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Incentivando o imaginário da criança através dos contos de fadas

As crianças sabem bem o que é serem amadas, principalmente as que ouvem contos de fadas. Não as deixemos nas mãos de qualquer pessoa e nem as entreguemos em creches sem que saibamos que são especialmente cuidadas, pois os primeiros amores marcam o espírito em formação.

Alguns educadores, psicopedagogos e teóricos da infância preferem falar mais na razão do que no imaginário; eu sinto-me mais à vontade em falar desse outro mundo que cada criança tem dentro de si e o povoa como deseja: o mundo imaginário.

Esse mundo que está se perdendo aos poucos, deixado de lado, esquecido, muitas vezes substituído logo na tenra idade por jogos e produtos eletrônicos. As nossas crianças já não têm mais tempo para imaginarem outros mundos e o mundo real vai se tornando cada vez mais insuportável de se viver sem com isso ter outro lugar para fugir quando ele não for mais capaz de atender as expectativas da criança.

Diziam que o filósofo Tales de Mileto vivia no mundo da lua, mas ninguém sabia que ele tinha o seu mundo imaginário cheio de criatividade e ideias que mais tarde serviram para torná-lo o pai da filosofia grega. Não se preocupem se as suas crianças passam a maior parte do tempo nos seus mundos imaginários, melhor do que ficarem tanto tempo presas a computadores ou celulares.

Claro que tudo o que é demais é prejudicial, mas a criança dá sinais quando algo está errado com ela. Converse com a sua criança e procure descobrir sobre o que ela pensa, quais seus sentimentos em relação ao mundo real e como ela faria para tornar o mundo mais bonito, assim você saberá se ela está com o mundo imaginário fértil ou não.

Antigamente, as nossas crianças ouviam histórias e eram felizes, não tinham traumas, não tinham medos, não perdiam o sono à noite, dormiam no escuro e nem faziam xixi na cama.

As nossas crianças ouviam histórias de dragões, fantasmas, bichos do nosso folclore, outros bichos inventados pelas contadoras de histórias e ficavam assustadas, maravilhadas, coraçãozinho parecia que ia sair pela boca, mas eram outros tempos aqueles. Tempos em que a violência quase não existia, em que os jogos eletrônicos não eram de combates e muitas mortes, tempos em que ir e voltar da escola era o melhor passeio do mundo. Nesses tempos, as crianças tinham outros mundos, os seus mundos imaginários.

A criancinha ouvinte de histórias ama e é amada. Ao abrir o coração e a fantasia, ela deixa-se envolver pelo momento em que está ouvindo a história, aprendendo tanto com o conteúdo da história quanto pela forma pela qual é narrada, que é a grande arte do contador de histórias que seria o amante principal. Leia mais!

Nem é preciso jogar para vermos tantas mortes violentas, pois na vida real, em alguns bairros de periferia, as crianças convivem com a morte todos os dias, e isso é assustador. Muitas delas são obrigadas a carregarem armas pesadas desde cedo e como num jogo eletrônico precisam vencer o inimigo de qualquer jeito. Essas crianças precisam de contos de fadas, mesmo que sejam considerados bobinhos, eles podem ajudá-las a sonharem com um amanhã melhor.

O mundo real mudou. Exige da criança hoje que ela aprenda programação de computadores logo cedo, seja uma expert em robótica, matemática, lógica e estão esquecendo de contar histórias fantásticas às nossas crianças. Estão esquecendo de que os contos de fadas salvam as crianças dos seus medos e traumas que a vida todos os dias lhes apresentam.

Estão esquecendo que o melhor mundo para a criança é aquele em que ela tem o domínio e os acontecimentos são conforme o seu desejo. Não façam isso com as suas crianças. Não lhes tirem o direito de imaginar, a imaginação é o que há de melhor para o bem viver. No mundo imaginário a gente esquece as perdas, as tristezas, as doenças, os medos, as angústias.

Não vemos mais crianças dizendo que criam dragões ou que serão felizes para sempre. Estamos trocando os contos de fadas por histórias realistas, histórias que quase nada acrescenta ao imaginário das crianças.

Aos poucos, as nossas crianças estão deixando de dizer que querem ser príncipes ou princesas, isso a gente pode ver nos seus desenhos que estão cada vez mais reais, principalmente nas crianças que vivem nas periferias do nosso país.

 As crianças pobres e negras são as mais afetadas, pois não têm acessos a livros de contos de fadas e não têm quem se preocupe com os seus mundos imaginários. Essas precisam sair cedo de casa para trabalhar e ajudar seus pais nas despesas de casa. Também são as crianças de periferias vítimas de violências com trocas de balas entre a polícia e traficantes. Vivem assustadas e são as que mais precisam ouvir contos de fadas para fugirem desse mundo cruel e habitarem nos seus mundos inventados por si próprias.

Faço aqui um apelo às Secretarias de Educação, dirigentes de escolas, professores, psicopedagogos para retomarem o estudo dos contos de fadas às salas de aulas. Eles são o que há de melhor para se cuidar de uma criança. Eles ensinam às crianças a como lidarem com seus medos e aflições, a como vencerem os obstáculos, os monstros e os sofrimentos diversos da vida real.

Os contos de fadas também fazem parte do mundo imaginário das crianças, principalmente daquelas que moram longe de uma floresta, da vovó e dos animais.

A menina que ouviu o conto de fada da Chapeuzinho Vermelho em algum momento da sua vida criou um mundo imaginário onde se viu sendo uma menina na floresta indo à casa da vovó e enfrentando o lobo mau. Esse lobo mau pode ser considerado como as muitas formas de violência que temos no mundo real e que a menina consegue enfrentá-lo com a ajuda do caçador que pode ser uma pessoa próxima que passa segurança à criança.

As pessoas reais também fazem parte do mundo imaginário das crianças, tanto as boas quanto as más, precisamos para isso cuidar para que as nossas crianças guardem em seus mundos imaginários apenas as pessoas boas para crescerem seguras e saudáveis.

Toda criança deve ter seu mundo imaginário e nunca ser criticada por isso, ao contrário, se os pais ouvirem as crianças falando sozinhas enquanto brincam não é motivo para pânico. E toda criança tem um amiguinho imaginário com quem brinca, conversa e conta sobre os seus medos e angústias. Esses amiguinhos não tendem a ficar muito tempo, com oito ou nove anos eles costumam desaparecer.

O que chamo a atenção é para que o mundo imaginário seja habitado por coisas maravilhosas que só são encontradas nos contos de fadas, como a bondade e gentileza dos sete anos em cuidar da Branca de Neve. Mas também temos nos contos de fadas a maldade das madrastas e das bruxas que mostram às crianças o cuidado que elas devem ter com as pessoas da vida real e a aprenderem a enfrentar, sozinhas, seus medos.

Os contos de fadas são o que de mais belo há na literatura infantil. O que de mais belo pode ser usado para incentivar o mundo imaginário da criança a tornar-se grande o bastante onde ela possa sentir-se confortável e protegida.

Quando uma criança sofre uma dor é para o seu mundo imaginário que ela corre se não tiver a mamãe ou o papai por perto e nesse mundo onde tempo é uma preciosidade para os pais, as nossas crianças estão quase sempre sozinhas, ou seja, aos cuidados de alguém que não lhes passa tanto amor e confiança.

As crianças sabem bem o que é serem amadas, principalmente as que ouvem contos de fadas. Não as deixemos nas mãos de qualquer pessoa e nem as entreguemos em creches sem que saibamos que são especialmente cuidadas, pois os primeiros amores marcam o espírito em formação.

Sim, os contos de fadas devem ser lidos para as crianças ainda em berçários de forma leve e suave. Enfatizando-se a coragem do príncipe, a beleza do dragão, o amor dos irmãos e tantos outros sentimentos bons que a criança possa experimentar no seu dia a dia para um viver melhor. Até mesmo os adultos deveriam ouvir contos de fadas e continuarem alimentando os seus mundos imaginários, mas isso é motivo para outro artigo.

Penso que todos nós devíamos conservar o imaginário de alguma forma para podemos ter um lugar só nosso quando a vida doer fortemente na gente. Por que não permitir isso às crianças?

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Alucinados por cloroquina

Houve troca de ministro que não adotou a cloroquina. O comando político usou a força para substituir vozes acreditadas mundialmente no conhecimento. Até quando irá este negacionismo tão nocivo ao país?

O colossal marketing do governo devotado ao êxito eleitoral extrapolou os limites recomendados pelo preceito constitucional da orientação social. Impressionante é saber que a busca anunciada pela ciência na produção de uma vacina teve o volume de adesão alucinante em nome de tratamento precoce pela adoção oficial da cloroquina.

O ex-presidente Trump foi a grande referência inicial para a ação desmedida do poder executivo do Brasil, forçando espécie de crença num remédio alternativo, de reconhecida eficiência para alguns males, mas nunca afirmado como droga adequada ao combate do coronavírus. O próprio Trump, diante da flagrante rejeição do seu receituário, mandou enorme estoque de cloroquina ao governo brasileiro.

A busca do fortalecimento da tese vacinal tornou-se esforço ingente enfrentando o negacionismo e a versão cloroquina. O fanatismo político do Planalto com ação tresloucada do então ministro das relações exteriores e outras lideranças, além dos filhos do presidente causou enorme e grave constrangimento quando apareceu a primeira vacina.

Outros entulhos, como o combate a medidas preventivas como uso de máscara e distanciamento, tornaram mais difícil a urgente consolidação de consciência pública sobre verdadeiros fatores de combate à pandemia.

Já estamos cansados de mencionar a extravagância com apoio teocrático e fanatismo político, a mau exemplo das aparições exóticas do presidente e seus sabujos sem máscara nos encontros públicos.

Os laboratórios em ritmo acelerado no mundo e no nosso país lutando diuturnamente concentraram trabalho dirigido à produção da vacina. Os médicos e heróicos agregados pelo SUS não tiveram tempo nem recursos para convencimento sobre a ideia salvadora da vacinação.

Foi momento terrível na luta pelo combate eficiente conquistado pela seriedade da ciência. Sem nenhuma lógica decente, os empecilhos formaram o efeito retardatário da adesão à vacina. Difícil acreditar, mas foi pesado demais o jogo dispersivo do poder executivo desconhecendo a situação dramática dos cidadãos de nossa terra.

Pressão da morte

Houve momentos em que o negacionismo impregnado na sociedade levou até à desconsideração em relação ao número de mortos. As estruturas do Ministério da Saúde, pela consistência da missão estatal, têm sido resistentes aos estragos dos estranhos interesses manipulados.

Registre-se que as afirmações de base científica emitidas por autoridades sanitárias dentro do próprio governo enfrentaram o sonambulismo dos fanáticos de Bolsonaro. Houve troca de ministro que não adotou a cloroquina.

O comando político usou a força para substituir vozes acreditadas mundialmente no conhecimento. Vieram outros fatores terríveis como o ainda assustador número de mortos, superlotação dos hospitais, e até o oxigênio faltou para socorrer pacientes.

A imprensa, na obrigação de divulgar o caos causado pela pandemia, também foi atacada pelos irredutíveis alheios ao maior problema de saúde da nação. Lá pelas tantas o presidente mencionou laconicamente que lamentava a mortalidade. Tudo muito longe do sentimento reclamado por todos pela compaixão. Veio a manifestação do Congresso Nacional, mesmo atrasada, enquanto até o Poder Judiciário precisou interferir. O presidente prossegue nas esquivas.

Até quando?

Autor: Celestino Meneghini

Edição: Alex Rosset

Cenário democrático

Começamos uma marcha. Não sabemos onde chegará nossa força. Mas aprendemos com a sabedoria chinesa, que “uma caminhada de mil passos, começa com o primeiro passo”.

As máscaras abafam, mas não impedem que as vozes ecoem pelas ruas, manifestando resiliência e indignação. Os cantos, as falas, as palavras de ordem se fazem ouvir numa demonstração de defesa da Vida, contra toda espécie de violência.

O colorido das roupas e as tonalidades das máscaras, junto com os cartazes e as bandeiras, compõem uma estética de luta, enfeitam a caminhada, protestam contra os que negam direitos, os que negam a Ciência, os que são indiferentes às dores das famílias atingidas pelas mortes.

Esse colorido todo está denunciando uma realidade desigual em nosso país, em que as pessoas não têm como cuidar da saúde, não têm como participar de uma Educação de qualidade. Essas pessoas não têm emprego, não têm uma renda mínima, não têm uma moradia digna, não têm alimento, elas têm seus corpos, suas dores e sua coragem de enfrentar os desafios.

Notoriamente, é possível sentir a tenacidade dos que acreditam na organização da sociedade civil, na busca por direitos, exigindo ação eficaz dos que governam e são responsáveis em administrar a riqueza nacional, que deve estar a serviço da população. Os impostos que pagamos precisam ser justamente distribuídos, retornando em cuidados de todos os tipos, atendendo às demandas das brasileiras e dos brasileiros.

Vacinar, alimentar, proteger, educar, abrigar, manter são condições de vida imprescindíveis que a população espera de parte dos que disseram que cuidariam da felicidade pública e fortaleceriam a cidadania.

Exigir, protestar, reivindicar, denunciar, contestar é direito de todos, que possuem juízo crítico e sabem garantir as prescrições constitucionais. Este é o cenário democrático.

Importante, pois, destacar o significado do que ocorreu no sábado, 29 de maio de 2021, quando as máscaras protegeram as pessoas que saíram às ruas para exigirem o que lhes é devido, pelo poder público, depois de uma certa ressaca do povo nas ruas.

Lamentável a falta de comando de policiais atingindo as pessoas, usando suas armas para calarem o grito dos que não temem, ou atirando a esmo ferindo transeuntes. A covardia se fez presente, quebrando a harmonia aguda dos que acreditam que temos voz e não perdemos a vez.

Começamos uma marcha. Não sabemos onde chegará nossa força. Mas aprendemos com a sabedoria chinesa, que “uma caminhada de mil passos, começa com o primeiro passo”. Foi dado o primeiro passo.

Nem mesmo o medo de se infectar — uma vez que Bolsonaro, após recusar vacinas, só imunizou completamente 10% dos brasileiros — segurou mais a população em casa. Como dizia um cartaz visto no protesto em Teresina, “se um povo protesta e marcha em meio a uma pandemia, é porque seu governo é mais perigoso que o vírus”. Leia mais!

Autora: Cecilia Pires

Edição: Alex Rosset

Livro, ruas e endereços do Brasil

A autora e professora Elika Takimoto apresenta seu mais novo livro com uma temática super atual: o negacionismo. O negacionismo é, hoje, mais do que uma ideia potente, é uma força poderosa que precisa ser entendida, para ser enfrentada. Segue uma reflexão da autora que relata a relação direta da mesma com o envio de seus livros, adquiridos por pessoas de todo Brasil.

Sou eu que coloco endereço em cada livro que posto. É uma atividade manual que poderia ser somente de cópia, mas procuro me envolver emocionalmente no processo braçal e tirar disso alguma diversão.

De tanto colocar o destino, sei só de olhar o primeiro número do CEP para onde o livro vai. Agora estou atenta aos segundos e terceiros números do código postal e estou aprendendo sobre eles, a dizer, as sub-regiões de cada região desta bagaça chamada Brasil. Qualquer dia, você vai me falar o nome de sua rua e eu vou te dizer seu CEP assim na lata.

Começou por zero o CEP? São Paulo.

Um? Interior de São Paulo.

Dois? Ridijanêro.

Três? Minas.

Quatro, cinco e seis mando com beijo e gratidão: Norte e Nordeste.

Sete: Brasília.

Oito: Paraná e Santa Catarina

Nove: Rio Grande do Sul.

Endereço para Brasília é diferente dos demais do Brasil. Lá a coisa é tudo por número e quadras. As ruas não têm nomes e sim referências. Acho, sinceramente, que faz bem mais sentido do que ficar colocando nome em rua. Aliás, …

Tem muito mais rua com nome de homem do que com nome de mulher. O machismo está também escancarado no mapa do Brasil. Rua com nome de capitão e general tem aos montes, fica aqui mais essa observação.

Tem muita rua que começa com Doutor como a rua Doutor Victor Bhering em Conselheiro Lafaiete em Minas. Nunca vi rua com nome de doutora. Tem? Certamente. Mas acho que nenhum livro meu chegou até lá (já que sou eu que escrevo o endereço de quase todo mundo que adquire meus livros).

Rua com nome de governador tem em todos os Estados, assim como rua com nome de prefeito. Acho legal quando vejo rua com nome de vereador. Corro para saber quem foi e já quero saber da história daquela região toda.

Tem rua com cada nome que fico imaginando a pessoa escrever ou soletrar isso sempre. Exemplos: Rua Arthur Manuel Scheffer em Torres/RS, Rua Dragothim Tomich em Carlos Chagas/MG, Rua Friedrich Von Voith em São Paulo…tem vários endereços assim. Já sofro soletrando meu nome, imagina morando numa rua dessas… Em tempo, tem mais rua com doutor do que com professor como a rua professor Stroller em Petrópolis/RJ. Esse aqui fiquei com pena de quem mora lá tendo que escrever esse nome sempre que vai colocar o endereço: rua professor Carlos Schlottfeldt. Jesus amado… Sei nem como fala isso.

E tem ruas que eu vou ao Google para saber do que se trata: Igarapava, Upamaroti, Piracanjuba, Cambaúba, Guaianazes, Itapiru, Upiara, Tacomaré… estou enriquecendo meu vocabulário e minha cultura descobrindo onde vocês moram.

Quando aparece uma rua com nome e sobrenome de mulher, eu paro tudo. Sou despertada pela curiosidade dado minhas bandeiras. Olha isso, gente: Rua Jardelina de Almeida Alves em Mogi das Cruzes/SP, Rua Lilia Elisa Eberte Lupo em Araraquara/SP – CEP começando com …? Um! Isso mesmo. Rua Flamínia, aqui no Rio. Não parecem pessoas interessantes? Mas são poucas, como disse. Nome de homem tem aos montes ao ponto de me causar desinteresse pela história deles.

Tem poucas ruas que começam com “Dona”. Mas guardo o nome delas e fico imaginando uma mulher cuidando de todo mundo como a rua Dona Mariana (em Jacareí/SP), a rua dona Queridinha (em Itapoã CEP começando com três, portanto, Minas Gerais) e Rua dona Maria (CEP começando com dois, logo, aqui no Rio). Rua dona Avelina, rua dona Cassina, Dona Francisca, dona Catarina, dona Joana, Dona Isaura, Dona Veridiana, Rua Dona Tereza Cristina… São várias “Donas” que gostaria demais de saber quem foram.

Rua de Santo tem de todos que conheço e mais outro tanto que nunca tinha ouvido falar. São Sebastião, São Diego, Santo Antonio, Santo Expedito, São Eufredo, Santo Lenho, Santo Afonso,…

Tem ruas que fico imaginando o que se passou: rua da Gratidão (em Salvador CEP começando com quatro), rua da Represa (em São Bernardo CEP com zero), rua dos Sabiás (em Fortaleza CEP com seis), rua da Felicidade, rua da Alegria, rua dos Cavaleiros, rua das Princesas, …

E tem as ruas que sorrio quando escrevo pensando só na lindeza que é: rua das Dálias, rua das Flores, rua das Amendoeiras, rua das Laranjeiras, rua das Palmeiras, rua das Mangueiras, rua dos Ipês… Sei que poso chegar lá e ver um deserto de prédios, mas dá licença porque preciso imaginar coisas boas enquanto coloco o endereço nos envelopes.

Mais interessante do que isso são os nomes dos bairros, mas preciso voltar ao meu trabalho aqui. Caso contrário, não consigo cumprir o prometido que é mandar o livro para vocês com autógrafo ainda nesta semana. Já viram o quanto me disperso…

Por ora, parei tudo para dividir com vocês isso aqui que ando observando.

Com carinho, para todas as pessoas que compraram meu livro”.COMO ADQUIRIR O LIVRO:

“Como dialogar com um negacionista” é meu mais novo livro que está publicado pela editora Livraria da Física. Ele já está disponível na Amazon. Quem comprar por este link ( https://pag.ae/7XbERVDVv ), receberá o livro com dedicatória e autografado!

Afinal, o que temos neste livro? Aqui vai uma breve explanação feita pelo revisor Daniel Grimoni:

“O livro apresenta, através de oito capítulos escritos de forma simples e direta, como os mecanismos psicológicos ligados ao negacionismo também são verificados em quem acredita estar ao lado da razão e da ciência — duas coisas que, por sinal, carregam muito mais controvérsias do que se imagina. Como defender a ciência sem ser sincero sobre suas limitações? Como buscar a democracia enquanto se recusa o diálogo?

Com essas e outras provocações, Elika Takimoto nos apresenta um panorama de discussões e estudos sobre história e filosofia da ciência, verdade e pós-verdade, fake news, ceticismo, negacionismo, sociedade, educação e diversos outros temas. A autora, que pesquisou essas questões em sua formação acadêmica, também lida com elas diariamente, em salas de aula e conversas informais, e assim reúne sua pesquisa e sua experiência para a escrita do livro.

O que falta, então, é responder à pergunta: se essa tarefa não apenas é possível, como também é urgente e necessária, como dialogar com quem nega a ciência? O novo livro de Elika Takimoto busca oferecer algumas informações — e muitas perguntas — para ajudar nesse desafio.”

E aí, topa dialogar com uma professora?

(Qualquer dúvida: livrosdaelika@gmail.com)

Fotografias: Chamada: Reprodução / Montagem RBA Demais: Divulgação/arquivo pessoal/rede social

Autora: Elika Takimoto

Edição: Alex Rosset

Retirada da chupeta

Os pais não podem simplesmente retirar a chupeta da criança sem lhes oferecer segurança, amor, carinho e cuidados necessários para que se sinta bem ao longo da sua vidinha infantil.

A criança, desde os primeiros dias do seu nascimento, é levada ao uso da chupeta para acalmar o seu choro. Mas, a chupeta para criança vai muito além disso. Para ela, a chupeta representa a sucção que tanto é necessária para a formação das suas emoções e sentimentos. Através da sucção ela consegue manter um contato com o mundo real de forma sadia.

O uso da chupeta proporciona à criança a segurança, o conforto, o carinho, fortalecimento das suas emoções e sentimentos, pois é aquilo que acalma o seu espírito quando tudo ao seu redor não é compreendido. E não pensem os pais que é fácil para o bebê compreender o mundo fora do útero nos primeiros dias de vida, ele leva tempos para acostumar-se aos ruídos e barulhos que esse mundo lhe apresenta.

A retirada da chupeta nunca é tarefa fácil para os pais porque é preciso sempre pensar se a criança sem a chupeta terá toda a segurança e conforto que essa proporciona ao seu pequeno mundo.

Os bebês mais jovens precisam sentir-se seguros o tempo todo diante das pessoas que são desconhecidas para eles. Nos primeiros meses, quando passam a reconhecer o papai e a mamãe, o mundo começa a ficar mais compreensível, mas, mesmo assim, ainda há a insegurança e o desconforto do mundo novo.

A chupeta é um elemento importante para acalmar a criança quando esta não se sente confortável e começa a chorar. Sim, para alguns pais a chupeta é a forma mais fácil de fazer a criança parar de chorar, mas não é só isso que a chupeta representa.

A chupeta é a tranquilidade, a certeza de que tudo está bem, a quietude do espírito da criança que enquanto chupa aquele objeto se sente confortável e segura diante dele. Toda criança que usa chupeta tende a chorar menos.

Os pais não podem simplesmente retirar a chupeta da criança sem lhes oferecer segurança, amor, carinho e cuidados necessários para que se sinta bem ao longo da sua vidinha infantil. Claro é que aquelas crianças que não foram acostumadas ao uso da chupeta adaptaram-se a outras formas de buscarem essa segurança e conforto de que tanto falo. Mas, precisamos nos preocupar àquelas que desde os primeiros dias de vida iniciaram o uso da chupeta. Retirar bruscamente a chupeta não é recomendado para nenhuma criança.

Ainda temos aquelas mais grandinhas que fazem uso da chupeta mesmo os pais insistindo na sua retirada. Essas, talvez, sejam as que mais necessitam de cuidados e carinhos, pois as suas emoções ainda não estão totalmente formadas e as suas expectativas diante do mundo ainda são grandes demais para perderam o contato com o objeto que lhes traz conforte e segurança.

 A chupeta é o meio que a criança encontra para se defender dos seus medos e aflições diante de tudo o que lhe é estranho.

Quando uma chupeta é retirada abruptamente de uma criança, essa poderá sofrer danos emocionais graves e passar a buscar em outros objetos aquilo que a chupeta lhe oferecia, por isso algumas crianças passam a chupar a pontinha do lençol de dormir e outras chupam os seus brinquedos macios.

Todos nós somos levados à busca daquilo que nos traz um pouco de conforto e segurança. Não retire a chupeta da sua criança de vez. Dê um tempo para ela e para você.

Aprenda a cuidar da sua criança antes de pensar em retirar a chupeta dela. Atente para o amor que está oferecendo a criança se é suficiente, a atenção, o carinho. Veja se você consegue sozinho oferecer à criança a segurança que ela tanto precisa para um viver bem ao dentro e fora de casa.

Sim, as crianças tendem a chorar muito quando estão fora do ambiente ao qual não estão acostumadas. E não é de fome, mas de medo daqueles rostos estranhos e daquele local que seus olhinhos nunca viram antes.

Se a sua criança não consegue largar a chupeta de jeito nenhum, é bom procurar a ajuda de um especialista em psicologia para ele buscar descobrir o motivo desse apego. Às vezes, é uma emoção ou sentimento que não está sendo bem trabalhado pela criança.

A chupeta não só alivia o choro como também alivia o medo do escuro, o medo de ficar sozinho, o medo do estranho, o medo do desconhecido. As crianças maiores que não conseguem largar a chupeta precisam de cuidados especiais por parte dos pais, essas devem ser tratadas com mais cuidado e amor sendo-lhes apresentadas novas formas de enfrentar os seus medos e lidar com as suas emoções.

A criança da chupeta não é diferente da que chupa o dedinho. Sendo o dedinho um pouco mais difícil de ser evitado, pois faz parte do seu corpinho e a todo instante pode a ele recorrer. Mas os dois são usados na mesma função de segurança e conforto.

As crianças são inteligentes o bastante para saberem quando estão querendo tirar a sua chupeta à força. Logo, vão apresentar problemas de sono, de alimentação e choro por qualquer coisa para terem a chupeta de volta.

Um cuidado mais apurado por parte dos pais e responsáveis pela criança sempre é necessário para que essa se sinta protegida não somente pela chupeta, mas por uma pessoa em quem ela pode confiar. Aquela mãe que sempre troca a fralda da sua criança e está presente ao seu lado pode aos poucos substituir a chupeta por cantigas de ninar ou contação de histórias para alimentar as emoções e sentimentos das suas crianças.

Nunca retire a chupeta da sua criança de forma abrupta. Isso pode prejudicar a sua formação. Tenha paciência para lidar com o seu crescimento emocional. E, acima de tudo, atente para os cuidados que a criança necessita mesmo que essa já seja grandinha. Cuidados nunca são demais, apenas não exagere em nada.

Autora: Rosângela Trajano

Edição: Alex Rosset

Consumismo e felicidade: uma relação inviável

No monte de lixo de tantos desejos superficiais e supérfluos, tratei de desvendar o desejo mais profundo de meu ser. Que mais queriam meu coração e minha alma?

Era uma vez… Eu, você, ele, nós, todos… Vivíamos no mundo fantástico das novidades. Corríamos atrás delas com o mesmo afã do sedento que busca água fresca. Surfávamos na onda dos últimos lançamentos da moda. Cores e sabores, ruídos e imagens, luzes e sons nos embriagavam de prazer. Era só procurar nas lojas das ruas e shopping centers, profusamente iluminadas, e aí encontrávamos o que estávamos procurando.

Aliás, a publicidade e a propaganda, orientadas pelas técnicas mais sofisticadas do marketing, nos antecipavam o que deveríamos buscar. Não precisávamos quebrar a cabeça: o mercado se encarregava de descobrir novas necessidades, estimular nossos desejos e oferecer tudo isso revestido de embalagens sedutoras e irrecusáveis. Digamos de passagem que, via de regra, os invólucros custavam bem mais caro do que o conteúdo. Tanta era a preocupação de atrair novos clientes.

Porém, os objetos tinham curto prazo de validade. Não que estivessem estragados ou quebrados, mas é que a todo tempo surgiam novos modelos. Era preciso antecipar-se aos demais. Dominava a lei da moda e não podíamos ficar ultrapassados.

Filme “A história das coisas”. Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos.

O último carro, o último computador, o último celular, a última blusa, a última bolsa, o último relógio, o último sapato, a última calça ou vestido, o último modelo de apartamento… Em tudo, imperava a última novidade. Sorte que a “telinha” nos poupava o trabalho de escolher: despejava sobre nossas salas uma avalanche estridente de objetos com brilho novo, recém-saídos da fábrica.

Mas, da mesma forma que os objetos, também nossa satisfação tinha prazo curto de validade. A sede de algo inédito voltava com a força do desejo represado. Navegávamos pelas ruas, pelos centros comerciais e pela Internet como seres famintos atrás de novidades. Os enfeites, o design e o colorido das lojas nos fascinavam. Era preciso satisfazer as novas necessidades que nasciam em nós com a velocidade eletrizante da informática. Ofuscados por esse brilho, nos movíamos cegos e surdos.

Todo esse cenário seguia as regras de uma espécie de credo: produzir, comprar, consumir, ter, aparecer, descartar… E assim indefinidamente. A roda não podia parar.

A produção gerava novas necessidades e estas, por sua vez, aceleravam o processo de produção. No coração desse círculo de ferro, os especialistas do mercado e do marketing se batiam como loucos para inventar, desenhar e divulgar o resultado de sua criatividade cada vez mais fecunda.

Valiam as mesmas regras para as relações pessoais, humanas. Também estas se viam atropeladas pelo ritmo alucinante da sociedade de consumo. Era preciso ser muito inovador e criativo para manter por largo prazo uma amizade, um namoro, um casamento. Descartavam-se laços primários como se descartavam objetos, como se troca de roupa. Coisas e pessoas sofriam da mesma provisoriedade. Predominava o “império do efêmero” (Gilles Lipovetsky).

Perguntas aos jovens: tenho consciência de que tudo passa na vida? Estou buscando a cada dia melhorar-me, auto conhecer-me, combater as minhas próprias imperfeições, respeitando e protegendo as pessoas e a Natureza? (Gladis Pedersen) Leia mais!

Em lugar da relação eu-tu, do face-a-face, criavam-se relações de terceiro grau. O telefone, a Internet, o twitter, o faceboock, a facilidade dos transportes e das comunicações permitiam fugir aos encontros olho-no-olho e estabelecer contatos à distância. Estes nos eximiam dos compromissos duradouros, eram facilmente descartáveis. O verbo namorar foi substituído pelos verbos ficar e “pegar”, onde novamente o compromisso não era a coisa mais necessária. Tudo se volatilizava, tudo era virtual, “tudo que era sólido se desmanchava no ar” (Marx-Engels).

Ao lado disso, crescia o culto do “eu” e do corpo. Aumentava paralelamente o número de academias e de drogas para emagrecer. Ganhavam terreno as celebridades televisivas, esportivas ou cinematográficas.

O conceito de personalidade centrava-se sobre o próprio umbigo. Exacerbava-se o individualismo e o hedonismo. A tirania da beleza perseguia os corpos esqueléticos das meninas que participavam dos eventos fashion. Por todo lado, imperava a “tirania do prazer” (Jan-Claude Guillebaud).

Até que um dia… Um dia resolvi fechar os olhos e ouvidos a esse assédio da mídia e do mercado. Estava saturado do bombardeio diário de novidades que, longe de matar a sede, a aguçavam ainda mais. Cada vez eram necessários mais objetivos para preencher o vazio que os anteriores deixavam. E esse vazio só fazia aprofundar-se. Acabei caindo num poço sem fundo e sem remédio. Frustrações, tédio, desilusão e fastídio era minha única colheita.

Os mais velhos se sentem mais felizes, mais saudáveis por terem sobrevivido à covid-19. Já os jovens, estão menos satisfeitos porque também tiveram um ano difícil. Assista aqui.

Busquei o silêncio, a reflexão, a meditação. No monte de lixo de tantos desejos superficiais e supérfluos, tratei de desvendar o desejo mais profundo de meu ser. Que mais queriam meu coração e minha alma? Deparei-me com a necessidade de amar e ser amado, único caminho da felicidade.

Entendi o que significa passar pela porta estreita do Evangelho. Compreendi que a porta larga, aparentemente livre e iluminada, leva à escravidão dos impulsos, paixões desejos imediatos. A porta estreita, ao contrário, embora às vezes obscura, abre perspectivas e luzes insuspeitáveis. Laboriosamente, encontrei-me com a sentença de Santo Agostinho: “O homem veio de Deus e não repousa em paz enquanto não voltar a descansar Nele”. Aí estava meu maior desejo!

“Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova. Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus, mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração. Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava. Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio”. Acesse esse texto na integra aqui.

Sempre no silêncio da oração e da meditação, descobri ainda que esse desejo do totalmente Outro passa necessariamente pelo encontro com o outro humano. Que a busca do Transcendente passa pelo encontro com o diferente.

Entendi que era impossível seguir a rota desse desejo mais profundo de forma solitária. A busca implicava, por um lado, combater a violência e a discórdia, a assimetrias e desigualdades sociais, a miséria e a fome; e, por outro, construir novas relações de solidariedade, justiça e comunhão. Fazer dos estranhos e estrangeiros novos irmãos, deixando-se desafiar por suas interpelações.

Encontrada a pérola, pus-me fatigosamente a cultivá-la. Perco-a com frequência, é preciso remover novamente o entulho, recomeçar tudo de novo. Ele se revela e se esconde. Mas pelo menos descobri senão a água viva, pelo menos o caminho da fonte.

Não sabemos com certeza se é possível viver feliz. Até mesmo por que a noção de felicidade depende fundamentalmente de valores profundamente pessoais. Portanto, não há busca pela felicidade sem o autoconhecimento.

PROPOSTAS DE ATIVIDADES PEDAGÓGICAS

     Seguem sugestões que o docente pode ampliar de acordo com o seu contexto de atuação.

Os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e anos iniciais do Ensino Médio, nos componentes curriculares Ensino Religioso, Filosofia e Sociologia discutem conceitos como Consumismo, Ética, Felicidade, Projeto de Vida, Indústria cultural e cultura de massa, Corporeidade.

A partir da leitura e discussão desta publicação, estudantes podem ser orientados para aprofundar a influência das mídias na formação dos ideários de juventude e de vida saudável e de felicidade, sobretudo a partir dos vídeos que fazem parte da publicação.

Outra proposta é fazer um debate sobre como a pandemia e o isolamento físico e social afetaram a percepção das necessidades humanas e qual são agora os novos apelos para o consumismo que move a roda da economia.

Outra possibilidade de aprofundamento é estudar as formas com que as diferentes religiões concebem e orientam sobre a maior busca humana, a felicidade. Realizar pesquisas na internet sobre esta temática e apresentá-las na sala de aula (virtual ou presencial).

Autor: Alfredo J. Gonçalves

OUTRAS PROPOSTAS QUE PODEM SER AMPLIADAS

Professor Marciano Pereira

7º Ano. Para trabalhar as escolas helenísticas (cinismo e epicurismo).

Habilidade.

  • Relacionar felicidade e vida simples por meio da filosofia cínica.
  • Identificar a oposição que os cínicos fazem aos desejos criados em sociedade.
  • Estabelecer a relação entre felicidade, paz interior e ausência de dor a partir da filosofia de Epicuro.
  • Compreender a hierarquia dos prazeres.

          Começar a aula com a música do grupo Melim, peça felicidade (Versão Acústica) disponível em https://www.youtube.com/watch?v=yLUfTdhDAWQ  Acesso 27/05/2021.

Refletir sobre as perguntas a seguir

1)  O que é felicidade para você?

2)  O que dizem que a gente precisa para ser feliz?

3) Qual é a ideia de felicidade presente nas propagandas que a gente assiste, lê, escuta?

            Apresentar a filosofia do cinismo dando ênfase a Diógenes de Sínope, ressaltar que para este, a filosofia consiste em uma atitude diante da vida. Atitude de desapego das coisas materiais e das convenções sociais. Isso pode ser observado na figura abaixo.

É importante que o professor apresente a tese do cinismo junto com mais elementos desta filosofia entendida como uma forma de vida.  Ressaltamos que Segundo o cinismo a paz interior requer um agir   desapegado, alheio as convenções e a muitas coisas que parecem essências para a vida, mas que na verdade, impedem um existir com leveza e autenticidade. Quem muito acumula corre o risco de tornar-se apenas consumidor que mantém o ciclo interminável da “história das coisas”.Diógens, Pintura de Jean-Léon Gérôme(1860)

Para finalizar, o professor pode solicitar dos estudantes um exercício prático sobre o necessário e o supérfluo.

a) Faça uma lista de coisas supérfluas que você possui.

 b) Crie uma tirinha contendo uma convenção que você julga inútil para o bem viver. 

    Seguindo a reflexão sobre outra escola helenística o professor pode tratar sobre o epicurismo, a hierarquia dos prazeres. É importante destacar que para Epicuro a finalidade da vida é o prazer, mas não se trata de qualquer tipo de prazer. para a paz interior basta a satisfação dos prazeres naturais e necessários. Para aprofundar assista o vídeo a seguir:

EPICURISMO | A Filosofia do Prazer (só que não)

Um existir segundo o prazer epicurista é necessário discernimento para escolher a satisfação dos prazeres naturais e necessários, para alegrar-se com as coisas simples do dia a dia.

9º ANO

Habilidade: elaborar uma crítica à sociedade de consumo.

Entender o conceito de mais valia de Marx e Engels.

O vídeo a história das coisas pode ajudar numa reflexão sobre meio ambiente, nesse sentido é possível usar outro curta metragem chamado “ilha das flores” disponível em https://vimeo.com/238439307. Acesso 27/05/2021

 Um dos resultados do consumismo é a destruição da mãe natureza, da criação divina se assim acreditarmos. Através do seu trabalho o homem modifica, explora e domina a natureza, infelizmente se produz cultura distanciando se da natureza, ao considerar-se superior, dono absoluto dos recursos naturais relativiza-se a vida, impede –se a justiça e constroem-se relações alienadas e alienantes. Cabe ao professor expor de forma didática os conceitos de trabalho e alienação segundo Marx.

Para refletir:

Tirinha disponível em https://blogdoenem.com.br/max-weber-simulado-enem/ Acesso 27/05/2021

1) Como o conteúdo do texto pode ser relacionado com a tirinha acima? Explique usando as suas palavras.

 2) Quais alternativas podem ser vislumbradas para o enfrentamento desta problemática do trabalho alienado e do uso indiscriminado dos recursos naturais?

 3)  Que tal se a turma pensasse em um projeto de conscientização sobre reutilização dos resíduos, “consumo consciente” (se é que podemos falar nesse conceito)? Essa questão pode ser ampliada e tornar-se um projeto que envolva toda comunidade escolar e seu entorno.

É importante pensar em alternativas para a sociedade de consumo, em formas de organização que favoreçam a valorização, o cuidado da vida e a justiça social.  

Edição: Alex Rosset

Vitória da luta: Ministério da Saúde antecipa vacina para trabalhadores da educação

Após intensa pressão da categoria em todo o país, os trabalhadores(as) da educação – incluindo professores(as) e funcionários(as) – poderão se vacinar a partir da próxima remessa de imunizantes.

A notícia foi veiculada pelo Estadão na quinta-feira (27), com base em relato da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT). Já nesta sexta, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica confirmando a informação.

O porcentual disponível dependerá do quantitativo de vacinas entregues. A luta dos educadores(as) também levou governadores a pressionarem o governo federal pela mudança no Plano Nacional de Imunização.

No Rio Grande do Sul, diante da imobilidade do governo Leite (PSDB), a ação judicial do CPERS pela manutenção das aulas remotas originou um processo de mediação no Judiciário, forçando o governador a se movimentar em defesa da vacina .

Estão no PNI profissionais do Ensino Básico, creche, pré-escola, Ensino Fundamental, Ensino Médio, ensino profissionalizante, EJA (jovens adultos), Ensino Superior público e privado.

Desde o início da vacinação, o CPERS defende prioridade aos educadores(as) e a definição de um calendário de imunização, considerando as condições precárias das escolas da rede estadual e o descaso do Estado com a segurança sanitária da comunidade escolar.

O Sindicato continua na luta pela suspensão das aulas presenciais neste momento dramático da pandemia, testagem, mais recursos, EPIs decentes e manutenção das aulas remotas.

Autor: CPERS Sindicato

Edição: Alex Rosset

O genocídio e o saber

Reacionários que hoje estão próximos da extrema direita amam romanticamente os professores da sua infância. Mas detestam os professores do século 21 e suas demandas por condições de trabalho, respeito, equipamentos e vencimentos dignos.

Uma retórica cínica, que se repete em poemas, crônicas, discursos, memórias e relatos de todo tipo, exalta o professor como herói, desde que seja resignado e passivo.

Em quase todas as narrativas, nesses casos, o professor é um herói particular, da memória afetiva de alguém, com suas singularidades e seus afetos. E essa exaltação do mestre conformado é uma farsa.

Porque esse professor herói quase não existe nesses relatos como figura crítica, de ação, de fala e de bravuras coletivas, no contexto em que atua, com as dificuldades que enfrenta.

Sempre foi assim. Reacionários que hoje estão próximos da extrema direita amam romanticamente os professores da sua infância. Mas detestam os professores do século 21 e suas demandas por condições de trabalho, respeito, equipamentos e vencimentos dignos.

A pandemia só exacerbou esse conflito. Querem, a todo custo, que o professor-herói volte a trabalhar em aulas presenciais, mas sem o direito preferencial de ser vacinado.

Vacinaram os professores, em grupos prioritários, na maioria dos Estados americanos e em muitos países da Europa. Também vacinaram os mestres nos primeiros grupos preferenciais no Uruguai.

O Chile começou a vacinação de professores em fevereiro. Os professores estão sendo vacinados em São Paulo e na Bahia.

Mas na maior parte do Brasil querem apenas que os professores voltem a dar aulas presenciais. Porque os governadores não definiram prioridades com um mínimo de racionalidade, não compraram vacinas (como muitos ameaçaram fazer, apenas como blefe) e porque há pais exigindo os filhos nas escolas.

A Unesco fez um apelo, no final do ano passado, para que os professores fossem parte dos grupos prioritários. ONGs, sindicatos, entidades ligadas à educação, pais e avós de estudantes querem ver os professores de volta às salas de aula. Mas desde que vacinados.

Sabe-se que os próprios professores, estressados pelas demandas e dificuldades das aulas remotas, que exigem muito mais paciência e controle quase absoluto de equipamentos, métodos e tecnologias, querem retornar às aulas presenciais. Desde que vacinados.

O mundo está há mais de um ano numa situação esdrúxula em que muitos adolescentes, mais do que as crianças, fingem que estão estudando. No Brasil e em qualquer parte.

Os professores sabem disso. Os especialistas em educação acompanham tudo e também sabem. Um ano, para uma criança ou um jovem em aprendizado intenso e permanente, é uma década para um adulto.

Milhões de crianças em todo o mundo tiveram um aprendizado precário nesse período. Porque estão fora das aulas presenciais. Por falta de vacinas.

Enquanto não há imunizantes para os professores, o Brasil chega ao acinte do debate sobre a possibilidade de vacinação de jogadores de futebol. Porque eles se abraçam a cada gol. Empresários não desistem de furar a fila. Policiais conseguiram, em muitos Estados, a vacina que os professores não têm.

A pandemia escancarou verdades antes insinuadas ou sugeridas. Para o contingente terraplanista, negacionista ou simplesmente reacionário, a educação é um estorvo, principalmente a educação pública, e a educação do setor privado passou a ser apenas um negócio.

É mais do que aderir à estratégia deliberada do governo Bolsonaro de aniquilamento da educação, do ensino básico à universidade. É uma prática generalizada de depreciação cotidiana do ensino, em todos os níveis, em todas as esferas do poder executivo, de Brasília e dos Estados aos municípios.

O professor sem vacina é, entre todos os profissionais de atividades essenciais, aquele que o setor público considera menos essencial. É ele quem encaminha a formação do filho de quem o deprecia.

Mas o ultraconservador não está tão preocupado como parece com o aprendizado dos filhos. Ele quer guerra contra quem considera inimigo. E o saber é o adversário que o confronta com seus preconceitos e suas ignorâncias.

Para governantes e para muitos pais, o professor já não tem mesmo quase nada do que deveria ter, por direito e por merecimento, e por isso pode ficar sem vacina. O genocídio é um projeto que subjuga pelo alheamento e pela destruição de vidas. E que só estará completo se também destruir o saber.

FONTE: Esta reflexão foi originalmente publicada em : https://www.extraclasse.org.br/opiniao/2021/04/o-genocidio-e-o-saber/

Deveríamos, neste momento histórico, ressignificar o sentido e o papel da escola na perspectiva humanizante, onde a centralidade da mesma seja a construção permanente de conhecimentos, envolvendo os sujeitos aprendentes: professores e estudantes. Uma escola onde a socialização seja uma dimensão que se incorpora às práticas educativas, de forma permanente, de maneira intencionada e valorizada pedagogicamente. Leia mais!

Autor: Moisés Mendes

Edição: Alex Rosset

Diferente: respeitar ou caçoar?

O diferente não deve ser encarado como algo pejorativo, principalmente, na linguagem. O diferente deve ser encarado como algo que traz a alma, a riqueza popular através da língua.

A língua ao longo da história foi usada como ferramenta para excluir e para dar prestígio e continua sendo um mecanismo que permite refletir os aspectos linguísticos na sociedade e como eles são encarados. Fazemos uma distinção entre língua e linguagem para sermos fiéis aos estudos linguísticos.

Dessa forma, trataremos de LÍNGUA quando fazemos referência ao código linguístico convencionado por uma comunidade de falantes, ou seja, sistema de representação e de LINGUAGEM quando nos referimos à língua em uso, ou seja, a efetivação da língua, quando colocamos o sistema em prática através de arranjos individuais[1]. Ou podemos tratar a linguagem como atividade humana que resulta em experiências significativas na e pela linguagem.

Nos estudos linguísticos, encontramos ancoragem para a discussão que trazemos. A Sociolinguística entende que a efetivação da língua se dá através de variações linguísticas, pois não há como estabelecer um padrão único, porém essas variantes que resultam de privação de acesso à escolarização, gênero, faixa etária e regionalismo, que podem causar estranhamento por partes de alguns falantes que elegem como padrão uma variante linguística, inclusive acarretando na discriminação.

Assim, SANTANA, 2018, p.39[2], afirma que esses falantes e ouvintes têm na sua perspectiva e visão de mundo a base para os julgamentos e usos que fazem em relação às variantes linguísticas. Esse autor que citei anteriormente é meu amigo e é com ele que travamos diversas discussões sobre linguagem.

Em se tratando em linguagem, o que incomoda é o diferente, como bem fala meu amigo, Wenderson Phelipe da Silva Santana, brasileiro, linguista, Programador de Linguagem da Google na Inglaterra: “Qualquer pessoa que sai do seu ambiente, da sua comunidade de prática da língua e entra numa outra diferente, vai sofrer o preconceito por ser diferente”. Isso é tão verdadeiro porque se olharmos ao redor teremos fatos relacionados a isso para contar.

Ele enfatiza mais, dizendo: “Mesmo a pessoa que migra de uma região que usa uma variante considerada padrão da língua, ela também vai sofrer se ela for para um lugar diferente daquele”.  Nessa declaração podemos perceber como a linguagem é em diferentes contextos passível de discriminação.

SANTANA, como grande estudioso e conhecedor da linguagem que tem se dedicado ao trabalho com a linguagem, traz um exemplo: “uma pessoa que sai de uma cidade grande, São Paulo, e vai para o interior do Rio Grande do Sul. Essa pessoa  nasceu e cresceu lá, mas por motivos familiares veio para  Marau, por exemplo, cidade que predomina a colonização italiana, ela também sofre por falar leiti quenti e pensar que essa forma é “a mais padrão do português do Brasil”.

O exemplo que Santana nos traz é o que chamamos na Sociolinguística de juízo de valor social distinto que os falantes fazem do seu próprio comportamento linguístico e sobre o dos outros. E esse comportamento pode acarretar numa discriminação linguística.  SANTANA,  argumenta a respeito disso: “se você olhar na TV, é imposta uma variante tida como a forma padrão aceita no país, considerando outras variantes como pejorativas. E no exemplo acima, mesmo a pessoa que tinha no seu vernáculo essa forma mais prestigiosa, saiu daquele lugar, ainda assim, foi caçoada porque era diferente”.

Nós, que estudamos a língua, sabemos que não há padrão e que na língua em uso teremos muitas variantes e elas devem ser aceitas e respeitadas, porém, infelizmente, a linguagem serve para provocar muitas humilhações.

Eu mesmo quando saí da comunidade do interior e comecei meus estudos com muita dificuldade na Escola Estadual São José de Constantina, enfrentei na pele isso por falar mio, foia, fumo e vortemo. Isso é tão traumático para um adolescente que a cada dia brotava dentro de mim a vontade de estudar muito para alcançar uma “fala correta”.  É claro que o próprio estudo em minha vida fez com que eu entendesse muito mais das variações linguísticas percebendo que o meu falar era apenas uma variante da língua portuguesa, marcando a identidade de uma comunidade retirada de tudo, inclusive privado de acesso economicamente. 

Na minha dissertação de mestrado fui orientado pela banca para clarear o termo “fala correta”, porque hoje também como estudioso da língua sei que isso não existe, que todas as variantes devem ser respeitadas.

Sabemos que na língua há duas relações principais que são estabelecidas: falante-língua e falante-outro. A relação falante-língua constitui-se dos dizeres dos outros na experiência significativa na e pela linguagem que, neste caso poderá ser positiva ou traumática, com isso, o falante vivencia e se constitui enquanto sujeito por essa experiência.

Na relação falante-outro remete a inter-relação de um eu e um tu, condição essencial para que a língua se efetive numa atmosfera linguística. Esse tu trazemos aqui como outro, que sem ele não há possibilidade de efetivação da língua, que resulta dessa relação significativa do falante-outro que fala/emite/ouve/percebe. E é nessa relação que poderá surgir o preconceito linguístico.

No caso de um menino que nasceu no interior, de uma comunidade pobre, num lugar onde as dificuldades financeiras imperavam, a sua variante linguística, por certo, não será de “prestígio” ao sair deste ambiente e migrar para uma escola maior, sofrerá retaliações por ser um falar diferente, porque como diz meu Santana, “o que incomoda é o diferente”, e ele vai querer abortar sua variante para não vivenciar essa experiência traumática na e pela linguagem.

No mês de junho, tradicionalmente, as escolas enfatizam nas comemorações juninas a linguagem caipira e acabam por produzir o preconceito de uma variante linguística tida como desprestigiada, faz-se chacotas de um falar existente encontrado nas comunidades retiradas, como se esses falantes não dominassem o “vernáculo padrão”.

No mês de junho, escolas e alunos reúnem-se para fazer apresentações para a comunidade escolar. Realizam-se apresentações como teatros e danças “típicas”. Se olharmos pelo lado da expressão corporal, até isso colaborará para o desenvolvimento intelectual, corporal e linguístico. Agora se pergunta: como são feitas estas expressões? A que se refere à vestimenta? A vestimenta é tipicamente remendada, rasgada e “fora de moda”. Na cabeça usa-se um chapéu grande, e, na maioria das vezes, rasgado. Leia mais!

O agravante dessas “comemorações” está na brincadeira discriminatória da linguagem, porém o que mais impressiona que isso tudo é associado a uma vestimenta rasgada, remendada, chapéu de palha, que incentiva o preconceito de uma classe social que está à margem da sociedade sem acesso digno.

São essas pessoas que produzem o alimento na agricultura familiar e são tidas como motivo para risos. E por que se pinta o dente para dizer que está cariado? Essas atitudes deveriam ser banidas, principalmente, das escolas, onde são tidas como lugar para respeitar e acolher os diferentes, acabam enfatizando a distinção entre seres sociais. Os dentes cariados representam um constitutivo da linguagem preconceituosa usada, pois está a prova que muitas pessoas não têm o mínimo direito numa sociedade desigual, enquanto uns colocam lentes de porcelanas, muitos trabalhadores tisnados do sol, perdem seus dentes por não ter acesso ao básico para sua saúde.

As escolas deveriam enfatizar nas danças, nas quadrilhas regionais e banir este “estilo”, “mania” de deboche advindo da linguagem e que traz um conjunto de discriminação sociolinguística.

Portanto, a linguagem não pode servir como pretexto para excluir. Não podemos admitir que o diferente linguístico sofra discriminação, tendo a linguagem como veículo do preconceito linguístico. Essa relação falante-língua, falante-outro tem de resultar uma experiência significativa do ponto de vista positivo na e pela linguagem, pois os falares  representam a cultura de um povo, as variantes linguísticas trazem um histórico que devem ser respeitadas.

O diferente não deve ser encarado como algo pejorativo, principalmente, na linguagem. O diferente deve ser encarado como algo que traz a alma, a riqueza popular através da língua.

Referências Bibliográficas

DIEDRICH, Marlete Sandra. Aquisição da linguagem: o aspecto vocal da enunciação na experiência da criança na linguagem. 2015. 148f. Tese (Doutorado em Estudos da Linguagem) – Programa de Pós-graduação em Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015.

______. A criança e sua relação com a interdição: a mobilização de arranjos discursivos particulares. Revista Desenredo, 2018, Passo Fundo, v. 14, n. 3.

______. O poético que se instaura no vocal: a experiência da criança na linguagem. Revista Desenredo, 2020, Passo Fundo, v.16, n. 1, p. 114-126, jan./abr. 2020.

SANTANA, Wenderson Phelipe da Silva. Variação de gênero gramatical
como indexador de identidade gay. Dissertação de Mestrado, Orientadora Edair Maria Gorsky. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018.

[1] Conceito usado pela linguista da Universidade de Passo Fundo, Professora Dra. Marlete Sandra Diedrich

[2] Citação tirada da Dissertação de Mestrado Variação de gênero gramatical
como indexador de identidade gay. SANTANA, 2018, p.39.

Autor: Laércio Fernandes dos Santos

Edição: Alex Rosset

Imunizar a educação é o caminho!

O grande consenso da importância da educação e do prejuízo que vivem nossos estudantes não pode resultar em volta às aulas presenciais sem segurança.

Leite não se dispõe a desobedecer ao Plano Nacional da Vacinação para imunizar trabalhadores e trabalhadoras da educação, mas determina que esses arrisquem suas vidas para retomar presencialmente as aulas. Estranho critério de ponderação: uma atitude que, no máximo, vai gerar uma advertência ou multa, a outra pode resultar em adoecimento e em óbito de quem sofre suas consequências.

De outro lado, comprometidos de fato com a viabilização da volta às aulas presenciais, vários prefeitos iniciaram a vacinação desses profissionais, usando o excedente da vacinação diária ou até reservando um percentual para essa área; outros decretaram prudencialmente que as escolas não abrem até o final de maio, na expectativa do avanço da imunização e da garantia da proteção da vida.

Nossa convicção de que só a imunização da educação vai nos dar condições de retomada do ensino presencial, recuperando aprendizagens e desenvolvimentos, lacunas e abandonos que, mesmo com o maior esforço e empenho dos profissionais nas aulas remotas, nos levou à Brasília, em Jornada pela Educação, a apresentar projeto de lei priorizando essa área também levando a proposta aos órgãos de controle e defesa dos direitos.

A tensão para a volta ao ensino presencial, feita por setores da área privada, não incorporou essa demanda, levou a juízo o debate e à alteração casuística do sistema de distanciamento.

São os municípios, mais uma vez, que se sensibilizam, assumem inteiramente as responsabilidades pela pandemia no território, e avançam na vacinação para esse setor.

Os municípios que, pela pretensão do governo estadual, assumirão a responsabilidade pelo sistema de distanciamento, segundo o novo modelo em apresentação pelo governo do Estado, contam, no entanto, com as mesmas orientações/protocolos para o retorno das aulas presenciais de junho de 2020, sem considerar nem a evolução do vírus e da pandemia, nem o conhecimento de sua forma de transmissão e necessidades de organização dos espaços escolares, das máscaras e ventilação. Estão certos então em avançar na vacinação. Têm todo nosso apoio político!

O grande consenso da importância da educação e do prejuízo que vivem nossos estudantes não pode resultar em volta às aulas presenciais sem segurança. Queremos que resulte em verdadeira priorização da educação: vacina, tecnologia, investimento, democracia!

Vejo um monte de pessoas reclamando que as escolas não estão abertas, mas não vejo essas pessoas lutando pela vacinação dos profissionais da escola, todos os profissionais de uma instituição de ensino. Porque escola não é só professores e direção. Leia mais!

Autora: Sofia Cavedon

Edição: Alex Rosset

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