Este retrato não se explica, apenas se revela, sobretudo agora, quando o feminino desce e se enraíza, não como ideia, mas como força viva, ancorando na terra o lento e inevitável movimento de regeneração do mundo.
Numa manhã quieta, quase suspensa no tempo, deixei escapar em voz alta o desejo de um tema que ainda não tinha forma.
Ao meu lado, Carmen Garrez rompeu o silêncio e, como quem não quer perturbar o invisível, soprou: Maria Madalena.
Fiquei imóvel, escutando o eco desse nome dentro de mim, até que, sem perceber a passagem entre pensamento e gesto, já estava diante do cavalete, como se a imagem me conduzisse.
Assim nasceu este rosto — Maria Madalena e, de algum modo insondável, também mestra Nada.
No contexto atual, Mestra Nada é descrita como um ser espiritual elevado, associado ao amor incondicional, à cura, à compaixão e ao chamado “raio rosa” (uma linguagem simbólica dessas correntes). Muitas vezes é apresentada como uma consciência feminina que orienta processos de equilíbrio emocional e expansão do coração.
Este retrato não se explica, apenas se revela, sobretudo agora, quando o feminino desce e se enraíza, não como ideia, mas como força viva, ancorando na terra o lento e inevitável movimento de regeneração do mundo.
Caminhou junto de Jesus Cristo não como quem segue, mas como quem compreende o caminho antes mesmo que ele se abra.
E quando o mundo tremeu em madeira e silêncio, quando os céus pareceram se fechar sobre a terra, foi ela — não os que prometeram força, não os que vestiam certezas — foi ela quem permaneceu. E está entre nós até hoje.
MARIA MADALENA

Acrílica s/tela
52×63
Sem chassi
Autor: Manoel Soares Magalhães. Também escreveu e publicou no site “O barato de ser escritor”: www.neipies.com/o-barato-de-ser-escritor/
Edição: A. R.












Este retrato não se explica, apenas se revela, sobretudo agora, quando o feminino desce e se enraíza, não como ideia, mas como força viva, ancorando na terra o lento e inevitável movimento de regeneração do mundo. (Manoel Soares Magalhães)