays, e assim, destruir as famílias, impedindo-as de se perpetuar. Por mais absurda que seja esta argumentação estapafúrdia, ela tem sido a locomotiva de boa parte da propaganda de candidaturas comprometidas com políticas que visam a supressão de direitos da classe trabalhadora e de direitos civis de minorias historicamente oprimidas.

Não existe esta tal “ideologia de gênero”, e sim uma educação que aborda questões relativas à sexualidade com o objetivo de prevenir o abuso infantil e a disseminação de preconceitos.

Longe de ser uma doutrinação visando converter as crianças à homossexualidade (como se isso fosse possível!), a educação para a diversidade tem como objetivo criar condições favoráveis no ambiente escolar para que professores e alunos possam aprender e ensinar o convívio com as diferenças, combatendo assim a discriminação, o preconceito, a violência de gênero (contra a mulher, o homossexual e o transexual).

A escola deve prover um espaço aberto à reflexão e ao acolhimento dos alunos em sua individualidade, garantindo-lhes a liberdade de expressão. Para tal, deve-se fomentar debates mais aprofundados sobre as questões de gênero e sexualidade, com disciplinas que tratem especificamente do tema.

Os pais devem ficar despreocupados. Nenhum filho hétero vai voltar para casa homossexual. Mas certamente vai enxergar seus colegas homossexuais sem as lentes do preconceito que, infelizmente, muitas vezes receberam na educação provida em seu próprio lar.

O ambiente escolar costuma ser cruel com os diferentes. Por isso, acredito que cabe aos professores trabalhar para atenuar este tipo de comportamento.

Tempos atrás, um menino de apenas doze anos, colega de algumas crianças que frequentavam nossa igreja, suicidou-se tomando chumbinho e sufocando-se com um saco plástico, por não suportar o bullying sofrido na escola. Não se trata de um caso isolado, mas de um fato cada vez mais frequente, apesar de nem sempre ter a devida cobertura midiática.

Raramente os pais tomam conhecimento do que acontece na escola. E às vezes, mesmo sabendo, não tomam qualquer providência, seja por sentirem-se impotentes, ou simplesmente por não se importarem. Por estas e outras, sou 100% a favor da proposta da educação para a diversidade. Não se trata de ‘ideologia de gênero’, mas de educação, e, portanto, deve ser discutido no ambiente escolar.

Outra razão para que as escolas ofereçam educação sexual é a prevenção de abusos sexuais. O abuso sexual de crianças e adolescentes geralmente é cometido por uma pessoa de confiança da vítima, como um parente próximo. Há abuso mesmo quando não se tem o ato sexual consumado. Expor a criança a carícias impróprias ou a pornografia, ou se exibir para ela, também é considerado abuso sexual.

Uma educação sexual escolar que respeite o desenvolvimento físico, psicológico, afetivo, cognitivo e, sobretudo, sexual de uma criança oferece ferramentas para diagnosticar possíveis abusos, incentivando a denúncia com o objetivo de interrompê-los.

A recusa por parte de algumas instituições em abordar o tema que ainda é visto como tabu, ou de denunciar às autoridades casos de violência sexual, tem sido um fator facilitador para os abusadores. Estes deveriam ser os únicos a se sentirem incomodados com a educação sexual das crianças na escola. Está comprovado que a educação promove o adiamento da iniciação sexual, e, consequentemente, previne DST, gravidez indesejada e, por conseguinte, coíbe o aborto.

Os que se opõem a educação sexual nas escolas deveriam considerar que seus filhos estão sendo bombardeados por informações erradas sobre sexo, seja através da televisão, da internet ou de propagandas.

Uma das formas de prevenção é ensinar as crianças com abordagens apropriadas para cada faixa etária, conceitos de autoproteção, consentimento, integridade corporal, sentimentos e a diferença entre toques agradáveis e carinhosos, e toques invasivos, erotizados e desconfortáveis, aumentando as chances de proteger crianças e adolescentes de possíveis violações.

É importante falar, por exemplo, em quais partes do corpo da criança qualquer pessoa pode tocar e em quais partes não podem, mesmo por outras crianças. Por exemplo, tocar na cabeça, no ombro, no braço geralmente não oferece qualquer ameaça. Mas elas precisam entender que outra pessoa não pode tocar em suas partes íntimas, seja adulta ou criança.

É imprescindível que se ensine às crianças a não permitir maior intimidade com determinadas pessoas. E assim, elas se percebem empoderadas, aptas a dizer não e a fugir da situação. Geralmente, abusadores sabem como conquistar as crianças paulatinamente. Em sua ingenuidade, a criança pode permitir o abuso por receio, medo ou por engano.

Os paladinos da moral e dos bons costumes atacam mais uma vez. Segundo eles, é a família tradicional que está sob um acirrado ataque daqueles que almejam destruí-la, impondo à sociedade sua nefasta agenda, cujo objetivo principal seria a implantação de uma espécie de ditadura gay. O que seria, então, uma família ideal? De onde buscaríamos um modelo perfeito? Leia mais: https://www.neipies.com/em-favor-da-familia-qual-a-humana-pode-ser/

Autor: Hermes C. Fernandes

Edição: Alexsandro Rosset

As crianças precisam encontrar as suas próprias respostas

Mais do que ter respostas prontas às crianças precisamos saber como lidar com as suas perguntas. Muitas vezes elas são tão difíceis de serem respondidas por nós que não sabemos nem como orientá-las a procurarem as suas próprias respostas.

No seu belo poema “Cantiga quase de roda” Thiago de Mello nos diz: “na roda do mundo /lá vai o menino. O mundo é tão grande /e os homens tão sós. / De pena, o menino
começa a cantar. / (Cantigas afastam as coisas escuras.)”.

Que as nossas crianças nunca se sintam sozinhas no mundo ou mesmo em si próprias, pois com a companhia dos pais e das pessoas que as amam se sentirão seguras para fazerem perguntas e descobrirem os caminhos das respostas através de um mundo imaginário povoado por elementos que lhes sejam conhecidos ou criados a partir da realidade experienciada.

Toda criança gosta de fazer perguntas, de saber das coisas ao seu redor e até mesmo de si.

As crianças são cheias de dúvidas porque os seus pequenos mundos são muitas vezes incompreensivos e povoados por elementos que elas ainda não conhecem, que foram colocados lá por nós, adultos, que temos a mania de darmos ordens a elas. Sim, parece que as crianças são submissas aos adultos. Têm que fazer tudo o que mandamos, nos obedecer, não questionar as nossas ordens e muito menos reclamar senão se torna chata e birrenta como vemos muitas pessoas grandes dizerem por aí. Criança que pergunta demais incomoda, assusta, espanta, perturba o adulto que não pode perder tempo com bobagens.

Deixamos as nossas crianças a mercê de estranhos nas redes sociais, aos cuidados de pessoas que contratamos para ficarem com elas enquanto trabalhamos ou entregues aos seus professores. Não dedicamos mais tempo para os nossos filhos porque estamos abarrotados de trabalho e precisamos cada vez mais trabalhar e trabalhar.

Já não temos mais tempo para um lazer com as nossas crianças, para escutarmos as suas conversas que são tão bonitas e encantadoras. Estamos apressados para tudo. Temos pressa para o amanhã e estamos sempre atrás de um novo amanhã. Corremos como se fôssemos animais em busca de uma presa que não pode ser perdida, o trabalho.

Como consequência dessa nossa pressa, não podemos perder tempo com as perguntas das nossas crianças e respondemos para elas qualquer coisa que vem às nossas cabeças. Não! Não façamos isso nunca mais!

Deixemos que as nossas crianças descubram as suas próprias respostas.

Façamos como Sócrates fazia com os seus jovens alunos nas praças públicas de Atenas na antiga Grécia, ou seja, deixemos que as crianças descubram novas questões em cima das que elas nos perguntarem. A descoberta de uma resposta por si mesma incentiva a criança na prática da investigação e do pensamento crítico e reflexivo.

Quando a criança descobre as suas próprias respostas ela amadurece no seu pensar, povoa o seu mundo com elementos que serão escolhidos a partir das suas experiências e sente-se à vontade para opinar e fazer escolhas, mesmo as mais difíceis.

A criança que aprende a buscar as suas próprias respostas está sempre pronta para conversar sobre as suas emoções e falar do que sente e do que precisa quando é interrogada ou quando lhe acontece algo do qual não gostou.

Não seja o pai ou a mãe sabe tudo. Espere a criança processar a sua pergunta, experienciar o momento da sua questão consigo mesma, fazer-se silêncio por fora enquanto por dentro uma outra grita e busca a sua própria resposta seja nos seus livros paradidáticos seja nos seus brinquedos ou com o coleguinha.

Você sabe o quanto é maravilhoso descobrir algo com os nossos próprios esforços. Assim também se sente a criança que descobre uma resposta para algo que lhe intrigava.

Mais do que ter respostas prontas às crianças precisamos saber como lidar com as suas perguntas. Muitas vezes elas são tão difíceis de serem respondidas por nós que não sabemos nem como orientá-las a procurarem as suas próprias respostas. Ficamos intrigados, aborrecidos e decepcionados conosco quando não sabemos ajudar as nossas crianças. Mas, isso é o importante no processo que envolve pais, professores, crianças e o mundo de possibilidades das questões que elas trazem dentro de si.

Conforme a psicanalista Elisabeth Roudinesco, a curiosidade deve ser abraçada pelos adultos, pois respondendo às perguntas das crianças, se cria uma relação de transparência e honestidade, e também se estimula a sede por conhecimento. Assista: https://youtu.be/7L2GYaEk83k?t=66

Quando não soubermos dizer as respostas, pelo menos abrirmos caminhos junto com a criança para que possamos descobrir a resposta através de um diálogo intrigante, curioso e lúdico. Que a criança possa descobrir a resposta junto conosco através do seu bem viver consigo e com o mundo ao seu redor brincando e fazendo o que gosta o que sempre virá a ser bom para ela e que possa decidir o que é ser bom para si.

A criança curiosa está sempre atenta a tudo ao seu redor.

Não é que ela esteja se envolvendo com assuntos de adultos, ou esteja crescendo rápido demais. Ela está na sua idade ideal. Tudo nela está em ordem. Ela só apresenta mais curiosidade diante das outras e isso também é normal. Essa criança é mais observadora, mais criteriosa nas suas decisões e escolhas, mais crítica e mais reflexiva quando se trata de tomadas de decisões que vão modificar o seu viver.

Muitos pais e professores pensam que as crianças são bobinhas e tolas. As crianças do mundo contemporâneo não se iludem mais com lobos maus ou branca de neve. Elas com poucos meses de idade estão assistindo televisão e descobrindo que podem gritar além de chorar. São crianças que logo vão começar a crescer e ir atrás de um mundo onde o consumo e as mídias estão cada vez mais sendo atrativos para elas. Os diversos jogos eletrônicos educativos disponíveis nos celulares despertam a criança para questões que antes deles não eram possíveis pensarmos.

Assista: 08 virtudes que você pode ensinar a seus filhos e filhas: https://youtu.be/U4Bf-n5hAXE?t=117

Vivemos uma era em que a tecnologia da informação é a terceira pessoa mais próxima da criança depois dos pais.

Não podemos deixar as nossas crianças sozinhas em lugar nenhum. Além de correrem o risco de se machucarem, ainda podem sofrer violências com estranhos. Precisamos ensinar as nossas crianças a darem respostas para esses estranhos que aparecem nas redes sociais, no caminho da escola ou como pessoas boazinhas, muitas vezes, no seio da própria família.

A criança deve sempre saber a verdade sobre as coisas.

Claro que numa linguagem de fácil acesso, mas nunca sem mentiras. Toda mentira quando é descoberta machuca e pode criar traumas. Ainda existem pais que contam para os seus filhos a história da cegonha e isso é uma mentira que acaba prejudicando a aprendizagem da criança.

Toda história pode ser contada a uma criança desde que se saiba contá-la. Não contaremos é claro histórias de violência ou de crimes bárbaros. Só se ela nos perguntar. Ainda assim trataremos da questão com cuidado e carinho. É no saber falar com a criança que ela descobre as suas próprias respostas. Não precisamos fazer com que parem de nos perguntar dizendo que estamos cansados. Um pouco de atenção é tão bom para quem precisa de uma orientação nossa. Lembre-se de que você também já foi criança e teve as suas questões.

Nenhuma pergunta é boba que não tenha resposta.

A criança muitas vezes que tem uma pergunta simples pode estar começando a amadurecer o seu pensamento, despertando para o mundo, aprendendo a lidar com as coisas ao seu redor. Ela precisa obter respostas que a ajude a crescer emocionalmente dando-lhe a possibilidade de desenvolver o seu lado cognitivo muito mais rapidamente.

No benquerer da criança cabe todo mundo que lhe acolhe e cuida dela. Se você é pai ou mãe e não oferece esse acolhimento ou cuidado pode estar dando a oportunidade de um estranho fazer isso por você. A resposta que o seu filho precisa não é um “porque é assim” ou “porque é o certo”.

Quando a criança faz uma pergunta, na verdade, ela quer entender como começar uma conversa com você e saber da sua opinião a respeito daquilo que ela não compreende o motivo de estar ali ou ser aquilo ali.

Para a criança criada com cuidado e amor o verbo “ser” ainda é mais presente do que o “ter”. Ela sabe mais do que ninguém que é amada, é feliz, é linda e é o que de mais belo existe para nós A ela não importa ter brinquedos caros, roupas de grife, morar em bairros de classe alta. Nas suas perguntas sempre o “ser” está presente muito mais do que o “ter”. Observe a sua criancinha e perceberá como ela se comporta diante destes dois verbos.

O ser deve vir antes de tudo na vida da criança para que cresça sempre pensando no autocuidado e no cuidado com o outro. Para que as suas respostas ao mundo e as pessoas ao seu redor sejam cuidadosas e tenham respeito pela opinião alheia. Que seja conhecida pelos seus feitos e pelos seus esforços. Sim, crianças também fazem coisas excepcionais.

As respostas das crianças surpreendem muitas vezes pais e professores demonstrando um amadurecimento muito maior do que o esperado para a sua pequena idade. Essas crianças precisam de mais atenção e cuidados pois nas suas respostas já percebemos que estão conectadas com o mundo e com as coisas que acontecem ao seu redor, assim tendem a se envolverem mais emocionalmente com os problemas dos adultos e a criarem para si dificuldades que não saberão como resolver.

Não é bom respondermos as perguntas das crianças nunca, assim sem darmos um tempo para pensarmos o que aquela ou essa pergunta quer mesmo nos dizer, sim porque por trás de toda pergunta existe um acontecimento, um desabrochar, uma esperança, uma curiosidade que não se cala, principalmente quando estamos cansados, aborrecidos ou com raiva de alguma coisa. Deixemos que elas descubram por si próprias, mesmo que a pergunta seja intrigante e necessite de uma resposta saiba como conduzir a sua busca de uma forma que a reflexão e a criticidade estejam sempre presentes.

Se você ama a sua criança, cuide dela com amor e atenção.

Respeite os seus momentos de querer ficar sozinha, ela também precisa muitas vezes de silêncios, pois neles ocorre o movimento do pensamento que está sempre a observar a realidade e a querer conhecer um pouco mais do que ocorre consigo.

Se a sua criança não é muito de fazer perguntas não ache isso estranho. Ela não é diferente das outras. Só está curtindo o seu momento de silêncio diante de você. Um dia, quando se sentir pronta para perguntar ela se aproximará de você e vai fazer com grande naturalidade a sua questão. Há crianças que preferem apenas observar e nada falam, nada comentam. Elas ficam quietas nos seus pequenos mundos preenchendo-os com as suas grandes experiências, uma vez que tudo se torna gigante no descobrir de coisas essenciais ao seu bom viver, para mais tarde nos apresentarem o que aprenderam dentro e fora da escola.

A criança que não pergunta não é menos inteligente do que a que vive a perguntar. Nem é boba. E nem por isso precisa de tratamento especial. Ela está curtindo a sua vida como qualquer outra: brincando, correndo, pulando e se divertindo. Não sentiu a necessidade ainda de fazer perguntas, mas chegará o dia de fazer. É só uma questão de tempo. O ser humano é movido pelas perguntas. Todos nós temos dúvidas.

Aprendamos a respeitar as perguntas das nossas crianças deixando-as que descubram as suas próprias respostas abrindo um caminho propício e acolhedor para isso. Não que as deixemos ao deus dará. Nunca. Mas, que elas possam se inquietar e se intrigar diante das bonitezas e feiuras do mundo ao seu redor. A alegria de descobrir uma resposta por si mesma vale a pena quando aparece o sorriso no rosto e o brilho no olhar de quem tem apenas a idade de brincar.

Fiquemos com a frase do nosso querido poeta do Pantanal brasileiro Manoel de Barros que nos diz “As coisas que não têm nome são mais pronunciadas por crianças.”

Que as crianças encontrem respostas para essas coisas sem nome e para aquelas com nomes também; o que importa é que possam pensar livremente como se estivessem brincando ou correndo por um parque sem preocupação se as respostas estão certas ou não, afinal o tempo tratará de as informar tão logo estejam preparadas para a realidade.

Autora: Rosangela Trajano

Edição: Alexsandro Rosset

“Crie o Impossível” é mais uma cartada do governo para a privatização da educação

Em meio a um cenário caótico na educação estadual, no último dia 03 de junho, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) foi uma das promotoras do evento “Crie o Impossível”, organizado pela ONG Embaixadores da Educação, que visa “inspirar” alunos(as) de Ensino Médio da rede pública. 

Amplamente divulgado pela grande mídia gaúcha como “a maior aula aberta” do Brasil, o evento esconde em seu escopo uma propaganda descabida do novo Ensino Médio e seus ideais de empreendedorismo. 

Durante a ação, onze palestrantes contaram suas trajetórias e como ao empreender, “venceram” na vida. O empreendedorismo, caminho para um mercado precarizado e sem garantias, consta nas competências gerais da reforma do Ensino Médio.

Com uma formação básica ainda mais esvaziada – História do Brasil, por exemplo, não aparece no currículo que é repleto de menções ao marketing – o que percebe-se é um ensino cada vez mais voltado para a vontade dos empresários e a criação de mão de obra barata. Os egressos do novo Ensino Médio formarão uma massa trabalhadora acrítica e apática, que não questionará a sua condição social.

Além da ONG Embaixadores da Educação e do Sebrae, diversas entidades representantes de movimentos que mascaram intenções privatistas, com ideais de filantropia e empreendedorismo social, estão por trás do “Crie o Impossível”.

O evento deixa claro o objetivo da gestão atual: repassar funções e responsabilidades que seriam do governo para instituições do terceiro setor. As próprias formações dos professores(as) que ministram o novo currículo já são promovidas pelo Sebrae, em um cenário onde o Sistema S ganha cada vez mais espaço na educação que deveria ser pública.

Até o momento, o CPERS tem conhecimento de um gasto em torno de R$ 171 mil de verba pública com o evento. Dinheiro esse que poderia estar sendo investido em alguma obra emergencial, dentre as várias necessárias na rede pública.

O que percebe-se é que o evento serviu para mostrar aos alunos(as) das escolas estaduais que um futuro empreendendo é mais valioso que o investimento em uma universidade.

Em recente reportagem publicada pelo Sindicato, conversamos com estudantes e educadores(as) das escolas piloto do projeto e a conclusão é somente uma: o Novo Ensino Médio se trata de uma reforma inadequada, apartada do contexto social e da realidade das instituições de ensino estaduais e coloca em risco o futuro dos estudantes. 

“Na minha turma, alunos que estudavam desde o Ensino Fundamental pediram transferência para outra escola que ainda não implantou esse novo Ensino Médio. O principal motivo foi pela retirada de algumas disciplinas que  são consideradas importantes para quem visa fazer um vestibular como o Enem”, explica a aluna do 3° ano do Ensino Médio do CE São Patrício, escola-piloto de Itaqui, Larissa Serres Espinosa.

O CPERS defende a revogação do novo Ensino Médio e a construção de uma nova proposta com ampla discussão do tema com a sociedade através da instalação de Conferências Municipais, Estaduais e Federais para a construção de uma proposta educacional nacional.

É urgente envolver toda a comunidade escolar, incluindo pais e alunos(as), na defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade, com gestão democrática e comprometida com a formação integral do cidadão. 

Para criar o impossível, é preciso uma política real de redução das desigualdades, com investimentos constantes na manutenção e qualificação dos equipamentos públicos que compõem a rede, bem como na valorização dos educadores(as).

FONTE: https://cpers.com.br/crie-o-impossivel-e-mais-uma-cartada-do-governo-para-a-privatizacao-da-educacao/

FOTO Matéria: Crie o Impossível /DIVULGAÇÃO/RS/JC

Autor: CPERS SINDICATO

Edição: Alexsandro Rosset

Filosofia para não ser idiota

Como enfrentar a idiotice e ajudar os idiotas a superarem sua condição de imbecilidade? Confira algumas pistas.

A palavra idiota frequentemente é pronunciada no cotidiano. Quando queremos xingar alguém ou depreciar alguma atitude dizemos que fulano é um “verdadeiro idiota” ou de que tal “atitude foi idiota”, ou ainda “agir de tal maneira é idiotice”. Se formos ao dicionário veremos que idiota significa “pouco inteligente, estúpido, ignorante, imbecil”.

Na Psiquiatria, o idiota é aquele que sofre de “idiotia”, que é o diagnóstico atribuído ao indivíduo mentalmente deficiente, pois possui um avançado atraso mental devido a lesões cerebrais. Na condição de “estado de idiotia profunda”, o portador dessa patologia tem suas capacidades vitais reduzidas e, portanto, não é capaz de tomar as próprias decisões.

Ninguém gosta ou quer ser chamado de idiota. Pior ainda é ser considerado ou ser tratado como idiota. Ser idiota é ser considerado inferior, tolo, estupido, desprovido de bom senso e de inteligência. A pessoa idiota é desprezada, inferiorizada, excluída.

Ter atitude de idiota significa ignorar ou conhecer os fatos, ficar alienado diante dos acontecimentos, não saber o porquê das coisas, fazer julgamentos preconceituosos e “agir de forma cega” diante de certas situações.

Nos comportamos como idiotas todas as vezes que somos enganados por quem quer que seja. Mas o pior de tudo é que geralmente os piores idiotas não tem consciência de sua própria condição e acreditam que são inteligentes, espertos, “cidadãos exemplares”; os idiotas são “os outros”.

Se prestarmos atenção, com cuidado, veremos que a idiotice tomou conta do cotidiano.

Em tempos difíceis como os que estamos vivendo, em que a ordem das coisas foi assaltada por uma crise generalizada de seguira moral, a atitude de idiota se faz sentir em todos os lugares. Não é necessário fazer grandes esforços para perceber os idiotas de plantão.

As redes sociais, por exemplo, é um dos lugares onde mais se faz sentir a idiotice em ação.

Sobre isso tem razão o grande pensador e escritor italiano Umberto Eco quando diz que “as redes sociais dão o direito à palavra a uma legião de imbecis, que antes falavam apenas em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra do que um Prêmio Nobel”.

Vejo, com frequência, idiotas postando ou compartilhando nas redes sociais idiotices de todos os tipos e recebendo curtidas imediatas de uma legião de outros idiotas. Atitudes de preconceito, racismo, injúrias, fake News, mentiras e tantas outras formas de manifestações idiotas que nos causam a sensação de que a idiotice tomou conta da vida.

Existem diversos tipos de idiotas e diversas formas de expressar a idiotice. Faltaria espaço neste escrito para realizar uma lista completa. A título de exemplo gostaria apenas de distinguir dois tipos: o idiota inocente e o idiota destrutivo.

Penso que o primeiro, como o próprio nome diz, é inofensivo e talvez o remédio para este tipo seja a educação, a instrução, a leitura, a informação adequada, o bom senso; quanto ao segundo, penso que temos que tomar cuidado, pois como o próprio nome diz, ele é destrutivo, violento, agressivo, mal intencionado, ardiloso, prepotente, machão, imbecil no mais alto grau. Geralmente esse tipo de idiota acredita que é dono da verdade e quer impor suas idiotices aos outros.

Mas como enfrentar a idiotice e ajudar os idiotas a superarem sua condição de imbecilidade?

Penso que a formação e o pensamento crítico seja uma das mais importantes e promissoras terapias para enfrentar a idiotice. A escola de qualidade pode se tornar a melhor ferramenta para construirmos uma sociedade com menos idiotas e menos idiotices.

Se hoje somos governados por idiotas e se a idiotice está tomando conta do cotidiano, talvez seja urgente promovermos processos formativos que nos ajudem na batalha para não sermos dominados e escravizados pelos idiotas que se apossaram do poder e ditam as regras para toda a sociedade.

Quando um idiota age no âmbito restrito, seus estragos podem ser inofensivos; mas quando um idiota está no poder de uma instituição, quando é eleito para cargos legislativos e executivos, seus estragos podem ser desastrosos e destrutivos. Exemplos não faltam no tempo presente.

O pensamento racional filosófico, cuidadoso, abrangente e crítico nos ajuda a enfrentar o medo e construir espaços de socialização condizentes com uma vida saudável e de qualidade. Leia mais: https://www.neipies.com/filosofia-para-enfrentar-os-medos/

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição: Alexsandro Rosset

Cáritas, 60 anos de trabalho, resistência, esperança e profecia!

Em sessão solene, realizada na Câmara de Vereadores de Passo Fundo no dia 22 de junho de 2022, por proposição do Vereador Israel Kujawa, Luiz Costella, Colaborador da Cáritas, manifestou-se pela entidade, como segue.

“Agradecemos à Câmara Municipal de Vereadores, na pessoa de seu Presidente e do Vereador Israel Kujawa pela homenagem aos 60 anos de trabalho da Cáritas. É reconhecido o compromisso e o papel da Câmara de Vereadores no apoio às entidades sociais.

Agradecemos a Bondade de Deus, que permitiu à Cáritas poder existir e fazer o bem para tantas pessoas, grupos e comunidades nestes 60 anos, bem como às milhares de pessoas que dedicaram e dedicam parte de sua vida assumindo a ação da Caridade, solidariedade e compromisso social.

“Cáritas” é uma palavra com origem latina, que se tradução por “caridade/amor”.

Como Organismo da Igreja, existe há quase 80 anos, tendo iniciado na Europa. Foi oficializada pelo Cardeal João Batista Montini, que veio a ser escolhido Papa Paulo VI, e hoje está presente em mais de 200 países, com caráter eclesial e também de assistência social.

A Cáritas se organiza de diferentes formas, de acordo com os clamores sociais, em vista de atender à realidade do local onde ela está.

Por sua maneira de ser e agir, a Cáritas vai mostrando suas diferentes feições, de acordo com a realidade do local onde ela está inserida, seja nas regiões de emergência naturais ou sociais, nas regiões de conflito, na acolhida aos migrantes, na promoção das pessoas excluídas, no combate a fome, nos projetos comunitários…

No Brasil a Cáritas Brasileira está organizada em 12 Regionais diferentes, com aproximadamente 170 Cáritas Diocesanas e Arquidiocesanas.

Na Arquidiocese de Passo Fundo iniciou em 1962, pelas mãos do Primeiro Presidente, o então Bispo Diocesano Dom Cláudio Colling.

Durante algum tempo a história da Cáritas se identifica (e de certa maneira se confunde) com a história da Assistência Social Leão XIII, instituição que coordenou por 16 anos, de 1972 até 1988.

O primeiro Diretor da Cáritas foi o Pe. Paulo Farina, que dividia seu tempo entre a Fundação Beneficente Lucas Araújo, Rádio Planalto e Cáritas.

Durante algum tempo a sede da Cáritas foi junto a Fundação, depois no Centro de Pastoral, depois junto a Leão XIII, até ter sua sede própria na Rua Paissandu, em frente a Escola Estadual Nicolau de Araújo Vergueiro.

Como serviço e organismo pastoral, a Cáritas tem sua atuação na região da Arquidiocese, se insere no planejamento arquidiocesano, tendo seus Bispos e Arcebispos como Presidentes- atualmente nosso Arcebispo Dom Rodolfo Luis Weber.

A sua Missão atualiza de acordo com as transformações e mudanças sociais. Hoje a missão da Cáritas é

“Testemunhar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, defendendo e promovendo toda forma de vida e participando da construção solidária da sociedade do Bem Viver, sinal do Reino de Deus, junto com as pessoas em situação de vulnerabilidade e exclusão social”

Suas primeiras ações foram voltadas à demanda da distribuição dos alimentos do programa aliança para progresso (também chamado de aliança para a paz), um programa criado pelas Nações Unidas após a segunda guerra mundial, para atender e reabilitar as nações atingidas.  

Desde o início a Cáritas faz atendimento social com alimentos, agasalhos e preparação para o trabalho. Também é lembrança de muitas pessoas em Passo Fundo o caminhãozinho do “Mensageiro da Caridade”, que recolhia donativos, bem como produtos recicláveis, e fazia a redistribuição para as famílias que necessitavam.

No início dos anos 80 depois do Congresso de Cáritas com o tema “Fé cristã e compromisso social”, foi desafiada a dar passos para além disso… a desenvolver o trabalho com uma metodologia inspirada na caridade que promove, que leva as pessoas à organização e ao engajamento nas Comunidades e o compromisso com a solução dos problemas sociais, desafiando ações emancipatórias, sem, contudo, esquecer sua ação permanente junto às emergências sociais e naturais, pois continua fazendo o atendimento às necessidades básicas: alimento, agasalho, moradia, dentre outros.

O incentivo aos projetos de geração de renda, alternativas comunitárias com base no associativismo e na economia solidária. A organização de grupos para a produção e comercialização: hortas comunitárias, produção de panificados, artesanatos, costura, reciclagem, saúde alternativa, agroecologia, agroindústrias e muitas outras formas vão possibilitando que as pessoas tenham alternativas econômicas e sociais.

A Cáritas não quer acompanhar estes grupos para sempre, porque eles devem ganhar vida própria, e possibilitar que se possa ajudar outras pessoas, outros grupos… estando em outros locais, que também precisam de uma ajuda inicial como impulso para ações emancipatórias, participação comunitária e engajamento em projetos de desenvolvimento social.

Através da mobilização e apoio aos movimentos e organizações populares, a Cáritas envolve-se nos debates articulados com a sociedade civil e os poderes públicos, participando na construção de políticas públicas voltadas ao interesse da população mais excluída. São formas de construção da ética e da cidadania que se dão através dos conselhos paritários, fóruns de representação popular. Os principais focos são a saúde, a assistência social, o desenvolvimento, a segurança alimentar, as pessoas com deficiência e os direitos humanos.

Acreditamos no desenvolvimento solidário e sustentável, porquanto propomos programas de promoção e fortalecimento de uma economia solidária, projetos alternativos que buscam fazer frente a falta de trabalho e renda, a preservação do meio ambiente, ao cuidado com a vida, a terra, a água e o alimento, seja pela ação de grupos urbanos ou rurais.

A promoção da agroecologia e da comercialização direta através de feiras, além de fornecer aos consumidores produtos diferenciados, alimenta ações transformadoras, e como resultado concreto está a valorização das pessoas, o respeito e preservação da natureza, a geração de renda e o resgate da dignidade humana.

A organização dos grupos de mulheres nas periferias é uma realidade que faz frente ao desemprego e à falta das condições básicas, que geralmente recaem mais sobre a mulher. Nos grupos, ela busca a valorização pessoal e familiar, o aprendizado, inserção comunitária e conquistas de políticas de atendimento à mulher vítima de violência.

As Equipes Paroquiais de Cáritas, hoje presentes em 18 paróquias de nossa Arquidiocese, cada uma com seu jeito e de acordo com a realidade, realizam a missão da Cáritas junto às populações empobrecidas. São expressões de vivência do Evangelho. As equipes fazem o atendimento da população e ajudam na elaboração de projetos comunitários com recursos provenientes dos diversos fundos solidários disponíveis.

Os agentes voluntários são capacitados para que desenvolvam suas ações, seja através de coletas, projetos ou administração de recursos e bens, organizando e animando as práticas de solidariedade.

Aqui e em todos os locais onde a Cáritas está organizada, ela busca inserir seu planejamento de forma engajada na construção de políticas públicas, animação do serviço de solidariedade, e no atendimento às situações emergenciais.

Junto com a Arquidiocese de Passo Fundo, e com o objetivo de apoiar pequenos gestos e projetos, foi criado no ano de 2000 o Fundo de Solidariedade que já apoiou mais de 250 iniciativas, que beneficiaram 37.000 pessoas, na Geração de renda e economia solidária, educação para a solidariedade, resgate da dignidade humana, saúde, apoio a população em exclusão social, e meio ambiente e reciclagem.

Estes recursos são frutos da partilha das famílias que participaram das comunidades, por ocasião da Campanha da Fraternidade promovida pela Igreja Católica.

Os projetos atendem crianças e adolescentes, idosos, mulheres, famílias, migrantes, indígenas e quilombolas, agricultores e assentados, trabalhadores urbanos e desempregados, dependentes químicos, catadores, organizações, pastorais e movimentos.

Importante ressaltar que todo o trabalho é desenvolvido como Igreja católica, de forma ecumênica e inter-religiosa, sem discriminação de religião, raça, cor ou sexo.

A Cáritas trabalha em parceria com entidades, universidades, cooperativas, poderes públicos.

Destaca-se projetos parceiros com assentamentos da reforma agrária, Feira Ecológica, Associação das entidades do Projeto TransformAção, Feiras de economia solidária, Mostras de Ações sociais solidárias na Romaria Arquidiocesana, Espaço Solidário, dentre outros.

Anualmente, o trabalho da Cáritas beneficia aproximadamente 20 mil pessoas. Centenas de pessoas doam-se voluntariamente nas diversas equipes, nos grupos de geração de trabalho e renda, nas coletas e distribuição de donativos, no auxílio à superação da exclusão social junto a populações empobrecidas, em diferentes realidades e formas, cada uma ajudando e fazendo sua parte.

É uma alegria poder contar ainda com três dos primeiros colaboradores da Cáritas na Arquidiocese, que integravam a equipe coordenada pela Pe. Paulo Farina, no início:

– Srª Nadir Longhi e Srª Celanira Lopes. – Não conseguiram se fazer presentes neste evento.

– Sr. Celson Scheffer Salles – Que se encontra aqui conosco.  Em seu nome, Celson, nosso agradecimento a todos os agentes de Cáritas que construíram esta história de 60 anos… Muito, muito obrigado a você e todos.

Obrigado, Vereadores, por este momento! Obrigado aos agentes de Cáritas, autoridades e demais pessoas presentes.

Finalizamos com uma cantiga de Cáritas, cuja composição foi feita por José Magalhães (que já foi Diretor da Cáritas Brasileira, hoje trabalha na Cáritas Internacional) e gravada em quatro idiomas diferentes”.

Acesse aqui: https://www.facebook.com/caritasbrasileira/videos/a-m%C3%BAsica-que-embalou-a-21%C2%AA-assembleia-geral-da-c%C3%A1ritas-internacional-%C3%A9-uma-compo/353780961944314/

Sobre a Sessão Solene:

O Legislativo Municipal realizou na noite desta quarta-feira (22) uma Sessão Solene em homenagem à Cáritas Arquidiocesana de Passo Fundo, em reconhecimento aos seus 60 anos de forte atuação na assistência social, na defesa dos direitos humanos e no desenvolvimento solidário e sustentável de políticas públicas. A proposta foi uma iniciativa do vereador Israel Kujawa (PT), aprovada por unanimidade por todos os demais parlamentares.

Compondo a Mesa Oficial, o presidente da Câmara de Vereadores, Evandro Meireles (PTB), acompanhado do vice-prefeito João Pedro Nunes (MDB), representando o Executivo Municipal, a coordenadora da 7ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Carine Weber, e os representantes da Cáritas Arquidiocesana de Passo Fundo, o Coordenador Luiz Costella, a Diretora Maria Isabel Teixeira da Silva e o Presidente de Honra, Arcebispo Dom Rodolfo Luiz Weber.

Ocupando a tribuna, o vereador proponente da Sessão Solene, Israel Kujawa, falou da importância da homenagem, que significa a valorização e o reconhecimento do trabalho da Cáritas, que atua em mais de 200 países, “promovendo conexões e reconexões humanas, construindo um novo ciclo, onde a caridade, a solidariedade, o amor, a alimentação, a habitação e a educação tem centralidade na cultura digital”, salientou.

Destacou que a iniciativa de homenagear a Cáritas está em sintonia com os temas que decidiu priorizar durante sua atuação no Legislativo. “Quando chegamos a Câmara, escolhemos algumas temáticas que seriam priorizadas para debater nesse espaço, e um deles é a renda, a forma como lidamos com o meio ambiente, com os resíduos que nós produzimos, a educação, a evolução humana, e avaliando o contexto, a Cáritas simboliza em Passo Fundo, através dos seus 60 anos de trabalho, as ações que a gente acredita, que é olhar para as pessoas, apontar caminhos para elas buscarem a evolução individual, comunitária, a renda e a própria sobrevivência”, enfatizou, reforçando que a Cáritas tem feito um papel muito importante, através da ligação com as cooperativas de recicladores, que faz um trabalho tão importante, que precisa ser valorizado pela sociedade como um todo e pelo poder público. Então, essa homenagem, é uma forma de reconhecer a Cáritas, e reconhecer, sobretudo, o trabalho que ela vem desenvolvendo”, finalizou.

Leia mais: https://www.camarapf.rs.gov.br/noticia/4594/sessao-solene?

Fotos: Comunicação Digital / CMPF

Edição: Alexsandro Rosset

A esquizofrenia na criança

O que mais dói na esquizofrenia é o preconceito dos adultos em admitir que os seus filhos sofrem desse mal e precisam de cuidados especiais.

A esquizofrenia é uma doença grave e crônica, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na criança, ela pode acontecer precocemente atingindo até mesmo aquelas da tenra idade. Doença séria que precisa de cuidados médicos e terapêuticos, medicamentos para combater os seus sintomas e muito amor por parte dos familiares e amigos.

Considerada a doença mais grave do grupo de tratamentos psiquiátricos, denominados de transtornos psicóticos é a que mais precisa de cuidados especiais.

A criança com esquizofrenia apresenta os mesmos sintomas dos adultos afetando a sua convivência com os amiguinhos e o rendimento escolar. Os sintomas são os mais difíceis e doloridos que se pode imaginar:

– Sentimento de está sendo perseguido por alguém amado ou um estranho;

– Irritabilidade;

– Alucinações auditivas e visuais;

– Falta de higiene com o corpo;

– Isolamento social.

Os pais precisam tomar cuidados quando a criança começar a apresentar algum desses sinais. É claro que nem sempre pode ser esquizofrenia, mas outra doença.

O fato é que sendo uma doença grave tira a criança do seu convívio com as demais deixando-a entregue aos seus pensamentos persecutórios o que lhe causa mais dificuldade de combater a doença. A criança quando se isola e fica irritada chegando a quebrar as coisas dentro de casa, reage daquela forma porque escuta vozes que dão uma espécie de ordem em seus ouvidos, noutras vezes ela poderá ver e conversar com pessoas que só aparecem para ela, ou seja, inexistentes.

A criança em surto sente vários sintomas que devem ser observados e considerados pelos pais, principalmente se na família tem histórico da doença.

Não é fácil conviver com a esquizofrenia. A criança sofre bastante com essa doença, como não é fácil também para os pais lidar com esse problema de saúde. Só medicar a criança não é suficiente, ela vai precisar de afeto e carinho, sentir-se segura dentro e fora de casa, perder o medo de que vai surtar em qualquer lugar, sentir-se confiável diante das pessoas ao seu redor.

Uma das melhores coisas a se fazer para salvar a criança dos surtos que nunca sabemos quando vão acontecer é colocá-la para desenhar, pintar, correr até se cansar, praticar esportes, aprender a tocar um instrumento musical, ler e escrever com frequência. Manter o pensamento da criança sempre ocupado é uma boa terapia. E nunca, nunca mesmo, deixá-la sozinha, principalmente em lugares totalmente fechados ou escuros por muito tempo.

Se a esquizofrenia nos adultos é uma doença incompreendida na maioria das vezes, imagine na criança pequena que não sabe ainda como expressar os seus sentimentos e emoções, não sabe distinguir o real do irreal e nem sabe como lidar com situações de vozes e visões desconhecidas que chegam dando ordens e criando um mundo à parte, um mundo onde as pessoas amadas deixam de amá-las e querem o seu mal.

A criança não compreende assim como o adulto que todos aqueles sintomas são produtos da sua mente doentia, e sofre por não saber o que fazer diante de um sofrimento tão desesperador.

Quando a criança se isola das outras deixando de brincar no parquinho ou não querendo fazer parte do jogo de futebol por se achar que é perseguida pelos amiguinhos, que não é amada por ninguém, que é feia e causa raiva nas pessoas, eis um sintoma que precisa imediatamente de cuidados dos pais e responsáveis.

A criança não consegue saber que aqueles sintomas são de uma doença séria e que precisa de tratamento médico. Um dos sintomas motores que também chamam a atenção é o fato da criança está sempre balançando o pezinho ou mexendo com um dos braços.

A dor da esquizofrenia só é sentida na escuridão do abandono. Quem sofre de esquizofrenia não sabe que é doente, não se dá conta de que é vítima de uma doença séria, por isso é tão importante a presença dos familiares ao longo do tratamento com o psiquiatra e psicólogo. O que mais dói na esquizofrenia é o preconceito dos adultos em admitir que os seus filhos sofrem desse mal e precisam de cuidados especiais.

Ninguém fica irritado de uma hora pra outra porque quer, algo dentro dessa pessoa desencadeou aquela irritabilidade, isso é o que acontece com a criança esquizofrênica.

Quando a criança deixa de se preocupar em estar limpinha diante dos amiguinhos, não liga para a sua aparência física faz-se necessário que os pais ou responsáveis tomem providências e conversem com ela explicando o quanto é importante a higiene pessoal para ficarmos próximos das pessoas.

Nunca obrigar a criança a tomar banho ou falar com uma pessoa que ela está com medo, sentindo-se perseguida, ao contrário o respeito aos sintomas é de fundamental importância para que a criança se sinta segura perto de quem a ama.

Existirá sempre uma pessoa querida a quem a criança vai pedir ajuda dentro de casa, uma pessoa por quem ela talvez nunca venha a sentir medo ou raiva, uma pessoa que transmita amor, carinho e coragem mostrando que por maior que seja o gigante perto de nós ele será combatido e vencido com as nossas próprias forças.

Haverá sempre um adulto que por quem a criança talvez nunca tenha sintomas persecutórios, aquele a quem ela conta seus segredos e medos mais íntimos.

A esquizofrenia não tem cura, isso se sabe, mas os sintomas têm suas pausas e eles podem ser longos se a criança for tratada cedo e não ignorada quando pedir ajuda. Ainda mais, se tiver perto dela quem a escute e compreenda o que acontece consigo. A esquizofrenia precisa de amor, medicamentos e terapia, mais amor, penso eu.

Este texto é do meu livro: “Como amar uma criança”.  Conheça mais: https://rosangelatrajano.com.br/

 

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alexsandro Rosset

A Escola – templo do saber

A escola, para a criança e o jovem, representa o elo de ligação entre o lar, a família e o mundo que eles vão enfrentar, no futuro e para o qual devem estar preparados.

O lar é o primeiro grupo social que a criança participa. Neste espaço, pela imitação das pessoas que o compõe, ela aprende a falar, a expressar suas emoções, a caminhar, a buscar sua relativa independência, a dizer não, no seu primeiro arrobo de individuação. No aconchego da família molda-se o humano na criança, é onde nasce a humanidade da pessoa com suas virtudes, a ética, a religiosidade. Começa o contato com o mundo imanente, material, e o mundo transcendente, representado pela busca natural de Deus, conforme a denominação religiosa que a família adota. Os pais vão representar para a criança a autoridade que norteia a sua vida, nesta fase.

É mais complexo do que se parece educar uma criança. Toda criança é envolvida desde sua tenra idade, por mãos, mentes e sabedorias de muita gente. Muita gente põe a mão na massa na vida de uma criança, mas a responsabilidade maior sempre será das famílias, que são a primeira e a maior referência educativa. Leia mais: https://www.neipies.com/so-uma-aldeia-inteira-pode-educar-uma-crianca/

E a escola?

Será o segundo grupo social que o ser humano vai interagir, encaminhado pela família.  Se à família cabe a responsabilidade de fazer desabrochar o humano no ser, compete à escola formar o cidadão, o sentimento de cidadania, local onde a pessoa que vai aprender a conviver em harmonia com os outros, dividir os espaços, compartilhar atividades, interagir com respeito, compreender que sua liberdade termina onde começa a do outro colega.

A escola é o local onde a criança e o jovem vão desenvolver as habilidades socioemocionais com vistas a construir sua cidadania, percebendo-se como ser integrante pleno de um Estado, com seus direitos e deveres civis e políticos, como um membro ativo da Sociedade.  Eles precisam se reconhecer como seres históricos e sociais, com capacidade de promover mudanças que melhorem as suas vidas pessoais, familiares, escolares e comunitárias.

Na escola, o aluno é reconhecido como um ser complexo, com várias dimensões de sua personalidade: a biológica, a psicológica, a emocional, a social e a espiritual que deverão ser atendidas em todas estas áreas pelos diversos educadores que vão interagir com ele.

Neste espaço social ele vai aprender a observar os fatos, a analisar, a comparar, a refletir e a tirar conclusões sobre os mesmos, em atividades grupais ou individualmente, construindo a sua compreensão sobre o significado da vida social e o seu papel neste contexto.

As atividades no grande grupo, que reúnem o corpo docente e discente, representam momentos pedagógicos  de alto valor educativo: a reverência a Deus seguida pela hora cívica, com hasteamento da bandeira, entonação do hino nacional, a breve alocução sobre a importância daquele momento, ressaltando o significado profundo dos símbolos da pátria, como a bandeira, o ritual de seu  hasteamento, os hinos pátrios, o significado de suas estrofes, estimulam o desabrochar da espiritualidade básica de cada um, quando, individualmente pode sentir-se como um elo integrante do todo, o que ajuda no seu equilíbrio emocional,  promovendo a harmonização íntima. Naturalmente cada turma deve ser adequadamente preparada para participar e contribuir para tal solenidade.

A comemoração do aniversário da escola, a reverência ao seu patrono ou patrona, o conhecimento da história da instituição e sua representatividade na comunidade fazem parte da formação consciente do educando que vai se reconhecer como participante ativo desta história.

As atividades pedagógicas ao ar livre, propostas pelos educadores, são muito especiais para os alunos. Explorar a Natureza oferece condições de maior compreensão do significado da vida.

Eleger, na comunidade escolar, a planta símbolo da escola, por exemplo, cultivá-la com o envolvimento de todos traz gostoso sentimento de pertencimento àquele grupo social, àquela instituição. Quanta atividade pode se desencadear a partir desta ideia. De grande valor educativo, nesta linha de reflexão, é a horta escolar, o ajardinamento do pátio, o plantio de árvores, a organização de pequeno horto de mudas variadas envolvendo a participação ativa dos alunos e do restante da comunidade escolar. Quanto aprendizado prazeroso o aluno pode desfrutar e que levará consigo para o resto de sua vida.

Interessante seria que, no pátio da escola, se pudesse encontrar, desenhada no chão, a rosa dos ventos, com os pontos cardiais para a aprendizagem da localização espacial, o que pode também ser feito com a observação dirigida do movimento do sol no céu, durante o dia e com o uso da bússola.

A vida escolar proporciona a visão ampliada do aluno sobre o bairro onde a escola está inserida, o município, sua organização e as instituições de saúde, religiosas, esportivas, culturais, comerciais etc. que o compõem e amplia a compreensão do nível estadual, federal e universal da vida comunitária.

Na escola vai se formando a cidadania na pessoa do aluno preparando-o para a vida em sociedade. Grande desafio!

A escola, templo do saber, responsável pela formação da cidadania de inúmeras gerações, no transcorrer de sua existência, representa um farol de luz que alumia a mente do aluno, libertando-o da escravidão da ignorância, dando-lhe um sentido da vida, ensinando-o a ser questionador, autônomo, crítico, responsável por seus atos, apontando o caminho a ser percorrido na vida individual, por própria escolha.

Esta escola é composta por corpo docente preparado para suas atividades pedagógicas, profissionais qualificados para exercerem condignamente seu papel social, que trazem nas mãos o conhecimento, que ajudam o aluno a crescer junto com os outros e se perceber como ser extraordinário, único no seu pensar e agir e a penetrar na essência de sua humanidade, construindo uma identidade própria e cultural.

A escola, para a criança e o jovem, representa o elo de ligação entre o lar, a família e o mundo que eles vão enfrentar, no futuro e para o qual devem estar preparados.

Assista também:

Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola, para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos. https://youtu.be/LJTBoRNPkBU?list=PLDwf2YrZZoEeucIGZqaoL85hi78NKncC2&t=99

Autora: Gladis Pedersen de Oliveira

Edição: Alexsandro Rosset

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