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Sobre a fé

A vida se equilibra,
saudavelmente, entre fé e dúvida. 
Quando a fé aumenta, diminui a dúvida, e,
quando a dúvida aumenta, diminui a fé.

Recordo, como se fosse hoje, mas já se passaram trinta e três anos, de uma cena que dá o que pensar. Eu estava voltando da universidade, à noite e, no caminho, entre a universidade e a parada do ônibus, havia uma igreja aberta e decidi entrar.

No exato momento em que entrei estavam sendo distribuídos envelopes para a oferta e, o pastor, no alto de sua técnica persuasiva, utilizou um único argumento de motivação para despertar a generosidade dos fiéis. Ele dizia: a dúvida é a presença do diabo na vida da gente. Quem estiver com dúvida não precisa colaborar com Deus…! Repetiu o mantra umas três vezes e parou…! Os envelopes foram passando e, em seguida, recolhidos…! Acho que só eu não fui generoso, naquela noite…! E não foi por falta de fé, ou por estar endemoniado.

Cuidado: não há nada de errado em ser generoso com a igreja, até pelo contrário, a generosidade é uma das melhores virtudes humanas.

A fé, também, é uma virtude, uma das três virtudes teologais.

A fé, também, é uma virtude, uma das três virtudes teologais, mas a dúvida não é um vício diabólico. Insisto: a dúvida não é a presença do diabo na vida da gente. A dúvida é irmã gêmea da fé e lhe presta um auxílio inestimável a fim de que não seja terreno fértil para aproveitadores.

A fé não nasce da dúvida e nem a dúvida nasce da fé, mas ambas são filhas da mesma mãe: o mundo da vida. A vida se equilibra, saudavelmente, entre fé e dúvida.  Quando a fé aumenta diminui a dúvida e quando a dúvida aumenta, diminui a fé. Ou será que quanto mais a fé aumenta, mais a dúvida também aumenta e quanto mais a dúvida aumenta, a fé também aumenta? Fica a dúvida!

Contudo, o certo é que uma não vive sem a outra, como a cara necessita da coroa para ser moeda.

Não pretendo, contudo, falar da dúvida, mas da fé, apesar da dúvida.

A fé tem seu habitat natural nas religiões, todavia, a fé é uma experiência humana importante demais para ser deixada somente para os profissionais das religiões.

Antes da fé religiosa, que em alguns sequer se manifesta, ocorre a fé antropológica, isto é, a fé em si mesma e nos outros. Uma não se opõe a outra, pelo contrário, se complementam e se retroalimentam.

Há uma dialética frutífera ou um círculo virtuoso entre fé antropológica e fé religiosa. A fé antropológica favorece a fé religiosa e a fé em Deus fortalece a fé no humano.

Por uma questão de método, quando nos aventuramos conversar sobre a fé, deveríamos começar pelo cotidiano da fé antropológica e, só depois, falar da fé em Deus, para proceder do elementar ao complexo, do mais evidente ao mais misterioso, do antropológico ao teológico.

Sem fé em si e nos outros, na vida cotidiana, acabaríamos por adoecer. Se alguém descrê de si, não crê ser capaz para nada e desconfia da própria sombra, que se pode esperar? A fé em si mesmo é a mais primária e genuína atitude de uma biografia saudável. Mas, saudável é, também, a fé que depositamos no outro, sem a qual nos tornamos paranoicos.

Sim, o contrário da fé não é a dúvida, mas o medo e o medo leva à paranoia. Não queira viver ao lado de um paranoico, não é uma experiência edificante. O paranoico vê inimigo e perigo lá onde inimigo e perigo não há. O universo mental e psicológico de um paranoico é povoado por conspiradores por todos os lados. O medo paranoico é doentio, a fé e a confiança, saudáveis.

Na vida cotidiana, se de tudo tivéssemos medo, não tomaríamos o ônibus, pois, quem nos garante que o motorista não seja um terrorista disposto a nos queimar vivos? Se fôssemos movidos pelo medo, então não comeríamos num restaurante ou mesmo em casa, pois a cozinheira pode não ter acordado de boa fé e decidido temperar, com veneno, a saborosa comida. Alguém subiria em um avião se tivesse medo paranoico? Duvido. O amor entre duas pessoas seria possível se um tivesse medo e a suspeita, permanentemente, do outro? No começo e no fim do amor está a fé no amor. Nem a obra do amor, como nos diz Kierkeggard, é prova suficiente do amor. O amor se revela na obra, mas a obra pode enganar e, por isso, é preciso crer no amor.

Há risco? É óbvio que há, é da condição humana. Apesar do risco, contudo, cremos. No começo está a fé que vence o medo, mas, cuidado, a dúvida acompanha, saudavelmente, a fé como um anjo bom, nos alertando e protegendo do perigo!

O que vale para a fé humana, vale também para a fé religiosa, a fé em Deus. E até mais, pois a Deus ninguém viu. Se há risco na fé humana, imagine na fé em Deus! Há muitos indícios para crer, mas crer continua sendo um salto no escuro.

Em algumas coisas é fácil crer, por exemplo, que a paz, o amor, a fraternidade, o perdão e a comunidade são divinos, quem duvidará disso? Mas crer que Deus existe e é trindade eterna, que Jesus é Deus, que a ressurreição dos mortos é o destino de todo humano vivente, que Deus pode intervir na natureza e fazer milagres etc., é fé em estado puro. Contudo, é melhor continuarmos acreditando, apesar do risco e da dúvida. Afinal, como diz o apóstolo Paulo, a fé é a certeza do que não vemos e uma posse antecipada do que esperamos.

Note bem, a dúvida é saudável e é divina. O que é doentio é o medo paranoico. Duvidar de Deus não nos torna doentes e diabólicos, mas se tivermos medo de Deus e nele não depositarmos a confiança e, ao invés de cremos no seu amor e misericórdia, vivermos com medo do seu castigo, adoeceremos espiritualmente, com certeza.

A fé sem a dúvida nos fanatiza.

O pai da fé, Abraão, é prova disso. Engana-se quem pensa que Abraão era um tonto e um fanático. A fé de Abraão não se mede pela disposição de matar o filho, se preciso for, mas pela decisão de não matar o filho, sabendo que isso era o desejo de Deus. Mas, como sabia que esse era o desejo de Deus? Pela fé dos que acreditam na vida e não na morte. Abraão ouviu dois mandatos, um dizia: mate o filho. Desse ele duvidou. Outro dizia: não lhes faça nenhum mal. Nesse ele acreditou.

A sua fé foi contra tudo e todos, pois a tradição era de sacrifícios humanos. Abraão rompe a tradição, diz não à morte obedecendo o anjo que lhe pede para não sacrificar e por isso mesmo se torna o pai da fé. Quando se fala da fé de Abraão, portanto, não é qualquer fé, sobretudo não é a fé do fanático e do tradicionalista, mas a fé no Deus vivo e da vida, isento de sacrifícios humanos, essa é a fé de Abraão.

De qualquer forma e, apesar de tudo, a melhor atitude ainda continua sendo do pai do menino epilético endemoniado que procura Jesus para que este o ajude. Diz o pai: “se tu podes, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. Ao que Jesus responde: “Se tu podes!… Tudo é possível àquele que crê!” Imediatamente, o pai do menino gritou: “Eu creio! Ajuda a minha incredulidade! ”

A fé é uma certeza do que não vemos e posse antecipada do que esperamos. Mas, para não virarmos fanáticos fundamentalistas é melhor rezar, dia após dia: “Eu creio! Ajuda a minha incredulidade”!




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Obrigado, Padre Elli!

Pe Elli foi um testemunho do bem,
seja na vida presbiteral, seja na missão de educador.
E este posicionamento inspirou muitas pessoas
nos caminhos a serem trilhados.


No início de fevereiro, Pe Elli Benincá partiu para a eternidade. Junto como o sentimento de pesar que passou por todos nós, havia também o sentimento de gratidão pelo o que este irmão significou na vida de muitas pessoas. Alguém que passou no mundo fazendo o bem deixa um legado, um caminho a ser seguido. O testemunho de fé e agir cidadão do Pe Elli foi válido e tem inspirado as pessoas nas mesmas atitudes.

Pe Elli chegou à Passo Fundo em 1965 e de imediato assumiu dois serviços, o de presbítero, auxiliando na Catedral Nossa Senhora Aparecida, e do professor, nas áreas de filosofia e educação, no Consórcio Universitário Católico, hoje Universidade de Passo Fundo.

Quem o conheceu é unanime em dizer que ele exerceu com profundo senso de responsabilidade estas duas missões.

Como presbítero foi um grande diferencial na Arquidiocese de Passo Fundo, contribuindo de forma significativa na formação dos futuros padres e também na formação dos agentes de pastoral leigos e religiosos. Ajudou muitos a compreenderem a importância da evangelização como um projeto eclesial e pessoal. 

Como homem ligado ao ensino superior colaborou para que a formação dos futuros professores aliasse o conhecimento formal com o sentido humano do ser educador. Era um homem que acreditava no ser humano e o seu potencial libertador.

Ele operou com maestria o encontro da fé com a ciência, fortalecido no cotidiano de trabalho em vista do bem do ser humano. O respeito e consideração por cada interlocutor marcava as pessoas com quem dialogava, mesmo que as posições fossem divergentes.

Foi um dos fundadores da Itepa Faculdades e a criação do Curso de Teologia foi muito importante para a formação teológica e pastoral dos presbíteros, leigos e religiosos da região de Passo Fundo e de outras regiões do Brasil. Tinha preocupação para que a formação teológica fosse dialogante com os diferentes contextos e ajudasse a encontrar caminhos para a eficácia da ação evangelizadora. 

Uma outra contribuição importante do Pe Elli estava nos escritos. Deixou-nos muitos artigos e livros escritos.

As suas publicações eram uma forma de contribuição para que outras pessoas exercessem a tarefa pedagógica e teológico-pastoral na perspectiva que sempre sonhara: formação profunda e autonomia em ser e agir. A leitura dos textos leva a pessoa a interagir com o seu contexto de vida e trabalho em uma perspectiva crítica e aberta às transformações necessárias.

Por fim, ressalto o testemunho deixado. Nosso mundo precisa de bons testemunhos, de gente que exerce com coragem a missão de ser sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13ss).

Pe Elli foi um testemunho do bem, seja na vida presbiteral, seja na missão de educador. E este posicionamento inspirou muitas pessoas nos caminhos a serem trilhados. É muito bom quando em nosso caminhar encontramos boas referências que reforçam nossa busca. 

As palavras são limitadas para expressar o que o Pe Elli significou para muitas pessoas. Diante desta limitação vale a expressão: muito obrigado Pe Elli.

Descanse em Paz!



Padre Elli Benincá por ele mesmo, vínculo com a UPF (Universidade de Passo Fundo)

Prolongamento da vida e solidão

A medicina paliativa pode e deve ser
implantada na maioria dos hospitais
porque estará priorizando a compaixão
antes da tecnologia.


O medo da morte é ancestral. A alta tecnologia que permite o prolongamento da vida é um adicional pós-moderno, que assombra e exige muito dos que pensam a bioética. E exige muito dos que como eu, entendem nada de medicina, mas entendem de sentimentos.

Aparelhos de precisão nos diagnosticam, mãos habilidosas e cada vez mais especializadas nos operam, remédios sofisticados dão conta da doença, efeitos colaterais dolorosos vêm no rastro, aparelhos hospitalares dão suporte à vida a qualquer custo, sem que muitos pacientes terminais possam manifestar-se contra a prática do prolongamento da vida.

O último direito que um paciente terminal tem é cerceado quando não pode manifestar claramente sua vontade. Há poucos profissionais treinados para auscultar sentimentos. O fim da vida é algo delicado demais para que a vontade de quem está à morte seja negligenciada. Morrer junto a estranhos, mesmo que atenciosos, não é a mesma coisa que morrer junto à família como quase sempre foi permitido.

Os valores pessoais devem vir antes da tecnologia o que exige um preparo especial de quem lida com o final da vida. A escuta cuidadosa e o conhecimento do que traz conforto às pessoas deve vir antes da ânsia por sobrevida. Medicamentos paliativos estão para um paciente terminal, como a prevenção está para a qualidade de vida. Profissionais da saúde que lidam com a vida terminal devem ser tão reconhecidos, quanto os que previnem de forma efetiva o aparecimento de doenças.

A medicina paliativa pode e deve ser implantada na maioria dos hospitais porque estará priorizando a compaixão antes da tecnologia. Proporcionar conforto a alguém que vai morrer é ajudar essa pessoa a superar a dor, a falta de ar e a solidão.

Morrer em uma UTI deve ser algo excepcional e não a regra. Aparelhos sofisticados devem prolongar a vida de quem tem uma vida para prolongar. Velhinhos e velhinhas devem ter o direito de morrer.

Ajudamos a cuidar de algumas pessoas velhas na família. Por vezes assistimos à morte de um (a) deles (as), mas, no desespero de não perder quem amávamos, chamamos ambulâncias e vimos nossos queridos serem ressuscitados, para assistirmos mais alguns anos de sofrimento, que, sem técnicas de ponta, teriam permitido a morte em casa, em paz.

Este é um assunto delicado, mas que temos a obrigação de enfrentar. A morte faz parte da vida e, acho importante, devemos manifestar nossa vontade enquanto tivermos lucidez. Cabe conversar, ponderar, para que nosso direito à morte seja respeitado.

Doing role significa viver o processo de morrer. Temos o direito de, mesmo no fim, estabelecer relações, contar histórias de vida, rememorar o que nos fez felizes. Enfim, os velhinhos e velhinhas, assim como os pacientes terminais, querem finalizar suas vidas de uma forma participativa, exercendo o que lhes resta de vida confortável e respeitosamente.

Somos humanos em um processo longo e duro de evolução. Fugir de assuntos dolorosos não nos ajuda a evoluir, pelo contrário, nos deixa isolados e à mercê do que é frio e tecnológico, sem o calor dos sentimentos amorosos e de pertencimento.

Assim como presenciei procedimentos “heróicos” de prolongamento da vida a qualquer custo, entrei em contato com muita sensibilidade por parte de quem cuida da vida com muita compaixão. Espero que o assunto seja pensado em todos os níveis das ciências.




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Educação abandonada

Servidores públicos, estudantes, doentes, desempregados,
aposentados já foram classificados como fardos.
Simples assim! A educação brasileira agoniza!

O ataque  do governo Bolsonaro  ao setor  educacional  continua  de  forma  descarada. Universidades foram  acusadas  de  locais  de  “balbúrdia”, de manterem plantações de maconha, coisas  nunca provadas. Fruto dos  delírios dos seguidores  do  presidente.

Professores acusados  de  proselitismo  marxista, de promoverem  doutrinação dos  seus  alunos. Como se  sabe,  doutrinação é feita  em igrejas  e partidos políticos.  Em sala  de  aula,  discute-se, argumenta-se  e busca-se analisar  o  presente, com base  na experiência do passado.

A educação é, sem dúvida,  um ato político  em seu sentido histórico: a discussão  da pólis  em que vivemos  e na qual  queremos viver. Na  sala  de aula, privilegia-se a cultura, os saberes e  os valores  dos educandos  como  ponto de partida  e chegada  de uma  educação  como prática  da  liberdade  e da transformação.

Agora, quando as  aulas  estão recomeçando, um dado  espantoso  acaba de ser  revelado, escancarando a forma  como  o atual governo trata  a  educação:  O FNDE revela  que  em  2019  foram repassados  a prefeituras  de todo o país  307,8 milhões de reais  para  a construção  de  creches  e pré-escolas  e melhoria  da infraestrutura  da rede de educação  infantil.

Trata-se do mais baixo  repasse  em  10 anos. É o claro abandono da  educação. E  dizer que  em 2012  o repasse  foi de  2,28  bilhões  de  reais.  Coisa  de governo comunista.!!

E  tem mais. Meus espantados  botões  não acreditaram  ao  saber que o governo vai cobrar  judicialmente  os  estudantes  inadimplentes  do  Fies. E óbvio, que inadimplente deve pagar suas  dívidas. Mas, convenhamos, trata-se de uma perversidade se considerarmos a baixa capacidade orçamentária dos jovens, sobretudo  com a realidade  do desemprego.

A perversidade fica mais evidente quando se sabe  que  em 2017, o governo golpista  de  Michel Temer concedeu perdão  de  47  bilhões  de reais  em dívidas   com a União  a  131 mil  contribuintes, pelo programa  de  recuperação fiscal, o  Refis.

Permitiu ainda  o parcelamento  de  59,5  bilhões, pouco  mais  da metade  da  dívida original,  em até  175  prestações.

Desde outubro de  2019, o  governo Bolsonaro, por  Medida  Provisória do  Contribuinte  Legal, está oferecendo  semelhante “mamata”.   Quem são os  beneficiários? Figuras de destaque  da  Casa  Grande. Ulala!!

Aos meus  estupefatos  botões  expliquei: o descaso  com a  educação, a perversidade com os devedores do  Fies  não são novidades. Bolsonaro costuma tratar todos  os problemas  da população, sobretudo dos mais necessitados, como estorvo.

Servidores públicos, estudantes, doentes, desempregados, aposentados já foram classificados como fardos. Simples assim!




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Dose certa de amor segundo a bula

Amor demais, amor não é.

As notas musicais são frequências diferentes do som. Se você aumentar o fá, ele não será mais um fá, será um fá sustenido ou um sol. Não é possível exagerar na nota sem desafinar a música. Um sol exagerado é um sol sustenido ou um lá. O exagero altera a nota desarmonizando a melodia, ou seja, tornando-se outra coisa.

Para cozinhar é preciso controlar o fogo. Fogo demais queima e estraga tudo. Uma excelente comida, com excesso de fogo, pode transformar-se em carvão e fumaça. Adeus ao requinte dos ingredientes e à combinação dos temperos.

Quando os filhos se tornam tiranos dos pais, imaturos e dependentes, fala-se que foi amor demais. Dizem do ciúme que é um amor exagerado. Como assim “amor demais”? É possível dizer se é pouco ou muito aquilo que não tem medida? Como acertar a dose daquilo que não cabe nos frascos?

Recomenda-se aos pais que sirvam aos filhos, até a idade escolar, cinco xícaras de amor por dia, em três momentos diferentes, com quatro horas de intervalo, no mínimo. Para um filho amadurecer equilibrado, após a adolescência, reduza-se o amor para três colheres de sopa antes e depois das festas e após chegar muito tarde de uma festa noturna.

Santa Ignorância, socorrei-nos quando mais precisarmos! O amor é, e ponto final. O amor é sábio, e ponto final. O amor é auto-dosável e tem bom senso, o resto é amor do Paraguai.



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Amor demais é egoísmo com maquiagem barata. O medo da responsabilidade faz dos pais superprotetores dos filhos por culpas mais ou menos conscientes. Quem sabe as ausências injustificadas. Quem sabe a falta de exemplos na vida. Quem sabe uma preocupação mórbida com as finanças da casa, como se nelas, unicamente, repousasse a felicidade da família. Quem sabe os pais mimam os filhos tentando resgatar tardiamente um amor que não tiveram.

Quando se está na floresta do mundo, os filhos precisam referências e segurança, e elas são dadas por marcas claras plantadas pelos pais como árvores coloridas, pegadas profundas, desenhos na terra.

O filho pode andar seguro na floresta do mundo porque sabe os limites. Limites não comprimem, não afogam, não impedem qualquer aventura. Limites são linhas seguras para que a criança, adolescente ou jovem, caminhe no mundo e atravesse a floresta. Pais amorosos e conscientes não prometem pão ou dinheiro para o caminho. Lembrem-se da história de João e Maria em que as migalhas de pão são comidas pelos pássaros e as crianças continuaram perdidas.

Peço perdão aos poetas por preferir dizer que o amor é música e não fogo. É que o fogo pode ser medido no tamanho das chamas, intensidade dos graus. A música precisa de harmonia, ritmo, melodia. Se o sol não estiver lá, tenha-se dó, melhor dar ré e tapar os ouvidos.

Fico com o apóstolo João que diz: “Deus é amor e quem ama permanece em Deus”. Se Deus é perfeito o amor não pode produzir frutos intragáveis. Amor é uma trilha feita pelos pais. Como toda trilha tem pontos escorregadios, pedras, alguns rios para atravessar e até pode e deve haver riscos. Quando o pais não estiverem por perto, os filhos saberão seguir seu caminho a sós. Aliás, é para isso que os bons pais podem morrer serenos. Eles sobreviverão sem nós.  Amor demais, amor não é.



Sueli Ghelen Frosi, da Escola de Pais do Brasil afirma que pais e mães sempre são educadores e que devem ser parceiros da escola, para a humanização dos filhos. Os filhos são educados pela linguagem, pelas emoções, pelo respeito e pelos exemplos.

Eles não sabem o que é vida de professor

Eles não sabem que sabemos que eles sabem,
contudo, fingem que não sabem.


Eles não sabem o que passei pra chegar até aqui, o quanto estudei, abdicando do meu tempo com meus filhos.

Eles não sabem a dor que sinto ao ver o futuro escapar por entre os dedos, decidido pelos votos de terceiros, que nunca calçaram meus sapatos em caminhos pedregosos.

Eles não sabem o quanto sofrem famílias inteiras pelos mais variados motivos quando empurram para a miséria pessoas que estudaram e se dedicaram a garantir uma vaga de trabalho como servidor público.

Eles não sabem o que é faltar o essencial, aquilo que nos confere o mínimo de dignidade, e que é conquistado com muito trabalho.

Eles não sabem a má aposta que fazem em dias vindouros.

Eles não sabem que essa ganância, desumanidade e estupidez, mais dia menos dia cobrará a fatura. Eles não sabem o quanto debocham dos trabalhadores quando comemoram entre sorrisos e abraços tamanha crueldade

Eles não sabem que sabemos que eles sabem, contudo, fingem que não sabem.




Bráulio Bessa, em poesia, conta um pouco da vida dos professores de todo Brasil.


(Se)Mentes do amanhã

A escola pública deve ser assim
Com a finalidade do pomar, do jardim
Que no ventre da terra arada
Depositamos sementes com um fim.
Mestres jardineiros cultivando
Desabrochares futuros
Vislumbrando no horizonte
A colheita farta de fruto maduro.
O fruto disso tudo é a consciência
Valor que só é possível
Numa escola com ciência
Numa escola com decência
Ciência que educa, que prepara
Que fertiliza o intelecto
E espanta do canteiro a chaga
Que outra (se)mente já burlara.
Ciência e decência, que se nega
aos jovens, quando se é omisso
Quando não se tem com o futuro
Nenhum traço de compromisso.
Mas como em terra fecunda
Pouco cuidado ainda vale
A natureza, resiliente e dadivosa
Permite ao broto seu desbrave.



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Cestas básicas para professores!

As promessas de melhorias na educação
e valorização dos docentes continuam esquecidas. 
A amnésia anda de mãos dadas com o cinismo.

Li no Correio do Povo, embasbacado, o relato de uma educadora  de  72  anos de idade, contando  ter passado  uma semana inteira  comendo apenas  pipoca, pois não tinha  dinheiro  para  comprar  outros alimentos.

Esta é a  realidade  do magistério  gaúcho  após  50 meses  de salários atrasados e parcelados, piso  sem  reajuste há  cinco  anos  e uma greve que beirou  dois meses.  O  sindicato foi obrigado  a  iniciar uma  campanha  para arrecadar  dinheiro e  alimento para  os educadores que enfrentam terríveis  dificuldades  financeiras.



Buscando formas de amenizar o sofrimento dos trabalhadores(as) em educação, o CPERS lança a Rede de Apoio aos Educadores do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma campanha para arrecadar cestas básicas e recursos para adquirir alimentos, a serem doados a quem necessita.



Eis  a situação a que o  atual governo estadual  remeteu seus professores.  Quando  ingressei  no magistério, nos anos  1970, a possibilidade  de obter  dois contratos  de  20 horas, em uma escola estadual,  garantia um patamar  de vida  digno.

Havia  a perspectiva  de entrar no plano de  carreira  e contar  com o respaldo  do Instituto de  Previdência do Estado. Isto representava  segurança.

Dava  para  casar, alugar uma boa  casa  ou comprar um apartamento. Até um carro popular  passava a fazer  parte  dos sonhos de um jovem  e sonhador professor, além do status  de uma profissão  respeitável. Dependendo do talento e  disposição, a renda  era complementada com um trabalho  em alguma  escola privada, faculdade, cursinho etc.

Era possível ter  acesso  a livros, atividades  culturais, pensar  na especialização, no mestrado e até mesmo doutorado. As  triplas  jornadas  de  trabalho, embora  cansativas,  eram compensadoras  e conferiam   sentimentos  de respeito e dignidade.

Com o  fim do “milagre econômico”  na ditadura militar  ( sim, houve ditadura), os governos  estaduais passaram  a arrochar  os salários  de seus  funcionários e, os professores, foram duramente  punidos  aqui no RS.

O discurso  da premência  de uma boa educação  continuou como até hoje: Educação de qualidade, sim. Professor valorizado, não!  Começaram as greves.

O CPERS ganhou força  e passou a ser visto, como nos dias atuais pelos  sectários de plantão – a  maioria  na  grande  mídia, sempre  de olho nas verbas publicitárias públicas –, como instrumento  ideológico, político, corporativo, etc jogando a sociedade  contra  os professores.  A  consequência  foi  a lenta  e inevitável  queda  na qualidade  do ensino público.

Profissionais  frustrados  e sem perspectivas.  Escolas  abandonadas, sem ambiente  apropriado para educar, gerando atitudes  agressivas  e a displicência  dos  alunos.



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Mais. Atualmente, convivemos com os  alucinados  de  plantão,  pregando  o  reacionário, medieval e ideológico  projeto da  Escola  Sem Partido.  Isto  é, querem que censura e perseguição a professores  vire política para a educação no governo.  É  a  valorização da  estupidez.

Agora, sem dúvida, chegamos ao fundo  do  poço, em que  se  faz  necessária uma  campanha  de  cestas  básicas para  professores !!! A continuar assim, professores disputarão a tapa com os alunos a merenda  escolar. Enquanto isto, o deputado  que nos representa  na  A.Legislativa gastou  9 mil reais em diárias (dinheiro público), em viagem à  Europa.  Ulala!

Se tudo isto não bastasse, o  governo,   com sua  reforma, desrespeita  direitos  adquiridos  no plano de  carreira  dos  professores.  As promessas de melhorias  na  educação e valorização dos docentes continuam esquecidas.  A amnésia  anda  de mãos  dadas  com o cinismo.



Greve suspensa, mas a luta continua!

Precisamos organizar o SUS

Em entrevista exclusiva, Drauzio Varella
defende o sistema como política de inserção social
e reforça sua importância para a sobrevivência dos brasileiros.


Publicado originalmente em Revista Radis.

“O que aconteceu com a saúde do Brasil?”, perguntou Drauzio Varella à plateia que lotava o auditório do Museu da Vida, no Rio de Janeiro, naquela manhã de 21 de outubro. O médico havia chegado de São Paulo para abrir a 16ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) da Fiocruz. Iria falar de saúde, ciência, mostrar dados do país. Mas, como ele disse logo no início, deixou seu pen drive com a apresentação em casa. Falaria de improviso. Sem perder o bom humor, Drauzio teve espaço de sobra para se voltar a temas que defende de forma incondicional, em especial o SUS, que considera uma “ousadia” e “a maior revolução na história da medicina brasileira”. “Imagina um país como era o Brasil, em 1988, em que um bando de visionários resolve dizer ´nós temos que dar saúde gratuita para todos´. Até hoje, nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes ousou tanto”, avaliou.

Dono de uma personalidade carismática, Drauzio voltou no tempo e costurou histórias de sua vida pessoal para mostrar o quanto o Brasil avançou depois da criação do sistema. Para ele, há um antes e um depois claro, um marco a partir de 1988. O menino nascido no Brás, um bairro operário na Zona Leste de São Paulo, só aos sete anos foi ao médico — e virou o centro da curiosidade dos amigos. “Naquela época ninguém tinha pediatra, ninguém ia ao médico tão cedo. Alguém consegue imaginar que isso é possível hoje em dia?”, comparou, lembrando que o país, à época, era majoritariamente rural. “Se não havia pediatra para crianças que moravam na periferia da cidade que mais crescia, imagina que tipo de assistência médica era dada pelo país. Não havia assistência médica. Ponto. Não havia nenhum planejamento ou intenção de dar saúde pública para todos. O SUS mudou esse quadro”.

Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde entrou em 1962, Drauzio Varella é oncologista, professor, escritor — autor de 10 livros sobre saúde e temas sociais — e palestrante. Há mais de 30 anos, é voluntário em penitenciárias paulistas, masculinas e femininas, trabalho que foi iniciado com prevenção à aids na Casa de Detenção de São Paulo. Dessa experiência surgiu a trilogia “Estação Carandiru” (1999), “Carcereiros” (2012) e “Prisioneiras” (2017), que mostram a crueza do sistema carcerário brasileiro, a invisibilidade de pessoas encarceradas e como funciona a vida para quem está atrás das grades. O primeiro deles, um best-seller, recebeu o Prêmio Jabuti na categoria “não-ficção”, em 2000. Quatro anos depois, virou filme dirigido pelo cineasta Hector Babenco.

Muito antes do filme, em 1985, Drauzio tratou os primeiros casos de aids em São Paulo. O médico foi um dos pioneiros no tratamento da doença, especialmente do sarcoma de Kaposi, no Brasil. Em 1986, gravou campanhas de prevenção à aids em rádios paulistas. Ao publicar um artigo em um jornal sobre o assunto, ele deu seus primeiros passos no campo da comunicação e saúde. “Quando comecei, médico não falava nos meios de comunicação pois era interpretado como autopropaganda. Hoje mudou completamente e há muita gente da melhor qualidade transmitindo informações importantes”, assegurou.

Mas foi a televisão que deu ao médico visibilidade nacional. Desde 2003, ele apresenta um quadro aos domingos no Fantástico, da Rede Globo. Hoje, Drauzio participa de todas as mídias e faz sucesso nas redes sociais. Seu canal no YouTube, lançado em 2015, é identificado como “o maior canal de saúde do Brasil: de resfriado a questões sociais”, definindo os contornos de sua abordagem sobre saúde. Só nesta rede ele possui 1,75 milhão de seguidores que, junto com a audiência da página no Facebook e perfis no Instagram e Twitter, somam quase 6 milhões de pessoas.

Por meio de seu trabalho, o médico fala de saúde, de vida e do SUS, sem se furtar a tocar em temas tabus, como o uso de drogas e o sistema de encarceramento no país. Um dos vídeos mais acessados do Canal do Drauzio, no YouTube, é justamente o bate-papo sobre maconha, assunto que também abordou na palestra. Sua fala na Fiocruz manteve o mesmo tom leve e direto de quem fala sobre drogas “sem pagar de moralista”. Durante 50 minutos, o médico provocou reflexões e risadas. O status de celebridade ficou patente ao final quando, atrasado para pegar um voo, foi retido pelos inúmeros pedidos de selfies e autógrafos.

A saída pela porta lateral foi, assim, estratégica: com uma agenda apertada, Drauzio tinha que voltar rapidamente para São Paulo a fim de cumprir sua rotina semanal de atendimento na Penitenciária Feminina de São Paulo. A caminho do Aeroporto Santos Dumont, ele conversou com a reportagem da Radis e voltou a reforçar a potência e importância do SUS para a sobrevivência dos brasileiros. Seu pensamento pode ser resumido em uma frase: “Sem o SUS é a barbárie”.

Como o senhor vê o Brasil de hoje?

O Brasil está atravessando uma fase muito dura do ponto de vista econômico. Eu nunca vi uma crise com um desemprego absurdo como esse. São 13 milhões de pessoas sem emprego. Lógico que esse quadro repercute na saúde. Hoje, há mais pessoas dependentes do SUS e quem está desempregado vive em situação de vulnerabilidade, como acontece com grandes massas populacionais no Brasil. Além disso, eu vejo o desinteresse até ostensivo com programas sociais, não só em relação à saúde. O SUS já vinha lutando com dificuldades enormes. Aí cortaram [a verba] e entrou a ideologia no meio de fatores que são puramente de ordem técnica. Ficou ainda mais difícil.

Qual é o nó crítico da política de saúde brasileira?

O país não tem uma política de Estado na saúde. Nos últimos dez anos, tivemos 13 ministros da Saúde. De que forma vamos organizar o sistema sem continuidade? Se o ministro cai, muda todo mundo. Nos níveis federal, estadual e municipal, muitos são escolhidos por orientação política. Acho que a saúde tem que ser blindada dessa política partidária no mau sentido. Falta dinheiro, claro, mas dinheiro não vai resolver nosso problema. Os Estados Unidos investem 17% do PIB deles em saúde. Só que o PIB deles é de 19 trilhões de dólares, então vão uns 3 trilhões de dólares para a saúde. É mais do que o PIB brasileiro; tudo que nós produzimos no país eles investem em saúde. E o americano médio vive 78 anos; o brasileiro vive 76 anos. Eles jogam dinheiro e a expectativa de vida deles está caindo. Lá tem um conjunto de fatores que levam a à obesidade e a um pacote de doenças difíceis de tratar. E uma medicina tecnológica da qual nunca vamos dispor.

É uma questão de gestão?

Nenhum sistema funciona bem com várias portas de entrada, nem a casa da gente. Temos que ter uma única porta de entrada. Até pouco tempo, quando alguém precisava de atendimento, pedia que um político ou uma pessoa influente telefonasse para um médico amigo no hospital, este falava do caso e furava a fila. Esse era um sistema cheio de privilégios e começou a ser organizado. Hoje, se um milionário precisa de um transplante de fígado, tem de entrar na fila junto com os outros na disputa pelo órgão. Não vai passar na frente de ninguém porque essa informação está disponível na internet. A Estratégia Saúde da Família está montada e é um dos dez melhores programas de saúde pública do mundo, mas ela é tratada com descaso. Se funciona bem e cobre 66% da população do país (no Nordeste cobre 82% da população), deve ser a porta de entrada. A pessoa está com dor de cabeça e vai procurar um neurocirurgião: isso encarece demais, não é sustentável. Se olharmos a fila com um pouco de critério, veremos que 80% a 90% das pessoas não tinham que estar naquele lugar. Por isso é que eu acho que a estrutura toda está aí, falta organização. Nós temos tudo. Claro que precisamos de mais recursos, mas nunca os recursos serão suficientes. O que é doído é que temos toda a estrutura armada no SUS, só que ela funciona mal.

O senhor tem afirmado que é o SUS é a maior política de inserção social.

O SUS já atende diretamente 75% da população ou 150 milhões de brasileiros. Se você retirar o SUS, é a barbárie. O que vai acontecer com essa legião de pessoas? Onde serão atendidas? Não tem alternativa: precisamos organizar o SUS para atender essas pessoas com mais eficiência, interferir com a medicina preventiva, dar o atendimento com a atenção básica à saúde. O SUS tem tudo, não precisaria nem de recursos imensos para fazer a cadeia funcionar regularmente. Repito: a estrutura está toda montada e o que precisamos é de uma diretriz política. Sim, nós precisamos de mais dinheiro, mas a organização é que vai mudar as características do SUS completamente. Porque o SUS é o maior programa de distribuição de renda: ele gasta R$ 240 bilhões e o Bolsa Família gasta 10% disso. É uma ajudinha pequena diante do SUS. O SUS faz um trabalho maravilhoso no Brasil e, infelizmente, o que fica são só os exemplos das situações em que ele não funciona ou funciona mal.

Quais são os principais desafios a serem enfrentados pelo sistema público de saúde no futuro?

Vejo dois desafios: nós temos todos os problemas do envelhecimento e ainda não nos livramos de muitas doenças infecciosas. Acho que o maior desafio é o do envelhecimento, porque envelhecemos mal: 90% dos brasileiros chegam aos 60 anos com pelo menos uma doença crônica. São 15 milhões de pessoas com diabetes. Aos 70 anos, praticamente 70% dos brasileiros têm pressão alta. Aqui, temos 825 mil pessoas HIV positivo. As doenças crônicas demandam um esforço enorme de todo o sistema de saúde. Tudo tem que ser feito rapidamente porque a população envelhece muito depressa.

Isso inclui ações de prevenção.

O Ministério da Saúde tem sido até agora o ministério da doença. A saúde suplementar também. A questão é que nós não soubemos organizar a atenção primária à saúde. Não há sentido, no mundo moderno, esperarmos que as pessoas fiquem doentes para tratar. A preocupação tem que começar lá atrás. Claro que com mais recursos nós poderíamos fazer mais e muito melhor.

Qual a sua avaliação do Mais Médicos, em especial da participação dos médicos cubanos no programa?

Os médicos cubanos tiveram uma importância muito grande para o sistema em regiões que estão abandonadas. No início, houve uma reação corporativista de uma parcela de médicos. Mas os cubanos não queriam fazer Medicina como a gente, eles foram contratados para fazer Medicina onde a gente não fazia, onde nós não chegávamos. Eles ajudaram muito. Eu andei por muitas cidades e eles eram médicos adorados pela população. O problema é que a gente não contava que, de uma hora para outra, isso acabaria com a mudança de um governo que tinha posições antagônicas e destruiu o programa. Nós não imaginamos que esses médicos poderiam ir embora quando não tínhamos ainda um plano B. E estamos nessa situação complicada.

Há saídas para repor esses profissionais?

Um país como o Brasil vai ter sempre dificuldade para distribuir médicos. A gente teria que substituir esses médicos gradativamente, pois é muito difícil conseguir tanta gente capacitada para atender em lugares tão pobres. Há 450 mil médicos concentrados no Sudeste; no Norte e Nordeste eles estão nas capitais e cidades grandes. Temos 300 faculdades de Medicina — sem professores para tanto. Fazem faculdades esperando que os médicos se espalhem. Quem garante isso? As faculdades privadas custam R$ 10 mil, R$ 12 mil reais por mês. Você acha que quem paga esse valor e se forma depois vai para a periferia de Quixadá, no Ceará, atender gente pobre? Vai se especializar e ficar por um grande centro. Precisamos de médicos de família, que resolvem 90% dos problemas. Temos que ter essa formação. Os Estados Unidos têm esse mesmo problema nas pequenas cidades do interior. Temos que criar alternativas para poder fazer o trabalho que os médicos não são capazes de fazer. A ESF cobre dois terços da população. O esforço para acabar de cobrir o resto não é grande. Então, faz a entrada toda por ela, usa a Enfermagem de uma forma decente — porque nós desperdiçamos os enfermeiros no Brasil. Eles se formam, se especializam, fazem pós, e depois enfrentam resistência porque a classe médica corporativa acha que só ela pode fazer o atendimento. Ótimo, só que não faz. Esse corporativismo exagerado não ajuda em nada.

Como anda a saúde nas prisões?

Quando cheguei ao sistema penitenciário, eram 90 mil presos; hoje são 820 mil. Temos a terceira população carcerária do mundo em números absolutos. Prendemos muito e temos que saber que cadeia não diminui a violência urbana. Nós construímos facções criminosas. Eu vi o crime organizado nascer nas prisões de São Paulo e como ele tomou conta delas. Poder é um espaço abstrato. Se o Estado não consegue dar proteção ao homem que está na cadeia, o crime organizado vai dar.

E como encarar o tabu das drogas?

Droga não tem solução. Usamos desde a antiguidade. O que não podemos ter é essa estupidez de querer resolver um problema de saúde pública com polícia. Polícia não é para isso. Não é função da polícia resolver problema de saúde pública.

De que forma a prática de atividade física pode diminuir a epidemia de obesidade?

A população tem acesso a uma comida de qualidade, a um preço tão acessível, e não temos esse breque [freio] para parar. Começamos a comer muito e falta atividade física. Hoje é possível ganhar a vida sentado, ficar o dia inteiro sem se movimentar. Mas na época das cavernas não existia isso. Nosso corpo foi desenhado para o movimento. Como resultado, vivemos uma epidemia grave de obesidade no Brasil. A Organização Mundial da Saúde recomenda que é preciso fazer 30 minutos de caminhada cinco vezes por semana. E ninguém mais anda. Eu vejo que temos que atacar o problema do sedentarismo. No século 21, o sedentarismo vai matar tanto quanto o cigarro, e o cigarro vai matar 800 milhões de pessoas. A vida sedentária faz muito mal.

O senhor combate fortemente o cigarro. O que acha dos novos dispositivos eletrônicos para fumar?

Eu acho que a indústria tabaqueira é a mais criminosa do sistema capitalista internacional. Ela vende uma droga que é a mais aditiva de todas que a Medicina conhece. Eu tenho uma longa experiência com o crack e sei que é mais difícil largar o cigarro do que o crack. A Penitenciária Feminina de São Paulo é o maior centro de recuperação de usuários de crack no mundo porque o PCC [organização criminosa Primeiro Comando da Capita] não deixa entrar crack na cadeia. As mulheres largam o crack, mas não o cigarro. Então a indústria sentiu que as vendas de cigarro estavam caindo nos países e inventou novas formas de a nicotina ser fumada diretamente. Esses dispositivos viciam ainda mais, porque a concentração é mais alta do que a existente no cigarro. Eles dizem que é seguro, justificando que esse dispositivo vai ajudar a parar de fumar. Isso é redução de danos. Só que vicia uma legião de meninos e meninas que não iriam mais fumar cigarros e apresentam um produto em forma de pen drive, que pode receber carga em USB de computadores.

Foi então uma estratégia da indústria apresentar a nicotina em uma nova e moderna embalagem?

Nos Estados Unidos, 27% dos estudantes de nível médio fumam essa desgraça. Ou seja, criou uma epidemia de viciados quando ela estava diminuindo gradualmente ano a ano. A Altria, a maior fabricante de cigarros, comprou 30% das ações da fábrica que faz o cigarro eletrônico mais comum [Juul Labs]. Explica o raciocínio para mim: eu fabrico um produto e compro uma parte de uma fábrica que fabrica um produto que é para as pessoas pararem de usar o meu produto. Que lógica é essa? A lógica dessa indústria é vender nicotina, eles são traficantes. Eu vejo mais beleza na vida que leva o traficante que está no Morro do Alemão [no Rio de Janeiro] do que na vida dessas pessoas. Elas andam de terno e gravata, são respeitadas socialmente e o traficante do morro vende droga e foge da polícia. Esse pelo menos tem uma vida mais de acordo com a atividade que pratica.

O senhor considera que o brasileiro reconhece a importância do SUS?

Bom, nós olhamos o SUS pelo prisma das grandes cidades e dos problemas que aparecem na televisão. Só que o SUS realmente funciona em muitas localidades do Brasil, especialmente municípios menores, e isso ninguém noticia. As pessoas se surpreendem quando eu digo que nós temos o maior programa de vacinação e de transplante, que mudamos o destino da epidemia de aids no mundo. Ninguém sabe que é o SUS que garante a segurança dos hemocentros. Perdemos na comunicação. As pessoas não entendem o que é o SUS e acham que ele é o pronto-socorro lotado, com fila e cheio de gente deitada no chão e nos corredores. E não é. Não haverá outra revolução com tanta profundidade. Imagina um país como era o Brasil, em 1988, em que um bando de visionários resolve dizer ´nós temos que dar saúde gratuita para todos´. Até hoje, nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes ousou tanto. O SUS tem uma abrangência maior que o NHS [sistema de saúde pública inglês]. Tem problemas, muitos, mas a filosofia de dar saúde gratuita não é uma coisa simples de ser feita.

As informações de saúde ocupam um espaço adequado na mídia?

Nós, médicos, conseguimos popularizar a Medicina de um jeito que outros profissionais de outras áreas não conseguiram. Ninguém tem ideia de quais são os maiores problemas de urbanismo do Rio de Janeiro ou quais são os principais desafios para você organizar o tráfego urbano. As pessoas querem saber mais da própria saúde do que de problemas de urbanismo. Os médicos foram capazes de transmitir esses conceitos no decorrer de décadas. Hoje, todo mundo sabe o que é diabetes, pressão alta, colesterol, que cigarro faz mal. Antes, a gente não tinha esse sistema de comunicação de massa que envolve a televisão e a internet. Embora a internet veicule informação sem nenhum critério, ela dá acesso muito amplo. E questões de saúde sempre interessam.

Como é ser um médico que atua também em comunicação?

Entrei na TV por causa de uma série da BBC sobre o corpo humano que era apresentada por um médico inglês. Queriam um médico brasileiro e me convidaram para fazer. Me interessei porque as imagens eram maravilhosas. Disseram “faça o que você quiser fazer”, com todo o apoio técnico para isso. Eu me sinto tomado por uma responsabilidade pública. Tenho que usar esse tempo da melhor forma possível para poder mandar mensagens de saúde pública que interfiram na vida das pessoas, das famílias. Em um país com tão baixa escolaridade como o nosso, esse é um desafio muito grande. Em todo lugar que eu vou escuto pessoas dizerem que pararam de fumar por causa da série “Brasil sem Cigarro”, apresentada na TV em 2014. Mas eu não tenho ideia alguma do impacto desses programas na saúde. Infelizmente, não temos essa medição aqui no Brasil.

O que o senhor diria para um jovem médico ou um estudante de Medicina?

Tem que gostar de estudar bastante. Aliás, quem não gosta de estudar não deve fazer Medicina. E quem não tem muita paciência, não deve fazer Medicina. Se a pessoa tiver vontade de estudar, pode trabalhar em qualquer ramo ou trabalhar em áreas como a Comunicação, um campo que fica mais forte. Quando comecei a falar de saúde no rádio, médico sério não falava nos meios de comunicação porque isso era interpretado como autopropaganda. Hoje essa visão mudou e temos profissionais da melhor qualidade transmitindo informações importantes. Mas, o principal de tudo é gostar, senão não vai conseguir exercer bem a Medicina.

Qual é a importância da Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento do SUS e do Brasil?

Com muita dificuldade, a ciência brasileira conseguiu estabelecer uma rede, os pesquisadores passaram a se comunicar uns com os outros, estabeleceram protocolos cooperativos. De repente, a barbárie cai em cima [dessa rede] para desestruturar todo o sistema. O Brasil depende disso. Nós dependemos da ciência porque se não vamos ficar eternamente dependentes dos outros países. Nós vamos ter que comprar a tecnologia que os outros desenvolveram, pagar royalties. Eu cito um exemplo lá de São Paulo que foi o tratamento com células CAR-T (Radis 206). Só a transfusão das células nos Estados Unidos custa 450 mil dólares. Se contar todos os custos hospitalares, que lá são estratosféricos, chega a mais de um milhão de dólares. E aqui eles desenvolveram em Ribeirão Preto com tecnologia 100% brasileira. O cálculo dessa equipe é que gastaram menos de 100 mil reais, que são 25 mil dólares. A diferença é absurda porque não pagamos royalties para ninguém. Se o Brasil quiser dominar essa técnica e torná-la mais popular, vai conseguir, porque é um preço mais razoável. O mesmo aconteceu com a medicação da aids, que era importada e caríssima, e o Brasil resolveu produzir genéricos. A ciência é absolutamente fundamental para o desenvolvimento. Desorganizar a ciência é renunciar à soberania nacional.




Em outra entrevista, no mês de dezembro de 2019, entrevistamos Alberi Grando sobre a história e a importância do SUS. Grando começou sua vida profissional numa pequena cidade do RS, Santa Bárbara do Sul. Envolveu-se, intensamente, na defesa do SUS (Sistema Único de Saúde). Também exerceu funções como secretário municipal de saúde, delegado e coordenador regional de saúde e vereador por dois mandatos em nossa cidade Passo Fundo.

A democracia questionada

A defesa da democracia precisa ser verbalizada,
assumida e defendida exaustivamente por aqueles e
aquelas que acreditam na liberdade humana e nas
relações interpessoais e instituições regradas pelo
Estado Democrático de Direito.

Pesquisa DataFolha mostrou que, desde 2018, caiu de  69% para 62% o apoio  à democracia. Pior. Subiu de 13% para  22%  a parcela  de brasileiros que não vê distinção entre democracia e ditadura.

Sou da geração que luta, desde a idade escolar, pela democracia. Quando tomei consciência de mim, como pessoa autônoma e como parte da comunidade, estávamos sob a tutela militar. Sei quanto avançamos.

Kant dizia que a busca do conhecimento não tem fim. A busca pela democracia, também não. 

Na prática, democracia, como um ponto final que uma vez atingido nos deixa  satisfeitos  e por isso decretamos o fim da política, não existe.   Existe é democratização, o avanço a um regime  cada vez  mais  inclusivo, mais representativo, mais justo e  mais  legítimo.

Os dados  da pesquisa  refletem  o que  vem acontecendo nos  últimos tempos  entre  nós. Temos um  presidente com um discurso  à  favor  dos  valores antidemocráticos, conquistando uma  audiência  imbecilizada que fez  do antiesquerdismo  uma  crença  sem conteúdo  afirmativo, fundamentalmente  definido  pela negação.

Um dos filhos do presidente, Eduardo, e  até um  ministro  acenaram com a possibilidade  de um  novo  AI-5, o mais ignóbil e violento dos  atos  baixados  pela ditadura militar. O curioso é que, segundo a pesquisa  DataFolha,  65%  dos  entrevistados  disseram nunca  ter ouvido falar  no  citado ato, mas  muitos aprovam  a sua  volta.  Uau!!

Muitos dos  beócios que  hoje  se  manifestam contra  a democracia  e, via redes sociais, pedem a volta  de uma ditadura  civil-militar, desconhecem  que bons e justos  argumentos  da  política  podem terminar  na mira dos fuzis.

Os valores democráticos sempre foram  considerados pela  direita reacionária  como perniciosos  fatores  de debilidade  e  de  caos  destrutivo.

Também é preciso considerar que quando as pessoas  se  sentem perdidas, desorientadas, desbussoladas, como neste momento, oriundo  da quebra de parâmetros  – vivemos  uma regressão civilizatória –, elas  podem  voltar  a uma  ação  anterior, a um reacionarismo.  E o reacionarismo  de mais  fácil acesso  é  o do caudilho, do pai, do coronel.


Acesse também outras reflexões críticas e reflexivas no nosso site. Este website é uma construção feita por muitas mãos que desejam comunicar conhecimentos e reflexões em vista de um ser humano mais colaborativo e solidário.
https://www.neipies.com/todos/




As pessoas, muitas vezes, preferem  uma servidão  voluntária  a  uma liberdade  arriscada, uma liberdade  responsável.  Corremos o risco, se não reagirmos a  este governo de extrema  direita, a ter no lugar  das armas  da  República  o pau de  arara!

Qual a solução? Acredito que passa por estudar mais  história, basicamente. A sociedade precisa de historicidade, de conhecer  seu passado, de entendê-lo. Notadamente,  diante de um governo como este, que se  caracteriza pelo negacionismo.

Através da memória ativa, de um estudo mais consistente, mais  localizado, construiremos  uma memória ativa. Não uma memória sacralizada, museificada.

Também devemos passar à  ação. As grandes  democracias não são  países  estanques, monolíticos, de povos  submetidos  às decisões  das autoridades. As manifestações devem ser externadas e ouvidas. Ou agimos ou contribuiremos para a derrocada  da nossa  democracia que foi duramente  conquistada.


“As democracias estão cada vez mais sob pressão em todo o mundo, como mostrou também o Índice de Democracia, publicado pela empresa britânica de análise Economist Intelligence Unit (EIU) no começo do ano. De acordo com o ranking, menos de 5% da população mundial vive nos únicos 20 países classificados como “democracias plenas”. Leia mais aqui.

Um aceno de esperança

O que é um jardineiro?
Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins.
O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro.
O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem.
(Rubem Alves)

Era uma tarde de muito calor. Milhares de professores, embalados por sua cidadania, caminhavam pelas ruas de nossa capital Porto Alegre. Um suave aceno embalava as suas utopias. Uma senhora, de um edifício bem alto, na Borges de Medeiros, ninava as suas esperanças, embalando um lenço verde. É, o lenço era verde e verde é de esperança. E aquela senhora reconheceu que aquela multidão era movida por uma causa: a educação pública e de qualidade para todos.

Não cometemos crime ao lutar por nossos direitos, como muitos desejam supor. Sem medos, caminhamos pacificamente, segurando bem firme as nossas armas: nossa voz e nossas bandeiras. Aprendemos, faz bom tempo, que quem luta, também educa. E que se “educar é nossa vida, lutar é nossa atitude”.

O sol escaldante e reluzente da capital gaúcha nos fez lembrar do educador Rubem Alves, que certo dia resolveu perguntar-se e responder-se: “o que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins”.

Se pudéssemos conversar com a senhora do lenço verde, da Borges de Medeiros, e com todos os que nos acenam (dos mais diferentes jeitos), diríamos a estes que os professores e professoras semeiam, todos os dias, um jardim de esperanças em suas salas de aula.

Que todos os dias, enfrentam o seu ofício não só pelo salário, mas como uma missão de contribuir para com a humanidade, através da educação. Que todos os dias correm riscos de vida, pela vida de outras pessoas, por causa da violência que já chegou às nossas escolas. Que seus dias tem sido castigados, semelhante ao castigo que o sol impõe às plantas do jardim, no rigor dos nossos verões.

Nós somos jardineiros e fazemos a luta a partir de nossa dignidade. Somos referência para muitos jovens, porque ainda não deixamos de semear em suas vidas (e em seus corações) a ideia de que a vida é um jardim, que precisa ser cultivado, regado e cuidado.

As flores precisam de carinho. Os seres humanos, de reconhecimento. Os vegetais precisam de sol, os alunos precisam de horizontes. As plantas precisam de terra, adubo e água. Os seres humanos precisam de estímulos, zelo e cuidados.



Nosso maior palco é a vida.



Logo a gente que cuida de jardins, não é bem cuidado. O nosso clamor é por reconhecimento. Por sabermos da importância dos jardins, exigimos que os governos façam sua parte para engrandecer e embelezar o jardim das nossas vidas, e o jardim das vidas daqueles e daquelas que cuidamos com o maior carinho. Lidamos com vidas e temos dignidade.

Sabemos, por consequência, quanto nos custa ensinar, mas não reclamamos deste custo. Como amamos a nossa profissão, resolvemos pedir que nos reconheçam como gente, e como profissionais da educação.

Sabemos que o sol tende a nos castigar com o avanço do verão. Mas também sabemos que este mesmo sol brilha para todos e é fonte inesgotável para gerar vida, capaz de conduzir novos horizontes. No horizonte do sol, arriscamos paralisar as aulas, pois aprendemos que aqueles que nada arriscam nada podem conquistar. E para a senhora do lenço verde, pedimos que não canse de nos acenar, pois a vida e a luta é esperança. Seu gesto, com certeza, estimulará muitos outros a nos acenar.

Obrigado!



Crônica publicada em livro “Conviver, educar e participar nos palcos da vida”, Ed. Ifibe, 2014.

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