Livro: Arquitetura da Linguagem

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Não por acaso, em uma noite de lua cheia, lancei oficialmente o livro Arquitetura da Linguagem: sobre a trama invisível que rege os nossos pensamentos.

Comecei fazendo uma brincadeira:

“Se houver algum lobisomem presente, por favor, acuse-se. Para eu não me sentir sozinha.”

Mas a verdade é que talvez todos nós carreguemos algo de lobisomem.

Em algum momento, a vida nos atravessa com transformações que não escolhemos nem controlamos. Partes nossas mudam de forma, ganham novos sentidos, passam a habitar outros significados. Algumas dessas transformações nos encantam; outras nos assustam. O escuro também nos assusta.

E, ainda assim, às vezes esquecemos que é a escuridão que guarda o mistério, e é o mistério que guarda a vida.

Talvez seja por isso que a minha relação com a escrita tenha começado justamente ali, na escuridão. Houve períodos em que eu não conseguia dizer o que precisava ser dito. E houve outros em que, mesmo dizendo, eu não conseguia ser compreendida.

A escrita nasceu nesse espaço entre a fala e a compreensão. Tornou-se um lugar onde aprendi a me escutar, a organizar as inúmeras vozes que habitavam meu mundo interior e a encontrar sentido no que antes parecia confuso.

Curiosamente, pouco antes de iniciar a escrita desta fala, me deparei mais uma vez com um velho conhecido: o bloqueio diante da página em branco. Parecia contraditório. Afinal, eu estava prestes a celebrar justamente um livro. Mas a escrita, como sempre, estava tentando me mostrar alguma coisa.

Percebi então que a dificuldade não vinha da falta de palavras, mas da dimensão daquele instante. Estar ali significava assumir um caminho que reconheço como verdadeiramente meu. Significava tornar pública uma ideia que habitou meus pensamentos durante muito tempo. Significava, também, abrir mão de outras possibilidades para seguir esta.

E mais uma vez a escrita fez aquilo que sempre fez por mim: transformou escuridão em luz.

Ao olhar para as pessoas presentes, todas vestidas de amarelo, lembrei da razão pela qual escolhi aquela cor. Não era apenas uma questão estética. Era uma forma de simbolizar aquilo que cada uma delas representa para mim: pontos de luz. Pessoas que iluminam a minha trajetória e que, certamente, também iluminam a vida de outras pessoas.

Talvez seja justamente nesse movimento que habite a unidade.

Porque, no fundo, aquela noite não celebrava apenas o lançamento de um livro. Celebrava a capacidade humana de transformar experiências em significado, silêncio em linguagem, escuridão em luz.

Saí dali com a sensação de que Arquitetura da Linguagem já não me pertencia apenas. Como um lobisomem que finalmente compreende a própria metamorfose, percebi que algumas transformações não existem para ser controladas.

Existem para ser vividas.

E o livro, enfim, encontrou o seu caminho no mundo.

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Se esta reflexão despertou a sua curiosidade, você pode conhecer mais em Arquitetura da Linguagem, disponível nas versões física e digital pelo link: https://a.co/d/0eqnY7e3

Autora: Ana P. Scheffer. Também escreveu e publicou no site “Quando as mulheres dão nome às coisas”: www.neipies.com/quando-as-mulheres-dao-nome-as-coisas/

Edição: A. R.

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