O barato de ser escritor

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Alguém que venceu o medo da página em branco e deixou sua existência impressa em livros. Isso, no fundo, é eternidade em pequenas doses.

O barato de ser escritor é ter uma ideia nas mãos — pequena centelha — e, sozinho, transformá-la em mundo.

É ralar, suar, atravessar madrugadas insones. É duvidar de si mesmo enquanto as palavras resistem no papel.

Mas também é amor.

Amor profundo pelo ofício invisível de criar.

Pela frase que nasce torta e, depois de muita luta, encontra sua própria respiração.

Ser escritor é aceitar que caminhos errados serão escolhidos.

É possuir humildade para voltar atrás, apagar páginas inteiras, abandonar atalhos e procurar outras veredas, menos fáceis, porém mais verdadeiras.

É compreender, sobretudo, que tudo pode dar errado.

Que o livro talvez não encontre vitrines.

Que os convites não venham.

Que o mercado editorial feche portas para aqueles sem sobrenomes influentes, sem relações convenientes, sem padrinhos literários.

E ainda assim continuar escrevendo.

Porque publicar uma obra nascida do próprio esforço já é, por si só, uma vitória imensa. Trazer um livro à luz é desafiar o silêncio do mundo. Por isso, sou um escritor de sucesso.

Pouco conhecido, talvez.

Mas alguém que venceu o medo da página em branco e deixou sua existência impressa em livros. E isso, no fundo, é eternidade em pequenas doses.

Autor: Manoel Soares Magalhães. Também escreveu e publicou no site “Quase feliz”: www.neipies.com/quase-feliz/

Edição: A. R.

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