Síndrome de Burnout

576

Qualquer profissional que labuta com exaustão e estresse, excesso de cobrança, por parte de si mesmo ou por parte de outros, principalmente lidando com público, está sujeito a apresentar essa Síndrome.

Recentemente os jornais noticiaram que determinado profissional estava com a Síndrome de Burnout. Afinal, o que é a Síndrome de Burnout?

Primeiro, é importante definir que Síndrome é um conjunto de sinais e sintomas.   Quando esses sinais e sintomas se repetem, constantemente, ou perduram, temos uma síndrome. Exemplos mais conhecidos é a Síndrome de Down, a Síndrome do Túnel do Carpo, a Síndrome Guillain-Barré, a Síndrome de Asperger, a Síndrome de Burnout, etc.   

A síndrome pode ter origem congênita, como a de Down, isto é, vem na cadeia genética, ou ser adquirida, por esforço físico excessivo, como a do Túnel do Carpo, ou por excesso de esforço mental, como a de Burnout.  Pode se apresentar com sintomas de ordem mental ou sintomas de ordem orgânica, ou uma mescla de ambos. Cada síndrome tem seus sinais e seus sintomas, de acordo com o órgão ou os órgãos afetados.

Aqui vamos falar da Síndrome de Burnout. Em inglês, to burn out, esgotar-se, queimar de dentro para fora. Essa síndrome, como todas as demais, se apresenta com vários sinais e sintomas.

Nem todos os pacientes diagnosticados com a síndrome, apresentam todos e os mesmos os sintomas, repito. Esta foi descrita em 1974, por um psicanalista alemão Herbert Freudenberger, e acomete profissionais de qualquer área. Contudo, predomina em profissionais que desenvolvem trabalhos estressantes, repetidos, e com poucos momentos de descanso e lazer. Via de regra, esta síndrome está ligada à vida profissional, é um esgotamento físico ou mental, pelo trabalho.

A gênese da síndrome traz algo paradoxal.

O próprio paciente se esgota, buscando alto grau de desempenho, desejando ser perfeito e ser o melhor naquilo que faz. Ou, esse esgotamento pode acontecer por exigência excessiva ou por cobrança de metas no trabalho, por assédio moral, em ambiente de medo e de punição constante, onde o profissional desempenha o seu labor.

Lembro, no ano de 2009 ou 2010, fazendo parte do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), participei do julgamento de um colega. Ele havia cometido um erro médico, por imprudência, numa cirurgia, embora, por vários anos de profissão, sua vida profissional tenha sido sempre de extremo cuidado e correção. O diagnóstico foi excesso de trabalho, exaustão e falta de momentos de repouso, de descanso.  

Mas, foi condenado, e penalizado com uma pena administrativa. E era a Síndrome de Burnout. Não foi punido por ter a síndrome, mas porque cometeu um erro em consequência dela. O Conselho Federal de Medicina, a par disso, constituiu uma comissão, com a finalidade de avaliar e bem conduzir sempre que surge suspeita da síndrome na classe médica.

Mas não apenas médicos podem apresentar a Síndrome de Burnout. A literatura fala que em professores, enfermeiros, bombeiros, policiais, advogados, operários de grandes indústrias e comércio, e outros, isso tem acontecido. E também profissionais de trabalhos braçais, aí envolvendo mais a parte orgânica, física.

Qualquer profissional que labuta com exaustão e estresse, excesso de cobrança, por parte de si mesmo ou por parte de outros, principalmente lidando com público, está sujeito a apresentar essa Síndrome.

E, quais são os sinais e sintomas?

Reforço que nem sempre são iguais para todos, e nem sempre aprecem todos eles. Desânimo, erros na execução do trabalho, que antes fazia muito bem, irritabilidade e desavenças com colegas, ansiedade, cansaço extremo, perturbações do sono, dificuldade de concentração, dores de cabeça e musculares, tremores, tontura, falta de ar, oscilações de humor, são sintomas bastante encontrados.

Mas, antes de qualquer coisa, muita cautela ao se diagnosticar ou diagnosticar alguém como portador da Síndrome de Burnout. Temos ótimos médicos e psicólogos que podem fazer isso. E, se firmado o diagnóstico, o tratamento não é difícil.

Autor: Dr. Alberi Grando. Médico. Cremers 6430. Saúde Pública. Abril 2026. Leia também: www.neipies.com/o-sus-sob-olhar-de-um-medico/

Edição: A. R.

1 COMENTÁRIO

  1. Do autor Alberi Grando:
    “Qualquer profissional que labuta com exaustão e estresse, excesso de cobrança, por parte de si mesmo ou por parte de outros, principalmente lidando com público, está sujeito a apresentar essa Síndrome”.

DEIXE UMA RESPOSTA