“Porque tu és pó e ao pó tornarás”. ¹
Temos de nos lembrar o tempo todo de nosso destino!
Mas para quem não apertou o seu piloto automático, ainda, todas as manhãs, ao pôr o pé no chão, que seja o direito, vai, ali mesmo vale lembrar que ao final de tudo, será somente a terra; ou o que sobrar de seu apetite.
Caso não sirva de conforto pessoal, este recado seria bom chegar a todo e qualquer prepotente, que, revestido de alguma riqueza ou poder temporários, esqueça que em um tempo curtíssimo, estará ‘descansando’ entre o que restar do seu caixão e seus ossos.
É o destino? Para muitos de nós, apenas o recomeço. Tomara! Pois quem crê é mais feliz.
Mas que seja um recomeço sem hierarquias, sem exclusão, sem preferências. Sem supervisores ou chefes, melhor ainda.
Nesta dimensão, onde os cartórios não podem privilegiar poderosos ou seus familiares, onde governos não podem direcionar ganhos aos previamente escolhidos, nesta nova seara, espera-se que tudo seja justiçado, como que em uma grande possibilidade de redenção espiritual…
Seria maravilhoso!
Mas até chegarmos nesta grandeza, a terra há de nos devorar por inteiro.
Portanto, em todas as situações de humilhação, indiferença ou mesmo diante das pequenas afrontas sofridas no seu dia a dia, tente lembrar ao seu inquisidor, seu chefe soberbo, até o seu diretor bajulador e incompetente, sim, lembre a todos de como a terra e seus vermes devoram, rapidamente, todas as pretensões humanas.
Bons e maus, líderes e oprimidos, os donos do mundo, os que mal sobrevivem, ricaços e humildes, os bem-intencionados ou criminosos, ateus e carolas, todos… A terra os dissipará.
Daí que pela manhã, deveríamos ler nas paredes de nossos quartos, o que hoje poderá ser o seu último protesto, sua última reclamação e, parecendo de caso pensado, a hora de seu reencontro com a terra.
Ela mesma, que suporta nossas cuspidas e dejetos, que sofre todos os dias com as enxadadas e sulcos abertos por nossas máquinas, sim, ela que sempre não se importa com nossas blasfêmias ecológicas, será quem nos receberá.
Quanta ilusão até o encontro!
Temos tratado o chão em que pisamos com desrespeito e indiferença. Alguém nos disse que tudo se regenera, tudo volta a nascer e o ciclo se faz eterno. Talvez, por isso mesmo, desprezamos cada vez mais nossa casa, este pátio universal no qual nascemos e vivemos aos tropeços.
Como ela nos devolve em flores e plantas, as imundícies que nela jogamos, somos instados a pensar que sempre será assim.
Será mesmo?
Em 2025, a sobrecarga da Terra se esgotou em julho. A sua capacidade de renovação foi posta à prova, “e recursos de um ano inteiro foram esgotados em sete meses”.²
Leia também: www.neipies.com/dia-da-sobrecarga-do-planeta/
Está claro, para quem tem olhos para ver, que há um esgotamento generalizado nas possibilidades geradores de vida no planeta. Em todas as áreas: há mudanças repentinas, ondas de calor e enchentes sem precedentes. Estamos em maio e nos parece janeiro. Algo está errado!
O próprio solo está se degradando cada vez mais, com o seu uso intensivo, sem pausas, para a sua própria recuperação.
Por esses dias, no lugar onde foram esquecidos ossinhos de sabiás, asinhas de borboletas que encerraram seu ciclo, e, claro, aonde as porcarias humanas perdem seu valor, ali mesmo, sob esta terra esplendorosa ainda nascem margaridas e hibiscos.
Nem precisa plantar. O vento e os poucos pássaros que ainda vemos espalham sementes pelos cantos. O resto a terra faz. Mas a pergunta atordoante que temos de nos fazer é: até quando?

Em qual mês, nos próximos anos, a Terra se esgotará com a insistência que temos em destruí-la? Até que o solo empobreça de tal forma que somente esqueletos humanos sejam admirados?
Mas parece haver uma vingança a caminho!
Não que a desejássemos. Mas esta mesma terra desprezada e no rumo do cansaço eterno conta com um grande e eterno aliado: o tempo. Ele é quem se encarrega de nos extinguir; a terra só nos devora.
Por mais que a desprezemos é por ela mesma que seremos todos consumidos; sem pressa.
Por isso ela se ri, decerto; de si mesma e de todos nós, seus agressores. Hoje, até aceita nossos lixos e cusparadas. Amanhã, estaremos em seu ventre, ingeridos e aniquilados por seus parceiros da eternidade: os vermes.
Não deixa de ser uma pequena represália, pensando melhor; a terra desprezada engole seu ofensor.
Quando saímos de um crematório, poderemos rir, igualmente. O próprio ser humano inventou um sistema que abrevia a fome da terra pela inutilidade humana. Descobriu um fogo, potente, que pode triturar seus corpos e apressar o processo. Vamos pensar todos, pois é o cumprimento do verso de Gênesis; ao pó voltarás, mas agora espalhado pela própria mão humana. A terra até agradece, penso, pela solução inesperada.
Envie esta reflexão, anonimamente, que seja, para todo estúpido em seu caminho, que teima em imaginar ser mais importante que um parasita subterrâneo, que o fará virar almoço e jantar de bactérias e fungos.
Creia-me! A arrogância humana sempre esteve por trás da destruição que vemos com nossas árvores, rios e pássaros. A certeza de que é superior em tudo, reforça a sua vaidade, altivez e o extermínio de sua própria casa.
Até quando?
Referências:
- Gênesis 3:19
- Earth Overshoot Day
Autor: Nelceu Zanatta. Também escreveu e publicou no site “O santo mel de cada dia”: www.neipies.com/o-santo-mel-de-cada-dia/
Edição: A. R.












Gratidão, Nei!
Que todos entendam a brevidade de nossos dias e a empatia necessária para que os atravessemos divinamente.
Abraços.
Do autor Nelceu Zanatta:
“Envie esta reflexão, anonimamente, que seja, para todo estúpido em seu caminho, que teima em imaginar ser mais importante que um parasita subterrâneo, que o fará virar almoço e jantar de bactérias e fungos.
Creia-me! A arrogância humana sempre esteve por trás da destruição que vemos com nossas árvores, rios e pássaros. A certeza de que é superior em tudo, reforça a sua vaidade, altivez e o extermínio de sua própria casa.
Até quando?”